{"id":16121,"date":"2016-01-06T00:00:00","date_gmt":"2016-01-06T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/uncategorized\/historia-da-tv-cultura\/"},"modified":"2026-08-31T23:31:46","modified_gmt":"2026-08-31T23:31:46","slug":"historia-da-tv-cultura","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/historia-geral\/historia-da-tv-cultura\/","title":{"rendered":"Hist\u00f3ria da TV Cultura"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"ads-cima\"><\/p>\n&nbsp;\n<p class=\"imagem\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Hist\u00f3ria da TV Cultura\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/chhistor6.jpg\" alt=\"Hist\u00f3ria da TV Cultura\" width=\"299\" height=\"285\" \/><strong>\nLogo da TV Cultura<\/strong><\/p>\nDesde sua cria\u00e7\u00e3o, ainda no in\u00edcio dos anos 70, a <strong>TV Cultura<\/strong> tomou para si a miss\u00e3o de atuar como uma TV escola, priorizando a educa\u00e7\u00e3o a dist\u00e2ncia, desenvolvendo uma programa\u00e7\u00e3o mais voltada para os conte\u00fados escolares com o objetivo de suprir as defici\u00eancias e car\u00eancias educacionais do pa\u00eds.\n\nUm segundo passo em sua trajet\u00f3ria foi descobrir que era preciso &#8211; sim! &#8211; fazer educa\u00e7\u00e3o e cultura; por\u00e9m, sem deixar de lado o entretenimento, caracter\u00edstica pr\u00f3pria da televis\u00e3o enquanto meio de comunica\u00e7\u00e3o.\n\nEssa nova postura, baseada em conceitos mais modernos de educa\u00e7\u00e3o, entendida como forma\u00e7\u00e3o integral do homem e visando a amplia\u00e7\u00e3o de horizontes e conhecimentos, permitiu abrir o leque de possibilidades e de interesses dos programas produzidos e exibidos.\n\nNessa fase, a programa\u00e7\u00e3o infanto-juvenil tomou grande impulso, transformando-se, nos \u00faltimos anos, no n\u00facleo b\u00e1sico e mais criativo da <strong>TV Cultura.<\/strong>\n\n<strong>Respeitando sua intelig\u00eancia e dignidade, na Cultura, a programa\u00e7\u00e3o voltada para a inf\u00e2ncia e para a juventude livrou-se de dois desvios habituais do segmento:<\/strong> o excesso de didatismo e a utiliza\u00e7\u00e3o mercadol\u00f3gica da cabe\u00e7a de crian\u00e7as e jovens em forma\u00e7\u00e3o.\n\nCom esse trabalho cont\u00ednuo de renova\u00e7\u00e3o e experimenta\u00e7\u00e3o, a TV Cultura foi desenvolvendo novas linguagens, criando um estilo pr\u00f3prio que se transformou num modelo a ser seguido.\n\nSimultaneamente, houve a introdu\u00e7\u00e3o de uma programa\u00e7\u00e3o variada e informativa; o desenvolvimento de um telejornalismo cada vez mais independente e anal\u00edtico; a cobertura dos principais eventos musicais, culturais e esportivos do pa\u00eds e do mundo; a preocupa\u00e7\u00e3o com o desenvolvimento e a transmiss\u00e3o de programas voltados para a problem\u00e1tica ambiental global; a abertura de espa\u00e7os para a programa\u00e7\u00e3o independente brasileira de cinema e v\u00eddeo; a produ\u00e7\u00e3o e a co-produ\u00e7\u00e3o de document\u00e1rios e de reportagens sobre o Brasil.\n\nTudo isso, \u00e9 claro, sem deixar de dar aten\u00e7\u00e3o especial \u00e0 programa\u00e7\u00e3o educativa e cient\u00edfica mais espec\u00edfica.\n<p class=\"imagem\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Hist\u00f3ria da TV Cultura\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/chhistor1.jpg\" alt=\"Hist\u00f3ria da TV Cultura\" width=\"246\" height=\"174\" \/><\/p>\n<p class=\"imagem\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Hist\u00f3ria da TV Cultura\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/chhistor2.jpg\" alt=\"Hist\u00f3ria da TV Cultura\" width=\"247\" height=\"177\" \/><\/p>\n<p class=\"imagem\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Hist\u00f3ria da TV Cultura\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/chhistor3.jpg\" alt=\"Hist\u00f3ria da TV Cultura\" width=\"241\" height=\"179\" \/><\/p>\n<p class=\"imagem\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Hist\u00f3ria da TV Cultura\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/chhistor4.jpg\" alt=\"Hist\u00f3ria da TV Cultura\" width=\"245\" height=\"185\" \/><\/p>\n<p class=\"imagem\" align=\"left\"><\/p>\n<b>Compromisso<\/b>\n\nNum pa\u00eds como o Brasil, de grandes desigualdades, profundos problemas sociais e alto \u00edndice de analfabetismo, a televis\u00e3o surge como um importante instrumento de democratiza\u00e7\u00e3o da informa\u00e7\u00e3o e da educa\u00e7\u00e3o.\n\nComo meio de comunica\u00e7\u00e3o de alcance nacional &#8211; 80% dos lares brasileiros possuem pelo menos um aparelho de TV &#8211; a televis\u00e3o desempenha um papel fundamental no desenvolvimento do pa\u00eds e exerce grande influ\u00eancia sobre a vida dos brasileiros.\n\nEm 1999, S\u00e3o Paulo est\u00e1 entre as maiores metr\u00f3poles do mundo, tem 19 milh\u00f5es de habitantes e sete esta\u00e7\u00f5es de TV de sinal aberto em VHF. Desse total, seis s\u00e3o emissoras privadas e apenas a TV Cultura \u00e9 p\u00fablica.\n\nA <strong>Funda\u00e7\u00e3o Padre Anchieta<\/strong> vem trabalhando firmemente para o fortalecimento de uma rede nacional, formada pelas emissoras educativas estaduais, que retransmitem seus programas para quase todo o pa\u00eds e contribuem com suas produ\u00e7\u00f5es regionais pr\u00f3prias para a programa\u00e7\u00e3o da TV Cultura.\n\nA TV P\u00fablica tem um compromisso com a \u00e9tica, a est\u00e9tica e a qualidade de sua programa\u00e7\u00e3o. Com cerca de 18 horas de programa\u00e7\u00e3o di\u00e1ria, composta em sua maioria por produ\u00e7\u00f5es pr\u00f3prias complementada pelo que h\u00e1 de melhor nas televis\u00f5es independentes e culturais do mundo, a <strong>TV Cultura<\/strong> consolidou-se como uma forte op\u00e7\u00e3o para os telespectadores brasileiros.\n\nDada a sua natureza e condi\u00e7\u00e3o, a TV Cultura cumpre seus objetivos, produzindo e difundindo uma programa\u00e7\u00e3o de qualidade, acess\u00edvel \u00e0s mais diferentes classes e segmentos sociais, atendendo suas necessidades e interesses.\n\nInforma\u00e7\u00e3o, conhecimento e entretenimento s\u00e3o os ingredientes b\u00e1sicos da programa\u00e7\u00e3o da TV Cultura, estimulando a curiosidade e a imagina\u00e7\u00e3o, especialmente das crian\u00e7as. Assim, artes, m\u00fasica, ecologia, civismo, not\u00edcias, matem\u00e1tica, tudo pode ser aproveitado num aprendizado informal, essencial ao desenvolvimento permanente do ser humano.\n<h4><b>A hist\u00f3ria<\/b><\/h4>\n<strong>Primeira Parte -per\u00edodo de 1969 a 1971<\/strong>\n\n<strong>No final dos anos 60, duas publica\u00e7\u00f5es disputavam os leitores interessados em not\u00edcias &#8211; e fofocas &#8211; sobre televis\u00e3o: <\/strong>&#8220;Intervalo&#8221;, da Editora Abril, e &#8220;S\u00e3o Paulo na TV&#8221;, da Editora Propaganda. As duas publicavam em suas p\u00e1ginas um guia semanal de programa\u00e7\u00e3o com os hor\u00e1rios de todos os programas. Na \u00e9poca, as pessoas referiam-se \u00e0s emissoras por meio de sua posi\u00e7\u00e3o no seletor. A Tupi era o &#8220;canal 4&#8221;, a TV Paulista (Globo) era o &#8220;canal 5&#8221;, a Record era o &#8220;canal 7&#8221; e assim por diante.\n\n<strong>O p\u00fablico paulistano, em 1967, tinha seis canais \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o:<\/strong> 2, 4, 5, 7, 9 e 13 &#8211; respectivamente, Cultura, Tupi, Paulista, Record, Excelsior e Bandeirantes.\n\nEm janeiro de 1968, a programa\u00e7\u00e3o do Canal 2 n\u00e3o estava mais dispon\u00edvel. Na revista &#8220;S\u00e3o Paulo na TV&#8221;, o espa\u00e7o a ela destinado passou a trazer as palavras &#8220;Futura TV Educativa&#8221;. A observa\u00e7\u00e3o passou a constar do roteiro da publica\u00e7\u00e3o a partir do momento em que foram encerradas as transmiss\u00f5es da antiga TV Cultura, considerada a &#8220;irm\u00e3 ca\u00e7ula&#8221; da TV Tupi no conglomerado de empresas de comunica\u00e7\u00e3o dos Di\u00e1rios Associados. E l\u00e1 ficaram, at\u00e9 1969, as palavras que indicavam ao telespectador de S\u00e3o Paulo que futuramente ele teria mais uma alternativa em seu seletor de canais.\n\n<strong>A novidade:<\/strong> seria uma emissora p\u00fablica &#8211; e muito mais do que a &#8220;TV Educativa&#8221; anunciada.\n\nO surgimento de canais voltados \u00e0 educa\u00e7\u00e3o e \u00e0 cultura tinha o respaldo do Governo Federal, que em 1967 havia criado a Funda\u00e7\u00e3o Centro Brasileiro de TV Educativa, com o objetivo de estimular e dar apoio \u00e0s emissoras culturais estaduais.\n\n<strong>Desde o in\u00edcio, a entidade reservava um papel importante ao futuro canal educativo paulista:<\/strong> superior em recursos &#8211; 12,5 milh\u00f5es de cruzeiros novos para o ano de 69 -, deveria fornecer programas em videotape para os outros Estados.\n\nO potencial de emissoras dessa natureza j\u00e1 havia sido demonstrado pela pioneira TV-U, Canal 11, de Recife. Criada em novembro de 1966 e mantida pela Universidade de Pernambuco, em poucos meses apresentava expressivos \u00edndices de audi\u00eancia com seus programas educativos e de teatro.\n<h4><strong>A Funda\u00e7\u00e3o Padre Anchieta<\/strong><\/h4>\nPara viabilizar e manter a nova TV2 Cultura, o Governo de S\u00e3o Paulo criou, em setembro de 1967, a Funda\u00e7\u00e3o Padre Anchieta &#8211; Centro Paulista de R\u00e1dio e Televis\u00e3o Educativas, com dota\u00e7\u00e3o do Estado e autonomia administrativa. Institu\u00edda e mantida pelo poder p\u00fablico, nascia com o estatuto de entidade de direito privado, para ter seu rumo desvinculado das vontades pol\u00edticas dos sucessivos governos estaduais. Esse fundamento fazia parte da concep\u00e7\u00e3o de TV p\u00fablica idealizada pelo ent\u00e3o governador Roberto de Abreu Sodr\u00e9.\n\nA constitui\u00e7\u00e3o da Funda\u00e7\u00e3o Padre Anchieta seguiu as diretrizes da Lei Estadual n\u00ba 9849, de 26 de setembro de 1967, que autorizou o Poder Executivo a formar uma entidade destinada a promover atividades educativas e culturais por meio do r\u00e1dio e da televis\u00e3o. Foi autorizada tamb\u00e9m a abertura de um cr\u00e9dito de 1 milh\u00e3o de cruzeiros novos para o empreendimento. Al\u00e9m da dota\u00e7\u00e3o inicial, estavam previstos outros recursos, como receitas originadas de aplica\u00e7\u00f5es dos bens patrimoniais. Entre esses bens figurava o Solar F\u00e1bio Prado, na avenida brigadeiro Faria Lima, doado pela sra. Renata Crespi e que hoje abriga o Museu da Casa Brasileira.\n\nLogo ap\u00f3s a cria\u00e7\u00e3o da Funda\u00e7\u00e3o, seu primeiro presidente, o banqueiro Jos\u00e9 Bonif\u00e1cio Coutinho Nogueira, tratou de buscar profissionais para dar in\u00edcio a execu\u00e7\u00e3o do projeto da nova TV Cultura.\n\n<strong>Por meio de consultas e indica\u00e7\u00f5es de amigos do mundo art\u00edstico, como o ent\u00e3o diretor do Teatro Cultura Art\u00edstica, Alberto Soares de Almeida &#8211; que sugeriu os nomes de Cl\u00e1udio Petraglia e Carlos Vergueiro -, Bonif\u00e1cio chegou aos nomes que viriam a participar das reuni\u00f5es de planejamento e fariam parte da primeira diretoria da emissora:<\/strong> o brigadeiro S\u00e9rgio Sobral de Oliveira, assessor administrativo; Carlos Sarmento, assessor de planejamento; Carlos Vergueiro, assessor art\u00edstico; Cl\u00e1udio Petraglia, assessor cultural; Antonio Soares Amora, assessor de ensino; e Miguel Cipolla , assessor t\u00e9cnico.\n\nO radialista Fernando Vieira de Mello se juntaria ao grupo, ainda que por pouco tempo, como assessor de produ\u00e7\u00e3o. V\u00e1rios desses profissionais traziam experi\u00eancia de outros ve\u00edculos &#8211; Petraglia tinha no curr\u00edculo v\u00e1rios cursos e est\u00e1gios no exterior e uma passagem significativa pela TV Paulista; Cipolla havia trabalhado na TV Excelsior; Vergueiro era diretor da R\u00e1dio Eldorado; e Vieira de Mello atuava na R\u00e1dio Pan Americana, a Jovem Pan.\n\nNos primeiros meses, a Funda\u00e7\u00e3o Padre Anchieta tinha dois endere\u00e7os. As reuni\u00f5es de planejamento aconteciam nos escrit\u00f3rios da avenida Ipiranga, regi\u00e3o central de S\u00e3o Paulo, enquanto alguns setores administrativos j\u00e1 operavam no local que abrigaria a sede definitiva da TV Cultura, \u00e0 rua Carlos Spera, 179, no bairro da \u00c1gua Branca, zona oeste da capital. Neste \u00faltimo endere\u00e7o existiam dois est\u00fadios, um pequeno pr\u00e9dio utilizado pela administra\u00e7\u00e3o, uma lanchonete, outro pr\u00e9dio t\u00e9rreo onde funcionavam a R\u00e1dio Cultura AM e o almoxarifado geral, al\u00e9m de uma pequena casinha ao fundo, onde morava o zelador N\u00e9lson Niciolli. Era este o patrim\u00f4nio inicial da nova TV Cultura. Funcion\u00e1rios mais antigos ainda lembram do per\u00edodo em que essa estrutura servia aos Di\u00e1rios Associados.\n\n&#8220;Aqui tinha uma grande lona, como num circo, onde o S\u00edlvio Santos vinha fazer seu programa aos domingos. A gente atendia telefonemas e sa\u00eda para dar os recados, porque n\u00e3o havia esse sistema de comunica\u00e7\u00e3o eficiente como o de hoje. Ali\u00e1s, as ruas de acesso n\u00e3o eram asfaltadas e n\u00e3o havia condu\u00e7\u00e3o. Era tudo barro, ent\u00e3o n\u00f3s t\u00ednhamos que vir com mais um par de sapatos e troc\u00e1-lo aqui.&#8221;\n\nMarly Therezinha Ribeiro, recepcionista e telefonista em 1966. Em 1999, supervisora administrativa da Ger\u00eancia Operacional da TV Cultura.\n<h4><b>A constru\u00e7\u00e3o<\/b><\/h4>\nAs primeiras obras de amplia\u00e7\u00e3o da emissora foram realizadas em 1968, com a constru\u00e7\u00e3o de um pr\u00e9dio de dois andares para abrigar a diretoria, o Conselho de Curadores e a produ\u00e7\u00e3o, de uma nova sede para a R\u00e1dio Cultura e um anexo para abrigar o setor de opera\u00e7\u00f5es. Paralelamente, a equipe inicial reunida pelo presidente da Funda\u00e7\u00e3o elaborava um cronograma de trabalho para colocar o canal no ar no ano seguinte.\n\nNo segundo semestre de 68, come\u00e7aram a ser contratados os profissionais de TV que dariam o &#8216;start&#8217; da programa\u00e7\u00e3o. Ao mesmo tempo, cuidava-se da aquisi\u00e7\u00e3o de equipamentos &#8211; os mais modernos do mercado &#8211; e a concep\u00e7\u00e3o visual da emissora. O logotipo do canal surgiu nas pranchetas do escrit\u00f3rio dos designers Jo\u00e3o Carlos Cauduro e Ludovico Martino. Chamado internamente de &#8220;bonequinho&#8221;, foi concebido para ter varia\u00e7\u00f5es conforme a utiliza\u00e7\u00e3o. A primeira vinheta musical, que j\u00e1 utilizava o bonequinho, foi composta por Camargo Guarnieri e gravada no est\u00fadio da RGE-Scatena.\n\nNa \u00e9poca &#8211; e j\u00e1 avan\u00e7ando em 69 -, aconteceram os testes t\u00e9cnicos e de produ\u00e7\u00e3o nos est\u00fadios da Escola de Comunica\u00e7\u00f5es e Artes da USP, no Antigo Pr\u00e9dio da Reitoria. Curiosamente, a fase de testes era acompanhada por alunos de R\u00e1dio e TV da ECA que, formados nos anos seguintes, viriam a se juntar aos pioneiros da nova emissora, j\u00e1 como profissionais\n\n&#8220;No per\u00edodo de implanta\u00e7\u00e3o, chegamos \u00e0 id\u00e9ia b\u00e1sica de TV p\u00fablica e n\u00e3o TV instrutiva. Elaborei um dec\u00e1logo contendo os itens fundamentais de uma &#8216;public TV&#8217;. N\u00f3s t\u00ednhamos de ter audi\u00eancia ao mesmo tempo em que precis\u00e1vamos abrir espa\u00e7o para programas experimentais. Em seu conjunto, os programas teriam de atender a todos os segmentos. Se n\u00e3o tivesse existido esse conceito de televis\u00e3o p\u00fablica, acho que a TV Cultura teria fracassado, n\u00e3o teria feito a carreira que vem fazendo at\u00e9 agora. Hoje, ela \u00e9 uma televis\u00e3o cultural.&#8221;\n\nCl\u00e1udio Petraglia, assessor cultural da TV Cultura at\u00e9 1971. Em 1999, diretor regional da Rede Bandeirantes de Televis\u00e3o no Rio de Janeiro.\n\n<b>O projeto t\u00e9cnico<\/b>\n\nSe o perfil de programa\u00e7\u00e3o do novo canal estava tra\u00e7ado, era necess\u00e1rio viabiliz\u00e1-lo tecnicamente. Durante todo o ano de 68, o assessor t\u00e9cnico Miguel Cipolla, em conjunto com o assessor de planejamento, Carlos Sarmento, elaborou um projeto t\u00e9cnico que possibilitava a capta\u00e7\u00e3o do sinal da emissora num raio de 150 quil\u00f4metros em torno de S\u00e3o Paulo. A primeira provid\u00eancia foi a mudan\u00e7a da antena do alto do pr\u00e9dio do Banco do Estado de S\u00e3o Paulo, no centro da cidade, para o pico do Jaragu\u00e1, na zona oeste.\n\nO passo seguinte foi a reinstala\u00e7\u00e3o dos est\u00fadios, com a aquisi\u00e7\u00e3o de novos equipamentos. A empresa vencedora da concorr\u00eancia foi a RCA, que forneceu todas as m\u00e1quinas, com exce\u00e7\u00e3o das c\u00e2meras &#8211; a emissora optou pelas modernas Mark V, da Marconi, s\u00f3 encontradas nos est\u00fadios da BBC de Londres.\n\nDurante o processo de compra e implanta\u00e7\u00e3o, a equipe ganhou o refor\u00e7o do engenheiro Ren\u00ea Xavier dos Santos, que havia participado da instala\u00e7\u00e3o da TV Globo no Rio de Janeiro. A exemplo de Cipolla, Xavier era formado no Instituto de Tecnologia da Aeron\u00e1utica, de S\u00e3o Jos\u00e9 dos Campos.\n<h4>O surgimento da TV Cultura<\/h4>\nOs meses que antecederam a estr\u00e9ia da TV Cultura foram de intenso trabalho. J\u00e1 davam expediente os profissionais de televis\u00e3o que moldariam a &#8220;cara&#8221; da emissora conforme surgiu no ar a partir de junho de 69.\n\n&#8220;Logo no in\u00edcio, a Funda\u00e7\u00e3o se pautou pela escolha de profissionais de grande gabarito. Foram esses profissionais que formaram verdadeiramente a primeira escola de televis\u00e3o no Brasil. Antes da estr\u00e9ia, n\u00f3s passamos de seis a oito meses formando conceitos, discutindo o caminho que deveria tomar uma TV educativa. No meu setor, recebi uma equipe de cerca de vinte pessoas, vindas do antigo Canal 2.\n\n<strong>L\u00e1 estavam profissionais das mais diferentes \u00e1reas:<\/strong> desenho, fotografia, contra-regra, costura, maquiagem&#8230;\n\nEra um grande desafio montar o departamento de cenografia e arte, que englobava tudo. Esse modelo foi at\u00e9 os anos 90, e acredito que dele nasce o designer, o diretor de arte, que precisa ter uma vis\u00e3o global. <strong>Lembro da minha equipe:<\/strong> um grande pintor de arte, que era o Isidoro Vasconcelos; um marceneiro maravilhoso, chamado Antonio Monteiro dos Santos [em 1999, chefe do setor de cenot\u00e9cnica da TV Cultura]; o fot\u00f3grafo Danilo Pavani, as costureiras Dercy e Antonia, a camareira Leonor. Entre os desenhistas, t\u00ednhamos o Maur\u00edcio Sanches, o Vicente Iborra e outros. Na cenografia, t\u00ednhamos o Campello Neto [vindo da TV Globo] e Leonor Scarano de Mendon\u00e7a. Nos anos seguintes, naturalmente, outros profissionais juntaram-se \u00e0 equipe&#8221;.\n\nArmando Ferrara, chefe do Departamento de Cenografia e Arte da TV Cultura de 1969 a 1988.\n\nAp\u00f3s dois meses de transmiss\u00f5es experimentais, iniciadas em 4 de abril, chegou finalmente o momento de inaugura\u00e7\u00e3o da TV Cultura. Era o dia 15 de junho de 1969. Exatamente as 19h30 daquele domingo, entraram no ar os discursos do governador Roberto de Abreu Sodr\u00e9 e do presidente da Funda\u00e7\u00e3o Padre Anchieta, Jos\u00e9 Bonif\u00e1cio Coutinho Nogueira.\n\nEm seguida, foi exibido um clipe mostrando o surgimento da emissora, os planos para o futuro e uma descri\u00e7\u00e3o dos programas que passariam a ser apresentados a partir do dia seguinte, dia 16 de junho &#8211; quando foram iniciadas as transmiss\u00f5es regulares da nova emissora. Estava no ar a TV Cultura, resultado de um longo trabalho que envolveu uma legi\u00e3o de t\u00e9cnicos, diretores, produtores e artistas.\n\n<strong>Primeiros dias no ar:<\/strong> programa\u00e7\u00e3o educativa\n\nNos primeiros meses, a TV Cultura permanecia no ar por apenas quatro horas di\u00e1rias &#8211; das 19h30 \u00e0s 23h30. O primeiro programa exibido, \u00e0s 19h30 do dia 16 de junho, foi um epis\u00f3dio da s\u00e9rie &#8220;Planeta Terra&#8221;. O document\u00e1rio trazia como tema terremotos, vulc\u00f5es e fen\u00f4menos que ocorrem nas profundezas do planeta.\n<p class=\"imagem\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Hist\u00f3ria da TV Cultura\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/chhistor5.jpg\" alt=\"Hist\u00f3ria da TV Cultura\" width=\"244\" height=\"178\" \/><\/p>\n<strong>Logo depois do &#8220;Planeta Terra&#8221;, mais uma novidade:<\/strong> todos os dias, sempre as 19h55, a TV Cultura levaria ao ar um completo boletim meteorol\u00f3gico, chamado &#8220;A Mo\u00e7a do Tempo&#8221;, apresentado por Albina Mosqueiro. <strong>\u00c0s 20h00, iniciava-se uma s\u00e9rie que viria a fazer hist\u00f3ria:<\/strong> era o &#8220;Curso de Madureza Ginasial&#8221;, um dos seus maiores desafios era provar que uma aula transmitida por televis\u00e3o poderia ser, ao mesmo tempo, eficiente e agrad\u00e1vel. Outras emissoras comerciais haviam tentado incluir o curso em sua programa\u00e7\u00e3o, sem alcan\u00e7ar bons resultados de audi\u00eancia. Nas tentativas anteriores, o esquema em vigor era o velho &#8220;giz e quadro negro&#8221;.\n\nPara mudar esse panorama, a TV Cultura havia reunido grandes profissionais de televis\u00e3o e contratado professores universit\u00e1rios de alto n\u00edvel.\n\n<strong>A primeira diferen\u00e7a:<\/strong> a maior parte dos professores n\u00e3o ia para a frente das c\u00e2meras. Eles preparavam o conte\u00fado das aulas que, em seguida, eram transformadas em verdadeiros programas de televis\u00e3o, apresentados por uma equipe de 18 atores selecionados entre quinhentos candidatos.\n\n&#8220;Havia uma disciplina que se chamava Ci\u00eancias Humanas e englobava Hist\u00f3ria, Geografia, Psicologia, Ling\u00fc\u00edstica e Demografia. <strong>Era uma equipe de alto n\u00edvel: <\/strong>entre os professores, t\u00ednhamos Gabriel Cohn, Ruth Cardoso, Paul Singer, Rodolfo Azen, Jobson Arruda e Jos\u00e9 Sebasti\u00e3o Witter. Enfim, era um time de primeira que fazia os textos, a partir dos quais desenvolv\u00edamos as aulas&#8221;.\n\nFernando Pacheco Jord\u00e3o, que em 1969 era produtor respons\u00e1vel pelas aulas de Ci\u00eancias Humanas.\n\nA primeira aula que entrou no ar naquele 16 de junho mostrava que o desafio estava sendo vencido. A aula de portugu\u00eas, preparada por Walter George Durst a partir do conte\u00fado dos professores Isidoro Blikstein e Dino Pretti, era ilustrada por di\u00e1logos da novela &#8220;O Feij\u00e3o e o Sonho&#8221;, produzida a partir da obra de Or\u00edgenes Lessa. Era esta a forma que a emissora havia desenhado para transmitir suas aulas.\n\nNo momento em que entrou no ar, \u00e0s 20h00, a aula de portugu\u00eas concorria com as novelas &#8220;Beto Rockefeller&#8221;, no Canal 4, &#8220;A Rosa Rebelde&#8221;, no Canal 5, e &#8220;Vidas em Conflito&#8221;, no Canal 9. O Canal 7 exibia o humor\u00edstico &#8220;Na Onda da Augusta&#8221;, produzido por Carlos Manga, enquanto o Canal 13 mostrava o interativo &#8220;Telefone Pedindo Bis&#8221;, apresentado por Enzo de Almeida Passos. Em seu primeiro dia, a Cultura atingiu a expressiva m\u00e9dia de 9 pontos de audi\u00eancia. Na mesma segunda-feira, foram apresentadas as aulas de Geografia e de Hist\u00f3ria. Cada aula tinha dura\u00e7\u00e3o de 20 minutos..\n\nO assessor de ensino, Antonio Soares Amora, contava com alguns auxiliares diretos, como Andreas Pavel &#8211; um jovem soci\u00f3logo alem\u00e3o &#8220;a frente de seu tempo&#8221;, segundo seus colegas -, George Sperber e o professor de matem\u00e1tica Oswaldo Sangiorgi, que anos depois assumiria a chefia do departamento de ensino. Bem assessorado, Amora estabeleceu uma parceria com a Editora Abril, que ficou respons\u00e1vel pela elabora\u00e7\u00e3o dos fasc\u00edculos com o conte\u00fado das aulas, vendidos nas bancas por dois cruzeiros novos. A Cultura tinha participa\u00e7\u00e3o no pre\u00e7o de capa.\n\n&#8220;Ainda lembro das viagens que faz\u00edamos por diversos Estados, principalmente do Norte e do Nordeste. N\u00f3s, da Cultura, \u00edamos com a &#8216;latinha&#8217; contendo o filme feito em TFR [Telecine Film Recording, m\u00e1quina que faz c\u00f3pias em filme de 16 mm a partir de fitas de v\u00eddeo] com programas do curso de Madureza, enquanto o pessoal da Abril levava os fasc\u00edculos. O acordo para criar os fasc\u00edculos foi muito importante, do ponto de vista pedag\u00f3gico, porque era mais um canal de comunica\u00e7\u00e3o com os alunos. Eles podiam manusear o material em qualquer lugar e em qualquer momento. Al\u00e9m de assistir \u00e0s teleaulas, os telespectadores tinham a possibilidade de estudar sozinhos ou em grupos. Em v\u00e1rios lugares de S\u00e3o Paulo e em outros Estados, as secretarias de Educa\u00e7\u00e3o e outros \u00f3rg\u00e3os oficiais organizavam telepostos. Nesses espa\u00e7os, o aluno via o programa e estudava a partir dos fasc\u00edculos, contando com a presen\u00e7a de um orientador de aprendizagem. Aqui mesmo, na TV Cultura, t\u00ednhamos um teleposto que servia para as avalia\u00e7\u00f5es do processo. De um modo geral, aquele sistema apresentou um retorno extraordin\u00e1rio&#8221;.\n\nPedro Paulo Demartini, pedagogo, contratado em 1970 para dar apoio \u00e0 Assessoria de Ensino. Em 1999, assistente de Educa\u00e7\u00e3o da TV Cultura.\n\n&#8220;No final do curso, que durava um ano, foram realizados os exames &#8211; que valeram como conclus\u00e3o do curso ginasial. N\u00f3s sab\u00edamos, por meio de pesquisas, que o maior n\u00f3, o maior gargalo era justamente o madureza do gin\u00e1sio. Havia um n\u00edvel de repet\u00eancia muito alto e era preciso resolver o problema das pessoas mais velhas. Pelo que me lembro, cerca de 60 mil pessoas conseguiram o diploma de madureza. Foi um neg\u00f3cio renovador&#8221;. Depoimento de Cl\u00e1udio Petraglia.\n\nNa seq\u00fc\u00eancia da programa\u00e7\u00e3o inaugural, foi exibido, \u00e0s 21h00, o programa &#8220;Quem Faz o Qu\u00ea&#8221;, mostrando o trabalho de tr\u00eas artistas pl\u00e1sticos. Logo depois, \u00e0s 21h30, foi ao ar o primeiro &#8220;Sonatas de Beethoven&#8221;, com o pianista Fritz Jank.\n\n<strong>As 22h65, outra estr\u00e9ia significativa, fechando a grade do primeiro dia: <\/strong>&#8216;O Ator na Arena&#8221;, com apresenta\u00e7\u00e3o do diretor polon\u00eas Ziembinsky. Para aquela noite, foi escolhido um trecho da pe\u00e7a &#8220;Yerma&#8221;, de Federico Garcia Lorca, interpretado por Carlos Arena e Ana L\u00facia Vasconcelos.\n\nNos dias seguintes, a emissora foi lan\u00e7ando novos programas, como as teleaulas de Ci\u00eancias Humanas, Matem\u00e1tica, Ingl\u00eas e Ci\u00eancias Naturais, sempre na faixa entre 20h00 e 20h40. Surgiram tamb\u00e9m os programas culturais, como o &#8220;Mundo, Not\u00edcias, Mocidade&#8221;, com Maria Am\u00e9lia Carvalho, &#8220;Clube de Cinema&#8221;, produzido por Greg\u00f3rio Bacic e apresentado por A. Carvalhaes e Gl\u00e1ucia Rothier, e &#8220;Perspectiva&#8221;, produzido por Helo\u00edsa Castellar &#8211; que, com vasta experi\u00eancia como novelista, utilizava elementos de fic\u00e7\u00e3o para enfatizar situa\u00e7\u00f5es reais do cotidiano. No primeiro programa, que trazia uma reportagem sobre a constru\u00e7\u00e3o do Metr\u00f4 de S\u00e3o Paulo, teatralizou algumas cenas para demonstrar a necessidade de um transporte r\u00e1pido e seguro na cidade.\n\nA fic\u00e7\u00e3o, por sinal, teria destaque com o &#8220;Grande Teatro&#8221;, logo nos primeiros tempos da TV Cultura. Marcaram \u00e9poca as montagens de &#8220;A Casa de Bernarda Alba&#8221; (foto) e &#8220;Electra&#8221;, adaptadas e dirigidas por Helo\u00edsa Castellar. A primeira, baseada no original de Garcia Lorca, trazia um elenco estelar, com L\u00e9lia Abramo, Ruthin\u00e9a de Moraes, Cacilda Lanuza e Mirian Mehler, entre outras atrizes de sucesso nos palcos. Nos anos 70, diretores do primeiro time do teatro brasileiro, como Ademar Guerra, Antunes Filho e Antonio Abujamra assinariam montagens de teleteatro produzidas pela emissora.\n\n<b>Pol\u00eamica<\/b>\n\nNa primeira semana &#8211; na noite de quarta-feira &#8211; estreou tamb\u00e9m o pol\u00eamico &#8220;Jovem, Urgente&#8221;, produzido por Walter George Durst e apresentado pelo psiquiatra Paulo Gaudencio. Gravado com a participa\u00e7\u00e3o do p\u00fablico, tinha a proposta de debater o comportamento da sociedade &#8211; em particular dos jovens &#8211; numa \u00e9poca especialmente explosiva. No ano anterior, o movimento estudantil havia eclodido com toda a for\u00e7a na Europa. Nos Estados Unidos, nascia o movimento hippie e pipocavam os movimentos pacifistas contra a guerra do Vietn\u00e3.\n\nNo Brasil, onde j\u00e1 se ouviam os acordes dissonantes do tropicalismo, os estudantes sa\u00edam \u00e0s ruas para protestar contra o regime militar e procuravam acompanhar as mudan\u00e7as culturais que aconteciam em outros pa\u00edses. Nesse clima de inquieta\u00e7\u00e3o e em plena vig\u00eancia do AI-5, &#8220;Jovem, Urgente&#8221; buscava discutir temas como liberdade de opini\u00e3o, virgindade, conflitos de gera\u00e7\u00f5es e outros tabus sexuais e culturais. Se o programa evidenciou a independ\u00eancia editorial da TV Cultura, marcou tamb\u00e9m o in\u00edcio dos problemas que a emissora viria a ter com a censura.\n\nEra o risco que corria tamb\u00e9m o &#8220;Caixote de Opini\u00e3o&#8221;, programa de depoimentos cujo nome era inspirado no c\u00e9lebre costume dos ingleses, que, quando queriam protestar contra a fam\u00edlia real brit\u00e2nica, subiam num caixote em pleno Hyde Park e falavam \u00e0 vontade, j\u00e1 que &#8220;n\u00e3o estavam pisando solo brit\u00e2nico&#8221;.\n\n&#8220;O &#8216;Jovem Urgente&#8217; era um programa fant\u00e1stico. Mas toda semana era proibido pela Censura e o (presidente) Jos\u00e9 Bonif\u00e1cio ligava para Bras\u00edlia para liber\u00e1-lo. Era gravado com anteced\u00eancia, mas mesmo assim era uma loucura. Marcou \u00e9poca.&#8221; Depoimento de Yolanda Costa Ferreira.\n\nIntercalados aos programas feitos na pr\u00f3pria TV Cultura, eram exibidos document\u00e1rios e programas culturais de outros pa\u00edses, como Canad\u00e1, Fran\u00e7a, Inglaterra, Alemanha e Jap\u00e3o &#8211; obtidos nos consulados ou por meio de acordos operacionais com emissoras estrangeiras.\n\n<b>Os musicais<\/b>\n\nHavia tamb\u00e9m os programas musicais criados pela equipe de Carlos Vergueiro, formada por S\u00e9rgio Viotti, Caio M\u00e1rio Britto, Vicente Conti, Annie Fleury e S\u00edlvia Autuori, entre outros profissionais. Programas como &#8220;M\u00fasica da Nossa Terra&#8221;, apresentado pelo cantor Joel de Almeida e exibido aos s\u00e1bados, no hor\u00e1rio nobre. Entre os convidados, \u00c2ngela Maria, Orlando Silva, Araci de Almeida e Lana Bittencourt. Outra atra\u00e7\u00e3o da \u00e1rea art\u00edstica eram os recitais, como os que mostravam Inezita Barroso cantando e acompanhando-se ao viol\u00e3o.\n\nDesde o in\u00edcio, a TV Cultura tinha o objetivo de democratizar a m\u00fasica, particularmente a erudita, tentando aproxim\u00e1-la do grande p\u00fablico. Uma iniciativa marcante foi empreendida pelo maestro J\u00falio Medaglia, com produ\u00e7\u00e3o de Fernando Pacheco Jord\u00e3o. Toda semana, uma orquestra de cordas era levada a um p\u00e1tio de escola ou de uma f\u00e1brica, para que estudantes e oper\u00e1rios pudessem ver de perto o trabalho dos m\u00fasicos.\n\nE havia tamb\u00e9m a preocupa\u00e7\u00e3o com a cria\u00e7\u00e3o de um acervo erudito com obras apresentadas por grandes orquestras.\n\n&#8220;Todos os domingos, tinha concerto da Sinf\u00f4nica Municipal ou da Estadual, sempre no Teatro Municipal. N\u00f3s t\u00ednhamos um acordo e toda semana \u00edamos l\u00e1 gravar. Algumas semanas depois, o concerto ia ao ar. Isso nos permitiu formar o maior acervo de m\u00fasica erudita da Am\u00e9rica Latina. N\u00e3o s\u00f3 das orquestras brasileiras, mas das estrangeiras tamb\u00e9m.&#8221;\n\n<b>Esporte \u00e9 Cultura<\/b>\n\nEra de Orlando Duarte o c\u00e9lebre jarg\u00e3o &#8220;Esporte tamb\u00e9m \u00e9 Cultura&#8221;. Num estilo s\u00f3brio, a \u00e1rea de esportes, nos primeiros anos, deu \u00eanfase aos esportes amadores. Tinha como importante ponto de apoio o &#8220;gafanhoto&#8221;, o equipado \u00f4nibus de externa da emissora, que recebeu o apelido por ser todo verde.\n\n&#8220;A TV Cultura foi pioneira na cobertura dos esportes amadores. Faz\u00edamos transmiss\u00f5es de t\u00eanis, automobilismo, v\u00f4lei, basquete, hipismo e atletismo. Ainda lembro das partidas memor\u00e1veis da Ta\u00e7a Davis e tamb\u00e9m dos amistosos internacionais de futebol, que transmitimos ao vivo.&#8221;\n\nLu\u00eds Noriega, pioneiro da equipe esportiva da TV Cultura. Em 1999, s\u00f3cio da LMN, ag\u00eancia de assessoria em mercadologia, e vice-presidente da Federa\u00e7\u00e3o Paulista de T\u00eanis.\n\nOrlandoDuarte entre M\u00e1rio Travaglini e Rubens Minelli Os primeiros programas esportivos foram &#8220;Hist\u00f3ria do Esporte&#8221; e &#8220;\u00c9 Hora de Esportes&#8221;, este \u00faltimo com longa carreira na grade da emissora. Inevitavelmente, o tema principal era o futebol, mesmo porque o surgimento da TV Cultura coincidiu com o ano de prepara\u00e7\u00e3o da sele\u00e7\u00e3o brasileira para a campanha do tricampeonato em 1970, no M\u00e9xico.\n\n<strong>N\u00e3o por acaso, a estr\u00e9ia do programa de variedades &#8220;A Verdade de Cada Um&#8221; exibido aos s\u00e1bados, abordou o tema:<\/strong> foi com o ex-t\u00e9cnico da sele\u00e7\u00e3o Vicente Feola, que explicou as vit\u00f3rias e derrotas do Brasil nas Copas do Mundo. Na \u00e9poca, era viva a lembran\u00e7a do retumbante fracasso da sele\u00e7\u00e3o brasileira no Mundial da Inglaterra, em 66.\n\n<b>Jornalismo em TV p\u00fablica: um desafio<\/b>\n\nDiversos programas, embora realizados pela equipe de produ\u00e7\u00e3o, tinham car\u00e1ter jornal\u00edstico &#8211; como as entrevistas do programa &#8220;Personalidades&#8221;, as reportagens do &#8220;Perspectiva&#8221; e do &#8220;Brasil, Esse Desconhecido&#8221;, produzido e apresentado por Carlos Gaspar, e do &#8220;Presen\u00e7a&#8221;, que N\u00eddia L\u00edcia passaria a apresentar a partir de 1970. O primeiro programa de car\u00e1ter noticioso, no entanto, a Cultura s\u00f3 teria em 1971, com o semanal &#8220;Foco na Not\u00edcia&#8221;. Apresentado \u00e0s sextas-feiras por Nem\u00e9rcio Nogueira, era o embri\u00e3o dos produtos jornal\u00edsticos que a emissora criaria nos anos seguintes. A equipe de jornalismo que elaborava o &#8220;Foco na Not\u00edcia&#8221; era formada por Fernando Pacheco Jord\u00e3o, o editor de internacional Gabriel Romeiro e o rep\u00f3rter Gilberto Barreto.\n\n&#8220;Como havia problemas de censura, o &#8220;Foco na Not\u00edcia&#8221; tinha bastante \u00eanfase no notici\u00e1rio internacional. Mesmo assim surgiam problemas, porque est\u00e1vamos em plena guerra do Vietn\u00e3 e toda hora vinha queixa do consulado americano. De qualquer forma, nossa exig\u00eancia era por um telejornal n\u00e3o opinativo, sem adjetivos. A gente procurava contextualizar a not\u00edcia, dando \u00e0s pessoas os elementos necess\u00e1rios para que elas formassem a sua pr\u00f3pria opini\u00e3o&#8221;.\n\nFernando Pacheco Jord\u00e3o, que em 1971 assumiu o Departamento de Jornalismo da TV Cultura.\n\n<b>Termina a primeira fase<\/b>\n\nNos tr\u00eas primeiros anos, a TV Cultura colocou no ar mais de oitenta s\u00e9ries diferentes, entre produ\u00e7\u00f5es pr\u00f3prias e adquiridas de terceiros. Era um per\u00edodo de consolida\u00e7\u00e3o da emissora tanto no que se referia \u00e0 audi\u00eancia como no que dizia respeito \u00e0 manuten\u00e7\u00e3o de sua autonomia. O r\u00e1pido &#8211; e s\u00f3lido &#8211; prest\u00edgio que o novo canal obteve junto aos telespectadores atestava que o caminho estava bem delineado.\n\n<strong>Justamente por causa disso, viria a enfrentar dificuldades na primeira prova de fogo:<\/strong> a mudan\u00e7a de governo. O novo governador, Laudo Natel, que sucedeu Abreu Sodr\u00e9 em 1971, buscou alterar o relacionamento que o Estado mantinha com a emissora. Ao esbarrar nos estatutos que garantiam a independ\u00eancia da Funda\u00e7\u00e3o, passou a reduzir as verbas destinadas \u00e0 manuten\u00e7\u00e3o da TV Cultura. N\u00e3o p\u00f4de modificar a voca\u00e7\u00e3o cultural da emissora, mas por meio da asfixia financeira conseguiu a sa\u00edda de Jos\u00e9 Bonif\u00e1cio Coutinho Nogueira da presid\u00eancia da Funda\u00e7\u00e3o. Em solidariedade, todos os diretores pediram demiss\u00e3o.\n\nSob a presid\u00eancia de Rafael Noschese, no entanto, a TV n\u00e3o mudou o rumo ou alterou substancialmente seus planos iniciais. Na nova fase, em que ganhou o refor\u00e7o das primeiras turmas formadas pelo curso de R\u00e1dio e TV da Escola de Comunica\u00e7\u00f5es e Artes da USP, seguiria firmando seu espa\u00e7o por meio de programas inovadores, como o c\u00e9lebre infantil Vila S\u00e9samo, adaptado do original norte-americano &#8220;Sesame Street&#8221;, e pela busca cont\u00ednua de construir uma programa\u00e7\u00e3o cultural e educativa s\u00e9ria, competente e, ao mesmo tempo, atraente aos olhos do grande p\u00fablico.\n\n<b>Voc\u00ea Sabia?<\/b>\n<blockquote>Que a TV Cultura produziu o primeiro Curso de Madureza Ginasial da TV brasileira que contou com uma rede de telepostos em v\u00e1rios munic\u00edpios paulistas?\nQue a TV Cultura foi a primeira emissora a transmitir jogos da segunda divis\u00e3o do Campeonato Paulista?\nQue o Viola Minha Viola \u00e9 o mais antigo programa de m\u00fasica de raiz da TV brasileira?\nQue a TV Cultura realizou in\u00e9ditas transmiss\u00f5es de mundiais de Skate e de Surfe?\nQue o Rep\u00f3rter Eco, que est\u00e1 no ar desde 1992, foi a primeira s\u00e9rie de programas de TV voltada para quest\u00f5es de ecologia e meio-ambiente?\nQue Nath\u00e1lia do Valle foi apresentadora das aulas de Geografia Telecurso 2\u00ba Grau e que seu primeiro trabalho como atriz foi no Teatro2 da TV Cultura?\n<strong>Que a TV Cultura foi primeira a fazer um programa de entretenimento para o p\u00fablico da faixa et\u00e1ria acima dos 50:<\/strong> Festa Baile?\nQue a fita de 2 polegadas, bitola utilizada no in\u00edcio da televis\u00e3o, com capacidade para 1 hora de grava\u00e7\u00e3o, tinha 1370 metros de comprimento?\nQue o ator e diretor de cinema Anselmo Duarte foi o primeiro apresentador do Cine Brasil, na vers\u00e3o de 1984, que fez o resgate inicial das produ\u00e7\u00f5es da Cia Cinematogr\u00e1gica Vera Cruz?\nQue a atriz Lilian Lemmertz foi a primeira apresentadora do programa Panorama, em 1975?\nQue, em 1986, a TV Cultura realizou o Vit\u00f3ria, a primeira s\u00e9rie de programas voltada para os esportes radicais?\nQue, em 1986, a TV Cultura fez uma remontagem, ao vivo, de Calunga &#8211; teledrama originalmente transmitido pela TV Tupi na TV de Vanguarda nos anos 50 &#8211; com o mesmo elenco base?\nQue nos anos 70 a TV Cultura exibiu uma s\u00e9rie de programas voltada para quest\u00f5es agr\u00edcolas chamada Hora Agr\u00edcola?\nQue a TV Cultura foi a primeira emissora a transmitir com exclusividade os campeonatos Japon\u00eas, Alem\u00e3o e Espanhol ?\nQue, em 1972, a TV Cultura transmitiu Homens de Imprensa, um programa que marcou \u00e9poca e que promovia o debate e o questionamento da atividade jornal\u00edstica?\n<strong>Que o Projeto Telescola:<\/strong> <strong>Matem\u00e1tica para 6.a s\u00e9rie &#8211; Introdu\u00e7\u00e3o aos N\u00fameros Inteiros \u00b7 foi o primeiro programa da emissora a receber um pr\u00eamio internacional: <\/strong>Pr\u00eamio Jap\u00e3p &#8211; NHK Corporation de 1975?\nQue o primeiro programa da televis\u00e3o brasileira a usar o recurso de v\u00eddeo clipes para divulgar m\u00fasica jovem foi o TV2 Pop Show de 1974?\nQue a TV Cultura ficou fora do ar por 3 horas apenas, no dia 28 de fevereiro de 1986, quando um inc\u00eandio destruiu 90% da \u00e1rea t\u00e9cnica da emissora, gra\u00e7as ao empenho de seus funcion\u00e1rios e a solid\u00e1ria colabora\u00e7\u00e3o de todas as emissoras paulistas, que cederam equipamentos para que trabalhos de finaliza\u00e7\u00e3o pudessem ser realizados.\nQue j\u00e1 em 1969 a TV Cultura transmitia um boletim meteorol\u00f3gico di\u00e1rio com dados fornecidos pela CNAE ( Comiss\u00e3o Nacional de Atividades Espaciais ) e que sua apresentadora ficou famosa na \u00e9poca e reconhecida como &#8220;A Mo\u00e7a do Tempo&#8221;?\nQue o programa Jovem, Urgente, lan\u00e7ado na programa\u00e7\u00e3o de estr\u00e9ia da TV Cultura, em 1969, conduzido pelo psicalista Paulo Gaud\u00eancio, discutia quest\u00f5es relacionadas ao cotidiano dos jovens como fam\u00edlia, rela\u00e7\u00f5es sociais, afetivas, etc?\nQue a TV Cultura transmite a Missa de Aparecida do Norte todos os domingos desde 1987?\nQue o Bem Brasil nasceu em 1991 como um reduto para chorinho e chor\u00f5es no anfiteatro Romano, na Universidade de S\u00e3o Paulo, mas logo ampliou a variedade de g\u00eaneros musicais para, em agosto de 1994, mudar-se para o Sesc Interlagos, uma das mais belas \u00e1reas verdes de S\u00e3o Paulo, com capacidade para 40 mil pessoas?\nQue a TV Cultura transmite regularmente o programa Vestibulando desde 1980, na primeira fase ao vivo e, a partir de 1985, em vers\u00f5es gravadas, que s\u00e3o peri\u00f3dicamente atualizadas?.\nQue o ator Gerson de Abreu come\u00e7ou sua carreira na TV Cultura apresentando o programa Tempo de Ver\u00e3o, depois de destacar-se numa das equipes de estudantes que participou do programa \u00c9 Proibido Colar?\nQue a TV Cultura foi a primeira emissora de televis\u00e3o a dar ampla cobertura ao Carnaval Paulista desde quando este acontecia na Av. S\u00e3o Jo\u00e3o at\u00e9 o evento adquirir car\u00e1ter de exclusividade comercial em meados de 80?\nQue a \u00faltima transmiss\u00e3o de Copa do Mundo na Cultura foi em 1990, quando a emissora colocou os jogos no ar com uma tarja que escondia an\u00fancios inseridos no sinal por outra emissora que conseguiu quebrar a exclusividade da TV Cultura?\nQue a TV Cultura produziu v\u00e1rios cursos de forma\u00e7\u00e3o e atualiza\u00e7\u00e3o profissional na d\u00e9cada de 70, entre eles Curso de Corte e Costura, Desenho T\u00e9cnico e Curso B\u00e1sico de Administra\u00e7\u00e3o de Empresas?\nQue o Metr\u00f3polis constituiu um acervo com mais de 75 obras de renomados artistas brasileiros a partir dos trabalhos especialmente executados para compor seu cen\u00e1rio?\nQue S\u00e9rgio Groisman apresentou na TV Cultura um programa voltado ao p\u00fablico jovem chamado Mat\u00e9ria Prima?\nQue Renata Ceribelli foi rep\u00f3rter do Vitrine onde fazia m\u00e1terias sobre os bastidores dos meios de comunica\u00e7\u00e3o?\nQue Luciano Amaral come\u00e7ou sua carreira em teledramaturgia na TV Cultura em 1991, quando &#8211; aos 10 anos &#8211; foi protagonista da s\u00e9rie Mundo da Lua, ao lado de Gianfrancesco Guarnieri e Antonio Fagundes.\nQue o Nossa L\u00edngua Portuguesa come\u00e7ou na R\u00e1dio Cultura AM, em 1992, como o nome L\u00edngua Brasileira e que o professor Pasquale foi escolhido entre diversos professores de portugu\u00eas pela ent\u00e3o Chefe do Departamento R\u00e1dio AM, Maria Lu\u00edza Kfouri?\nQue o Mat\u00e9ria Prima apresentado na TV Cultura por S\u00e9rgio Groisman come\u00e7ou na Radio Cultura AM, em 1984, tendo como apresentador Toninho Moraes dirigido por Jo\u00e3o Carrasqueira?\n<strong>Que a Radio Cultura AM realizou o Projeto Curumim em parceria com a Secretaria Municipal de Ensino em 82 e 83 e que foram transmitidos 215 programas e alguns de seus personagens foram criados a partir de pesquisas feitas com os ouvintes mirins como: <\/strong>o papagaio Pituca, a abelha Abelhuda e o Bicho Imitador?\nQue a Sinfonia Cultura, orquestra da Funda\u00e7\u00e3o Padre Anchieta, realiza, em parceria com a Secretaria de Cultura do Estado, um projeto pedag\u00f3gico atrav\u00e9s do qual as escolas recebem a orquestra e os estudantes t\u00eam a\noportunidade de conhecer os m\u00fasicos e seus instrumentos e de se iniciar na escuta musical erudita?\nQue a TV Cultura mantem um setor de Efeitos Especiais que executa todas as trucagens dos programas da emissora com maior destaque para produ\u00e7\u00f5es infantis como R\u00e1-Tim-Bum, Mundo da Lua, Castelo R\u00e1-Tim-Bum, X-Tudo e Cocoric\u00f3.<\/blockquote>\nFonte: www.portaldafama.kit.net\n<h6>Hist\u00f3ria da TV Cultura<\/h6>\n<p class=\"google\"><\/p>\nA <strong>TV Cultura<\/strong> estreou em 1960, canal 2, pertencente \u00e0 Rede Nacional das Associadas.\n\n<strong>Em janeiro de 1968, sua programa\u00e7\u00e3o n\u00e3o estava mais dispon\u00edvel nos jornais e revistas e l\u00e1 se encontravam os seguintes dizeres:<\/strong> \u0093Futura TV Educativa\u0094. Essa observa\u00e7\u00e3o passou a constar a partir do momento em que foram encerradas as transmiss\u00f5es da antiga TV Cultura, considerada a \u0093irm\u00e3 ca\u00e7ula\u0094 da TV Tupi no conglomerado de empresas de comunica\u00e7\u00e3o dos Di\u00e1rios Associados.\n\nPara viabilizar e manter a nova TV Cultura, canal 2s, o Governo de S\u00e3o Paulo criou, em setembro de 1967, a Funda\u00e7\u00e3o Padre Anchieta &#8211; Centro Paulista de R\u00e1dio e Televis\u00e3o Educativas, com dota\u00e7\u00e3o do Estado e autonomia administrativa. Institu\u00edda e mantida pelo poder p\u00fablico, nascia com o estatuto de entidade de direito privado, para ter seu rumo desvinculado das oscila\u00e7\u00f5es pol\u00edticas dos sucessivos governos estaduais. Esse fundamento fazia parte da concep\u00e7\u00e3o de TV p\u00fablica idealizada pelo ent\u00e3o governador Roberto de Abreu Sodr\u00e9.\n\nA constitui\u00e7\u00e3o da Funda\u00e7\u00e3o Padre Anchieta seguiu as diretrizes da Lei Estadual n.\u00ba9849, de 26 de setembro de 1967, que autorizou o Poder Executivo a formar uma entidade destinada a promover atividades \u00e0 sociedade brasileira com informa\u00e7\u00f5es de interesse p\u00fablico, que pretendiam o aprimoramento educativo e cultural do r\u00e1dio e da televis\u00e3o, com o objetivo de estimular e dar apoio \u00e0s emissoras culturais estaduais. Para tanto, a Cultura n\u00e3o orientaria sua programa\u00e7\u00e3o pelos mesmos crit\u00e9rios de audi\u00eancia das TVs e r\u00e1dios comerciais.\n\nA <strong>Funda\u00e7\u00e3o Padre Anchieta<\/strong> foi oficialmente institu\u00edda em 1969. \u00c9 uma entidade custeada por dota\u00e7\u00f5es or\u00e7ament\u00e1rias legalmente estabelecidas e recursos pr\u00f3prios obtidos junto \u00e0 iniciativa privada. A Funda\u00e7\u00e3o Padre Anchieta mant\u00e9m uma emissora de televis\u00e3o, a TV Cultura, e duas emissoras de r\u00e1dio, a Cultura AM e a Cultura FM.\n\nLogo ap\u00f3s a cria\u00e7\u00e3o da Funda\u00e7\u00e3o, seu primeiro presidente, o banqueiro Jos\u00e9 Bonif\u00e1cio Coutinho Nogueira, selecionou os profissionais para dar in\u00edcio \u00e0 execu\u00e7\u00e3o do projeto da nova TV Cultura. Os nomes que fizeram parte da primeira diretoria foram S\u00e9rgio Sobral de Oliveira, como assessor administrativo; Carlos Sarmento, como assessor de planejamento; Carlos Vergueiro, assessor art\u00edstico; Cl\u00e1udio Petraglia, assessor cultural; Antonio Soares Amora, assessor de ensino; e Miguel Cipolla , assessor t\u00e9cnico.\n\nAs primeiras obras de amplia\u00e7\u00e3o da emissora foram realizadas com a constru\u00e7\u00e3o de um pr\u00e9dio de dois andares para abrigar a diretoria, o conselho de curadores e a produ\u00e7\u00e3o. Tamb\u00e9m buscaram uma nova sede para a R\u00e1dio Cultura e um anexo para abrigar o setor de opera\u00e7\u00f5es. Na seq\u00fc\u00eancia, contrataram os profissionais de TV para, ent\u00e3o, darem o start da programa\u00e7\u00e3o, ao mesmo tempo em que cuidavam da aquisi\u00e7\u00e3o de equipamentos e a concep\u00e7\u00e3o visual da emissora. O logotipo do canal surgiu nas pranchetas do escrit\u00f3rio dos designers Jo\u00e3o Carlos Cauduro e Ludovico Martino.\n\nHouve alguns testes t\u00e9cnicos e de produ\u00e7\u00e3o nos est\u00fadios da Escola de Comunica\u00e7\u00f5es e Artes da USP(ECA), no antigo pr\u00e9dio da Reitoria. Esses testes foram acompanhados por alunos de R\u00e1dio e TV da ECA, que vieram a se juntar aos pioneiros da nova emissora.\n\n<strong>Cl\u00e1udio Petraglia, assessor cultural da TV Cultura, at\u00e9 1971, hoje diretor-regional da Rede Bandeirantes de Televis\u00e3o no Rio de Janeiro, lembra que:<\/strong>\n<blockquote>No per\u00edodo de implanta\u00e7\u00e3o, chegamos \u00e0 id\u00e9ia b\u00e1sica de TV p\u00fablica e n\u00e3o TV instrutiva. Elaborei um dec\u00e1logo contendo os itens fundamentais de uma public TV. N\u00f3s t\u00ednhamos de ter audi\u00eancia ao mesmo tempo em que precis\u00e1vamos abrir espa\u00e7o para programas experimentais. Em seu conjunto, os programas teriam de atender a todos os segmentos. Se n\u00e3o tivesse existido esse conceito de televis\u00e3o p\u00fablica, acho que a TV Cultura teria fracassado, n\u00e3o teria feito a carreira que vem fazendo at\u00e9 agora. Hoje, ela \u00e9 uma televis\u00e3o cultural.<\/blockquote>\nDomingo, dia 15 de junho de 1969, exatamente \u00e0s 19h30 min., entravam no ar os discursos do governador Roberto de Abreu Sodr\u00e9 e do presidente da Funda\u00e7\u00e3o Padre Anchieta, Jos\u00e9 Bonif\u00e1cio Coutinho Nogueira, abrindo as transmiss\u00f5es da TV Cultura, canal 2, de S\u00e3o Paulo. Na seq\u00fc\u00eancia dos discursos, foi exibido um clipe mostrando o surgimento da emissora, os planos para o futuro e uma descri\u00e7\u00e3o dos programas que passariam a ser apresentados a partir do dia seguinte, dia 16 de junho.\n\nNos primeiros meses, a TV Cultura permaneceu no ar por apenas quatro horas di\u00e1rias &#8211; das 19h30 \u00e0s 23h30 min. O primeiro programa exibido foi um epis\u00f3dio da s\u00e9rie \u0093Planeta Terra\u0094. O document\u00e1rio trazia como tema terremotos, vulc\u00f5es e fen\u00f4menos que ocorrem nas profundezas do planeta. <strong>Logo depois, uma novidade surgiu todos os dias:<\/strong> a TV Cultura levaria ao ar um completo boletim meteorol\u00f3gico que se chamava \u0093A Mo\u00e7a do Tempo\u0094, apresentado por Albina Mosqueiro. \u00c0s 20h, iniciava-se uma s\u00e9rie que viria a fazer hist\u00f3ria, era o \u0093Curso de Madureza Ginasial\u0094, com o desafio de provar que uma aula transmitida por televis\u00e3o poderia ser, ao mesmo tempo, eficiente e agrad\u00e1vel. A TV Cultura reuniu renomados profissionais de televis\u00e3o e professores universit\u00e1rios. Os professores n\u00e3o iam para a frente das c\u00e2meras; eles preparavam o conte\u00fado das aulas, que era transformado em programas de televis\u00e3o e apresentado por uma equipe de atores. Cl\u00e1udio Petraglia aponta que, \u0093pelo que me lembro, cerca de 60 mil pessoas conseguiram o diploma de madureza. Foi um neg\u00f3cio renovador\u0094.\n\n<strong>Fernando Pacheco Jord\u00e3o, que em 1969 era produtor respons\u00e1vel pelas aulas de Ci\u00eancias Humanas, recorda que:<\/strong>\n<blockquote>Havia uma disciplina que se chamava Ci\u00eancias Humanas e englobava Hist\u00f3ria, Geografia, Psicologia, Ling\u00fc\u00edstica e Demografia. <strong>Era uma equipe de alto n\u00edvel:<\/strong> entre os professores; t\u00ednhamos Gabriel Cohn, Ruth Cardoso, Paul Singer, Rodolfo Azen, Jobson Arruda e Jos\u00e9 Sebasti\u00e3o Witter. Enfim, era um time de primeira que fazia os textos, a partir dos quais desenvolv\u00edamos as aulas&#8230;<\/blockquote>\nOutros programas foram surgindo e marcavam o in\u00edcio da emissora, cuja proposta era diferenciada, como o pol\u00eamico \u0093Jovem, Urgente\u0094, produzido por Walter George Durst e apresentado pelo psiquiatra Paulo Gaud\u00eancio; era gravado com a participa\u00e7\u00e3o do p\u00fablico e tinha a proposta de debater o comportamento da sociedade &#8211; em particular dos jovens &#8211; numa \u00e9poca especialmente explosiva. No ano anterior, o movimento estudantil havia eclodido com toda a for\u00e7a na Europa. Nos Estados Unidos, nascia o movimento hippie e pipocavam os movimentos pacifistas contra a guerra do Vietn\u00e3. No Brasil, onde j\u00e1 se ouviam os acordes dissonantes do tropicalismo, os estudantes sa\u00edram \u00e0s ruas para protestar contra o regime militar e procuravam acompanhar as mudan\u00e7as culturais que aconteciam em outros pa\u00edses. Nesse clima de inquieta\u00e7\u00e3o e em plena vig\u00eancia do AI-5, \u0093Jovem, Urgente\u0094 era um programa que buscava discutir temas como liberdade de opini\u00e3o, virgindade, conflitos de gera\u00e7\u00f5es e outros tabus sexuais e culturais.\n\n<strong>Yolanda Costa Ferreira da TV Cultura diz: <\/strong>\n<blockquote>&#8220;O &#8216;Jovem Urgente&#8217; era um programa fant\u00e1stico. Mas toda semana era proibido pela Censura e o (presidente) Jos\u00e9 Bonif\u00e1cio ligava para Bras\u00edlia para liber\u00e1-lo. Era gravado com anteced\u00eancia, mas mesmo assim era uma loucura. Marcou \u00e9poca.&#8221;<\/blockquote>\nComo tamb\u00e9m marcou o in\u00edcio dos problemas que a emissora viria a ter com a censura. Outro programa que tamb\u00e9m chamou a aten\u00e7\u00e3o da censura foi o \u0093Caixote de Opini\u00e3o\u0094, um programa de depoimentos cujo nome era inspirado no c\u00e9lebre costume dos ingleses que, quando queriam protestar contra a fam\u00edlia real brit\u00e2nica, subiam num caixote em pleno Hyde Park e falavam \u00e0 vontade.\n\nOs programas musicais eram criados pela equipe de Carlos Vergueiro, formada por S\u00e9rgio Viotti, Caio M\u00e1rio Britto, Vicente Conti, Annie Fleury e S\u00edlvia Autuori, entre outros. Surgiram programas como \u0093M\u00fasica da Nossa Terra\u0094, apresentado pelo cantor Joel de Almeida, exibido aos s\u00e1bados, no hor\u00e1rio nobre.\n\nOutra atra\u00e7\u00e3o eram os recitais, entre eles o de Inezita Barroso que cantava acompanhada de seu viol\u00e3o.\n\nDesde o in\u00edcio, a TV Cultura tinha por objetivo democratizar a m\u00fasica, particularmente a erudita, tentando aproxim\u00e1-la do grande p\u00fablico. Uma iniciativa marcante foi empreendida pelo maestro J\u00falio Medaglia, com produ\u00e7\u00e3o de Fernando Pacheco Jord\u00e3o. Toda semana, uma orquestra de cordas era levada a um p\u00e1tio de escola ou de uma f\u00e1brica, para que estudantes e oper\u00e1rios pudessem ver de perto o trabalho dos m\u00fasicos. E havia tamb\u00e9m a preocupa\u00e7\u00e3o com a cria\u00e7\u00e3o de um acervo erudito com obras apresentadas por grandes orquestras.\n\nIntercalado aos programas feitos na pr\u00f3pria TV Cultura, eram exibidos document\u00e1rios e programas culturais de outros pa\u00edses, como Canad\u00e1, Fran\u00e7a, Inglaterra, Alemanha e Jap\u00e3o, obtidos nos consulados ou por meio de acordos operacionais com emissoras estrangeiras.\n\nNos tr\u00eas primeiros anos, a TV Cultura colocou no ar mais de oitenta s\u00e9ries diferentes, entre produ\u00e7\u00f5es pr\u00f3prias ou adquiridas de terceiros. Era um per\u00edodo de consolida\u00e7\u00e3o da emissora tanto no que se referia \u00e0 audi\u00eancia como no que dizia respeito \u00e0 manuten\u00e7\u00e3o de sua autonomia.\n\nCom a mudan\u00e7a de governo, Laudo Natel, que sucedeu Abreu Sodr\u00e9 em 1971, buscou alterar o relacionamento que o Estado mantinha com a emissora. Ao esbarrar nos estatutos que garantiam a independ\u00eancia da Funda\u00e7\u00e3o, passaram a reduzir as verbas destinadas \u00e0 manuten\u00e7\u00e3o da TV Cultura. N\u00e3o podendo modificar sua voca\u00e7\u00e3o cultural, mas por meio de uma asfixia financeira, conseguiram a sa\u00edda de Jos\u00e9 Bonif\u00e1cio Coutinho Nogueira da presid\u00eancia da Funda\u00e7\u00e3o.\n\nEm solidariedade, todos os diretores pediram demiss\u00e3o. Sob a presid\u00eancia de Rafael Noschese, no entanto, a TV n\u00e3o mudou o rumo ou alterou substancialmente seus planos iniciais.\n\nA <strong>TV Cultura<\/strong> atravessou, na d\u00e9cada de 70, diferentes fases e at\u00e9 tend\u00eancias que determinaram a linha de sua programa\u00e7\u00e3o. A primeira proposta, como vimos, era opor-se \u00e0 televis\u00e3o comercial e \u00e0 sua programa\u00e7\u00e3o \u0093popularesca\u0094, na elabora\u00e7\u00e3o por uma televis\u00e3o voltada para a cultura, centrada na apresenta\u00e7\u00e3o de concertos, \u00f3peras e debates sobre temas cultos. Os baixos \u00edndices de audi\u00eancia, no entanto, fizeram surgir no meio da d\u00e9cada uma tend\u00eancia mais populista. Os dirigentes, embora inicialmente imunes a esse tipo de press\u00e3o, come\u00e7avam a se incomodar com a acusa\u00e7\u00e3o de estar utilizando o dinheiro p\u00fablico para fazer uma TV que poucos viam. Optou-se ent\u00e3o por f\u00f3rmulas consagradas no circuito comercial, como novelas e programas de audit\u00f3rio. Essa tend\u00eancia seria superada no final da d\u00e9cada, quando se buscou um ponto entre o popular e o elitista. (Reim\u00e3o, 1997, p.47)\n\nMas destacamos que, enquanto as outras emissoras procuravam sua identifica\u00e7\u00e3o indo atr\u00e1s de tend\u00eancias, a TV Cultura investia seu perfil num entretenimento educativo. Por meio de apoio de empresas privadas, conseguiram transformar programas como o R\u00e1-Tim-Bum em Castelo R\u00e1-Tim-Bum, que estreou em maio de 1994, com um novo cen\u00e1rio e um alto n\u00edvel de qualidade e que, embora totalmente orientado para crian\u00e7as, conquistou seu espa\u00e7o no in\u00edcio do hor\u00e1rio nobre. Ganhou medalha de Prata no 37\u00ba Festival de Nova York na categoria Programa Infantil e melhor produ\u00e7\u00e3o para crian\u00e7as pela Associa\u00e7\u00e3o Paulista dos Cr\u00edticos de Arte foi exportado para Cuba e negociado com os pa\u00edses de l\u00edngua espanhola em 1996. (Reim\u00e3o, 1997, p.78 e 79) Assim n\u00e3o perdeu, apesar das crises de cunho financeiro, seu car\u00e1ter definido de emissora educativa.\n\nNa d\u00e9cada de 90, a emissora surpreendeu pela diversifica\u00e7\u00e3o de sua programa\u00e7\u00e3o, pelo aumento de audi\u00eancia e pela maior abertura ao patroc\u00ednio. D\u00e9cada tamb\u00e9m em que a TV Cultura se transformou em Rede, com o aluguel de um sinal no sat\u00e9lite da Embratel e passou a mandar sua programa\u00e7\u00e3o para 14 estados brasileiros.\n\nMesmo com tais modifica\u00e7\u00f5es, sua programa\u00e7\u00e3o cultural continuou dentro de uma linha educativa. A emissora tamb\u00e9m prosseguiu importando seus programas e miniss\u00e9ries estrangeiras, principalmente europ\u00e9ias, esclarecendo assuntos tanto cient\u00edficos, s\u00f3cio-culturais, al\u00e9m de divulgar a biografia de diversas personalidades.\n\nNa programa\u00e7\u00e3o infantil, a emissora consagrou nomes de programas que lhes renderam muitos pr\u00eamios por suas produ\u00e7\u00f5es como Glub-Glub, X-Tudo, Ra-Tim-Bum, Mundo da Lua, Castelo R\u00e1-Tim-Bum, entre outros.\n\nFonte: www.laramaria.com.br\n\n&nbsp;\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Hist\u00f3ria da TV Cultura, In\u00edcio, Constru\u00e7\u00e3o, Emissora, Rede, Educa\u00e7\u00e3o, Televis\u00e3o, Funda\u00e7\u00e3o Padre Anchieta, Jornalismo, Cria\u00e7\u00e3o, Hist\u00f3ria da TV Cultura<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":16122,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[57],"tags":[],"class_list":["post-16121","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-historia-geral"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v28.3 - 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