{"id":15062,"date":"2015-12-22T00:00:00","date_gmt":"2015-12-22T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/uncategorized\/intentona-comunista-2\/"},"modified":"2026-08-31T23:19:46","modified_gmt":"2026-08-31T23:19:46","slug":"intentona-comunista-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/historia-do-brasil\/intentona-comunista-2\/","title":{"rendered":"Intentona Comunista"},"content":{"rendered":"\n<strong>Intentona Comunista &#8211; Partido Comunista Brasileiro<\/strong>\n\nA\u00a0<strong>Intentona Comunista<\/strong>\u00a0foi uma insurrei\u00e7\u00e3o pol\u00edtico-militar promovida pelo Partido Comunista Brasileiro (PCB, em novembro de 1935, com o objetivo de derrubar o presidente Get\u00falio Vargas e instalar um governo socialista no Brasil.\n\nFundado em 1922, o Partido Comunista Brasileiro fortalece-se apenas no final da d\u00e9cada, ao intensificar sua participa\u00e7\u00e3o nas campanhas eleitorais e penetrar no proletariado urbano e nos meios trabalhadores rurais.\n\nAp\u00f3s a Revolu\u00e7\u00e3o de 30, recebe a ades\u00e3o de militantes e l\u00edderes tenentistas, entre eles o ex-capit\u00e3o Lu\u00eds Carlos Prestes. Depois de uma estada na Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica, Prestes retorna ao Brasil e, em 1934, passa a participar da dere\u00e7\u00e3o partid\u00e1ria.\n\n<strong>Alian\u00e7a Liberal Libertadora (ANL)<\/strong>\n\nCom o crescimento do fascismo na Europa e do integralismo no Brasil, as lideran\u00e7as pol\u00edticas democr\u00e1ticas e de esquerda decidem reproduzir no pa\u00eds o modelo das frentes populares europeias.\n\nCom esse objetivo, em mar\u00e7o de 1935 \u00e9 criada no Rio de Janeiro a ANL, reunindo ex-tenentes, comunistas, socialistas, l\u00edderes sindicais e liberais exclu\u00eddos no poder.\n\nA Alian\u00e7a aprova um programa de reformas sociais, econ\u00f4micas e pol\u00edticas que inclui aumento dos sal\u00e1rios, nacionaliza\u00e7\u00e3o de empresas estrangeiras, prote\u00e7\u00e3o aos pequenos e m\u00e9dios propriet\u00e1rios e defesa das liberdades p\u00fablicas.\n\nLu\u00eds Carlos Prestes \u00e9 convidado para a presid\u00eancia de honra da organiza\u00e7\u00e3o. A ANL cresce t\u00e3o rapidamente quanto a sua advers\u00e1ria AIB (A\u00e7\u00e3o Integralista Brasileira).\n<p style=\"text-align: center;\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" title=\"Intentona Comunista\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/iintent7.jpg\" alt=\"Intentona Comunista\" width=\"325\" height=\"245\" \/><\/strong><strong>Lu\u00eds Carlos Prestes, ao centro, na pris\u00e3o em 1941<\/strong><\/p>\nOs confrontos entre militantes comunistas e integralista tornam-se cada vez mais frequentes.\n\nAproveitando o apoio da sociedade \u00e0 causa antifascista, Prestes lan\u00e7a em julho de 1935, em nome da ANL, um documento pedindo a ren\u00fancia do presidente Get\u00falio Vargas.\n\nEm repres\u00e1lia, o governo decreta a ilegalidade da ANL. Impedida de atuar publicamente, a organiza\u00e7\u00e3o perde a for\u00e7a, pois s\u00f3 funcionava na ilegalidade.\n\n<strong>Levante nos quart\u00e9is<\/strong>\n\nCom o apoio de prestes e contando com a ades\u00e3o de simpatizantes aliancistas em importantes unidades do Ex\u00e9rcito, o PCB prepara uma rebeli\u00e3o militar.\n\nO levante dos quart\u00e9is seria o sinal para uma greve geral e o in\u00edcio da revolu\u00e7\u00e3o popular.\n\nA revolta come\u00e7a precipitadamente nas cidades de Natal e do Recife, nos dias 23 e 24 de novembro. Em fun\u00e7\u00e3o dessa antecipa\u00e7\u00e3o inesperada, os chefes do movimento apressam a mobiliza\u00e7\u00e3o no Rio de Janeiro para a madrugado do dia 27.\n\nO 3o. Regimento da Infantaria, na Praia Vermelha, e a Escola de Avia\u00e7\u00e3o, no Campo dos Afonsos, s\u00e3o palco das revoltas.\n\nMas o governo est\u00e1 preparado e conta com a lealdade das For\u00e7as Armadas.\n\nOs rebeldes s\u00e3o encurralados pelas artilharias do Ex\u00e9rcito e da Marinha e dominados rapidamente.\n\nA rebeli\u00e3o \u00e9 derrotada no mesmo dia em que come\u00e7a devido a falta de organiza\u00e7\u00e3o.\n\nEm todo o pa\u00eds, revoltosos e simpatizantes s\u00e3o perseguidos, seus chefes s\u00e3o presos, alguns torturados e mortos. Prestes fica na pris\u00e3o at\u00e9 45.\n\nSua mulher, Olga Ben\u00e1rio, comunista e judia, \u00e9 entregue pela pol\u00edcia do Estado Novo \u00e0 Gestapo, pol\u00edcia pol\u00edtica nazista, e morre em 42 num campo de concentra\u00e7\u00e3o da Alemanha nazista.\n\nAp\u00f3s a\u00a0<strong>Intentona<\/strong>, o PCB \u00e9 condenado \u00e0 clandestinidade.\n\n<strong>Intentona Comunista &#8211; O que foi<\/strong>\n\nA\u00a0<strong>Intentona Comunista de 1935<\/strong>\u00a0n\u00e3o foi um epis\u00f3dio isolado que ocorreu apenas no Rio Grande do Norte. Ela surgiu dentro de um contexto internacional e, ao mesmo tempo, brasileiro.\n\n<strong>Na \u201cHist\u00f3ria do Povo Brasileiro\u201d se encontra a descri\u00e7\u00e3o do cen\u00e1rio no qual a Intentona se realizou:<\/strong>\u00a0\u201cNaquela \u00e9poca de agudos conflitos sociais, a democracia cl\u00e1ssica se imobiliza, enleada em impedimentos formais, enquanto os ditadores de esquerda e de direita, vencidos os empecilhos internos preparavam-se para o inevit\u00e1vel confronto mundial (\u2026) O Brasil tornou-se, assim, o grande centro de competi\u00e7\u00f5es entre os idealistas totalit\u00e1rios, na Am\u00e9rica Latina, no interregno liberal de 1934 a 1937.\n\nA Constitui\u00e7\u00e3o de 1934, que havia escolhido Get\u00falio Vargas para presidente da Rep\u00fablica por via indireta, ensejou a forma\u00e7\u00e3o de partidos pol\u00edticos. Entre as organiza\u00e7\u00f5es partid\u00e1rias nascidas na ocasi\u00e3o estava a \u201cAlian\u00e7a Nacional Libertadora\u201d, de orienta\u00e7\u00e3o comunista, cujo presidente de honra era Lu\u00eds Carlos prestes, filiado ao PC (Partido Comunista) desde 1928. A \u201cAlian\u00e7a Nacional Libertadora\u2019 encarregou-se organizar greves e manifesta\u00e7\u00f5es p\u00fablicas onde pediam o cancelamento da d\u00edvida imperialista, nacionaliza\u00e7\u00e3o de empresas estrangeiras e o fim do latif\u00fandio, entre outras reivindica\u00e7\u00f5es.\n\n<strong>Objetivam tamb\u00e9m:<\/strong>\u00a0impor o vasto programa da ANL (Alian\u00e7a Nacional Libertadora); a queda do governo Vargas; o fim do fascismo; a defesa da pequena propriedade; jornada de oito horas de trabalho; aposentadoria, e defesa do sal\u00e1rio m\u00ednimo.\n\nFoi a ANL que inspirou o movimento comunista que eclodiu em novembro de 1935 na cidade de Natal e que ficou conhecido como sendo a Intentona Comunista.\n\nO fato \u00e9 que, como disse Tarc\u00edsio Medeiros, \u201cfoi nesse ambiente que o interregno liberal, de 1934 a 1937, foi dominando o Brasil, no qual as correntes democr\u00e1ticas perdiam o controle das massas e das ruas, envolvidas nas competi\u00e7\u00f5es pessoais e nas tricas de campan\u00e1rio\u201d.\n\n<strong>Intentona Comunista &#8211; Hist\u00f3ria do Brasil<\/strong>\n\nNo dia 27 de Novembro de 1935, ocorreu o maior ato de trai\u00e7\u00e3o e covardia j\u00e1 perpetrados na Hist\u00f3ria do Brasil.\n\nUm grupo de traidores, a soldo de Moscou, tentou implantar, no Brasil, uma sangrenta ditadura comunista. O levante armado irrompeu em Natal, Recife e Rio de Janeiro, financiado e determinado pelo Comintern.\n\nNos primeiros dias de mar\u00e7o de 1934 desembarcava no Rio de Janeiro, com passaporte americano, Harry Berger. Harry Berger era na realidade, o agente alem\u00e3o do Comintern chamado Arthur Ernst Ewert.\n\nEx-deputado, em seu pa\u00eds, era fichado como espi\u00e3o e havia sido processado por alta trai\u00e7\u00e3o. Foi enviado ao Brasil, com outros agitadores, como Rodolfo Ghioldi e Jules Vales, para assessorar o planejamento da rebeli\u00e3o comunista.\n\nPouco depois, desembarcava Lu\u00edz Carlos Prestes com passaporte falso.\n\n<strong>O traidor vinha com a miss\u00e3o que lhe impusera o Comintern:<\/strong>\u00a0chefiar o movimento armado que se preparava no Brasil.\n\nCome\u00e7aria ent\u00e3o o planejamento para a insurrei\u00e7\u00e3o armada.\n\nEnquanto, nas sombras das conspira\u00e7\u00f5es e das combina\u00e7\u00f5es clandestinas, os subversivos concertavam os planos para a a\u00e7\u00e3o violenta, tarefa a cargo dos elementos militares, a ANL(A\u00e7\u00e3o Nacional Libertadora) e seus propagandistas procuravam ampliar o seu n\u00famero de adeptos. Prestes fez apelos a antigos companheiros. Seus apelos foram, entretanto, recusados em sua maior parte.\n\nMas o Comintern exigia pressa e a\u00e7\u00e3o. Harry Berger orientava e dinamizava os planos.\n\n<strong>Em um de seus relatos ao Comintern ele escrevia:<\/strong>\n\n<strong>A etapa atual da revolu\u00e7\u00e3o, no Brasil<\/strong>\n\nEst\u00e1 em franco desenvolvimento uma revolu\u00e7\u00e3o nacional antiimperialista. A finalidade da primeira etapa \u00e9 a cria\u00e7\u00e3o de uma vasta frente popular \u2013 oper\u00e1rios, camponeses, pequenos burgueses e burgueses que s\u00e3o contra o imperialismo \u2013 depois, a a\u00e7\u00e3o propriamente dita, para a institui\u00e7\u00e3o de um governo popular nacional revolucion\u00e1rio, com Prestes \u00e0 frente e representantes daquelas classes. Mas, como condi\u00e7\u00e3o b\u00e1sica, esse governo se apoiar\u00e1 nas partes infiltradas no Ex\u00e9rcito e depois, sobre os oper\u00e1rios e camponeses articulados em forma\u00e7\u00f5es armadas.\u201d\n\n\u201d Nesta primeira fase, n\u00e3o ser\u00e3o organizados sovietes, porque isso reduziria, prematuramente, as hostes populares. N\u00e3o obstante, o poder verdadeiro estar\u00e1 em maior escala nas aldeias, nas m\u00e3os das Ligas e Comit\u00eas de camponeses que se formar\u00e3o e que tamb\u00e9m articular\u00e3o forma\u00e7\u00e3o do povo em armas para a prote\u00e7\u00e3o do Governo Popular e para a defesa de seus interesses. Nessa primeira etapa, a a\u00e7\u00e3o ser\u00e1, antes de tudo, desencadeada contra o imperialismo, os grandes latifundi\u00e1rios e contra os capitalistas que, traindo a Na\u00e7\u00e3o, agem de comum acordo com o imperialismo.\u201d\n\n\u201d N\u00f3s s\u00f3 passaremos a modificar os objetivos da primeira etapa, s\u00f3 erigiremos a ditadura democr\u00e1tica dos oper\u00e1rios e camponeses sob a forma de sovietes, quando a revolu\u00e7\u00e3o no Brasil tiver atingido uma grande concentra\u00e7\u00e3o. Os pontos de apoio do Governo Popular Nacional Revolucion\u00e1rio ser\u00e3o os sovietes, mais as organiza\u00e7\u00f5es de massa e o Ex\u00e9rcito Revolucion\u00e1rio do Povo. A transforma\u00e7\u00e3o do Governo Popular Nacional Revolucion\u00e1rio, com Prestes \u00e0 frente, tornar-se-\u00e1 oportuna e real com o desenvolvimento favor\u00e1vel da Revolu\u00e7\u00e3o do Governo Popular.\u201d\n\n<strong>Pelos planos de Harry Berger, o movimento teria duas fases:<\/strong>\u00a0na primeira seria organizado um governo popular de coaliz\u00e3o. Na Segunda, viriam os sovietes, o Ex\u00e9rcito do Povo e a total hegemonia dos comunistas.\n\nA ideia de um levante armado preocupava os elementos mais ponderados do PCB.\n\nO Comintern considerava, entretanto, a a\u00e7\u00e3o violenta como uma promissora experi\u00eancia para a implanta\u00e7\u00e3o do regime comunista em toda a Am\u00e9rica Latina. Por essa raz\u00e3o, enviou a um escrit\u00f3rio comercial sovi\u00e9tico em Montevid\u00e9u recursos financeiros destinados a apoiar a insurrei\u00e7\u00e3o no Brasil.\n\nNas For\u00e7as Armadas a infiltra\u00e7\u00e3o era grande. C\u00e9lulas comunistas, envolvendo oficiais e sargentos, funcionavam no Ex\u00e9rcito e na Marinha.\n\nElementos do Partido Comunista preparavam greves e agita\u00e7\u00f5es nos meios oper\u00e1rios e camponeses. Manifestos e instru\u00e7\u00f5es subversivos circulavam nos quart\u00e9is e em organiza\u00e7\u00f5es sindicais.\n\nEnquanto Harry Berger depurava, cuidadosamente, os planos, Prestes atuava com invulgar monstruosidade. Em nome da causa vermelha, pessoas consideradas suspeitas foram expulsas do Partido e, at\u00e9 mesmo eliminadas, como ocorreu com a menina Elza Fernandes, assassinada por ordem de Prestes.\n\nTudo estava previsto para o rompimento simult\u00e2neo do levante armado em todo o pa\u00eds. Mas, o movimento foi precipitado no Nordeste.\n\n<strong>A insurrei\u00e7\u00e3o comunista teve in\u00edcio em Natal, Rio Grande do Norte<\/strong>\n\nAo anoitecer do dia 23 de novembro, dois sargentos, dois cabos e dois soldados sublevaram o 21\u00ba Batalh\u00e3o de Ca\u00e7adores. Aproveitaram-se do licenciamento do s\u00e1bado e invadiram a sala do oficial de dia, prenderam o oficial e dominaram o aquartelamento. A seguir, entraram na Unidade, bandos de civis.\n\nApoderaram-se do armamento e das muni\u00e7\u00f5es do Ex\u00e9rcito e distribu\u00edram-se em grupos para diversos pontos da cidade. Esses bandos de agitadores, engrossavam-se no caminho com in\u00fameros adesistas aventureiros, a maioria dos quais nem sabia exatamente do que se tratava.\n\nInvestiram, em seguida, contra a Unidade da Pol\u00edcia Militar onde o Coronel Jos\u00e9 Otaviano Pinto Soares, Comandante do 21\u00ba Batalh\u00e3o de Ca\u00e7adores, com o apoio do Comandante do Batalh\u00e3o de Pol\u00edcia, Major Luiz J\u00falio, conseguiu montar uma defesa que resistiu durante 19 horas, at\u00e9 render-se por falta de muni\u00e7\u00e3o.\n\nCenas jamais vistas de vandalismo e crueldade tiveram lugar. Casas comerciais e resid\u00eancias particulares foram saqueadas e depredadas. Navios no porto foram ocupados.\n\nGrande n\u00famero de instala\u00e7\u00f5es foram danificadas com selvageria.\n\n<b>Enquanto essa arrua\u00e7a dominava o ambiente da cidade, instalava-se em pal\u00e1cio, o \u201cComit\u00ea Popular Revolucion\u00e1rio &#8220;constitu\u00eddo\u00a0pelas seguintes personalidades:<\/b>\u00a0funcion\u00e1rio estadual Lauro Cortez Lago, Ministro do Interior; Sargento m\u00fasico Quintino Clemente de Barros, Ministro da Defesa; sapateiro Jos\u00e9 Praxedes de Andrade, Ministro do Abastecimento; funcion\u00e1rio postal Jos\u00e9 Macedo, Ministro das Finan\u00e7as; estudante Jo\u00e3o Batista Galv\u00e3o, Ministro da Via\u00e7\u00e3o; cabo Estev\u00e3o, Comandante do 21\u00ba Batalh\u00e3o de Ca\u00e7adores e Sargento Eliziel Diniz Henriques, Comandante Geral da Guarni\u00e7\u00e3o Federal.\n\n<strong>Os primeiros atos do Comit\u00ea foram:\u00a0<\/strong>arrombamento de bancos e reparti\u00e7\u00f5es p\u00fablicas\n\nUm clima de terror foi estabelecido em toda a cidade. Viola\u00e7\u00f5es, estupros, pilhagens e roubos generalizaram-se.\n\nDois cidad\u00e3os foram covardemente assassinados sob a acusa\u00e7\u00e3o de que estavam ridicularizando o movimento. A popula\u00e7\u00e3o come\u00e7ou a fugir de Natal.\n\nColunas rebeldes ocuparam as localidades de Cear\u00e1- Mirim, Baixa Verde, S\u00e3o Jos\u00e9 do Mipib\u00fa, Santa Cruz e Canguaratema.\n\nA primeira rea\u00e7\u00e3o partiu de Dinarte Mariz, um chefe pol\u00edtico do interior, que conseguiu surpreender e derrotar um grupo comunista, com uma pequena for\u00e7a de sertanejos.\n\nQuando as tropas legalistas, vindas de Recife, marcharam sobre Natal, o Comit\u00ea Popular Revolucion\u00e1rio dissolveu-se rapidamente, sem a menor resist\u00eancia.\n\nTodos os \u201cMinistros\u201de \u201cComandantes Militares\u201d fugiram levando o que podiam.\n\nFoi esta, em s\u00edntese, a hist\u00f3ria vergonhosa do mais duradouro governo comunista no Brasil, at\u00e9 os dias atuais.\n\nFoi a mais lament\u00e1vel demonstra\u00e7\u00e3o do que pode representar a ascens\u00e3o ao poder de um grupo de comunistas inescrupulosos e dispostos \u00e0s a\u00e7\u00f5es mais b\u00e1rbaras, seguidos por uma coorte de oportunistas e ignorantes.\n\nOs acontecimentos de Natal precipitaram a eclos\u00e3o do movimento subversivo em Recife. A\u00ed se travou o mais cruento conflito de todo o levante.\n\nNa manh\u00e3 do dia 25 de novembro, um sargento, chefiando um grupo de civis, atacou a cadeia p\u00fablica de Olinda. Logo depois, o Sargento Gregorio Bezerra tentava apoderar-se do Quartel- General da 7\u00aa Regi\u00e3o Militar, assassinando covardemente o Tenente Jos\u00e9 Sampaio, e ferindo o Tenente Agnaldo Oliveira de Almeida, antes de ser subjugado e preso.\n\nNa Vila Militar de Socorro, o Capit\u00e3o Otac\u00edlio Alves de Lima, o Tenente Lamartine Coutinho Correia de Oliveira e o Tenente Roberto Alberto Bomilcar Besouchet, not\u00f3rios comunistas, sublevaram o 29\u00ba Batalh\u00e3o de Ca\u00e7adores e marcharam sobre a capital pernambucana.\n\nO Tenente- Coronel Afonso de Albuquerque Lima, subcomandante da Brigada Policial, conseguiu, entretanto, reunir um contigente que procurou deter os revoltosos.\n\nO Capit\u00e3o Malvino Reis Neto, Secret\u00e1rio de Seguran\u00e7a P\u00fablica, armou a Guarda Civil e v\u00e1rias organiza\u00e7\u00f5es policiais, deslocando-as em refor\u00e7o das tropas legalistas.\n\nEssa rea\u00e7\u00e3o permitiu que as Unidades de Macei\u00f3 e Jo\u00e3o Pessoa pudessem ser deslocadas para o teatro da luta e estabelecer um cerco aos revoltosos.\n\nNa manh\u00e3 do dia 25, as for\u00e7as legalistas j\u00e1 dispunham do apoio de artilharia e atacam fortemente os comunistas. Havia mais de uma centena de mortos nas fileiras rebeldes.\n\nNo dia seguinte, Recife j\u00e1 estava completamente dominada pelas for\u00e7as e os rebeldes derrotados.\n\nO 20\u00ba Batalh\u00e3o de Ca\u00e7adores j\u00e1 podia se deslocar para Natal, ainda em poder dos comunistas.\n\nNot\u00edcias confusas e alarmantes chegavam ao Rio de Janeiro dos acontecimentos de Natal e Recife.\n\nEsperava-se uma a\u00e7\u00e3o comunista a qualquer momento, sem que se pudesse precisar onde surgiria.\n\nPrestes declarou, em nota enviada a Trifino Correia em Minas Gerais, que n\u00e3o poderia aguardar mais tempo e que a rebeli\u00e3o precisava irromper dentro de dois ou tr\u00eas dias. Efetivamente, sua ordem para o desencadeamento das a\u00e7\u00f5es marcava a hora H para as duas da madrugada de 27 de novembro.\n\nAs autoridades n\u00e3o ignoravam que elementos comunistas infiltrados em v\u00e1rios quart\u00e9is estavam na imin\u00eancia de uma insurrei\u00e7\u00e3o. Mesmo assim houve muitas surpresas.\n\nMuitos dos comprometidos n\u00e3o figuravam nas rela\u00e7\u00f5es de suspeitos.\n\nNa Escola de Avia\u00e7\u00e3o, em Marechal Hermes, os Capit\u00e3es Agliberto Vieira de Azevedo e S\u00f3crates Gon\u00e7alves da Silva, juntamente com os Tenentes Ivan Ramos Ribeiro e Benedito de Carvalho assaltaram o quartel de madrugada, e dominaram a Unidade. V\u00e1rios oficiais foram assassinados ainda dormindo.\n\nO Capit\u00e3o Agliberto matou friamente o seu amigo Capit\u00e3o Benedito Lopes Bragan\u00e7a que se achava desarmado e indefeso.\n\nEm seguida, os rebeldes passaram a atacar o 1\u00ba Regimento de Avia\u00e7\u00e3o, sob o comando do Coronel Eduardo Gomes, que, apesar de ferido ligeiramente, iniciou a rea\u00e7\u00e3o.\n\nFor\u00e7as da Vila Militar acorreram em apoio ao Regimento e, ap\u00f3s algumas horas de violenta fuzilaria e bombardeio de artilharia, conseguiram derrotar os rebeldes.\n\nNo 3\u00ba Regimento de Infantaria, na Praia Vermelha, acontecimentos mais graves ocorreram. Os rebeldes, chefiados pelos Capit\u00e3es Agildo Barata, \u00c1lvaro Francisco de Souza e Jos\u00e9 Leite Brasil conseguiram, na mesma madrugada, ap\u00f3s violenta e mort\u00edfera refrega, no interior do quartel dominar quase totalmente a Unidade. Ao amanhecer, restava apenas um n\u00facleo de resist\u00eancia legalista, sitiado no Pavilh\u00e3o do Comando, onde se encontrava o Coronel Afonso Ferreira, comandante do Regimento.\n\nA rea\u00e7\u00e3o dos legalistas do pr\u00f3prio 3\u00ba RI teve grande valia no decorrer da a\u00e7\u00e3o, porque impediu que a Unidade rebelada deixasse o quartel para cumprir as miss\u00f5es determinadas por Prestes no plano da insurrei\u00e7\u00e3o e que inclu\u00edam o assalto ao pal\u00e1cio presidencial no Catete.\n\nNas \u00faltimas horas da madrugada, acionados diretamente pelo Comandante da 1\u00aa Regi\u00e3o Militar, General Eurico Gaspar Dutra, o Batalh\u00e3o de Guardas e o 1\u00ad\u00ba Grupo de Obuses tomaram posi\u00e7\u00e3o nas proximidades do aquartelamento rebelado e iniciaram o bombardeio.\n\nDurante toda a manh\u00e3 do dia 27 desenvolveu-se um duro combate. O edif\u00edcio do quartel foi transformado em uma verdadeira fortaleza, defendida pelas metralhadoras dos amotinados que tamb\u00e9m ocuparam as eleva\u00e7\u00f5es vizinhas.\n\nAs explos\u00f5es das granadas da artilharia reduziram a escombros as velhas paredes que o inc\u00eandio do madeiramento carbonizava. A infantaria legalista avan\u00e7ou muito lentamente, em raz\u00e3o da falta de prote\u00e7\u00e3o na pra\u00e7a fronteira ao quartel.\n\nOs amotinados tentaram parlamentar com o comando legal, mas foram repelidos em suas propostas.\n\nFinalmente, \u00e0s 13 horas e 30 minutos, bandeiras brancas improvisadas foram agitadas nas janelas do edif\u00edcio, parcialmente destru\u00eddo era a rendi\u00e7\u00e3o.\n\nA intentona comunista de 1935 no Brasil \u00e9 apenas um epis\u00f3dio no imenso repert\u00f3rio de crimes que o comunismo vem cometendo no mundo inteiro para submeter os povos ao regime opressor denominado \u201cditadura do proletariado\u201d. Desde o massacre da fam\u00edlia real russa, das execu\u00e7\u00f5es na \u00e9poca de Stalin, das invas\u00f5es da Hungria, da Tchecoslov\u00e1quia e do Afeganist\u00e3o.\n\nNo seu desmedido plano de dom\u00ednio universal, foi sempre apoiado na escraviza\u00e7\u00e3o, na tortura e no assassinato de milh\u00f5es de entes humanos, cuja dor e cujo sangue parecem ser a marca indispens\u00e1vel das conquistas comunistas.\n\nOstentando d\u00edsticos enganadores, agitando falsas promessas, os comunistas de 1935, como de hoje, s\u00e3o os mesmos arautos da sujei\u00e7\u00e3o e da opress\u00e3o.\n\nQueremos deixar aqui registrados, os autores intelectuais, bem como os que participaram diretamente deste ato covarde e antipatri\u00f3tico a soldo de uma Na\u00e7\u00e3o estrangeira.\n\nComo r\u00e9us, incursos nas penas do art.1\u00ba, combinado com o art.49 da Lei n\u00ba 38,de 04 de abril de 1935.\n\n\u201d Ex-capit\u00e3o Luiz Carlos Prestes\u2014 Arthur Ernest Ewert ou Harry Berger( agente estrangeiro ) Rodolfo Ghioldi ( agente estrangeiro )\u2014 Leon Jules Vall\u00e9e (agente estrangeiro )\u2014 Antonio Maciel Bonfim ou Adalberto de Andrade Fernandes\u2014 Honorio de Freitas Guimar\u00e3es\u2014 Lauro Reginaldo da Rocha ou Lauro Reginaldo Teixeira\u2014 Adelino Deycola dos Santos\u2014 ex-major Carlos da Costa Leite\u2014Dr Ilvo Furtado Soares de Meireles\u2014 ex-capit\u00e3o-tenente Hercolino Cascardo ex-capit\u00e3o-tenente Roberto Faller Sisson\u2014 Benjamin Soares Cabello\u2014 Dr Francisco Mangabeira\u2014 Dr Manoel Venancio Campos da Paz\u2014 ex-capit\u00e3o Carlos Amorety Osorio\u2014 Dr Pedro Ernesto Baptista\u2014 ex-capit\u00e3o Agildo da Gama Barata Ribeiro\u2014 ex-capit\u00e3o Alvaro Francisco de Souza\u2014 ex-capit\u00e3o Jos\u00e9 Leite Brasil\u2014 ex-capit\u00e3oS\u00f3crates Gon\u00e7alves da Silva\u2014 ex- capit\u00e3oAglibertoVieira de Azevedo\u2014 ex-primeiro tenente David de Medeiros Filho\u2014 ex-primeiro tenente Durval Miguel de Barros\u2014 ex-primeiro tenente Celso Tovar Bicudo de Castro\u2014 ex-primeiro tenente Benedicto de Carvalho\u2014ex-segundo tenente Francisco Antonio Leivas Otero\u2014 ex-segundo tenente Mario de Souza\u2014 ex-segundo tenenteAntonio Bento Monteiro Tourinho\u2014 ex-segundo tenente Jos\u00e9 Gutman\u2014ex-segundo tenente Raul Pedroso\u2014 ex- segundo tenente Ivan Ramos Ribeiro\u2014 ex segundo tenente Humberto Baena de Moraes Rego\u2014 ex-terceiro sargentoVictor Ayres da Cruz.\u201d\n\n\u201c\u2026Resolve ainda, o Tribunal, por unanimidade de votos absolver, como absolve os accusados Hercolino Cascardo, Roberto Faller Sisson, Carlos Amorety Os\u00f3rio, Francisco Mangabeira, Benjamin Soares Cabello e Manoel Ven\u00e2ncio Campos da Paz, da accusa\u00e7\u00e3o de haverem commetido o crime do art.1\u00ba da lei n\u00ba 38, de 4 de abril de 1935, por n\u00e3o estar provado que os mesmos tivessem tentado mudar, por meios violentos, a forma de governo, ou a\nConstitui\u00e7\u00e3o da Republica.\n\nSala das Sess\u00f5es, em 7 de maio de 1937- Barros Barreto, presidente \u2013 Raul Machado, relator \u2013 Costa Netto \u2013 Lemos Bastos \u2013 Pereira Braga \u2013 Himalaya Vergolino, presente.\n\nOs demais implicados, quer os simples executores materiais, quer os que prestaram aux\u00edlio ou forneceram instru\u00e7\u00f5es para a execu\u00e7\u00e3o do delito, se enquadram na categoria dos co-r\u00e9us\n\nPara vergonha e rep\u00fadio da Na\u00e7\u00e3o, o nome de Luiz Carlos Prestes, covarde assassino e vendilh\u00e3o de sua p\u00e1tria, \u00e9 dado a logradouros p\u00fablicos, por indica\u00e7\u00e3o de autoridades executivas ou de pol\u00edticos levianos e oportunistas, sem o menor sentimento de patriotismo.\n\nCertamente, desconhecem a verdadeira hist\u00f3ria ou esposam ainda filosofias sanguin\u00e1rias e ditatoriais.\n\n<strong>Intentona Comunista &#8211; Resumo<\/strong>\n<p class=\"imagem\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Intentona Comunista\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/iintent9.jpg\" alt=\"Intentona Comunista\" width=\"156\" height=\"208\" \/><strong>\nLuiz Carlos Prestes<\/strong><\/p>\nA\u00a0<strong>Intentona Comunista<\/strong>\u00a0\u00e9 o nome pelo qual \u00e9 conhecido o levante comunista de 1935, no Brasil.\n\nExistem v\u00e1rias vers\u00f5es para o caso, mas a hip\u00f3tese mais aceita \u00e9 a de que teria sido realmente planejado em conjunto com a Internacional Comunista (Comintern). O grupo organizador, no Brasil, era composto por Lu\u00eds Carlos Prestes e sua mulher, Olga Ben\u00e1rio, al\u00e9m de Rodolfo Ghioldi, Arthur Ernest Ewert, Ranieri Gonzales e alguns outros membros do Partido Comunista do Brasil (PCB).\n\n<strong>O levante aconteceu em pontos esparsos do territ\u00f3rio nacional, a saber:<\/strong>\u00a0em Natal e arredores, entre 23 e 25 de novembro; em Recife, logo ap\u00f3s; e Rio de Janeiro, em 27 de novembro. O \u00faltimo levante, no Rio, \u00e9 considerado como apenas um ato de lealdade dos conspiradores sediados nessa cidade, pois havia ficado claro que o movimento n\u00e3o teria chances reais de revolucionar o pa\u00eds.\n\nAinda a respeito levante do Rio de Janeiro, os militares propagaram durante muitos anos uma vers\u00e3o que dava conta do suposto assassinato durante o sono de oficiais que n\u00e3o quiseram se rebelar por parte dos comunistas. Contudo, h\u00e1 documentos oficiais que revelam que os quart\u00e9is do Rio de Janeiro estavam em prontid\u00e3o e n\u00e3o haveria militares que pudessem estar dormindo em tais condi\u00e7\u00f5es. At\u00e9 recentemente, eram feitas comemora\u00e7\u00f5es p\u00fablicas pelo ex\u00e9rcito em 27 de novembro, no cemit\u00e9rio S.Jo\u00e3o Batista, em homenagem aos militares legalistas mortos durante a intentona, as quais davam oportunidade, antes e durante a ditadura militar de 1964-1985, a amea\u00e7as, demonstra\u00e7\u00f5es de for\u00e7a, articula\u00e7\u00f5es golpistas e manifesta\u00e7\u00f5es anti-comunistas hist\u00e9ricas de ultras de Direita entre os militares.\n\nPrecisamente por isto, estas festividades foram tidas como incompat\u00edveis com a legalidade democr\u00e1tica restaurada em 1985 e discretamente descontinuadas durante o governo Fernando Henrique Cardoso.\n\nUm monumento \u00e0s v\u00edtimas (legalistas) da Intentona continua erguido na Praia Vermelha.\n\nO movimento preparou caminho para que Get\u00falio Vargas decretasse o Estado Novo em 1937, golpe que se motivou oficialmente pela \u201camea\u00e7a comunista\u201d.\n\nNa d\u00e9cada de 30, o sudeste e o sul do Brasil j\u00e1 contavam com uma popula\u00e7\u00e3o imigrante mais esclarecida e capaz de responder a est\u00edmulos das lideran\u00e7as, sobretudo os italianos e alem\u00e3es, todavia, uns e outros vieram ao Brasil para vencer pelo trabalho, n\u00e3o lhes interessando, de forma alguma o envolvimento em quest\u00f5es pol\u00edticas ou militares. Assim, tentativas de levante, em nosso pa\u00eds, sempre foram obra de uma classe m\u00e9dia restrita, sem qualquer participa\u00e7\u00e3o de base.\n\nNa madrugada de 27 de novembro de 1935 \u2013 \u00e9 o que conta a hist\u00f3ria oficial \u2013 um grupo de militares rebeldes assassinou covardemente, pelas costas, seus companheiros de farda que se achavam dormindo, sublevando o 3\u00ba Regimento de Infantaria da Praia Vermelha, no Rio de Janeiro e espalhando a revolta pelos quart\u00e9is vizinhos, chegando at\u00e9 o Campo dos Afonsos, onde se achava instalada a Escola de Avia\u00e7\u00e3o.\n\n\u00c9 isso, talvez, e muito mais que isso. Muitos dos que participaram da Intentona silenciaram durante toda a vida e morreram sem deixar seu depoimento para a Hist\u00f3ria. Mas, meio s\u00e9culo depois, \u00e9 poss\u00edvel tra\u00e7ar, com alguma seguran\u00e7a, a trilha que levou aos levantes de 1935 em Natal, em Recife e no Rio de Janeiro. Nesse prop\u00f3sito, a longa e paciente pesquisa realizada pelo historiador H\u00e9lio Silva, falecido em 1998, \u00e9 um importante referencial, representando o que de melhor temos para entender o que se passou naquele tumultuado per\u00edodo da vida brasileira.\n\nSe, de um lado, o levante de 1935 representou uma lament\u00e1vel perda de vidas, no cumprimento do dever, n\u00e3o \u00e9 menos certo que o epis\u00f3dio foi usado como uma \u201cespada de D\u00e2mocles\u201d pendente sobre a na\u00e7\u00e3o, transformando em subversivos todos aqueles que, em algum momento, ousassem ter opini\u00f5es divergentes. Foi a consolida\u00e7\u00e3o do poder pol\u00edtico-militar, interferindo na vida nacional, algumas vezes se tornando uma sombra do poder constitu\u00eddo, outras, agindo ostensivamente contra esse mesmo poder.\n\n<strong>Como escreveu Otto Lara Resende (Folha de S\u00e3o Paulo, 27.11.91):<\/strong>\u00a0\u201cHoje \u00e9 de lastimar o vigoroso investimento pol\u00edtico e emocional que foi feito nessa tal Intentona. 1935, quantos crimes foram cometidos em teu nome!\u201d\n\n<strong>Um resumo dos acontecimentos<\/strong>\n\n<strong>Intentona<\/strong>\u00a0\u00e9 uma palavra que veio do castelhano, significando intento louco, ou plano insensato. Foi o nome usado para designar o levante militar deflagrado pelo Partido Comunista Brasileiro em 1935, tendo como objetivo a tomada do poder. O movimento previa, em sua primeira etapa, a instala\u00e7\u00e3o de um governo nacional revolucion\u00e1rio sob a chefia de Lu\u00eds Carlos Prestes.\n\nA eclos\u00e3o do levante se deu no Rio Grande do Norte e depois em Pernambuco, mas a etapa mais importante era a subleva\u00e7\u00e3o da Vila Militar no Rio de Janeiro, um complexo de quart\u00e9is que representavam o centro nervoso das for\u00e7as incumbidas de garantir a seguran\u00e7a nacional.\n\nEm Natal (Rio Grande do Norte), o movimento iniciou-se antecipadamente, em 23 de novembro de 1935, quando sargentos, cabos e soldados tomaram o 21\u00ba Batalh\u00e3o de Ca\u00e7adores e instalaram um Comit\u00ea Popular Revolucion\u00e1rio. Quatro dias depois, as tropas do Ex\u00e9rcito e pol\u00edcias dos Estados vizinhos tomaram o quartel das m\u00e3os dos revoltosos, restabelecendo a ordem.\n\nEm Recife (Pernambuco), a revolta eclodiu no dia 24. Se \u00e9 bem verdade que este levante foi dominado em apenas um dia, tamb\u00e9m \u00e9 fato que a repress\u00e3o deixou um saldo de 100 mortos entre os sublevados.\n\nNa Praia Vermelha, pr\u00f3ximo aos bairros da Urca e Botafogo, Zona Sul do Rio de Janeiro, no 3\u00ba Regimento de Infantaria, o levante se deu na madrugada do dia 27, sendo completamente dominado em menos de dez horas, com um total de 20 mortos entre os insurretos.\n\nDentro do Ex\u00e9rcito, no balan\u00e7o geral em todo o pa\u00eds, os acontecimentos de Natal, Recife e Rio de Janeiro, somados, custaram a vida de um tenente-coronel, dois majores, quatro capit\u00e3es, um tenente, quatro sargentos, quatorze cabos e dois soldados, totalizando 28 militares legalistas mortos.\n\nFoi uma insurrei\u00e7\u00e3o pol\u00edtico-militar promovida pelo Partido Comunista Brasileiro (PCB), em novembro de 1935, com o objetivo de derrubar o Presidente Get\u00falio Vargas e instalar um governo socialista no Brasil.\n\nCom o apoio de Prestes e contando com a ades\u00e3o de simpatizantes aliancistas em importantes unidades do Ex\u00e9rcito, o PCB prepara uma rebeli\u00e3o militar.\n\nO levante dos quart\u00e9is seria o sinal para uma greve geral e o in\u00edcio da revolu\u00e7\u00e3o popular. A revolta come\u00e7ou precipitadamente nas cidades de Natal e do Recife, nos dias 23 e 24 de novembro.\n\nEm fun\u00e7\u00e3o dessa antecipa\u00e7\u00e3o inesperada, os chefes do movimento apressaram a mobiliza\u00e7\u00e3o no Rio de Janeiro para a madrugado do dia 27.\n\nO 3o. Regimento da Infantaria, na Praia Vermelha, e a Escola de Avia\u00e7\u00e3o, no Campo dos Afonsos, foram os palcos da revolta. Mas o governo estava preparado e contou com a lealdade das For\u00e7as Armadas.\n\nOs rebeldes foram encurralados pelas artilharias do Ex\u00e9rcito e da Marinha e dominados rapidamente. A rebeli\u00e3o foi derrotada no mesmo dia em que come\u00e7ou devido \u00e0 falta de organiza\u00e7\u00e3o.\n\nEm todo o pa\u00eds, revoltosos e simpatizantes foram perseguidos. Os chefes do movimento foram presos, alguns torturados e mortos. Prestes ficou na pris\u00e3o at\u00e9 45.\n\nSua mulher, Olga Benaro, comunista e judia, foi entregue pela pol\u00edcia do Estado Novo \u00e0 Gestapo, pol\u00edcia pol\u00edtica nazista, e assassinada em 1942 num campo de concentra\u00e7\u00e3o da Alemanha nazista. Ap\u00f3s a Intentona, o PCB \u00e9 condenado \u00e0 clandestinidade.\n\nO comunismo jamais, em qualquer momento, teve alguma chance de ser implantado no Brasil como um movimento popular, tal como aconteceu na R\u00fassia de 1917. A popula\u00e7\u00e3o brasileira, da cidade ou do campo, sempre foi conservadora e, al\u00e9m do mais, faltava-lhe qualquer ambienta\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, vivendo o dia-a-dia do trabalho e da vida familiar, sem se deixar envolver pela propaganda revolucion\u00e1ria, seja da esquerda ou da direita.\n\nCerto \u00e9 que, na d\u00e9cada de 30, o sudeste e o sul do Brasil j\u00e1 contavam com uma popula\u00e7\u00e3o imigrante mais esclarecida e capaz de responder a est\u00edmulos das lideran\u00e7as, sobretudo os italianos e alem\u00e3es, todavia, uns e outros vieram ao Brasil para vencer pelo trabalho, n\u00e3o lhes interessando, de forma alguma o envolvimento em quest\u00f5es pol\u00edticas ou militares. Assim, tentativas de levante, em nosso pa\u00eds, sempre foram obra de uma classe m\u00e9dia restrita, sem qualquer participa\u00e7\u00e3o de base.\n\nNa madrugada de 27 de novembro de 1935 \u2013 \u00e9 o que conta a hist\u00f3ria oficial \u2013 um grupo de militares rebeldes assassinou covardemente, pelas costas, seus companheiros de farda que se achavam dormindo, sublevando o 3\u00ba Regimento de Infantaria da Praia Vermelha, no Rio de Janeiro e espalhando a revolta pelos quart\u00e9is vizinhos, chegando at\u00e9 o Campo dos Afonsos, onde se achava instalada a Escola de Avia\u00e7\u00e3o.\n\n\u00c9 isso, talvez, e muito mais que isso. Muitos dos que participaram da Intentona silenciaram durante toda a vida e morreram sem deixar seu depoimento para a Hist\u00f3ria. Mas, meio s\u00e9culo depois, \u00e9 poss\u00edvel tra\u00e7ar, com alguma seguran\u00e7a, a trilha que levou aos levantes de 1935 em Natal, em Recife e no Rio de Janeiro.\n\nNesse prop\u00f3sito, a longa e paciente pesquisa realizada pelo historiador H\u00e9lio Silva, falecido em 1998, \u00e9 um importante referencial, representando o que de melhor temos para entender o que se passou naquele tumultuado per\u00edodo da vida brasileira.\n\nSe, de um lado, o levante de 1935 representou uma lament\u00e1vel perda de vidas, no cumprimento do dever, n\u00e3o \u00e9 menos certo que o epis\u00f3dio foi usado como uma \u201cespada de D\u00e2mocles\u201d pendente sobre a na\u00e7\u00e3o, transformando em subversivos todos aqueles que, em algum momento, ousassem ter opini\u00f5es divergentes. Foi a consolida\u00e7\u00e3o do poder pol\u00edtico-militar, interferindo na vida nacional, algumas vezes se tornando uma sombra do poder constitu\u00eddo, outras, agindo ostensivamente contra esse mesmo poder.\n\n<strong>Os antecedentes<\/strong>\n\nNo dia 23 de fevereiro de 1917, na distante cidade de S\u00e3o Petersburgo, R\u00fassia, um punhado de oper\u00e1rias, descontente com as condi\u00e7\u00f5es de trabalho, recusou-se a entrar em servi\u00e7o.\n\nA decis\u00e3o dessas mulheres encontrou eco em outras f\u00e1bricas e em outras cidades e, no final do dia, j\u00e1 eram 90.000 oper\u00e1rios em greve. Tr\u00eas dias depois, perdendo por completo o controle do pa\u00eds, caia a dinastia dos Romanov, no poder h\u00e1 mais de 300 anos.\n\nConquanto o movimento comunista se achasse bem organizado na R\u00fassia, seus principais l\u00edderes, naquele momento, estavam no ex\u00edlio e os que se achavam no pa\u00eds, menos expressivos, recha\u00e7avam qualquer id\u00e9ia de a\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria, temendo pela trag\u00e9dia in\u00fatil que um levante poderia proporcionar. Assim, a queda do csarismo foi resultado de um movimento imanente, partindo das massas, sem participa\u00e7\u00e3o direta dos l\u00edderes e at\u00e9 contra a vontade das lideran\u00e7as.\n\nIsso deu aos l\u00edderes comunistas em outros pa\u00edses a falsa impress\u00e3o de que o mundo estava \u201cmaduro\u201d para o comunismo e que, a qualquer revolta, os governos ent\u00e3o dominantes iriam caindo, um a um.\n\nPor consequ\u00eancia, o ano seguinte, chamado de \u201co ano vermelho\u201d, foi pr\u00f3digo em movimentos sediciosos, todos eles fracassados e reprimidos com viol\u00eancia.\n\nO Brasil, como n\u00e3o poderia deixar de ser, viveu a mesma febre dos levantes oper\u00e1rios de 1918. No Rio de Janeiro, as comemora\u00e7\u00f5es do 1\u00ba de maio lembraram o triunfo, pelo menos aparente, dos trabalhadores na R\u00fassia. Embora com o Brasil em estado de s\u00edtio, os oper\u00e1rios cariocas acorreram \u00e0 pra\u00e7a Tiradentes, onde aconteceu ruidosa manifesta\u00e7\u00e3o. As greves e tumultos, principalmente em S\u00e3o Paulo e no Rio de Janeiro, se prolongaram por todo o ano.\n\nEm 1922, fundou-se o Partido Comunista Brasileiro, que viveu a maior parte da d\u00e9cada na ilegalidade, impedido de fazer proselitismo, em face do esquema repressivo montado pelo governo contra lideran\u00e7as oper\u00e1rias e sindicatos. Assim, em 1927, os l\u00edderes comunistas mudaram sua estrat\u00e9gia, fundando uma frente \u00fanica, conhecida como Bloco Oper\u00e1rio, ao qual, mais tarde, se acrescentou um movimento rural, passando a chamar-se Bloco Oper\u00e1rio e Campon\u00eas (BOC).\n\nAs c\u00e9lulas do BOC, espalhadas pelo pa\u00eds, tiveram a mesma sorte do Partido Comunista. N\u00e3o existia no Brasil campo para o desenvolvimento de ideias pol\u00edticas ou reivindicat\u00f3rias, e as manifesta\u00e7\u00f5es, espor\u00e1dicas e barulhentas, jamais representavam as massas. Nas cidades, o trabalhador estava mais interessado em garantir seu emprego e o sustento da fam\u00edlia. No campo, reinava ainda o sistema feudal, onde o campon\u00eas tinha uma rela\u00e7\u00e3o de total depend\u00eancia com o fazendeiro, que lhe dava casa, comida, meia-d\u00fazia de trocados e adiantamentos em dinheiro, para atender imprevistos, criando uma d\u00edvida impag\u00e1vel, que o sujeitava \u00e0 propriedade, em regime de absoluta servid\u00e3o.\n\n<strong>A\u00e7\u00e3o Integralista Brasileira (AIB)<\/strong>\n\nComo j\u00e1 tivemos oportunidade de ver, o sucesso da revolu\u00e7\u00e3o de 1930, com a posse de Get\u00falio Dorneles Vargas, coincidiu com a busca mundial por regimes pol\u00edticos radicais, de esquerda e de direita, retirando o espa\u00e7o para o desenvolvimento de doutrinas liberais.\n\nSeguindo essa tend\u00eancia, dentro do \u201ctenentismo\u201d e fora dele, surgiram \u201cLegi\u00f5es\u201d inspiradas nos agrupamentos paramilitares europeus, como os \u201ccamisas negras\u201d do fascismo italiano ou os \u201ccamisas pardas\u201d do nazismo alem\u00e3o.\n\n<strong>Em tudo, as legi\u00f5es eram semelhantes:<\/strong>\u00a0nos uniformes (mudando apenas a cor), nos s\u00edmbolos, nos slogans e at\u00e9 na sauda\u00e7\u00e3o com o bra\u00e7o erguido. No Brasil, a maioria teve curta dura\u00e7\u00e3o, mas uma delas, a A\u00e7\u00e3o Integralista Brasileira (AIB), conseguiu estabelecer bases s\u00f3lidas e duradouras, aliando sentimentos comuns \u00e0 popula\u00e7\u00e3o brasileira, quais sejam, a religi\u00e3o, a nacionalidade e a estrutura familiar.\n\nA A\u00e7\u00e3o Integralista Brasileira, com tend\u00eancias fascistas, foi idealizada pelo escritor Pl\u00ednio Salgado em 1932. Usava camisas verdes, tinha como s\u00edmbolo o sigma e, como lema, \u201cDeus P\u00e1tria e Fam\u00edlia\u201d.\n\nDela participavam os elementos mais reacion\u00e1rios da classe m\u00e9dia, sobretudo estudantes universit\u00e1rios, juntamente com militares.\n\nO integralismo pregava um \u201cEstado Integral\u201d sem explicar exatamente o que vinha a ser isso. Basicamente pregava um regime forte, substituindo a representa\u00e7\u00e3o popular por corpora\u00e7\u00f5es sindicais, estudantis e militares.\n\nTinha um car\u00e1ter profundamente nacionalista, defendendo fortemente a estatiza\u00e7\u00e3o das riquezas nacionais e, nos demais casos, assumindo a defesa intransigente da propriedade privada.\n\nEra elitizante e limitativo, pregando a ideia que o governo deveria ser entregue \u00e0s \u201celites esclarecidas\u201d, vale dizer aos que comungavam com suas opini\u00f5es. N\u00e3o descartava o uso da for\u00e7a, em substitui\u00e7\u00e3o ao convencimento, e, tal qual o comunismo, considerava a dela\u00e7\u00e3o como uma virtude a ser cultivada pelos seus membros.\n\n<strong>Alian\u00e7a Nacional Libertadora (ANL)<\/strong>\n\n<strong>Em contraposi\u00e7\u00e3o ao integralismo, n\u00e3o tardou em surgir uma frente ampla, igualmente radical, reunindo os mais variados setores da esquerda:\u00a0<\/strong>sindicalistas, liberais a procura do espa\u00e7o perdido, setores da classe m\u00e9dia preocupados com o recrudescimento do fascismo no mundo e, \u00e9 claro, os comunistas, frustrados em tentativas anteriores, que encontravam agora um caldo de cultura apropriado para o desenvolvimento de seus projetos.\n\nFoi assim que surgiu a\u00a0<strong>Alian\u00e7a Nacional Libertadora (ANL)<\/strong>, firmada na trilogia \u201cTerra, P\u00e3o e Liberdade\u201d. Dela faziam parte v\u00e1rios \u201ctenentes\u201d, entre eles, Agildo Barata Ribeiro, um dos her\u00f3is da revolu\u00e7\u00e3o de 1930 na ala norte do pa\u00eds; Benjamim Soares Cabelho, que veio a se tornar uma figura importante da Terceira Rep\u00fablica; oper\u00e1rios e jovens acad\u00eamicos, entre estes o estudante Carlos Lacerda (mais tarde jornalista e pol\u00edtico de destaque), cujo pai, Maur\u00edcio Lacerda, foi um dos precursores da legisla\u00e7\u00e3o trabalhista no Brasil.\n\nAo contr\u00e1rio do que muitos pensam, n\u00e3o tinha a participa\u00e7\u00e3o f\u00edsica de Lu\u00eds Carlos Prestes que, nesse momento, se encontrava em Barcelona (Espanha) sob o nome falso de Ant\u00f4nio Vilar, em companhia de Maria Bergner Vilar, que outra n\u00e3o era sen\u00e3o sua mulher, Olga Ben\u00e1rio. A dire\u00e7\u00e3o da ANL estava entregue a Hercolino Cascardo, o mesmo que, na revolu\u00e7\u00e3o de 1924, tentou, sem sucesso, sublevar a Marinha.\n\nEmbora a frente ampla n\u00e3o fosse comunista, estes agiram rapidamente no sentido de se destacar entre as demais correntes, dominando a agremia\u00e7\u00e3o, aproveitando-se do idealismo dos outros participantes.\n\nNo dia da funda\u00e7\u00e3o da ANL, Carlos Lacerda foi escalado para discursar em nome dos estudantes e, induzido por radicais, caiu em uma armadilha, lan\u00e7ando o nome do \u201cCavaleiro da Esperan\u00e7a\u201d como presidente de honra da ANL. Foi assim que Prestes passou a figurar como Presidente de Honra da associa\u00e7\u00e3o.\n\nPara o Brasil, o Comit\u00ea Internacional Socialista (Comintern) enviou o agitador alem\u00e3o Ernst Ewert, com o nome falso de Harry Berger. Passo a passo, um movimento s\u00e9rio de combate ao fascismo, ia sendo usado como plataforma para os planos sinistros (e mal calculados) visando a implanta\u00e7\u00e3o do regime comunista no Brasil.\n\n<strong>A quest\u00e3o dos soldos militares<\/strong>\n\nParalelamente, reinava insatisfa\u00e7\u00e3o nos quart\u00e9is pela deteriora\u00e7\u00e3o salarial, um clima perigoso, na medida em que a impaci\u00eancia da jovem oficialidade encontrava eco entre alguns oficiais superiores. Qualquer aumento, dependia do sinal verde do ministro da Fazenda, o qual declarara, com firmeza, n\u00e3o haver dinheiro para cobrir as despesas com um eventual reajuste. Um projeto transitava na C\u00e2mara Federal a passo de tartaruga, enquanto a crise se agravava.\n\nN\u00e3o tardou em surgir uma rebeli\u00e3o na guarni\u00e7\u00e3o de Cachoeira, no Rio Grande do Sul, contando com apoio ostensivo do governador Flores da Cunha, a essa altura, de olho na sucess\u00e3o presidencial.\n\n<strong>Get\u00falio repreende-o em telegrama:\u00a0<\/strong>\u201cApelo para teu sentimento brasileiro evitar caia sobre ti a responsabilidade moral de uma guerra civil.\u201d\n\nNesse meio tempo, Get\u00falio Vargas, aconselhado pelo comandante da 1\u00aa Regi\u00e3o Militar, general Jo\u00e3o Gomes, decide demitir o comandante da Vila Militar, general Jo\u00e3o Guedes da Fontoura, sobre o qual recaiam suspeitas de infidelidade ao governo. Acontece que o general Fontoura era amigo particular do ministro da Guerra, G\u00f3is Monteiro.\n\nO problema repercute no minist\u00e9rio da Guerra, onde o general G\u00f3is Monteiro se demite, sendo substitu\u00eddo pelo general Jo\u00e3o Gomes Ribeiro Filho, at\u00e9 ent\u00e3o comandante da 1\u00aa Regi\u00e3o Militar.\n\nO general Eurico Gaspar Dutra, que era comandante da Avia\u00e7\u00e3o, ocupa a vaga deixada na 1\u00aa RM. Essas trocas de comando, anunciadas pela imprensa, aumentam a tens\u00e3o reinante.\n\nTais problemas, cozinhados em \u201cbanho-maria\u201d, minaram a disciplina militar, facilitando a a\u00e7\u00e3o dos conspiradores, sobretudo no Rio de Janeiro.\n\n<strong>A quest\u00e3o dos cabos e sargentos<\/strong>\n\nModifica\u00e7\u00f5es no regulamento militar reintroduziram um dispositivo que existia na Primeira Rep\u00fablica, pelo qual, completados dez anos na ativa, os militares que n\u00e3o tivessem atingido o oficialato seriam automaticamente jubilados, com o afastamento definitivo da vida militar.\n\nNas grandes cidades, como S\u00e3o Paulo e Rio de Janeiro, onde as possibilidades de acesso s\u00e3o maiores, essa altera\u00e7\u00e3o n\u00e3o trazia maiores problemas. Quem em dez anos n\u00e3o houvesse chegado a tenente, pelo menos, j\u00e1 teria desistido da carreira militar. O mesmo n\u00e3o acontecia em cidades menores, sobretudo do nordeste, onde muitos permaneciam estacion\u00e1rios na fun\u00e7\u00e3o de pra\u00e7a, por vezes at\u00e9 o limite de idade para a reforma.\n\nO retorno do jubilamento de pra\u00e7as, agora fortalecido pela nova ordem constitucional, era outra fonte de atritos, criando ambiente prop\u00edcio para aliciamento dos prejudicados, interessados que estavam na revoga\u00e7\u00e3o da medida. Ali\u00e1s, foram eles, no nordeste, os grandes respons\u00e1veis pelas subleva\u00e7\u00f5es.\n\n<strong>Conspira\u00e7\u00e3o em marcha<\/strong>\n\nFoi dentro desse clima que se desenvolveu a conspira\u00e7\u00e3o comunista que levaria aos levantes de novembro de 1935. No momento oportuno, Prestes transferiu-se da Espanha para o Brasil, permanecendo em lugar ignorado, mas enviando ordens e manifestos, enfim, controlando, passo a passo, o desenrolar dos trabalhos.\n\nNo dia 28 de abril, realizou-se em Madureira (sub\u00farbio carioca) um com\u00edcio da Alian\u00e7a Nacional Libertadora, em afronta aos integralistas, do qual participaram oficiais, sargentos e cabos.\n\nOs identificados foram expulsos das fileiras do Ex\u00e9rcito e seus superiores, capit\u00e3es Carlos da Costa e Trifino Correia sofreram puni\u00e7\u00f5es. O assunto repercute na C\u00e2mara Federal.\n\nNo dia 9 de junho a ANL realiza outro com\u00edcio, desta vez em Petr\u00f3polis, quase em frente \u00e0 sede da A\u00e7\u00e3o Integralista Brasileira, resultando em confronto entre as duas fac\u00e7\u00f5es, com um morto e v\u00e1rios feridos.\n\nO morto era aliancista e o tiro partiu da sede dos integralistas.\n\nSem o saber (ou sabendo muito bem) o comando militar contribu\u00eda para o desenvolvimento da a\u00e7\u00e3o aliancista. Assim \u00e9 que o capit\u00e3o Agildo Barata Ribeiro, conhecido como um dos conspiradores, foi transferido para uma unidade militar no Rio Grande do Sul, a pretexto de afast\u00e1-lo do Rio de Janeiro. Com isto, ele aproveitou a oportunidade para fundar em Porto Alegre um n\u00facleo da Alian\u00e7a Nacional Libertadora, realizando um com\u00edcio no dia 5 de julho de 1930, data comemorativa das revolu\u00e7\u00f5es de 1922 e 1924.\n\nPor pura sorte, a manifesta\u00e7\u00e3o transcorreu em paz, pois o interventor Flores da Cunha j\u00e1 avisara que, ao menor sinal de desordem, a pol\u00edcia tinha ordem de \u201cdescarregar\u201d sobre os manifestantes.\n\nNa mesma data, outro com\u00edcio se realizou, este clandestinamente, no Rio de Janeiro, ocasi\u00e3o em que o acad\u00eamico Carlos Lacerda leu um manifesto de Lu\u00eds Carlos Prestes. A rea\u00e7\u00e3o n\u00e3o tardou. Em 11 de julho um decreto do governo federal colocou a Alian\u00e7a Nacional Libertadora fora da lei e, dois dias depois, sua sede era fechada. Paralelamente, procedeu-se o fechamento da Uni\u00e3o Feminina Brasileira, outro bra\u00e7o dos aliancistas.\n\nO presidente da ANL, Hercolino Cascardo, oficial marinheiro, foi removido para Santa Catarina, onde lhe deram o comando de uma base naval. Outra remo\u00e7\u00e3o igualmente inexplic\u00e1vel, pois se introduzia um elemento revolucion\u00e1rio, em posi\u00e7\u00e3o de comando, num local at\u00e9 ent\u00e3o desligado do movimento aliancista.\n\n<strong>Get\u00falio sabia de tudo<\/strong>\n\nSe havia algu\u00e9m bem informado de tudo o que se passava, e dos planos em andamento, esse algu\u00e9m era o presidente da Rep\u00fablica, Get\u00falio Dorneles Vargas.\n\nSeu servi\u00e7o de intelig\u00eancia mantinha-o a par dos m\u00ednimos detalhes, e agentes infiltrados no movimento colhiam dados significativos, possibilitando at\u00e9 uma a\u00e7\u00e3o preventiva. Como linha auxiliar, o Presidente recebia tamb\u00e9m ajuda internacional, por interm\u00e9dio do \u201cInteligence Service\u201d, infiltrado no Partido Comunista Brasileiro, ora na ilegalidade.\n\n<strong>Em certo momento, j\u00e1 se sabia at\u00e9 a data e hora do levante:<\/strong>\u00a027 de novembro de 1935, \u00e0s 2h30 da madrugada, tendo como centro de opera\u00e7\u00f5es a Praia Vermelha, mais precisamente, o 3\u00ba Regimento de Infantaria.\n\nO governo n\u00e3o s\u00f3 deixou de cortar o movimento em marcha como algumas medidas permitem entrever que o pr\u00f3prio sistema ajudou para que as coisas acontecessem, dando margem, mais tarde, para o fechamento do regime. Assim, por exemplo, na madrugada do levante na Praia Vermelha, as tropas de refor\u00e7o levaram duas horas para chegar ao local de conflito, porque n\u00e3o havia sido tomada a mais elementar das provid\u00eancias, qual seja, a requisi\u00e7\u00e3o dos caminh\u00f5es para o transporte dos soldados. Imposs\u00edvel que um descuido desses partisse logo do comando da 1\u00aa Regi\u00e3o Militar, e isso num momento em que os quart\u00e9is do Rio de Janeiro se achavam em regime de prontid\u00e3o.\n\nComo se disse acima, o Capit\u00e3o Agildo Ribeiro, bem quieto no Rio de Janeiro, foi transferido para Porto Alegre, onde aproveitou o ensejo para organizar um n\u00facleo da ANL.\n\n<strong>J\u00e1 no m\u00eas de novembro, o mesmo Agildo foi punido com 25 dias de deten\u00e7\u00e3o. Transferido para o Rio de Janeiro, ficou preso, adivinhe onde: Justamente no 3\u00ba Regimento de Infantaria, de onde deveria partir\u00a0<\/strong>o movimento sedicioso.\n\nJuntou-se a fome com a vontade de comer. Pr\u00f3ximo dos demais conspiradores, pode agir com o maior desembara\u00e7o. Sua pena deveria extinguir-se em 3 de dezembro. Foi reduzida de 25 para 20 dias, devendo terminar, ent\u00e3o, em 28 de novembro. O levante estava marcado para 27 de novembro\u2026\n\n<strong>Em Natal, o movimento \u00e9 antecipado<\/strong>\n\nPelos planos, o levante deveria ocorrer na madrugada de 27 de novembro. Ent\u00e3o, os respons\u00e1veis pela conspira\u00e7\u00e3o em Natal receberam um telegrama ap\u00f3crifo, enviado talvez pelo servi\u00e7o de contra-informa\u00e7\u00e3o do governo, mas com a identifica\u00e7\u00e3o da chefia do movimento. Esse telegrama informava que o in\u00edcio havia sido antecipado para 23 de novembro. Inexperientes, os l\u00edderes acreditaram na veracidade do telegrama.\n\nFoi assim que, na noite de 23 de novembro, um s\u00e1bado, dois sargentos, dois cabos e dois soldados sublevaram o 21\u00ba Batalh\u00e3o de Ca\u00e7adores. Beneficiados pelo elemento surpresa, conseguiram p\u00f4r em fuga o governador do Estado, que refugiou-se em um navio de bandeira francesa.\n\nRapidamente, o movimento se alastrou por outras cidades do Rio Grande do Norte. Colunas rebeldes ocuparam Cear\u00e1-Mirim, Baixa Verde, S\u00e3o Jos\u00e9 do Mipibu, Santa Cruz e Canguaratema.\n\nTotalmente ing\u00eanuos em movimentos sediciosos, os sublevados acreditavam ter dominado a situa\u00e7\u00e3o.\n\n<strong>Tomaram o pal\u00e1cio do Governo e instalaram um \u201cComit\u00ea Popular Revolucion\u00e1rio\u201d com o \u201cMinist\u00e9rio\u201d assim constitu\u00eddo:<\/strong>\u00a0Lauro Cort\u00eas Lago (funcion\u00e1rio p\u00fablico), Ministro do Interior; Quintino Clementino de Barros (sargento), Ministro da Defesa; Jos\u00e9 Praxedes de Andrade (sapateiro), Ministro do Abastecimento; Jos\u00e9 Macedo (carteiro), Ministro das Finan\u00e7as; Jo\u00e3o Batista Galv\u00e3o (estudante), Ministro da Via\u00e7\u00e3o. O cabo Estev\u00e3o assumiu o comando do 21\u00ba Batalh\u00e3o de Ca\u00e7adores, enquanto o sargento Eliziel Diniz Henriques passou a comandar a Guarni\u00e7\u00e3o Federal.\n\n<strong>E depois?<\/strong>\n\nDepois, mais nada.\n\nNingu\u00e9m sabia o que fazer (se alguma coisa pudesse ser feita) para consolidar o movimento supostamente vitorioso.\n\nNas ruas, a popula\u00e7\u00e3o exultava com aquele breve momento de anarquia. Durante alguns dias a capital virou terra de ningu\u00e9m, com saques, roubos, invas\u00f5es de domic\u00edlio, requisi\u00e7\u00e3o de ve\u00edculos particulares e tudo mais que passasse pela imagina\u00e7\u00e3o.\n\n<b>Passados os acontecimentos, o \u201cex-Ministro da Via\u00e7\u00e3o\u201d, estudante Jo\u00e3o Batista Galv\u00e3o, desabafa:<\/b>\u00a0\u201cNaquele tempo, todo mundo fez o diabo e depois botou a culpa em cima de n\u00f3s.\n\nO povo topou a revolu\u00e7\u00e3o por pura farra. Saquearam o dep\u00f3sito de material do 21\u00ba BC e todos passaram a andar fantasiados de soldado.\n\nMinha primeira provid\u00eancia como ministro foi decretar que o transporte p\u00fablico seria gratuito. O povo se esbaldou de andar de bonde sem pagar.\u201d\n\nQuatro dias depois de iniciado, o movimento foi contido por tropas do Ex\u00e9rcito e pol\u00edcias de outros Estados, que invadiram o Rio Grande do Norte e restabeleceram a ordem.\n\n<strong>Recife seguiu na esteira de Natal<\/strong>\n\nEm Recife, o levante ocorreu um dias ap\u00f3s, quando chegaram not\u00edcias da rebeli\u00e3o em Natal. Tinha tudo para dar certo. O governador, Carlos Lima Cavalcanti se achava na Alemanha, passeando de \u201cZepelin\u201d (uma esp\u00e9cie de navio voador que pretendia substituir o avi\u00e3o). O general Manuel Rabelo (o mesmo que fora interventor em S\u00e3o Paulo) estava no Rio de Janeiro, cuidando de assuntos militares relativos ao seu comando. O comandante da Brigada Militar, capit\u00e3o Jurandir Bizarria Mamede (que trinta anos depois seria o piv\u00f4 de uma s\u00e9ria crise militar) estava no Rio Grande do Sul, comemorando o centen\u00e1rio da Revolu\u00e7\u00e3o Farroupilha (Note-se que tanto o presidente da Rep\u00fablica quanto as autoridades militares tinham conhecimento do ambiente agita\u00e7\u00e3o nos quart\u00e9is, prova disso \u00e9 que o Rio de Janeiro se achava de prontid\u00e3o. Assim, \u00e9 surpreendente essa aus\u00eancia, a um s\u00f3 tempo, das principais autoridades de Pernambuco) Aparentemente, a cidade estava sem comando.\n\nMas era apenas apar\u00eancia.\n\nNa manh\u00e3 do domingo, dia 24, um sargento, chefiando um grupo de civis, atacou a cadeia p\u00fablica de Olinda. Logo depois, o sargento Greg\u00f3rio Bezerra tentava apoderar-se do Quartel General da 7\u00aa Regi\u00e3o Militar, matando o tenente Jos\u00e9 Sampaio e ferindo o tenente Agnaldo Oliveira de Almeida, antes de ser subjugado e preso.\n\nNa Vila Militar, o capit\u00e3o Otac\u00edlio Alves de Lima, o tenente Lamartine Coutinho e o tenente Roberto Besouchet sublevaram o 29\u00ba Batalh\u00e3o de Ca\u00e7adores e se apossaram de todo armamento. Encontraram por\u00e9m, uma rea\u00e7\u00e3o imediata do tenente-coronel Afonso de Albuquerque Lima, sub-comandante da brigada policial, com a ajuda, tamb\u00e9m, da Guarda Civil. No dia seguinte, chegou o refor\u00e7o da Artilharia e o \u00fanico quartel realmente sublevado, o 29\u00ba BC sofreu intenso bombardeio, resultando em uma centena de mortos.\n\nOs que conseguiram fugir pelas estradas, deram de frente com tropas da pol\u00edcia estadual, que se achavam em batida, \u00e0 procura do cangaceiro \u201cLampi\u00e3o\u201d. Em dois dias, pois, o movimento estava totalmente dominado.\n\n<strong>Trag\u00e9dia na Praia Vermelha<\/strong>\n\nSe o telegrama falso chegou rapidamente a Natal, o inverso n\u00e3o \u00e9 verdadeiro. Os conspiradores no Rio de Janeiro n\u00e3o sabiam nada sobre o que estava acontecendo no nordeste e entraram em armas, desconhecendo que os movimentos em Natal e Recife haviam se iniciado fora de tempo e j\u00e1 estavam debelados. Funcionou mais uma vez o servi\u00e7o de contra-informa\u00e7\u00e3o, bloqueando a comunica\u00e7\u00e3o, t\u00e3o importante em opera\u00e7\u00f5es de guerra.\n\n<strong>Vamos, aqui, seguir a narrativa do general Ferdinando de Carvalho, em seu livro \u201cLembrai-vos de 35!\u201d:<\/strong>\n<blockquote>\u201cNa Escola de Avia\u00e7\u00e3o, em Marechal Hermes, os capit\u00e3es Agliberto Vieira de Azevedo e S\u00f3crates Gon\u00e7alves da Silva, juntamente com os tenentes Ivan Ramos Ribeiro e Benedito de Carvalho assaltaram o quartel de madrugada e dominaram a unidade. V\u00e1rios oficiais foram assassinados ainda dormindo. O capit\u00e3o Agliberto matou friamente o seu amigo capit\u00e3o Benedito L\u00f3pes Bragan\u00e7a, que se achava desarmado e indefeso. Em seguida, os rebeldes passaram a atacar o 1\u00ba Regimento de Avia\u00e7\u00e3o, sob o comando do coronel Eduardo Gomes que, apesar de ferido ligeiramente, iniciou a rea\u00e7\u00e3o. (\u2026)\n\u201cNo 3\u00ba Regimento de Infantaria, na Praia Vermelha, acontecimentos mais graves ocorreram. Os rebeldes, chefiados pelos capit\u00e3es Agildo Barata, \u00c1lvaro Francisco de Sousa e Jos\u00e9 Leite Brasil conseguiram, na mesma madrugada, ap\u00f3s violenta e mort\u00edfera refrega no interior do quartel, dominar quase totalmente a unidade. Ao amanhecer, restava apenas um n\u00facleo de resist\u00eancia legalista, situado no Pavilh\u00e3o do Comando, onde se encontrava o coronel Afonso Ferreira, comandante do Regimento. (\u2026)\n\u201cNas \u00faltimas horas da madrugada, acionados diretamente pelo comandante da 1\u00aa Regi\u00e3o, general Eurico Gaspar Dutra, o Batalh\u00e3o de Guardas e o 1\u00ba Grupo de Obuses tomaram posi\u00e7\u00e3o nas proximidades do aquartelamento rebelado e iniciaram o bombardeio. (\u2026\n\u201cFinalmente, \u00e0s 13h30, bandeiras brancas improvisadas foram agitadas nas janelas do edif\u00edcio, parcialmente destru\u00eddo. Era a rendi\u00e7\u00e3o. Presos, os insurretos apresentaram-se na pra\u00e7a em um compacto grupo. Muitos rebeldes adotaram uma atitude de zombaria, sorrindo cinicamente, em franco desrespeito \u00e0queles que, naquele mesmo local, pouco tempo antes, haviam tombado em luta ingl\u00f3ria.\u201d<\/blockquote>\n<strong>O outro lado da hist\u00f3ria<\/strong>\n\n<strong>Essa narrativa, apresentando a vers\u00e3o oficial, n\u00e3o encontra consenso entre os estudiosos da Hist\u00f3ria do Brasil. Sobre o assunto, por exemplo, o professor Marco Aur\u00e9lio Garcia, da Unicamp, em artigo publicado pela Folha de S\u00e3o Paulo em 18 de novembro de 1983, escreve:<\/strong>\n<blockquote>\u201cPara as For\u00e7as Armadas, segundo reiteram as ordens do dia a cada ano, a Intentona apenas comprova o que de h\u00e1 muito se deveria saber: o car\u00e1ter ap\u00e1trida e trai\u00e7oeiro do comunismo internacional. Como prova, s\u00e3o exibidos cad\u00e1veres de oficiais e soldados mortos enquanto dormiam. A reitera\u00e7\u00e3o mon\u00f3tona desta vers\u00e3o n\u00e3o resiste aos fatos. Todas as pesquisas hist\u00f3ricas s\u00e9rias realizadas sobre o epis\u00f3dio, sobre as quais ser\u00e1 dif\u00edcil levantar suspei\u00e7\u00e3o, como \u00e9 o caso do trabalho de H\u00e9lio Silva, desmontam, com o apoio dos laudos dos m\u00e9dicos legistas da \u00e9poca, a tese de assassinato pelas costas.\n\u201cEm suma: n\u00e3o houve mortos enquanto dormiam, sem falar no absurdo que representaria soldados dormindo em quart\u00e9is submetidos a regime de prontid\u00e3o, como era o caso da madrugada do levante. Mortos houve, e dos dois lados, como nos levantes de 22 e 24, na Coluna Prestes ou em 30, para n\u00e3o falar em 1932. (\u2026)\n\u201cAs For\u00e7as Armadas, elas pr\u00f3prias, se viam afetadas pela polariza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica que sacudia o pa\u00eds. Trinta e cinco, nesse sentido, pode ser visualizado, tamb\u00e9m, como mais um (e quem sabe o \u00faltimo) epis\u00f3dio tenentista, a despeito do revestimento ideol\u00f3gico mais preciso. (\u2026)\n\u201cSomente atrav\u00e9s destas e de outras pistas \u2013 afastando-se da propaganda anticomunista, ou da autocomplac\u00eancia de certos setores \u00e0 esquerda \u2013 \u00e9 que o epis\u00f3dio de 1935 poder\u00e1 ser restitu\u00eddo em toda sua integridade \u00e0 Hist\u00f3ria do Brasil.\u201d<\/blockquote>\nA\u00ed est\u00e3o, pois, duas vers\u00f5es distintas de um mesmo epis\u00f3dio. Escolha a que melhor lhe convier ou tire, por si mesmo, as conclus\u00f5es que julgar apropriadas.\n\n<strong>Fonte:<\/strong>\u00a0EncBrasil\/www.tribunadonorte.com.br\/www.geocities.com\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Intentona Comunista, Brasil, Levante, Hist\u00f3ria, Revolta, Comunismo, Movimento, Militar, Pol\u00edtica, Revolu\u00e7\u00e3o, Rebeli\u00e3o, Resumo, Intentona Comunista<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":9845,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[54],"tags":[],"class_list":["post-15062","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-historia-do-brasil"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v28.3 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>Intentona Comunista - Portal S\u00e3o Francisco<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"noindex, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"en_US\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"Intentona Comunista - 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