{"id":15401,"date":"2015-12-28T00:00:00","date_gmt":"2015-12-28T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/uncategorized\/imperio-inca-2\/"},"modified":"2026-08-31T23:23:17","modified_gmt":"2026-08-31T23:23:17","slug":"imperio-inca-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/historia-geral\/imperio-inca-2\/","title":{"rendered":"Imp\u00e9rio Inca"},"content":{"rendered":"\n<p align=\"left\"><strong>Imp\u00e9rio Inca &#8211; O que foi<\/strong><\/p>\nO\u00a0<strong>Imp\u00e9rio Inca<\/strong>\u00a0foi o \u00faltimo estado nativo a se desenvolver na Am\u00e9rica do Sul antes que as invas\u00f5es europeias do s\u00e9culo XVI introduzissem a cultura, religi\u00e3o e doen\u00e7as estrangeiras.\n\nCom base em princ\u00edpios comuns a uma tradi\u00e7\u00e3o milenar de estadismo andino, os Incas inovaram e modificaram suas estrat\u00e9gias e pr\u00e1ticas imperiais para dominar um territ\u00f3rio maior e mais ecologicamente diverso &#8211; e para administrar uma popula\u00e7\u00e3o mais numerosa e cosmopolita &#8211; do que qualquer civiliza\u00e7\u00e3o andina anterior.\n\nO\u00a0<strong>Imp\u00e9rio Inca\u00a0<\/strong>foi era o maior imp\u00e9rio da Am\u00e9rica pr\u00e9-colombiana.\n\nEntre todos os povos e culturas da Am\u00e9rica pr\u00e9-colombiana, a regi\u00e3o Andina, \u00e1rea de ocupa\u00e7\u00e3o do\u00a0<strong>Imp\u00e9rio Inca<\/strong>, se destacou pelo alto n\u00edvel de organiza\u00e7\u00e3o social e pol\u00edtica encontrado quando da chegada dos europeus.\n\nNo seu apogeu, o imp\u00e9rio chegou a ocupar mais de um milh\u00e3o e setecentos mil quil\u00f4metros quadrados, o equivalente a aproximadamente 9,5% da \u00e1rea da atual Am\u00e9rica Meridional.\n\nEm meados do s\u00e9culo XIV, o reino foi dividido em duas partes; a civiliza\u00e7\u00e3o, fragilizada, foi invadida pelos espanh\u00f3is e, n\u00e3o suportando a situa\u00e7\u00e3o, entrou em decad\u00eancia.\n\nO centro administrativo, pol\u00edtico e militar do imp\u00e9rio foi localizado em Cusco, no atual Peru.\n\nA\u00a0<strong>civiliza\u00e7\u00e3o Inca<\/strong>\u00a0surgiu das terras altas do Peru em algum momento no in\u00edcio do s\u00e9culo 13.\n\nDe 1438-1533, os Incas usaram uma variedade de m\u00e9todos, da conquista \u00e0 assimila\u00e7\u00e3o pac\u00edfica, para incorporar uma grande por\u00e7\u00e3o do oeste da Am\u00e9rica do Sul, centrado nas cordilheiras andinas, incluindo, al\u00e9m de Peru, grande parte do moderno Equador, oeste e sul regi\u00e3o central da Bol\u00edvia, noroeste da Argentina, norte e centro-norte do Chile e sul da Col\u00f4mbia em um estado compar\u00e1vel aos imp\u00e9rios hist\u00f3ricos de Eurasia.\n\nA\u00a0<strong>l\u00edngua<\/strong>\u00a0oficial do imp\u00e9rio era o qu\u00edchua, embora centenas de l\u00ednguas e dialetos locais de quechua eram faladas.\n\nO\u00a0<strong>Inca<\/strong>\u00a0se refere ao seu\u00a0<strong>imp\u00e9rio<\/strong>\u00a0como Tawantinsuyu que pode ser traduzido como as quatro regi\u00f5es ou as quatro Prov\u00edncias Unidas.\n\nHavia muitas formas locais de culto, a maioria delas relacionadas com locais sagrados \u201cHuacas\u201d, mas a lideran\u00e7a Inca incentivou o culto de Inti \u2013 o deus do sol \u2013 e imp\u00f4s a sua soberania acima dos outros cultos como o da Pachamama.\n\nOs\u00a0<strong>incas<\/strong>\u00a0consideravam seu Rei, o Sapa Inca, para ser o \u201cfilho do sol\u201d. Como as civiliza\u00e7\u00f5es antigas surgiram em todo o planeta h\u00e1 milhares de anos, assim tamb\u00e9m a civiliza\u00e7\u00e3o Inca desenvolveu.\n\nTal como acontece com todas as civiliza\u00e7\u00f5es antigas, suas origens exatas s\u00e3o desconhecidas. Seu registro hist\u00f3rico, como em todas as outras tribos em evolu\u00e7\u00e3o no planeta naquela \u00e9poca, seria registrada atrav\u00e9s da tradi\u00e7\u00e3o oral, pedra, cer\u00e2mica, ouro e j\u00f3ias de prata, e tecida na tape\u00e7aria do povo.\n\nO\u00a0<strong>Inca do Peru<\/strong>\u00a0t\u00eam prendido por muito tempo um fasc\u00ednio m\u00edstico para as pessoas do mundo ocidental. Quatrocentos anos atr\u00e1s, a fabulosa riqueza em ouro e prata possu\u00edda por essas pessoas foi descoberto, em seguida, sistematicamente pilhada e saqueada pelos conquistadores espanh\u00f3is. O esp\u00f3lio eles levaram para casa alterou todo o sistema econ\u00f4mico europeu. E em sua esteira, eles deixaram uma civiliza\u00e7\u00e3o altamente desenvolvida em frangalhos. Que um \u00fanico governo poderia controlar mais diversas tribos, muitos dos quais foram secretadas no mais obscuro dos ref\u00fagios de montanha, foi simplesmente not\u00e1vel.\n\nNingu\u00e9m sabe ao certo onde os Incas veio daquele recorde hist\u00f3rico permanece esculpida em pedra para os arque\u00f3logos a desvendar ao longo dos s\u00e9culos que se seguiram.\n\nO\u00a0<strong>Imp\u00e9rio Inca<\/strong>\u00a0foi de curta dura\u00e7\u00e3o. Durou pouco menos de 100 anos, a partir de ca.1438 dC, quando o Inca Pachacuti governante e seu ex\u00e9rcito come\u00e7ou terras circundantes conquistando o cora\u00e7\u00e3o inca de Cuzco, at\u00e9 a chegada dos espanh\u00f3is, em 1532.\n\nEm 1438 o Inca partiu de sua base em Cuzco em uma carreira de conquistas que, durante os pr\u00f3ximos 50 anos, trouxe sob seu controle a \u00e1rea do atual Peru, Bol\u00edvia, norte da Argentina, Chile e Equador.\n\nDentro desta \u00e1rea, o Inca estabeleceu um estado totalit\u00e1rio que permitiu o governante tribal e uma pequena minoria de nobres a dominar a popula\u00e7\u00e3o.\n\nA maioria dos relatos concordam em treze imperadores. Os imperadores incas eram conhecidos por v\u00e1rios t\u00edtulos, incluindo \u201cSapa Inca\u201d, \u201cCapac Apu\u201d e \u201cIntip Cori\u201d. Muitas vezes, um imperador foi chamado simplesmente de O Inca.\n\nAs primeiras sete eram lend\u00e1rias, local, e de pouca import\u00e2ncia. Durante este per\u00edodo, o Inca eram uma pequena tribo, um dos muitos, cujo dom\u00ednio n\u00e3o se estendeu a muitos quil\u00f4metros em torno de sua capital, Cuzco.\n\nEles foram guerreiros, quase constantemente em guerra com tribos vizinhas. Sacrif\u00edcios rituais eram comuns, evid\u00eancia de que \u00e9 encontrada por arque\u00f3logos at\u00e9 hoje.\n\nCusco foi o centro do Imp\u00e9rio Inca, com sua engenharia hidr\u00e1ulica avan\u00e7ada, t\u00e9cnicas agr\u00edcolas, arquitetura maravilhosa, t\u00eaxteis, cer\u00e2mica e siderurgia.\n\n<strong>Imp\u00e9rio Inca &#8211; Geografia<\/strong>\n\nOs\u00a0<strong>incas<\/strong>\u00a0deu seu imp\u00e9rio o nome, \u2018Terra dos Quatro Cantos \u201cou o Imp\u00e9rio Tahuantinsuyu. Estendia-se de norte a sul cerca de 2.500 quil\u00f4metros ao longo da Cordilheira dos Andes montanhosa alta desde a Col\u00f4mbia at\u00e9 o Chile e chegou a oeste para leste a partir do deserto costeiro seco chamado Atacama para a floresta tropical amaz\u00f4nica fumegante.\n\nOs incas governaram a Cordilheira dos Andes, a segunda em altura e dureza para o Himalaia. A vida cotidiana foi gasto em altitudes de at\u00e9 15.000 p\u00e9s ea vida ritual prorrogado at\u00e9 22.057 p\u00e9s de Llullaillaco, no Chile, o local do sacrif\u00edcio maior Inca conhecida hoje. Estradas de montanha e plataformas de sacrif\u00edcio foram constru\u00eddas, o que significa uma grande quantidade de tempo foi gasto transportar cargas de terra, pedras e grama at\u00e9 estas alturas in\u00f3spitas. Mesmo com nossas roupas de montanhismo e equipamentos avan\u00e7ados de hoje, \u00e9 dif\u00edcil para n\u00f3s, para aclimatar e lidar com o frio e desidrata\u00e7\u00e3o experimentado nas altas altitudes frequentados pelo Inca.\n\nEsta capacidade do Inca sand\u00e1lia vestidos para prosperar em altitudes extremamente altas continua a desconcertar os cientistas hoje.\n\nNo auge de sua exist\u00eancia, o Imp\u00e9rio Inca foi a maior na\u00e7\u00e3o da Terra e continua sendo o maior estado nativo por ter existido no hemisf\u00e9rio ocidental.\n\nA riqueza e sofistica\u00e7\u00e3o do povo Inca lend\u00e1rios atraiu muitos antrop\u00f3logos e arque\u00f3logos para as na\u00e7\u00f5es andinas em uma busca para compreender as formas avan\u00e7adas do Inca e que levou \u00e0 sua morte final.\n\n<strong>Imp\u00e9rio Inca &#8211; Sociedade<\/strong>\n\nA\u00a0<strong>Sociedade Inca<\/strong>\u00a0era composta de ayllus, que foram os cl\u00e3s de fam\u00edlias que viveram e trabalharam juntos. Cada allyu foi supervisionado por um curaca ou chefe.\n\nFam\u00edlias viviam em casas com teto de palha constru\u00eddo de pedra e lama. M\u00f3veis foram desconhecido com as fam\u00edlias sentado e dormindo no ch\u00e3o. Batatas foram um alimento b\u00e1sico Inca.\n\nOs Incas imperiais se vestido com roupas feitas a partir de alpaca e muitas de suas cerim\u00f4nias religiosas envolviam o animal. Eles usavam sand\u00e1lias em seus p\u00e9s.\n\nNa estrutura social Inca, o governante, Sapa Inca, e suas esposas, a Coyas, tinha o controle supremo sobre o imp\u00e9rio. O Sumo Sacerdote e o Comandante-em-Chefe do Ex\u00e9rcito estavam pr\u00f3ximos.\n\nEnt\u00e3o veio a quatro Apus, os comandantes do ex\u00e9rcito regionais. Em seguida eram sacerdotes do templo, arquitetos, administradores e generais do ex\u00e9rcito. Em seguida eram artes\u00e3os, m\u00fasicos, capit\u00e3es do ex\u00e9rcito e da quipucamayoc, os contabilistas incas. No fundo eram feiticeiros, agricultores, fam\u00edlias de pastoreio e recrutas.\n\nA\u00a0<strong>Sociedade Inca<\/strong>\u00a0continuou ininterrupta desta forma por centenas de anos. A apari\u00e7\u00e3o de estranhos de pele clara durante o governo de Atahualpa, no entanto, foi a mudar para sempre as coisas para o Inca.\n\nPraga mortal em breve varrer o imp\u00e9rio Inca. Os que sobreviveram tiveram que enfrentar as espadas e canh\u00f5es dos espanh\u00f3is invasores. Depois de liderar o espanhol para mais ouro do que jamais visto antes, mesmo Senhor Atahualpa foi estrangulado por seus captores espanh\u00f3is.\n\nCada estilo de m\u00e3o-de tecelagem era praticada pelos Incas. Eles usaram isso em vez de escrever em alguns casos. Eles tamb\u00e9m fizeram a cer\u00e2mica muito art\u00edstica.\n\n<strong>Imp\u00e9rio Inca &#8211; Educa\u00e7\u00e3o<\/strong>\n\n<strong>Educa\u00e7\u00e3o Inca durante o tempo do Imp\u00e9rio Inca foi dividido em duas esferas principais:<\/strong>\u00a0a educa\u00e7\u00e3o para as classes altas e educa\u00e7\u00e3o para a popula\u00e7\u00e3o em geral.\n\nAs classes reais e alguns indiv\u00edduos especialmente escolhidos das prov\u00edncias do Imp\u00e9rio foram formalmente educado pela Amawtakuna (fil\u00f3sofo-escolares), enquanto que a popula\u00e7\u00e3o em geral foram passados conhecimentos e habilidades por seus antepassados imediatos.\n\nO Amawtakuna constitu\u00edam uma classe especial de homens s\u00e1bios semelhantes aos bardos da Gr\u00e3-Bretanha. Eles inclu\u00edram fil\u00f3sofos ilustres, poetas e sacerdotes que guardavam as hist\u00f3rias orais dos incas vivos por transmitir o conhecimento de sua cultura, hist\u00f3ria, costumes e tradi\u00e7\u00f5es em todo o reino.\n\nConsiderado dos homens mais altamente educadas e respeitadas no Imp\u00e9rio, a Amawtakuna foram largamente confiada educar aqueles de sangue real, assim como outros membros jovens de culturas conquistadas especialmente escolhidos para administrar as regi\u00f5es. Assim, a educa\u00e7\u00e3o em todo o territ\u00f3rio dos incas era socialmente discriminat\u00f3ria, barrando as bases da educa\u00e7\u00e3o formal que royalties recebidos. O Amawtakuna se garantir que a popula\u00e7\u00e3o em geral aprender qu\u00e9chua como l\u00edngua do Imp\u00e9rio, muito da mesma forma que os romanos promovido Latina em toda a Europa; no entanto, isso foi feito mais por raz\u00f5es pol\u00edticas do que de ensino.\n\n<strong>Imp\u00e9rio Inca &#8211; Casamento<\/strong>\n\nMulheres incas eram tipicamente casado com a idade de dezesseis anos. Na sociedade Inca, devido \u00e0s regulamenta\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas, os homens de baixa patente s\u00f3 poderia ter uma esposa. A aristocracia, come\u00e7ando com o curaca, foram autorizados a exercer a poligamia.\n\nCasamentos experimentais eram t\u00edpicos dentro da cultura Inca. Neste tipo de casamento, o homem ea mulher concordaria em tentar ser casada com um outro por alguns anos. No final deste tempo, a mulher pode ir para casa dos pais, se quisesse, e seu marido tamb\u00e9m poderia mand\u00e1-la para casa, se ele n\u00e3o achava que ele iria trabalhar para fora. No entanto, uma vez que o casamento foi feito final, eles poderiam apenas o div\u00f3rcio, se a mulher n\u00e3o tinha filhos.\n\nAs mulheres quase sempre se casam com homens da mesma classe social que eles. No entanto, ao mesmo tempo que era muito raro para eles para se casar com um homem com uma posi\u00e7\u00e3o social mais elevada, ainda era poss\u00edvel para algumas mulheres jovens. A \u00fanica maneira de um jovem de alterar sua posi\u00e7\u00e3o social seria se um homem de uma classifica\u00e7\u00e3o mais elevada tomava conhecimento dela.\n\nNa sociedade Inca, um casamento n\u00e3o era uma alegre celebra\u00e7\u00e3o. Em vez disso, foi encarado mais como um acordo de neg\u00f3cios como. Portanto, para o Inca, o casamento era um acordo econ\u00f4mico entre duas fam\u00edlias. Uma vez que uma mulher foi casada, ela era esperado para arrecadar alimentos e cozinhar, cuidar de animais e as crian\u00e7as.\n\nObriga\u00e7\u00f5es dom\u00e9sticas de uma mulher n\u00e3o iria mudar depois que ela ficou gr\u00e1vida. Quando ela o fez descobrir que ela estava gr\u00e1vida, ela orou e fez oferendas a um deus inca, KANOPA.\n\n<strong>Imp\u00e9rio Inca &#8211; Idioma<\/strong>\n\nA l\u00edngua inca foi baseada na natureza. Todos os elementos de que dependiam, e at\u00e9 mesmo alguns que n\u00e3o foram dar um car\u00e1ter divino. Eles acreditavam que todas as divindades foram criados por um poderoso, tudo deus cada vez mais duradoura, invis\u00edvel, e nomeado Wiraqocha, ou deus-sol. O rei inca foi visto como Sapan Intiq Churin, ou o Filho \u00danico do Sol\n\n<strong>Imp\u00e9rio Inca &#8211; Religi\u00e3o<\/strong>\n\nNos heterog\u00eaneos Imp\u00e9rio Inca v\u00e1rias religi\u00f5es polite\u00edstas eram praticados por seus diferentes pessoas. A maioria das religi\u00f5es tinham caracter\u00edsticas comuns, tais como a exist\u00eancia de um Pachamama e Viracocha.\n\nOs incas religi\u00e3o controladas para dar a coes\u00e3o imp\u00e9rio com povos conquistados adicionar as divindades incas para seu pante\u00e3o.\n\n<strong>Imp\u00e9rio Inca &#8211; Tawantinsuyu<\/strong>\n\n<strong>Os Precursores dos Incas:<\/strong>\n\nCom o recuo das geleiras e conseq\u00fcente desertifica\u00e7\u00e3o do litoral ocidental da Am\u00e9rica do Sul, algumas tribos n\u00f4mades come\u00e7aram a circular por aquelas regi\u00f5es.\n\nTal fato ocorreu h\u00e1 cerca de 14 mil anos. Essas tribos erravam por caminhos tortuosos, em busca de frutas, ra\u00edzes, \u00e1gua doce e ca\u00e7a.\n<p class=\"imagem\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/iimperi17.jpg\" alt=\"\" width=\"105\" height=\"344\" \/>\n<strong>Est\u00e1tua de pedra de Tiahuanaco <\/strong><\/p>\n<p align=\"center\"><strong>Est\u00e1tua de pedra de Tiahuanaco<\/strong><\/p>\nFoi nesse contexto que surgiram os primeiros ind\u00edcios de civiliza\u00e7\u00e3o na Am\u00e9rica do Sul. Ao que parece, pequenas tribos come\u00e7aram a avan\u00e7ar tecnologicamente, desenvolvendo a agricultura e criando cidades pr\u00f3speras e relativamente grandes no final do terceiro mil\u00eanio antes da era Crist\u00e3.\n\n<strong>Esses povos n\u00e3o tinham muito em comum, apenas um tra\u00e7o muito marcante:\u00a0<\/strong>a religi\u00e3o. Todos os povos adoravam uma divindade zoom\u00f3rfica, com a forma de um jaguar ou puma.\n\nA adora\u00e7\u00e3o dessa divindade foi a respons\u00e1vel pelo maior legado arqueol\u00f3gico dessa \u00e9poca, a constru\u00e7\u00e3o do centro cerimonial de Chavin (n\u00e3o se sabe ao certo como se chamava na \u00e9poca esse centro, devido \u00e0 inexist\u00eancia da linguagem escrita; portanto, ele foi batizado com o nome de um povoado localizado pr\u00f3ximo a suas ru\u00ednas, Chavin de Huantar), por volta de 1800 a.C..\n\nEsse centro cerimonial n\u00e3o consistia numa cidade propriamente dita, mas em uma esp\u00e9cie de sede oficial da religi\u00e3o daqueles povos (bem como o Vaticano \u00e9 a sede da Igreja Cat\u00f3lica).\n\nN\u00e3o se pode chamar Chavin de cidade, pelo fato de que no local n\u00e3o residia ningu\u00e9m al\u00e9m de sacerdotes e seus criados.\n\nTodos os anos, Chavin era visitado por milhares de pessoas, que segundo consta se ofereciam para sacrif\u00edcio em honra do Deus Jaguar. Alguns eram sacrificados e a multid\u00e3o, depois de alguns dias, voltava para suas respectivas cidades. Esse processo desencadeou a expans\u00e3o da divindade do Jaguar por todos os povos dos arredores da cordilheira dos Andes.\n\nAs diversas sociedades andinas, por meio de sua unidade religiosa, mantiveram rela\u00e7\u00f5es ideol\u00f3gicas comuns, sendo orientadas pelos sacerdotes de Chavin.\n\nEntretanto, por motivos ainda obscuros para a Arqueologia, a cultura Chavin entrou em decad\u00eancia no in\u00edcio da era Crist\u00e3, e desapareceu ainda no s\u00e9culo I d.C..\n\nPara ocupar o lugar deixado pela centraliza\u00e7\u00e3o anterior, os diversos povos andinos iniciaram pequenos reinos, dos quais alguns se expandiram para formar verdadeiros Imp\u00e9rios.\n\nAlguns desses reinos t\u00eam muita relev\u00e2ncia para que se compreenda o qu\u00e3o desenvolvidas foram as civiliza\u00e7\u00f5es pr\u00e9-colombianas da Am\u00e9rica. \u00c9 o caso de Nazca, que apesar de estar radicada numa regi\u00e3o de clima hostil conseguiu realizar constru\u00e7\u00f5es que s\u00f3 uma civiliza\u00e7\u00e3o muito bem organizada poderia realizar.\n\n\u00c9 o caso dos chamados Puquios, po\u00e7os em forma de espiral, que se destinavam a fornecer \u00e1gua pot\u00e1vel para as diversas regi\u00f5es da civiliza\u00e7\u00e3o Nazca.\n\nEsses Puquios eram ligados uns nos outros por gigantescas galerias subterr\u00e2neas, que conduziam a \u00e1gua pelo sistema de vasos comunicantes (nos quais a \u00e1gua sempre desce), ou seja, o princ\u00edpio da gravidade.\n\nAt\u00e9 hoje foram encontrados 13 desses Puquios, os quais ainda n\u00e3o formam um consenso entre os especialistas se teriam mesmo sido constru\u00eddos pelos Nazquenhos ou se s\u00e3o obra dos espanh\u00f3is durante o per\u00edodo colonial. Por\u00e9m, a coisa que mais nos intriga quando se diz respeito a Nazca s\u00e3o as linhas de Nazca. Tais linhas representam entidades que inexistem na regi\u00e3o da cidade, como macacos, aranhas e outros.\n\nConsistem em grandes linhas entalhadas no ch\u00e3o que s\u00f3 podem ser observadas por via a\u00e9rea. Por\u00e9m, at\u00e9 o presente momento, n\u00e3o se tem conhecimento de nenhum m\u00e9todo de v\u00f4o inventado por povos da Am\u00e9rica pr\u00e9-colombiana.\n\nOutros dois povos de suma import\u00e2ncia que existiram nesse per\u00edodo foram os Tiahuanaco e os Wari, respectivamente localizados nas margens do lago Titicaca e no vale m\u00e9dio do Mantaro. Juntos, esses povos conseguiram reconstruir a unidade do fragmentado mundo andino. Tiahuanaco foi pouco estudada pelos arque\u00f3logos at\u00e9 hoje, mas sabe-se que sua expans\u00e3o dirigiu-se essencialmente para o sul, tendo sido iniciada no s\u00e9culo VIII de nossa era. Os legados mais fant\u00e1sticos dessa civiliza\u00e7\u00e3o s\u00e3o as grandes constru\u00e7\u00f5es em pedra, como Machu Picchu, e tamb\u00e9m a chamada Porta do Sol, situada numa ilha do lago Titicaca.\n\nAli\u00e1s, a respeito do lago Titicaca \u00e9 interessante dizer que Tiahuanaco era uma cidade que se situava a sua margem. Digo era n\u00e3o porque a cidade est\u00e1 em ru\u00ednas, mas sim porque o lago est\u00e1 diminuindo gradativamente ao longo dos anos, e hoje a cidade dista 20 km dele. Titicaca \u00e9 o lago mais alto do mundo, estando situado a um altitude m\u00e9dia de 4000 m acima do n\u00edvel do mar.\n\nSeu nome significa ?mar do alto, pois suas \u00e1guas s\u00e3o salgadas e sua largura m\u00e1xima chega a 60 km por 250 km de comprimento.\n\nO Imp\u00e9rio Wari teve sua expans\u00e3o no s\u00e9culo IX, sendo portanto mais tardia do que a expans\u00e3o de Tiahuanaco. Sendo assim, a cultura Wari levava em si forte presen\u00e7a cultural de Tiahuanaco, podendo-se dizer que ambos os Imp\u00e9rios difundiram a mesma cultura. O per\u00edodo em que esses dois povos brilharam parece ter sido de grande vigor militar, principalmente no que diz respeito a Wari.\n\nAs cidades do Imp\u00e9rio eram constru\u00eddas geralmente em locais onde fosse poss\u00edvel construir apenas um muro reto, que protegesse a cidade, uma vez que as outras quatro paredes seriam substitu\u00eddas por uma montanha.\n\nOu seja, as cidades Wari eram constru\u00eddas em reentr\u00e2ncias de montanhas.\n\nO territ\u00f3rio influenciado pelos Imp\u00e9rios Wari e Tiahuanaco, no que diz respeito \u00e0 sua cultura, n\u00e3o corresponde ao territ\u00f3rio por eles dominado politicamente, pois sua influ\u00eancia atingia at\u00e9 mesmo regi\u00f5es livres de sua domina\u00e7\u00e3o. Por\u00e9m, ambas as cidades foram capitais de grandes Imp\u00e9rios andinos, precursoras de fato dos Chimu e dos Incas, alvo deste trabalho.\n\n<strong>O Imp\u00e9rio Chimu:<\/strong>\n\nNo s\u00e9culo XII, os Imp\u00e9rios Wari e Tiahuanaco entraram em decad\u00eancia. O motivo disso, tamb\u00e9m devido a n\u00e3o exist\u00eancia de linguagem escrita, \u00e9 desconhecido at\u00e9 os dias de hoje.\n\nO fato \u00e9 que a decad\u00eancia desses novos centralizadores andinos abriu novamente caminho para o surgimento de pequenos reinos, dos quais tr\u00eas tornar-se-iam grandiosos, tornando-se dois deles, com efeito, Imp\u00e9rios.\n\nEsses tr\u00eas reinos a serem destacados s\u00e3o os Chanka, os Chimu, e os Incas. Como se sabe, os Incas constitu\u00edram um imp\u00e9rio e, como nos diz o t\u00edtulo desta parte do trabalho, os Chimu tamb\u00e9m o fizeram.\n\nPortanto, s\u00f3 nos restam os Chanka, que n\u00e3o conseguiram formar um Imp\u00e9rio. Os Chanka eram um povo guerreiro, muito violento, daqueles que na Europa de sua \u00e9poca seria chamado de b\u00e1rbaro.\n\nEles tinham algumas caracter\u00edsticas que os assemelhavam aos D\u00f3rios (\u00faltimo povo a invadir a Gr\u00e9cia no per\u00edodo pr\u00e9-hom\u00e9rico), pois tamb\u00e9m cultuavam a guerra e n\u00e3o costumavam fazer prisioneiros, matando os derrotados em batalhas e com o costume de fazer guerras constantes para obter melhores terras. N\u00e3o me aprofundarei muito por hora no estudo dos Chanka, pois tornarei a falar neles mais adiante, quando sua hist\u00f3ria se misturar a dos Incas.\n\nRetomando, os Chimu foram um pequeno reino que surgiu no litoral do atual Peru (aquele mesmo que no in\u00edcio do item 2 foi descrito como muito seco, at\u00e9 des\u00e9rtico). Os Chimu s\u00e3o oriundos da ba\u00eda de Guayaquil.\n\nEm embarca\u00e7\u00f5es de bambu, eles alcan\u00e7aram por via mar\u00edtima os vales de Chicama, onde fundaram sua primeira cidade. Esta regi\u00e3o, na \u00e9poca da cultura Chavin, foi dominada pelo povo Mochica, que devido a v\u00e1rias guerras foi obrigado a abandonar a \u00e1rea. Os Chimu aproveitaram muitas ru\u00ednas Mochicas no in\u00edcio de sua ocupa\u00e7\u00e3o. Eram ru\u00ednas de constru\u00e7\u00f5es, mas principalmente de redes de irriga\u00e7\u00e3o.\n\nOs novos habitantes reativaram tais redes de irriga\u00e7\u00e3o e as ampliaram, come\u00e7ando assim, no s\u00e9culo XIII, a desenvolver na regi\u00e3o uma nova cultura.\n\nTalvez influenciados pelas estruturas encontradas, os Chimu iniciaram sua expans\u00e3o, no s\u00e9culo XIV, tornando-se um Imp\u00e9rio que, apesar de conterr\u00e2neo e contempor\u00e2neo dos Incas, tinham mais semelhan\u00e7as com as civiliza\u00e7\u00f5es desenvolvidas na Antig\u00fcidade por Eg\u00edpcios e Mesopot\u00e2micos.\n\n<strong>\u00c9 simples:\u00a0<\/strong>o Imp\u00e9rio Chimu tinha muitas, sen\u00e3o todas, as caracter\u00edsticas das chamadas civiliza\u00e7\u00f5es hidr\u00e1ulicas ou ribeirinhas da Antig\u00fcidade Oriental. Podemos comparar (para um efeito de compreens\u00e3o), os Chimu com os antigos Eg\u00edpcios. Assim como os Eg\u00edpcios iniciaram seu desenvolvimento nas imedia\u00e7\u00f5es do Rio Nilo, os Chimu iniciaram o seu pr\u00f3ximo aos rios que nascem na cordilheira dos Andes e descem sua encosta ocidental.\n\nOs Eg\u00edpcios expandiram seus dom\u00ednios por meio de guerras, e para evitar que os inimigos outrora derrotados retomassem as posi\u00e7\u00f5es constru\u00edam fortifica\u00e7\u00f5es nas cataratas do Nilo.\n\nOs Chimu tamb\u00e9m realizaram sua expans\u00e3o pelas guerras, e para impedir a reconquista dos territ\u00f3rios por parte dos inimigos erigiam fortalezas (que acabavam se tornando cidades). Bem como os Eg\u00edpcios, os Chimu tamb\u00e9m criaram sistemas de irriga\u00e7\u00e3o muito avan\u00e7ados (chegando a irrigar uma \u00e1rea muito maior do que a que \u00e9 irrigada hoje na mesma regi\u00e3o), a partir dos quais expandiram seus respectivos Imp\u00e9rios para regi\u00f5es naturalmente des\u00e9rticas ou muito secas.\n\nPor\u00e9m, havia uma grande diferen\u00e7a entre os Eg\u00edpcios e os Chimu. Ela consiste no fato de que o Nilo \u00e9 um dos maiores rios do mundo, e que portanto nunca secaria, enquanto que os riachos dos quais dependia o Imp\u00e9rio Chimu n\u00e3o ofereciam tamanha seguran\u00e7a.\n\nOs Chimu chegaram a dominar quase todo o litoral daquele que posteriormente foi o Imp\u00e9rio Inca.\n\n<strong>Os Incas:<\/strong>\n\nEsta \u00e9 de fato a parte inicial do trabalho, constituindo as anteriores apenas um grande pr\u00f3logo para esta e as pr\u00f3ximas. Ela se encontra dividida em sub-itens, pelo fato de ser muito extensa.\n\nEsta divis\u00e3o proporcionar\u00e1 maior clareza na compreens\u00e3o dos fatos.\n\nInicialmente \u00e9 bom que se explique que o nome do Imp\u00e9rio Inca era Tawantinsuyu, uma palavra Quechua que significa As quatro Terras, ou tamb\u00e9m Os Quatro cantos do Mundo.\n\n<strong>Mas por que esse nome?<\/strong>\n\nA resposta \u00e9 simples, mas ser\u00e1 dada aos poucos, \u00e0 medida que se avan\u00e7a na hist\u00f3ria desse povo maravilhoso que habitou as regi\u00f5es hoje ocupadas por Peru, Bol\u00edvia, Col\u00f4mbia, Chile e Equador.\n\n<strong>A Colcha de Retalhos \u00c9tnica:<\/strong>\n\nAt\u00e9 agora, estudamos v\u00e1rios Imp\u00e9rios que existiram na Am\u00e9rica do Sul, antes dos Incas. Percebemos que esse Imp\u00e9rios n\u00e3o eram Imp\u00e9rios no sentido cl\u00e1ssico da palavra, pois na verdade eram apenas grandes reinos.\n\nAntes de continuarmos, \u00e9 bom que se esclare\u00e7am os conceitos. Reino \u00e9 uma extens\u00e3o de terra, cont\u00ednua ou n\u00e3o, que se encontra sob a autoridade de um monarca. Um bom exemplo de Reino \u00e9 a Inglaterra, que apesar de todas as suas terras n\u00e3o serem cont\u00ednuas, elas est\u00e3o sob a autoridade de seu monarca.\n\nEntretanto, Imp\u00e9rio \u00e9 a designa\u00e7\u00e3o de uma extens\u00e3o de terras, cont\u00ednuas ou n\u00e3o, a qual est\u00e1 dividida por v\u00e1rios monarcas que juram vassalagem a um, o Imperador.\n\nUm bom exemplo de Imp\u00e9rio foi o Sacro Imp\u00e9rio Romano-Germ\u00e2nico, aonde os v\u00e1rios senhores feudais, muitas vezes reis, juravam vassalagem ao Imperador. Baseados nesses crit\u00e9rios, podemos concluir que o Imp\u00e9rio do Brasil na verdade n\u00e3o foi um Imp\u00e9rio, mas sim um Reino, pois toda a extens\u00e3o de terra estava sob as ordens do Imperador.\n\nPois bem, o Imp\u00e9rio Inca, como perceberemos, foi talvez o melhor exemplo de Imp\u00e9rio que j\u00e1 existiu. A etnia Inca, cuja origem \u00e9 a cidade de Cuzco, realizou sua expans\u00e3o, dominando outras cidades e povos, sendo estes subjugados e obrigados a jurar lealdade ao Imperador (que no Imp\u00e9rio Inca, recebia o nome de Inka (na verdade, a grafia poderia ser com ?C? tamb\u00e9m, mas optamos aqui por escrever com ?K?, para facilitar a compreens\u00e3o)).\n\nEntretanto, os antigos governantes dos povos conquistados n\u00e3o eram depostos de seus cargos, uma forma de o Inka demonstrar sua bondade. Os governantes tribais (chamados de caciques entre os \u00edndios brasileiros, eram conhecidos como kurakas entre os \u00edndios andinos), passavam a ser uma esp\u00e9cie de prefeito da nova cidade conquistada pelos Incas.\n\n\u00c9 claro que com essa pol\u00edtica os Incas mantiveram as diversas tribos que compunham seu Imp\u00e9rio fortes, com a manuten\u00e7\u00e3o de seus costumes antigos.\n\nIsso tamb\u00e9m alimentava as esperan\u00e7as dos kurakas de obter seu antigo dom\u00ednio de volta, como era antes, e n\u00e3o sob tutela Inca. Por isso, quando os espanh\u00f3is chegaram os kurakas se uniram a eles contra os Incas e a anexa\u00e7\u00e3o do Imp\u00e9rio tornou-se mais f\u00e1cil do que seria se a pol\u00edtica fosse diferente.\n\n<strong>Sol, sempre o Sol:<\/strong>\n\nEm muito povos antigos, o Sol se tornou um dos principais, sen\u00e3o o principal Deus. Foi assim com os ind\u00edgenas brasileiros, que tinham em Tup\u00e3, seu Deus m\u00e1ximo, sendo que este simbolizava o Sol; com os Astecas, que tinham em Uitzilopochtli, o Sol, sua divindade suprema; os Eg\u00edpcios, que tinham em \u00c1mon-R\u00e1, o Sol, e \u00c1ton, o c\u00edrculo solar, algumas de suas principais divindades.\n\nN\u00e3o poderia ser diferente com os Incas, que consideravam o Intip (Sol), o Deus supremo de seu pante\u00e3o. Bem como os fara\u00f3s Eg\u00edpcios, os Inka tamb\u00e9m era uma divindade, sendo portanto o Imp\u00e9rio uma Teocracia (forma de governo caracter\u00edstica da Antig\u00fcidade, em que o chefe de governo \u00e9 considerado uma divindade).\n\nO Inka era o filho do Sol (Intip churin), e como tudo pertencia ao Sol, ent\u00e3o tudo pertencia ao Inka. Desde as terras, at\u00e9 a vida das pessoas. Ningu\u00e9m podia tocar no Inka, nem sequer fitar seus olhos.\n\nQuando ele fazia alguma apari\u00e7\u00e3o p\u00fablica, todos, exceto aqueles a quem ele pr\u00f3prio liberasse da obriga\u00e7\u00e3o, deviam deitar-se no ch\u00e3o, com a cabe\u00e7a voltada para este.\n\nQuando os Incas conquistavam novos povos, assim como obrigavam seu governante a jurar lealdade ao Inka tamb\u00e9m sobrepunham Intip aos deuses locais, criando ent\u00e3o uma hierarquiza\u00e7\u00e3o religiosa pr\u00f3pria em cada lugar. Assim, a \u00fanica coisa que todas as diversas organiza\u00e7\u00f5es religiosas tinham em comum era o Intip como Deus principal.\n\nAs demais divindades da etnia Inca eram em sua maioria as montanhas. Cada montanha simbolizava um Deus, como se dentro de cada uma existisse uma divindade. Os Deuses montanhas eram chamados de Apus (a palavra Apu, quer dizer rico. Portanto, al\u00e9m dos Deuses montanhas ela tamb\u00e9m designava os quatro Reis do Imp\u00e9rio, cuja fun\u00e7\u00e3o explicaremos mais adiante).\n\nAl\u00e9m do Intip, uma divindade comum a quase todas as culturas andinas da \u00e9poca Inca era Wiraqocha. Ele \u00e9 o Deus do mar, sendo representado pelas espumas mar\u00edtimas. \u00c9 uma divindade muito antiga, provavelmente uma heran\u00e7a da Cultura Chavin. Existia uma cren\u00e7a no Imp\u00e9rio Inca de que um dia o Deus Wiraqocha viria para trazer a paz e a justi\u00e7a ao Imp\u00e9rio; por isso, sempre eram feitas oferendas, inclusive na forma de sacrif\u00edcios humanos, para apaziguar o Deus.\n\n<strong>O Tawantinsuyu:<\/strong>\n\nO nome do\u00a0<strong>Imp\u00e9rio Inca<\/strong>\u00a0era Tawantinsuyu. Uma vez que j\u00e1 tamb\u00e9m j\u00e1 foi mencionada a tradu\u00e7\u00e3o da palavra, vamos agora desmembr\u00e1-la, para explicar a divis\u00e3o Imperial. Tawantin significa quatro, o n\u00famero 4, e suyu significa terra, ou terras (nas vezes em que coloco a letra S no final de palavras quechuas. Fazemos isso apenas para facilitar a sua leitura, pois o plural nessa l\u00edngua n\u00e3o era feito dessa forma).\n\nDepois que Pachukuti, o nono Inka, iniciou de fato a expans\u00e3o territorial do Reino de Cuzco, o Tawantinsuyu come\u00e7ou a se formar. Sua divis\u00e3o \u00e9 simples. Os Incas consideravam Cuzco, sua capital, como sendo o cora\u00e7\u00e3o do mundo.\n\n<strong>Sendo assim, pela cidade passavam duas linhas imagin\u00e1rias em diagonal:<\/strong>\u00a0uma que ia de noroeste para sudeste, e outra que ia de nordeste para sudoeste dos seus dom\u00ednios. Sendo assim, o Imp\u00e9rio ficava dividido em quatro partes (suyus).\n\nO suyu do norte recebia o nome de Chicasuyu; o do sul era chamado Kollasuyu; o do leste, Antisuyu e o do oeste chamava-se Kuntinxuyu. Cada suyu era considerado um Reino independente, sendo governado por um Apu.\n\nExistiam portanto quatro Apus, que deviam obedi\u00eancia ao Inka, constituindo-se assim, um Imp\u00e9rio na concep\u00e7\u00e3o exata da palavra.\n\nOs suyus eram divididos em prov\u00edncias, como grandes estados. Cada prov\u00edncia era administrada por um governador, chamado Tukriquq. Ele morava na cidade principal da prov\u00edncia, que era dividida em diversas regi\u00f5es. Cada regi\u00e3o tinha o governo de um kuraka (antigo chefe da etnia conquistada, a \u00e1rea ocupada anteriormente pela etnia seria a \u00e1rea que o kuraka controlaria; assim, os diversos kurakas se hierarquizavam de acordo com as antigas posses de sua etnia).\n\n<strong>As regi\u00f5es eram divididas em partes:<\/strong>\u00a0podiam ser cidades ou aldeias. Geralmente eram aldeias, pois havia poucas cidades, normalmente uma por regi\u00e3o, na qual morava o kuraka.\n\nAldeias e cidades eram habitadas por ayllus. Estes formavam a base do Tawantinsuyu, representando a uni\u00e3o de familiares e amigos numa esp\u00e9cie de cl\u00e3 que se unia para viver junto e trabalhar com mais efici\u00eancia, tanto para viver melhor quanto para servir melhor.\n\nNo Tawantinsuyu n\u00e3o havia ningu\u00e9m que n\u00e3o tivesse terra. Quando algu\u00e9m nascia, recebia das m\u00e3os do kuraka, um topo, quantidade de terra considerada suficiente para sustentar uma pessoa. Sendo assim, se a fam\u00edlia fosse composta por tr\u00eas pessoas, teria tr\u00eas topos, e assim por diante. Quando uma pessoa morria, seu topo voltava para as m\u00e3os do kuraka, para que ele sempre tivesse terras dispon\u00edveis para dar aos rec\u00e9m-nascidos. A riqueza de um fam\u00edlia era indicada pela quantidade de pessoas que ela tivesse, ou seja, quanto maior a fam\u00edlia, mais topos e mais riqueza.\n\nOs tr\u00eas principais pontos de import\u00e2ncia dos ayllus, e consequentemente da sociedade Inca, eram a mita, a minga, e principalmente o ayni. Para este \u00faltimo faremos um sub-item especial.\n\n<strong>Primeiramente falemos da menos importante das tr\u00eas<\/strong>: a minga. A minga era um costume popular que at\u00e9 hoje \u00e9 de certa forma utilizado n\u00e3o s\u00f3 no Peru, mas tamb\u00e9m em v\u00e1rios pa\u00edses, o Brasil inclusive.\n\nEla consiste num trabalho pago com uma festa. Daremos um exemplo atual. Suponhamos que em um conjunto habitacional brasileiro de classe humilde \u00e9 realizado um mutir\u00e3o para a constru\u00e7\u00e3o da casa de algu\u00e9m.\n\nQuando esta fica pronta, o dono geralmente d\u00e1 uma festa de inaugura\u00e7\u00e3o da casa, onde fornece comes e bebes para agradecer aos amigos que o ajudaram a construir a nova moradia.\n\nIsso no Tawantinsuyu era chamado de minga, muito usada como forma dos membros de um mesmo ayllu se ajudarem.\n\nJ\u00e1 a mita n\u00e3o era uma institui\u00e7\u00e3o t\u00e3o simples. Sua abrang\u00eancia poderia chegar a todo o Tawantinsuyu. Poderia ser convocada pelo kuraka, Tukriquq, Apu ou at\u00e9 pelo pr\u00f3prio Inka.\n\nUma mita consistia num grande conglomerado de pessoas reunidas com o intuito de realizar uma grande obra estatal (as mitas Incas se assemelham ao costume que os Eg\u00edpcios tinham de, em certas \u00e9pocas do ano, pagar seus tributos oferecendo-se para a constru\u00e7\u00e3o de grandes obras para o Estado). Quando os espanh\u00f3is conquistaram o Tawantinsuyu, eles mantiveram ativa a tradi\u00e7\u00e3o da mita, pois assim poderiam utilizar os \u00edndios ao inv\u00e9s de ter que buscar negros na \u00c1frica para trabalhar em suas minas de ouro e prata.\n\n<strong>O Ayni:<\/strong>\n\nO ayni era a principal virtude dos ayllus. Sua descri\u00e7\u00e3o pode parecer muito simples, como realmente \u00e9, mas nem por isso ele \u00e9 menos importante. Gra\u00e7as ao ayni, a grande maioria dos kurakas aceitava sem maiores problemas a condi\u00e7\u00e3o de s\u00fadito do Inka.\n\n<strong>\u00c9 simples:<\/strong>\u00a0ayni significa reciprocidade.\n\nMas n\u00e3o uma reciprocidade do tipo toma l\u00e1, d\u00e1 c\u00e1, uma vez que isso constituiria um com\u00e9rcio, e n\u00e3o existia com\u00e9rcio no Tawantinsuyu.\n\n<strong>Tal reciprocidade funcionava da seguinte maneira:<\/strong>\u00a0para pagar um favor que lhe foi feito, voc\u00ea tem que fazer o favor em dobro para a outra pessoa.\n\nPor isso, os kurakas sempre se mostravam prontos para servirem ao Inka, pois sabiam que receberiam em dobro tudo o que fizessem. Mas o ayni n\u00e3o funcionava apenas entre as autoridades do Tawantinsuyu, mas entre toda a popula\u00e7\u00e3o do Imp\u00e9rio.\n\n<strong>Controle do m\u00e1ximo de n\u00edveis ecol\u00f3gicos:<\/strong>\n\nO\u00a0<strong>Tawantinsuyu<\/strong>\u00a0estendeu-se por uma vasta \u00e1rea que ia desde a floresta Amaz\u00f4nica at\u00e9 o oceano Pac\u00edfico. Sendo assim, nele existiam v\u00e1rios tipos de climas e solos, bem como uma variedade muito grande de recursos minerais. \u00c9 claro que n\u00e3o existia em todo o Imp\u00e9rio uma s\u00f3 regi\u00e3o que fosse auto-suficiente, por isso era necess\u00e1rio um grande interc\u00e2mbio de g\u00eaneros aliment\u00edcios.\n\nOu seja, cada regi\u00e3o se empenhava em produzir muito daquilo que estava mais habilitada a produzir, havendo assim grande excedente a ser enviado para outras regi\u00f5es do Tawantinsuyu.\n\n<strong>Mas como esse excedente seria enviado para a regi\u00e3o que de fato precisasse dele?<\/strong>\n\n\u00c9 resposta dessa pergunta \u00e9 o que realmente afirmava o poder do Inka. Todos os anos, todos os kurakas do Tawantinsuyu se dirigiam para Cuzco levando consigo os excedentes de suas regi\u00f5es. Na capital, eram recebidos pelos Inka, e ficavam hospedados em suas pr\u00f3prias casas na capital (cada kuraka tinha uma casa na capital para ficar nestas viagens e em eventuais outras). Realizava-se ent\u00e3o o Intip Raymin (Festa do Sol), principal festa Inca, quando o Inka sacrificava uma lhama para o Sol em troca de mais um ano de fartura e prosperidade (essa festa ainda ocorre todos os anos, no dia 24 de junho, em Cuzco).\n\nDepois das festividades, o Inka dividia a comida entre as regi\u00f5es de forma que todas recebessem tudo o que n\u00e3o produzem. As festividades se encerravam e os kurakas iam-se embora.\n\nAlguns aproveitavam para dar presentes ao Inka ou para fazer algum pedido ou reclama\u00e7\u00e3o.\n\nTudo isso s\u00f3 eram poss\u00edvel porque os Incas tinham o ideal de controle do maior n\u00famero de pisos ecol\u00f3gicos, desde as montanhas mais altas at\u00e9 as praias, passando pela floresta.\n\n<strong>Cuzco:<\/strong>\n\nA\u00a0<strong>cidade de Cuzco\u00a0<\/strong>foi a capital do Tawantinsuyu durante sua \u00e9poca de expans\u00e3o, deixando de s\u00ea-lo na \u00e9poca de seu maior esplendor.\n\nInicialmente a cidade era apenas um ca\u00f3tico vilarejo fortificado e dividido em duas partes compostas por quatro sub-partes. Ela permaneceu nessa condi\u00e7\u00e3o at\u00e9 que Pachakuti (que j\u00e1 foi citado anteriormente) realizou com perfei\u00e7\u00e3o o plano de reurbaniza\u00e7\u00e3o de Cuzco.\n\nA nova cidade projetada por Pachakuti, e que teve sua reforma continuada por seus sucessores, consistia numa miniatura do Tawantinsuyu. Ela era dividida em quatro partes. Cada Apu morava na parte que governava; em cada parte existia uma casa para cada Tukriquq e para cada kuraka do suyu correspondente. Em Cuzco tamb\u00e9m se localizava o templo m\u00e1ximo da religi\u00e3o Inka, o Coricancha (lugar do ouro). Inicialmente o Coricancha chamava-se Intipcancha (lugar do Sol), mas depois da reforma de Pachakuti o lugar ficou totalmente coberto de ouro, e o Inka achou por bem passar a cham\u00e1-lo de Coricancha.\n\nO Templo era o centro da cidade, e sobre ele \u00e9 que se cruzavam as linhas imagin\u00e1rias que dividiam o Tawantinsuyu; com efeito, o Coricancha era o ?umbigo? do Imp\u00e9rio.\n\nO culto ao Deus Jaguar, de Chavin, parece n\u00e3o ter sido esquecido ao longo do tempo, pois a reforma de Pachakuti fez de Cuzco, uma cidade em forma de jaguar sentado sobre as patas traseiras, olhando para o Antisuyu.\n\n<strong>Os altos funcion\u00e1rios:<\/strong>\n\n<strong>Al\u00e9m dos j\u00e1 mencionados Tukriquqs, tamb\u00e9m existiam outros funcion\u00e1rios da maior import\u00e2ncia:<\/strong>\u00a0os Wakas e os Kipukamayoqs. Os primeiros eram os sacerdotes da etnia Inca, e tinham ente si diversos graus de hierarquia, sendo que o Grande Sacerdote era o respons\u00e1vel pela transmiss\u00e3o do poder Imperial ao pr\u00f3ximo Inka.\n\n<strong>Os Kipukamayoqs eram os recensiadores do Tawantinsuyu, respons\u00e1veis n\u00e3o apenas por contar a popula\u00e7\u00e3o mas tamb\u00e9m por contar tudo:\u00a0<\/strong>a quantidade de ouro extra\u00edda de determinado lugar, madeira cortada, comida produzida etc.\n\nEles realizavam tais contas atrav\u00e9s dos Kipus (forma de contagem Inca.\n\n<strong>J\u00e1 que n\u00e3o conheciam a escrita, os Incas desenvolveram uma maneira de contar sem ela:\u00a0<\/strong>consistia em n\u00f3s dados em cordas amarradas a uma corda maior, semelhante a um \u00e1baco oriental).\n\nAl\u00e9m desses funcion\u00e1rios, devemos destacar alguns outros de import\u00e2ncia menor mas realmente fundamentais. Atuavam como os historiadores, respons\u00e1veis apenas por transmitir a cultura, as tradi\u00e7\u00f5es Incas antigas e a trajet\u00f3ria dos antepassados \u00e0s pr\u00f3ximas gera\u00e7\u00f5es. Sua mem\u00f3ria tinha que ser impec\u00e1vel, j\u00e1 que n\u00e3o existia a escrita para auxili\u00e1-los em seu trabalho.\n\n\u00c9 gra\u00e7as a esses historiadores Incas que hoje n\u00f3s conhecemos a hist\u00f3ria desse povo. Caso contr\u00e1rio ter\u00edamos um conhecimento muito inferior de seu glorioso Imp\u00e9rio, pois este seria fruto apenas da Arqueologia e da tradi\u00e7\u00e3o oral de pessoas comuns.\n\nPor fim, devemos ressaltar a import\u00e2ncia do sistema de correios do Tawantinsuyu. Era um sistema muito mais eficiente do que qualquer outro que lhe foi anterior ou contempor\u00e2neo, em qualquer parte do mundo.\n\nV\u00e1rios homens chamados chaskis se distribu\u00edam ao longo das estradas e cada um cobria uma \u00e1rea de aproximadamente 3 km. Quando era preciso enviar alguma informa\u00e7\u00e3o, ia-se at\u00e9 o chaski da cidade e dizia-se-lhe o que era e a quem se destinava. O chaski pegava a mensagem, corria at\u00e9 o pr\u00f3ximo chaski na estrada e transmitia-lhe a informa\u00e7\u00e3o, que ia sendo passada de um para o outro at\u00e9 chegar ao seu destino final, como na brincadeira do ?telefone sem fio?.\n\n<strong>Os Yanas:<\/strong>\n\nMuitos pensam que o Tawantinsuyu foi um grande Imp\u00e9rio escravista. Isso porque os espanh\u00f3is, quando o descobriram, pintaram essa imagem para o mundo, uma vez que cerca de 5% da popula\u00e7\u00e3o imperial Inka era composta por Yanas.\n\n<strong>Mas o que eram de fato os Yanas?<\/strong>\n\nOs Yanas eram realmente escravos; n\u00e3o tinham direito nem sequer ao topo de terra que todos tinham, eram obrigados a servir at\u00e9 a morte em um regi\u00e3o totalmente desconhecida daquela que habitava inicialmente e n\u00e3o podia ter nenhum bem pessoal. Eles n\u00e3o eram escravos particulares, mas sim escravos do Estado.\n\n<strong>Mas se eles eram assim, ent\u00e3o por que n\u00e3o podemos dizer que o Tawantinsuyu foi um Imp\u00e9rio escravista?<\/strong>\n\n\u00c9 porque nos Imp\u00e9rios escravistas a produ\u00e7\u00e3o da m\u00e3o-de-obra escrava torna-se indispens\u00e1vel para o andamento do Imp\u00e9rio.\n\nNo entanto, no Tawantinsuyu a condi\u00e7\u00e3o de Yana era mais um castigo para a pessoa do que uma necessidade produtiva do Imp\u00e9rio.\n\n<strong>Quando e por que uma pessoa se tornava um Yana?<\/strong>\n\nEra condenado \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de Yana aquele ou aquela que se revoltasse contra o Inka.\n\n<strong>Vejamos:<\/strong>\u00a0um kuraka que se negasse a obedecer ordens do Tukriquq, do Apu ou do Inka poderia ser destitu\u00eddo de seu cargo e mandado para uma regi\u00e3o bem distante da sua, para servir de Yana por um certo tempo, ou (na maioria das vezes) at\u00e9 a morte. Esse castigo tamb\u00e9m era usado para todos os l\u00edderes militares (que n\u00e3o morressem na batalha) de um povo rec\u00e9m dominado. Somente o kuraka era poupado, e isso se aceitasse o dom\u00ednio do Inka. A pessoa era enviada para um regi\u00e3o distante, pois assim n\u00e3o conheceria o dialeto local (o quechua era o idioma da etnia Inca; a maioria das etnias tinha um idioma pr\u00f3prio, por\u00e9m o quechua era o idioma universal do Imp\u00e9rio), tendo dificuldades em se expressar.\n\nAl\u00e9m disso, na maioria das vezes a pessoa condenada a ser Yana era um l\u00edder em seu povo, e se permanecesse no local a puni\u00e7\u00e3o poderia n\u00e3o ser cumprida.\n\nA condi\u00e7\u00e3o de Yana, diferentemente da de escravo, n\u00e3o era heredit\u00e1ria; ou seja, a pessoa transferida para outra regi\u00e3o iria ser Yana at\u00e9 a morte, mas seus descendentes estariam livres para recome\u00e7arem vida nova, no novo lugar. \u00c0s vezes, quando o Inka percebia a possibilidade de um levante iminente em determinada regi\u00e3o, fazia uma transfer\u00eancia dos ayllus quebrando-os e sem transformar seus membros em Yanas. Assim, caso as pessoas quisessem se reencontrar, demorariam meses, e o levante estaria esmagado antes de principiar. O Inka que mais utilizou esta chamada pol\u00edtica de deslocamentos foi Wayna Kapaq, o d\u00e9cimo primeiro Inka.\n\n<strong>As Panakas:<\/strong>\n\nAs Panakas eram as fam\u00edlias nobres do Tawantinsuyu. Os membros dessas fam\u00edlias tinham la\u00e7os de parentesco em maior ou menor grau, mas todas as Panakas eram rivais. Quando um Inka ascendia ao poder, ele se auto-declarava um wakcha (\u00f3rf\u00e3o, ou pobre). Isso consistia numa tradi\u00e7\u00e3o, pois o pai do Inka era o Sol, n\u00e3o um Inka anterior a ele. Sendo assim, sua fam\u00edlia passaria a ser composta por ele, seus filhos e suas esposas. Quando de sua morte, um de seus filhos o sucede no poder, (escolhido de maneira que citaremos mais \u00e0 frente), declarando-se wakcha tamb\u00e9m. Ent\u00e3o, suas mulheres e os filhos que n\u00e3o foram escolhidos como Inka, mumificam seu corpo e passam a morar em seu pal\u00e1cio, com a miss\u00e3o eterna de proteger o corpo. Se este for uma vez for profanado, ou destru\u00eddo, a fam\u00edlia deixar\u00e1 de ser nobre.\n\nEm contrapartida, o novo soberano, por ser wakcha, ou seja, pobre tamb\u00e9m, recebe apenas o trono. Assim, tem que construir um novo pal\u00e1cio, que ser\u00e1 o lar de sua Panaka e de seu corpo por toda a eternidade.\n\nAs m\u00famias tinham suas cabe\u00e7as raspadas, pois seus cabelos eram colocados em est\u00e1tuas de barro feitas \u00e0 imagem e semelhan\u00e7a do soberano morto; est\u00e1tuas estas que ficavam expostas \u00e0 visita\u00e7\u00e3o p\u00fablica no hall de entrada do Coricancha e eram vestidas com as roupas do Inka morto.\n\n<strong>Os Inkas e seus feitos:<\/strong>\n\nEsta \u00e9 a parte em que contaremos a hist\u00f3ria da civiliza\u00e7\u00e3o Inca propriamente dita. Para faz\u00ea-lo, a melhor maneira que encontramos foi por meio da biografia dos Inkas, pois a hist\u00f3ria desse povo se confunde, e muito, com a hist\u00f3ria de seus governantes.\n\nAntes de come\u00e7ar \u00e9 interessante que se observe o sistema de sucess\u00e3o do Inka.\n\nComo j\u00e1 foi dito, o novo Inka declara-se wakcha e forma sua pr\u00f3pria Panaka.\n\n<strong>Mas qual dos filhos do antigo soberano \u00e9 o escolhido para suced\u00ea-lo?<\/strong>\n\nBem, primeiramente, \u00e9 bom que se ressalte que o parentesco por parte de m\u00e3e \u00e9 importante na decis\u00e3o. Como j\u00e1 mencionamos, todas as Panakas t\u00eam la\u00e7os de parentesco entre si.\n\nIsso porque um Inka n\u00e3o se casa com uma mulher do povo, mas somente com uma nobre, ou seja, com uma pertencente de Panaka. Como o Inka podia ter v\u00e1rias mulheres (a poligamia s\u00f3 era permitida ao Inka, sendo a monogamia a regra no Tawantinsuyu), cada filho dele poderia ser descendente de uma Panaka diferente. Quando o Inka morria, os seus filhos maiores de dezoito anos reuniam as Panakas das quais eram representantes (sendo que cada Panaka podia ter no m\u00e1ximo um representante) e requeriam apoio militar junto a elas.\n\nEstas forneciam tal apoio, e os pr\u00edncipes iam para a guerra. O Tawantinsuyu chegava a ficar v\u00e1rios anos mergulhado numa anarquia profunda, enquanto os pr\u00edncipes guerreavam. Nesses per\u00edodos, a maioria dos povos conquistados se rebelava, sendo depois reconquistada pelo novo Inka.\n\nDepois que um dos pr\u00edncipes matava os demais concorrentes, provava que era o escolhido, e recebia a Maskapaicha (s\u00edmbolo de poder dos Incas, representada por uma franja escarlate que o soberano coloca no cabelo, deixando-a cair sobre a testa. Receb\u00ea-la \u00e9 ser consagrado como o novo Inka) das m\u00e3os do Grande Sacerdote.\n\nOs pr\u00edncipes que n\u00e3o haviam participado da disputa, juntamente com as esposas do Inka morto, abandonam suas antigas Panakas e formavam uma nova, com o nome do soberano morto.\n\nTodas essas tradi\u00e7\u00f5es t\u00eam um precedente hist\u00f3rico, e os \u00fanicos Inkas que n\u00e3o tiveram que lutar com seus irm\u00e3os pelo poder foram Tupa Inka Yupanki e Pachakuti, al\u00e9m de Manko Kapaq, o fundador de Cuzco e primeiro Inka. Como veremos a seguir, s\u00e3o baseadas na hist\u00f3ria de Manko Kapaq a maior parte das hist\u00f3rias que se tornaram tradi\u00e7\u00f5es Incas.\n\n<strong>Manko Kapaq (Ayar Manko) &lt;1300 a 1320&gt;:<\/strong>\n\nSegundo as tradi\u00e7\u00f5es dos povos andinos, cada povo tem um ancestral. Este homem, ou \u00e0s vezes mulher, teria surgido como num passe de m\u00e1gica em um determinado lugar, o qual era denominado paqarina (local m\u00e1gico, onde o antepassado de um povo, e seus familiares, brotava do ch\u00e3o); deste lugar ele e seus familiares (que tamb\u00e9m teriam surgido no mesmo lugar) teriam sa\u00eddo, e depois de vagar como errantes por um determinado tempo acabariam encontrando um lugar, o qual julgariam ideal para viver. Neste lugar, a pessoa considerada como sendo o ancestral do povo teria fundado uma pequena cidade ou aldeia, tornando-se o chefe local. Esta tradi\u00e7\u00e3o \u00e9 uma forma de os povos criarem para si um princ\u00edpio de hist\u00f3ria, uma vez que n\u00e3o sabe realmente de onde seus ancestrais prov\u00eam. Isso acontecia porque os povos s\u00f3 adquiriam a no\u00e7\u00e3o de que desconheciam seu passado depois que este j\u00e1 se tornara um tanto long\u00ednquo, e as tentativas de resgat\u00e1-lo, baseadas apenas nas tradi\u00e7\u00f5es orais do povo, acabavam, muitas vezes por formar hist\u00f3rias divergentes e confusas no que diz respeito a um mesmo fato da hist\u00f3ria de um povo.\n\n<strong>Mas o que isso tem haver com os Incas?<\/strong>\n\nA verdade \u00e9 que, como a maioria dos povos andinos, sen\u00e3o sua totalidade, os Incas tamb\u00e9m baseavam seu surgimento em um ancestral, Ayar Manko. Ele teria como paqarina a caverna (ou gruta) de Paqariqtampu (situada a cerca de 30 km ao sul de Cuzco).\n\nDe acordo com o imagin\u00e1rio popular Inca, al\u00e9m de Ayar Manko teriam surgido em Paqariqtampu outros tr\u00eas ancestrais de tr\u00eas povos. Esses homens seriam todos irm\u00e3os de Ayar Manko, e se chamariam Ayar Kachi, Ayar Uchu e Ayar Awka. Os quatro n\u00e3o teriam surgido no mesmo momento, assim como tamb\u00e9m n\u00e3o teriam surgido j\u00e1 como adultos. Segundo reza a tradi\u00e7\u00e3o, teriam surgido um de cada vez, ainda beb\u00eas, de dentro da rocha da caverna; junto com eles tamb\u00e9m surgiram algumas irm\u00e3s (que acabaram por n\u00e3o ser ancestrais de nenhum povo), e teriam vivido juntos na caverna at\u00e9 que num dado momento resolveram sair de l\u00e1 e explorar o mundo.\n\nPara os Incas, ao sair de Paqariqtampu os irm\u00e3os rumaram para o norte, mas na viagem Ayar Kachi, o mais velho, regressou para a caverna matricial, tornando-se naquele lugar um Waka, ou sacerdote.\n\nOs outros irm\u00e3os marcharam at\u00e9 chegar ao cume do monte Wanakawri, situado no vale do Huatanay. No topo desse monte, Ayar Uchu teria se petrificado, enquanto que Ayar Manko la\u00e7ava seu bast\u00e3o de ouro repetidas vezes do alto do monte para, onde ele se fincasse, fundar seu povoado. O bast\u00e3o de Ayar Manko se fincou nas terras de Wanaypata, onde o primeiro Inca desceu e tomou posse do territ\u00f3rio. Ayar Manko adotou o nome de Manko Kapaq e, casando-se com sua irm\u00e3 Mama Oqllo, iniciou o povoamento da regi\u00e3o.\n\nO ancestral convenceu popula\u00e7\u00f5es n\u00f4mades locais a se fixarem naquela regi\u00e3o sob sua autoridade, e assim teve in\u00edcio a etnia Inca. Como l\u00edder da etnia, Manko Kapaq recebeu o t\u00edtulo de Inka.\n\nPor\u00e9m, a cidade de Cuzco ainda n\u00e3o estava constru\u00edda.\n\nAs tradi\u00e7\u00f5es Incas acima expostas tornam-se muito confusas quando sobrepostas \u00e0s tradi\u00e7\u00f5es dos outros povos que j\u00e1 habitavam a regi\u00e3o quando da chegada dos Incas.\n\n<strong>Eram tr\u00eas povos:<\/strong>\u00a0ao que parece, um deles considerava como ancestral Ayar Kachi; o outro a Ayar Uchu, e o terceiro a Ayar Awka.\n\n<strong>Mas como \u00e9 poss\u00edvel que os irm\u00e3os de Manko Kapaq sejam ancestrais de outras etnia, sendo que dois deles abandonaram sua marcha (Ayar Kachi, que retornou a Paqariqtampu, e Ayar Uchu, que se petrificou sobre o monte Wanakawri)?<\/strong>\n\nSegundo essa hist\u00f3ria (a dos Incas), somente seria poss\u00edvel que Ayar Awka fosse ancestral de um povo. Mas vejamos como era a tradi\u00e7\u00e3o desses outros tr\u00eas povos, pois assim \u00e9 mais f\u00e1cil explicar o que possivelmente ocorreu. O povo que considerava Ayar Kachi como seu ancestral era o que estava h\u00e1 mais tempo no local e chamava-se Sawasiray.\n\n<strong>Ele eram aliados dos outros dois povos da regi\u00e3o<\/strong>: os Allkawisa, que tinham em Ayar Uchu seu ancestral (por\u00e9m, segundo as tradi\u00e7\u00f5es desse povo, o ancestral n\u00e3o provinha de Paqariqtampu, mas tinha como paqarina o monte Wanakawri); e os Maras, que acreditavam descender de Ayar Awka.\n\nNa realidade, \u00e9 poss\u00edvel que, na hist\u00f3ria inicial dos Incas, Manko Kapaq tivesse realmente feito o que foi descrito acima. Por\u00e9m, ao encontrarem aqueles povos j\u00e1 radicados na regi\u00e3o, os Incas tenham mudado deliberadamente o nome de seus ancestrais (dos outros povos), de modo que sua hist\u00f3ria se encaixa na deles.\n\nMas, como j\u00e1 foi referido, tudo isso n\u00e3o passa de uma especula\u00e7\u00e3o sobre um passado t\u00e3o long\u00ednquo que se torna desconhecido. O que na realidade aconteceu foi o que ser\u00e1 descrito agora.\n\nQuando os Incas chegaram \u00e0 regi\u00e3o encontraram os tr\u00eas povos referidos l\u00e1 radicados.\n\n<strong>Estavam muito perto um do outro e partilhavam, entre outras coisas, o mesmo idioma:<\/strong>\u00a0o quechua (como nos referimos anteriormente, o quechua tornou-se posteriormente o idioma oficial do Tawantinsuyu, mas n\u00e3o era o idioma origin\u00e1rio dos Incas. Eles o aprenderam com os povos aos quais se aliaram, e apesar de depois terem-no aceitado como idioma oficial conservaram at\u00e9 o final do s\u00e9culo XVI o seu idioma origin\u00e1rio (que segundo alguns ling\u00fcistas espanh\u00f3is assemelhava-se muito a um dialeto falado na Amaz\u00f4nia; talvez os Incas sejam provenientes da Amaz\u00f4nia)).\n\nOs Incas, para poderem se radicar na regi\u00e3o, tiveram que aliar-se a esses tr\u00eas povos, formando a chamada Confedera\u00e7\u00e3o Cuzquenha. Manko Kapaq construiu o Intipcancha (que j\u00e1 mencionamos) e fez dele ao mesmo tempo pal\u00e1cio e templo. O povoado Inca se aglomerava ao seu redor. Por serem os mais novos membros da Confedera\u00e7\u00e3o Cuzquenha, os Incas ocupavam uma posi\u00e7\u00e3o inferior em rela\u00e7\u00e3o aos demais tr\u00eas povos.\n\n<strong>A Confedera\u00e7\u00e3o dividia-se em duas metades:<\/strong>\u00a0Hanan e Hurin.\n\nHanan era a metade de cima, rica, forte e poderosa. Faziam parte delas os povos Sawasiray, Allkawisa e Mara. J\u00e1 Hurin era a metade de baixo, pobre, fraca e subalterna. Esta metade era composta pelo povo Inca. Ao que parece, Hanan desempenhava as fun\u00e7\u00f5es pol\u00edtico-religiosas de Cuzco (a Confedera\u00e7\u00e3o Cuzquenha com efeito se tornou a cidade de Cuzco), enquanto que Hurin era respons\u00e1vel pela defesa da Confedera\u00e7\u00e3o. Sendo assim, os primeiros Inkas utilizaram o t\u00edtulo de Sinchi (general), sendo chamados de Inka apenas pela metade de Hurin. Ou seja, Manko Kapaq, apesar de ser o fundador dos Incas, n\u00e3o passou de um Sinchi da Confedera\u00e7\u00e3o Cuzquenha.\n\n<strong>Sinchi Roka &lt;1320 a 1335&gt;:<\/strong>\n\nAntes de descrever este Inka, \u00e9 interessante que se fa\u00e7a um observa\u00e7\u00e3o no que diz respeito \u00e0s datas colocadas ap\u00f3s os nomes dos soberanos. Estas datas s\u00f3 ser\u00e3o precisas de Wayna Kapaq em diante.\n\nNos Inkas anteriores, as datas servem muito para situar o leitor no tempo apenas como no\u00e7\u00e3o, n\u00e3o sendo portanto exatas.\n\nSinchi Roka era filho de Manko Kapaq, e como seu pr\u00f3prio nome nos diz tamb\u00e9m foi um Sinchi, n\u00e3o tendo assim muito poder dentro da Confedera\u00e7\u00e3o Cuzquenha. Seu governo foi relativamente longo, mas n\u00e3o realmente importante no que diz respeito \u00e0 hist\u00f3ria Inca.\n\n<strong>Lloki Yupanki &lt;1335 a 1355&gt;:<\/strong>\n\nJ\u00e1 havia duas Panakas Inkas, quando Lloki Yupanki recebeu a Maskapaicha.\n\nA exemplo de seus predecessores, que n\u00e3o se sabe se foram seus parentes, tamb\u00e9m foi um Sinchi de Cuzco. N\u00e3o fez nada al\u00e9m do que seus dois anteriores fizeram. Como eles, Lloki Yupanki seguiu as ordens de Hanan e garantiu o direito do povo Inka a prestar culto a Intip no Intipcancha.\n\n<strong>Mayta Kapaq &lt;1355 a 1375&gt;:<\/strong>\n\nN\u00e3o foi um Sinchi muito relevante, assim como nenhum outro antes dele. Ocupou seu posto por cerca de vinte anos. Nesse tempo, apenas deu continuidade ao trabalho dos Sinchis anteriores. Mayta Kapak, assim como os sinchi antriores a ele, fez campanhas militares para saquear os povoados vizinhos em busca do butim oriundo do saque, e tamb\u00e9m recha\u00e7ou ataques que Cuzco sofreu em tempos muito hostis.\n\n<strong>Kapaq Yupanki &lt;1375 a 1385&gt;:<\/strong>\n\nKapaq Yupanki teve um governo dos mais ef\u00eameros. N\u00e3o realizou nada em especial, mas tamb\u00e9m n\u00e3o ficou devendo nada em rela\u00e7\u00e3o a seus precedentes.\n\nEle foi o \u00faltimo Inka de Hurin a ser submisso a Hanan. O poder militar adquirido por Hurin, gra\u00e7as a seus cinco Sinchis, colocava a metade outrora fraca e pobre em condi\u00e7\u00f5es de contestar o dom\u00ednio dos sacerdotes de Hanan sobre a Confedera\u00e7\u00e3o Cuzquenha.\n\n<strong>Inka Roka &lt;1385 a 1415&gt;:<\/strong>\n\nInka Roka \u00e9 um dos mais importantes Inkas da hist\u00f3ria Inca. Ele inicialmente foi escolhido como Sinchi de Hurin, por\u00e9m a for\u00e7a que esta metade adquirira durante as chefias dos Inkas anteriores colocou o Sinchi numa posi\u00e7\u00e3o muito confort\u00e1vel.\n\nPor volta de 1395, Inka Roka reuniu seus soldados e liderou uma expedi\u00e7\u00e3o que atacou e dominou as tr\u00eas tribos formadoras de Hanan. Depois, o Inka levou a est\u00e1tua de Manko Kapaq para a parte de cima da cidade, obrigando os antigos dominadores a prestarem culto a Intip e reverenciarem Manko Kapaq.\n\nO Sinchi acumulou as fun\u00e7\u00f5es que pertenciam aos chefes das outras tr\u00eas tribos e unificou-as sob seu dom\u00ednio. Podemos considerar que, a partir da\u00ed, a Confedera\u00e7\u00e3o Cuzquenha acabou para dar lugar a cidade de Cuzco. Aos poucos, os povos de Sawasiray, Allkawisa e Mara foram se fundindo aos Incas de maneira que passaram a constituir uma \u00fanica etnia.\n\nInka Roka foi o primeiro Inka a merecer esse t\u00edtulo em sua \u00edntegra. Depois de unificar Cuzco sob seu dom\u00ednio, partiu em campanha para aumentar a extens\u00e3o territorial de seu poder.\n\nEle chegou a tomar v\u00e1rias aldeias e pequenas cidades pr\u00f3ximas a Cuzco, como Muina e Pinawa.\n\n<strong>Yawarr Waqaq &lt;1415 a 1417&gt;:<\/strong>\n\nSem d\u00favidas, Yawarr Waqaq foi o mais inexpressivo de todos os soberanos Incas. Al\u00e9m de ter tido o mais ef\u00eamero de todos os governos, seu \u00fanico feito relevante foi a perda de todos os territ\u00f3rios que Inka Roka havia anexado. As atitudes erradas do Inka desencadearam uma crise sem precedentes na cidade, fazendo com que, pouco antes de seu governo completar dois anos, ele fosse assassinado por conspiradores.\n\n<strong>Wiraqocha Inka &lt;1418 a 1438&gt;:<\/strong>\n\nEste pode ser considerado o ponto de partida do Tawantinsuyu. Quando Wiraqocha Inka assumiu o poder em Cuzco teve de combater um verdadeira rebeli\u00e3o na cidade. As etnias internas estavam lutando entre si, e havia a freq\u00fcente amea\u00e7a de uma invas\u00e3o externa. Justamente por causa da situa\u00e7\u00e3o periclitante em que se encontravam seus dom\u00ednios, ele adotou o nome de um Deus, Wiraqocha (j\u00e1 fizemos men\u00e7\u00e3o a este Deus anteriormente), o Deus do Mar.\n\nA ado\u00e7\u00e3o do nome fez com que muitos, inclusive os conspiradores que mataram Yawarr Waqaq, acreditassem que se tratava do pr\u00f3prio Deus encarnado. Por isso, as coisas para este Inka tornaram-se mais simples.\n\nEle apaziguou as revoltas internas, deteve as tentativas de invas\u00e3o e iniciou a expans\u00e3o de Cuzco anexando diversas regi\u00f5es pr\u00f3ximas, num raio de 40km. Chegou at\u00e9 a dominar o famoso lago Titicaca.\n\nAo que tudo indica, o per\u00edodo de anarquia que se instaurava ap\u00f3s a morte de um Inka teve seu princ\u00edpio na ascens\u00e3o de Wiraqocha Inka, pois devido ao tumulto causado pelo assassinato de Yawarr Waqaq a anarquia se instaurou e o novo Inka, para poder chegar ao poder, teve que derrotar os conspiradores.\n\nTemeroso de que com sua morte ocorresse um novo per\u00edodo de anarquia, Wiraqocha come\u00e7ou a preparar seu filho mais velho, Urqu, para ser seu sucessor.\n\nPor volta de 1437, chegou a Cuzco a not\u00edcia de que uma grande horda de guerreiros estava se aproximando dos dom\u00ednios do Inka. Eram os Chanka (povo ao qual nos referimos no item sobre o Imp\u00e9rio Chimu), guerreiros natos que estavam em busca de novas terras para seu reino. Em campanha militar h\u00e1 pelo menos cinco anos, vinham conquistando os povos ao sul do Imp\u00e9rio Inca com muita facilidade, devido a sua crueldade e obstina\u00e7\u00e3o na luta. Wiraqocha, j\u00e1 velho (alguns chegam a dizer que Wiraqocha assumiu o poder em 1400 e n\u00e3o em 1418; portanto, todos os fatos teriam 18 anos, em m\u00e9dia, de atraso, se esta corrente estiver correta), decidiu que o melhor a fazer era retirar-se com o maior n\u00famero de pessoas poss\u00edvel para a fortaleza de Calca. L\u00e1 ele pretendia, ainda vivo, entregar a Maskapaicha para Urqu.\n\nSendo assim, antes que os Chanka chegassem Wiraqocha resolveu partir. Pretendia levar toda a sua fam\u00edlia e as Panakas dos Inkas mortos, al\u00e9m do m\u00e1ximo de pessoas que pudesse. Entretanto, seu filho Cusi Yupanki resolveu n\u00e3o abandonar Cuzco. Pediu tropas ao pai e disse que conteria a invas\u00e3o Chanka a qualquer custo. Cusi Yupanki de fato conseguiu conter a invas\u00e3o e, como recompensa, Wiraqocha permitiu que ele reinasse ao seu lado, tornando o Imp\u00e9rio uma diarquia.\n\nNo entanto, Cusi Yupanki n\u00e3o ficou satisfeito com a situa\u00e7\u00e3o, baniu Wiraqocha e tomou para si a Maskapaicha que seria dada ao irm\u00e3o Urqu.\n\n<strong>Pachakuti Inka Yupanki (Cusi Yupanki) &lt;1438 a 1470&gt;:<\/strong>\n\nO princ\u00edpio da hist\u00f3ria deste Inka se confunde muito com o final da hist\u00f3ria do anterior. Cusi Yupanki, conforme j\u00e1 dito, era filho de Wiraqocha Inka, e quando os Chanka come\u00e7aram a invas\u00e3o ao Imp\u00e9rio ele recusou-se a deixar Cuzco com o pai. Com muito custo, conseguiu algumas tropas para poder tentar barrar a invas\u00e3o Chanka.\n\nMas esses ex\u00e9rcitos n\u00e3o eram compostos por muitos homens, Cusi Yupanki precisava de uma estrat\u00e9gia perfeita. N\u00e3o poderia apenas encarar os invasores num embate frontal.\n\nAjudado por dois Sinchi de sua inteira confian\u00e7a, Cusi esperou os Chanka. Quando estes chegaram, tamanha era sua confian\u00e7a na vit\u00f3ria, que se assustaram quando viram um grande contingente de homens (grande, por\u00e9m numericamente muito inferior ao seu) sair de dentro de Cuzco disposto a lutar. O susto inicial fez com que muitos Chankas fossem mortos, expondo a est\u00e1tua de seu ancestral fundador (os Chanka sacramentavam a conquista de um novo territ\u00f3rio colocando nele a est\u00e1tua de seu ancestral fundador). Os Incas, mais do que depressa, apoderaram-se da est\u00e1tua, e isso fez com que os Chanka fugissem aterrorizados para seu acampamento, onde certamente se reorganizariam e desfechariam novo ataque a Cuzco dentro de dois ou tr\u00eas dias.\n\nCusi sabia que, se esperasse um novo ataque, n\u00e3o contaria mais com o elemento surpresa. Resolveu ent\u00e3o atacar os Chanka. Reuniu todos os homens de Cuzco que n\u00e3o tinham abandonado a cidade, convocou muitos homens das etnias dominadas (que haviam prudentemente se mantido neutros na batalha inicial) e marchou rumo ao acampamento dos Chanka. Estes foram novamente pegos de surpresa, e as tropas Incas destru\u00edram suas for\u00e7as. Com a destrui\u00e7\u00e3o da quase totalidade do ex\u00e9rcito Chanka, o Reino deles ficou vulner\u00e1vel. Em fun\u00e7\u00e3o disso, Cusi continuou sua marcha ao inv\u00e9s de bater em retirada para Cuzco, e anexou os antigos dom\u00ednios Chanka aos dos Inkas. Expandiu-se, assim, os dom\u00ednios de sua etnia em dire\u00e7\u00e3o ao sul. De volta a Cuzco, Cusi foi carregado em triunfo e mandou buscar seu pai na fortaleza de Calca. Ele quis atribuir todos os m\u00e9ritos da conquista a Wiraqocha, apesar deste ter abandonado a cidade.\n\nEm troca, Wiraqocha ofereceu a Cusi o direito de reinar a seu lado, transformando o Imp\u00e9rio numa diarquia.\n\n<strong>Cusi aceitou, e estava para ser consagrado como co-monarca quando soube das reais inten\u00e7\u00f5es de seu pai:\u00a0<\/strong>Wiraqocha pretendia matar Cusi e depois entregar a Maskapaicha para Urqu.\n\nTomado pelo \u00f3dio ao pai e ao irm\u00e3o, ent\u00e3o, matou Urqu e afastou Wiraqocha, assumindo a Maskapaicha com o nome de Pachakuti Inka Yupanki, ou apenas Pachakuti (nome em homenagem a um antigo monarca do Imp\u00e9rio Wari, ou ent\u00e3o a um Sinchi de Manko Kapaq).\n\nDepois de ser sagrado Inka, Pachakuti n\u00e3o parou a expans\u00e3o de seus dom\u00ednios. Entregou parte de seus ex\u00e9rcitos a seu irm\u00e3o Kapa Yupanki. Este terminou de anexar o territ\u00f3rio dos Chanka, al\u00e9m de tamb\u00e9m tomar os territ\u00f3rios dos Anqara, Wanka e Wayla. Enquanto isso, Pachakuti tomava os territ\u00f3rios dos Kolla e dos Lupaka, que viviam \u00e0s margens do lago Titicaca.\n\nEntretanto, Kapa Yupanki come\u00e7ou a se julgar poderoso demais, e resolveu marchar rumo a Cuzco, para tomar a Maskapaicha de Pachakuti.\n\nO Inka descobriu os planos do irm\u00e3o e realizou uma campanha militar contra ele, da qual saiu vitorioso matando Kapa Yupanki. Com a not\u00edcia da batalha entre os dois irm\u00e3os, os povos que Kapa Yupanki conquistara aproveitaram para se rebelar. Atacaram inicialmente a cidade de Cajamarca, que se situava a mais de mil quil\u00f4metros de Cuzco, no meio dos dom\u00ednios do povo Wayla.\n\nPachakuti percebeu que a batalha que estava por travar seria a mais dif\u00edcil de todas, pois os Wayla estavam sendo atacados por um outro Imp\u00e9rio que desejava dominar a nascente dos rios que o alimentavam.\n\nTratava-se do Imp\u00e9rio Chimu (o qual j\u00e1 mencionamos anteriormente). O Inka sabia que iria encontrar muitos problemas caso se engajasse numa guerra contra um Imp\u00e9rio t\u00e3o forte. Por isso, decidiu enviar para Cajamarca seu filho Tupa Inka Yupanki.\n\n<strong>Este era o melhor homem para ser enviado, pois al\u00e9m de gostar das artes b\u00e9licas poderia tornar-se uma amea\u00e7a futura aos planos de Pachakuti de deixar em seu lugar seu filho mais velho:<\/strong>\u00a0Amarru Inka Yupanki. Enviar Tupa Yupanki para o campo de batalha era envi\u00e1-lo para a morte certa, se n\u00e3o nas m\u00e3os dos Wayla nas dos Chimu.\n\nCom isso, Pachakuti, no velho ditado popular, ?matava dois coelhos com uma cajadada s\u00f3?.\n\nEnquanto Tupa Yupanki partiu para a guerra, Pachakuti iniciou a reforma de Cuzco, inicialmente um conglomerado habitacional ca\u00f3tico, numa das mais belas obras da arquitetura Inca.\n\n<strong>Tupa Inka Yupanki &lt;1470 a 1493&gt;:<\/strong>\n\nTupa Inka Yupanki, ou apenas Tupa Yupanki, foi talvez o maior conquistador que existiu em toda a Am\u00e9rica pr\u00e9-colombiana. Ele era filho de Pachakuti, e como j\u00e1 explicado no item anterior, foi mandado pelo pai para encontrar a morte na tentativa de defender os limites do Tawantinsuyu. Pachakuti sabia que o Imp\u00e9rio Chimu n\u00e3o se arriscaria a tomar o Tawantinsuyu.\n\nPor isso n\u00e3o fazia muita quest\u00e3o de perder Cajamarca para o inimigo, pois sabia que sua expans\u00e3o rumo ao Tawantinsuyu pararia por ali.\n\nMas Tupa Yupanki n\u00e3o sabia o que viria a encontrar pela frente. N\u00e3o imaginava que se depararia com o Imp\u00e9rio Chimu, pois pensava que teria apenas de conter os ataques dos Wayla a Cajamarca.\n\nNo caminho para esta cidade, Tupa Yupanki apaziguou novamente os Anqara, os Chanka e os Wanka, al\u00e9m de recolher entre as popula\u00e7\u00f5es dominadas mais homens para suas fileiras. Chegando em Cajamarca, encontrou-a cercada pelos Wayla. As poucas tropas Cuzquenhas que l\u00e1 estavam entrincheiradas resistiam bravamente \u00e0 tomada da cidade. Ele organizou e juntou os soldados que l\u00e1 estavam aos seus, desfechando em seguida um ataque que p\u00f4s fim \u00e0s pretens\u00f5es do povo Wayla. Tupa Yupanki achou a miss\u00e3o um tanto f\u00e1cil, pois os ex\u00e9rcitos de Wayla n\u00e3o eram, em sua opini\u00e3o, t\u00e3o numerosos assim. Por\u00e9m, foi informado de que o inimigo n\u00e3o estava com tantos homens em Cajamarca porque seus dom\u00ednios estavam sendo atacados pelo Imp\u00e9rio Chimu.\n\nO jovem pr\u00edncipe resolveu ent\u00e3o aliar-se aos Wayla, propondo defend\u00ea-los dos Chimu. Os Wayla aceitaram ent\u00e3o reconhecer Pachakuti como Inka, caso Tupa Yupanki os livrassem do Imp\u00e9rio Chimu.\n\nTravou-se uma batalha pr\u00f3xima a Cajamarca entre as for\u00e7as Incas e Chimu. Os primeiros, com mais for\u00e7as, venceram.\n\nMas Tupa Yupanki, como bom Sinchi que era, sabia que aquela havia sido apenas uma pequena vit\u00f3ria perto das batalhas que estavam por vir, uma vez que o Imp\u00e9rio Chimu era muito extenso e poderoso e os prod\u00edgios de Minchan Caman, Imperador dos Chimu, eram conhecidos desde Chanchan, capital do Imp\u00e9rio, at\u00e9 os long\u00ednquos pontos dos Andes.\n\nTupa Yupanki tinha conhecimento de que havia provocado a ira do Imp\u00e9rio Chimu. Por isso precisava agir r\u00e1pido, tendo de tomar uma atitude que o permitisse vencer todo o Imp\u00e9rio inimigo.\n\nComo bom estrategista que era, percebeu que o Imp\u00e9rio Chimu era extremamente dependente dos rios que o alimentavam. A partir disso, o pr\u00edncipe percebeu que, por estar situado pr\u00f3ximo das nascentes de tais rios, poderia mudar seus cursos sem muita dificuldade. E foi o que fez. Depois disso, Tupa Yupanki estabeleceu-se em Cajamarca, \u00e0 espera de um ataque. Como este n\u00e3o ocorreu num prazo aproximado de dois meses, ele resolveu pegar seus homens e invadir o Imp\u00e9rio Chimu.\n\n\u00c0 medida que descia a cordilheira, ia encontrando as cidades do Imp\u00e9rio num estado de semi-abandono. Ao que parece, as pessoas foram quase todas embora quando os rios secaram, e as poucas que sobraram n\u00e3o ofereceram muita resist\u00eancia ao dom\u00ednio Inca.\n\nQuando atingiu Chanchan, Tupa Yupanki esperava uma batalha muito grande, mas a que ocorreu nem se aproximou daquela prevista por ele. Com a tomada da capital Chimu, todo o Imp\u00e9rio Chimu curvou-se perante a autoridade de Pachakuti.\n\nDepois de t\u00e3o longa expedi\u00e7\u00e3o, Tupa Yupanki retornou, em 1470 para Cuzco esperando receber os parab\u00e9ns do pai. No entanto foi tratado com hostilidade, j\u00e1 que Pachakuti pretendia entregar a Maskapaicha para Amarru. Dentro dessa situa\u00e7\u00e3o, o pr\u00edncipe achou que a melhor coisa a fazer era depor o pai e tomar-lhe a Maskapaicha, da mesma forma como este j\u00e1 havia feito com Wiraqocha. Por\u00e9m, antes de ser humilhado pela deposi\u00e7\u00e3o, Pachakuti renunciou em favor de Tupa Yupanki, que assumiu o trono.\n\nComo Inka, a sede por conquistas de Tupa Yupanki n\u00e3o cessou. Fez de seu reinado uma sucess\u00e3o de guerras, por meio das quais ampliou os dom\u00ednios do Tawantinsuyu. Tomou v\u00e1rios povos, e consequentemente seus territ\u00f3rios. Por exemplo, os vales de Chincha e Ca\u00f1ete, da cidade (extremamente religiosa) de Pachacamac, as regi\u00f5es de Potos\u00ed, Jujuy e Tucuman e o vale de Maule.\n\n<strong>O Inka tamb\u00e9m aventurou-se com seus ex\u00e9rcitos numa expedi\u00e7\u00e3o contra os Anti (express\u00e3o pejorativa que designa os seguintes povos amaz\u00f4nicos:<\/strong>\u00a0Mashiwenka, Nomashiwenka, Kampa e Amuesha.\n\nA express\u00e3o tamb\u00e9m deu nome a uma das regi\u00f5es do Tawantinsuyu, o Antisuyu, ou Terra dos Anti). N\u00e3o se sabe muito bem o verdadeiro motivo dessa expedi\u00e7\u00e3o (pode ter ocorrido para impedir os ataques desses povos a Cuzco ou tomar-lhes os terrenos produtores de coca), mas o fato \u00e9 que o ex\u00e9rcito de Tupa Yupanki foi dizimado pelas doen\u00e7as da floresta, ataques sorrateiros dos Anti (com t\u00e1ticas de guerrilha na selva) e por muitos soldados terem perdido-se na mata. Entre estes \u00faltimos, o pr\u00f3prio Tupa Yupanki; ele ficou v\u00e1rios meses desaparecido, e as habituais anarquia e luta entre seus filhos se iniciaram. Quando os herdeiros do Inka j\u00e1 se degladiavam para ver quem seria o novo Inka, Tupa Yupanki retornou da mata com os poucos homens que conseguiu salvar.\n\nDevido ao grande fracasso do Inka, na Amaz\u00f4nia, estabeleceram-se muitas lendas a respeito de monstros que impediam o avan\u00e7o de tropas sobre a floresta.\n\nIsso fez com que os dom\u00ednios do Tawantinsuyu nunca penetrassem na mata amaz\u00f4nica.\n\nPor\u00e9m, com o in\u00edcio do processo de escolha do novo soberano, o governo de Tupa Yupanki nunca mais foi o mesmo. Ele come\u00e7ou a sofrer muitas press\u00f5es para renunciar em favor de um de seus filhos, e como n\u00e3o o fez acabou assassinado por opositores em meados de 1493.\n\n<strong>Wayna Kapaq &lt;1495 a 1528&gt;:<\/strong>\n\nWayna Kapaq foi o \u00faltimo Inka antes da chegada dos espanh\u00f3is ao Tawantinsuyu.\n\nDiferentemente de seus predecessores, n\u00e3o havia nascido em Cuzco. Era natural de Tumipampa, uma cidade rec\u00e9m-constru\u00edda situada no extremo norte do Imp\u00e9rio.\n\nCuzco alcan\u00e7ou seu apogeu durante o governo de Tupa Yupanki, mas um dos primeiros atos de governo de Wayna Kapaq foi transferir a capital do Tawantinsuyu de Cuzco para Tumipampa.\n\n<strong>Mas como e por que Wayna Kapaq transferiu a capital do Imp\u00e9rio?<\/strong>\n\nEsta \u00e9 um quest\u00e3o muito complexa, e sua resposta resulta na compreens\u00e3o do qu\u00e3o poderoso foi este Inka.\n\nPrimeiramente vamos responder o porqu\u00ea de Wayna Kapaq ter tirado a capital de seu Imp\u00e9rio de Cuzco.\n\n<strong>Existem duas raz\u00f5es para isso:\u00a0<\/strong>uma de cunho estrat\u00e9gico e outra de ordem pessoal. A raz\u00e3o estrat\u00e9gica \u00e9 de f\u00e1cil compreens\u00e3o. Tumipampa localizava-se numa regi\u00e3o onde a presen\u00e7a Inca ainda n\u00e3o era t\u00e3o antiga.\n\nOs kurakas da regi\u00e3o eram alguns dos mais insatisfeitos com o dom\u00ednio Inca, e por isso se revoltavam freq\u00fcentemente. A dispers\u00e3o das revoltas se tornava dif\u00edcil, porque a regi\u00e3o (atual Equador) se situa a mais de dois mil quil\u00f4metros de Cuzco. Ent\u00e3o, a transfer\u00eancia da capital para l\u00e1 fazia com que os kurakas do regi\u00e3o fossem fiscalizados mais de perto pelo pr\u00f3prio Inka.\n\nPor\u00e9m, al\u00e9m dessa raz\u00e3o t\u00e1tica existia uma que era muito maior para que o Inka transferisse sua capital para Tumipampa, e como j\u00e1 foi dito era de ordem pessoal. Em Cuzco, as press\u00f5es das Panakas sobre o Inka estavam ficando insuport\u00e1veis, pois j\u00e1 eram dez as Panakas (uma de cada soberano) desde os tempos de Manko Kapaq.\n\nTais press\u00f5es muitas vezes influ\u00edam nas decis\u00f5es do governante, e \u00e0s vezes tornavam-se t\u00e3o fortes que as Panakas acabavam executando o Inka. Este foi o caso de Yawarr Waqaq e, mais recentemente, de Tupa Yupanki. Transferindo a capital para Tumipampa, Wayna Kapaq se livrava das press\u00f5es dessas Panakas, aumentando, e muito, o seu poder.\n\n<strong>Passemos para o outro ponto. Como Wayna Kapaq teve poder para realizar tal feito?<\/strong>\n\nEsta \u00e9 uma quest\u00e3o complex\u00edssima pois, como acabamos de dizer, transferir a capital aumentou seu poder. Mas o que ele fez para realizar tal ato \u00e9 o que veremos agora.\n\nA mudan\u00e7a da capital foi um dos primeiros atos do governo de Wayna Kapaq, mas n\u00e3o o primeiro. A primeira realiza\u00e7\u00e3o de seu reinado foi a deposi\u00e7\u00e3o do Grande Sacerdote Inca.\n\nEra esse religioso quem controlava toda a religi\u00e3o do Tawantinsuyu, pois ele era o sumo sacerdote de Intip. Ele transmitia a Maskapaicha para o Inka vencedor da disputa pelo trono pois, segundo a cren\u00e7a, o pr\u00f3prio Intip dava-lhe o dom de saber reconhecer seu filho (filho de Intip, ou seja, o Inka). Com a deposi\u00e7\u00e3o do Grande Sacerdote, Wayna Kapaq assumiu sua fun\u00e7\u00e3o de l\u00edder m\u00e1ximo da religi\u00e3o Inca; com esse poder de falar com Intip, Wayna Kapaq declarou-se o pr\u00f3prio Intip e n\u00e3o seu filho, como todos os Inkas haviam sido at\u00e9 ent\u00e3o. Uma vez que Wayna Kapaq era o pr\u00f3prio Sol, podia fazer o que quisesse, j\u00e1 que o Tawantinsuyu pertencia ao Sol.\n\nFalemos agora sobre como este Inka recebeu a Maskapaicha. Ele era apenas uma crian\u00e7a quando seu pai morreu. Filho mais novo de Tupa Yupanki, venceu a disputa com seus irm\u00e3os, pois seus tios o ajudaram.\n\nCuriosamente, tais tios eram os mesmos que tinham matado seu pai. Eles resolveram ajudar Wayna Kapaq a vencer a disputa justamente por se tratar de uma crian\u00e7a.\n\nPoderiam coloc\u00e1-lo sob sua tutela e governariam em seu lugar. Por\u00e9m, desde cedo o Inka aprendeu a ser h\u00e1bil politicamente, conseguindo enganar os tios e assumir o poder de fato.\n\nTodos os Incas amavam Wayna Kapaq, e os povos conquistados tamb\u00e9m nutriam por ele um respeito inconteste, uma vez que representava o pr\u00f3prio Intip.\n\nComo forma de disciplinar os rebeldes, Wayna Kapaq desenvolveu uma forte pol\u00edtica de transfer\u00eancias de pessoas de uma parte para outra do Tawantinsuyu, e isso desencorajava as pessoas a se revoltarem.\n\nAl\u00e9m disso, Wayna Kapaq costumava transformar kurakas desobedientes em Yanas em lugares bem distantes de sua etnia.\n\nFoi tamb\u00e9m no governo de Wayna Kapaq que os cargos altos do Tawantinsuyu passaram a ser ocupados por pessoas de outras etnias que n\u00e3o apenas a Inca.\n\nOs feitos de Wayna Kapaq visavam, entre outras coisas, transformar o Inka de um simples l\u00edder de um etnia privilegiada que oprime as demais no chefe de um Imp\u00e9rio, onde todos s\u00e3o iguais perante o Imperador.\n\nCom efeito, Wayna Kapaq n\u00e3o transferiu a capital do Tawantinsuyu para Tumipampa, mas sim para a figura do Inka, pouco importando a cidade em que ele morasse.\n\nNo ano de 1524, Francisco Pizarro come\u00e7ou a realizar miss\u00f5es de reconhecimento nas costas do Tawantinsuyu. Fazia cinco anos que os espanh\u00f3is haviam se deparado com os Astecas, e a experi\u00eancia fez com que fossem mais cautelosos ao tentar novos dom\u00ednios. Afinal, eles poderiam encontrar outro Imp\u00e9rio como o asteca. As expedi\u00e7\u00f5es de reconhecimento do litoral, realizadas por Pizarro, consistiam simplesmente em chegar at\u00e9 uma praia e manter contato com algum nativo encontrado. Esse contato poderia ser por escambo, tentativa de evangeliza\u00e7\u00e3o ou de estabelecimento de conversa\u00e7\u00e3o, estupro (em se tratando de uma mulher) ou at\u00e9 o seq\u00fcestro de algum \u00edndio, para com o contato prolongado com o mesmo aprender-se o idioma local.\n\nO fato \u00e9 que essas expedi\u00e7\u00f5es, apesar de n\u00e3o passarem do litoral (n\u00e3o servindo para conhecer assim nenhuma cidade do Tawantinsuyu) e de n\u00e3o serem muito agressivas, causavam alarde nas popula\u00e7\u00f5es, espalhavam boatos por todo o Tawantinsuyu e, o que \u00e9 pior, traziam doen\u00e7as desconhecidas dos amer\u00edndios (\u00edndios americanos) para a Tawantinsuyu. Doen\u00e7as como a gripe, a var\u00edola, a rub\u00e9ola e a s\u00edfilis.\n\nO grande problema da inser\u00e7\u00e3o dessas novas doen\u00e7as na vida dos \u00edndios foi o fato de que eles n\u00e3o tinham anticorpos naturais para proteg\u00ea-los delas. Por isso, uma simples gripe podia dizimar toda uma cidade.\n\nFoi o que come\u00e7ou a acontecer, e num grau epid\u00eamico t\u00e3o alto, que em 1528, antes mesmo de iniciar-se a conquista do Tawantinsuyu pelos espanh\u00f3is (o que s\u00f3 come\u00e7ou a ocorrer em 1532), j\u00e1 tinham morrido cerca de 200 mil \u00edndios do Tawantinsuyu, dentre os quais Wayna Kapaq e seu filho mais velho, que estava sendo preparado por ele para herdar a Maskapaicha.\n\nA morte de Wayna Kapaq foi chorada por toda a popula\u00e7\u00e3o do Tawantinsuyu como um grande cat\u00e1strofe, pois o Deus deles tinha morrido. A luta pela sucess\u00e3o s\u00f3 se iniciou em 1529, tr\u00eas meses depois do ocorrido, e junto com essa luta, como era de costume, os povos conquistados na regi\u00f5es perif\u00e9ricas come\u00e7aram a se rebelar.\n\nDevido ao filho mais velho de Wayna Kapaq tamb\u00e9m ter morrido (provavelmente de var\u00edola, a exemplo do pai), o candidato mais forte a Maskapaicha n\u00e3o estava disputando-a.\n\nEla seria disputada pelos irm\u00e3os Wascarr e Atawallpa, os filhos mais velhos depois do que morreu.\n\n<strong>Atawallpa &lt;1532 a 1533&gt;:<\/strong>\n\nDepois da morte de Wayna Kapaq, os Inkas conheceram v\u00e1rios governantes ef\u00eameros. O primeiro deles foi Atawallpa, cuja hist\u00f3ria triste confunde-se com o in\u00edcio da conquista Espanhola.\n\nO governo de Atawallpa foi o mais peculiar dentre todos os Inkas simplesmente porque ele n\u00e3o governou.\n\nDepois da morte de Wayna Kapaq, a disputa entre a Maskapaicha tardou em tr\u00eas meses por se iniciar. Quando foi iniciada acabou ficando entre Atawallpa e Wascarr, excluindo-se os demais filhos do Inka morto.\n\nAmbos eram nascidos em Cuzco, por\u00e9m Atawallpa havia sido criado junto do pai em Tumipampa (ele era o terceiro filho). L\u00e1, o jovem pr\u00edncipe aprendeu desde cedo a viver entre os soldados, dos quais tinha apoio pleno. J\u00e1 Wascarr, por ser o segundo filho, foi criado pelos tios em Cuzco, e assim que alcan\u00e7ou idade suficiente tonou-se governador da cidade. Ele tinha o apoio dos sacerdotes cuzquenhos, interessados em readquirir o poder que Wayna Kapaq lhes havia tomado. Al\u00e9m disso, era apoiado pela Panaka de Tupa Yupanki, uma das mais poderosas dentre todas.\n\nQuando ambos os pretendentes ao trono j\u00e1 se encontravam prontos para realizar um batalha final, um fato inusitado aconteceu. Em 1532, os espanh\u00f3is, liderados por Francisco Pizarro, finalmente aportaram no Tawantinsuyu. Depois de oito anos de miss\u00f5es de reconhecimento espor\u00e1dicas, agora a miss\u00e3o era mesmo de conquista.\n\nNo in\u00edcio dos embates entre Wascarr e Atawallpa, o primeiro come\u00e7ou levando vantagem, conseguiu tomar Tumipampa e isolar o irm\u00e3o em Quito. Entretanto, Atawallpa reorganizou seus ex\u00e9rcitos e partiu retomando os territ\u00f3rios perdidos. \u00c0 medida que Atawallpa avan\u00e7ava aproximava-se de Cuzco. Wascarr j\u00e1 pressentia a derrota quando da chegada dos Espanh\u00f3is.\n\nApesar de muitos livros passarem a id\u00e9ia de que os espanh\u00f3is tiveram ao seu lado o fator surpresa, esta id\u00e9ia \u00e9 errada, uma vez suas expedi\u00e7\u00f5es de reconhecimento eram do conhecimento de Wayna Kapaq, que muito provavelmente chegou at\u00e9 a enviar mensageiros a eles. Os espanh\u00f3is foram considerados pelos aliados de Wascarr como enviados do Deus Wiraqocha, j\u00e1 que os sacerdotes Cuzquenhos haviam pedido ajuda dos deuses para derrotar Atawallpa.\n\nLogo que o desembarque dos europeus tornou-se conhecimento p\u00fablico, Wascarr enviou a eles seus embaixadores. A comunica\u00e7\u00e3o foi poss\u00edvel, pois os espanh\u00f3is tinham feito de alguns ind\u00edgenas seq\u00fcestrados nas expedi\u00e7\u00f5es de reconhecimento seus int\u00e9rpretes.\n\nOs embaixadores de Wascarr puseram Pizarro a par dos acontecimentos e ouviram dele palavras de apoio, embora amb\u00edguas. Eles de fato acreditavam que os espanh\u00f3is seriam seus aliados, pois estes estavam se preparando para enfrentar Atawallpa.\n\nOs espanh\u00f3is chegaram ao Tawantinsuyu em abril de 1532. Assim que chegaram iniciaram saques a templos e a desenvolver a chamada ?Pol\u00edtica de Alian\u00e7as de Pizarro?, que consistia em voltar os kurakas contra o poder Imperial, aproveitando-se de sua fragmenta\u00e7\u00e3o tempor\u00e1ria.\n\nDe fato, a chegada dos estrangeiros de pele clara e barbas, montados em cavalos e portando armas de fogo n\u00e3o despertava em Atawallpa outro sentimento sen\u00e3o a curiosidade. N\u00e3o temia os espanh\u00f3is, pois todos juntos n\u00e3o passavam de 200 homens, e ele considerava que quando fosse o momento prop\u00edcio poderia facilmente lan\u00e7ar os intrusos ao mar.\n\n<strong>Enquanto Atawallpa ocupava-se de destruir os ex\u00e9rcitos de Wascarr, os espanh\u00f3is, em julho de 1532, fundavam sua primeira cidade na Am\u00e9rica do Sul<\/strong>: a vila de San Miguel de Piura.\n\nPizarro e seus homens foram avan\u00e7ando sem sofrer nenhuma resist\u00eancia por parte dos nativos. Em 15 de novembro de 1532, ele tomou Cajamarca e mandou seu irm\u00e3o Hernando Pizarro e seu amigo Hernando Soto at\u00e9 Quito para contatarem Atawallpa e o convidarem para uma reuni\u00e3o no dia seguinte pela manh\u00e3.\n\nOs dois chegaram a Quito montados a cavalo, e isso causou um grande frisson entre os \u00edndios, que nunca tinham visto tal animal. Eles foram levados \u00e0 presen\u00e7a do pr\u00edncipe e se espantaram com a simplicidade do lugar, pois esperavam um grande trono de ouro, encrustado de j\u00f3ias (esperavam tanto devido ao luxo que encontraram nos templos saqueados). N\u00e3o sabiam que Atawallpa n\u00e3o gostava da ostenta\u00e7\u00e3o; era adepto da vida de soldado, ou seja, da guerra. Os mensageiros espanh\u00f3is levaram o recado de Francisco Pizarro, mas s\u00f3 Hernando teve permiss\u00e3o para falar com Atawallpa, pois era irm\u00e3o do chefe dos espanh\u00f3is.\n\nSoto, que tinha o mesmo posto de Hernando Pizarro, foi obrigado a permanecer em sil\u00eancio, sem sequer fitar o pr\u00edncipe.\n\nAtawallpa aceitou o convite, e na sa\u00edda os dois mensageiros tentaram intimidar o pr\u00edncipe ao fazerem com que seus cavalos relinchassem pr\u00f3ximo a seu rosto.\n\nMas, ao contr\u00e1rio dos demais \u00edndios, Atawallpa n\u00e3o moveu sequer um m\u00fasculo, n\u00e3o demonstrou medo do desconhecido. Depois da sa\u00edda dos espanh\u00f3is, Atawallpa reuniu-se com um de seus Sinchi, Rumi\u00f1awi e exp\u00f4s a ele seu plano para derrotar os espanh\u00f3is. O plano do soberano consistia em vestir sua roupa sagrada, o que, segundo pensava, espantaria os invasores. Rumi\u00f1awi ficaria atocaiado nas montanhas pr\u00f3ximas \u00e0 cidade de Cajamarca; quando os espanh\u00f3is fugissem aterrorizados com a vestimenta do pr\u00edncipe, o Sinchi os capturaria. Por\u00e9m, Pizarro tamb\u00e9m estava pretendendo capturar Atawallpa e montou sua estrat\u00e9gia, que funcionou.\n\nQuando o pr\u00edncipe adentrou em Cajamarca a cidade parecia vazia, a n\u00e3o ser por Pizarro, que aguardava na pra\u00e7a central. Atawallpa estava em sua liteira (cadeira protegida do sol, que \u00e9 carregada por quatro homens cujos reis andavam por pa\u00edses orientais, como a China, e tamb\u00e9m no Imp\u00e9rio Inca), e al\u00e9m de seus carregadores trazia consigo uma comitiva de aproximadamente 300 \u00edndios.\n\nDepois que todos j\u00e1 estavam dentro da cidade, Pizarro fez um movimento com o qual ordenou que ao mesmo tempo os artilheiros disparassem seus arcabuzes, os cavaleiros atacassem e os c\u00e3es fossem soltos.\n\nO barulho dos tiros junto com a vis\u00e3o dos c\u00e3es e cavalos assustou tanto aos \u00edndios que a grande maioria tentou retirar-se desesperadamente, e com isso muitos morreram pisoteados.\n\nOutros foram mortos pelos tiros ou mordidos pelos cachorros. Uma parcela ainda perdeu a vida nas m\u00e3os dos cavaleiros.\n\nOs carregadores de Atawallpa colocaram a liteira no ch\u00e3o e cercaram o pr\u00edncipe com seus corpos, mas o pr\u00f3prio Pizarro foi at\u00e9 Atawallpa e pegou em seu bra\u00e7o, arrastando-o pelo ch\u00e3o (o conquistador fez quest\u00e3o de pegar o pr\u00edncipe pelo bra\u00e7o para quebrar a m\u00edstica de que quem encostasse nele seria amaldi\u00e7oado; ele j\u00e1 havia se informado dessa cren\u00e7a, fazendo por isso quest\u00e3o de segurar o rapaz e ainda arrast\u00e1-lo pelo ch\u00e3o, para humilh\u00e1-lo).\n\nRumi\u00f1awi teve medo de atacar Cajamarca, pois pensava que Atawallpa poderia ser morto. Se ele atacasse, toda a hist\u00f3ria hoje poderia ser diferente, uma vez que jamais seria derrotado, sendo que ele tinha consigo cerca de 200 mil soldados contra menos de 200 espanh\u00f3is.\n\n<strong>Enquanto Atawallpa ca\u00eda prisioneiro, no dia 16 de novembro de 1532, seus outros dois Sinchis<\/strong>: Kiskis e Chalkuchimaq cercavam ainda mais as tropas de Wascarr.\n\nChalkuchimaq tomou a bacia de Mantaro e Kiskis dirigiu-se para o sul, tomando Angoyaco e Vilcashuaman. Algumas semanas mais tarde, o pr\u00f3prio Kiskis entrava em Cuzco, onde derrotou os resqu\u00edcios dos ex\u00e9rcitos de Wascarr e capturou o pr\u00f3prio. A Panaka de Tupa Yupanki, que apoiava Wascarr, foi destru\u00edda com a profana\u00e7\u00e3o e queima da m\u00famia do soberano.\n\nEra o fim dos opositores de Atawallpa, enfim ele era o novo Inka. Para completar, Kiskis matou Wascarr. No princ\u00edpio de 1533, o Imp\u00e9rio estava novamente organizado e o novo Inka era Atawallpa. Entretanto, ele era mantido prisioneiro pelos espanh\u00f3is.\n\nOs kurakas aliados dos invasores temiam que o Inka fosse solto e o Tawantinsuyu se recompusesse. N\u00e3o queriam voltar a ser vassalos da etnia Inca, e por conta disso come\u00e7aram a fazer press\u00f5es sutis no in\u00edcio (e ferozes depois) sobre Pizarro, no sentido de que ele executasse o prisioneiro. Pizarro prometeu a Atawallpa que o libertaria se ele enchesse de ouro o sal\u00e3o principal do pal\u00e1cio de Cajamarca.\n\nO Inka ent\u00e3o ordenou aos seus Sinchi que fossem buscar o ouro, e dentro de poucas semanas a sala estava cheia, assim como Pizarro ordenara.\n\nVendo que o Inka tinha cumprido sua parte no acordo, e que portanto Pizarro deveria libert\u00e1-lo, os kurakas come\u00e7aram a pression\u00e1-lo, dizendo que se Atawallpa fosse solto acabaria com os espanh\u00f3is, pois estavam em minoria, e que s\u00f3 estavam vivos ainda porque tinham o Inka sob cust\u00f3dia, entre outras coisas.\n\nO fato \u00e9 a press\u00e3o sobre Pizarro come\u00e7ou a ser t\u00e3o forte que ele temeu por ver sua teia de alian\u00e7as desfazer-se, o que seria, de fato, o fim do espanh\u00f3is. Por isso, partindo das acusa\u00e7\u00f5es de fratric\u00eddio (assassinato do irm\u00e3o) e usurpa\u00e7\u00e3o, Pizarro julgou e condenou Atawallpa a morte no dia 29 de agosto de 1533.\n\nMuitos afirmam que o assassinato de Atawallpa por Pizarro foi um erro pol\u00edtico, pois se ele tivesse mantido o Inka aprisionado teria sido mais f\u00e1cil a instala\u00e7\u00e3o do sistema colonial, uma vez que com a morte de Atawallpa o Tawantinsuyu mergulhou novamente numa profunda anarquia, constituindo um grande obst\u00e1culo ao estabelecimento do regime colonial espanhol.\n\nEntretanto, o sangue do Inka uniu junto a Pizarro os kurakas e os Yanas revoltados, pois para uns ele representava a chance de reconquistar a independ\u00eancia perdida, e para outros de reconquistar a liberdade perdida.\n\n<strong>Manko Inka &lt;1533 a 1545&gt;:<\/strong>\n\nCom a morte de Atawallpa, a invas\u00e3o espanhola ganhou a ades\u00e3o de praticamente todas as etnias andinas, exceto a Inca. Devido \u00e0 morte do Inka de Quito (apelido dado a Atawallpa), o reduto Imperial dos Incas voltou a ser Cuzco, assim como nos tempos j\u00e1 muito distantes. As Panakas restantes, apesar de j\u00e1 muito desgastadas, acabaram por se unir e escolher, em comum acordo, um novo Inka.\n\nO escolhido foi o jovem Manko Inka. A nobreza Cuzquenha lhe deu a Maskapaicha ainda em 1533, logo ap\u00f3s a not\u00edcia da morte de Atawallpa.\n\nCom os \u00e2nimos renovados, os espanh\u00f3is adquiriram coragem para sa\u00edrem de Cajamarca e terminarem a conquista das terras que outrora formaram o t\u00e3o glorioso Tawantinsuyu. \u00c0 medida que os europeus avan\u00e7avam, as etnias dominadas pelos Incas se sublevavam e entregavam de bom grado v\u00edveres, carregadores e at\u00e9 guerreiros, para que estes prosseguissem sua marcha de exterm\u00ednio dos Incas. No dia 15 de novembro de 1533, Pizarro finalmente atingiu Cuzco. Kiskis, o Sinchi de Atawallpa que tomara a cidade, havia abandonado-a h\u00e1 pouco tempo, e a etnia Inca se encontrava sob o governo do jovem Manko Inka, meio-irm\u00e3o de Atawallpa e Wascarr.\n\nContrariando as expectativas do comandante espanhol, os Incas n\u00e3o se propuseram a lutar. O novo Inka recebeu os invasores nas portas de Cuzco e, em troca do apoio estrangeiro ao seu governo, ajudou Pizarro a aniquilar as tropas dispersas de Atawallpa. Contudo, esta campanha n\u00e3o foi muito r\u00e1pida e custou dois longos anos aos s\u00faditos de Carlos V (Carlos V era na \u00e9poca o Rei da Espanha; na verdade, na Espanha ele era Carlos I. Mas tamb\u00e9m controlava o Sacro Imp\u00e9rio, que lhe dava o dom\u00ednio sobre os Pa\u00edses Baixos, e uma grande extens\u00e3o de terras em toda a Europa. Para o Sacro Imp\u00e9rio ele era o Imperador Carlos V).\n\nPassados dois anos, isto \u00e9, em 1535, as tropas de Atawallpa estavam todas exterminadas. Pizarro tinha solidificado o dom\u00ednio Espanhol sobre o Peru por meio da funda\u00e7\u00e3o da cidade de Lima (em 1535), que al\u00e9m de estar destinada a ser a capital do Vice-Reino ainda servia de base para as tropas espanholas rec\u00e9m-chegadas da p\u00e1tria m\u00e3e. Cabe aqui fazer um coment\u00e1rio sobre o nome Peru, nome dado pelos espanh\u00f3is ao Vice-Reino que com efeito compunha-se do antigo Tawantinsuyu. A denomina\u00e7\u00e3o foi criada, segundo consta, num dos primeiros contatos dos espanh\u00f3is com povos da Am\u00e9rica do Sul.\n\nEles se depararam com um nativo da regi\u00e3o que hoje comp\u00f5e o Panam\u00e1. O \u00edndio estava pescando num rio quando foi trazido para dentro de uma pequena embarca\u00e7\u00e3o espanhola.\n\nL\u00e1, os europeus deram-lhe alguns presentes e tentaram estabelecer um di\u00e1logo (tentativa frustrada, pois eles tentaram o di\u00e1logo baseado no idioma do Imp\u00e9rio Asteca, que era desconhecido do nativo).\n\nComo n\u00e3o obtiveram sucesso com as palavras, tentaram fazer perguntas simples ao nativo, na forma de gestos.\n\n<strong>Ele entendeu apenas duas das perguntas:\u00a0<\/strong>seu nome e o lugar onde estava. Assim, o ind\u00edgena come\u00e7ou a repetir v\u00e1rias vezes as palavras Biru (que era seu nome) e Pilu (que significava rio na l\u00edngua do nativo), ou seja, quis dizer aos espanh\u00f3is que seu nome era Biru e que estava pescando no rio. Mas os espanh\u00f3is, por n\u00e3o entenderem o que o abor\u00edgene queria dizer, devolveram-no ao lugar onde estava, e a partir de uma mistura das palavras ditas pelo aut\u00f3ctone batizaram a regi\u00e3o com o nome Peru.\n\nA situa\u00e7\u00e3o parecia irrevers\u00edvel, pois a empresa colonial espanhola estava dividida entre Francisco Pizarro e Diego de Almagro. Apesar disso, a etnia Inca estava muito insatisfeita com sua situa\u00e7\u00e3o.\n\nO Inka era mantido em cativeiro dentro de seu pal\u00e1cio em Cuzco, e alguns soldados espanh\u00f3is gostavam de humilh\u00e1-lo perante seus seguidores pessoais, obrigando-o a beber sua urina (a dos soldados) e comer a comida em que haviam cuspido. N\u00e3o s\u00f3 Manko Inka se sentia humilhado por tais afrontas, mas tamb\u00e9m a etnia Inca inteira estava revoltada por n\u00e3o ter mais os privil\u00e9gios de antes.\n\nMas o jovem Inka era muito esperto, e logo percebeu a rivalidade forte que existia entre Pizarro e Almagro, vendo nisso uma possibilidade de ressurrei\u00e7\u00e3o para seu povo.\n\nUtilizando-se de um discurso ret\u00f3rico muito convincente, Manko Inka come\u00e7ou a falar insistentemente a Almagro sobre as riquezas fabulosas que encontraria numa cidade que se localizava no extremo sul do Imp\u00e9rio (onde atualmente \u00e9 o Chile) e que seria repleta de constru\u00e7\u00f5es edificadas em ouro. Apesar de ser esperto, Almagro come\u00e7ou a acreditar na hist\u00f3ria do jovem Inka, e em janeiro de 1536 juntou as tropas que lhe cabiam e partiu levando como guia Pawlu, irm\u00e3o de Manko Inka, em busca da tal cidade de ouro, que batizara por conta pr\u00f3pria de Eldorado (surgia assim o mito do Eldorado).\n\nPawlu foi um excelente aliado de Manko Inka, pois guiou a expedi\u00e7\u00e3o pelo caminho mais dif\u00edcil, a Cordilheira dos Andes. S\u00f3 na viagem de ida, mais da metade das fileiras de Almagro n\u00e3o resistiu. O pr\u00f3prio Almagro, que come\u00e7ava a manifestar os sintomas da s\u00edfilis, piorou muito no frio dos Andes. N\u00e3o \u00e9 preciso dizer que a cidade era uma inven\u00e7\u00e3o do s\u00e1bio soberano Inca.\n\nO que a expedi\u00e7\u00e3o de Almagro encontrou de fato foi uma tribo de guerreiros chamada Araucaina, t\u00e3o b\u00e1rbaros que nem mesmo os Incas se atreveram a tentar domin\u00e1-los. Depois da partida de Almagro, as for\u00e7as espanholas encontravam-se divididas, e portanto muito mais fracas. Manko Inka ent\u00e3o secretamente reuniu um ex\u00e9rcito de aproximadamente 40 mil homens da etnia Inca e de surpresa fugiu de seu cativeiro para liderar seus homens na tomada de Cuzco. Era o in\u00edcio da chamada Guerra de Reconquista Incaica.\n\nManko Inka foi com certeza o mais importante e valoroso inimigo que os espanh\u00f3is encontraram entre todos os \u00edndios com os quais se depararam, incluindo Astecas e Maias. Depois de sitiar e tomar Cuzco, o Inka tomou Sacsahuman. Por onde seus homens passavam, cavavam fossos no ch\u00e3o para impedir o avan\u00e7o das cavalarias espanholas. Hernando Pizarro at\u00e9 conseguiu retomar Cuzco, mas perdeu praticamente todos os seus homens num ataque precipitado a Ollantaytambo, base de Manko Inka. Quando soube dos eventos que estavam ocorrendo, Francisco Pizarro enviou duas expedi\u00e7\u00f5es de Lima para auxiliar o irm\u00e3o em Cuzco. No entanto, as duas foram atacadas e destru\u00eddas pelos ex\u00e9rcitos do Inka antes mesmo de chegarem a seu destino.\n\nPizarro enviou mais duas expedi\u00e7\u00f5es que tiveram o mesmo fim, e uma quinta que bateu em retirada logo ap\u00f3s partir.\n\n<strong>Realmente, Manko Inka provou ser um grande estrategista adotando uma t\u00e1tica excelente:<\/strong>\u00a0matava todos os \u00edndios que estivessem ajudando os espanh\u00f3is, mas apenas aprisionava estes.\n\nEle ent\u00e3o obrigava os europeus a servirem de ?professores? para seus homens. Em pouco tempo tinha montado uma cavalaria consider\u00e1vel e pelot\u00f5es de artilharia de igual porte.\n\nO Inka tamb\u00e9m atacava acampamentos espanh\u00f3is para roubar cavalos e armas. Sendo assim, al\u00e9m de tirar as armas dos Espanh\u00f3is ele armava seu ex\u00e9rcito.\n\nPizarro chegou a pensar que tudo o que havia conquistado seria perdido. A imagem de um ind\u00edgena montado num cavalo, vestindo uma armadura e portando espada e escudo era simplesmente aterrorizante para os espanh\u00f3is.\n\nEncorajado pelas sucessivas vit\u00f3rias, Manko Inka, ao inv\u00e9s de retomar Cuzco das m\u00e3o de Hernando Pizarro, j\u00e1 que a cidade encontrava-se desguarnecida, lan\u00e7ou-se sobre Lima para impedir a chegada dos refor\u00e7os que Pizarro vinha pedindo cada vez mais intensamente. Entretanto, os espanh\u00f3is entrincheirados em Lima resistiram bravamente \u00e0s investidas Incas sobre a cidade, e o plano do Inka de destru\u00ed-la mostrou-se mais dif\u00edcil do que parecia inicialmente.\n\nApesar de todos os acertos estrat\u00e9gicos de Manko Inka, sua posi\u00e7\u00e3o de considerar traidor e portanto pass\u00edvel de pena de morte todos os ind\u00edgenas que tinham sido aliados dos espanh\u00f3is amarrou aos espanh\u00f3is algumas etnias que pensavam em se aliar \u00e0 causa Inca.\n\nNo princ\u00edpio de 1537, Alonso Alvarado reuniu todos os homens v\u00e1lidos de Lima e comandou uma grande investida contra as tropas Incas que cercavam a cidade.\n\nOs espanh\u00f3is foram vitoriosos e os ind\u00edgenas se viram obrigados a bater em retirada rumo \u00e0 Cordilheira. Alonso os perseguiu afim de tentar impedir que se fixassem no local, mas foi in\u00fatil. Pr\u00f3ximo \u00e0 Floresta Amaz\u00f4nica, Manko Inka fundou a cidade de Vitcos, capital daquele que seria o novo Imp\u00e9rio Inca, batizado de Vilcabamba. Por\u00e9m, antes da funda\u00e7\u00e3o de Vitcos, que ocorreu em 1538, retornou ao Peru a expedi\u00e7\u00e3o de Diego de Almagro em abril de 1537, mais de um ano depois de sua partida.\n\nDiego acreditara em Manko Inka e partira em sua jornada com o objetivo de se mostrar mais valioso do que Pizarro; entretanto, a expedi\u00e7\u00e3o foi um total fracasso.\n\nDepois de perder mais da metade de suas tropas no frio dos Andes, ele alcan\u00e7ou a Araucaina, uma tribo de guerreiros b\u00e1rbaros, onde encontrou um espanhol feito prisioneiro.\n\nO homem contou-lhe que n\u00e3o havia nenhuma cidade de ouro naquela regi\u00e3o, e que provavelmente ele havia sido enganado. Pawlu, que a essas alturas j\u00e1 era amigo de Almagro, confirmou a hist\u00f3ria do espanhol.\n\nSendo assim, Almagro reuniu suas tropas e resolveu voltar para o Peru.\n\nDiego julgou estar sendo esperto quando optou por voltar pela beira-mar. Mas n\u00e3o sabia que, ao inv\u00e9s de enfrentar o frio dos Andes, ele agora teria que enfrentar o calor do deserto do Atacama. Na viagem de volta, morreram muitos dos poucos homens que Almagro havia salvo dos Andes. A doen\u00e7a do comandante se agravou, e seu sentimento de raiva por Pizarro tornou-se um \u00f3dio mortal. A chegada de Almagro no Peru, longe de engrossar as fileiras espanholas na guerra contra Manko Inka, serviu para dividi-las mais ainda, pois ele iniciou uma guerra particular contra Pizarro. Entretanto, sua chegada tamb\u00e9m foi prejudicial para os Incas, pois Almagro nomeou Pawlu como Inka, e esse ato (apesar de n\u00e3o ter nenhum valor pol\u00edtico) dividiu as Panakas que at\u00e9 ent\u00e3o apoiavam Manko Inka. Muitos Incas passaram para o lado de Pawlu, aliado de Almagro.\n\nPawlu passou a ser o Inka oficial, ou seja, reconhecido pelos espanh\u00f3is mas sem poderes, enquanto Manko Inka continuou sendo o Inka de fato, o l\u00edder da resist\u00eancia.\n\nPawlu foi h\u00e1bil o suficiente para manter os \u00edndios que os seguissem neutros na guerra entre Pizarro e Almagro. Quando Almagro foi derrotado, em 1538, Pawlu soube se fazer reconhecer Inka por Pizarro e depois at\u00e9 pela Coroa Espanhola (falaremos mais sobre as circunst\u00e2ncias que envolveram a derrota de Almagro e tamb\u00e9m a morte de Pizarro no item 6).\n\nEnquanto as quest\u00f5es pol\u00edticas fervilhavam no Peru, Manko Inka constru\u00eda Vitcos e continuava sua campanha contra os espanh\u00f3is. O Inka intentava tomar o vale de Mantaro, regi\u00e3o controlada pelos Wanka (principais aliados dos espanh\u00f3is) e que se constitu\u00eda num ponto estrat\u00e9gico para a tomada do norte do Peru.\n\nOs Wanka constru\u00edram uma grande muralha na regi\u00e3o que permitia aos Espanh\u00f3is defenderem-se tranq\u00fcilamente das investidas Incas.\n\nAo longo de v\u00e1rios anos, Manko Inka tentou sem sucesso tomar o vale de Mantaro, sendo que essas tentativas destru\u00edram seu ex\u00e9rcito. Exaurido por nove anos de lutas, Manko Inka concluiu que o melhor a fazer seria tentar um di\u00e1logo pac\u00edfico com os invasores. Este col\u00f3quio estava sendo arquitetado por alguns espanh\u00f3is aliados do Inka. Entretanto, em 1545 os pr\u00f3prios partid\u00e1rios de Manko Inka, provavelmente julgando-o traidor, apunhalaram-no pondo fim a sua vida e encerrando precocemente uma guerra insana que perdurou por longos nove anos, matando cerca de 1500 espanh\u00f3is e mais de 300 mil \u00edndios, entre Incas e aliados dos europeus.\n\n<strong>Sayri Tupaq &lt;1545 a 1555&gt;:<\/strong>\n\nSayri Tupaq era um filho ainda muito novo de Manko Inka escolhido para ser Inka logo ap\u00f3s a morte do pai, muito provavelmente pelos pr\u00f3prios assassinos dele. Os dom\u00ednios desse Inka resumiam-se a Vilcabamba, que estava se tornando uma c\u00f3pia (em muitos pontos caricaturada) do Tawantinsuyu. Quando foi escolhido como soberano, ainda era muito novo, n\u00e3o tendo idade para governar.\n\nOs espanh\u00f3is haviam percebido que a guerra contra os Incas teria um final incerto, caso eles (os espanh\u00f3is) atacassem Vilcabamba. Ent\u00e3o, por interm\u00e9dio de uma tia de Sayri Tupaq, que era casada com um espanhol, iniciaram negocia\u00e7\u00f5es com o jovem no sentido de persuadi-lo a se render aos invasores europeus. Por conta disso, estes lhe enviaram muitos presentes, e prometeram-lhe diversas posses.\n\nO Inka sempre se mostrou tentado a aceitar as propostas espanholas, e quando em 1555 alcan\u00e7ou a idade em que poderia iniciar de fato seu governo, resolveu partir para as terras que lhe haviam sido dadas pelos espanh\u00f3is.\n\nA deser\u00e7\u00e3o do Inka trouxe uma nova se\u00e7\u00e3o na nobreza Inca, enfraquecendo ainda mais o j\u00e1 fict\u00edcio Estado de Vilcabamba. Sayri Tupaq morreu em 1560, cercado de considera\u00e7\u00f5es e honrarias. Foi o primeiro soberano (apesar de j\u00e1 ter deixado de s\u00ea-lo quando tal fato ocorreu) a se converter ao Catolicismo.\n\n<strong>Titu Cusi Yupanki &lt;1555 a 1571&gt;:<\/strong>\n\nCom a deser\u00e7\u00e3o de Sayri Tupaq, Titu Cusi recebeu a Maskapaicha. A \u00fanica forma encontrada por esse Inka para manter seus dom\u00ednios foi a alian\u00e7a com os Mashiwenka e os Kampa (ambos pertencentes \u00e0s etnias classificadas pejorativamente por Anti).\n\nEsses povos eram silv\u00edcolas da Amaz\u00f4nia e conservavam tradi\u00e7\u00f5es neol\u00edticas. Os Incas nutriam certa repulsa por tais \u00edndios desde a expedi\u00e7\u00e3o fracassada de Tupa Yupanki para conquist\u00e1-los. Apesar disso, os ex\u00e9rcitos de Vilcabamba passaram a ser formados basicamente por esses ind\u00edgenas.\n\nAp\u00f3s muita recusa, Titu Cusi recebeu em Vitcos dois freis Agostinianos, e se deixou batizar. Entretanto, devido \u00e0s press\u00f5es dos sacerdotes do Sol, um deles foi expulso.\n\nMais tarde o Inka contraiu pneumonia e adoeceu gravemente. O frei tentou inutilmente cur\u00e1-lo, mas ele acabou por falecer em 1571. Devido \u00e0 incapacidade do frei em curar o Inka, o povo de Vitcos matou-o.\n\n<strong>Tupac Amaru &lt;1571 a 1572&gt;:<\/strong>\n\nAssim como Sayri Tupaq e Titu Cusi Yupanki, Tupac Amaru tamb\u00e9m era filho de Manko Inka. Seu reinado constitui o mais curto dentre todos os que houveram.\n\nDurante aos meses em que governou, nem mesmo as fronteiras de Vilcabamba eram vigiadas, pois os Anti haviam tido seus contingentes reduzidos pelas doen\u00e7as.\n\nEm 1569, assumiu o Peru o Vice-Rei Francisco de Toledo, um homem de convic\u00e7\u00f5es pessoais fortes e que havia feito a \u00faltima tentativa de paz com os Incas por meio dos freis Agostinianos.\n\nCom o assassinato do frei Diego Ortiz, a paci\u00eancia de Toledo esgotou-se. Reuniu uma for\u00e7a muito grande e liderou ele pr\u00f3prio a expedi\u00e7\u00e3o que adentrou em Vilcabamba, tomou Vitcos e capturou Tupac Amaru, que tentava se refugiar na floresta mas fora alcan\u00e7ado. Levando o Inka para Cuzco, ele julgou-o e condenou-o. Apesar das s\u00faplicas de sacerdotes crist\u00e3os e ind\u00edgenas de todas as esp\u00e9cies, Toledo executou Tupac Amaru com a decapita\u00e7\u00e3o em maio de 1572.\n\nA morte de Tupac Amaru colocou um ponto final na linhagem dos unificadores de terras e de povos que haviam dominado os Andes inteiros e cuja fama alcan\u00e7ava a toda a Am\u00e9rica do Sul, sendo hoje comparados na Europa aos Romanos.\n\n<strong>Desfecho:<\/strong>\n\nAp\u00f3s a morte de Tupac Amaru, estabeleceu-se definitivamente o regime colonial no Vice-Reino do Peru.\n\nAs mitas Incaicas foram utilizadas em larga escala pelos espanh\u00f3is como forma de substitui\u00e7\u00e3o do trabalho de escravos negros.\n\nEste modo de produ\u00e7\u00e3o s\u00f3 entrou em desuso devido ao grande colapso populacional que ocorreu entre as popula\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas.\n\nEste trecho da obra remete-se apenas a relatar passagens, as quais n\u00e3o foram poss\u00edveis de incluir nas biografias dos Inkas.\n\n<strong>O que possibilitou a Conquista:<\/strong>\n\nHouve muito fatores que possibilitaram aos espanh\u00f3is realizar a conquista do Tawantinsuyu. Muitos costumam ressaltar que o grande respons\u00e1vel foi a disparidade tecnol\u00f3gica existente entre europeus e Incas, sendo que os Incas, apesar de conhec\u00ea-la, n\u00e3o utilizavam nem sequer a roda. Mas veremos agora que este fator de fato influiu, mas muito menos do que se imagina.\n\nPara in\u00edcio de conversa, existiam pelo menos 9 milh\u00f5es de \u00edndios no Tawantinsuyu quando da chegada dos espanh\u00f3is (existem estimativas que remontam a uma popula\u00e7\u00e3o ind\u00edgena de cerca de 20 milh\u00f5es de pessoas no Tawantinsuyu). Por isso, por mais que as armas espanholas fossem melhores, nunca um grupo de cerca de 200 homens poderia conquistar um Imp\u00e9rio t\u00e3o extenso e populoso.\n\nA menos que os espanh\u00f3is possu\u00edssem avi\u00f5es bombardeiros. Se n\u00e3o foram as armas as respons\u00e1veis pela conquista, ent\u00e3o talvez tenham sido as doen\u00e7as introduzidas na Am\u00e9rica pelos europeus. Sendo assim, os m\u00e9ritos da conquista n\u00e3o seriam dos espanh\u00f3is, mas sim dos v\u00edrus e bact\u00e9rias, e na realidade os espanh\u00f3is teriam feito sem saber um verdadeira ?guerra biol\u00f3gica?. Realmente, as doen\u00e7as foram um fator diferencial a favor dos espanh\u00f3is, mas n\u00e3o impediram que Atawallpa possu\u00edsse um ex\u00e9rcito superior a 800 mil homens e que Manko Inka juntasse em poucos dias cerca de 40 mil homens apenas de sua etnia. Sendo assim, as doen\u00e7as contribu\u00edram mas n\u00e3o foram o fator decisivo.\n\nTalvez tenham sido determinantes na conquista as cren\u00e7as dos Inkas, que possibilitaram aos espanh\u00f3is em v\u00e1rios momentos vencerem batalhas imposs\u00edveis. \u00c9 claro que isso importou muito, principalmente no que diz respeito \u00e0 pris\u00e3o de Atawallpa, pois al\u00e9m de o pr\u00edncipe achar que assustaria os invasores apenas com suas vestimentas, seus homens fugiram apavorados com os c\u00e3es, cavalos e disparos.\n\n\u00c9 verdade, mas tamb\u00e9m \u00e9 n\u00e3o \u00e9 mentira que em pouco tempo os Incas se acostumaram com os novos animais que conheceram e deixaram de tem\u00ea-los.\n\nTamb\u00e9m \u00e9 verdade que Manko Inka chegou at\u00e9 a montar uma cavalaria e um pelot\u00e3o de tiro. Por isso, este fator, apesar de ter sido importante em determinadas ocasi\u00f5es, n\u00e3o foi o principal.\n\nPode ser que alguns digam que o que determinou a vit\u00f3ria espanhola foram as t\u00e1ticas de batalha destes. \u00c9 verdade que os espanh\u00f3is levavam larga vantagem nisto, pois para os Incas a guerra consistia num ritual que s\u00f3 podia ser praticado \u00e0 luz do dia e requeria diversos preparos anteriores, como gritos e cantorias de desafio ao inimigo. Para os espanh\u00f3is, a guerra fazia parte de seu cotidiano desde 711, quando Djabal al-Tariq atravessou o estreito de Gibraltar e iniciou a anexa\u00e7\u00e3o da Espanha \u00e0 f\u00e9 Isl\u00e2mica. Poderia ser, mas na verdade os espanh\u00f3is tiveram participa\u00e7\u00e3o efetiva em muito poucas batalhas. Na grande maioria das vezes eles colocavam as etnias dominadas pelos Incas para combat\u00ea-los, e essas tinham os mesmos costumes de batalha seus inimigos.\n\n<strong>Estamos chegando quase ao ponto fundamental:\u00a0<\/strong>como os espanh\u00f3is conseguiram colocar as etnias dominadas pelos Incas contra seus dominadores.\n\n<strong>Eles o rogaram por dois fatores:<\/strong>\n\nO fator mais importante est\u00e1 tamb\u00e9m ligado \u00e0s doen\u00e7as, pois com a morte de Wayna Kapaq iniciou-se o per\u00edodo de anarquia e a disputa pela Maskapaicha por Atawallpa e Wascarr, como j\u00e1 mencionado.\n\nEnquanto ocorria a disputa entre os pretendentes ao trono as etnias dominadas se revoltavam, e foi neste contexto que os espanh\u00f3is chegaram ao Tawantinsuyu. Al\u00e9m disso, Wascarr foi imprudente e envolveu os invasores nas disputas internas do Imp\u00e9rio. Devido ao per\u00edodo de anarquia, os kurakas estavam revoltados e se voltaram facilmente contra seus dominadores.\n\nMas deveria haver algu\u00e9m que fosse h\u00e1bil o suficiente para fazer com que os kurakas se insurgissem, e esse algu\u00e9m foi Francisco Pizarro. Muito mais do que um conquistador, Pizarro foi um grande pol\u00edtico.\n\n<strong>Francisco Pizarro:<\/strong>\n\n<strong>Francisco Pizarro era um espanhol do Reino de Castela que pediu a Carlos V um aux\u00edlio para uma empreitada arriscada:\u00a0<\/strong>come\u00e7ar a conquistar as terras mais ao sul da Am\u00e9rica, ou seja, a parte de tr\u00e1s do territ\u00f3rio portugu\u00eas.\n\nPara esta campanha, a grande fonte de inspira\u00e7\u00e3o de Pizarro foi Hern\u00e1n Cortez, que em 1519 conquistou o Imp\u00e9rio Asteca, mostrando para o mundo o primeiro grande Imp\u00e9rio ind\u00edgena (fato que decidiu a discuss\u00e3o sobre a humanidade dos \u00edndios, que por at\u00e9 ent\u00e3o s\u00f3 terem sido encontrados em est\u00e1gios paleol\u00edticos e neol\u00edticos eram comparados por muitos a macacos).\n\nDepois de conseguir alguma ajuda financeira do monarca, Pizarro iniciou suas expedi\u00e7\u00f5es, e foi muito h\u00e1bil ao usar de cautela, pois se em 1524, ano de sua primeira expedi\u00e7\u00e3o, ele tivesse iniciado uma ofensiva militar, suas tropas teriam sido massacradas pelos ex\u00e9rcitos de Wayna Kapaq. Aos poucos, Pizarro foi tomando conhecimento do tamanho do territ\u00f3rio que iria conquistar; depois, fez contato com nativos locais para tentar saber da situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. Aprisionou alguns aut\u00f3ctones, os quais levou para a Espanha afim de ensinar-lhes o Castelhano e aprender com eles um pouco do Quechua. Depois, estes mesmos nativos serviram-lhe de int\u00e9rpretes e de analistas da situa\u00e7\u00e3o local.\n\nQuando chegou, Pizarro sabia exatamente da disputa que estava ocorrendo pela Maskapaicha.\n\nPor isso tratou de entender a situa\u00e7\u00e3o em toda a sua complexidade para ent\u00e3o formular uma pol\u00edtica de alian\u00e7as semelhante \u00e0 que Cortez utilizara anos antes no M\u00e9xico. Por meio de sua teia de alian\u00e7as, com efeito os espanh\u00f3is tiveram que se envolver em raras batalhas, sendo a da captura de Atawallpa uma das primeiras.\n\nPizarro soube desempenhar bem o papel que os pr\u00f3prios nativos lhe deram, ou seja, para os kurakas ele foi a esperan\u00e7a de reaverem suas chefias; para ao Yanas representava a possibilidade de liberdade; j\u00e1 para os Incas, inicialmente, ele incorporou o papel de juiz da disputa pela Maskapaicha.\n\nPassado certo tempo, ele foi muito esperto em n\u00e3o utilizar Cuzco, uma cidade impregnada da presen\u00e7a Inca e localizada no interior como sua capital. Pizarro edificou Lima, uma capital adequada para uma terra conquistada no al\u00e9m-mar, pois por estar pr\u00f3xima da praia facilitava o recebimento de tropas e materiais vindos das diversas partes do Imp\u00e9rio Colonial Espanhol ou at\u00e9 mesmo da pr\u00f3pria Espanha.\n\nCom a chegada de Diego de Almagro de volta da Araucaina, ele empreendeu corretamente a campanha militar contra ele, aprisionando-o e ao mesmo tempo acolhendo seu filho mesti\u00e7o (Diego de Almagro filho) e tamb\u00e9m Pawlu, mantendo assim a nobreza Cuzquenha (ao menos parte dela) ao seu lado. Talvez seu \u00fanico erro tenha sido de fato a execu\u00e7\u00e3o de Diego de Almagro, pois Almagro filho suplicou-lhe pela vida do pai. Pizarro n\u00e3o deu ouvidos ao jovem, matando o rival no dia 8 de julho de 1538. Almagro filho jurou vingar a morte do pai, e fugiu de Cuzco. Tr\u00eas anos depois, no dia 26 de julho de 1541, ele adentrou o pal\u00e1cio de Lima pela janela do quarto de Pizarro e, enquanto este dormia, p\u00f4s fim a sua vida. A morte de Pizarro, contudo, n\u00e3o interrompeu o processo que ele pr\u00f3prio havia come\u00e7ado, e que seu sucessor Dom Crist\u00f3v\u00e3o Vaca de Castro continuou muito bem.\n\n<strong>Fonte:<\/strong>\u00a0www.crystalinks.com\/www.enaol.com\/imperioinca.vilabol.uol.com.br\/www.klepsidra.net\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Imp\u00e9rio Inca, Povo, Idioma, Hist\u00f3ria, Peru, Civiliza\u00e7\u00e3o, Religi\u00e3o, Regi\u00e3o, Educa\u00e7\u00e3o, L\u00edngua, Sociedade, Culturas, Resumo, Imp\u00e9rio Inca<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":11162,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[57],"tags":[],"class_list":["post-15401","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-historia-geral"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v28.3 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>Imp\u00e9rio Inca - 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