{"id":15778,"date":"2016-01-04T00:00:00","date_gmt":"2016-01-04T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/uncategorized\/ulisses-2\/"},"modified":"2026-08-31T23:27:18","modified_gmt":"2026-08-31T23:27:18","slug":"ulisses-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/historia-geral\/ulisses-2\/","title":{"rendered":"Ulisses"},"content":{"rendered":"\n&nbsp;\n<h4>Hist\u00f3ria<\/h4>\n<p class=\"imagem\"><strong>\nCavalo de Tr\u00f3ia de Ulisses<\/strong><\/p>\nO lend\u00e1rio her\u00f3i grego, <strong>Odisseu<\/strong> era o rei de \u00cdtaca, uma pequena ilha no mar J\u00f3nico, onde viveu com sua esposa Pen\u00e9lope.\n\nEle era conhecido por Romanos como <strong>Ulisses<\/strong>. Depois de lutar a guerra contra a cidade de Tr\u00f3ia com os gregos, ele come\u00e7ou sua jornada para casa. Sua viagem \u00e0 vela foi obstru\u00edda pelo deus do mar Poseidon.\n\nDurante sua jornada, ele teve muitas aventuras incr\u00edveis, mas sua intelig\u00eancia renomada o ajudou a sobreviver \u00e0s in\u00fameras dificuldades, embora sua equipe n\u00e3o teve tanta sorte. Depois de dez anos de peregrina\u00e7\u00e3o, ele finalmente chegou a sua casa.\n\nDurante sua longa aus\u00eancia, muitos de seus inimigos tentaram convencer sua esposa Pen\u00e9lope se casar novamente. Quando Ulisses chegou, ele disfar\u00e7ou-se de mendigo. Apenas o seu velho c\u00e3o reconheceu. At\u00e9 aquele momento, Penelope se manteve fiel.\n\nEla n\u00e3o tinha visto seu marido desde o in\u00edcio da guerra de Tr\u00f3ia, vinte anos antes. Depois de tantos anos, ela se presumia ser uma vi\u00fava.\n\nPressionado por seus pretendentes, ela declarou que ela iria se casar apenas com o homem que pudesse dobrar um arco extremamente dif\u00edcil que pertencia a Odisseu.\n\nTodos os pretendentes tentado isso, mas s\u00f3 <strong>Ulisses <\/strong>conseguiu.\n<p class=\"imagem\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Ulisses\" src=\"imagens\/ulisse21.jpg\" alt=\"Ulisses\" width=\"282\" height=\"381\" \/><strong>\nCavalo de Tr\u00f3ia de Ulisses<\/strong><\/p>\nA imagem acima representa uma r\u00e9plica do cavalo de madeira feita pelos gregos durante a guerra contra Tr\u00f3ia. Foi id\u00e9ia de Ulisses para esconder soldados dentro do cavalo. O cavalo foi oferecido para os troianos como um presente religioso para que os cidad\u00e3os de Tr\u00f3ia n\u00e3o poderia recus\u00e1-lo. Com a cavalo, os soldados gregos poderiam entrar na cidade e vencer a guerra. A r\u00e9plica descrito acima \u00e9 conservada na Turquia.\n<h4>A Volta de Ulisses<\/h4>\nAp\u00f3s vinte anos longe de casa, <strong>Ulisses<\/strong> emociona-se ao pisar novamente o solo de \u00cdtaca. Um jovem pastor acolhe-o. Na verdade, sob esse disfarce oculta-se a deusa Atena, sua amiga, que lhe explica estar reinando muita desordem em toda a ilha.\n\nOs habitantes acreditam que <strong>Ulisses<\/strong> morreu, e um grupo de jovens p\u00f4s na cabe\u00e7a que \u00e9 precisosantuPalasAtena.gif (203327 bytes) substitu\u00ed-lo no trono.\n\nInstalados no pal\u00e1cio de <strong>Ulisses<\/strong> como se estivessem em casa, acham que a rainha Pen\u00e9lope deve casar-se com um deles. Querem que Pen\u00e9lope escolha, mas, j\u00e1 h\u00e1 alguns anos, ela inventou um estratagema para evistar esse matrim\u00f4nio. Prometeu tomar sua decis\u00e3o quando completasse a tape\u00e7aria que estava tecendo. Mas a cada noite, escondida, a rainha desmancha o que teceu durante o dia.\n\nA deusa tamb\u00e9m conta a <strong>Ulisses<\/strong> que Tel\u00eamaco, o filho do her\u00f3i, partiu \u00e0 procura do pai.\n\nDepois, ela transforma <strong>Ulisses<\/strong> num velho mendigo, irreconhec\u00edvel, e leva-o \u00e0 casa de Eu meu, o guardador de porcos.\n\n<strong>Ulisses<\/strong> hospeda-se l\u00e1 durante alguns dias, enquanto Atena procura Tel\u00eamaco e o traz para junto do pai. \u00c9 um momento de muita emo\u00e7\u00e3o para <strong>Ulisses<\/strong>, que deixou um beb\u00ea e reencontra um homem. Pai e filho abra\u00e7am-se e tra\u00e7am um plano. Tel\u00eamaco ent\u00e3o volta ao pal\u00e1cio.\n\nNa manh\u00e3 seguinte, <strong>Ulisses<\/strong>, disfar\u00e7ado em seus trajes de mendigo, apresenta-se no pal\u00e1cio. Um velho cachorro que est\u00e1 deitado no p\u00e1tio levanta-se e fareja <strong>Ulisses<\/strong> quando ele se aproxima. O cheiro lhe \u00e9 familiar, embora pouco distinto.\n\nDe repente, o c\u00e3o Argos reconhece <strong>Ulisses<\/strong>, o bondoso dono que n\u00e3o v\u00ea h\u00e1 tanto tempo.\n\n<strong>\u00c9 alegria demais para o pobre animal:<\/strong> ele cai morto ali mesmo.\n\n<strong>Ulisses<\/strong> enxuga uma l\u00e1grima e entra no pal\u00e1cio. L\u00e1, os pretendentes bebem e banquteiam-se. Acolhem o mendigo com zombarias e inj\u00farias. Mesmo depois de receber uma pancada, <strong>Ulisses<\/strong> refreia sua c\u00f3lera. Sofre em sil\u00eancio os insultos que lhe s\u00e3o dirigidos em sua pr\u00f3pria casa. Euricl\u00e9ia, uma criada que foi sua ama-de-leite, aproxima-se dele para lavar-lhe os p\u00e9s, como mandam as leis de hospitalidade. Gra\u00e7as a uma cicatriz, logo reconhece seu rei, mas ele faz um sinal para que a criada se cale.\n\n<strong>Ao amanhecer, Ulisses \u00e9 despertado por barulhos estranhos:<\/strong> um choro no quarto de Pen\u00e9lope e gritos na sala em que os pretendentes, embriagados, planejam assassinar Tel\u00eamaco. Descobrirram a artimanha de Pen\u00e9lope e resolveram obrig\u00e1-la a escolher um marido.\n\nFazem uma grande reuni\u00e3o na sala do trono. Altivamente, Pen\u00e9lope declara que s\u00f3 poderia casar-se com um homem t\u00e3o valoroso quanto <strong>Ulisses<\/strong>.\n\n<strong>Ela prop\u00f5e uma prova:<\/strong> ficar\u00e1 com aquele que for capaz de retesar o arco do her\u00f3i e de fazer pontaria com tanta extid\u00e3o que a flecha atravesse os orif\u00edcios de doze l\u00e2minas de machado alinhadas. Os pretendentes precipitam-se, mas a prova \u00e9 muito dif\u00edcil. Nenhum deles consegue sequer retesar o arco.\n\nEnt\u00e3o, o repugnante mendigo pede que o deixem participar do concurso&#8230; \u00e9 uma gargalhada s\u00f3! Todo mundo ri das pretens\u00f5es do pobre vagabundo.\n\nImpertub\u00e1bel, <strong>Ulisses<\/strong> pega o arco, ajusta a flecha, retesa a arma sem esfor\u00e7o e atira. A flecha atravessa os doze c\u00edrculos de ferro.\n\nNingu\u00e9m mais acha gra\u00e7a.\n\nNa mesma hora, <strong>Ulisses<\/strong> joga longe o disfarce e recupera a apar\u00eancia normal. Tel\u00eamaco e Eumeu aproximam-se, armados com dardos. Uma imensa tempestade abate-se sobre \u00cdtaca bem no momento em que Ulisses, ajudado pelo filho , abate a flechadas todos os pretendentes.\n\nPen\u00e9lope ainda hesita. N\u00e3o consegue reconhecer seu marido, que ela n\u00e3o v\u00ea h\u00e1 vinte anos. Ent\u00e3o, pede \u00e0s criadas que preparem no sal\u00e3o de banquetes o leito de <strong>Ulisses<\/strong>, para ali dormir aquele que, a seus olhos, n\u00e3o passa de um mendigo.\n\n<strong>Ulisses<\/strong> fica furioso. Construiu aquela cama com suas pr\u00f3prias m\u00e3os, e ningu\u00e9m pode desmont\u00e1-la.\n\n&#8212; Ali\u00e1s &#8211; diz ele &#8211; , n\u00e3o h\u00e1 como tir\u00e1-la do lugar, pois uma de suas colunas \u00e9 uma oliveira viva&#8230;\n\nPor causa desse detalhe, do qual s\u00f3 ela e o marido sabiam, Pen\u00e9lope finalmente reconhece <strong>Ulisses<\/strong>. O her\u00f3i est\u00e1 constent\u00edssimo com a fidelidade da mulher e a valentia do filho. Depois de saborear alguns mmomentos de repouso ao lado deles, retoma seus encargos de soberano. Devolve a calma e a prosperidade a \u00cdtaca.\n\nDali em diante, se os deuses quiserem, <strong>Ulisses<\/strong>, Pen\u00e9lope e Tel\u00eamaco viver\u00e3o felizes e tranquilos.\n<h4><strong>Ulisses &#8211; Mitologia Grega<\/strong><\/h4>\nA figura de <strong>Ulisses<\/strong> transcendeu o \u00e2mbito da mitologia grega e se converteu em s\u00edmbolo da capacidade do homem para superar as adversidades.\n\nSegundo a vers\u00e3o tradicional, <strong>Ulisses<\/strong> (em grego, Odisseu) nasceu na ilha de \u00cdtaca, filho do rei Laerte, que lhe legou o reino, e Anticl\u00e9ia. O jovem foi educado, como outros nobres, pelo Centauro Quir\u00e3o e passou pelas provas inici\u00e1ticas para tornar-se rei.\n\nA vida de <strong>Ulisses<\/strong> \u00e9 relatada nas duas epop\u00e9ias hom\u00e9ricas, a Il\u00edada, em cuja estrutura coral ocupa lugar importante, e a Odiss\u00e9ia, da qual \u00e9 o protagonista, bem como no vasto ciclo de lendas originadoras dessas obras.\n\nDepois de pretender sem sucesso a m\u00e3o de Helena, cujo posterior rapto pelo tebano P\u00e1ris desencadeou a guerra de Tr\u00f3ia, <strong>Ulisses<\/strong> casou-se com Pen\u00e9lope. A princ\u00edpio resistiu a participar da expedi\u00e7\u00e3o dos aqueus contra Tr\u00f3ia, mas acabou por empreender a viagem e se distinguiu no desenrolar da contenda pela valentia e prud\u00eancia.\n\nA ele deveu-se, segundo relatos posteriores \u00e0 Il\u00edada, o ardil do cavalo de madeira que permitiu aos gregos penetrar em Tr\u00f3ia e obter a vit\u00f3ria.\n\nTerminado o conflito, <strong>Ulisses<\/strong> iniciou o regresso a \u00cdtaca, mas um temporal afastou-o com suas naves da frota. Come\u00e7aram assim os vinte anos de aventuras pelo Mediterr\u00e2neo que constitui o argumento da Odiss\u00e9ia.\n\n<strong>Durante esse tempo, protegido por Atena e perseguido por Pos\u00eaidon, cujo filho, o Ciclope Polifemo, o her\u00f3i havia cegado, conheceu incont\u00e1veis lugares e personagens:<\/strong> a terra dos lot\u00f3fagos, na \u00c1frica setentrional, e a dos lestrig\u00f5es, no sul da It\u00e1lia; as ilhas de \u00c9olo; a feiticeira Circe; e o pr\u00f3prio Hades ou reino dos mortos.\n\n<strong>Ulisses<\/strong> perdeu todos os companheiros e sobreviveu gra\u00e7as a sua sagacidade. Retido v\u00e1rios anos pela ninfa Calipso, o her\u00f3i p\u00f4de enfim retornar a \u00cdtaca disfar\u00e7ado de mendigo. Revelou sua identidade ao filho Tel\u00eamaco e, depois de matar os pretendentes \u00e0 m\u00e3o de Pen\u00e9lope, recuperou o reino, momento em que conclui a Odiss\u00e9ia.\n\nNarra\u00e7\u00f5es posteriores fazem de <strong>Ulisses<\/strong> fundador de diversas cidades e relatam not\u00edcias contradit\u00f3rias acerca de sua morte.\n\nNo contexto da mitologia hel\u00eanica, <strong>Ulisses<\/strong> corresponde ao modelo de marujo e comerciante do s\u00e9culo VII a.C. Esse homem devia adaptar-se, pela ast\u00facia e o bom senso, a um mundo cada vez mais complexo e em cont\u00ednua muta\u00e7\u00e3o.\n\nA literatura ocidental perpetuou, como s\u00edmbolo universal da honradez feminina, a fidelidade de Pen\u00e9lope ao marido, assim como achou em <strong>Ulisses<\/strong> e suas viagens inesgot\u00e1vel fonte de inspira\u00e7\u00e3o.\n\nFonte: www.windows2universe.org\/mitologia.tripod.com\/www.nomismatike.hpg.ig.com.br\n<h6>Ulisses<\/h6>\n<h4>Hist\u00f3ria<\/h4>\n<strong>Nascimento<\/strong>\n\nComo todo her\u00f3i, o rei de \u00cdtaca teve um nascimento meio complicado.\n\n<strong>Desde a Odiss\u00e9ia a genealogia de Odisseu \u00e9 mais ou menos constante: <\/strong>\u00e9 filho de Laerte e de Anticl\u00e9ia, mas as variantes alteraram-lhe sobremodo os antepassados mais distantes. \u00c9 assim que, do lado paterno, seu av\u00f4, desde a Odiss\u00e9ia, chamava-se Arc\u00edsio, que era filho de Zeus e de Euriodio.\n\nDo lado materno o her\u00f3i tinha por av\u00f4 Aut\u00f3lico, onde seu bisav\u00f4 era nada mais nada menos que Hermes, embora o mesmo se apresnte com algumas variantes, o que \u00e9 comum no mito. Se bem que desconhecida dos poemas hom\u00e9ricos, existe uma tradi\u00e7\u00e3o segundo a qual Anticl\u00e9ia j\u00e1 estava gr\u00e1vida de S\u00edsifo, quando se casou com Laerte.\n\nUlisses nasceu na ilha de \u00cdtaca, sobre o monte N\u00e9rito, um dia em que sua m\u00e3e fora ali surpreendida por um grande temporal.\n\nSemelhante anedota deu ensejo a um trocadilho sobre o nome (odysse\u00fas), suja interpreta\u00e7\u00e3o estaria contida na frase grega (Kat\u00e0 t\u00e8n hod\u00f2n h\u00fdsen ho Dze\u00fas), ou seja, &#8220;Zeus chovia sobre o caminho&#8221;, o que impediu Anticl\u00e9ia de descer o monte N\u00e9rito.\n\n<strong>A Odiss\u00e9ia, XIX, 406-409, no entanto, cria outra etimologia par ao pai de Tel\u00eamaco: <\/strong>o pr\u00f3prio Aut\u00f3lico, que fora a \u00cdtaca visitar a filha e o genro e l\u00e1 encontrara o neto rec\u00e9m-nascido, &#8220;por ter-se irritado&#8221; com muitos homens e mulheres que encontrara pela terra fecunda&#8221;, aconselhou aos pais que dessem ao menino o nome de (Odysse\u00fas), uma vez que o ep\u00edteto lembra de fato o verbo (od\u00fdssomai) &#8220;eu me irrito, eu me zango).\n\nNa realidade, ainda n\u00e3o se conhece com precis\u00e3o a etimologia de Odyss\u00e9us, apesar dos esfor\u00e7os de Albert Carnoy, que isolando a final -eus, frequentemente o sacrif\u00edcio das vacas do deus H\u00e9lio (Sol), bem como o cegamento do ciclope Polifemo com um tronco de oliveira incandescido, como fez o Lug c\u00e9ltico com Balor.\n\n<strong>Desse modo, conclui o fil\u00f3logo belga, seria poss\u00edvel identificar (lykjo) com o deus germ\u00e2nico Loki, cuja vincula\u00e7\u00e3o com o fogo \u00e9 evidente:<\/strong> a base etimol\u00f3gica seria ent\u00e3o o indo-europeu lug-io a par de luk-io.\n\nFilho de S\u00edsifo, o mais astuto e atrevido dos mortais, neto de Aut\u00f3lico, o maior e mais sabido dos ladr\u00f5es e ainda bisneto de Hermes, o deus tamb\u00e9m dos ardis e trapa\u00e7as, o trickster por excel\u00eancia, Ulisses s\u00f3 poderia ser mesmo, ao lado da intelig\u00eancia exuberante, da coragem e da determina\u00e7\u00e3o, um her\u00f3i (pol\u00fdm\u00e9tis), cheio de mal\u00edcia e de habilidade e um (polytropos), um solerte e manhoso em grau superlativo.\n\nEducado, como tantos outros nobres, pelo centauro Quir\u00e3o, ainda muito jovem o her\u00f3i de \u00cdtaca deu in\u00edcio \u00e0s suas aventuras.\n\nDurante uma curta perman\u00eancia na corte de seu av\u00f4 Aut\u00f3lico participou de uma ca\u00e7ada no monte Parnaso e foi ferido no joelho por um javali.\n\nA cicatriz, pouco acima do joelho, produzida pela mordidela da fera, se tornou indel\u00e9vel e servir\u00e1 como sinal de reconhecimento, quando o egr\u00e9gio neto de Aut\u00f3lico regressar a \u00cdtaca. Paus\u00e2nias relata com precis\u00e3o que a luta entre o her\u00f3i e o javali, com o conseq\u00fcente ferimento daquele, se passara exatamente no local em que se construiu o Gin\u00e1sio de Delfos, igualmente no monte Parnaso.\n\nA mando de Laerte, Ulisses dirigiu-se a Messena, para reclamar uma parte do rebanho de seu pai, que lhe havia sido furtada. Na corte do rei Ors\u00edloco, tendo-se encontrado com \u00cdfito, filho de \u00caurito e herdeiro do famoso arco paterno, o dois her\u00f3is resolveram, com penhor de amizade, trocar de armas.\n\nO futuro rei de \u00cdtaca presenteou \u00cdfito com sua espada e lan\u00e7a e deste deu a Ulisses o arco divino com que o esposo de Pen\u00e9lope matar\u00e1 mais tarde os soberbos pretendentes.\n\nCompletada a (dokimas\u00eda), as primeiras provas inici\u00e1ticas, traduzidas na morte do javali, s\u00edmbolo da aquisi\u00e7\u00e3o do poder espiritual e da obten\u00e7\u00e3o do arco, imagem do poder real e da inicia\u00e7\u00e3o dos cavaleiros, Ulisses recebeu de seu pai Laerte &#8211; que se recolheu, certamente por inaptid\u00e3o ao poder &#8211; o reino de \u00cdtaca, com todas as suas riquezas, consistentes sobretudo em rebanhos.\n\nO rei, obrigatoriamente, no entanto, se completa ao casamento. Cortejou, por isso mesmo, em primeiro lugar, Helena, filha de T\u00edndaro, mas, percebendo que o n\u00famero de pretendentes era excessivo, voltou-se para a prima da futura esposa de Menelau, Pen\u00e9lope, filha de \u00cdcaro.\n\nEsta uni\u00e3o lhe traria tantas vantagens (Ulisses sempre foi um homem pr\u00e1tico) quantas lhe proporcionaria a uni\u00e3o com Helena. A m\u00e3o de Pen\u00e9lope foi conseguida ou por gratid\u00e3o de T\u00edndaro, ou como \u00e9 mais prov\u00e1vel, por uma vit\u00f3ria obtida pelo her\u00f3i numa corrida de carros institu\u00edda por seu futuro sogro entre os pretendentes da filha. De qualquer forma, o pai de Helena sempre foi muito grato a Ulisses por um conselho que este lhe dera.\n\nComo o n\u00famero de pretendentes \u00e0 m\u00e3o de Helena fosse muito grande, o rei de \u00cdtaca sugeriu a T\u00edndaro que os ligasse por dois juramentos, respeitar a decis\u00e3o de Helena, quanto \u00e0 escolha do noivo, ajudando-o a conserv\u00e1-la; e se o eleito fosse, de alguma forma, atacado ou gravemente ofendido, os demais deveriam socorr\u00ea-lo.\n\nPressionada pelo pai a permanecer em Esparta com o marido, Pen\u00e9lope, dando provas de seu amor conjugal, preferiu, como era desejo de Ulisses, seguir com ele para \u00cdtaca.\n\nDiga-se, ali\u00e1s, de passagem, que, apesar de Esparta ter sido considerada sobretudo \u00e0 \u00e9poca cl\u00e1ssica como a cidade das mulheres virtuosas e corretas e de Pen\u00e9lope, atrav\u00e9s da Odiss\u00e9ia, ser apontada como s\u00edmbolo da fidelidade conjugal, existem outras vers\u00f5es, como veremos, que a acusam formalmente de haver tra\u00eddo o marido tanto antes quanto ap\u00f3s o retorno do mesmo.\n\nSeja como for, do casamento com o rei de \u00cdtaca, Pen\u00e9lope foi m\u00e3e de Tel\u00eamaco.\n\nEste ainda estava muito novinho, quando chegou ao mundo grego a triste not\u00edcia de que P\u00e1ris raptara Helena e de que Menelau, valendo-se do juramento dos antigos pretendentes \u00e0 m\u00e3o de sua esposa, exigia de todos o comprimento da solene promessa, para que pudesse vingar-se do pr\u00edncipe troiano.\n<h4>O Papel de Ulisses na Guerra de Tr\u00f3ia<\/h4>\n<h4><strong>Preparativos para a guerra<\/strong><\/h4>\nEmbora autor intelectual do famoso juramento, o rei de \u00cdtaca, n\u00e3o por falta de coragem, mas por amor \u00e0 esposa e ao filho, procurou de todas as maneiras fugir ao compromisso assumido. Quando lhe faltaram argumentos, fingiu-se de louco. Em companhia de seu primo, o astuto e inventivo Palamedes, Menelau dirigiu-se \u00e0 \u00cdtaca. L\u00e1 encontraram Ulisses, que havia atrelado um burro e um boi a uma charrua e abria sulcos nos quais semeava sal. Outros dizem que tentava arar as areias do mar.\n\nPalamedes, todavia, n\u00e3o se deixou enganar com o embuste e colocou o pequenino Tel\u00eamaco diante das rodas do arado. Ulisses deteve os animais a tempo de salvar o menino. Desmascarado, o her\u00f3i dedicou-se inteiro \u00e0 causa dos atridas, mas nunca perdoou Palamedes e no decurso da Guerra de Tr\u00f3ia vingou-se cruel e covardemente do mais inteligente dos her\u00f3is da H\u00e9lade.\n\nAcompanhado de Misico, que Laerte lhe dera como conselheiro, e com a miss\u00e3o de velar sobre o filho em Tr\u00f3ia, Ulisses se engajou na armada aqu\u00e9ia. De sa\u00edda, acompanhou Menelau a Delfos para consultar o or\u00e1culo e, logo depois, em companhia do mesmo Menelau e de Palamedes, participou da primeira embaixada a Tr\u00f3ia com o fito de resolver pacificamente o incidente do rapto de Helena. Reclamaram Helena e os tesouros carregados pelo casal. P\u00e1ris se recusou a devolver tanto Helena quanto os tesouros e ainda tentou convencer os troianos a matarem o rei de Esparta, que foi salvo por Antenor, companheiro e prudente conselheiro do velho Pr\u00edamo. Com a recusa de P\u00e1ris e sua trai\u00e7\u00e3o a Menelau, a guerra se tornou inevit\u00e1vel. Em seguida foi em busca de Aquiles, que sua M\u00e3e T\u00e9tis havia escondido, mas cuja presen\u00e7a e participa\u00e7\u00e3o, segundo o adivinho Calcas, eram indispens\u00e1veis para a tomada de \u00cdlion. T\u00e9tis sabedora do triste destino que aguardava seu filho, levou-o secretamente para a corte de Licomedes, na ilha de Ciros, onde o her\u00f3i passou a viver como linda donzela &#8220;ruiva&#8221; no meio das filhas do rei, como nome falso de Pirra, j\u00e1 que o her\u00f3i tinha os cabelos louro-avermelhados. Disfar\u00e7ado em mercador, o astuto Ulisses conseguiu penetrar no gineceu do pal\u00e1cio de Licomedes. As mo\u00e7as logo se interessaram pelos tecidos e adornos, mas Pirra, a &#8220;ruiva&#8221;, tendo voltado sua aten\u00e7\u00e3o exclusivamente para as armas, Ulisses p\u00f4de com facilidade identific\u00e1-lo e conduzi-lo para a armada aqu\u00e9ia. Conta uma outra vers\u00e3o que o filho de T\u00e9tis se deu a conhecer porque se emocionou, ouvindo os sons b\u00e9licos de uma trombeta.\n\nAinda como embaixador, o rei de \u00cdtaca foi enviado juntamente com Talt\u00edbio, arauto de Agam\u00eamnon, \u00e0 corte de Chipre, onde reinava C\u00edniras, que, ap\u00f3s o incesto involunt\u00e1rio com sua filha Mirra, fora exilado de Biblos e se tornara o primeiro rei da grande ilha grega do mar Egeu, onde introduziu, ali\u00e1s, o culto de Afrodite. C\u00edniras prometeu enviar cinquenta naus equipadas contra os Troianos, mas, usando de um estratagema, mandou apenas uma.\n\nReunidos finalmente os reis helenos, a armada velejou rumo a Tr\u00f3ada, mas, n\u00e3o conhecendo bem a rota, a grande frota, sob o comando de Agam\u00eamnon, abordou em M\u00edsia, na \u00c1sia Menor e, dispersados por uma grande tempestade, os chefes aqueus regressaram a seus respectivos reinos. Somente oito anos mais tarde congregaram-se novamente em \u00c1ulis, porto da Be\u00f3cia. O mar, no entanto, permanecia inacess\u00edvel aos audazes navegantes, por causa de prolongada calmaria.\n\nConsultado, o adivinho Calcas explicou que o fen\u00f4meno se devia \u00e0 c\u00f3lera de Artemis, porque Agam\u00eamnon, matando uma cor\u00e7a, afirmara que nem a deusa o faria melhor que ele. A ultrapassagem do m\u00e9tron por parte do rei de Micenas era grave e, para suspender a calmaria, Artemis exigia, na palavra do adivinho, o sacrif\u00edcio da filha primog\u00eanita do rei, Ifig\u00eania.\n\nFoi nesse triste epis\u00f3dio, maravilhosamente repensado por Eur\u00edpedes em sua trag\u00e9dia Ifig\u00eania em \u00c1ulis, que Ulisses continuou a mostrar sua inigual\u00e1vel ast\u00facia e capacidade de lideran\u00e7a.\n\nAgam\u00eamnon, a conselho de seu irm\u00e3o Menelau e de Ulisses, enviara \u00e0 esposa Clitemnestra, em Micenas, uma mensagem mentirosa, solicitando-lhe que conduzisse Ifig\u00eania a \u00c1ulis, a fim de cas\u00e1-la com o her\u00f3i Aquiles. Mas, logo depois, horrorizado com a id\u00e9ia de sacrificar a pr\u00f3pria filha, tentou mandar uma segunda missiva, cancelando a primeira. Menelau, todavia, interceptou-a e Clitemnestra, acompanhada por Ifig\u00eania e o pequenino Orestes, chega ao acampamento aqueu.\n\nO solerte rei de \u00cdtaca, percebendo as vacila\u00e7\u00f5es de Agam\u00eamnon e os escr\u00fapulos de Menelau no tocante ao cumprimento do or\u00e1culo, excitou os chefes e a soldadesca aqu\u00e9ia contra os atridas, que se viram compelidos a sacrificar a jovem inocente. N\u00e3o fora a pronta interven\u00e7\u00e3o de Artemis, que substituindo Ifig\u00eania por uma cor\u00e7a, fato comum no mito do sacrif\u00edcio do primog\u00eanito, Agam\u00eamnon, Menelau e Ulisses teriam agravado ainda mais sua h\u00fdbris, j\u00e1 bastante intumescida.\n\nAinda bem que, no mundo antigo, se levavam em conta os atos e n\u00e3o as inten\u00e7\u00f5es.\n\nUma derradeira interven\u00e7\u00e3o da arg\u00facia e bom-senso de Ulisses, antes da carnificina de Tr\u00f3ia, pode ser detectada na correta interpreta\u00e7\u00e3o do or\u00e1culo relativo \u00e0 cura de T\u00e9lefo por Aquiles. O esposo de Pen\u00e9lope demonstrou uma precis\u00e3o absoluta que o restabelecimento da sa\u00fade do rei de M\u00edsia teria que ser operado &#8220;pela lan\u00e7a de sua arma predileta sobre o ferimento de T\u00e9lefo, que imediatamente o teve cicatrizado.\n<h4><strong>A Viagem de Ida<\/strong><\/h4>\nConsoante o Cat\u00e1logo das Naus Ulisses levou a Tr\u00f3ia doze navios lotados com her\u00f3is, soldados e marujos provenientes das ilhas de Cefal\u00eania, os magn\u00e2nimos cefal\u00eanios; de \u00cdtaca, de N\u00e9rito, de Eg\u00edlipe, de Zacinto e de Same.\n\nConsiderado por todos como um dos grandes her\u00f3is, sempre participou do conselho dos chefes que sitiariam \u00cdlion. Na rota para Tr\u00f3ia aceitou o desafio do rei de Lesbos, filomelides, e o matou na luta. Esse epis\u00f3dio, recordado pela Odiss\u00e9ia, IV, 343sq., foi reinterpretado posteriormente como um verdadeiro assassinato cometido por Ulisses e seu parceiro insepar\u00e1vel em tais casos, o violento Diomedes.\n\n<strong>Em Lemnos, durante um banquete dos chefes aqueus, ainda segundo a Odiss\u00e9ia, Ulisses e Aquiles discutiram asperamente:<\/strong> o primeiro elogiava a prud\u00eancia e o segundo exaltava a bravura. Agam\u00eamnon, a quem Apolo havia predito que os aqueus se apossariam de Tr\u00f3ia, quando reinasse a disc\u00f3rdia entre os chefes helenos, viu no epis\u00f3dio o press\u00e1gio de uma r\u00e1pida vit\u00f3ria. Os mit\u00f3grafos posteriores deturparam o fato e atribu\u00edram a querela a Agam\u00eamnon e Aquiles, primeiro sintoma da grave contenda entre estes dois her\u00f3is, o que se constituir\u00e1 no assunto da Il\u00edada. Foi ainda em Lemnos ou numa ilhota vizinha, chamada Crises, que, a conselho de Ulisses, os chefes aqueus resolveram abandonar Filoctetes.\n\n<strong>Um outro acontecimento desconhecido pelos poemas hom\u00e9ricos \u00e9 a denominada segunda miss\u00e3o de paz a Tr\u00f3ia:<\/strong> tendo a frota grega chegado \u00e0 ilha de T\u00eanedos, bem em frente \u00e0 fortaleza de Pr\u00edamo, Menelau e Ulisses dirigiram-se novamente a \u00cdlion na tentativa de resolver o grave problema do rapto de Helena de maneira pac\u00edfica e honrosa. Dessa feita, por\u00e9m, foram muito mal recebidos, porque P\u00e1ris e seus partid\u00e1rios n\u00e3o s\u00f3 recusaram quaisquer propostas de paz, mas ainda, por interm\u00e9dio de seu amigo Ant\u00edmaco, o raptor de Helena tentou amotinar o povo para que matasse Menelau e certamente tamb\u00e9m Ulisses. Salvou-os o prudente Antenor, conselheiro de Pr\u00edamo e amigo de alguns chefes aqueus.\n\nCom isso a guerra se tornou inevit\u00e1vel. Foi ainda por sugest\u00e3o pac\u00edfica de Antenor que se tentou obter a decis\u00e3o acerca da perman\u00eancia em Tr\u00f3ia de Helena e dos tesouros roubados \u00e0 corte de Menelau ou de seu retorno \u00e0 Esparta por meio de um combate singular entre P\u00e1ris e Menelau.\n\nMas, como nos mostra a Il\u00edada, III 347sqq., no momento em que o atrida estava para liquidar o inimigo, Afrodite o envolveu numa nuvem e o levou de volta para o t\u00e1lamo perfumado de Helena. P\u00e2ndaro, aliado dos Troianos, rompe sacrilegamente as tr\u00e9guas e lan\u00e7a uma seta contra Menelau. Recome\u00e7ou a sangrenta seara de Ares, que haveria de se prolongar por dez anos.\n<h4><strong>Estratagemas durante a Guerra<\/strong><\/h4>\nPois bem, por todo esse tempo o hero\u00edsmo e a ast\u00facia de Ulisses brilharam intensamente. Durante todo o certo a \u00cclion o rei de \u00cdtaca mostrou extraordin\u00e1rio bom-senso, destemor, aud\u00e1cia, intelig\u00eancia pr\u00e1tica e criatividade.\n\nConvocavam-no para toda e qualquer miss\u00e3o que demandasse, al\u00e9m de coragem, sagacidade, prud\u00eancia e habilidade orat\u00f3ria. (Polym\u00e9khanos), &#8220;industrioso, f\u00e9rtil em recursos&#8221;, \u00e9 o ep\u00edteto honroso, que lhe outorga Atena logo no canto Segundo.\n\n\u00c9 assim que sua sol\u00e9rcia e atividade diplom\u00e1ticas se desdobram desde os primeiros cantos do poema. Foi o comandante da nau que conduzia uma hecatombe a Apolo e levava a bela Criseida de volta a seu pai Crises; organizou o combate singular entre P\u00e1ris e Menelau; na assembl\u00e9ia dos soldados reduziu Tersites ao sil\u00eancio e, com um discurso inflamado, revelando um grande press\u00e1gio, persuadiu os aqueus a permanecerem em Tr\u00f3ada, quando o des\u00e2nimo j\u00e1 se apossara de quase todos eles.\n\nParticipou igualmente, acompanhado de F\u00eanix e \u00c1jax, da embaixada junto a Aquiles, para que este, uma vez desagravado por Agam\u00eamnon, voltasse ao combate, o que, ainda dessa feita, n\u00e3o aconteceu, apesar do belo e convincente discurso do rei da \u00cdtaca.\n\nEm parte atrav\u00e9s da Odiss\u00e9ia e sobretudo de poetas posteriores ficamos sabendo de outras miss\u00f5es importantes do mais astuto dos Helenos. Como a guerra se prolongasse al\u00e9m do esperado, Ulisses, em companhia de Menelau, dirigiu-se \u00e0 corte de \u00c2nio, rei e sacerdote de Delos, como atesta Verg\u00edlio na Eneida, 3,80.\n\n<strong>Esse \u00c2nio, filho de Apolo e de Re\u00e1, a &#8220;Rom\u00e3&#8221;, era pai de tr\u00eas filhas:<\/strong> Ela\u00eds, Espermo e Eno, cujos nomes lembram, respectivamente, \u00f3leo, trigo e vinho.\n\nComo houvessem recebido de seu ancestral Dionisio o poder de fazer surgir do solo esses tr\u00eas produtos indispens\u00e1veis, os chefes aqueus, dado o prolongamento da guerra, mandaram busc\u00e1-las. De bom grado as filhas do rei de Delos acompanharam os embaixadores gregos, mas, j\u00e1 cansadas de uma tarefa incessante, fugiram. Perseguidas pelos Helenos, pediram prote\u00e7\u00e3o a Dionisio, que as metamorfoseou em pombas. Por isso mesmo, na ilha de Delos, era proibido matar pombas.\n\nAl\u00e9m da j\u00e1 citada incumb\u00eancia de trazer Filoctetes de volta \u00e0s fileiras aqu\u00e9ias, Ulisses, juntamente com F\u00eanix ou Diomedes, foi encarregado de trazer da ilha de Ciros Neopt\u00f3lemo, filho de Aquiles e de Deidamia, e cuja presen\u00e7a, ap\u00f3s a morte de Aquiles, era tamb\u00e9m imprescind\u00edvel para a queda de \u00eclion, segundo vaticinaria Heleno.\n\nOs feitos do rei de \u00cdtaca durante a Guerra de Tr\u00f3ia n\u00e3o se reduzem, todavia, a embaixadas. Audacioso, destemido e sobretudo caviloso, o her\u00f3i arriscou muitas vezes a vida em defesa da honra ofendida da fam\u00edlia grega.\n\nNuma sortida noturna e perigosa, ele e Diomedes, no chamado epis\u00f3dio de Dolonia, obt\u00eam dupla vit\u00f3ria. D\u00f3lon, espi\u00e3o troiano, \u00e9 aprisionado pelos dois her\u00f3is aqueus. Ap\u00f3s revelar tudo quanto os dois desejavam saber, Diomedes, impiedosamente, apesar das s\u00faplicas de D\u00f3lon, cortou-lhe a cabe\u00e7a. Guiados pelas informa\u00e7\u00f5es do troiano, penetram no acampamento inimigo e surpreenderam dormindo o her\u00f3i tr\u00e1cio Reso, que viera em aux\u00edlio dos Troianos no d\u00e9cimo ano da guerra. Mataram-no e levaram-lhe os brancos corc\u00e9is, r\u00e1pidos como o vento. Conta-se que a audaciosa expedi\u00e7\u00e3o dos dois bravos aqueus contra Reso fora inspirada pelas deusas Hera e Atena, pois um or\u00e1culo predissera que, se Reso e seus cavalos bebessem da \u00e1gua do rio Escamandro, o her\u00f3i tr\u00e1cio seria invenc\u00edvel.\n\nO tema da morte desse her\u00f3i foi retomado no S\u00e9c. IV a.e.c. na trag\u00e9dia Reso, que durante longo tempo foi erradamente inclu\u00edda entre as pe\u00e7as de Eur\u00edpedes.\n\nDesejando penetrar como espi\u00e3o em \u00cdlion, para n\u00e3o ser reconhecido, fez-se chicotear at\u00e9 o sangue por Toas, filho de Andr\u00eamon e chefe de um contingente et\u00f3lio, consoante o Cat\u00e1logo das Naus. Ensang\u00fcentado e coberto de andrajos, apresentou-se em Tr\u00f3ia como tr\u00e2nsfuga. Conseguiu furtivamente chegar at\u00e9 Helena, que, ap\u00f3s a morte de P\u00e1ris, estava casada com De\u00edfobo e a teria convencido a trair os Troianos. Relata-se igualmente que Helena teria denunciado H\u00e9cuba, rainha de Tr\u00f3ia, a presen\u00e7a de Ulisses, mas este, com suas l\u00e1grimas, suas manhas e palavras artificiosas, teria convencido a esposa de Pr\u00edamo a prometer que guardaria segredo a seu respeito. Desse modo foi-lhe poss\u00edvel retirar-se ileso, matando antes as sentinelas que vigiavam a entrada da fortaleza.\n\nQuando da morte de Aquiles e da outorga de suas armas ao mais valente dos aqueus, \u00c1jax T\u00e9lamon, o grande \u00c1jax, o mais forte e destemido dos gregos, depois do filho de T\u00e9tis, disputou-as com Ulisses nos jogos f\u00fanebres em mem\u00f3ria do pelida. Face ao embara\u00e7o de Agam\u00eamnon, que n\u00e3o sabia a qual dos dois premiar, Nestor, certamente por instiga\u00e7\u00e3o de Ulisses, aconselhou que fossem interrogados os prisioneiros troianos; e estes, por unanimidade, afirmaram que o rei de \u00cdtaca fora o que mais danos causara a Tr\u00f3ia. Inconformado com a derrota, ali\u00e1s injusta, e ferido em sua tim\u00e9, \u00c1jax, num acesso de loucura massacrou um pac\u00edfico rebanho de carneiros, pois acreditava estar matando os gregos, que lhe negaram as armas do pelida. Voltando a si, compreendeu ter praticado atos de dem\u00eancia e, envergonhado, mergulhou a pr\u00f3pria espada na garganta.\n\nOutra vers\u00e3o, talvez antiga, atesta que, ap\u00f3s a queda de \u00cdlion, \u00c1jax pediu a morte de Helena como pena de seu adult\u00e9rio. Tal proposta provocou a ira dos atridas. Ulisses, com sua sol\u00e9rcia, salvou a princesa e conseguiu que a mesma fosse devolvida a Menelau. Logo ap\u00f3s este acontecimento, o destemido \u00c1jax solicitou, como parte dos despojos, que lhe fosse entregue o Pal\u00e1dio, a pequena est\u00e1tua de Atena, dotada de propriedades m\u00e1gicas. Por instiga\u00e7\u00e3o, mais uma vez, de Ulisses, os atridas n\u00e3o lhe atenderam o pedido.\n\nO filho de T\u00e9lamon fez-lhes, ent\u00e3o graves amea\u00e7as. Assustados, Agam\u00eamnon e Menelau cercaram-se de guardas, mas, no dia seguinte, pela manh\u00e3, \u00c1jax foi encontrado morto, varado com a pr\u00f3pria espada.\n\nS\u00f3focles, em sua trag\u00e9dia Ajax, sem inocentar Ulisses, procura desviar o infort\u00fanio da personagem para sua h\u00fdbris, seu descomedimento intoler\u00e1vel, sobretudo em rela\u00e7\u00e3o a Atena, que pune o filho de T\u00e9lamon com a loucura. Dessa maneira, a grande deusa estaria prestando homenagem a seu protegido Ulisses.\n\nEste, por\u00e9m, porta-se com mais dignidade que a deusa da intelig\u00eancia.\n\n<strong>Quando esta, para mostrar extens\u00e3o da desgra\u00e7a de \u00c1jax e o poder dos deuses, pergunta a Ulisses se, porventura, conhece um her\u00f3i mais judicioso e valente, a resposta do filho de S\u00edsifo n\u00e3o se faz esperar:<\/strong>\n\nN\u00e3o, n\u00e3o conhe\u00e7o nenhuma, embora seja meu inimigo, lamento seu infort\u00fanio. Esmaga-o terr\u00edvel fatalidade. Em seu destino entrevejo me pr\u00f3prio destino. Todos quantos vivemos, nada mais somos que farrapos de ilus\u00e3o e sombras v\u00e3s.\n\nO maior cometimento de Ulisses na Guerra de Tr\u00f3ia foi, sem d\u00favida, o j\u00e1 referido e genial estratagema do Cavalo de Tr\u00f3ia, objeto das descri\u00e7\u00f5es de Homero e P\u00fablio Verg\u00edlio Mar\u00e3o.\n\nN\u00e3o se esgotam aqui, todavia, as gestas e crueldade do sagaz Ulisses. Foi o primeiro a sair da machina fatalis, a fim de acompanhar Menelau, que apressadamente se dirigiu \u00e0 casa de De\u00edfogo, para se apossar de Helena; e segundo uma vers\u00e3o, o rei de \u00cdtaca impediu o atrida de assassinar ali mesmo sua linda esposa.\n\n<strong>Conforme outra variante, Ulisses salvou-a da morte certa:<\/strong> escondeu-a e esperou que a c\u00f3lera dos helenos se mitigasse, evitando que a rainha de Esparta fosse lapidada, como desejavam alguns chefes e a soldadesca. Foi um dos respons\u00e1veis diretos pela morte do filho de Heitor e Andr\u00f4maca, o pequenino Ast\u00edanax, que, no sangue de Tr\u00f3ia, foi lan\u00e7ado de uma torre. Por instiga\u00e7\u00e3o de Ulisses, a filha ca\u00e7ula de Pr\u00edamo e H\u00e9cuba, Pol\u00edxena, foi sacrificada sobre o t\u00famulo de Aquiles por seu filho Neopt\u00f3lemo ou pelos comandantes gregos. Tal sacrif\u00edcio, complementar do de Ifig\u00eania, teria por finalidade proporcionar ventos favor\u00e1veis para o retorno das naus aqu\u00e9ias a seus respectivos reinos.\n\nConsoante outra vers\u00e3o, Aquiles, que amara Pol\u00edxena em vida, apareceu em sonhos ao filho e exigiu o sacrif\u00edcio da filha de Pr\u00edamo. Na trag\u00e9dia de Eur\u00edpedes, H\u00e9cuba, Pol\u00edxena arrancada dos bra\u00e7os da rainha por Ulisses, ali\u00e1s com anu\u00eancia da pr\u00f3pria v\u00edtima, que preferia a morte \u00e0 escravid\u00e3o, \u00e9 degolada por Neopt\u00f3lemo sobre o t\u00famulo paterno.\n<h4>Odiss\u00e9ia: a volta para casa<\/h4>\n<strong>A Caminho de \u00cdtaca<\/strong>\n\nAinda fumegavam as cinzas de Tr\u00f3ia, quando os reis aqueus, que haviam sobrevivido aos fios da Mo\u00eera, aprestaram-se para o (n\u00f3stos) o longo &#8220;retorno&#8221; ao lar.\n\nUns eram aguardados com sofreguid\u00e3o, com l\u00e1grimas de j\u00fabilo e com muito saudade; outros, pela instiga\u00e7\u00e3o vingativa de N\u00e1uplio ou pelos pr\u00f3prios acontecimentos que precederam ou se seguiram \u00e0 guerra, eram esperados com \u00f3dio e com as l\u00e2minas afiadas de machadinhas homicidas. Pen\u00e9lope e sua prima Clitemnestra s\u00e3o o term\u00f4metro da polaridade desse imenso (p\u00f3thos), desse insofrido &#8220;desejo da presen\u00e7a de uma aus\u00eancia&#8221;.\n\nDada a controv\u00e9rsia entre os dois atridas a respeito do momento prop\u00edcio para o regresso, Menelau, apressado e desejoso de afastar \u00cdlion de sua mem\u00f3ria, partiu primeiro com sua Helena e com o velho e s\u00e1bio Nestor. As naus de Ulisses singraram na esteira branca e salgada dos navios dos dois her\u00f3is aqueus. Na ilha de T\u00eanedos, por\u00e9m, como se malquistasse com ambos, retornou a Tr\u00f3ada e se reuniu a Agam\u00eamnon, que l\u00e1 permanecera por mais uns dias, a fim de conciliar com presentes as boas gra\u00e7as da sens\u00edvel deusa Atena. Quando Agam\u00eamnon desfraldou suas velas, o prudente Ulisses o seguiu, mas uma grande borrasca os separou e o filho de S\u00edsifo abordou na Tr\u00e1cia, na regi\u00e3o dos C\u00edcones. Penetrando em uma de suas cidades, \u00cdsmaro, o her\u00f3i e seus marujos, numa incurs\u00e3o digna de piratas, a pilharam e passaram-lhe os habitantes a fio da espada. Somente pouparam a um sacerdote de Apolo, Mar\u00e3o, que, al\u00e9m de muitos presentes, deu ao rei de \u00cdtaca doze \u00e2nforas de um vinho delicioso, doce e forte. Com este precioso licor de Baco ser\u00e1 embriagado o monstruoso ciclope Polifemo. Num contra-ataque r\u00e1pido os C\u00edcones investiram-se contra os gregos, que perderam v\u00e1rios companheiros.\n\nNovamente no bojo macio de Pos\u00eddon, os aqueus singraram para o sul e dois dias depois avistaram o cabo Mal\u00e9ia, mas um vento extremamente violento, vindo do norte, lan\u00e7ou-os ao largo da ilha de C\u00edtera e durante nove dias erraram no mar piscoso, at\u00e9 que, no d\u00e9cimo, chegaram ao pa\u00eds dos Lot\u00f3fagos, que se alimentavam de flores. Tr\u00eas marujos aqueus provaram do loto, &#8220;o fruto saboroso, m\u00e1gico e amn\u00e9stico&#8221;, porque lhes tirou qualquer desejo de regressar \u00e0 p\u00e1tria.\n\nE aquele que saboreava o doce fruto do loto, n\u00e3o mais queria trazer not\u00edcias nem voltar, mas preferia permanecer ali entre os Lot\u00f3fagos, comendo loto, esquecido do regresso.\n\nA custo o her\u00f3i conseguiu traz\u00ea-los de volta e prend\u00ea-los no navio.\n\n<strong>Dali partiram de cora\u00e7\u00e3o triste, e chegaram \u00e0 terra dos ciclopes, tradicionalmente identificada com a Sic\u00edlia: <\/strong>Dali continuamos viagem, de cora\u00e7\u00e3o triste, e chegamos \u00e0 terra dos soberbos ciclopes, infensos \u00e0s leis, que, confiados nos deuses imortais, n\u00e3o plantam, nem lavram, mas tudo lhes nasce sem semear nem lavrar.\n\nDeixando a maioria de seus companheiros numa ilhota, o experimentado rei de \u00cdtaca, com apenas alguns deles, embicou sua nau para uma terra vizinha. Escolheu doze entre os melhores e resolveu explorar a regi\u00e3o desconhecida, levando um odre cheio de vinho de Mar\u00e3o. Penetrou numa &#8220;elevada gruta, \u00e0 sombra de loureiros&#8221;, redil de gordos rebanhos, e l\u00e1 aguardou, para receber de quem quer que habite a caverna os dons da hospitalidade.\n\n<strong>S\u00f3 \u00e0 tardinha chegou o ciclope Polifemo: <\/strong>Era um monstro horrendo, em nada semelhante a um homem que come p\u00e3o, mas antes a um pico alcandorado de altos montes, que aparece isolado dos outros.\n\nPolifemo j\u00e1 havia devorado seis de seus marujos, quando Ulisses, usando de sua costumeira sol\u00e9rcia, embebedou-o com o vinho forte de Mar\u00e3o e vazou-lhe o olho \u00fanico que possu\u00eda no meio da fronte. Sem poder contar com o aux\u00edlio de seus irm\u00e3os, que o consideraram louco, por gritar que Ningu\u00e9m o havia cegado (foi este realmente o nome com que o astuto esposo de Pen\u00e9lope se apresentou ao gigante), o monstro, louco de dor e de \u00f3dio, postou-se \u00e0 sa\u00edda da gruta, para que nenhum dos aqueus pudesse fugir. O sagaz Ulisses, todavia engendrou novo estratagema e, sob o ventre dos Ianosos carneiros, conseguiu escapar com seus companheiros restantes do antrop\u00f3fago filho de Pos\u00eddon.\n\n<strong>Salvos do bronco Polifemo, os helenos navegaram em dire\u00e7\u00e3o ao reino do senhor dos ventos, a ilha E\u00f3lia, possivelmente L\u00edpari, na costa oeste da It\u00e1lia meridional: <\/strong>Chegamos \u00e0 ilha E\u00f3lia. Ali habitava \u00c9olo, filho de Hipotes, caro aos deuses imortais, numa ilha flutuante, cingida em toda a volta por infrang\u00edvel muralha de bronze.\n\n\u00c9olo acolheu-os com toda a fidalguia e durante um m\u00eas os hospedou. Na partida, deu ao rei aqueu um odre que continha o curso dos ululantes ventos. Em liberdade ficara apenas o Z\u00e9firo que, com seu h\u00e1lito suave, fazia deslizar as naus no seio verde de Pos\u00eddon, Durante nove dias as naus aqu\u00e9ias avan\u00e7aram alimentadas pelas saudades de \u00cdtaca. No d\u00e9cimo j\u00e1 se divisavam ao longe os lumes que faiscavam na terra natal. O her\u00f3i, exausto, dormia. Julgando tratar-se de ouro, os nautas abriram o odre, o c\u00e1rcere dos perigosos ventos. Imediatamente terr\u00edvel lufada empurrou os fr\u00e1geis bat\u00e9is na dire\u00e7\u00e3o contr\u00e1ria.\n\n<strong>Ulisses, que despertara sobressaltado, ainda teve \u00e2nimo para uma reflex\u00e3o profunda: <\/strong>Mas eu que despertara, refletia em meu irrepreens\u00edvel esp\u00edrito se devia morrer, lan\u00e7ando-me nas ondas ou se permaneceria em sil\u00eancio e continuaria entre os vivos. Resolvi sofrer e ir vivendo&#8230;\n\nE voltou \u00e0 ilha de \u00c9olo. De l\u00e1 expulso como amaldi\u00e7oado dos deuses, Ulisses retornou \u00e0s ondas do mar e chegou no s\u00e9timo dia a Lamos, cidade da Lestrig\u00f4nia, terra dos gigantes e antrop\u00f3fagos lestrig\u00f5es, povos que habitavam a regi\u00e3o de F\u00f3rmias, ao sul do L\u00e1cio, ou o porto siciliano de Leontinos&#8230; Tribos de canibais, sob a ordem de seu rei, o gigante e antrop\u00f3fago Ant\u00edfates, precipitaram-se sobre os enviados do her\u00f3i de \u00cdtaca, devorando logo um deles.\n\n<strong>Arremessando, em seguida, blocos de pedra sobre a frota ancorada em seu porto, destru\u00edram todas as naus, menos a de Ulisses, que ficara mais distante: <\/strong>Depois, de cima dos rochedos, lan\u00e7aram sobre n\u00f3s pedras imensas. Levantou-se logo das naus o grito medonho dos que morriam e o estr\u00e9pito das naus que se partiam. E os lestrig\u00f5es, cortando os homens como se fossem peixes, levavam-nos para um triste banquete.\n\n<strong>Agora, com um \u00fanico navio e sua equipagem, o her\u00f3i fugiu precipitadamente para o alto-mar e navegou em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 ilha de E\u00e9ia, cuja localiza\u00e7\u00e3o \u00e9 totalmente imposs\u00edvel:<\/strong> identific\u00e1-la com Malta ou com uma ilha situada na entrada do Mar Adri\u00e1tico \u00e9 contribuir para enriquecer a fant\u00e1stica geografia de Homero.\n\nRelata-nos o poeta que, tendo chegado a esta ilha fabulosa, resid\u00eancia da feiticeira Circe, filha de H\u00e9lio e Perseida e irm\u00e3 do valente Eetes, Ulisses enviou vinte e tr\u00eas de seus nautas para explorarem o lugar. Tendo eles chegado ao pal\u00e1cio deslumbrante da maga, esta os recebeu cordialmente; f\u00ea-los sentar-se e preparou-lhes uma po\u00e7\u00e3o. Depois, tocando-os com uma varinha m\u00e1gica, transformou-os em animais &#8220;semelhantes a porcos&#8221;. Escapou do encantamento apenas Eur\u00edloco que, prudentemente, n\u00e3o penetrara no pal\u00e1cio da bruxa. Sabedor do triste acontecimento, o her\u00f3i p\u00f4s-se imediatamente a caminho em busca de seus nautas.\n\n<strong>Quando j\u00e1 se aproximava do pal\u00e1cio, apareceu-lhe Hermes, sob a forma de belo adolescente, e ensinou-lhe o segredo para escapar de Circe:<\/strong> deu-lhe a planta m\u00e1gica m\u00f3li que deveria ser colocada na beberagem venenosa que lhe seria apresentada. Penetrando no pal\u00e1cio, a bruxa ofereceu-lhe logo a bebida e tocou-o com a varinha.\n\n<strong>Assim, quando a feiticeira lhe disse toda confiante: <\/strong>Vai agora deitar com os outros companheiros na pocilga.\n\nGrande foi a surpresa, ao ver que a magia n\u00e3o surtira efeito. De espada em punho, como lhe aconselhara Hermes, o her\u00f3i exigiu a devolu\u00e7\u00e3o dos companheiros e acabou ainda usufruindo por um ano da hospitalidade e do amor da m\u00e1gica. Diga-se logo que desses amores, conforme a tradi\u00e7\u00e3o, nasceram Tel\u00e9gono e Naus\u00edtoo.\n\nAfinal, ap\u00f3s um ano de ociosidade, Ulisses partiu. N\u00e3o em dire\u00e7\u00e3o a \u00cdtaca, mas \u00e0 outra vida, ao mundo ct\u00f4nio. Todo grande her\u00f3i, n\u00e3o pode completar o Ur\u00f3boro, sem uma (kat\u00e1basis), sem uma descida &#8220;real&#8221; ou simb\u00f3lica ao mundo das sombras.\n\n<strong>Foi a conselho de Circe que Ulisses, para ter o restante de seu itiner\u00e1rio e o fecho de sua pr\u00f3pria vida tra\u00e7ados pelo adivinho cego Tir\u00e9sias, navegou para os confins do Oceano:<\/strong>\n\n<strong>Ali est\u00e1 a terra e a cidade dos Cim\u00e9rios, cobertas pela bruma e pelas nuvens:<\/strong> jamais recebem um \u00fanico raio de sol brilhante.\n\nA cat\u00e1base do rei de \u00cdtaca foi &#8220;simb\u00f3lica&#8221;. Ele n\u00e3o desceu \u00e0 outra vida, ao Hades. Deixando a nau junto aos bosques consagrados a Pers\u00e9fone e, por tanto, \u00e0 beira-mar, andou um pouco para abrir um fosso e vazar sobre ele as liba\u00e7\u00f5es e os sacrif\u00edcios rituais ordenados pela maga.\n\n<strong>T\u00e3o logo o sangue das v\u00edtimas negras penetrou no fosso, &#8220;os corpos astrais, os e\u00eddola ab\u00falicos&#8221; recompostos temporariamente, vieram \u00e0 tona:<\/strong>\n\n&#8230;o sangue negro corria e logo as almas dos mortos, subindo do Hades, se ajuntaram\n\nO her\u00f3i p\u00f4de, assim, ver e dialogar com muitas &#8220;sombras&#8221;, particularmente com Tir\u00e9sias, que lhe vaticinou um longo e penoso caminho de volta e uma morte tranq\u00fcila, longe do mar e em idade avan\u00e7ada.\n\nDe volta, ainda uma pequena perman\u00eancia na ilha de E\u00e9ia e, ap\u00f3s ouvir atento e aterrorizado as informa\u00e7\u00f5es precisas de Circe acerca das serias, dos monstros Cila e Caribdes e da proibi\u00e7\u00e3o de se comerem as vacas e ovelhas de H\u00e9lio na ilha Trin\u00e1cria, o esposo de Pen\u00e9lope partiu para novas aventuras, que v\u00e3o arrast\u00e1-lo na dire\u00e7\u00e3o do oeste. Seu primeiro encontro seria com os perigosos rochedos das sereias, cuja localiza\u00e7\u00e3o \u00e9 extremamente dif\u00edcil. Existem realmente tr\u00eas rochedos ao longo das costas italianas, na ba\u00eda de Salerno. Segundo se diz, encontraram-se ossadas humanas em grutas existentes no interior desses penhascos, mas \u00e9 preciso n\u00e3o esquecer que exatamente o maior deles, Briganti, foi durante os s\u00e9culos XIII e XIV d.e.c. uma s\u00f3lida base de piratas. \u00c9 prefer\u00edvel, por isso mesmo,localiz\u00e1-los, miticamente no Mediterr\u00e2neo Ocidental, n\u00e3o muito distante de Sorrento.\n\n<strong>Circe preveniu bem o her\u00f3i de que as sereias antrop\u00f3fagas, tentariam encant\u00e1-lo com sua voz maviosa e irresist\u00edvel:<\/strong> atir\u00e1-lo-iam nos recifes, despeda\u00e7ando-lhe a nau e devorariam todo os seus ocupantes. Para evitar a tenta\u00e7\u00e3o e a morte, ele e seus companheiros deveriam tapar os ouvidos com cera.\n\nSe, todavia, o her\u00f3i desejasse ouvir-lhes o canto perigoso, teria que ordenar a seus nautas que o amarrassem ao mastro do navio e, em hip\u00f3tese alguma, o libertassem das cordas.\n\n<strong>Quando a nau ligeira se aproximou do s\u00edtio fat\u00eddico, diz Homero, a ponto de se ouvir um grito, as sereias iniciaram seu c\u00e2ntico funesto e seu convite falaz: <\/strong>Aproxima-te daqui, preclaro Ulisses, Gl\u00f3ria ilustre dos aqueus! Det\u00e9m a nau para escutares nossa voz, Jamais algu\u00e9m passou por aqui, em escura nave, sem que primeiro ouvisse mel\u00edflua que sai de nossas bocas. Somente partiu ap\u00f3s se haver deitado com ela e de ficar sabendo muitas coisas. Em verdade sabemos tudo&#8230;\n\nVencida a sedu\u00e7\u00e3o das sereias, os aqueus remaram a toda velocidade para escaparem de dois escolhos mortais, Cila e Caribdes. A localiza\u00e7\u00e3o dos tem\u00edveis penhascos em que se escondiam os dois monstros \u00e9 tradicionalmente defendida como o estreito de Messina, situado entre a It\u00e1lia e a Sic\u00edlia. Outros, por\u00e9m, como Estrab\u00e3o, acham que \u00e9 dif\u00edcil passagem \u00e9 o estreito de Gibraltar, por contar &#8220;com uma quantidade de turbilh\u00f5es verdadeiramente perigosos&#8221;.\n\n<strong>Seja como for, os formid\u00e1veis recifes, que ladeavam um dos dois estreitos, camuflavam as devoradoras Cila e Caribdes:<\/strong> quem escapasse de uma, fatalmente seria tragado pela outra. A conselho de Circe, para n\u00e3o perecer com todos os seus companheiros, o her\u00f3i preferiu passar mais pr\u00f3ximo de Cila.\n\nMesmo assim, perdeu seis de seus melhores nautas.\n\nDe cora\u00e7\u00e3o triste, o her\u00f3i navegou em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 ilha de H\u00e9lio Hiper\u00edon, identificada miticamente como Trin\u00e1cria, isto \u00e9, com a Sic\u00edlia onde por for\u00e7a dos ventos permaneceu um m\u00eas inteiro. Acabada a provis\u00e3o, os insensatos marinheiros, apesar do juramento feito, sacrificaram as melhores vacas do deus. Quando novamente a nau aqu\u00e9ia voltar \u00e0s ondas do mar, Zeus, a pedido de H\u00e9lio, levantou uma imensa procela e terr\u00edveis vagalh\u00f5es, que, de mistura com os raios celestes, sepultaram a nave e toda a tripula\u00e7\u00e3o no seio de Pos\u00eddon. Apenas Ulisses, que n\u00e3o participara dos sacr\u00edlegos banquetes, escapou \u00e0 ira do pai dos deuses e dos homens.\n\nAgarrando-se \u00e0 quilha, que apressadamente amarrara ao mastro da nave, o rei de \u00cdtaca deixou-se levar pelos ventos.\n\nPartindo dali errei por nove dias; na d\u00e9cima noite os deuses conduziram-me para a ilha de Og\u00edgia, onde mora Calipso, de linda cabeleira.\n\nA ilha de Og\u00edgia, como quase todas as paragens on\u00edricas da Odiss\u00e9ia, tem sido imaginada quer na regi\u00e3o de Ceuta, na costa marroquina, em frente a Gibraltar, quer na ilha de Madeira. Apaixonada pelo her\u00f3i, a deusa o reteve por dez anos; por oito, segundo alguns autores; por cinco, consoante outros o apenas por um.\n\n<strong>De seus amores teriam nascido dois filhos:<\/strong> Naus\u00edtoo e Naus\u00ednoo.\n\nPor fim, penalizado com as saudades de Ulisses, Zeus atendeu \u00e0s s\u00faplicas de Atena, a protetora inconteste e b\u00fassola do peregrino de \u00cdtaca, e enviou Hermes \u00e0 ninfa imortal, para que permitisse a partida do esposo de Pen\u00e9lope. Embora lamentasse sua imortalidade. Pois desejava morrer de saudades de seu amado, Calipso p\u00f4s-lhe \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o o material necess\u00e1rio para o fabrico de pequena embarca\u00e7\u00e3o. No quinto dia, quando a Aurora de dedos cor-de-rosa come\u00e7ou a brincar de esconder no horizonte, Ulisses desfraldou as velas. Estamos novamente em pleno mar, guiados pela luz dos olhos gar\u00e7os de Atena. Pos\u00eddon, no entanto, guardava no peito e na lembran\u00e7a as inj\u00farias feitas a seu filho, o ciclope Polifemo, e descarregou sua raiva e rancor sobre a fr\u00e1gil jangada do her\u00f3i;\n\nAssim dizendo, Pos\u00eddon reuniu as nuvens, empunhou o tridente e sacudiu o mar. Transformou todos os ventos em procelas e, envolvendo em nuvens a terra e o mar, fez descer a noite do c\u00e9u.\n\nSobre uma prancha da jangada, mas segurando contra o peito um talism\u00e3 precioso, o v\u00e9u, que, em meio \u00e0 borrasca, lhe emprestara Ino Leucot\u00e9ia, o n\u00e1ufrago vagou tr\u00eas dias sobre a crista das ondas. Lutou com todas as for\u00e7as at\u00e9 que, nadando at\u00e9 a foz de um rio, conseguiu pisar terra firme. Derreado de fadiga, recolheu-se a um bosque e Atena derramou-lhe sobre os olhos o doce sono. Havia chegado \u00e0 ilha dos Feaces, uma como que ilha de sonhos, uma esp\u00e9cie de Atl\u00e2ntida de Plat\u00e3o. Chamavam-na Esqu\u00e9ria, mais tarde identificada com Corfu.\n\nPor inspira\u00e7\u00e3o de Atena, a princesa Naus\u00edcaa, filha dos reis de Esqu\u00e9ria, Alc\u00ednoo e Aret, dirige-se ao rio para lavar seu enxoval de casamento. Ap\u00f3s o servi\u00e7o, come\u00e7ou a jogar com suas companheiras. Despertado pela algazarra, o her\u00f3i pede a Naus\u00edcaa que o ajude. Esta envia-lhe comida e roupa, pois o rei de \u00cdtaca estava nu, e convida-o a visitar o pal\u00e1cio real. Os Feaces, que eram como os Ciclopes, aparentados com os deuses, levavam uma vida luxuosa e tranq\u00fcila e, por isso mesmo, Alc\u00ednoo ofereceu ao her\u00f3i uma hospitalidade digna de um rei.\n\nDurante um lauto banquete em honra do h\u00f3spede, o cego Dem\u00f3doco, por solicita\u00e7\u00e3o do pr\u00f3prio rei de \u00cdtaca, cantou ao som da lira, o mais audacioso estratagema da Guerra de Tr\u00f3ia, o ardil do cavalo de madeira, o que emocionou profundamente Ulisses. Vendo-lhe as l\u00e1grimas, Alc\u00ednoo pediu-lhe que narrasse suas aventuras e desditas. Com o famoso e convicto (E\u00edm Odysse\u00fas), eu sou Ulisses, o her\u00f3i desfilou para o rei e seus comensais o longo ros\u00e1rio de suas gestas gloriosas, andan\u00e7as e sofrimentos na terra e no mar, desde \u00cdlion at\u00e9 a ilha de Esqu\u00e9ria.\n\n<strong>No dia seguinte, o magn\u00e2nimo soberano de Esqu\u00e9ria fez com que seu ilustre h\u00f3spede, que recusou polidamente tornar-se seu genro, subisse, carregado de presentes, para uma das naus m\u00e1gicas dos Feaces:<\/strong>\n\nEla corria com tanta seguran\u00e7a e firmeza, que, nem mesmo o falc\u00e3o, a mais ligeira das aves, poderia segui-la.\n\nCom a tal velocidade, os marujos de Alc\u00ednoo em uma noite alcan\u00e7aram \u00cdtaca, onde o saudoso Ulisses chegou dormindo. Colocaram-no na praia com todos os presentes, que habilmente esconderam junto ao tronco de uma oliveira.\n\nPos\u00eddon, todavia, estava vigilante, e, t\u00e3o logo a nau ligeira dos Feaces, em seu retorno, se aproximava de Esqu\u00e9ria, transformou-a num rochedo, para cumprir velha predi\u00e7\u00e3o.\n<h4><strong>\u00cdtaca, 20 anos sem Ulisses<\/strong><\/h4>\nBem vis\u00edvel ao longe, onde se ergue o arborizado e espl\u00eandido monte N\u00e9rito. Quanto Ulisses partiu para Tr\u00f3ia, seu pai Laerte, presumivelmente ainda forte e v\u00e1lido, j\u00e1 n\u00e3o mais reinava. Com o falecimento da esposa Anticl\u00e9ia, consumida pelas saudades do filho, agora j\u00e1 alquebrado e amargurado com os desmandos dos pretendentes \u00e0 m\u00e3o de Pen\u00e9lope, passou a viver no campo, entre os servos e, numa estranha esp\u00e9cie de autopuni\u00e7\u00e3o, a cobrir-se com andrajos, a dormir na cinza junto ao fogo, no inverno, e sobre as folhas no ver\u00e3o. Tel\u00eamaco, em grego (Tel\u00e9makhos), &#8220;o que combate, o que atinge \u00e0 dist\u00e2ncia&#8221;, foi, na vers\u00e3o hom\u00e9rica, o \u00fanico filho de Ulisses com Pen\u00e9lope. Ainda muito crian\u00e7a, quando o pai partiu para a guerra, ficou aos cuidados de Mentor, grande amigo do her\u00f3i. Todos os epis\u00f3dios relativos \u00e0 sua meninice e come\u00e7os da adolesc\u00eancia se encontram nos quatro primeiros cantos da Odiss\u00e9ia e suas maquina\u00e7\u00f5es e luta ao lado do pai contra os soberbos candidatos \u00e0 m\u00e3o de Pen\u00e9lope se estendem do canto XV ao XXIV.\n\nAos dezessete anos, percebendo que os pretendentes assediavam cada vez mais sua m\u00e3e e sobretudo dilapidavam impiedosamente os bens do rei ausente, tentou afast\u00e1-los. Atena, no entanto, agiu rapidamente, porquanto os Pretendentes, por julgarem que o jovem pr\u00edncipe era o grande obst\u00e1culo \u00e0 decis\u00e3o da rainha na escolha de um deles, tramavam elimin\u00e1-lo. Foi assim que, por conselho da deusa de olhos gar\u00e7os, Tel\u00eamaco partiu para a corte de Nestor, em Pilos, e depois para junto de Menelau e Helena, em busca de not\u00edcias do pai.\n\nDeixemo-lo, por enquanto na corte do fulvo Menelau e retornemos a \u00cdtaca. Ap\u00f3s tantos anos de aus\u00eancia, todos julgavam que o filho de Laerte n\u00e3o mais existia.\n\nCento e oito pretendentes, nobres n\u00e3o apenas de \u00cdtaca, mas oriundos igualmente de ilhas vizinhas, Same, Dul\u00edquio, Zacinto, todas possess\u00f5es de Ulisses. A princ\u00edpio, de simples cortejadores da esposa do her\u00f3i passaram a senhores de seu pal\u00e1cio e de sua fazenda. Arrogantes, autorit\u00e1rios, violentos e pr\u00f3digos com os bens alheios, banqueteavam-se diariamente na corte do rei de \u00cdtaca, exigindo o que de melhor houvesse em seu rebanho e em sua adega. Os subordinados do pal\u00e1cio, fi\u00e9is a Ulisses, eram humilhados e quase todas as servas foram reduzidas a concubinas.\n\nPen\u00e9lope aparece, na realidade, bastante retocada na Odiss\u00e9ia. Tradi\u00e7\u00f5es locais e posteriores nos fornecem da esposa de Ulisses um retrato diferente do que nos \u00e9 apresentado no poema hom\u00e9rico. Neste ela desponta como s\u00edmbolo perfeito da fidelidade conjugal. Fidelidade absoluta ao her\u00f3i, ausente durante vinte anos.\n\nDentre quantas tiveram seus maridos empenhados na Guerra de Tr\u00f3ia foi das \u00fanicas que n\u00e3o sucumbiu &#8220;aos dem\u00f4nios da aus\u00eancia&#8221;, como diz expressivamente Pierre Grimal. For\u00e7ada pelos pretendentes a escolher entre eles um novo marido, resistiu o quanto p\u00f4de, adiando sucessivamente a indesejada elei\u00e7\u00e3o.\n\n<strong>Quando n\u00e3o lhe foi mais poss\u00edvel tergiversar, arquitetou um estratagema, que ficou famoso: <\/strong>prometeu que escolheria um deles para marido, t\u00e3o logo acabasse de tecer a mortalha de seu sogro Laerte, mas todas as noites desfazia o que fizera durante o dia. O logro durou tr\u00eas anos, mas, denunciada por algumas de suas servas, come\u00e7ou a defender-se com outros ardis.\n<h4><strong>A Chacina dos pretendentes<\/strong><\/h4>\nUlisses despertou de seu longo sono e Atena postou-se a seu lado. Disfar\u00e7ado por ela em andrajoso e feio mendigo, o her\u00f3i encaminhou-se para a choupana do mais fiel de seus servos, o porcari\u00e7o Eumeu. Era preciso, por prud\u00eancia, sem se dar a conhecer, ficar a par de quanto se passava em seu pal\u00e1cio. Tel\u00eamaco, guiado pela b\u00fassola da deusa de olhos gar\u00e7os, tamb\u00e9m est\u00e1 de volta. Pai e filho se encontram e se reconhecem na tapera do porcari\u00e7o. Iniciam-se os planos para o exterm\u00ednio dos pretendentes. Se a fidelidade de Eumeu agradou tanto ao her\u00f3i, n\u00e3o menos havia de emocion\u00e1-lo uma outra, de fei\u00e7\u00e3o bem diversa e inesperada.Trata-se do c\u00e3o Argos.\n\nArgos estava morto. Havia-o matado a saudade. A recep\u00e7\u00e3o dos humildes, Eumeu e Argos, contrastou profundamente com a grosseria com que o orgulhoso Ant\u00ednoo, o mais violento dos pretendentes, recebeu no pal\u00e1cio de Ulisses ao mendigo Ulisses.\n\nInsultado e obrigado a lutar com o mendigo Iro para divers\u00e3o de todos, o her\u00f3i teria sofrido novos vexames, n\u00e3o fora a interven\u00e7\u00e3o segura de Tel\u00eamaco e a hospitalidade de Pen\u00e9lope, que o acolheu e com ele manteve um longo di\u00e1logo, temperado de fidelidade e de saudade de Ulisses.\n\nO zelo da hospitalidade da rainha, todavia, quase p\u00f4s a perder o plano minuciosamente tra\u00e7ado por Ulisses e Tel\u00eamaco. A velha e fidel\u00edssima ama do her\u00f3i, Euricl\u00e9ia, ao lavar-lhe os p\u00e9s, por ordem de Pen\u00e9lope, reconhece-o por uma cicatriz na perna. Imposto o sil\u00eancio \u00e0 velha ama, Ulisses, depois de banhado e ungido, retomou o di\u00e1logo com a sensata Pen\u00e9lope.\n\nAproximava-se, por\u00e9m, a hora da vingan\u00e7a. Atena, inspirou \u00e0 rainha de \u00cdtaca a id\u00e9ia de apresentar aos pretendentes o arco de seu esposo para celebra\u00e7\u00e3o do certame que daria in\u00edcio ao mortic\u00ednio.\n\nEscutai-me, ilustres pretendentes&#8230; N\u00e3o podeis apresentar outro pretexto, a n\u00e3o ser o desejo de me tomar por esposa.\n\n<strong>\u00c2nimo, pois, pretendentes: <\/strong>o pr\u00eamio do combate esta \u00e0 vista! Apresentado o grande arco do divino Ulisses e aquele que, tomando-o nas m\u00e3os, conseguir arm\u00e1-lo mais facilmente, e fizer passar uma flecha pelo orif\u00edcio dos doze machados a este eu seguirei&#8230;\n\nA conquista da esposa por parte de um her\u00f3i jamais \u00e9 gratuita. O &#8220;pretendente&#8221; deve superar grandes obst\u00e1culos e arriscar a pr\u00f3pria vida, at\u00e9 mesmo para reaver sua metade perdida. Admeto, P\u00e9lops, Jas\u00e3o, Menelau, H\u00e9racles e tantos outros s\u00e3o exemplos vivos de &#8220;pretendentes&#8221; que empenharam a pr\u00f3pria alma na conquista de um grande amor.\n\nChegou, pois o momento culminante da prova do arco, que testaria o m\u00e9rito dos candidatos \u00e0 m\u00e3o de Pen\u00e9lope.\n\n<strong>O orgulhoso Ant\u00ednoo comanda o certame:<\/strong>\n\nLevantai-vos em ordem, companheiros, da esquerda para a direita.\n\nTodos tentaram em v\u00e3o&#8230;\n\n<strong>A insol\u00eancia e a altivez dos soberbos pretendentes foram quebradas pelo arco de Ulisses<\/strong>: nenhum deles conseguiu, ao menos, retes\u00e1-lo. O arco obedeceria e se curvaria apenas \u00e0 vontade de seu senhor.\n\nPela insist\u00eancia de Pen\u00e9lope e a firmeza das palavras de Tel\u00eamaco, embora exasperados, os pretendentes se viram compelidos a permitir que o mendigo Ulisses experimentasse o inflex\u00edvel arco. Ulisses, contudo, apenas tomou e inspecionou em todos os sentidos o grande arco, Armou-o sem dificuldade alguma. Dos pretendentes, por\u00e9m se apossou uma grande m\u00e1goa e mudaram de cor.\n\nO filho de Laerte disparou o dardo, que n\u00e3o errou nenhum dos machados, desde o orif\u00edcio do primeiro. Despojando-se dos andrajos, despiu-se tamb\u00e9m o her\u00f3i do homem do mar.\n\n<strong>Tem-se agora novamente o homem na guerra<\/strong>: come\u00e7ou o exterm\u00ednio dos pretendentes. Ant\u00ednoo foi o primeiro, a flecha atravessou-lhe a garganta delicada e saiu pela nuca. Ferido de morte, ele tombou de costas e a ta\u00e7a caiu-lhe das m\u00e3os.\n\nE a negra morte desceu sobre os olhos de um a um dos pr\u00edncipes de \u00cdtaca e das demais possess\u00f5es de Ulisses. Dos servos foram poupados t\u00e3o-somente quatro.\n\nDoze escravas impudentes que, na longa aus\u00eancia do senhor, envergonharam-lhe o pal\u00e1cio, foram enforcadas.\n\nN\u00e3o foi realmente para efeitos ret\u00f3ricos que Marco T\u00falio C\u00edcero chamou de pintura a poesia de Homero.\n\nAo paciente Ulisses faltava ainda uma prova. Pen\u00e9lope ainda resistia. O velho marinheiro, agora remo\u00e7ado gra\u00e7as a um toque m\u00e1gico de Atena, conhecia, somente ele e a esposa, alguns sinais desconhecidos dos outros mortais. Era a prova do reconhecimento do leito conjugal\n\nDe fato era Ulisses. O rei de \u00cdtaca descreveu minuciosamente leito conjugal, que ele pr\u00f3prio fizera e adornara. O grande sinal era o p\u00e9 da cama, constru\u00eddo com um tronco de oliveira, na Gr\u00e9cia, &#8220;s\u00edmbolo de for\u00e7a, da fecundidade, da recompensa, da paz&#8221;. Na tradi\u00e7\u00e3o judaico-crist\u00e3 a imagem da paz est\u00e1 configurada pela pomba que traz a No\u00e9, no fim do dil\u00favio, um ramo de oliveira.\n\nUlisses e Pen\u00e9lope, no mesmo instante, desfaleceram os joelhos e o cora\u00e7\u00e3o amante, reconhecendo os sinais que Ulisses dera sem hesitar. Correu direta para ele com as l\u00e1grimas nos olhos e lan\u00e7ou os bra\u00e7os em torno de seu pesco\u00e7o.\n\nTalvez fosse prudente acrescentar que n\u00e3o mais estamos em pleno mar, mas em plena madrugada, no pal\u00e1cio de Ulisses, em \u00cdtaca&#8230; E como uma s\u00f3 madrugada \u00e9 muito pouco para matar saudades de vinte anos de aus\u00eancia, Atena, ante a amea\u00e7a da aproxima\u00e7\u00e3o pouco discreta da Aurora, deteve-a em pleno oceano e simplesmente prolongou a noite.\n\nGrande maioria dos habitantes de \u00cdtaca levantou-se em armas para vingar seus filhos e parentes, os pretendentes. O her\u00f3i, seu filho Tel\u00eamaco, Lerte e mais uns poucos, capitaneados por Atena, enfrentaram os vingadores. A carnificina teria sido grande, n\u00e3o fora a interven\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria deusa.\n\nUlisses e Pen\u00e9lope como tudo neste vale de l\u00e1grimas, n\u00e3o foram felizes para sempre. \u00c9 verdade que o adivinho Tir\u00e9sias prognosticara um fim tranq\u00fcilo e bem distante do mar para rei de \u00cdtaca; \u00e9 igualmente exato que tamb\u00e9m na Odiss\u00e9ia tudo acaba na doce paz imposta por Atena, mas estes dois enfoques n\u00e3o s\u00e3o os \u00fanicos.\n\nA \u00e9pica, sobretudo, por uma pr\u00f3pria estrutura,conduz o her\u00f3i para um desfecho feliz. Homero, na Odiss\u00e9ia, fechou genialmente a longa nostalgia, peregrina\u00e7\u00f5es e lutas de seu protagonista com um hino ao amor, \u00e0 fidelidade de Pen\u00e9lope e com uma eloq\u00fcente, tratado de paz, mas o mito continua em outras variantes e tradi\u00e7\u00f5es para al\u00e9m da epop\u00e9ia. Retrata outro estado de coisas e prossegue pelos misteriosos labirintos da vida.\n<h4>Decad\u00eancia e Morte<\/h4>\n<strong>\u00daltimos anos de Ulisses<\/strong>\n\nNa realidade Ulisses e Pen\u00e9lope, n\u00e3o foram felizes para sempre. Desvinculando os reis de \u00cdtaca da idealiza\u00e7\u00e3o \u00e9pica, vamos retomar-lhes a trajet\u00f3ria m\u00edtica. Consoante uma velha tradi\u00e7\u00e3o, para expiar o massacre dos pretendentes, Ulisses, ap\u00f3s um sacrif\u00edcio a Hades, Pers\u00e9fone e Tir\u00e9sias, partiu a p\u00e9 e chegou ao pa\u00eds dos Tesprotos, no Epiro. Ali, como lhe recomendara Tir\u00e9sias, sacrificou a Pos\u00eddon, a fim de apaziguar-lhe a c\u00f3lera pelo cegamento de Polifemo. Acontece que a rainha da Tespr\u00f3tida, Cal\u00eddice, apaixonada pelo her\u00f3i, ofereceu-lhe metade de seu reino. Da uni\u00e3o &#8220;tempor\u00e1ria&#8221; do esposo de Pen\u00e9lope com a rainha do Epiro nasceu Polipetes. Algum tempo depois, com a morte de Cal\u00eddice, deixou o reino Polipetes e retornou a \u00cdtaca, para os bra\u00e7os de Pen\u00e9lope, que dele tivera um segundo filho, Poliportes. Existe uma variante, segundo a qual o her\u00f3i, acusado veemente pelos pais dos pretendentes, submeteu o caso \u00e0 decis\u00e3o de Neopt\u00f3lemo, que, cobi\u00e7ando-lhe as possess\u00f5es, condenou-o ao ex\u00edlio. Refugiando-se na Et\u00f3lia, na corte do rei Toas, desposou-lhe a filha e faleceu em idade avan\u00e7ada, o que confirmaria a predi\u00e7\u00e3o de Tir\u00e9sias. Esses banimentos que se seguem a um derramamento de sangue s\u00e3o fatos comuns e bem atestados no mito dos her\u00f3is. Visam, em \u00faltima an\u00e1lise, a purific\u00e1-los de suas mazelas e de suas permanentes ultrapassagens do m\u00e9tron. A parte romanesca que, via de regra, se agrega ao mitologema, pertence ao mundo da fantasia, \u00e0 criatividade dos mit\u00f3grafos antigos e, n\u00e3o raro, a tradi\u00e7\u00f5es locais. Afinal, ter tido um her\u00f3i do porte de Ulisses como rei, ancestral ou simplesmente como h\u00f3spede ou exilado, falava alto demais, para que se deixasse de formar um aut\u00eantico novelo de variantes e tradi\u00e7\u00f5es locais. Uma delas, muito curiosa por sinal, nos conduz at\u00e9 a It\u00e1lia em companhia do senhor de \u00cdtaca.\n\nEste, no curso de suas longas viagens, ter-se-ia encontrado com o troiano En\u00e9ias que, sob a prote\u00e7\u00e3o de Afrodite, sua m\u00e3e, buscava erguer a nova Tr\u00f3ia, a futura p\u00e1tria dos C\u00e9sares. Reconciliaram-se os dois e Ulisses penetrou tamb\u00e9m na It\u00e1lia, estabelencendo-se na Tirr\u00eania, nos dom\u00ednios etruscos, onde fundou trinta cidades. Com o ep\u00edteto de Nanos, que significaria Errante em l\u00edngua etrusca, lutou denodadamente contra os nativos para consolidar seu reino. Teria falecido em idade provecta na cidade etrusca de Gortina, identificada na It\u00e1lia com Crotona. A morte do h\u00e9roi, em sua terra natal, ter-se-ia devido a um engano fatal. \u00c9 que, tendo sabido por Circe quem era seu pai, Tel\u00e9gono partiu \u00e0 procura de Ulisses. Desembarcou em \u00cdtaca e come\u00e7ou a devastar os rebanhos que encontrava. O velho e alquebrado her\u00f3i saiu em socorro dos pastores, mas foi morto pelo filho.\n\nQuase este tomou conhecimento da identidade de sua v\u00edtima, chorou amargamente e, acompanhado de Pen\u00e9lope e Tel\u00eamaco, transportou-lhe o corpo para a ilha de sua m\u00e3e Circe. L\u00e1, certamente, com suas magias, a senhora da ilha de E\u00e9ia fez que Tel\u00e9gono desposasse Pen\u00e9lope e, ela pr\u00f3pria, Circe, se casou com Tel\u00eamaco. Afora esses desdobramentos, ali\u00e1s bem pouco rom\u00e2nticos, o que se deseja acentuar \u00e9 n\u00e3o apenas a substitui\u00e7\u00e3o do velho rei, impotente e destitu\u00eddo de seus poderes m\u00e1gicos, pelo jovem soberano, cheio de vida e de energia, mas ainda a morte violenta do her\u00f3i. No tocante \u00e0 permuta do velho rei pelo jovem, uma vez que, da fecunda\u00e7\u00e3o da rainha depende a fertilidade de todas as mulheres, da terra e do rebanho. A respeito da morte violenta da maioria dos her\u00f3is, \u00e9 conveniente enfatizar mais uma vez que, se o her\u00f3i, por sua pr\u00f3pria ess\u00eancia, tem um nascimento dif\u00edcil e complicado; se sua exist\u00eancia neste mundo \u00e9 um desfile de viagens perigosas, de lutas, de sofrimentos, de desajustes, de incontin\u00eancia e de descomedimentos, o derradeiro ato de seu drama, a morte violenta, se constitui no \u00e1pice de sua prova final. Mas \u00e9 exatamente esse desfecho tr\u00e1gico que lhe outorga o t\u00edtulo de her\u00f3i, transformando-o no verdadeiro &#8220;protetor&#8221; de sua cidade e de seus concidad\u00e3os.\n\n\u00c9 verdade que s\u00f3 se conhece oficialmente um santu\u00e1rio de Ulisses em Esparta, mas, se a m\u00e1gica Circe, segundo uma tradi\u00e7\u00e3o, colocou Pen\u00e9lope e Tel\u00e9gono na Ilha dos Bem-Aventurados, \u00e9 bem poss\u00edvel que l\u00e1 igualmente esteja Ulisses, certamente em companhia da maga de E\u00e9ia.\n<h4><strong>Pen\u00e9lope: Dois lados da mesma moeda<\/strong><\/h4>\nDe acordo com as melhores refer\u00eancias, a rainha de \u00cdtaca era filha de Ic\u00e1rio e da n\u00e1iade Perib\u00e9ia. Seu casamento com o protagonista da Odiss\u00e9ia oscila entre duas tradi\u00e7\u00f5es. A primeira delas se reporta \u00e0 influ\u00eancia de T\u00edndaro, tio de Pen\u00e9lope, o qual, desejando recompensar Ulisses por seus h\u00e1beis conselhos por ocasi\u00e3o da disputa da m\u00e3o de Helena, f\u00ea-lo desposar a filha de Ic\u00e1rio, seu irm\u00e3o. Outra vers\u00e3o \u00e9 a de que Pen\u00e9lope fora o pr\u00eamio outorgado ao her\u00f3i por ter sido ele o vencedor numa corrida de carros.\n\n<strong>O amor da rainha de \u00cdtaca pelo esposo, como j\u00e1 se viu, manifestou-se muito cedo: <\/strong>quando coagida a escolher entre residir junto ao pai em Esparta, uma vez que o casamento matrilocal era de praxe, e seguir o marido, preferiu partir para a long\u00ednqua ilha de \u00cdtaca. T\u00e3o grande e decantada foi a fidelidade da princesa espartana ao esposo ausente por vinte anos, que, se ela mereceu a mais rica adjetiva\u00e7\u00e3o feminina de Homero; e se de seus l\u00e1bio sa\u00edram as mais duas palavras que os pretendentes poderiam ouvir de uma mulher, ele, em fun\u00e7\u00e3o dessa mesma lealdade, tornou-se digno de um santu\u00e1rio em Esparta, famosa pela honradez de suas mulheres.\n\nA partir de Homero, a fidelidade de Pen\u00e9lope se converteu num s\u00edmbolo universal, perpetuado pelo mito e sobretudo pela literatura. Publio Ov\u00eddio Nas\u00e3o dedicou a primeira carta de amor de suas c\u00e9lebres Her\u00f3ides \u00e0 fidelidade da rainha de \u00cdtaca.\n\n<strong>Ap\u00f3s manifestar a solid\u00e3o, as saudades que a consumiam e uma pontinha de ci\u00fames, escreveu o que muito deve ter inflado a vaidade masculina de Ulisses:<\/strong> Seria dele para sempre.\n\nEssa imagem de Pen\u00e9lope, contudo, est\u00e1 longe de corresponder a muitas tradi\u00e7\u00f5es p\u00f3s-hom\u00e9ricas. Na longa aus\u00eancia do esposo, a rainha teria praticado adult\u00e9rio com todos os pretendentes e um deles seria pai do deus P\u00e3. Outros mit\u00f3grafos julgam que P\u00e3 seria filho dos amores de Pen\u00e9lope com o deus Hermes.\n\nUma vers\u00e3o mais tardia insiste em que Ulisses, tendo sido posto a par da infidelidade da mulher, a teria banido. Exilada primeiramente em Esparta, seguiu depois para Mantin\u00e9ia, onde morreu e onde se lhe ergueu um belo t\u00famulo. Uma variante atesta que o her\u00f3i a matara para puni-la do adult\u00e9rio com o pretendente Anf\u00ednomo, pelo qual, mesmo na Odiss\u00e9ia, Pen\u00e9lope mostra acentuada prefer\u00eancia.\n\nCurioso no mito \u00e9 que n\u00e3o se discute a fidelidade de Ulisses. O n\u00famero de filhos adulterinos do her\u00f3i era t\u00e3o grande, que os genealogistas, \u00e0 \u00e9poca de M. P\u00f3rcio Cat\u00e3o, confeccionaram em eles t\u00edtulos de nobreza para toda as cidades latinas da It\u00e1lia. Possivelmente, \u00e0quela \u00e9poca, illo tempore, adult\u00e9rio era do g\u00eanero feminino.\n\n<strong>Odsson Ferreira<\/strong>\n\n<strong>Refer\u00eancia Bibliogr\u00e1fica<\/strong>\n\nBRAND\u00c3O, Junito de Souza. Mitologia Grega Vol. III. Petr\u00f3polis, Vozes, 2004\nM\u00c9NARD, R\u00e9ne. Mitologia Greco-Romana Vol III. Opus, S\u00e3o Paulo, 1991.\n\nFonte: www.mitologiagrega.templodeapolo.net\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ulisses, Odisseu, Mitologia Grega, Hist\u00f3ria, Her\u00f3i, Mito, Cavalo, Tr\u00f3ia, Odiss\u00e9ia, Lenda, S\u00edmbolo, Nascimento, Ulisses<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[57],"tags":[],"class_list":["post-15778","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-historia-geral"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v28.3 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>Ulisses - Portal S\u00e3o Francisco<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"noindex, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"en_US\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"Ulisses - 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