{"id":15667,"date":"2016-01-04T00:00:00","date_gmt":"2016-01-04T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/uncategorized\/guerra-do-afeganistao-2\/"},"modified":"2026-08-31T23:26:19","modified_gmt":"2026-08-31T23:26:19","slug":"guerra-do-afeganistao-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/historia-geral\/guerra-do-afeganistao-2\/","title":{"rendered":"Guerra do Afeganist\u00e3o"},"content":{"rendered":"\n<strong>Guerra do Afeganist\u00e3o &#8211; O que foi<\/strong>\n\n<strong>Per\u00edodo:<\/strong>\u00a01979-1989\n\n<strong>\u00c1rea do conflito:<\/strong>\u00a0\u00c1sia Central\n\n<strong>Protagonistas:<\/strong>\u00a0R\u00fassia e guerrilheiros afeg\u00e3os mujahedin\n\nA\u00a0<strong>Guerra do Afeganist\u00e3o<\/strong>\u00a0(1979-1989), entre sovi\u00e9ticos e fundamentalistas isl\u00e2micos, foi a primeira guerra civilizacional, chamada \u201cguerra de linha de fratura\u201d (fault line war).\n\nEste tipo de conflito se diferencia dos demais conflitos comunit\u00e1rios (tribais, religiosos, internacionais) por colocar em lados opostos grupos de diferentes civiliza\u00e7\u00f5es e lidar com profundas quest\u00f5es de identidade cultural.\n\nA Guerra do Afeganist\u00e3o e a Guerra do Golfo foram guerras de transi\u00e7\u00e3o entre a ordem mundial dividida em ideologias e a ordem mundial dividida em civiliza\u00e7\u00f5es.\n\nA\u00a0<strong>Guerra do Afeganist\u00e3o<\/strong>\u00a0teve in\u00edcio quando a Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica invadiu aquele pa\u00eds mu\u00e7ulmano a pedido do governo marxista rec\u00e9m-estabelecido, para apoi\u00e1-lo na luta contra os opositores, e se inseriu no contexto da Guerra Fria quando os Estados Unidos deram apoio material e financeiro aos grupos que lutavam contra a invas\u00e3o.\n\nA derrota sovi\u00e9tica acabou por colaborar com v\u00e1rios fatores que culminaram na queda do regime socialista em 1991. Por isso, foi vista nos EUA e no Ocidente como a definitiva vit\u00f3ria do capitalismo contra o socialismo. Mas, entre os fundamentalistas afeg\u00e3os e os isl\u00e2micos que os apoiaram, foi uma vit\u00f3ria do Isl\u00e3.\n\nO apoio recebido pelos afeg\u00e3os anti-marxistas foi significativamente oriundo de outros pa\u00edses mu\u00e7ulmanos.\n\nO montante total de dinheiro pago pela Ar\u00e1bia Saudita aos resistentes foi o mesmo ou maior que o valor pago pelos EUA. Cerca de 25 mil volunt\u00e1rios de outros pa\u00edses isl\u00e2micos foram ao Afeganist\u00e3o lutar contra a invas\u00e3o sovi\u00e9tica. A maior parte deles partiu da Jord\u00e2nia e foi treinada pela intelig\u00eancia militar do Paquist\u00e3o.\n\nEste pa\u00eds tamb\u00e9m foi o repassador da verba norte-americana e destinou 75% do financiamento para grupos fundamentalistas. Os isl\u00e2micos que participaram da guerra, mais do que anti-comunistas, eram anti-ocidentais.\n\nO conflito deixou uma coliga\u00e7\u00e3o inst\u00e1vel de organiza\u00e7\u00f5es fundamentalistas isl\u00e2micas empenhadas em promover o Islamismo contra todos os n\u00e3o-isl\u00e2micos.\n\nSeu regime, que estava baseado numa ideologia secularista de cunho socialista-nacionalista, rapidamente evocou a defesa do credo mu\u00e7ulmano e o combate hist\u00f3rico aos agressores infi\u00e9is.\n\nHouve apoio tamb\u00e9m por parte da opini\u00e3o p\u00fablica em pa\u00edses de outras civiliza\u00e7\u00f5es n\u00e3o envolvidas no conflito. Japoneses e Hindus opuseram-se \u00e0 guerra, fazendo o epis\u00f3dio converter-se sucessivamente de \u201cIraque x Kuwait\u201d para \u201cIraque x Ocidente\u201d para \u201cIsl\u00e3 x Ocidente\u201d para \u201cOriente x Ocidente\u201d, uma nova batalha do milenar conflito da civiliza\u00e7\u00e3o ocidental contra o resto do mundo.\n\nAs conseq\u00fc\u00eancias imediatas da Guerra do Golfo foram um sentimento generalizado, entre os isl\u00e2micos, de rancor contra os EUA, e um crescente apoio no Iraque e seus vizinhos ao regime martirizado de Saddam Hussein. As demais civiliza\u00e7\u00f5es do mundo tamb\u00e9m reagiram de acordo com seus interesses, destacando a dubiedade da R\u00fassia (ortodoxos) e a oposi\u00e7\u00e3o da China (s\u00ednicos-confucianos). Mais uma vez, questionaram o sistema \u201cdois pesos, duas medidas\u201d do Ocidente que n\u00e3o realiza o mesmo tipo de interven\u00e7\u00e3o contra as agress\u00f5es israelenses aos \u00e1rabes. No entanto, a Guerra do Golfo serviu como demonstra\u00e7\u00e3o de for\u00e7a do poder militar-econ\u00f4mico dos EUA (daquele ano em diante, \u00fanica superpot\u00eancia mundial) e transformou o Golfo P\u00e9rsico num \u201clago norte-americano\u201d.\n\n<strong>CARACTER\u00cdSTICAS DAS GUERRAS DE LINHA DE FRATURA<\/strong>\n\nOs conflitos comunit\u00e1rios (entre cl\u00e3s, tribos, etnias, religi\u00f5es e estados-na\u00e7\u00f5es) que lidam com identidades culturais tendem a ser prolongados e sangrentos por n\u00e3o terem resolu\u00e7\u00e3o f\u00e1cil nem definitiva, exceto em caso de genoc\u00eddio\/limpeza \u00e9tnica. As guerras de linha de fratura ocorrem quando esses conflitos de identidade s\u00e3o entre grupos de civiliza\u00e7\u00f5es diferentes. Elas podem ocorrer entre Estados, entre grupos n\u00e3o-governamentais e entre Estados e grupos n\u00e3o-governamentais.\n\nAlgumas vezes, s\u00e3o lutas por controle de pessoas; outras, s\u00e3o pelo controle de territ\u00f3rios, que para um lado ou ambos pode ter alto valor simb\u00f3lico. Essas guerras s\u00e3o, geralmente, prolongadas, podendo acalmar durante determinados intervalos de tr\u00e9gua, at\u00e9 se reacenderem mais tarde. E, ainda, normalmente provocam mais mortes e refugiados do que os outros tipos de guerra, pois o \u00f3dio entre culturas diferentes raramente se extingue, \u201ca n\u00e3o ser atrav\u00e9s de genoc\u00eddio\u201d.\n\n<strong>H\u00e1 outros dois pontos de diferen\u00e7as fundamentais entre as guerras de linha de fratura e outras guerras comunit\u00e1rias:<\/strong>\n<blockquote><strong>1)<\/strong>\u00a0\u201cAs guerras de linha de fratura s\u00e3o travadas quase sempre entre povos de religi\u00f5es diferentes\u201d. A julgar pelas estat\u00edsticas dos conflitos ao longo dos mil\u00eanios de hist\u00f3ria humana, \u201ca freq\u00fc\u00eancia, a intensidade e a viol\u00eancia das guerras de linha de fratura s\u00e3o muito aumentadas pelas cren\u00e7as em deuses diferentes\u201d.<strong>\n2)\u00a0<\/strong>\u201cAs guerras de linha de fratura s\u00e3o travadas entre grupos que formam parte de entidades culturais maiores\u201d. Assim, um grupo A1 lutando contra um grupo B1 de outra civiliza\u00e7\u00e3o tentar\u00e1 mobilizar o apoio de outros grupos afins \u2013 A2, A3, A4 e B2, B3, B4 \u2013 em cada civiliza\u00e7\u00e3o respectiva, \u201ce estes se identificar\u00e3o com seus afins em luta\u201d. As novas tecnologias de comunica\u00e7\u00e3o e transporte facilitam os contatos entre governos e povos de pa\u00edses de cultura similar e fortalecem os la\u00e7os que se mobilizam em caso de guerra. \u201cEssa s\u00edndrome de pa\u00eds-afim (\u2026) \u00e9 uma faceta fundamental das guerras de linha de fratura do final do s\u00e9culo XX\u201d.<\/blockquote>\nDa forma mais gen\u00e9rica, pequenos casos de viol\u00eancia entre pessoas de civiliza\u00e7\u00f5es diferentes podem desembocar em quest\u00f5es e conflitos que oponham grupos maiores dessas civiliza\u00e7\u00f5es.\n\n<strong>INCID\u00caNCIA:\u00a0<\/strong>AS FRONTEIRAS ENSANG\u00dcENTADAS DO ISL\u00c3\n\nMesmo sendo os conflitos comunit\u00e1rios e as guerras de linha de fratura comuns ao longo da Hist\u00f3ria, os conflitos desse tipo que ocorreram durante a Guerra Fria foram minimizados ou analisados no contexto das disputas ideol\u00f3gicas da \u00e9poca. No entanto, com o fim da Guerra Fria, os conflitos comunit\u00e1rios ganharam nova relev\u00e2ncia e aconteceu um \u201csurto\u201d de conflitos \u00e9tnicos.\n\n<strong>Deixou tamb\u00e9m muitos equipamentos militares de alta tecnologia no pa\u00eds e uma forte auto-confian\u00e7a nos grupos que pregavam uma jihad (guerra santa) contra as pot\u00eancias estrangeiras:<\/strong>\u00a0\u201cderrotaram uma delas e agora est\u00e3o trabalhando em cima da segunda\u201d (Tim Weiner, New York Times Magazine, 13\/3\/1994).\n\nA\u00a0<strong>Guerra do Afeganist\u00e3o<\/strong>\u00a0foi uma guerra entre civiliza\u00e7\u00f5es porque os mu\u00e7ulmanos de todo o mundo viram-na como uma luta em defesa da civiliza\u00e7\u00e3o isl\u00e2mica, amea\u00e7ada pela Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica. Da mesma forma, a Guerra do Golfo (1991) tornou-se uma guerra entre civiliza\u00e7\u00f5es porque a interven\u00e7\u00e3o norte-americana (com o apoio do Ocidente) num conflito local suscitou a condena\u00e7\u00e3o pela opini\u00e3o p\u00fablica do mundo mu\u00e7ulmano e criou um rancor em rela\u00e7\u00e3o aos Estados Unidos.\n\nEla ocorreu quando o Iraque invadiu o min\u00fasculo emirado vizinho do Kuwait, no final de 1990, e os EUA, sob resolu\u00e7\u00e3o da ONU, decidiram intervir para libertar o pa\u00eds pequeno por\u00e9m grande produtor de petr\u00f3leo.\n\n<strong>De in\u00edcio, o apoio \u00e0 interven\u00e7\u00e3o entre os mu\u00e7ulmanos veio da parte dos dois principais aliados isl\u00e2micos do Ocidente:<\/strong>\u00a0a Turquia e o Paquist\u00e3o (duas na\u00e7\u00f5es n\u00e3o-\u00e1rabes).\n\nEgito e S\u00edria enviaram tropas argumentando que a presen\u00e7a delas no Iraque era prefer\u00edvel \u00e0 possibilidade de ocupa\u00e7\u00e3o por ocidentais. O Marrocos e a Arg\u00e9lia, que primeiro tinham-se manifestado a favor da guerra, reviram suas posi\u00e7\u00f5es, pressionados pela opini\u00e3o p\u00fablica interna. Enquanto Jord\u00e2nia, L\u00edbia, Sud\u00e3o, I\u00eamen, Maurit\u00e2nia, Tun\u00edsia, Palestina e at\u00e9 o ex-inimigo iraquiano Ir\u00e3 condenaram veementemente a interven\u00e7\u00e3o.\n\nPara os mu\u00e7ulmanos, a invas\u00e3o do Kuwait pelo Iraque \u201ctinha sido um conflito de fam\u00edlia, a ser resolvido no seio da fam\u00edlia\u201d, e uma interven\u00e7\u00e3o ocidental soou como uma declara\u00e7\u00e3o de guerra a toda a civiliza\u00e7\u00e3o isl\u00e2mica.\n\nSegundo v\u00e1rios l\u00edderes isl\u00e2micos, a Guerra do Golfo foi uma guerra \u201cdo Ocidente contra o Isl\u00e3\u201d levada a cabo por novos \u201ccruzados\u201d.\n\n<strong>Assim, o conflito p\u00f4s em suspens\u00e3o as diverg\u00eancias entre v\u00e1rios grupos antag\u00f4nicos dentro do mundo isl\u00e2mico:\u00a0<\/strong>OLP e Hamas, Ir\u00e3 e Iraque, governos e oposicionistas que fizeram tr\u00e9gua em nome da unidade contra o invasor ocidental.\n\nPor causa da distribui\u00e7\u00e3o da import\u00e2ncia da identidade entre os est\u00e1gios de organiza\u00e7\u00e3o social no mundo isl\u00e2mico, que sugere um U (alta para o cl\u00e3 ou tribo, baixa para o estado-na\u00e7\u00e3o e alta para a religi\u00e3o em comum), Saddam Hussein valeu-se da identidade comum da f\u00e9 para reunir apoio internacional entre os mu\u00e7ulmanos.\n\nA enorme maioria destes, entretanto, esteve concentrada ao longo de todos os limites que separam a civiliza\u00e7\u00e3o isl\u00e2mica das demais civiliza\u00e7\u00f5es, desde a \u00c1frica at\u00e9 o Extremo Oriente.\n\nEnquanto no n\u00edvel global o choque se situa entre o Ocidente e o resto, no n\u00edvel local ele se situa entre o Isl\u00e3 e os outros.\n\nEm v\u00e1rios lugares do mundo (Palestinos x Israel, Libaneses Xiitas x Maronitas, Paquist\u00e3o x \u00cdndia, Chechenos x Russos, B\u00f3snios x Servo-Croatas, Kosovares x S\u00e9rvios, Albaneses x Gregos, Cipriotas-Turcos x Cipriotas-Gregos, Azeris x Arm\u00eanios, Bangladesh x Birm\u00e2nia, Indon\u00e9sios x Timorenses etc.), as rela\u00e7\u00f5es entre os mu\u00e7ulmanos e os povos de outras civiliza\u00e7\u00f5es t\u00eam sido antag\u00f4nicas.\n\n\u201cPara onde quer que se olhe ao longo do per\u00edmetro do Isl\u00e3, os mu\u00e7ulmanos tiveram problemas para viver em paz com seus vizinhos.\u201d\n\nEsse padr\u00e3o de conflitos no final do s\u00e9culo XX n\u00e3o se aplica \u00e0s rela\u00e7\u00f5es entre grupos de outras civiliza\u00e7\u00f5es. Os mu\u00e7ulmanos s\u00e3o um quinto da popula\u00e7\u00e3o mundial e nos anos 1990 se envolveram em mais conflitos que qualquer outra civiliza\u00e7\u00e3o. De acordo com tr\u00eas levantamentos diferentes, os isl\u00e2micos estiveram presentes em de 66% a 75% dos conflitos intercivilizacionais, e entre 25% e 33% dos intracivilizacionais. \u201cAs fronteiras do Isl\u00e3 s\u00e3o sangrentas, como tamb\u00e9m o s\u00e3o suas entranhas.\u201d\n\nAs sociedades isl\u00e2micas tamb\u00e9m t\u00eam propor\u00e7\u00e3o de militares por habitantes e de or\u00e7amento destinado \u00e0s for\u00e7as armadas, em m\u00e9dia, mais alta que pa\u00edses crist\u00e3os e das demais civiliza\u00e7\u00f5es. \u201cDe modo muito claro, h\u00e1 uma conex\u00e3o entre Isl\u00e3 e militarismo\u201d (James L. Payne, 1989).\n\nOs pa\u00edses mu\u00e7ulmanos tamb\u00e9m foram mais propensos a recorrer \u00e0 viol\u00eancia em crises internacionais, empregando-a em cerca de metade das crises em que se envolveram e, mesmo quando utilizada com \u201coutros meios\u201d, usaram de viol\u00eancia de alta intensidade, incluindo guerra plena. \u201cA belicosidade e a viol\u00eancia mu\u00e7ulmanas s\u00e3o fatos do final do s\u00e9culo XX que nem mu\u00e7ulmanos nem n\u00e3o-mu\u00e7ulmanos podem negar\u201d.\n\n<strong>CAUSAS:\u00a0<\/strong>HIST\u00d3RIA, DEMOGRAFIA, POL\u00cdTICA\n<p class=\"imagem\"><img decoding=\"async\" title=\"Guerra do Afeganist\u00e3o\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/gguerra14-1.jpg\" alt=\"Guerra do Afeganist\u00e3o\" \/><strong>\nGuerra do Afeganist\u00e3o<\/strong><\/p>\n<strong>As causas principais do surto das guerras de linha de fratura no final do s\u00e9culo XX e o papel fundamental que os mu\u00e7ulmanos tiveram nelas s\u00e3o:<\/strong>\n<blockquote><strong>1)\u00a0<\/strong>As ra\u00edzes hist\u00f3ricas dos conflitos, renovadas ciclicamente por gera\u00e7\u00f5es e gera\u00e7\u00f5es.\n<strong>2)<\/strong>\u00a0O crescimento demogr\u00e1fico acelerado, provocando press\u00f5es de ordem militar e pol\u00edtica sobre os grupos \u201cmenos din\u00e2micos demograficamente\u201d. \u201cAltera\u00e7\u00f5es de 20% ou mais nas balan\u00e7as demogr\u00e1ficas e nos bols\u00f5es de jovens respondem por muitos dos conflitos intercivilizacionais do final do s\u00e9culo XX.\u201d<\/blockquote>\nN\u00e3o explica todos, entretanto. O aspecto pol\u00edtico tamb\u00e9m conta, pois a desagrega\u00e7\u00e3o de federa\u00e7\u00f5es multi\u00e9tnicos de regime socialista (Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica e Iugosl\u00e1via) tamb\u00e9m produziu conflitos por exageros nacionalistas na busca por reafirma\u00e7\u00e3o de identidades nacionais. O mesmo processo ocorrera quando do desmembramento dos imp\u00e9rios Austro-H\u00fangaro e Otomano, em 1918. \u201cA ordem opressora, mas pac\u00edfica, dos Estados devotados \u00e0 proposi\u00e7\u00e3o de que n\u00e3o h\u00e1 deus foi substitu\u00edda pela viol\u00eancia dos povos devotados a deuses diferentes.\u201d\n\nPersiste a indaga\u00e7\u00e3o de por que os mu\u00e7ulmanos est\u00e3o envolvidos em muito mais viol\u00eancia intergrupos do que os povos de outras civiliza\u00e7\u00f5es.\n\n<strong>Seis causas se apresentam, sendo que tr\u00eas explicam a viol\u00eancia intra-mu\u00e7ulmanos e apenas contempor\u00e2nea, enquanto outras tr\u00eas explicam a viol\u00eancia entre mu\u00e7ulmanos e outros ao longo da Hist\u00f3ria:<\/strong>\n<blockquote><strong>1\u00ba.<\/strong>\u00a0H\u00e1 quem sustente que o Islamismo foi desde o in\u00edcio uma \u201creligi\u00e3o da espada\u201d e que glorifica virtudes militares. Maom\u00e9 seria recordado como guerreiro e h\u00e1bil comandante militar, e o Alcor\u00e3o e outros textos religiosos mu\u00e7ulmanos conteriam poucas proibi\u00e7\u00f5es \u00e0 viol\u00eancia.<strong>\n2\u00ba.<\/strong>\u00a0Os contatos pr\u00f3ximos com os mais variados povos e culturas, por causa da grande extens\u00e3o da expans\u00e3o isl\u00e2mica por terra, teria provocado choques por convers\u00e3o ou conquista. Esses choques se dariam pela continuidade e proximidade f\u00edsica dos contatos interculturais, enquanto a expans\u00e3o do Ocidente, por ter-se dado pela via mar\u00edtima, evitaria esses conflitos.<strong>\n3\u00ba.<\/strong>\u00a0A alegada \u201cindigestibilidade\u201d dos mu\u00e7ulmanos, tanto em situa\u00e7\u00f5es nas quais s\u00e3o minoria quanto nas quais s\u00e3o maioria. Por ser uma religi\u00e3o absolutista e fundir credo e pol\u00edtica, o islamismo define nitidamente a separa\u00e7\u00e3o entre isl\u00e2micos e n\u00e3o-isl\u00e2micos e assim tem dificuldades em aceitar o outro.<\/blockquote>\n<strong>Existem tamb\u00e9m tr\u00eas fatores de ordem temporal que justificam o aumento da participa\u00e7\u00e3o isl\u00e2mica em conflitos no final do s\u00e9culo XX:<\/strong>\n<blockquote><strong>1\u00ba.\u00a0<\/strong>Como explicado por pr\u00f3prios mu\u00e7ulmanos, as comunidades desta religi\u00e3o foram sistematicamente oprimidas e subjulgadas nos s\u00e9culos XIX e XX, criando uma imagem de debilidade militar, persegui\u00e7\u00e3o, vitimiza\u00e7\u00e3o e humilha\u00e7\u00e3o. Este argumento, contudo, n\u00e3o explica os casos de conflito onde os mu\u00e7ulmanos s\u00e3o maioria.<strong>\n2\u00ba.\u00a0<\/strong>Um fator convincente que pode explicar tanto conflitos intra como extra-isl\u00e2micos \u00e9 a n\u00e3o-exist\u00eancia de um (ou mais) Estado-n\u00facleo na civiliza\u00e7\u00e3o isl\u00e2mica. Nenhum dos estados que aspira a essa posi\u00e7\u00e3o tem for\u00e7a suficiente para mediar conflitos ou atuar com autoridade em nome do Isl\u00e3 em conflitos extra-mu\u00e7ulmanos.<strong>\n3\u00ba.\u00a0<\/strong>Finalmente, a explos\u00e3o demogr\u00e1fica recente nas sociedades mu\u00e7ulmanas criou grandes contingentes de homens jovens desempregados, que formariam uma \u201cfonte natural de instabilidade e viol\u00eancia\u201d, intra e extra-mu\u00e7ulmanos. A despeito das outras causas, \u201cesse fator sozinho muito serviria para explicar a viol\u00eancia nos anos 80 e 90\u201d. O envelhecimento dessa gera\u00e7\u00e3o e um poss\u00edvel desenvolvimento econ\u00f4mico nos pa\u00edses isl\u00e2micos poderiam reduzir a tend\u00eancia mu\u00e7ulmana \u00e0 viol\u00eancia e, por consequ\u00eancia, as guerras de linha de fratura.<\/blockquote>\n<strong>Guerra do Afeganist\u00e3o &#8211; Objetivo<\/strong>\n\nComo anunciado e esperado, os EUA e a Inglaterra lan\u00e7aram um ataque a\u00e9reo contra o\u00a0<strong>Afeganist\u00e3o<\/strong>. Trata-se de uma iniciativa que comporta riscos, tal como adverti no artigo da semana passada.\n\n<strong>A atual fase da guerra tem objetivos mais de propaganda:<\/strong>\u00a0dar uma resposta aos anseios de vingan\u00e7a de uma parte da opini\u00e3o p\u00fablica americana e demonstrar e reafirmar o poderio do pa\u00eds.\n\nMas trata-se de um conflito radicalmente diferente da Guerra do Iraque e da Iugosl\u00e1via.\n\nEstes eram pa\u00edses modernos, com regimes laicos (e com uma vis\u00e3o \u201cracional\u201d) e dotados de uma infra-estrutura urbano-industrial pass\u00edvel de ser atacada por bombardeios.\n\nJ\u00e1 o Afeganist\u00e3o n\u00e3o. O pa\u00eds n\u00e3o tem mais infra-estrutura, e o que foi atingido tem pouco valor. A luta ser\u00e1 em terra, contra mil\u00edcias dispersas e dotadas de uma vis\u00e3o \u201ctribal\u201d do mundo e da estrat\u00e9gia. Trata-se, portanto, muito mais de demonstrar a determina\u00e7\u00e3o americana e de estimular a oposi\u00e7\u00e3o afeg\u00e3 a avan\u00e7ar. Os preparativos diplom\u00e1ticos foram muito apressados e, seguramente, seus resultados n\u00e3o ser\u00e3o s\u00f3lidos, como o tempo vir\u00e1 a demonstrar. Al\u00e9m disso, a estrat\u00e9gia de declarar que a guerra n\u00e3o \u00e9 contra o povo afeg\u00e3o, nem contra o mundo \u00e1rabe-mu\u00e7ulmano, pouca efic\u00e1cia ter\u00e1 para as popula\u00e7\u00f5es destes pa\u00edses.\n\nDa mesmo forma, lan\u00e7ar bombas e m\u00edsseis, e depois pacotes com mantimentos, \u00e9 algo que raia a ingenuidade pol\u00edtica.\n\nTrata-se de uma guerra do criador contra a criatura, uma vez que os EUA, o Paquist\u00e3o e a Ar\u00e1bia Saudita colocaram o regime Talib\u00e3 no poder, estimularam e armaram o fundamentalismo contra os sovi\u00e9ticos, e deram proje\u00e7\u00e3o a figuras grotescas como Bin Laden (que agora se volta contra eles). Uma situa\u00e7\u00e3o no m\u00ednimo embara\u00e7osa. Por outro lado, a guerra exp\u00f5e pa\u00edses como o Paquist\u00e3o, cuja situa\u00e7\u00e3o interna vir\u00e1 a definir o cen\u00e1rio futuro da regi\u00e3o. O que devemos nos perguntar \u00e9 qual ser\u00e1 a pr\u00f3xima etapa, depois dos bombardeios.\n\n<strong>Como estabilizar o pa\u00eds?<\/strong>\n\n<strong>Quando uma guerra contra o terrorismo ser\u00e1 ganha e quando se encerra?<\/strong>\n\nS\u00e3o perguntas sem respostas.\n\nA nova guerra \u00e9 um conflito Norte-Sul, e n\u00e3o um novo enfrentamento Leste-Oeste (Oriente versus Ocidente). Lamentavelmente, \u00e9 um conflito entre o que de pior h\u00e1 nos pa\u00edses em desenvolvimento com o menos preparado governo que os EUA tiveram nas \u00faltimas d\u00e9cadas.\n\nEste n\u00e3o est\u00e1 avaliando corretamente os custos e as consequ\u00eancias da nova aventura militar.\n\n<strong>Volto a insistir:<\/strong>\u00a0os Talib\u00e3s s\u00e3o qualitativamente diferentes de Saddam Hussein e Milosevic, personagens grandemente previs\u00edveis. Trata-se de um inimigo difuso, orientado por outra l\u00f3gica. Finalmente, iniciar um conflito numa regi\u00e3o t\u00e3o sens\u00edvel do ponto de vista estrat\u00e9gico necessitaria de preparativos mais s\u00e9rios.\n\n<strong>Considero v\u00e1lidas as advert\u00eancias feitas anteriormente:<\/strong>\u00a0h\u00e1 limites s\u00e9rios para esta guerra promovida pelos EUA. Eliminar Bin Laden e sua organiza\u00e7\u00e3o, e derrubar os Talib\u00e3s, n\u00e3o significar\u00e1 o fim desta guerra.\n\n<strong>Guerra do Afeganist\u00e3o &#8211;<\/strong>\u00a0<strong>Conflito<\/strong>\n<p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-157741 aligncenter\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/guerra9.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"181\" \/><strong>Guerra do Afeganist\u00e3o<\/strong><\/p>\n<strong>Guerra do Afeganist\u00e3o<\/strong>, conflito internacional no Afeganist\u00e3o a partir de 2001, que foi desencadeada pela 11 de Setembro e consistiu em tr\u00eas fases.\n\n<strong>A primeira fase derrubando \u2013\u00a0<\/strong>Taliban (a fac\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e religiosa ultraconservadora que governou o Afeganist\u00e3o e desde santu\u00e1rio para a Al-Qaeda, autores dos ataques 11 de setembro) \u2013 foi breve, durando apenas dois meses.\n\nA\u00a0<strong>Guerra Afeg\u00e3<\/strong>, na hist\u00f3ria do Afeganist\u00e3o, o conflito interno que come\u00e7ou em 1978 entre guerrilhas isl\u00e2micas anticomunistas e o governo comunista afeg\u00e3o (auxiliado em 1979-89 pelas tropas sovi\u00e9ticas), levando \u00e0 derrubada do governo em 1992. Mais amplamente, o termo tamb\u00e9m abrange a atividade militar dentro do Afeganist\u00e3o depois de 1992, mas al\u00e9m da Guerra do Afeganist\u00e3o (2001\u201314), uma invas\u00e3o liderada pelos EUA lan\u00e7ada em resposta aos ataques de 11 de setembro nos Estados Unidos em 2001. Por esta defini\u00e7\u00e3o mais ampla, muitos analistas consideram a guerra interna do Afeganist\u00e3o durou at\u00e9 o s\u00e9culo 21 e coincidiu com a guerra do Afeganist\u00e3o liderada pelos Estados Unidos.\n\n<strong>A segunda fase<\/strong>, a partir de 2002 at\u00e9 2008, foi marcado por uma Estrat\u00e9gia norte-americana de derrotar o Taliban militarmente e reconstru\u00e7\u00e3o das institui\u00e7\u00f5es centrais do Estado afeg\u00e3o.\n\n<strong>A terceira fase<\/strong>, uma volta \u00e0 doutrina de contrainsurg\u00eancia cl\u00e1ssico, come\u00e7ou em 2008 e se acelerou com US Pres. Barack Obama 2009 decis\u00e3o de aumentar temporariamente a presen\u00e7a de tropas dos EUA no Afeganist\u00e3o.\n\nA for\u00e7a maior foi usado para implementar uma estrat\u00e9gia de proteger a popula\u00e7\u00e3o dos ataques do Taleban e apoiar os esfor\u00e7os para reintegrar os insurgentes na sociedade afeg\u00e3.\n\nA estrat\u00e9gia veio juntamente com um calend\u00e1rio para a retirada das for\u00e7as estrangeiras do Afeganist\u00e3o; a partir de 2011, as responsabilidades de seguran\u00e7a seriam gradualmente entregues aos militares e a pol\u00edcia afeg\u00e3os.\n\nA nova abordagem em grande parte, n\u00e3o conseguiu atingir os seus objetivos. Ataques insurgentes e as v\u00edtimas civis permaneceu teimosamente alta, enquanto muitas das unidades militares e policiais afeg\u00e3os assumindo fun\u00e7\u00f5es de seguran\u00e7a parecia estar mal preparado para adiar o Taliban.\n\nAt\u00e9 o momento a miss\u00e3o de combate dos Estados Unidos e da OTAN terminou formalmente em dezembro de 2014, a 13 anos de guerra no Afeganist\u00e3o tornou-se a mais longa guerra j\u00e1 travada pelos Estados Unidos.\n\n<strong>Fonte:<\/strong>\u00a0educaterra.terra.com.br\/www.eco.ufrj.br\/www.bbc.com\n\n&nbsp;\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Guerra do Afeganist\u00e3o, Per\u00edodo, Hist\u00f3ria, Sovi\u00e9ticos, Isl\u00e2micos, Mu\u00e7ulmanos, Conflito, Fatores, Pol\u00edtica, Demografia, Causa, Guerra do Afeganist\u00e3o<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":12077,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[57],"tags":[],"class_list":["post-15667","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-historia-geral"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v28.3 - 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