{"id":14973,"date":"2015-12-21T00:00:00","date_gmt":"2015-12-21T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/uncategorized\/ciclo-da-borracha-2\/"},"modified":"2026-08-31T23:18:43","modified_gmt":"2026-08-31T23:18:43","slug":"ciclo-da-borracha-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/historia-do-brasil\/ciclo-da-borracha-2\/","title":{"rendered":"Ciclo da Borracha"},"content":{"rendered":"\nA chegada da Segunda Guerra Mundial levou a uma escassez de borracha natural, o que desencadeou uma mudan\u00e7a para criar um substituto sint\u00e9tico. Atualmente, 70% da borracha utilizada nos processos de fabrica\u00e7\u00e3o \u00e9 sint\u00e9tica\n\nA\u00a0<strong>borracha<\/strong>\u00a0(natural e sint\u00e9tica) \u00e9 usada para uma variedade de produtos, como mangueiras, gaxetas, selantes e, claro, rodas e pneus.\n\n<strong>Como a borracha natural \u00e9 colhida e produzida<\/strong>\n\nA\u00a0<strong>borracha natural<\/strong>\u00a0come\u00e7a com o l\u00e1tex, que \u00e9 encontrado em forma de seiva em \u00e1rvores e plantas. As seringueiras da Am\u00e9rica do Sul e do Sudeste Asi\u00e1tico fornecem grande parte do l\u00e1tex da borracha natural.\n\nUm processo chamado extra\u00e7\u00e3o de borracha \u00e9 usado para colher o l\u00e1tex das seringueiras. Um corte largo \u00e9 feito na casca de uma \u00e1rvore, permitindo que o l\u00e1tex escorra e seja coletado. Depois de recolhido, o l\u00e1tex \u00e9 filtrado e lavado. Em seguida, um \u00e1cido \u00e9 adicionado ao l\u00e1tex para que a borracha coagule ou engrosse. Uma vez que esteja adequadamente coagulada, a borracha \u00e9 seca, espremida e prensada em folhas para transporte.\n\n<strong>Como funciona o processamento de borracha<\/strong>\n\nQuando a\u00a0<strong>borracha (natural ou sint\u00e9tica)<\/strong>\u00a0chega a uma f\u00e1brica, ela est\u00e1 pronta para processamento e fabrica\u00e7\u00e3o. Primeiro, a borracha passa por uma composi\u00e7\u00e3o, que envolve a adi\u00e7\u00e3o de produtos qu\u00edmicos e aditivos com base no uso pretendido para a borracha. Por exemplo, um enchimento feito de fuligem chamado negro de fumo \u00e9 adicionado para melhorar a resist\u00eancia da borracha. O negro de fumo tamb\u00e9m d\u00e1 aos produtos de borracha, como pneus de ve\u00edculos, uma cor preta. Outros enchimentos podem incluir borracha reciclada, plastificantes, pigmentos coloridos e muito mais.\n\nAp\u00f3s a introdu\u00e7\u00e3o de produtos qu\u00edmicos e aditivos, eles devem ser misturados \u00e0 borracha. Esta fase de mistura do processamento deve equilibrar a mistura de ingredientes contra a vulcaniza\u00e7\u00e3o prematura.\n\nComo a borracha tem alta viscosidade, \u00e9 dif\u00edcil mistur\u00e1-la com outros produtos qu\u00edmicos sem aumentar a temperatura. Mas se a temperatura for muito alta, a borracha pode vulcanizar muito cedo.\n\nDepois que a mistura \u00e9 conclu\u00edda com sucesso, a borracha esfria e est\u00e1 pronta para ser moldada. Durante a modelagem, a borracha pode ser aplicada como um revestimento em outros materiais, como correias transportadoras ou pneus. Ou, um molde \u00e9 usado para moldar borracha em uma forma como sola de sapato ou gaxetas. Se for usado um molde, a borracha \u00e9 ent\u00e3o vulcanizada. Caso contr\u00e1rio, a vulcaniza\u00e7\u00e3o \u00e9 a etapa final. Na vulcaniza\u00e7\u00e3o, a borracha \u00e9 aquecida e curada, o que a torna mais resistente a danos e mudan\u00e7as de temperatura. A borracha seria muito mais fr\u00e1gil ou pegajosa sem esses processos.\n\nDepois de vulcanizada, a borracha est\u00e1 pronta para ser distribu\u00edda.\n\n<strong>Ap\u00f3s o uso, a borracha pode ser reciclada<\/strong>\n\nEmbora a borracha esteja em alta demanda, o mundo produz uma grande quantidade de res\u00edduos de borracha, especialmente de pneus velhos de ve\u00edculos.\n\nA reciclagem e a reutiliza\u00e7\u00e3o ajudaram a reduzir o desperd\u00edcio de borracha. A borracha em pneus de ve\u00edculos antigos pode ser quebrada e usada para produtos como cobertura de playground, componentes de carros, mousepads e solas de sapatos.\n\n<strong>Ciclo da Borracha &#8211; Hist\u00f3ria<\/strong>\n\nO\u00a0<strong>ciclo da borracha<\/strong>\u00a0foi um momento da hist\u00f3ria econ\u00f4mica e social do Brasil, relacionado \u00e0 extra\u00e7\u00e3o do l\u00e1tex da borracha e \u00e0 comercializa\u00e7\u00e3o da borracha. Teve seu centro na regi\u00e3o amaz\u00f4nica, e proporcionou expans\u00e3o da coloniza\u00e7\u00e3o, atra\u00e7\u00e3o de riquezas, transforma\u00e7\u00f5es culturais, sociais, arquitet\u00f4nicas, e grande impulso para o crescimento de Manaus e Bel\u00e9m, at\u00e9 hoje capitais e maiores centros de seus respectivos estados, Amazonas e Par\u00e1.\n\n<strong>Al\u00e9m de muitas outras cidades da regi\u00e3o como:\u00a0<\/strong>Itacoatiara, Marab\u00e1, Rio Branco, Eirunep\u00e9, Cruzeiro do Sul e Altamira.\n\nNo mesmo per\u00edodo, foi criado o Territ\u00f3rio Federal do Acre, atual Estado do Acre, cuja \u00e1rea foi adquirida da Bol\u00edvia, por meio da compra de GBP 2 milh\u00f5es em 1903. O ciclo da borracha teve seu auge entre 1879 e 1912, tendo ent\u00e3o experimentou uma sobreviv\u00eancia entre 1942 e 1945, durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).\n<p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-159374 aligncenter\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Ciclo-9-223x300.jpg\" alt=\"\" width=\"223\" height=\"300\" \/><strong>Extra\u00e7\u00e3o de l\u00e1tex de uma seringueira<\/strong><\/p>\n<strong>O Ciclo da borracha no Brasil<\/strong>\n\nO per\u00edodo constituiu uma parte importante da hist\u00f3ria econ\u00f4mica e social do Brasil, estando relacionado com a extra\u00e7\u00e3o e comercializa\u00e7\u00e3o da borracha.\n\nEste ciclo teve o seu centro na regi\u00e3o amaz\u00f4nica, proporcionando grande expans\u00e3o da coloniza\u00e7\u00e3o, atraindo riqueza e causando transforma\u00e7\u00f5es culturais e sociais, al\u00e9m de dar grande impulso \u00e0s cidades de Manaus, Porto Velho e Bel\u00e9m, at\u00e9 hoje maiores centros e capitais de seus Estados, Amazonas, Rond\u00f4nia e Par\u00e1, respectivamente. No mesmo per\u00edodo foi criado o Territ\u00f3rio Federal do Acre, atual Estado do Acre, cuja \u00e1rea foi adquirida da Bol\u00edvia por meio de uma compra por 2 milh\u00f5es de libras esterlinas em 1903.\n\nO\u00a0<strong>ciclo da borracha<\/strong>\u00a0viveu seu auge entre 1879 a 1912, tendo depois experimentado uma sobrevida entre 1942 e 1945 durante a II Guerra Mundial (1939-1945).\n\n<strong>LINHAS GERAIS<\/strong>\n\nRegi\u00e3o da Amaz\u00f4nia, palco do\u00a0<strong>ciclo da borracha<\/strong>. \u00c9 vis\u00edvel parte do Brasil e da Bol\u00edvia, al\u00e9m dos rios Madeira, Mamor\u00e9 e Guapor\u00e9, perto dos quais construiu-se a Estrada de Ferro Madeira Mamor\u00e9.\n\nA primeira f\u00e1brica de produtos de borracha (ligas el\u00e1sticas e suspens\u00f3rios) surgiu na Fran\u00e7a, em Paris, no ano de 1803.\n\n<strong>Contudo, o material ainda apresentava algumas desvantagens:<\/strong>\u00a0\u00e0 temperatura ambiente, a goma mostrava-se pegajosa. Com o aumento da temperatura, a goma ficava ainda mais mole e pegajosa, ao passo que a diminui\u00e7\u00e3o da temperatura era acompanhada do endurecimento e rigidez da borracha.\n\nForam os \u00edndios centro-americanos os primeiros a descobrir e fazer uso das propriedades singulares da borracha natural. Entretanto, foi na floresta amaz\u00f4nica que de fato se desenvolveu a atividade da extra\u00e7\u00e3o da borracha, a partir da seringa ou seringueira (Hevea brasiliensis), uma \u00e1rvore que pertence \u00e0 fam\u00edlia das Euphorbiaceae, tamb\u00e9m conhecida como \u00e1rvore da fortuna.\n\n<strong>O PRIMEIRO CICLO \u2013 1879\/1912<\/strong>\n\nA Hevea Brasiliensis ( nome Cient\u00edfico da seringueira) j\u00e1 era conhecida e utilizada pelas civiliza\u00e7\u00f5es da Am\u00e9rica Pr\u00e9-Colombiana, como forma de pagamento de tributos ao monarca reinante e para cerim\u00f4nias religiosas.\n\nNa Amaz\u00f4nia, os \u00edndios Om\u00e1guas e Cambebas utilizavam o l\u00e1tex para fazer bolas e outros utens\u00edlios para o seu dia-a-dia.\n\nDurante os primeiros quatro s\u00e9culos e meio do descobrimento, como n\u00e3o foram encontradas riquezas de ouro ou minerais preciosos na Amaz\u00f4nia, as popula\u00e7\u00f5es da hil\u00e9ia brasileira viviam praticamente em isolamento, porque nem a coroa portuguesa e, posteriormente, nem o imp\u00e9rio brasileiro conseguiram concretizar a\u00e7\u00f5es governamentais que incentivassem o progresso na regi\u00e3o. Vivendo do extrativismo vegetal, a economia regional se desenvolveu por ciclos (Drogas do Sert\u00e3o), acompanhando o interesse do mercado nos diversos recursos naturais da regi\u00e3o. Para extra\u00e7\u00e3o da borracha neste per\u00edodo, acontece uma migra\u00e7\u00e3o de nordestinos, principalmente do Cear\u00e1, pois o estado sofria as consequ\u00eancias das secas do final do s\u00e9culo XIX.\n\n<strong>BORRACHA, LUCRO CERTO<\/strong>\n\nO desenvolvimento tecnol\u00f3gico e a Revolu\u00e7\u00e3o Industrial, na Europa, foram o estopim que fizeram da borracha natural, at\u00e9 ent\u00e3o um produto exclusivo da Amaz\u00f4nia, um produto muito procurado e valorizado, gerando lucros e dividendos a quem quer que se aventurasse neste com\u00e9rcio.\n\nDesde o in\u00edcio da segunda metade do s\u00e9culo XIX, a borracha passou a exercer forte atra\u00e7\u00e3o sobre empreendedores vision\u00e1rios. A atividade extrativista do l\u00e1tex na Amaz\u00f4nia revelou-se de imediato muito lucrativa.\n\nA borracha natural logo conquistou um lugar de destaque nas ind\u00fastrias da Europa e da Am\u00e9rica do Norte, alcan\u00e7ando elevado pre\u00e7o.\n\nIsto fez com que diversas pessoas viessem ao Brasil na inten\u00e7\u00e3o de conhecer a seringueira e os m\u00e9todos e processos de extra\u00e7\u00e3o, a fim de tentar tamb\u00e9m lucrar de alguma forma com esta riqueza.\n\nA partir da extra\u00e7\u00e3o da borracha surgiram v\u00e1rias cidades e povoados, depois tamb\u00e9m transformados em cidades. Bel\u00e9m e Manaus, que j\u00e1 existiam, passaram ent\u00e3o por importante transforma\u00e7\u00e3o e urbaniza\u00e7\u00e3o.\n\nManaus foi a primeira cidade brasileira a ser urbanizada e a segunda a possuir energia el\u00e9trica \u2013 a primeira foi Campos dos Goytacazes, no Rio de Janeiro.\n\n<strong>FERROVIA DA BORRACHA<\/strong>\n\nA ideia de construir uma ferrovia nas margens dos rios Madeira e Mamor\u00e9 surgiu na Bol\u00edvia, em 1846. Como o pa\u00eds n\u00e3o tinha como escoar a produ\u00e7\u00e3o de borracha por seu territ\u00f3rio, era necess\u00e1rio criar alguma alternativa que possibilitasse exportar a borracha atrav\u00e9s do Oceano Atl\u00e2ntico.\n\nA ideia inicial optava pela via da navega\u00e7\u00e3o fluvial, subindo o rio Mamor\u00e9 em territ\u00f3rio boliviano e depois pelo rio Madeira, no Brasil.\n\n<strong>Mas o percurso fluvial tinha grandes obst\u00e1culos:<\/strong>\u00a0vinte cachoeiras impediam a navega\u00e7\u00e3o. E foi a\u00ed que cogitou-se a constru\u00e7\u00e3o de uma estrada de ferro que cobrisse por terra o trecho problem\u00e1tico.\n\nEm 1867, no Brasil, tamb\u00e9m visando encontrar algum meio que favorecesse o transporte da borracha, os engenheiros Jos\u00e9 e Francisco Keller organizaram uma grande expedi\u00e7\u00e3o, explorando a regi\u00e3o das cachoeiras do rio Madeira para delimitar o melhor tra\u00e7ado, visando tamb\u00e9m a instala\u00e7\u00e3o de uma ferrovia.\n\nEmbora a ideia da navega\u00e7\u00e3o fluvial fosse complicada, em 1869, o engenheiro estadunidense George Earl Church obteve do governo da Bol\u00edvia a concess\u00e3o para criar e explorar uma empresa de navega\u00e7\u00e3o que ligasse os rios Mamor\u00e9 e Madeira. Mas, n\u00e3o muito tempo depois, vendo as dificuldades reais desta empreitada, os planos foram definitivamente mudados para a constru\u00e7\u00e3o de uma ferrovia.\n\nAs negocia\u00e7\u00f5es avan\u00e7am e, ainda em 1870, o mesmo Church recebe do governo brasileiro a permiss\u00e3o para construir ent\u00e3o uma ferrovia ao longo das cachoeiras do Rio Madeira.\n\n<strong>MADEIRA-MAMOR\u00c9<\/strong>\n\nA\u00a0<strong>ferrovia Madeira-Mamor\u00e9<\/strong>, tamb\u00e9m conhecida como Ferrovia do Diabo por ter causado a morte de cerca de seis mil trabalhadores (comenta a lenda que foi um trabalhador morto para cada dormente fixado nos trilhos), foi encampada pelo megaempres\u00e1rio estadunidense Percival Farquhar. A constru\u00e7\u00e3o da ferrovia iniciou-se em 1907 durante o governo de Affonso Penna e foi um dos epis\u00f3dios mais significativos da hist\u00f3ria da ocupa\u00e7\u00e3o da Amaz\u00f4nia, revelando a clara tentativa de integr\u00e1-la ao mercado mundial atrav\u00e9s da comercializa\u00e7\u00e3o da borracha.\n\nEm 30 de abril de 1912 foi inaugurado o \u00faltimo trecho da estrada de ferro Madeira-Mamor\u00e9. Tal ocasi\u00e3o registra a chegada do primeiro comboio \u00e0 cidade de Guajar\u00e1-Mirim, fundada nessa mesma data.\n\nMas o destino da ferrovia que foi constru\u00edda com o prop\u00f3sito principal de escoar a borracha e outros produtos da regi\u00e3o amaz\u00f4nica, tanto da Bol\u00edvia quanto do Brasil, para os portos do Atl\u00e2ntico, e que dizimara milhares de vidas, foi o pior poss\u00edvel.\n\nPrimeiro, porque o pre\u00e7o do l\u00e1tex caiu vertiginosamente no mercado mundial, inviabilizando o com\u00e9rcio da borracha da Amaz\u00f4nia. Depois, devido ao fato de que o transporte de outros produtos que poderia ser feito pela Madeira-Mamor\u00e9 foi deslocado para outras duas estradas de ferro (uma delas constru\u00edda no Chile e outra na Argentina) e para o Canal do Panam\u00e1, que entrou em atividade em 15 de Agosto de 1914.\n\n<strong>Alie-se a esta conjuntura o fator natureza:<\/strong>\u00a0a pr\u00f3pria floresta amaz\u00f4nica, com seu alto \u00edndice de precipita\u00e7\u00e3o pluviom\u00e9trica, se encarregou de destruir trechos inteiros dos trilhos, aterros e pontes, tomando de volta para si grande parte do trajeto que o homem insistira em abrir para construir a Madeira-Mamor\u00e9.\n\nA ferrovia foi desativada parcialmente na d\u00e9cada de 1930 e totalmente em 1972, ano em que foi inaugurada a Rodovia Transamaz\u00f4nica (BR-230). Atualmente, de um total de 364 quil\u00f4metros de extens\u00e3o, restam apenas 7 quil\u00f4metros ativos, que s\u00e3o utilizados para fins tur\u00edsticos.\n\nA popula\u00e7\u00e3o rondoniense luta para que a t\u00e3o sonhada revitaliza\u00e7\u00e3o da EFMM saia do papel, mas at\u00e9 \u00e0 data 1\u00ba de dezembro de 2006 a obra ainda nem havia come\u00e7ado. A falta de interesse dos \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos, em especial das prefeituras, e a burocracia impedem o projeto.\n\n<strong>A QUEST\u00c3O DO ACRE<\/strong>\n\nMas o exagero do extrativismo descontrolado da borracha estava em vias de provocar um conflito internacional.\n\nOs trabalhadores brasileiros cada vez mais adentravam nas florestas do territ\u00f3rio da Bol\u00edvia em busca de novas seringueiras para extrair o precioso l\u00e1tex, gerando conflitos e lutas por quest\u00f5es fronteiri\u00e7as no final do s\u00e9culo XIX, que exigiram inclusive a presen\u00e7a do ex\u00e9rcito, liderado pelo militar Jos\u00e9 Pl\u00e1cido de Castro.\n\nA rep\u00fablica brasileira, rec\u00e9m proclamada, tirava o m\u00e1ximo proveito das riquezas obtidas com a venda da borracha, mas a Quest\u00e3o do Acre (como estavam sendo conhecidos os conflitos fronteiri\u00e7os por conta do extrativismo da borracha) preocupava.\n\nFoi ent\u00e3o a providencial e inteligente interven\u00e7\u00e3o do diplomata Bar\u00e3o do Rio Branco e do embaixador Assis Brasil, em parte financiados pelos bar\u00f5es da borracha, que culminou na assinatura do Tratado de Petr\u00f3polis, assinado 17 de novembro de 1903 no governo do presidente Rodrigues Alves. Este tratado p\u00f4s fim \u00e0 contenda com a Bol\u00edvia, garantindo o efetivo controle e a posse das terras e florestas do Acre por parte do Brasil.\n\nO Brasil recebeu a posse definitiva da regi\u00e3o em troca de terras de Mato Grosso, do pagamento de 2 milh\u00f5es de libras esterlinas e do compromisso de construir uma ferrovia que superasse o trecho encachoeirado do rio Madeira e que possibilitasse o acesso das mercadorias bolivianas (sendo a borracha o principal), aos portos brasileiros do Atl\u00e2ntico (inicialmente Bel\u00e9m do Par\u00e1, na foz do rio Amazonas).\n\n<strong>Devido a este epis\u00f3dio hist\u00f3rico, resolvido pacificamente, a capital do Acre recebeu o nome de Rio Branco e dois munic\u00edpios deste Estado receberam nomes de outras duas importantes personagens:<\/strong>\u00a0Assis Brasil e Pl\u00e1cido de Castro.\n\n<strong>APOGEU, REQUINTE E LUXO<\/strong>\n\nBel\u00e9m, capital do Estado do Par\u00e1, assim como Manaus, capital do Estado do Amazonas, eram na \u00e9poca consideradas cidades brasileiras das mais desenvolvidas e umas das mais pr\u00f3speras do mundo, principalmente Bel\u00e9m, n\u00e3o s\u00f3 pela sua posi\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica \u2013 quase no litoral -, mas tamb\u00e9m porque sediava um maior n\u00famero de resid\u00eancias de seringalistas, casas banc\u00e1rias e outras importantes institui\u00e7\u00f5es que Manaus.\n\nAmbas possu\u00edam luz el\u00e9trica e sistema de \u00e1gua encanada e esgotos. Viveram seu apogeu entre 1890 e 1920, gozando de tecnologias que outras cidades do sul e sudeste do Brasil ainda n\u00e3o possu\u00edam, tais como bondes el\u00e9tricos, avenidas constru\u00eddas sobre p\u00e2ntanos aterrados, al\u00e9m de edif\u00edcios imponentes e luxuosos, como o requintado Teatro Amazonas, o Pal\u00e1cio do Governo, o Mercado Municipal e o pr\u00e9dio da Alf\u00e2ndega, no caso de Manaus, e o mercado de peixe, mercado de ferro, Teatro da Paz, corredores de mangueiras, diversos palacetes residenciais no caso de Bel\u00e9m, constru\u00eddos em boa parte pelo intendente Ant\u00f4nio Lemos.\n\nA influ\u00eancia europ\u00e9ia logo se fez notar em Manaus e Bel\u00e9m, na arquitetura da constru\u00e7\u00f5es e no modo de viver, fazendo do s\u00e9culo XIX a melhor fase econ\u00f4mica vivida por ambas cidades. A Amaz\u00f4nia era respons\u00e1vel, nessa \u00e9poca, por quase 40% de toda a exporta\u00e7\u00e3o brasileira. Os novos ricos de Manaus tornaram a cidade a capital mundial da venda de diamantes. Gra\u00e7as \u00e0 borracha, a renda per capita de Manaus era duas vezes superior \u00e0 da regi\u00e3o produtora de caf\u00e9 (S\u00e3o Paulo, Rio de Janeiro e Esp\u00edrito Santo).\n\n<strong>Moeda da borracha: libra esterlina:<\/strong>\u00a0como forma de pagamento pela exporta\u00e7\u00e3o da borracha, os seringalistas recebiam em libra esterlina (\u00a3), moeda do Reino Unido, que inclusive era a mesma que circulava em Manaus e Bel\u00e9m durante a Belle \u00c9poque amaz\u00f4nica.\n\n<strong>O FIM DO MONOP\u00d3LIO AMAZ\u00d4NICO<\/strong>\n\nA Estrada de Ferro Madeira-Mamor\u00e9, terminada em 1912, j\u00e1 chegava tarde. A Amaz\u00f4nia j\u00e1 estava perdendo a primazia do monop\u00f3lio de produ\u00e7\u00e3o da borracha porque os seringais plantados pelos ingleses na Mal\u00e1sia, no Ceil\u00e3o e na \u00c1frica tropical, com sementes oriundas da pr\u00f3pria Amaz\u00f4nia, passaram a produzir l\u00e1tex com maior efici\u00eancia e produtividade. Consequentemente, com custos menores e pre\u00e7o final menor, o que os fez assumir o controle do com\u00e9rcio mundial do produto.\n\nA borracha natural da Amaz\u00f4nia passou a ter um pre\u00e7o proibitivo no mercado mundial, tendo como reflexo imediato a estagna\u00e7\u00e3o da economia regional.\n\nA crise da borracha tornou-se ainda maior porque a falta de vis\u00e3o empresarial e governamental resultou na aus\u00eancia de alternativas que possibilitassem o desenvolvimento regional, tendo como consequ\u00eancia imediata a estagna\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m das cidades. A falta n\u00e3o pode ser atribu\u00edda apenas aos empres\u00e1rios tidos como bar\u00f5es da borracha e \u00e0 classe dominante em geral, mas tamb\u00e9m ao governo e pol\u00edticos que n\u00e3o incentivaram a cria\u00e7\u00e3o de projetos administrativos que gerassem um planejamento e um desenvolvimento sustentado da atividade de extra\u00e7\u00e3o do l\u00e1tex.\n\nA Mal\u00e1sia, que investiu no plantio de seringueiras e em t\u00e9cnicas de extra\u00e7\u00e3o do l\u00e1tex, foi a principal respons\u00e1vel pela queda do monop\u00f3lio brasileiro.\n\n<strong>Embora restando a ferrovia Madeira-Mamor\u00e9 e as cidades de Porto Velho e Guajar\u00e1-Mirim como heran\u00e7a deste apogeu, a crise econ\u00f4mica provocada pelo t\u00e9rmino do ciclo da borracha deixou marcas profundas em toda a regi\u00e3o amaz\u00f4nica:<\/strong>\u00a0queda na receita dos Estados, alto \u00edndice de desemprego, \u00eaxodo rural e urbano, sobrados e mans\u00f5es completamente abandonados, e, principalmente, completa falta de expectativas em rela\u00e7\u00e3o ao futuro para os que insistiram em permanecer na regi\u00e3o.\n\nOs trabalhadores dos seringais, agora desprovidos da renda da extra\u00e7\u00e3o, fixaram-se na periferia de Manaus em busca de melhores condi\u00e7\u00f5es de vida. A\u00ed, por falta de habita\u00e7\u00e3o, iniciaram, a partir de 1920, a constru\u00e7\u00e3o da cidade flutuante, g\u00eanero de moradia que se consolidaria na d\u00e9cada de 1960.\n\nO governo central do Brasil at\u00e9 criou um \u00f3rg\u00e3o com o objetivo de contornar a crise, chamado Superintend\u00eancia de Defesa da Borracha, mas esta superintend\u00eancia foi ineficiente e n\u00e3o conseguiu garantir ganhos reais, sendo, por esta raz\u00e3o, desativada n\u00e3o muito tempo depois de sua cria\u00e7\u00e3o.\n\nA partir do final da d\u00e9cada de 1920, Henry Ford, o pioneiro da ind\u00fastria americana de autom\u00f3veis, empreendeu o cultivo de seringais na Amaz\u00f4nia criando 1927 a cidade de Fordl\u00e2ndia e posteriormente (1934) Belterra, no Oeste do Par\u00e1, especialmente para este fim, com t\u00e9cnicas de cultivo e cuidados especiais, mas a iniciativa n\u00e3o logrou \u00eaxito j\u00e1 que a planta\u00e7\u00e3o foi atacada por uma praga na folhagem conhecida como mal-de-folhas, causada pelo fungo Microcyclus ulei.\n\n<strong>O SEGUNDO CICLO \u2013 1942\/1945<\/strong>\n\nA Amaz\u00f4nia viveria outra vez o\u00a0<strong>ciclo da borracha<\/strong>\u00a0durante a Segunda Guerra Mundial, embora por pouco tempo. Como for\u00e7as japonesas dominaram militarmente o Pac\u00edfico Sul nos primeiros meses de 1942 e invadiram tamb\u00e9m a Mal\u00e1sia, o controle dos seringais passou a estar nas m\u00e3os dos nip\u00f4nicos, o que culminou na queda de 97% da produ\u00e7\u00e3o da borracha asi\u00e1tica.\n\nIsto resultaria na implanta\u00e7\u00e3o de mais alguns elementos, inclusive de infra-estrutura, apenas em Bel\u00e9m, desta vez por parte dos Estados Unidos. A exemplo disso, temos o Banco de Cr\u00e9dito da Borracha, atual Banco da Amaz\u00f4nia; o Grande Hotel, luxuoso hotel constru\u00eddo em Bel\u00e9m em apenas 3 anos, onde hoje \u00e9 o Hilton Hotel; o aeroporto de Bel\u00e9m; a base a\u00e9rea de Bel\u00e9m; entre outros.\n\n<strong>A BATALHA DA BORRACHA<\/strong>\n\nCom o alistamento de nordestinos, Get\u00falio Vargas minimizou o problema da seca do nordeste e ao mesmo tempo deu novo \u00e2nimo na coloniza\u00e7\u00e3o da Amaz\u00f4nia.\n\nNa \u00e2nsia de encontrar um caminho que resolvesse esse impasse e, mesmo, para suprir as For\u00e7as Aliadas da borracha ent\u00e3o necess\u00e1ria para o material b\u00e9lico, o governo brasileiro fez um acordo com o governo dos Estados Unidos (Acordos de Washington), que desencadeou uma opera\u00e7\u00e3o em larga escala de extra\u00e7\u00e3o de l\u00e1tex na Amaz\u00f4nia \u2013 opera\u00e7\u00e3o que ficou conhecida como a Batalha da Borracha.\n\nComo os seringais estavam abandonados e n\u00e3o mais de 35 mil trabalhadores permaneciam na regi\u00e3o, o grande desafio de Get\u00falio Vargas, ent\u00e3o presidente do Brasil, era aumentar a produ\u00e7\u00e3o anual de l\u00e1tex de 18 mil para 45 mil toneladas, como previa o acordo. Para isso seria necess\u00e1ria a for\u00e7a bra\u00e7al de 100 mil homens.\n\nO alistamento compuls\u00f3rio em 1943 era feito pelo Servi\u00e7o Especial de Mobiliza\u00e7\u00e3o de Trabalhadores para a Amaz\u00f4nia (SEMTA), com sede no nordeste, em Fortaleza, criado pelo ent\u00e3o Estado Novo.\n\nA escolha do nordeste como sede deveu-se essencialmente como resposta a uma seca devastadora na regi\u00e3o e \u00e0 crise sem precedentes que os camponeses da regi\u00e3o enfrentavam.\n\nAl\u00e9m do SEMTA, foram criados pelo governo nesta \u00e9poca, visando a dar suporte \u00e0 Batalha da borracha, a Superintend\u00eancia para o Abastecimento do Vale da Amaz\u00f4nia (Sava), o Servi\u00e7o Especial de Sa\u00fade P\u00fablica (Sesp) e o Servi\u00e7o de Navega\u00e7\u00e3o da Amaz\u00f4nia e de Administra\u00e7\u00e3o do Porto do Par\u00e1 (Snapp). Criou-se ainda a institui\u00e7\u00e3o chamada Banco de Cr\u00e9dito da Borracha, que seria transformada, em 1950, no Banco de Cr\u00e9dito da Amaz\u00f4nia.\n\nO \u00f3rg\u00e3o internacional Rubber Development Corporation (RDC), financiado com capital dos industriais estadunidenses, custeava as despesas do deslocamento dos migrantes (conhecidos \u00e0 \u00e9poca como brabos).\n\nO governo dos Estados Unidos pagava ao governo brasileiro cem d\u00f3lares por cada trabalhador entregue na Amaz\u00f4nia.\n\nO governo dos Estados Unidos pagava ao governo brasileiro cem d\u00f3lares por cada trabalhador entregue na Amaz\u00f4nia.\n\nMilhares de trabalhadores de v\u00e1rias regi\u00f5es do Brasil foram compulsoriamente levados \u00e0 escravid\u00e3o por d\u00edvida e \u00e0 morte por doen\u00e7as para as quais n\u00e3o possu\u00edam imunidade. S\u00f3 do nordeste foram para a Amaz\u00f4nia 54 mil trabalhadores, sendo 30 mil deles apenas do Cear\u00e1. Esses novos seringueiros receberam a alcunha de Soldados da Borracha, numa alus\u00e3o clara de que o papel do seringueiro em suprir as f\u00e1bricas nos EUA com borracha era t\u00e3o importante quanto o de combater o regime nazista com armas.\n<p class=\"imagem\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Ciclo da Borracha\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/cciclo-1-1.jpg\" alt=\"Ciclo da Borracha\" width=\"253\" height=\"304\" \/><strong>\nSeringueiro<\/strong><\/p>\nManaus tinha, em 1849, cinco mil habitantes, e, em meio s\u00e9culo, cresceu para 70 mil. Novamente a regi\u00e3o experimentou a sensa\u00e7\u00e3o de riqueza e de pujan\u00e7a. O dinheiro voltou a circular em Manaus, em Bel\u00e9m, em cidades e povoados vizinhos e a economia regional fortaleceu-se.\n\n<strong>CAMINHO SEM VOLTA<\/strong>\n\nMosquito, elemento transmissor da mal\u00e1ria e da febre amarela, doen\u00e7as que causaram muitas mortes aos seringueiros.\n\nEntretanto, para muitos trabalhadores, este foi um caminho sem volta. Cerca de 30 mil seringueiros morreram abandonados na Amaz\u00f4nia, depois de terem exaurido suas for\u00e7as extraindo o ouro branco.\n\nMorriam de mal\u00e1ria, febre amarela, hepatite e atacados por animais como on\u00e7as, serpentes e escorpi\u00f5es.\n\nO governo brasileiro tamb\u00e9m n\u00e3o cumpriu a promessa de reconduzir os Soldados da Borracha de volta \u00e0 sua terra no final da guerra, reconhecidos como her\u00f3is e com aposentadoria equiparada \u00e0 dos militares.\n\nCalcula-se que conseguiram voltar ao seu local de origem (a duras penas e por seus pr\u00f3prios meios) cerca de seis mil homens.\n\nMas quando chegavam tornavam-se escravos por d\u00edvida dos coron\u00e9is seringueiros e morriam em consequ\u00eancia das doen\u00e7as, da fome ou assassinados quando resistiam lembrando as regras do contrato com o governo.\n\n<strong>DECAD\u00caNCIA DO CICLO DA BORRACHA<\/strong>\n\n<strong>Em 1876, quando o ciclo da borracha ainda iniciava sua fase de progressiva expans\u00e3o, uma medida decisiva, que no futuro pr\u00f3ximo aniquilaria a economia do Estado, tinha sido levada a cabo:\u00a0<\/strong>o contrabando de sementes de seringueira para a Inglaterra e, da\u00ed, para suas col\u00f4nias na \u00c1sia, onde seriam cultivadas.\n\nTal empresa foi concebida e realizada pelo bot\u00e2nico ingl\u00eas, Sir Henry Wickham, que embarcou clandestinamente cerca de 70 mil sementes para a Inglaterra, onde foram cultivadas experimentalmente em estufa.\n\nDentre essas, vingaram 7.000 mudas, as quais foram transportadas para o Ceil\u00e3o e, posteriormente, para a Mal\u00e1sia, Samatra, Born\u00e9u e outras col\u00f4nias brit\u00e2nicas e holandesas, nas quais se desenvolveram, passando a produzir uma seringa de maior qualidade e menor custo, o que provocou a queda dos pre\u00e7os da borracha e fez que o quase monop\u00f3lio da borracha pelo Brasil desmoronasse.\n\n<strong>Em 1900, as col\u00f4nias brit\u00e2nicas da \u00c1sia disputaram o mercado com uma modesta oferta:<\/strong>\u00a0apenas 4 toneladas. Por\u00e9m suas exporta\u00e7\u00f5es cresceram abruptamente e, em 1913, a produ\u00e7\u00e3o asi\u00e1tica j\u00e1 superava a produ\u00e7\u00e3o brasileira.\n\nA partir de ent\u00e3o, a produ\u00e7\u00e3o de seringa brasileira passou a despencar vertiginosamente, sobretudo face \u00e0 queda dos pre\u00e7os da borracha no mercado internacional, que inviabilizava cada mais a atividade extrativa na regi\u00e3o amaz\u00f4nica em seu custo.\n\nPor\u00e9m, na \u00c1sia, uma borracha de boa qualidade era produzida em grandes quantidades e a um custo bem mais baixo, o que levou o capital estrangeiro, ligado ao com\u00e9rcio e a distribui\u00e7\u00e3o do produto brasileiro a abandonar o vale do Amazonas, visando seguros lucros no Oriente.\n\nPor essa \u00e9poca, a \u00c1sia j\u00e1 abastecia o mercado internacional com cerca de 700.000 mil toneladas de goma, passando a dominar inteiramente o mercado da borracha mundial.\n\nOs planos e projetos de valoriza\u00e7\u00e3o e defesa da borracha brasileira no mercado internacional n\u00e3o passaram de t\u00edmidas e fracassadas iniciativas de um governo central totalmente ap\u00e1tico e sempre tardio no que se refere \u00e0 Regi\u00e3o Norte.\n\nAo governo central interessava os impostos arrecadados com a atividade gom\u00edfera. Suas aten\u00e7\u00f5es voltavam-se quase que exclusivamente ao Sul do pa\u00eds e \u00e0 prote\u00e7\u00e3o do caf\u00e9, conforme denunciou o deputado amazonense Luciano Pereira a mencionar em seu discurso, em 1912, na C\u00e2mara dos deputados. \u00c9 por motivos iguais a este que se diz ter sido, at\u00e9 hoje, a Uni\u00e3o m\u00e3e para o Sul e madrasta para o Norte.\n<p class=\"r\"><strong>A queda do Ciclo da Borracha<\/strong><\/p>\n<p class=\"r\" align=\"left\">Quando a borracha da Mal\u00e1sia tornou proibitivo o pre\u00e7o da borracha da Amaz\u00f4nia no mercado mundial, a economia regional estagnou. Devido \u00e0 gravidade da crise, e \u00e0 falta de vis\u00e3o empresarial e governamental, que resultou na aus\u00eancia de alternativas para o desenvolvimento regional. Estagnaram tamb\u00e9m as cidades.<\/p>\n<p class=\"r\" align=\"left\">Da vila de Santo Antonio do Madeira, que chegou a contar com uma pequena linha de bonde e jornal semanal ao tempo em que se iniciava Porto Velho, resta hoje uma \u00fanica constru\u00e7\u00e3o.<\/p>\nA sobreviv\u00eancia de Porto Velho est\u00e1 associada \u00e0s melhores condi\u00e7\u00f5es de salubridade da \u00e1rea onde foi constru\u00edda, da facilidade de acesso pelo rio durante o ano todo, do seu porto, da necessidade que a ferrovia sentia de exercer maior controle sobre os oper\u00e1rios para garantir o bom andamento das obras, construindo para tanto resid\u00eancias em sua \u00e1rea de concess\u00e3o, e, at\u00e9 mesmo, de uma certa forma, ao bairro onde moravam principalmente os barbadianos trazidos para a constru\u00e7\u00e3o.\n\nDesenvolvendo-se sobre uma pequena colina ao sul da cidade, ainda em \u00e1rea da ferrovia, surgiu o bairro denominado originalmente de Barbadoes Town (ou Barbedian Town), embora posteriormente se tenha tornado mais conhecido como o Alto do Bode. O n\u00facleo urbano que ent\u00e3o existia em torno das instala\u00e7\u00f5es da EFMM, inclusive e com muito significado, o Alto do Bode, serviu de justificativa para a consolida\u00e7\u00e3o de Porto Velho como a capital do Territ\u00f3rio Federal do Guapor\u00e9, em 1943. Essa pequena colina foi arrasada no final dos anos 60, e o Alto do Bode desapareceu.\n\nAo longo do per\u00edodo que vai de 1925 a 1960, o centro urbano adquiriu fei\u00e7\u00f5es definitivas. O sistema vi\u00e1rio de bom tra\u00e7ado e o sistema de esgotos da regi\u00e3o central s\u00e3o heran\u00e7as dos previdentes pioneiros; os pr\u00e9dios p\u00fablicos, o bairro Caiar\u00ed, etc\u2026, s\u00e3o provas de que, mesmo em meio \u00e0 grandes dificuldades, \u00e9 poss\u00edvel construir e avan\u00e7ar. Somente com a erup\u00e7\u00e3o da segunda guerra mundial, e a cria\u00e7\u00e3o dos territ\u00f3rios federais em 1943, ocorreu novo e r\u00e1pido ciclo de progresso regional. Esse surto decorreu das necessidades de borracha das for\u00e7as aliadas, que haviam perdido os seringais malaios na guerra do Pac\u00edfico, e produziu o denominado segundo\u00a0<strong>ciclo da borracha<\/strong>.\n\nFinda a guerra, novamente a economia regional baseada na borracha, e dirigida com imprevid\u00eancia e incapacidade empreendedora, entrou em paralisia.\n\n<strong>Ciclo da Borracha &#8211; Resumo<\/strong>\n\nOs finais abruptos do primeiro e do segundo\u00a0<strong>ciclo da borracha<\/strong>\u00a0demonstraram a incapacidade empresarial e falta de vis\u00e3o da classe dominante e dos pol\u00edticos da regi\u00e3o.\n\nO final da guerra conduziu, pela segunda vez, \u00e0 perda da chance de fazer vingar esta atividade econ\u00f4mica.\n\n<strong>N\u00e3o se fomentou qualquer plano de efetivo desenvolvimento sustentado na regi\u00e3o, o que gerou reflexos imediatos:<\/strong>\u00a0assim que terminou a Segunda Guerra Mundial, tanto as economias de vencedores como de vencidos se reorganizaram na Europa e na \u00c1sia, fazendo cessar novamente as atividades nos velhos e ineficientes seringais da Amaz\u00f4nia.\n\nAs seringueiras cresciam naturalmente e de forma dispersa na floresta. Os seringalistas (donos de terras) forneciam ferramentas e alimentos aos seringueiros. Estes recolhiam o l\u00e1tex das \u00e1rvores e o defumavam, tran, principalmente na ind\u00fastria automobil\u00edstica, em expans\u00e3o desde o final do s\u00e9culo XIX., principalmente Bel\u00e9m e Manaus, os benef\u00edcios foram poucos. Com o sucesso das planta\u00e7\u00f5es de seringueiras na \u00c1sia, a principal atividade econ\u00f4mica da regi\u00e3o declinou, agravando a pobreza dos trabalhadores transformando-o em pe\u00e7as de borracha bruta.\n\nEntre 1840 e 1913, as seringueiras, \u00e1rvores nativas da Amaz\u00f4nia, tiveram destaque fundamental na economia brasileira. O l\u00e1tex extra\u00eddo dessas \u00e1rvores era utilizado para a obten\u00e7\u00e3o da borracha, produto facilmente exportado devido \u00e0s suas m\u00faltiplas aplica\u00e7\u00f5es industriais, principalmente na ind\u00fastria automobil\u00edstica, em expans\u00e3o desde o final do s\u00e9culo XIX.\n\nA explora\u00e7\u00e3o em grande escala dos seringais espalhados pela Floresta Amaz\u00f4nica levou \u00e0 concentra\u00e7\u00e3o de riquezas e \u00e0 ostenta\u00e7\u00e3o nas grandes cidades da regi\u00e3o, principalmente Bel\u00e9m e Manaus.\n\nMas para a maioria da popula\u00e7\u00e3o miser\u00e1vel que vivia do extrativismo vegetal, os benef\u00edcios foram poucos. Com o sucesso das planta\u00e7\u00f5es de seringueiras na \u00c1sia, a principal atividade econ\u00f4mica da regi\u00e3o declinou, muitos neg\u00f3cios faliram, agravando a pobreza dos trabalhadores.\n\n<strong>Fonte:<\/strong>\u00a0www.generalkinematics.com\/www.rdmonline.com.br\/www.linguativa.com.br\/www.amazonroyal.com.br\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ciclo da Borracha, Brasil, Hist\u00f3ria, Manaus, Utiliza\u00e7\u00e3o, Primeiro, Segundo, Queda, Economia, Crise, Produ\u00e7\u00e3o, Per\u00edodo, Ciclo da Borracha<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":9472,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[54],"tags":[],"class_list":["post-14973","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-historia-do-brasil"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v28.3 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>Ciclo da Borracha - 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