{"id":15248,"date":"2015-12-23T00:00:00","date_gmt":"2015-12-23T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/uncategorized\/caifazes-2\/"},"modified":"2026-08-31T23:21:34","modified_gmt":"2026-08-31T23:21:34","slug":"caifazes-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/historia-geral\/caifazes-2\/","title":{"rendered":"Caifazes"},"content":{"rendered":"\n<strong>Caifazes &#8211; O que foi<\/strong>\n\nO\u00a0<strong>movimento dos caifazes<\/strong>\u00a0marcou o movimento abolicionista paulista e brasileiro.\n\nLiderados pelo advogado Antonio Bento de Souza e Castro, os caifazes ajudavam negros a fugirem das fazendas paulistas para o Cear\u00e1, onde a igualdade racial j\u00e1 havia sido decretada.\n\nEm S\u00e3o Paulo, por exemplo, a\u00a0<strong>Sociedade dos Caifazes<\/strong>, um movimento abolicionista radical, liderado pelo advogado\u00a0<strong>Antonio Bento de Sousa e Castro<\/strong>\u00a0especializou-se em incentivar e organizar fugas de cativos.\n\nUtilizaram-se das ferrovias que, ironicamente, foram constru\u00eddas para racionalizar o transporte do caf\u00e9, ou seja, a economia escravista, transformando-as em instrumentos que acabaram com a organiza\u00e7\u00e3o do trabalho.\n\nDo Oeste paulista, os escravos eram levados para S\u00e3o Paulo e da\u00ed para Santos, onde organizaram um grande quilombo, o Jabaquara, com cerca de dez mil habitantes.\n<p class=\"imagem\" style=\"text-align: center;\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" title=\"Caifazes\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/ccaifaz2.jpg\" alt=\"Caifazes\" width=\"242\" height=\"318\" \/><\/strong><strong>Antonio Bento de Souza e Castro (1843-1898)<\/strong><\/p>\n<strong>O Movimento dos Caifazes<\/strong>\n\nIdealizado por Ant\u00f4nio Bento de Sousa e Castro, o\u00a0<strong>Movimento dos Caifazes<\/strong>\u00a0organizava fugas de escravos no final do s\u00e9culo XIX.\n\n<strong>Ant\u00f4nio Bento<\/strong>\u00a0e seus comparsas roubavam os negros e os enviavam para o quilombo do Jabaquara (Santos).\n\nEnt\u00e3o eles eram mandados para a prov\u00edncia cearense, local onde a igualdade racial j\u00e1 havia sido decretada.\n\nO Movimento dos Caifazes teve influ\u00eancia de artistas como o poeta Lu\u00eds Gama que disse, ?o escravo que mata o seu senhor pratica um ato de leg\u00edtima defesa?.\n\nAp\u00f3s sua morte, foi substitu\u00eddo por Ant\u00f4nio Bento. Antonio Bento era filho de uma fam\u00edlia paulistana bem rica. Seu modo de agir e se vestir era tido como exc\u00eantrico entre a burguesia paulistana daquela \u00e9poca.\n\nTamanha era a vontade de Antonio Bento em roubar os negros, que ele os acomodava em sua casa e nas resid\u00eancias de seus comparsas caifazes.\n\nNesta \u00e9poca, houve uma press\u00e3o social e econ\u00f4mica contra a escravid\u00e3o, ent\u00e3o muitas cidades decretaram Lei \u00c1urea e acabaram libertando os negros roubados pelos Caifazes. Assim, alguns senhores come\u00e7aram a contratar negros como trabalhadores ganhando sal\u00e1rio fixo.\n\n<strong>Caifazes<\/strong>\u00a0\u00e9 um nome de inspira\u00e7\u00e3o b\u00edblica, retirado de uma passagem do evangelho de S\u00e3o Jo\u00e3o. O personagem que batizou o grupo tinha o nome de Caif\u00e1s, homem que supostamente tra\u00eda por causas ?nobres?.\n\n<strong>A Perpetua\u00e7\u00e3o da Vitoria de Caifaz !<\/strong>\n\nNa sexta-feira chamada de santa, como em todos os outros dias da semana, dos meses, dos anos, dos s\u00e9culos e do mil\u00eanio,que se sucederam desde o assassinato legal perpetrado com a aquiesc\u00eancia do estado jur\u00eddico e principalmente pela maioria da popula\u00e7\u00e3o de ent\u00e3o, de um homem inconformado com as canalhices de seu tempo, que eram perpetradas tanto pelo povo quanto pelas lideran\u00e7as pol\u00edticas, militares e a cima de tudo pelas religiosas de ent\u00e3o; e exatamente por seu inconformismo com o estado de coisas em seus dias que foi julgado por seus pares ( os judeus de ent\u00e3o) e condenado ao sofrimento, a humilha\u00e7\u00e3o e a dor insuport\u00e1veis pelo crime de n\u00e3o conformar-se com a aus\u00eancia de car\u00e1ter e com o esp\u00edrito pecuni\u00e1rio dos religiosos de seus dias, que eram os rabinos liderados por um dos grandes pulhas da hist\u00f3ria chamado Caif\u00e1s.\n\n<strong>Caif\u00e1s<\/strong>\u00a0era o l\u00edder de todos os rabinos nos dias em que Jesus vivia e pregava em sua postura ao contrario do chefe da quadrilha religiosa a humildade e a coer\u00eancia,enquanto o cabe\u00e7a da malta de rabinos resplandecia em pompa e circunst\u00e2ncia ao lado dos invasores Romanos, usufruindo das benesses do vassalismo, da sub serviencia e dos favorecimentos que lhe eram concedidos devido ao fato de induzir a plebe obtusa e ignara ao conformismo e a servilidade ante a domina\u00e7\u00e3o e a injusti\u00e7a levadas a cabo pelos opressores de ent\u00e3o, este mesmo\u00a0<strong>Caif\u00e1s<\/strong>\u00a0que induziu o estado Romano, na pessoa de Poncius Pilatos a colocar ao povo judeu uma escolha de cartas marcadas que certamente favoreceria aos seus interesses pois sabia ele ser Jesus muito mais perigoso do que o simpl\u00f3rio Barrabas e assim sendo induziu a esc\u00f3ria judaica a escolha que mais convinha aos seus planos.\n\nJesus desde a idade de treze anos j\u00e1 era um inimigo declarado de Caifaz, quando expulsou os cambistas que trocavam as v\u00e1rias esp\u00e9cies de ent\u00e3o pela moeda da Jud\u00e9ia, \u00fanica aceita pelos rabinos como oferendas trazidas pelos judeus de todas as partes para a sinagoga maior daqueles dias como fazem hoje os incautos fieis com seus d\u00edzimos, que sustentam os Caifazes dos dias de hoje que pululam em todas as religi\u00f5es ditas judaico crist\u00e3s. Canalhas abjetos como Edir Macedo, RR Soares, Paiva Neto, Henry Sobel, os Papas e todos aqueles que induzem os fracos a seus controles e principalmente a suas gan\u00e2ncias pessoais travestidas de lideran\u00e7as espirituais, mesmo que assim procedendo contradigam \u00e9tica, filos\u00f3fica e moralmente os ensinamentos daquele que foi crucificado por ser contra todos os ditames de Caifaz.\n\nVivendo nos dias de hoje, vejo a vit\u00f3ria de\u00a0<strong>Caif\u00e1s<\/strong>\u00a0por perpetua\u00e7\u00e3o e a derrota de Jesus por incompreens\u00e3o, j\u00e1 que tudo o que foi dito por um \u00e9 seguido a risca por seus seguidores vorazes pelas mentiras e pelas benesses dos falsos profetas e vendilh\u00f5es de todos os templos que pululam na vida daqueles que por fraqueza entregam suas vidas seus destinos e seus dinheiros e sua f\u00e9 a voracidade destes seguidores da ignor\u00e2ncia e da gan\u00e2ncia; enquanto o segundo \u00e9 crucificado a cada dia nas cidades do mundo a cada vez que um inocente \u00e9 morto, injusti\u00e7ado ou quando seu nome \u00e9 proferido pelos disc\u00edpulos de Caifaz e trocado por dinheiro, o que faz crer que continua n\u00e3o sendo propositadamente compreendido e conseq\u00fcentemente ignorado principalmente devido a manipula\u00e7\u00e3o que se repete por parte daqueles que v\u00eaem no lucro f\u00e1cil das mentiras proferidas em nome de um e com a vis\u00e3o canalha e manipuladora daquele que venceu uma vez e perpetua sua vit\u00f3ria sangrenta covarde e med\u00edocre a 1972 anos.\n\n<strong>Antonio Bento e seus caifazes<\/strong>\n\n<strong>O Fantasma da Aboli\u00e7\u00e3o que se insurgiu contra os fazendeiros de caf\u00e9 e mudou a luta abolicionista<\/strong>\n\nEm 23 de julho de 1840, quando D. Pedro II \u00e9 declarado maior de idade, tem in\u00edcio o segundo reinado, que se estende at\u00e9 15 de novembro de 1889, com a instaura\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica. O governo de D. Pedro II, denominado de II Reinado, foi marcado por transforma\u00e7\u00f5es de ordem social e econ\u00f4mica decisivas para a hist\u00f3ria do Pa\u00eds, tais como a guerra do Paraguai e a Aboli\u00e7\u00e3o da escravid\u00e3o.\n\nNo governo de Pedro II prevaleceu o jogo de concilia\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, na tentativa freq\u00fcente de manter o poder e a ordem ante a crise social, agravada a partir de meados do s\u00e9culo XIX, quando o rei passou a enfrentar o descontentamento de grupos sociais oposicionistas que pregavam a derrocada da monarquia.\n\nEm 1870, com o fim da Guerra do Paraguai, cresciam as rebeli\u00f5es escravas. O conflito havia dizimado milhares de soldados brasileiros, entre eles, os negros, que, de t\u00e3o numerosos, motivaram a alcunha racista paraguaia de que formavam \u201cum ex\u00e9rcito de macacos\u201d. Eram escravos alforriados pelo Imperador destinados ao combate com o fim de poupar filhos de gente abastada, salvos, assim, da \u201crecoluta\u201d, o famigerado recrutamento militar. Com o t\u00e9rmino da guerra, por\u00e9m, voltam os negros \u00e0 sua penosa condi\u00e7\u00e3o de escravos nas fazendas de caf\u00e9, que davam in\u00edcio \u00e0s bases do novo poder econ\u00f4mico paulista.\n\n<strong>Antonio Bento de Souza e Castro<\/strong>\u00a0foi o principal l\u00edder abolicionista de S\u00e3o Paulo na d\u00e9cada de 1880. Nascido em 17 de fevereiro de 1843, em uma casa da Rua de S\u00e3o Jos\u00e9, hoje L\u00edbero Badar\u00f3, era filho leg\u00edtimo de Bento Joaquim de Souza e Castro, farmac\u00eautico estabelecido por longos anos na rua S\u00e3o Bento, na capital da prov\u00edncia, e de D. Henriqueta Vianna de Souza e Castro.\n\nEra um homem em posi\u00e7\u00e3o de destaque, filho de uma abastada fam\u00edlia paulistana, embora visto como exc\u00eantrico por seus modos e sua apar\u00eancia.\n\n<strong>Raul Pomp\u00e9ia assim o retratou:<\/strong>\u00a0\u201cMagro, estreitado, do tornozelo \u00e0 orelha, no longo capote preto como num tubo, cartola, cabe\u00e7a inclinada, m\u00e3os nos bolsos, quebrando contra o peito pela fenda da gola o rijo cavaignac de arame, o olhar disfar\u00e7ado nos \u00f3culos azuis como uma l\u00e2mina no estojo, marcha retil\u00ednea de passo igual tirado sobre articula\u00e7\u00f5es met\u00e1licas \u2026\u201d\n\nEm 1864, Antonio Bento matriculou-se na Faculdade de Direito de S\u00e3o Paulo, onde recebeu o grau de Bacharel em Ci\u00eancias Jur\u00eddicas e Sociais em 10 de dezembro de 1868.\n\nDurante o mandato do Dr. Jos\u00e9 Elias Pacheco Jord\u00e3o como Presidente da Prov\u00edncia de S\u00e3o Paulo, e logo depois de formado, foi nomeado promotor p\u00fablico da Comarca de Botucatu, sendo depois removido para Limeira, cargo do qual, tempos depois, pediu exonera\u00e7\u00e3o.\n\nCom a idade de 29 anos, foi nomeado Juiz Municipal de Atibaia, onde reorganizou o Partido Conservador, do qual foi chefe.\n\nNas suas fun\u00e7\u00f5es de delegado de pol\u00edcia e juiz municipal, a figura controversa do conservador Antonio Bento era famosa por seus despachos favor\u00e1veis aos escravos, alegando que era ilegal manter em condi\u00e7\u00f5es sub-humanas os africanos trazidos ao Brasil ap\u00f3s a promulga\u00e7\u00e3o das leis de 1831 e 1850 que proibiam o seu tr\u00e1fico e os declaravam libertos.\n\nComo costumava nomear abolicionistas para arbitrar o valor das cartas de alforria, granjeou, em meio \u00e0s lutas pol\u00edticas de conservadores, liberais e republicanos, a f\u00faria dos escravocratas.\n\nPor mais de uma vez sofreu tentativa de assassinato.\n\nO juiz acabou por ser demitido de suas fun\u00e7\u00f5es, em conseq\u00fc\u00eancia da press\u00e3o desses desafetos.\n\n<strong>Curiosamente, mais de 20 anos depois, o rancor contra Antonio Bento ainda era manifesto numa esp\u00e9cie de elogio p\u00f3stumo, em not\u00edcia do jornal O Estado de S\u00e3o Paulo:<\/strong>\n<blockquote>\u201cO dr. Antonio Bento de Souza e Castro, o popular\u00edssimo Antonio Bento das lutas pela aboli\u00e7\u00e3o, faleceu ontem, nesta capital (\u2026). N\u00e3o era um brasileiro ilustre. Estudou e formou-se na nossa Faculdade de Direito, seguiu, logo depois de formado, a carreira da magistratura, dedicou-se por vezes ao jornalismo, mas, nem na Faculdade, nem na magistratura, nem no jornalismo conseguiu salientar-se. N\u00e3o revelou jamais dotes de intelig\u00eancia e seu esp\u00edrito era notavelmente inculto. A ouvi-lo falar (falava como um homem rude do sert\u00e3o) ou a ler o que ele publicava nos seus ef\u00eameros jornais de combate (era deploravelmente incorreto e quase nunca sabia nada al\u00e9m da agress\u00e3o pessoal ao advers\u00e1rio), ningu\u00e9m diria que ele era um homem que tinha se sentado durante cinco anos nos bancos de um estabelecimento de ensino superior. Entretanto, o seu nome se fez c\u00e9lebre e glorioso em todo o Brasil e justamente c\u00e9lebre e justamente glorioso.\u201d O Estado de S\u00e3o Paulo, 9.11.1898.<\/blockquote>\nFato curioso \u00e9 que os dirigentes do jornal O Estado de S\u00e3o Paulo eram ma\u00e7ons tanto quanto Antonio Bento, por\u00e9m defendiam a manuten\u00e7\u00e3o da escravatura, e a oligarquia que sempre dominou o Pa\u00eds, usando, sempre, at\u00e9 atualmente, o recurso de desvalorizar, difamar os que contra os poderosos lutam e lutaram.\n\nAntonio Bento, no entanto, defendia os direitos humanos e a oportunidade de uma vida digna para os trabalhadores que deveriam receber pelos trabalhos prestados. Surgiu, viveu e morreu com a discri\u00e7\u00e3o e humildade que prega a Ma\u00e7onaria.\n\nDeixou um legado de honra por tudo o que, com seus Caifazes, realizou em prol da liberta\u00e7\u00e3o de um povo que vivia em extrema opress\u00e3o e condi\u00e7\u00f5es sub-humanas.\n\nDepois de seu desaparecimento, surgiram os \u201cher\u00f3is de ocasi\u00e3o\u201d, alguns que nada fizeram nem mesmo para libertar seus pr\u00f3prios escravos.\n\nEnquanto juiz municipal, Antonio Bento iniciou a constru\u00e7\u00e3o da Santa Casa de Atibaia, que n\u00e3o foi conclu\u00edda devido \u00e0 sua mudan\u00e7a para a Capital.\n\nio Bento iniciou a constru\u00e7\u00e3o da Santa Casa de Atibaia, que n\u00e3o foi conclu\u00edda devido \u00e0 sua mudan\u00e7a para a Capital.\n<p class=\"imagem\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Caifazes\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/ccaifaz4.jpg\" alt=\"Caifazes\" width=\"362\" height=\"236\" \/>\n<\/strong><strong>Santa Casa de Atibaia<\/strong><\/p>\n<strong>O surto de var\u00edola de 1872 revelou mais de seu car\u00e1ter benem\u00e9rito:<\/strong>\u00a0com a finalidade de cuidar dos doentes pobres, conseguiu arrecadar, entre os raros moradores que permaneceram na cidade, uma pequena quantia, completando as despesas do seu pr\u00f3prio bolso.\n\n<strong>A seguir, trecho de sua carta ent\u00e3o enviada ao Presidente da Prov\u00edncia de S\u00e3o Paulo:<\/strong>\u00a0\u201cPode V. E. conhecer que esta pequena quantia obriga-me a gastar do meu minguado e insignificante ordenado que mal d\u00e1 para minha subsist\u00eancia. Eu bem vejo que n\u00e3o me compete policiar a cidade, mas, como crist\u00e3o que sou, n\u00e3o posso deixar perecer os pobres, que s\u00e3o os que mais sofrem nas epidemias; enquanto n\u00e3o der provid\u00eancias, pesam sobre mim essas despesas\u201d.\n\nAinda em Atibaia, perseguido pelos escravocratas, foi v\u00edtima de atentado e atingido por um tiro na cabe\u00e7a. Como resultado de sua persist\u00eancia na liberta\u00e7\u00e3o dos escravos, tamb\u00e9m ficou preso nessa cidade.\n\nEm 1877, Antonio Bento transferiu sua resid\u00eancia para S\u00e3o Paulo, tendo sido o reorganizador da Confraria de Nossa Senhora dos Rem\u00e9dios, em que foi provedor.\n\nDesde 1880, come\u00e7ou a trabalhar no Movimento Emancipa\u00e7\u00e3o, que tinha Luiz Gama como chefe.\n<p class=\"imagem\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Caifazes\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/ccaifaz5.jpg\" alt=\"Caifazes\" width=\"328\" height=\"275\" \/>\nT\u00famulo de Luiz Gama, no Cemit\u00e9rio da Consola\u00e7\u00e3o, na capital paulista<\/strong><\/p>\nCom a morte do benem\u00e9rito abolicionista, em 24 de agosto de 1882, jurou sobre o t\u00famulo, juntamente com outros companheiros, continuar o Movimento por ele iniciado.\n\n<strong>Antonio Bento<\/strong>\u00a0convenceu tamb\u00e9m a popula\u00e7\u00e3o a jurar sobre o cad\u00e1ver de Luiz Gama que n\u00e3o deixaria morrer a ideia pela qual combatera aquele gigante. Um brado surdo, imponente, vasto levantou-se no Cemit\u00e9rio da Consola\u00e7\u00e3o. As m\u00e3os estenderam-se abertas para o cad\u00e1ver\u2026 A multid\u00e3o jurou\u2026diante do majestoso espet\u00e1culo.\n<p class=\"imagem\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Caifazes\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/ccaifaz6.jpg\" alt=\"Caifazes\" width=\"278\" height=\"341\" \/>\nCicatrizes de flagela\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<strong>Antes que a l\u00e1pide de cimento selasse o \u00faltimo elo entre a vida e a morte, surge, dentre a massa compacta que acorreu ao Cemit\u00e9rio da Consola\u00e7\u00e3o, Antonio Bento, o substituto daquele negro morto, murmurando:<\/strong>\n<blockquote>\u201c<strong>Quando me vejo rodeado de tantos infelizes que, com l\u00e1grimas, imploram o meu fraco apoio e n\u00e3o acho nas leis deste desgra\u00e7ado pa\u00eds um meio de socorr\u00ea-los, a minha alma se despeda\u00e7a de afli\u00e7\u00e3o e tenho \u00edmpetos de, largando a pena e empunhando a espada, bradar:<\/strong>\u00a0Liberdade ou morte!&#8217;\u201d.<\/blockquote>\nEnganou-se Antonio Bento. N\u00e3o eram de resultados seguros e eficientes os meios ent\u00e3o empregados pelos que trabalhavam pela liberta\u00e7\u00e3o dos cativos.\n\nConvencido de que, contra os interesses, de nada valiam palavras, deu ele nova fei\u00e7\u00e3o \u00e0 propaganda. Meses depois, Antonio Bento, sob o signo da cruz e a prote\u00e7\u00e3o do manto sagrado da Irmandade de Nossa Senhora dos Rem\u00e9dios, da qual era provedor, organizou, entre seus companheiros, uma associa\u00e7\u00e3o secreta encarregada de colaborar na her\u00f3ica campanha, a famosa \u201cOrdem dos Caifazes\u201d.\n\nTratava-se de uma organiza\u00e7\u00e3o composta de um grupo heterog\u00eaneo que reunia ju\u00edzes, jornalistas, tip\u00f3grafos, poetas, cocheiros, negociantes, advogados, estudantes de direito.\n\n<strong>O nome Caifazes foi inspirado em uma passagem do evangelho de S\u00e3o Jo\u00e3o (Jo\u00e3o 11: 49 a 51):<\/strong>\n<blockquote>\u201c<strong>Um deles chamado Caif\u00e1s, que era sumo sacerdote daquele ano, disse-lhes:<\/strong>\u00a0V\u00f3s n\u00e3o entendeis nada! Nem considereis que nos conv\u00e9m que morra um s\u00f3 homem pelo povo, e que n\u00e3o pere\u00e7a toda a na\u00e7\u00e3o. E ele nos disse isso por si mesmo, mas, como era o sumo sacerdote daquele ano, profetizou que Jesus havia de morrer pela na\u00e7\u00e3o\u201d.<\/blockquote>\nDentre os membros deste movimento, estavam Raul Pomp\u00e9ia, Bernardino de Campos, Macedo Pimentel, Arcanjo Dias, Baptista, Julio de Castilhos Alberto Correa, Luis Murat, Eug\u00eanio Egas, En\u00e9ias Galv\u00e3o, c\u00f4nego Guimar\u00e3es Barroso, Hyppolito da Silva, Carlos Garcia, Bueno de Andrada, Muniz de Souza, major Pinheiro, Santos Garraf\u00e3o, Quintino Lacerda e Antonio Gon\u00e7alves da Silva (O Batu\u00edra), que se tornou um dos pioneiros do Espiritismo no Brasil. Fundou o \u201cGrupo Esp\u00edrita Verdade e Luz\u201d, onde, no dia 6 de abril de 1890, diante de enorme assembl\u00e9ia, dava in\u00edcio a uma s\u00e9rie de explana\u00e7\u00f5es sobre \u201cO Evangelho Segundo o Espiritismo\u201d.\n\nOs argumentos dos \u201cCaifazes\u201d, variados e incontest\u00e1veis, deixavam bem claro que a escravid\u00e3o era um entrave ao desenvolvimento do Pa\u00eds, pois impedia o crescimento do mercado, a evolu\u00e7\u00e3o das t\u00e9cnicas, corrompia o trabalho, a moral e a fam\u00edlia.\n\nSe, num primeiro momento, o movimento abolicionista paulista limitava-se a uma a\u00e7\u00e3o parlamentar, o segundo, que se inicia na d\u00e9cada de 1880, \u00e9 marcado por uma campanha que conta com a ades\u00e3o de v\u00e1rios segmentos sociais e que passa a exercer uma a\u00e7\u00e3o direta para acabar com a escravid\u00e3o.\n<p class=\"imagem\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Caifazes\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/ccaifaz7.jpg\" alt=\"Caifazes\" width=\"336\" height=\"291\" \/>\nO feitor<\/strong><\/p>\nConsiderada subversiva na \u00e9poca, a organiza\u00e7\u00e3o dos Caifazes promovia prote\u00e7\u00e3o a escravos que fugiam e incentivava a evas\u00e3o dos negros das grandes fazendas.\n\nO efeito causado por este movimento, al\u00e9m de mostrar as agruras da escravid\u00e3o, foi de uma inevit\u00e1vel compara\u00e7\u00e3o do mart\u00edrio do negro ao mart\u00edrio de Cristo.\n\n<strong>A a\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria dos Caifazes deve ser vista a partir de um duplo aspecto:\u00a0<\/strong>a desorganiza\u00e7\u00e3o do trabalho escravo, que inclu\u00eda todo o processo de fuga (do incitamento \u00e0 chegada ao Quilombo do Jabaquara em Santos) e a inser\u00e7\u00e3o do negro fugido no mercado de trabalho.\n\nA din\u00e2mica e a complementaridade entre esses dois aspectos \u00e9 que d\u00e3o um car\u00e1ter inovador ao movimento dos Caifazes.\n<p class=\"imagem\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Caifazes\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/ccaifaz8.jpg\" alt=\"Caifazes\" width=\"328\" height=\"254\" \/>\nIgreja dos Rem\u00e9dios, na capital paulista<\/strong><\/p>\nOs escravos foragidos ou libertados pela Ordem dos Caifazes eram encaminhados ao Quilombo do Jabaquara, que abrigou mais de 10 mil escravos, e tamb\u00e9m para o Quilombo no Cubat\u00e3o, criado por Antonio Bento.\n\nDali eram enviados a Santos e, de Santos, ao Cear\u00e1.\n<p class=\"imagem\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Caifazes\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/ccaifaz9.jpg\" alt=\"Caifazes\" width=\"306\" height=\"269\" \/>\n\u00daltimos vest\u00edgios do Quilombo do Jabaquara<\/strong><\/p>\nEm sua casa, nas suas propriedades e \u00e0s suas pr\u00f3prias custas, sustentava os negros foragidos.\n\n<strong>Quando os soldados brasileiros recusavam-se a continuar capturando os escravos, e toda a imprensa iniciava manifesta\u00e7\u00e3o a favor dessas id\u00e9ias, valeu-se Antonio Bento do momento psicol\u00f3gico para dar o golpe fatal:<\/strong>\u00a0enviou emiss\u00e1rios por toda a parte pregando a revolta e a desorganiza\u00e7\u00e3o agr\u00edcola, que teve como conseq\u00fc\u00eancias a fuga em massa e o abandono do trabalho, fazendo com que o governo passasse a cuidar do magno problema.\n\nEm novembro de 1885, alguns senhores de escravos da prov\u00edncia de S\u00e3o Paulo, devido ao derradeiro estrago que Antonio Bento promovia com seus Caifazes, formaram uma sociedade com capital de \u201c20:000$000\u201d.\n\nEste deveria ser empregado na manuten\u00e7\u00e3o de uma pol\u00edcia que vigiasse e liquidasse os ladr\u00f5es de escravos, os \u201cCaifazes\u201d abolicionistas.\n\nEm 1882, Raul Pomp\u00e9ia e Ant\u00f4nio Bento de Souza e Castro fundaram em S\u00e3o Paulo o Jornal do Com\u00e9rcio. A esta folha abolicionista veio se juntar o A Reden\u00e7\u00e3o (1887), tamb\u00e9m fundado por Ant\u00f4nio Bento, que, na proposta editorial, pregava \u201ca liberta\u00e7\u00e3o imediata, sem prazo\u201d.\n\nAntonio Bento tamb\u00e9m fundou os jornais O Arado (1882) e A Liberdade (1888), que eram trincheiras, violentas tribunas, de onde combatia com veem\u00eancia os escravocratas.\n\nOs historiadores narram que, para Ant\u00f4nio Bento, a escravid\u00e3o era uma mancha na Hist\u00f3ria do Brasil. H\u00e1 registro de um epis\u00f3dio em que um negro, que havia sido torturado, teria sido levado por Ant\u00f4nio Bento \u2013 crist\u00e3o fervoroso \u2013 a uma prociss\u00e3o.\n\nA efic\u00e1cia do movimento foi t\u00e3o significativa, despertando a consci\u00eancia de igualdade racial, que a maioria das cidades paulistas, cedendo \u00e0s press\u00f5es populares, decretaram mesmo antes da Lei \u00c1urea, de 1888, a liberta\u00e7\u00e3o dos escravos negros. Com isto, Antonio Bento conseguiu que alguns senhores contratassem os negros fugitivos como trabalhadores livres e assalariados, coisa impens\u00e1vel na \u00e9poca.\n\nQuando da promulga\u00e7\u00e3o dessa Lei, existiam somente 6% de escravos no Estado de S\u00e3o Paulo.\n\n<strong>Movimento dos Caifazes &#8211; A Ma\u00e7onaria<\/strong>\n\nMembro da loja ma\u00e7\u00f4nica Piratininga, provedor da Irmandade de Nossa Senhora dos Rem\u00e9dios e participante ativo nas confrarias religiosas negras de Nossa Senhora do Ros\u00e1rio, Santa Ifig\u00eania e Santo Elesb\u00e3o, Antonio Bento, rompendo barreiras \u00e9tnicas e sociais, conseguiu reunir os poderosos e a gente do povo numa rede clandestina de solidariedade.\n\nO movimento dos Caifazes tornou-se o elemento in\u00e9dito do abolicionismo em S\u00e3o Paulo, na d\u00e9cada de 1880. Dele, faziam parte magistrados, advogados, chefes de pol\u00edcia, parlamentares, jornalistas, comerciantes, propriet\u00e1rios de caieiras e armaz\u00e9ns, controladores da Alf\u00e2ndega, empregados em servi\u00e7os de navega\u00e7\u00e3o costeira e at\u00e9 mesmo membros de fam\u00edlias de fazendeiros e corretores de caf\u00e9.\n\nMuitos destes pertenciam \u00e0 poderosa organiza\u00e7\u00e3o da Ma\u00e7onaria, que congregava ilustres membros da elite. A eles cabia fornecer aos Caifazes o suporte financeiro para seus deslocamentos, fuga e acoitamento dos escravos foragidos, o pagamento das custas dos processos para obter sua liberta\u00e7\u00e3o ou aquisi\u00e7\u00e3o de carta de alforria, e ainda providenciar coloca\u00e7\u00e3o aos escravos resgatados como trabalhadores livres nas fazendas de caf\u00e9 de outras regi\u00f5es ou em pequenos servi\u00e7os urbanos.\n\nAntonio Bento deve ter sido iniciado na Loja Piratininga no per\u00edodo compreendido entre 1\u00ba de julho de 1867 e 7 de agosto de 1869, pois, ap\u00f3s esta \u00faltima data, a Loja adormeceu, e n\u00e3o h\u00e1 registros ou documentos hist\u00f3ricos neste intervalo.\n\n<strong>Em 19 de mar\u00e7o de 1890, entrava no Saco de Propostas e Informa\u00e7\u00f5es a seguinte proposta:<\/strong>\u00a0\u201cPropondo a eleva\u00e7\u00e3o do Ir.\n\n<strong>Dr. Antonio Bento de Souza e Castro, Gr.?. 30.?., ao Gr.?. 33.?., com dispensa de metaes, n\u00e3o s\u00f3 j\u00f3ias, mas tamb\u00e9m patentes, porque:<\/strong>\u00a0Antonio Bento \u00e9 um vulto hist\u00f3rico; seu nome honra a Ma\u00e7onaria Brasileira, que nele tem o mais arrojado interprete do art. 3\u00ba da Constitui\u00e7\u00e3o, que estabelece a Liberdade, a Igualdade e a Fraternidade.\n\nEle tem recursos para pagar os metaes, mas a gra\u00e7a deve ser absolutamente isenta dele, ao contr\u00e1rio a eleva\u00e7\u00e3o n\u00e3o constituir\u00e1 o reconhecimento de altos servi\u00e7os prestados \u00e0 Ordem e \u00e0 Humanidade (Art\u00ba 137 e 144 da Lei Administrativa).\n\n<strong>N\u00e3o h\u00e1 necessidade de provas documentais, de que trata o Art\u00ba 145 da citada Lei, porque os seus efeitos est\u00e3o registrados na Hist\u00f3ria nacional contempor\u00e2nea; est\u00e3o nos anaes do antigo Senado descritas pelo ex-senador Christiano Otoni, que atribuiu as gl\u00f3rias da aboli\u00e7\u00e3o a tr\u00eas entidades<\/strong>: ao ex-imperador 1\u00ba, ao visconde do Rio Branco e a Antonio Bento; est\u00e3o nos anaes da C\u00e2mara dos Deputados apreciados por Joaquim Nabuco; est\u00e3o em toda imprensa da Capital Federal e do Brasil; est\u00e3o, enfim, na consci\u00eancia nacional.\u201d\n\n<strong>Antonio Bento de Souza e Castro<\/strong>\u00a0&#8211;\u00a0<strong>Biografia<\/strong>\n\n<strong>Antonio Bento foi casado com D. Benedita Am\u00e9lia de Souza e Castro, paulistana, filha de Brandino Antonio Gon\u00e7alves e de D. Marinha Jesu\u00edna da Concei\u00e7\u00e3o, com quem teve quatro filhos:<\/strong>\u00a0Bento, Antonio Bento, Eucharides e Joab.\n\nAlgumas palavras resumem parte de sua hist\u00f3ria, pois seria dif\u00edcil resumi-la toda, j\u00e1 que esbanja uma trajet\u00f3ria repleta de acontecimentos marcantes.\n\nBenedita Am\u00e9lia consolava os perseguidos, acolhia e protegia os que mais sofriam, dava exemplos di\u00e1rios de coragem e perseveran\u00e7a.\n\nJunto com Batu\u00edra, An\u00e1lia Franco e outros que pertenciam ao grupo dos Abolicionistas e Republicanos, patrocinava a constru\u00e7\u00e3o de abrigos e col\u00e9gios para jovens, meninos e meninas abandonados.\n<p class=\"imagem\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Caifazes\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/ccaifaz11.jpg\" alt=\"Caifazes\" width=\"275\" height=\"326\" \/>\nBenedita Am\u00e9lia de Souza e Castro<\/strong><\/p>\nAo lado de Antonio Bento, enfrentou tudo com discri\u00e7\u00e3o, firmeza, dedica\u00e7\u00e3o e um profundo amor ao pr\u00f3ximo.\n\nAp\u00f3s o falecimento de Antonio Bento, muda-se da Rua do Carmo, juntamente com seu neto Bento de Souza e Castro, para sua ch\u00e1cara na Freguesia do \u00d3, continuando com seu trabalho benemerente, no qual dividia com os necessitados os frutos de suas economias. Em 21 de novembro de 1929 faleceu Benedita Am\u00e9lia, uma mulher \u00e0 frente do seu tempo.\n\n<strong>A LOJA MA\u00c7\u00d4NICA ANTONIO BENTO<\/strong>\n\nEm 13 de maio de 2005, durante a homenagem prestada por irm\u00e3os da Grande Loja Ma\u00e7\u00f4nica do Estado de S\u00e3o Paulo e do Grande Oriente do Brasil ao abolicionista Luiz Gama, junto ao seu t\u00famulo no Cemit\u00e9rio da Consola\u00e7\u00e3o, \u00e9 lan\u00e7ada a semente para a funda\u00e7\u00e3o de uma Loja que homenageasse tamb\u00e9m o abolicionista Antonio Bento.\n\nDecorrido exatamente um ano ap\u00f3s este evento, \u00e9 fundada, por um grupo de Irm\u00e3os, a Augusta e Respeit\u00e1vel Loja Simb\u00f3lica Antonio Bento n\u00ba 651 cujos princ\u00edpios e ideais s\u00e3o o resgate das ra\u00edzes que fizeram dos Caifazes um movimento para derrocar a \u201cenorme muralha mong\u00f3lica da escravid\u00e3o\u201d (Rui Barbosa).\n\n<strong>RESUMO BIOGR\u00c1FICO<\/strong>\n\nNo ano de 1888 ocorreu uma tumultuada elei\u00e7\u00e3o para a Mesa Administrativa, cujos membros, na sua maioria, n\u00e3o chegaram a tomar posse. Nesta elei\u00e7\u00e3o estava presente Antonio Bento de Souza e Castro, sucessor de Luiz Gama no Centro Abolicionista de S\u00e3o Paulo, provedor da Confraria de Nossa Senhora dos Rem\u00e9dios e protetor da Irmandade de Nossa Senhora do Ros\u00e1rio de S\u00e3o Paulo.\n\nO cargo do provedor da Confraria de Nossa Senhora dos Rem\u00e9dios (onde estava instalada a tipografia do jornal A Reden\u00e7\u00e3o) facilitou o contato com os irm\u00e3os de v\u00e1rias irmandades.\n\nApesar de serem entidades aut\u00f4nomas, havia fluente comunica\u00e7\u00e3o entre elas promovida pelos irm\u00e3os adeptos desse movimento.\n\nNos livros de assentamentos das Irmandades encontram-se os mesmos irm\u00e3os inscritos na Confraria dos Rem\u00e9dios, na Irmandade de S\u00e3o Benedito, na Irmandade de Santa Efig\u00eania e Santo Elesb\u00e3o, ao mesmo tempo ou alternadamente.\n\n<strong>O cunho popular e a\u00e7\u00e3o ilegal dos Caifazes se faziam da seguinte maneira:<\/strong>\u00a0infiltravam-se nas fazendas, utilizando os mais diversos disfarces, para conquistar a confian\u00e7a dos escravos e convenc\u00ea-los a fugir.\n\nEra a parte mais arriscada e mais dif\u00edcil dessa empreitada, pois podiam ser denunciados ou descobertos e muitos escravos resistiam \u00e0 fuga com medo dos castigos.\n\nEstes foragidos vinham para S\u00e3o Paulo, onde permaneciam escondidos nas igrejas, nas casas particulares, e em estabelecimentos comerciais, cujos donos muitas vezes eram membros das irmandades.\n\nDe S\u00e3o Paulo partiam para Santos, a p\u00e9 ou ajudados por ferrovi\u00e1rios adeptos das id\u00e9ias abolicionistas. A\u00ed permaneciam mais uma vez escondidos at\u00e9 se dirigirem para o Quilombo do Jabaquara, em Santos.\n\nOrganizado em torno das irmandades negras, o povo mais humilde dava aos Caifazes um apoio invis\u00edvel como o dos modestos empregados das estradas de ferro \u2013 por ironia, a \u00faltima novidade da modernidade destinada a promover a economia de exporta\u00e7\u00e3o do caf\u00e9, garantindo seu transporte at\u00e9 o porto.\n\nA ferrovia se tornou um dos principais instrumentos de organiza\u00e7\u00e3o das fugas de escravos, conduzidos de trem at\u00e9 a capital ou ao porto de Santos. Pessoas comuns, e mesmo os muitos imigrantes instalados na cidade a partir de 1875, cuidavam, espontaneamente, das necessidades cotidianas da popula\u00e7\u00e3o flutuante do Jabaquara, por onde, calcula-se, passaram cerca de 10.000 escravos fugidos.\n\nA negra Brandina, dona de uma pens\u00e3o, e seu am\u00e1sio, o portugu\u00eas Santos Garraf\u00e3o, empregado numa casa de com\u00e9rcio, eram algumas das figuras populares que se destacaram no cen\u00e1rio abolicionista.\n\nO casal mantinha um pequeno quilombo na Ponta da Praia e se ocupava de garantir alimenta\u00e7\u00e3o e cuidados de sa\u00fade na Santa Casa de Miseric\u00f3rdia para os refugiados do Jabaquara.\n\nGarraf\u00e3o era tamb\u00e9m um dos principais articuladores da a\u00e7\u00e3o dos Caifazes de Antonio Bento em S\u00e3o Paulo com os abolicionistas santistas.\n\nAo mesmo tempo em que contribu\u00edram para desorganizar a economia escravocrata pelo confisco da m\u00e3o-de-obra escrava e a inser\u00e7\u00e3o dos libertos no mercado do trabalho assalariado, os Caifazes marcaram a mentalidade de uma \u00e9poca. Esta \u00e9 a caracter\u00edstica mais significativa e revolucion\u00e1ria do movimento dos Caifazes de Antonio Bento, que representou em S\u00e3o Paulo antes uma conquista de todo o povo paulistano e tamb\u00e9m dos escravos do que uma concess\u00e3o do poder imperial.\n<p class=\"imagem\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Caifazes\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/ccaifaz12.jpg\" alt=\"Caifazes\" width=\"287\" height=\"380\" \/>\nT\u00famulo de Antonio Bento, no Cemit\u00e9rio da Consola\u00e7\u00e3o, na capital paulista<\/strong><\/p>\nFonte:\u00a0professormaxsuel.com\/www.usinadeletras.com.br\/www.novomilenio.inf.br\/historiapensante.com\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Caifazes, Movimento, Brasil, Hist\u00f3ria, Sociedade, Bento de Souza e Castro, Abolicionista, Escravos, Caracter\u00edstica, Caifazes<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":10409,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[57],"tags":[],"class_list":["post-15248","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-historia-geral"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v28.3 - 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