{"id":15128,"date":"2015-12-22T00:00:00","date_gmt":"2015-12-22T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/uncategorized\/trafico-negreiro-2\/"},"modified":"2026-08-31T23:20:22","modified_gmt":"2026-08-31T23:20:22","slug":"trafico-negreiro-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/historia-do-brasil\/trafico-negreiro-2\/","title":{"rendered":"Tr\u00e1fico Negreiro"},"content":{"rendered":"\n<strong>Tr\u00e1fico Negreiro &#8211; Historia do Brasil<\/strong>\n\n<strong>O Brasil carrega uma triste marca:<\/strong>\u00a0a de ter sido a \u00faltima na\u00e7\u00e3o do mundo a abolir a<strong>\u00a0escravid\u00e3o.<\/strong>\n\nPresente j\u00e1 na Antiguidade, o cativeiro humano \u00e9 recriado, junto com o capitalismo comercial e o movimento de expans\u00e3o colonial, e tem em nosso pa\u00eds um local de prefer\u00eancia. Entre a segunda metade do s\u00e9culo XVI e o ano de 1850, data da aboli\u00e7\u00e3o definitiva do tr\u00e1fico negreiro, o n\u00famero de cativos africanos importados \u00e9 avaliado em 3,6 milh\u00f5es de homens.\n\nNosso pa\u00eds transforma-se em um territ\u00f3rio negro e mesti\u00e7o.\n\n<strong>Entendido como pe\u00e7a, como coisa, o escravo perde sua origem e sua personalidade para se transformar em um servus non habent personam:<\/strong>\u00a0um sujeito sem corpo, antepassados, nome ou bens pr\u00f3prios.\n\nEsta exposi\u00e7\u00e3o conta a hist\u00f3ria desses homens que n\u00e3o s\u00f3 lutaram por sua sobreviv\u00eancia, como reinventaram sua pr\u00f3pria exist\u00eancia. Dar voz a essa fala silenciada \u00e9 um mist\u00e9rio, nem sempre f\u00e1cil de ser desvendado.\n\nDe toda forma, boa viagem!\n\n<strong>\u00c1FRICA:\u00a0<\/strong>T\u00c3O LONGE E T\u00c3O PERTO\n\nAprendemos a conhecer a \u00c1frica por meio dos marcos da hist\u00f3ria europeia. Na pr\u00e9-hist\u00f3ria este continente aparece como o local onde viveram nossos primeiros antepassados; na Idade Antiga, surge como o ber\u00e7o da civiliza\u00e7\u00e3o eg\u00edpcia. Por fim, s\u00f3 reaparece a partir do s\u00e9culo XV, como um ap\u00eandice do mundo moderno europeu. A \u00c1frica, por\u00e9m, tem uma hist\u00f3ria para contar.\n\n\u00c9 por meio da tradi\u00e7\u00e3o oral que os historiadores tentam hoje reconstruir os fragmentos da mem\u00f3ria desse continente t\u00e3o dilacerado pelo intenso tr\u00e1fico de escravos e pela partilha colonial.\n\nNunca saberemos ao certo quantos africanos foram arrancados de sua terra natal.\n\n<strong>Para o Brasil vieram negros de dois grandes grupos \u00e9tnicos:<\/strong>\u00a0os bantos, predominantemente origin\u00e1rios do Sudoeste e Sudeste africanos, e tamb\u00e9m os sudaneses, procedentes do Noroeste do continente.\n\nDa Costa da Mina partiram sobretudo os sudaneses, dentre os quais destacam-se os iorubas ou nag\u00f4s, os jejes e os fanti-achantis. Por sua vez, de S\u00e3o Paulo de Luanda vieram os bantos, sendo as maiores levas compostas pelos angolas, ca\u00e7anjes e bengalas.\n\nCom o acelerado despovoamento, desorganizaram-se a pol\u00edtica e a economia das sociedades africanas. Antes da chegada dos portugueses, escravos eram prisioneiros de guerra que se incorporavam ao grupo que os capturava. Bem diversa foi a escravid\u00e3o imposta pelos europeus, orientada pelo lucro.\n\n<strong>Abre-se assim um importante setor do tr\u00e1fico mercantil:\u00a0<\/strong>o com\u00e9rcio de seres humanos. As proas dos navios negreiros voltam-se com toda for\u00e7a para o novo continente.\n\nMal alimentados e vitimados pelas epidemias que grassavam a bordo dos navios, os negros morriam com facilidade. Nos por\u00f5es, aglomeravam-se de trezentas a quinhentas pessoas para uma viagem que leva de trinta a cinq\u00fcenta dias. Com frequ\u00eancia, 10% a 20% das pe\u00e7as n\u00e3o chegavam a seu destino.\n\nO tr\u00e1fico negreiro para o Brasil foi intenso at\u00e9 1850, quando acabou sendo suspenso ap\u00f3s uma longa pol\u00eamica com a Inglaterra.\n\n<strong>EIS UMA BOA MERCADORIA<\/strong>\n\n\u00c9 f\u00e1cil imaginar o estado de exaust\u00e3o dos cativos ap\u00f3s uma viagem t\u00e3o longa e degradante. Estava na hora de tratar do aspecto f\u00edsico dos sobreviventes que seriam colocados \u00e0 venda em leil\u00e3o p\u00fablico<strong>.<\/strong>\n\n<strong>S\u00e3o ent\u00e3o postos \u00e0 engorda, tratados e bem cuidados:<\/strong>\u00a0aplica-se \u00f3leo de palma para esconder as doen\u00e7as e dar brilho \u00e0 pele; lustram-se os dentes; imp\u00f5e-se exerc\u00edcios para aumentar a flexibilidade.\n\nO pre\u00e7o dos escravos era definido pelo sexo, idade, e especializa\u00e7\u00e3o, mas dependia sobretudo da condi\u00e7\u00e3o f\u00edsica. O destino dessas pe\u00e7as estava nas m\u00e3os de seus senhores, que podiam alugar, vender, hipotecar, segurar ou penhorar suas novas propriedades.\n\n<strong>No Brasil, a larga utiliza\u00e7\u00e3o de m\u00e3o-de-obra escrava levou a uma invers\u00e3o de valores:<\/strong>\u00a0o trabalho passou a ser considerado, pelas pessoas livres, como desonroso.\n\n<strong>ESCRAVOS URBANOS:\u00a0<\/strong>O universo do trabalho resumia-se ao mundo dos escravos. Vendedores ambulantes, negras quituteiras, negros de ganho oferecendo-se como pedreiros, barbeiros, alfaiates, funileiros ou carpinteiros eram figuras obrigat\u00f3rias nas ruas das cidades.\n\n<strong>ESCRAVOS RURAIS<\/strong>\n\nOs escravos rurais correspondiam \u00e0 imensa maioria dos cativos. Suas condi\u00e7\u00f5es de trabalho e a possibilidade de conseguir alforria eram inferiores \u00e0s de seus parceiros da cidade. No campo, o poder e a autoridade do senhor n\u00e3o possu\u00edam limites.\n\n<strong>Na zona rural, a jornada de trabalho era extensa:<\/strong>\u00a0as atividades come\u00e7avam antes do nascer do sol e, na \u00e9poca de colheita, estendiam-se at\u00e9 as onze horas da noite. Existiam ainda os escravos pastoris, numerosos nos campos do Sul do pa\u00eds, que, em virtude da sua ocupa\u00e7\u00e3o, ficavam menos sujeitos \u00e0 vigil\u00e2ncia senhoral.\n\n<strong>ESCRAVOS DOM\u00c9STICOS<\/strong>\n\nDiferente era a condi\u00e7\u00e3o dos escravos dom\u00e9sticos. Escolhidos segundo sua apar\u00eancia, eram sempre os mais bem vestidos e bem tratados. Esse \u00e9 o universo das mucamas, pajens, amas-de-leite, amas-secas, cozinheiras, cocheiros, lavadeiras, copeiros e garotos de recado. No entanto, esses cativos representavam uma minoria e n\u00e3o raro distanciavam-se dos demais.\n\n<strong>Uma velha ladainha dizia:<\/strong>\u00a0\u201cNegro no eito vira copeiro, n\u00e3o \u00f3ia mais para o seu parceiro.\u201d\n\n<strong>ESCRAVOS MINERADORES<\/strong>\n\nNo s\u00e9culo XVIII, com a decad\u00eancia da cana, muitos cativos do Nordeste foram enviados para as zonas de minera\u00e7\u00e3o.\n\nO trabalho do escravo minerador era menos vigiado e por vezes a sorte de seu senhor podia lhe valer uma carta de alforria. Este documento, embora raro e com frequ\u00eancia anul\u00e1vel, representou um sonho de liberdade para esses cativos.\n\n<strong>ALIMENTA\u00c7\u00c3O<\/strong>\n\n<strong>\u00c9 sabido que no Brasil colonial todos passavam fome:<\/strong>\u00a0no caso dos cativos a situa\u00e7\u00e3o era ainda pior. Comentam os viajantes que boa parte dos escravos recebiam unicamente feij\u00e3o cozido, servido em cuias, uma vez ao dia.\n\n<strong>\u00c9 prov\u00e1vel que a origem da feijoada esteja ligada \u00e0 triste sina desses homens que, a fim de engrossar o caldo ralo, buscavam no lixo de seus senhores as partes desprezadas do porco:\u00a0<\/strong>l\u00edngua, rabo, p\u00e9s e orelhas. Verdade ou n\u00e3o, at\u00e9 hoje a feijoada \u00e9 considerada um prato t\u00edpico brasileiro. Estranho caminho esse que faz de h\u00e1bitos \u00e9tnicos s\u00edmbolos nacionais.\n\n<strong>CASAMENTO<\/strong>\n\nA despropor\u00e7\u00e3o entre os sexos contribu\u00eda para dificultar os casamentos entre escravos. Al\u00e9m disso, essas uni\u00f5es eram mal toleradas pelos senhores, que preferiam ignor\u00e1-las.\n\n<strong>S\u00f3 tardiamente a legisla\u00e7\u00e3o preocupou-se em garantir a fam\u00edlia escrava:<\/strong>\u00a0em 1869 proibiu-se que o marido fosse separado da mulher, bem como dos filhos menores de quinze anos. No entanto, liga\u00e7\u00f5es extraconjugais, filhos naturais e cenas de ci\u00fames fizeram parte do cen\u00e1rio local e criaram situa\u00e7\u00f5es amb\u00edguas e revoltantes.\n\nA escraviza\u00e7\u00e3o de filhos pelos pais ou das pr\u00f3prias m\u00e3es pelos filhos n\u00e3o eram cenas estranhas a esse contexto.\n\n<strong>MORADIA:\u00a0<\/strong>A casa-grande e a senzala representavam p\u00f3los opostos desta sociedade. A resist\u00eancia do senhor era o centro de irradia\u00e7\u00e3o de toda atividade econ\u00f4mica e social. Vasta mans\u00e3o t\u00e9rrea, distinguia-se pelo estilo s\u00f3brio e imponente. As senzalas eram constru\u00e7\u00f5es de pau a pique, cobertas de sap\u00e9, sem janelas e com uma \u00fanica porta. Ficavam pr\u00f3ximas da casa-grande para que as fugas, bastante freq\u00fcentes, pudessem ser controladas.\n\n<strong>ROUPAS:\u00a0<\/strong>O escravo que labutava no campo recebia dois conjuntos de roupas por ano. As baetas vinham do Rio de Janeiro, enquanto os panos grossos e as chitas chegavam de Londres. Os trajes eram trocados aos domingos e lavados uma vez por semana. Expostos ao sol e \u00e0s chuvas, convertiam-se em andrajos, raz\u00e3o pela qual os relatos de \u00e9poca descrevem com frequ\u00eancia negros esfarrapados e seminus.\n\n<strong>OS LIBERTOS:\u00a0<\/strong>N\u00e3o era f\u00e1cil ser liberto em um mundo onde as dist\u00e2ncias sociais n\u00e3o eram sequer discutidas. Os libertos n\u00e3o podiam votar nem ter cargos p\u00fablicos; eram tamb\u00e9m facilmente reconduzidos \u00e0 sua antiga condi\u00e7\u00e3o, por infidelidade aos seus senhores ou por suspeita de escravo.\n\n<strong>VIDA E MORTE<\/strong>\n\nA dura\u00e7\u00e3o m\u00e9dia da m\u00e3o-de-obra era quinze anos e nas fazendas havia sempre de 10% a 25% dos escravos momentaneamente incapacitados.\n\nOs \u00edndices de mortalidade dos cativos eram altos devido \u00e0s p\u00e9ssimas condi\u00e7\u00f5es higi\u00eanicas, \u00e0s in\u00fameras epidemias, \u00e0s picadas de animais venenosos, \u00e0 m\u00e1 qualidade da alimenta\u00e7\u00e3o e ao intenso regime de trabalho.\n\nA mortalidade infantil atingia cerca de 90%.\n\n<strong>UM MUSEU DE HORRORES:\u00a0<\/strong>A viol\u00eancia era parte constitutiva desse tipo de organiza\u00e7\u00e3o que supunha a propriedade de um homem por outro. A escravid\u00e3o s\u00f3 p\u00f4de existir em virtude da dissemina\u00e7\u00e3o do medo. \u00c9 por isso que no Brasil criou-se um verdadeiro museu de horrores, com castigos dos mais rotineiros aos mais especializados. No entanto, o essencial era a regra de marcar, torturar e humilhar, mas sem matar.\n\n<strong>MARCAS<\/strong>\n\nOs instrumentos de ferro eram variados. Enquanto correntes e libambos impediam a movimenta\u00e7\u00e3o do escravo, gargalheiras, golilhas e golinhas, colares colocados no pesco\u00e7o, evitavam fugas e expunham o cativo \u00e0 humilha\u00e7\u00e3o. As calcetas eram argolas de ferro que se prendiam ao tornozelo dificultando o passo, e o vira-mundo cumpria fun\u00e7\u00e3o semelhante \u00e0 do tronco.\n\nOutra pr\u00e1tica comum era marcar os negros com ferro em brasa nas coxas, nos bra\u00e7os, no ventre, no peito ou at\u00e9 na face. Esses sinais serviam como marca de propriedade ou tra\u00e7o de identifica\u00e7\u00e3o no caso de fuga.\n\n<strong>CASTIGOS:\u00a0<\/strong>O tronco \u00e9 talvez o mais antigo dos instrumentos de puni\u00e7\u00e3o. Formado por duas pe\u00e7as de madeira ou de ferro, o condenado era preso ao aparelhos pelos pulsos, tornozelos e \u00e0s vezes pelo pesco\u00e7o. Al\u00e9m de ficar em uma posi\u00e7\u00e3o inc\u00f4moda, o suplicado permanecia \u00e0 merc\u00ea do ataque de insetos e das intemp\u00e9ries.\n\n<strong>S\u00cdMBOLOS DA VIOL\u00caNCIA<\/strong>\n\nUm dos castigos dom\u00e9sticos mais vulgares foi a palmatoada, ou bolo. Consistia em aplicar a palmat\u00f3ria nas m\u00e3os dos cativo, calculando-se o n\u00famero de execu\u00e7\u00f5es por d\u00fazias.\n\nO a\u00e7oite ou bacalhau era um instrumento corriqueiro de supl\u00edcio. Utilizado para reprimir desde o furto de uma rapadura at\u00e9 o assassinato de um feitor, o a\u00e7oite simbolizou a viol\u00eancia, assim como o pelourinho, presen\u00e7a fundamental nas cidades e local da aplica\u00e7\u00e3o deste castigo.\n\n<strong>A REINVEN\u00c7\u00c3O DA IDENTIDADE<\/strong>\n\nSentimos a for\u00e7a da presen\u00e7a africana nos quatro cantos do brasil. O samba, a capoeira e o candombl\u00e9 s\u00e3o atualmente admitidos como registradas do pa\u00eds.\n\nA exist\u00eancia at\u00e9 hoje desta manifesta\u00e7\u00f5es \u00e9 o fruto de uma longa batalha por autonomia e reconhecimento cultural travada pelos escravos.\n\nA mesma estrat\u00e9gia de dissimula\u00e7\u00e3o foi utilizada na adora\u00e7\u00e3o dos deuses africanos em \u201cterra de branco\u201d. Nos calundus e nas casas de candombl\u00e9 os negros, para poder cultuar seus orix\u00e1s em paz, os relacionavam aos santos crist\u00e3os. Existiam ainda os batuques. Nas festas religiosas das irmandades cat\u00f3licas negras, como as de S\u00e3o Benedito e de Nossa Senhora do Ros\u00e1rio, os atabaques batiam para os homens e para os deuses.\n\n<strong>A CONQUISTA DA LIBERDADE:\u00a0<\/strong>A REBELI\u00c3O DE CADA UM\n\nDurante muito tempo acreditou-se no car\u00e1ter pac\u00edfico e cordial da escravid\u00e3o brasileira. No entanto, n\u00e3o s\u00f3 os castigos fizeram parte desse sistema, como tamb\u00e9m as fugas, os abortos e os suic\u00eddios.\n\n<strong>O banzo \u00e9 um dos mais conhecidos de atos de suic\u00eddio:\u00a0<\/strong>escravos, com saudades da \u00c1frica, ingeriam terra diariamente, o que lhes causava uma morte lenta.\n\nContra essa pr\u00e1tica adotavam-se as terr\u00edveis m\u00e1scaras de Flandres, que impediam ainda o v\u00edcio da bebida. A escrava Anast\u00e1cia permanece na mem\u00f3ria popular como uma mulher que, ao reagir ao cativeiro, foi obrigada a usar permanentemente uma dessas m\u00e1scaras.\n\n<strong>QUILOMBOS E INSURREI\u00c7\u00d5ES<\/strong>\n\nO temor de que os escravos pudessem se revoltar coletivamente sempre perturbou o sono dos senhores e das autoridades que, por isso, redobravam a vigil\u00e2ncia.\n\nA partir de 1740, toda habita\u00e7\u00e3o com mais de cinco negros passou a ser considerada um quilombo. Apesar disso, n\u00e3o deixaram de existir agrupamentos desse tipo durante todo o per\u00edodo da escravid\u00e3o.\n\n<strong>Os quilombolas agiam de forma amb\u00edgua em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 sociedade circundante:<\/strong>\u00a0\u00e0s vezes estabeleciam alian\u00e7as com ela, s vezes se negavam a qualquer tipo de acordo.\n\n<strong>A REVOLTA DOS MAL\u00caS<\/strong>\n\nO controle r\u00edgido n\u00e3o impediu, tamb\u00e9m, que os escravos organizassem grandes insurrei\u00e7\u00f5es, a despeito de suas diferen\u00e7as \u00e9tnicas, religiosas e jur\u00eddicas. Em 1835, por exemplo, explodiu em Salvador a revolta dos mal\u00eas, liderada por libertos e cativos mu\u00e7ulmanos, muitos deles mais instru\u00eddos do que seus propriet\u00e1rios.\n\nEmbora tenham sido derrotados, os mal\u00eas mostraram-se h\u00e1beis estrategistas.\n\n<strong>FATOS NOT\u00c1VEIS<\/strong>\n\nNem sempre foram pac\u00edficas as rea\u00e7\u00f5es. S\u00e3o muitos os casos de assassinato e de envenenamento, sendo senhores e feitores as v\u00edtimas prediletas. Era reconhecida a per\u00edcia escrava na fabrica\u00e7\u00e3o de venenos de origem vegetal, mineral e animal, como o p\u00f3 preparado com cabe\u00e7a de cascavel, torrada e mo\u00edda. O famoso quebranto, descrito nos romances da \u00e9poca como uma grande lassid\u00e3o e des\u00e2nimo que se apoderava dos senhores de escravos, e os amansava, era resultado da administra\u00e7\u00e3o gradual de potentes venenos.\n\nExistiam outras modalidades de assassinato, como colocar escorpi\u00f5es nas botinas da v\u00edtima e cobras venenosas sob os travesseiros ou pr\u00f3ximo dos p\u00e9s da pessoa que se queria eliminar.\n\n<strong>PALMARES:\u00a0<\/strong>O COME\u00c7O\n\nCorria o ano de 1630. A capitania de Pernambuco estava tomada pelos holandeses, que vieram no encal\u00e7o do a\u00e7\u00facar brasileiro e impuseram seu dom\u00ednio por cerca de trinta anos.\n\n<strong>Neste contexto, foi fundado um dos maiores Estados negros jamais visto nas Am\u00e9ricas:<\/strong>\u00a0o quilombo de Palmares.\n\n<strong>NEG\u00d3CIOS DO SERT\u00c3O<\/strong>\n\nSituado no alto da Serra da Barriga, Palmares possu\u00eda um solo f\u00e9rtil. As planta\u00e7\u00f5es de milho, mandioca, feij\u00e3o e batata-doce serviam tanto para a subsist\u00eancia como para o com\u00e9rcio com regi\u00f5es vizinhas.\n\nAl\u00e9m de dedicar-se \u00e0 agricultura, os quilombolas exerciam v\u00e1rias atividades artesanais, inclusive a fundi\u00e7\u00e3o de metais.\n\n<strong>O ACORDO DE GANGA ZUMBA<\/strong>\n\nEsse projeto negro de liberdade subvertia a ordem colonial. Por isso, in\u00fameras expedi\u00e7\u00f5es contra Palmares foram enviadas ao longo dos 65 anos de sua hist\u00f3ria.\n\nEm 1678, o rei Ganga Zumba, ap\u00f3s a primeira grande investida realizada sobre os palmarinos, assinou uma tr\u00e9gua com o governador de Pernambuco para evitar mais perdas e ganhar tempo. Entretanto, esse ato dividiu o quilombo e resultou no envenenamento de seu rei.\n\n<strong>A BATALHA FINAL:\u00a0<\/strong>Zumbi assumiu o poder e sua atua\u00e7\u00e3o foi marcada pelo confronto com os brancos, devido a incurs\u00f5es em \u00e1reas vizinhas para libertar escravos. Em 1694, um ex\u00e9rcito composto por 3 mil homens e comandado pelo bandeirante paulista Domingos Jorge Velho, um antigo ca\u00e7ador de \u00edndios, aniquilou o quilombo. Centenas de quilombolas foram assassinados.\n\n<strong>ZUMBI:\u00a0<\/strong>S\u00cdMBOLO DE LIBERDADE\n\nZumbi conseguiu fugir e passou a realizar opera\u00e7\u00f5es de guerrilha at\u00e9 ser tra\u00eddo e morto, em 20 de novembro de 1695. Sua cabe\u00e7a foi exposta publicamente num poste de cidade de Recife.\n\nZumbi \u00e9 hoje lembrado como o grande s\u00edmbolo da resist\u00eancia negra no Brasil.\n\n<strong>FIM DA VIAGEM?<\/strong>\n\n<strong>No Brasil convivem duas imagens opostas:<\/strong>\u00a0de um lado o mito da democracia racial; de outro a representa\u00e7\u00e3o de um pa\u00eds com larga experi\u00eancia escravocrata.\n\n<strong>O resultado \u00e9 uma forma espec\u00edfica de conviv\u00eancia racial:<\/strong>\u00a0\u201cum preconceito de ter preconceito\u201d, como dizia Florestan Fernandes. Em nosso pa\u00eds, apesar de todos se dizerem avessos ao racismo, n\u00e3o h\u00e1 quem n\u00e3o conhe\u00e7a cenas de discrimina\u00e7\u00e3o ou n\u00e3o saiba uma boa piada sobre o tema.\n\nAinda hoje o trabalho manual \u00e9 considerado aviltante e a hierarquia social reproduz uma divis\u00e3o que data da \u00e9poca do cativeiro.\n\nCom naturalidade absorvemos a ideia de um elevador de servi\u00e7o ou de lugares que se transformam em verdadeiros guetos raciais. \u00c9 por isso que n\u00e3o basta condenar a hist\u00f3ria, ou encontrar her\u00f3is delimitados.\n\nZumbi existe em cada um de n\u00f3s. \u00c9 passado e \u00e9 presente.\n\nA\u00a0<strong>historia do trafico<\/strong>\u00a0\u00e9 por demais complexa e remota, cabendo \u00e0s mais antigas sociedades das na\u00e7\u00f5es e a todos os povos da alta antiguidade, portanto n\u00e3o cabendo aos portugueses a sua primazia, que por sua vez s\u00e3o descendentes de povos que tamb\u00e9m foram escravizados e dominados por outros mais poderosos.\n\nEm toda a \u00c1frica, desde \u00e9pocas imemor\u00e1veis, a escravid\u00e3o militar ou escravid\u00e3o hist\u00f3rica a que \u00e9 pr\u00f3pria de todas as sociedades humanas numa fase de sua evolu\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e que dessa escravid\u00e3o nasceu a escravid\u00e3o mercantil, n\u00e3o s\u00f3 as guerras criaram a escravid\u00e3o, mas tamb\u00e9m as religi\u00f5es pois as vitorias do islamismo deram como resultado o estabelecimento do trafico pelo extremo nordeste do continente africano e como o religioso mu\u00e7ulmanos penetrou at\u00e9 o cora\u00e7\u00e3o da \u00c1frica, as legi\u00f5es do profeta conseguiram manter o monop\u00f3lio do comercio do interior e o trafico de escravos destinados a suprir o sul da \u00c1sia e grande parte do Mediterr\u00e2neo Oriental, e esse trafico ampliou-se para todo o norte da \u00c1frica, e pelo fato este tr\u00e1fico teve ent\u00e3o dois vastos emont\u00f3rios que foram o leste pelo Mar Vermelho e do norte do deserto at\u00e9 o Maghreb e no principio do s\u00e9culo XV e que se puseram os primeiros navegantes crist\u00e3os em rela\u00e7\u00e3o com os escravos da costa africana do oeste.\n\nE no ano de 1432 o navegador portugu\u00eas Gil Eanes introduziu em Portugal a primeira leva de negros escravos e a partir desta \u00e9poca os portugueses passaram a traficar os escravos com as Ilhas das Madeiras e em Porto-Santo, em seguida levaram os negros para os A\u00e7ores logo depois para Cabo-Verde e finalmente para o Brasil.\n\nEm meados do s\u00e9culo XVI devido ao estabelecimento do Governo Geral, o que pesa para Portugal a respeito ao trafico negro, pesa tamb\u00e9m sobre a Fran\u00e7a, Espanha, Holanda e especialmente sobre a Inglaterra, pois lhe cabe a primazia como vanguardeira do tr\u00e1fico e do com\u00e9rcio de escravos autorizado desde o reinado de Eduardo VI e come\u00e7ando no reinado da Rainha Elizabeth no s\u00e9culo XVI, e John Hawkins foi o primeiro ingl\u00eas a empreender o com\u00e9rcio de negros escravos por este motivo recebeu o titulo de Baronnet, e a historia dos navios negreiros e a mais comovente epop\u00e9ia de dor e de desespero da ra\u00e7a negra; homens, mulheres e crian\u00e7as eram amontoados nos cub\u00edculos monstruosamente escuros das galeras e dos navios negreiros onde iam se misturando com o bater das vagas e o ranger dos mastros na vastid\u00e3o dos mares.\n\nA fome e a sede, de m\u00e3os dadas com as doen\u00e7as que se propagavam nos ambientes estreitos passavam pelos maribundos e n\u00e3o lhes ceifavam a vida, concedendo-lhes perd\u00e3o e miseric\u00f3rdia que n\u00e3o encontravam aconchego nos cora\u00e7\u00f5es dos homens, daqueles homens severos e maus de todas as embarca\u00e7\u00f5es e que s\u00f3 se preocupavam com o neg\u00f3cio rendoso que a escravaria oferecia.\n\nOs negros fortes, retintos e amontoados tamb\u00e9m se tornavam feras acuadas onde o dia se confundia com a noite pois as levas de negros que embarcavam na costa da \u00c1frica provinham de diferentes pontos e de diferentes ra\u00e7as e eram misturadas como carga comum nos bojos dos navios negreiros.\n\n<strong>Os gemidos dos moribundos vinham juntar a algaravia das diferentes l\u00ednguas dos Mandingas, Felupos, Cabindas, G\u00eajes, Fulas, Congos, Bundas, Bantos, Libolos, Ca\u00e7anjes e tantas outras tribos, desconhecidas umas das outras, rosnavam como feras furibundas e dilaceravam-se mutuamente nas m\u00ednimas disputas; quando o navio negreiro sofria qualquer acedio de naus piratas, os tripulantes que se preparavam para a defesa do navio negreiro, normalmente recebiam ordens do comandante que era sempre um b\u00e1rbaro que sumariamente mandava atirar ao mar os negros agonizantes, para aliviar a carga para tornar o barco mais male\u00e1vel, erra quando os marinheiros desciam aos por\u00f5es imundos e os moribundos eram atirados ao mar, e quando isto n\u00e3o acontecia as epidemias lavravam os por\u00f5es e s\u00f3 havia um rem\u00e9dio<\/strong>: o mar!\n\nA organiza\u00e7\u00e3o da Companhia de Lagos tinha o objetivo de incentivar e desenvolver o com\u00e9rcio africano e dar expans\u00e3o ao trafico negreiro.\n\nLogo ap\u00f3s o navegador Ant\u00e3o Gon\u00e7alves ter dado entrada em Portugal de uma leva de escravos negros capturados na Ilha de Arguim, e a viagem inicial da Companhia de Lagos que foi empreendida por uma expedi\u00e7\u00e3o composta de seis caravelas ao comando do escudeiro Lan\u00e7orote que transportou 235 cativos, e pelas lutas travadas entre varias feitorias da \u00c1frica que se entrechocavam no fornecimento de escravos e as incurs\u00f5es devastadoras dos cors\u00e1rios e piratas e a institui\u00e7\u00e3o da Companhia de Lagos, motivaram a forma\u00e7\u00e3o de varias companhias negreiras, que entre elas podemos citar a Companhia de Cacheu em 1675, Companhia de Cabo Verde e Cacheu de Neg\u00f3cios de Pretos em 1690, Companhia Real de Guin\u00e9 e das \u00cdndias em 1693, Companhia das \u00cdndias Ocidentais em 1636\n\nE devido ao \u00eaxito desta para o Brasil e o tino pol\u00edtico do padre jesu\u00edta Ant\u00f4nio Vieira se deu a cria\u00e7\u00e3o da Companhia Geral do Com\u00e9rcio do Brasil em 1649.\n\nA Companhia do Estado do Maranh\u00e3o em 1679, Companhia da Costa da \u00c1frica em 1723,Companhia do Gr\u00e3o Par\u00e1 e Maranh\u00e3o, Companhia de Com\u00e9rcio de Pernambuco e Para\u00edba que foram criadas pelo Marqu\u00eas de Pombal, desta maneira podemos atestar que o transporte de negros da \u00c1frica era o melhor e mais rendoso negocio da \u00e9poca.\n\n<strong>E as ra\u00e7as transportadas durante o longo per\u00edodo negreiro e que se distribu\u00edam por toda a \u00c1frica pode ser assim enumeradas:<\/strong>\u00a0do grupo de Guin\u00e9 e Nigricia foram exportadas os Jalofos (aptos a ida do mar), Mandingas (convertidos ao Maometismo eram inteligentes e empreendedores), Yorubas ou Minas (fortes, robustos e h\u00e1beis), Felupos (os mais selvagens), Fulas que se dividiam em pretos, vermelhos e forros (eram descendentes dos chamita), Sect\u00e1rios de Maomet (eram os mais valentes e organizados), Balantos ( gentios democratas), Biafadas ( eram robustos, atl\u00e9ticos, esfor\u00e7ados, bons marinheiros), Pap\u00e9is, Manjacos, Nalus, Bahuns.\n\nE do Congo e Angola tiveram do grupo Banto foram os Ba-Congos (mais adiantados da \u00c1frica), Djaggas ( convertidos ao cristianismo), Cabindas (excelentes trabalhadores), Mussurongos, Eschicongos, Jagas e seus afins Ban-Galas e do grupo Fiote tivemos os Bamba e os Hollos, Ambaquistas, e do sert\u00e3o tivemos os Ma-Quiocos (h\u00e1beis ca\u00e7adores), Guissamas (valentes e h\u00e1beis), Libollos (pac\u00edficos e agricultores), todos do grupo Bunda, e o do grupo N`bundo vieram os Ba-Nanos, Ba-Buenos, Bailundos (todos eram altos, fortes e aguerridos), Bihenos (artistas), Mondombes, e do grupo Janguellas ou Baagangellas tiveram os Ambuellas (mineradores de ferro), Guimbandes (pac\u00edficos e artistas) Banhanecas e Ba-Ncumbis (pastores e agricultores) e dos grupos Bantos Orientais foram os Macu\u00e1s (inteligentes e faladores), Manimdis e Manguanguaras (selvagens) Nyanjas ou Manganjas (inteligentes e pac\u00edficos), Mavias (pescadores) e do Senegal tivemos os Muzinhos, Moraves e Ajaus (mercadores de marfim) e do ramos de Bochimanos e Hotentotes tiveram os Ba-Cancalas, Bacubaes, Ba-Cor\u00f3cas, Ba-Cuandos, Ba-Cassequeres, Basutos e Bechuanas, Nubios.\n\nA obra do negreiro na \u00c1frica foi verdadeiramente vand\u00e1lica, destruidora, sanguin\u00e1ria!\n\nA eloqu\u00eancia do n\u00famero de ra\u00e7as exportadas de todos os recantos africanos \u00e9 frisantes atestado da gula dos comerciantes negreiros pelo rendoso negocio do trafico.\n\nTodas as na\u00e7\u00f5es civilizadas tinham ali na costa da \u00c1frica a sua feitoria e nos mares em cruzeiros simult\u00e2neos, navios de todos os efeitos empregados no trafego imoral, aberrante, desumano e sanguin\u00e1rio, que despovoou pouco a pouco o continente negro e seu modo cobriu-se de sangue durante asa preias desordenadas, preias levadas a efeitos a ferro e a fogo, a la\u00e7o e a tiro.\n\n<strong>Escravid\u00e3o e Com\u00e9rcio de Escravos<\/strong>\n<p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-159933 aligncenter\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/trafic2.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"211\" \/><strong>Tr\u00e1fico Negreiro<\/strong><\/p>\nA\u00a0<strong>escravid\u00e3o<\/strong>\u00a0existiu ao longo da hist\u00f3ria. A maioria das sociedades fez provis\u00f5es para isso dentro de sua estrutura, e a maioria dos povos foi fonte de escravos em um momento ou outro.\n\nA expans\u00e3o da escravid\u00e3o era muitas vezes um subproduto da constru\u00e7\u00e3o do imp\u00e9rio, pois uma pot\u00eancia dominante transformava seus prisioneiros de guerra em escravos por meio da conquista. No entanto, de imp\u00e9rio para imp\u00e9rio havia uma varia\u00e7\u00e3o consider\u00e1vel no status legal dos escravos e nas perspectivas de incorpora\u00e7\u00e3o \u00e0 pol\u00edtica; da mesma forma, dentro de uma determinada sociedade ou estado, pode haver uma ampla gama de status, trabalho e oportunidades entre diferentes escravos.\n\nDe fato, \u00e9 dif\u00edcil apresentar uma defini\u00e7\u00e3o precisa de escravid\u00e3o que se ajuste a todas as sociedades.\n\n<strong>A maioria das formas de escravid\u00e3o compartilha as seguintes caracter\u00edsticas:<\/strong>\n<blockquote><strong>1)<\/strong>\u00a0os escravos s\u00e3o obrigados a viver suas vidas em servi\u00e7o perp\u00e9tuo ao seu senhor, uma obriga\u00e7\u00e3o que somente o senhor (ou o estado) pode dissolver;<strong>\n2)<\/strong>\u00a0os escravos est\u00e3o sob o poder completo de seus senhores, embora o estado ou a comunidade possam impor certas restri\u00e7\u00f5es ao tratamento do escravo pelo senhor;<strong>\n3)\u00a0<\/strong>escravos s\u00e3o propriedades, que podem ser vendidas ou passadas como heran\u00e7a a crit\u00e9rio do senhor; e<strong>\n4)\u00a0<\/strong>a condi\u00e7\u00e3o de escravid\u00e3o \u00e9 transmitida de pai para filho.<\/blockquote>\nOs historiadores costumam distinguir entre &#8220;sociedades escravistas&#8221; e &#8220;sociedades com escravos&#8221;, com base na centralidade da escravid\u00e3o para a economia. A Roma Antiga e as col\u00f4nias de plantations do Brasil, do Caribe e do Sul dos Estados Unidos eram &#8220;sociedades escravistas&#8221;; durante o in\u00edcio do per\u00edodo moderno, a maioria dos pa\u00edses europeus e muitas col\u00f4nias latino-americanas e norte-americanas eram apenas &#8220;sociedades com escravos&#8221;.\n\nA quest\u00e3o de quem pode ser legitimamente escravizado em qualquer sociedade muitas vezes se resume a uma defini\u00e7\u00e3o de quem constitui um &#8220;insider&#8221; e quem \u00e9 fundamentalmente exclu\u00eddo de uma sociedade.\n\nAo longo do in\u00edcio do per\u00edodo moderno, essas linhas mudaram de categorias religiosas para som\u00e1ticas, criando assim a categoria relativamente nova de &#8220;ra\u00e7a&#8221;. Assim, os crist\u00e3os do s\u00e9culo XV justificavam a escraviza\u00e7\u00e3o dos n\u00e3o-crist\u00e3os por motivos fundamentalmente religiosos. Em algum contraste com os imp\u00e9rios russo e otomano, no s\u00e9culo XVII todas as pot\u00eancias da Europa Ocidental definiram os africanos como destinados \u00e0 escravid\u00e3o, uma opini\u00e3o que muitas vezes foi justificada pelo relato b\u00edblico da maldi\u00e7\u00e3o sobre os filhos de No\u00e9.\n\n\u00c0 medida que o secularismo e o materialismo iluministas se tornaram influentes nos s\u00e9culos XVIII e XIX, um novo discurso de racismo biologicamente justificado foi sustentado pelos pronunciamentos da ci\u00eancia.\n\nAlguns te\u00f3ricos, incluindo aqueles em na\u00e7\u00f5es sem v\u00ednculos diretos com o com\u00e9rcio de escravos, adotaram essas atitudes. Por exemplo, o pensador iluminista alem\u00e3o Immanuel Kant citou com aprova\u00e7\u00e3o a caracteriza\u00e7\u00e3o de David Hume dos negros como altamente supersticiosos, excessivamente falantes, sem intelig\u00eancia e sem talento para as artes.\n\nV\u00e1rias formas de racismo \u2013 cient\u00edfico, institucional e cultural \u2013 sobreviveram \u00e0 institui\u00e7\u00e3o da escravid\u00e3o e persistem na Europa hoje.\n\n<strong>Tr\u00e1fico Negreiro &#8211; Negro Escravo<\/strong>\n<p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-159934 aligncenter\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/trafic3.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"169\" \/><strong>Tr\u00e1fico Negreiro<\/strong><\/p>\nHomem negro era uma continua\u00e7\u00e3o do meio na sua brutal grandiosidade geof\u00edsica, meio absorvente e b\u00e1rbaro e na sua entomologia, a ra\u00e7a Bantu a mais adiantada, detentora das ricas terras do Congo e de Angola, caminhou a passos de gigante para a regress\u00e3o em face dos usos e dos costumes de suas tribos e na\u00e7\u00f5es incapazes de absorver a civiliza\u00e7\u00e3o da ra\u00e7a branca para l\u00e1 mandada pelos portugueses, tinha o culto da liberdade at\u00e9 extremos desconhecidos.\n\nEram naturalmente an\u00e1rquicos, n\u00e3o tinham uni\u00e3o pol\u00edtica entre si, e suas autoridades entre eles quase sempre eram tir\u00e2nicas, absoluta e absorvente eram indisciplinados e desobedientes, por estes motivos foi f\u00e1cil de serem vencidos em toda parte e em todos os tempos, esta ra\u00e7a robusta e por isto ela foi facilmente escravizada, podemos dizer-se que a na\u00e7\u00e3o de autoridade, s\u00f3 lhe veio depois do contato com a ra\u00e7a branca, depois que a rainha Ginga Bandi conseguiu tirar todo o partido das a\u00e7\u00f5es missionarias com o qual melhorou a sua ra\u00e7a em civiliza\u00e7\u00e3o e costume de cr\u00ea-se que o esp\u00edrito dessa formosa e famosa rainha tenha acompanhado um punhado de negros descendentes dos N`gola que foram vendidos para o Brasil e aquilombados em Mato Grosso e que fundaram o reinado negro de Quariter\u00ea, onde tanto sangue se derramou como em Palmares.\n\nE os costumes das tribos africanas em geral pareciam estar no \u00ednfimo grau de desenvolvimento a julgar por alguns signos caracter\u00edsticos destas habita\u00e7\u00f5es em cavernas por\u00e9m tais exemplos n\u00e3o poderiam ser representativo da ra\u00e7a africana em regra geral.\n\nPois o negro j\u00e1 estava fixado no solo e j\u00e1 constitu\u00eda a sua tenda e quase todas os t\u00edtulos protegiam as suas aldeias por uma cerca de arvores de troncos grossos e no recinto fortificado constru\u00edam as tendas formadas de juncos e palmas de forma c\u00f4nica com teto de palha, que n\u00e3o possu\u00eda divis\u00f5es salvo as vezes as dos chefes da tribo.\n\nOs utens\u00edlios dom\u00e9sticos eram todos de madeiras e pedra que serviam de assento, os pratos eram de argilas, cuias, facas de pedra e de ferro, vasos para \u00e1gua e para o preparo da comida, algumas tribos dormiam no ch\u00e3o sobre palhas ou peles e algumas tribos constru\u00edam tarimbas.\n\nA ordem domestica era perfeita pois cada tenda era ocupada por uma fam\u00edlia onde o homem exercia a autoridade suprema do lar e na sua aus\u00eancia era exercida pela primeira esposa, pois a poligamia era um costume em todas as tribos, e todo o trabalho domestico e nas pequenas lavouras ficava a cargo das mulheres, tanto os homens como as mulheres enfeitavam-se com muito capricho, particularmente da cabeleira, entre muitas tribos era costume se tatuarem e furar as orelhas, o l\u00e1bio superior e o septo nasal.\n\nOs homens cuidavam de preparar as terras para as grandes planta\u00e7\u00f5es, em algumas aldeias existiam as industrias pastoril, tamb\u00e9m a ca\u00e7a e pesca era atribui\u00e7\u00f5es parta os homens das tribos.\n\nSendo a ca\u00e7a no interior da \u00c1frica um servi\u00e7o fatigante e arriscad\u00edssimo, demandando grandes esfor\u00e7os, agilidade e coragem e de todos os animais eles aproveitavam a carne, o couro e do elefante o marfim.\n\nEra muito raras as aldeias n\u00e3o terem em forno para fundir ferro e uma forja para fabrica\u00e7\u00e3o de ferramentas, armas e artigos de uso comum, as armas que usavam era o arco e a flecha, a zagaia, a lan\u00e7a e o cajado nodoso, a antropofagia era usada por algumas tribos do interior e da costa ocidental, todos negros africanos tinham grandes conhecimentos das virtudes de muitas plantas medicinas e a sua medicina consistia no emprego destas plantas acompanhadas de muitos exorcismo.\n\nEram muitos supersticiosos e tinham, entre eles os adivinhos e os feiticeiros que eram venerados por todos das tribos, se tatuavam com desenhos significativos que constitu\u00edam-se de figuras de anima\u00e7\u00e3o de plantas e de desenhos geom\u00e9tricos o desenho era indel\u00e9vel e feito no corpo humano em geral no peito e nos bra\u00e7os e as l\u00ednguas eram todas aglutinantes e os usos e costumes sempre varriam de tribos para tribos conforme o seu grau de civiliza\u00e7\u00e3o e de car\u00e1ter religioso, a concep\u00e7\u00e3o da arte nos povos negros n\u00e3o eram de ordem est\u00e9tica mas t\u00e3o simplesmente religiosa, a idolatria foi o mais forte motivo da arte negra em consequ\u00eancia do meio b\u00e1rbaro em que viviam e os brutais contraste que o cercaram desde o alvorecer de sua idade, o negro criou a arte segundo a sua emo\u00e7\u00e3o e essa arte e arte e \u00e9 beleza porque representa o seu conhecimento de tristeza, a sua dor e o seu medo.\n\nA ra\u00e7a negra sempre tiveram grande pendor para as dan\u00e7as e a mais caracter\u00edstica \u00e9 o batuque, que o acompanhou na trajet\u00f3ria dolorosa de sua migra\u00e7\u00e3o for\u00e7ada para o cativeiro, e as suas dan\u00e7as consistiam num circulo formado pelas dan\u00e7adores, indo para o meio de um preto que depois de executar v\u00e1rios passos, dava uma imbicada a quem chamava de semba na pessoa que escolhe entre as da roda, a qual ia para o meio do circulo substitui-lo.\n\nOs instrumentos musicais eram mais guerreiros que de divers\u00f5es e o principal deles era o tong-tong empregados nas solenidade de guerra, nas festas populares usavam o balafo muito usado na costa do ouro, tinham o berimbau, canz\u00e1, e o tambaque e estes instrumentos acompanharam os palmerinos para amenizar os seus sofrimentos e resistir as dores e aos desesperos.\n\n<strong>Tr\u00e1fico Negreiro &#8211; Escravos<\/strong>\n\nA rela\u00e7\u00e3o de depend\u00eancia econ\u00f4mica entre metr\u00f3pole e col\u00f4nia acelera a necessidade de que a segunda se torne cada vez mais produtiva. A partir da metade do s\u00e9culo XVI, a m\u00e3o de obra ind\u00edgena escravizada j\u00e1 n\u00e3o bastava ao sistema colonial.\n\nQuando o cultivo de cana de a\u00e7\u00facar torna-se a principal atividade produtiva da col\u00f4nia, superando a fase do extrativismo, a importa\u00e7\u00e3o de africanos come\u00e7a a ser praticada. Ela vem complementar a m\u00e3o de obra, buscando aumentar a produtividade sem causar \u00f4nus para a metr\u00f3pole.\n\nO tr\u00e1fico de escravos, j\u00e1 praticado pelos portugueses desde o s\u00e9culo XV para suprir a car\u00eancia de m\u00e3o de obra na Europa e em suas col\u00f4nias das Antilhas, \u00e9 um neg\u00f3cio altamente lucrativo para a metr\u00f3pole.\n\nAo contr\u00e1rio dos neg\u00f3cios em torno do escravo ind\u00edgena, que geram um com\u00e9rcio interno cujos lucros n\u00e3o atingem a mer\u00f3pole, o com\u00e9rcio do africano se inicia sob o seu controle. Como consequ\u00eancia, o grau de depend\u00eancia da economia colonial acentuou-se devido ao controle de um setor estrat\u00e9gico praticado de perto pela metr\u00f3pole.\n\nO tr\u00e1fico negreiro aprofunda os objetivos mercantilistas da Coroa portuguesa ao tornar-se uma atividade altamente lucrativa, especialmente a partir do aumento da produ\u00e7\u00e3o canavieira, ainda no s\u00e9culo XVI.\n\nExpande-se por todas as atividades da col\u00f4nia, tornando-se a base sobre a qual se ergue a sua economia.\n\nComo o n\u00famero de mortes entre os escravos negros era sempre maior do que o de nascimentos, devido \u00e0s p\u00e9ssimas condi\u00e7\u00f5es de vida em que eram mantidos, o tr\u00e1fico de escravos era uma necessidade cont\u00ednua para a reposi\u00e7\u00e3o da m\u00e3o-de-obra e da crescente produtividade da col\u00f4nia. Em 1815 os escravos negros representavam cerca de 50,55% da popula\u00e7\u00e3o total do Brasil.\n\nEm algumas \u00e1reas esta porcentagem crescia, como no caso da prov\u00edncia do Rio de Janeiro, que em 1821 chegava a 52% nos munic\u00edpios produtores de caf\u00e9.\n\nNo momento de desenvolvimento da economia cafeeira houve uma forte intensifica\u00e7\u00e3o do tr\u00e1fico negreiro para o abastecimento das regi\u00f5es produtoras de caf\u00e9. Por\u00e9m, neste momento, a constitui\u00e7\u00e3o do capitalismo industrial com o crescente emprego do trabalho livre assalariado cria um clima internacional desfavor\u00e1vel \u00e0 escravid\u00e3o.\n\nCom as press\u00f5es exercidas pela Inglaterra para o fim do tr\u00e1fico negreiro desde as primeiras d\u00e9cadas do s\u00e9culo XIX e a transfer\u00eancia da Corte portuguesa para o Rio de Janeiro, D. Jo\u00e3o VI se v\u00ea for\u00e7ado a limitar o com\u00e9rcio de escravos.\n\nEntretanto, por for\u00e7a das press\u00f5es das elites agr\u00e1rias e por fraqueza do Imp\u00e9rio para combat\u00ea-las, os africanos continuam chegando por contrabando ao Brasil, apesar dos frequentes ataques da esquadra brit\u00e2nica aos navios negreiros.\n\nO contrabando ainda \u00e9 um bom neg\u00f3cio e a m\u00e3o-de-obra escrava tamb\u00e9m. No ano de 1850 \u00e9 aprovada a Lei Eus\u00e9bio de Queir\u00f3s, que extingue o tr\u00e1fico de escravos. Por\u00e9m, \u00e9 somente com o aumento da produtividade trazida pela industrializa\u00e7\u00e3o na segunda metade do s\u00e9culo XIX que a economia baseada no trabalho escravo deixa de ser um bom neg\u00f3cio para tornar-se um entrave ao ingresso do Brasil na nova ordem do progresso mundial. S\u00f3 assim termina o tr\u00e1fico de escravos.\n\n<strong>Tr\u00e1fico Negreiro &#8211; Resumo<\/strong>\n\nO\u00a0<strong>tr\u00e1fico de Negros<\/strong>\u00a0aconteceu no s\u00e9culo XlX, foi uma mancha na\u00a0<strong>Hist\u00f3ria do Brasil.<\/strong>\n\nEram vendidos como animais, trabalhavam sem descanso.\n\nNo per\u00edodo do romantismo no Brasil, Castro Alves e outros escritores assumiram a causa abolicionista que s\u00f3 foi concretizada com a Lei \u00c1urea, assinada por Princesa Isabel.\n\nA escravid\u00e3o africana era autorizada por Bula do Papa desde 1454.\n\n<strong>Havia tr\u00eas tipos de Tr\u00e1fico Negreiro:<\/strong>\u00a0O Assiento, cedido pela coroa; O Particular; O das Cia Privilegiadas de Com\u00e9rcio.\n\nOs Sobas (chefes africanos), faziam guerra para capturar negros de outras tribos para negociar com os portugueses.\n\nNos Tumbeiros (Navios Negreiros), de 10 a 30% dos escravos morriam; \u00e0s vezes chegava a 50%.\n\nO escravo era trocado por cacha\u00e7a, fumo, arma, etc.\n\n<strong>CONDI\u00c7\u00d5ES E RESIST\u00caNCIA DOS ESCRAVOS<\/strong>\n\n<strong>Muitos pertenciam a dois grupos \u00e9tnicos:<\/strong>\u00a0Bantos e Sudaneses.\n\nDentre os sudaneses destacava-se os mu\u00e7ulmanos da Guin\u00e9.\n\n<strong>Cotidiano<\/strong>\n\nJ\u00e1 na Am\u00e9rica alguns morriam de tristeza ou melancolia, chamada de Banzo.\n\n<strong>Os castigos f\u00edsicos mais comuns eram:<\/strong>\n<blockquote><strong>Tronco (em p\u00e9: para o chicote; deitado:\u00a0<\/strong>para prender pelas pernas).\n<strong>Bacalhau:<\/strong>\u00a0chicote de couro cru (\u00e0s vezes passavam sal nas feridas, o que piorava).\n<strong>Viramundo:<\/strong>\u00a0Instrumento de ferro que prendia m\u00e3os e p\u00e9s juntos.\n<strong>Gargalhadeira:<\/strong>\u00a0colar de ferro com hastes em forma de gancho.<\/blockquote>\n<strong>Conflitos culturais<\/strong>\n\n<strong>Os escravos eram submetidos a se adaptar a uma nova cultura que lhe era imposta, tendo que:<\/strong>\n<blockquote>Comer uma comida que n\u00e3o era de seu costume.\nVestir roupas de panos grossos de algod\u00e3o.\nAprender a l\u00edngua local.<\/blockquote>\n<strong>Formas de Resist\u00eancia<\/strong>\n\nSuic\u00eddios, abortos, assassinatos, fugas eram constantes. Houve tamb\u00e9m quilombos e insurrei\u00e7\u00f5es.\n\nA perda do escravo era preju\u00edzo para seu dono, que nem sempre exagerava nos maus tratos.\n\n<strong>Dificuldades de organiza\u00e7\u00e3o<\/strong>\n<blockquote><strong>Falta de comunica\u00e7\u00e3o entre os engenhos &#8211;\u00a0<\/strong>dificultava uma organiza\u00e7\u00e3o de negros de outras fazendas.<strong>\nMistura de etnias rivais &#8211;\u00a0<\/strong>tribos que eram rivais na \u00c1frica s\u00e3o colocados juntos para dificultar o entrosamento.<strong>\nDiferen\u00e7a na distribui\u00e7\u00e3o dos trabalhos &#8211;<\/strong>\u00a0o escravo dom\u00e9stico tinha medo de voltar para a lavoura, denunciando qualquer tentativa de rebeli\u00e3o.<strong>\nAlforria como forma de domina\u00e7\u00e3o &#8211;\u00a0<\/strong>o escravo alforriado vivia em torno do seu antigo dono, e denunciava compl\u00f4s por medo de perder a liberdade.<\/blockquote>\n<strong>Fonte:<\/strong>\u00a0www.zbi.vilabol.uol.com.br\/www.eciencia.usp.br\/www.segal1945.hpg.ig.com.br\/www.cegh.at\n\n&nbsp;\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Conhe\u00e7a a hist\u00f3ria desse triste fato!<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":10035,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[54],"tags":[],"class_list":["post-15128","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-historia-do-brasil"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v28.3 - 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