{"id":13999,"date":"2015-12-01T00:00:00","date_gmt":"2015-12-01T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/uncategorized\/arte-na-pre-historia-2\/"},"modified":"2026-08-31T23:03:59","modified_gmt":"2026-08-31T23:03:59","slug":"arte-na-pre-historia-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/arte-2\/arte-na-pre-historia-2\/","title":{"rendered":"Arte na Pr\u00e9-Hist\u00f3ria"},"content":{"rendered":"\n<h4>Arte na Pr\u00e9-Hist\u00f3ria &#8211; Tipos<\/h4>\n<strong>Os arque\u00f3logos identificaram 4 tipos b\u00e1sicos de arte da Idade da Pedra, da seguinte forma:<\/strong> petroglifos (c\u00fapulas, gravuras rupestres e gravuras); pictogramas (apar\u00eancia pict\u00f3rica, ideogramas, s\u00edmbolos ou ideogramas), uma categoria que inclui a pintura de caverna e desenho; e escultura pr\u00e9-hist\u00f3rico (incluindo pequenas estatuetas tot\u00eamicas conhecidas como Venus Figuras, v\u00e1rias formas de zoom\u00f3rficas e therianthropic escultura de marfim, e al\u00edvio esculturas); e arte megal\u00edtica (Petroforms ou quaisquer outros trabalhos associados com arranjos de pedras).\n\nObras que s\u00e3o aplicadas a uma superf\u00edcie de rocha inabal\u00e1vel s\u00e3o classificados como arte parietal; obras que s\u00e3o port\u00e1teis s\u00e3o classificados como arte mobili\u00e1ria.\n\nAs primeiras formas de <strong>Arte na Pr\u00e9-Hist\u00f3ria<\/strong> s\u00e3o extremamente primitiva.\n\nArte na caverna pr\u00e9-hist\u00f3rica n\u00e3o \u00e9 realmente um movimento de arte, pois \u00e9 um per\u00edodo de desenvolvimento art\u00edstico da humanidade.\n<h4><strong>Arte Pr\u00e9-Hist\u00f3rica<\/strong><\/h4>\nNa sua defini\u00e7\u00e3o estrita, considera-se <strong>arte pr\u00e9-hist\u00f3rica<\/strong> as manifesta\u00e7\u00f5es que existiram antes do advento da escrita no planeta como um todo. Isso pressup\u00f5e, como se pode imaginar, uma heterogeneidade que dificilmente pode ser submetida a uma classifica\u00e7\u00e3o dentro de caracter\u00edsticas uniformes, como se se tratasse de um movimento art\u00edstico dentro da hist\u00f3ria da arte. De fato, \u00e9 valido perguntar a partir de que momento come\u00e7ou a existir uma arte pr\u00e9-hist\u00f3rica e quais s\u00e3o as manifesta\u00e7\u00f5es que devem ser analisadas como tal.\n\n<strong>Nesse contexto, a produ\u00e7\u00e3o do homem pr\u00e9-hist\u00f3rico, pelo menos a que foi encontrada e conservada, \u00e9 representada por objetos em grande parte portadores de uma utilidade, seja ela dom\u00e9stica ou religiosa:<\/strong> ferramentas, armas ou figuras com uma simbologia espec\u00edfica. No entanto, seu estudo e a compara\u00e7\u00e3o entre elas permitiram constatar que j\u00e1 existiam ent\u00e3o no\u00e7\u00f5es de t\u00e9cnica, habilidade e desenho, embora n\u00e3o se possa separar o conceito de arte, em praticamente nenhum caso, dos conceitos de funcionalidade e religi\u00e3o.\n\nA <strong>arte pr\u00e9-hist\u00f3rica<\/strong> surgiu na Europa aproximadamente no ano 25000 do per\u00edodo paleol\u00edtico (40000 &#8211; 8000 a.C.), estendendo-se at\u00e9 o mesol\u00edtico (8000 &#8211; 5000 a.C.), ao neol\u00edtico (5000 &#8211; 3000 a.C.) e \u00e0 idade do ferro (3000 a.C.), na qual iniciou-se a arte proto-hist\u00f3rica, caracterizada por manifesta\u00e7\u00f5es art\u00edsticas muito mais concretas. Isso sempre em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 Europa, pois \u00e9 preciso lembrar que no Oriente, a partir do ano 5000 a.C., existiam culturas com um alto grau de civiliza\u00e7\u00e3o, que j\u00e1 tinham iniciado sua hist\u00f3ria.\n\nAs \u00e1reas da Europa de maior concentra\u00e7\u00e3o de vest\u00edgios pr\u00e9-hist\u00f3ricos correspondem \u00e0 Espanha, ao centro e ao sul da Fran\u00e7a e ao sul da It\u00e1lia. Destaca-se em import\u00e2ncia, pela quantidade e qualidade dos achados, a regi\u00e3o franco-cant\u00e1brica, onde est\u00e3o localizadas as famosas cavernas de Castilho, Altamira e Lascaux, entre outras. Nelas foi descoberta uma quantidade consider\u00e1vel de pinturas rupestres em bom estado de conserva\u00e7\u00e3o. Tal fato pode ser atribu\u00eddo em parte \u00e0 alta densidade demogr\u00e1fica dessas regi\u00f5es durante o paleol\u00edtico m\u00e9dio.\n\n<strong>ARQUITETURA NA ARTE PR\u00c9-HIST\u00d3RICA<\/strong>\n\nN\u00e3o se pode falar de uma arquitetura pr\u00e9-hist\u00f3rica no sentido de disciplina art\u00edstica, apesar do seu car\u00e1ter funcional. Os primeiros Homo Sapiens refugiaram-se nos lugares que a natureza lhes oferecia. Esses locais poderiam ser aberturas nas rochas, cavernas, grutas ao p\u00e9 de montanhas ou at\u00e9 no alto delas. Mais tarde eles come\u00e7ariam a construir abrigos com as peles dos animais que ca\u00e7avam ou com as fibras vegetais das \u00e1rvores das imedia\u00e7\u00f5es, que aprenderam a tecer, ou ent\u00e3o combinando ambos os materiais.\n\n\u00c9 somente no final do neol\u00edtico e in\u00edcio da idade do bronze que surgem as primeiras constru\u00e7\u00f5es de pedra, principalmente entre os povos do Mediterr\u00e2neo e os da costa atl\u00e2ntica. No entanto, como esses monumentos colossais tinham a fun\u00e7\u00e3o de templo ou de c\u00e2maras mortu\u00e1rias, n\u00e3o se tratando de moradias, seu advento n\u00e3o melhorou as condi\u00e7\u00f5es de habita\u00e7\u00e3o. Pelo peso dessas pedras, algumas de mais de tr\u00eas toneladas, acredita-se que n\u00e3o poderiam ter sido transportadas sem o conhecimento da alavanca.\n\n<strong>Existem tr\u00eas tipos de forma\u00e7\u00f5es megal\u00edticas<\/strong>: as galerias cobertas, ou d\u00f3lmens, esp\u00e9cie de corredor que possibilita o acesso a uma tumba; os menires, que s\u00e3o pedras gigantes cravadas verticalmente no solo, em fileira; e os cromlech, que s\u00e3o menires dispostos em c\u00edrculo. As constru\u00e7\u00f5es megal\u00edticas mais famosas s\u00e3o as de Stonehenge, em Salisbury, na Inglaterra; as da ilha de Malta e as de Carnac, na Fran\u00e7a. Todos esses monumentos t\u00eam uma fun\u00e7\u00e3o ritual, j\u00e1 que n\u00e3o serviam de habita\u00e7\u00e3o.\n\n<strong>ESCULTURA NA ARTE PR\u00c9-HIST\u00d3RICA<\/strong>\n\nA escultura da pr\u00e9-hist\u00f3ria corresponde \u00e0 chamada arte m\u00f3vel e abrange tanto os objetos religiosos e art\u00edsticos quanto os utens\u00edlios.\n\n<strong>A tem\u00e1tica dessa disciplina n\u00e3o fugiu dos conceitos pict\u00f3ricos<\/strong>: animais e figuras humanas. Os g\u00eaneros desenvolvidos foram a estatueta e a grava\u00e7\u00e3o, tanto em pedras calc\u00e1rias quanto em argila ou madeira queimada. Os utens\u00edlios utilizados na tarefa de modelagem eram de pedra, sendo muitos deles decorados com asas modeladas como se fossem estatuetas.\n\nAs figuras femininas foram mais numerosas, sem d\u00favida devido \u00e0 sua clara rela\u00e7\u00e3o com o culto \u00e0 fecundidade. Todos os objetos encontrados, a maior parte pertencente ao per\u00edodo paleol\u00edtico (25000 a.C. &#8211; 8000 a.C.), mostram uma despropor\u00e7\u00e3o deliberada entre os genitais e as demais partes do corpo, o que refor\u00e7a a teoria de mulher-m\u00e3e-natureza. Essas estatuetas s\u00e3o conhecidas entre os especialistas como V\u00eanus Esteatop\u00edgeas. Entre elas, as mais famosas s\u00e3o a V\u00eanus de Lespugne, na Fran\u00e7a, e a V\u00eanus de Willendorf, na \u00c1ustria.\n\nAs grava\u00e7\u00f5es repetem os esquemas e motivos da modelagem, ressalvando-se, entretanto, que as representa\u00e7\u00f5es costumam ser de tamanho maior.Uma das caracter\u00edsticas mais evidentes dessas manifesta\u00e7\u00f5es paleol\u00edticas \u00e9 que as figuras representadas s\u00e3o verdadeiras adapta\u00e7\u00f5es das formas naturais da pedra, fato que deve ter desafiado a imagina\u00e7\u00e3o do artista, mas que com certeza lhe poupou trabalho na etapa de modelagem.\n\nNo per\u00edodo neol\u00edtico (5000 a.C.-3000 a.C.), o homem j\u00e1 conhece o fogo e especializa-se na combina\u00e7\u00e3o de materiais.A comprova\u00e7\u00e3o desse fato s\u00e3o as pe\u00e7as de cer\u00e2mica cozida, em forma de vasos e conchas, com cercaduras decorativas de motivos geom\u00e9tricos gravadas na superf\u00edcie. A partir da idade do bronze alcan\u00e7ou-se uma diversifica\u00e7\u00e3o muito grande na arte da cer\u00e2mica, em raz\u00e3o da import\u00e2ncia que esses artefatos tinham como utens\u00edlios dom\u00e9sticos e recipientes para o transporte de alimentos.\n\n<strong>PINTURA NA ARTE PR\u00c9-HIST\u00d3RICA<\/strong>\n\nA pintura pr\u00e9-hist\u00f3rica recebeu o nome de arte rupestre ou parietal pelo fato de ter se desenvolvido quase que exclusivamente em paredes de pedra, no interior de cavernas e grutas e, com menor freq\u00fc\u00eancia, fora delas. \u00c9 curioso notar que essa pintura passou por uma evolu\u00e7\u00e3o muito semelhante \u00e0 experimentada pela pintura hist\u00f3rica. As primeiras manifesta\u00e7\u00f5es, de car\u00e1ter naturalista, foram evoluindo at\u00e9 chegar \u00e0 abstra\u00e7\u00e3o total de formas no seu \u00faltimo per\u00edodo.\n\n<strong>As pinturas do paleol\u00edtico (25000 a.C. &#8211; 8000 a.C.) concentraram-se em tr\u00eas temas principais<\/strong>: a representa\u00e7\u00e3o de animais, (principalmente cavalos e bis\u00f5es e, em menor n\u00famero, cervos, le\u00f5es, mamutes e touros); o desenho de signos, cujo verdadeiro significado ainda se desconhece, apesar das diferentes hip\u00f3teses; e a figura humana, tanto masculina quanto feminina, ou em combina\u00e7\u00e3o com formas animais. As cores empregadas foram o preto e as tonalidades avermelhadas, ocres e viol\u00e1ceas, que s\u00e3o as mais f\u00e1ceis de se obter na natureza.\n\nAvan\u00e7ando em dire\u00e7\u00e3o ao mesol\u00edtico (8000 a.C.), surgem os seixos pintados, ou amuletos, com s\u00edmbolos e cercaduras, entre geom\u00e9tricas e abstratas. J\u00e1 no neol\u00edtico (5000 a.C. &#8211; 3000 a.C.), al\u00e9m das primeiras pe\u00e7as de cer\u00e2mica decoradas, encontram-se verdadeiras cenas murais que documentam a vida de ent\u00e3o. Pelo estudo dos desenhos, pode-se deduzir que o homem pr\u00e9-hist\u00f3rico n\u00e3o s\u00f3 pintava com os dedos, mas tamb\u00e9m com pinc\u00e9is e esp\u00e1tulas, al\u00e9m de empregar um sistema de nebuliza\u00e7\u00e3o para obter os sombreados de m\u00e3o em negativo.\n\nPor volta do ano 2000 a.C., em plena idade do bronze, produziu-se uma evolu\u00e7\u00e3o cuja tend\u00eancia era voltada para a abstra\u00e7\u00e3o, principalmente nas representa\u00e7\u00f5es rupestres. As figuras, signos e s\u00edmbolos atingiram um n\u00edvel muito pr\u00f3ximo ao da escrita.No decorrer dos per\u00edodos pr\u00e9-hist\u00f3rico e proto-hist\u00f3rico, a pintura cumpriu diferentes fun\u00e7\u00f5es, seja como parte de um ritual religioso ou m\u00e1gico, na representa\u00e7\u00e3o e celebra\u00e7\u00e3o da fecundidade, seja com rela\u00e7\u00e3o ao culto tot\u00eamico aos antepassados.\n<h4>As artes na pr\u00e9-hist\u00f3ria: algo mais que iconografia m\u00e1gica<\/h4>\n<strong>Por que e para que?<\/strong>\n\nO interesse de estudo das artes na pr\u00e9-hist\u00f3ria \u00e9 muito amplo, uma vez que constituem rico material para os soci\u00f3logos na investiga\u00e7\u00e3o dos fen\u00f4menos institucionais; para os antrop\u00f3logos, na procura do ser humano a partir das bases de sua fenomenologia vital . Ao esteta e ao historiador da arte o que deve mais interessar \u00e9 a busca das origens das artes e de seus poss\u00edveis significados.\n\nFoi pensando na especificidade dos cursos de Artes Pl\u00e1sticas e de Educa\u00e7\u00e3o Art\u00edstica da Escola Guignard que resolvi escrever sobre artes na pr\u00e9-hist\u00f3ria.\n\nExatamente porque julgo ser uma boa oportunidade de levantarmos algumas quest\u00f5es, exercitar o nosso racioc\u00ednio e compreender o sentido est\u00e9tico das artes.\n\nCompreende-se por <strong>pr\u00e9-hist\u00f3ria<\/strong> o per\u00edodo que vai desde a origem do homem at\u00e9 a apari\u00e7\u00e3o dos primeiros escritos ou ideogramas.\n\n<strong>Divide-se em tr\u00eas per\u00edodos: <\/strong>Paleol\u00edtico ou pedra lascada, que tem in\u00edcio, aproximadamente, h\u00e1 80 mil anos, caracterizando-se pelas atividades de ca\u00e7ador e pescador e a t\u00e9cnica de lascar toscamente a pedra para o fabrico de utens\u00edlios e armas. O per\u00edodo Mesol\u00edtico \u00e9 o de transi\u00e7\u00e3o entre o lascar e o polir a pedra. O Neol\u00edtico ou pedra polida ficou, mais ou menos h\u00e1 10 mil anos de nossa era e caracteriza-se pela t\u00e9cnica do polimento da pedra, princ\u00edpios da agricultura, domestica\u00e7\u00e3o dos animais e vegetais, desenvolvimento da cer\u00e2mica e vest\u00edgios do uso do cobre e do bronze.\n\nDe forma arbitr\u00e1ria, a palavra arte tem sido utilizada para qualificar quase todas as atividades humanas. Contudo, n\u00e3o \u00e9 falso afirmar que tudo que o homem faz em sociedade \u00e9 artificial. Os seus instintos s\u00e3o domados e submetidos ao complexo cultural de seu meio. O filhote de um c\u00e3o, se atirado n&#8217;\u00e1gua no mesmo dia em que nasce, n\u00e3o se afogar\u00e1 porque tem condi\u00e7\u00e3o instintiva de se defender nadando.\n\n<strong>O mesmo n\u00e3o acontecer\u00e1 com uma crian\u00e7a<\/strong>: ter\u00e1 que passar por um processo de aprendizagem. O nado de uma crian\u00e7a \u00e9, portanto, um artif\u00edcio. E quando o homem n\u00e3o \u00e9 capaz ou n\u00e3o est\u00e1 disposto ao artif\u00edcio de nadar ele usa o artefato (uma ponte ou um barco). O tigre ca\u00e7a com seus dentes e com suas garras naturais enquanto o homem usa o artefato (uma flecha, uma armadilha).\n\n\u00c9 exatamente isso que difere o homem dos outros animais. O homem \u00e9 um animal artificioso e cultural, sujeito \u00e0s leis da sociedade. J\u00e1 os outros animais est\u00e3o submetidos \u00e0s leis da natureza.\n\nQuando as coisas feitas e usadas pelos homens t\u00eam fun\u00e7\u00f5es claras e objetivas, como o arco e a flecha, elas s\u00e3o chamadas de artefatos. Os pain\u00e9is encontrados nas cavernas de Altamira na Espanha; em Lascaux, na Fran\u00e7a, representam animais dominados pelos ca\u00e7adores, como o &#8220;Porco Flechado&#8221; no painel Oeste da Lapa de Cerca Grande, no munic\u00edpio de Matosinhos em Minas Gerais, indica uma pr\u00e1tica m\u00e1gica de um povo ca\u00e7ador que ao representar a cena, acreditava exercer um dom\u00ednio sobre o animal. Ent\u00e3o, se na verdade tais pinturas s\u00e3o de car\u00e1ter m\u00e1gico e t\u00eam fun\u00e7\u00f5es objetivas, elas n\u00e3o seriam obras de arte, mas artefatos ou artif\u00edcios utilizados pelos homens primitivos que habitaram aquelas regi\u00f5es h\u00e1 mais de 9 mil anos.\n\nPrecisamos compreender que o enfoque econ\u00f4mico dos fen\u00f4menos art\u00edsticos n\u00e3o deve ser como uma doutrina onipotente explicativa da preponder\u00e2ncia do fator econ\u00f4mico, mas que existe uma a\u00e7\u00e3o rec\u00edproca sobre a base da necessidade econ\u00f4mica que em \u00faltima an\u00e1lise, que acaba sempre por prevalecer.\n\n<strong>Da\u00ed que o antrop\u00f3logo, Marco Rubinger, \u00e9 levado a afirmar<\/strong>: &#8220;Cada cultura tem sua esfera ideacional de pontos de comportamento, sincronizada com sua base econ\u00f4mica. \u00c9 por isso que dizemos cultura de coletores de alimentos, de ca\u00e7adores, de pastores, de agricultores, de mercadores, de industriais, mistas ou de transi\u00e7\u00e3o&#8221;.\n\nSe um povo coletor tem uma rudimentar concep\u00e7\u00e3o animista do mundo, um ca\u00e7ador j\u00e1 cr\u00ea em um deus animal, enquanto que uma sociedade agr\u00edcola cultua deuses da fertilidade da terra. &#8220;(RUBINGER, M. M, 1979 p 29). Um outro dado importante \u00e9 que, geralmente, os povos ca\u00e7adores habitaram as cavernas enquanto os povos agr\u00edcolas habitavam os campos, as montanhas e as margens dos rios, apresentando um tipo de arte muito mais refinado.(RUBINGER, M M , 1979 p 38)\n\nSe par\u00e1ssemos por aqui, a quest\u00e3o ficaria muito nebulosa. Na verdade ela servir\u00e1 para agu\u00e7ar a nossa vontade de excogitar o significado da arte.\n\nArist\u00f3teles encarava a arte como a ci\u00eancia do poss\u00edvel, isto \u00e9, o que pode ser de um modo ou de outro, como a arquitetura, a poesia, a ret\u00f3rica, a medicina, as artes manuais ou mec\u00e2nicas. Exclu\u00eda a l\u00f3gica, a anal\u00edtica, a f\u00edsica e a matem\u00e1tica. J\u00e1 na Idade M\u00e9dia s\u00e3o os trabalhos manuais que significam arte.\n\n<strong>Kant separou duas classes de arte<\/strong>: a primeira \u00e9 a arte mec\u00e2nica onde se cumprem somente as opera\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias para realiz\u00e1-la (artefato? artesanato?). A Segunda \u00e9 a arte est\u00e9tica onde o fim imediato \u00e9 o sentimento de prazer. (Arte).\n\nO fen\u00f4meno art\u00edstico s\u00f3 aparece dentro de condi\u00e7\u00f5es prop\u00edcias. Charles Lalo classificou as condi\u00e7\u00f5es anest\u00e9ticas e as condi\u00e7\u00f5es est\u00e9ticas da arte. As primeiras s\u00e3o os fatores dom\u00e9sticos, religiosos, econ\u00f4micos e pol\u00edticos. As segundas est\u00e3o ligadas ao amor, \u00e0s sensa\u00e7\u00f5es e aos sentimentos. \u00c9 dif\u00edcil especificar ou separar as condi\u00e7\u00f5es est\u00e9ticas das anest\u00e9ticas de um painel parietal pr\u00e9-hist\u00f3rico, a exemplo de uma representa\u00e7\u00e3o de sol (Tradi\u00e7\u00e3o S\u00e3o Francisco) bem geometrizada, em c\u00edrculos e raios de cores quentes.\n\n\u00c9 dif\u00edcil exatamente porque desconhecemos o momento hist\u00f3rico que o produziu. Esta tarefa torna-se f\u00e1cil quando conhecemos em profundidade a vida social de um povo. N\u00e3o sabemos nada mais dos povos primitivos que habitaram as Minas Gerais, sen\u00e3o aquilo que inferimos das obras por eles deixadas nas cavernas.\n\n<strong>Mas \u00e9 assim mesmo:<\/strong> na era hist\u00f3rica partimos da organiza\u00e7\u00e3o social para conhecer a arte. J\u00e1 na pr\u00e9-hist\u00f3ria partimos da arte para compreender a sociedade.\n\nEm minha adolesc\u00eancia tive um vizinho que era considerado por todos como louco ou deficiente moral. Certa vez fui ao cinema com os amigos. O vizinho nos acompanhou e assistiu ao filme que tinha como tema a Segunda Guerra Mundial. Terminada a proje\u00e7\u00e3o caminhamos pela cidade em animados coment\u00e1rios sobre a hist\u00f3ria da guerra e sobre o enredo do filme. Surpreendentemente o vizinho nos interrompeu dizendo que nunca mais iria ao cinema, pois era uma perda de tempo ficar ali duas horas com os olhos fixos na tela.\n\nA gente nada mais via sen\u00e3o sombra da fantasia. Para ele o teatro era uma pura fantasia e o cinema uma sombra desta. <strong>Por muito tempo fiquei a pensar sobre o meu vizinho<\/strong>: como uma pessoa que era capaz de um pensamento t\u00e3o l\u00f3gico, t\u00e3o racional podia ser considerado um louco? Por outro lado ele devia ter uma &#8220;telha&#8221; a menos por ser t\u00e3o duro, t\u00e3o seco e n\u00e3o sentir necessidade da arte. Dois anos depois ele morreu, aos 22 anos de idade, caindo no esquecimento de sua fam\u00edlia.\n\n<strong>O tempo foi passando at\u00e9 que um dia eu lia o livro &#8220;Cultura e Civiliza\u00e7\u00e3o&#8221; , de C\u00e2mara Cascudo , quando ele citou a seguinte frase de Men\u00e9ndez y Pelayo <\/strong>: &#8220;Todo ombre tiene horas de ni\u00f1o, y desgraciado del que no los tenga.&#8221; Minha primeira lembran\u00e7a foi a do meu desgra\u00e7ado vizinho. Compreendi, ent\u00e3o, que ele havia sido escravo e v\u00edtima de uma l\u00f3gica implac\u00e1vel. Incapaz de romper as algemas que prendiam o seu &#8220;Eu&#8221; e o impedia de voar. Incapaz, enfim, de compreender ou sentir a sua pr\u00f3pria limita\u00e7\u00e3o.\n\nPodemos aceitar ou negar a tese do car\u00e1ter m\u00e1gico da pintura do per\u00edodo paleol\u00edtico (REINACH, S, 1971 p 46). Mas n\u00e3o podemos afirmar que ela n\u00e3o seja art\u00edstica. Embora extra\u00edda da realidade objetiva ela n\u00e3o \u00e9 a realidade. \u00c9 a representa\u00e7\u00e3o imaginosa da realidade. Existiu um sentimento est\u00e9tico embora submetido a finalidades exteriores a ele. Isto \u00e9, a finalidades sociais. Ser\u00e1 que a pintura que cobre as paredes dos apartamentos de hoje corresponde \u00e0 finalidade puramente est\u00e9tica? Parece-me que a conquista de &#8220;status&#8221;, muitas vezes, supera a finalidade est\u00e9tica de tais obras.\n\nQuanto \u00e0 pintura do Neol\u00edtico observa-se completa revolu\u00e7\u00e3o estil\u00edstica. Os pintores abandonaram o realismo figurativo do paleol\u00edtico em favor de uma simplifica\u00e7\u00e3o e geometriza\u00e7\u00e3o das imagens visuais. Aproveitam os s\u00edmbolos e os signos. Usam as formas abstratas e abandonam o figurativismo realista.\n\n<strong>E no Brasil?<\/strong>\n\nAt\u00e9 1951 n\u00e3o havia um livro de informa\u00e7\u00e3o geral sobre as artes pr\u00e9-hist\u00f3ricas no Brasil. Existiam, sim, artigos publicados em revistas cient\u00edficas especializadas que repousavam ociosamente nas estantes das bibliotecas. Registravam espa\u00e7adamente os casos curiosos observados por arque\u00f3logos, antrop\u00f3logos estrangeiros e estudiosos brasileiros.\n\n<strong>Em 1952 foi entregue ao p\u00fablico um extraordin\u00e1rio trabalho intitulado<\/strong>: &#8220;As artes pl\u00e1sticas no Brasil&#8221;, coordenado por Rodrigo de Melo Franco Andrade.\n\nReuniu em seu primeiro volume, as mais preciosas informa\u00e7\u00f5es sobre o assunto. De l\u00e1 para c\u00e1 pouco temos a acrescentar, quer em termos de achados arqueol\u00f3gicos, quer em termos de an\u00e1lise sobre o material existente, embora possa ser registrado um interesse maior pelo assunto.\n\n<strong>Pintura<\/strong>\n\n<strong>Os registros de pinturas deixadas por sociedades primitivas (Paleol\u00edtico) formadas por ca\u00e7adores s\u00e3o alguns os seguintes:<\/strong>\n\nS\u00e3o Raimundo Nonato, PI, &#8220;Tradi\u00e7\u00e3o Nordeste&#8221;. Predomin\u00e2ncia das cores vermelho, amarelo, preto, branco e cinza. Tintas \u00e0 base de minerais. Usavam pinc\u00e9is de vegetais e com os pr\u00f3prios dedos. As cenas de ca\u00e7a focalizavam tatus sendo pegos a m\u00e3o e a golpes de bast\u00e3o, enquanto as on\u00e7as eram atingidas com lan\u00e7as para um ritual. As copas das \u00e1rvores s\u00e3o representadas por ramagem simples e limpas, formando losangos e tri\u00e2ngulos.\n\nN\u00e3o menos importantes s\u00e3o os pain\u00e9is da &#8220;Tradi\u00e7\u00e3o S\u00e3o Francisco&#8221; (Janu\u00e1ria, S\u00e3o Francisco e Montalv\u00e2nia), onde a geometriza\u00e7\u00e3o chega a figura\u00e7\u00e3o humana em completa abstra\u00e7\u00e3o, desaguando em uma codifica\u00e7\u00e3o de complexa frui\u00e7\u00e3o . No que pese a complexidade das superposi\u00e7\u00f5es, ainda se pode identificar com clareza uma ro\u00e7a de milho entremeada por animais.\n\n<strong>Cer\u00e2mica<\/strong>\n\nSegundo os estudiosos os povos com base na economia agr\u00edcola geralmente possuem arte cer\u00e2mica e escultura em pedra. Suas representa\u00e7\u00f5es s\u00e3o modeladas, esculpidas, pintadas ou gravadas.(RUBINGER, M M, p 38).\n\nO alto n\u00edvel registrado na cer\u00e2mica do Norte do Brasil (marajoara e tapaj\u00f4nica) inspirou cientistas a estabelecerem rela\u00e7\u00f5es entre os exemplares arqueol\u00f3gicos do norte e Sul da Am\u00e9rica. No que pese ao pouco material de que dispunha, o primeiro a estabelecer compara\u00e7\u00f5es entre a Am\u00e9rica Central e as da Amaz\u00f4nia foi Nordenskild (BARATA F. 1952 p 44). Contando com um vasto material, Helem Palmatary, da Universidade da Pensylv\u00e2nia realizou o mais completo estudo tipol\u00f3gico da cer\u00e2mica. Em seus quinze anos de trabalho conseguiu estabelecer correla\u00e7\u00f5es e a exist\u00eancia de semelhan\u00e7as ou identidades de certos tra\u00e7os das cer\u00e2micas de Maraj\u00f3 e dos Tapaj\u00f3s com os da lou\u00e7a dos &#8220;mouds&#8221; do Sul dos Estados Unidos.(BARATA, F. 1952 p 44).\n\nDa ilha de Maraj\u00f3 origina-se a cer\u00e2mica que se poderia denominar cl\u00e1ssica, na arqueologia brasileira, caracterizada pela riqueza dos ornatos geom\u00e9tricos gravados (champlev\u00ea) ou pintados com admir\u00e1veis tra\u00e7os e per\u00edcia em suas urnas funer\u00e1rias em \u00eddolos e outros variados objetos.\n\nA configura\u00e7\u00e3o cultural da ilha de Maraj\u00f3 \u00e9 muito acidentada. Ocupada e reocupada por povos diversificados que modificaram constantemente o panorama da grande ilha. Cliford e Betty Evans denominaram pela ordem, os quatro segmentos como Anatuba, Mangueiras, Formiga e finalmente Marajoara. Al\u00e9m do material j\u00e1 mencionado os marajoaras usaram tangas de terra cota medindo, aproximadamente, 11 cent\u00edmetros, de formato triangular, c\u00f4ncava e furos nas extremidades, para suspens\u00e3o. Eram utilizadas pelas mulheres, no p\u00fabis, em rituais f\u00fanebres. A decora\u00e7\u00e3o das tangas era feita com finas e graciosas incis\u00f5es geom\u00e9tricas.(BARATA, F. 1952 p 46)\n\nCaiap\u00f4nia &#8211; Go. Predomin\u00e2ncia do vermelho. Raramente o preto, a base de minerais. Raras figuras humanas, mas acabadas, seguram crian\u00e7as, usam porretes e enfrentam animais.\n\nCerca Grande, Matosinhos &#8211; MG. As pinturas, na parte Leste da Lapa est\u00e3o h\u00e1 12 metros do solo. Para alcan\u00e7\u00e1-las \u00e9 necess\u00e1rio atravessar uma longa, acidentada e escura galeria. Predomina a representa\u00e7\u00e3o de veados. Em uma das janelas eles s\u00e3o distribu\u00eddos no espa\u00e7o chapado, de uma galeria superior, completando uma forma piramidal. Isto \u00e9, os tamanhos das representa\u00e7\u00f5es v\u00e3o diminuindo na medida em que v\u00e3o subindo e ocupando o espa\u00e7o. O desenho do painel revela observa\u00e7\u00e3o de movimento e suavidade nos contornos, coerentes com a anatomia do animal focalizado. A textura do primeiro veado da base do painel foi obtida atrav\u00e9s de linhas pontilhadas, no sentido horizontal. Quanto aos demais aplicaram o colorido pleno. Ainda nesta galeria encontramos peixes no sentido vertical. Na galeria Oeste encontramos uma s\u00e9rie de pinturas de tamanhos reduzidos, mas todas de cenas de ca\u00e7as ou representa\u00e7\u00f5es de animais, como um porco flechado. Os pigmentos utilizados eram \u00e0 base de \u00f3xido de ferro abundante nas proximidades do s\u00edtio.\n\nO abrigo de Santana do Riacho- MG- Prevalece a monocrom\u00e1tica em figura\u00e7\u00f5es de veados. Verifica-se algumas superposi\u00e7\u00f5es de figuras em vermelho. A textura do desenho \u00e9 feita com aplica\u00e7\u00e3o de linhas pontilhadas horizontais e linhas cont\u00ednuas. Os desenhos desta Lapa, comparados com os de Cerca Grande, apresentam movimenta\u00e7\u00e3o mais intensa, com preju\u00edzo da forma anat\u00f4mica.\n\nPassaremos agora a uma abordagem da pintura que mais ou menos corresponde a dos povos agricultores (neol\u00edtico).\n\nAs formas geom\u00e9tricas como circunfer\u00eancia, quadrado, ret\u00e2ngulo e tri\u00e2ngulo n\u00e3o s\u00e3o encontradas na natureza. N\u00e3o correspondem a realidade vivida pelo homem pr\u00e9-hist\u00f3rico. Por isso, quando o primitivo tra\u00e7a um perfil figurativo usando tais formas geom\u00e9tricas ele come\u00e7a a chegar a um desenho abstrato. A figura\u00e7\u00e3o j\u00e1 exige do fruidor um esfor\u00e7o de interpreta\u00e7\u00e3o, a exemplo dos pain\u00e9is de Sete Cidades, no Piau\u00ed, onde o realismo m\u00e1gico cedeu lugar a simplifica\u00e7\u00e3o e \u00e0 geometriza\u00e7\u00e3o das imagens. Em S\u00e3o Raimundo Nonato, PI, na Toca do Salitre encontra-se a figura\u00e7\u00e3o de um casal em que o desenho do homem \u00e9 elaborado a partir de planos retangulares e triangulares. A mulher aparece bem menor que o homem, representada por tr\u00eas blocos geom\u00e9tricos formados pelos membros superiores, abd\u00f4men de gestante e membros inferiores. Ainda em S\u00e3o Raimundo Nonato, na Toca da Extrema, homens em volta de uma \u00e1rvore, formam um curioso painel. Houve uma n\u00edtida inten\u00e7\u00e3o de organizar o espa\u00e7o ao ordenar as pessoas em filas harm\u00f4nicas.\n\nSantar\u00e9m, centro das explora\u00e7\u00f5es arqueol\u00f3gicas da cultura tapaj\u00f3, localiza-se nas proximidades do encontro do rio Tapaj\u00f3s com o Rio Amazonas. Ninuendaju faz refer\u00eancias desse povo que chegou a defrontar-se com os espanh\u00f3is expulsando Orelana em 1542. Em 1630 expulsaram tamb\u00e9m uma nau inglesa matando os homens que desejavam estabelecer uma planta\u00e7\u00e3o de tabaco na regi\u00e3o. Mas n\u00e3o pode resistir \u00e0 aventura portuguesa que os destruiu.(NINUENDAJU, C. 1949) Este povo agricultor fixo em solo f\u00e9rtil, domesticou animais e substituiu as caba\u00e7as por vasilhame de argila moldadas nas formas pr\u00e1ticas para usos definidos. A cer\u00e2mica de Santar\u00e9m , como \u00e9 conhecida, \u00e9 algo mais que um simples aparelho utilit\u00e1rio ou funcional. A graciosidade da composi\u00e7\u00e3o ultrapassa os limites dos recipientes. Caracteriza-se pela elaborada modelagem de p\u00e1ssaros, animais e figuras humanas, combinada com incis\u00f5es e ponteados, fixadas ao vaso. O excesso de ornatos em relevo confere \u00e0 cer\u00e2mica um ar de agu\u00e7ada sensibilidade. N\u00e3o \u00e9 uma express\u00e3o puramente art\u00edstica, mas n\u00e3o deixa de revelar uma mensagem altamente est\u00e9tica.\n\n<strong>Escultura<\/strong>\n\nSegundo Andr\u00e9 Prous, no Brasil, muito pouco foi encontrado at\u00e9 hoje em termos de escultura pr\u00e9-hist\u00f3rica e que as mais bem elaboradas s\u00e3o origin\u00e1rias da regi\u00e3o onde predominavam as culturas tapaj\u00f3 e trombetas. (PROUS, A 1984, p 71).\n\nO estudioso Barbosa Rodrigues, em obra publicada em 1899, pensava que os Muiraquit\u00e3s eram estatuetas feitas de jade procedentes da \u00c1sia, com os primeiros elementos humanos que povoaram a Am\u00e9rica (BARBOSA RODRIGUES, J, 1899). Com o tempo a arqueologia descobriu que os Muiraquit\u00e3s foram produzidos pelos pr\u00e9-colombianos da regi\u00e3o dos rios Tapaj\u00f3s e Trombetas, com mineral de \u00f3tima plasticidade, como esteatita, ard\u00f3sia, arenito e serpentina. Representam figuras de animais estilizados em linhas geom\u00e9tricas e harmoniosas. Apresentam orif\u00edcios paralelos indicando uma utiliza\u00e7\u00e3o pr\u00e1tica. Compreende-se por Sambaquis os dep\u00f3sitos constitu\u00eddos de mont\u00f5es de conchas, restos de cozinha e de esqueletos acumulados por homens pr\u00e9-hist\u00f3ricos, na regi\u00e3o sul do Brasil. Enquanto os motivos da escultura tapaj\u00f3 eram animais pr\u00f3prios da hil\u00e9ia amaz\u00f4nica, os povos dos Sambaquis projetavam os peixes e as aves que eram os complementos de sua alimenta\u00e7\u00e3o \u00e0 base de horticultura. O apuro t\u00e9cnico a que chegaram, em alguns exemplares da escultura em pedra, mostram um extraordin\u00e1rio dom\u00ednio da forma que perseguiram. Era evidente a inten\u00e7\u00e3o da delicadeza e da harmonia das linhas quer nas incis\u00f5es quer nas excis\u00f5es. <strong>Ant\u00f4nio de Paiva Moura<\/strong>\n<h4>Arte na Pr\u00e9-Hist\u00f3ria &#8211; Per\u00edodo<\/h4>\n<p class=\"imagem\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Arte na Pr\u00e9-Hist\u00f3ria\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/arte-na-pre-historia-1.jpg\" alt=\"Arte na Pr\u00e9-Hist\u00f3ria\" width=\"444\" height=\"236\" \/><strong>\nArte na Pr\u00e9-Hist\u00f3ria<\/strong><\/p>\n<strong>Arte na Pr\u00e9-Hist\u00f3ria<\/strong> &#8211; Idade da Pedra Paleol\u00edtico &#8211; Idade da Pedra Lascada &#8211; de 20 000 a.C. a 5 000 a.C.\n\nNeste per\u00edodo, as popula\u00e7\u00f5es n\u00f4mades se movimentavam em fun\u00e7\u00e3o das esta\u00e7\u00f5es do ano e das migra\u00e7\u00f5es da ca\u00e7a. Os achados arqueol\u00f3gicos mais importantes ocorreram na regi\u00e3o franco-cant\u00e1brica, em grutas em Altamira, no norte da Espanha, perto de Santander, e no sudoeste da Fran\u00e7a.\n\nAs grutas de Altamira, com cerca de 300 m de comprimento, foram descobertas em 1868, mas, somente onze anos depois, uma menina reparou nas imagens nas paredes e no teto.\n\nOs desenhos s\u00e3o contornados em negro ou pintados em vermelho ou negro. Destaca-se uma ab\u00f3bada de cerca de 14 m com figuras de vinte animais do per\u00edodo (veados, javalis e bis\u00f5es), que, ao que parece, possuem sentido m\u00e1gico e simb\u00f3lico. As grutas do sudoeste da Fran\u00e7a, por sua vez, ficam em Font-de-Gaume, descoberta em 1901, e em, Lascaux, a mais c\u00e9lebre, explorada em 1940. Durante todo o paleol\u00edtico, a arte est\u00e1 ligada \u00e0 reprodu\u00e7\u00e3o das formas da natureza.\n\n\u00c9 uma arte eminentemente naturalista, baseada na observa\u00e7\u00e3o do real aliada a uma grande habilidade na reprodu\u00e7\u00e3o das formas dos animais. As grutas n\u00e3o eram habitadas, mas, ao que tudo indica, funcionavam como santu\u00e1rios ou locais de cerim\u00f4nia em que se almejava obter uma \u00f3tima ca\u00e7a. Posteriormente, mas ainda no mesmo per\u00edodo, \u00e9 encontrada uma maior capacidade de estiliza\u00e7\u00e3o, marcando uma tend\u00eancia para a ornamenta\u00e7\u00e3o abstrata.\n\nNos objetos feitos com ossos do paleol\u00edtico, nota-se uma decora\u00e7\u00e3o puramente geom\u00e9trica de linhas em ziguezague, dentadas, em espiral e em arco. Neol\u00edtico &#8211; Idade da Pedra Polida &#8211; 5 000 a. C. a 3 500 a.C.\n\nO per\u00edodo deve o nome ao punhal de pedra (s\u00edlex) realizado com superf\u00edcie polida e l\u00e2mina afiada.\n\nNeste per\u00edodo, o ser humano passa a dominar a natureza, iniciando a domestica\u00e7\u00e3o de animais e a agricultura de cereais. Torna-se ent\u00e3o sedent\u00e1rio, abandonando o nomadismo que o caracterizava. Os utens\u00edlios cotidianos passam a ganhar o status de obra de arte. Um exemplo de uma escultura do per\u00edodo \u00e9 a estatueta de um corpo feminino conhecida como V\u00eanus de Willendorf. Feita de calc\u00e1rio e com apenas 11 cm, foi encontrada na \u00c1ustria, pr\u00f3ximo ao rio Dan\u00fabio.\n\n\u00c9 tamb\u00e9m o per\u00edodo de constru\u00e7\u00e3o dos monumentos megal\u00edticos. S\u00e3o grandes constru\u00e7\u00f5es de culto aos mortos.\n\n<strong>Podem ter dois aspectos<\/strong>: menir ou d\u00f3lmen. O primeiro \u00e9 um bloco de pedra colocado verticalmente sobre uma sepultura (exemplos: Penmarch, na Bretanha, com 7 m de altura, e os t\u00famulos em c\u00edrculos, em Carnac). O d\u00f3lmen consiste em duas ou v\u00e1rias lajes de pedra fixadas verticalmente entre as quais repousa horizontalmente uma terceira laje (ex.: Stonehenge, perto de Salisbury, na Inglaterra, local que provavelmente era utilizado em cultos, cerim\u00f4nias ou sacrif\u00edcios).\n\nNa arte cer\u00e2mica, vasos e jarras de belas formas come\u00e7am a ser elaborados, sendo realizados ornamentos com listras horizontais e diversos tipos de tra\u00e7o.\n\nDestacam-se os vasos campaniformes (com fundura at\u00e9 a metade da altura em forma de sino invertido), principalmente os de Ciempozuelos. Quanto \u00e0s grutas, as mais importantes ficam na Europa oriental, na regi\u00e3o conhecida como levantina. A de Valltorta apresenta figuras humanas estilizadas e em dimens\u00f5es reduzidas, como ca\u00e7adores, com arco e flecha nas m\u00e3os, com gestos repletos de energia e intensidade dram\u00e1tica. As figuras costumam ser monocrom\u00e1ticas em vermelho ou amarelo e mostram tamb\u00e9m cenas de dan\u00e7as, provavelmente religiosas. Idade de Bronze &#8211; 3500 a.C. a 1000 a.C.\n\nAs pinturas rupestres ganham car\u00e1ter ornamental. As figuras passam a ser esquem\u00e1ticas ou mostram signos abstratos cuja significa\u00e7\u00e3o permanece desconhecida. Idade de Ferro &#8211; 1000 a.C. a 500 a.C. No mundo mediterr\u00e2neo ocidental, o per\u00edodo \u00e9 marcado pelas coloniza\u00e7\u00f5es de fen\u00edcios, cartaginenses e gregos. Do ponto de vista decorativo, as figuras de bronze e de barro realizadas pelos cartaginenses s\u00e3o as mais representativas. H\u00e1 not\u00f3ria influ\u00eancia eg\u00edpcia e, entre os motivos zoom\u00f3rficos, encontra-se a esfinge.\n\nAs figuras humanas s\u00e3o adornadas com colares, diademas e rosetas. Os povos iberos e celtas, por seu turno, embora recebendo influ\u00eancia dos colonizadores, revelam maior originalidade e certos tra\u00e7os decorativos parecem mostrar deuses da Mesopot\u00e2mia. <strong>Oscar D&#8217;Ambrosio<\/strong>\n<h4>Arte na Pr\u00e9-Hist\u00f3ria &#8211; Homem<\/h4>\nA arte \u00e9 uma necessidade do homem, e tudo que sabemos sobre o homem em suas primeiras \u00e9pocas (alem de suas ossadas) deve-se ao artesanato.\n\nO homem primitivo escavou, gravou ou pintou nas paredes rochosas dos seus abrigos, mas e homem da Pr\u00e9 &#8211; Hist\u00f3ria; bem, as primeiras manifesta\u00e7\u00f5es da arte Pr\u00e9 &#8211; Hist\u00f3rica foram pequenas estatuetas ou incis\u00f5es, alem de utens\u00edlios de pedra talhada.\n\nA arte desta \u00e9poca \u00e9 freq\u00fcentemente animalista, exceto algumas estatuetas que representam corpos femininos muito estilizados, e as figuras de animais s\u00e3o mais simb\u00f3licas.\n\nO per\u00edodo mais antigo \u00e9 caracterizado por formas geom\u00e9tricas, por silhuetas de animais desenhada com os dedos nas paredes argilosas \u00famidas e por m\u00e3o pintadas em negativos sobre um fundo vermelho ou negro.\n\nEsta arte \u00e9 principalmente caracterizada pela intensidade dram\u00e1tica do movimento; o artista n\u00e3o procurava dar as formas reais, mas esquemas, por sinais e s\u00edmbolos, e outros meios de express\u00e3o art\u00edstica \u00e9 a cer\u00e2mica e utens\u00edlios.\n<p class=\"imagem\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Arte na Pr\u00e9-Hist\u00f3ria\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/arte-na-pre-historia-2.jpg\" alt=\"Arte na Pr\u00e9-Hist\u00f3ria\" width=\"341\" height=\"250\" \/><strong>\nArte na Pr\u00e9-Hist\u00f3ria<\/strong><\/p>\nA fome levava os primeiros homens a habitar o planeta a ca\u00e7ar animais para suprir essa necessidade org\u00e2nica. Com armas rudimentares feitas a partir de pedras lascadas por atrito, eles lan\u00e7avam-se a sorte ao enfrentar feras maiores e mais poderosas que eles. Era necess\u00e1rio encontrar mecanismos que pudessem lhes ajudar nessa guerra di\u00e1ria pela sobreviv\u00eancia.\n\nOs registros rupestres encontrados nas cavernas de Niaux, Font-de-Gaume e Lascaux, na Fran\u00e7a e Altamira, na Espanha parecem indicar, segundo os estudiosos da Hist\u00f3ria, uma das solu\u00e7\u00f5es encontradas pelo homem primitivo para ajuda-lo a enfrentar o problema. Segundo a hip\u00f3tese mais aceita essas pinturas possu\u00edam um certo sentido m\u00e1gico que dotava seus executores com certos poderes de domina\u00e7\u00e3o sobre o animal desenhado. Ao esbo\u00e7ar o contorno dos animais nas paredes de argila das cavernas, acreditavam esses homens adquirir poder sobre os animais ali representados, o que facilitaria seu abate nos dias seguintes.\n\nCom cores bastante reduzidas, sendo origin\u00e1rias da argila, do carv\u00e3o e do \u00f3xido de mangan\u00eas, que funcionava como um aglutinante quando misturado \u00e0 gordura ou ao sangue de animais, representavam os animais ora isolados, ora em grupo ou sendo atacado pelo grupo de homens.\n\nDessa forma, a Arte nasce dentro de uma fun\u00e7\u00e3o pragm\u00e1tica, isto \u00e9, sendo utilizada para alcan\u00e7ar um fim n\u00e3o art\u00edstico. Seu desenvolvimento e valoriza\u00e7\u00e3o existe s\u00f3 como meio para se alcan\u00e7ar uma outra finalidade n\u00e3o art\u00edstica.\n\n<strong>Ao desenhar o animal na parede da caverna o homem criava uma fun\u00e7\u00e3o pr\u00e1tica para o desenho ali realizado<\/strong>: proteg\u00ea-lo e dot\u00e1-lo de poderes contra a fera que ele teria que abater para suprir suas necessidades de alimento.\n\nQuando entretanto, passa a domesticar os animais, a t\u00ea-los sempre a seu alcance, bastando para isso manter a manada, os desenhos feitos por esses homens perdem essa fun\u00e7\u00e3o m\u00e1gica e passam a servir a outro fim. A perda desse sentido m\u00e1gico n\u00e3o acarreta o fim do ato de produzir imagens, somente sua produ\u00e7\u00e3o assumi outra finalidade; representar cenas do cotidiano da comunidade, registrando fatos de sua \u00e9poca nas paredes de pedra e argila.\n\nFonte: www.visual-arts-cork.com\/www.cen.g12.br\/www.asminasgerais.com.br\/www.eba.ufmg.br\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Arte na Pr\u00e9-Hist\u00f3ria, Per\u00edodo, Idade da Pedra, Pintura, Arquitetura, Escultura, Cavernas, Tipos, Caracter\u00edsticas, Arte na Pr\u00e9-Hist\u00f3ria<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":5092,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[50],"tags":[],"class_list":["post-13999","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-arte-2"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v28.3 - 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