{"id":15126,"date":"2015-12-22T00:00:00","date_gmt":"2015-12-22T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/uncategorized\/religiosidade-dos-escravos-2\/"},"modified":"2026-08-31T23:20:21","modified_gmt":"2026-08-31T23:20:21","slug":"religiosidade-dos-escravos-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/historia-do-brasil\/religiosidade-dos-escravos-2\/","title":{"rendered":"Religiosidade dos Escravos"},"content":{"rendered":"\nQuando os negros escravos chegaram ao Brasil trazidos da \u00c1frica de variados grupos \u00e9tnicos eles trouxeram consigo as suas cren\u00e7as e rituais, e ao correr do tempo foram aculturados, catequizados e convertidos ao catolicismo pelos padres da\u00a0<strong>Companhia de Jesus<\/strong>.\n\nE nesse processo de assimila\u00e7\u00e3o, muito dos seus valores culturais foram preservados assim como as imagens dos mitos anterior que foram associados aos santos a pr\u00f3pria maneira de ser, o gosto pela m\u00fasica, pela dan\u00e7a e pelos panos coloridos.\n\nNa cidade do Rio de Janeiro, os negros foram inicialmente aceitos na igreja de S\u00e3o Sebasti\u00e3o do morro do Castelo, por\u00e9m quando da transforma\u00e7\u00e3o daquele templo em S\u00e9, os negros acabaram sendo hostilizados, e passaram \u00e0 ter muitas dificuldades para realizarem os seus cultos, em virtude dos fatos os irm\u00e3os se empenharam e decidiram construir seu pr\u00f3prio templo, e para isto em 14 de Janeiro de 1700 obtiveram o alvar\u00e1 de licen\u00e7a para edifica\u00e7\u00e3o e o privil\u00e9gio de escolher o sacerdote para a celebra\u00e7\u00e3o do of\u00edcios, e em Agosto de 1701 foi oficializado a doa\u00e7\u00e3o do terreno por parte de Dona Francisca de Pontes diante do tabeli\u00e3o Jo\u00e3o de Carvalho Mattos, e no dia 2 de Fevereiro de 1708 foi colocada a pedra fundamental para a constru\u00e7\u00e3o da igreja de Nossa Senhora do Ros\u00e1rio e S\u00e3o Benedito dos Homens Preto que cresceu e desenvolveu-se conforme a sua voca\u00e7\u00e3o natural sem ostentar muito luxo por\u00e9m com seu car\u00e1ter festivo que nos dias dos santos se tornou palco memor\u00e1veis de comemora\u00e7\u00f5es.\n<p class=\"imagem\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Religiosidade dos Escravos\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/rreligi1.jpg\" alt=\"Religiosidade dos Escravos\" width=\"321\" height=\"218\" \/>\n<strong>Religiosidade dos Escravos<\/strong><\/p>\n<p align=\"left\">Ao reunir fieis pretos e brancos das mais variadas camadas sociais de toda a cidade para presenciarem um curioso desfile que reunia o rei e a rainha negros com sua corte vestidos de ricos trajes bordados que saiam pelas ruas dan\u00e7ando e batendo palmas num ritual a que muitos estudiosos atribuem as origens do carnaval.<\/p>\n<p class=\"imagem\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Religiosidade dos Escravos\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/rreligi2.jpg\" alt=\"Religiosidade dos Escravos\" width=\"319\" height=\"249\" \/>\n<strong>Religiosidade dos Escravos<\/strong><\/p>\nE no ano de 1734 quando das obras na igreja do morro do Castelo, a catedral foi transferida para a igreja Cruz dos Militares, mas em consequ\u00eancia de desacordos surgidos em 1737, a S\u00e9 foi transferida para a igreja a igreja do Ros\u00e1rio e S\u00e3o Benedito onde o cabino n\u00e3o demorou a criar novas contrariedades, que levou a irmandade a se queixar ao rei, todavia em resposta a carta da irmandade o soberano determinou que a catedral permanecesse at\u00e9 a constru\u00e7\u00e3o de uma nova S\u00e9. E quando da chegada de Dom Jo\u00e3o VI ao Rio de Janeiro em 7 de Mar\u00e7o de 1808, ele manifestou a inten\u00e7\u00e3o de visitar a catedral da cidade e tal travou-se uma verdadeira batalha ente os c\u00f4negos que queriam receber os reis \u00e0 porta, e por este motivo acabaram impedindo que o pessoal da irmandade e donos da igreja participassem da recep\u00e7\u00e3o, ante por\u00e9m que a disputa se tornasse mais radical.\n\nOs irm\u00e3os optaram em demonstrar que estavam conformados com a decis\u00e3o e se retiraram da igreja e se ocultaram nas redondezas, no momento em que o cortejo real com Dom Jo\u00e3o VI aproximava-se do templo, os irm\u00e3os tomaram a dianteira do grupo, festejando e fazendo alas para a passagem dos soberanos e seus acompanhantes at\u00e9 o altar.\n\n<strong>RELIGI\u00c3O COMO FATOR DE MANUTEN\u00c7\u00c3O E\/OU MUDAN\u00c7A DA ORDEM SOCIAL<\/strong>\n\nAs sociedades possuem estruturas de rela\u00e7\u00f5es sociais. Os grupos sociais constituem um universo de representa\u00e7\u00f5es\u00a0 uma esp\u00e9cie de realidade em um segundo n\u00edvel que interpreta a realidade material, a rela\u00e7\u00e3o da pessoa humana com a natureza e as rela\u00e7\u00f5es sociais, dando-lhes um sentido. \u00c9 este sentido que fornece a base para os sistemas de pr\u00e1ticas sociais que possibilitam a reprodu\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es, oferecendo assim, um modelo ou quadro de comportamento para os indiv\u00edduos ou grupos.\n\nSituando-se no universo das representa\u00e7\u00f5es, a religi\u00e3o interv\u00e9m ao mesmo tempo, na defini\u00e7\u00e3o do sentido e na orienta\u00e7\u00e3o das pr\u00e1ticas.\n\nEla pode tanto fornecer a explica\u00e7\u00e3o e a justifica\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es sociais como construir o sistema das pr\u00e1ticas destinadas a reproduzi-las. Exemplo disso pode ser o hindu\u00edsmo, com o sistema de castas, ou o feudalismo europeu, com base no poder sobrenatural do dono do feudo.\n\nA religi\u00e3o pode tamb\u00e9m motivar e justificar movimentos de ruptura ou protesto social. Certos protestos baseiam-se na refer\u00eancia \u00e0 antiga ordem ou a uma utopia a-hist\u00f3rica.\n\n<strong>Nesse caso, expressa uma dupla aliena\u00e7\u00e3o:\u00a0<\/strong>uma que resulta da introdu\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es sociais capitalistas e a outra que projeta em um passado ou em uma utopia p\u00f3s-hist\u00f3rica \u00e0 solu\u00e7\u00e3o das contradi\u00e7\u00f5es resultantes do capitalismo (movimentos milenaristas e alguns movimentos messi\u00e2nicos).\n\nEm outros casos a atua\u00e7\u00e3o religiosa refere-se a uma utopia, ao mesmo tempo, intra e p\u00f3s-hist\u00f3rica, que desemboca em uma consci\u00eancia revolucion\u00e1ria. Nesses casos, em alguns setores da Am\u00e9rica Latina, por exemplo, a f\u00e9 religiosa atua como motiva\u00e7\u00e3o \u00e9tica de um projeto social secular que se traduz em verdadeiros projetos revolucion\u00e1rios. \u00c9 o que ocorre em organiza\u00e7\u00f5es como pastorais sociais, algumas ONGs, alguns movimentos sociais ou partes desses como MST, movimentos de moradia, movimento contra o racismo, movimento pela liberta\u00e7\u00e3o da mulher, pela causa ind\u00edgena etc.\n\nPedro de Oliveira nos diz que a mesma ideia de um mundo criado e organizado por Deus pode tornar-se um elemento tanto de conformismo como de inconfor\u00admismo do oprimido.\n\nIsso ocorre quando as desordens sociais s\u00e3o encaradas pelo oprimido como decorrentes do pecado e n\u00e3o como de\u00ads\u00edgnio de Deus, ele as percebe como desordens morais e se rebela contra elas, ou seja, quando a opress\u00e3o social atinge certos limites, a mesma ideia religiosa que conduzia ao con\u00adformismo passa a conduzir o oprimido \u00e0 rebe\u00adli\u00e3o.\n\n<strong>Religi\u00e3o e legitima\u00e7\u00e3o da ordem social<\/strong>\n\nA religi\u00e3o, por ser um sistema simb\u00f3lico estruturante, delimita o campo do que pode ser discutido em oposi\u00e7\u00e3o ao que est\u00e1 fora de discus\u00ads\u00e3o. Realiza esta fun\u00e7\u00e3o, gra\u00e7as ao seu efeito de consagra\u00e7\u00e3o ou de legitima\u00e7\u00e3o de diferentes situa\u00e7\u00f5es.\n\nA religi\u00e3o permite a legitima\u00e7\u00e3o de todas as proprieda\u00addes caracter\u00edsticas a um estilo de vida de um grupo ou de uma classe, na medida em que ele ocupa uma posi\u00e7\u00e3o determinada na estrutura social.\n\nA fun\u00e7\u00e3o de legitima\u00e7\u00e3o da religi\u00e3o se realiza \u00e0 medida e que se tem claro quais s\u00e3o os interesses religiosos a que est\u00e3o ligadas as diferentes po\u00adsi\u00e7\u00f5es dos interessados na estrutura social.\n\nIsso ocorre pelo fato de que o interesse que um grupo ou uma classe encontra em uma pr\u00e1tica ou cren\u00e7a religiosa \u00e9 a fun\u00ad\u00e7\u00e3o de refor\u00e7o que o poder de legitima\u00e7\u00e3o contido na religi\u00e3o considerada pode trazer.\n\nOcorre tamb\u00e9m por causa da for\u00e7a material e simb\u00f3lica poss\u00edvel de ser mobilizada por este grupo ou classe, ao legitimar as propriedades materiais ou simb\u00f3licas associadas a uma posi\u00e7\u00e3o determinada na estru\u00adtura social.\n\nA religi\u00e3o cumpre fun\u00e7\u00f5es sociais porque os leigos n\u00e3o esperam da religi\u00e3o apenas justi\u00adficativas para sua exist\u00eancia, capazes de livr\u00e1-los da ang\u00fastia exis\u00adtencial da contin\u00adg\u00eancia e da solid\u00e3o, da mis\u00e9ria biol\u00f3gica, do sofrimento e da morte.\n\nAs pessoas contam com a religi\u00e3o para que lhes forne\u00e7a justificativas de exis\u00adtir, em uma posi\u00e7\u00e3o social determinada. Em suma, de exis\u00adtir como de fato existem, com tudo o que faz parte de sua condi\u00e7\u00e3o de vida.\n\n<strong>A potencialidade transformadora da religi\u00e3o<\/strong>\n\nA partir das afirma\u00e7\u00f5es acima, podemos concluir que as fun\u00e7\u00f5es sociais desempenha\u00addas pela religi\u00e3o variam nos diferentes grupos ou classes, de acordo com a posi\u00e7\u00e3o que esse grupo ou essa classe ocupa na estrutura das rela\u00e7\u00f5es. Isso porque o campo religioso pode ser, primeiramente, um produto dos conflitos sociais.\n\nEntretanto, a religi\u00e3o n\u00e3o se restringe a ser um produto dos conflitos sociais, ela pode tamb\u00e9m funcionar como terreno rela\u00adtivamente au\u00adt\u00f4nomo dos conflitos sociais; isto \u00e9, as in\u00adflu\u00eancias das estru\u00adturas sociais, dos conflitos e das trans\u00adforma\u00e7\u00f5es n\u00e3o produzem efeito direto, mec\u00e2nico e autom\u00e1tico sobre as pr\u00e1ticas e os discur\u00adsos religiosos.\n\nEm s\u00edntese, o campo religioso pode ser visto como um fa\u00adtor que sofre a influ\u00eancia dos conflitos sociais e desen\u00advolve uma din\u00e2mica conflitiva pr\u00f3pria, mas tamb\u00e9m pode exer\u00adcer in\u00adflu\u00eancias sobre os conflitos sociais.\n\nO campo reli\u00adgioso, numa sociedade de classes, pode exercer o papel de agilizador da luta da classe dominante para garantir sua hegemonia. No entanto, pode tamb\u00e9m fun\u00adcionar como um obst\u00e1culo \u00e0 classe do\u00adminante, e ser meio para au\u00adxiliar a autonomia das classes su\u00adbalternas.\n\n<strong>A religi\u00e3o na hist\u00f3ria da sociedade brasileira<\/strong>\n\nComo se sabe, a coloniza\u00e7\u00e3o do Brasil, como de outros pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina, deu-se pela invas\u00e3o europ\u00e9ia. De acordo com a ideia da coloniza\u00e7\u00e3o, os povos que aqui chegaram foram devastando tudo o que encontravam pela frente, inclusive a grande quantidade de \u00edndios que povoavam essa regi\u00e3o do planeta. Juntamente com a id\u00e9ia de coloniza\u00e7\u00e3o, veio a ideia de salva\u00e7\u00e3o, ou seja, os \u00edndios deveriam ser salvos do paganismo; deveriam esquecer suas cren\u00e7as e converterem-se ao cristianismo.\n\n<strong>a) Religi\u00e3o crist\u00e3 e a cultura ind\u00edgena no Brasil<\/strong>\n\nEm nome da luta pela convers\u00e3o dos \u00edndios, in\u00fameras barbaridades foram cometidas pelos mission\u00e1rios carmelitas, beneditinos e especialmente franciscanos e jesu\u00edtas que acompanharam o processo de coloniza\u00e7\u00e3o de nossas terras. Se algum religioso\/padre entre esses compreenderam e defenderam a cultura ind\u00edgena, foram poucos.\n\nEm regra geral, os mission\u00e1rios iam convertendo e amansando os \u00edndios para que os brancos pudessem escraviz\u00e1-los.\n\nOs \u00edndios n\u00e3o aceitaram passivamente a in\u00advas\u00e3o de suas terras, de seu espa\u00e7o e de sua condi\u00e7\u00e3o de vida. Apelaram para a \u00fanica arma com a qual sabiam defender-se, isto \u00e9, a pr\u00e1\u00adtica religiosa.\n\nOs primeiros cronistas e mission\u00e1rios assinalam certa efer\u00advesc\u00eancia religiosa em tribos tupis-guaranis nos primei\u00adros tem\u00adpos da coloniza\u00e7\u00e3o.\n\nProfetas ind\u00edgenas iam de aldeia em aldeia apresentando-se como a reencarna\u00e7\u00e3o de her\u00f3is tri\u00adbais, incitando os \u00edndios a abandonar o trabalho e a dan\u00e7ar, pois os \u201cnovos tem\u00adpos\u201d, que instalariam na terra uma esp\u00e9cie de Idade do Ouro, es\u00adtavam para chegar. Afirmavam eles que chegando o feiticeiro com muita festa ao lu\u00adgar\u2026 mudando a pr\u00f3pria voz em a de um menino junto da caba\u00e7a lhe diz que n\u00e3o curem de trabalhar, nem v\u00e3o \u00e0 ro\u00e7a, que o mantimento por si vir\u00e1 \u00e0 casa, que as enxadas ir\u00e3o cavar e as flechas ir\u00e3o ao mato por ca\u00e7a para o seu senhor e que h\u00e3o de matar muitos de seus contr\u00e1rios e cativar\u00e3o muitos para seus come\u00adres (Queiroz, 1976, p. 165).\n\nMaria Isaura narra v\u00e1rios movimentos migrat\u00f3rios de \u00edn\u00addios. Eles migravam em busca da terra sem males e em fuga dos fazendeiros e portugueses. Entre os movimentos migrat\u00f3rios citados por Maria Isaura, h\u00e1 os de 1562, na Bahia, com tr\u00eas mil \u00edndios. Ainda na Bahia, h\u00e1 os da regi\u00e3o do rio Real, onde a fome e a doen\u00e7a exterminaram os \u00edn\u00addios aldeados pelos jesu\u00edtas, o restante fugiu para a flo\u00adresta. Por volta de 1600, tupinam\u00adb\u00e1s migraram em tr\u00eas tropas, em busca do para\u00edso terreal. Em 1605, determinado paj\u00e9 promoveu a migra\u00e7\u00e3o de perto de doze mil \u00edndios que, saindo de Pernambuco, foram em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 Ilha de Maranh\u00e3o, onde outros j\u00e1 se tinham refugiado, procu\u00adrando escapar aos portugueses. Em 1609, uma encarna\u00e7\u00e3o do dem\u00f4nio ou Jurupari apare\u00adceu aos tupinamb\u00e1s, tamb\u00e9m em Pernambuco, propondo-lhes meios para se libertarem dos brancos e porem fim \u00e0s condi\u00ad\u00e7\u00f5es penosas em que se encontravam. Ele lhes prometia que, se o seguissem, os que para o para\u00edso terrestre dos cara\u00edbas e dos profetas.\n\nO povo foi atr\u00e1s dele em um n\u00famero superior a sessenta mil\u2026 Afirmava o l\u00edder que era chegado o momento de nativos retomarem o lugar dos senhores, escravizando os brancos; por isso Deus o enviara a pregar.\n\nO \u00eddolo que adoravam liberta\u00adria os fi\u00e9is do cativeiro, passando os brancos dali por diante a trabalhar, e os que recusassem seriam trans\u00adformados em \u00e1rvores e pedras (Queiroz, 1976).\n\nAssim, nos primeiros s\u00e9culos de coloniza\u00e7\u00e3o, movi\u00admentos ind\u00ed\u00adgenas sincr\u00e9ticos violentos e n\u00e3o violentos enri\u00adquecem a paisa\u00adgem religiosa e povoam as rea\u00e7\u00f5es de resist\u00ean\u00adcia \u00e0 viol\u00eancia que lhes estava sendo imposta.\n\n<strong>b) Religi\u00e3o crist\u00e3 e a cultura africana no Brasil<\/strong>\n\nEm rela\u00e7\u00e3o aos escravos negros a atitude dos mission\u00e1rios foi muito mais negativa do que em rela\u00e7\u00e3o aos ind\u00edgenas. A escravid\u00e3o africana no Brasil era entendida como uma necessidade estrutural.\n\nEssa compreens\u00e3o legitimou a posse de escravos pelo clero que estava aqui no Brasil e tamb\u00e9m permitiu a estes aben\u00e7oarem a escravid\u00e3o.\n\nO m\u00e1ximo que a Igreja institucional fez foi questionar a forma violenta como os escravos eram tratados, mas n\u00e3o os levou a criticar a l\u00f3gica mesma da escravid\u00e3o.\n\nA carta que o Pe. Lu\u00eds Brand\u00e3o, reitor do col\u00e9gio de Luanda, enviou a seu colega Alonso, Cartagena de las \u00cdndias, \u00e9 bem sugestiva sobre a concep\u00e7\u00e3o da escravatura pelo clero naquela \u00e9poca.\n\n<strong>A carta \u00e9 de 1611 e trata do seguinte<\/strong>: n\u00f3s mesmos que vivemos aqui j\u00e1 faz quarenta anos e temos entre n\u00f3s padres muito doutos, nunca consideramos este tr\u00e1fico como il\u00edcito. Os padres do Brasil tamb\u00e9m n\u00e3o, e sempre houve naquela prov\u00edncia padres eminentes pelo seu saber.\n\nAssim, tanto n\u00f3s como os padres do Brasil compramos aqueles escravos sem escr\u00fapulos\u2026 Na Am\u00e9rica, todo escr\u00fapulo \u00e9 fora de prop\u00f3sito. Conforme ensina Sanchez, pode-se comprar aos que possuem de boa f\u00e9.\n\n\u00c9 verdade que quando um negro \u00e9 interrogado, ele sempre afirma que foi capturado por meios ileg\u00edtimos.\n\nPor meio dessa resposta, ele quer obter sua liberdade. Dessa forma, nunca se deve fazer esse tipo de pergunta aos negros. \u00c9 verdade tamb\u00e9m que, entre os escravos que se vendem em Angola, nas feiras, h\u00e1 os que n\u00e3o s\u00e3o leg\u00edtimos, seja porque foram roubados \u00e0 for\u00e7a, seja porque seus senhores lhes tenham imposto penas injustas. Por\u00e9m, esses n\u00e3o s\u00e3o numerosos e \u00e9 imposs\u00edvel procurar esses poucos escravos ileg\u00edtimos entre os dez ou doze mil que partem cada ano do porto de Luanda.\n\nN\u00e3o parece um servi\u00e7o a Deus perder tantas almas por causa de alguns casos de escravos ileg\u00edtimos que n\u00e3o podem ser identificados.\n\nA forma como eram tratados os escravos j\u00e1 \u00e9 por demais conhecida. O que nos surpreende \u00e9 que quem deveria defend\u00ea-los os utiliza como mercadoria de trocas como todos os senhores de escravos de sua \u00e9poca.\n\nOs jesu\u00edtas, ao mesmo tempo em que mandaram escravos para c\u00e1, enviaram tamb\u00e9m padres para os catequizar.\n\n<b>A escravid\u00e3o era vista de tal forma tanto como uma necessidade de salva\u00e7\u00e3o dos negros quanto de sobreviv\u00eancia dos brancos no Brasil que, em 1691, quando um religioso italiano pede ao rei um capel\u00e3o para enviar aos negros revoltosos do quilombo dos Palmares, o rei aceita, mas o jesu\u00edta Ant\u00f4nio\u00a0Vieira se op\u00f5e, afirmando:<\/b>\u00a0Estes negros est\u00e3o em estado permanente de rebeli\u00e3o.\n\n<strong>c) A Resist\u00eancia S\u00f3cio-Religiosa dos Escravos Negros<\/strong>\n\nA tese de Vieira era de que, fugindo dos engenhos, os negros tinham ca\u00eddo em pecado mortal de desobedi\u00eancia e estavam, portanto, excomungados.\n\nComo se sabe, os africanos n\u00e3o se resignaram a ser escravos, nem entregaram aos escravizadores sua cultura e religi\u00e3o. Mais do que os ind\u00edgenas, os africanos recorriam a s\u00edmbolos cat\u00f3licos pelo fato de serem mais controlados pelos seus senhores.\n\nOs quilombos foram redutos de africanos que conseguiram fugir dos engenhos ou dos arraiais mineiros ou ainda das resid\u00eancias senhoriais. Eles formavam um ambiente de vida alternativa da vida escrava.\n\nParadoxalmente, os quilombos foram \u00e1reas de evangeliza\u00e7\u00e3o de vastas \u00e1reas do Brasil.\n\n<strong>Em 1820, Pohl encontra um quilombo em uma regi\u00e3o mineira e escreve:<\/strong>\u00a0tinham tamb\u00e9m um sacerdote que devia celebrar os servi\u00e7os religiosos.\n\nSaint-Hilaire fala frequentemente em ritos cat\u00f3licos misturados com usos ind\u00edgenas e africanos nos quilombos por ele visitados.\n\nMais estranho ainda \u00e9 o caso de um negro fugitivo que levou aos ind\u00edgenas de Mato Grosso, em lugares nunca tocados pelas miss\u00f5es cat\u00f3licas, os rudimentos do catolicismo.\n\nEstamos diante de uma forma original de propaga\u00e7\u00e3o da f\u00e9 fora do controle clerical e por isso mesmo fora da imposi\u00e7\u00e3o branca. Segundo Breno Bod, estudioso das culturas religiosas no Brasil, os quilombos significaram a esperan\u00e7a dos negros fugitivos e dizem, pois respeito a um Brasil diferente, um Brasil fraternal. O catolicismo nos quilombos \u00e9 alternativo ao catolicismo dos engenhos.\n\nOs s\u00edmbolos s\u00e3o os mesmos, mas o significado \u00e9 diferente. Os s\u00edmbolos do catolicismo livre nos quilombos passam a significar a liberta\u00e7\u00e3o de um sistema desumano\u2026\n\n<strong>Por que os quilombos proibiram o culto africano e aderiram ao culto cat\u00f3lico?<\/strong>\n\n<strong>Parece que podemos aduzir as seguintes raz\u00f5es:\u00a0<\/strong>o catolicismo representava a tradi\u00e7\u00e3o religiosa recebida nos engenhos.\n\n<strong>Os santos cat\u00f3licos j\u00e1 eram mais familiares aos fugitivos que os orix\u00e1s africanos:<\/strong>\u00a0no mucambo do Macaco, em Palmares, foi descoberta, ap\u00f3s a derrota de Zumbi, uma capela com as imagens do Menino Jesus, Nossa Senhora da Concei\u00e7\u00e3o e S\u00e3o Br\u00e1s. As imagens estavam conservadas em bom estado e tinham sido manifestamente objetos de venera\u00e7\u00e3o por parte dos negros. Em segundo lugar, o catolicismo fazia uni\u00e3o entre os negros das diversas proced\u00eancias africanas. Nos quilombos se encontraram misturados os fugitivos das diversas na\u00e7\u00f5es africanas.\n\nUma religi\u00e3o dessas na\u00e7\u00f5es n\u00e3o teria sido capaz de construir um elo entre eles; s\u00f3 o sincretismo cat\u00f3lico era capaz disso.\n\nPor isso n\u00e3o era permitida a exist\u00eancia de feiticeiros nos quilombos e os sacerdotes cat\u00f3licos foram raptados para celebrar lhes. Havia mesmo sacerdotes negros para batismos, casamentos e ora\u00e7\u00f5es diversas.\n\n<strong>A religi\u00e3o como for\u00e7a propulsora da cultura<\/strong>\n\nA religi\u00e3o pode contribuir para estabelecer identidade, habilidades, atitudes, qualidade de vida e determinar a maneira como as pessoas veem a si mesmas e aos outros gra\u00e7as \u00e0 sua centralidade na cultura.\n\nPor isso costuma-se dizer que a religi\u00e3o \u00e9 a for\u00e7a propulsora da cultura.\n\n<b>Essa integra\u00e7\u00e3o \u00e9 t\u00e3o forte que seria dif\u00edcil\u00a0compreender a estrutura da cultura e da sociedade sem compreendermos a import\u00e2ncia da religi\u00e3o na cultura e sua capacidade de envolver o ser humano na sua \u00edntima constitui\u00e7\u00e3o<\/b>: a estrutura sacral e religiosa.\n\n<strong>a) O que entendemos por cultura?<\/strong>\n\nA cultura \u00e9 o processo pelo qual a pessoa produz, faz e acumula experi\u00eancia e a converte em ideias e em s\u00edmbolos as imagens, as lembran\u00e7as, a princ\u00edpio coladas \u00e0s realidades concretas e sens\u00edveis.\n\nCultura \u00e9 tudo aquilo que a pessoa produz com o uso de suas faculdades; \u00e9 o conjunto de saberes e fazeres. \u00c9 tudo aquilo que com seu saber (ci\u00eancia) e com seu fazer (t\u00e9cnica) a pessoa extrai da natureza.\n\nA cultura \u00e9 tamb\u00e9m considerada como essencialmente religiosa pois as cren\u00e7as e os mitos pertencem \u00e0 experi\u00eancia humana global e n\u00e3o podem ser separados de sua matriz cultural.\n\n<strong>b) O que entendemos por religi\u00e3o?<\/strong>\n\nMuitas foram as defini\u00e7\u00f5es encontradas para a religi\u00e3o.\n\n<strong>A que utilizaremos aqui \u00e9 a seguinte:<\/strong>\u00a0religi\u00e3o \u00e9 o conjunto de conhecimentos, de a\u00e7\u00f5es e de estruturas com que a pessoa humana exprime reconhecimento, depend\u00eancia, venera\u00e7\u00e3o com rela\u00e7\u00e3o ao sagrado.\n\n\u00c9 o reconhecimento da realidade do Sagrado. O Sagrado \u00e9 algo que supera infinitamente o pr\u00f3prio mundo e tudo o que no munda est\u00e1 compreendido, especialmente o sr humano. Por\u00e9m, este conjunto de conhecimentos e a\u00e7\u00f5es que exprimem reconhecimento ao Sagrado se expressa atrav\u00e9s de uma determinada \u00e9poca, hist\u00f3ria e assume uma determinada linguagem e culturas espec\u00edficas.\n\nA experi\u00eancia do Sagrado \u00e9 manifestada atrav\u00e9s da fala, que se d\u00e1 no interior de um determinado contexto sociocultural e que remete a seus signos e s\u00edmbolos. Desse modo, a religi\u00e3o como a arte, a economia possui uma linguagem espec\u00edfica e \u00e9 fundamental para a estrutura\u00e7\u00e3o, forma\u00e7\u00e3o e compreens\u00e3o do mundo. desta forma a religi\u00e3o modela a ordem social tal como o fazem o ambiente, o poder pol\u00edtico, a arte, a est\u00e9tica, o poder jur\u00eddico etc\u2026 A religi\u00e3o \u00e9 uma manifesta\u00e7\u00e3o tipicamente humana e todas as popula\u00e7\u00f5es de qualquer n\u00edvel cultura cultivaram alguma forma de religi\u00e3o. Por isso, todas as culturas s\u00e3o profundamente marcadas pela religi\u00e3o e sabe-e que as melhores produ\u00e7\u00f5es art\u00edsticas e liter\u00e1rias, n\u00e3o s\u00f3 das civiliza\u00e7\u00f5es antigas, mas tamb\u00e9m modernas t\u00eam se inspirados em motivos religiosos.\n\n<strong>c) Religi\u00e3o, Cultura e o Reconhecimento das Diferen\u00e7as<\/strong>\n\nA religi\u00e3o constitui um modo de conceber a vida e ajustar a ordem c\u00f3smica imaginadas \u00e0s a\u00e7\u00f5es humanas e apresenta-se como suporte essencial para constru\u00e7\u00e3o da identidade, da alteridade e, ao mesmo tempo, \u00e9 um meio que oferece ao ser humano possibilidades para superar as experi\u00eancias adversas, fr\u00e1geis e o caos com os quais nos deparamos durante o nosso peregrinar terreno, permitindo viver num mundo que tenha sentido, significado e esperan\u00e7a. Por meio da religi\u00e3o, o ser humano sobe imaginar, em todos os tempos, maneiras de superar sua limita\u00e7\u00f5es e tornar o mundo num espa\u00e7o intelig\u00edvel e funcional. Por isso, entendemos a religi\u00e3o como a for\u00e7a din\u00e2mica e propulsora da cultura e faz-se necess\u00e1rio que ela (a religi\u00e3o) possa permitir o entrela\u00e7amento de rela\u00e7\u00f5es igualit\u00e1rias, o direito de igualdade de oportunidades e prest\u00edgio social, garantindo a todas as pessoas a manifesta\u00e7\u00e3o de seu ser pessoa atrav\u00e9s da riqueza cultural que cada um traz revestido pela sua corporeidade, pelo seu ser diferente, marginalizado, despojado e esquecido.\n\n\u00c9 exatamente na fragilidade, vulnerabilidade e na diferen\u00e7a do\/da outro\/outra que se manifesta o lado mais extremo de sua alteridade e se proclama na sua extrema alteridade (exclus\u00e3o, pobreza, doen\u00e7a) que a plenitude da vida tem prioridade sobre as diferen\u00e7as e sobre qualquer outro projeto religioso que n\u00e3o tenha como objetivo a plenitude da vida.\n\n<strong>Religiosidade Negra no Brasil<\/strong>\n<p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-159758 aligncenter\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Religi13-300x214.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"214\" \/><strong>Religiosidade Negra no Brasil<\/strong><\/p>\nCom a vinda dos escravos para o Brasil, seus costumes deram origem a diversas religi\u00f5es, tais como o candombl\u00e9, que tem milh\u00f5es de seguidores, principalmente entre a popula\u00e7\u00e3o negra, descendente de africanos.\n\nEst\u00e3o concentradas em maior n\u00famero nos grandes centros urbanos do Norte, como Par\u00e1, no Nordeste, Salvador, Recife, Maranh\u00e3o, Piau\u00ed e Alagoas, no sudeste, Belo Horizonte, Rio de Janeiro e S\u00e3o Paulo, e no Rio Grande do Sul. Diferente do candombl\u00e9, que \u00e9 a religi\u00e3o sobrevivente da \u00c1frica ocidental, h\u00e1 tamb\u00e9m a Umbanda, que representa o sincretismo religioso entre o catolicismo, espiritismo e os orix\u00e1s africanos.\n\n<strong>As chamadas Religi\u00f5es Afro-Brasileiras:\u00a0<\/strong>o candombl\u00e9 que \u00e9 dividido em v\u00e1rias na\u00e7\u00f5es, o batuque, o Xang\u00f4 do Recife e o Xamb\u00e1 foram trazidas originalmente pelos escravos. Estes escravos cultuavam seu Deus, e as divindades chamadas Orix\u00e1s, Voduns ou inkices com cantos e dan\u00e7as trazidos da \u00c1frica.\n\nEstas religi\u00f5es foram perseguidas, e acredita-se terem o poder para o bem e o mal. Hoje s\u00e3o consideradas como religi\u00f5es legais no pa\u00eds, mas mesmo assim, muitos de seus seguidores preferem dizer que s\u00e3o cat\u00f3licos para evitar algum tipo de discrimina\u00e7\u00e3o, principalmente na \u00e1rea profissional. Por\u00e9m, aos poucos, v\u00e3o sendo mais bem compreendidos.\n\nNas pr\u00e1ticas atuais, os seguidores da umbanda deixam oferendas de alimentos, velas e flores em lugares p\u00fablicos para os esp\u00edritos. Os terreiros de candombl\u00e9 s\u00e3o discretos da vista geral, exceto em festas famosas, tais como a Festa de Iemanj\u00e1 em todo o litoral brasileiro e Festa do Bonfim na Bahia. Estas religi\u00f5es est\u00e3o em todo o pa\u00eds.\n\nO Brasil \u00e9 bastante conhecido pelos ritmos alegres de sua m\u00fasica, como o Samba e a conhecida como MPB (m\u00fasica popular brasileira).\n\nIsto pode relacionar-se ao fato de que os antigos propriet\u00e1rios de escravos no Brasil permitiam que seus escravos continuassem sua tradi\u00e7\u00e3o de tocar tambores (ao contr\u00e1rio dos propriet\u00e1rios de escravos dos Estados Unidos que temiam o uso dos tambores para comunica\u00e7\u00f5es).\n\nA Umbanda \u00e9 considerado por muitos uma religi\u00e3o nascida no Brasil em 15 de novembro de 1908 no Rio de Janeiro.\n\nEmbora existam relatos de outras datas e locais de manifesta\u00e7\u00e3o desta religi\u00e3o antes e durante este per\u00edodo seus adeptos aceitam esta data como o in\u00edcio hist\u00f3rico da mesma.\n\nDo Estado da Bahia para o Norte h\u00e1 tamb\u00e9m pr\u00e1ticas diferentes tais como Pajelan\u00e7a, Catimb\u00f3, Jurema, Tambor-de-Mina e Terec\u00f4 com fortes elementos ind\u00edgenas.\n\n<strong>Religi\u00e3o \u2013 Escravid\u00e3o no Brasil<\/strong>\n\nOs Escravos eram proibidos de praticar sua religi\u00e3o de origem africana ou de realizar suas festas e rituais africanos. Os senhores do engenho exigiam dos escravos que seguissem a religi\u00e3o cat\u00f3lica.\n\n<strong>Entretanto, mesmo com todas as imposi\u00e7\u00f5es e restri\u00e7\u00f5es, realizavam, escondidos, seus rituais, praticavam suas festas, mantiveram suas representa\u00e7\u00f5es art\u00edsticas e at\u00e9 desenvolveram uma forma de luta<\/strong>: a capoeira.\n\n<strong>Fonte:<\/strong>\u00a0www.segal1945.hpg.ig.com.br\/professor.ucg.br(Carolina Teles Lemos\/Irene Dias de Oliveira)\/religiosidadenegra.com.br\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Religiosidade dos Escravos, Brasil, Hist\u00f3ria, Religi\u00e3o, Negra, Africanas, \u00c1frica, Cultura, Manifesta\u00e7\u00e3o, Formas, Origem, Religiosidade dos Escravos<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":10029,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[54],"tags":[],"class_list":["post-15126","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-historia-do-brasil"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v28.3 - 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