{"id":15669,"date":"2016-01-04T00:00:00","date_gmt":"2016-01-04T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/uncategorized\/guerra-do-camboja-2\/"},"modified":"2026-08-31T23:26:19","modified_gmt":"2026-08-31T23:26:19","slug":"guerra-do-camboja-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/historia-geral\/guerra-do-camboja-2\/","title":{"rendered":"Guerra do Camboja"},"content":{"rendered":"\n<strong>Guerra do Camboja &#8211; O que foi<\/strong>\n\n<strong>Guerra civil e luta de classes no Camboja &#8211; 1945-1953<\/strong>\n\nVelhos fantasmas voltam a atormentar o imperialismo no pa\u00eds dos Khmers, com o rein\u00edcio de uma violenta luta interburguesa ap\u00f3s o golpe de Estado de julho deste ano e do alarde da imprensa mundial em torno da guerrilha mao\u00edsta do Khmer Vermelho (KV).\n\nO KV, em meados da d\u00e9cada de 70, dirigiu uma revolu\u00e7\u00e3o social vitoriosa e, fruto dela, o Estado Oper\u00e1rio deformado cambojano.\n\nEmbora tenha sido derrubado do poder por uma interven\u00e7\u00e3o reacion\u00e1ria, apoiada pelas burocracias do Vietn\u00e3, da URSS e do pr\u00f3prio imperialismo ianque em 79, n\u00e3o foi esmagado, continuando suas a\u00e7\u00f5es militares contra o regime at\u00e9 hoje. Receioso de que o golpe desencadeie a volta de uma ofensiva guerrilheira diante da disputa entre as fra\u00e7\u00f5es capitalistas, os EUA exigem atualmente a captura definitiva pelo novo governo golpista, do principal dirigente da guerrilha, Pol Pot.\n\nEsta conjuntura no\u00a0<strong>Camboja<\/strong>\u00a0reafirma ironicamente a velha frase de Marx, segundo a qual quem enterra seus inimigos ainda vivos est\u00e1 condenando-os a viver por um longo per\u00edodo.\n\nA\u00a0<strong>guerra civil<\/strong>\u00a0volta \u00e0 cena no ex-Estado oper\u00e1rio do\u00a0<strong>Camboja<\/strong>.\n\n<strong>Da Luta Antiimperialista \u00e0 Revolu\u00e7\u00e3o Anticapitalista<\/strong>\n\nLaos,\u00a0<strong>Camboja<\/strong>\u00a0e Vietn\u00e3 fazem parte da Indochina, uma pen\u00ednsula asi\u00e1tica que foi col\u00f4nia da Fran\u00e7a desde meados do s\u00e9culo passado. Na II Guerra Mundial, a regi\u00e3o foi tomada pelo Jap\u00e3o e, em seguida, reconquistada pelo imperialismo franc\u00eas que, finalmente, foi expulso da pen\u00ednsula em 1954 numa luta anti-colonial.\n\nNo Camboja, a derrota do imperialismo deu um novo impulso \u00e0 luta pela independ\u00eancia nacional e \u00e0 reforma agr\u00e1ria. Tarefas que as seculares dinastias ou os capitalistas orientais se mostraram incapazes de realizar, dado o seu servilismo \u00e0s grandes pot\u00eancias ocidentais e ao Jap\u00e3o.\n\nPara chegar ao poder, o rei Norodon Sihanouk abra\u00e7a a causa anti-colonial e cria o partido da Comunidade Socialista Popular, que vence todas as elei\u00e7\u00f5es para a Assembl\u00e9ia Nacional, de 1955 at\u00e9 1966.\n\nTemeroso de perder o poder diante do ascenso da luta antiimperialista, procurou se manter isolado de todas as pot\u00eancias capitalistas e tamb\u00e9m do bloco de Estados oper\u00e1rios. Em 1962, para atrair simpatia e exercer o controle do movimento de massas, nomeou como ministros v\u00e1rios intelectuais pr\u00f3-stalinistas, alguns dos quais viriam a dirigir o Partido Comunista do Camboja (criado em 1951) no final da d\u00e9cada de 60. Tamb\u00e9m, sob a press\u00e3o das massas cambojanas, o monarca permitiu que a Frente de Liberta\u00e7\u00e3o Nacional (FLN) norte-vietnamita, dirigida por Ho Chi Min, que combatia a ditadura pr\u00f3-ianque sul-vietnamita, se utilizasse de duas prov\u00edncias no nordeste do pa\u00eds como postos de reabastecimento de armas, muni\u00e7\u00f5es e v\u00edveres durante a Guerra do Vietn\u00e3, atrav\u00e9s da chamada trilha Ho Chi Min. Isso provocou um rompimento diplom\u00e1tico dos EUA com o Camboja em 1965.\n\nImpulsionadas pela luta das massas vietnamitas que aprofundavam sua revolu\u00e7\u00e3o rumo ao sul da pen\u00ednsula, os trabalhadores cambojanos se insurgiram contra seus capitalistas locais e a monarquia. Em 1967, Batambang, no principal distrito produtor de arroz, desencadeou-se um poderoso levante campon\u00eas espont\u00e2neo quando os latifundi\u00e1rios tentaram impor o pagamento de um aluguel pelas terras que os trabalhadores utilizavam livremente h\u00e1 um s\u00e9culo.\n\nTemendo que os trabalhadores cambojanos seguissem o exemplo de seus irm\u00e3os do pa\u00eds vizinho, Sihanouk expulsou de seu gabinete os intelectuais pr\u00f3-stalinistas e reprimiu violentamente a rebeli\u00e3o, os comunistas e o conjunto das organiza\u00e7\u00f5es de esquerda. Isto s\u00f3 fez atrair a simpatia da popula\u00e7\u00e3o para o PC, que foi obrigado a se refugiar no interior do pa\u00eds, organizando as guerrilhas contra o regime. Em 1970, o partido j\u00e1 tinha em suas fileiras cerca de 40 mil combatentes. Uma fra\u00e7\u00e3o dirigida por Pol Pot e Hieng Samrin (ex-ministro de Sihanouk), que se inspirava na guerrilha camponesa dirigida por Mao na China, assume o controle do partido que passa a chamar-se Khmer Vermelho.\n\nEm 1970, aproveitando-se de uma viagem ao exterior de Sihanouk, ocorre um golpe de Estado, encabe\u00e7ado pelo general Lon Nol, antigo primeiro ministro de Sihanouk, que recebe o apoio das classes dominantes locais, da ditadura sul-vietnamita e dos EUA para deter a crescente influ\u00eancia do KV e expulsar a FLN do pa\u00eds, destruindo a trilha Ho Chin Min e interrompendo os refor\u00e7os recebidos pelos vietcongs. Lon Nol instaura a Rep\u00fablica, mas continua isolado, com o poder restrito aos centros urbanos e sem apoio das \u00e1reas rurais controladas pelo KV.\n\n<strong>Em 1970, os EUA invadem o Camboja e desencadeiam o maior bombardeio de todos os tempos contra um pa\u00eds oprimido, at\u00e9 ent\u00e3o com alvos bastante precisos:<\/strong>\u00a0dizimar a guerrilha do Khmer Vermelho e interceptar a trilha de Ho Chi Min. Foram 400 mil toneladas de bombas descarregadas pelos B-52 americanos, o equivalente a 7 bombas at\u00f4micas iguais a que foi solta sobre Hiroshima. Durante a guerra civil, impulsionada pelos ianques de 1970 a 1975, cerca de 600 mil pessoas morreram e outras 600 mil foram feridas.\n\nCentenas de aldeias foram destru\u00eddas. O pa\u00eds se transformou no maior dep\u00f3sito de minas explosivas ativas at\u00e9 hoje. Para cada 267 habitantes um foi mutilado por explos\u00f5es. Neste per\u00edodo, a popula\u00e7\u00e3o do campo, para onde foram voltados os bombardeios ianques, fugiu em massa da capital, Phnom Penh, e o n\u00famero de habitantes subiu de 600 mil para 3 milh\u00f5es. Al\u00e9m de provocar uma imensa trag\u00e9dia logo de imediato, isso tamb\u00e9m deixou profundas sequelas na economia do pa\u00eds, que foi completamente destro\u00e7ada, em particular a agricultura. A falta de alimentos levou milh\u00f5es de pessoas \u00e0 morte.\n\nToda essa trag\u00e9dia que, posteriormente, a imprensa burguesa mundial (seguidas por Moscou e Han\u00f3i) veio atribuir \u00fanica e exclusivamente ao KV e ao Estado oper\u00e1rio, na verdade foram atrocidades cometidas ou provocadas pelos b\u00e1rbaros imperialistas e seus t\u00edteres locais.\n\nSihanouk, exilado na China, e o KV, comandando a guerrilha dentro do pa\u00eds, formaram uma frente popular com o apoio dos vietcongs e da guerrilha do Laos para retomar o poder, foi a chamada Frente Unida Nacional do Kampuchea (FUNK). A guerra civil toma um novo impulso com o golpe de Estado e o ataque massivo e sistem\u00e1tico da For\u00e7a A\u00e9rea americana.\n\nEnquanto isso, no Vietn\u00e3, al\u00e9m do envio de centenas de pelot\u00f5es para o Sul do pa\u00eds, do bloqueio de portos mar\u00edtimos e do bombardeio de ind\u00fastrias, vias de comunica\u00e7\u00f5es no norte do pa\u00eds, os EUA tamb\u00e9m estenderam o ataque genocida \u00e0s escolas, hospitais e ao conjunto da popula\u00e7\u00e3o civil vietnamita, utilizando o que havia de mais destruidor em artefatos qu\u00edmicos (bombas de nalpam, desfolhantes qu\u00edmicos, bombas de fragmenta\u00e7\u00e3o). Isto s\u00f3 fez aumentar o \u00f3dio da popula\u00e7\u00e3o que praticamente alistou-se toda na FLN. Homens, mulheres e crian\u00e7as se armaram contra o inimigo ianque e seu t\u00edtere no sul da pen\u00ednsula. Apesar de contar com o mais sofisticado armamento ocidental, os EUA foram incapazes de diminuir as for\u00e7as defensivas da guerrilha vietcong; ao contr\u00e1rio, estimularam a revolu\u00e7\u00e3o Indochina.\n\nOs bombardeios americanos \u00e0 trilha de Ho Chi Min que passava por dentro do Laos e Camboja, promoveram a unifica\u00e7\u00e3o das massas contra a interven\u00e7\u00e3o americana. O campesinato pobre cambojano, uma vez empurrado para a revolu\u00e7\u00e3o pela pol\u00edtica genocida de todos os setores da burguesia (monarquia, t\u00edteres pr\u00f3-imperialistas, tropas de ocupa\u00e7\u00e3o, etc), passa a controlar todo o interior do pa\u00eds.\n\nAp\u00f3s sofrerem sucessivas baixas, os EUA foram obrigados a recuar. Tentando evitar o desastre completo de suas opera\u00e7\u00f5es na regi\u00e3o, os EUA buscaram um acordo diplom\u00e1tico com o Vietn\u00e3 do Norte em 1973.\n\nDurante os Acordos de Paz de Paris, em janeiro daquele ano, Washington se comprometia a retirar suas tropas do Vietn\u00e3 e do Camboja, contanto que Han\u00f3i se opusesse \u00e0 Revolu\u00e7\u00e3o no Camboja, estimulando um governo de coaliz\u00e3o entre o KV e Lon Nol. Um blefe do imperialismo que j\u00e1 n\u00e3o reunia condi\u00e7\u00f5es internas (protestos contra a guerra, divis\u00e3o da burguesia sobre a interven\u00e7\u00e3o), nem externas (baixas militares, alastramento da guerrilha a outros pa\u00edses) para o caso de ter que continuar a interven\u00e7\u00e3o. Com a retirada das tropas do imperialismo, os governos t\u00edteres de Saigon e Phnom Penh ficaram desprotegidos e ca\u00edram diante do levante popular nos dois pa\u00edses quase que simultaneamente em 1975.\n\n<strong>O Estado Oper\u00e1rio do Kampuchea, uma Vers\u00e3o Extremada do Stalinismo<\/strong>\n\nAo lado do crescimento da guerrilha, poderosas manifesta\u00e7\u00f5es de massas se alastraram no pa\u00eds entre os anos de 1974 e 1975 contra a burguesia dominante, incluindo a greve geral em Phnom Penh em 1974.\n\nO governo Lon Nol, sem o apoio militar e econ\u00f4mico estrangeiro, completamente minado no interior e agora enfrentando a oposi\u00e7\u00e3o dos trabalhadores das cidades, durou pouco para cair. Finalmente, os prolet\u00e1rios e camponeses cambojanos acertaram as contas com os senhores de terra, coletores de impostos, usur\u00e1rios, funcion\u00e1rios corruptos e o conjunto da classe dominante do pa\u00eds. No dia 17 de abril de 1975, o KV conquista Phnom Penh, sendo saudado nas ruas da capital por uma massa de milh\u00f5es de oper\u00e1rios, estudantes e pobres agitando bandeiras vermelhas.\n\nO KV come\u00e7ou a tra\u00e7ar uma linha independente de Moscou e Han\u00f3i quando a burocracia do Kremlin aproximou-se do Lon Nol, enquanto este \u00faltimo perseguia e massacrava milhares de comunistas, trabalhadores, estudantes e camponeses cambojanos. Para for\u00e7ar o KV a aceitar um acordo com Lon Nol, o Vietn\u00e3 chegou a suspender a ajuda que dava \u00e0 guerrilha num dos momentos mais dif\u00edceis da guerra civil (provavelmente com o apoio t\u00e1tico de Pequim). Com base nas experi\u00eancias desastrosas j\u00e1 ocorridas na China entre o PCCh e o Kuomitang e em sua pr\u00f3pria experi\u00eancia recente com o governo Sihanouk (1967), os dirigentes guerrilheiros cambojanos negaram-se a seguir os conselhos de Moscou, Pequim e Han\u00f3i em torno a um governo de coaliz\u00e3o com a burguesia, n\u00e3o porque fossem socialistas, mas por uma quest\u00e3o propriamente de sobreviv\u00eancia.\n\nPor outro lado, era imposs\u00edvel reconstruir o pa\u00eds com a economia completamente destro\u00e7ada, combater a fome, a desnutri\u00e7\u00e3o e as epidemias generalizadas sem contar com todos os meios de produ\u00e7\u00e3o existentes nas m\u00e3os do Estado, sem expropriar os capitalistas e os senhores de terra. Ao assumir o poder, o Khmer executa quase todos os membros do governo anterior. Praticamente s\u00f3 sobrevivem os que fugiram do pa\u00eds. O aparato burgu\u00eas estatal foi completamente esmagado.\n\nFoi praticamente extinta a propriedade privada. N\u00e3o s\u00f3 a burguesia, mas imediatamente tamb\u00e9m o campesinato foi completamente expropriado e a agricultura foi coletivizada com a cria\u00e7\u00e3o das unidades coletivas de produ\u00e7\u00e3o organizada, em torno de 30 mil cooperativas agr\u00edcolas em todo o pa\u00eds. A revolu\u00e7\u00e3o e a expropria\u00e7\u00e3o da burguesia significaram um avan\u00e7o para as massas prolet\u00e1rias, do ponto de vista das violentas condi\u00e7\u00f5es de atraso e explora\u00e7\u00e3o a que estavam submetidas em toda a hist\u00f3ria anterior do Camboja.\n\nO\u00a0<strong>Camboja<\/strong>\u00a0passa a se chamar de Rep\u00fablica Popular do Kampuchea (RPK). Na nova Constitui\u00e7\u00e3o cambojana, adotada em janeiro de 1976, em seu artigo 1\u00ba, o Camboja \u00e9 proclamado \u201co Estado dos oper\u00e1rios, camponeses, e de todas as outras camadas trabalhadoras do Camboja.\u201d No artigo 2\u00ba \u00e9 estabelecido que \u201ctodos os meios de produ\u00e7\u00e3o importantes s\u00e3o propriedade coletiva do Estado e propriedade coletiva das pessoas comuns\u201d. Como dirigentes do governo e do partido est\u00e3o Pol Pot, Hieng Samrin e Khieu Sampham.\n\nO Khmer passou a utilizar-se da demagogia xenof\u00f3bica e nacionalista para justificar a pol\u00edtica reacion\u00e1ria de construir o socialismo isoladamente no Camboja, apostando num desenvolvimento completamente auto-suficiente. Boa parte desta campanha de conte\u00fado racista se orientava contra o Vietn\u00e3, que havia suspendido a ajuda financeira e militar \u00e0 guerrilha, desde que o KV se negou a pactuar com Lon Nol. O regime tinha pretens\u00f5es de transformar a RPK num grande exportador de arroz e produtos agr\u00edcolas em troca de ferramentas e maquinaria moderna.\n\nA l\u00f3gica era quanto maior a produ\u00e7\u00e3o de arroz sob um trabalho intensivo e um consumo m\u00ednimo da popula\u00e7\u00e3o, maiores condi\u00e7\u00f5es o pa\u00eds teria de se tornar auto-suficiente e acumular um excedente em produtos agr\u00edcolas, que poderia ser trocado no mercado mundial por maquin\u00e1rios e financiamentos da industrializa\u00e7\u00e3o futura.\n\nEste sistema mostrou-se completamente esgotado em menos de um ano, pois provocou uma imensa fome na popula\u00e7\u00e3o e estrangulou o desenvolvimento das for\u00e7as produtivas.\n\nEm compara\u00e7\u00e3o aos per\u00edodos da Revolu\u00e7\u00e3o Russa, a situa\u00e7\u00e3o da RPK foi pior do que se o pa\u00eds tivesse sa\u00eddo da condi\u00e7\u00e3o do cerco imperialista e do comunismo de guerra (de 1917 a 21 na URSS) diretamente para a coletiviza\u00e7\u00e3o for\u00e7ada e para os expurgos stalinistas, agravada a situa\u00e7\u00e3o pela pouca industrializa\u00e7\u00e3o, pela car\u00eancia de riquezas minerais, pela pequena popula\u00e7\u00e3o de pouco mais de 6 milh\u00f5es de habitantes (eram 7 milh\u00f5es antes do golpe de Lon Nol).\n\nAo contr\u00e1rio da URSS, a revolu\u00e7\u00e3o no Camboja n\u00e3o foi dirigida por um partido revolucion\u00e1rio como o partido bolchevique de L\u00eanin e Trotsky, mas por uma guerrilha de inspira\u00e7\u00e3o mao\u00edsta.\n\nAs massas cambojanas n\u00e3o conheceram a democracia oper\u00e1ria em suas organiza\u00e7\u00f5es de massas. Isso foi um dos fatores principais para determinar a pol\u00edtica da dire\u00e7\u00e3o do Estado oper\u00e1rio logo ap\u00f3s a revolu\u00e7\u00e3o.\n\nEnquanto a URSS burocratizou-se alguns anos ap\u00f3s a revolu\u00e7\u00e3o, a Rep\u00fablica Popular do Kampuch\u00e9a j\u00e1 nasceu degenerada, com todos os v\u00edcios das burocracias stalinistas.\n\nO aventureirismo sect\u00e1rio do regime de Pol Pot suprimiu virtualmente todas as formas de com\u00e9rcio e substituiu o uso do dinheiro pelo escambo primitivo. A pol\u00edtica do primeiro ano, 75 a 1976, foi de voltar toda a economia do pa\u00eds para o desenvolvimento da agricultura, secundarizando a industrializa\u00e7\u00e3o, restringindo-a \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de manufaturas e deslocando uma grande parte da m\u00e3o-de-obra urbana para o trabalho no campo. Toda esta reviravolta, denominada de \u201cradical revolu\u00e7\u00e3o social em todos os campos\u201d pelo pr\u00f3prio regime, foi realizada com base em terr\u00edveis m\u00e9todos repressivos e com a execu\u00e7\u00e3o em massa dos que se opunham a orienta\u00e7\u00e3o do KV. Muitas escolas, vias de transporte, hospitais, comunica\u00e7\u00f5es, n\u00e3o foram somente destru\u00eddos, como entraram em colapso durante esse per\u00edodo.\n\nAs medidas aplicadas no Camboja, j\u00e1 arrasado pela b\u00e1rbarie imperialista, n\u00e3o foram uma originalidade surgida na cabe\u00e7a de Pol Pot, mas uma c\u00f3pia (ainda mais distorcida) da coletiviza\u00e7\u00e3o for\u00e7ada que j\u00e1 havia sido colocada em pr\u00e1tica com m\u00e9todos t\u00e3o ou mais cru\u00e9is por St\u00e1lin e Mao e, como na URSS e na China, revelou-se um terr\u00edvel desastre, levando \u00e0 morte milh\u00f5es de pessoas.\n\nSe pretendemos definir exatamente a pol\u00edtica da camarilha de Pol Pot, teremos que faz\u00ea-la usando como instrumento o materialismo hist\u00f3rico e n\u00e3o pin\u00e7ando xingamentos das p\u00e1ginas da imprensa burguesa.\n\nTemos que entender o regime estabelecido como reflexo do extremo atraso do pa\u00eds e da b\u00e1rbarie trazida n\u00e3o pelo Khmer Vermelho, mas pela pilhagem imperialista.\n\nPode-se dizer que a trag\u00e9dia da revolu\u00e7\u00e3o cambojana \u00e9 uma vers\u00e3o extremada da trag\u00e9dia do stalinismo, num pa\u00eds onde a revolu\u00e7\u00e3o prolet\u00e1ria se realizou sob as piores condi\u00e7\u00f5es poss\u00edveis.\n\nSomente esta clareza marxista, e n\u00e3o o impressionismo pequeno-burgu\u00eas, impactado por uma ostensiva campanha da m\u00eddia imperialista, \u00e9 que nos levar\u00e1 ao entendimento correto das tarefas da revolu\u00e7\u00e3o indochina.\n\nAo inv\u00e9s de suprimir o com\u00e9rcio, era necess\u00e1rio restaurar a economia, introduzindo elementos do mercado livre at\u00e9 certo ponto, permitindo que ao lado das cooperativas agr\u00edcolas coletivizadas pudessem haver pequenas propriedades rurais particulares, onde o pequeno campon\u00eas pudesse decidir por continuar cultivando o seu lote de terra enquanto achasse necess\u00e1rio e poss\u00edvel.\n\nEra necess\u00e1rio planificar urgentemente a economia com vistas n\u00e3o a retroceder o pa\u00eds a uma economia agr\u00e1ria, mas para faz\u00ea-lo avan\u00e7ar rumo \u00e0 industrializa\u00e7\u00e3o. Era preciso recorrer urgente a uma NEP.\n\nMas antes de tudo, seria fundamental a constru\u00e7\u00e3o de um partido revolucion\u00e1rio internacionalista por dentro das fileiras da guerrilha, atrav\u00e9s de um trabalho clandestino em suas bases.\n\nEra necess\u00e1rio impulsionar a forma\u00e7\u00e3o de conselhos de oper\u00e1rios, soldados, estudantes e camponeses contra a pol\u00edtica da dire\u00e7\u00e3o stalinista, que colocasse a coordena\u00e7\u00e3o do Estado oper\u00e1rio contra o cerco imperialista e o isolamento, estabelecendo uma democracia oper\u00e1ria.\n\nAp\u00f3s o desastre inicial da coletiviza\u00e7\u00e3o for\u00e7ada e das deporta\u00e7\u00f5es em massa, o regime volta atr\u00e1s, e come\u00e7a a reconstruir as ind\u00fastrias t\u00eaxteis, de pescado, borracheira, etc., trazendo de volta a popula\u00e7\u00e3o \u00e0s cidades.\n\nEm 1976, o pa\u00eds tem aproximadamente 100 f\u00e1bricas e a popula\u00e7\u00e3o da capital chega a quase 300 mil habitantes. Antes do final da d\u00e9cada, a economia volta a ter uma pequena recupera\u00e7\u00e3o.\n\nA car\u00eancia de m\u00e3o-de-obra mais qualificada obriga o regime a reabrir as escolas e hospitais improvisados.\n\n<strong>A Guerra entre Estados Oper\u00e1rios e a Interven\u00e7\u00e3o Contra-revolucion\u00e1ria dos Stalinistas de Han\u00f3i<\/strong>\n\nEm resposta \u00e0 ostensiva campanha nacionalista e anti-vietnamita, a burocracia de Han\u00f3i, que j\u00e1 havia utilizado de v\u00e1rios expedientes (chantagens, corte de toda a ajuda econ\u00f4mica e militar) para exercer o controle sobre a camarilha de Pol Pot, incita uma disputa dentro do aparato do KV, provocando um grande racha no partido de Pol Pot, que rompeu rela\u00e7\u00f5es diplom\u00e1ticas com o Vietn\u00e3, acusando-o de estar preparando uma invas\u00e3o do pa\u00eds. Hieng Samrin, o segundo homem em import\u00e2ncia e Secret\u00e1rio Geral do PC Cambojano rompeu com o KV, juntamente com Hun Sen, e fugiu para o Vietn\u00e3.\n\nOs burocratas dissidentes voltam meses depois, em dezembro de 1978, liderando a Frente Unida de Salva\u00e7\u00e3o Nacional do Kampuchea (FUSNK) numa interven\u00e7\u00e3o militar que ocupou a capital e as principais cidades do pa\u00eds. A partir de ent\u00e3o, o PC Cambojano e o KV passaram a ser dois partidos distintos e inimigos.\n\nHeng Samrin passa a ser o presidente do pa\u00eds e Hun Sen, o seu primeiro-ministro, apoiados por uma interven\u00e7\u00e3o militar da URSS e Vietn\u00e3, que golpeou o regime de Pol Pot.\n\nEm repres\u00e1lia, a pol\u00edtica de Han\u00f3i impulsionada pelo Kremlin, a China, sob o pretexto de defender a integridade de uma minoria chinesa residente no Vietn\u00e3, armou provoca\u00e7\u00f5es reacion\u00e1rias na fronteira do Vietn\u00e3 em fevereiro de 1979. O Khmer Vermelho foi destitu\u00eddo, mas n\u00e3o foi derrotado, rearticulando a guerrilha no interior do pa\u00eds com a ajuda militar de Pequim.\n\nA interven\u00e7\u00e3o militar vietnamita cumpria o duplo objetivo de frear a revolu\u00e7\u00e3o indochina e, ao mesmo tempo, estender o controle de Han\u00f3i sobre o pa\u00eds vizinho, como mecanismo de barganha junto ao imperialismo.\n\nA ocupa\u00e7\u00e3o militar de territ\u00f3rios pela burocracia pode desempenhar uma fun\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria e progressista, quando se trata da defesa das bases sociais do Estado oper\u00e1rio sitiado pelo imperialismo que buscava se utilizar do territ\u00f3rio que foi ocupado como ponta de lan\u00e7a contra o Estado oper\u00e1rio.\n\nMas esse n\u00e3o foi o caso da ocupa\u00e7\u00e3o do Camboja, e essa lei n\u00e3o \u00e9 v\u00e1lida quando se trata de um outro Estado oper\u00e1rio.\n\nA pol\u00edtica externa da burocracia do Kremlin e de Han\u00f3i \u00e9 a continua\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica interna em seus respectivos pa\u00edses e, no Camboja, afirmou-se como uma correia de transmiss\u00e3o do imperialismo para destruir as bases sociais do Estado oper\u00e1rio que teve como consequ\u00eancia a restaura\u00e7\u00e3o capitalista no pa\u00eds.\n\nApesar do chauvinismo anti-vietnamita de Pol Pot, a RPK n\u00e3o constitu\u00eda uma amea\u00e7a do imperialismo \u00e0 exist\u00eancia do Estado Oper\u00e1rio vietnamita.\n\n\u00c9 verdade que n\u00e3o estava completamente descartada a possibilidade de que a China instigasse a RPK a invadir o Vietn\u00e3,o que de fato ocorreu, instigado por Moscou. Mas, inclusive para os burocratas de Pequim, era mais importante conter a revolu\u00e7\u00e3o indochinesa.\n\nA medida reacion\u00e1ria levada adiante por Han\u00f3i apenas substituiu a burocracia aut\u00f3ctone por outra ainda mais estranha aos interesses das massas, trazendo de volta a guerra civil, colocando \u00e0 frente do Estado um regime pr\u00f3-imperialista, anticoletivista, contra a revolu\u00e7\u00e3o cambojana. Isto enfraqueceu ainda mais profundamente o Estado oper\u00e1rio degenerado, arruinando o pouco desenvolvimento conseguido pela expropria\u00e7\u00e3o da burguesia e a recupera\u00e7\u00e3o do pa\u00eds ap\u00f3s a guerra civil precedente.\n\nA interven\u00e7\u00e3o burocr\u00e1tica definitivamente preparou as bases para a volta dos capitalistas ao poder.\n\nO imperialismo imediatamente saudou a interven\u00e7\u00e3o, ressaltando seus aspectos positivos.\n\nSeu principal porta-voz no Camboja passou ser a guerrilha de direita alimentada pelos EUA e formada pelos restos dos antigos partid\u00e1rios de Lon Nol, reunida em torno de Son Sann, que havia se exilado em Paris.\n\nChamava-se Frente Popular de Liberta\u00e7\u00e3o do Povo cambojano ou Khmer Serei. Atrav\u00e9s do jornal Le Martin de Paris, de 05\/03\/1979, fizeram um balan\u00e7o positivo da interven\u00e7\u00e3o e do novo regime da FUNSK.\n\nOs principais objetivos do Khmer Serei eram liquidar a guerrilha do Khmer Vermelho e restabelecer um governo genu\u00ednamente capitalista em alian\u00e7a com a monarquia, tamb\u00e9m exilada, para reconstruir o Estado burgu\u00eas.\n\nEmbora o imperialismo tenha apoiado de imediato a interven\u00e7\u00e3o, isso de modo algum significa que estivesse satisfeito com o novo governo pr\u00f3-vietnamita, fazendo de tudo para corroer suas bases.\n\nEm 1982, as for\u00e7as da oposi\u00e7\u00e3o formam um governo no ex\u00edlio, tendo como presidente o rei Sihanouk; Son Sann, do Khmer Serei, como primeiro-ministro e Khieu Sampham, dirigente do KV, no cargo de vice-presidente. Isso demonstra tamb\u00e9m que, afastado da condi\u00e7\u00e3o parasit\u00e1ria sobre a economia, o stalinismo volta \u00e0 sua condi\u00e7\u00e3o habitual de frente populista.\n\n<strong>Da Ocupa\u00e7\u00e3o Vietnamita \u00e0 Crise Atual<\/strong>\n\n<strong>Apesar de sua disposi\u00e7\u00e3o, os agentes da burocracia de Han\u00f3i n\u00e3o conseguiram levar adiante de imediato a restaura\u00e7\u00e3o capitalista e a contra-revolu\u00e7\u00e3o no pa\u00eds:<\/strong>\n<blockquote><strong>1)<\/strong>\u00a0porque ainda se encontrava sob a tormenta da experi\u00eancia da guerra pela conquista do Vietn\u00e3 do Sul, onde se mostrou imposs\u00edvel a pol\u00edtica de conviv\u00eancia pac\u00edfica com os capitalistas sulistas e com o imperialismo, onde os stalinistas foram obrigados a ir al\u00e9m de onde queriam chegar, na via de ruptura com a burguesia;<strong>\n2)\u00a0<\/strong>porque o imperialismo n\u00e3o tinha o menor interesse na extens\u00e3o da influ\u00eancia pol\u00edtica dos stalinistas vietnamitas, de quem tinham acabado de sofrer a sua maior derrota militar e pol\u00edtica de toda a hist\u00f3ria, nem na manuten\u00e7\u00e3o do governo de Hieng Samrin. Os EUA queriam a derrubada de Pol Pot, para restaurar o capitalismo no pa\u00eds e restabelecer o dom\u00ednio de uma burguesia sob a sua inteira confian\u00e7a. A invas\u00e3o s\u00f3 lhe serviu para fazer retroceder a revolu\u00e7\u00e3o indochina com base nas disputas inter-burocr\u00e1ticas. Mas o novo governo pr\u00f3-vietnamita n\u00e3o lhe servia de nada. Por isso, pela negativa do imperialismo e das classes dominantes locais, que condicionavam qualquer negocia\u00e7\u00e3o \u00e0 retirada das tropas vietnamitas do pa\u00eds, n\u00e3o foi poss\u00edvel \u00e0 burocracia stalinista fazer retroceder de imediato a RPK \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de semi-col\u00f4nia do imperialismo, sob um governo de frente popular;<strong>\n3)<\/strong>\u00a0Em nenhum processo contra-revolucion\u00e1rio \u00e9 poss\u00edvel operar a transforma\u00e7\u00e3o imediata, da noite para o dia, de uma economia coletivizada para uma economia onde os principais meios de produ\u00e7\u00e3o tornem-se propriedades de capitalistas, principalmente num pa\u00eds onde a propriedade privada havia sido completamente extinta. Estabeleceu-se um conflito entre a economia e o Estado.<\/blockquote>\nSem contar no esfor\u00e7o redobrado que teria de ser feito pelas tropas de ocupa\u00e7\u00e3o para arrancar das massas cambojanas as conquistas da revolu\u00e7\u00e3o.\n\nIsso somente foi poss\u00edvel ap\u00f3s uma das mais violentas guerras civis da hist\u00f3ria, onde a economia, antes de passar para as m\u00e3os dos capitalistas, foi liquidada em meados de 80.\n\nOs trotskistas deveriam defender uma frente militar com o KV contra a interven\u00e7\u00e3o reacion\u00e1ria da burocracia de Han\u00f3i, com seu pr\u00f3prio programa, no sentido de superar a burocracia do KV no decorrer da luta, rumo \u00e0 revolu\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e aproveitar a crise inter-burocr\u00e1tica para forjar uma se\u00e7\u00e3o da IV internacional no Kampuch\u00e9a. Mas, uma vez que a interven\u00e7\u00e3o reacion\u00e1ria da burocracia de Han\u00f3i tenha se estabelecido no poder, no in\u00edcio da d\u00e9cada de 80, continuamos a luta contra ela sob um programa defensista, em defesa da propriedade coletiva, mas sem emprestar qualquer apoio \u00e0 frente popular oposicionista formada em torno da Coaliz\u00e3o do Governo Democr\u00e1tico do Camboja, em 1982.\n\nAinda que o governo de Hieng Samrin tenha feito v\u00e1rios acordos para a abertura do mercado ao imperialismo desde que tomou o poder, os capitalistas s\u00f3 sentiram confian\u00e7a para investir no pa\u00eds a partir de meados da d\u00e9cada de 80. N\u00e3o se pode falar que a contra-revolu\u00e7\u00e3o foi operada ?\u00e0 frio? no Camboja, a menos que se despreze os milh\u00f5es de mortes provocadas pela fome e pela guerra civil ininterrupta que durou mais de 10 anos. Em oposi\u00e7\u00e3o aos desvios da pol\u00edtica coletivista do Khmer Vermelho (que mais parecia uma ideia emprestada da coletiviza\u00e7\u00e3o for\u00e7ada de St\u00e1lin resumida na f\u00f3rmula \u201cesmagar os kulaks enquanto classe\u201d), o regime de Heng Samrin e Hun Sen vai ao extremo oposto, restabelecendo a economia de mercado para estimular o investimento interno e a iniciativa privada, patrocinando o desenvolvimento de empresas privadas e fazendo surgir uma classe de \u201cnovos ricos\u201d.\n\nImerso numa profunda crise econ\u00f4mica o Vietn\u00e3, submetido ao bloqueio econ\u00f4mico ianque, passa a depender cada vez mais da ajuda sovi\u00e9tica. \u201cNo auge da rela\u00e7\u00e3o sovi\u00e9tica-vietnamita, a contribui\u00e7\u00e3o anual de Moscou a seu aliado foi estimada em um bilh\u00e3o de d\u00f3lares. Mais de nove mil t\u00e9cnicos e conselheiros viviam em Han\u00f3i\u201d (Cadernos do Terceiro Mundo, n\u00ba191). Em 1988, Pequim condicionou o reatamento de rela\u00e7\u00f5es entre a China e a URSS \u00e0 retirada das tropas vietnamitas da RPK e ao fim da ajuda sovi\u00e9tica ao Vietn\u00e3.\n\nEsta \u00faltima condi\u00e7\u00e3o vem definitivamente ocorrer com a contra-revolu\u00e7\u00e3o na URSS. Em janeiro de 1989, China e Vietn\u00e3 estabeleceram um acordo sobre a retirada total das for\u00e7as de Han\u00f3i do territ\u00f3rio Cambojano.\n\nEm contrapartida, a China se comprometia a reduzir gradualmente a ajuda militar \u00e0 Coaliz\u00e3o e a abandonar a ideia de um retorno do KV ao poder. Em junho de 1989, o nome do pa\u00eds volta a ser Camboja.\n\nNa Confer\u00eancia de Paz de setembro de 1990, China e URSS resolvem cessar por completo o envio de armas a seus aliados, o KV e o governo Hun Sen, respectivamente. No mesmo per\u00edodo, o monarca Sihanouk procura distanciar-se do Khmer Vermelho e rompe com a Coaliz\u00e3o.\n\nNos Acordos de Paz de 1991, em Paris, entre Hun Sen, Sihanouk, o KV e a guerrilha de direita de Son Sann, s\u00e3o marcadas elei\u00e7\u00f5es para o ano seguinte, mas \u00e9 exigido do KV que deponha as armas e desmobilize suas tropas. Isolado e perseguido, o KV via nessa possibilidade a sua extin\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e f\u00edsica, sujeitos a serem ca\u00e7ados pelo imperialismo completamente desarmados. Pol Pot retoma a guerrilha, boicotando as elei\u00e7\u00f5es.\n\nS\u00f3 com as elei\u00e7\u00f5es e a volta definitiva da burguesia ao poder, (incluindo os ex-stalinistas ligados a Hun Sen que enriqueceram com a destrui\u00e7\u00e3o do Estado oper\u00e1rio, passando de casta burocr\u00e1tica \u00e0 classe capitalista) \u00e9 que a burguesia volta a investir na reconstru\u00e7\u00e3o da economia capitalista no pa\u00eds destro\u00e7ado.\n\nAinda com profundas desconfian\u00e7as e atritos entre si, os monarquistas e os ex-stalinistas de Hun Sen formam um governo de coaliz\u00e3o. Sob o novo governo capitalista, cresce a insatisfa\u00e7\u00e3o popular que, pela aus\u00eancia de um partido revolucion\u00e1rio, \u00e9 capitalizada pelo Khmer Vermelho, cada vez mais forte em seus confrontos contra as for\u00e7as do governo de coaliz\u00e3o. Em junho de 1994, a Assembleia Nacional p\u00f5e o KV na ilegalidade. Em resposta, a guerrilha redobra suas a\u00e7\u00f5es e anuncia a forma\u00e7\u00e3o de um governo paralelo com sede na cidade de Anlong Veng, no norte do pa\u00eds. No ano seguinte, a guerrilha cerca Battambang e exige a ren\u00fancia do governo local. Em abril de 1995, Khieu Sampham, dirigente do KV, anuncia pela r\u00e1dio clandestina da guerrilha a \u201cretomada da guerra popular\u201d para a derrubada do governo.\n\n<strong>O Golpe de Hun Sen e o Julgamento de Pol Pot<\/strong>\n\nNo dia 05 de julho houve um golpe de Estado no Camboja. O vice primeiro ministro, Hun Sen, do Partido Popular do Camboja (PPC), ex-PC Cambojano, destituiu o primeiro ministro, o pr\u00edncipe Norodon Ranariddh, com quem dividia um governo de coaliz\u00e3o desde 1993. Desde o golpe, as for\u00e7as de Hun Sen v\u00eam prendendo, torturando e assassinando todos os suspeitos de serem inimigos do regime a partir dos pr\u00f3prios membros da Funcinpec (Frente da Unidade Nacional para um Camboja Independente, Neutro, Pac\u00edfico e Cooperativo), o partido monarquista de Ranariddh. A persegui\u00e7\u00e3o conta com requintes de crueldade. As tropas de Hun Sen obrigam suas v\u00edtimas a beber \u00e1gua do esgoto, arrancam suas unhas e olhos durante os interrogat\u00f3rios para depois execut\u00e1-las sumariamente.\n\n\u201cA Cruz Vermelha do Camboja estima em mais de 3 mil v\u00edtimas dos combates entre as tropas de Hun Sen e os soldados leais a Ranariddh\u201d (O Estado de S\u00e3o Paulo, 17\/07).\n\nMas este n\u00e3o \u00e9 o acontecimento de maior import\u00e2ncia que motivou a imprensa mundial a voltar seus holofotes sobre o Camboja nestes \u00faltimos dias.\n\n<strong>O golpe de Estado foi apenas uma medida preventiva de Hun Sen diante de um outro acontecimento alardeado dezenas de vezes antes, mas que, de fato, s\u00f3 veio a ocorrer vinte dias ap\u00f3s o golpe:\u00a0<\/strong>o julgamento de Pol Pot, o principal dirigente do grupo guerrilheiro KV por mais de 30 anos. Pol Pot foi julgado pela pr\u00f3pria guerrilha, mas essa n\u00e3o \u00e9 a primeira vez que isso ocorre.\n\nO Khmer Vermelho j\u00e1 anunciou que ele teria sido \u201ccondenado\u201d e \u201cafastado\u201d da dire\u00e7\u00e3o do grupo pelo menos outras duas vezes no passado.\n\nAs preocupa\u00e7\u00f5es em torno do KV est\u00e3o ligadas ao fato deste agrupamento ter dirigido uma revolu\u00e7\u00e3o social vitoriosa e depois ter ficado a frente do Estado oper\u00e1rio cambojano durante os anos de 1975 a 1979.\n\nO que provocou o golpista Hun Sen a desencadear um ataque decisivo contra Norodon Ranariddh, com quem compartilhava o governo desde 1993, foi a aproxima\u00e7\u00e3o entre a Funcinpec e o KV.\n\nEm crescente desvantagem militar e em conflitos frente a Hun Sen, desde o in\u00edcio do mandato, o monarca fechou um acordo de paz com a guerrilha tendo em vista as elei\u00e7\u00f5es do pr\u00f3ximo ano.\n\nO julgamento de Pol Pot significou uma reorienta\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica do Khmer para integrar-se institucionalmente ao regime bur-gu\u00eas, legalizando-se como partido pol\u00edtico a exemplo do que ocorreu com outras guerrilhas, como a Frente Farabundo Mart\u00ed de Liberta\u00e7\u00e3o Nacional (FMLN) de El Salvador em 1992, a Uni\u00e3o Revolucion\u00e1ria Nacional Guatemalteca (URNG) em maio de 96 e agora, o EZLN no M\u00e9xico.\n\n<strong>O imperialismo Condiciona o Apoio ao Golpe \u00e0 Captura de Pol Pot<\/strong>\n\nO imperialismo h\u00e1 muito quer a cabe\u00e7a de Pol Pot como quem busca desesperadamente por um trof\u00e9u. H\u00e1 quase 20 anos o KV foi arrancado do poder, todavia n\u00e3o foi esmagado.\n\nO objetivo \u00e9 definitivamente exorcizar o pa\u00eds do fantasma da revolu\u00e7\u00e3o com a condena\u00e7\u00e3o p\u00fablica e internacional daquele que mais foi identificado pelo terror do Estado oper\u00e1rio contra as classes dominantes e o grande capital internacional.\n\nO governo Clinton aposta na mesma via utilizada por Fujimori e a CIA, quando da pris\u00e3o de Abimael Guzman, dirigente do Sendero Luminoso, para desmoralizar a guerrilha cambojana. Transformou, desse modo, a captura de Pol Pot em condi\u00e7\u00e3o para aceitar o golpe de Hun Sen.\n<blockquote>\u201cEstamos atr\u00e1s de Pol Pot, disse um membro do governo Clinton. Um ponto de discuss\u00e3o que queremos ter com Hun Sen \u00e9 dizer que ele pode voltar \u00e0s boas gra\u00e7as com o mundo entregando o sujeito. Oficialmente, um porta-voz do Departamento de Estado, James Foley, disse que os EUA ap\u00f3iam os esfor\u00e7os para encontrar Pol Pot, mas n\u00e3o reconhecem o julgamento conduzido na semana passada. Ele disse que os EUA n\u00e3o tinham confirma\u00e7\u00e3o independente do paradeiro de Pol Pot. N\u00e3o damos aval a julgamentos na aus\u00eancia de procedimentos legais ou incoerentes com as normas jur\u00eddicas internacionais aceitas pelas Na\u00e7\u00f5es Unidas, o que este julgamento na selva parece ser, disse ele\u201d ( The New York Times, 29\/07).<\/blockquote>\nA contra-revolu\u00e7\u00e3o no Camboja e o acordo entre o PPC e a Funcinpec, que garantiu um fr\u00e1gil governo de coaliz\u00e3o durante os \u00faltimos 4 anos no pa\u00eds, s\u00e3o apresentados como \u201co feito mais importante da ONU at\u00e9 hoje\u201d (OESP, 17\/07).\n\nApesar de contar com a ajuda do stalinismo vietnamita para sufocar a revolu\u00e7\u00e3o cambojana, a \u201cpacifica\u00e7\u00e3o\u201d da ONU saiu \u201cao pre\u00e7o de US$3 bilh\u00f5es, para os quais os EUA contribu\u00edram com US$160 milh\u00f5es\u201d.\n\nTodo este dinheiro foi investido para reorganizar o Estado burgu\u00eas completamente destru\u00eddo pela revolu\u00e7\u00e3o.\n\nDos 3 bilh\u00f5es resultou uma conta de 1 bilh\u00e3o de d\u00f3lares em cotas atrasadas para os EUA pagar. \u201cOs membros do Congresso dos EUA, sempre dispostos a culpar o ocupante da Casa Branca por qualquer rev\u00e9s que a pol\u00edtica americana sofra no cen\u00e1rio internacional\u201d\u2026 vinculou a quita\u00e7\u00e3o desta d\u00edvida \u00e0 estabilidade do regime cambojano.\n\n\u201cPara a reputa\u00e7\u00e3o da ONU, o colapso do governo de coaliz\u00e3o no Camboja n\u00e3o poderia ter ocorrido em pior momento, dado o recente acordo do Congresso com a Casa Branca e o secret\u00e1rio-geral da ONU, Kofi Annan, pelo qual os EUA come\u00e7ariam o pagamento das cotas atrasadas, num total de quase US$1 bilh\u00e3o. Como se recorda, por insist\u00eancia do influente presidente da Comiss\u00e3o de Rela\u00e7\u00f5es Exteriores do Senado, Jesse Helms (o mesmo criador da lei Helms-Burton de bloqueio econ\u00f4mico a Cuba), os pagamentos foram condicionados \u00e0 reestrutura\u00e7\u00e3o e a provas concretas de um trabalho efetivo no Camboja\u201d (idem).\n\nAo que tudo indica, o golpe de Hun Sen teve pelo menos o dedo de setores do imperialismo ianque ligados diretametne ao Partido Republicano, interessado em desacreditar a pol\u00edtica internacional de Clinton e, mais ainda, opostos a desembolsar tamanha bolada para a ONU por um pa\u00eds que, do ponto de vista econ\u00f4mico, \u00e9 completamente secund\u00e1rio, acreditando que este dinheiro poderia servir melhor aos interesses imediatos.\n\nNuma demonstra\u00e7\u00e3o de que est\u00e1 mais interessado na resolu\u00e7\u00e3o imediata do conflito, inclusive atrav\u00e9s do massacre promovido pelas tropas do PPC, do que na volta do pr\u00edncipe ao poder, os governos imperialistas, entre eles os EUA e Austr\u00e1lia se negaram a conceder visto e fecharam as portas de suas embaixadas a exilados pol\u00edticos, enquanto as tropas oficiais trucidavam influentes pol\u00edticos do antigo gabinete como o ministro do interior, Ho Sok, morto com um tiro na cabe\u00e7a.\n\nO maior temor do imperialismo \u00e9 que as massas cambojanas que j\u00e1 fizeram uma revolu\u00e7\u00e3o no pa\u00eds voltem \u00e0 cena numa situa\u00e7\u00e3o extremamente explosiva de violenta crise interburguesa.\n\nA pretens\u00e3o \u00e9 estancar imediatamente a crise e ?normalizar? a situa\u00e7\u00e3o. \u201cDe T\u00f3kio, o governo japon\u00eas decidiu ontem restabelecer sua ajuda econ\u00f4mica ao Camboja logo que o Governo de Phnom Penh abra as fronteiras aos cidad\u00e3os japoneses, segundo informa\u00e7\u00f5es oficiais\u201d (ABC espanhol, 18\/07).\n\nAtrav\u00e9s da Associa\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es do Sudoeste Asi\u00e1tico (ASEN) o Mercosul daquela regi\u00e3o que re\u00fane Mal\u00e1sia, Indon\u00e9sia, Cingapura, Tail\u00e2ndia, Vietn\u00e3, Filipinas, Brunei, Mianm\u00e1 e Laos, o imperialismo procura uma sa\u00edda negociada para a crise antes da entrada da popula\u00e7\u00e3o em cena contra o novo regime repressor de Hun Sen. Para isso, basta que o novo ditador garanta que vai respeitar o calend\u00e1rio eleitoral para o pr\u00f3ximo ano, embora ele j\u00e1 tenha avisado que antes precisa fazer algumas altera\u00e7\u00f5es na regra do jogo.\n\nUm importante setor da Funcinpec j\u00e1 foi cooptado pelo novo governo sob as ben\u00e7\u00e3os do rei Sihanouk, exilado na China. O rei se op\u00f5e \u00e0 volta de seu filho ao poder, o pr\u00edncipe Norodon e apoiou a manobra de substitui\u00e7\u00e3o do pr\u00edncipe por outro membro da Funcinpec, o ex-ministro das Rela\u00e7\u00f5es Exteriores, Ung Huot, no cargo de primeiro-ministro.\n\nCada vez menos prestigiadas, as for\u00e7as do pr\u00edncipe tentam agora se desvincular do KV para atrair o apoio internacional. Embora tenha recebido o apoio do Khmer, atrav\u00e9s de sua r\u00e1dio clandestina na luta contra Hun Sen, \u201co pr\u00edncipe garantiu aos EUA que n\u00e3o vai tentar cooptar as for\u00e7as do enfraquecido KV N\u00e3o vou tentar envolver o KV nas confronta\u00e7\u00f5es\u201d (Folha de S\u00e3o Paulo, 12\/07). Tentando atrair as simpatias do imperialismo, os partid\u00e1rios de Norodon, hoje refugiados na selva, como o ex-sub-chefe do Estado Maior do Ex\u00e9rcito do Camboja, Nhek Bunchhay, tentou argumentar que por estarem mais pr\u00f3ximos da guerrilha que Hun Sen era mais f\u00e1cil a eles negociarem a entrega de Pol Pot a um tribunal internacional, garantindo que \u201cos guerrilheiros chefiados por Pol Pot aceitaram entregar seu chefe para que fosse julgado em um tribunal internacional\u201d (FSP, 19\/06).\n\nPor sua vez, o golpista tenta vincular os partid\u00e1rios de Norodon ao Khmer. \u201cHun Sen disse que estava depondo Rennaridh porque o l\u00edder tentou negociar uma anistia para alguns membros do KV, e a rendi\u00e7\u00e3o de Pol Pot\u201d (The New York Times, 29\/07) e alega que o julgamento de Pol Pot n\u00e3o passa de uma farsa.\n\n\u201cHun Sen disse ontem que o julgamento de Pol Pot \u00e9 uma farsa e assegurou que o chefe hist\u00f3rico do KV continua controlando suas for\u00e7as no norte do pa\u00eds. ?Este \u00e9 um jogo pol\u00edtico do Khmer, Pol Pot est\u00e1 em Anlong Veng e continua comandando seus guerrilheiros?\u201d (OESP, 29\/07).\n\nDe qualquer forma, temendo que as for\u00e7as de Hun Sen sejam impotentes diante de um novo levante de massas, os EUA prometeram reduzir em dois ter\u00e7os a sua equipe diplom\u00e1tica presente no Camboja, enviar ao pa\u00eds tr\u00eas navios de guerra e deslocar 2.200 fuzileiros americanos baseados no Jap\u00e3o. Al\u00e9m disso, \u201ca secret\u00e1ria de Estado americano, Madaleine Albright, pediu ontem a cria\u00e7\u00e3o de um grupo chamado Amigoss do Camboja? para respaldar os esfor\u00e7os da ASEAN para resolver a crise pol\u00edtica cambojana e manter as elei\u00e7\u00f5es convocadas para o pr\u00f3ximo ano\u201d (idem).\n\n<strong>Lutar por um Partido Revolucion\u00e1rio para Reconstruir o Estado Oper\u00e1rio<\/strong>\n\nA experi\u00eancia recente aponta que toda vez que o Khmer anuncia o julgamento de Pol Pot, significa uma nova tentativa de realibitar-se com vistas a uma composi\u00e7\u00e3o anti-regime pr\u00f3-vietnamita. Desta vez, Hun Sen se antecipou e sacou primeiro contra uma nova coaliz\u00e3o Khmer Vermelho e monarquistas.\n\nDesde que o KV perdeu o poder, quase todos os anos a morte de Pol Pot \u00e9 anunciada.\n\nO suposto afastamento do dirigente hist\u00f3rico da guerrilha foi um jogo de cena que o KV utilizou sempre que queria se aproximar de setores da burguesia.\n\nSeu julgamento pelo pr\u00f3prio KV j\u00e1 ocorreu pelo menos outras duas vezes, em 1979 e em 1985. Desta vez, dentre as principais acusa\u00e7\u00f5es lan\u00e7adas contra ele \u00e9 de assassinar o ex-ministro da defesa do Khmer,\n\nSon Sen e de destruir a reconcilia\u00e7\u00e3o nacional. No entanto, uma vez mais, seus substitutos, dentre eles o hist\u00f3rico homem p\u00fablico do KV, Khieu Samphau, negaram-se a entregar Pol Pot aos tribunais internacionais.\n\nNoutras tentativas de demonstrar disposi\u00e7\u00e3o de negociar com as tropas do pr\u00edncipe, \u201co Khmer Vermelho libertou cinco pilotos cambojanos capturados em fevereiro durante uma miss\u00e3o de negocia\u00e7\u00e3o que resultou na morte de dez militares\u201d (OESP, 31\/07) e tamb\u00e9m decidiu adotar o nome de Partido de Solidariedade Nacional, para participar das elei\u00e7\u00f5es no pr\u00f3ximo ano.\n\nA pol\u00edtica frente populista de acordos com setores da burguesia e de integra\u00e7\u00e3o \u00e0s estruturas do Estado capitalista n\u00e3o apresenta nenhuma perspectiva para as massas exploradas reconstru\u00edrem o Estado oper\u00e1rio do Kampuchea.\n\nOs revolucion\u00e1rios devem se opor a que Pol Pot ou qualquer outro membro da guerrilha seja entregue a um tribunal internacional dos genocidas imperialistas.\n\nNos opomos \u00e0 t\u00e1tica da guerrilha de intensificar os ataques ao governo com o \u00fanico objetivo de obter melhores condi\u00e7\u00f5es nas negocia\u00e7\u00f5es de paz e para uma \u201creconcilia\u00e7\u00e3o nacional\u201d, ao contr\u00e1rio da luta por tomar de assalto o poder. Tamb\u00e9m somos contra a que o Khmer entregue suas armas e desmobilize suas for\u00e7as militares.\n\nDefendemos que coloque suas armas a servi\u00e7o das organiza\u00e7\u00f5es de luta dos oper\u00e1rios e camponeses cambojanos. Lutamos pela constru\u00e7\u00e3o de um partido oper\u00e1rio revolucion\u00e1rio no Camboja, que embora possa recorrer \u00e0 guerra de guerrilhas contra o regime de Hun Sen, volte seus esfor\u00e7os \u00e0 constru\u00e7\u00e3o dos Conselhos oper\u00e1rios, camponeses e populares, utilizando os m\u00e9todos da democracia prolet\u00e1ria para, sob um programa revolucion\u00e1rio, p\u00f4r abaixo o governo burgu\u00eas, forjando um governo oper\u00e1rio e campon\u00eas.\n<p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-157745 aligncenter\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Guerra2-1-1-300x145.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"145\" \/><strong>Guerra do Camboja<\/strong><\/p>\n<strong>Guerra do Camboja -Civil<\/strong>\n\nNa d\u00e9cada de 1960 e 1970, o\u00a0<strong>Camboja\u00a0<\/strong>foi sendo puxado em muitas dire\u00e7\u00f5es diferentes. Eles estavam no meio de uma guerra civil e, ao mesmo tempo estavam sendo arrastados para o conflito no Vietn\u00e3.\n\nO\u00a0<strong>Camboja<\/strong>\u00a0\u00e9 um pa\u00eds pequeno, composta principalmente budistas. Pr\u00edncipe Sihanouk estava no meio de um golpe militar, e estava sendo derrubado pelo general Lon Nol, o presidente da Rep\u00fablica Khmer.\n\nPr\u00edncipe Sihanouk, eventualmente juntou for\u00e7as com uma organiza\u00e7\u00e3o comunista chamado o Khmer Rouge.\n\nA guerra civil come\u00e7ou causando estragos em todo o pa\u00eds. Enquanto esta guerra civil estava acontecendo, a Guerra do Vietn\u00e3 estava acontecendo ao lado.\n\nOs americanos mataram mais de 750 mil cambojanos no esfor\u00e7o para destruir os norte-vietnamitas. Estima-se que mais de 150.000 cambojanos morreram na guerra civil, a maioria deles civis.\n\nEm 1975, o Khmer Rouge ganhou a guerra civil e ganhou o poder no Camboja. A organiza\u00e7\u00e3o foi dirigido por um homem nome Pol Pot. Pol Pot foi educado na Fran\u00e7a e profundamente admirado comunismo chin\u00eas.\n\nEle e seu partido acreditava que todos os intelectuais e qualquer coisa que poderiam amea\u00e7ar o comunismo precisava ser abolido.\n\nA primeira parte do genoc\u00eddio cambojano come\u00e7ou com o \u00caxodo. Todo mundo foi for\u00e7ado a deixar as cidades, incluindo os doentes, idosos e crian\u00e7as.\n\nPessoas que estavam muito lento ou se recusaram a sair foram mortos no local. O plano de Pol Pot era fazer Camboja em uma organiza\u00e7\u00e3o em fazendas, com os cidad\u00e3os como os trabalhadores.\n\nO nome do pa\u00eds foi mudado para Kampuchea e todos os direitos e liberdades civis foram imediatamente levados. Basicamente tudo o que foi desligado; hospitais, faculdades e f\u00e1bricas inclu\u00eddas.\n\nO Khmer Vermelho acreditava que suas maiores amea\u00e7as eram intelectuais, porque eles tinham a intelig\u00eancia para questionar a autoridade e, possivelmente, derrubar o regime. Assim, professores, m\u00e9dicos, advogados e at\u00e9 membros do ex\u00e9rcito foram imediatamente mortos. Mesmo usando \u00f3culos foi motivo suficiente para que o Khmer Vermelho para assassinar civis.\n\nEles levaram eliminando intelectuais t\u00e3o a s\u00e9rio que at\u00e9 mesmo as fam\u00edlias alargadas foram mortos; por exemplo, o primo de segundo grau de um m\u00e9dico poderia ser morto por suas rela\u00e7\u00f5es.\n\nM\u00fasica e livros foram banidos junto com a religi\u00e3o. Templos foram destru\u00eddas e milhares de monges perderam suas vidas ao regime.\n\nRelatos de testemunhas afirmaram ainda que rir era uma raz\u00e3o de ser morto. Relacionamentos foram basicamente banida juntamente com a maioria das formas de afeto f\u00edsico.\n\nA maioria das pessoas tornou-se trabalhadores for\u00e7ados, onde as condi\u00e7\u00f5es eram horr\u00edveis. Longos dias, um trabalho exaustivo, e pouca comida contribuiu para muitas mortes.\n\nPessoas foram propositadamente colocados em campos de longe de casa para que eles n\u00e3o tinham para onde fugir.\n\nO Khmer Vermelho tinha poder, mas com o poder vem a paranoia. Muitos membros do Regime foram assassinados por trai\u00e7\u00e3o e trai\u00e7\u00e3o. Em 25 de dezembro de 1978 os vietnamitas invadiram o Camboja e terminou com o reinado de terror do Khmer Rouge.\n\nPol Pot e outros membros do seu partido foi se esconder no oeste, mas a luta continuou durante vinte anos. Pol Pot foi preso em 1997, e morreu em 1998 de insufici\u00eancia card\u00edaca.\n\nMuitos ex-membros do Khmer Rouge continuar a ir a julgamento por seus crimes contra a humanidades.\n\nA contagem total de pessoas assassinadas durante o genoc\u00eddio cambojano chegou a mais de dois milh\u00f5es.\n\n<strong>Guerra do Camboja &#8211; Hist\u00f3ria<\/strong>\n\n<strong>Partido Comunista do Camboja<\/strong>\n\nO pa\u00eds tem sua origem no antigo Imp\u00e9rio Khmer, que floresce entre os s\u00e9culos IX e XII, quando \u00e9 governado por uma Monarquia absolutista budista, e inclui as regi\u00f5es onde ficam atualmente a Tail\u00e2ndia, o Laos e o sul do Vietn\u00e3. Em 1863, a na\u00e7\u00e3o torna-se protetorado da Fran\u00e7a, que preserva a estrutura estatal, mas privatiza a terra (que era de propriedade do rei) e estimula o com\u00e9rcio.\n\nA influ\u00eancia francesa permanece intocada durante a maior parte da ocupa\u00e7\u00e3o japonesa na II Guerra Mundial. Em mar\u00e7o de 1945, por\u00e9m, os japoneses dep\u00f5em as autoridades francesas e oferecem a independ\u00eancia ao Camboja. O rei Norodom Sihanouk cancela os tratados com a Fran\u00e7a, mas n\u00e3o op\u00f5e resist\u00eancia ao restabelecimento do protetorado em outubro de 1945.\n\nO breve per\u00edodo de independ\u00eancia sob a tutela do Jap\u00e3o estimula o surgimento de um forte movimento nacionalista, liderado pelo Partido Comunista do Camboja, fundado em 1951. Pressionado, o rei Sihanouk assume a ret\u00f3rica anticolonial. Em novembro de 1953, a Fran\u00e7a concede a independ\u00eancia ao Camboja.\n\n<strong>A Guerra do Vietn\u00e3<\/strong>\n\nEm mar\u00e7o de 1955, Sihanouk abdica em favor do pai, volta a usar o t\u00edtulo de pr\u00edncipe e cria a Comunidade Socialista Popular. Seu partido vence todas as elei\u00e7\u00f5es para a Assembl\u00e9ia Nacional de 1955 a 1966, e Sihanouk governa com amplo poder. Enfrenta, por\u00e9m, a oposi\u00e7\u00e3o de esquerda, que ap\u00f3ia as guerrilhas no vizinho Vietn\u00e3 do Sul.\n\nA partir de 1964, o governo cambojano enfrenta uma rebeli\u00e3o comunista em seu pr\u00f3prio pa\u00eds, com o surgimento do Khmer Vermelho.\n\nO territ\u00f3rio cambojano \u00e9 utilizado como ref\u00fagio pelas tropas norte-vietnamitas e por guerrilheiros comunistas do Vietn\u00e3 do Sul. Por esse motivo, os EUA realizam bombardeios a\u00e9reos no pa\u00eds e torna-se cada vez mais dif\u00edcil manter o Camboja \u00e0 margem da Guerra do Vietn\u00e3.\n\nSihanouk insiste na neutralidade do Camboja e \u00e9 deposto em mar\u00e7o de 1970 pelo marechal Lon Nol, seu antigo primeiro-ministro, num golpe de Estado apoiado pelos EUA. No ex\u00edlio, Sihanouk forma o Governo Real de Uni\u00e3o Nacional do Camboja (Grunc) em parceria com o Khmer Vermelho. Em outubro de 1970, Lon Nol proclama a Rep\u00fablica, sendo eleito presidente em 1972.\n\nSem apoio nas \u00e1reas rurais, o regime de Lon Nol tem sua autoridade limitada aos centros urbanos, que v\u00e3o sendo cercados pelos guerrilheiros. Finalmente, em abril de 1975, o Khmer Vermelho toma a capital, Phnom Penh, quase sem resist\u00eancia.\n\nSihanouk \u00e9 declarado chefe de Estado, mas o Khmer Vermelho \u00e9, de fato, o detentor do poder. O radicalismo do Khmer faz milhares de presos, desloca \u00e0 for\u00e7a a popula\u00e7\u00e3o urbana para fazendas coletivas no campo e praticamente elimina a ind\u00fastria nacional. Em janeiro de 1976, o nome do pa\u00eds \u00e9 mudado para Kampuchea Democr\u00e1tico. Em abril, Sihanouk renuncia e o Grunc \u00e9 dissolvido. Pol Pot, l\u00edder m\u00e1ximo do Khmer Vermelho, torna-se primeiro-ministro. O regime aproxima-se da China e adota uma pol\u00edtica agressiva em rela\u00e7\u00e3o ao j\u00e1 unificado Vietn\u00e3, apoiado pela Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica.\n\n<strong>A Invas\u00e3o vietnamita<\/strong>\n\nAs freq\u00fcentes incurs\u00f5es do Khmer Vermelho em territ\u00f3rio vietnamita acirram as tens\u00f5es entre os dois pa\u00edses. Em 1979, o Camboja \u00e9 invadido por tropas do Vietn\u00e3, que tomam Phnom Penh e instalam no poder dissidentes cambojanos liderados por Heng Samrin.\n\n<strong>O pa\u00eds est\u00e1 devastado:<\/strong>\u00a0de 800 mil a 2,5 milh\u00f5es de cambojanos tinham morrido em conseq\u00fc\u00eancia da fome, de doen\u00e7as ou em campos de exterm\u00ednio.\n\nO Khmer Vermelho passa a praticar uma guerra de guerrilhas contra as tropas vietnamitas e o governo de Samrin, que enfrenta tamb\u00e9m a oposi\u00e7\u00e3o da Frente de Liberta\u00e7\u00e3o Nacional do Povo Khmer, liderada pelo ex-primeiro-ministro Son Sann, apoiado pelos EUA. Ocorre uma fuga em massa de cambojanos para a Tail\u00e2ndia.\n\nEm 1980, a ONU reconhece o Khmer Vermelho como leg\u00edtimo representante do Camboja. Em junho de 1982, as for\u00e7as oposicionistas formam uma alian\u00e7a, cujos dirigentes s\u00e3o Sihanouk (presidente), Son Sann (primeiro-ministro) e um dos l\u00edderes do Khmer Vermelho, Khieu Samphan, (vice-presidente). A alian\u00e7a recebe o apoio da China e dos EUA. A URSS continua auxiliando o governo de Samrin.\n\n<strong>Negocia\u00e7\u00f5es<\/strong>\n\nAp\u00f3s uma s\u00e9rie de vit\u00f3rias da alian\u00e7a oposicionista, a China anuncia, em 1987, seu apoio a um governo de coaliz\u00e3o, liderado por Sihanouk, desde que as tropas vietnamitas abandonem o Camboja. China e URSS, em processo de reaproxima\u00e7\u00e3o diplom\u00e1tica, pressionam as partes em conflito pelo acordo. Em setembro de 1989, os vietnamitas saem do Camboja. Em setembro de 1990, as duas na\u00e7\u00f5es suspendem o envio de armas a seus respectivos aliados, e as quatro fac\u00e7\u00f5es (o governo, Sihanouk, o Khmer Vermelho e o grupo de Son Sann) aceitam a forma\u00e7\u00e3o da Autoridade Transit\u00f3ria da ONU no Camboja. O pa\u00eds passa a se chamar Kampuchea.\n\n<strong>Acordo de paz<\/strong>\n\nEm outubro de 1991, as quatro fac\u00e7\u00f5es assinam um acordo de paz, em Paris. Seus l\u00edderes voltam a Phnom Penh, mas Khieu Samphan, do Khmer Vermelho, quase \u00e9 linchado pela popula\u00e7\u00e3o e foge do pa\u00eds.\n\nEnquanto cerca de 400 mil refugiados cambojanos retornam da Tail\u00e2ndia e a ONU chega a Phnom Penh, o Khmer Vermelho reinicia os combates.\n\nO partido de Sihanouk vence as elei\u00e7\u00f5es em maio de 1993, obtendo 58 das 120 cadeiras do Parlamento. Em junho, Sihanouk forma um governo de coliga\u00e7\u00e3o com os membros do antigo regime pr\u00f3-vietnamita, liderados por Hun Sen \u2013 que det\u00e9m a for\u00e7a militar.\n\nUma nova Constitui\u00e7\u00e3o \u00e9 aprovada em setembro e Sihanouk \u00e9 coroado rei. Apesar de um n\u00famero crescente de deser\u00e7\u00f5es, o Khmer Vermelho redobra a intensidade de suas a\u00e7\u00f5es ao longo de 1995. Sihanouk, com sa\u00fade prec\u00e1ria, passa a lideran\u00e7a do pa\u00eds ao seu filho, o pr\u00edncipe Norodom Ranariddh.\n\n<strong>Novo golpe<\/strong>\n\nDurante todo o ano de 1996 aumentam as tens\u00f5es entre os dois primeiros-ministros, Norodom Ranariddh e Hun Sen. Em abril de 1997, um atentado com granadas mata 16 pessoas em frente do Parlamento.\n\nO alvo era Sam Rainsy, ferrenho opositor de Hun Sen, que se vinha aproximando de Ranariddh. O pr\u00edncipe tamb\u00e9m se aproximava de uma fac\u00e7\u00e3o do Khmer Vermelho. Em 5 de julho, Hun Sen desfecha um golpe de Estado, pondo fim a quatro anos de coabita\u00e7\u00e3o entre fac\u00e7\u00f5es inimigas no governo. Tr\u00eas dias de bombardeio deixam pelo menos 35 mortos. Milhares de pessoas saem da capital.\n\nO pr\u00edncipe Ranariddh foge para Paris um dia antes de ser deposto, e seus aliados s\u00e3o perseguidos. Organismos de defesa de direitos humanos denunciam saques, torturas e assassinatos. Para se consolidar no poder, os golpistas ap\u00f3iam a indica\u00e7\u00e3o de Ung Hout \u2013 at\u00e9 ent\u00e3o ministro das Rela\u00e7\u00f5es Exteriores e partid\u00e1rio do pr\u00edncipe Ranariddh \u2013 para o cargo de co-primeiro-ministro. O Parlamento confirma sua nomea\u00e7\u00e3o em 6 de agosto.\n\n<strong>O ressurgimento de Pol-Pot<\/strong>\n\nViolenta cis\u00e3o ocorria dentro do Khmer Vermelho pouco antes do golpe de Hun Sen. Ap\u00f3s passar 18 anos escondido na selva, chegando muitas vezes a ser dado como morto, Pol-Pot reaparece em cena.\n\n\u00c9 acusado de mandar matar v\u00e1rios ex-companheiros do Khmer Vermelho, com suas fam\u00edlias, porque negociavam com Ranariddh.\n\nA crueldade do crime provoca revolta na tropa. Pol-Pot \u00e9 capturado, julgado (conforme \u00e9 mostrado num v\u00eddeo em 28 de julho) e condenado \u00e0 pris\u00e3o perp\u00e9tua, mas em casa.\n\nSua pris\u00e3o \u00e9 considerada uma provid\u00eancia para a depura\u00e7\u00e3o pol\u00edtica dentro do Khmer Vermelho, j\u00e1 que sua imagem estava vinculada ao genoc\u00eddio dos anos 70.\n\n<strong>Fonte:<\/strong>\u00a0www.geocities.com\/www.coldwar.org\/www.conhecimentosgerais.com.br\/notevenpast.org\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Guerra do Camboja, Civil, Hist\u00f3ria, Revolu\u00e7\u00e3o, Crise, Luta, Vietn\u00e3, Golpe, Estado, Partido, Pol\u00edtica, Per\u00edodo, Guerra do Camboja<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":12080,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[57],"tags":[],"class_list":["post-15669","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-historia-geral"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v28.3 - 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