{"id":14140,"date":"2015-12-03T00:00:00","date_gmt":"2015-12-03T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/uncategorized\/urbanizacao-no-brasil-2\/"},"modified":"2026-08-31T23:04:52","modified_gmt":"2026-08-31T23:04:52","slug":"urbanizacao-no-brasil-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/geografia-2\/urbanizacao-no-brasil-2\/","title":{"rendered":"Urbaniza\u00e7\u00e3o no Brasil"},"content":{"rendered":"\n<strong>I. Urbaniza\u00e7\u00e3o: conceitos b\u00e1sicos<\/strong>\n\n<strong>1- Urbaniza\u00e7\u00e3o<\/strong>\n\n<strong>Urbaniza\u00e7\u00e3o da Popula\u00e7\u00e3o &#8211;<\/strong> O maior aumento da popula\u00e7\u00e3o urbana em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 popula\u00e7\u00e3o do campo, ou seja, \u00e9 quando ritmo de crescimento da popula\u00e7\u00e3o urbana e superior ao ritmo da popula\u00e7\u00e3o rural. \u00c9 um aumento no sentido demogr\u00e1fico, \u00e9 o mais tradicional conceito de urbaniza\u00e7\u00e3o.\n<p class=\"imagem\"><img decoding=\"async\" title=\"Urbaniza\u00e7\u00e3o no Brasil\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/urb-brasil.jpg\" alt=\"Urbaniza\u00e7\u00e3o no Brasil\" \/><\/p>\n<strong>Urbaniza\u00e7\u00e3o do Territ\u00f3rio &#8211;<\/strong> A instala\u00e7\u00e3o de equipamentos urbanos (infra-estrutura), como energia el\u00e9trica, \u00e1gua e esgotos, pavimenta\u00e7\u00e3o, estradas, equipamentos transmissores de informa\u00e7\u00e3o, transportes coletivos, escolas, hospitais, com\u00e9rcio e outros servi\u00e7os. O sentido mais imediato sugere o aparecimento de novas cidades.A expans\u00e3o do modo de vida urbano (Urbaniza\u00e7\u00e3o da Sociedade), e de algumas formas espaciais urbanas (valores s\u00f3cio-culturais e equipamentos urbanos &#8211; desruraliza\u00e7\u00e3o) al\u00e9m dos limites territoriais urbanos, penetrando nas zonas rurais.\n\n<strong>Esse modo e ritmo de vida s\u00e3o ditados por uma sociedade industrial, com rela\u00e7\u00f5es de trabalho tipicamente industrial, tais como:<\/strong> assalariamento; especializa\u00e7\u00e3o e divis\u00e3o do trabalho.\n\n<strong>2- Processo de Urbaniza\u00e7\u00e3o no Brasil<\/strong>\n\n<strong>a) Crescimento Urbano na Fase Agro Exportadora.<\/strong>\n\n<strong>Contexto: <\/strong>S\u00e9c. XVI at\u00e9 o in\u00edcio do s\u00e9culo XX.\n<blockquote>Ocupa\u00e7\u00e3o portuguesa da faixa litor\u00e2nea criando n\u00facleos urbanos portu\u00e1rios.\n\nAs cidades estavam ligas \u00e0s atividades econ\u00f4micas que se desenvolviam dentro da organiza\u00e7\u00e3o espacial na forma de \u0093arquip\u00e9lago\u0094.<\/blockquote>\n<strong>b) Urbaniza\u00e7\u00e3o na Fase de industrializa\u00e7\u00e3o e forma\u00e7\u00e3o do Mercado Nacional<\/strong>\n\n<strong>Contexto:<\/strong> In\u00edcio do s\u00e9culo XX at\u00e9 meados 1940.\n\nEsse momento corresponde ao in\u00edcio do processo de industrializa\u00e7\u00e3o e ao surgimento do embri\u00e3o de um mercado de escala nacional. A moderniza\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica do pa\u00eds ficou concentrada principalmente na regi\u00e3o Sudeste do pa\u00eds, tendo as cidades do Rio de Janeiro e S\u00e3o Paulo concentrado nos ano 30, aproximadamente 60% da produ\u00e7\u00e3o industrial brasileira tornando essa regi\u00e3o o principal p\u00f3lo de atra\u00e7\u00e3o demogr\u00e1fica das demais regi\u00f5es brasileiras, inclusive pela retra\u00e7\u00e3o das atividades econ\u00f4micas das mesmas.\n\n<strong>c) A Urbaniza\u00e7\u00e3o Brasileira no P\u00f3s &#8211; Guerra.<\/strong>\n\nA partir desse marco o pa\u00eds aprofundou o processo de moderniza\u00e7\u00e3o. Nosso espa\u00e7o econ\u00f4mico amplia-se e \u00e9 interpenetrado por empresas multinacionais de produ\u00e7\u00e3o de bens de consumo dur\u00e1veis e de bens intermedi\u00e1rios. As grandes cidades eram o meio t\u00e9cnico apto a receber inova\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas e ramos produtivos mais avan\u00e7ados. Dessa forma a intensa urbaniza\u00e7\u00e3o ocorrida no Brasil a partir deste momento est\u00e1 diretamente relacionada \u00e0 intensifica\u00e7\u00e3o da moderniza\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica do pa\u00eds assim como ao agravamento dos problemas s\u00f3cio \u0096 econ\u00f4micos decorrentes da decad\u00eancia econ\u00f4mica das demais regi\u00f5es brasileiras.\n\n<strong>3- Fatores respons\u00e1veis pela Urbaniza\u00e7\u00e3o Brasileira:<\/strong>\n<blockquote>A extrema concentra\u00e7\u00e3o fundi\u00e1ria herdada do processo de coloniza\u00e7\u00e3o. As p\u00e9ssimas condi\u00e7\u00f5es de vida existentes na zona rural, em fun\u00e7\u00e3o da estrutura fundi\u00e1ria bastante concentrada, dos baixos sal\u00e1rios, da falta de apoio aos pequenos agricultores, do arca\u00edsmo, das t\u00e9cnicas de cultivo,\netc, aparecem como grandes agentes motivadores da migra\u00e7\u00e3o campo-cidade.\n\nO processo de industrializa\u00e7\u00e3o especialmente em alguns estados do Centro-Sul, que motivou a migra\u00e7\u00e3o para as grandes cidades que passam a polarizar a economia do pa\u00eds.\n\nA moderniza\u00e7\u00e3o do processo produtivo no campo, que passa a absorver cada vez menos m\u00e3o-de-obra.\n\nA integra\u00e7\u00e3o nacional p\u00f3s-50, que com o surgimento das rodovias, facilitou a migra\u00e7\u00e3o do campo para as grandes cidades, assim como a difus\u00e3o dos valores urbanos atrav\u00e9s dos meios de comunica\u00e7\u00e3o como o r\u00e1dio e televis\u00e3o, que seduziam a popula\u00e7\u00e3o rural a migrar para a cidade. Os exclu\u00eddos do campo criam perspectiva em rela\u00e7\u00e3o ao espa\u00e7o urbano e acabam se inserindo no espa\u00e7o urbano no Circuito Inferior da Economia (mercado informal).\n\nAs pol\u00edticas p\u00fablicas em regi\u00f5es como a Amaz\u00f4nia em que o processo de ocupa\u00e7\u00e3o se deu com base no n\u00facleo urbano criado as margens das rodovias.<\/blockquote>\n<strong>4- Caracter\u00edsticas da urbaniza\u00e7\u00e3o do Brasil:<\/strong>\n<blockquote>O Processo de intensa urbaniza\u00e7\u00e3o \u00e9 recente, ocorrendo, sobretudo ap\u00f3s-segunda guerra mundial.\n\nUrbaniza\u00e7\u00e3o terci\u00e1ria, ou seja, grande parte da popula\u00e7\u00e3o atra\u00edda para a cidade foi absorvida no setor terci\u00e1rio.<\/blockquote>\nIntenso processo de metropoliza\u00e7\u00e3o, ou seja, os fluxos migrat\u00f3rios se direcionaram para as grandes cidades que cresceram de maneira acelerada, criando uma s\u00e9rie de problemas urbanos.\n\n<strong>Tais problemas s\u00e3o resultado de um fen\u00f4meno urbano caracter\u00edstico de muitos pa\u00edses subdesenvolvidos:<\/strong> a macrocefalia urbana. O crescimento r\u00e1pido de algumas cidades, que acaba culminando no fen\u00f4meno da metropoliza\u00e7\u00e3o, \u00e9 resultado da incapacidade de cria\u00e7\u00e3o de empregos, seja na zona rural, seja em cidades pequenas e m\u00e9dias, o que for\u00e7a o deslocamento de milh\u00f5es de pessoas para as cidades que polarizam a economia de cada pa\u00eds.\n\n<strong>5. A Rede Brasileira: <\/strong>\u00c9 formada pelo sistema de cidades, no territ\u00f3rio de cada pa\u00eds interligadas umas \u00e0s outras atrav\u00e9s dos sistemas de transportes e de comunica\u00e7\u00f5es, pelos quais fluem pessoas, mercadorias, informa\u00e7\u00f5es, capitais.\n\n<strong>Podemos dividir a estrutura\u00e7\u00e3o da rede urbana brasileira em quatro etapas:<\/strong>\n<blockquote><strong>1\u00aa FASE:<\/strong> At\u00e9 a d\u00e9cada de 1930 as migra\u00e7\u00f5es e o processo de urbaniza\u00e7\u00e3o se organizavam predominantemente em escala regional, com as respectivas metr\u00f3poles funcionando como p\u00f3los de atividades secundarias e terci\u00e1rias. As atividades econ\u00f4micas, que impulsionavam a urbaniza\u00e7\u00e3o, desenvolviam-se de forma independente e esparsa pelo territ\u00f3rio. A integra\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica entre S\u00e3o Paulo (regi\u00e3o cafeeira), Zona da Mata nordestina (cana de a\u00e7\u00facar, cacau e tabaco), Meio- Norte (algod\u00e3o, pecu\u00e1ria e extrativismo vegetal) e regi\u00e3o Sul (pecu\u00e1ria e policultura) era extremamente fr\u00e1gil. Com a moderniza\u00e7\u00e3o da economia, as regi\u00f5es Sul e Sudeste formaram um mercado \u00fanico que, posteriormente, incorporou o Nordeste e, mais tarde, o Norte e o Centro-Oeste.\n\n<strong>2\u00aa FASE: <\/strong>A partir da d\u00e9cada de 1930, \u00e0 medida que a infra-estrutura de transportes e telecomunica\u00e7\u00f5es se expandia pelo pa\u00eds, o mercado se unificou, mas a tend\u00eancia \u00e0 concentra\u00e7\u00e3o das atividades urbano-industriais na regi\u00e3o Sudeste fez com que a atra\u00e7\u00e3o populacional ultrapassasse a escala regional, alcan\u00e7ando o pa\u00eds como um todo. Os grandes p\u00f3los industriais do Sudeste, principalmente S\u00e3o Paulo e Rio de Janeiro, passaram a atrair um enorme contingente de m\u00e3o-de-obra das regi\u00f5es que n\u00e3o acompanharam o mesmo ritmo de crescimento econ\u00f4mico e se tornaram metr\u00f3poles nacionais. Foi particularmente intenso o fluxo de mineiros e nordestinos para as duas metr\u00f3poles, que, por n\u00e3o terem \u00e0s demandas de investimentos em infra-estrutura urbana, tornaram-se centros ca\u00f3ticos.\n\n<strong>3\u00aa FASE: <\/strong>Entre as d\u00e9cadas de 1950 e 1980, ocorreu intenso \u00eaxodo rural e migra\u00e7\u00e3o inter-regional, com forte aumento da popula\u00e7\u00e3o metropolitana no Sudeste, Nordeste e Sul. Nesse per\u00edodo, o aspecto mais marcante da estrutura\u00e7\u00e3o da rede urbana brasileira foi \u00e0 concentra\u00e7\u00e3o progressiva e acentuada da popula\u00e7\u00e3o em cidades que cresciam velozmente.\n\n<strong>4\u00aa FASE: <\/strong>Da d\u00e9cada de 1980 aos dias atuais, observa-se que o maior crescimento tende a ocorrer nas metr\u00f3poles regionais e cidades m\u00e9dias, com predom\u00ednio da migra\u00e7\u00e3o urbana-urbana \u0096 deslocamento de popula\u00e7\u00e3o das cidades pequenas para as medias e retorno de moradores das cidades de S\u00e3o Paulo e Rio de Janeiro para as cidades medias, tanto dentro da regi\u00e3o metropolitana quanto para as outras mais distantes, at\u00e9 de outros estados.<\/blockquote>\nEssa mudan\u00e7a na dire\u00e7\u00e3o dos fluxos migrat\u00f3rios e na estrutura da rede urbana \u00e9 resultado de uma continua e crescente reestrutura\u00e7\u00e3o e integra\u00e7\u00e3o dos espa\u00e7os urbano e rural, que por sua vez resulta da dispers\u00e3o espacial das atividades econ\u00f4micas, intensificada a partir dos anos 1980, e da forma\u00e7\u00e3o de novos de novos centros regionais, que alteraram o padr\u00e3o hegem\u00f4nico das metr\u00f3poles na rede urbana do pa\u00eds. As metr\u00f3poles n\u00e3o perderam a sua primazia, mas os centros urbanos regionais n\u00e3o-metropolitanos assumiram papeis at\u00e9 ent\u00e3o desempenhados apenas por elas. Nem mundo cada vez mais globalizado, h\u00e1 um refor\u00e7o do papel de comando de algumas cidades globais na rede urbana mundial, como \u00e9 o caso de S\u00e3o Paulo. A metr\u00f3pole paulistana \u00e9 um importante centro de servi\u00e7os especializado de apoio atividades produtivas, que, muitas vezes, saem dela em dire\u00e7\u00e3o a cidades menores.\n\nFonte: www6.compuland.com.br\n<h6>Urbaniza\u00e7\u00e3o no Brasil<\/h6>\n<strong>1- <\/strong>Em nosso pa\u00eds, um n\u00famero cada vez maior de pessoas vive nas cidades.\n<blockquote><strong>1.1-<\/strong> A medida que aumentou a participa\u00e7\u00e3o do setor industrial na economia, o n\u00famero de habitantes das cidades passou a crescer mais do que o de moradores do campo. Esse processo \u00e9 chamado de urbaniza\u00e7\u00e3o.<\/blockquote>\n<strong>2- <\/strong>O processo de urbaniza\u00e7\u00e3o N\u00e3o ocorreu de maneira uniforme. Em 1991 ainda existiam estados nos quais a popula\u00e7\u00e3o rural era maioria, como Maranh\u00e3o e Rond\u00f4nia, por exemplo. Os estados mais urbanizados s\u00e3o aqueles que concentram a atividade industrial e os servi\u00e7os, como S\u00e3o Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro.\n\n<strong>3- <\/strong>As cidades surgiram muito antes de existirem ind\u00fastrias. Por\u00e9m, o processo de industrializa\u00e7\u00e3o intensificou a urbaniza\u00e7\u00e3o.\n<blockquote><strong>3.1-<\/strong> <strong>Tipicamente urbana, a atividade comercial foi influenciada pela industrializa\u00e7\u00e3o:<\/strong> as ind\u00fastrias compram mat\u00e9ria-prima e vendem seus produtos, assim como os trabalhadores das f\u00e1bricas compram o que precisam para viver.\n\n<strong>3.2-<\/strong> Para funcionar, uma ind\u00fastria necessita de infra-estrutura urbana. O sistema vi\u00e1rio (ruas e avenidas), por exemplo, deve ser eficiente para permitir o deslocamento da mat\u00e9ria-prima, dos trabalhadores e do produto final. Para aumentar a seguran\u00e7a e facilitar o seu uso \u00e0 noite, as vias exigem um sofisticado sistema de ilumina\u00e7\u00e3o p\u00fablica. Outro equipamento empregado pelas atividades industriais e comerciais s\u00e3o os sistemas de comunica\u00e7\u00e3o (redes telef\u00f4nicas e de computadores). Como as ind\u00fastrias localizam-se pr\u00f3ximas umas das outras para facilitar o com\u00e9rcio de mat\u00e9ria-prima, a infra-estrutura urbana \u00e9 ampliada, compondo uma paisagem urbana densa e concentrada.<\/blockquote>\n<strong>4- <\/strong>A moderniza\u00e7\u00e3o do campo \u00e9 outro fator que explica a urbaniza\u00e7\u00e3o.\n<blockquote><strong>4.1- <\/strong>Com a introdu\u00e7\u00e3o de m\u00e1quinas nas pr\u00e1ticas agr\u00edcolas, parte dos trabalhadores ocupados na agricultura foi dispensada. O uso de m\u00e1quinas, associado ao de sementes especiais, defensivos agr\u00edcolas etc, aumentou a produtividade. Assim, passou-se a produzir mais empregando menos m\u00e3o-de-obra. Como conseq\u00fc\u00eancia, os moradores das \u00e1reas rurais migraram para as cidades. (\u00eaxodo rural)<\/blockquote>\n<strong>5- <\/strong>A urbaniza\u00e7\u00e3o n\u00e3o pode ser entendida apenas como o resultado do \u00eaxodo rural. Ela representa uma profunda mudan\u00e7a no modo de vida.\n<blockquote><strong>5.1-<\/strong> Imagine como era a vida de um trabalhador do campo. Ele acordava, tomava o caf\u00e9 da manh\u00e3 e seguia a p\u00e9 para a sua ro\u00e7a, onde trabalhava para produzir alimento. Ao fim da jornada voltava para casa, tamb\u00e9m a p\u00e9. O que ele cultivava era consumido por sua fam\u00edlia. O excedente era vendido. Dessa forma, o trabalhador do campo conseguia o dinheiro necess\u00e1rio para comprar, na cidade, o que lhe faltava.\n\n<strong>5.2- <\/strong>Pense, agora, no cotidiano de um trabalhador urbano. Ele acorda, toma seu caf\u00e9 da manha e vai para o trabalho, na maior parte das vezes utilizando um meio de transporte (trem urbano, metr\u00f4, carro, \u00f4nibus, etc). Passa grande parte do dia em um ambiente fechado. Ao final da jornada volta para casa, usando novamente um meio de transporte. Para comprar roupas, alimento, pagar pela moradia (aluguel, financiamento habitacional, condom\u00ednio, imposto territorial urbano), usa seu sal\u00e1rio, que recebe ap\u00f3s um m\u00eas de trabalho.\n\n<strong>5.3- <\/strong>Essa diferen\u00e7a \u00e9 fundamental. A urbaniza\u00e7\u00e3o representa o abandono das praticas agr\u00edcolas e o confinamento no local de trabalho, impedindo as pessoas de produzirem diretamente o que precisam para viver. Com isso, a urbaniza\u00e7\u00e3o acentua a divis\u00e3o do trabalho entre o campo e a cidade. O trabalhador urbano depende do sal\u00e1rio para fazer qualquer coisa. Por isso o desemprego \u00e9 um problema t\u00e3o grave nas sociedades modernas.\n\n<strong>5.4-<\/strong> No caso do Brasil, essa depend\u00eancia \u00e9 relativamente recente. At\u00e9 a primeira metade do s\u00e9c. XX, quando a industrializa\u00e7\u00e3o ganhou um grande impulso, uma parte significativa da popula\u00e7\u00e3o rural vivia, fundamentalmente, do fruto de seu pr\u00f3prio trabalho. Ela se abastecia na cidade apenas de alguns poucos produtos, tais como a\u00e7\u00facar, querosene, tecido, trigo e sal.<\/blockquote>\n<strong>6- <\/strong>As primeiras cidades desenvolveram-se no litoral porque os colonizadores portugueses visavam proteger o territ\u00f3rio contra poss\u00edveis invasores.\n<blockquote><strong>6.1- <\/strong>Com o desenvolvimento da cultura da cana-de-a\u00e7\u00facar, as cidades passaram a escoar a produ\u00e7\u00e3o para os mercados europeus. A produ\u00e7\u00e3o da cana era feita por escravos que viviam no campo.\n\n<strong>6.2- <\/strong>A atividade canavieira n\u00e3o desenvolveu um mercado consumidor na Brasil colonial. Escravos n\u00e3o recebiam sal\u00e1rio. Nas poucas vezes em que iam \u00e0 cidade, os senhores de engenho abasteciam-se de produtos importados da Europa.<\/blockquote>\n<strong>7- <\/strong>A partir do s\u00e9culo XVIII, a atividade mineradora provocou a interioriza\u00e7\u00e3o das cidades, que passaram a se desenvolver em fun\u00e7\u00e3o da presen\u00e7a de ouro e de pedras preciosas.\n\n<strong>8- <\/strong>Outro momento importante no processo de forma\u00e7\u00e3o das cidades foi na introdu\u00e7\u00e3o do cultivo de caf\u00e9, principalmente nos estados de S\u00e3o Paulo e do Paran\u00e1.\n<blockquote><strong>8.1-<\/strong> As cidades foram surgindo conforme avan\u00e7ava a cultura do caf\u00e9, pois nelas se realizavam as atividades comerciais. O plantio era feito sem a preocupa\u00e7\u00e3o de conservar os solos, o que acabava levando ao esgotamento da terra. Os fazendeiros passavam, ent\u00e3o, a desmatar novas \u00e1reas para o plantio. Esse movimento, conhecido como frente Pioneira, originou cidades a partir do s\u00e9culo XIX.\n\n<strong>8.2-<\/strong> Para transportar o caf\u00e9 at\u00e9 o porto de Santos, foram constru\u00eddas ferrovias utilizando tecnologia inglesa.\n\n<strong>8.3-<\/strong> O fato relevante, por\u00e9m foi o de que os imigrantes (italianos) que chegaram a S\u00e3o Paulo para plantar caf\u00e9 eram assalariados e traziam consigo h\u00e1bitos de consumo urbanos. A amplia\u00e7\u00e3o do mercado consumidor local contribuiu para o in\u00edcio do processo de industrializa\u00e7\u00e3o do pa\u00eds. Al\u00e9m disso, o dinheiro acumulado pelos cafeicultores paulistas financiou parte das primeiras ind\u00fastrias do pa\u00eds.<\/blockquote>\n<strong>9- <\/strong>Algumas cidades brasileiras foram planejadas, isto \u00e9, projetadas, como Belo Horizonte (1897), em Minas Gerais, Goi\u00e2nia (1935), em Goi\u00e1s, e Bras\u00edlia (1960), no Distrito Federal.\n\n<strong>9.1- <\/strong>Apesar do planejamento, essas cidades cresceram de forma desordenada e enfrentam problemas comuns as outras grandes cidades do pa\u00eds.\n\n<strong>10- <\/strong>A partir de 1970, surgiram cidades na Amaz\u00f4nia brasileira, em decorr\u00eancia da instala\u00e7\u00e3o de projetos agropecu\u00e1rios e da instala\u00e7\u00e3o e constru\u00e7\u00e3o de usinas hidroel\u00e9tricas.\n<blockquote><strong>10.1- <\/strong>Antes disso, desenvolveu-se Manaus, que teve seu apogeu no s\u00e9culo XIX, durante a extra\u00e7\u00e3o do l\u00e1tex das seringueiras. Com a cria\u00e7\u00e3o da Zona Franca, em 1967, Manaus sofreu um novo impulso de crescimento populacional.<\/blockquote>\n<strong>11-<\/strong> O fen\u00f4meno da conurba\u00e7\u00e3o levou \u00e0 cria\u00e7\u00e3o das regi\u00f5es metropolitanas.\n<blockquote><strong>11.1-<\/strong> O crescimento r\u00e1pido das cidades brasileiras causou imensas concentra\u00e7\u00f5es populacionais. O movimento da popula\u00e7\u00e3o n\u00e3o obedeceu aos limites territoriais de muitos munic\u00edpios. <strong>Em conseq\u00fc\u00eancia, bairros populosos originaram-se nas periferias das cidades, provocando o seguinte<\/strong> <strong>problema:<\/strong> como fiscalizar e preservar as fontes de abastecimento de \u00e1gua que servem a todos os munic\u00edpios? Quem deve levar transporte coletivo para aqueles bairros? O Munic\u00edpio A ou o munic\u00edpio B? E a popula\u00e7\u00e3o? Vai usar o posto de sa\u00fade do munic\u00edpio A ou o do B? Ou o que estiver mais perto?\n\n<strong>11.2-<\/strong> Por meio das regi\u00f5es metropolitanas, tentou-se estabelecer um mecanismo de gest\u00e3o comum para o munic\u00edpio mais povoado e seus vizinhos conurbados. Desse modo, seria poss\u00edvel desenvolver uma pol\u00edtica de sa\u00fade \u00fanica, por exemplo, que obedecesse a crit\u00e9rios populacionais na distribui\u00e7\u00e3o de hospitais e postos de sa\u00fade. Assim, a popula\u00e7\u00e3o poderia escolher sempre a unidade mais pr\u00f3xima e o custo seria rateado entre os munic\u00edpios envolvidos.<\/blockquote>\n<strong>12-<\/strong> <strong>Um fen\u00f4meno muito importante est\u00e1 ocorrendo na Regi\u00e3o Sudeste:<\/strong> a forma\u00e7\u00e3o de uma megal\u00f3pole. A megal\u00f3pole \u00e9 o fruto da fus\u00e3o territorial de duas ou mais metr\u00f3poles\n<blockquote><strong>12.1-<\/strong> No caso brasileiro, esse fen\u00f4meno est\u00e1 acontecendo no eixo Rio \u0096 S\u00e3o Paulo, ao longo da Rodovia Pres. Dutra. Do lado carioca, destaca-se a urbaniza\u00e7\u00e3o e a industrializa\u00e7\u00e3o da Baixada Fluminense. Do lado paulista, a mancha urbana avan\u00e7a para al\u00e9m da Grande S\u00e3o Paulo, expandindo-se na dire\u00e7\u00e3o de Campinas e da Baixada Santista e continuando no Vale do Para\u00edba rumo ao Rio de Janeiro. A rodovia Dutra j\u00e1 \u00e9 considerada por muitos uma grande avenida.<\/blockquote>\n<strong>13-<\/strong> Estabelece-se uma rede urbana quando h\u00e1 um conjunto de cidades que mant\u00eam rela\u00e7\u00f5es culturais, comerciais, financeiras, etc. entre si, sob o comando de um centro urbano mais importante.\n<blockquote><strong>13.1-<\/strong> Este distribui bens e servi\u00e7os para os demais munic\u00edpios que est\u00e3o sob sua influ\u00eancia. Os centros urbanos intermedi\u00e1rios, por sua vez, prestam servi\u00e7os e fornecem mercadorias para os centros urbanos locais, ainda menores.<\/blockquote>\n<strong>14- <\/strong>No territ\u00f3rio brasileiro, encontram-se metr\u00f3poles nacionais, metr\u00f3poles regionais, centros submetropolitanos e capitais regionais. Essa tipologia de cidade \u00e9 baseada na distribui\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os e mercadorias pelo territ\u00f3rio nacional.\n<blockquote><strong>14.1- <\/strong>As metr\u00f3poles nacionais, S\u00e3o Paulo e Rio de Janeiro, oferecem servi\u00e7os especiais exclusivos, atraindo pessoas de outros centros. Os melhores hospitais do pa\u00eds, por ex., est\u00e3o em S\u00e3o Paulo. Tamb\u00e9m ficam em S\u00e3o Paulo as sedes de muitos bancos e empresas que atuam em todo o Brasil. No Rio de Janeiro encontra-se uma intensa vida cultural, com uma agenda repleta de casas de espet\u00e1culos, teatros e cinemas. Mas a cidade se destaca no cen\u00e1rio nacional por sediar importantes \u00f3rg\u00e3o federais, heran\u00e7a da \u00e9poca em que foi a capital do Brasil.\n\n<strong>14.2- <\/strong>As metr\u00f3poles regionais s\u00e3o o pr\u00f3ximo n\u00f3 da rede urbana brasileira. Elas abastecem os centros regionais, segundo a sua capacidade de criar servi\u00e7os e mercadorias. Salvador, Recife e Fortaleza s\u00e3o metr\u00f3poles regionais do Nordeste brasileiro. Elas distribuem servi\u00e7os m\u00e9dicos, educacionais e financeiros por todo o espa\u00e7o regional. Curitiba e Porto Alegre s\u00e3o os mais importantes centros urbanos da Regi\u00e3o Sul. J\u00e1 Belo Horizonte, uma metr\u00f3pole regional interiorizada, exerce influ\u00eancia por uma vasta \u00e1rea que se prolonga at\u00e9 o norte de Minas Gerais.<\/blockquote>\n<strong>15-<\/strong> O Brasil \u00e9 um pa\u00eds de muitas desigualdades sociais. Esse fato se reflete na qualidade de vida dos moradores das cidades brasileiras e na paisagem urbana.\n\n<strong>15.1-<\/strong> Na maioria delas, encontraremos favelas, corti\u00e7os e moradores sem teto (que habitam em terrenos p\u00fablicos e embaixo das pontes). Isso ocorre porque o pre\u00e7o da terra urbana (dos lotes) \u00e9 muito alto para grande parte da popula\u00e7\u00e3o. Como resultado, ela n\u00e3o tem dinheiro sequer para pagar um aluguel e acaba morando em condi\u00e7\u00f5es muito prec\u00e1rias.\n\n<strong>15.2- <\/strong>Na cidade subterr\u00e2nea, aquela que n\u00e3o conseguimos ver, pois est\u00e1 debaixo de nossos p\u00e9s. Tamb\u00e9m existem indicadores importantes da qualidade de vida de uma cidade ou bairro. \u00c9 por l\u00e1 que circulam, ou deveriam, a \u00e1gua encanada e esgoto domiciliar e industrial.\n\n<strong>15.3- <\/strong>Outro indicador da qualidade de vida nas cidades \u00e9 o total de \u00e1rea verde por habitante.\n\n<strong>15.4-<\/strong> A oferta de transporte coletivo (\u00f4nibus, metr\u00f4 e trens urbanos) \u00e9 outro indicador da qualidade de vida de uma cidade.\n\n<strong>Conceitos b\u00e1sicos<\/strong>\n\n<strong>Urbaniza\u00e7\u00e3o: <\/strong>aumento proporcional da popula\u00e7\u00e3o urbana em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 popula\u00e7\u00e3o rural.\n\n<strong>Crescimento Urbano:<\/strong> Expans\u00e3o das cidades.\n\n<strong>Conurba\u00e7\u00e3o: <\/strong>Encontro de duas ou mais cidades. <strong>Ex:<\/strong> Regi\u00e3o do ABCD, na Grande S\u00e3o Paulo.\n\n<strong>Metr\u00f3pole: <\/strong>Cidade Principal, aquela que exerce influ\u00eancia econ\u00f4mica, funcional, social no \u00e2mbito nacional ou regional.\n\n<strong>Megal\u00f3pole: <\/strong>Conurba\u00e7\u00e3o de duas ou mais metr\u00f3poles. <strong>Ex:<\/strong> Bos Wash.\n\n<strong>Terciariza\u00e7\u00e3o: <\/strong>Crescimento muito intenso da popula\u00e7\u00e3o ativa no setor de servi\u00e7os.\n\n<strong>Macroencefalia urbana: <\/strong>Concentra\u00e7\u00e3o da maior parte da popula\u00e7\u00e3o de um pa\u00eds em cidades.\n\n<strong>Megacidade: <\/strong>\u00c1rea urbana com mais de 10 milh\u00f5es de habitantes.\n\n<strong>Cidade global:<\/strong> Cidades em que h\u00e1 concentra\u00e7\u00e3o de per\u00edcia ou conhecimento em servi\u00e7os ligados \u00e0 globaliza\u00e7\u00e3o, independente do tamanho de sua popula\u00e7\u00e3o.\n\n<strong>Ex: <\/strong>Mil\u00e3o na It\u00e1lia, cidade de grande import\u00e2ncia para a ind\u00fastria da moda.\n\n<strong>O processo de urbaniza\u00e7\u00e3o no mundo:<\/strong>\n\nOcorre uma grande acelera\u00e7\u00e3o a partir do p\u00f3s-guerra. A maior parte das grandes metr\u00f3poles esta situada em pa\u00edses do terceiro mundo como S\u00e3o Paulo, Cidade do M\u00e9xico. S\u00e3o cidades problem\u00e1ticas com diversos tipos de problemas. No Relat\u00f3rio Habitat II de 1996 (confer\u00eancia das Na\u00e7\u00f5es Unidas para os Assentamentos Humanos) foram colocadas uma s\u00e9rie de id\u00e9ias a respeito da urbaniza\u00e7\u00e3o mundial. Uma da principais conclus\u00f5es do encontro foi perceber como a quest\u00e3o urbana \u00e9 um ponto central do desenvolvimento econ\u00f4mico. Algumas das preocupa\u00e7\u00f5es atuais em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s cidades e a urbaniza\u00e7\u00e3o referem-se a preserva\u00e7\u00e3o ambiental e reciclagem, a necessidade da prioriza\u00e7\u00e3o do transporte coletivo, a defesa do desenvolvimento sustent\u00e1vel, descentraliza\u00e7\u00e3o e o novo papel do poder local (maior participa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica das comunidades locais) e tamb\u00e9m a maior \u00eanfase nas parcerias entre o poder p\u00fablico e o setor privado.\n\n<strong>Urbaniza\u00e7\u00e3o no Brasil<\/strong>\n\n<strong>As raz\u00f5es primordiais que levaram \u00e0 urbaniza\u00e7\u00e3o:<\/strong> industrializa\u00e7\u00e3o, a possibilidade de melhoria nas condi\u00e7\u00f5es de vida, desequil\u00edbrios setoriais de crescimento no conjunto da economia, problemas socioecon\u00f4micos no setor privado, calamidades naturais.\n\n<strong>Faveliza\u00e7\u00e3o:<\/strong> Atualmente h\u00e1 um grande aumento do n\u00famero de favelas no mundo. Um ter\u00e7o do espa\u00e7o urbano mundial \u00e9 composto por favelas e a tend\u00eancia \u00e9 que daqui a cinq\u00fcenta anos este n\u00famero aumente para um meio, ou seja, metade do espa\u00e7o urbano. E este crescimento se d\u00e1 fundamentalmente em pa\u00edses do terceiro mundo. S\u00e3o Paulo \u00e9 o estado com maior n\u00famero de favelas do Brasil, 1548 em 2000. Rio de Janeiro apresenta 811 favelas. O Brasil terminou o s\u00e9culo com 3095 favelas espalhadas pelo pa\u00eds.\n\n<strong>Alguns tra\u00e7os gerais do espa\u00e7o urbano brasileiro:<\/strong> Segrega\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o urbano em bairros e condom\u00ednios fechados e corti\u00e7os e favelas. Predom\u00ednio do espa\u00e7o de consumo (shoppings). Aumento dos loteamentos clandestino. Aumento dos moradores de ruas, da viol\u00eancia urbana e da deteriora\u00e7\u00e3o ambiental. H\u00e1 uma valoriza\u00e7\u00e3o do interesse individual em detrimento do coletivo. Todos estes dados apontam para a exist\u00eancia de dois espa\u00e7os urbanos, um formal em que existe uma estrutura bem organizada em diversos sentidos e outro informal, que corresponde \u00e0 realidade da maioria cuja situa\u00e7\u00e3o \u00e9 oposta a primeira.\n\n<strong>O processo de urbaniza\u00e7\u00e3o<\/strong>\n\nNo Brasil o processo de urbaniza\u00e7\u00e3o decorreu de uma urbaniza\u00e7\u00e3o tardia, no entanto muito r\u00e1pida, em compara\u00e7\u00e3o com os pa\u00edses desenvolvidos, o que para (SANTOS, 1993), \u00e9 uma caracter\u00edstica comum dos pa\u00edses subdesenvolvidos. Esse fen\u00f4meno no Brasil ocorreu a partir do s\u00e9culo XX com o processo de industrializa\u00e7\u00e3o, quando ocorreu a grande migra\u00e7\u00e3o de pessoas do campo para \u00e0 cidade, atra\u00eddos pela ind\u00fastria em busca de trabalho e melhores condi\u00e7\u00f5es de vida.\n\nAs ra\u00edzes da urbaniza\u00e7\u00e3o brasileira s\u00e3o decorrentes da hist\u00f3ria, os primeiros centros urbanos surgiram no s\u00e9culo XVI, ao longo do litoral em raz\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o do a\u00e7\u00facar, nos s\u00e9culos XVII e XVIII, a descoberta de ouro fez surgir v\u00e1rios n\u00facleos urbanos e no s\u00e9culo XIX a produ\u00e7\u00e3o de caf\u00e9 foi importante no processo de urbaniza\u00e7\u00e3o, mesmo assim em 1872 a maioria da popula\u00e7\u00e3o brasileira ainda era predominante rural (SANTOS, 1993).\n\n<strong>Podemos considerar que a urbaniza\u00e7\u00e3o brasileira ocorreu a partir dos v\u00e1rios ciclos das atividades econ\u00f4micas que surgiram no nosso territ\u00f3rio:<\/strong> a cana-de-a\u00e7\u00facar e a minera\u00e7\u00e3o na Regi\u00e3o Nordeste; a cafeicultura no Estado de S\u00e3o Paulo; e o mais din\u00e2mico, a industrializa\u00e7\u00e3o respons\u00e1vel pelo grande n\u00famero de pessoas quemigraram do campo para \u00e0 cidade, atra\u00eddos pela ind\u00fastria em busca de oportunidade de trabalho, dando in\u00edcio a efetiva\u00e7\u00e3o concreta da urbaniza\u00e7\u00e3o brasileira.\n\n<strong>Esse processo de urbaniza\u00e7\u00e3o ocorreu de forma muito lenta entre os s\u00e9culos XVI e XIX, e um desses fatores ocorreu em virtude dos isolamentos entre os espa\u00e7os produtivos, onde para SANTOS, (1993, p. 26):<\/strong>\n<blockquote>O Brasil foi, durante muitos s\u00e9culos, um grande arquip\u00e9lago, formado por subespa\u00e7os que evolu\u00edram segundo l\u00f3gicas pr\u00f3prias, ditadas em grande parte por suas rela\u00e7\u00f5es com o mundo exterior. Havia, sem d\u00favida, para cada um desses subespa\u00e7os, polos din\u00e2micos internos. Estes, por\u00e9m, tinham entre si escassa rela\u00e7\u00e3o, n\u00e3o sendo interdependente (SANTOS, 1993, p. 26).<\/blockquote>\nEssa complexa organiza\u00e7\u00e3o territorial e urbana do Brasil ocasionou profundas diferen\u00e7as entre suas regi\u00f5es. Ou seja, esse processo n\u00e3o ocorreu da mesma forma em todo pa\u00eds, algumas regi\u00f5es se urbanizaram mais do que outras, concentrando maior e mais din\u00e2mica urbaniza\u00e7\u00e3o nas Regi\u00f5esSudeste, Centro-Oeste e Sul, emenor urbaniza\u00e7\u00e3o nas Regi\u00f5es Norte e Nordeste.Assim podemos analisar que o processo de urbaniza\u00e7\u00e3o no Brasil ocorreu de forma r\u00e1pida e desordenada, principalmente durante o s\u00e9culo XX, com a grande migra\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o que trocou o meio rural pelas oportunidades oferecidas nas cidades.\n\nAo longo das d\u00e9cadas a popula\u00e7\u00e3o brasileira cresceu de forma significativa, ao passo desse crescimento as cidades tamb\u00e9m tiveram um grande aumento das \u00e1reas urbanizadas, formando imensas malhas urbanas, ligando uma cidade \u00e0 outra e criando as regi\u00f5es metropolitanas. Por\u00e9m, esse grande crescimento urbano que torna hoje o Brasil um pa\u00eds com mais de 84% da popula\u00e7\u00e3o vivendo nas cidades, n\u00e3o \u00e9 uma realidade concreta em todas as regi\u00f5es.\n\n<strong>A Regi\u00e3o Sudeste apesar de ser formada por apenas quatro Estados e ocupar somente 10% de nosso territ\u00f3rio, aglomeram cerca de 40% da popula\u00e7\u00e3o nacional:<\/strong> s\u00e3o aproximadamente 80 milh\u00f5es de habitantes, 92% dos quais vivem em cidades (IBGE, 2010), \u00e9 tamb\u00e9m nesta regi\u00e3o que se encontram as duas maiores cidades brasileiras: Rio de Janeiro e S\u00e3o Paulo. Portanto, essa \u00e9 a regi\u00e3o mais urbanizada e mais desenvolvida do pa\u00eds, concentrando a maior malha urbana do Brasil, onde est\u00e3o concentradas as maiores empresas nacionais e multinacionais.\n\nA Regi\u00e3o Centro-Oeste \u00e9 a segunda regi\u00e3o de maior popula\u00e7\u00e3o urbana no pa\u00eds, onde aproximadamente 89% dos habitantes vivem em cidades (IBGE, 2010). A urbaniza\u00e7\u00e3o dessa regi\u00e3o \u00e9 ainda mais recente e intensificou-se com cria\u00e7\u00e3o de Bras\u00edlia e posteriormente com o agroneg\u00f3cio,eventos respons\u00e1veis pela grande atra\u00e7\u00e3o de pessoas nas \u00faltimas d\u00e9cadas para essa \u00e1rea que engloba os Estados de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goi\u00e1s e o Distrito Federal, onde as principais atividades econ\u00f4micas s\u00e3o essencialmente de car\u00e1ter agroindustrial.\n\nA Regi\u00e3o Sul, apesar de contar com o terceiro maior contingente populacional do pa\u00eds &#8211; cerca de 27 milh\u00f5es de habitantes (IBGE, 2010) &#8211; e uma economia vigorosa, tamb\u00e9m baseada na agropecu\u00e1ria &#8211; apresenta um \u00edndice mais baixo de urbaniza\u00e7\u00e3o. Isso se explica devido ao modo como as atividades econ\u00f4micas se desenvolveram na regi\u00e3o. Mesmo assim \u00e9 uma regi\u00e3o bastante desenvolvida e que apresenta uma malha urbana bastante diversificada englobando os Estados do Paran\u00e1, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.\n\nA Regi\u00e3o Norte tem o menor n\u00famero de munic\u00edpios do pa\u00eds e cerca de 15 milh\u00f5es de habitantes. No entanto, \u00e9 a regi\u00e3o com um dos menores percentuais de popula\u00e7\u00e3o urbana no pa\u00eds 73% (IBGE, 2010). Essa regi\u00e3o se encontra ainda pouco urbanizada at\u00e9 por conta de suas peculiaridades geogr\u00e1ficas, a Floresta Amaz\u00f4nica que impede de certa forma a maior concentra\u00e7\u00e3o populacional, apesar disso, Manaus (AM) e Bel\u00e9m (PA) t\u00eam popula\u00e7\u00e3o superior a 1 milh\u00e3o de habitantes.\n\nA Regi\u00e3o Nordeste com cerca de 53 milh\u00f5es de habitantes foi \u00e0 primeira regi\u00e3o brasileira a ser povoada, por\u00e9m na atualidade \u00e9 uma das regi\u00f5es menos urbanizadas, do Brasil.O Nordeste \u00e9 a regi\u00e3o brasileira com o maior n\u00famero de munic\u00edpios (1.792), sendo que 73% de sua popula\u00e7\u00e3o \u00e9 urbanizada (IBGE, 2010). S\u00f3 recentemente as cidades de Recife, Salvador e Fortaleza se tornaram polos industriais respons\u00e1veis pela maior concentra\u00e7\u00e3o populacional dessa regi\u00e3o.\n\nEm grande parte da Regi\u00e3o Nordeste e na Para\u00edba, o processo de urbaniza\u00e7\u00e3o das cidades esteve ligado diretamente \u00e0 oferta de servi\u00e7os e desenvolvimento de algumas atividades comerciais, por\u00e9m a falta de incentivos mais est\u00e1veis e uma infraestrutura permanente n\u00e3o permitiu consolidar um processo de industrializa\u00e7\u00e3o e urbaniza\u00e7\u00e3o num sentido mais amplo (NOGUEIRA, 2003).\n\nO crescimento desenfreado dos centros urbanos provocouv\u00e1rias consequ\u00eancias, como o trabalho informal e o desemprego. Outro problema muito grave provocado pela urbaniza\u00e7\u00e3o sem planejamento \u00e9 a marginaliza\u00e7\u00e3o dos exclu\u00eddos que habitam \u00e1reas sem infraestrutura, somando-se, a criminalidade. Esses s\u00e3o alguns dosproblemas provocados pela urbaniza\u00e7\u00e3o desigual que tomou conta do nosso pa\u00eds gerando muitos problemas sociais para nossa popula\u00e7\u00e3o, e um deles que tem crescido bastante nos \u00faltimos anos \u00e9 a faveliza\u00e7\u00e3o principalmente nas grandes cidades, onde o n\u00famero de pessoas desempregadas \u00e9 bem maior.\n\nPercebemos assim que a urbaniza\u00e7\u00e3o brasileira ocorreu de forma muito desigual em todas as regi\u00f5es, ocasionando diferen\u00e7as profundas entre a modernidade e pobreza. Isso tudo \u00e9 decorrente da concentra\u00e7\u00e3o desigual que ocorreu a partir do s\u00e9culo XX quando houve uma r\u00e1pida expans\u00e3o urbana em virtude do processo de industrializa\u00e7\u00e3o que atraiu as pessoas para as cidades.\n\n<strong>Popula\u00e7\u00e3o brasileira<\/strong>\n\nA maior parte da popula\u00e7\u00e3o brasileira vive em cidades. O censo 2010 do IBGE aponta que aproximadamente 85 % da popula\u00e7\u00e3o do pa\u00eds se concentram em \u00e1reas consideradas urbanas.\n\nAs ra\u00edzes da urbaniza\u00e7\u00e3o brasileira s\u00e3o decorrentes da hist\u00f3ria, os primeiros centros urbanos surgiram no s\u00e9culo XVI, ao longo do litoral\u00a0em raz\u00e3o da\u00a0produ\u00e7\u00e3o do a\u00e7\u00facar, nos s\u00e9culos XVII e XVIII, a descoberta de ouro fez surgir v\u00e1rios n\u00facleos urbanos e no s\u00e9culo XIX a produ\u00e7\u00e3o de caf\u00e9 foi importante no processo de urbaniza\u00e7\u00e3o, em 1872 a popula\u00e7\u00e3o urbana era restrita a 6% do total de habitantes.\n\nNos prim\u00f3rdios da ocupa\u00e7\u00e3o, sua economia, baseada na produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola, era orientada para a exporta\u00e7\u00e3o, da\u00ed as plan\u00edcies e os terra\u00e7os litor\u00e2neos terem sido escolhidos para a implanta\u00e7\u00e3o dos primeiros n\u00facleos urbanos. Os s\u00edtios escolhidos eram os localizados pr\u00f3ximos a ba\u00edas ou enseadas junto dessas plan\u00edcies.\n\nAs primeiras grandes cidades brasileiras estiveram intrinsecamente ligadas \u00e0 fun\u00e7\u00e3o de porto comercial e \u00e0 fun\u00e7\u00e3o militar. As condi\u00e7\u00f5es de tais s\u00edtios favoreciam n\u00e3o somente a liga\u00e7\u00e3o com as \u00e1reas de produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola como tamb\u00e9m o estabelecimento seguro de bases militares para garantir a posse da col\u00f4nia.\n\nO processo de concentra\u00e7\u00e3o de \u00e1reas (urbanas e rurais) no Brasil se inicia quando o territ\u00f3rio ainda era uma col\u00f4nia europeia, antes mesmo da defini\u00e7\u00e3o da maioria das atuais fronteiras.\n\nDesde a concess\u00e3o das sesmarias a disputa da terra no Brasil \u00e9 acentuada, anteriormente com base no direito de produzir e atualmente (nos espa\u00e7os urbanos) representado pelo direito \u00e0 habita\u00e7\u00e3o. Segundo In\u00e1cio Arruda \u0093A Lei da Terra de 1850 \u00e9 emblem\u00e1tica quanto \u00e0 ocupa\u00e7\u00e3o territorial do Brasil. Nela, a terra perde o significado de privil\u00e9gio e ganha a condi\u00e7\u00e3o de mercadoria, t\u00edpica do capitalismo, capaz de gerar lucro einfluir no na forma\u00e7\u00e3o urbana\u0094 (ARRUDA, 2008). A lei citada era na verdade um acerto pol\u00edtico e s\u00f3 reafirmoua concentra\u00e7\u00e3o da terra, (agora em solo) urbano e serviu para contribuir com as contradi\u00e7\u00f5es entre o interesse privado e o coletivo em torno da quest\u00e3o habitacional e que fundamenta a atual classifica\u00e7\u00e3o em cidade \u0093legal\u0094 e cidade \u0093ilegal\u0094.\n\nEm meados do s\u00e9culo XIX, come\u00e7ou a declinar o regime escravocrata. Sob press\u00e3o da Inglaterra &#8211; agora interessada num mercado comprador para seus produtos manufaturados, e n\u00e3o apenas interessada em vender escravos &#8211; o Brasil pro\u00edbe o tr\u00e1fico negreiro em 1850.\n\nFoi assim que o Imp\u00e9rio promulgou a Lei de Terras, que estabelecia a compra e a venda como \u00fanica forma de aquisi\u00e7\u00e3o de qualquer gleba dispon\u00edvel. As pessoasque j\u00e1 possu\u00edam propriedade recebiam o t\u00edtulo de posse mediante prova de que residiam e produziam na terra. As \u00e1reas n\u00e3o ocupadas eram consideradas do Estado e s\u00f3 poderiam ser adquiridas por meio de compra nos leil\u00f5es mediante o pagamento \u00e0 vista \u0096 o que,\u00e9 claro, n\u00e3o estava ao alcance dos imigrantes e dos escravos libertos.\n\nAl\u00e9m de garantir as propriedades dos bar\u00f5es do caf\u00e9 das regi\u00f5es Sul e Sudeste e dos latifundi\u00e1rios do Nordeste, a Lei de Terras abriu brechas para todo tipo de fraude. Uma consistia em reivindicar uma gleba com base em documentos falsificados. Pra dar apar\u00eancia antiga \u00e0 papelada, as escrituras eram trancadas numa gaveta cheia de grilos. Corro\u00eddos e amarelados por subst\u00e2ncias liberadas pelos insetos, os documentos pareciam aut\u00eanticos. Da\u00ed vem o termo grilagem.\n\nNa segunda metade do s\u00e9culo XIX, a cafeicultura -que transformou definitivamente o Sudeste na principal regi\u00e3o econ\u00f4mica do pa\u00eds &#8211; ajudou a promover a urbaniza\u00e7\u00e3o do Rio de Janeiro e de S\u00e3o Paulo e deu in\u00edcio a um pequeno processo de industrializa\u00e7\u00e3o no pa\u00eds.\n\nVemos que a caracter\u00edstica exportadora da agricultura brasileira originou consigo uma onda de desenvolvimento tamb\u00e9m para as incipientes cidades. \u00c0 medida que a exporta\u00e7\u00e3o de caf\u00e9 aumenta, a receita aumenta, possibilitando aogoverno estadual empreendimentos para a agricultura, que favorecem tamb\u00e9m o desenvolvimento industrial, facilitando, inclusive, a imigra\u00e7\u00e3o\u0094 (para que fossem ocupados postos na ind\u00fastria e tamb\u00e9m em algumas lavouras especificas), sem contar, ainda, a constru\u00e7\u00e3o de estradas de ferro. \u00c9 na depend\u00eancia das lavouras, como j\u00e1 citamos anteriormente, que as cidades crescem e se desenvolvem.\n\nInstalam-se bancos, para financiar os cafezais, necessita-se tamb\u00e9m de produ\u00e7\u00e3o para a nova sociedade, voltada para o mercado interno. A industrializa\u00e7\u00e3o \u00e9 acelerada pelo \u00eaxodo rural que se torna mais intensoa partir da d\u00e9cada de 1930.\n\nO processo de transfer\u00eancia populacional ganhou for\u00e7a a partir de 1930, com o in\u00edcio da industrializa\u00e7\u00e3o do pa\u00eds e com a falta de uma reforma agr\u00e1ria distributiva. A ind\u00fastria, ao se estabelecer na cidade, tr\u00e1s consigo um contingente populacional baseado na m\u00e3o de obra e na presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os, enquanto a concentra\u00e7\u00e3o fundi\u00e1ria no campo impossibilita a manuten\u00e7\u00e3o da vida no meio rural para a maioria da popula\u00e7\u00e3o, contribuindo para o incha\u00e7o urbano brasileiro das \u00faltimas d\u00e9cadas, agravado pelo d\u00e9ficit habitacional, pela car\u00eancia de servi\u00e7os p\u00fablicos e pelo ineficiente e tardio planejamento urbano.\n\nFoi somente duranteos governos de Get\u00falio Vargas (1930-1945) que se promoveram as primeiras medidas para se industrializar significativamente o pa\u00eds, o que deslocaria o eixo populacional do pa\u00eds do campo para a cidade; eaimplanta\u00e7\u00e3o da ind\u00fastria automobil\u00edstica no governo de Juscelino Kubitschek (1955-1960) que deu novo impulso ao processo.\n\nApesar de sua fundamental import\u00e2ncia na reordena\u00e7\u00e3o da estrutura social e da democratiza\u00e7\u00e3o do acesso (e da utiliza\u00e7\u00e3o) ao solo urbano, a Reforma Urbana ainda \u00e9 um tema muito desconhecido da opini\u00e3o p\u00fablica e, mesmo com o avan\u00e7ado debate acad\u00eamico,est\u00e1 muito longe do democr\u00e1tico entendimento, inclusive por t\u00e9cnicos das gest\u00f5es estatais.Fato que caracteriza um entrave no combate aos obst\u00e1culos impostos pelo modelo econ\u00f4mico vigente.\n\nA rela\u00e7\u00e3o da Reforma Urbana com a Reforma Agr\u00e1ria \u00e9 muito t\u00eanue e deve ser revista. Uma separa\u00e7\u00e3o de a\u00e7\u00f5es e defini\u00e7\u00f5es e a consolida\u00e7\u00e3o de uma legisla\u00e7\u00e3o sobre o tema, bem como um trabalho de divulga\u00e7\u00e3o dos ben\u00e9ficos resultados da Reforma Urbana s\u00e3o essenciais para a consolida\u00e7\u00e3o de mudan\u00e7as avalizadas pelos cidad\u00e3os, atrav\u00e9s da participa\u00e7\u00e3o popular no processo decis\u00f3rio e fiscalizador.\n\nO entendimento da quest\u00e3o fundi\u00e1ria e a rela\u00e7\u00e3o entre a posse da terra e as condi\u00e7\u00f5es sociais da maioria da popula\u00e7\u00e3o brasileira s\u00e3o fundamentais para se definir par\u00e2metros de an\u00e1lise e afirmar a fun\u00e7\u00e3o social da terra no espa\u00e7o urbano atual, impulsionando a luta por cidades mais justas, humanas e acess\u00edveis. Desta an\u00e1lise surge o argumento de uso do espa\u00e7o urbano para fins sociais frente \u00e0 valoriza\u00e7\u00e3o especulativa, causadora do grande abismo entre pobres e ricos (detentores e n\u00e3o detentores do solo) nas cidades e do surgimento de grandes grupamentos habitacionais de periferia, obrigando a popula\u00e7\u00e3o a viver na ilegalidade urbana, al\u00e9m de percorrer diariamente dist\u00e2ncias cada vez maiores para o lazer, a educa\u00e7\u00e3o, a sa\u00fade, o consumo e o trabalho dentro do espa\u00e7o urbano,enquanto grandes \u00e1reas de especula\u00e7\u00e3o permanecem sem uso nas regi\u00f5es mais valorizadas dos centros urbanos, indo contra a condi\u00e7\u00e3o social do solo,uma vez que o direito a moradia digna \u00e9 considerado b\u00e1sico.\n\n<strong>A vigorosa urbaniza\u00e7\u00e3o brasileira, agora no s\u00e9culo XX, impulsionada pela ascens\u00e3o do trabalho livre, pela condi\u00e7\u00e3o de rep\u00fablica e pela ind\u00fastria emergente (ainda vinculada ao campo, atrav\u00e9s de uma produ\u00e7\u00e3o agroexportadora), leva para as cidades contingentes cada vez maiores de trabalhadores e seus familiares, deixando de lado a preocupa\u00e7\u00e3o com a \u0093qualidade\u0094 deste processo e recriando o atraso colonial da concentra\u00e7\u00e3o do solo, agora sob sua nova forma:<\/strong> o latif\u00fandio urbano.\n\n\u0093O Brasil sai do s\u00e9culo XIX com aproximadamente 10% da popula\u00e7\u00e3o nas cidades.\n\nEm 1940, a popula\u00e7\u00e3o urbana representa apenas 26,3% do total\u0094(SANTOS, 1993).\n\nTal explos\u00e3o populacional necessitava de um pesado n\u00edvel de investimentos estatais para adequar a demanda \u00e0 oferta de servi\u00e7os. Como este n\u00edvel n\u00e3o atingiu os patamares necess\u00e1rios, nem sequer acompanhando a evolu\u00e7\u00e3o da economia do pa\u00eds, a situa\u00e7\u00e3o urbana se agravou.\n\nA migra\u00e7\u00e3o acentuada e acelerada do campo para as cidades e o crescimento da popula\u00e7\u00e3o urbana aumentaram os problemas a ser resolvidos para que se consigam melhorar as condi\u00e7\u00f5es de vida para a totalidade da popula\u00e7\u00e3o.\n\nNo Brasil, as cidades foram fundadas e se espalharam a partir da faixa litor\u00e2nea. O interior foi sendo lentamente desbravado desde os primeiros tr\u00eas s\u00e9culos de coloniza\u00e7\u00e3o portuguesa, mas n\u00e3o ocupado, pois a industrializa\u00e7\u00e3o, o principal motor da urbaniza\u00e7\u00e3o moderna, s\u00f3 ocorreu de forma significativa no s\u00e9culo XX\n\nNo Brasil, as cidades foram fundadas e se espalharam a partir da faixa litor\u00e2nea. O interior foi sendo lentamente desbravado desde os primeiros tr\u00eas s\u00e9culos de coloniza\u00e7\u00e3o portuguesa, mas n\u00e3o ocupado, pois a industrializa\u00e7\u00e3o, o principal motor da urbaniza\u00e7\u00e3o moderna, s\u00f3 ocorreu de forma significativa no s\u00e9culo XX.\n\nA industrializa\u00e7\u00e3o tardia no Brasil somou-se ao crescimento acelerado da popula\u00e7\u00e3o, que mais que dobrou de tamanho em40 anos e passou de 90 bilh\u00f5es na d\u00e9cada de 1970 para mais de 190 milh\u00f5es em 2010. At\u00e9 o Censo de 1940, apenas um ter\u00e7o dos brasileiros vivia nas cidades. Nas d\u00e9cadas seguintes, o desenvolvimento de ind\u00fastrias nas cidades e daagricultura mecanizada para a exporta\u00e7\u00e3o transferiu cada vez mais moradores do campo para as cidades. Nos anos de 1980, todas as regi\u00f5es brasileiras j\u00e1 concentravam a maioria de seus moradores.\n\nEnquanto a amplia\u00e7\u00e3o da malha urbana determinou uma maior complexidade da infraestrutura de transportes e de ocupa\u00e7\u00e3o do territ\u00f3rio nas \u00e1reas pr\u00f3ximas ao litoral, o incha\u00e7o populacional levou a problemas como a polui\u00e7\u00e3o dos rios e do mar, as dificuldades para o suprimento de \u00e1gua pot\u00e1vel e a falta de capacidade de acolher dignamente a popula\u00e7\u00e3o vinda do campo.\n\nDentro dos pa\u00edses, a reparti\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica da popula\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m muda. Certas regi\u00f5es perdem popula\u00e7\u00e3o em proveito de outras, tornadas mais din\u00e2micas (no caso do Brasil, a perda de subst\u00e2ncia demogr\u00e1fica do Nordeste em favor do Sudeste \u00e9 not\u00f3ria), mas o essencial do movimento \u00e9 devido \u00e0 urbaniza\u00e7\u00e3o.\n\n<strong>Urbaniza\u00e7\u00e3o question\u00e1vel<\/strong>\n\nO Brasil possui 5.565 cidades, mas quase 5 mil (4.979) dessas cidades t\u00eam menos de 50 mil moradores e apenas 37 delas possuem mais de 500 mil habitantes, segundo o IBGE.\n\nConsiderar todas essas localidades aglomera\u00e7\u00f5es urbanas se deve, em princ\u00edpio, ao crit\u00e9rio usado no Brasil. Pelos par\u00e2metros utilizados pelo IBGE, 84,4%dos brasileiros vivem em \u00e1reas urbanas e apenas 15,6%, em \u00e1reas rurais. A invers\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o do campo para o meio urbano se deu na d\u00e9cada de 1970 e, desde ent\u00e3o, s\u00f3 tem aumentado.\n\nH\u00e1 uma diferen\u00e7a de crescimento populacional em rela\u00e7\u00e3o ao tamanho dos munic\u00edpios. Nas cidades grandes, o crescimento da popula\u00e7\u00e3o foi menor, provocado, sobretudo, pela baixa taxa de fecundidade, al\u00e9m da redu\u00e7\u00e3o na oferta de empregos. Por outro lado, o Censo de 2010 registrou a expans\u00e3o das cidades de m\u00e9dio porte, com popula\u00e7\u00e3o entre 100 mil e 500 mil pessoas, polos de articuladores da economia e servi\u00e7os, esvaziando o campo. Essas cidades cresceram cerca de 2% em rela\u00e7\u00e3o ao ano 2000. Os munic\u00edpios com at\u00e9 2 mil habitantes tiveram redu\u00e7\u00e3o de popula\u00e7\u00e3o, sobretudo em raz\u00e3o da emigra\u00e7\u00e3o. A taxa m\u00e9dia de queda populacional nessas cidades, em rela\u00e7\u00e3o aos dados de 2000, ficou em 0,22%.\n\nO Brasil sempre foi uma terra de contrastes e, nesse aspecto, a urbaniza\u00e7\u00e3o do pa\u00eds n\u00e3o se distribui igualitariamente por todo o territ\u00f3rio nacional. Muito pelo contr\u00e1rio, ela se concentra na Regi\u00e3o Sudeste, formada pelos Estados de S\u00e3o Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Esp\u00edrito Santo.\n\n<strong>Regi\u00e3o Sudeste<\/strong>\n<p class=\"imagem\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Urbaniza\u00e7\u00e3o no Brasil\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/urbani1.jpg\" alt=\"Urbaniza\u00e7\u00e3o no Brasil\" width=\"296\" height=\"277\" \/>\nRegi\u00e3o Sudeste<\/strong><\/p>\n<strong>Apesar destes quatro Estados ocuparem somente 10% de nosso territ\u00f3rio, neles se encontram cerca de 42% da popula\u00e7\u00e3o nacional:<\/strong> s\u00e3o aproximadamente 81milh\u00f5es de habitantes, 91% dos quais vivem em cidades.\n\n\u00c9 tamb\u00e9m no Sudeste que se encontram tr\u00eas das cidades brasileiras com mais de 1 milh\u00e3o de habitantes (S\u00e3o Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte), bem como 50% das cidades com popula\u00e7\u00e3o entre 500 mil e 1 milh\u00e3o de habitantes.\n\nAs sucessivas crises econ\u00f4micas que o pa\u00eds conheceu nas \u00faltimas duas d\u00e9cadas fezseu ritmo de crescimento em geral diminuir e com isso o fluxo migrat\u00f3rio para o Sudeste se reduziu e continua em decl\u00ednio.\n\n<strong>Regi\u00e3o Centro-Oeste<\/strong>\n<p class=\"imagem\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Urbaniza\u00e7\u00e3o no Brasil\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/urbani2.jpg\" alt=\"Urbaniza\u00e7\u00e3o no Brasil\" width=\"245\" height=\"264\" \/>\nRegi\u00e3o Centro-Oeste<\/strong><\/p>\nEmbora seja a regi\u00e3o com menor n\u00famero absoluto populacional, o Centro-Oeste\u00e9 a segunda regi\u00e3o demaior popula\u00e7\u00e3o urbana no pa\u00eds, onde 89% dos habitantes vivem em cidades.\n\nA popula\u00e7\u00e3o total nessa regi\u00e3o \u00e9 de aproximadamente 14 milh\u00f5es de pessoas ou 7,4% da popula\u00e7\u00e3o total do pa\u00eds.\n\nA urbaniza\u00e7\u00e3o dessa regi\u00e3o \u00e9 ainda mais recente e se explica pela cria\u00e7\u00e3o de Bras\u00edlia, bem como de uma explos\u00e3o do agroneg\u00f3cio.\n\nA agropecu\u00e1ria impulsionou a urbaniza\u00e7\u00e3o do Centro-Oeste, cujas cidades apresentam atividades econ\u00f4micas essencialmente de car\u00e1ter agroindustrial.\n\n<strong>Regi\u00e3o Sul<\/strong>\n<p class=\"imagem\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Urbaniza\u00e7\u00e3o no Brasil\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/urbani3.jpg\" alt=\"Urbaniza\u00e7\u00e3o no Brasil\" width=\"198\" height=\"269\" \/><strong>\nRegi\u00e3o Sul<\/strong><\/p>\nA regi\u00e3o Sul, apesar de contar com o terceiro maior contingente populacional do pa\u00eds -cerca de 27 milh\u00f5es de habitantesou 14,3% do total &#8211; e uma economia vigorosa, tamb\u00e9m baseada na agropecu\u00e1ria &#8211; apresenta um \u00edndice mais baixo de urbaniza\u00e7\u00e3o. Isso se explica devido ao modo como as atividades econ\u00f4micas se desenvolveram na regi\u00e3o.\n\nA pequena propriedade e o trabalho familiar foram as caracter\u00edsticas essenciais do modo de produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola na regi\u00e3o, o que ajudou a fixar as popula\u00e7\u00f5es no campo. Esse modelo, entretanto, est\u00e1 passando por mudan\u00e7as e o \u00eaxodo rural j\u00e1 se tornou uma realidade tamb\u00e9m nessa regi\u00e3o.\n\n<strong>Regi\u00e3o Norte<\/strong>\n<p class=\"imagem\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Urbaniza\u00e7\u00e3o no Brasil\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/urbani4.jpg\" alt=\"Urbaniza\u00e7\u00e3o no Brasil\" width=\"350\" height=\"270\" \/>\nRegi\u00e3o Norte<\/strong><\/p>\nA regi\u00e3o Norte tem o menor n\u00famero de munic\u00edpios do pa\u00eds e cerca de 16milh\u00f5es de habitantes ou 8,3% do total populacional. No entanto, \u00e9 a regi\u00e3o com o menor percentual de popula\u00e7\u00e3o urbana no pa\u00eds (62%).\n\nAl\u00e9m de ter-se inserido tardiamente na din\u00e2mica econ\u00f4mica nacional, a regi\u00e3o tem sua peculiaridade geogr\u00e1fica &#8211; a floresta Amaz\u00f4nica &#8211; que representa um obst\u00e1culo ao \u00eaxodo rural. Ainda assim, Manaus (AM) e Bel\u00e9m (PA) t\u00eam popula\u00e7\u00e3o superior a 1 milh\u00e3o de habitantes.\n\n<strong>Regi\u00e3o Nordeste<\/strong>\n<p class=\"imagem\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Urbaniza\u00e7\u00e3o no Brasil\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/urbani5.jpg\" alt=\"Urbaniza\u00e7\u00e3o no Brasil\" width=\"238\" height=\"298\" \/>\nRegi\u00e3o Nordeste<\/strong><\/p>\nCom cerca de 53 milh\u00f5es de habitantes, 27,8% do total da popula\u00e7\u00e3o do pa\u00eds,e peculiaridades geogr\u00e1ficas como as secas, nunca efetivamente combatidas desde os tempos do Imp\u00e9rio, o Nordeste \u00e9 a regi\u00e3o brasileira com o maior n\u00famero de munic\u00edpios (1.794), mas somente 65% de sua popula\u00e7\u00e3o \u00e9 urbana. S\u00f3 recentemente as cidades de Recife, Salvador e Fortaleza se tornaram polos industriais.\n\n<strong>A hierarquia urbana brasileira<\/strong>\n\nEssa \u00e9 uma forma de se classificar as cidades de acordo com seu grau de influ\u00eancia sobre as demais cidades baseada na no\u00e7\u00e3o de rede urbana estabelecendo rela\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas, sociais e pol\u00edticas entre si. Tais rela\u00e7\u00f5es, algumas cidades predominam e exercem influ\u00eancia sobre outras, produzindo um sistema de rela\u00e7\u00f5es hierarquizadas no interior de cada rede urbana na qual as cidades menores est\u00e3o subordinadas \u00e0s de hierarquia maior.\n\nCom o objetivo de facilitar o planejamento nas grandes aglomera\u00e7\u00f5es urbanas do pa\u00eds, foram criadas por lei federal, em meados da d\u00e9cada de 1970, as regi\u00f5es metropolitanas. Estruturas territoriais especiais, as regi\u00f5es metropolitanas s\u00e3o, portanto, regi\u00f5es de planejamento governamental. Formadas pelas principais cidades do pa\u00eds, as regi\u00f5es metropolitanas caracterizam pela reuni\u00e3o de diversas cidades numa grande mancha urbana, marcada por integra\u00e7\u00e3o funcional, forte concentra\u00e7\u00e3o populacional e grande dinamismo econ\u00f4mico. Numa regi\u00e3o metropolitana, a integra\u00e7\u00e3o funcional ocorre quando a popula\u00e7\u00e3o de dois ou mais n\u00facleos urbanos vizinhos compartilham servi\u00e7os e infraestruturas, gerando, assim movimentos di\u00e1rios de pessoas chamados de fluxos pendulares. Por defini\u00e7\u00e3o legal, elas devem possuir densidades demogr\u00e1ficas acima de 60 hab\/km\u00b2.\n\nO crescimento da popula\u00e7\u00e3o e a ocupa\u00e7\u00e3o dos terrenos nas grandes cidades e cidades vizinhas levaram \u00e0 conurba\u00e7\u00e3o e ao surgimento de grandes regi\u00f5es metropolitanas a partir dos anos 1970. O Brasil tem atualmente 35regi\u00f5es metropolitanas, que re\u00fanem mais de um ter\u00e7o dos domic\u00edlios urbanos e 30% da popula\u00e7\u00e3o do pa\u00eds. A taxa de crescimento populacional dessas regi\u00f5es \u00e9 muito superior \u00e0s demais \u00e1reas e foi de 2% entre 1991 e 2000, contra 1,4% nas regi\u00f5es n\u00e3o metropolitanas \u0096 duas delas, S\u00e3o Paulo e Rio de Janeiro, fazem parte do grupo das 20 megacidades do mundo.\n\nAs grandes cidades do pa\u00eds, que conurbaram as vizinhas e se tornaram regi\u00f5es metropolitanas, t\u00eam um poder econ\u00f4mico e social muito elevado e comportamento semelhante ao de \u0093seres vivos\u0094.\n\n<strong>No in\u00edcio, foram institu\u00eddas nove regi\u00f5es metropolitanas, cada qual polarizada por uma grande capital:<\/strong> Bel\u00e9m, Fortaleza, Recife, Salvador, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, S\u00e3o Paulo, Curitiba e Porto Alegre. Essas \u00e1reas urbanizadas tiveram forte crescimento nos anos1960 e 1970, mas esse crescimento entrou em desacelera\u00e7\u00e3o a partir da d\u00e9cada de 1980.\n\nEmbora as primeiras regi\u00f5es metropolitanas tenham diminu\u00eddo seu ritmo de crescimento, os fen\u00f4menos de conurba\u00e7\u00e3o n\u00e3o cessaram, atingindo outras cidades.\n\nPela Constitui\u00e7\u00e3o de 1988, os estados assumiram a prerrogativa do reconhecimento legal de regi\u00f5es metropolitanas.\n\nCom isso, ocorreu uma nova metropoliza\u00e7\u00e3o, mais formal que pr\u00e1tica, causando um consider\u00e1vel aumento do n\u00famero de regi\u00f5es metropolitanas.\n\nA urbaniza\u00e7\u00e3o brasileira deve ser entendida no contexto de uma industrializa\u00e7\u00e3o tardia, s\u00f3 se consolidou em meados do s\u00e9culo XX, de um pa\u00eds marcado por desigualdades regionais, contrastes socioecon\u00f4micos e de desequil\u00edbrios na distribui\u00e7\u00e3o populacional que remontam ao processo de coloniza\u00e7\u00e3o.\n\nAl\u00e9m disso, as migra\u00e7\u00f5es regionais e o \u00eaxodo rural ocorreram num curto per\u00edodo. Esses fatos geraram uma excessiva concentra\u00e7\u00e3o populacional nas metr\u00f3poles do Centro-Sul, especialmente no Sudeste.\n\n<strong>Com base nessas caracter\u00edsticas, a hierarquia da rede urbana brasileira est\u00e1 atualmente estruturada da seguinte forma:<\/strong>\n<blockquote><strong>Cidades globais: <\/strong>representadas pelas cidades de S\u00e3o Paulo e do Rio de Janeiro. No \u00e1pice da hierarquia, conectam a rede urbana de nosso pa\u00eds \u00e0 rede de metr\u00f3poles mundiais. Exercem forte influ\u00eancia econ\u00f4mica sobre todo o territ\u00f3rio nacional e concentram a maioria das sedes de grandes empresas nacionais e estrangeiras. Interferem tamb\u00e9m em importantes aspectos da vida cultural, cient\u00edfica e social do pa\u00eds.\n\n<strong>Metr\u00f3poles nacionais:<\/strong> correspondem algumas capitais estaduais que exercem grande influ\u00eancia em seus pr\u00f3prios estados e sobre extensas \u00e1reas de estados vizinhos. Concentram uma diversificada economia urbana, abrigando sede de importantes empresas e de \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos. <strong>Exemplos:<\/strong> Porto Alegre, Curitiba, Belo Horizonte e Fortaleza.\n\n<strong>Metr\u00f3poles regionais: <\/strong>cidades com mais de 1 milh\u00e3o de habitantes, abrigam uma economia diversificada, mas possuem uma \u00e1rea de influ\u00eancia menor que as das metr\u00f3poles nacionais. <strong>Exemplos:<\/strong> Campinas, Goi\u00e2nia e Bel\u00e9m.\n\n<strong>Capitais regionais: <\/strong>Cidades de porte m\u00e9dio, que exercem influ\u00eancia sobre um vasto n\u00famero de munic\u00edpios a sua volta. Re\u00fanem uma estrutura razo\u00e1vel de ind\u00fastrias, de com\u00e9rcio e deservi\u00e7os. <strong>Exemplos:<\/strong> Londrina, Jo\u00e3o Pessoa, Florian\u00f3polis e Cuiab\u00e1.\n\n<strong>Centros regionais:<\/strong> Cidades de porte m\u00e9dio que est\u00e3o sob a influ\u00eancia de metr\u00f3poles ou de capitais regionais, mas exercem influ\u00eancia sobre v\u00e1rios munic\u00edpios pr\u00f3ximos. <strong>Exemplos:<\/strong> Campina Grande, Maring\u00e1, Feira de Santana e Caruaru.\n\n<strong>Centros locais: <\/strong>centros urbanos que, espalhados pelo pa\u00eds, est\u00e3o subordinados a capitais e centros regionais, mas exercem uma pequena influ\u00eancia sobre os munic\u00edpios vizinhos.<\/blockquote>\nAssim como na maioriados pa\u00edses latino-americanos, a urbaniza\u00e7\u00e3o brasileira gerou uma concentra\u00e7\u00e3o de popula\u00e7\u00e3o e atividades econ\u00f4micas num n\u00famero reduzido de cidades, o que caracterizou o processo de metropoliza\u00e7\u00e3o. Esse fen\u00f4meno tamb\u00e9m teve impactos consider\u00e1veis sobre a atividade industrial. At\u00e9 aproximadamente 1975, as empresas buscavam instalar-senas principais concentra\u00e7\u00f5es urbanas, uma vez que isso era ainda economicamente vantajoso. A partir da d\u00e9cada de 1980, entretanto, a satura\u00e7\u00e3o das metr\u00f3poles e os problemas sociais e ambientaisdela decorrentes passaram a impelir as ind\u00fastrias para cidades menores ou para regi\u00f5es com menores custos de produ\u00e7\u00e3o.\n\nEsse fato abriu espa\u00e7o para o crescimento de cidades pequenas e m\u00e9dias, o que pode ser caracterizado como desmetropoliza\u00e7\u00e3o. O que se observa no Brasil \u00e9 uma crescente substitui\u00e7\u00e3o das atividades do setor secund\u00e1rio pela concentra\u00e7\u00e3o dos servi\u00e7os em metr\u00f3poles como S\u00e3o Paulo e Rio de Janeiro.\n\n<strong>A viol\u00eancia rumo ao interior<\/strong>\n\nEntre os problemas que se agravaram em n\u00edvel mundial est\u00e1 o da viol\u00eancia, principalmente em pa\u00edses pobres ou em desenvolvimento. Nesse quesito, o Brasil \u00e9 um dos pa\u00edses que abrigam cidades nas quais essa quest\u00e3o \u00e9 mais grave.\n\nOs dados do mapa da viol\u00eancia 2010 mostra que, de 1997 a 2007, o Brasil registrou 512.216 assassinatos. S\u00f3 em 2007, foram 47.707 v\u00edtimas, nada menos do que 130,7 por dia. Em 2007, a taxa de homic\u00eddios no pa\u00eds era de 25,2 mortes para cada grupo de 100 mil habitantes, a mais baixa dos onze anos no per\u00edodo estudado. Ainda assim, apenas dois d\u00e9cimos menor do que a de 1997 (25,4). Ou seja, uma d\u00e9cada depois, o pa\u00eds retomou o patamar de 1997. O estudo \u00e9 baseado nos atestados de \u00f3bito do Sistema de Informa\u00e7\u00f5es de Mortalidade (SIM), do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade.\n\nUma an\u00e1lise ano a ano mostra que as estat\u00edsticas poderiam ser piores. De 1997 a 2003, a taxa de homic\u00eddios no pa\u00eds cresceu na faixa de 5% ao ano, atingindo o pico de 28,9 assassinatos para cada 100 mil habitantes em 2003 -com 51.054 mortos. Depois disso, o \u00edndice caiu em 2004 (27) e 2005 (25,8), voltou a subir em 2006 (26,3) e alcan\u00e7ou seu menor patamar em 2007.\n\nO estudo foi feito de acordo com os registros de morte por agress\u00e3o do Datasus, do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, e considerou 5.565munic\u00edpios do pa\u00eds. Nas capitais, essa taxa caiu 19,8% e nas regi\u00f5es metropolitanas ainda mais, 25%. De acordo com a pesquisa,no interior o \u00edndice de morte por 100 mil habitantes cresceu de 3,5% para 18,5%. Nesses munic\u00edpios mais violentos est\u00e3o os novos polos de crescimento, as cidades litor\u00e2neas v\u00edtimas de turismopredat\u00f3rio, as cidades do arco do desmatamento e os de viol\u00eancia tradicionais.\n\nO Mapa revela ainda que os negros s\u00e3o as maiores v\u00edtimas da viol\u00eancia no pa\u00eds. Para cada branco assassinado em 2007 foram mortos 2 negros.\n\nN\u00e3o significa apenas que o n\u00famero de negros mortos subiu. Foi o de brancos mortos que diminuiu muito &#8211; destaca apesquisa, para quem a privatiza\u00e7\u00e3o da seguran\u00e7a tem contribu\u00eddo para essa diferen\u00e7a.\n\nEntre 2002 e 2007, o n\u00famero de pessoas brancas v\u00edtimas de homic\u00eddio caiu de 18.852 para 14.308, uma queda de 20,1%. O de negros, no entanto, aumentou de 26.915 para 30.193, um crescimento de 12,2%. Se em 2002 morriam 46% mais negros que brancos, em 2007 essa diferen\u00e7a foi para 108%.\n\nA pesquisa do Mapa da Viol\u00eancia confirma que as v\u00edtimas de homic\u00eddios no Brasil s\u00e3o em maioria os jovens, com idades entre 14 e 24 anos. De acordo com o pesquisador, o perfil dessas v\u00edtimas em maioria \u00e9 o mesmo que o de seus agressores. Al\u00e9m disso, o estudo mostrou que, desde 1980, a viol\u00eancia continua crescendo entre os jovens brasileiros. Se a cada 100 mil jovens (entre 15 e 24 anos) 30 deles morriam por homic\u00eddio em 1980, o n\u00famero saltou para 50,1 em 2007. A hist\u00f3ria da viol\u00eancia no Brasil \u00e9 a hist\u00f3ria do assassinato dessa juventude.\n\n<strong>Confira as cidades mais violentas do pa\u00eds<\/strong>\n\nAs cidades mais violentas do pa\u00eds s\u00e3o Juruena (MT), com 139 homic\u00eddios por 100 mil habitantes; Nova Tebas (PR), com 132; Tail\u00e2ndia (PA), com 128,4; Gua\u00edra (PR), com 106,6; Coronel Sapucaia (MS), com 103,6 homic\u00eddios para cada 100 mil habitantes. Coronel Sapucaia, por exemplo, \u00e9 uma cidade de recentes conflitos entre \u00edndios e fazendeiros.\n\nEm seguida vem Viana (ES), recentemente citada na Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU) por conta da viol\u00eancia e das p\u00e9ssimas condi\u00e7\u00f5es que os presos enfrentam na Casa de Cust\u00f3dia, com 99 mortes por 100 mil.\n\nA primeira capital no ranking da viol\u00eancia \u00e9 Macei\u00f3, que aparece em 8\u00ba lugar, com 97,4 mortes por 100 mil habitantes. Em seguida vem Recife, em 19\u00ba lugar, com 87,5, seguidade Vit\u00f3ria, que ocupa a 34\u00aa posi\u00e7\u00e3o, com 75,4 homic\u00eddios por 100 mil habitantes.\n\n<strong>Rio, S\u00e3o Paulo e Minas puxam queda de homic\u00eddios<\/strong>\n\nDe acordo com o pesquisador, os estados do Rio de Janeiro, S\u00e3o Paulo e Minas Gerais for\u00e7aram a queda dos homic\u00eddios por desenvolverem pol\u00edticas mais eficientes de seguran\u00e7a p\u00fablica. No ranking dos estados, S\u00e3o Paulo em 1997 tinha o quarto lugar, e hoje caiu para 25\u00ba, registrando 17,1 mortes por 100 mil habitantes. O Rio de Janeiro era o estado mais violento do pa\u00eds e caiu para 4\u00ba lugar, com uma taxa de 52,2 mortos por 100 mil habitantes. J\u00e1 Alagoas, que em 97 estava no 14\u00ba lugar, hoje \u00e9 o estado com maior \u00edndice de viol\u00eancia, registrando 59,6 mortes por 100 mil habitantes.\n\n<strong>Repensar a Cidade: Garantia de Distribui\u00e7\u00e3o de Direitos<\/strong>\n\nO modelo de urbaniza\u00e7\u00e3o brasileiro produziu nas \u00faltimas d\u00e9cadas cidades caracterizadas pela fragmenta\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o e pela exclus\u00e3o social e territorial. O desordenamento do crescimento perif\u00e9rico associado \u00e0 profunda desigualdade entre \u00e1reas pobres, desprovidas de toda a urbanidade, e \u00e1reas ricas, nas quais os equipamentos urbanos e infraestruturas se concentram, aprofunda essas caracter\u00edsticas, refor\u00e7ando a injusti\u00e7a social de nossas cidades e inviabilizando a cidade para todos.\n\nGrande parcela das cidades brasileiras abriga algum tipo de assentamento prec\u00e1rio, normalmente distante, sem acesso, desprovido de infraestruturas e equipamentos m\u00ednimos. Na totalidade das grandes cidades essa \u00e9 a realidade de milhares de brasileiros, entre eles os exclu\u00eddos dos sistemas financeiros formais da habita\u00e7\u00e3o e do acesso \u00e0 terra regularizada e urbanizada, brasileiros que acabam ocupando as chamadas \u00e1reas de risco, como encostas e locais inund\u00e1veis. Por outro lado, em muitas cidades, principalmente em suas \u00e1reas centrais, uma massa enorme de im\u00f3veis se encontra ociosa ou subutilizada, refor\u00e7ando a exclus\u00e3o e a cria\u00e7\u00e3o de guetos \u0096 tanto de pobres que n\u00e3o disp\u00f5em de meios para se deslocar, quanto de ricos que temem os espa\u00e7os p\u00fablicos \u0096, realidade que contribui para a viol\u00eancia, para a impossibilidade de surgimento da cidadania.\n\nA Reforma Urbana consiste em um planejamento de longo prazo do espa\u00e7o ocupado pela cidade, buscando adequar este meio e visando uma melhoria significativa qualidade de vida. Tal reforma deve gerar uma presta\u00e7\u00e3o adequada de servi\u00e7os p\u00fablicos. Deve satisfazer tamb\u00e9m necessidades sociais como o acesso ao lazer, cultura, educa\u00e7\u00e3o, trabalho e renda para todos os moradores. Tal transforma\u00e7\u00e3o \u00e9 muito bem entendida (e discutida) no meio acad\u00eamico, mas est\u00e1 fora do alcance dos cidad\u00e3os (reais benefici\u00e1rios com a reforma) e da maioria dos gestores p\u00fablicos de nossas cidades.\n\n<strong>Para Marcelo Lopes Souza, \u0093uma reforma de tal amplitude esbarra em grandes (e poderosos) obst\u00e1culos:<\/strong>\n<blockquote><strong>1 \u0096 pol\u00edticos <\/strong>\u0096 atrav\u00e9s da press\u00e3o de grupos dominantes por meio de representatividade nos governos e do controle da m\u00eddia de massa.\n\n<strong>2 \u0096 econ\u00f4micos \u0096 <\/strong>fruto da falta de cuidado com as finan\u00e7as p\u00fablicas.\n\n<strong>3 \u0096 jur\u00eddicos \u0096 <\/strong>agravado pela necessidade de novas leis sobre o tema.\n\n<strong>4 \u0096 sociopol\u00edticos \u0096 <\/strong>gerado pela resist\u00eancia da pr\u00f3pria popula\u00e7\u00e3o, devido \u00e0 falta de informa\u00e7\u00e3o ou pela atua\u00e7\u00e3o do crime organizado em determinadas \u00e1reas\u0094 (SOUZA, 2005).<\/blockquote>\n<strong>Pode-se levantar um \u0093quinto\u0094 e grande obst\u00e1culo: <\/strong>a reforma urbana \u00e9 muito pouco conhecida e, assim, as chances de haver uma \u0093press\u00e3o\u0094 em massa para que ela aconte\u00e7a \u00e9 pequena. Surge deste fato a necessidade de gera\u00e7\u00e3o de mecanismos de divulga\u00e7\u00e3o da reforma, atrav\u00e9s de campanhas de esclarecimento sobre os poss\u00edveis resultados de uma reestrutura\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o urbano e os benef\u00edcios que tal processo traria na organiza\u00e7\u00e3o social de nossas cidades.\n\nCom o aumento das popula\u00e7\u00f5es urbanas, ocupadas em atividades terci\u00e1rias e secund\u00e1rias, o campo \u00e9 chamado a produzir mais intensivamente. No s\u00e9culo XIX, para alimentar um urbano eram necess\u00e1rias cerca de sessenta pessoas trabalhando no campo. Essa propor\u00e7\u00e3o vai modificando-se ao longo destes dois s\u00e9culos.\n\nEm certos pa\u00edses, hoje, h\u00e1 um habitante rural para cada dez urbanos. No Brasil caminhamos para igual propor\u00e7\u00e3o em certas regi\u00f5es, como na maior parte do Estado de S\u00e3o Paulo.\n\nAagricultura passa, ent\u00e3o, a se beneficiar dos progressos cient\u00edficos e tecnol\u00f3gicos, que asseguram uma produ\u00e7\u00e3o maior sobre por\u00e7\u00f5es de terra menores. Os progressos da qu\u00edmica e da gen\u00e9tica, juntamente com as novas possibilidades criadas pela mecaniza\u00e7\u00e3o, multiplicam a produtividade agr\u00edcola, e reduzem a necessidade de m\u00e3o deobra no campo. A urbaniza\u00e7\u00e3o ganha, assim, novo impulso e o espa\u00e7o do homem, tanto nas cidades como no campo, vai tornando-se um espa\u00e7o cada vez mais instrumentalizado, culturizado, tecnificado e cada vez mais trabalhado segundo os ditames da ci\u00eancia. O capital constante que, antes, era um apan\u00e1gio das cidades, sobretudo naquelas onde se concentrava a produ\u00e7\u00e3o industrial, passa, tamb\u00e9m, a caracterizar o pr\u00f3prio campo, na forma de implementos, fertilizantes e inseticidas, m\u00e1quinas e sementes selecionadas. Esse capital constante fixo oulocalizado chega, ali\u00e1s, a toda parte apoiado pela expans\u00e3o da rede de estradas de ferro e derodagem que v\u00e3o assegurar uma circula\u00e7\u00e3o mais r\u00e1pida e relativamente mais barata, sem aqual o abastecimento das cidades se tornaria imposs\u00edvel. O fato de que a energia se transporte em forma de eletricidade, ou atrav\u00e9s de modernos condutos de \u00f3leo, de gasolina ou de g\u00e1s vai permitir, depois, a desconcentra\u00e7\u00e3o industrial, enquanto no s\u00e9culo passado ofen\u00f4meno da industrializa\u00e7\u00e3o explica as grandesconcentra\u00e7\u00f5es urbanas, os transportes se modernizam, encurtando as dist\u00e2ncias entre as cidades e dentro delas. E o urbanismo subterr\u00e2neo se transforma em um suporte indispens\u00e1vel \u00e0s formas de vida e \u00e0s atividades econ\u00f4micas contempor\u00e2neas.\n\nTudo isso se d\u00e1 em um quadro de vida onde as condi\u00e7\u00f5es ambientais s\u00e3o ultrajadas, com agravos \u00e0 sa\u00fade f\u00edsica e mental das popula\u00e7\u00f5es. Deixamos de entreter a natureza amiga e criamos a natureza hostil.\n\nPor outro lado, a acelera\u00e7\u00e3o da urbaniza\u00e7\u00e3o, sobretudo nos pa\u00edses perif\u00e9ricos, veio acompanhada de crescimento urbano desordenado, ocasionando in\u00fameros problemas socioambientais, como a multiplica\u00e7\u00e3o de bairros com infraestrutura deficiente, habita\u00e7\u00f5es situadas em \u00e1reas de risco e altera\u00e7\u00f5es nos sistemas naturais.\n\nClaro que essas \u00e1reas menos valorizadas s\u00e3o ocupadas pelas popula\u00e7\u00f5es de baixa renda, por isso se afirma que esse tipo de expans\u00e3o urbana reflete uma organiza\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o que produz e acentua desigualdades econ\u00f4micas e sociais. O fen\u00f4meno da faveliza\u00e7\u00e3o \u00e9 uma das principais evid\u00eancias territoriais desse processo.\n\nFavela, na defini\u00e7\u00e3o usada pela ONU, s\u00e3o \u00e1reas urbanas em que a maioria dos residentes vive aglomerada em habita\u00e7\u00f5es ilegais desprovidas de \u00e1gua tratada e saneamento.\n\nO Estatuto das Cidades, que regulamenta os artigos da Constitui\u00e7\u00e3o Federal referentes \u00e0 Pol\u00edtica Urbana, constitui um dos maiores avan\u00e7os da legisla\u00e7\u00e3ourban\u00edstica brasileira. Ele apoia os munic\u00edpios na execu\u00e7\u00e3o da Pol\u00edtica Nacional de Desenvolvimento Urbano, com base em princ\u00edpios que estimulam processos participativos de gest\u00e3o territorial e ampliam o acesso \u00e0 terra urbanizada e regularizada, principalmente beneficiando grupos sociais tradicionalmente exclu\u00eddos.\n\nHoje em dia, n\u00e3o se pode pensar em desenvolvimento econ\u00f4mico e social sem transporte. As pessoas precisam se deslocar para estudar, trabalhar, fazer compras, viajar e possuem cada vez mais a necessidade de estar em movimento. Verifica-se que as regi\u00f5esmais desenvolvidas do Brasil possuem tamb\u00e9m os maiores indicadores de transportes, pois a evolu\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica traz consigo a necessidade de mais infraestrutura, em especial ligada \u00e0mobilidade urbana. Considerando os diversos tipos de transportes existentes no Brasil, como carro, moto, bicicleta, \u00f4nibus, a escolha depende de uma s\u00e9rie de fatores como conforto, tempo de trajet\u00f3ria, seguran\u00e7a, custo e acessibilidade, entre outros.\n\n<strong>Tib\u00e9rio Mendon\u00e7a<\/strong>\n\n<strong>REFER\u00caNCIAS BIBLIOGR\u00c1FICAS<\/strong>\n\nARRUDA, IN\u00c1CIO. Reforma Urbana e Projeto Nacional. S\u00e3o Paulo: Anita Garibaldi, 2008.\nBOLIGIAN, LEVO; ALVES ANDRESSA.Espa\u00e7o e Viv\u00eancia. S\u00e3o Paulo: Atual, 2004\nCORR\u00caA, ROBERTO LOBATO. O Espa\u00e7o Urbano. 4\u00aa ed. S\u00e3o Paulo: \u00c1tica, 2000.\nPrograma Urbano. Dispon\u00edvel em: &lt;www.cidades.gov.br&gt; Acesso em 24 outubro 2011\n\nSANTOS, MILTON. A Urbaniza\u00e7\u00e3o Brasileira. S\u00e3o Paulo: Hucitec, 1993\n___________. Metamorfoses do Espa\u00e7o Habitado: Fundamentos te\u00f3ricos e metodol\u00f3gicos da Geografia. 5\u00aa ed. S\u00e3o Paulo: Hucitec,1997\nSinopse dos Resultados do Censo 2010. Dispon\u00edvel em: &lt;www.ibge.gov.br&gt; Acesso em 24 outubro 2011.\nViol\u00eancia Rumo ao Interior. Dispon\u00edvel em: &lt;www.tiberiogeo.com.br&gt; Acesso em 24 outubro 2011.\n\nFonte: files.wordpress.com\/prof-marcelomolinari.tripod.com\/dspace.bc.uepb.edu.br\/www.tiberiogeo.com.br\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Urbaniza\u00e7\u00e3o no Brasil, Brasileira, Hist\u00f3ria, Resumo, Planejamento, Urbano, Ambiental, Popula\u00e7\u00e3o, Cidade, Regi\u00e3o, Processo, Urbaniza\u00e7\u00e3o no Brasil<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":5643,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[52],"tags":[],"class_list":["post-14140","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-geografia-2"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v28.3 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>Urbaniza\u00e7\u00e3o no Brasil - Portal S\u00e3o Francisco<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"noindex, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"en_US\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"Urbaniza\u00e7\u00e3o no Brasil - 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