{"id":14157,"date":"2015-12-08T00:00:00","date_gmt":"2015-12-08T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/uncategorized\/arquitetura-bioclimatica-2\/"},"modified":"2026-08-31T23:05:04","modified_gmt":"2026-08-31T23:05:04","slug":"arquitetura-bioclimatica-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/meio-ambiente-2\/arquitetura-bioclimatica-2\/","title":{"rendered":"Arquitetura Bioclim\u00e1tica"},"content":{"rendered":"\n<strong>Arquitetura Bioclim\u00e1tica &#8211; O que \u00e9<\/strong>\n\nEstas reflex\u00f5es n\u00e3o pretendem ser tema de teoria ou estrutura metodol\u00f3gica de trabalho, mas apenas ideias pessoais surgidas a partir do projeto de arquitetura entendido como a ferramenta intelectual e pr\u00e1tica utilizada pelo arquiteto para mergulhar na realidade com o objetivo de intervir nela, modificando-a.\n\n\u00c9, portanto, e sobretudo, da arquitetura que me interessa falar, j\u00e1 que entendo que o bioclimatismo \u00e9 evidentemente para n\u00f3s um problema arquitet\u00f4nico, quero dizer, que quando se fala da\u00a0<strong>arquitetura bioclim\u00e1tica<\/strong>\u00a0n\u00e3o \u00e9 de uma disciplina aut\u00f4noma que se prop\u00f5e verificar no campo da arquitetura, mas sim de um problema de arquitetura simplesmente, uma vez que toda boa arquitetura tem que ser, na minha opini\u00e3o, bioclim\u00e1tica, para que seja boa e eficaz como tem sido sempre em toda a hist\u00f3ria.\n\nNo entanto, isto, que parece t\u00e3o \u00f3bvio e que tem sido assim durante s\u00e9culos de pr\u00e1tica arquitet\u00f4nica, durante a explos\u00e3o do movimento moderno, n\u00e3o s\u00f3 foi colocada de lado, como, no \u00e2mbito mais profundo da estrutura intelectual do estilo internacional, se assentou uma ideia contr\u00e1ria, onde o progresso e o avan\u00e7o t\u00e9cnico de nossa disciplina requeria reinventar um habitat novo para um homem novo.\n\nN\u00e3o creio que nos umbrais do s\u00e9culo XXI o resultado e o pre\u00e7o pago por isso em grande medida seja motivo para persistir nestas ing\u00eanuas proposi\u00e7\u00f5es. Existem, obviamente, m\u00faltiplas e brilhantes exce\u00e7\u00f5es, como todos sabemos.\n\nPor\u00e9m, afortunadamente, o homem e a natureza onde habita, compartilham algumas leis e estruturas comuns que, na realidade, nos fazem ser a mesma coisa.\n\nA arquitetura deve aproveitar as novas sensibilidades que nos trazem este final de s\u00e9culo rumo aos problemas do homem e o seu meio, quer dizer, uma nova maneira de se perceber dentro da natureza.\n\n\u00c9 a sensibilidade bioclim\u00e1tica, poder\u00edamos assim dizer, o que mais nos interessa.\n\nA\u00a0<strong>arquitetura bioclim\u00e1tica<\/strong>\u00a0deveria busca a reconcilia\u00e7\u00e3o da forma, a mat\u00e9ria e a energia que, at\u00e9 agora, eram tratadas separadamente por t\u00e9cnicas diferentes.\n\nUma das t\u00e9cnicas mais exploradas foi aquela que tem rela\u00e7\u00e3o com a obten\u00e7\u00e3o das energias necess\u00e1rias para melhorar as condi\u00e7\u00f5es de vida dos homens. \u00c9, sem d\u00favida, no aproveitamento e desenvolvimento das t\u00e9cnicas para a obten\u00e7\u00e3o da energia no uso dom\u00e9stico onde se realizaram maiores pesquisas durante este s\u00e9culo.\n\nNo entanto, o modelo da m\u00e1quina como objetivo, criando suas pr\u00f3prias linguagens, alheias ao verdadeiro protagonista da mudan\u00e7a, ou seja, o homem, desproveu a este \u00faltimo os significados que o unem \u00e0 estrutura bionatural a que pertence e a qual antes fazia refer\u00eancia.\n\nHoje estamos assistindo a uma nova sacraliza\u00e7\u00e3o da natureza, e isso nos obriga a redefinir estas novas rela\u00e7\u00f5es e, sobretudo, encontrar as linguagens que melhor a expressem. Esta nova sensibilidade, por tanto, \u00e9, sem d\u00favida, uma das mais esperan\u00e7osas novidades intelectuais no umbral do s\u00e9culo XXI.\n\nA ecologia, o meio-ambiente e o bioclimatismo, o culto ao corpo, tem a ver com a demanda desta nova sensibilidade.\n\nPor\u00e9m, devemos ter cuidado para n\u00e3o cometer os mesmos erros, ao separar, outra vez, a estrutura unit\u00e1ria e c\u00f3smica do homem em disciplinas aut\u00f4nomas. Gromsky tem raz\u00e3o ao afirmar que n\u00e3o devem existir disciplinas, sen\u00e3o problemas a resolver.\n\nNo passado, a obten\u00e7\u00e3o e transforma\u00e7\u00e3o das energias (carbono, petr\u00f3leo, g\u00e1s, etc.) foram mostradas publicamente com orgulho, como uma das bandeiras mais limpas do progresso t\u00e9cnico e das conquistas sociais do homem.\n\nHoje nos envergonhamos publicamente destas iconografias, fechamos e cercamos nossas f\u00e1bricas, bloqueamos nossas ind\u00fastrias, centrais, etc., escondendo-as, e, em nossa castigada e perplexa consci\u00eancia, nos reconhecemos como c\u00famplices em maior ou menor grau, ao necessitar delas para manter nosso estado de bem-estar.\n\n<strong>De que bem-estar estamos falando?<\/strong>\n\nHoje em dia, os museus, as igrejas, os centros culturais, as resid\u00eancias, continuam parecendo-se com avan\u00e7adas refinarias, a caixas tecnol\u00f3gicas, etc., como fonte de inspira\u00e7\u00e3o maquinaria.\n\nTudo, menos os espa\u00e7os onde a mitologia natural do homem, o fazem reconciliar-se com as novas maneiras de sentir e necessitar o meio natural como parte integrante do mesmo.\n\nA arquitetura e, se quisermos dizer, uma nova sensibilidade \u00e0 vida (Bio) e \u00e0s novas condi\u00e7\u00f5es espec\u00edficas do homem (clima) \u00e9 um novo posicionamento que abre passagem em muitos foros de pensamento.\n\n<strong>Para mim, como arquiteto, e diante deste empenho, da palavra klima me interessa a etimologia exata da antiga Gr\u00e9cia<\/strong>: inclina\u00e7\u00e3o, falava da inclina\u00e7\u00e3o do sol no horizonte de qualquer lugar, das condi\u00e7\u00f5es espec\u00edficas de um lugar.\n\n\u00c9, sobretudo, a sugest\u00e3o de uma nova reflex\u00e3o geom\u00e9trica, n\u00e3o eucl\u00eddica, esta \u00faltima na origem inspiradora do racionalismo moderno, e, portanto, de sua \u00eanfase na formaliza\u00e7\u00e3o abstrata do lugar.\n\nDevemos, por tanto, explorar novas formas e modos de explicar e conformar o espa\u00e7o e, o que \u00e9 mais importante, medir o seu tempo. Uma arquitetura que v\u00e1 contra o tempo e o espa\u00e7o como dimens\u00f5es mensur\u00e1veis segundo os termos impostos pelo devastador mundo do mercado.\n\nDevastador no sentido ruskiniano da palavra, como aquela rea\u00e7\u00e3o \u00e0 produ\u00e7\u00e3o do trabalho em termos de rentabilidade e a necess\u00e1ria recupera\u00e7\u00e3o da devo\u00e7\u00e3o pelo mesmo, afastando-se de toda funcionalidade dentro do sistema produtivo.\n\nAcredito n\u00e3o se tratar de substituir um painel para capta\u00e7\u00e3o de energia natural por uma telha, nem tampouco de pintar uma parede de preto, para justificar nossa interven\u00e7\u00e3o bioclim\u00e1tica, mas simplesmente criar um consci\u00eancia, digamos, energ\u00e9tica, ao desenhar, simultaneamente, a produ\u00e7\u00e3o e o uso da energia como um problema de reflex\u00e3o arquitet\u00f4nica que permita ao usu\u00e1rio demandar e \u00e0 ind\u00fastria desenvolver desde o in\u00edcio, a necessidade de novas formas, que expressem a necessidade de reencontrar, de novo, esse equil\u00edbrio perdido.\n\n<strong>Arquitetura Bioclim\u00e1tica &#8211; Constru\u00e7\u00e3o<\/strong>\n<p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-160096 aligncenter\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Arquit7-300x210.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"210\" \/><strong>Arquitetura Bioclim\u00e1tica<\/strong><\/p>\nA\u00a0<strong>arquitetura bioclim\u00e1tica<\/strong>, sobre a qual baseamos este trabalho, pode ser definida como a proje\u00e7\u00e3o e constru\u00e7\u00e3o de um edif\u00edcio tendo em conta a an\u00e1lise do contexto clim\u00e1tico em que este se insere, promovendo consequentemente uma melhoria das condi\u00e7\u00f5es de conforto e uma minimiza\u00e7\u00e3o do consumo energ\u00e9tico.\n\nEste tipo de arquitetura, \u00e9 ent\u00e3o um instrumento que permite manter a viabilidade de um equil\u00edbrio saud\u00e1vel na constru\u00e7\u00e3o, racionalizando tanto os recursos utilizados como os res\u00edduos produzidos.\n\nVisto nenhum dos autores deste relat\u00f3rio ter uma forma\u00e7\u00e3o cient\u00edfica de base nas \u00e1reas visadas, n\u00e3o pretendemos de forma alguma contribuir para a evolu\u00e7\u00e3o, ou mesmo an\u00e1lise de um ponto de vista t\u00e9cnico, das \u00e1reas abordadas, mas sim apresentar uma vis\u00e3o geral do panorama desta \u00e1rea em Portugal. Entendemos no entanto que a pr\u00f3pria aus\u00eancia de conhecimentos t\u00e9cnicos, conjugada com a multidisciplinaridade das licenciaturas dos autores (Eng\u00aa Biol\u00f3gica, Inform\u00e1tica e Mec\u00e2nica) conduziria a uma an\u00e1lise mais neutra e mais livre desta tem\u00e1tica.\n\nPretendemos esbo\u00e7ar um retrato do Universo da\u00a0<strong>Arquitetura bioclim\u00e1tica<\/strong>\u00a0com o intuito de perceber qual a sua din\u00e2mica de inova\u00e7\u00e3o, que quanto a n\u00f3s, se distingue em duas \u00e1reas.\n\nPor um lado, este tipo de Arquitetura \u00e9 um desafio \u00e0 criatividade e ao engenho dos seus intervenientes, visto que a pr\u00f3pria disciplina se centra na busca de solu\u00e7\u00f5es espec\u00edficas para cada contexto e situa\u00e7\u00e3o particular.\n\nParalelamente, esta \u00e1rea tem tido uma explos\u00e3o de interesse ao n\u00edvel mundial, motivada por uma grande din\u00e2mica de investiga\u00e7\u00e3o. O desafio deste setor \u00e9 precisamente que ainda h\u00e1 tanto por fazer, tanto por descobrir, tanto por inovar!\n\nPor outro lado, a pr\u00f3pria introdu\u00e7\u00e3o em Portugal da tem\u00e1tica da\u00a0<strong>arquitetura bioclim\u00e1tica<\/strong>\u00a0perspectiva-se como um fator de inova\u00e7\u00e3o, visto o panorama de constru\u00e7\u00e3o existente ser bastante deficiente nesta vertente, demonstrado ali\u00e1s pelo fato de s\u00f3 h\u00e1 cerca de tr\u00eas anos se ter formado um N\u00facleo do Ambiente na Ordem dos Arquitetos.\n\nEfetivamente, muitos dos intervenientes nesta \u00e1rea assemelham-se a D. Quixotes lutando contra moinhos de vento, consubstanciados em mentalidades e atitudes interiorizadas ao longo de muitos e muitos anos, em que o fator riqueza se encontra habitualmente associado ao esbanjamento de recursos.\n\nLevantou-se a quest\u00e3o de como este tipo de t\u00e9cnicas e tecnologias s\u00e3o abordadas no nosso pa\u00eds e que oportunidades lhes t\u00eam sido dadas.\n\nAssim, procur\u00e1mos apurar quais os benef\u00edcios deste tipo de constru\u00e7\u00e3o que justificam o seu crescente interesse, bem como que tipo de t\u00e9cnicas ou tecnologias envolve. De seguida, tent\u00e1mos caracterizar o panorama portugu\u00eas, com o intuito de perceber brevemente qual o quadro legal ou incentivos que promovem este tipo de constru\u00e7\u00e3o, quais as barreiras ou entraves com que se deparam os diversos intervenientes desta \u00e1rea e quais as medidas a tomar para que a situa\u00e7\u00e3o em Portugal atinja o grau de business as usual.\n\n<strong>Estas informa\u00e7\u00f5es permitiram-nos real\u00e7ar os tais dois n\u00edveis de inova\u00e7\u00e3o mais preponderantes:<\/strong>\u00a0a inova\u00e7\u00e3o ao n\u00edvel do produto, t\u00e3o essencial nesta \u00e1rea, e a inova\u00e7\u00e3o organizacional, que s\u00f3 agora come\u00e7a a aparecer, sobretudo em Portugal.\n\n<strong>Conclu\u00edmos que Portugal se encontra numa posi\u00e7\u00e3o extremamente vantajosa em termos climat\u00e9ricos para a pr\u00e1tica da arquitetura bioclim\u00e1tica, mas efetivamente os intervenientes no setor deparam-se com tr\u00eas obst\u00e1culos de vulto:<\/strong>\u00a0a falta de sensibiliza\u00e7\u00e3o da sociedade portuguesa para a tem\u00e1tica da sustentabilidade, a falta de qualifica\u00e7\u00e3o a todos os n\u00edveis da for\u00e7a de trabalho dispon\u00edvel e finalmente a aus\u00eancia de verdadeira vontade pol\u00edtica em promover mecanismos eficazes e consistentes de financiamento a novas tecnologias e processos de inova\u00e7\u00e3o nesta \u00e1rea.\n\nEstes tr\u00eas fatores comp\u00f5em um ciclo vicioso de que \u00e9 dif\u00edcil sair sobretudo quando apenas se ataca um dos fatores de cada vez, como tem vindo a ser habitual. Apesar de tudo, alguns esfor\u00e7os t\u00eam sido feitos, sobretudo por impulso de programas comunit\u00e1rios e nacionais, tais como o E4, que apenas pecam por n\u00e3o terem tido um maior impacto social e por n\u00e3o conseguirem que muitas das medidas e recomenda\u00e7\u00f5es propostas tenham sa\u00eddo do papel. No entanto, importa referir que os novos regulamentos, no que toca ao setor da constru\u00e7\u00e3o (RCCTE e RCSCE), aguardam neste momento a sua aprova\u00e7\u00e3o, o que em conjunto com a aplica\u00e7\u00e3o do plano de certifica\u00e7\u00e3o dos edif\u00edcios, ser\u00e1 uma medida (verdadeiramente) impulsionadora desta \u00e1rea. Resta agora saber, para quando se deve esperar essa revolu\u00e7\u00e3o!\n\nEm resumo, uma pol\u00edtica governamental consistente e duradoura, focada no combate aos tr\u00eas fatores referidos, constituiria um fator decisivo para o avan\u00e7o da arquitetura ambiental.\n\nN\u00e3o defendemos que seja o Estado o principal interveniente neste setor, pelo contr\u00e1rio, mas cabe-lhe o papel de forma\u00e7\u00e3o, sensibiliza\u00e7\u00e3o e encorajamento dos seus cidad\u00e3os para que se gere uma consci\u00eancia social que permita o desenvolvimento de Portugal. Ao intervir, o Estado estar\u00e1 a dar o primeiro passo para acabar com o ciclo vicioso referido acima, contribuindo para uma maior sustentabilidade e efici\u00eancia na explora\u00e7\u00e3o dos edif\u00edcios, e por consequ\u00eancia uma maior autonomia energ\u00e9tica de Portugal e uma maior preserva\u00e7\u00e3o ambiental.\n\n<strong>Constru\u00e7\u00e3o sustent\u00e1vel:\u00a0<\/strong>uma introdu\u00e7\u00e3o\n\n[\u2026] Sustentabilidade significa sobreviv\u00eancia, entendida como a perenidade dos empreendimentos humanos e do planeta [\u2026] implica planejar e executar a\u00e7\u00f5es [\u2026] levando em conta simultaneamente as dimens\u00f5es econ\u00f4mica, ambiental e social.[\u2026]\n\nA totalidade de tudo \u00e9 uma ideia que exprime o paradigma da ecologia, no sentido em que tudo est\u00e1 relacionado com tudo o resto (Barry Commoner, 1917-, EUA, bi\u00f3logo, ambientalista).\n\nNeste \u00e2mbito \u00e9 importante perceber que o planeta Terra subsiste gra\u00e7as a um saud\u00e1vel equil\u00edbrio entre todos os seus componentes num mecanismo a que se chamou o ciclo da vida e que est\u00e1 na origem de todos os ecossistemas.\n\n<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-160095 aligncenter\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Arquit6-300x128.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"128\" \/>\n<p align=\"center\"><strong>Ciclo da vida<\/strong><\/p>\nSegundo a Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU), a popula\u00e7\u00e3o mundial ser\u00e1 de 8,5 milhares de milh\u00f5es de habitantes em 2025 e atingir\u00e1 os 10,2 milhares de milh\u00f5es em 2100 sendo que os maiores aumentos de popula\u00e7\u00e3o ser\u00e3o nos pa\u00edses menos favorecidos.\n\n<strong>A par desta evolu\u00e7\u00e3o demogr\u00e1fica, est\u00e1 tamb\u00e9m uma forte urbaniza\u00e7\u00e3o:\u00a0<\/strong>basti\u00e3o do desenvolvimento econ\u00f3mico e social.\n\nEstes fatores exercem uma enorme press\u00e3o no meio ambiente visto esgotarem os recursos e aumentarem os res\u00edduos o que provoca a sobrecarga do biociclo natural levando \u00e0 inevit\u00e1vel polui\u00e7\u00e3o.\n\nEste \u00e9 infelizmente um dos problemas com que a humanidade se tem vindo a debater nas \u00faltimas d\u00e9cadas e \u00e9 claro que \u00e9 hoje muito mais relevante que h\u00e1 cerca de 10,000 anos em que a popula\u00e7\u00e3o n\u00e3o ultrapassava os 5 a 10 milh\u00f5es de habitantes. Torna-se ent\u00e3o premente conseguir que o ciclo natural na origem da vida seja preservado.\n\n<strong>Desta forma t\u00eam sido seguidas duas estrat\u00e9gias:<\/strong>\u00a0melhorar os passos limitantes do ciclo e economizar os recursos. A primeira estrat\u00e9gia envolve pol\u00edticas de reciclagem, de tratamento de res\u00edduos e eventualmente, num estado j\u00e1 de polui\u00e7\u00e3o severa, de remedia\u00e7\u00e3o *.\n\nA segunda estrat\u00e9gia, com especial \u00eanfase neste trabalho, envolve o aumento da efici\u00eancia dos processos utilizados, de forma a que o consumo de recursos seja minimizado.\n\nImporta real\u00e7ar que esta abordagem traz importantes benef\u00edcios econ\u00f3micos.\n\nEsta estrat\u00e9gia tem sido poss\u00edvel com o aperfei\u00e7oamento tecnol\u00f3gico sendo exemplo disto as importantes reestrutura\u00e7\u00f5es de que foi e tem sido alvo a ind\u00fastria a partir dos anos 80, e que permitiu diminuir o consumo de energia, de um r\u00e1cio de 40% do total consumido nos anos 80 na UE, para apenas 28% do total da energia consumida atualmente.\n\n\u00c9 tamb\u00e9m vital a sensibiliza\u00e7\u00e3o dos cidad\u00e3os para esta problem\u00e1tica, contribuindo com isso para desmistificar a ideia de que o bem estar est\u00e3o relacionados com o esbanjamento de recursos.\n\nNa \u00e1rea da constru\u00e7\u00e3o, o fasc\u00ednio pela t\u00e9cnica e a inconsci\u00eancia da esgotabilidade dos recursos conduziram a que as boas pr\u00e1ticas ancestrais fossem sendo esquecidas, talvez por se pensar que a tecnologia poderia resolver todos os problemas.\n\nEntrou-se ent\u00e3o numa \u00e9poca em que grande parte dos princ\u00edpios b\u00e1sicos de constru\u00e7\u00e3o foram sendo substitu\u00eddos por interesses econ\u00f3micos ou est\u00e9ticos e onde foi necess\u00e1rio, para suplantar o desconforto causado, introduzir solu\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas tais como sistemas de ilumina\u00e7\u00e3o e climatiza\u00e7\u00e3o artificiais.\n\nIsto levou a que os consumos energ\u00e9ticos dos edif\u00edcios, sobretudo em energia el\u00e9ctrica subissem em flecha, consumos totalmente desnecess\u00e1rios que poderiam ser diminu\u00eddos ou mesmo eliminados seguindo outras vias.\n\nOra esta realidade s\u00f3 come\u00e7ou a ser um problema quando se come\u00e7ou a falar n\u00e3o s\u00f3 da escassez de combust\u00edveis f\u00f3sseis, mas tamb\u00e9m do aquecimento global, provocado em grande parte pela emiss\u00e3o de gases de estufa como o CO2. A emiss\u00f5es em massa deste g\u00e1s, resultantes essencialmente da queima de combust\u00edveis f\u00f3sseis quer nas centrais termoel\u00e9ctricas para produ\u00e7\u00e3o de energia el\u00e9ctrica, quer nos meios de transporte, s\u00e3o uma carga para o ciclo do carbono.\n\nComo consequ\u00eancia o CO2 acumula-se na atmosfera, contribuindo assim para a reten\u00e7\u00e3o da radia\u00e7\u00e3o solar na Terra e consequentemente para o seu aquecimento global.\n\nPor este motivo, e desde que se tomou consci\u00eancia deste problema, esfor\u00e7os t\u00eam sido feitos para diminuir este tipo de emiss\u00f5es, nomeadamente atrav\u00e9s do protocolo de Quioto, quer no setor dos transportes, quer no setor da energia, dois dos mais problem\u00e1ticos.\n\n50% dos recursos materiais retirados da natureza e 50% dos res\u00edduos produzidos em cada pa\u00eds est\u00e3o relacionados com o setor da constru\u00e7\u00e3o. Em paralelo, cerca de 40% do consumo de energia na Europa est\u00e1 relacionado com os gastos em edif\u00edcios. Por estes motivos, e por existirem solu\u00e7\u00f5es que minimizam estes desperd\u00edcios, o setor da constru\u00e7\u00e3o tem evolu\u00eddo no sentido de adoptar e favorecer medidas que minimizem os seus gastos energ\u00e9ticos e os impactos ambientais no meio ambiente de forma a promover um urbanismo sustent\u00e1vel.\n\n<strong>A sustentabilidade na constru\u00e7\u00e3o passa por tr\u00eas medidas essenciais<\/strong>: em primeiro lugar, a melhoria dos projetos em termos de efici\u00eancia energ\u00e9tica, diminuindo as suas necessidades em ilumina\u00e7\u00e3o, ventila\u00e7\u00e3o e climatiza\u00e7\u00e3o artificiais, em segundo lugar, a substitui\u00e7\u00e3o do consumo de energia convencional por energia renov\u00e1vel, n\u00e3o poluente e gratuita e finalmente, em terceiro lugar, a utiliza\u00e7\u00e3o de materiais locais, preferencialmente materiais de fontes renov\u00e1veis ou com possibilidade de reutiliza\u00e7\u00e3o e que minimizem o impacto ambiental (extra\u00e7\u00e3o, gastos de energia, consumo de \u00e1gua na sua extra\u00e7\u00e3o, aspectos de sa\u00fade, emiss\u00f5es poluentes etc.). \u00c9 tamb\u00e9m de notar, que a constru\u00e7\u00e3o sustent\u00e1vel pode ainda adoptar outras medidas como sistemas de tratamento de res\u00edduos org\u00e2nicos, sistemas de reaproveitamento de \u00e1gua e outros que n\u00e3o v\u00e3o ser abordados neste trabalho.\n\n<strong>A Arquitetura Bioclim\u00e1tica<\/strong>\n\n<strong>O que \u00e9 a Arquitetura Bioclim\u00e1tica?<\/strong>\n\nA\u00a0<strong>Arquitetura bioclim\u00e1tica\u00a0<\/strong>consiste em pensar e projetar um edif\u00edcio tendo em conta toda a envolv\u00eancia climat\u00e9rica e caracter\u00edsticas ambientais do local em que se insere.\n\nPretende-se assim optimizar o conforto ambiental no interior do edif\u00edcio (i.e. o conforto t\u00e9rmico, luminoso, ac\u00fastico, etc.) utilizando apenas o design e os elementos arquitet\u00f4nicos dispon\u00edveis.\n\n<strong>A grande inova\u00e7\u00e3o no contexto da Arquitetura Bioclim\u00e1tica resulta ent\u00e3o, quanto a n\u00f3s, de dois grandes fatores:<\/strong>\u00a0da multidisciplinaridade necess\u00e1ria para conceber um projeto eficiente e da sua inser\u00e7\u00e3o no tema da sustentabilidade.\n\nAmbos estes fatores t\u00eam sido largamente desprezados na Arquitetura moderna visto por um lado existir de certa forma uma falta de di\u00e1logo entre a Arquitetura e a Engenharia e por outro lado existir ainda uma globaliza\u00e7\u00e3o dos crit\u00e9rios arquitet\u00f4nicos criando um modelo internacional que em muitos casos est\u00e1 desenraizado do contexto. A Arquitetura Bioclim\u00e1tica permite integrar v\u00e1rias \u00e1reas do saber, criando modelos e projetos \u00fanicos para cada situa\u00e7\u00e3o, podendo considerar, n\u00e3o s\u00f3 os aspectos clim\u00e1ticos como tamb\u00e9m aspectos ambientais, culturais e socioecon\u00f3micos.\n\nCom as suas ra\u00edzes no empirismo das regras de boa arte dos nossos antepassados, a arquitetura bioclim\u00e1tica surgiu numa altura em que a n\u00e3o exist\u00eancia de tecnologias que pudessem responder \u00e0s necessidades de climatiza\u00e7\u00e3o e de ilumina\u00e7\u00e3o obrigavam a uma constru\u00e7\u00e3o eficiente e inserida no clima circundante.\n\n\u00c9 ainda de notar que nessa altura os materiais utilizados eram os materiais locais, o que permitia uma diversifica\u00e7\u00e3o e uma explora\u00e7\u00e3o limitada de cada tipo de material.\n\nExemplos deste tipo de constru\u00e7\u00e3o s\u00e3o vis\u00edveis em algumas casas no Alentejo, em que o fato de estas estarem todas em banda, com ruas estreitas, permitia um maior sombreamento e as paredes grossas pintadas de branco permitiam uma maior in\u00e9rcia t\u00e9rmica do edif\u00edcio e uma menor absor\u00e7\u00e3o da radia\u00e7\u00e3o solar.\n\nOutro exemplo bastante conhecido s\u00e3o as casas existentes em pa\u00edses n\u00f3rdicos com uma inclina\u00e7\u00e3o acentuada dos telhados, necess\u00e1ria para permitir que a neve n\u00e3o permane\u00e7a em cima deste.\n\nAmbos estes exemplos ilustram casos em que com medidas muito simples se promove o conforto tanto de Inverno como de Ver\u00e3o.\n\nPercebe-se assim que um edif\u00edcio bioclim\u00e1tico n\u00e3o tem que envolver despesas acrescidas visto n\u00e3o precisar de complicados dispositivos tecnol\u00f3gicos. Assim, o seu sucesso depende apenas da experi\u00eancia, dos conhecimentos e da criatividade do seu projetista. No fundo, a Arquitetura Bioclim\u00e1tica \u00e9 apenas um r\u00f3tulo relativamente recente para classificar uma s\u00e9rie de atitudes no processo de projeto.\n\n<strong>A vantagem da exist\u00eancia da Arquitetura Bioclim\u00e1tica enquanto \u00e1rea do saber, \u00e9 a progressiva sistematiza\u00e7\u00e3o e evolu\u00e7\u00e3o dos objetivos a que se prop\u00f5e<\/strong>: projetar, tendo em conta o aproveitamento energ\u00e9tico potencial do local a que se destina.\n\n<strong>Existem outras defini\u00e7\u00f5es relacionadas com este tema, que trabalham no mesmo sentido e que importa distinguir aqui a t\u00edtulo de informa\u00e7\u00e3o:<\/strong>\n<blockquote><strong>Arquitetura solar passiva:\u00a0<\/strong>\u00c9 muito semelhante \u00e0 Arquitetura Bioclim\u00e1tica com a \u00fanica diferen\u00e7a de que apenas lida com os ganhos energ\u00e9ticos provenientes do Sol, enquanto que a Arquitetura Bioclim\u00e1tica pode incluir outras preocupa\u00e7\u00f5es climat\u00e9ricas.<strong>\nDesign ativo ou Arquitetura solar ativa:\u00a0<\/strong>Lida com meios mec\u00e2nicos de baixo consumo energ\u00e9tico, em geral associado ao uso de energias renov\u00e1veis: ex. paineis solares, fotovoltaico, sistemas hibridos de arrefecimento por evapora\u00e7\u00e3o, etc.<\/blockquote>\n<strong>Arquitetura Bioclim\u00e1tica &#8211; Constru\u00e7\u00e3o Sustent\u00e1vel<\/strong>\n\nLida com o impacto ambiental de todos os processos envolvidos na constru\u00e7\u00e3o de uma casa desde os materiais utilizados at\u00e9 \u00e0s t\u00e9cnicas de constru\u00e7\u00e3o passando pelo consumo de energia no processo construtivo e no edif\u00edcio durante o seu tempo de vida.\n\nEste tipo de arquitetura abarca o conceito de arquitetura bioclim\u00e1tica.\n\n\u00c9 dif\u00edcil, no contexto deste trabalho, separar estes quatro conceitos e portanto, decidimos abordar a arquitetura bioclim\u00e1tica englobando tamb\u00e9m a utiliza\u00e7\u00e3o de sistemas ativos, leia-se mec\u00e2nicos, a utiliza\u00e7\u00e3o de energias renov\u00e1veis, e ro\u00e7ando ao de leve no conceito de arquitetura sustent\u00e1vel.\n\nComo benef\u00edcios deste tipo de arquitetura, refere-se como fator chave a obten\u00e7\u00e3o de condi\u00e7\u00f5es de conforto ambiental com o m\u00ednimo consumo de energia poss\u00edvel, implicando que os custos de manuten\u00e7\u00e3o deste tipo de edif\u00edcios em ilumina\u00e7\u00e3o, ventila\u00e7\u00e3o e climatiza\u00e7\u00e3o sejam extremamente baixos. Ao complementar estas medidas com medidas ativas de reten\u00e7\u00e3o de energia solar, como \u00e9 o caso dos pain\u00e9is solares para aquecimento de \u00e1guas, dos pain\u00e9is solares-fotovoltaicos para produ\u00e7\u00e3o de energia el\u00e9ctrica, ou at\u00e9 mesmo de outras medidas como a produ\u00e7\u00e3o de eletricidade a partir de energia e\u00f3lica, pode-se conseguir que o edif\u00edcio seja (quase) auto-suficiente em termos energ\u00e9ticos e com um conforto associado igual ou at\u00e9 mesmo superior ao de um outro edif\u00edcio convencional.\n\n<strong>Como exemplo, podemos citar um dos edif\u00edcios vencedores do concurso Edif\u00edcio Energeticamente Eficiente 2003 promovido no \u00e2mbito do programa P3E:<\/strong>\u00a0uma banda de tr\u00eas moradias em Janas, Sintra, cujo desempenho energ\u00e9tico permite n\u00e3o haver necessidade de utiliza\u00e7\u00e3o nem de aquecimento nem de arrefecimento artificiais mantendo-se sempre uma temperatura entre os 20 e 25 \u00baC durante todo o ano.\n\nIsto utilizando apenas sistemas t\u00e3o simples como uma boa ventila\u00e7\u00e3o e aproveitamento dos ganhos solares no Inverno.\n\nAo ler estes argumentos, qualquer pessoa de bom senso ficaria bem impressionada e se questionaria por que raz\u00e3o este tipo de t\u00e9cnicas n\u00e3o s\u00e3o mais aplicadas ou t\u00eam sido esquecidas.\n\nUma das raz\u00f5es est\u00e1 relacionada com a velocidade da inova\u00e7\u00e3o n\u00e3o permitir o amadurecimento dos processos e produtos. Neste caso o tal fasc\u00ednio pelas tecnologias e pelas novidades levaram a que a sociedade rapidamente substitu\u00edsse t\u00e9cnicas antigas e apostasse em novos instrumentos sem haver ainda tempo para se concluir quais os seus reais efeitos.\n\nUm exemplo disto \u00e9 claramente a utiliza\u00e7\u00e3o dos aparelhos de ar condicionado.\n\nPor outro lado, antes existiam as regras de boa arte e os conhecimentos eram transmitidos de mestres para aprendizes, pelo que os implementadores sabiam \u00e0 partida quais as melhores pr\u00e1ticas a utilizar.\n\nHoje em dia esta passagem de conhecimentos informais j\u00e1 praticamente n\u00e3o acontece, raz\u00e3o pela qual se sente no mercado a falta de m\u00e3o-de-obra qualificada. Esta m\u00e3o de obra experiente, ainda que tivesse a base dos seus conhecimentos no empirismo, contribuiria hoje para que as regras de boaarte persistissem e para que n\u00e3o fossem esquecidos princ\u00edpios b\u00e1sicos de constru\u00e7\u00e3o, n\u00e3o permitindo os erros que muitas vezes atualmente se cometem. Tamb\u00e9m na arquitetura, estes princ\u00edpios foram esquecidos desde o in\u00edcio do s\u00e9culo 20. Por essa raz\u00e3o, desde os anos 50 que este tipo de t\u00e9cnicas deixaram de ser parte integrante da forma\u00e7\u00e3o de um arquiteto, tendo sido de novo retomadas apenas muito recentemente e ainda com algumas lacunas.\n\nOutra quest\u00e3o importante a este respeito tem a ver com o enorme n\u00famero de vari\u00e1veis associadas a uma arquitetura bioclim\u00e1tica eficaz, como por exemplo, podemos aumentar a luminosidade de uma divis\u00e3o com uma maior \u00e1rea de envidra\u00e7ado, correndo o risco de aumentar exageradamente a temperatura ambiente em virtude de uma maior exposi\u00e7\u00e3o solar interior.\n\nClaramente um ponto de encontro eficiente s\u00f3 pode ser conseguido, aparte uma forma\u00e7\u00e3o adequada nas t\u00e9cnicas base, com a utiliza\u00e7\u00e3o de ferramentas de modela\u00e7\u00e3o e segundo uma perspectiva de experi\u00eancia\/intui\u00e7\u00e3o.\n\nJ\u00e1 existem muitas ferramentas que permitem atingir solu\u00e7\u00f5es de forma r\u00e1pida e expedita, existindo no entanto alguma falta de conhecimento da sua exist\u00eancia e tamb\u00e9m porventura uma certa falta de interesse na sua utiliza\u00e7\u00e3o. Mais uma vez a forma\u00e7\u00e3o tem aqui um papel preponderante, no sentido de se promover e divulgar a utiliza\u00e7\u00e3o de ferramentas que facilitam claramente o trabalho do arquiteto e do engenheiro.\n\nParalelamente a estes problemas h\u00e1 que admitir que hoje em dia a habita\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m obedece a conceitos de moda e consequentemente, tal como uma senhora se sujeita a usar sapatos com um salto agulha de 15 cm s\u00f3 para parecer mais bonita, esquecendo os efeitos que esse capricho possa ter na sua sa\u00fade, tamb\u00e9m os donos de uma casa comprometem por vezes a sa\u00fade desta, em prol de uma casa com artif\u00edcios est\u00e9ticos necess\u00e1rios ao seu sucesso, refletindo as posses econ\u00f3micas dos seus donos.\n\nAt\u00e9 porque a ideia que ainda vigora na nossa sociedade \u00e9 de que a economia e a poupan\u00e7a est\u00e3o associadas \u00e0 pobreza. Quem tem dinheiro, pode comprar um potent\u00edssimo sistema de ar condicionado!\n\nPor fim, existe ainda um \u00faltimo aspecto que tem a ver com o fato de a abordagem bioclim\u00e1tica ou da utiliza\u00e7\u00e3o de energias renov\u00e1veis ter tido a infelicidade nas \u00faltimas d\u00e9cadas de sofrer de um estigma de disfuncionalidade causado pela m\u00e1 instala\u00e7\u00e3o de certo tipo de aplica\u00e7\u00f5es, nomeadamente pain\u00e9is solares, e pela dificuldade do utilizador encontrar apoio t\u00e9cnico competente e eficiente. Em muitas situa\u00e7\u00f5es, toda a instala\u00e7\u00e3o foi mal dimensionada, mal instalada ou mesmo fraudulenta e o utilizador deparava-se com uma despesa enorme que n\u00e3o era rentabilizada, pelo contr\u00e1rio. Hoje em dia, a maior dificuldade com que as empresas nesta \u00e1rea se confrontam prende-se justamente com o cepticismo dos consumidores, pelo tal estigma que ainda rodeia estes conceitos, ou at\u00e9 por no passado se ter associado estas t\u00e9cnicas a fanatismos ecol\u00f3gicos.\n\n<strong>Como se constr\u00f3i bioclimaticamente?<\/strong>\n\n<strong>&#8230;inova\u00e7\u00e3o significa cada vez mais a capacidade de lidar com a incerteza em ambientes diversificados\u2026,<\/strong>\n\nUm dos fatores chave para um design passivo eficaz e eficiente \u00e9 a compreens\u00e3o de que n\u00e3o existe uma solu\u00e7\u00e3o \u00f3ptima e aplic\u00e1vel a todas as situa\u00e7\u00f5es, mas sim in\u00fameros mecanismos que devem ser selecionados no sentido de se encontrar uma solu\u00e7\u00e3o adequada para determinado local.\n\nAlguns dos fatores que podem afetar esta escolha s\u00e3o o fato de nos encontrarmos em cidade ou no campo, numa montanha ou numa plan\u00edcie, a quantidade de radia\u00e7\u00e3o solar recebida diariamente, etc.\n\nEste trabalho n\u00e3o pretende de todo abordar o lado t\u00e9cnico destas quest\u00f5es, tornando-se no entanto essencial focar alguns conceitos fulcrais. Apresentasse assim abaixo uma breve introdu\u00e7\u00e3o sobre os conceitos de base, para de seguida expor algumas das poss\u00edveis t\u00e9cnicas e tecnologias utilizadas em Arquitetura Bioclim\u00e1tica.\n\n<strong>Arquitetura Bioclim\u00e1tica &#8211; Conceitos b\u00e1sicos<\/strong>\n\n<strong>Energia Solar<\/strong>\n\n<strong>A energia solar depende de dois fatores:<\/strong>\u00a0a trajet\u00f3ria do Sol e a dura\u00e7\u00e3o da exposi\u00e7\u00e3o solar. Sendo o Sol a maior fonte de energia utilizada na arquitetura bioclim\u00e1tica, \u00e9 muito importante ter uma ideia da sua trajet\u00f3ria e do n\u00famero de horas de Sol recebidas ao longo do dia e do ano.\n\n\u00c9 a trajet\u00f3ria solar que define a dura\u00e7\u00e3o da exposi\u00e7\u00e3o solar, e o \u00e2ngulo de incid\u00eancia dos raios solares que determinam a intensidade da radia\u00e7\u00e3o.\n\n<strong>No hemisf\u00e9rio Norte (acima do tr\u00f3pico de C\u00e2ncer), s\u00f3 h\u00e1 dois dias por ano em que o eixo de rota\u00e7\u00e3o da Terra \u00e9 perpendicular ao plano do seu movimento em torno do Sol:\u00a0<\/strong>o equin\u00f3cio da Primavera e o equin\u00f3cio do Outono. Nestes dias, o tempo de dia \u00e9 exatamente igual ao tempo de noite e o Sol nasce precisamente a Leste e p\u00f5e-se a Oeste.\n\n<strong>A energia solar recebida por qualquer superf\u00edcie pode chegar de tr\u00eas modos distintos:<\/strong>\u00a0ou por radia\u00e7\u00e3o direta, a forma de radia\u00e7\u00e3o mais intensa, ou por radia\u00e7\u00e3o difusa, que no fundo \u00e9 a radia\u00e7\u00e3o que foi difundida em todas as dire\u00e7\u00f5es pelas mol\u00e9culas de ar e por part\u00edculas que comp\u00f5em a atmosfera, ou ainda por radia\u00e7\u00e3o refletida por outras superf\u00edcies. Num dia de c\u00e9u limpo, a percentagem de radia\u00e7\u00e3o que chega ao solo \u00e9 cerca de 50% da emitida pelo Sol, sendo a percentagem de radia\u00e7\u00e3o difusa baixa. No entanto, num dia com nuvens, a radia\u00e7\u00e3o difusa pode variar entre 10 a 100% da radia\u00e7\u00e3o que chega ao solo.\n\nO ganho solar direto \u00e9 a forma mais simples de se conseguir aproveitar de forma passiva a energia solar. Pode consistir somente numa habita\u00e7\u00e3o com janelas orientadas a Sul, que no Inverno conseguem um ganho solar consider\u00e1vel desta forma, e que no Ver\u00e3o, em virtude de uma posi\u00e7\u00e3o mais elevada do Sol na sua trajet\u00f3ria, e eventualmente at\u00e9 de um sombreamento sobre a janela, impedem o sobreaquecimento da habita\u00e7\u00e3o.\n\n<strong>Temperatura<\/strong>\n\nA temperatura depende essencialmente da radia\u00e7\u00e3o solar, do vento, da altitude e da natureza do solo.\n\nO Sol aquece a atmosfera indiretamente visto que o solo acumula a energia solar que recebe e reemite o calor por radia\u00e7\u00e3o e convec\u00e7\u00e3o. A propaga\u00e7\u00e3o deste calor \u00e9 ent\u00e3o assegurada ou por condu\u00e7\u00e3o, ou por difus\u00e3o, atrav\u00e9s da turbul\u00eancia do ar, ou seja atrav\u00e9s do vento. Durante o dia, como resultado de uma maior quantidade de radia\u00e7\u00e3o direta incidente, a temperatura tem tend\u00eancia a subir, acontecendo o inverso \u00e0 noite.\n\nPara estudar o comportamento t\u00e9rmico de uma casa, torna-se ent\u00e3o importante conhecer os modos de transmiss\u00e3o de calor.\n\n<strong>Como acab\u00e1mos de ver, o calor transmite-se essencialmente de tr\u00eas modos diferentes:<\/strong>\n<blockquote><strong>Condu\u00e7\u00e3o:\u00a0<\/strong>O calor propaga-se atrav\u00e9s de continuidades materiais. Cada material tem o seu coeficiente de condu\u00e7\u00e3o de calor que indica se o material \u00e9 bom condutor t\u00e9rmico, ou se por outro lado \u00e9 um bom isolante.<strong>\nConvec\u00e7\u00e3o:\u00a0<\/strong>O calor transfere-se de um meio s\u00f3lido para um fluido que escoa sobre esse s\u00f3lido. Se este escoamento\/movimento tiver uma origem natural, devido a gradientes de temperatura (o ar frio \u00e9 mais denso e desce, o quente \u00e9 menos denso e sobe) a convec\u00e7\u00e3o chama-se natural. Se a convec\u00e7\u00e3o tiver origem em ventos, ou em ventoinhas diz-se que \u00e9 for\u00e7ada e \u00e9 tamb\u00e9m mais eficiente.<strong>\nRadia\u00e7\u00e3o:\u00a0<\/strong>Todos os corpos emitem radia\u00e7\u00e3o eletromagn\u00e9tica cuja intensidade depende da sua temperatura. Este modo n\u00e3o precisa de nenhum meio para se propagar e \u00e9 o modo atrav\u00e9s do qual a energia solar alcan\u00e7a a terra.<\/blockquote>\n<strong>Humidade<\/strong>\n\nO ar \u00e9 composto por uma mistura de ar seco e vapor de \u00e1gua.\n\nA humidade traduz qual a percentagem de \u00e1gua que o ar cont\u00e9m e o seu valor \u00e9 influenciado n\u00e3o s\u00f3 pela temperatura do ar mas tamb\u00e9m pelo volume de precipita\u00e7\u00f5es, pela vegeta\u00e7\u00e3o, pelo tipo de solo e pelas condi\u00e7\u00f5es climat\u00e9ricas tais como os ventos e a exposi\u00e7\u00e3o solar.\n\nA humidade influencia a sensa\u00e7\u00e3o de bem estar visto que uma das formas do corpo regular a temperatura do corpo passa pela evapora\u00e7\u00e3o.\n\n<strong>Vento<\/strong>\n\nO vento resulta da desloca\u00e7\u00e3o de uma massa de ar maioritariamente na horizontal, de uma zona de alta press\u00e3o (massa de ar fria) para uma zona de baixa press\u00e3o (zona de ar frio).\n\nV\u00e1rios par\u00e2metros afetam a sua exist\u00eancia e a sua velocidade que, em geral aumenta com a altitude sendo a topografia \u00e9 um destes fatores.\n\nO vento \u00e9 geralmente uma vantagem no Ver\u00e3o visto que permite arrefecer a atmosfera, mas \u00e9 uma desvantagem no Inverno visto ser um dos fatores que contribui para o arrefecimento dos edif\u00edcios por convec\u00e7\u00e3o.\n\n<strong>\u00c1gua<\/strong>\n\nEm pequena ou em larga escala as massas de \u00e1gua t\u00eam uma grande influ\u00eancia sobre o microclima de um local visto que regulam as flutua\u00e7\u00f5es de temperatura agindo como tamp\u00f5es t\u00e9rmicos.\n\nDe fato, a vaporiza\u00e7\u00e3o da \u00e1gua \u00e9 um processo endot\u00e9rmico, ou seja retira energia do meio ambiente. Essa energia chama-se energia de vaporiza\u00e7\u00e3o. Assim, quando a \u00e1gua evapora permite um certo arrefecimento da zona circundante. Foram j\u00e1 utilizados por diversas vezes dispositivos que ao pulverizarem um local permitem a diminui\u00e7\u00e3o da temperatura de alguns graus.\n\nUm exemplo disto s\u00e3o as fontes e jatos de \u00e1gua espalhados pelo recinto da Exposi\u00e7\u00e3o Universal de Sevilha em 1992 ou os famosos vulc\u00f5es de \u00e1gua da Expo 98 em Lisboa.\n\n<strong>A vegeta\u00e7\u00e3o<\/strong>\n\nA vegeta\u00e7\u00e3o em arquitetura bioclim\u00e1tica \u00e9 muito \u00fatil visto proteger de forma sazonal os edif\u00edcios, refresc\u00e1-los atrav\u00e9s da evapo-transpira\u00e7\u00e3o e filtrar o p\u00f3 em suspens\u00e3o no ar.\n\nTodavia \u00e9 preciso ter em aten\u00e7\u00e3o a escolha das plantas tendo em considera\u00e7\u00e3o os objetivos pretendidos ou seja escolher vegeta\u00e7\u00e3o de folha caduca para sombrear no Ver\u00e3o mas n\u00e3o no Inverno.\n\n<strong>In\u00e9rcia t\u00e9rmica<\/strong>\n\nUm corpo aquece quando a temperatura do meio que o envolve sobe.\n\nSe a temperatura sobe lentamente \u00e9 dito que o corpo tem uma grande in\u00e9rcia t\u00e9rmica enquanto se a temperatura subir rapidamente diz-se que o corpo tem baixa in\u00e9rcia t\u00e9rmica.\n\n<strong>Conforto t\u00e9rmico<\/strong>\n\nConsidera-se que o nosso corpo est\u00e1 em conforto t\u00e9rmico quando, \u00e0 nossa temperatura corporal normal, a taxa de produ\u00e7\u00e3o de calor \u00e9 igual \u00e0 taxa de perda.\n\nH\u00e1 no entanto v\u00e1rios fatores que influenciam o modo como geramos calor tais como a atividade f\u00edsica e mental e o metabolismo mais ou menos r\u00e1pido e h\u00e1 fatores que influenciam a forma como perdemos calor tais como o isolamento corporal natural, as roupas, a temperatura, a humidade e a velocidade do ar.\n\nAtualmente, existem standards internacionais no que toca ao conforto t\u00e9rmico e que s\u00e3o utilizados globalmente. Os mais utilizados s\u00e3o o ASHRAE 55-92 (1992) e o ISSO 7730 (1994).\n\nNo entanto estes modelos consideram que o conforto t\u00e9rmico \u00e9 resultante somente de vari\u00e1veis f\u00edsicas e fisiol\u00f3gicas, e preveem as condi\u00e7\u00f5es de conforto a um n\u00edvel global o que leva a que os crit\u00e9rios de conforto sejam os mesmos quer se trate de um edif\u00edcio num pa\u00eds frio ou num pa\u00eds quente.\n\nOra, hoje em dia, sabe-se que os crit\u00e9rios de conforto n\u00e3o s\u00f3 variam de pessoa para pessoa, como ainda mais de povo para povo e de clima para clima.\n\nExistem ent\u00e3o j\u00e1 in\u00fameros estudos sobre algoritmos adaptativos que consideram tamb\u00e9m o comportamento adaptativo dos ocupantes dos edif\u00edcios quer em termos de a\u00e7\u00f5es f\u00edsicas, quer em termos de adapta\u00e7\u00e3o psicol\u00f3gica (como expectativas), relacionando ambos os fatores com o contexto clim\u00e1tico.\n\nO crit\u00e9rio de conforto resultante da aplica\u00e7\u00e3o de algoritmos adaptativos \u00e9 bem mais flex\u00edvel e realista que os crit\u00e9rios convencionais como o ISO 7730 ou a ASHRAE, podendo a sua aplica\u00e7\u00e3o resultar numa diminui\u00e7\u00e3o muito significativa do consumo energ\u00e9tico \u00e0 escala mundial.\n\n<strong>Efeito de estufa<\/strong>\n\n\u00c9 o fen\u00f3meno em que a radia\u00e7\u00e3o entra num local mas n\u00e3o consegue voltar a sair aquecendo assim o local em causa. Locais fechados por vidros s\u00e3o particularmente sujeitos a este fen\u00f3meno, visto o vidro ter um comportamento curioso em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 radia\u00e7\u00e3o. O vidro \u00e9 transparente para a radia\u00e7\u00e3o no espectro do vis\u00edvel mas \u00e9 opaco para radia\u00e7\u00e3o com comprimento de onda mais elevado.\n\nO que acontece quando os raios solares entram numa casa \u00e9 que v\u00e3o aquecer os objetos que depois emitem radia\u00e7\u00e3o no espectro do infravermelho (maior comprimento de onda) que n\u00e3o consegue sair, ficando assim a energia retida no interior.\n\nEste tipo de efeito \u00e9 muito \u00fatil nas esta\u00e7\u00f5es frias visto permitir armazenar calor.\n\nExemplos frequentes s\u00e3o precisamente as estufas ou \u00e1reas envidra\u00e7adas que t\u00eam de ser muito bem acauteladas prevendo um sombreamento e ventila\u00e7\u00e3o adequada sobretudo em climas quentes.\n\n<strong>Fonte:<\/strong>\u00a0www.soarquitetura.com.br(Larrea Cangas)\/www.gsd.inesc-id.pt(Helder Gon\u00e7alves)\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Arquitetura Bioclim\u00e1tica, Tipo, Constru\u00e7\u00e3o, O que \u00e9, Meio Ambiente, Arquiteto, Projetos, Engenharia, Benef\u00edcios, Conceito, Objetivos, Arquitetura Bioclim\u00e1tica<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":5721,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[53],"tags":[],"class_list":["post-14157","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-meio-ambiente-2"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v28.3 - 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