{"id":15309,"date":"2015-12-28T00:00:00","date_gmt":"2015-12-28T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/uncategorized\/crise-do-sistema-colonial-2\/"},"modified":"2015-12-28T00:00:00","modified_gmt":"2015-12-28T00:00:00","slug":"crise-do-sistema-colonial-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/historia-do-brasil\/crise-do-sistema-colonial-2\/","title":{"rendered":"Crise do Sistema Colonial"},"content":{"rendered":"\nA efervesc\u00eancia cultural e as grandes transforma\u00e7\u00f5es pol\u00edticas em curso no mundo ocidental na passagem do s\u00e9culo XVIII para o XIX t\u00eam repercuss\u00e3o no Brasil.\n\nNa Fran\u00e7a, \u00e9 a \u00e9poca do iluminismo, quando o pensamento liberal se rebela contra as institui\u00e7\u00f5es do antigo regime.\n\nNa Inglaterra, a revolu\u00e7\u00e3o industrial transforma rapidamente as tradicionais estruturas econ\u00f4micas.\n\nA independ\u00eancia dos Estados Unidos, em 4 de julho de 1776, primeira grande ruptura do sistema colonial europeu, torna-se um modelo para as elites nativas das demais col\u00f4nias do continente.\n\nNo Brasil, os pesados impostos, as restri\u00e7\u00f5es ao livre com\u00e9rcio e as proibi\u00e7\u00f5es \u00e0s atividades industriais v\u00e3o acirrando os conflitos entre as elites locais e o poder metropolitano.\n\n<strong>Eclodem as primeiras rebeli\u00f5es claramente emancipat\u00f3rias<\/strong>: a Inconfid\u00eancia Mineira (1788\/1789) e a Conjura\u00e7\u00e3o Baiana, ou dos Alfaiates (1798).\n\n<strong>Absolutismo portugu\u00eas <\/strong>\n\nEm Portugal, o absolutismo &#8211; centraliza\u00e7\u00e3o do poder na figura do governante &#8211; atinge seu apogeu durante o reinado de dom Jos\u00e9 I, reconhecido como &#8220;d\u00e9spota esclarecido&#8221;, e de seu ministro, o marqu\u00eas de Pombal. Para fortalecer o poder real, eles reformam o Ex\u00e9rcito e a burocracia estatal, subjugam a nobreza e reduzem o poder do clero. Sua pol\u00edtica gera crises internas e nas col\u00f4nias. O ministro \u00e9 obrigado a demitir-se em 4 de mar\u00e7o de 1777. No mesmo ano morre o rei dom Jos\u00e9 e o trono portugu\u00eas \u00e9 ocupado por sua filha, dona Maria.\n\n<strong>Restri\u00e7\u00f5es ao com\u00e9rcio e \u00e0 ind\u00fastria <\/strong>\n\nA pol\u00edtica econ\u00f4mica de Pombal resulta em maior controle da metr\u00f3pole sobre a col\u00f4nia. O ministro tenta limitar as brechas no monop\u00f3lio comercial portugu\u00eas, abertas pelos tratados com a Inglaterra. As elites brasileiras percebem que t\u00eam mais a lucrar com o livre com\u00e9rcio e encontram no liberalismo a base te\u00f3rica para defender seus interesses. O governo portugu\u00eas tamb\u00e9m tenta evitar a diversifica\u00e7\u00e3o da economia na col\u00f4nia. Em 1785 manda fechar as oficinas de metalurgia, ourivesaria e as manufaturas t\u00eaxteis no territ\u00f3rio brasileiro. O afastamento de Pombal n\u00e3o diminui os conflitos da elite brasileira com a metr\u00f3pole.\n\n<strong>Inconfid\u00eancia mineira <\/strong>\n\nOs inconfidentes querem a independ\u00eancia do Brasil e instaurar a Rep\u00fablica. Pretendem incentivar as manufaturas, proibidas desde 1785, e fundar uma universidade em Vila Rica, atual Ouro Preto.\n\n<strong>Integrado por membros da elite intelectual e econ\u00f4mica da regi\u00e3o &#8211; fazendeiros e grandes comerciantes -, o movimento reflete as contradi\u00e7\u00f5es desses segmentos:<\/strong> sua bandeira traz o lema Libertas quae sera tamem (Liberdade ainda que tardia), mas n\u00e3o se prop\u00f5e a abolir a escravid\u00e3o.\n\n<strong>Conspiradores <\/strong>\n\nEntre os conspiradores est\u00e3o In\u00e1cio Jos\u00e9 de Alvarenga Peixoto, ex-ouvidor de S\u00e3o Jo\u00e3o del Rey; Cl\u00e1udio Manoel da Costa, poeta e jurista; tenente-coronel Francisco Freire de Andrada; Tom\u00e1s Ant\u00f4nio Gonzaga, portugu\u00eas, poeta, jurista e ouvidor de Vila Rica; Jos\u00e9 \u00c1lvares Maciel, estudante de Qu\u00edmica em Coimbra que, junto com Joaquim Jos\u00e9 Maia, procura o apoio do presidente americano Thomas Jefferson; Francisco Ant\u00f4nio de Oliveira, Jos\u00e9 Lopes de Oliveira, Domingos Vidal Barbosa, Salvador Amaral Gurgel, o c\u00f4nego Lu\u00eds Vieira da Silva; os padres Manoel Rodrigues da Costa, Jos\u00e9 de Oliveira Rolim e Carlos Toledo; e o alferes Joaquim Jos\u00e9 da Silva Xavier, o Tiradentes.\n\n<strong>Derrama <\/strong>\n\nO momento escolhido para a eclos\u00e3o da revolta \u00e9 o da cobran\u00e7a da derrama, imposto adotado por Portugal no per\u00edodo de decl\u00ednio da minera\u00e7\u00e3o do ouro.\n\nA Coroa fixa um teto m\u00ednimo de 100 arrobas para o valor do quinto. Se ele n\u00e3o \u00e9 atingido, os mineradores ficam em d\u00edvida com o fisco. Na \u00e9poca, essa d\u00edvida coletiva chega a 500 arrobas de ouro, ou 7.500 quilos. Na derrama, a popula\u00e7\u00e3o das minas \u00e9 obrigada a entregar seus bens para integralizar o valor da d\u00edvida.\n\n<strong>A devassa <\/strong>\n\nO movimento \u00e9 denunciado pelos portugueses Joaquim Silv\u00e9rio dos Reis, Brito Malheiros e Correia Pamplona, em 5 de mar\u00e7o de 1789. Devedores de grandes somas ao tesouro real, eles entregam os parceiros em troca do perd\u00e3o de suas d\u00edvidas. Em 10 de maio de 1789 Tiradentes \u00e9 preso. Instaura-se a devassa &#8211; processo para estabelecer a culpa dos conspiradores -, que dura tr\u00eas anos.\n\n<strong>Em 18 de abril de 1792 s\u00e3o lavradas as senten\u00e7as: <\/strong>11 s\u00e3o condenados \u00e0 forca, os demais \u00e0 pris\u00e3o perp\u00e9tua em degredo na \u00c1frica e ao a\u00e7oite em pra\u00e7a p\u00fablica. As senten\u00e7as dos sacerdotes envolvidos na conspira\u00e7\u00e3o permanecem secretas. Cl\u00e1udio Manoel da Costa morre em sua cela.\n\n<strong>Tiradentes tem execu\u00e7\u00e3o p\u00fablica:<\/strong> enforcado no Rio de Janeiro em 21 de abril de 1792, seu corpo \u00e9 levado para Vila Rica, onde \u00e9 esquartejado e os peda\u00e7os expostos em vias p\u00fablicas.\n\nOs demais conspiradores s\u00e3o degredados.\n\nJoaquim Jos\u00e9 da Silva Xavier (1746-1792), o Tiradentes, entra para a hist\u00f3ria como principal l\u00edder do movimento. Filho de um propriet\u00e1rio rural sem fortuna, aprende as primeiras letras com um de seus irm\u00e3os. Mais tarde, trabalha com um cirurgi\u00e3o, seu padrinho, e aprende no\u00e7\u00f5es pr\u00e1ticas de medicina e odontologia.\n\n<strong>Antes de se tornar soldado, exerce v\u00e1rios of\u00edcios<\/strong>: tropeiro, minerador e dentista, origem do apelido Tiradentes. Oficial do Regimento dos Drag\u00f5es das Minas Gerais, sem ra\u00edzes na aristocracia local, \u00e9 sistematicamente preterido nas promo\u00e7\u00f5es. Para alguns historiadores, Tiradentes \u00e9 apenas um idealista ing\u00eanuo, manipulado pela elite que articula e dirige a Inconfid\u00eancia. Entre todos os condenados \u00e0 morte, \u00e9 o \u00fanico executado.\n\nImagens de Tiradentes &#8211; Pesquisas nos Autos da Devassa iniciadas em 1958 e divulgadas em 1992, ano do bicenten\u00e1rio da morte de Tiradentes, indicam que todas as suas imagens conhecidas s\u00e3o fict\u00edcias. Ele nunca teria usado barba, proibida para os integrantes do corpo militar onde servia. Consta nos autos que ele tinha em casa duas navalhas de barbear e um espelho, e que mant\u00e9m esses objetos em sua cela durante os tr\u00eas anos de pris\u00e3o. Al\u00e9m disso, os presos s\u00e3o proibidos de usar barba e cabelos longos.\n\n<strong>Conjura\u00e7\u00e3o baiana <\/strong>\n\nDe car\u00e1ter social e popular, a Conjura\u00e7\u00e3o Baiana, ou Revolta dos Alfaiates, como tamb\u00e9m \u00e9 conhecida, explode em Salvador em 1798. Inspira-se nas id\u00e9ias da Revolu\u00e7\u00e3o Francesa e da Inconfid\u00eancia Mineira, divulgadas na cidade pelos integrantes da loja ma\u00e7\u00f4nica Cavaleiros da Luz, todos membros da elite local &#8211; Bento de Arag\u00e3o, professor, Cipriano Barata, m\u00e9dico e jornalista, o padre Agostinho Gomes e o tenente Aguilar Pantoja. O movimento \u00e9 radical e dirigido por pessoas do povo, como os alfaiates Jo\u00e3o de Deus e Manoel dos Santos Lira, os soldados Lucas Dantas e Lu\u00eds Gonzaga das Virgens. Prop\u00f5e a independ\u00eancia, a igualdade racial, o fim da escravid\u00e3o e o livre com\u00e9rcio entre os povos.\n\n<strong>Rep\u00fablica baiense <\/strong>\n\nA conjura\u00e7\u00e3o baiana tem a participa\u00e7\u00e3o de escravos, negros libertos e pequenos artes\u00e3os da capital baiana.\n\n<strong>Seu manifesto, afixado nas ruas em 12 de agosto de 1798, conclama o povo a um levante em defesa da Rep\u00fablica Baiense:<\/strong> &#8220;Est\u00e1 para chegar o tempo feliz da nossa liberdade; o tempo em que seremos irm\u00e3os; o tempo em que seremos iguais&#8221;.\n\n<strong>O movimento \u00e9 delatado e reprimido<\/strong>: 49 pessoas s\u00e3o presas, inclusive tr\u00eas mulheres. Seis integrantes da fac\u00e7\u00e3o mais popular s\u00e3o condenados \u00e0 morte e outros ao ex\u00edlio. Os Cavaleiros da Luz s\u00e3o absolvidos.\n<h4>A Crise do Sistema Colonial &#8211; Fatores<\/h4>\nNas \u00faltimas d\u00e9cadas do s\u00e9culo XVIII ocorreram grandes transforma\u00e7\u00f5es no mundo ocidental. Fil\u00f3sofos e cientistas propunham novas maneiras de &#8220;olhar&#8221; o mundo, e de se relacionar com ele.\n\nA concep\u00e7\u00e3o de uma sociedade est\u00e1tica e estratificada, na qual o homem j\u00e1 encontrava o seu destino tra\u00e7ado ia sendo transformada.\n\nO homem passava a ser o construtor de seu tempo, de sua hist\u00f3ria.\n\nA Revolu\u00e7\u00e3o Industrial Inglesa, a Independ\u00eancia dos Estados Unidos e a Revolu\u00e7\u00e3o Francesa foram os marcos dessa modernidade.\n\nNa Europa ocidental, o novo pensamento liberal impulsionou a queda dos regimes absolutistas levando, para suas col\u00f4nias, o rastilho da Independ\u00eancia.\n\nNa Am\u00e9rica portuguesa os colonos percebiam que estava em suas m\u00e3os a possibilidade de mudar o rumo dos acontecimentos, tornando-se autores de sua pr\u00f3pria hist\u00f3ria.\n\nNas sociedades liter\u00e1rias e nas lojas ma\u00e7\u00f4nicas discutiam-se, em segredo, &#8220;as infames id\u00e9ias francesas&#8221; de Felicidade, Fraternidade, Igualdade e Liberdade.\n\nTramavam-se os movimentos conhecidos como Conjura\u00e7\u00f5es, que tiveram lugar em v\u00e1rios pontos da Col\u00f4nia, nos \u00faltimos anos do s\u00e9culo XVIII.\n\n<strong>Conjura\u00e7\u00e3o Mineira<\/strong>\n\nEntre 1740 e 1780 a produ\u00e7\u00e3o do ouro de aluvi\u00e3o das Minas caiu, de mais de 20 toneladas para cerca de 8 toneladas. Em 1760, j\u00e1 se tinha instalado a crise do ouro das minas brasileiras.\n\nEm Lisboa, o descontentamento e a preocupa\u00e7\u00e3o eram grandes. O Governo portugu\u00eas entendia ser fun\u00e7\u00e3o de qualquer Capitania colonial alimentar o Tesouro, equilibrando suas finan\u00e7as e sua economia.\n\nAlguns dos respons\u00e1veis pela administra\u00e7\u00e3o metropolitana desejavam, a cobran\u00e7a do quinto como forma de manter a riqueza oriunda da arrecada\u00e7\u00e3o do ouro. Em meados do s\u00e9culo XVIII, Alexandre de Gusm\u00e3o, secret\u00e1rio de D. Jo\u00e3o V, recriminou o Governo portugu\u00eas por &#8220;correr ignorante&#8221; na dire\u00e7\u00e3o de uma riqueza que entendia imagin\u00e1ria.\n\nO Eldorado encontrado terra adentro, motivo da cobi\u00e7a dos homens e de suas aventuras nos sert\u00f5es da Am\u00e9rica portuguesa, j\u00e1 n\u00e3o existia. Os mineradores n\u00e3o conseguiam produzir o suficiente para aplacar a voracidade do fisco metropolitano. O Governo interpretava o fato como fraude, atribuindo aos mineradores a sonega\u00e7\u00e3o e o contrabando do ouro. Na realidade, eles empobreciam e acumulavam d\u00edvidas. Por outro lado, as autoridades passavam a cobrar os tributos com mais rigor. As derramas, cobran\u00e7as for\u00e7adas dos atrasados para a Fazenda Real, ocorridas em 1762 e 1768, s\u00e3o um exemplo do que ocorria. As autoridades exigiam, tamb\u00e9m, uma quantidade de ouro e diamantes cada vez maior. O desassossego e a intranq\u00fcilidade dos colonos cresciam, enquanto as bat\u00e9ias seguiam rodando sem parar.\n\nMesmo \u00e0 dist\u00e2ncia, os olhos vigilantes da Coroa procuravam, por meio da Intend\u00eancia das Minas, fiscalizar, controlar e, sobretudo, manter o recolhimento dos tributos. Entretanto, apesar de todo o esfor\u00e7o, as sa\u00eddas ilegais do ouro e dos diamantes das minas &#8211; o contrabando &#8211; continuava. Documentos oficiais dessa \u00e9poca informavam \u00e0s autoridades portuguesas que muitas partidas de diamantes, oriundas do arraial do Tijuco, iam parar na Holanda, levadas por frotas que partiam do Rio de Janeiro.\n\nEsses desvios causavam esc\u00e2ndalos. Envolviam grupos de mineiros considerados fora-da-lei, &#8220;garimpeiros&#8221; associados a comerciantes ambulantes, &#8220;capangueiros&#8221; e, at\u00e9 mesmo, funcion\u00e1rios das Minas que, in\u00fameras vezes, contavam com a coniv\u00eancia dos contratadores nomeados pelo rei. O Governo portugu\u00eas sentia-se tra\u00eddo, entendendo que era preciso punir os culpados e que as masmorras, os degredos e as forcas existiam para isso.\n\n<strong>Outros fatores contribu\u00edam para acelerar a decad\u00eancia da Capitania:<\/strong> as despesas crescentes com artigos de importa\u00e7\u00e3o, especialmente ap\u00f3s o Alvar\u00e1 de 1785, de D. Maria I, proibindo a instala\u00e7\u00e3o de qualquer ind\u00fastria na Col\u00f4nia; as t\u00e9cnicas inadequadas e predat\u00f3rias utilizadas nas lavras de ouro e o saque \u00e1vido e constante de Portugal, apoderando-se de toda a produ\u00e7\u00e3o do ouro. Al\u00e9m disso, os mineiros n\u00e3o retinham para si o excesso de sua produ\u00e7\u00e3o e n\u00e3o investiam na economia local, para diversificar as atividades econ\u00f4micas. Ao lado desses fatos, havia a suspeita, praticamente confirmada, de que o Governo se preparava para executar uma nova derrama, em 1788 ou 1789. Essa conturbada situa\u00e7\u00e3o interna coincidiu com o desmoronamento do sistema colonial mercantilista na Europa, a partir do desenvolvimento da Revolu\u00e7\u00e3o Industrial. Revolu\u00e7\u00e3o que provocou uma profunda transforma\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica nas pot\u00eancias da \u00e9poca e, conseq\u00fcentemente, na rela\u00e7\u00e3o com suas col\u00f4nias.\n\nA crescente intranq\u00fcilidade e agita\u00e7\u00e3o na regi\u00e3o das Minas pode ser claramente percebida nas &#8220;Cartas Chilenas&#8221;, obra sat\u00edrica, produzida em meados da d\u00e9cada de 1780, cuja autoria \u00e9 atribu\u00edda a Tom\u00e1s Antonio Gonzaga. Elas registram pesados ataques ao governador Lu\u00eds da Cunha de Meneses e a outras autoridades portuguesas, destacando as arbitrariedades e prevarica\u00e7\u00f5es cometidas. Apontam, tamb\u00e9m, os excessos da tropa militar, formada pelos &#8220;drag\u00f5es.&#8221;\n\n&#8220;Entraram nas Comarcas os soldados, e entraram a gemer os tristes povos; uns tiram os brinquinhos das orelhas das filhas e mulheres; outros vendem as escravas j\u00e1 velhas que os criaram, por menos duas partes do seu pre\u00e7o.&#8221;\n\n<strong>Conjura\u00e7\u00e3o do Rio de Janeiro<\/strong>\n\nEm 1786, um grupo de intelectuais fundou, no Rio de Janeiro, a Sociedade Liter\u00e1ria, onde poetas e escritores debatiam sobre assuntos culturais e cient\u00edficos.\n\nAutorizados pelo vice-rei D. Lu\u00eds de Vasconcelos e Sousa, o cirurgi\u00e3o Ildefonso Jos\u00e9 da Costa Abreu, o professor e poeta Manuel In\u00e1cio da Silva Alvarenga, o professor de grego Jo\u00e3o Marques Pinto e outros reuniam-se, todas as quintas-feiras, das oito \u00e0s dez da noite, para discutir, entre outros temas, a observa\u00e7\u00e3o do eclipse total da lua em 1787, a an\u00e1lise da \u00e1gua, o m\u00e9todo de extrair a tinta do urucum e at\u00e9 os danos causados pelo alcoolismo. No entanto, os debates foram, aos poucos, incorporando os princ\u00edpios filos\u00f3ficos e pol\u00edticos da Revolu\u00e7\u00e3o Francesa.\n\nEm 1794, o novo vice-rei Conde de Rezende recebeu uma den\u00fancia de que membros da Sociedade conspiravam contra as autoridades portuguesas e que mostravam simpatia pelas id\u00e9ias republicanas. Ante tais den\u00fancias a Sociedade Liter\u00e1ria foi fechada. Em seguida, sob o pretexto de que seus s\u00f3cios continuavam a reunir-se clandestinamente, o Conde de Rezende acusou-os de &#8220;subvers\u00e3o&#8221;, mandando prend\u00ea-los. Foram recolhidas \u00e0 fortaleza da Concei\u00e7\u00e3o pessoas importantes na capital, como o poeta e professor Silva Alvarenga e um dos mais novos membros da Sociedade, o doutor Mariano Jos\u00e9 Pereira da Fonseca, rec\u00e9m-chegado de Coimbra, acusado de possuir em sua casa uma obra do fil\u00f3sofo franc\u00eas Rousseau.\n\nA devassa instaurada quase nada apurou. Casas foram revistadas, livros e pap\u00e9is apreendidos. Ap\u00f3s um ano as autoridades n\u00e3o tinham provas concretas de que os r\u00e9us pretendessem iniciar uma conspira\u00e7\u00e3o. Eram apenas culpados de defender, &#8220;em conversa\u00e7\u00f5es particulares ou p\u00fablicas id\u00e9ias detest\u00e1veis e perigosas&#8221;, de que os Governos das Rep\u00fablicas eram melhores do que as Monarquias e que os reis eram os tiranos opressores do povo. Dois anos depois, sem que se conseguisse nenhuma prova, os implicados foram considerados inocentes e libertados. Silva Alvarenga voltou a ensinar e o doutor Mariano, futuro marqu\u00eas de Maric\u00e1, aderiu ao movimento da Independ\u00eancia, exercendo posteriormente os cargos de senador e ministro.\n\n<strong>Conjura\u00e7\u00e3o Baiana<\/strong>\n\nEm 1761, com a mudan\u00e7a da sede do Governo Geral para o Rio de Janeiro, a Capitania da Bahia perdeu sua import\u00e2ncia pol\u00edtica, apesar de continuar desenvolvendo-se economicamente e a manter seu crescimento, gra\u00e7as ao com\u00e9rcio estrangeiro bastante intenso. Entretanto, n\u00e3o houve melhoria nas condi\u00e7\u00f5es de vida da popula\u00e7\u00e3o. O renascimento agr\u00edcola, que se verificou a partir de 1770, beneficiou apenas os senhores de engenho e os grandes comerciantes agravando, ainda mais, as contradi\u00e7\u00f5es sociais.\n\nContava a Capitania com uma popula\u00e7\u00e3o de aproximadamente 50 mil habitantes, a maioria composta por escravos negros ou alforriados, pardos e mulatos, homens livres e pobres que desempenhavam atividades manuais consideradas desprez\u00edveis pelas elites dominantes.\n\nEssa popula\u00e7\u00e3o pobre, negra, branca e mesti\u00e7a, sofria com o aumento do custo de vida, com a escassez de alimentos e com o preconceito racial. As agita\u00e7\u00f5es eram constantes. Entre 1797 e 1798 ocorreram v\u00e1rios saques aos armaz\u00e9ns do com\u00e9rcio de Salvador, e at\u00e9 os escravos que levavam a carne para o general-comandante foram assaltados. A popula\u00e7\u00e3o faminta roubava carne e farinha. Em in\u00edcios de 1798, a forca, s\u00edmbolo do poder colonial, foi incendiada. O descontentamento crescia tamb\u00e9m nos quart\u00e9is, onde incidentes envolvendo soldados e oficiais tornavam-se freq\u00fcentes. Havia, portanto, nesse clima tenso, condi\u00e7\u00f5es favor\u00e1veis para a circula\u00e7\u00e3o das id\u00e9ias de Igualdade, Liberdade e Fraternidade.\n\nGovernava a Bahia D. Fernando Jos\u00e9 de Portugal, que j\u00e1 em 1792 tinha sido advertido sobre os perigos da introdu\u00e7\u00e3o dos princ\u00edpios revolucion\u00e1rios que se tinham desenvolvido na Fran\u00e7a. Not\u00edcias da pr\u00f3pria Capitania chegavam \u00e0 Lisboa denunciando a situa\u00e7\u00e3o inquietante e a agita\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o, fazendo com que se recomendasse ao Governador maior vigil\u00e2ncia contra a propaga\u00e7\u00e3o das &#8220;infames id\u00e9ias francesas.&#8221;\n\n<strong>A Conspira\u00e7\u00e3o dos Suassunas<\/strong>\n\nTodos os movimentos de conjura\u00e7\u00e3o refletiram a insatisfa\u00e7\u00e3o e a inquieta\u00e7\u00e3o que atingia a Col\u00f4nia. No entanto, naquele momento, apresentavam-se como manifesta\u00e7\u00f5es regionais. N\u00e3o havia o sentimento de libertar o Brasil, apenas o desejo de libertar a regi\u00e3o. A dificuldade dos meios de transporte, ocasionando a forma\u00e7\u00e3o de n\u00facleos isolados, que mal se comunicavam, e o analfabetismo faziam com que o acesso \u00e0s id\u00e9ias liberais francesas fosse privil\u00e9gio de muito poucos.\n\nAs &#8220;infames id\u00e9ias francesas&#8221; alcan\u00e7aram tamb\u00e9m a Capitania de Pernambuco. Em 1798, o padre Arruda C\u00e2mara fundou uma sociedade secreta chamada Are\u00f3pago de Itamb\u00e9, provavelmente ligada \u00e0 Ma\u00e7onaria, que &#8220;&#8230;tinha por fim tornar conhecido o Estado Geral da Europa, os estremecimentos dos governos absolutos, sob o influxo das id\u00e9ias democr\u00e1ticas&#8230;&#8221; Em 1801, influenciados pelos ideais republicanos, os irm\u00e3os Suassuna, Francisco de Paula, Lu\u00eds Francisco e Jos\u00e9 Francisco de Paula Cavalcante de Albuquerque, propriet\u00e1rios do Engenho Suassuna lideraram uma conspira\u00e7\u00e3o que se propunha a elaborar um projeto de independ\u00eancia de Pernambuco. Os conspiradores foram denunciados e presos e, mais tarde, libertados por falta de provas.\n<h4>Cultura no Brasil Col\u00f4nia<\/h4>\nAt\u00e9 o s\u00e9culo XVII, a escassa vida cultural da col\u00f4niagira em torno dos col\u00e9gios jesu\u00edtas.\n\nA literatura e o teatro, influenciados pelo universo religioso, trazem um discurso ret\u00f3rico e moralizante.\n\nOs primeiros sinais de uma produ\u00e7\u00e3o cultural de car\u00e1ter nativista aparecem no livro de poemas M\u00fasica no Parnaso, de Manoel Botelho de Oliveira (1636-1711). Significativa \u00e9 tamb\u00e9m a obra sat\u00edrica de Greg\u00f3rio de Matos e Guerra, que tra\u00e7a amplo painel da vida na Bahia.\n\n<strong>Gr\u00eamios liter\u00e1rios<\/strong>\n\nEm meados do s\u00e9culo XVIII come\u00e7am a proliferar no Rio de Janeiro e na Bahia os gr\u00eamios liter\u00e1rios e art\u00edsticos. Integrados por m\u00e9dicos, funcion\u00e1rios p\u00fablicos, militares, magistrados e cl\u00e9rigos, impulsionam pesquisas e obras com temas nacionais.\n\n<strong>Arte e literatura mineiras <\/strong>\n\n<strong>O desenvolvimento urbano e a concentra\u00e7\u00e3o de riquezas na regi\u00e3o das minas permite o florescimento de um excepcional movimento arquitet\u00f4nico e pl\u00e1stico<\/strong>: o barroco mineiro. Na literatura, a regi\u00e3o v\u00ea nascer o arcadismo, primeira escola liter\u00e1ria da col\u00f4nia.\n\n<strong>Barroco mineiro<\/strong>\n\nO maior expoente do barroco mineiro \u00e9 Ant\u00f4nio Francisco Lisboa, o Aleijadinho. Escultor, entalhador e arquiteto, Aleijadinho trabalha principalmente em Vila Rica, atual Ouro Preto, e Congonhas do Campo. Tem obras espalhadas em S\u00e3o Jo\u00e3o del Rey, Sabar\u00e1 e Mariana.\n\n<strong>Arcadismo<\/strong>\n\nPor volta de 1757, surge um movimento liter\u00e1rio espec\u00edfico da regi\u00e3o das minas, o arcadismo. Privilegia o buc\u00f3lico e a simplicidade, utiliza imagens da mitologia e modelos liter\u00e1rios greco-romanos. Destacam-se a obra l\u00edrica de Tom\u00e1s Ant\u00f4nio Gonzaga e os poemas \u00e9picos de Cl\u00e1udio Manuel da Costa. Os \u00e1rcades mineiros cr\u00edticam a opress\u00e3o colonial e participam da Inconfid\u00eancia Mineira.\n\nFonte: www.conhecimentosgerais.com.br\/www.eduquenet.net\/www.multirio.rj.gov.br\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Crise do Sistema Colonial, Brasil, Col\u00f4nia, Movimento, Fatores, Revolu\u00e7\u00e3o, Industrial, Fim, Desenvolvimento, Cultura, Hist\u00f3ria, Crise do Sistema Colonial<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[54],"tags":[],"class_list":["post-15309","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-historia-do-brasil"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v28.3 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>Crise do Sistema Colonial - Portal S\u00e3o Francisco<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"noindex, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"en_US\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"Crise do Sistema Colonial - 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