{"id":14036,"date":"2015-12-02T00:00:00","date_gmt":"2015-12-02T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/uncategorized\/economia-internacional-2\/"},"modified":"2026-08-31T23:04:17","modified_gmt":"2026-08-31T23:04:17","slug":"economia-internacional-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/geografia-2\/economia-internacional-2\/","title":{"rendered":"Economia Internacional"},"content":{"rendered":"\n<strong>Economia Internacional &#8211; O que \u00e9<\/strong>\n\n<strong>O que \u00e9 livre com\u00e9rcio?<\/strong>\n\nO livre com\u00e9rcio \u00e9 uma situa\u00e7\u00e3o na qual o com\u00e9rcio internacional se d\u00e1 sem qualquer tipo de barreira tarif\u00e1ria ou n\u00e3o-tarif\u00e1ria. Entende-se por com\u00e9rcio internacional a compra e venda de mercadorias e servi\u00e7os entre residentes e n\u00e3o-residentes de um pa\u00eds.\n\n<strong>Quais s\u00e3o os argumentos a favor e contra o livre com\u00e9rcio?<\/strong>\n\n<strong>Como principais argumentos a favor do livre com\u00e9rcio, citam-se:<\/strong>\n<blockquote>O aumento da quantidade e da variedade de bens dispon\u00edveis para consumo\nA possibilidade de o pa\u00eds exportar os produtos nos quais \u00e9 mais eficiente que seus parceiros comerciais\nA redu\u00e7\u00e3o dos custos para a aquisi\u00e7\u00e3o de insumos produtivos n\u00e3o dispon\u00edveis ou de alto custo no pa\u00eds, o que permite \u00e0 ind\u00fastria instalada ganhar em produtividade e tornar-se mais competitiva\nOs ganhos de competitividade e a gera\u00e7\u00e3o de empregos nos setores dom\u00e9sticos capacitados a competir nos mercados mundiais;\nA livre aloca\u00e7\u00e3o dos insumos entre as ind\u00fastrias\nA identifica\u00e7\u00e3o dos setores e insumos mais competitivos\nA elimina\u00e7\u00e3o da distor\u00e7\u00e3o em pre\u00e7os relativos\nO maior acesso a linhas externas de investimento;\nA corre\u00e7\u00e3o de eventual vi\u00e9s anti-exporta\u00e7\u00e3o que tenha se consolidado na estrutura da economia.<\/blockquote>\n<strong>Por outro lado, os argumentos cl\u00e1ssicos que t\u00eam sido levantados contra o livre com\u00e9rcio s\u00e3o:<\/strong>\n<blockquote>A prote\u00e7\u00e3o \u00e0 &#8220;ind\u00fastria nascente&#8221; (A. Hamilton, F. List)\nA preserva\u00e7\u00e3o do emprego\nA defesa frente ao com\u00e9rcio desleal\nA promo\u00e7\u00e3o da seguran\u00e7a nacional\nA manuten\u00e7\u00e3o de poder de barganha em futuras negocia\u00e7\u00f5es internacionais\nA alegada exist\u00eancia de setores estrat\u00e9gicos; e,\nO controle do n\u00edvel de importa\u00e7\u00f5es como meio de promover algum equil\u00edbrio do balan\u00e7o de pagamentos.<\/blockquote>\n<strong>O que s\u00e3o medidas protecionistas e quais as principais aplicadas pelos pa\u00edses?<\/strong>\n\nS\u00e3o medidas e\/ou procedimentos adotados pelos governos com o objetivo de favorecer o produtor nacional frente aos concorrentes estrangeiros. As principais medidas protecionistas s\u00e3o as barreiras tarif\u00e1rias e as n\u00e3o-tarif\u00e1rias. Por barreiras tarif\u00e1rias entendem-se as tarifas incidentes sobre os produtos importados. Por barreiras n\u00e3o-tarif\u00e1rias entendem-se restri\u00e7\u00f5es como regulamentos sanit\u00e1rios, de sa\u00fade, ambientais, normas t\u00e9cnicas e padr\u00f5es de seguran\u00e7a.\n\n<strong>A abertura comercial afeta a competitividade dos pa\u00edses?<\/strong>\n\nSim. A abertura comercial afeta a competitividade dos pa\u00edses, pois a maior presen\u00e7a de produtos importados significa maior competi\u00e7\u00e3o com os itens produzidos domesticamente. Esse processo tende a levar os produtores nacionais a aperfei\u00e7oarem seus produtos, tornando-os mais competitivos tanto interna como externamente, em especial nos setores em que os insumos necess\u00e1rios a esse processo tornam-se mais dispon\u00edveis\n\n<strong>O que \u00e9 taxa real de c\u00e2mbio e como ela afeta a competitividade dos pa\u00edses?<\/strong>\n\nA taxa real de c\u00e2mbio \u00e9 o termo de troca entre a moeda nacional e uma moeda externa de refer\u00eancia (o d\u00f3lar norte-americano, por exemplo), levando-se em conta a infla\u00e7\u00e3o dom\u00e9stica e a infla\u00e7\u00e3o registrada no parceiro comercial de refer\u00eancia (os EUA, por exemplo).\n\nEla afeta a competitividade dos pa\u00edses porque representa a real capacidade de compra da moeda nacional frente aos bens estrangeiros ou, reciprocamente, o real poder de compra da moeda estrangeira frente aos produtos nacionais.\n\n<strong>Como se mede o coeficiente de abertura comercial de um pa\u00eds?<\/strong>\n\nO coeficiente de abertura comercial de um pa\u00eds \u00e9 um indicador de compara\u00e7\u00e3o internacional, cujo objetivo \u00e9 o de avaliar n\u00edveis de transa\u00e7\u00f5es comerciais externas de diferentes pa\u00edses. Para se medir o coeficiente de abertura comercial, calcula-se a propor\u00e7\u00e3o das exporta\u00e7\u00f5es e importa\u00e7\u00f5es em rela\u00e7\u00e3o ao Produto Interno Bruto (PIB) de um determinado pa\u00eds em um dado per\u00edodo de tempo.\n\n<strong>O que \u00e9 o Consenso de Washington?<\/strong>\n\nEm 1989, o economista John Williamson, pesquisador s\u00eanior do Institute for International Economics (Instituto de Economia Internacional) em Washington, DC, compilou uma lista das pol\u00edticas de mercado recomendadas, que inclu\u00edam disciplina fiscal, reforma tribut\u00e1ria, desregulamenta\u00e7\u00e3o da economia, liberaliza\u00e7\u00e3o das taxas de juros, taxa de c\u00e2mbio competitiva, revis\u00e3o das prioridades dos gastos p\u00fablicos, maior abertura ao investimento estrangeiro direto e fortalecimento do direito de propriedade.\n\nUma das cr\u00edticas dirigidas ao Consenso de Washington foi a pouca aten\u00e7\u00e3o dada \u00e0 amea\u00e7a de choques externos. Deste modo, no topo da nova agenda est\u00e1 um menu de medidas de prote\u00e7\u00e3o contra crises. As sugest\u00f5es incluem pol\u00edticas fiscais antic\u00edclicas, taxas de c\u00e2mbio flutuantes e o fortalecimento da poupan\u00e7a interna.\n\n<strong>O que foi a Confer\u00eancia de Bretton Woods e quais os organismos multilaterais ali criados?<\/strong>\n\nA confer\u00eancia de Bretton Woods abrangeu um conjunto de reuni\u00f5es ocorridas em 1944, nas quais os l\u00edderes das principais na\u00e7\u00f5es capitalistas acordaram uma s\u00e9rie de protocolos nas \u00e1reas comercial, cambial e financeira, com o intuito de conferir maior estabilidade \u00e0s rela\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas entre os pa\u00edses.\n\n<strong>Desses acordos surgiram tr\u00eas importantes organismos multilaterais:<\/strong>\u00a0o Fundo Monet\u00e1rio Internacional (FMI), o Banco Mundial e o extinto GATT, embri\u00e3o da atual Organiza\u00e7\u00e3o Mundial do Com\u00e9rcio (OMC).\n\n<strong>Qual a diferen\u00e7a entre vantagens absolutas e vantagens comparativas?<\/strong>\n\nAs vantagens absolutas referem-se exclusivamente \u00e0 quantidade de recursos usados para se produzir certo bem. Sob esse aspecto, um pa\u00eds det\u00e9m vantagem absoluta na produ\u00e7\u00e3o de um produto quando utiliza menor quantidade de insumos para produzi-lo, em compara\u00e7\u00e3o com outras na\u00e7\u00f5es que tamb\u00e9m o produzem ou podem vir a produz\u00ed-lo.\n\nJ\u00e1 as vantagens comparativas dependem da quantidade que se deixa de produzir de um bem para se produzir um segundo produto. Um pa\u00eds det\u00e9m vantagem comparativa &#8211; relativamente a outro pa\u00eds &#8211; na produ\u00e7\u00e3o de certo item quando, para produzir uma unidade do bem X, ele deixa de produzir uma menor quantidade de uma segunda mercadoria Y.\n\nComo exemplo, imagine dois pa\u00edses que empregam iguais volumes de recursos para produzir autom\u00f3veis ou caf\u00e9. Se o pa\u00eds A tem de optar por produzir 3 autom\u00f3veis ou 5 sacos de caf\u00e9 enquanto o pa\u00eds B tem de optar por produzir 1 autom\u00f3vel ou 4 sacos de caf\u00e9, o pa\u00eds A det\u00e9m vantagem absoluta em autom\u00f3veis e em caf\u00e9, mas vantagem comparativa somente na produ\u00e7\u00e3o de autom\u00f3veis.\n\n<strong>Qual a diferen\u00e7a entre vantagens comparativas e vantagens competitivas?<\/strong>\n\nA vantagem competitiva de uma na\u00e7\u00e3o na produ\u00e7\u00e3o de um bem refere-se ao fato desse pa\u00eds apresentar um menor custo ou uma qualidade superior na produ\u00e7\u00e3o daquele bem, comparativamente aos seus concorrentes. Esse menor custo ou essa qualidade superior derivam de fatores como um sistema de distribui\u00e7\u00e3o f\u00edsica de baixo custo, um processo de produ\u00e7\u00e3o altamente eficiente, a utiliza\u00e7\u00e3o de uma estrutura log\u00edstica superior, a utiliza\u00e7\u00e3o de mat\u00e9ria-prima de alta qualidade, um sistema eficiente de posicionamento do produto ou um produto de qualidade nitidamente superior em atributos-chave.\n\nJ\u00e1 a vantagem comparativa na produ\u00e7\u00e3o de um determinado item remete \u00e0 ideia de que um pa\u00eds apresenta menor custo relativo, relativamente a outras na\u00e7\u00f5es, para produzir a citada mercadoria. Esse menor custo relativo significa que o pa\u00eds em quest\u00e3o sacrifica uma pequena quantidade de uma mercadoria X para produzir uma unidade adicional de um segundo produto Y.\n\n<strong>Como a globaliza\u00e7\u00e3o afeta o com\u00e9rcio internacional?<\/strong>\n\nCom a globaliza\u00e7\u00e3o a competi\u00e7\u00e3o passa a ocorrer em escala mundial e n\u00e3o mais dentro de cada pa\u00eds. Neste ambiente, as empresas que operam em um pa\u00eds ou nele se instalam passam a focar sua produ\u00e7\u00e3o nos produtos e itens de produ\u00e7\u00e3o que apresentam maior vantagem competitiva naquele pa\u00eds. Ao mesmo tempo, h\u00e1 tamb\u00e9m o crescimento no com\u00e9rcio internacional das filiais das empresas multinacionais. Nesta l\u00f3gica, a filial de uma empresa multinacional instalada em certo pa\u00eds se concentra na produ\u00e7\u00e3o de certo produto ou insumo destinado a filiais posicionadas em outros pa\u00edses. Al\u00e9m disso, a globaliza\u00e7\u00e3o implica tamb\u00e9m um maior fluxo de investimentos entre as na\u00e7\u00f5es.\n\n<strong>O que \u00e9 o balan\u00e7o de pagamentos? Como evolui o balan\u00e7o de pagamentos do Brasil?<\/strong>\n\nO balan\u00e7o de pagamentos \u00e9 um registro sistem\u00e1tico das transa\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas entre residentes e n\u00e3o-residentes de um pa\u00eds durante determinado per\u00edodo de tempo. Os dois grandes componentes do balan\u00e7o de pagamentos s\u00e3o a conta corrente (engloba a balan\u00e7a comercial, a balan\u00e7a de servi\u00e7os e as transfer\u00eancias unilaterais) e a conta de capital.\n\nNo caso do Brasil, o elevado endividamento externo da economia brasileira tem dificultado o equil\u00edbrio no balan\u00e7o de pagamentos. No entanto, o crescimento do super\u00e1vit da balan\u00e7a comercial tem possibilitado uma redu\u00e7\u00e3o na vulnerabilidade externa do pa\u00eds.\n\n<strong>O que s\u00e3o regimes cambiais e como eles afetam o com\u00e9rcio?<\/strong>\n\nOs regimes cambiais s\u00e3o conjuntos de regras pelas quais s\u00e3o executados os pagamentos internacionais e pelas quais s\u00e3o regulados os mercados de compra e venda de moedas estrangeiras num certo pa\u00eds.\n\nO tipo de regime cambial adotado pela pol\u00edtica econ\u00f4mica de um pa\u00eds afeta n\u00e3o somente o valor, mas tamb\u00e9m a variabilidade da taxa de c\u00e2mbio vigente numa economia e, portanto, \u00e9 elemento decisivo em termos de volumes e dire\u00e7\u00e3o dos fluxos comerciais do pa\u00eds em quest\u00e3o.\n\n<strong>Embora possam existir regimes cambiais mistos, os regimes cambiais usados pelos pa\u00edses s\u00e3o fundamentalmente quatro, isto \u00e9:<\/strong>\n<blockquote><strong>Flutuante:<\/strong>\u00a0n\u00edvel determinado pelo mercado de moedas. Em tese, quanto menos regulamentado o mercado e quanto menor sua import\u00e2ncia em termos mundiais, maior a volatilidade das taxas de c\u00e2mbio ali negociadas\n\n<strong>C\u00e2mbio administrado:\u00a0<\/strong>a taxa de c\u00e2mbio \u00e9 direcionada p\n<blockquote>elas autoridades monet\u00e1rias\n\n<strong>Taxa fixa de c\u00e2mbio:\u00a0<\/strong>a taxa de c\u00e2mbio de um pa\u00eds \u00e9 fixa em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 outra moeda (\u00e2ncora); e,\n\n<strong>Bandas de flutua\u00e7\u00e3o cambial:\u00a0<\/strong>as autoridades monet\u00e1rias definem intervalos para os limites superior e inferior das oscila\u00e7\u00f5es na taxa de c\u00e2mbio.<\/blockquote>\n<b>O que \u00e9 e como funciona o mercado de sequestro\u00a0de carbono?<\/b>\n\nO com\u00e9rcio internacional de cr\u00e9ditos de carbono est\u00e1 previsto pelo Protocolo de Quioto, acordo que determina a redu\u00e7\u00e3o na emiss\u00e3o dos gases causadores do efeito estufa. Pelo Protocolo, os pa\u00edses industrializados que o ratificarem se comprometem com metas de redu\u00e7\u00e3o diferenciadas para suas emiss\u00f5es de gases causadores do efeito estufa, entre 2008 e 2012, com o objetivo de reduzir em m\u00e9dia 5,2% dos n\u00edveis de emiss\u00e3o de 1990.\n\n<b>O mercado de sequestro\u00a0de carbono funcionaria da seguinte forma:<\/b>\u00a0os Pa\u00edses do Anexo I (industrializados) podem investir em projetos que minimizem a emiss\u00e3o, n\u00e3o emitam ou sequestrem gases que causam o efeito estufa e que estejam sendo desenvolvidos em pa\u00edses em desenvolvimento (&#8220;Pa\u00edses N\u00e3o-Anexo I&#8221;).\n\nOs cr\u00e9ditos de carbono gerados poder\u00e3o ser contabilizados nas metas de redu\u00e7\u00e3o dos Pa\u00edses do Anexo I e comercializados no mercado de carbono.<\/blockquote>\n<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" title=\"Economia Internacional\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/econom29.jpg\" alt=\"Economia Internacional\" width=\"437\" height=\"262\" \/>\n\nAtualmente, ao menos do ponto de vista econ\u00f4mico, o mundo se apresenta crescentemente interligado, seja atrav\u00e9s dos fluxos comerciais, seja atrav\u00e9s dos fluxos financeiros. De modo geral, as rela\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas internacionais t\u00eam posi\u00e7\u00e3o fundamental para a maioria dos pa\u00edses, inclusive o Brasil. A partir dessa constata\u00e7\u00e3o, o estudo da chamada &#8220;Economia Internacional&#8221;, como um ramo espec\u00edfico da Teoria Econ\u00f4mica, ganhou destaque.\n\n<strong>Dentro do ramo da Economia Internacional, costuma-se dividir as quest\u00f5es te\u00f3ricas em dois grandes blocos:\u00a0<\/strong>os aspectos microecon\u00f4micos, ou a Teoria do Com\u00e9rcio Internacional, que procura justificar os benef\u00edcios para cada pa\u00eds, advindos do com\u00e9rcio internacional; e os aspectos macroecon\u00f4micos, relativos \u00e0 taxa de c\u00e2mbio e ao balan\u00e7o de pagamentos, que trataremos nos t\u00f3picos seguintes.\n\n<strong>2. Fundamentos do com\u00e9rcio internacional: a teoria das vantagens comparativas<\/strong>\n\nO que leva os pa\u00edses a comercializarem entre si? Esta \u00e9 a quest\u00e3o b\u00e1sica a ser respondida. Muitas explica\u00e7\u00f5es podem ser levantadas, como a diversidade de condi\u00e7\u00f5es de produ\u00e7\u00e3o, ou a possibilidade de redu\u00e7\u00e3o de custos (a obten\u00e7\u00e3o de economias de escala) na produ\u00e7\u00e3o de determinado bem vendido para um mercado global. Os economistas cl\u00e1ssicos forneceram a explica\u00e7\u00e3o te\u00f3rica b\u00e1sica para o com\u00e9rcio internacional atrav\u00e9s do chamado Princ\u00edpio das Vantagens Comparativas.\n\nO Princ\u00edpio das Vantagens Comparativas sugere que cada pa\u00eds deva se especializar na produ\u00e7\u00e3o daquela mercadoria em que \u00e9 relativamente mais eficiente (ou que tenha um custo relativamente menor). Esta ser\u00e1, portanto, a mercadoria a ser exportada. Por outro lado, esse mesmo pa\u00eds dever\u00e1 importar aqueles bens cuja produ\u00e7\u00e3o implicar um custo relativamente maior (cuja produ\u00e7\u00e3o \u00e9 relativamente menos eficiente). Desse modo, explica-se a especializa\u00e7\u00e3o dos pa\u00edses na produ\u00e7\u00e3o de bens diferentes, a partir da qual concretiza-se o processo de troca entre eles.\n\nA Teoria das Vantagens Comparativas foi formulada por David Ricardo em 1817. No exemplo constru\u00eddo por esse autor, existem dois pa\u00edses (Inglaterra e Portugal), dois produtos (tecidos e vinho) e apenas um fator de produ\u00e7\u00e3o (m\u00e3o-de-obra).\n\n<strong>A partir da utiliza\u00e7\u00e3o do fator trabalho, obt\u00e9m-se a produ\u00e7\u00e3o dos bens mencionados, conforme o quadro a seguir:<\/strong>\n<table border=\"0\" cellspacing=\"1\" cellpadding=\"0\" bgcolor=\"#000000\">\n<tbody>\n<tr bgcolor=\"#0066FF\">\n<td><strong>Quantidade de homens\/hora para produ\u00e7\u00e3o\nde uma unidade de mercadoria<\/strong><\/td>\n<td><strong>Tecidos<\/strong><\/td>\n<td><strong>Vinho<\/strong><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td bgcolor=\"#FFFFFF\">Inglaterra<\/td>\n<td bgcolor=\"#FFFFFF\">100<\/td>\n<td bgcolor=\"#FFFFFF\">120<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td bgcolor=\"#FFFFFF\">Portugal<\/td>\n<td bgcolor=\"#FFFFFF\">90<\/td>\n<td bgcolor=\"#FFFFFF\">80<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\nEm termos absolutos, Portugal \u00e9 mais produtivo na produ\u00e7\u00e3o de ambas as mercadorias. Mas em termos relativos, o custo de produ\u00e7\u00e3o de tecidos em Portugal \u00e9 maior que o da produ\u00e7\u00e3o de vinho, e, na Inglaterra, o custo da produ\u00e7\u00e3o de vinho \u00e9 maior que o da produ\u00e7\u00e3o de tecidos. Comparativamente, Portugal tem vantagem relativa na produ\u00e7\u00e3o de vinho, e a Inglaterra na produ\u00e7\u00e3o de tecidos. Segundo Ricardo, os dois pa\u00edses obter\u00e3o benef\u00edcios ao especializarem-se na produ\u00e7\u00e3o da mercadoria em que possuem vantagem comparativa, exportando-a, e importando o outro bem. N\u00e3o importa, aqui, o fato de que um pa\u00eds possa ter vantagem absoluta em ambas as linhas de produ\u00e7\u00e3o, como \u00e9 o caso de Portugal, no exemplo acima.\n\nOs benef\u00edcios da especializa\u00e7\u00e3o e do com\u00e9rcio podem ser observados ao se comparar a situa\u00e7\u00e3o sem e com com\u00e9rcio internacional.\n\nSem com\u00e9rcio internacional, na Inglaterra s\u00e3o necess\u00e1rias 100 horas de trabalho para a produ\u00e7\u00e3o de 1 unidade de tecido e 120 horas para a produ\u00e7\u00e3o de 1 unidade de vinho. Desse modo, uma unidade de vinho deve custar 1,2 unidade de tecido (120\/ 100). Por outro lado, em Portugal, essa unidade de vinho custar\u00e1 0,89 unidade de tecido (80\/90). Se houver com\u00e9rcio entre os pa\u00edses, a Inglaterra poder\u00e1 importar 1 unidade de vinho por um pre\u00e7o inferior a 1,2 unidade de tecido, e Portugal poder\u00e1 comprar mais que 0,89 unidade de tecido vendendo seu vinho.\n\nAssim, por exemplo, se a rela\u00e7\u00e3o de troca entre o vinho e o tecido for de 1 para 1, ambos os pa\u00edses sair\u00e3o beneficiados. A Inglaterra em autarquia gastar\u00e1 120 horas de trabalho para obter 1 unidade de vinho; com o com\u00e9rcio com Portugal, poder\u00e1 utilizar apenas 100 horas de trabalho, produzir 1 unidade de tecido e troc\u00e1-la por 1 unidade de vinho, poupando, portanto, 20 horas de trabalho, que poderiam ser utilizadas produzindo mais tecidos (obtendo, assim, um maior n\u00edvel de consumo).\n\n<strong>O mesmo racioc\u00ednio vale para Portugal:<\/strong>\u00a0em vez de gastar 90 horas produzindo 1 unidade de tecido, poderia usar apenas 80 produzindo 1 unidade de vinho e troc\u00e1-la no mercado internacional por 1 unidade de tecido, tamb\u00e9m economizando 10 horas de trabalho.\n\nDesse modo, a Inglaterra dever\u00e1 se especializar na produ\u00e7\u00e3o de tecidos, exportando-os e importando vinho de Portugal, que se especializou em tal produ\u00e7\u00e3o e passou a importar tecidos. Conclui-se, portanto, que dada uma certa quantidade de recursos, um pa\u00eds poder\u00e1 obter ganhos atrav\u00e9s do com\u00e9rcio internacional, produzindo aqueles bens que gerarem comparativamente mais vantagens relativas.\n\nA teoria desenvolvida por Ricardo fornece uma explica\u00e7\u00e3o para os movimentos de mercadorias no com\u00e9rcio internacional, a partir da oferta ou dos custos de produ\u00e7\u00e3o existentes nesses pa\u00edses. Logo, os paises exportar\u00e3o e se especializar\u00e3o na produ\u00e7\u00e3o dos bens cujo custo for comparativamente menor em rela\u00e7\u00e3o \u00e0queles existentes, para os mesmos bens, nos demais pa\u00edses exportadores.\n\nDeve-se destacar que a Teoria das Vantagens Comparativas apresenta a limita\u00e7\u00e3o de ser relativamente est\u00e1tica, n\u00e3o levando em considera\u00e7\u00e3o a evolu\u00e7\u00e3o das estruturas da oferta e da demanda, bem como das rela\u00e7\u00f5es de pre\u00e7os entre produtos negociados no mercado internacional, \u00e0 medida que as economias se desenvolvem e seu n\u00edvel de renda cresce. Utilizando o exemplo anterior, \u00e0 medida que crescesse o n\u00edvel de renda e o volume do com\u00e9rcio internacional, a demanda por tecidos cresceria mais que proporcionalmente \u00e0 demanda por vinho, e ocorreria uma tend\u00eancia \u00e0 deteriora\u00e7\u00e3o da rela\u00e7\u00e3o de trocas entre Portugal e Inglaterra, favorecendo este \u00faltimo pa\u00eds.\n\nComo vimos no Cap\u00edtulo 5, no t\u00f3pico sobre elasticidade esta \u00e9 uma cr\u00edtica desenvolvida pelos economistas de vis\u00e3o estruturalista ou cepalina 1. Segundo essa corrente, os produtos manufaturados apresentam elasticidade-renda da demanda maior que um, e os produtos prim\u00e1rios, menor que um, significando que o crescimento da renda mundial provocaria um aumento relativamente maior no com\u00e9rcio de manufaturados, acarretando uma tend\u00eancia cr\u00f4nica ao d\u00e9ficit no balan\u00e7o de pagamentos dos pa\u00edses exportadores de produtos b\u00e1sicos ou prim\u00e1rios (justamente os pa\u00edses perif\u00e9ricos ou em vias de desenvolvimento).\n\n<strong>3. Determina\u00e7\u00e3o da taxa de c\u00e2mbio<\/strong>\n\n<strong>3.1. Conceito<\/strong>\n\nQuando dois pa\u00edses mant\u00eam rela\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas entre si, entram necessariamente em jogo duas moedas, exigindo que se fixe a rela\u00e7\u00e3o de troca entre ambas. A taxa de c\u00e2mbio \u00e9 a medida de convers\u00e3o da moeda nacional em moeda de outros pa\u00edses. Pode, tamb\u00e9m, ser definida como o pre\u00e7o da moeda estrangeira (divisa) em termos da moeda nacional. Assim, 1 d\u00f3lar pode custar 0,97 real, 1 libra pode custar 1,27 real etc.\n\n<strong>A determina\u00e7\u00e3o da taxa de c\u00e2mbio pode ocorrer de dois modos:<\/strong>\u00a0institucionalmente, atrav\u00e9s de decis\u00e3o das autoridades econ\u00f4micas com fixa\u00e7\u00e3o peri\u00f3dica das taxas (taxas fixas de c\u00e2mbio), ou atrav\u00e9s do funcionamento do mercado, onde as taxas flutuam automaticamente, em decorr\u00eancia das press\u00f5es de oferta e demanda por divisas estrangeiras (taxas flutuantes ou flex\u00edveis).\n\nA demanda de divisas \u00e9 constitu\u00edda pelos importadores, que precisam delas para pagar suas compras no exterior, uma vez que a moeda nacional n\u00e3o \u00e9 aceita fora do pa\u00eds, e pela sa\u00edda de capitais financeiros. O Banco Central recebe do importador nacional a import\u00e2ncia em reais, e troca por moeda estrangeira o valor correspondente.\n\nA oferta de divisas \u00e9 realizada tanto pelos exportadores, que recebem moeda estrangeira em contrapartida de suas vendas, como atrav\u00e9s da entrada de capitais financeiros internacionais.\n\nComo a divisa n\u00e3o pode ser utilizada internamente, precisa ser convertida em moeda nacional.\n\n<strong>Isso \u00e9 feito pelo Banco Central da seguinte forma:<\/strong>\u00a0recebe dos importadores do exterior a quantia em divisas &#8211; d\u00f3lar, por exemplo -, retendo-as em seus cofres, e paga, ao exportador nacional, em reais, a import\u00e2ncia correspondente.\n\nUma taxa de c\u00e2mbio elevada significa que o pre\u00e7o da divisa estrangeira est\u00e1 alto, ou que a moeda nacional est\u00e1 desvalorizada. Assim, a express\u00e3o desvaloriza\u00e7\u00e3o cambial indica que houve um aumento da taxa de c\u00e2mbio &#8211; maior n\u00famero de reais por unidade de moeda estrangeira. Por sua vez, valoriza\u00e7\u00e3o cambial significa moeda nacional mais forte, isto \u00e9, paga-se menos reais por d\u00f3lar, por exemplo, e tem-se, em consequ\u00eancia, uma queda na taxa de c\u00e2mbio.\n\nA taxa de c\u00e2mbio est\u00e1 intimamente relacionada com os pre\u00e7os dos produtos exportados e importados e, consequentemente, com o resultado da balan\u00e7a comercial do pa\u00eds. Se a taxa de c\u00e2mbio se encontrar em patamares elevados, estimular\u00e1 as exporta\u00e7\u00f5es, pois os exportadores passar\u00e3o a receber mais reais pela mesma quantidade de divisas derivadas da exporta\u00e7\u00e3o; em conseq\u00fc\u00eancia, haver\u00e1 maior oferta de divisas. Por exemplo, suponhamos uma taxa de c\u00e2mbio de\n0,90 real por d\u00f3lar, e que o exportador vendia 1.000 unidades de seu produto a 50 d\u00f3lares cada. Seu faturamento era de 50.000 d\u00f3lares, ou 45.000 reais. Se o c\u00e2mbio for desvalorizado em 10%, a taxa de c\u00e2mbio subir\u00e1 para 0,99 real o d\u00f3lar e, vendendo as mesmas 1.000 unidades, receber\u00e1 os mesmos 50.000 d\u00f3lares, s\u00f3 que valendo agora 49.500 reais. Isso estimular\u00e1 o exportador a vender mais, aumentando a oferta de divisas.\n\nDo lado das importa\u00e7\u00f5es, a situa\u00e7\u00e3o se inverte, pois se os pre\u00e7os dos produtos importados se elevam, em moeda nacional (os importadores pagar\u00e3o mais reais pelos mesmos d\u00f3lares pagos antes nas importa\u00e7\u00f5es), haver\u00e1 um desest\u00edmulo \u00e0s importa\u00e7\u00f5es e, consequentemente, uma queda na demanda por divisas.\n\nUma taxa de c\u00e2mbio sobrevalorizada (isto \u00e9, a moeda nacional encontra-se valorizada) surte efeito contr\u00e1rio tanto nas exporta\u00e7\u00f5es como nas importa\u00e7\u00f5es. H\u00e1 um desest\u00edmulo \u00e0s exporta\u00e7\u00f5es e um est\u00edmulo \u00e0s importa\u00e7\u00f5es.\n\n<b>3.2. A infla\u00e7\u00e3o interna e seus efeitos sobre a taxa de c\u00e2mbio<\/b>\n\nAt\u00e9 aqui analisamos a paridade cambial sem considerarmos os efeitos da infla\u00e7\u00e3o. No entanto, o aumento do n\u00edvel de pre\u00e7os internos &#8212; ocorr\u00eancia da infla\u00e7\u00e3o &#8212; provoca uma redu\u00e7\u00e3o da taxa real de c\u00e2mbio, ou seja, a taxa nominal permanece a mesma, mas com a infla\u00e7\u00e3o gera-se, internamente, uma queda no poder aquisitivo da moeda.\n\n<strong>Os efeitos da perda de poder aquisitivo s\u00e3o:<\/strong>\u00a0um desest\u00edmulo \u00e0s exporta\u00e7\u00f5es, uma vez que o pre\u00e7o do produto exportado n\u00e3o sofre corre\u00e7\u00e3o equivalente \u00e0 infla\u00e7\u00e3o; e um est\u00edmulo \u00e0s importa\u00e7\u00f5es, j\u00e1 que os bens importados, ao n\u00e3o serem corrigidos, ficam mais baratos.\n\nEm pa\u00edses com infla\u00e7\u00e3o cr\u00f4nica, ocorre um verdadeiro c\u00edrculo vicioso, O aumento da infla\u00e7\u00e3o interna em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 externa, isto \u00e9, da rela\u00e7\u00e3o entre pre\u00e7os internos e pre\u00e7os externos, encarece os produtos nacionais relativamente aos estrangeiros, piorando o saldo comercial do pa\u00eds com o resto do mundo. Para recuperar as exporta\u00e7\u00f5es e inibir as importa\u00e7\u00f5es, o governo desvaloriza o c\u00e2mbio nominal. Embora desestimule, no geral, a compra de produtos importados, alguns produtos essenciais, como petr\u00f3leo, n\u00e3o ter\u00e3o sua importa\u00e7\u00e3o diminu\u00edda, mas apenas eleva\u00e7\u00e3o de seu pre\u00e7o, em moeda nacional. Isso provocar\u00e1 eleva\u00e7\u00e3o dos custos de produ\u00e7\u00e3o, que ser\u00e3o repassados aos pre\u00e7os finais, e temos ent\u00e3o caracterizada uma infla\u00e7\u00e3o de custos. A rela\u00e7\u00e3o entre pre\u00e7os internos e pre\u00e7os externos se eleva novamente, e o c\u00edrculo vicioso continua.\n\n<b>3.3. Valoriza\u00e7\u00e3o real e valoriza\u00e7\u00e3o nominal do c\u00e2mbio<\/b>\n\nA valoriza\u00e7\u00e3o real \u00e9 igual \u00e0 valoriza\u00e7\u00e3o nominal, menos a taxa de infla\u00e7\u00e3o do per\u00edodo. Assim, se a taxa de c\u00e2mbio variar 20% no m\u00eas, mas a infla\u00e7\u00e3o alcan\u00e7ar tamb\u00e9m 20%, teremos apenas uma desvaloriza\u00e7\u00e3o nominal (de 20%), mas n\u00e3o desvaloriza\u00e7\u00e3o real. S\u00f3 ocorrer\u00e1 desvaloriza\u00e7\u00e3o real se a desvaloriza\u00e7\u00e3o nominal superar a taxa de infla\u00e7\u00e3o. Evidentemente, para efeito de pol\u00edtica cambial, e do impacto sobre exporta\u00e7\u00f5es e importa\u00e7\u00f5es, \u00e9 relevante a desvaloriza\u00e7\u00e3o real, e n\u00e3o a nominal.\n\nRigorosamente, para que ocorra a desvaloriza\u00e7\u00e3o real, n\u00e3o basta a desvaloriza\u00e7\u00e3o nominal superar a taxa de infla\u00e7\u00e3o interna. \u00c9 necess\u00e1rio tamb\u00e9m que a infla\u00e7\u00e3o interna seja superior \u00e0 infla\u00e7\u00e3o internacional (externa). Suponhamos, por exemplo, que n\u00e3o haja desvaloriza\u00e7\u00e3o cambial (nominal) e que a taxa de infla\u00e7\u00e3o interna seja de, digamos, 30% no ano. Se a infla\u00e7\u00e3o externa for de 30%, a desvaloriza\u00e7\u00e3o real ser\u00e1 nula, e nada deve acontecer com o fluxo de exporta\u00e7\u00f5es e importa\u00e7\u00f5es, j\u00e1 que a paridade foi mantida. Se a infla\u00e7\u00e3o externa for superior a 30%, na realidade houve uma valoriza\u00e7\u00e3o cambial (a taxa de c\u00e2mbio real caiu, e nossa moeda compra mais divisas); se a infla\u00e7\u00e3o externa for inferior a 30%, ocorreu uma desvaloriza\u00e7\u00e3o cambial.\n\n<strong>4. A atua\u00e7\u00e3o governamental no mercado de divisas: pol\u00edticas externas<\/strong>\n\nEstudou-se anteriormente a determina\u00e7\u00e3o da taxa de c\u00e2mbio pelas tor\u00e7as de mercado &#8212; oferta e procura de divisas. No entanto, na maioria dos pa\u00edses, notadamente naqueles em desenvolvimento, faz-se necess\u00e1ria a interven\u00e7\u00e3o do governo no mercado de divisas, dada a instabilidade do balan\u00e7o de pagamentos economias.\n\nO governo pode atuar atrav\u00e9s da pol\u00edtica cambial ou da pol\u00edtica comercial. A pol\u00edtica cambial diz respeito a altera\u00e7\u00f5es na taxa de c\u00e2mbio, enquanto a pol\u00edtica comercial constitui-se de mecanismos que interferem no fluxo de mercadorias e servi\u00e7os.\n\n<strong>As pol\u00edticas cambiais mais frequentes s\u00e3o as seguintes:<\/strong>\n<blockquote><b>Regime de taxas fixas de c\u00e2mbio:<\/b>\u00a0O Banco Central fixa antecipadamente a taxa de c\u00e2mbio, com a qual o mercado deve operar.\n\n<b>Regime de taxas flutuantes ou flex\u00edveis de c\u00e2mbio:<\/b>\u00a0A taxa de c\u00e2mbio \u00e9 determinada pelo mercado, atrav\u00e9s da oferta e da demanda de moeda estrangeira. Na verdade, como j\u00e1 observamos, em quase todos os pa\u00edses o Banco Central \u00e9 o principal agente tanto na compra como na venda de divisas, o que lhe permite praticamente manter a taxa de c\u00e2mbio nos n\u00edveis em que ele deseja. Esse fato tamb\u00e9m \u00e9 chamado de flutua\u00e7\u00e3o suja, ou dirty floating.\n\n<b>Regime de bandas cambiais:<\/b>\u00a0O Banco Central fixa os limites superior e inferior (uma banda) dentro dos quais a taxa de c\u00e2mbio pode flutuar.<\/blockquote>\n<strong>Dentre as pol\u00edticas comerciais externas, podemos destacar as que se seguem:<\/strong>\n<blockquote><b>Altera\u00e7\u00f5es das tarifas sobre importa\u00e7\u00f5es:<\/b>\u00a0Se a pol\u00edtica adotada visar proteger a produ\u00e7\u00e3o interna, como por exemplo no processo de substitui\u00e7\u00e3o de importa\u00e7\u00f5es adotado pela maior parte dos pa\u00edses em desenvolvimento at\u00e9 os anos 70, isso normalmente \u00e9 feito atrav\u00e9s da eleva\u00e7\u00e3o do imposto de importa\u00e7\u00e3o e de outros tributos e taxas sobre os produtos importados. No caso oposto, com a abertura comercial, ou liberaliza\u00e7\u00e3o das importa\u00e7\u00f5es, as tarifas sobre produtos importados s\u00e3o diminu\u00eddas.\n\n<b>Regulamenta\u00e7\u00e3o do com\u00e9rcio exterior:<\/b>\u00a0Entraves burocr\u00e1ticos dificultando as transa\u00e7\u00f5es com o exterior, bem como o estabelecimento de quotas ou proibi\u00e7\u00f5es \u00e0s importa\u00e7\u00f5es de determinados produtos, representam barreiras qualitativas \u00e0s importa\u00e7\u00f5es.<\/blockquote>\nAs pol\u00edticas comerciais est\u00e3o sujeitas \u00e0s normas estabelecidas pela Organiza\u00e7\u00e3o Mundial do Com\u00e9rcio (OMC), \u00f3rg\u00e0o que substituiu o Acordo Geral sobre Tarifas e Com\u00e9rcio (GATT &#8212; General Agreement on Tariffs and Trade). A fun\u00e7\u00e3o desse \u00f3rg\u00e3o \u00e9 tentar coibir pol\u00edticas protecionistas e pr\u00e1ticas de dumping, Ou seja, que um pa\u00eds venda a pre\u00e7os de mercado inferiores a seus custos de produ\u00e7\u00e3o, que \u00e9 uma forma de se aumentar a participa\u00e7\u00e3o nos mercados mundiais.\n\n<strong>5. Fatores determinantes do comportamento das exporta\u00e7\u00f5es e importa\u00e7\u00f5es<\/strong>\n\nPara objetivos de pol\u00edtica econ\u00f4mica, \u00e9 interessante conhecer-se quais os fatores que mais influenciam as exporta\u00e7\u00f5es e as importa\u00e7\u00f5es.\n\n<b>5.1. Exporta\u00e7\u00f5es<\/b>\n\n<strong>Por simplifica\u00e7\u00e3o, consideraremos como moeda estrangeira o d\u00f3lar. Isso posto, as exporta\u00e7\u00f5es agregadas s\u00e3o influenciadas, coeteris paribus, pelas seguintes vari\u00e1veis:<\/strong>\n<blockquote><b>Pre\u00e7os externos em d\u00f3lares:<\/b>\u00a0Se os pre\u00e7os de nossos produtos se elevarem no exterior, as exporta\u00e7\u00f5es nacionais dever\u00e3o se elevar.\n<b>* Pre\u00e7os internos em reais:<\/b>\u00a0Uma eleva\u00e7\u00e3o dos pre\u00e7os internos de produtos export\u00e1veis pode desestimular as exporta\u00e7\u00f5es e incentivar a venda no mercado interno.\n\n<b>Taxa de c\u00e2mbio (reais por d\u00f3lares):<\/b>\u00a0Como salientamos, o aumento da taxa de c\u00e2mbio (isto \u00e9, uma desvaloriza\u00e7\u00e3o cambial) deve estimular as exporta\u00e7\u00f5es, seja porque nossos exportadores receber\u00e3o mais reais pelos mesmos d\u00f3lares anteriores, seja porque os compradores externos, com os mesmos d\u00f3lares anteriores, poder\u00e3o comprar mais produtos nacionais.\n\n<b>Renda mundial:<\/b>\u00a0Um aumento da renda mundial certamente estimular\u00e1 o com\u00e9rcio internacional e, em conseq\u00fc\u00eancia, as exporta\u00e7\u00f5es nacionais.\n\n<b>Subs\u00eddios e incentivos \u00e0s exporta\u00e7\u00f5es:\u00a0<\/b>Subs\u00eddios e incentivos \u00e0s exporta\u00e7\u00f5es, sejam de ordem fiscal (isen\u00e7\u00f5es de impostos), sejam de ordem financeira (taxas de juros subsidiadas, disponibilidade de financiamentos etc.), sempre representam um fator de est\u00edmulo \u00e0s exporta\u00e7\u00f5es.<\/blockquote>\n<b>5.2. Importa\u00e7\u00f5es<\/b>\n\n<strong>Os principais fatores determinantes do comportamento das importa\u00e7\u00f5es agregadas s\u00e3o os seguintes:<\/strong>\n<blockquote><b>Pre\u00e7os externos em d\u00f3lares:<\/b>\u00a0Se os pre\u00e7os dos produtos importados se elevarem no exterior em d\u00f3lares, haver\u00e1 uma retra\u00e7\u00e3o das importa\u00e7\u00f5es brasileiras.\n\n<b>Pre\u00e7os internos em reais:<\/b>\u00a0Um aumento dos pre\u00e7os dos produtos produzidos internamente incentivar\u00e1 a compra dos similares no mercado externo, elevando as importa\u00e7\u00f5es.\n\n<b>Taxa de c\u00e2mbio (reais por d\u00f3lares):<\/b>\u00a0Uma eleva\u00e7\u00e3o da taxa de c\u00e2mbio (desvaloriza\u00e7\u00e3o cambial) acarretar\u00e1 uma maior despesa aos importadores, pois pagar\u00e3o mais reais pelos mesmos produtos antes importados, os quais, embora mantenham seus pre\u00e7os em d\u00f3lares, exigir\u00e3o mais moeda nacional por d\u00f3lar.\n\n<b>Renda e produto nacional:<\/b>\u00a0Enquanto as exporta\u00e7\u00f5es s\u00e3o mais afetadas pelo que ocorre com a renda mundial, as importa\u00e7\u00f5es est\u00e3o mais relacionadas \u00e0 renda nacional. Um aumento da produ\u00e7\u00e3o e da renda nacional significa que o pa\u00eds est\u00e1 crescendo e que demandar\u00e1 mais produtos importados, seja na forma de mat\u00e9rias-primas, bens de capital ou bens de consumo.\n\n<b>Tarifas e barreiras \u00e0s importa\u00e7\u00f5es:<\/b>\u00a0A imposi\u00e7\u00e3o de barreiras quantitativas (eleva\u00e7\u00e3o das tarifas sobre importa\u00e7\u00f5es) ou qualitativas (proibi\u00e7\u00e3o da importa\u00e7\u00e3o de certos produtos, estabelecimento de quotas ou entraves burocr\u00e1ticos) ocasionam uma inibi\u00e7\u00e3o nas compras de produtos importados.<\/blockquote>\nA partir das informa\u00e7\u00f5es dispon\u00edveis sobre essas vari\u00e1veis, torna-se poss\u00edvel estabelecer rela\u00e7\u00f5es estat\u00edsticas que permitem avaliar o efeito de cada uma delas sobre o comportamento das exporta\u00e7\u00f5es e das importa\u00e7\u00f5es, direcionando as decis\u00f5es da pol\u00edtica econ\u00f4mica junto ao setor externo da economia.\n\n<strong>6. A estrutura do balan\u00e7o de pagamentos<\/strong>\n\nO balan\u00e7o de pagamentos \u00e9 o registro estat\u00edstico-cont\u00e1bil de todas as transa\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas realizadas entre os residentes do pa\u00eds com os residentes dos demais pa\u00edses.\n\n<strong>Desse modo, est\u00e3o registrados no balan\u00e7o de pagamentos, por exemplo, todas as exporta\u00e7\u00f5es e importa\u00e7\u00f5es do per\u00edodo considerado:<\/strong>\u00a0os fretes, os seguros, os empr\u00e9stimos obtidos no exterior etc. Ou seja, todas as transa\u00e7\u00f5es com mercadorias, servi\u00e7os e capitais f\u00edsicos e financeiros entre o pa\u00eds e o resto do mundo.\n\nA contabilidade dessas transa\u00e7\u00f5es segue as normas gerais de contabilidade geral, utilizando-se o m\u00e9todo das partidas dobradas. Todavia, no caso das transa\u00e7\u00f5es externas, n\u00e3o existe propriamente uma conta Caixa, e, para se contornar tal situa\u00e7\u00e3o, usa-se uma conta especial denominada Haveres e Obriga\u00e7\u00f5es no Exterior (HOE).\n\n<strong>O processo \u00e9 o mesmo da contabilidade privada:<\/strong>\u00a0quando h\u00e1 ingresso de dinheiro na empresa debitamos na conta Caixa. Na contabiliza\u00e7\u00e3o do balan\u00e7o de pagamentos, quando isso acontece, debitamos na conta Haveres e Obriga\u00e7\u00f5es no Exterior. Quando h\u00e1 sa\u00edda de dinheiro, creditamos HOE.\n\n<strong>Exemplos:<\/strong>\n\n<strong>Exporta\u00e7\u00f5es a Vista:<\/strong>\n\nC &#8211; Exporta\u00e7\u00f5es\nD &#8211; HOE\n\n<strong>Fretes Pagos:<\/strong>\n\nC &#8211; HOE\nD &#8211; Fretes\n\n<strong>A conta &#8220;Haveres e Obriga\u00e7\u00f5es no Exterior&#8221; apresenta tr\u00eas tipos de transa\u00e7\u00f5es:<\/strong>\n<blockquote><b>Divisas<\/b>\u00a0(moedas estrangeiras).\n\n<b>Ouro monet\u00e1rio<\/b>\u00a0(no com\u00e9rcio internacional, \u00e9 aceito como meio de pagamentos) 2.\n\n<b>Direitos Especiais de Saque (DES)<\/b>\u00a0(uma esp\u00e9cie de &#8220;cheque especial&#8221; que os pa\u00edses t\u00eam ao FMI, cujo limite varia inversamente com a renda per capita e participa\u00e7\u00e3o no com\u00e9rcio internacional).<\/blockquote>\n2. Movimentos de ouro n\u00e3o monet\u00e1rio s\u00e3o transa\u00e7\u00f5es que as autoridades monet\u00e1rias do pa\u00eds realizam com os pr\u00f3prios residentes do pa\u00eds. Embora sejam transa\u00e7\u00f5es entre residentes, por conven\u00e7\u00e3o s\u00e3o consideradas transa\u00e7\u00f5es internacionais e, por isso, fazem parte do balan\u00e7o de pagamentos.\n\nAs compras e vendas internas de ouro entre as autoridades monet\u00e1rias e os residentes do pa\u00eds s\u00e3o transa\u00e7\u00f5es equivalentes porta\u00e7\u00f5es e importa\u00e7\u00f5es de mercadorias e servi\u00e7os, s\u00e3o movimentos de ouro como mercadoria e, por isso aparecem na balan\u00e7a comercial como ouro n\u00e3o monet\u00e1rio. Isso porque as vendas internas de ouro ao Banco Central expandem as reservas internacionais do pa\u00eds, exatamente como a senda de qualquer outra mercadoria.\n\nAs compras e vendas internacionais de ouro, entre autoridades monet\u00e1rias nacionais e estrangeiras, s\u00e3o movimentos oficiais de capital monet\u00e1rio e, por isso, aparecem no balan\u00e7o de capitais, abaixo da linha, como ouro monet\u00e1rio (dentro da conta Haveres e Obriga\u00e7\u00f5es no Exterior).\n\n\u00c9 oportuno salientar que as contas do balan\u00e7o de pagamentos referem-se apenas ao fluxo num dado ano, e n\u00e3o indicam o total de endividamento externo e de reservas intermedi\u00e1rias do pa\u00eds (que s\u00e3o estoques). Mas \u00e9 poss\u00edvel saber a varia\u00e7\u00e3o da d\u00edvida externa, obtida pela diferen\u00e7a entre a entrada de empr\u00e9stimos e financiamentos, e os pagamentos efetuados (amortiza\u00e7\u00f5es e liquida\u00e7\u00e3o de atrasados comerciais). A varia\u00e7\u00e3o das reservas internacionais, que s\u00e3o as divisas estrangeiras, ouro e DES que est\u00e3o em poder do Banco Central ou depositados no FMI (Fundo Monet\u00e1rio Internacional), \u00e9 dada pela conta Haveres e Obriga\u00e7\u00f5es no Exterior.\n\n<strong>O balan\u00e7o de pagamentos apresenta as seguintes subdivis\u00f5es:<\/strong>\n<blockquote><b>Balan\u00e7a Comercial:<\/b>\u00a0Essa conta compreende basicamente o com\u00e9rcio de mercadorias. Se as exporta\u00e7\u00f5es FOR (free on board, isto \u00e9, isentas de fretes e seguros) excedem as importa\u00e7\u00f5es FOR, temos um super\u00e1vit no balan\u00e7o de com\u00e9rcio; caso contr\u00e1rio, temos um d\u00e9ficit.\n\n<b>Balan\u00e7o de Servi\u00e7os:<\/b>\u00a0<strong>Registram-se todos os servi\u00e7os pagos e\/ou recebidos pelo Brasil, tais como:<\/strong>\u00a0fretes, seguros, lucros, juros, royalties e assist\u00eancia t\u00e9cnica, viagens internacionais. Os servi\u00e7os que representam remunera\u00e7\u00e3o a fatores de produ\u00e7\u00e3o externos (juros, lucros, royalties e assist\u00eancia t\u00e9cnica) s\u00e3o chamados de servi\u00e7os de fatores, e \u00e9 a pr\u00f3pria renda l\u00edquida do exterior, que vimos em Contabilidade Social (diferen\u00e7a entre o PIR e o PNB). Os servi\u00e7os de n\u00e3o-fatores correspondem aos itens do balan\u00e7o de servi\u00e7os que se referem a pagamentos \u00e0s empresas estrangeiras pela presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os de fretes, seguros, transporte, viagens etc.\n\n<b>Transfer\u00eancias Unilaterais:\u00a0<\/b>Tamb\u00e9m conhecidas como conta de donativos, registram as doa\u00e7\u00f5es interpa\u00edses. Os donativos podem ser em divisas (como os que os dekassegueis enviam do Jap\u00e3o ao Brasil) ou em mercadorias.\n\n<b>Balan\u00e7o de Transa\u00e7\u00f5es Correntes:<\/b>\u00a0O somat\u00f3rio dos balan\u00e7os comercial, de servi\u00e7os e de transfer\u00eancias unilaterais resulta no saldo em conta corrente e\/ou balan\u00e7o de transa\u00e7\u00f5es correntes. Se o saldo do balan\u00e7o de transa\u00e7\u00f5es correntes for negativo, temos uma poupan\u00e7a externa positiva, pois indica que o pa\u00eds aumentou seu endividamento externo, em termos financeiros, mas absorveu bens e servi\u00e7os em termos reais do exterior. Se o balan\u00e7o de transa\u00e7\u00f5es correntes for positivo, isso indica que enviamos mais bens e servi\u00e7os para o exterior do que recebemos. Em termos reais, \u00e9 uma poupan\u00e7a externa negativa.\n\n<b>Movimento de Capitais ou Balan\u00e7o de Capitais:<\/b>\u00a0Na conta de capital aparecem as transa\u00e7\u00f5es que produzem ver a\u00e7\u00f5es no ativo e no passivo externos do pa\u00eds e que, portanto, modificam sua posi\u00e7\u00e3o devedora ou credora perante o resto do mundo.<\/blockquote>\n<strong>A\u00ed s\u00e3o registradas:<\/strong>\n\n<strong>a)\u00a0<\/strong>as contrapartidas financeiras das exporta\u00e7\u00f5es e importa\u00e7\u00f5es de mercadorias e servi\u00e7os, excetuadas as que se referem a transfer\u00eancias unilaterais;\n\n<strong>b)<\/strong>\u00a0as transa\u00e7\u00f5es financeiras puras, ou seja, como a\u00e7\u00f5es e quota-parte do capital das empresas, quotas de participa\u00e7\u00e3o governamental em organismos internacionais, t\u00edtulos de outros pa\u00edses, empr\u00e9stimos em moeda etc.\n\n<strong>A conta de capital subdivide-se em duas:<\/strong>\n<blockquote><b>Movimentos aut\u00f4nomos de capital,<\/b>\u00a0na forma de investimentos diretos de empresas multinacionais, de empr\u00e9stimos e financiamentos para projetos de desenvolvimento do pa\u00eds e de capitais financeiros de curto prazo, aplicados no mercado financeiro nacional.\n\n<b>Movimentos induzidos de capital,<\/b>\u00a0para financiar o saldo do balan\u00e7o de pagamentos. Inclui as contas Haveres e Obriga\u00e7\u00f5es no Exterior, Atrasados Comerciais (quando o pa\u00eds n\u00e3o paga suas obriga\u00e7\u00f5es na data de vencimento) e Empr\u00e9stimos de Regulariza\u00e7\u00e3o do FMI (quando o pa\u00eds tem problemas de liquidez internacional). Ou seja, s\u00e3o as formas pelas quais \u00e9 financiado o saldo do balan\u00e7o de pagamentos: ou sai do Caixa, ou toma emprestado, ou deixa de pagar. Esse item \u00e9 denominado Financiamento do Resultado, e corresponde ao saldo do balan\u00e7o de pagamentos, com o sinal trocado.<\/blockquote>\nCabe uma observa\u00e7\u00e3o sobre a rubrica Erros e Omiss\u00f5es. \u00c9 a diferen\u00e7a entre o saldo do balan\u00e7o de pagamentos e o financiamento do resultado que surge quando se tenta compatibilizar transa\u00e7\u00f5es f\u00edsicas e financeiras e as v\u00e1rias fontes de informa\u00e7\u00f5es (Banco Central, Departamento de Com\u00e9rcio Exterior, Receita Federal etc.). Como o Banco Central tem maior controle sobre o item Financiamento do Resultado, sup\u00f5e-se seu saldo correto, e joga-se a diferen\u00e7a entre esse item e a soma de Transa\u00e7\u00f5es Correntes e Movimento de Capitais Aut\u00f4nomos em Erros e Omiss\u00f5es. A regra internacional \u00e9 admitir para Erros e Omiss\u00f5es um valor de, no m\u00e1ximo, 5% da soma das exporta\u00e7\u00f5es com as importa\u00e7\u00f5es.\n\n<b>Balan\u00e7o de Pagamentos<\/b>\n\n<b>A. Balan\u00e7a Comercial (Mercadorias)<\/b>\n<blockquote>Importa\u00e7\u00f5es FOB (d\u00e9bito)\nExporta\u00e7\u00f5es FOB (cr\u00e9dito)<\/blockquote>\n<b>B. Balan\u00e7o de Servi\u00e7os<\/b>\n<blockquote>Viagens internacionais (turismo)\nTransportes (fretes)\nSeguros\nRendas de capitais (juros, lucros, dividendos e lucros reinvestidos pelas multinacionais)\nServi\u00e7os diversos (royalties, assist\u00eancia t\u00e9cnica)\nServi\u00e7os governamentais (embaixadas)<\/blockquote>\n<b>C. Transfer\u00eancias Unilaterais (Donativos em Divisas ou Mercadorias)<\/b>\n\n<b>D. Balan\u00e7o de Transa\u00e7\u00f5es Correntes ou Saldo em Conto Corrente (Resultado L\u00edquido de A + B + C)<\/b>\n\n<b>E. Movimento de Capitais Aut\u00f4nomos ou Balan\u00e7o de Capitais Aut\u00f4nomas (Transa\u00e7\u00f5es Monet\u00e1rias)<\/b>\n<blockquote>Investimentos diretos l\u00edquidos (novos firmas estrangeiros)\nReinvestimentos (multinacionais j\u00e1 instaladas no pa\u00eds)\nEmpr\u00e9stimos e financiamentos (Banco Mundial, BID, bancos privados e oficiais estrangeiros)\nAmortiza\u00e7\u00f5es\nCapitais de curto prazo<\/blockquote>\n<b>F. Erros e Omiss\u00f5es<\/b>\n\n<b>G. Saldo do Balan\u00e7o de Pagamentos (Resultado Liquido de D + E + F)<\/b>\n\n<b>H. Financiamento do Resultado ou Financiamento Oficial Compensat\u00f3rio<\/b>\n<blockquote>Haveres e obriga\u00e7\u00f5es no exterior ou contas de caixa (reservas)\nEmpr\u00e9stimos de regulariza\u00e7\u00e3o (FMI)\nAtrasados comerciais<\/blockquote>\n<strong>7.0 balan\u00e7o de pagamentos no Brasil<\/strong>\n\nComo vimos anteriormente, um d\u00e9ficit em conta corrente (isto \u00e9, no balan\u00e7o de transa\u00e7\u00f5es correntes) significa que o pa\u00eds absorveu poupan\u00e7as externas no valor equivalente, em princ\u00edpio, a esse excedente de importa\u00e7\u00f5es sobre as exporta\u00e7\u00f5es de mercadorias e servi\u00e7os. Esse ingresso l\u00edquido de recursos reais \u00e9 que permitiu ao pa\u00eds investir internamente, em termos reais, mais do que lhe seria poss\u00edvel se n\u00e3o fosse esse d\u00e9ficit. Reciprocamente, um super\u00e1vit quer dizer que o pa\u00eds investiu liquidamente no exterior, durante o per\u00edodo, quantia equivalente de recursos.\n\nEm suma, o d\u00e9ficit em conta corrente \u00e9 a maneira que os pa\u00edses em desenvolvimento t\u00eam de captar poupan\u00e7a externa para manter seu n\u00edvel interno de crescimento. E o caso do Brasil. O quadro ao lado descreve o comportamento do balan\u00e7o de pagamentos brasileiro desde 1968.\n\nComo se observa, historicamente, a economia brasileira tem apresentado em quase todos os anos uma balan\u00e7a comercial superavit\u00e1ria (exporta\u00e7\u00f5es maiores que importa\u00e7\u00f5es), mas um balan\u00e7o de servi\u00e7os deficit\u00e1rio, principalmente devido ao pagamento de juros da d\u00edvida externa, mas tamb\u00e9m devido \u00e0 remessa de lucros e pagamentos de fretes e seguros. Como o saldo negativo do balan\u00e7o de servi\u00e7os tem superado, na maior parte das vezes, o saldo positivo da balan\u00e7a comercial e das transfer\u00eancias unilaterais, o balan\u00e7o de transa\u00e7\u00f5es correntes tem sido quase sempre negativo. Esse d\u00e9ficit em conta corrente tem sido financiado pela entrada l\u00edquida de capitais externos, o que torna o saldo do balan\u00e7o de pagamentos positivo.\n\n<b>8. Organismos internacionais<\/b>\n\nAs grandes guerras mundiais, assim como os conturbados anos da Grande Depress\u00e3o, que culminaram com a crise dos anos 30, provocaram enormes perturba\u00e7\u00f5es na economia de praticamente todos os pa\u00edses e, por conseguinte, nas rela\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas internacionais. J\u00e1 ao final da Segunda Guerra Mundial evidenciava-se a necessidade de mudan\u00e7as no sistema de pagamentos internacionais.\n\nO objetivo de criar-se um Sistema Monet\u00e1rio hiternacional foi o de viabilizar as transa\u00e7\u00f5es entre pa\u00edses, estabelecendo regras e conven\u00e7\u00f5es que regulassem as rela\u00e7\u00f5es monet\u00e1rias e financeiras e n\u00e3o criassem entraves ao desenvolvimento mundial. Nesse sentido define-se o ativo (moeda) de reserva internacional, sua forma de controle, sua rela\u00e7\u00e3o com as diferentes moedas nacionais (o regime cambial), os mecanismos de financiamento e ajustamento dos desequil\u00edbrios dos balan\u00e7os de pagamentos, o grau de movimenta\u00e7\u00e3o dos capitais privados e o sistema de rela\u00e7\u00f5es jur\u00eddicas que garantem o funcionamento desse mecanismo internacional.\n\nTais eram as preocupa\u00e7\u00f5es reinantes nos \u00faltimos anos da Segunda Guerra Mundial, quando se via no com\u00e9rcio mundial um importante instrumento para potencializar o desenvolvimento do mundo capitalista.\n\nNa Confer\u00eancia de Bretton Woods, em 1944, surgiram propostas de remodelagem do sistema monet\u00e1rio internacional e, dentre elas, destacaram-se as do economista ingl\u00eas John Maynard Keynes. Dessa confer\u00eancia nasceu um novo sistema monet\u00e1rio internacional, que foi extremamente importante para o reflorescimento do com\u00e9rcio mundial e sobre o qual se baseou o crescimento econ\u00f4mico do p\u00f3s-guerra.\n\n<strong>Dentro desse contexto foram criados os tr\u00eas principais organismos econ\u00f4micos internacionais do p\u00f3s-guerra:<\/strong>\n<blockquote>O Fundo Monet\u00e1rio Internacional (FMI);\nO Banco Mundial; e\nA Organiza\u00e7\u00e3o Mundial do Com\u00e9rcio (OMC).<\/blockquote>\n<strong>Fundo Monet\u00e1rio Internacional (FMI)<\/strong>\n\n<strong>O Fundo Monet\u00e1rio Internacional, que ainda hoje administra o sistema monet\u00e1rio internacional, foi criado com o objetivo de:<\/strong>\n<blockquote><strong>a)<\/strong>\u00a0evitar poss\u00edveis instabilidades cambiais e garantir a estabilidade financeira, eliminando pr\u00e1ticas discriminat\u00f3rias e restritivas aos pagamentos multilaterais. Nesse sentido, a estabilidade financeira interna e o combate \u00e0 infla\u00e7\u00e3o nos pa\u00edses membros \u00e9 uma de suas metas\n\n<strong>b)<\/strong>\u00a0socorrer os pa\u00edses a ele associados quando da ocorr\u00eancia de desequil\u00edbrios transit\u00f3rios em seus balan\u00e7os de pagamentos. Quando esses desequil\u00edbrios ocorressem, o FMI poderia financi\u00e1-los com os chamados empr\u00e9stimos compensat\u00f3rios. Seus ativos constitu\u00edram-se inicialmente de reservas em ouro e em moedas nacionais dos pa\u00edses-membros. Posteriormente, criou-se um novo ativo de reserva internacional, os Direitos Especiais de Saque.<\/blockquote>\n<strong>Banco Mundial<\/strong>\n\nO Banco Mundial, tamb\u00e9m conhecido por BIRD (Banco internacional de Reconstru\u00e7\u00e3o e Desenvolvimento), foi criado com o intuito de auxiliar a reconstru\u00e7\u00e3o dos pa\u00edses devastados pela guerra e, posteriormente, para promover o crescimento dos pa\u00edses em vias de desenvolvimento. O Banco tem seu capital subscrito pelos pa\u00edses credores na propor\u00e7\u00e3o de sua import\u00e2ncia econ\u00f4mica. A partir desse capital, o Banco empresta a taxas reduzidas de juros a pa\u00edses menos desenvolvidos, com o intuito de promover projetos economicamente vi\u00e1veis e relevantes para o desenvolvimento desses pa\u00edses (especialmente projetos de infra-estrutura). Al\u00e9m disso, o Banco tamb\u00e9m funciona como avalista de empr\u00e9stimos efetuados por capitais particulares para esses projetos.\n\n<strong>Organiza\u00e7\u00e3o Mundial do Com\u00e9rcio (OMC)<\/strong>\n\nAlguns anos depois da Confer\u00eancia de Bretton Woods foi criado o GATT (Acordo Geral de Tarifas e Com\u00e9rcio), cujo objetivo b\u00e1sico foi a busca da redu\u00e7\u00e3o das restri\u00e7\u00f5es ao com\u00e9rcio internacional e a liberaliza\u00e7\u00e3o do com\u00e9rcio multilateral. Atrav\u00e9s do GATT procurava-se estruturar um conjunto de regras e institui\u00e7\u00f5es que regulassem o com\u00e9rcio internacional e encaminhassem a resolu\u00e7\u00e3o de conflitos entre os pa\u00edses.\n\n<strong>Nesse sentido, o GATT estabeleceu como princ\u00edpios b\u00e1sicos:<\/strong>\u00a0a redu\u00e7\u00e3o das barreiras comerciais, a n\u00e3o-discrimina\u00e7\u00e3o comercial entre os pa\u00edses, a compensa\u00e7\u00e3o aos pa\u00edses prejudicados por aumentos nas tarifas alfandeg\u00e1rias e a arbitragem dos conflitos comerciais. O GATT atuou especialmente atrav\u00e9s de sucessivas rodadas de negocia\u00e7\u00f5es entre os pa\u00edses envolvidos no com\u00e9rcio internacional e conseguiu, no p\u00f3s-guerra, reduzir as barreiras impostas a esse com\u00e9rcio. Desde o acordo de Marrakesh, em abril de 1994, o GATT transformou-se na Organiza\u00e7\u00e3o Mundial do Com\u00e9rcio (OMC).\n\nFonte: www.geocities.com\/ www.iconebrasil.org.br\/www.eumed.net\n\n&nbsp;\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Economia Internacional, Com\u00e9rcio, Neg\u00f3cios, Mercado, Vantagem, Econ\u00f4mica, Caracter\u00edsticas, Teoria, Com\u00e9rcio, Exterior, O que \u00e9, Economia Internacional<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":5303,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[52],"tags":[],"class_list":["post-14036","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-geografia-2"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v28.3 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>Economia Internacional - Portal S\u00e3o Francisco<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"noindex, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"en_US\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"Economia Internacional - 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