{"id":14688,"date":"2015-12-16T00:00:00","date_gmt":"2015-12-16T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/uncategorized\/mata-atlantica-2\/"},"modified":"2026-08-31T23:12:47","modified_gmt":"2026-08-31T23:12:47","slug":"mata-atlantica-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/meio-ambiente-2\/mata-atlantica-2\/","title":{"rendered":"Mata Atl\u00e2ntica"},"content":{"rendered":"\n<p align=\"center\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Mata Atl\u00e2ntica\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/mata-a6.jpg\" alt=\"Mata Atl\u00e2ntica\" width=\"367\" height=\"273\" \/><\/p>\nA <strong>Mata Atl\u00e2ntica<\/strong> \u00e9 um bioma (conjunto de ecossistemas) tipicamente brasileiro.\n\nAcompanhava o litoral do pa\u00eds do Rio Grande do Sul ao Rio Grande do Norte (regi\u00f5es meridional e nordeste). Nas regi\u00f5es Sul e Sudeste chegava at\u00e9 Argentina e Paraguai.\n\nEm fun\u00e7\u00e3o do desmatamento, principalmente a partir do s\u00e9culo XX, encontra-se hoje extremamente reduzida, sendo uma das florestas tropicais mais amea\u00e7adas do globo. Apesar de reduzida a poucos fragmentos, na sua maioria descont\u00ednuos, a biodiversidade de seu ecossistema \u00e9 uma dos maiores do planeta. Cobria importantes trechos de serras e escarpas do Planalto Brasileiro, e era cont\u00ednua com a Floresta Amaz\u00f4nica.\n\nFoi a segunda maior floresta tropical em ocorr\u00eancia e import\u00e2ncia na Am\u00e9rica do Sul, em especial no Brasil.\n\nA Ilha Grande, constitucionalmente, \u00e9 considerada um patrim\u00f4nio nacional.\n\n<strong>Isso por duas raz\u00f5es: <\/strong>possui uma vegeta\u00e7\u00e3o constitu\u00edda pela Mata Atl\u00e2ntica e est\u00e1 localizada na chamada Zona Costeira.\n\n<strong>Por essas duas situa\u00e7\u00f5es geogr\u00e1ficas j\u00e1 podemos ter consci\u00eancia da grande diversidade biol\u00f3gica que existe em seu ecossistema:<\/strong> uma \u00e1rea insular constitu\u00edda por florestas, cost\u00f5es, praias, rios, lagoas, restingas, manguezais etc., sem mencionar ainda a variedade de sua fauna.\n\nEste pequeno quadro ambiental apresentado da Ilha Grande evidencia a import\u00e2ncia que \u00e9 conservar sua vida natural.\n\nNo passado, a Mata Atl\u00e2ntica era um tapete verde que cobria quase toda a faixa litor\u00e2nea brasileira, come\u00e7ando no Rio Grande do Norte, passando pelos estados do Nordeste &#8211; exceto Maranh\u00e3o, Piau\u00ed e Cear\u00e1 &#8211; depois Esp\u00edrito Santo, Minas Gerais, S\u00e3o Paulo, Rio de Janeiro, Santa Catarina, chegando at\u00e9 o Rio Grande do Sul, o que era equivalente a 1,3 milh\u00f5es de quil\u00f4metros quadrados, ou seja, 15% do territ\u00f3rio nacional.\n\nDevastada ao longo da hist\u00f3ria pela explora\u00e7\u00e3o do homem, principalmente no Nordeste, ela possui hoje apenas cerca de 7% de sua cobertura original, localizada entre o Rio de Janeiro e o Rio Grande do Sul, com \u00e1reas cont\u00ednuas de mata concentradas nas Serras do Mar e da Mantiqueira.\n\nA cobertura vegetal da Mata Atl\u00e2ntica, al\u00e9m de ser grande, \u00e9 rica. A cada pesquisa, novas esp\u00e9cies s\u00e3o descobertas.\n\nNo Esp\u00edrito Santo, uma palmeira permaneceu sem nome at\u00e9 os anos 90, apesar dos seus dez metros de altura. Na esta\u00e7\u00e3o biol\u00f3gica de Santa L\u00facia, no mesmo estado, est\u00e3o registradas 104 esp\u00e9cies que eram desconhecidas na regi\u00e3o. Cinco delas s\u00e3o novas at\u00e9 para a ci\u00eancia.\n\nRelevo, solos e clima andam de m\u00e3os dadas compondo a diversidade da Mata Atl\u00e2ntica. Pode-se dizer que a Mata Atl\u00e2ntica n\u00e3o tem uma apar\u00eancia s\u00f3, ela muda conforme as condi\u00e7\u00f5es de cada regi\u00e3o.\n\n<strong>H\u00e1 ainda uma s\u00e9rie de ecossistemas associados a ela:<\/strong>\n<blockquote><strong>Mangues<\/strong>: Localizados em baixadas, s\u00e3o sempre inundados pelas mar\u00e9s e t\u00eam vegeta\u00e7\u00e3o pouco diversificada. O mangue \u00e9 indispens\u00e1vel para a vida marinha, pois \u00e9 ref\u00fagio natural de peixes e crust\u00e1ceos (camar\u00f5es, lagostas etc.).\n<strong>Restingas<\/strong>: Peda\u00e7os de terra que partem do litoral e se alongam at\u00e9 o mar. T\u00eam plantas rasteiras de pequenas folhas para suportar o vento constante que vem do mar.\n<strong>Ilhas costeiras: <\/strong>S\u00e3o aquelas mais pr\u00f3ximas da praia. (As ilhas mais afastadas do continente s\u00e3o chamadas de oce\u00e2nicas). A forma\u00e7\u00e3o vegetal dessas ilhas costuma imitar a do continente.\n<strong>Campos de altitude: <\/strong>Localizam-se a 1.400 metros do n\u00edvel do mar. Apresentam um solo raso e \u00famido, onde a forte luminosidade se alterna com freq\u00fcentes nevoeiros. Todos esses fatores s\u00e3o respons\u00e1veis pela vegeta\u00e7\u00e3o rala e baixa, onde raramente se encontram arbustos.\n<strong>Comunidades rupestres: <\/strong>Quando o deslizamento do solo arrasta a cobertura vegetal, rochas que at\u00e9 ent\u00e3o eram subterr\u00e2neas passam a ficar expostas. Os vegetais e animais se adaptam, passando a viver sobre as rochas. Esses animais e plantas s\u00e3o chamados de comunidades rupestres.\n<strong>Cerrad\u00e3o: <\/strong>Entre a Mata Atl\u00e2ntica propriamente dita e o cerrado, h\u00e1 \u00e1reas isoladas, como ilhas, conhecidas como cerrad\u00e3o. A vegeta\u00e7\u00e3o nesses lugares \u00e9 espessa e com \u00e1rvores que podem alcan\u00e7ar at\u00e9 15 metros de altura.\n<strong>Agreste: <\/strong>Fica na regi\u00e3o Nordeste, entre a Mata Atl\u00e2ntica e a caatinga, e se caracteriza pelo solo pedregoso, coberto por vegeta\u00e7\u00e3o escassa e de pequeno porte.\n<strong>Mata de topo de morro<\/strong>: Corresponde a \u00e1reas ocupadas por brejos e plan\u00edcies encontradas nos estados do Cear\u00e1 e da Bahia. Na parte interior da regi\u00e3o Nordeste existem res\u00edduos de florestas \u00famidas e secas, onde as \u00e1rvores atingem de 30 a 35 metros de altura.<\/blockquote>\nFonte: www.tomdamata.org.br\n<h6>Mata Atl\u00e2ntica<\/h6>\n\u00c9 a maior <strong>floresta tropical <\/strong>remanescente do mundo, representando cerca de 40% das florestas tropicais do planeta. Em terr\u00edt\u00f3rio brasileiro cobre uma \u00e1rea de 3,7 milh\u00f5es de Km\u00b2. \u00c9 o bioma brasileiro com maior porcentagem de \u00e1rea em Unidades de Conserva\u00e7\u00e3o (10%). Cerca de 15% da \u00e1rea total foi removida devido a constru\u00e7\u00e3 de rodovias que abriram caminho para atividades mineradoras, coloniza\u00e7\u00e3o, avan\u00e7o da fronteira agr\u00edcola e explora\u00e7\u00e3o madereira. (I Relat\u00f3rio para a Conven\u00e7\u00e3o sobre Diversidade Biol\u00f3gica do Brasil &#8211; 1998)\n\nEm territ\u00f3rio brasileiro, os ecossistemas amaz\u00f4nicos ocupam uma superf\u00edcie de 368.989.221 ha, abrangendo os estados do Acre, Amap\u00e1, Amazonas, Par\u00e1, Rond\u00f4nia, Roraima e pequena parte dos estados do Maranh\u00e3o, Tocantins e Mato Grosso. A Amaz\u00f4nia \u00e9 reconhecida como a maior floresta tropical existente, o equivalente a 1\/3 das reservas de florestas tropicais \u00famidas e o maior banco gen\u00e9tico do planeta. Cont\u00e9m 1\/5 da disponibilidade mundial de \u00e1gua doce e um patrim\u00f4nio mineral n\u00e3o mensurado.\n\nA grande diversidade geol\u00f3gica, aliada ao relevo diferenciado, resultou na forma\u00e7\u00e3o das mais variadas classes de solo, sob a influ\u00eancia das grandes temperaturas e precipita\u00e7\u00f5es, caracter\u00edsticas do clima equatorial quente super\u00famido e \u00famido. Contudo, a fertilidade natural dos solos \u00e9 baixa, em contraste com a exuber\u00e2ncia das florestas ombr\u00f3filas (\u00famidas) que nelas se desenvolvem.\n\nA floresta Amaz\u00f4nica \u00e9 um ecossistema auto-sustent\u00e1vel. Ou seja, \u00e9 um sistema que se mant\u00e9m com seus pr\u00f3prios nutrientes num ciclo permanente. Os ecossistemas amaz\u00f4nicos s\u00e3o sorvedouros de carbono, contribuindo para o equil\u00edbrio clim\u00e1tico global. Existe um delicado equil\u00edbrio nas rela\u00e7\u00f5es das popula\u00e7\u00f5es biol\u00f3gicas que s\u00e3o sens\u00edveis a interfer\u00eancias antr\u00f3picas.\n\n<strong>A floresta, apesar de ser a caracter\u00edstica mais marcante da Amaz\u00f4nia, n\u00e3o esconde a grande variedade de ecossistemas, dentre os quais se destacam:<\/strong> matas de terra firme, florestas inundadas, v\u00e1rzeas, igap\u00f3s, campos abertos e cerrados.\n\n<strong>Conseq\u00fcentemente, a Amaz\u00f4nia abriga uma infinidade de esp\u00e9cies vegetais e animais:<\/strong> 1,5 milh\u00e3o de esp\u00e9cies vegetais catalogadas; tr\u00eas mil esp\u00e9cies de peixes; 950 tipos de p\u00e1ssaros; e ainda insetos, r\u00e9pteis, anf\u00edbios e mam\u00edferos&#8230;\n<h4>Descri\u00e7\u00e3o<\/h4>\nNa Amaz\u00f4nia vivem e se reproduzem mais de um ter\u00e7o das esp\u00e9cies existentes no planeta. Ela \u00e9 um gigante tropical de 4,1 milh\u00f5es de km2. Por\u00e9m, apesar dessa riqueza, o ecossistema local \u00e9 fr\u00e1gil. A floresta vive do seu pr\u00f3prio material org\u00e2nico, em meio a um ambiente \u00famido, com chuvas abundantes. A menor imprud\u00eancia pode causar danos irrevers\u00edveis ao seu equil\u00edbrio delicado.\n\nA floresta abriga 2.500 esp\u00e9cies de \u00e1rvores (um ter\u00e7o da madeira tropical do planeta) e 30 mil das 100 mil esp\u00e9cies de plantas que existem em toda a Am\u00e9rica Latina. Desta forma, o uso dos recursos florestais pode ser estrat\u00e9gico para o desenvolvimento da regi\u00e3o. As estimativas de estoque indicam um valor n\u00e3o inferior a 60 bilh\u00f5es de metros c\u00fabicos de madeira em tora de valor comercial, o que coloca a regi\u00e3o como detentora da maior reserva de madeira tropical do mundo.\n\nA Amaz\u00f4nia \u00e9, tamb\u00e9m, a principal fonte de madeira de florestas nativas do Brasil. O setor florestal contribuiu com 15% a 20% dos Produtos Interno Bruto (PIB) dos estados do Par\u00e1, Mato Grosso e Rond\u00f4nia.\n\nOs insetos est\u00e3o presentes em todos os estratos da floresta. Os animais rastejadores, os anf\u00edbios e aqueles com capacidade para subir em locais \u00edngremes, como o esquilo, exploram os n\u00edveis baixos e m\u00e9dios. Os locais mais altos s\u00e3o explorados por beija-flores, araras, papagaios e periquitos \u00e0 procura de frutas, brotos e castanhas. Os tucanos, voadores de curta dist\u00e2ncia, exploram as \u00e1rvores altas. O n\u00edvel intermedi\u00e1rio \u00e9 habitado por jacus, gavi\u00f5es, corujas e centenas de pequenas aves. No extrato terrestre est\u00e3o os jabutis, cotias, pacas, antas etc. Os mam\u00edferos aproveitam a produtividade sazonal dos alimentos, como os frutos ca\u00eddos das \u00e1rvores. Esses animais, por sua vez, servem de alimentos para grandes felinos e cobras de grande porte.\n\nMais do que uma floresta, a Amaz\u00f4nia \u00e9 tamb\u00e9m o mundo das \u00e1guas onde os cursos d\u0092\u00e1gua se comunicam e sazonalmente sofrem a a\u00e7\u00e3o das mar\u00e9s. A bacia amaz\u00f4nica &#8211; a maior bacia hidrogr\u00e1fica do mundo com 1.100 afluentes &#8211; cobre uma extens\u00e3o aproximada de 6 milh\u00f5es de km2. Seu principal rio, o Amazonas, corta a regi\u00e3o para desaguar no Oceano Atl\u00e2ntico, lan\u00e7ando no mar, a cada segundo, cerca de 175 milh\u00f5es de litros de \u00e1gua.\n\n<strong>A Amaz\u00f4nia \u00e9, de fato, uma regi\u00e3o vasta e rica em recursos naturais:<\/strong> tem grandes estoques de madeira, borracha, castanha, peixe, min\u00e9rios e outros, com baixa densidade demogr\u00e1fica (2 habitantes por km2) e crescente urbaniza\u00e7\u00e3o. Sua riqueza cultural inclui o conhecimento tradicional sobre os usos e a forma de explorar esses recursos sem esgot\u00e1-los nem destruir o habitat natural. No entanto, a regi\u00e3o apresenta \u00edndices s\u00f3cioeconomicos muito baixos, enfrenta obst\u00e1culos geogr\u00e1ficos e de falta de infra-estrutura e de tecnologia que elevam o custo da explora\u00e7\u00e3o.\n\nFonte: www.arvoresbrasil.com.br\n<h6>Mata Atl\u00e2ntica<\/h6>\nEste bioma ocupa uma \u00e1rea de 1.110.182 Km\u00b2,\u00a0corresponde 13,04% do territ\u00f3rio nacional e que \u00e9 constitu\u00edda principalmente por mata ao longo da costa litor\u00e2nea que vai do Rio Grande do Norte ao Rio Grande do Sul. A Mata Atl\u00e2ntica passa pelos territ\u00f3rios dos estados do Esp\u00edrito Santo, Rio de Janeiro e Santa Catarina, e parte do territ\u00f3rio do estado de Alagoas, Bahia, Goi\u00e1s, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Para\u00edba, Paran\u00e1,\u00a0 Pernambuco, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, S\u00e3o Paulo e Sergipe. A Mata Atl\u00e2ntica apresenta uma variedade de forma\u00e7\u00f5es, engloba um diversificado conjunto de ecossistemas florestais com estrutura e composi\u00e7\u00f5es flor\u00edsticas bastante diferenciadas, acompanhando as caracter\u00edsticas clim\u00e1ticas da regi\u00e3o onde ocorre.\n\nCerca de 70% da popula\u00e7\u00e3o brasileira vive no territ\u00f3rio da Mata Atl\u00e2ntica, as nascentes e mananciais abastecem as cidades, esse \u00e9 um dos fatores que tem contribu\u00eddo com os problemas de crise h\u00eddrica, associados \u00e0 escassez, ao desperd\u00edcio, \u00e0 m\u00e1 utiliza\u00e7\u00e3o da \u00e1gua, ao desmatamento e \u00e0 polui\u00e7\u00e3o.\n\nA biodiversidade da Mata Atl\u00e2ntica \u00e9 semelhante \u00e0 da Amaz\u00f4nia.\n\n<strong>Os animais mais conhecidos da Mata Atl\u00e2ntica s\u00e3o<\/strong>: Mico-Le\u00e3o-Dourado, on\u00e7a-pintada, bicho-pregui\u00e7a e capivara.\n<h4>Hist\u00f3ria<\/h4>\nLogo em seguida ao descobrimento, grande parte da vegeta\u00e7\u00e3o da Mata Atl\u00e2ntica foi destru\u00edda devido \u00e0 explora\u00e7\u00e3o intensiva e desordenada da floresta. O pau-brasil foi o principal alvo de extra\u00e7\u00e3o e exporta\u00e7\u00e3o dos exploradores que colonizaram a regi\u00e3o e hoje est\u00e1 quase extinto. O primeiro contrato comercial para a explora\u00e7\u00e3o do pau-brasil foi feito em 1502, o que levou o Brasil a ser conhecido como &#8220;Terra Brasilis&#8221;, ligando o nome do pa\u00eds \u00e0 explora\u00e7\u00e3o dessa madeira avermelhada como brasa.\n\n<strong>Outras madeiras de valor tamb\u00e9m foram exploradas at\u00e9 a beira da extin\u00e7\u00e3o:<\/strong> tapinho\u00e3, sucupira, canela, canjarana, jacarand\u00e1, ararib\u00e1, pequi, jenipaparana, peroba, urucurana e vinh\u00e1tico.\n\nOs relatos antigos falam de uma floresta densa aparentemente intocada, apesar de habitada por v\u00e1rios povos ind\u00edgenas com popula\u00e7\u00f5es numerosas. A Mata Atl\u00e2ntica fez parte da inspira\u00e7\u00e3o ut\u00f3pica para o renascimento do mito do para\u00edso terrestre, em obras como as de Tommaso Campanella e Bacon.\n\nNo nordeste brasileiro a extin\u00e7\u00e3o foi quase total, o que agravou as condi\u00e7\u00f5es de sobreviv\u00eancia da popula\u00e7\u00e3o, causando fome, mis\u00e9ria e \u00eaxodo rural s\u00f3 comparados \u00e0s regi\u00f5es mais pobres do mundo.\n\nNesta regi\u00e3o, seguindo a derrubada da mata, vieram as planta\u00e7\u00f5es de cana-de-a\u00e7\u00facar mais ao sul na regi\u00e3o sudeste, foi a cultura do caf\u00e9 a principal respons\u00e1vel pela destrui\u00e7\u00e3o em massa da vegeta\u00e7\u00e3o nativa, restando uma \u00e1rea muito pequena para a preserva\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies que est\u00e3o em risco devido a polui\u00e7\u00e3o ambiental ocasionada pela emiss\u00e3o industrial de agentes nocivos \u00e0 sua sobreviv\u00eancia como por exemplo no munic\u00edpio de Cubat\u00e3o S.P.; mais ao sul na regi\u00e3o sul a explora\u00e7\u00e3o predat\u00f3ria da Mata Atl\u00e2ntica devastou o ecossistema da Floresta das Arauc\u00e1rias devido ao valor comercial da madeira pinho extra\u00edda da Pinheiro-do-paran\u00e1.\n\nAl\u00e9m da explora\u00e7\u00e3o predat\u00f3ria dos recursos florestais, houve tamb\u00e9m um significativo com\u00e9rcio de exporta\u00e7\u00e3o de couros e peles de on\u00e7as (que chegou ao pre\u00e7o de um boi), antas, cobras, capivaras, cotias, lontras, jacar\u00e9s, jaguatiricas, pacas, veados e outros animais, de penas e plumas e carapa\u00e7as de tartarugas.\n\nAo longo da hist\u00f3ria, personagens como Jos\u00e9 Bonif\u00e1cio de Andrada e Silva, Joaquim Nabuco e Euclides da Cunha protestaram contra esse modelo predat\u00f3rio de explora\u00e7\u00e3o.\n\nHoje, praticamente 90% da Mata Atl\u00e2ntica em toda a extens\u00e3o territorial brasileira est\u00e1 totalmente destru\u00edda. Do que restou, acredita-se que 75% est\u00e1 sob risco de extin\u00e7\u00e3o total, necessitando de atitudes urgentes de \u00f3rg\u00e3os mundiais de preserva\u00e7\u00e3o ambiental \u00e0s esp\u00e9cies que est\u00e3o sendo eliminadas da natureza de forma acelerada.\n\nOs remanescentes da Mata Atl\u00e2ntica situam-se principalmente nas Serras do Mar e da Mantiqueira, de relevo acidentado, al\u00e9m de pequenos trechos, contudo, consider\u00e1veis, no Sul da Bahia, destacando-se a cidade de Ilh\u00e9us, citada constantemente nos romances do escritor brasileiro Jorge Amado.\n\nExemplos claros da destrui\u00e7\u00e3o da mata s\u00e3o a Ilha Grande, Serra da Bocaina e muitas regi\u00f5es do estado do Rio de Janeiro.\n\nEntre 1990 e 1995, cerca de 500.317 ha foram desmatados. \u00c9 a segunda floresta mais amea\u00e7ada de extin\u00e7\u00e3o do mundo. Este ritmo de desmatamento \u00e9 2,5 vezes superior ao encontrado na Amaz\u00f4nia no mesmo per\u00edodo.\n\nEm rela\u00e7\u00e3o \u00e0 exuber\u00e2ncia do passado, poucas esp\u00e9cies sobreviveram \u00e0 destrui\u00e7\u00e3o intensiva. Elas se encontram nos estados do Rio de Janeiro, Minas Gerais, S\u00e3o Paulo e Paran\u00e1, sendo que existe a amea\u00e7a constante da polui\u00e7\u00e3o e da especula\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria.\n<h4>Caracter\u00edsticas<\/h4>\nAs \u00e1reas de dom\u00ednio (\u00e1rea cuja vegeta\u00e7\u00e3o cl\u00edmax era esta forma\u00e7\u00e3o vegetal) abrangia total ou parcialmente dezessete estados, conforme mostrado na tabela ao lado.\n\nA \u00e1rea original era 1.315.460\u00a0km\u00b2, 15% do territ\u00f3rio brasileiro. Atualmente o remanescente \u00e9 102.012\u00a0km\u00b2, 7,91% da \u00e1rea original.\n<table class=\"wikitable\" border=\"0\" cellspacing=\"1\" cellpadding=\"0\" bgcolor=\"#000000\">\n<tbody>\n<tr bgcolor=\"#FFFFCC\">\n<th colspan=\"2\">Mata Atl\u00e2ntica em 1500<\/th>\n<\/tr>\n<tr bgcolor=\"#FFFFCC\">\n<th>Estado<\/th>\n<th>\u00c1rea de\ndom\u00ednio<\/th>\n<\/tr>\n<tr bgcolor=\"#FFFFFF\">\n<td>Alagoas<\/td>\n<td align=\"right\">53%<\/td>\n<\/tr>\n<tr bgcolor=\"#FFFFFF\">\n<td>Bahia<\/td>\n<td align=\"right\">33%<\/td>\n<\/tr>\n<tr bgcolor=\"#FFFFFF\">\n<td>Cear\u00e1<\/td>\n<td align=\"right\">3%<\/td>\n<\/tr>\n<tr bgcolor=\"#FFFFFF\">\n<td>Esp\u00edrito Santo<\/td>\n<td align=\"right\">100%<\/td>\n<\/tr>\n<tr bgcolor=\"#FFFFFF\">\n<td>Goi\u00e1s<\/td>\n<td align=\"right\">3%<\/td>\n<\/tr>\n<tr bgcolor=\"#FFFFFF\">\n<td>Mato Grosso do Sul<\/td>\n<td align=\"right\">18%<\/td>\n<\/tr>\n<tr bgcolor=\"#FFFFFF\">\n<td>Minas Gerais<\/td>\n<td align=\"right\">46%<\/td>\n<\/tr>\n<tr bgcolor=\"#FFFFFF\">\n<td>Para\u00edba<\/td>\n<td align=\"right\">12%<\/td>\n<\/tr>\n<tr bgcolor=\"#FFFFFF\">\n<td>Paran\u00e1<\/td>\n<td align=\"right\">98%<\/td>\n<\/tr>\n<tr bgcolor=\"#FFFFFF\">\n<td>Pernambuco<\/td>\n<td align=\"right\">18%<\/td>\n<\/tr>\n<tr bgcolor=\"#FFFFFF\">\n<td>Piau\u00ed<\/td>\n<td align=\"right\">9%<\/td>\n<\/tr>\n<tr bgcolor=\"#FFFFFF\">\n<td>Rio de Janeiro<\/td>\n<td align=\"right\">100%<\/td>\n<\/tr>\n<tr bgcolor=\"#FFFFFF\">\n<td>Rio Grande do Norte<\/td>\n<td align=\"right\">6%<\/td>\n<\/tr>\n<tr bgcolor=\"#FFFFFF\">\n<td>Rio Grande do Sul<\/td>\n<td align=\"right\">48%<\/td>\n<\/tr>\n<tr bgcolor=\"#FFFFFF\">\n<td>Santa Catarina<\/td>\n<td align=\"right\">100%<\/td>\n<\/tr>\n<tr bgcolor=\"#FFFFFF\">\n<td>S\u00e3o Paulo<\/td>\n<td align=\"right\">68%<\/td>\n<\/tr>\n<tr bgcolor=\"#FFFFFF\">\n<td>Sergipe<\/td>\n<td align=\"right\">54%<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<h4>Ecossistemas do bioma da Mata Atl\u00e2ntica<\/h4>\n<strong>Definidas pelo CONAMA (Conselho Nacional do Meio Ambiente) em 1992:<\/strong>\n<blockquote>Floresta Ombr\u00f3fila Densa\nFloresta Ombr\u00f3fila Aberta\nFloresta Ombr\u00f3fila Mista\nFloresta Estacional Decidual\nFloresta Estacional Semidecidual\nMangues\nRestingas<\/blockquote>\nA prote\u00e7\u00e3o do CONAMA se estende n\u00e3o s\u00f3 \u00e0 mata prim\u00e1ria, mas tamb\u00e9m aos est\u00e1gios sucessionais em \u00e1reas degradadas que se encontram em recupera\u00e7\u00e3o. A mata secund\u00e1ria \u00e9 protegida em seus est\u00e1gios inicial, m\u00e9dio e avan\u00e7ado de regenera\u00e7\u00e3o.\n<h4>Biodiversidade<\/h4>\nNas regi\u00f5es onde ainda existe, a Mata Atl\u00e2ntica caracteriza-se pela vegeta\u00e7\u00e3o exuberante, com acentuado higrofitismo. Entre as esp\u00e9cies mais comuns encontram-se algumas bri\u00f3fitas, cip\u00f3s, e orqu\u00eddeas.\n\nA fauna end\u00eamica \u00e9 formada principalmente por anf\u00edbios (grande variedade de anuros), mam\u00edferos e aves das mais diversas esp\u00e9cies. \u00c9 uma das \u00e1reas mais sujeitas a precipita\u00e7\u00e3o no Brasil. As chuvas s\u00e3o orogr\u00e1ficas, em fun\u00e7\u00e3o das eleva\u00e7\u00f5es do planalto e das serras.\n\nA biodiversidade da Mata Atl\u00e2ntica \u00e9 semelhante \u00e0 biodiversidade da Amaz\u00f4nia. H\u00e1 subdivis\u00f5es do bioma da Mata Atl\u00e2ntica em diversos ecossistemas devido a varia\u00e7\u00f5es de latitude e altitude. H\u00e1 ainda forma\u00e7\u00f5es pioneiras, seja por condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas, seja por recupera\u00e7\u00e3o, zonas de campos de altitude e enclaves de tens\u00e3o por contato. A interface com estas \u00e1reas cria condi\u00e7\u00f5es particulares de fauna e flora.\n\nA vida \u00e9 mais intensa no estrato alto, nas copas das \u00e1rvores, que se tocam, formando uma camada cont\u00ednua. Algumas podem chegar a 60 m de altura. Esta cobertura forma uma regi\u00e3o de sombra que cria o microclima t\u00edpico da mata, sempre \u00famido e sombreado. Dessa forma, h\u00e1 uma estratifica\u00e7\u00e3o da vegeta\u00e7\u00e3o, criando diferentes habitats nos quais a diversificada fauna vive. Conforme a abordagem, encontram-se de seis a onze estratos na Mata Atl\u00e2ntica, em camadas sobrepostas.\n\nDa flora, 55% das esp\u00e9cies arb\u00f3reas e 40% das n\u00e3o-arb\u00f3reas s\u00e3o end\u00eamicas ou seja s\u00f3 existem na Mata Atl\u00e2ntica. Das brom\u00e9lias, 70% s\u00e3o end\u00eamicas dessa forma\u00e7\u00e3o vegetal, palmeiras, 64%. Estima-se que 8 mil esp\u00e9cies vegetais sejam end\u00eamicas da Mata Atl\u00e2ntica.\n\nObserva-se tamb\u00e9m que 39% dos mam\u00edferos dessa floresta s\u00e3o end\u00eamicos, inclusive mais de 15% dos primatas, como o Mico-le\u00e3o-dourado. Das aves 160 esp\u00e9cies, e dos anf\u00edbios 183, s\u00e3o end\u00eamicas da Mata Atl\u00e2ntica.\n<h4>Flora<\/h4>\nSe voc\u00ea fizer uma viagem do nordeste ao sul do Brasil, pelo litoral e pelos planaltos interioranos, n\u00e3o ir\u00e1 admirar simplesmente a bela paisagem da Mata Atl\u00e2ntica, mas sim uma s\u00e9rie de ecossistemas com caracter\u00edsticas pr\u00f3prias como a Ombr\u00f3fila Densa, Ombr\u00f3fila Mista, Estacional Semidecidual, Estacional Decidual, al\u00e9m de ecossistemas associados como os campos de altitude, brejos interioranos, manguezais, restingas e ilhas oce\u00e2nicas no litoral.\n\nTal variedade se explica pois, em toda sua extens\u00e3o, a Mata Atl\u00e2ntica \u00e9 composta por uma s\u00e9rie de ecossistemas cujos processos ecol\u00f3gicos se interligam, acompanhando as caracter\u00edsticas clim\u00e1ticas das regi\u00f5es onde ocorrem e tendo como elemento comum a exposi\u00e7\u00e3o aos ventos \u00famidos que sopram do oceano. Isso abre caminho para o tr\u00e2nsito de animais, o fluxo g\u00eanico das esp\u00e9cies e as \u00e1reas de tens\u00e3o ecol\u00f3gica, onde os ecossistemas se encontram e se transformam.\n\n\u00c9 f\u00e1cil entender, portanto, porque a Mata Atl\u00e2ntica apresenta estruturas e composi\u00e7\u00f5es flor\u00edsticas t\u00e3o diferenciadas. Uma das florestas mais ricas em biodiversidade no Planeta, a Mata Atl\u00e2ntica det\u00e9m o recorde de plantas lenhosas (angiospermas) por hectare (450 esp\u00e9cies no Sul da Bahia), cerca de 20 mil esp\u00e9cies vegetais, sendo 8 mil delas end\u00eamicas, al\u00e9m de recordes de quantidade de esp\u00e9cies e endemismo em v\u00e1rios outros grupos de plantas.\n\nPara se ter uma ideia do que isso representa, em toda a Am\u00e9rica do Norte s\u00e3o estimadas 17.000 esp\u00e9cies existentes, na Europa cerca de 12.500 e, na \u00c1frica, entre 40.000 e 45.000.\n\nMas a Mata Atl\u00e2ntica encontra-se em um estado de intensa fragmenta\u00e7\u00e3o e destrui\u00e7\u00e3o, iniciada com a explora\u00e7\u00e3o do Pau-Brasil no s\u00e9culo XVI.\n\nAt\u00e9 hoje, ao longo do bioma s\u00e3o exploradas in\u00fameras esp\u00e9cies florestais madeireiras e n\u00e3o madeireiras como o caju, o palmito-ju\u00e7ara, a erva-mate, as plantas medicinais e ornamentais, a pia\u00e7ava, os cip\u00f3s, entre outras. Se por um lado essa atividade gera emprego e divisas para a economia, grande parte da explora\u00e7\u00e3o da flora atl\u00e2ntica acontece de forma predat\u00f3ria e ilegal, estando muitas vezes associada ao tr\u00e1fico internacional de esp\u00e9cies.\n\nContribuem ainda para o alto grau de destrui\u00e7\u00e3o da Mata Atl\u00e2ntica, hoje reduzida a 8% de sua configura\u00e7\u00e3o original, a expans\u00e3o da ind\u00fastria, da agricultura, do turismo e da urbaniza\u00e7\u00e3o de modo n\u00e3o sustent\u00e1vel, causando a supress\u00e3o da biodiversidade em vastas \u00e1reas, com a poss\u00edvel perda de esp\u00e9cies conhecidas e ainda n\u00e3o conhecidas pela ci\u00eancia, influindo na quantidade e qualidade da \u00e1gua de rios e mananciais, diminuindo a fertilidade do solo, bem como afetando caracter\u00edsticas do microclima nesses delicados ecossistemas e contribuindo com o problema do aquecimento global.\n\nOs n\u00fameros impressionantes da destrui\u00e7\u00e3o do bioma demonstram a defici\u00eancia das pol\u00edticas de conserva\u00e7\u00e3o ambiental no pa\u00eds e a precariedade do sistema de fiscaliza\u00e7\u00e3o dos \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos.\n\nA busca de um contexto de desmatamento zero no bioma passa pela ado\u00e7\u00e3o de crit\u00e9rios de sustentabilidade em todas as atividades humanas. Isso significa um esfor\u00e7o coletivo da ind\u00fastria, do com\u00e9rcio, da agricultura e do setor energ\u00e9tico na ado\u00e7\u00e3o de novos modelos de produ\u00e7\u00e3o, menos agressivos ao meio ambiente, bem como do poder p\u00fablico, no sentido de garantir a fiscaliza\u00e7\u00e3o ambiental e a elabora\u00e7\u00e3o e cumprimento das leis, e finalmente a conscientiza\u00e7\u00e3o dos cidad\u00e3os em geral acerca da necessidade de se fazer o reflorestamento utilizando mudas principalmente de esp\u00e9cies end\u00eamicas e nativas que ainda n\u00e3o foram extintas, exigindo padr\u00f5es de sustentabilidade enquanto consumidores, cobrando os governantes e se mobilizando pela manuten\u00e7\u00e3o da floresta de p\u00e9 e pela recupera\u00e7\u00e3o das \u00e1reas degradadas. Al\u00e9m disso, a Mata Atl\u00e2ntica oferece outras possibilidades de atividades econ\u00f4micas, que n\u00e3o implicam na destrui\u00e7\u00e3o do meio ambiente e em alguns casos podem gerar renda para as comunidades locais e tradicionais. Alguns exemplos s\u00e3o o uso de plantas para se produzir rem\u00e9dios, mat\u00e9rias-primas para a produ\u00e7\u00e3o de vestimentas, corantes, ess\u00eancias de perfumes; insumos para a ind\u00fastria aliment\u00edcia ou ainda a explora\u00e7\u00e3o de \u00e1rvores por meio do corte seletivo para a produ\u00e7\u00e3o de m\u00f3veis certificados, o chamado manejo sustent\u00e1vel, o ecoturismo e mais recentemente o mercado de carbono.\n\nMico-le\u00e3o-dourado, on\u00e7a-pintada, bicho-pregui\u00e7a, capivara. Estes s\u00e3o alguns dos mais conhecidos animais que vivem na Mata Atl\u00e2ntica. Mas a fauna do bioma onde est\u00e3o as principais cidades brasileiras \u00e9 bem mais abrangente do que nossa mem\u00f3ria pode conceber. S\u00e3o, por exemplo, 261 esp\u00e9cies conhecidas de mam\u00edferos. Isto significa que, se acrescent\u00e1ssemos \u00e0 nossa lista inicial o tamandu\u00e1-bandeira, o tatu-peludo , a jaguatirica, e o cachorro-do-mato, ainda faltariam 252 mam\u00edferos para completar o total de esp\u00e9cies dessa classe na Mata Atl\u00e2ntica.\n\nO mesmo acontece com os p\u00e1ssaros, r\u00e9pteis, anf\u00edbios e peixes. A gar\u00e7a, o ti\u00ea-sangue, o tucano, as araras, os beija-flores e periquitos. A jararaca, o jacar\u00e9-do-papo-amarelo, a cobra-coral, o sapo-cururu, a perereca-verde e a r\u00e3-de-vidro. Ou peixes conhecidos como o dourado, o pacu e a tra\u00edra.\n\nEsses nomes j\u00e1 s\u00e3o um bom come\u00e7o, mas ainda est\u00e3o longe de representar as 1020 esp\u00e9cies de p\u00e1ssaros, 197 de r\u00e9pteis, 340 de anf\u00edbios e 350 de peixes que s\u00e3o conhecidos at\u00e9 hoje no bioma. Sem falar de insetos e demais invertebrados e das esp\u00e9cies que ainda nem foram descobertas pela ci\u00eancia e que podem estar escondidas bem naquele trecho intacto de floresta que voc\u00ea admira quando vai para o litoral.\n\nOutro n\u00famero impressionante da fauna da Mata Atl\u00e2ntica se refere ao endemismo, ou seja, as esp\u00e9cies que s\u00f3 existem em ambientes espec\u00edficos dentro desse bioma. Das 1711 esp\u00e9cies de vertebrados que vivem ali, 700 s\u00e3o end\u00eamicas, sendo 55 esp\u00e9cies de mam\u00edferos, 188 de aves, 60 de r\u00e9pteis, 90 de anf\u00edbios e 133 de peixes. Os n\u00fameros impressionantes s\u00e3o um dos indicadores desse bioma como o de maior biodiversidade na face da Terra.\n\nA grande riqueza da biodiversidade na Mata Atl\u00e2ntica tamb\u00e9m \u00e9 respons\u00e1vel por surpresas, como as descobertas de novas esp\u00e9cies de animais. Recentemente, foram catalogadas a r\u00e3-de-alcatr\u00e1ses e a r\u00e3-cachoeira, os p\u00e1ssaros tapaculo-ferrerinho e bicudinho-do-brejo, os peixes Listrura boticario e o Moenkhausia bonita, e at\u00e9 um novo primata, o mico-le\u00e3o-de-cara-preta, entre outros habitantes.\n\nNum bioma reduzido a cerca de 8% de sua cobertura original \u00e9 inevit\u00e1vel que a diversidade faun\u00edstica esteja pressionada pelas atividades humanas.\n\nA Mata Atl\u00e2ntica abriga hoje 383 dos 633 animais amea\u00e7ados de extin\u00e7\u00e3o no Brasil, de acordo com o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renov\u00e1veis (Ibama).\n\nCausas para o desaparecimento de esp\u00e9cies e indiv\u00edduos s\u00e3o a ca\u00e7a e a pesca predat\u00f3rias, a introdu\u00e7\u00e3o de seres ex\u00f3ticos aos ecossistemas da Mata Atl\u00e2ntica, mas principalmente a deteriora\u00e7\u00e3o ou supress\u00e3o dos habitats dos animais, causados pela expans\u00e3o da agricultura e pecu\u00e1ria, bem como pela urbaniza\u00e7\u00e3o e implementa\u00e7\u00e3o mal planejada de obras de infra-estrutura.\n\nNo caso dos anf\u00edbios, por exemplo, seus locais de procria\u00e7\u00e3o, como brejos e \u00e1reas alagadas, s\u00e3o muitas vezes considerados um empecilho e s\u00e3o eliminadas do meio ambiente atrav\u00e9s de pr\u00e1ticas de drenagem ou ent\u00e3o esses locais s\u00e3o at\u00e9 utilizadas para despejo de esgoto. Os anf\u00edbios s\u00e3o animais de extrema import\u00e2ncia para o equil\u00edbrio das popula\u00e7\u00f5es das esp\u00e9cies que se relacionam nas teias alimentares, pois controlam a popula\u00e7\u00e3o de insetos e outros invertebrados e servem de comida para r\u00e9pteis, aves e mam\u00edferos.\n\nA prote\u00e7\u00e3o da fauna e da flora est\u00e1 diretamente relacionada \u00e0 prote\u00e7\u00e3o do meio ambiente onde essas esp\u00e9cies convivem, se relacionam e sobrevivem. Em paralelo, outras medidas importantes s\u00e3o a fiscaliza\u00e7\u00e3o da ca\u00e7a, da posse de animais em cativeiro, do com\u00e9rcio ilegal de esp\u00e9cies silvestres; fiscaliza\u00e7\u00e3o efetiva da atividade pesqueira; e realiza\u00e7\u00e3o de programas de educa\u00e7\u00e3o ambiental junto \u00e0 popula\u00e7\u00e3o visando a conscientiza\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o humana, acerca da necessidade de preservar o meio ambiente estabelecendo limites para a ocupa\u00e7\u00e3o do solo e incrementando a forma\u00e7\u00e3o de novas \u00e1reas de preserva\u00e7\u00e3o ambiental em todos os munic\u00edpios situados dentro desse delicado bioma da Mata Atl\u00e2ntica.\n\nNo que se refere \u00e0 legisla\u00e7\u00e3o, a prote\u00e7\u00e3o da fauna est\u00e1 prevista em n\u00edvel federal na Constitui\u00e7\u00e3o pela Lei 5.197\/67 e tamb\u00e9m pela Lei de Crimes Ambientais (9.605\/98). Iniciativas de car\u00e1ter global com desdobramentos de a\u00e7\u00e3o regional e local, como a Agenda 21, tamb\u00e9m s\u00e3o um instrumento de apoio para a prote\u00e7\u00e3o da fauna. Mas todos esses elementos dependem da vontade pol\u00edtica dos governantes, da conscientiza\u00e7\u00e3o, mobiliza\u00e7\u00e3o e participa\u00e7\u00e3o dos cidad\u00e3os e divulga\u00e7\u00e3o do conceito de sustentabilidade nas atividades econ\u00f4micas.\n\n<strong>Principais exemplos de fauna:<\/strong> macacos, pregui\u00e7as, on\u00e7as, jaguatiricas, papagaios, araras, tucanos, cobras, cachorros-do-mato, porcos-do-mato, lagartos, grande diversidade de p\u00e1ssaros e insetos etc.\n<h4>Esp\u00e9cies end\u00eamicas amea\u00e7adas de extin\u00e7\u00e3o<\/h4>\n\u00c9 poss\u00edvel que muitas esp\u00e9cies tenham sido extintas sem mesmo terem sido catalogadas. Estima-se que 269 esp\u00e9cies de animais, sendo 88 de aves end\u00eamicas da Mata Atl\u00e2ntica, est\u00e3o amea\u00e7adas de extin\u00e7\u00e3o. Segundo o relat\u00f3rio mais recente do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renov\u00e1veis &#8211; Ibama, entre essas esp\u00e9cies est\u00e3o o muriqui, mico-le\u00e3o-dourado, bugio,entre outros.\n<h4>\u00c1gua<\/h4>\nAs regi\u00f5es da Mata Atl\u00e2ntica t\u00eam alto \u00edndice pluviom\u00e9trico devido \u00e0s chuvas de encosta causadas pelas montanhas que barram a passagem das nuvens.\n\n\u00c9 comum pensarmos na complexidade de um bioma por aspectos de sua fauna e flora, mas um elemento fundamental para a exist\u00eancia da biodiversidade \u00e9 a \u00e1gua. E se a \u00e1gua \u00e9 essencial para dar vida a um bioma como a Mata Atl\u00e2ntica, suas florestas t\u00eam um papel vital para a manuten\u00e7\u00e3o dos processos hidrol\u00f3gicos que garantem a qualidade e volume dos cursos d&#8217;\u00e1gua. Al\u00e9m disso, as atividades humanas desenvolvidas dentro do bioma tamb\u00e9m dependem da \u00e1gua para a manuten\u00e7\u00e3o da agricultura, da pesca, da ind\u00fastria, do com\u00e9rcio, do turismo, da gera\u00e7\u00e3o de energia, das atividades recreativas e de saneamento.\n\nAtualmente, um conceito-chave para se estudar a rela\u00e7\u00e3o entre a \u00e1gua, a biodiversidade e as atividades humanas \u00e9 o da bacia hidrogr\u00e1fica, ou seja, o conjunto de terras drenadas por um rio principal, seus afluentes e subafluentes. Na Mata Atl\u00e2ntica est\u00e3o localizadas sete das nove grandes bacias hidrogr\u00e1ficas do Brasil, alimentadas pelos rios S\u00e3o Francisco, Para\u00edba do Sul, Doce, Ribeira de Iguape e Paran\u00e1. As florestas asseguram a quantidade e qualidade da \u00e1gua pot\u00e1vel que abastece mais de 110 milh\u00f5es de brasileiros em aproximadamente 3,4 mil munic\u00edpios inseridos no bioma.\n\nMas o fato de 61% da popula\u00e7\u00e3o brasileira estar concentrada em regi\u00f5es de dom\u00ednio da Mata Atl\u00e2ntica resulta em grande press\u00e3o sobre a biodiversidade e os recursos h\u00eddricos do bioma, que j\u00e1 enfrenta em diversas regi\u00f5es problemas de crise h\u00eddrica, associados \u00e0 escassez, ao desperd\u00edcio, \u00e0 m\u00e1 utiliza\u00e7\u00e3o da \u00e1gua, ao desmatamento e \u00e0 polui\u00e7\u00e3o.\n\nEm rela\u00e7\u00e3o \u00e0 escassez, as causas envolvem o aumento do consumo que acompanha o crescimento populacional, o desmatamento e a polui\u00e7\u00e3o, associados ao desenvolvimento desordenado das cidades e a impactos das atividades econ\u00f4micas, al\u00e9m do desperd\u00edcio e da falta de pol\u00edticas p\u00fablicas que estimulem o uso sustent\u00e1vel, a participa\u00e7\u00e3o da sociedade na gest\u00e3o dos recursos h\u00eddricos e a educa\u00e7\u00e3o ambiental.\n\nQuanto ao desperd\u00edcio, estima-se que no Brasil o \u00edndice de perda chegue a 70%, sendo que 78% de toda a \u00e1gua consumida \u00e9 utilizada no ambiente dom\u00e9stico.\n\nAssociado ao desperd\u00edcio tamb\u00e9m est\u00e1 o mau uso dos recursos h\u00eddricos, como no caso de t\u00e9cnicas ultrapassadas para irriga\u00e7\u00e3o na agricultura e para o uso na ind\u00fastria e a op\u00e7\u00e3o ainda t\u00edmida pelo reuso da \u00e1gua.\n\nFinalmente, destaca-se o desmatamento como fator agravante da crise h\u00eddrica, j\u00e1 que a supress\u00e3o da vegeta\u00e7\u00e3o, principalmente em \u00e1reas de mata ciliar, acarreta no assoreamento dos cursos d&#8217;\u00e1gua e at\u00e9 desaparecimento de mananciais. Como se n\u00e3o bastasse, a polui\u00e7\u00e3o por esgoto, lixo e agrot\u00f3xicos afeta a vida dos rios, podendo lev\u00e1-los \u00e0 morte e tornando a \u00e1gua impr\u00f3pria para uso.\n\nEm busca de maneiras de se gerir mais eficientemente a \u00e1gua e promover a preserva\u00e7\u00e3o ambiental, o conceito das bacias hidrogr\u00e1ficas vem sendo trazido, desde a d\u00e9cada de 1970, para a esfera governamental e tamb\u00e9m para estrat\u00e9gias de conscientiza\u00e7\u00e3o, mobiliza\u00e7\u00e3o e participa\u00e7\u00e3o p\u00fablica.\n\nA ideia central dessa abordagem \u00e9 que todo desenvolvimento de regi\u00f5es urbanizadas e rurais \u00e9 definido de acordo com a disponibilidade de \u00e1gua doce, em termos de quantidade e qualidade. Tamb\u00e9m faz parte desse pensamento o entendimento dos recursos h\u00eddricos de modo interligado e interdependente, ou seja, uma a\u00e7\u00e3o realizada em determinada regi\u00e3o de uma bacia pode afetar outra regi\u00e3o, como \u00e9 o caso de lan\u00e7amento de esgoto em rios, a contamina\u00e7\u00e3o por agrot\u00f3xicos, obras de infra-estrutura etc.\n\nO processo pol\u00edtico decorrente dessa vis\u00e3o sobre a \u00e1gua resultou entre outros desdobramentos na cria\u00e7\u00e3o da Lei 9.433\/97, que estabelece a bacia hidrogr\u00e1fica como unidade territorial para implementa\u00e7\u00e3o da Pol\u00edtica Nacional de Recursos H\u00eddricos e atua\u00e7\u00e3o do Sistema de Gerenciamento de Recursos H\u00eddricos. Faz parte do sistema, uma rede de colegiados deliberativos em n\u00edvel federal e estadual, que s\u00e3o os chamados Comit\u00eas de Bacias Hidrogr\u00e1ficas.\n\nOs comit\u00eas representam a base da gest\u00e3o participativa e integrada dos recursos h\u00eddricos e s\u00e3o compostos por integrantes do Poder P\u00fablico, da sociedade civil e de usu\u00e1rios de \u00e1gua. Al\u00e9m disso, os comit\u00eas permitem o levantamento mais preciso e a compila\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es sobre cada bacia, facilitando o planejamento sobre capta\u00e7\u00e3o, abastecimento, distribui\u00e7\u00e3o, despejo e tratamento da \u00e1gua, otimizando obras de infra-estrutura e o uso do dinheiro p\u00fablico. Desse modo, tornam-se um instrumento para a elabora\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas integradas para gest\u00e3o dos recursos h\u00eddricos.\n<h4>Recordes mundiais da Mata Atl\u00e2ntica<\/h4>\n<blockquote>454 esp\u00e9cies de \u00e1rvores por hectare \u0097 no Sul da Bahia.\n<strong>Animais:<\/strong> aproximadamente 1.600.000 esp\u00e9cies, incluindo insetos\n<strong>Mam\u00edferos, aves, r\u00e9pteis e anf\u00edbios:<\/strong> 1361 esp\u00e9cies, 567 end\u00eamicas\n2\u00a0% de todas as esp\u00e9cies do planeta somente para estes grupos de vertebrados\n3% felinos<\/blockquote>\n<h4>Preserva\u00e7\u00e3o<\/h4>\nAtualmente existem menos de 10% da mata nativa. Dos 232.939 fragmentos florestais acima de 3 hectares existentes na Mata Atl\u00e2ntica, apenas 18.397 s\u00e3o maiores que cem hectares ou 1\u00a0km\u00b2.\n\nExistem diversos projetos de recupera\u00e7\u00e3o da Mata Atl\u00e2ntica, que esbarram sempre na urbaniza\u00e7\u00e3o e o n\u00e3o planejamento do espa\u00e7o, principalmente na regi\u00e3o Sudeste. Existem algumas \u00e1reas de preserva\u00e7\u00e3o em alguns trechos em cidades como S\u00e3o Sebasti\u00e3o (litoral norte de S\u00e3o Paulo). A n\u00edvel nacional, gra\u00e7as aos in\u00fameros parques e bosques dentro de seu per\u00edmetro urbano, Curitiba \u00e9 a cidade brasileira onde a mata atl\u00e2ntica est\u00e1 melhor preservada.\n\nNo Paran\u00e1, gra\u00e7as \u00e0 rea\u00e7\u00e3o cultural da popula\u00e7\u00e3o, \u00e0 cria\u00e7\u00e3o de APA&#8217;s (\u00c1reas de Preserva\u00e7\u00e3o Ambiental), apoiadas por uma legisla\u00e7\u00e3o r\u00edgida e fiscaliza\u00e7\u00e3o intensiva dos cidad\u00e3os, aparentemente a derrubada da floresta foi freada e o pequeno remanescente dessa vegeta\u00e7\u00e3o preserva um alto n\u00edvel de biodiversidade, das quais est\u00e3o o mico-le\u00e3o-dourado, as orqu\u00eddeas e as brom\u00e9lias.\n\nUm trabalho coordenado por pesquisadores do Instituto Florestal de S\u00e3o Paulo mostrou que, neste in\u00edcio de s\u00e9culo, a \u00e1rea com vegeta\u00e7\u00e3o natural em S\u00e3o Paulo aumentou 3,8% (1,2 quil\u00f4metro quadrado) em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 existente h\u00e1 dez anos. O crescimento, ainda t\u00edmido, concentrou-se na faixa de Mata Atl\u00e2ntica, o ecossistema mais extenso do estado.\n\nA Constitui\u00e7\u00e3o Federal de 1988 coloca a Mata Atl\u00e2ntica como patrim\u00f4nio nacional, junto com a Floresta Amaz\u00f4nica brasileira, a Serra do Mar, o Pantanal Mato-Grossense e a Zona Costeira. A derrubada da mata secund\u00e1ria \u00e9 regulamentada por leis posteriores, j\u00e1 a derrubada da mata prim\u00e1ria \u00e9 proibida.\n\nA Pol\u00edtica da Mata Atl\u00e2ntica (Diretrizes para a pol\u00edtica de conserva\u00e7\u00e3o e desenvolvimento sustent\u00e1vel da Mata Atl\u00e2ntica), de 1998, contempla a preserva\u00e7\u00e3o da biodiversidade, o desenvolvimento sustent\u00e1vel dos recursos naturais e a recupera\u00e7\u00e3o das \u00e1reas degradadas.\n\nH\u00e1 milhares de ONGs, \u00f3rg\u00e3os governamentais e grupos de cidad\u00e3os espalhados pelo pa\u00eds que se empenham na preserva\u00e7\u00e3o e revegeta\u00e7\u00e3o da Mata Atl\u00e2ntica. A Rede de ONGs Mata Atl\u00e2ntica tem um projeto de monitoramento participativo, e desenvolveu com o Instituto Socio-Ambiental um dossi\u00ea da Mata, por munic\u00edpios do dom\u00ednio original.\n\nFonte: www.ibflorestas.org.br\n<h6>Mata Atl\u00e2ntica<\/h6>\n<h4>LOCALIZA\u00c7\u00c3O GEOGR\u00c1FICA DA REGI\u00c3O<\/h4>\nA<strong> mata atl\u00e2ntica <\/strong>originalmente percorria o litoral brasileiro de ponta a ponta. Estendia-se do Rio Grande do Norte ao Rio Grande do Sul, e ocupava uma \u00e1rea de 1,3 milh\u00e3o de quil\u00f4metros quadrados. Tratava-se da segunda maior floresta tropical \u00famida do Brasil, s\u00f3 compar\u00e1vel \u00e0 Floresta Amaz\u00f4nica.\n\nO grande destaque da mata original era o pau-brasil, que deu origem ao nome do nosso pa\u00eds. Alguns exemplares eram t\u00e3o grossos que tr\u00eas homens n\u00e3o conseguiam abra\u00e7ar seus troncos. O pau-brasil hoje \u00e9 quase uma rel\u00edquia, existindo apenas alguns exemplares no Sul da Bahia.\n\nAtualmente da segunda maior floresta brasileira restam apenas cerca de 5 % de sua extens\u00e3o original. Em alguns lugares como no Rio Grande do Norte, nem vest\u00edgios. Hoje a maioria da \u00e1rea litor\u00e2nea que era coberta pela Mata Atl\u00e2ntica \u00e9 ocupada por grandes cidades, pastos e agricultura. Por\u00e9m, ainda restam manchas da floresta na Serra do Mar e na Serra da Mantiqueira, no sudeste do Brasil.\n\nO aparecimento da Serra-do-Mar e da Mantiquiera datam da separa\u00e7\u00e3o entre o continente Americano e Africano. No pric\u00edpio eram altas montanhas e s\u00f3 com os milh\u00f5es de anos de eros\u00e3o conseguiram suavisar essas rochas de forma\u00e7\u00e3o antiga que sustentam o continente sulamericano. Concomitantemente evolu\u00edram as linhagens de plantas que originaram a Mata Atl\u00e2ntica. Nesta \u00e9poca tamb\u00e9m desenvolveram-se insetos, aves e mam\u00edferos fazendo com que hoje fauna e flora se combinem rica e complexamente.\n\n<strong>\u00c1rea total original: <\/strong>aproximadamente 1,3 milh\u00e3o de km2.\n\n<strong>\u00c1rea total atual:<\/strong> aproximadamente 52.000 Km2.\n<h4>CARACTERIZA\u00c7\u00c3O DO AMBIENTE EM QUE SE DESENVOLVE A VEGETA\u00c7\u00c3O<\/h4>\nA <strong>Mata Atl\u00e2ntica <\/strong>compreende a regi\u00e3o costeira do Brasil. Seu clima \u00e9 equatorial ao norte e quente temperado sempre \u00famida ao sul, tem temperaturas m\u00e9dias elevadas durante o ano todo e n\u00e3o apenas no ver\u00e3o. A alta pluviosidade nessa regi\u00e3o deve-se \u00e0 barreira que a serra constitui para os ventos que sopram do mar.\n\nSeu solo \u00e9 pobre e a topografia \u00e9 bastante acidentada. No inteiror da mata, devido a densidade da vegeta\u00e7\u00e3o, a luz \u00e9 reduzida.\n\nH\u00e1 uma importante cadeia de montanhas que acompanham a costa oriental brasileira, desde o nordeste do Rio Grande do Sul at\u00e9 o sul do estado da Bahia. Ao norte as maiores altitudes se encontram mais para o interior do pa\u00eds, mas, nas regi\u00f5es do norte do estado de Alagoas, todo estado de Pernambuco e da Para\u00edba, e em pequena parte do Rio Grande do Norte temos altitudes de 500 a 800 metros que est\u00e3o pr\u00f3ximas ao mar. Em S\u00e3o Paulo \u00e9 conhecida como Serra do Mar e em outros estados tem outros nomes. Sua altitude m\u00e9dia fica ao redor dos 900 metros. Em certos trechos \u00e9 bastante larga, mas em outros \u00e9 muito estreita.\n\nAfasta-se do mar em alguns pontos, se aproximando dele em outros.\n\nOs ventos \u00famidos que sopram do mar em dire\u00e7\u00e3o ao interior do continente ao subirem resfriam-se e perdem a umidade que possuem; o excesso condensa-se e se precipita, principalmente nas partes mais altas da serra, em forma de nevoeiro ou chuvas. Assim esses ambientes cont\u00e9m bastante umidade para sustentar as florestas consteiras, densas, com \u00e1rvores de 20 a 30 metros de altura.Devido a densidade da vegeta\u00e7\u00e3o arb\u00f3rea, o sub-bosque \u00e9 escuro, mal ventilado e \u00famido.\n\nPr\u00f3ximo ao solo existe pouca vegeta\u00e7\u00e3o, devido \u00e0 escassa quantidade de luz que consegue chegar a\u00ed.\n\nAs condi\u00e7\u00f5es f\u00edsicas na floresta atl\u00e2ntica variam muito, dependendo do local estudado, assim, apesar de a regi\u00e3o estar submetida a um clima geral, h\u00e1 microclimas muitos diversos e que variam de cima para baixo nos diversos estratos. Os teores de oxig\u00eanio, luz, umidade e temperatura s\u00e3o bem diferentes dependendo da camada considerada.\n\nEm certos pontos da floresta chega ao solo 500 vezes menos luz do que nas copas das \u00e1rvores altas. A temperatura tamb\u00e9m varia bastante, as copas das camadas superiores se aquecem durante o dia, por\u00e9m perdem calor rapidamente a noite. Ao contr\u00e1rio nas camadas inferiores, a tempratura varia muito pouco, j\u00e1 que as folhas funcionam como isolante t\u00e9rmico. Nas camadas mais altas, mais expostas, a ventila\u00e7\u00e3o tem valores consideravelmente maiores que nos andares inferiores da mata. Em resumo, os microclimas nos diversos andares de uma floresta pluvial podem ser muito diferentes, embora o clima geral (macroclimas) seja um s\u00f3. O que interessa, naturalmente, a cada esp\u00e9cie e a cada indiv\u00edduo, n\u00e3o \u00e9 o clima geral da regi\u00e3o em que se encontra a floresta, e sim o clima ao qual ele faz parte; o importante \u00e9 o clima a que ele (indiv\u00edduo) ou ela (esp\u00e9cie) estejam sujeitos (microclima).\n\nOs solos da floresta s\u00e3o, via de regra, pobres em minerais e sua natureza \u00e9 gran\u00edtica ou gn\u00e1issica. A maior parte dos minerais est\u00e1 contida nas plantas em vez de estar no solo. Como h\u00e1 no solo muita serrapilheira que origina abundante h\u00famus, existem microorganimos de v\u00e1rios grupos os quais decomp\u00f5em a mat\u00e9ria org\u00e2nica que se incorpora ao solo. Esses minerais uma vez liberados pela decomposi\u00e7\u00e3o de folhas e outros detritos, s\u00e3o prontamente reabsorvidos pelo grande n\u00famero de ra\u00edzes existentes, retornando ao solo quando as plantas ou suas partes (ramos, folhas, flores, frutos e sementes) caem. Fecha-se, assim, o ciclo planta-solo, que explica a manuten\u00e7\u00e3o de florestas exuberantes, em solos nem sempre f\u00e9rteis, \u00e0s vezes paup\u00e9rrimos (como \u00e9, muitas vezes, o caso de florestas da Amaz\u00f4nia).\n\nNo entanto, o desmatamento leva a um r\u00e1pido empobrecimento dos solos, j\u00e1 que as \u00e1guas da chuva levam os minerais e os carregam para o len\u00e7ol subterr\u00e2neo (lixivia\u00e7\u00e3o). Esses solos por esse motivo normalmente n\u00e3o se prestam \u00e0 agricultura, a menos que sejam enriquecidos anteriormente. Muito frequentemente s\u00e3o de composi\u00e7\u00e3o argilosa e ap\u00f3s desmatamentos sofrem eros\u00e3o r\u00e1pida ou ent\u00e3o endurecem, formando crostas espessas de dif\u00edcil cultivo. \u00c9 porisso que a queimada de uma floresta tropical empobresse rapidamente o solo j\u00e1 que as \u00e1guas da chuva carregam os sais minerais ao len\u00e7ol subterr\u00e2neo.\n<h4>DESCRI\u00c7\u00c3O DOS ASPECTOS FISION\u00d4MICOS, ESTRUTURAIS E FLOR\u00cdSTICOS DA FLORESTA ATL\u00c2NTICA<\/h4>\n<strong>Esse tipo de forma\u00e7\u00e3o florestal recebe v\u00e1rias denomina\u00e7\u00f5es:<\/strong> floresta latifoliada tropical \u00famida de encosta (segundo a classifica\u00e7\u00e3o de Andrade-Lima), mata pluvial tropical (segundo Romariz) e mata atl\u00e2ntica (denomina\u00e7\u00e3o mais geral). \u00c9 claro que todas estas denomina\u00e7\u00f5es s\u00e3o corretas. O que interessa \u00e9 saber interpret\u00e1-las.\n\nA express\u00e3o de Andrade-Lima \u00e9 a mais complexa. Est\u00e1 indicando que se trata de floresta sempre verde, cujos componentes em geral possuem folhas largas, que \u00e9 vegeta\u00e7\u00e3o de lugares onde h\u00e1 bastante umidade o ano todo, e, finalmente, que \u00e9 vizinha da costa ou acompanha a costa. Na express\u00e3o de Romariz, sabe-se que se trata de floresta cujos os componentes tem folhas largas, \u00e9 mata dos tr\u00f3picos \u00famidos e vive em encostas. Os autores que usam a express\u00e3o mata atl\u00e2ntica est\u00e3o indicando sua vizinhan\u00e7a com o Oceano Atl\u00e2ntico. E desta vizinhan\u00e7a decorre a umidade transportada pelos ventos que sopram do mar. Como consequ\u00eancia dessa umidade surge a possibilidade de terem seus componentes, na maioria, folhas largas.\n\nE, ainda, esta umidade constante, aliadas \u00e0s altas temperaturas \u00e9 que garante o car\u00e1ter de vegeta\u00e7\u00e3o perenif\u00f3lia (cujas folhas n\u00e3o caem antes de as novas estarem j\u00e1 desenvolvidas), pois a queda peri\u00f3dica das folhas de certa vegeta\u00e7\u00e3o \u00e9 determinada ou pela falta de \u00e1gua (seca f\u00edsica &#8211; queda de folha na caatinga) ou pelas temperaturas muito baixas que impedem a absor\u00e7\u00e3o da \u00e1gua embora ela esteja presente (.seca fisiol\u00f3gica &#8211; queda das folhas nas matas de climas temperados).\n\nPortanto por receber muita energia radiante e pelo alto \u00edndice de pluviosidade, trata-se de uma floresta exuberante, de crescimento r\u00e1pido, e sempre verde, ou seja, as folhas n\u00e3o caem.\n\nCalcula-se que na Mata Atl\u00e2ntica existam 10 mil esp\u00e9cies de plantas que cont\u00e9m uma infinidade de esp\u00e9cies de cores, formas e odores diferentes. Nela se encontra jabuticabas, cambu\u00e1s, ing\u00e1s, guabirobas e bacuparis. Plantas como orqu\u00eddeas, brom\u00e9lias, samambaias, palmeiras, pau-brasil, jacarand\u00e1-da-bahia, cabre\u00fava, ip\u00eas, palmito.\n\nNa Mata Atl\u00e2ntica convivem lado a lado desde \u00e1rvores grandiosas como o jequetib\u00e1, figueiras e guapuruvas e at\u00e9 l\u00edquens, musgos e min\u00fasculas hep\u00e1ticas. Existem muitas esp\u00e9cies de \u00e1rvores com troncos duros e pesados, uma grande quantidade de cip\u00f3s se ap\u00f3iam nas \u00e1rvores. Encontram-se no ch\u00e3o da mata uma grande quantidade de fungos, plantas sapr\u00f3fitas, sementes e pl\u00e2ntulas.\n\nA Floresta Atl\u00e2ntica \u00e9 semelhante fisionomicamente e em composi\u00e7\u00e3o flor\u00edstica \u00e0 Floresta Amaz\u00f4nica. S\u00e3o igualmente densas, com \u00e1rvores altas em setores mais baixos do relevo, apesar de as \u00e1rvores amaz\u00f4nicas apresentarem em m\u00e9dia um maior desenvolvimento. Os troncos s\u00e3o recobertos por uma grande diversidade de ep\u00edfitas que \u00e9 um aspecto t\u00edpico dessas florestas. A exist\u00eancia de grupos semelhantes de esp\u00e9cies entre a Amaz\u00f4nia e a Mata Atl\u00e2ntica sugere que essas florestas se comunicaram em alguma fase de sua hist\u00f3ria. Certos contrastes diferenciam a Floresta Amaz\u00f4nica da Mata Atl\u00e2ntica; a primeira \u00e9 em geral de plan\u00edcie e a segunda, de altitude.\n\nSuas temperaturas m\u00e9dias discrepam, do ponto de vista vegetacional.Quanto mais distante a Mata Atl\u00e2ntica estiver do equador, mais ela se difere da vegeta\u00e7\u00e3o amaz\u00f4nica devido ao abaixamento da temperatura. Na Floresta Amaz\u00f4nica, as temperaturas m\u00e9dias s\u00e3o elevadas todo ano, em torno de 26-27\u00b0 C, indo a m\u00e1xima absoluta a 38,8\u00b0 C e a m\u00ednima absoluta a 22\u00b0 C, o que faz do seu clima uma constante quente durante todo ano. J\u00e1 na Mata Atl\u00e2ntica, as temperaturas m\u00e9dias variam 14-21\u00b0 C, chegando a m\u00e1xima absoluta 35\u00b0 C para menos, n\u00e3o passando a m\u00ednima absoluta de 1\u00b0 C (embora, no Sul, possa cair at\u00e9 -6\u00b0 C).\n\nA Floresta Atl\u00e2ntica guarda, apesar de s\u00e9culos de destrui\u00e7\u00e3o, a maior biodiversidade por hectare entre as florestas tropicais. Isso \u00e9 devido a sua distribui\u00e7\u00e3o em condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas e em altitudes vari\u00e1veis, favorecendo a diversifica\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies que est\u00e3o adaptadas \u00e0s diferentes condi\u00e7\u00f5es topogr\u00e1ficas de solo e umidade. Al\u00e9m disso, durante as glacia\u00e7\u00f5es essas florestas mudaram de \u00e1rea nos ciclos clim\u00e1ticos secos e \u00famidos.\n\nO estudo dos gr\u00e3os de p\u00f3len depositados nos sedimentos atestam que a Am\u00e9rica do Sul passou por mudan\u00e7as clim\u00e1ticas que provocaram retra\u00e7\u00e3o e expans\u00e3o das forma\u00e7\u00f5es vegetais h\u00e1 milh\u00f5es de anos. As flutua\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas produziram per\u00edodos mais secos, com n\u00edvel do mar abaixo do atual e retra\u00e7\u00e3o das florestas e expans\u00e3o dos cerrados. Portanto nos \u00faltimos milhares de anos a geologia n\u00e3o mudou, mas o clima variou entre as glacia\u00e7\u00f5es, ou seja, as \u00e1guas quando congelavam nos polos abaixavam os n\u00edveis dos oceanos e chovia pouco. Nas interglacia\u00e7\u00f5es o tempo esquentava, o mar aumentava de volume e chovia abundantemente. Isso fez com que as florestas tropicais que vivem de umidade e calor passassem por momentos de incuba\u00e7\u00e3o e outros de exuberante beleza. Nessa \u00e9poca a Serra-do-Mar tinha papel importante na sobreviv\u00eancia da Mata Atl\u00e2ntica j\u00e1 que barrava a umidade vinda do oceano salvando milhares de esp\u00e9cies dependente dessa umidade. Essas mudan\u00e7as influenciaram na forma\u00e7\u00e3o dos padr\u00f5es atuais.\n\nAgrande quantidade de mat\u00e9ria org\u00e2nica em decomposi\u00e7\u00e3o sobre o solo d\u00e1 \u00e0 mata fertilidade suficiente para suprir toda a rica vegeta\u00e7\u00e3o. Um solo pobre mant\u00e9m uma floresta riqu\u00edssima em esp\u00e9cies, gra\u00e7as \u00e0 r\u00e1pida reciclagem da enorme quantidade de mat\u00e9ria org\u00e2nica que se acumula ao h\u00famus. A reciclagem dos nutrientes \u00e9 um dos aspectos mais importantes para a reviv\u00eancia da floresta.\n<h4>ADAPTA\u00c7\u00d5ES VEGETATIVAS E REPRODUTIVAS DAS PLANTAS DIANTE DA DIVERSIDADE DO AMBIENTE EM QUE SE DESENVOLVEM<\/h4>\nAs \u00e1rvores do interior da mata s\u00e3o adaptadas \u00e0 sombra, desenvolveram grande \u00e1rea foliar a fim de captar o m\u00e1ximo de luminosidade poss\u00edvel nessas condi\u00e7\u00f5es.\n\nTem esp\u00e9cies que passam toda a vida sombreadas e mesmo assim, s\u00e3o capaxes de produzir flores, frutos e sementes. Muitas \u00e1rvores s\u00e3o esguias, sem ramos, a n\u00e3o ser na parte superior. \u00c9 que devido ao sombreamento, os ramos inferiores foram eliminados.\n\nSobre os troncos das \u00e1rvores encontram-se dezenas de orqu\u00eddeas, brom\u00e9lias, cact\u00e1ceas, ou seja, ep\u00edfitas perfeitamente adaptadas a vida longe do solo.Como as ep\u00edfitas n\u00e3o mant\u00e9m contato com o solo muitas vezes possuem problemas de nutri\u00e7\u00e3o. Nada retiram das \u00e1rvores apenas buscam uma maior luminosidade e ainda retribuem o abrigo atraindo animais polinizadores, como o beija-flor. Nos troncos onde as \u00e1guas das chuvas escoam rapidamente, as ep\u00edfitas tiveram que se adaptar a secas peri\u00f3dicas, mesmo vivendo num ambiente \u00famido. Brom\u00e9lias possuem folhas que formam um reservat\u00f3rio de \u00e1gua, na forma de um copo. Nesses reservat\u00f3rios aqu\u00e1ticos podem viver algas, protozo\u00e1rios, vermes, lesmas e at\u00e9 pererecas constituindo uma pequena comunidade. As orqu\u00eddeas, cact\u00e1ceas guardam em suas suculentas flolhas a \u00e1gua que necessitam para a sobreviv\u00eancia.\n\nH\u00e1 plantas que come\u00e7am como ep\u00edfitas e terminam como plantas terrestres. Suas sementes germinam sobre forquilhas de ramos ou axilas de folhas, onde foram depositadas por p\u00e1ssaros em suas fezes; suas ra\u00edzes crescem em torno do caule da hospedeira, em dire\u00e7\u00e3o ao solo, onde penetram e se ramificam; com seu crescimento em espessura acabam concrescendo umas com as outras formando uma coluna vigorosa, capaz de suportar sua copa, quando a hospedeira, com seu caule asfixiado no interior, morre e se desfaz. O exemplo t\u00edpico \u00e9 o Ficus, conhecido como mata-pau. Certas esp\u00e9cies nascem no solo, atingem com seu eixo principal ou com alguns ramos um suporte e nele se fixa; se porventura se desfizer a liga\u00e7\u00e3o, por qualquer motivo, com o solo, por exemplo por morte de parte do eixo em contato com ele, essas plantas passam a viver epifiticamente.\n\nNa mata existe uma planta que abriga formigas, a emba\u00faba, a \u00fanica planta que fora da regi\u00e3o amaz\u00f4nica se associa com formigas, enquanto l\u00e1 os exemplos desta associa\u00e7\u00e3o s\u00e3o numerosos. A formiga protege a planta contra a a\u00e7\u00e3o de predadores e essa \u00e1rvore serve de abrigo \u00e0s formigas.\n\nNo ch\u00e3o da floresta alguns fungos, as micorrizas, formam-se junto \u00e0s ra\u00edzes das \u00e1rvores onde auxiliam na absor\u00e7\u00e3o de nutrientes.\n\nPlantas sapr\u00f3fitas evolu\u00eddas a ponto de dispensar a clorofila, deixando de fazer a fotoss\u00edtese, vivem a custa de mat\u00e9ria org\u00e2nica em decomposi\u00e7\u00e3o. S\u00e3o plantas esbranqui\u00e7adas que crescem em meio as folhas no ch\u00e3o da floresta.\n\nNesses matas s\u00e3o comuns as ra\u00edzes tabulares e as ra\u00edzes de escoras, que s\u00e3o dispositivos para se coletar oxig\u00eanio do ar, uma vez que a taxa de oxig\u00eanio do solo \u00e9 pequena. Al\u00e9m disso solos muito \u00famidos n\u00e3o proporcionam boa fixa\u00e7\u00e3o, assim as ra\u00edzes tabulares aumentam a base de sustenta\u00e7\u00e3o da planta. Devido a densidade da vegeta\u00e7\u00e3o ser muito grande, os ramos nas copas das \u00e1rvores se entrela\u00e7am e as plantas assim se suportam reciprocamente e mesmo que os troncos sejam cortados, a \u00e1rvore n\u00e3o cai por estar presa \u00e0 copa.\n\nO ch\u00e3o da floresta \u00e9 um verdadeiro ber\u00e7\u00e1rio de plantas rec\u00e9m germinadas ou em vida latente dentro das sementes. Muitas dessas plantas podem passar anos aguardando que uma \u00e1rvore caia, abrindo uma clareira para que tenham luz suficiente para crescer. Outras suportam at\u00e9 a passagem do fogo das queimadas para depois germinar e auxiliar na cicatriza\u00e7\u00e3o da floresta. Algumas esp\u00e9cies como os manac\u00e1s-da-serra e quaresmeiras produzem milhares de min\u00fasculas sementes que o vento carrega e deposita sobre as \u00e1reas abertas onde rapidamente crescem fechando as &#8220;feridas&#8221;.\n\nNa floresta temos plantas que emitem odores atraentes ou at\u00e9 mesmo simulando uma f\u00eamea de algum animal com a fun\u00e7\u00e3o de atrair polinizadores, tais como abelhas,vespas, moscas, besouros, borboletas, mariposas, aves ou at\u00e9 morcegos.\n\nDurante o inverno, ip\u00eas e suin\u00e3s exibem suas flores nos altos das copas ao mesmo tempo em que derrubam todas as folhas, tornando as flores vis\u00edveis a seus polinizadores a longa dist\u00e2ncia. Algumas esp\u00e9cies produzem suas flores junto aos troncos onde abelhas e outros polinizadores no interior da mata podem encontr\u00e1-las com mais facilidade.\n\nH\u00e1 plantas que abrem ao entardecer no mesmo per\u00edodo de atividade de seus polinizadores, tais como pequenos morcegos.\n\nNa dispers\u00e3o das sementes tem plantas que produzem frutos ou sementes com asas ou longos pelos, valendo-se dos ventos para distribu\u00ed-las. Ourtas produzem frutos explosivos, que ao secarem lan\u00e7am suas sementes \u00e0 longas dist\u00e2ncias. Diversas plantas produzem frutos suculentos e coloridos que se prestam \u00e0 alimenta\u00e7\u00e3o de v\u00e1rios animais. Depois da digest\u00e3o, estes seres defecam as sementes prontas para germinar.\n\nAs folhas s\u00e3o muitas vezes brilhantes, recorbertas por cera, tendo superf\u00edcies lisas e pontas em forma de goteira. Todas essas caracter\u00edsticas facilitam o escoamento da \u00e1gua das chuvas impedindo sua perman\u00eancia prolongada, o que seria inconveniente sobre a superf\u00edcie foliar porque pode obstruir est\u00f4matos, al\u00e9m de servir para, em suas gotas, se desenvolverem microorganismos que podem determinar doen\u00e7as.\n\n<strong>Outros mecanismos s\u00e3o conhecidos tais como:<\/strong> caules e folhas pendentes, folhas de limbo em ped\u00fanculos delgados e longos, que se curvam ao peso da \u00e1gua fazendo com que a ponta do limbo se incline para baixo, o que determina o escoar da \u00e1gua por a\u00e7\u00e3o da gravidade e com isso o peso do limbo diminui e volta \u00e0 posi\u00e7\u00e3o anterior.\n<h4>A SITUA\u00c7\u00c3O ATUAL DESSA FORMA\u00c7\u00c3O VEGETAL NO BRASIL DO PONTO DE VISTA DA PRESERVA\u00c7\u00c3O DE ESP\u00c9CIES VEGETAIS E ANIMAIS<\/h4>\nUm dos motivos para preservar o que restou da Mata Atl\u00e2ntica \u00e9 a rica biodiversidade, ou seja, a grande variedade de animais e plantas. Calcula-se que nela existam dez mil esp\u00e9cies de plantas, sendo 76 palmeiras, 131 esp\u00e9cies de mam\u00edferos, 214 esp\u00e9cies de aves, 23 de marsupiais, 57 de roedores, 183 de anf\u00edbios, 143 de r\u00e9pteis e 21 de primatas. Dentre estes animais est\u00e3o v\u00e1rios morcegos destacando-se uma esp\u00e9cie branca. Dos s\u00edmios destacam-se o muriqui, que \u00e9 a maior e mais corpulenta forma de macaco tropical, e o sau\u00ed-preto que \u00e9 o mais raro dos s\u00edmios brasileiros. Habitam tamb\u00e9m a mata diferentes sag\u00fcis, os sau\u00e1s, os macacos-prego e o guariba que est\u00e1 se extinguindo. Dos can\u00eddios, o cachorro-do-mato \u00e9 um dos predadores mais comum juntamente com o guaxinim, o coati, o jupur\u00e1, os fur\u00f5es, a irara, o cangamb\u00e1, e felinos, como gatos-do mato que se alimentam de animais como o tapiti, diferentes ratos-do-mato, caxinguel\u00eas, cotias, outi\u00e7o-cacheiro, o raro ouri\u00e7o-preto, etc.\n\nOcorrem tamb\u00e9m na mata tamandu\u00e1s-mirins, pregui\u00e7as, e tatus, com destaque a pregui\u00e7a-de-coleira que hoje em dia est\u00e1 t\u00e3o escassa e j\u00e1 amea\u00e7ada de desaparecimento.\n\nEntre 1985 e 1990 foram cortadas na Mata Atl\u00e2ntica 1.200.000.000 \u00e1rvores. Apesar disso, a Mata Atl\u00e2ntica conserva sua import\u00e2ncia em termos biol\u00f3gicos. O recorde mundial de diversidade de \u00e1rvores pertence a uma \u00e1rea no sul da Bahia onde os bot\u00e2nicos registraram 450 tipos de \u00e1rvores num \u00fanico hectare, sendo que a maior parte deste imenso patrim\u00f4nio era desconhecido. Ainda se tiram centenas de ervas medicinais e arom\u00e1ticas para serem comercializadas tanto dentro do Brasil como com outros pa\u00edses.\n\nO mico-le\u00e3o dourado \u00e9 uma das esp\u00e9cies mais amea\u00e7adas do mundo. Ele s\u00f3 \u00e9 encontrado em uma pequena \u00e1rea de Mata Atl\u00e2ntica no Rio de Janeiro. Para evitar sua extins\u00e3o, \u00e9 preciso garantir habitat suficiente para abrigar uma popula\u00e7\u00e3o de 2000 animais at\u00e9 o ano 2025.\n\nDevido a grande devasta\u00e7\u00e3o dessa mata quase 200 esp\u00e9cies est\u00e3o amea\u00e7adas de extin\u00e7\u00e3o fora aquelas que j\u00e1 se extinguiram, metade das esp\u00e9cies vivas hoje poder\u00e1 estar extinta at\u00e9 o final do pr\u00f3ximo s\u00e9culo.\n\nHoje a maioria da \u00e1rea litor\u00e2nea que era coberta pela Mata Atl\u00e2ntica \u00e9 ocupada por grandes cidades, pastos e agricultura. Por\u00e9m, ainda restam manchas da floresta na Serra do Mar. A\u00ed ainda \u00e9 poss\u00edvel ver o jequitib\u00e1-rosa, o gigante da floresta, as flores roxas das quaresmeiras e at\u00e9 alguns sobreviventes do pau-brasil. Embaixo das \u00e1rvores, h\u00e1 pequenas \u00e1rvores, arbustos e palmeiras, cobertos de brom\u00e9lias e orqu\u00eddeas. Encontramos morcegos, marsupiais, como o gamb\u00e1 e a cu\u00edca; v\u00e1rios tipos de macacos; r\u00e9pteis como os lagartos, jabutis, c\u00e1gados e cobras; as lindas borboletas que ainda n\u00e3o foram transformadas em quadros para turistas, e uma rica variedade de aves.\n<h4>PREJU\u00cdZOS E BENEF\u00cdCIOS DECORRENTES DA DESTRUI\u00c7\u00c3O OU PRESERVA\u00c7\u00c3O DESSA FORMA\u00c7\u00c3O VEGETAL NO BRASIL SOB O PONTO DE VISTA ECOL\u00d3GICO E EVOLUTIVO<\/h4>\nAtualmente, da segunda grande floresta brasileira restam apenas cerca de 5 % de sua extens\u00e3o original. Em alguns lugares, como no Rio Grande do Norte, nem vest\u00edgios e o resultado \u00e9 o agravamento da seca no nordeste. Sem a floresta, a umidade \u00e9 insuficente para provocar as chuvas. E os ventos que sopram do mar, n\u00e3o encontrando a barreira da floresta, levam o sal natural para a regi\u00e3o do agreste, prejudicando sua vegeta\u00e7\u00e3o. Mas, os ventos deslocam as dunas, que assoreiam as lagoas existentes no litoral. Os grandes rios que cortam a \u00e1rea original da Mata Atl\u00e2ntica, o Para\u00edba, o S\u00e3o Francisco, Jequitinhonha, Doce e Para\u00edba do Sul, antigamente tinham \u00e1guas cristalinas ou tingidas de preto pelas folhas em decomposi\u00e7\u00e3o da floresta. Hoje suas \u00e1guas s\u00e3o barrentas por causa dos sedimentos arrastados pela eros\u00e3o do solo desprotejido de vegeta\u00e7\u00e3o, ou t\u00e3o polu\u00eddas que s\u00e3o um perigo para a sa\u00fade.\n\nA Mata Atl\u00e2ntica \u00e9 considerada atualmente um dos mais importantes conjuntos de ecossistemas do planeta, e um dos mais amea\u00e7ados. As pouqu\u00edssimas ilhas de floresta que restam n\u00e3o podem desaparecer.\n\nA destrui\u00e7\u00e3o da biodiversidade e o desmatamento elimina de uma s\u00f3 vez grande contingente de esp\u00e9cies muitas vezes desconhecidas. Al\u00e9m disso homogeiniza o ecossistema quando se implanta a monocultura.\n\nA destrui\u00e7\u00e3o do solo e a retirada da floresta rompe com o sistema natural de ciclagem de nutriente. A remo\u00e7\u00e3o da cobertura vegetal far\u00e1 com que a superf\u00edcie do solo seja mais aquecida. Esse aquecimento aumentar\u00e1 as oxida\u00e7\u00f5es da mat\u00e9ria org\u00e2nica que se transformar\u00e1 rapidamente em materiais inorg\u00e2nicos, sol\u00faveis ou facilmente solubilizados. O solos deixam tamb\u00e9m de ser protegidos da eros\u00e3o pelas chuvas. Estudos da Embrapa constatam que, dos 3,5 milh\u00f5es de hectares de pastagens que substituiram a floresta, 500 mil se degradaram num intervalo de tempo de 12 anos, al\u00e9m das queimadas e carvoeiros instalados.\n<h4>Aspecto da floresta ap\u00f3s a\u00e7\u00e3o antr\u00f3pica<\/h4>\nNo que tange as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas as florestas s\u00e3o respons\u00e1veis por 56 % da umidade local. Sua destrui\u00e7\u00e3o elimina essa fonte injetora de vapor de \u00e1gua na atmosfera, respons\u00e1vel pelas condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas regionais. Ao mesmo tempo diminui o poder de captura do CO2 atmosf\u00e9rico.\n\nAs monoculturas implantadas em \u00e1rea de mata s\u00e3o mais sens\u00edveis a pragas e doen\u00e7as. O ecossistema sob estresse tem toler\u00e2ncia menor ao ataque de parasitas e doen\u00e7as; consequentemente tem sido introduzidos nessas \u00e1reas grande quantidade de inseticidas e agrot\u00f3xicos para atacar as pragas, o que destr\u00f3i ainda mais a diversidade de esp\u00e9cies e contamina os ecossistemas aqu\u00e1ticos.\n<h4>ESSA HIST\u00d3RIA PODE TER UM FINAL FELIZ<\/h4>\nQuando os portugueses aqui chegaram, a Mata Atl\u00e2ntica era uma exuberante barreira que se erguia por todo o litoral brasileiro com 1.000.000 Km\u00b2 de extens\u00e3o, chegando a invadir o interior do territ\u00f3rio (ex.: na regi\u00e3o sudeste ela se alargava chegando a ocupar 100 Km para o interior). Hoje, resume-se a apenas 7% da mata original, sendo que, menos de 2% est\u00e3o protegidos em unidades de conserva\u00e7\u00e3o oficiais. Nada menos que 11% da Mata Atl\u00e2ntica foi destru\u00edda nos \u00faltimos dez anos.\n<h4>Por que nossa Mata Atl\u00e2ntica foi e, continua sendo, destru\u00edda?<\/h4>\n<strong>Pode-se resumir essa resposta em apenas duas palavras:<\/strong> explora\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica.\n\nVoltaremos um pouco no tempo, para podermos entender o presente. A coloniza\u00e7\u00e3o empreendida pelos portugueses no Brasil \u00e9 o que os historiadores chamam de coloniza\u00e7\u00e3o de explora\u00e7\u00e3o, explorar os recursos naturais e m\u00e3o-de-obra da col\u00f4nia para enriquecimento da metr\u00f3pole (no Brasil, al\u00e9m da explora\u00e7\u00e3o da m\u00e3o de obra dos \u00edndios &#8211; em escala reduzida &#8211; foi &#8220;importada&#8221; a m\u00e3o-de-obra estrangeira, os negros africanos). O primeiro alvo foi a Mata Atl\u00e2ntica, tanto pela madeira e pelo corante extra\u00eddo da casca do pau-brasil como pelo empecilho que ela oferecia ao desbravamento do interior do territ\u00f3rio.\n\nNos dias de hoje, de maneira geral, o desmatamento ocorre devido a especula\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria, expans\u00e3o da agricultura e utiliza\u00e7\u00e3o para pastagens. Al\u00e9m da perda de grande \u00e1rea de mata, a \u00e1rea destinada a pastagem \u00e9 praticamente perdida, pois sua produtividade \u00e9 baix\u00edssima, principalmente, pelo relevo acidentado n\u00e3o ser adequado a esse tipo de atividade.\n\nNos tempos de Cabral n\u00e3o existia fiscaliza\u00e7\u00e3o, nem tampouco, \u00e1rea de prote\u00e7\u00e3o ambiental. Os donos da terra, os \u00edndios, n\u00e3o tinham direitos, pois n\u00e3o eram considerados cidad\u00e3os brasileiros. Assim sendo, n\u00e3o tinham como reclamar ou exigir respeito ao ambiente.\n\nAo contr\u00e1rio de nossos antepassados, n\u00f3s temos voz ativa na sociedade e meios para exigir de nossos governantes mais respeito ao ambiente e cumprimento da legisla\u00e7\u00e3o vigente. Existem \u00e1reas sendo devastadas em torno de zonas urbanas, onde o meio de acionar a fiscaliza\u00e7\u00e3o \u00e9 mais f\u00e1cil, mas essa facilidade n\u00e3o est\u00e1 sendo aproveitada. \u00c9 necess\u00e1rio que a sociedade conhe\u00e7a as leis de preserva\u00e7\u00e3o do ambiente e exija que estas sejam cumpridas. Nossos deputados est\u00e3o analisando um projeto de lei espec\u00edfico para a Mata Atl\u00e2ntica desde 1992, nesse tempo em que esta tramita pelo Congresso, perdemos 600.000 hectares de florestas.\n\nNa regi\u00e3o metropolitana de S\u00e3o Paulo, bairros s\u00e3o submetidos a rod\u00edzio de \u00e1gua durante todo o ano, mesmo estando em uma \u00e1rea de grandes recursos h\u00eddricos. Somente na bacia de Guarapiranga, foram eliminados 15% da mata protetora de nascentes, c\u00f3rregos e rios.\n\nA import\u00e2ncia da preserva\u00e7\u00e3o da Mata Atl\u00e2ntica n\u00e3o \u00e9 somente por sua beleza, mas tamb\u00e9m para evitar que se afete a vida de grande parte da popula\u00e7\u00e3o brasileira, que vive na \u00e1rea original desse ecossistema. Al\u00e9m de regular o fluxo dos recursos h\u00eddricos, ela \u00e9 essencial para o controle do clima e a estabilidade de escarpas e encostas. \u00c9 tamb\u00e9m a conserva\u00e7\u00e3o da maior biodiversidade de \u00e1rvores do planeta; 39% dos mam\u00edferos que vivem na Mata Atl\u00e2ntica s\u00e3o nativos (vale para borboletas, r\u00e9pteis, anf\u00edbios e aves) e mais de 15 esp\u00e9cies de primatas. A destrui\u00e7\u00e3o desse ecossistema leva esp\u00e9cies de animais brasileiros \u00e0 amea\u00e7a de extin\u00e7\u00e3o, por exemplo, das 202 esp\u00e9cies amea\u00e7adas no Brasil, 171 s\u00e3o origin\u00e1rios da Mata Atl\u00e2ntica.\n\nAl\u00e9m da perda dos recursos naturais, tamb\u00e9m estamos destruindo um patrim\u00f4nio cultural, hist\u00f3rico, arqueol\u00f3gico e arquitet\u00f4nico, constru\u00eddos ao longo de s\u00e9culos pelas comunidades tradicionais que vivem na mata (como os ind\u00edgenas, os cai\u00e7aras, os quilombos e os caboclos), que correm risco de desaparecer, por descaracteriza\u00e7\u00e3o ou expuls\u00e3o de seu ambiente.\n\nA preserva\u00e7\u00e3o de nosso ambiente n\u00e3o depende somente das leis que tramitam no Congresso, mas, essencialmente, dos cidad\u00e3os brasileiros no pleno exerc\u00edcio de sua cidadania. Para que esse exerc\u00edcio seja eficaz, a educa\u00e7\u00e3o ambiental torna-se fundamental, levando o indiv\u00edduo \u00e0 conscientiza\u00e7\u00e3o da import\u00e2ncia da conserva\u00e7\u00e3o desse ambiente, para a vis\u00e3o cr\u00edtica frente \u00e0s suas pr\u00f3prias atitudes e, finalmente, seu dever e direito de cidad\u00e3o quanto a fiscaliza\u00e7\u00e3o no cumprimento das leis existentes e regulamenta\u00e7\u00e3o de outras.\n\n<strong>Mauro S\u00e9rgio Martins<\/strong>\n\n<strong>Alessandra Luzia da R\u00f3z<\/strong>\n\n<strong>Gilmara de Oliveira Machado<\/strong>\n\n<strong>Refer\u00eancias Bibliogr\u00e1ficas<\/strong>\n\nFERRI, M\u00e1rio Guimar\u00e3es Ecologia: temas e problemas brasileiros Editora Itatiaia S\u00e3o Paulo,Vol 3 , 1974.\nRIZZINI, Carlos Toledo, Ecossistemas Brasileiros\n\nFonte: educar.sc.usp.br\n<h6>Mata Atl\u00e2ntica<\/h6>\n<h4>Localiza\u00e7\u00e3o<\/h4>\nA <strong>Floresta Atl\u00e2ntica<\/strong>, com cerca de 1,5 milh\u00e3o de km\u00b2, estende-se praticamente por todo o litoral brasileiro, atingindo 13 estados. Corresponde a um dos ecossistemas mais amea\u00e7ados no mundo.\n\nOcorre nas encostas do Planalto Atl\u00e2ntico e nas baixadas litor\u00e2neas cont\u00edguas. Muito rica em esp\u00e9cies, abrigando uma fauna diversificada, recobria de modo quase cont\u00ednuo uma faixa paralela ao litoral, desde Santa Catarina at\u00e9 o Rio Grande do Norte.\n\nA Floresta Atl\u00e2ntica desenvolve-se pelo litoral das regi\u00f5es do Nordeste, Sudeste e Sul do Pa\u00eds, avan\u00e7ando para o interior em extens\u00f5es variadas. Sua diversidade resulta das condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas, de altitude e de latitude, que se apresentam ao longo de uma faixa florestal originalmente cont\u00ednua.\n<h4>Caracteriza\u00e7\u00e3o<\/h4>\nA Floresta Atl\u00e2ntica \u00e9 uma floresta tropical plena, associada aos ecossistemas costeiros de mangues nas enseadas, foz de grandes rios, ba\u00edas e lagunas de influ\u00eancia de mar\u00e9s, matas de restinga nas baixadas arenosas do litoral, \u00e0s florestas de pinheirais no planalto, do Paran\u00e1, Santa Catarina e do Rio Grande do Sul, e ainda aos campos de altitude nos cumes das Serras da Bocaina, da Mantiqueira e do Capara\u00f3.\n\nA maior parte das esp\u00e9cies da fauna e da flora brasileira, em vias de extin\u00e7\u00e3o, s\u00e3o end\u00eamicas \u00e0 Floresta Atl\u00e2ntica.\n\nNo sentido amplo do termo, a Floresta Atl\u00e2ntica engloba um diversificado mosaico de ecossistemas florestais com estruturas e composi\u00e7\u00f5es flor\u00edsticas bastante diferenciadas, acompanhando a diversidade dos solos, relevos e caracter\u00edsticas clim\u00e1ticas da vasta regi\u00e3o onde ocorre, tendo como elemento comum a exposi\u00e7\u00e3o aos ventos \u00famidos que sopram do oceano.\n\nNo reverso das escarpas, em suas por\u00e7\u00f5es voltadas para o interior, caracteriza-se como uma mata de planalto, resultante da exist\u00eancia de um clima \u00famido mas com estacionalidade bem marcada.\n\n<strong>Assim, na Reserva da Biosfera da Floresta Atl\u00e2ntica, al\u00e9m de algumas paisagens em graus diversificados de antropiza\u00e7\u00e3o, englobam-se variados h\u00e1bitats:<\/strong> Floresta Perenif\u00f3lia Higr\u00f3fila Costeira (Torres) ou Floresta Ombr\u00f3fila Densa (Serra Ga\u00facha).\n\nCaracterizadas por sua fisionomia alta e densa, s\u00e3o conseq\u00fc\u00eancias da variedade de esp\u00e9cies pertencentes a v\u00e1rias formas biol\u00f3gicas e estratos. Nessa floresta, a vegeta\u00e7\u00e3o dos n\u00edveis inferiores vive em um ambiente bastante sombrio e \u00famido, sempre dependente do estrato superior.\n\nO grande n\u00famero de lianas, ep\u00edfitas, fetos arborescentes e palmeiras d\u00e1 a esta floresta um car\u00e1ter tipicamente tropical. Segundo a Legisla\u00e7\u00e3o Ambiental que definiu os limites da Floresta Atl\u00e2ntica no RS, ela come\u00e7a pelo Rio Mampituba em Torres, indo at\u00e9 Os\u00f3rio, onde sobe a Serra Geral, incluindo toda a Serra Ga\u00facha e a\u00ed, novamente, desce o Itaimbezinho at\u00e9 as nascentes do Rio Mampituba. Ou seja, todo o Litoral Norte e Serra Ga\u00facha est\u00e3o dentro da chamada Floresta Atl\u00e2ntica.\n\nOs ambientes do Litoral Norte s\u00e3o muito sens\u00edveis porque ainda est\u00e3o em forma\u00e7\u00e3o. A natureza ainda n\u00e3o terminou de faz\u00ea-los.Dunas, restingas, banhados, lagoas, campos e matas formam corredores de vida silvestre, com papel definido na harmonia da regi\u00e3o. Exemplos s\u00e3o a gralha azul, que planta o pinh\u00e3o na Serra, e os p\u00e1ssaros que comem as sementes da figueira e semeiam, com sua defeca\u00e7\u00e3o, futuras mudas de figueira em todo o Litoral Norte.\n\nAtualmente cerca de 80 milh\u00f5es de pessoas, mais de 50% da popula\u00e7\u00e3o brasileira, vive nessa \u00e1rea que, al\u00e9m de abrigar a maioria das cidades e regi\u00f5es metropolitanas do Pa\u00eds, sedia tamb\u00e9m os grandes p\u00f3los industriais, qu\u00edmicos, petroleiros e portu\u00e1rios do Brasil, respondendo por 80% do PIB nacional.\n\nApesar de sua hist\u00f3ria de devasta\u00e7\u00e3o, a Floresta Atl\u00e2ntica ainda possui remanescentes florestais de extrema beleza e import\u00e2ncia que contribuem para que o Brasil seja considerado o pa\u00eds de maior diversidade biol\u00f3gica do planeta.\n\nEm rela\u00e7\u00e3o \u00e0 ocupa\u00e7\u00e3o e utiliza\u00e7\u00e3o da Floresta Atl\u00e2ntica, a floresta nativa deu lugar \u00e0s culturas de cana-de-a\u00e7\u00facar, cacau e caf\u00e9, al\u00e9m da pecu\u00e1ria, da floresta cultivada e dos p\u00f3los de desenvolvimento urbano. A devasta\u00e7\u00e3o das matas teve in\u00edcio ainda no s\u00e9c. XVI, com o ciclo do pau-brasil, progredindo at\u00e9 os dias atuais quando restam cerca de 5% da cobertura florestal original (quase que exclusivamente nas vertentes da Serra do Mar).\n\nEm fevereiro de 1993, um novo decreto regulamentou a explora\u00e7\u00e3o da Floresta Atl\u00e2ntica. O decreto aumentou a \u00e1rea de dimens\u00e3o da Floresta Atl\u00e2ntica a ser preservada, antes restrita \u00e0 faixa litor\u00e2nea. Ao contr\u00e1rio da legisla\u00e7\u00e3o anterior, que praticamente proibia qualquer forma de utiliza\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica da regi\u00e3o, considerando a \u00e1rea intoc\u00e1vel, o texto atual permite que as comunidades locais mantenham a explora\u00e7\u00e3o tradicional de algumas culturas por uma economia de subsist\u00eancia. Al\u00e9m disso, prev\u00ea que os estados, munic\u00edpios e Organiza\u00e7\u00f5es N\u00e3o-Governamentais (ONG&#8217;s) tamb\u00e9m participem da fiscaliza\u00e7\u00e3o do ecossistema.\n\nEstudos revelam que em cinco anos o Brasil perdeu 533 mil hectares de Floresta Atl\u00e2ntica com derrubada de 1,07 bilh\u00e3o de \u00e1rvores. Calcula-se tamb\u00e9m que de 1990 at\u00e9 1993 mais de 316.888 hectares de florestas foram derrubadas.\n\nAs principais causas do desmatamento s\u00e3o a prolifera\u00e7\u00e3o das pastagens, o plantio de eucaliptos e a implanta\u00e7\u00e3o de monoculturas comerciais como a soja e a cana. Essa diversidade, ao mesmo tempo em que representa uma excepcional riqueza de patrim\u00f4nio gen\u00e9tico e paisag\u00edstico, torna a mata externamente fr\u00e1gil.\n\nO resultado atual da destrui\u00e7\u00e3o de quase 5 s\u00e9culos de coloniza\u00e7\u00e3o, da expans\u00e3o agr\u00edcola e da urbana florestas \u00famidas adentro, passou por v\u00e1rios ciclos, que marcaram o desenvolvimento do Pa\u00eds, como o da cana-de-a\u00e7\u00facar, do ouro, do caf\u00e9 e, na atualidade, da expans\u00e3o da agricultura e da industrializa\u00e7\u00e3o.\n\nO ambiente \u00e9 super\u00famido, devido \u00e0s grandes quantidades de \u00e1rvores, que tornam a floresta mais fechada. O clima \u00e9 tropical, com influ\u00eancia oce\u00e2nica, com precipita\u00e7\u00e3o anual que varia de 1.000 a 1.750 mm. N\u00e3o bastasse o fato de ser uma floresta tropical, com v\u00e1rios ecossistemas associados, a Floresta Atl\u00e2ntica teve sua diversidade biol\u00f3gica ainda mais ampliada pela intensidade das transforma\u00e7\u00f5es que sofreu ao longo dos \u00faltimos anos.\n\nEspecialmente durante o per\u00edodo quatern\u00e1rio, marcado por fortes mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, a Floresta Atl\u00e2ntica viveu momentos de forte retra\u00e7\u00e3o durante as glacia\u00e7\u00f5es, resistindo, fragmentada, apenas em alguns locais conhecidos como &#8220;ref\u00fagios do pleistoceno&#8221;, quando as condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas eram mais amenas.\n\nO relevo \u00e9 constitu\u00eddo por colinas e plan\u00edcies costeiras, acompanhadas por uma cadeia de montanhas. Os solos s\u00e3o de fertilidade m\u00e9dia, por\u00e9m, a \u00e1rea com relevo acidentado constitui limita\u00e7\u00e3o forte para uso intensivo das terras com cultivos anuais. Mas no interior da floresta o solo \u00e9 pobre, que se mant\u00e9mpela decomposi\u00e7\u00e3o acelerada de mat\u00e9ria org\u00e2nica proveniente dos restos vegetais que caem no ch\u00e3o.\n<h4>Flora<\/h4>\nSegundo os bot\u00e2nicos, a Floresta Atl\u00e2ntica \u00e9 a mais diversificada do planeta, com mais de 25 mil esp\u00e9cies de plantas. O elevado \u00edndice de chuvas ao longo do ano permite a exist\u00eancia de uma vegeta\u00e7\u00e3o rica, densa, com \u00e1rvores que chegam a 30 metros de altura.\n\nDestacam-se o pau-brasil, o jequitib\u00e1, as quaresmeiras, o jacarand\u00e1, o jambo e o jabol\u00e3o, o xaxim, o palmito, a paineira, a figueira, a cavi\u00fana, o angico, a ma\u00e7aranduba, o ip\u00ea-rosa, o jatob\u00e1, a imba\u00faba, o murici, a canela-amarela, o pinheiro-do-paran\u00e1, e outras. Em um curto espa\u00e7o, pode-se encontrar mais de 50 esp\u00e9cies vegetais diferentes.\n\nO sub-bosque, composto por \u00e1rvores menores, abriga numerosas ep\u00edfitas, gravat\u00e1s, brom\u00e9lias, orqu\u00eddeas, musgos e l\u00edquens, samambaias, beg\u00f4nias e l\u00edrios de v\u00e1rias esp\u00e9cies. Na Floresta Atl\u00e2ntica, o \u00edndice de endemismo entre as palmeiras, brom\u00e9lias e algumas ep\u00edfitas chega a mais de 70%.\n<h4>Fauna<\/h4>\n<strong>A Floresta Atl\u00e2ntica possui uma grande biodiversidade de animais, al\u00e9m de muitos que j\u00e1 est\u00e3o amea\u00e7ados de extin\u00e7\u00e3o, como:<\/strong> a on\u00e7a-pintada, a jaguatirica, o mono-carvoeiro, o macaco-prego, o guariba, o mico-le\u00e3o-dourado, v\u00e1rios sag\u00fcis, a pregui\u00e7a-de-coleira, o caxinguel\u00ea, o tamandu\u00e1. S\u00e3o cerca de 250 esp\u00e9cies de mam\u00edferos (55 end\u00eamicas), 340 de anf\u00edbios (87 end\u00eamicas), al\u00e9m de, aproximadamente, 350 esp\u00e9cies de peixes (133 end\u00eamicas). Em conjunto os mam\u00edferos , aves, r\u00e9pteis e anf\u00edbios que ocorrem na Floresta Atl\u00e2ntica somam 1.810 esp\u00e9cies, sendo 389 end\u00eamicas. Este bioma abriga, aproximadamente, 7% de todas as esp\u00e9cies do planeta.\n\nEntre as aves destacam-se o jacu, o macuco, a jacutinga, o ti\u00ea-sangue, a araponga, o sanha\u00e7o, numerosos beija-flores, tucanos, sa\u00edras e gaturamos.\n\nEntre os principais r\u00e9pteis desse ecossistema est\u00e3o o tei\u00fa, um lagarto de mais de 1,5 metros de comprimento, jib\u00f3ias, jararacas e corais verdadeiras.\n\n<strong>Numerosas esp\u00e9cies da flora e da fauna s\u00e3o \u00fanicas e caracter\u00edsticas:<\/strong> a maioria das aves, r\u00e9pteis, anf\u00edbios e borboletas s\u00e3o end\u00eamicas, ou seja, s\u00e3o encontradas apenas nesse ecossistema.\n\nEntre os mam\u00edferos, 39% tamb\u00e9m s\u00e3o end\u00eamicos, o mesmo ocorrendo com a maioria das borboletas, dos r\u00e9pteis, dos anf\u00edbios e das aves nativas. Nela sobrevivem mais de 20 esp\u00e9cies de primatas, a maior parte delas end\u00eamicas. Hoje, 171 das 202 esp\u00e9cies de animais brasileiros considerados amea\u00e7ados de extin\u00e7\u00e3o s\u00e3o origin\u00e1rios da Floresta Atl\u00e2ntica.\n\nInfelizmente, nesse cen\u00e1rio de grande riqueza e endemismo de esp\u00e9cies observa-se tamb\u00e9m um elevado n\u00famero de esp\u00e9cies em extin\u00e7\u00e3o. Em alguns grupos, como o das aves, 10% das esp\u00e9cies encontradas no bioma se enquadram em alguma categoria de amea\u00e7a. No caso dos mam\u00edferos, o n\u00famero de esp\u00e9cies amea\u00e7adas de extin\u00e7\u00e3o atinge aproximadamente 14%.\n\nAs principais \u00e1reas preservadas se encontram em parques nacionais, como o de Superag\u00fci (PR), de Itatiaia (MG, RJ), da Serra da Bocaina (SP, RJ), do Monte Pascoal e da Chapada Diamantina (ambos na BA) e do Igua\u00e7u (PR); em parques estaduais como os da Ilha do Cardoso, da Ilha de S\u00e3o Sebasti\u00e3o, da Ilha Anchieta e da Serra do Mar, do Vale do Ribeira, da Serra do Japi (todos em SP), do Desengano (RJ) e nas esta\u00e7\u00f5es ecol\u00f3gicas de Tapacur\u00e1 (PE), Caratinga (MG), Po\u00e7o das Antas (RJ) e Jur\u00e9ia (SP).\n\nFonte: www.ambientebrasil.com.br\n<h6>Mata Atl\u00e2ntica<\/h6>\n<h4>\u00c1gua na Mata Atl\u00e2ntica<\/h4>\nEm 1500 a riqueza de \u00e1gua da Mata Atl\u00e2ntica foi objeto de observa\u00e7\u00e3o.\n\n<strong>Pero Vaz de Caminha, em sua carta ao Rei D. Manuel, escrevia:<\/strong> &#8220;A terra em si \u00e9 de mui bons ares&#8230;As \u00e1guas s\u00e3o muitas, infindas; em tal maneira \u00e9 graciosa,que, querendo-a aproveitar, dar-se-\u00e1 nela tudo por bem das \u00e1guas que tem&#8221;.\n\nAtualmente, mais de 100 milh\u00f5es de brasileiros se beneficiam da \u00e1gua que nasce na Mata Atl\u00e2ntica e que forma diversos rios que abastecem as cidades e metr\u00f3poles brasileiras. Al\u00e9m disso, existem milhares nascentes e de pequenos cursos d&#8217;\u00e1gua que afloram no interior de seus remanescentes.\n\nUm estudo do WWF (2003) constatou que mais de 30% das 105 maiores cidades do mundo dependem de unidades de conserva\u00e7\u00e3o para seu abastecimento de \u00e1gua.\n\n<strong>Seis capitais brasileiras foram analisadas no estudo, sendo cinco na Mata Atl\u00e2ntica:<\/strong> Rio de Janeiro, S\u00e3o Paulo, Belo Horizonte, Salvador e Fortaleza. A tend\u00eancia mundial se confirmou no Brasil, com exce\u00e7\u00e3o de Fortaleza, todas as cidades brasileiras pesquisadas dependem em maior ou menor grau de \u00e1reas protegidas para o abastecimento.\n\nA Mata Atl\u00e2ntica abriga uma intrincada rede de bacias hidrogr\u00e1ficas formadas por rios grandes como o Paran\u00e1, o Tiet\u00ea, o S\u00e3o Francisco, o Doce, o Para\u00edba do Sul, o Paranapanema e o Ribeira de Iguape. Esta rede toda \u00e9 important\u00edssima, n\u00e3o s\u00f3 para o abastecimento humano mas, tamb\u00e9m para o desenvolvimento de atividades econ\u00f4micas como a agricultura, a pecu\u00e1ria, a ind\u00fastria e todo o processo de urbaniza\u00e7\u00e3o do pa\u00eds.\n\nInfelizmente se Pero Vaz de Caminha voltasse hoje ao Brasil, diria que a quantidade de floresta que ele viu j\u00e1 n\u00e3o existe mais e conseq\u00fcentemente sem a floresta as \u00e1guas deixaram de ser infindas.\n\nSegundo pesquisas realizadas pelo Laborat\u00f3rio de Hidrologia Florestal Walter Emerich, do Instituto Florestal de S\u00e3o Paulo, existe uma rela\u00e7\u00e3o muito \u00edntima entre a quantidade de \u00e1gua na Mata Atl\u00e2ntica e o estado de conserva\u00e7\u00e3o da floresta.\n\n<strong>Essas pesquisas produziram um dado in\u00e9dito sobre o regime h\u00eddrico na regi\u00e3o de Cunha(SP):<\/strong> &#8220;de toda a chuva que cai na Mata Atl\u00e2ntica, nesse s\u00edtio, ao longo de um ano, 70% abastecem as \u00e1guas dos rios de forma continuada e permanente. Isso significa uma alta produ\u00e7\u00e3o de \u00e1gua pura. Maior que o aproveitamento da \u00e1gua indicada em estudos realizados na floresta Amaz\u00f4nica, por exemplo, que chega a apenas 50%&#8221; (ROCHA e COSTA, 1998).\n\nA floresta auxilia no se chama de regime h\u00eddrico permanente.\n\n<strong>Com seus v\u00e1rios componentes: <\/strong>folhas, galhos, troncos, ra\u00edzes e solo, age como uma poderosa esponja que ret\u00e9m a \u00e1gua da chuva e a libera ao poucos ajudando a filtr\u00e1-la e a infiltr\u00e1-la no subsolo alimentando o len\u00e7ol fre\u00e1tico. Com o desmatamento surgem ent\u00e3o problemas como a escassez, j\u00e1 enfrentada em muitas das cidades situadas no dom\u00ednio da Mata Atl\u00e2ntica.\n\nEste tamb\u00e9m \u00e9 o principal motivo da necessidade de se preservar e recuperar a Mata Ciliar que \u00e9 o conjunto de \u00e1rvores, arbustos, capins, cip\u00f3s e flores que crescem nas margens dos rios, lagos e nascentes. As \u00e1reas nas margens de rios, lagos e nascentes onde ocorrem as matas ciliares s\u00e3o consideradas \u00e1reas de preserva\u00e7\u00e3o permanente pelo C\u00f3digo Florestal Brasileiro.\n\nO nome mata ciliar vem de c\u00edlios. Assim como os c\u00edlios protegem os olhos, a mata ciliar protege os rios, lagos e nascentes, cobrindo e protegendo o solo, deixando-o fofo, e permitindo que funcione como uma de esponja que absorve a \u00e1gua das chuvas. Com isso, al\u00e9m de regular o ciclo da \u00e1gua, evita as enxurradas. Com suas ra\u00edzes a mata ciliar evita tamb\u00e9m a eros\u00e3o e ret\u00e9m part\u00edculas de solo e materiais diversos, que com a chuva iriam acabar assoreando o leito dos rios.\n\nEste conjunto de \u00e1rvores, com sua sombra e frutos, \u00e9 muito importante tamb\u00e9m para a prote\u00e7\u00e3o e preserva\u00e7\u00e3o da biodiversidade da flora e fauna e para o equil\u00edbrio do ecossistema como um todo.\n\nEm toda a Mata Atl\u00e2ntica, muitas matas ciliares ao longo de rios, lagos e nascentes, foram desmatadas e indevidamente utilizadas no passado. As conseq\u00fc\u00eancias desta destrui\u00e7\u00e3o s\u00e3o sentidas diariamente com o agravamento das secas e tamb\u00e9m das enchentes, o que torna necess\u00e1ria uma urgente a\u00e7\u00e3o de recupera\u00e7\u00e3o.\n\nAs recomenda\u00e7\u00f5es urgentes, apontadas pelo estudo do WWF, principalmente para as cidades da Mata Atl\u00e2ntica, s\u00e3o a cria\u00e7\u00e3o de \u00e1reas protegidas em torno de reservat\u00f3rios e mananciais e o manejo de mananciais que est\u00e3o fora das \u00e1reas protegidas. Embora a legisla\u00e7\u00e3o restrinja a ocupa\u00e7\u00e3o ao redor de \u00e1reas de mananciais, em S\u00e3o Paulo, por exemplo, h\u00e1 milhares de pessoas habitando a beira de reservat\u00f3rios como as represas Billings e Guarapiranga. Com a degrada\u00e7\u00e3o dessas \u00e1reas, as companhias de abastecimento s\u00e3o obrigadas a buscar \u00e1gua mais longe, a um custo maior.\n\nO estudo do WWF aponta tamb\u00e9m dados econ\u00f4micos para justificar a ado\u00e7\u00e3o dessas recomenda\u00e7\u00f5es, enfatizando que \u00e9 muito mais barato conservar as florestas nas \u00e1reas de mananciais do que construir centros de tratamento mais complexos para purificar a \u00e1gua polu\u00edda.\n\n<strong>A cidade Nova York \u00e9 citada como exemplo<\/strong>: &#8220;h\u00e1 d\u00e9cadas a administra\u00e7\u00e3o da cidade optou por purificar a \u00e1gua pot\u00e1vel filtrando-a naturalmente pelas florestas, a um custo inicial de US$ 1 bilh\u00e3o a US$ 1,5 bilh\u00e3o no per\u00edodo de dez anos. \u00c9 sete vezes mais barato do que os US$ 6 a 8 bilh\u00f5es que seriam gastos na forma tradicional de tratar e distribuir \u00e1gua pot\u00e1vel, mais US$ 300 a 500 milh\u00f5es anuais em custos operacionais&#8221;.\n<h4>\u00c1REAS PROTEGIDAS DA MATA ATL\u00c2NTICA<\/h4>\n\u00c1reas protegidas s\u00e3o \u00e1reas criadas para garantir a sobreviv\u00eancia de todas as esp\u00e9cies de animais e plantas, a chamada biodiversidade, e tamb\u00e9m para proteger locais de grande beleza c\u00eanica, como montanhas, serras, cachoeiras, canyons, rios ou lagos. Al\u00e9m de permitir a sobreviv\u00eancia dos animais e plantas, as \u00e1reas protegidas contribuem para regular o clima, abastecer os mananciais de \u00e1gua e proporcionar qualidade de vida \u00e0s popula\u00e7\u00f5es humanas.\n\n<strong>No Brasil existem dois tipos de \u00e1reas protegidas:<\/strong> as p\u00fablicas e as privadas ou particulares.\n\nExistem \u00e1reas protegidas particulares em raz\u00e3o de que n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel criar reservas p\u00fablicas em todos os lugares, e tamb\u00e9m porque existem certas \u00e1reas que devem sempre ser protegidas, independentemente de sua localiza\u00e7\u00e3o, como por exemplo as margens de rios, nascentes e topos de morros. Neste sentido, os dois tipos de \u00e1reas protegidas s\u00e3o complementares.\n<h4>\u00c1reas protegidas p\u00fablicas<\/h4>\nAs \u00e1reas protegidas p\u00fablicas s\u00e3o chamadas de Unidades de Conserva\u00e7\u00e3o, as quais s\u00e3o divididas em diferentes categorias, de acordo com os seus objetivos. As categorias e os objetivos est\u00e3o definidos na Lei 9.985 de 18.07.2000, que instituiu o Sistema Nacional de Unidades de Conserva\u00e7\u00e3o (SNUC).\n\n<strong>Entre os objetivos destacam-se:<\/strong> a manuten\u00e7\u00e3o da diversidade biol\u00f3gica e dos recursos gen\u00e9ticos; a prote\u00e7\u00e3o das esp\u00e9cies amea\u00e7adas de extin\u00e7\u00e3o; a preserva\u00e7\u00e3o e restaura\u00e7\u00e3o da diversidade de ecossistemas naturais e degradados; a promo\u00e7\u00e3o do desenvolvimento sustent\u00e1vel a partir dos recursos naturais; a valoriza\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica e social da diversidade biol\u00f3gica; a prote\u00e7\u00e3o de paisagens naturais pouco alteradas e de not\u00e1vel beleza c\u00eanica; a prote\u00e7\u00e3o e recupera\u00e7\u00e3o dos recursos h\u00eddricos; a promo\u00e7\u00e3o da educa\u00e7\u00e3o ambiental e do ecoturismo, o incentivo \u00e0 pesquisa cient\u00edfica; e a prote\u00e7\u00e3o dos recursos naturais necess\u00e1rios \u00e0 sobreviv\u00eancia das popula\u00e7\u00f5es tradicionais.\n\n<strong>A Lei do SNUC instituiu duas categorias de unidades de conserva\u00e7\u00e3o:<\/strong>\n\nUnidades de Prote\u00e7\u00e3o Integral &#8211; Entende-se por prote\u00e7\u00e3o integral a manuten\u00e7\u00e3o dos ecossistemas livres de altera\u00e7\u00f5es causadas por interfer\u00eancia humana, admitindo apenas o uso indireto dos seus atributos naturais. Neste grupo incluem-se as Esta\u00e7\u00f5es Ecol\u00f3gicas, Reservas Biol\u00f3gicas, Parques Nacionais, Monumentos Naturais e Ref\u00fagios de Vida Silvestre.\n<h4>Unidades de Uso Sustent\u00e1vel<\/h4>\nEntende-se como uso sustent\u00e1vel a explora\u00e7\u00e3o do ambiente de maneira a garantir a perenidade dos recursos ambientais renov\u00e1veis e dos processos ecol\u00f3gicos, mantendo a biodiversidade e os demais atributos ecol\u00f3gicos, de forma socialmente justa e economicamente vi\u00e1vel. Neste grupo est\u00e3o as \u00c1reas de Prote\u00e7\u00e3o Ambiental (APA), \u00c1reas de Relevante Interesse Ecol\u00f3gico (ARIE), Florestas Nacionais (FLONA), Reservas Extrativistas (RESEX), Reservas de Fauna e Reservas de Desenvolvimento Sustent\u00e1vel.\n\nA cria\u00e7\u00e3o de Unidades de Conserva\u00e7\u00e3o \u00e9 uma ferramenta muito importante para a conserva\u00e7\u00e3o da biodiversidade. Apesar disso, um percentual ainda muito pequeno da Mata Atl\u00e2ntica est\u00e1 sob esta prote\u00e7\u00e3o. Existe uma grande concentra\u00e7\u00e3o de Unidades de Conserva\u00e7\u00e3o na floresta ombr\u00f3fila densa, enquanto que as florestas ombr\u00f3fila mista e as estacionais est\u00e3o praticamente desprovidas de prote\u00e7\u00e3o.\n<h4>BIODIVERSIDADe da mata atl\u00e2ntica<\/h4>\nO conjunto de fitofisionomias bastante diversificadas, que formam a Mata Atl\u00e2ntica, propiciou uma significativa diversifica\u00e7\u00e3o ambiental, criando as condi\u00e7\u00f5es adequadas para a evolu\u00e7\u00e3o de um complexo bi\u00f3tico de natureza vegetal e animal altamente rico. \u00c9 por este motivo que a Mata Atl\u00e2ntica \u00e9 considerada atualmente como um dos Biomas mais ricos em termos de diversidade biol\u00f3gica do Planeta.\n\nSegundo Capobianco (2001), &#8220;n\u00e3o h\u00e1 dados precisos sobre a diversidade total de plantas da Mata Atl\u00e2ntica. Considerando-se apenas o grupo das angiospermas, acredita-se que o Brasil possua entre 55.000 e 60.000 esp\u00e9cies, ou seja, de 22 a 24% do total que se estima existir no Planeta. Deste total, as proje\u00e7\u00f5es s\u00e3o de que a Mata Atl\u00e2ntica possua cerca de 20.000 esp\u00e9cies, ou seja, entre 33 e 36% das existentes no Pa\u00eds.\n\n<strong>Para se ter uma id\u00e9ia da grandeza que significam esses n\u00fameros, basta compar\u00e1-los \u00e0s estimativas de diversidade de angiospermas de alguns continentes:<\/strong> 17.000 esp\u00e9cies na Am\u00e9rica do Norte, 12.500 na Europa e entre 40.000 e 45.000 na \u00c1frica&#8221;.\n\nJoly e Bicudo (1999) atestam que somente em S\u00e3o Paulo, Estado que possu\u00eda cerca de 80% de seu territ\u00f3rio originalmente ocupado por Mata Atl\u00e2ntica, estima-se existirem 9.000 esp\u00e9cies de faner\u00f3gamas, 16% do total existente no Pa\u00eds e cerca de 3,6% do que se estima existir em todo o mundo. No caso das pterid\u00f3fitas, como samambaias e outras plantas menos conhecidas, as estimativas apontam para uma diversidade entre 800 e 950 esp\u00e9cies, 73% do Brasil e 8% do mundo.\n\nO Museu de Biologia Mello Leit\u00e3o, em seu boletim de n\u00famero 7, de dezembro de 1997, publicou estudos desenvolvidos na Universidade Federal do Esp\u00edrito Santo e da Universidade de S\u00e3o Paulo, dizendo que na Esta\u00e7\u00e3o Biol\u00f3gica de Santa Luzia, munic\u00edpio de Santa Teresa (ES), foi identificada a ocorr\u00eancia de 443 esp\u00e9cies arb\u00f3reas em um \u00e1rea de 1,02 hectares de Floresta Ombr\u00f3fila Densa. Na seq\u00fc\u00eancia, estudos realizados no Parque Estadual da serra do Conduru, no Sul da Bahia, identificaram, numa \u00e1rea de um hectare, a ocorr\u00eancia de 454 esp\u00e9cies de \u00e1rvores (Jardim Bot\u00e2nico de Nova Iorque e CEPLAC).\n\nEstas descobertas superam o recorde de 300 esp\u00e9cies por hectare registrado na Amaz\u00f4nia Peruana em 1986 e podem significar que de fato a Mata Atl\u00e2ntica pode possuir a maior diversidade de \u00e1rvores do mundo.\n\nVale ressaltar que das plantas vasculares conhecidas da Mata Atl\u00e2ntica 50% s\u00e3o end\u00eamicas, ou seja, n\u00e3o ocorrem em nenhum outro lugar no planeta. O endemismo se acentua quando as esp\u00e9cies da flora s\u00e3o divididas em grupos, chegando a \u00edndices de 53,5% para \u00e1rvores, 64% para palmeiras e 74,4% para brom\u00e9lias.\n\nSegundo Capobianco (2001), &#8220;dentro da riqu\u00edssima fauna existente na Mata Atl\u00e2ntica, algumas esp\u00e9cies possuem ampla distribui\u00e7\u00e3o, podendo ser encontradas em outras regi\u00f5es, como s\u00e3o os casos da on\u00e7a-pintada, on\u00e7a-parda, gatos-do-mato, anta, cateto, queixada, alguns papagaios, corujas, gavi\u00f5es e muitos outros. O que mais impressiona, no entanto, \u00e9 a enorme quantidade de esp\u00e9cies end\u00eamicas, ou seja, que n\u00e3o podem ser encontradas em nenhum outro lugar do planeta. S\u00e3o os casos das 73 esp\u00e9cies de mam\u00edferos, entre elas 21 esp\u00e9cies e subesp\u00e9cies de primatas&#8221;.\n\nMas esta grande biodiversidade n\u00e3o faz com que a situa\u00e7\u00e3o deixe de ser extremamente grave.\n\n<strong>A lista das esp\u00e9cies amea\u00e7adas de extin\u00e7\u00e3o publicada pelo IBAMA em 1989, j\u00e1 trazia dados impressionantes:<\/strong> Das 202 esp\u00e9cies de animais consideradas oficialmente amea\u00e7adas de extin\u00e7\u00e3o no Brasil, 171 eram da Mata Atl\u00e2ntica. A nova lista, publicada pelo Minist\u00e9rio do Meio Ambiente em maio de 2003, traz dados ainda mais alarmantes o total de esp\u00e9cies amea\u00e7adas subiu para 627, sendo que 11 constam como extintas.\n\nSegundo levantamento da Conservation Internacional, a maior parte das esp\u00e9cies da nova lista publicada pelo Minist\u00e9rio do Meio Ambiente, habita a Mata Atl\u00e2ntica. &#8220;Do total de 265 esp\u00e9cies de vertebrados amea\u00e7ados, 185 ocorrem nesse bioma (69,8%), sendo 100 (37,7%) deles end\u00eamicos. Das 160 aves da rela\u00e7\u00e3o, 118 (73,7%) ocorrem nesse bioma, sendo 49 end\u00eamicas. Entre os anf\u00edbios, as 16 esp\u00e9cies indicadas como amea\u00e7adas s\u00e3o consideradas end\u00eamicas da Mata Atl\u00e2ntica. Das 69 esp\u00e9cies de mam\u00edferos amea\u00e7ados, 38 ocorrem nesse bioma (55%), sendo 25 end\u00eamicas. Entre as 20 esp\u00e9cies de r\u00e9pteis, 13 ocorrem na Mata Atl\u00e2ntica (65%), sendo 10 end\u00eamicas, a maioria com ocorr\u00eancia restrita aos ambientes de restinga&#8221;.\n\nA verdade \u00e9 que, em um pa\u00eds onde a biodiversidade \u00e9 pouco conhecida como o nosso, h\u00e1 esp\u00e9cies que podem ter sido extintas antes mesmos de serem catalogadas pelos cientistas e outras que, ao serem descobertas, entram imediatamente para a tr\u00e1gica lista das amea\u00e7adas de extin\u00e7\u00e3o. S\u00e3o os casos, por exemplo, do mico-le\u00e3o-da-cara-preta (Leontopithecus caissara) e do p\u00e1ssaro bicudinho-do-brejo (Stymphalornis acutirostris), ambos recentemente encontrados por pesquisadores no litoral paranaense, a menos de 200 quil\u00f4metros da cidade de S\u00e3o Paulo, a maior metr\u00f3pole da Am\u00e9rica do Sul (CAPOBIANCO, 2001).\n\nAs esp\u00e9cies da Mata Atl\u00e2ntica tamb\u00e9m s\u00e3o lembradas nas an\u00e1lises mundiais de lacunas de prote\u00e7\u00e3o da biodiversidade. O estudo feito pela Conservation International, &#8220;An\u00e1lise Global de Lacunas de Conserva\u00e7\u00e3o&#8221;, apresentado no V Congresso Mundial de Parques (Durban\/\u00c1frica &#8211; 2003), constatou que no mundo, pelo menos 719 esp\u00e9cies de vertebrados vivem fora dos limites das unidades de conserva\u00e7\u00e3o existentes, e que outras 943 esp\u00e9cies est\u00e3o dentro de reservas t\u00e3o pequenas que seu habitat n\u00e3o pode ser considerado efetivamente protegido. Das 719 esp\u00e9cies sem prote\u00e7\u00e3o, 140 s\u00e3o mam\u00edferos, 233 s\u00e3o aves e 346 anf\u00edbios.\n\nDas 233 esp\u00e9cies de aves consideradas sem prote\u00e7\u00e3o, boa parte s\u00e3o da Mata Atl\u00e2ntica.\n<h4>Ciclos da Destrui\u00e7\u00e3o da Mata Atl\u00e2ntica<\/h4>\nA destrui\u00e7\u00e3o e utiliza\u00e7\u00e3o irracional da Mata Atl\u00e2ntica come\u00e7ou em 1500 com a chegada dos europeus. Nestes 500 anos a rela\u00e7\u00e3o dos colonizadores e seus sucessores, com a floresta e seus recursos, foi a mais predat\u00f3ria poss\u00edvel. No entanto, foi no s\u00e9culo XX que o desmatamento e a explora\u00e7\u00e3o madeireira atingiram n\u00edveis alarmantes. Das florestas prim\u00e1rias s\u00f3 foi valorizada a madeira, mesmo assim apenas de algumas poucas esp\u00e9cies. Nenhum valor era atribu\u00eddo aos produtos n\u00e3o madeireiros e os servi\u00e7os ambientais das florestas eram ignorados ou desconhecidos.\n\nTodos os principais ciclos econ\u00f4micos desde a explora\u00e7\u00e3o do pau-brasil, a minera\u00e7\u00e3o do ouro e diamantes, a cria\u00e7\u00e3o de gado, as planta\u00e7\u00f5es de cana-de-a\u00e7\u00facar e caf\u00e9, a industrializa\u00e7\u00e3o, a exporta\u00e7\u00e3o de madeira e, mais recentemente, o plantio de soja e fumo, foram, passo-a-passo, desalojando a Mata Atl\u00e2ntica.\n\nHistoricamente, os setores agropecu\u00e1rio, madeireiro, sider\u00fargico e imobili\u00e1rio pouco se preocuparam com o futuro das florestas ou com a conserva\u00e7\u00e3o da biodiversidade. Pelo contr\u00e1rio, sempre agiram objetivando o maior lucro no menor tempo poss\u00edvel. O mais grave \u00e9 que esta falta de compromisso com a conserva\u00e7\u00e3o e, muitas vezes, at\u00e9 o est\u00edmulo ao desmatamento, partiram dos governos.\n\nEm 1850 o Estado de S\u00e3o Paulo tinha 80% de seu territ\u00f3rio coberto por Mata Atl\u00e2ntica, os outros 20% eram cerrado e outros ecossistemas. Com a expans\u00e3o da cultura do caf\u00e9 e a industrializa\u00e7\u00e3o, apenas 100 anos depois, em 1950, restavam somente 18%, mas isso preocupava pouca gente pois a &#8220;fuma\u00e7a das f\u00e1bricas era vista e apreciada como paisagem do progresso&#8221; (ROCHA &amp; COSTA, 1998).\n\nSegundo Newton Carneiro em &#8220;Um Precursor da Justi\u00e7a Social &#8211; David Carneiro e a Economia Paranaense&#8221;, em 1873 a Companhia Florestal Paranaense, com o objetivo de fazer propaganda e atrair os importadores europeus, chegou a cortar em peda\u00e7os, uma arauc\u00e1ria de 33 metros de altura, transportando-a de navio para a Europa, onde foi novamente montada em p\u00e9, na Exposi\u00e7\u00e3o Internacional de Viena (KOCH, CORREA, 2002).\n\nUm exemplo da forma como o desmatamento era estimulado pode ser encontrado em Rel\u00edquias Bibliogr\u00e1ficas Florestais (ENCINAS, 2001), que transcreve uma exposi\u00e7\u00e3o de motivos feita em 1917 pela Comiss\u00e3o da Sociedade Nacional de Agricultura para o Ministro da Agricultura, Ind\u00fastria e Com\u00e9rcio. A Comiss\u00e3o solicitava ao Governo Federal e aos governadores dos Estados que fizessem ampla campanha estimulando o corte de nossas florestas para exporta\u00e7\u00e3o ao mercado Europeu depois que terminasse a 1a Guerra Mundial.\n\n<strong>No documento intitulado &#8220;O C\u00f3rte das Mattas e a Exporta\u00e7\u00e3o das madeiras brasileiras&#8221;, pode-se encontrar o seguinte par\u00e1grafo<\/strong>:&#8230; &#8220;Seria um acto revelador de intelligente previs\u00e3o e muito remunerador aproveitarmos o prazo que nos separa da data em que se celebrar\u00e1 a paz, para darmos a maxima actividade \u00e1 industria extrativista das madeiras, formando por toda a parte, na proximidade dos nossos portos de embarque, avultados stocks de madeiras seccas e limpas que ser\u00e3o procuradas com empenho e promptamente expedidas por bom pre\u00e7o, para o exterior, quando a guerra cessar&#8221;. &#8230;por meio de reiteradas publica\u00e7\u00f5es feitas na imprensa diaria de todos os munic\u00edpios, e por outras medidas adequadas, estenderia a patriotica propaganda para todo o pais&#8230;&#8221;.\n\nJ\u00e1 no final da d\u00e9cada de 1920, podia-se ver o resultado perverso das pol\u00edticas florestais equivocadas da \u00e9poca. Uma descri\u00e7\u00e3o da irracionalidade praticada contra a Mata Atl\u00e2ntica pode ser encontrada num livro escrito em 1930 por F. C. Hoehne. Ao liderar uma expedi\u00e7\u00e3o, na qualidade de assistente-chefe da se\u00e7\u00e3o de bot\u00e2nica e agronomia do Instituto Biol\u00f3gico de Defesa Agr\u00edcola e Animal do Estado de S\u00e3o Paulo, Hoehne percorreu de trem a regi\u00e3o das matas onde ocorria a arauc\u00e1ria, nos Estados do Paran\u00e1 e Santa Catarina, passando pelas regi\u00f5es de Curitiba, Ponta Grossa, Rio Negro, Mafra, S\u00e3o Francisco do Sul, Porto Uni\u00e3o, al\u00e9m de outras cidades menores, chegando a Joinville.\n\nRegistrou em detalhes a beleza da paisagem, a diversidade da flora, a presen\u00e7a humana e a destrui\u00e7\u00e3o promovida pela explora\u00e7\u00e3o madeireira irracional e pela expans\u00e3o de pastagens e agricultura sem nenhum cuidado com o meio ambiente. Em Tr\u00eas Barras, a caminho de Porto Uni\u00e3o, Hoehne descreveu com intensa revolta a enorme degrada\u00e7\u00e3o promovida pela empresa South Brazilian Lumber and Colonisation Comp. Ltda., que , em troca da constru\u00e7\u00e3o de trechos da estrada de ferro S\u00e3o Paulo-Rio Grande, recebera a concess\u00e3o para explorar milhares de hectares de florestas ricas em arauc\u00e1rias e imbuias, numa extens\u00e3o de 15 km em cada lado da ferrovia.\n\n<strong>Hoehne escreveu:<\/strong> &#8220;&#8230;Alguem disse que o nosso caipira \u00e9 semeador de taperas, fabricante de desertos e um inimigo das mattas. &#8230;Assim procederam e continuam agindo os vanguardas da nossa civiliza\u00e7\u00e3o, que denominamos pioneiros e desbravadores do sert\u00e3o. &#8230;Urge que os governos opponham um dique \u00e0 onda devastadora de madeiras, que amea\u00e7a transformar nossa terra em um deserto.&#8221;\n\n<strong>Segundo DEAN (1996), numa confer\u00eancia em Minas Gerais, realizada em 1924, um orador disse:<\/strong> &#8220;Entre n\u00f3s \u00e9 nulo o amor por nossas florestas, nula a compreens\u00e3o das infelizes conseq\u00fc\u00eancias que derivam de seu empobrecimento e do horror que resultaria de sua completa destrui\u00e7\u00e3o. Fortalecer o sentimento (de conserva\u00e7\u00e3o) \u00e9 uma medida de necessidade urgente&#8221;.\n\nPara entender melhor o processo de destrui\u00e7\u00e3o da Mata Atl\u00e2ntica, vejamos alguns dados de um estudo feito no Estado do Paran\u00e1 na d\u00e9cada de 1960. Em 1963 foi realizado o &#8220;Invent\u00e1rio do Pinheiro no Paran\u00e1&#8221; pela Comiss\u00e3o de Estudos dos Recursos Naturais Renov\u00e1veis do Estado do Paran\u00e1 (CERENA), em colabora\u00e7\u00e3o com a Escola de Florestas da Universidade Federal do Paran\u00e1, Escola de Agronomia e Veterin\u00e1ria da Universidade Federal do Paran\u00e1, Departamento de Geografia, Terras e Coloniza\u00e7\u00e3o e FAO (Na\u00e7\u00f5es Unidas).\n\n<strong>Eis alguns n\u00fameros e conclus\u00f5es do estudo:<\/strong> em 1963 a \u00e1rea total de florestas no Paran\u00e1 era de cerca de 6.500.000 ha (em 1995 restavam somente 1.730.500 ha de florestas prim\u00e1rias e secund\u00e1rias, segundo o Atlas dos Remanescentes Florestais no Dom\u00ednio da Mata Atl\u00e2ntica &#8211; SOS,INPE, ISA); naquele mesmo ano, a \u00e1rea total com remanescentes de arauc\u00e1ria era estimada em 1.500.000 ha. O estudo estimou em 45.000.000 m3, o estoque total de madeira de Arauc\u00e1ria no Estado do Paran\u00e1 naquele ano. Concluiu que, a continuar o corte anual de 3.000.000 m3, a reserva de madeira estaria liquidada em 15 anos a contar do ano de 1963.\n\n&#8230;&#8221;De acordo com o que ficou demonstrado, o desenvolvimento anual das matas remanescentes \u00e9 muito mais baixo do que o corte processado pela ind\u00fastria madeireira no mesmo per\u00edodo de tempo. Em raz\u00e3o desse desequil\u00edbrio, uma crise se delineia em futuro muito pr\u00f3ximo&#8221;. &#8230;&#8221;A atual ind\u00fastria madeireira est\u00e1 na realidade baseada num corte anual de cerca de 10 vezes o incremento anual total de madeira, que \u00e9 de apenas 460.000 m3.&#8221;\n\n<strong>Tamb\u00e9m ficou demonstrado que, al\u00e9m da Floresta Ombr\u00f3fila Mista, que vinha sendo dizimada pelos madeireiros, as florestas estacionais e densas tamb\u00e9m vinham sofrendo uma intensa destrui\u00e7\u00e3o: <\/strong>&#8230;&#8221;Pode ser feita uma avalia\u00e7\u00e3o da \u00e1rea florestal anualmente destru\u00edda no Estado do Paran\u00e1, principalmente pelos fazendeiros, baseando-se em fotografias a\u00e9reas de 1963 e 1953. Os c\u00e1lculos revelaram que anualmente s\u00e3o destru\u00eddos cerca de 250.000 ha de florestas tropicais.&#8221; \u00c1rea equivalente a 2.500 km2\/ano de florestas destru\u00eddas.\n\n<strong>Em 1965, segundo o Instituto Nacional do Pinho, havia no Paran\u00e1:<\/strong> 1.395 serrarias de produ\u00e7\u00e3o para exporta\u00e7\u00e3o e consumo local do pinho; 278 f\u00e1bricas de laminados e compensados, 926 f\u00e1bricas de pinho beneficiado, caixas, cabos de vassouras, artefatos de l\u00e2minas; 256 f\u00e1bricas de m\u00f3veis; 188 exportadores de madeira; 932 comerciantes de madeira e; 94 f\u00e1bricas de celulose, papel e pasta mec\u00e2nica.\n\nEstes dados mostram claramente que h\u00e1 40 anos j\u00e1 se sabia que a Mata Atl\u00e2ntica vinha sendo destru\u00edda numa velocidade muito maior do que a sua capacidade de auto-regenera\u00e7\u00e3o.\n\n<strong>O Estudo fez sugest\u00f5es de medidas que deveriam ter sido tomadas naquela \u00e9poca:<\/strong> &#8230;&#8221;A aplica\u00e7\u00e3o do C\u00f3digo Florestal (art.16) \u00e9 uma f\u00f3rmula justa a ser considerada pelos poderes estaduais&#8221;. &#8230;&#8221;Um dos primeiros passos a dar em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 recupera\u00e7\u00e3o florestal do Estado \u00e9 estabelecer reservas florestais, a fim de manter a cobertura florestal permanente e prover o suprimento necess\u00e1rio de madeira e mat\u00e9ria prima para a ind\u00fastria de papel e as demais de transforma\u00e7\u00e3o.&#8221;&#8230;\n\nPara o Paran\u00e1 isto significa manter reservas de cerca de 3 a 4 milh\u00f5es de hectares&#8221;.\n\nComo nenhuma das medidas sugeridas foi levada a s\u00e9rio, os n\u00fameros de serrarias e empregos foram diminuindo juntamente com a floresta. Isso mostra que houve n\u00e3o apenas uma insustentabilidade ambiental na explora\u00e7\u00e3o da floresta, mas tamb\u00e9m uma completa insustentabilidade econ\u00f4mica e social nessa explora\u00e7\u00e3o. Segundo estudo da Funda\u00e7\u00e3o de Pesquisas Florestais do Paran\u00e1 (FUPEF, 2001), restam hoje no Paran\u00e1 apenas 0,8% (66.000 ha) de remanescentes de floresta com arauc\u00e1ria em est\u00e1gio avan\u00e7ado de regenera\u00e7\u00e3o. Ambientes intocados s\u00e3o praticamente inexistentes.\n\nDEAN (1996), no livro &#8220;A Ferro e fogo&#8221;, faz um dos relatos mais impressionantes do processo de destrui\u00e7\u00e3o da Mata Atl\u00e2ntica. As pol\u00edticas governamentais brasileiras tinham como imperativo o &#8220;desenvolvimento econ\u00f4mico&#8221; e j\u00e1 na primeira metade do s\u00e9culo XX havia se dado o cerco final da Mata Atl\u00e2ntica. &#8220;A id\u00e9ia de desenvolvimento econ\u00f4mico penetrava a consci\u00eancia da cidadania, justificando cada ato de governo, e at\u00e9 de ditadura, e de extin\u00e7\u00e3o da natureza&#8221;(DEAN, 1996).\n\nDurante a primeira Confer\u00eancia das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, realizada em Estocolmo (Su\u00e9cia) em 1972, os representantes do governo brasileiro deram ao mundo um dos mais deplor\u00e1veis exemplos de desconsidera\u00e7\u00e3o para com o meio ambiente, de todos os tempos, ao declararem &#8220;que venha a polui\u00e7\u00e3o, desde que as f\u00e1bricas venham com ela&#8221;.\n\nN\u00e3o s\u00f3 os governantes desde a \u00e9poca dos portugueses, mas a maioria dos brasileiros tamb\u00e9m sempre foram indiferentes \u00e0 destrui\u00e7\u00e3o da Mata Atl\u00e2ntica, cabendo aos cientistas e algumas figuras p\u00fablicas a defesa de teses conservacionistas, pelo menos at\u00e9 a d\u00e9cada de 1970.\n\n<strong>ROCHA &amp; COSTA (1998), nos d\u00e3o uma id\u00e9ia dessa indiferen\u00e7a:<\/strong> &#8220;O homem estava de costas para as florestas e desprezava o conhecimento ind\u00edgena sobre ela, ainda que tivesse adotado a maioria de suas plantas aliment\u00edcias, como a mandioca e o milho, e a imensid\u00e3o de frutas que at\u00e9 hoje s\u00e3o fonte de vitamina e alegria para todos os brasileiros&#8221;.\n\nA pol\u00edtica do crescimento a qualquer custo adotada pelo Brasil ap\u00f3s a Segunda Guerra Mundial teve no p\u00f3lo industrial de Cubat\u00e3o, no litoral de S\u00e3o Paulo, o seu principal \u00edcone. Os resultados catastr\u00f3ficos da polui\u00e7\u00e3o e da alta concentra\u00e7\u00e3o de gases na atmosfera lan\u00e7ados pelas ind\u00fastrias, come\u00e7aram a aparecer na d\u00e9cada de 1970, com a popula\u00e7\u00e3o da regi\u00e3o sofrendo problemas respirat\u00f3rios e at\u00e9 o nascimento de beb\u00eas com m\u00e1 forma\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m disso, a chuva \u00e1cida desestabilizou todo o ecossistema da Mata Atl\u00e2ntica nas encostas da Serra do Mar. Em fevereiro de 1985 fortes chuvas provocaram enormes deslizamentos nas encostas, causando diversas mortes em bairros como a Vila Parisi e tamb\u00e9m atingindo e levando preju\u00edzos econ\u00f4micos a diversas ind\u00fastrias.\n<h4>DESENVOLVIMENTO E RECUPERA\u00c7\u00c3O<\/h4>\nComiss\u00e3o Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, criada em 1983 e presidida por Gro Harlem Brundtland, primeira ministra da Noruega, definiu, no livro Nosso Futuro Comum, desenvolvimento sustent\u00e1val como sendo o desenvolvimento onde a humanidade seja capaz de garantir o atendimento das necessidades da presente sem comprometer a capacidade de as gera\u00e7\u00f5es futuras atenderem tamb\u00e9m \u00e0s suas.\n\nNum bioma como a Mata Atl\u00e2ntica onde a cobertura florestal nativa foi reduzida a 7,84%, comprometendo altamente o estoque dos recursos naturais, torna-se ainda mais complexo o processo de alcan\u00e7ar o desenvolvimento sustent\u00e1vel. Neste caso n\u00e3o basta apenas planejar o uso adequado dos recursos ainda existentes pois os mesmos j\u00e1 s\u00e3o insuficientes para atender as necessidades da atual gera\u00e7\u00e3o. Para a maioria dos recursos da flora e tamb\u00e9m da fauna da Mata Atl\u00e2ntica, \u00e9 necess\u00e1rio, antes de mais nada, recuperar ou restaurar florestas e ecossistemas para depois fazer uso sustentado dos seus recursos. A recupera\u00e7\u00e3o e restaura\u00e7\u00e3o n\u00e3o s\u00e3o um processo r\u00e1pido, que d\u00e1 resultados em poucos meses ou poucos anos. Em geral, os resultados s\u00f3 come\u00e7am a aparecer depois de 3, 5 ou 10 anos e isso implica em investimentos.\n\nPara falar em uso ou manejo sustent\u00e1vel de recursos florestais da Mata Atl\u00e2ntica, \u00e9 necess\u00e1rio fazer uma distin\u00e7\u00e3o entre recursos madeireiros e n\u00e3o-madeireiros e ainda, usos para atender as necessidades internas-meio-ambiente das propriedades ou das popula\u00e7\u00f5es tradicionais e manejo com finalidade comercial.\n<h4>A explora\u00e7\u00e3o comercial de madeira nativa na Mata Atl\u00e2ntica \u00e9 poss\u00edvel?<\/h4>\nA resposta \u00e9 n\u00e3o para as \u00e1reas naturais remanescentes. A resposta \u00e9 sim para florestas plantadas, sejam de esp\u00e9cies ex\u00f3ticas ou nativas. O problema \u00e9 que quase n\u00e3o existem florestas plantadas de esp\u00e9cies nativas, pois, historicamente o setor madeireiro agiu sem planejamento e sem vis\u00e3o de longo prazo.\n\nO Engenheiro Florestal Doutor S\u00e9rgio Ahrens, Pesquisador em Biometria e Manejo Florestal do Centro Nacional de Pesquisa de Floresta da EMBRAPA, Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecu\u00e1ria, explica que &#8220;no manejo de florestas naturais, e no \u00e2mbito da sustentabilidade, o objetivo mais elevado na hierarquia deve ser a conserva\u00e7\u00e3o da cobertura florestal e da sua capacidade regenerativa; apenas depois vir\u00e1 a produ\u00e7\u00e3o&#8230;\n\n<strong>Na pr\u00e1tica do manejo florestal no Brasil, constata-se, de fato, uma eros\u00e3o gen\u00e9tica:<\/strong> quando os melhores indiv\u00edduos, e apenas de determinadas esp\u00e9cies tidas como comerciais, s\u00e3o objeto de corte e comercializa\u00e7\u00e3o&#8221;.\n\n<strong>O Professor Paulo Kageyama nos ensina que:<\/strong>\n\n&#8230;&#8221;A floresta tropical, tal como a maioria dos ecossistemas nas regi\u00f5es entre os tr\u00f3picos, em fun\u00e7\u00e3o da sua alt\u00edssima diversidade de esp\u00e9cies e principalmente devido \u00e0s suas complexas intera\u00e7\u00f5es entre organismos, apresenta grandes dificuldades de a\u00e7\u00f5es nas mesmas que sejam sustent\u00e1veis&#8230;\n\n&#8230;&#8221;O manejo sustent\u00e1vel deve n\u00e3o s\u00f3 atender os requisitos econ\u00f4micos e ecol\u00f3gicos, como tamb\u00e9m os aspectos sociais, deve portanto ser economicamente vi\u00e1vel, socialmente justo e ecologicamente defens\u00e1vel. O aspecto ecol\u00f3gico do manejo diz respeito n\u00e3o s\u00f3 \u00e0 integridade das popula\u00e7\u00f5es da(s) esp\u00e9cie(s) em explora\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m aos outros recursos potenciais e tamb\u00e9m \u00e0 biodiversidade. Isso significa que devemos cuidar da manuten\u00e7\u00e3o do equil\u00edbrio das popula\u00e7\u00f5es das esp\u00e9cies da floresta, tanto no seu aspecto demogr\u00e1fico como gen\u00e9tico, principalmente, mas n\u00e3o s\u00f3, das esp\u00e9cies em uso.&#8221;\n\n&#8230;&#8221;O estado atual de conserva\u00e7\u00e3o da Mata Atl\u00e2ntica, com somente cerca de 7% de sua cobertura original, aponta alt\u00edssima prioridade para a conserva\u00e7\u00e3o in situ. As \u00e1reas remanescentes desse ecossistema (unidades de conserva\u00e7\u00e3o e \u00e1reas particulares) representam sem d\u00favida, ainda uma grande fonte de biodiversidade, no entanto, pouco ainda se sabe sobre a efetividade da conserva\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica das esp\u00e9cies que restam nessas \u00e1reas.&#8221;\n<h4>Distribui\u00e7\u00e3o da Mata Atl\u00e2ntica<\/h4>\nDuas grandes florestas, formadas por verdadeiros mosaicos, foram encontradas pelos europeus quando se iniciou o processo da coloniza\u00e7\u00e3o. A maior delas \u00e9 a Floresta Amaz\u00f4nica, que ocupa toda a regi\u00e3o Norte do Brasil e se estende pela bacia hidrogr\u00e1fica do Rio Amazonas.\n\nA segunda, a Mata Atl\u00e2ntica, menor em dimens\u00e3o, por\u00e9m que ocupava 15% do territ\u00f3rio brasileiro, ocorria ao longo da costa e se estendia centenas de quil\u00f4metros pa\u00eds adentro, no Sudeste e Sul, chegando \u00e0 Argentina e Paraguai.\n\nAtualmente entende-se como Bioma Mata Atl\u00e2ntica, o conjunto de forma\u00e7\u00f5es florestais e ecossistemas associados que incluem a Floresta Ombr\u00f3fila Densa, a Floresta Ombr\u00f3fila Mista, a Floresta Ombr\u00f3fila Aberta, a Floresta Estacional Semidecidual, a Floresta Estacional Decidual, os manguezais, as restingas, os campos de altitude, as ilhas litor\u00e2neas e os brejos interioranos e encraves florestais do Nordeste. Abrange total ou parcialmente 3.409 munic\u00edpios em 17 Estados brasileiros (RS, SC, PR, SP, GO, MS, RJ, MG, ES, BA, AL, SE, PB, PE, RN, CE, PI), situados ao longo da costa atl\u00e2ntica, do Rio Grande do Sul ao Rio Grande do Norte, al\u00e9m de parte dos Estados de Mato Grosso do Sul e Goi\u00e1s (Figura 1). Entretanto este conceito nem sempre foi assim.\n\nSegundo Capobianco (2001), apesar de originalmente formar uma floresta cont\u00ednua, at\u00e9 recentemente existiam diferentes denomina\u00e7\u00f5es para a Mata Atl\u00e2ntica. Estas denomina\u00e7\u00f5es eram baseadas em diversos pesquisadores que agrupavam as forma\u00e7\u00f5es florestais de acordo com seus pr\u00f3prios crit\u00e9rios de considera\u00e7\u00f5es fitofision\u00f4micas e Flor\u00edsticas.\n\nAlguns autores diziam que a Mata Atl\u00e2ntica se restringiria \u00e0 floresta densa que ocorre ao longo do litoral brasileiro. Por\u00e9m, estudiosos como AB&#8217;SABER (1977), RIZZINI (1979), EITEN (1983), entre outros, desenvolveram trabalhos onde apresentavam um conceito mais amplo da forma\u00e7\u00e3o original da Mata Atl\u00e2ntica, embora com \u00e1reas de abrang\u00eancia e terminologias diferentes.\n\n&#8220;Se at\u00e9 recentemente a conceitua\u00e7\u00e3o cient\u00edfica da Mata Atl\u00e2ntica era exclusivamente um assunto de interesse acad\u00eamico, a partir da promulga\u00e7\u00e3o da Constitui\u00e7\u00e3o Federal de 1988 ela se tornou uma quest\u00e3o legal. Isto porque, ao conferir \u00e0 Mata Atl\u00e2ntica o status de &#8220;patrim\u00f4nio nacional&#8221;, a defini\u00e7\u00e3o de sua \u00e1rea de abrang\u00eancia passou a ser um imperativo para a regulamenta\u00e7\u00e3o de seu uso e conserva\u00e7\u00e3o, nos termos restritivos definidos pelos deputados constituintes&#8221; (CAPOBIANCO, 2001).\n\nFoi num semin\u00e1rio, promovido pela Funda\u00e7\u00e3o SOS Mata Atl\u00e2ntica, ocorrido em Atibaia (SP), em 1990 e que reuniu os mais importantes pesquisadores e especialistas nesta \u00e1rea, que se iniciou a busca de uma defini\u00e7\u00e3o cient\u00edfica consensual para o conceito de Mata Atl\u00e2ntica.\n<h4>Esp\u00e9cie para Manejo<\/h4>\n<strong>Palmito (Euterpe edulis Martius)<\/strong>\n\nOcorre na Floresta Ombr\u00f3fila Densa e nas Florestas Estacionais, do Rio Grande do Sul at\u00e9 o Sul da Bahia. \u00c9 uma esp\u00e9cie chave para a conserva\u00e7\u00e3o e recupera\u00e7\u00e3o da Mata Atl\u00e2ntica, por apresentar grande densidade de indiv\u00edduos, atingindo popula\u00e7\u00f5es com cerca de 750 plantas maiores do que 1,3 metros de altura, podendo atingir cerca de 10.000 indiv\u00edduos por hectare, incluindo as pl\u00e2ntulas.\n\nDevido a produ\u00e7\u00e3o de frutos durante 6 meses no ano e estes serem muito procurados pela fauna, o enriquecimento de \u00e1reas com esta esp\u00e9cie representa uma fator positivo para o aumento da biodiversidade das florestas secund\u00e1rias, uma vez que o palmito atrair\u00e1 muitos animais para a comunidade florestal, aumentando as probabilidades de chegada de sementes de outras esp\u00e9cies florestais de est\u00e1dios mais avan\u00e7ados, contribuindo para um maior potencial econ\u00f4mico da \u00e1rea (REIS 1995).\n\nPor ser uma esp\u00e9cie de ciclo florestal considerado curto, cuja colheita pode come\u00e7ar 8 anos ap\u00f3s o plantio, associada a um bom rendimento econ\u00f4mico, tem grande potencial para enriquecer as florestas secund\u00e1rias, que em geral apresentam baixa produtividade de produtos de interesse econ\u00f4mico e normalmente s\u00e3o consideradas de pouco valor pelos propriet\u00e1rios.\n\nPor ser uma planta esci\u00f3fila exige a exist\u00eancia de um dossel arb\u00f3reo cont\u00ednuo, com sombra, alta umidade relativa do ar e do solo, para que suas sementes possam germinar e crescer.\n\nO enriquecimento de florestas secund\u00e1rias pode ser feito atrav\u00e9s da semeadura de sementes ou atrav\u00e9s do plantio de mudas produzidas em viveiros. O processo mais barato e mais eficiente no sentido de favorecer a uma sele\u00e7\u00e3o edafo-clim\u00e1tica de cada indiv\u00edduo, \u00e9 o lan\u00e7amento de sementes rec\u00e9m-coletadas, em torno de 2 kilogramas por hectare, durante, no m\u00ednimo, nos primeiros 5 anos. Isto vai contribuir para uma menor preda\u00e7\u00e3o, e uma estimativa de sobreviv\u00eancia de 30% das sementes lan\u00e7adas, ou seja, a emerg\u00eancia de mais ou menos 750 pl\u00e2ntulas\/ha\/ano. Outro m\u00e9todo barato, \u00e9 o plantio de mudas de ra\u00edzes nuas, que podem atingir sobreviv\u00eancia de at\u00e9 60%. Neste caso, sugere-se um plantio mais denso, cerca de 3.000 plantas\/ha\/ano, durante os primeiros 3 anos, ou um plantio alternado, ano sim, ano n\u00e3o, em tr\u00eas plantios ( REIS, 2002).\n\nO m\u00e9todo de grande efic\u00e1cia, por\u00e9m um pouco mais caro, \u00e9 o plantio de mudas produzidas em viveiros. Este m\u00e9todo garante resultados em menor prazo e \u00e9 recomendado para \u00e1reas onde j\u00e1 n\u00e3o existam mais exemplares de palmito na natureza.\n\n<strong>Segundo Reis, 2002: <\/strong>\n\n&#8220;o palmiteiro \u00e9 um grande centro de alimentos para os animais da floresta o que sugere que esta esp\u00e9cie pode ser um tipo de gatilho capaz de mudar os rumos da din\u00e2mica sucessional, quando a esp\u00e9cie est\u00e1 presente na comunidade florestal. Ao potencial ecol\u00f3gico do palmiteiro, devido aos seus complexos n\u00edveis de intera\u00e7\u00e3o dentro das comunidades florestais, soma-se seu valor como uma das principais alternativas econ\u00f4micas da Floresta Ombr\u00f3fila Densa, principalmente para a subsist\u00eancia das comunidades humanas tradicionais. Estas suas potencialidades, conciliando aspectos de ecologia e economia, requerem uma dr\u00e1stica mudan\u00e7a nos moldes em que esta esp\u00e9cie vem sendo atualmente explorada. A manuten\u00e7\u00e3o da estrutura populacional e dos n\u00edveis de intera\u00e7\u00e3o \u00e9, dentro da floresta, a \u00fanica forma de garantir a sustentabilidade das popula\u00e7\u00f5es naturais desta esp\u00e9cie&#8221;.\n<h4>Fitofisionomias da Mata Atl\u00e2ntica<\/h4>\n<strong>Floresta Ombr\u00f3fila Densa<\/strong>\n\nMata perenif\u00f3lia (sempre verde), com dossel (&#8220;teto&#8221; da floresta) de at\u00e9 15m, com \u00e1rvores emergentes de at\u00e9 40m de altura. Densa vegeta\u00e7\u00e3o arbustiva, composta por samambaias arborescentes, brom\u00e9lias e palmeiras. As trepadeiras e ep\u00edfitas (brom\u00e9lias, orqu\u00eddeas) cactos, samambaias, etc, tamb\u00e9m s\u00e3o muito abundantes. Nas \u00e1reas mais \u00famidas, \u00e0s vezes temporariamente encharcadas, antes da degrada\u00e7\u00e3o pelo homem, ocorriam figueiras, jeriv\u00e1s (palmeira) e palmitos (Euterpe edulis).\n\n<strong>Floresta Ombr\u00f3fila Aberta<\/strong>\n\n\u00c9 considerada um tipo de transi\u00e7\u00e3o da floresta ombr\u00f3fila densa, ocorrendo em ambientes com caracter\u00edsticas clim\u00e1ticas mais secas.\n\n<strong>Floresta Ombr\u00f3fila Mista<\/strong>\n\nConhecida como mata de arauc\u00e1ria, pois o Pinheiro do Paran\u00e1 (Araucaria anguistifolia) constitui o andar superior da floresta, com subosque bastante denso. Antes da interfer\u00eancia antr\u00f3pica esta forma\u00e7\u00e3o ocorria nas regi\u00f5es de clima subtropical, principalmente nos planaltos do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paran\u00e1, e em maci\u00e7os descont\u00ednuos, nas partes mais elevadas de S\u00e3o Paulo, Rio de Janeiro e Sul de Minas Gerais (Serras de Paranapiacaba, da Mantiqueira e da Bocaina).\n\n<strong>Floresta Estacional (Decidual e Semidecidual)<\/strong>\n\nMata com \u00e1rvores de 25 e 30m, com a presen\u00e7a de esp\u00e9cies dec\u00edduas (derrubam folhas durante o inverno mais frio e seco), com consider\u00e1vel ocorr\u00eancia de ep\u00edfitas e samambaias nos locais mais \u00famidos, e grande quantidade de cip\u00f3s (trepadeiras). Ocorriam antes da degrada\u00e7\u00e3o pelo homem, a leste das florestas ombr\u00f3filas da encosta atl\u00e2ntica, entrando pelo Planalto Brasileiro at\u00e9 as margens do rio Paran\u00e1. O Parque Estadual do Morro do Diabo protege este tipo de floresta.\n<h4>Manguezais<\/h4>\nForma\u00e7\u00e3o que ocorre ao longo dos estu\u00e1rios, em fun\u00e7\u00e3o da \u00e1gua salobra produzida pelo encontro da \u00e1gua doce dos rios com a do mar. \u00c9 uma vegeta\u00e7\u00e3o muito caracter\u00edstica, pois o manguezal tem apenas sete esp\u00e9cies de \u00e1rvores &#8211; menos de 1% das registradas na mata atl\u00e2ntica -, mas abriga uma diversidade de microalgas pelo menos dez vezes maior. Essa floresta invis\u00edvel, revelam pesquisadores da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), \u00e9 capaz de ocupar, com cerca de 200 mil representantes, um \u00fanico cent\u00edmetro quadrado de raiz de mangue.\n<h4>Restinga<\/h4>\nOcupa grandes extens\u00f5es do litoral, sobre dunas e plan\u00edcies costeiras. Inicia-se junto a praia, com gram\u00edneas e vegeta\u00e7\u00e3o rasteira, e torna-se gradativamente mais variada e desenvolvida \u00e0 medida que avan\u00e7a para o interior, podendo tamb\u00e9m apresentar brejos com densa vegeta\u00e7\u00e3o aqu\u00e1tica. Abriga muitos cactos, orqu\u00eddeas e brom\u00e9lias. Esta forma\u00e7\u00e3o encontra-se hoje muito devastada pela urbaniza\u00e7\u00e3o.\n<h4>Brejos de Altitude<\/h4>\nS\u00e3o \u00e1reas de clima diferenciado no interior do semi-\u00e1rido, tamb\u00e9m conhecidas regionalmente como &#8220;serras \u00famidas&#8221;, por ocuparem primitivamente a maior parte dos tabuleiros e das encostas orientais do nordeste.\n<h4>Campos<\/h4>\nOcorrem em eleva\u00e7\u00f5es superiores a 180 metros e em linhas de cumeadas localizadas. A vegeta\u00e7\u00e3o caracter\u00edstica \u00e9 formada por comunidades de gram\u00edneas, em certos lugares interrompidas por pequenas charnecas. Freq\u00fcentemente nas maiores altitudes ocorrem topos planos ou picos rochosos.\n<h4>Povos Ind\u00edgenas e Tradicionais da Mata Atl\u00e2ntica<\/h4>\n<strong>Os \u00edndios<\/strong>\n\nQuando os portugueses chegaram ao Brasil, em 1500, havia cerca de 5 milh\u00f5es de \u00edndios por aqui. Hoje, segundo a Funai, s\u00e3o apenas 250 mil. As tribos que habitavam o litoral (Tamoios, Teminin\u00f3s, Tupiniquins, Caet\u00e9s, Tabajaras, Potiguares, Patax\u00f3s e Guaranis) foram as primeiras a sofrerem com a chegada dos colonizadores. Os brancos, al\u00e9m de espalharem doen\u00e7as, usaram os \u00edndios como soldados nas guerras contra os invasores e como escravos.\n\n<strong>Os cai\u00e7aras <\/strong>\n\nO Cai\u00e7ara, que na l\u00edngua tupi quer dizer &#8220;armadilha de galhos&#8221;, \u00e9 a heran\u00e7a deixada pelo contato entre o colono e o \u00edndio. Os cai\u00e7aras vivem entre o mar e a floresta, sobrevivendo da pesca, do plantio da mandioca e do extrativismo. Assim como as florestas e os \u00edndios que foram sumindo, a popula\u00e7\u00e3o cai\u00e7ara tamb\u00e9m est\u00e1 perdendo sua identidade e sua cultura, principalmente pela explora\u00e7\u00e3o do turismo e da especula\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria.\n\n<strong>Os quilombolas <\/strong>\n\nS\u00e3o as popula\u00e7\u00f5es remanescentes dos antigos quilombos e que preservam a cultura negra tradicional. Como exemplos da resist\u00eancia dessa cultura na Mata Atl\u00e2ntica, se pode citar as comunidades do Vale do Ribeira em S\u00e3o Paulo. Descendentes de escravos desgarrados de velhas fazendas do s\u00e9culo XVIII, os quilombolas t\u00eam hoje direito legal a terra que ocupam, gra\u00e7as \u00e0 Constitui\u00e7\u00e3o de 1988.\n\nNo Vale do Ribeira s\u00e3o diversas as comunidades como as de Ivaporunduva, Praia Grande, Nhunguara e S\u00e3o Pedro. Um exemplo vivo dessa hist\u00f3ria \u00e9 a capela de Ivaporunduva, constru\u00edda em 1779, onde ainda \u00e9 celebrada a missa afro-cat\u00f3lica.\n\nNos \u00faltimos anos, as popula\u00e7\u00f5es tradicionais t\u00eam desempenhado um novo papel no cen\u00e1rio s\u00f3cio pol\u00edtico, sobretudo na \u00e1rea de conserva\u00e7\u00e3o ambiental, em virtude do grande conhecimento acumulado sobre a biodiversidade, das pr\u00e1ticas de manejo e tamb\u00e9m dos movimentos de defesa de seus modos de vida.\n\nAtualmente cresce o n\u00famero de projetos de desenvolvimento sustent\u00e1vel executados por estas comunidades, muitos deles em Unidades de Conserva\u00e7\u00e3o de Uso Direto como as Reservas extrativistas, \u00c1reas de Prote\u00e7\u00e3o Ambiental e \u00c1reas de Relevante Interesse Ecol\u00f3gico.\n<h4>Recupera\u00e7\u00e3o ou Reflorestamento da Mata Atl\u00e2ntica<\/h4>\nExistem duas maneiras de se recuperar \u00e1reas desmatadas no passado, sejam \u00e1reas de preserva\u00e7\u00e3o permanente, reservas legais ou outras \u00e1reas.\n<h4>Regenera\u00e7\u00e3o espont\u00e2nea<\/h4>\n\u00c9 a maneira mais f\u00e1cil e barata. Basta deixar a natureza agir sozinha, ou seja, parar de praticar agricultura ou pecu\u00e1ria nestas \u00e1reas para que aconte\u00e7a a regenera\u00e7\u00e3o espont\u00e2nea e natural da floresta. Isto s\u00f3 ser\u00e1 poss\u00edvel se a terra n\u00e3o estiver muito degradada, se existirem dispersores de sementes, e se nas proximidades existirem remanescentes florestais que possam fornecer sementes. Neste caso, em pouco tempo surgir\u00e1 uma capoeira, que em alguns anos se transformar\u00e1 numa floresta. Nas pastagens o ideal \u00e9 cercar a \u00e1rea, deixando apenas um pequeno caminho para os animais chegarem at\u00e9 a \u00e1gua.\n\nApesar de mais barata e f\u00e1cil, a regenera\u00e7\u00e3o espont\u00e2nea apresenta algumas limita\u00e7\u00f5es em rela\u00e7\u00e3o aos reflorestamentos, cabendo citar a menor diversidade de esp\u00e9cies de \u00e1rvores, gerada pelo grande n\u00famero de exemplares de esp\u00e9cies pioneiras competindo entre si por espa\u00e7o e luz, o que dificulta o desenvolvimento do conjunto florestal.\n<h4>Reflorestamento com esp\u00e9cies nativas<\/h4>\nPode-se tamb\u00e9m ajudar a natureza com o plantio de mudas de esp\u00e9cies nativas. Fazer o reflorestamento aumenta um pouco o custo mas o resultado \u00e9 muito mais r\u00e1pido. O que a natureza sozinha faz em 40 anos, pode ser feito em 10 anos com o reflorestamento. O ideal \u00e9 plantar apenas esp\u00e9cies nativas da pr\u00f3pria regi\u00e3o, fazendo uma mistura de esp\u00e9cies de crescimento r\u00e1pido (pioneiras) e esp\u00e9cies de crescimento mais lento (secund\u00e1rias e clim\u00e1cicas). Quanto maior o n\u00famero de esp\u00e9cies plantadas, melhor, pois aumenta a biodiversidade e proporciona maiores condi\u00e7\u00f5es para se chegar novamente a restaurar os aspectos e caracter\u00edsticas originais da floresta.\n\nUma an\u00e1lise comparativa do crescimento das \u00e1rvores plantadas e da biodiversidade em \u00e1reas reflorestadas em rela\u00e7\u00e3o a \u00e1reas em regenera\u00e7\u00e3o natural espont\u00e2nea, indica que atrav\u00e9s do reflorestamento com esp\u00e9cies nativas pode-se adiantar o per\u00edodo de regenera\u00e7\u00e3o de uma floresta em pelo menos 30 anos. Comparando uma \u00e1rea reflorestada com 15 anos, constatou-se que havia maior n\u00famero de esp\u00e9cies e maior volume de madeira do que numa \u00e1rea em regenera\u00e7\u00e3o espont\u00e2nea com 44 anos de idade, apesar do n\u00famero de indiv\u00edduos na \u00e1rea em regenera\u00e7\u00e3o espont\u00e2nea ser significativamente maior.\n\nIsto mostra que o reflorestamento pode contribuir para aumentar a biodiversidade e tamb\u00e9m o ritmo de crescimento das \u00e1rvores (SCH\u00c4FFER &amp; PROCHNOW, 2002)\n\n<strong>Passo a passo<\/strong>\n\nE aqui o passo a passo do reflorestamento de \u00e1reas de preserva\u00e7\u00e3o permanente, reservas legais e outras \u00e1reas degradadas.\n\n<strong>Para recuperar \u00e1reas atrav\u00e9s do reflorestamento \u00e9 importante observar os seguintes passos:<\/strong>\n<blockquote><strong>1 &#8211;<\/strong> Demarcar a \u00e1rea a ser reflorestada e isol\u00e1-la de animais, quando estiver no meio de pastagens.<strong>\n2 &#8211; <\/strong>Escolher esp\u00e9cies adaptadas \u00e0 regi\u00e3o do plantio.<strong>\n3 &#8211;<\/strong> Observar o clima, o solo e usos anteriores da terra, para ver se \u00e9 necess\u00e1rio aplicar fertilizantes para facilitar o crescimento das mudas plantadas.<strong>\n4 &#8211;<\/strong> Utilizar em torno de 50% de esp\u00e9cies pioneiras, aproveitando suas caracter\u00edsticas de r\u00e1pido crescimento para fazer sombra para as esp\u00e9cies clim\u00e1cicas.<strong>\n5 &#8211;<\/strong> Privilegiar o uso de \u00e1rvores frut\u00edferas, com o objetivo atrair a fauna.<strong>\n6 &#8211; <\/strong>Diversificar ao m\u00e1ximo as esp\u00e9cies plantadas, para chegar o mais pr\u00f3ximo poss\u00edvel do ambiente natural.<strong>\n7 &#8211;<\/strong> Quando poss\u00edvel, plantar em linha e colocar estacas, para facilitar futuros trabalhos de manuten\u00e7\u00e3o das mudas plantadas.<strong>\n8 &#8211;<\/strong> Escolher o espa\u00e7amento entre plantas (2 x 2, 3 x 2, 3 x 3 ou 4 x 4), em fun\u00e7\u00e3o dos custos e do prazo em que se espera recuperar a \u00e1rea. Espa\u00e7amentos menores d\u00e3o resultados imediatos, mas o custo de implanta\u00e7\u00e3o \u00e9 maior.<strong>\n9 &#8211;<\/strong> Proceder o replantio das mudas mortas.<strong>\n10 &#8211;<\/strong> Realizar limpezas de manuten\u00e7\u00e3o (ro\u00e7adas e coroamento) at\u00e9 o 3o ano ap\u00f3s o in\u00edcio do plantio.<\/blockquote>\n<h4>Luta Pela Preserva\u00e7\u00e3o da Mata Atl\u00e2ntica<\/h4>\nAo longo da hist\u00f3ria, a exuberante e rica biodiversidade da fauna e flora da Mata Atl\u00e2ntica fascinou alguns dos mais famosos cientistas da humanidade. Entre eles cabe mencionar Charles Darwin, que visitou o Brasil em meados do s\u00e9culo XIX, para coletar informa\u00e7\u00f5es para a teoria da evolu\u00e7\u00e3o, tendo depois mantido contato e trocado informa\u00e7\u00f5es durante diversos anos com o bot\u00e2nico alem\u00e3o Fritz M\u00fcller, radicado em Blumenau (SC). O franc\u00eas Saint-Hilaire esteve no Brasil durante 6 anos e depois publicou 14 volumes de mem\u00f3rias e descri\u00e7\u00f5es bot\u00e2nicas. Al\u00e9m destes, o alem\u00e3o Georg Heinrich Langsdorff, os austr\u00edacos Karl Friedrich Philip von Martius e Johan Baptist Von Spix, descreveram centenas de esp\u00e9cies de plantas e animais no s\u00e9culo XIX.\n\nEntre os cientistas brasileiros o Dr. Paulo Nogueira Neto, professor titular de Ecologia da Universidade de S\u00e3o Paulo, teve papel de destaque na cria\u00e7\u00e3o e implanta\u00e7\u00e3o da Secretaria de Meio Ambiente de S\u00e3o Paulo e na Secretaria Especial de Meio Ambiente federal, precursora do Minist\u00e9rio do Meio Ambiente. O Dr. Paulo \u00e9 tamb\u00e9m integrante e fundador de diversas Organiza\u00e7\u00f5es N\u00e3o Governamentais e respons\u00e1vel pela cria\u00e7\u00e3o de importantes parques, al\u00e9m de ter contribui\u00e7\u00e3o inestim\u00e1vel no aperfei\u00e7oamento e aprova\u00e7\u00e3o de leis ambientais como a de no 6.938 de 1981, que criou o Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA).\n\nTamb\u00e9m o Almirante Ibsen de Gusm\u00e3o C\u00e2mara sempre se dedicou aos estudos da natureza e como presidente da Funda\u00e7\u00e3o Brasileira para a Conserva\u00e7\u00e3o da Natureza (FBCN) colaborou ativamente na cria\u00e7\u00e3o de \u00e1reas protegidas como a Esta\u00e7\u00e3o Ecol\u00f3gica Jur\u00e9ia-Itatins, no litoral de S\u00e3o Paulo.\n\nA luta pela defesa e conserva\u00e7\u00e3o do meio ambiente no Brasil come\u00e7ou a ganhar for\u00e7a no in\u00edcio da d\u00e9cada de 1970 com a cria\u00e7\u00e3o da Associa\u00e7\u00e3o Ga\u00facha de Prote\u00e7\u00e3o do Ambiente Natural (AGAPAN), primeira organiza\u00e7\u00e3o ambientalista que incorporou uma vis\u00e3o pol\u00edtica, dando maior amplitude \u00e0s quest\u00f5es ambientais e relacionando-as com as pol\u00edticas industriais e agr\u00edcolas.\n\nAo longo da d\u00e9cada de 1980 houve um crescimento significativo do movimento ecologista, em quantidade de organiza\u00e7\u00f5es e capacidade de atua\u00e7\u00e3o. Essas organiza\u00e7\u00f5es contribu\u00edram para que come\u00e7asse uma lenta e gradual mudan\u00e7a na consci\u00eancia do povo brasileiro em rela\u00e7\u00e3o ao meio ambiente.\n\nEm 1992, durante a realiza\u00e7\u00e3o da Confer\u00eancia Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, a ECO\/92, as organiza\u00e7\u00f5es ambientalistas e socioambientais com atua\u00e7\u00e3o no bioma Mata Atl\u00e2ntica, criaram a Rede de ONGS Mata Atl\u00e2ntica, com o objetivo de dar respostas que as institui\u00e7\u00f5es individualmente n\u00e3o eram capazes de dar, especialmente frente aos governos e \u00e0s pol\u00edticas p\u00fablicas que afetam a Mata Atl\u00e2ntica em n\u00edvel nacional. A Rede de ONGs da Mata Atl\u00e2ntica, congrega mais de 250 ONGs que trabalham pela defesa, preserva\u00e7\u00e3o e recupera\u00e7\u00e3o da Mata Atl\u00e2ntica em n\u00edvel nacional. Atrav\u00e9s da campanha &#8220;MATA ATL\u00c2NTICA &#8211; DESMATAMENTO ZERO&#8221;, a Rede est\u00e1 empenhada em conscientizar a sociedade para a necessidade de conservar a Mata Atl\u00e2ntica e acabar de vez com os desmatamentos ilegais e desnecess\u00e1rios.\n<h4>Florestas Secund\u00e1rias<\/h4>\nAs <strong>florestas secund\u00e1rias<\/strong> s\u00e3o classificadas de acordo com o est\u00e1gio de regenera\u00e7\u00e3o.\n\nO conceito e as caracter\u00edsticas de cada um dos est\u00e1gios sucessionais da Mata Atl\u00e2ntica foram definidos em Resolu\u00e7\u00f5es do Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA), observando as peculiaridades dos ecossistemas de cada Estado.\n\n<strong>Est\u00e1gio inicial de regenera\u00e7\u00e3o: <\/strong>&#8220;Capoeirinha&#8221; &#8211; O est\u00e1gio inicial de regenera\u00e7\u00e3o, tamb\u00e9m conhecido por capoeirinha em alguns estados do Bioma Mata Atl\u00e2ntica, surge logo ap\u00f3s o abandono de uma \u00e1rea agr\u00edcola ou de uma pastagem. Este est\u00e1gio geralmente vai at\u00e9 6 anos, podendo em alguns casos durar at\u00e9 10 anos em fun\u00e7\u00e3o do grau de degrada\u00e7\u00e3o do solo ou da escassez de sementes.\n\nNas capoeirinhas geralmente existem grandes quantidades de capins e samambaias de ch\u00e3o. Predominam tamb\u00e9m grandes quantidades de exemplares de \u00e1rvores pioneiras de poucas esp\u00e9cies. A altura m\u00e9dia das \u00e1rvores em geral n\u00e3o passa dos 4 metros e o di\u00e2metro de 8 cent\u00edmetros.\n\n<strong>Algumas das esp\u00e9cies que ocorrem no est\u00e1gio inicial s\u00e3o<\/strong>: rabo-de-burro (Andropogon bicornis), capororoca (Rapanea ferrug\u00ednea), vassouras (Baccharias spp), aroeira (Schinus terebinthifolius), emba\u00fabas (Cecropia spp), assa-peixe (Vernonia polyanthes), sap\u00ea (Imperata brasiliensis), samambaia-das-taperas (Pteridium aquilinum), cambar\u00e1 (Lantana c\u00e2mara), murta (Psidium spp), ara\u00e7\u00e1 (Myrcia sp), cambui (Myrciaria sp), alecrim (Lantana spp), jurubeba braba (Solanum spp), folha-de-fogo (Miconia spp), candela (Vernonia sp) e outras, variando de fitofisionomia para fitofisionomia e tamb\u00e9m de regi\u00e3o para regi\u00e3o.\n\n<strong>Est\u00e1gio m\u00e9dio de regenera\u00e7\u00e3o:<\/strong> &#8220;Capoeira&#8221; &#8211; A vegeta\u00e7\u00e3o em regenera\u00e7\u00e3o natural geralmente alcan\u00e7a o est\u00e1gio m\u00e9dio, ou est\u00e1gio de capoeira, depois dos 6 anos de idade, durando at\u00e9 os 15 anos. Neste est\u00e1gio as \u00e1rvores atingem altura m\u00e9dia de 12 metros e di\u00e2metro de 15 cent\u00edmetros.\n\nNas capoeiras a diversidade biol\u00f3gica aumenta, mas ainda h\u00e1 predomin\u00e2ncia de esp\u00e9cies de \u00e1rvores pioneiras como as capororocas, ing\u00e1s e aroeiras. A presen\u00e7a de capins e samambaias diminui, mas em muitos casos resta grande presen\u00e7a de cip\u00f3s e taquaras. Nas regi\u00f5es com altitude inferior a 600 metros do n\u00edvel do mar os palmiteiros come\u00e7am a aparecer.\n\n<strong>Algumas das esp\u00e9cies que ocorrem no est\u00e1gio m\u00e9dio s\u00e3o:<\/strong> capororoca (Rapanea ferruginea), vassouras (Baccharis dracunculifolia, B. articulata e B. discolor), ing\u00e1-feij\u00e3o (Inga marginata), pata-de-vaca (Bauhinia candicans), grandiuva (Trema micrantha), bracatinga (Mimosa scabrella), a\u00e7oita-cavalo (Luethea grandiflora), carrapeta (Guarea guidonia), maminha-de-porca (Zanthoxylon rhoifolium), jacatir\u00e3o (Miconia fairchildiana), ip\u00ea-amarelo (Tabebuia chrysotricha), cinco-folhas (Sparattosperma leucanthum), caroba (Cybistax antisyphilitica), guapuruvu (Schizolobium parahiba), aleluia (Senna multijuga), canudeiro (Senna macranthera), pinda\u00edba (Xylopia brasiliensis), camboat\u00e1 (Cupania oblongifolia), ing\u00e1 porca (Sclerolobium densiflorum), camar\u00e3o (Casearia guianensis), murici (Byrsonima sericea), cambota (Cupania revoluta), pau-de-jangada (Apeiba tibourbou), maria-preta (Virtex sp) e outras, variando de fitofisionomia para fitofisionomia e tamb\u00e9m de regi\u00e3o para regi\u00e3o.\n\n<strong>Est\u00e1gio avan\u00e7ado de regenera\u00e7\u00e3o:<\/strong> &#8220;Capoeir\u00e3o&#8221; &#8211; O est\u00e1gio avan\u00e7ado ou capoeir\u00e3o, se inicia geralmente depois dos 15 anos de regenera\u00e7\u00e3o natural da vegeta\u00e7\u00e3o, podendo levar de 60 a 200 anos para alcan\u00e7ar novamente o est\u00e1gio semelhante \u00e0 floresta prim\u00e1ria. A diversidade biol\u00f3gica aumenta gradualmente \u00e0 medida que o tempo passa e que existam remanescentes prim\u00e1rios para fornecer sementes. A altura m\u00e9dia das \u00e1rvores \u00e9 superior a 12 metros e o di\u00e2metro m\u00e9dio \u00e9 superior a 14 cent\u00edmetros.\n\nNeste est\u00e1gio os capins e samambaias de ch\u00e3o n\u00e3o s\u00e3o mais caracter\u00edsticos. Come\u00e7am a emergir esp\u00e9cies de \u00e1rvores nobres como as canelas, cedros, sapucaias e imbuias. Nas regi\u00f5es abaixo de 600 metros do n\u00edvel do mar os palmiteiros aparecem com freq\u00fc\u00eancia. Os cip\u00f3s e taquaras passam a crescer em equil\u00edbrio com as \u00e1rvores.\n\n<strong>Algumas das esp\u00e9cies que ocorrem no est\u00e1gio avan\u00e7ado s\u00e3o:<\/strong> canela-branca (Nectandra leucothyrsus), aroeira vermelha (Schinus terebinthifolius), camboat\u00e1-vermelho (Cupania vernalis), angico-vermelho (Parapiptadenia rigida), guajuvira (Patagonula americana), camboat\u00e1-branco (Matayba ealeagnoides), timba\u00fava (Enterolobium contortisiliquum), ararib\u00e1 (Centrolobium robustum), canjerana (Cabralea canjerana), cedro (Cedrela fissilis), sapucaia (Lecythis pisonis), garapa (Apuleia leiocarpa), figueira (Ficus spp.), jequitib\u00e1-branco (Cariniana legalis), jequitib\u00e1-rosa (Cariniana estrellensis), jequitib\u00e1-rosa (Couratari pyramidata), bicu\u00edba (Virola oleifera), vinh\u00e1tico (Plathymenia foliolosa), perobas (Aspidosperma spp.), pau-d&#8217;alho (Gallezia integrif\u00f3lia), airi (Astrocaryum aculeatissimum), aricanga (Geonoma spp.), palmito (Euterpe edulis) e outras, variando de fitofisionomia para fitofisionomia e tamb\u00e9m de regi\u00e3o para regi\u00e3o.\n<h4>Legisla\u00e7\u00e3o da Mata Atl\u00e2ntica<\/h4>\nAt\u00e9 muito recentemente o C\u00f3digo Florestal, de 1965, era a \u00fanica legisla\u00e7\u00e3o que protegia a Mata Atl\u00e2ntica e embora seja uma Lei avan\u00e7ada para a \u00e9poca, ele n\u00e3o atende as necessidades de efetiva prote\u00e7\u00e3o da biodiversidade. Novas legisla\u00e7\u00f5es foram discutidas e surgiram a partir da promulga\u00e7\u00e3o da Constitui\u00e7\u00e3o Federal em 1988.\n<h4>C\u00f3digo Florestal<\/h4>\nLei Federal no 4.771\/65 &#8211; O C\u00f3digo Florestal, institu\u00eddo pela Lei Federal n\u00ba 4.771\/65, limitou o exerc\u00edcio do direito da propriedade referente \u00e0s forma\u00e7\u00f5es vegetais nativas existentes em todo o territ\u00f3rio nacional. Qualificou as florestas como bens de interesse comum a todos os habitantes do pa\u00eds, subordinando a explora\u00e7\u00e3o de tais recursos naturais ao interesse da popula\u00e7\u00e3o. Est\u00e3o no C\u00f3digo Florestal as defini\u00e7\u00f5es de \u00c1reas de Preserva\u00e7\u00e3o Permanente e Reserva Legal.\n<h4>Constitui\u00e7\u00e3o Federal de 1988<\/h4>\n<strong>A Constitui\u00e7\u00e3o Federal de 1988 estabeleceu que a Mata Atl\u00e2ntica \u00e9 Patrim\u00f4nio Nacional, atrav\u00e9s do \u00a7 4\u00ba, do Artigo 225, onde est\u00e1 escrito:<\/strong> &#8220;A Floresta Amaz\u00f4nica brasileira, a Mata Atl\u00e2ntica, a Serra do Mar, o Pantanal Mato-Grossense e a Zona Costeira s\u00e3o patrim\u00f4nio nacional, e sua utiliza\u00e7\u00e3o far-se-\u00e1, na forma da lei, dentro de condi\u00e7\u00f5es que assegurem a preserva\u00e7\u00e3o do meio ambiente, inclusive quanto ao uso dos recursos naturais&#8221;.\n\nSeguindo a orienta\u00e7\u00e3o da Constitui\u00e7\u00e3o Federal, diversos Estados refor\u00e7aram este dispositivo em suas Constitui\u00e7\u00f5es Estaduais e alguns munic\u00edpios o fizeram nas suas Leis Org\u00e2nicas.\n<h4>O Decreto 750\/93<\/h4>\nResultado de um amplo processo de discuss\u00e3o nacional, que contou, inclusive, com v\u00e1rias audi\u00eancias p\u00fablicas, o Decreto 750 tem como premissa b\u00e1sica o conceito de que a melhor forma de proteger o meio ambiente n\u00e3o \u00e9 dizer o que n\u00e3o se pode fazer, mas sim, definir o que pode ser feito, orientando as a\u00e7\u00f5es e criando instrumentos de controle eficazes, que contem com a participa\u00e7\u00e3o efetiva da sociedade, a maior interessada na conserva\u00e7\u00e3o.\n\nEste Decreto tamb\u00e9m \u00e9 um marco importante, porque estabelece legalmente a \u00e1rea de dom\u00ednio da Mata Atl\u00e2ntica, tal como \u00e9 entendido cientificamente nos dias de hoje. Esta medida abre perspectivas para a real prote\u00e7\u00e3o da biodiversidade da Mata Atl\u00e2ntica, dando o mesmo status de \u00e1reas especialmente protegidas para todos os seus remanescentes.\n\nQuanto \u00e0 explora\u00e7\u00e3o de recursos naturais da Mata Atl\u00e2ntica, o Decreto 750\/93 estabelece diretrizes objetivas para uma maior fiscaliza\u00e7\u00e3o, possibilitando o controle do di\u00e2metro e da idade do material explorado, das condi\u00e7\u00f5es de trabalho dos empregados envolvidos, da higiene com que a explora\u00e7\u00e3o de produtos comest\u00edveis (como o palmito) \u00e9 realizada e, principalmente, da proced\u00eancia do material, hoje retirado ilegalmente de unidades de conserva\u00e7\u00e3o.\n\nQuanto \u00e0 quest\u00e3o urbana, o novo texto normatiza de forma r\u00edgida e objetiva os casos em que poder\u00e1 haver supress\u00e3o de vegeta\u00e7\u00e3o de Mata Atl\u00e2ntica secund\u00e1ria (n\u00e3o permite para vegeta\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria). Ademais, propicia uma compatibiliza\u00e7\u00e3o das normas de prote\u00e7\u00e3o da vegeta\u00e7\u00e3o com os planos Diretores e demais leis de uso e ocupa\u00e7\u00e3o do solo ou de prote\u00e7\u00e3o ambiental municipais.\n\nDesde sua edi\u00e7\u00e3o, o Decreto 750 foi regulamentado atrav\u00e9s de 26 resolu\u00e7\u00f5es do CONAMA e portarias conjuntas do Ibama com \u00f3rg\u00e3os ambientais estaduais, estabelecendo crit\u00e9rios e par\u00e2metros precisos para sua aplica\u00e7\u00e3o em quase todos os Estados inseridos na Mata Atl\u00e2ntica.\n<h4>Diretrizes para a pol\u00edtica de conserva\u00e7\u00e3o e desenvolvimento sustent\u00e1vel da Mata Atl\u00e2ntica<\/h4>\nEm dezembro de 1998, foi aprovado no Conselho Nacional do Meio Ambiente &#8211; CONAMA, o documento &#8220;Diretrizes para a Pol\u00edtica de Conserva\u00e7\u00e3o e Desenvolvimento Sustent\u00e1vel da Mata Atl\u00e2ntica&#8221;, tamb\u00e9m chamado de Pol\u00edtica da Mata Atl\u00e2ntica, resultado de um amplo processo de discuss\u00e3o entre todos os setores da sociedade interessados na conserva\u00e7\u00e3o e uso sustent\u00e1vel do Bioma.\n\n<strong>Objetivo Geral<\/strong>\n\nDelinear a\u00e7\u00f5es integradas que promovam a conserva\u00e7\u00e3o e o desenvolvimento sustent\u00e1vel da Mata Atl\u00e2ntica.\n\n<strong>Princ\u00edpios<\/strong>\n<blockquote>1. Utiliza\u00e7\u00e3o da Mata Atl\u00e2ntica em condi\u00e7\u00f5es que assegurem a preserva\u00e7\u00e3o do meio ambiente e o uso m\u00faltiplo de seus recursos naturais;\n2. Prote\u00e7\u00e3o da diversidade biol\u00f3gica com base na conserva\u00e7\u00e3o e no manejo sustent\u00e1vel;\n3. Recupera\u00e7\u00e3o das \u00e1reas degradadas e recomposi\u00e7\u00e3o das forma\u00e7\u00f5es florestais;\n4. Valoriza\u00e7\u00e3o das iniciativas que promovam o desenvolvimento social em bases sustent\u00e1veis, recuperando a import\u00e2ncia das popula\u00e7\u00f5es tradicionais;\n5. A\u00e7\u00e3o governamental integrada de modo a promover a gest\u00e3o descentralizada e participativa dos recursos naturais;\n6. Defini\u00e7\u00e3o e fortalecimento de instrumentos para a conserva\u00e7\u00e3o e desenvolvimento sustent\u00e1vel dos recursos naturais.<\/blockquote>\n<strong>Diretrizes<\/strong>\n<blockquote>1. Prote\u00e7\u00e3o da diversidade biol\u00f3gica associada aos ecossistemas da Mata Atl\u00e2ntica;\n2. Desenvolvimento sustent\u00e1vel dos recursos naturais da Mata Atl\u00e2ntica;\n3. Recupera\u00e7\u00e3o de \u00e1reas degradadas na Mata Atl\u00e2ntica;\n4. Compatibiliza\u00e7\u00e3o das pol\u00edticas setoriais com vistas \u00e0 conserva\u00e7\u00e3o e ao desenvolvimento sustent\u00e1vel da Mata Atl\u00e2ntica.<\/blockquote>\nProjeto de Lei da Mata Atl\u00e2ntica &#8211; Desde 1992 est\u00e1 em tramita\u00e7\u00e3o na C\u00e2mara dos Deputados o que a sociedade j\u00e1 conhece como projeto de Lei da Mata Atl\u00e2ntica. Este Projeto de Lei que j\u00e1 recebeu dois n\u00fameros (3285\/92 e 285\/99) tem sido alvo de lobby contr\u00e1rio \u00e0 sua aprova\u00e7\u00e3o pelo setor ruralista e urbano, apesar de ter sido votado por unanimidade em todas as comiss\u00f5es da C\u00e2mara. Atualmente aguarda a entrada na pauta de vota\u00e7\u00e3o.\n\nA Rede de ONGs da Mata Atl\u00e2ntica tem se mostrado incans\u00e1vel na luta pela aprova\u00e7\u00e3o deste projeto que hoje pode ser considerado uma das propostas mais avan\u00e7ados na \u00e1rea de meio ambiente, fruto de in\u00fameras discuss\u00f5es que resultaram em seu aprimoramento, durante estes anos de tramita\u00e7\u00e3o.\n\n<strong>O mote atual da Rede e que tem o apoio do Minist\u00e9rio do Meio Ambiente para que o projeto seja votado \u00e9:<\/strong> A Mata Atl\u00e2ntica precisa de Lei para sobreviver.\n<h4>Florestas na Paisagem<\/h4>\nT\u00e3o importante quanto preservar e recuperar as florestas nas \u00e1reas rurais \u00e9 conserv\u00e1-las nas \u00e1reas urbanas, seja em terras p\u00fablicas ou privadas. Elas cumprem diversas fun\u00e7\u00f5es na paisagem e no meio ambiente, principalmente regulando o microclima das cidades. As \u00e1reas de preserva\u00e7\u00e3o permanente s\u00e3o especialmente importantes nas cidades, principalmente as margens de rios e as encostas dos morros. Al\u00e9m disso \u00e9 fundamental observar um bom planejamento para a arboriza\u00e7\u00e3o urbana.\n\nNo Brasil, infelizmente, muitas cidades foram crescendo sem planejamento e as \u00e1reas verdes foram substitu\u00eddas pelas constru\u00e7\u00f5es. Os centros urbanos, na sua maioria, s\u00e3o hoje caracterizados pela cobertura artificial do solo e por pavimenta\u00e7\u00f5es e constru\u00e7\u00f5es, que o impermeabilizam. Muitas \u00e1reas de preserva\u00e7\u00e3o permanente foram ocupadas, ocasionando problemas com enchentes, eros\u00e3o e desbarrancamentos.\n\nNas \u00e1reas constru\u00eddas a \u00e1gua n\u00e3o penetra no solo, resultando em regi\u00f5es de baixa umidade relativa do ar. Al\u00e9m disso, os materiais utilizados nas constru\u00e7\u00f5es, como o vidro, cer\u00e2micas, ferro, asfalto e concreto, absorvem os raios solares tornando as cidades muito quentes durante o dia.\n\nJ\u00e1 as \u00e1rvores proporcionam maior equil\u00edbrio ao clima das cidades, porque elas interceptam, absorvem e refletem os raios solares. As \u00e1reas bem arborizadas apresentam temperaturas mais est\u00e1veis e em geral mais frescas. As \u00e1rvores s\u00e3o como bombas hidr\u00e1ulicas que, atrav\u00e9s de suas ra\u00edzes, trazem a \u00e1gua do subsolo para a atmosfera, refrescando e tornando a umidade relativa do ar mais apropriada para os seres humanos (SOARES, 1997).\n\nH\u00e1 ainda a polui\u00e7\u00e3o atmosf\u00e9rica, h\u00eddrica, visual e sonora, que comprometem a qualidade de vida nos centros urbanos. As \u00e1rvores contribuem para o controle da polui\u00e7\u00e3o, pois quando o ar polu\u00eddo passa pela copa das mesmas, diminui a velocidade, permitindo a deposi\u00e7\u00e3o das part\u00edculas sobre a superf\u00edcie das folhas. Outra vantagem \u00e9 que as folhas absorvem gases poluentes como o di\u00f3xido de enxofre e carbono.\n\n\u00c1rvores plantadas podem tamb\u00e9m servir como uma cortina de quebra ventos, evitando ou minimizando danos causados por ventanias e tempestades. A conserva\u00e7\u00e3o das \u00e1reas verdes e arboriza\u00e7\u00e3o urbana permite ainda a manuten\u00e7\u00e3o e o desenvolvimento da fauna, principalmente das aves, que al\u00e9m de embelezar ajudam a dispersar sementes e fazer o controle natural de insetos. O cultivo de jardins, tanto em \u00e1reas p\u00fablicas quanto privadas, tamb\u00e9m contribui no paisagismo e embelezamento das cidades.\n\nOs parques, pra\u00e7as e \u00e1reas de preserva\u00e7\u00e3o permanente s\u00e3o espa\u00e7os privilegiados para o lazer da popula\u00e7\u00e3o e elementos vitais para a constru\u00e7\u00e3o de cidades saud\u00e1veis, contribuindo significativamente para a melhoria da qualidade de vida dos cidad\u00e3os.\n\nFonte: www.apremavi.com.br\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mata Atl\u00e2ntica, Floresta, Tropical, Localiza\u00e7\u00e3o, Brasil, Flora, Fauna, Bioma, Animais, Ecossistemas, Hist\u00f3ria, Caracter\u00edsticas, Mata Atl\u00e2ntica<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":8271,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[53],"tags":[],"class_list":["post-14688","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-meio-ambiente-2"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v28.3 - 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