{"id":13913,"date":"2015-11-30T00:00:00","date_gmt":"2015-11-30T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/uncategorized\/primitivismo-2\/"},"modified":"2026-08-31T23:02:48","modified_gmt":"2026-08-31T23:02:48","slug":"primitivismo-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/arte-2\/primitivismo-2\/","title":{"rendered":"Primitivismo"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"ads-cima\"><\/p>\n&nbsp;\n<h4>Primitivismo &#8211; Defini\u00e7\u00e3o<\/h4>\n<strong>Arte primitiva<\/strong>, tamb\u00e9m chamado de arte ing\u00eanua, saiu para a cultura da arte no final do s\u00e9culo 19, quando houve uma grande distin\u00e7\u00e3o entre a Europa tecnologicamente avan\u00e7ada e a Am\u00e9rica do Norte em compara\u00e7\u00e3o com o resto do mundo.\n\nTrata-se, como muitos afirmam, uma palavra etnoc\u00eantrica que \u00e9 um subproduto da era colonial, quando muitas pessoas viram aqueles que n\u00e3o fazem parte da cultura crist\u00e3 como pessoas &#8220;primitivas&#8221;.\n\nObra de arte trazido de volta para a Europa e Am\u00e9rica feitos por tribos na \u00c1frica, ilh\u00e9us do Pac\u00edfico, e os abor\u00edgines na Austr\u00e1lia todos ganharam o r\u00f3tulo de <strong>arte primitiva<\/strong>. Eventualmente, ela veio para abranger qualquer arte feita pelos povos nativos da Am\u00e9rica do Sul, \u00c1frica, Austr\u00e1lia e Oceania. No entanto, trabalhos de arte da China, \u00cdndia e os pa\u00edses isl\u00e2micos normalmente n\u00e3o caem sob a arte primitiva.\n<h4>O\u00a0<strong>Primitivismo<\/strong><\/h4>\nO\u00a0<strong>Primitivismo<\/strong>\u00a0tamb\u00e9m recebeu o nome de arte naif, sendo criado pelos artistas que davam \u00eanfase a arte simples e sem grandes ornamentos.\n\nN\u00e3o \u00e9 s\u00f3 por que sua forma de fazer arte era de certa forma pobre, que as artes n\u00e3o possu\u00edam valor, pois ao contr\u00e1rio do que se imagina, a arte aplicada nesse estilo \u00e9 rica em informa\u00e7\u00f5es, pois sua simplicidade torna mais f\u00e1cil o entendimento do observador, que ao olhar o quadro ou escultura, j\u00e1 tem a exata no\u00e7\u00e3o da mensagem na qual o artista gostaria de transmitir para o p\u00fablico.\n\nGeralmente o estilo possu\u00eda adeptos que n\u00e3o ligavam muito para o refinamento da arte, tanto que produziam obras simples, de vis\u00e3o r\u00fastica, sem nenhum apelo est\u00e9tico. A natureza era seu principal foco, j\u00e1 que a mesma remete ao observador a perceber tudo em sua forma original, sem adere\u00e7os ou ornamentos, os artistas desse per\u00edodo valorizavam bastante a forma inicial das coisas.\n\nA simplicidade e a falta de sofistica\u00e7\u00e3o podem definir perfeitamente o car\u00e1ter primitivista, tanto que o mesmo ia de contrapartida aos movimentos de artes acad\u00eamicos. No passar do tempo, a arte adquiriu a notoriedade de v\u00e1rios artistas da \u00e9poca, uns desconhecidos e outros muito famosos.\n\nA partir desse ponto o estilo come\u00e7ou a ser ainda mais aceito pela sociedade, principalmente pelos cr\u00edticos.\n<p class=\"imagem\"><img decoding=\"async\" title=\"Primitivismo\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/primit11.jpg\" alt=\"Primitivismo\" \/><strong>\nPrimitivismo<\/strong><\/p>\nEm meados do s\u00e9culo 20, v\u00e1rios artistas adeptos de outros estilos come\u00e7aram a se interessar pelo primitivismo, tanto que come\u00e7aram a buscar m\u00e9todos de aperfei\u00e7oar esse estilo. No Brasil, os artistas da arte moderna foram respons\u00e1veis por trazer a tona esse estilo de teor simples, relembrando alguns pintores, como \u00e9 o caso do saudoso Cardosinho, que tinha seus pensamentos embasados nos pensamentos de Portinari.\n\nNos ano 40, os artistas da arte moderna perceberam que poderiam se tornar nomes do primitivismo, alguns eram Silva, da Silva, Prazeres e Djanira. O ideal meio abandonado no qual a art naif demonstrava tinha como refer\u00eancia o formalismo, tanto que os desenhos mais complexos, que tinham como obra final algo belo n\u00e3o eram interessante, j\u00e1 o que era considerado simples, sem insinua\u00e7\u00f5es, com padr\u00f5es bem tradicionais, uso de cores prim\u00e1rias, temas populares, al\u00e9m de outros itens que chamavam destaque atrav\u00e9s do teor cl\u00e1ssico.\n\nO pseudo-naive tamb\u00e9m \u00e9 uma vertente desse estilo.\n\nEm algumas obras dos artistas do per\u00edodo, fica expl\u00edcito o uso de novas tend\u00eancias, devido \u00e0s intensas cr\u00edticas que o estilo recebia, um grupo se juntou e criou o neoprimitivismo, que era uma rea\u00e7\u00e3o aos coment\u00e1rios disparados sobre os pensamentos do movimento.\n<h4>Primitivismo, Pol\u00edtica e Cultura<\/h4>\nUma das vertentes do anarquismo que mais cresce atualmente em n\u00famero de adeptos \u00e9 a relacionada \u00e0 profunda cr\u00edtica aos modos de vida ditos civilizados.\n\nDomestica\u00e7\u00e3o de animais e plantas, o estadismo, o industrialismo e o desenvolvimentismo seriam os pilares sob os quais a vida civilizada estaria assentada. Ainda que coexistam grandes diferen\u00e7as entre as diversas correntes do anarquismo, o primitivismo ganhou consider\u00e1vel for\u00e7a na atualidade atrav\u00e9s das reflex\u00f5es do fil\u00f3sofo norte-americano John Zerzan.\n\nDurante a d\u00e9cada de 1990, Zerzan adquiriu certa notoriedade na m\u00eddia comercial em duas ocasi\u00f5es. Primeiramente, em 1996 ap\u00f3s a pris\u00e3o de Unabomber,[2] o apelido de Theodore Kaczynski,[3] que encontrou nos escritos de Zerzan inspira\u00e7\u00e3o para promover atentados \u00e0 tecnocratas atrav\u00e9s de cartas-bomba.\n\nPosteriormente, ao final da mesma d\u00e9cada e nos primeiros anos do s\u00e9culo XXI, durante as manifesta\u00e7\u00f5es massivas organizadas em oposi\u00e7\u00e3o \u00e0s pol\u00edticas promovidas pela Organiza\u00e7\u00e3o Mundial do Com\u00e9rcio (OMC) e pelo Fundo Monet\u00e1rio Internacional (FMI),[4] Zerzan foi novamente apontado como o mentor intelectual de grupos de jovens vestidos de preto que atacaram lojas, restaurantes, bancos e supermercados, erguendo barricadas, incendiando carros e enfrentando a pol\u00edcia com paus e pedras.\n\nEstes exemplos da repercuss\u00e3o dos escritos de Zerzan serviram de propaganda suficiente para que fossem traduzidos e publicados em diversos idiomas, circulando em dezenas de pa\u00edses ao longo dos \u00faltimos dez anos. Neste mesmo per\u00edodo, o fil\u00f3sofo viajou o mundo, passando pelo Brasil, dando palestras e encontrando pessoalmente com alguns de seus leitores.\n\nNa base do argumento de Zerzan est\u00e1 a articula\u00e7\u00e3o da tradicional oposi\u00e7\u00e3o libert\u00e1ria \u00e0s autoridades estatais e \u00e0s formas de explora\u00e7\u00e3o capitalista com o ecologismo radical e o anti-consumismo. A solu\u00e7\u00e3o apontada por ele, aos moldes da utopia regressiva de Rousseau, centra-se na possibilidade de um modo de vida primitivo de ca\u00e7a e coleta.\n\nEm sua ampla cr\u00edtica \u00e0s ci\u00eancias, Zerzan recorre a diversos autores, em busca de inspira\u00e7\u00e3o, evid\u00eancias e teorias, oriundas da arqueologia e da antropologia biol\u00f3gica.\n\nNeste ensaio pretendemos n\u00e3o s\u00f3 revisitar os argumentos de Zerzan para examin\u00e1-los com base em reflex\u00f5es atualmente colocadas no campo da Antropologia pol\u00edtica e da Etnologia. Pretendemos tamb\u00e9m, e sobretudo por partilharmos com os primitivistas a condi\u00e7\u00e3o de libert\u00e1rios, sugerir outras poss\u00edveis interfaces entre saberes antropol\u00f3gicos e o pensamento anarquista.\n\n<strong>Ainda que o nosso tom seja de cr\u00edtica aos elementos constituintes da pol\u00edtica de Zerzan, n\u00e3o podemos deixar de concordar com este autor em diversas cr\u00edticas levantadas por ele \u00e0 vida nas sociedades industriais<\/strong>: a ela\u00e7\u00e3o entre consumo e terror, a problem\u00e1tica vida baseada no consumo de massa e a vasta destrui\u00e7\u00e3o de in\u00fameras formas de vida propalada pelo circuito de produ\u00e7\u00e3o e consumo.\n\nS\u00e3o, sobretudo, as solu\u00e7\u00f5es sugeridas por Zerzan &#8211; o \u0093retorno a um modo de ser primitivo&#8221; atrav\u00e9s da &#8220;formas de recusa&#8221;, ou, em outras palavras, a volta a uma suposta condi\u00e7\u00e3o de &#8220;ser humano natural&#8221; &#8211; o alvo de nossas cr\u00edticas. Utilizamos como fundamento de nossa cr\u00edtica ao seu livro &#8220;Futuro Primitivo&#8221; de 1994,[5] as reflex\u00f5es propostas pelos antrop\u00f3logos Marshall Sahlins,Tim Ingold e Bruno Latour.\n\nA despeito das potencialidades cr\u00edticas do primitivismo, procuramos mostrar como a proposta de Zerzan encontra-se efetivamente limitada por mobilizar um referencial antropol\u00f3gico que representa o passado da teoria antropol\u00f3gia cultural e biol\u00f3gica, garantida apenas atrav\u00e9s de um recorte bibliogr\u00e1fico seletivo.\n\nZerzan equivoca-se ao almejar a cr\u00edtica radical cientifica e filosoficamente embasada em refer\u00eancias j\u00e1 h\u00e1 muito tidas como problem\u00e1ticas na antropologia, o que lhe encaminha ao insol\u00favel problema da cis\u00e3o entre o natural, &#8220;dado&#8221; e biol\u00f3gico de um lado, e o cultural, contingente, constru\u00eddo de outro, optando pela defesa do p\u00f3lo da natureza no qual supostamente (re)encontrar-se-ia o car\u00e1ter natural do humanidade.\n\n<strong>Zerzanismo<\/strong>\n<blockquote>\u00abolhemos o antes e o depois\ne suspiremos pelo que n\u00e3o \u00e9&#8230;\u00bb (Percy Shelley)<\/blockquote>\nO\u00a0<strong>primitivismo\u00a0<\/strong>pode ser identificado como uma deriva\u00e7\u00e3o da velha ecologia pol\u00edtica, uma vez que, em n\u00edvel epistemol\u00f3gico, aceita sem questionamentos a cis\u00e3o entre os p\u00f3los da natureza e da cultura, t\u00e3o cara ao pensamento ocidental moderno.\n\nO vi\u00e9s do primitivismo de Zerzan emprega em um n\u00edvel pol\u00edtico esta mesma cis\u00e3o ao construir sua cr\u00edtica ao aprisionamento cultural e material dos humanos desde o desenvolvimento da capacidade de linguagem e simboliza\u00e7\u00e3o.\n\nCabe ressaltar aqui a conveni\u00eancia do recorte de Zerzan dos diversos discursos cient\u00edficos de forma a coloc\u00e1-los em conson\u00e2ncia com o seu elogio ao modo de vida primitivo, tal qual ele (supostamente) teria sido no per\u00edodo neol\u00edtico. O autor equivoca-se, sobretudo, ao sugerir que suas afirma\u00e7\u00f5es encontram-se t\u00e3o bem embasadas considerando-as para al\u00e9m de qualquer possibilidade de refuta\u00e7\u00e3o.\n\nA hist\u00f3ria humana retratada pelo fil\u00f3sofo poderia ser definida como uma trajet\u00f3ria decrescente de trope\u00e7os e submiss\u00f5es em dire\u00e7\u00e3o ao abismo da tecnocracia capitalista.\n\n<strong>Uma trajet\u00f3ria que teria seu in\u00edcio em um desvio inicial<\/strong>: a simboliza\u00e7\u00e3o, definida por ele como a primeira forma de media\u00e7\u00e3o e aprisionamento.\n\nSup\u00f5em-se que \u00e9 sob a \u00e9gide do simb\u00f3lico que os humanos domesticam animais e plantas, criam diferen\u00e7as entre g\u00eaneros, implicam em divis\u00f5es de tarefas que, por sua vez, e em um grau cada vez mais avan\u00e7ado resultariam no surgimento da civiliza\u00e7\u00e3o.\n\nNas suposi\u00e7\u00f5es de Zerzan em rela\u00e7\u00e3o aos modos de vida dos humanos no neol\u00edtico, est\u00e3o contidas as id\u00e9ias desenvolvidas por Sahlins em seu artigo \u0093A Sociedade Afluente Original\u0094 de 1972.\n\n<strong>Tais id\u00e9ias s\u00e3o, de fato, respons\u00e1veis por uma importante invers\u00e3o na forma como tem sido concebida a vida econ\u00f4mica primitiva entre cientistas sociais<\/strong>: ao contr\u00e1rio do que prega o discurso liberal utilitarista, argumenta Sahlins, que a vida pr\u00e9-civilizada n\u00e3o \u00e9 nem foi necessariamente marcada pela escassez de recursos, pela fome, pela priva\u00e7\u00e3o, pela brutalidade ou pela domina\u00e7\u00e3o masculina.\n\nAo inv\u00e9s disso, lazer e abund\u00e2ncia de alimentos, intimidade com o meio e igualdade sexual marcaram o per\u00edodo. Na apropria\u00e7\u00e3o de Zerzan do trabalho de Sahlins, tais tra\u00e7os seriam por excel\u00eancia correlatos da natureza humana, antes de nossa escraviza\u00e7\u00e3o perpetrada por padres, reis e chefes.\n\nS\u00e3o evidentes, ainda que sutis, os paralelos entre o pensamento de Zerzan e a utopia regressiva de Rousseau. Existe uma proximidade existente entre a proposta primitivista e o romantismo presente na filosofia pol\u00edtica rousseuneana.\n\n<strong>A este respeito, Zerzan afirma<\/strong>:\n<blockquote><em>&#8220;Um dos mitos mais vivos e mais antigos \u00e9 o da exist\u00eancia de uma Idade de Ouro, caracterizada pela paz e pela inoc\u00eancia, antes que alguma coisa destru\u00edsse o mundo id\u00edlico e nos reduzisse \u00e0 mis\u00e9ria e ao sofrimento. O \u00c9den, ou qualquer que seja o nome que se lhe d\u00ea, era o mundo dos nossos antepassados primevos, e estes mitos expressam a nostalgia daqueles que trabalham sem respirar, na servid\u00e3o, ante uma vida livre e relativamente muito mais f\u00e1cil, mas j\u00e1 perdida&#8221; <\/em>\u0096 Zerzan, 1994: 07<\/blockquote>\nNa contram\u00e3o, atrav\u00e9s de sua apropria\u00e7\u00e3o da obra de Sahlins, Zerzan busca imputar \u00e0 proposta primitivista legitimidade afim de escapar da incredibilidade do romantismo. Respons\u00e1vel por uma verdadeira reviravolta no entendimento antropol\u00f3gico da exist\u00eancia material do que, ent\u00e3o, eram chamados &#8220;povos n\u00e3o-civilizados&#8221;, Sahlins sepultou de vez quaisquer explica\u00e7\u00f5es inspiradas na fal\u00e1cia do homo oeconomicus de Adam Smith.\n\nO selvagem barganhador, habitante de um mundo de grande escassez que est\u00e1 sempre empenhado em maximizar os pr\u00f3prios benef\u00edcios, \u00e9 finalmente rebaixado \u00e0 categoria de figura hist\u00f3rica do imagin\u00e1rio burgu\u00eas moderno, uma distor\u00e7\u00e3o do passado pr\u00e9-hist\u00f3rico capaz de justificar comportamentos e tend\u00eancias do individualismo capitalista no presente.\n\nSahlins chama de &#8220;prisma angustiado&#8221; a perspectiva do liberalismo cl\u00e1ssico ao qual sua abordagem das sociedades da aflu\u00eancia se contrap\u00f5e. A partir de dados etnogr\u00e1ficos, o autor conclui que os chamados povos selvagens, mesmo aqueles habitantes de desertos e savanas, possuindo poucas necessidades, seriam possuidores de muitas t\u00e9cnicas, n\u00e3o s\u00f3 para a obten\u00e7\u00e3o de recursos suficientes para a sobreviv\u00eancia mas, para al\u00e9m disso, a garantia de modos de vida pautados pela abund\u00e2ncia de recursos.\n\n<strong>A partir desta perspectiva, Sahlins afirma que o &#8220;a escassez \u00e9 o ju\u00edzo decretado por nossa economia &#8211; como \u00e9 tamb\u00e9m o axioma de nossa ci\u00eancia econ\u00f4mica<\/strong>: a aplica\u00e7\u00e3o de recursos escassos a fins alternativos com o intuito de derivar o m\u00e1ximo de satisfa\u00e7\u00e3o poss\u00edvel nas condi\u00e7\u00f5es vigentes&#8221; (Sahlins, 2000: 109).\n\nO autor sugere paralelos entre os povos por ele estudados e as popula\u00e7\u00f5es humanas pr\u00e9-hist\u00f3ricas, sendo que popula\u00e7\u00f5es de ca\u00e7adores e coletores partilhariam da condi\u00e7\u00e3o de &#8220;sociedades da abund\u00e2ncia&#8221;.\n\nApropriando-se deste paralelo e levando-o ao seu extremo, Zerzan decreta que a vida humana em todos os tempos e lugares, nas sociedades de ca\u00e7a e coleta, jamais se pautaram pela escassez, mas, pelo contr\u00e1rio, por um princ\u00edpio de compartilhamento dos alimentos e bens materiais entre todos seus membros.[6]\n\nEste fen\u00f4meno foi definido por Ingold (2000: 48) como a \u0093economia c\u00f3smica do compartilhamento\u0094, evidenciada entre grupos de ca\u00e7a e coleta. A chamada &#8220;via zen da riqueza&#8221; das sociedades de ca\u00e7a e coleta caracterizar-se-ia por poucas necessidades diante da fartura de recursos &#8211; a imagem invertida das sociedades industriais, nas quais, segundo a ci\u00eancia econ\u00f4mica liberal, ter\u00edamos grandes necessidades a serem satisfeitas de um lado e a escassez de recursos do outro.\n\nTal situa\u00e7\u00e3o s\u00f3 poderia ser resolvida pela auto-regula\u00e7\u00e3o do mercado pela lei da oferta e da procura.\n\nDiante de uma natureza que ao homem tudo d\u00e1, a cultura s\u00f3 poderia surgir como forma de aliena\u00e7\u00e3o. As formas culturais teriam se desenvolvido com o avan\u00e7o da capacidade de simboliza\u00e7\u00e3o &#8211; tempo reificado, linguagem falada e escrita, a utiliza\u00e7\u00e3o de n\u00fameros, a express\u00e3o art\u00edstica, etc.[7]\n\nOs s\u00edmbolos da cultura teriam aparecido para \u0093garantir o desenvolvimento e a manuten\u00e7\u00e3o da ordem social\u0094 (Cohen, 1974 apud Zerzan, 1994). Antes da ditadura do cultural sobre o natural, n\u00e3o existia a necessidade de um ordenamento da desordem do mundo, ou (nas palavras de Zerzan) n\u00e3o existia a condi\u00e7\u00e3o de desordem a exigir um ordenamento simb\u00f3lico.\n\nO homem dotado de cultura teria sido privado da rica experi\u00eancia de comunh\u00e3o com a natureza, em fun\u00e7\u00e3o do desenvolvimento da linguagem e de seu progressivo aprisionamento dentro de ordens simb\u00f3licas que teriam sucedido \u00e0s formas de domestica\u00e7\u00e3o.\n<blockquote><em>&#8220;Consequ\u00eancias inevit\u00e1veis do desenvolvimento cultural, a hierarquiza\u00e7\u00e3o entre gera\u00e7\u00f5es e a diferencia\u00e7\u00e3o de g\u00eaneros, entre outras formas de empoderamento de uns sobre outros, seriam institucionalizadas e naturalizadas atrav\u00e9s do estabelecimento de rituais. A vida, ent\u00e3o ritualizada, daria origem \u00e0s formas de arte e religi\u00e3o, v\u00e1lvulas de escape culturais, mecanismos de ordenamento das emo\u00e7\u00f5es, dos desejos insatisfeitos, das regras, das est\u00e9ticas e das quantifica\u00e7\u00f5es \u0096 causas de \u0093ansiedade espiritual e social\u0094 (Zerzan, 1994:10).<\/em>\n\n<em>&#8220;A atividade ritual \u00e9 necess\u00e1ria para criar adequadamente tanto homens como mulheres. N\u00e3o existe na natureza nenhuma raz\u00e3o para a divis\u00e3o de g\u00eanero (&#8230;) Estes devem ser criados pela proibi\u00e7\u00e3o e tabu, devem ser \u0091naturalizados\u0092 pela ideologia e o ritual. [&#8230;] Mas a sociedade de ca\u00e7adores-coletores, por sua pr\u00f3pria natureza, nega os rituais em sua potencialidade de domesticar as mulheres. A estrutura (aus\u00eancia de estrutura?) dos grupos igualit\u00e1rios, inclusive aqueles mais concentrados na ca\u00e7a, comportam, com efeito, a garantia da autonomia dos dois sexos.&#8221; <\/em>\u0096 Zerzan, 1994: 10<\/blockquote>\nImersos no simbolismo, os homens empoderados subjugam tamb\u00e9m os animais e as plantas dando origem \u00e0s sociedades de agricultores e pastores, formas de vida baseadas diretamente na explora\u00e7\u00e3o de outros organismos. Na vis\u00e3o de Zerzan, este \u00e9 o in\u00edcio da destrui\u00e7\u00e3o ambiental, da sedentariza\u00e7\u00e3o e tamb\u00e9m das guerras.\n\nO desconhecimento do fil\u00f3sofo das diferentes formas de vida social para al\u00e9m das sociedades industriais torna-se bastante evidente. Em sua opini\u00e3o, n\u00e3o seria poss\u00edvel em nenhuma \u00e9poca ou lugar, formas de agricultura sem sedentariza\u00e7\u00e3o. Algo bem diferente pode ser observado nas etnografias das popula\u00e7\u00f5es amaz\u00f4nicas como, por exemplo, no trabalho de Philippe Descola junto aos Achuar em &#8220;As Lan\u00e7as do Crep\u00fasculo&#8221; (2006). Em contraste, com as cren\u00e7as de Zerzan, trabalhos cl\u00e1ssicos como o de Pierre Clastres (1976, 1977) sobre poder e guerra nas chamadas sociedades primitivas tamb\u00e9m s\u00e3o refer\u00eancias importantes para desfazer os problemas de interpreta\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica primitivista.\n\n<strong>Primitivismo, monismo e hibridismo<\/strong>\n<blockquote>\u00abV\u00eam at\u00e9 mim as criaturas\nque de passagem me impregnam\ncom fuligem cor de gente\nem v\u00e1rios tons e matizes.\u00bb\n(Lu\u00eds Antonio Cajazeira Ramos, Simb\u00f3lido)<\/blockquote>\nPara al\u00e9m do culturalismo e das abordagens semi\u00f3ticas da cultura &#8211; para as quais n\u00e3o haveria nada fora do texto (cultura) a ser lido, interpretado pelo(a) pesquisador(a) &#8211; a antropologia contempor\u00e2nea experimenta a conforma\u00e7\u00e3o de um novo paradigma ecol\u00f3gico (Velho, 2004).\n\nNo cerne deste novo paradigma residem os esfor\u00e7os de supera\u00e7\u00e3o da abordagem culturalista atrav\u00e9s dos trabalhos de Ingold (2000), Latour (2001), Descola (2002), entre outros.\n\nCom base em trabalhos etnogr\u00e1ficos, in\u00fameros antrop\u00f3logos t\u00eam apontado para as limita\u00e7\u00f5es decorrentes das leituras que apostam na separa\u00e7\u00e3o ontol\u00f3gica dos dom\u00ednios da natureza e da cultura.\n\nNo livro &#8220;Natureza e Sociedade&#8221; publicado em 2001, Philippe Descola e Gisli P\u00e1lsson creditam esta mudan\u00e7a de perspectiva que se d\u00e1 na atual antropologia ao campo dos estudos sobre sensibilidade e cultivo de habilidades.[8] Ainda na avalia\u00e7\u00e3o destes autores, tal transforma\u00e7\u00e3o opera uma mudan\u00e7a significativa em termos te\u00f3ricos &#8211; da \u00eanfase nos estados e nas subst\u00e2ncias para uma \u00eanfase em processos e em conjuntos de rela\u00e7\u00f5es\u0094.\n\nTim Ingold (2001) \u00e9 um dos autores que se destaca no campo dos estudos sobre o cultivo de habilidades e sobre a intimidade com a natureza de grupos de ca\u00e7a e coleta. Seu trabalho focaliza os termos relacionais em que se desenvolve a habilidade, em articula\u00e7\u00e3o com o pensamento ecol\u00f3gico em psicologia, bem como com o estudo de &#8220;sistemas desenvolvimentais&#8221; em biologia.\n\nAlgumas das reflex\u00f5es propostas por Ingold (&#8220;fenomenologia radical monista&#8221;) e Latour (&#8220;antropologia sim\u00e9trica&#8221; e hibridismo) merecem destaque, j\u00e1 que nos permitem superar os impasses do culturalismo de Sahlins, como tamb\u00e9m da pol\u00edtica primitivista de Zerzan.\n\n<strong>De in\u00edcio, faz-se necess\u00e1rio promover uma transforma\u00e7\u00e3o do conceito de &#8220;agente&#8221;: <\/strong>ele deixa de ser entendido como &#8220;essencial&#8221; ou &#8220;substancial&#8221; para ser tomado como locus de desenvolvimento em um campo de rela\u00e7\u00f5es ativas que lhe d\u00e3o forma e conte\u00fado.\n\nEsta mudan\u00e7a implica a dissolu\u00e7\u00e3o da fronteira existente entre os dom\u00ednios da natureza e cultura. Ingold sugere que seria mais produtivo pensarmos nos seres humanos como organismos formados, ao mesmo tempo, por rela\u00e7\u00f5es estabelecidas com humanos e n\u00e3o-humanos, portanto, simultaneamente parte de sistemas de rela\u00e7\u00f5es ecol\u00f3gicas e parte de sistemas de rela\u00e7\u00f5es sociais.\n\nLogo, representa um equ\u00edvoco apartar, de um lado, o universo das regras, do simbolismo e da cultura particular, e, do outro, o dom\u00ednio do biol\u00f3gico supostamente universal.[9]\n\nEm outros termos, nesta perspectiva os humanos n\u00e3o s\u00e3o seres comp\u00f3sitos de dimens\u00f5es psicol\u00f3gicas, fisiol\u00f3gicas, culturais, somos n\u00f3s, os humanos, lugares singulares de crescimento criativo dentro de campos de rela\u00e7\u00f5es que se desdobram, percebidas e experimentadas como condi\u00e7\u00e3o para o aprendizado.\n\n\u00c9 este crescimento a que se aplica a no\u00e7\u00e3o de habilidade, n\u00e3o uma t\u00e9cnica corporal, mas uma capacidade de a\u00e7\u00e3o e percep\u00e7\u00e3o espec\u00edfica desenvolvida por todo e cada ser org\u00e2nico (indissoluvelmente mente e corpo) situado em um meio espec\u00edfico (Ingold, 2001:05).\n\nA proposta de Ingold, em s\u00edntese, \u00e9 definida como &#8220;Ecologia Sensiente&#8221;[10] que cadencia o cultivo das habilidades como pr\u00e1tica relacionada ao car\u00e1ter ativo do meio \u0096 cultura, percep\u00e7\u00e3o e natureza encontram-se imbricadas em uma &#8220;ecologia da vida&#8221;.\n\nVoltemos por um instante \u00e0 discuss\u00e3o em torno das supostas caracter\u00edsticas dos grupos de ca\u00e7a e coleta evocadas por Zerzan, uma vez que \u00e9 poss\u00edvel reconhecer alguns pontos de converg\u00eancias entre o projeto pol\u00edtico do fil\u00f3sofo primitivista e as constata\u00e7\u00f5es de Ingold. Ambos concordam com a afirma\u00e7\u00e3o de que as sociedades de ca\u00e7a e coleta s\u00e3o coletivos nos quais a intimidade com o meio (natureza nos termos de Zerzan) \u00e9 fundamental.\n\n<strong>Desta afirma\u00e7\u00e3o desdobram-se duas linhas argumentativas nas quais pode-se notar o ponto de diverg\u00eancia que demarca o limite intranspon\u00edvel entre as perspectivas de Zerzan e de Ingold<\/strong>: a forma como s\u00e3o descritos, explorados e (re)atados os la\u00e7os entre natureza e cultura, n\u00e3o-humanos e humanos.\n\n<strong>Tribut\u00e1ria da dualidade &#8220;natureza-cultura&#8221;, a (moderna) filosofia primitivista de Zerzan enxerga no polo da cultura (ao qual reconhece como &#8220;inven\u00e7\u00e3o&#8221;[11]) o ponto de origem de todos os problemas s\u00f3cio-ambientais<\/strong>: \u00e9 o desenvolvimento da linguagem, a cria\u00e7\u00e3o do ritual e a domestica\u00e7\u00e3o dos animais que teria levado os humanos para o progresso desastroso que a todo custo fomentamos, tendo como conseq\u00fc\u00eancia nosso afastamento da natureza &#8220;realmente natural&#8221;.[12]\n\nEste ponto de partida para a &#8220;antropologia sim\u00e9trica&#8221; contempor\u00e2nea seria equivocado, pois al\u00e9m de n\u00e3o problematizar as formas de percep\u00e7\u00e3o do meio e n\u00e3o dar conta de in\u00fameras formas de relacionamento de organismos humanos e n\u00e3o-humanos,[13] acaba comprometido com um paradoxo sem solu\u00e7\u00e3o.[14]\n\nAo adotar a cis\u00e3o entre &#8220;natureza&#8221; e &#8220;cultura&#8221;, Zerzan herda esta separa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e conceitual da filosofia e da ci\u00eancia modernas, ratificando assim o apartheid pol\u00edtico e hist\u00f3rico do universal e do particular, do \u00eamico\/ex\u00f3tico e do \u00e9tico \u0096 entendido como via de acesso privilegiado \u00e0s leis da natureza.[15]\n\nEis o ponto em que Zerzan deixa de nos fornecer respostas para problemas ecol\u00f3gicos e pol\u00edticos \u0096 e, \u00e9 preciso lembrar, isto se deve em fun\u00e7\u00e3o das bases sob as quais ele constituiu sua argumenta\u00e7\u00e3o. O paradoxo da divis\u00e3o representa a sua pr\u00f3pria impossibilidade pol\u00edtica, j\u00e1 que n\u00e3o permite retornar, desde o dom\u00ednio da cultura \u00e0 &#8220;natureza realmente natural&#8221;.\n\nNa \u00f3tica de Zerzan estar\u00edamos, portanto, fadados \u00e0 buscar incessantemente uma reconstitui\u00e7\u00e3o de sistemas de representa\u00e7\u00e3o que compreendem e significam os elementos naturais \u0096 elementos da &#8220;natureza realmente natural&#8221; como base universal, sob a qual s\u00e3o constru\u00eddas representa\u00e7\u00f5es (de segunda ordem) a guiar os humanos nas suas rela\u00e7\u00f5es com o que lhes escapa em ess\u00eancia (natural), mas n\u00e3o em cultura.\n\nN\u00e3o se coloca como problema primeiro a maneira como nos relacionamos, percebemos e nos engajamos uns em rela\u00e7\u00e3o aos outros, n\u00f3s, humanos divididos por fronteiras de diversas ordens, e n\u00e3o-humanos com os quais compartilhamos o meio.[16]\n\n<strong>O primitivismo de John Zerzan est\u00e1 fundado em uma cren\u00e7a: desde de que a cultura se tornou poss\u00edvel, a humanidade marchou progressivamente para a civiliza\u00e7\u00e3o, apostando cegamente no artificialismo, na subjuga\u00e7\u00e3o e no controle da natureza[17]:<\/strong>\n<blockquote>A apari\u00e7\u00e3o da cultura simb\u00f3lica, transformada por sua necessidade de manipular e de dominar, abriu o caminho \u00e0 domestica\u00e7\u00e3o da natureza. Depois de dois milh\u00f5es de anos de vida humana, respeitando a natureza, em equil\u00edbrio com outras esp\u00e9cies, a agricultura modificou toda nossa exist\u00eancia e nossa maneira de adaptar-nos [&#8230;]\n\nA agricultura possibilita o nascimento desmedido da divis\u00e3o do trabalho, cria os fundamentos materiais da hierarquia social e inicia a destrui\u00e7\u00e3o ambiental. (&#8230;) &#8220;Definir&#8221; um mundo desalienado seria imposs\u00edvel, inclusive indesej\u00e1vel, mas podemos e devemos tentar desmascarar o n\u00e3o-mundo de hoje em dia e como chegamos a ele.\n\nTemos tomado um caminho monstruosamente errado com a cultura simb\u00f3lica e a divis\u00e3o do trabalho, de um lugar de entendimento, encanto, compreens\u00e3o e totalidade para a aus\u00eancia que nos encontramos, no cora\u00e7\u00e3o da doutrina do progresso.\n\nVazia e cada vez mais vazia, a l\u00f3gica da domestica\u00e7\u00e3o, com suas exig\u00eancias de total domina\u00e7\u00e3o, nos mostram a ru\u00edna de uma civiliza\u00e7\u00e3o que arru\u00edna todo o resto. Presumir a inferioridade da natureza favorece a domina\u00e7\u00e3o de sistemas culturais que logo tornar\u00e3o a Terra um lugar inabit\u00e1vel. \u0096 Zerzan, 1994:6, 15<\/blockquote>\nSe \u00e9 aceit\u00e1vel o argumento de que, como afirma Sahlins, a exist\u00eancia n\u00e3o \u00e9 um &#8220;simples existir&#8221;, uma vez que n\u00e3o haveria na sua perspectiva a exist\u00eancia fora de uma &#8220;ordem cultural&#8221;, em sentido oposto, ser\u00edamos levados a afirmar que na perspectiva de Zerzan a vida n\u00e3o-alienada n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel a n\u00e3o ser que ela esteja livre do que se entende por &#8220;cultura&#8221; &#8211; para al\u00e9m desta esp\u00e9cie de pris\u00e3o sem muros edificada pela civiliza\u00e7\u00e3o, atrav\u00e9s da divis\u00e3o do trabalho e da constitui\u00e7\u00e3o de uma s\u00e9rie de institui\u00e7\u00f5es hier\u00e1rquicas que visam sua reprodu\u00e7\u00e3o, amplia\u00e7\u00e3o e controle.\n\nEm seu trabalho te\u00f3rico, Ingold n\u00e3o aponta como solu\u00e7\u00e3o a fuga ou a nega\u00e7\u00e3o do terr\u00edvel dom\u00ednio da &#8220;cultura&#8221; e tamb\u00e9m n\u00e3o aceita a &#8220;natureza&#8221; como dada. Pelo contr\u00e1rio, a solu\u00e7\u00e3o passa pela reavalia\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es, v\u00ednculos e engajamentos estabelecidos em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s outras formas de vida, implicando em uma cr\u00edtica da \u0093separa\u00e7\u00e3o da ag\u00eancia humana e da responsabilidade social da esfera de nosso envolvimento direto com o n\u00e3o-humano\u0094. (Ingold, 2001:76).\n\nElementos complementares para repensarmos a proposta de Zerzan est\u00e3o presentes nas an\u00e1lises de Latour (2001). Ao reconhecermos a natureza pol\u00edtica da natureza, as reflex\u00f5es deste autor v\u00e3o de encontro \u00e0 sugest\u00e3o da nega\u00e7\u00e3o da cultura proposta pelo primitivismo.\n\nLatour sugere que o abandono da dicotomia natureza-cultura traz consigo in\u00fameras possibilidades, n\u00e3o somente em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s etnografias de grupos humanos n\u00e3o-ocidentais, como tamb\u00e9m para os saberes cient\u00edficos. O afastamento desta dicotomia poderia implicar em uma nova via de &#8220;acesso&#8221; \u00e0 natureza.\n\n<strong>Uma das conclus\u00f5es de Latour<\/strong>: ao falarmos de natureza, estamos a implicar constantemente tanto a cultura como a pol\u00edtica. A\u00ed est\u00e1 uma barreira intranspon\u00edvel a qualquer tentativa de fuga da cultura, tal como sugerida por Zerzan em \u0093Futuro Primitivo\u0094. Latour defende que \u0093ao mostrar a media\u00e7\u00e3o das ci\u00eancias (da natureza), s\u00f3 se pode incorrer em uma oscila\u00e7\u00e3o entre o culturalismo e as eternas representa\u00e7\u00f5es humanas da natureza, dando visibilidade atrav\u00e9s deste movimento \u00e0 distin\u00e7\u00e3o entre a m\u00faltipla presen\u00e7a dos n\u00e3o-humanos e o trabalho pol\u00edtico que os re\u00fane sob a \u00e9gide de uma natureza \u00fanica\u0094 (Latour, 2002:72).\n\nLatour encontra uma possibilidade de explica\u00e7\u00e3o para al\u00e9m da dicotomia na proposi\u00e7\u00e3o do &#8220;Modelo do Coletivo Reunido&#8221; que assume a extens\u00e3o de humanos e n\u00e3o-humanos na conforma\u00e7\u00e3o de h\u00edbridos (de natureza e cultura).\n\n<strong>\u00c0s id\u00e9ias de Zerzan no campo da Ecologia, s\u00f3 nos cabe fazer contraposi\u00e7\u00e3o em conson\u00e2ncia com Latour e o reconhecimento da possibilidade aberta pelo paradigma ecol\u00f3gico em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 antropologia<\/strong>: \u0093[a natureza] n\u00e3o est\u00e1 para nos oferecer um estoque do ex\u00f3tico, para os brancos conseguirem sair de sua concep\u00e7\u00e3o laica e material de natureza coisificada.\n\nMas, pelo contr\u00e1rio, para permitir a estes superarem o exotismo que impuseram a si mesmos\u0094. A partir desse exotismo, acrescentar\u00edamos, Zerzan nos convida a abandonarmos tudo, desistirmos da l\u00edngua e de tudo mais relativo \u00e0 \u0093cultura\u0094 para nos colocarmos em condi\u00e7\u00e3o de retornar a uma vida sadia, feliz e igualit\u00e1ria, semelhante \u00e0quela supostamente vivida antes da exist\u00eancia de qualquer forma de controle da natureza.\n\n<strong>Latour mostra-se mais perspicaz ao afirmar que, enquanto o pensamento dualista tiver lugar na ecologia pol\u00edtica &#8211; do menos radical ativista do Greenpeace ao mais primitivo dos primitivistas -, continuaremos a investir em algumas pretens\u00f5es um tanto quanto contradit\u00f3rias<\/strong>: falar da natureza \u00e9 falar de h\u00edbridos que n\u00e3o deixam de supor a participa\u00e7\u00e3o dos humanos; proteger a natureza, seja ao coloc\u00e1-la ao abrigo dos humanos, seja ao negar o que \u00e9 humano, n\u00e3o oferece uma alternativa real.\n\n<strong>Humanidade, in\u00e7o do planeta?<\/strong>\n\nQualquer antrop\u00f3logo da pol\u00edtica que desejasse participar de um dos atuais encontros de ambientalistas provavelmente ouviria in\u00fameras falas sobre o desengajamento necess\u00e1rio para salvaguardar o \u0093mundo\u0094 da destrui\u00e7\u00e3o causada pela \u0093humanidade\u0094, algumas pessoas falariam sobre como tudo era mais saud\u00e1vel nas sociedades de outros tempos, pressupondo a integra\u00e7\u00e3o destas sociedades com a natureza.\n\nAinda que apostando em uma solu\u00e7\u00e3o anti-sist\u00eamica, Zerzan n\u00e3o tardaria a fazer coro com estas vozes, complementando-as com a sugest\u00e3o de que o problema da integra\u00e7\u00e3o diz respeito \u00e0 constitui\u00e7\u00e3o da pris\u00e3o dos sistemas simb\u00f3licos, de uma cultura que perpetua a separa\u00e7\u00e3o irreconcili\u00e1vel das palavras, s\u00edmbolos e significados das coisas realmente naturais.\n\nNa alternativa pol\u00edtica de Zerzan, \u00e9 urgente e necess\u00e1ria a nega\u00e7\u00e3o daquilo que nos aprisiona e nos mant\u00eam em um estado de aliena\u00e7\u00e3o da natureza.\n\nDesde a posi\u00e7\u00e3o monista de Ingold, tudo parece por demais conhecido, pois a mesma voz que informa o primitivismo na atualidade, informou historicamente os esfor\u00e7os de separa\u00e7\u00e3o entre os p\u00f3los da cultura e da natureza.\n\nDa\u00ed, para a identifica\u00e7\u00e3o do problema fundamental de nossa heran\u00e7a modernista, foram necess\u00e1rios alguns anos e a reuni\u00e3o de pesquisadores como Descola, Latour, Viveiros de Castro para que se tra\u00e7assem projetos para a constru\u00e7\u00e3o de novas perspectivas (como, por exemplo, atrav\u00e9s do perspectivismo amer\u00edndio). Ingold estaria em uma mesma corrente que Latour na afirma\u00e7\u00e3o de que a separa\u00e7\u00e3o da natureza e da cultura como ponto de partida de nossas cr\u00edticas, pesquisas e pr\u00e1ticas pol\u00edticas n\u00e3o h\u00e1 de resolver os nossos problemas ecol\u00f3gicos.\n\nO primeiro afirmaria que n\u00e3o est\u00e3o apartados natureza e cultura, j\u00e1 que esta \u00e9 uma subse\u00e7\u00e3o no interior daquela, do ambiente ativo de rela\u00e7\u00f5es entre organismos (dentre eles os &#8220;organismos-pessoa&#8221;). Para um ambiente de rela\u00e7\u00f5es h\u00e1 dois tipos b\u00e1sicos de intera\u00e7\u00e3o que s\u00e3o a inter-agentividade e a intersubjetividade, respectivamente, a rela\u00e7\u00e3o entre organismos n\u00e3o-humanos e a rela\u00e7\u00e3o reservada a organismos-pessoa.\n\nPara o segundo autor, o ponto de chegada n\u00e3o \u00e9 precisamente o do monismo, mas o da hibridiza\u00e7\u00e3o, posta em evid\u00eancia pelo trabalho etnogr\u00e1fico. Sabe-se que Latour re\u00fane esfor\u00e7os para demonstrar que n\u00e3o somos inteiramente modernos, a despeito de nossa epistemologia modernista, quer dizer, h\u00e1 um descompasso entre o que os cientistas fazem ao proliferar a circula\u00e7\u00e3o de h\u00edbridos, ao mesmo tempo em que s\u00e3o sustentados discursos de purifica\u00e7\u00e3o dos dois dom\u00ednios supostamente apartados da ci\u00eancia e da pol\u00edtica, dos n\u00e3o-humanos e dos humanos, da natureza e da cultura.\n\n<strong>De todas as indaga\u00e7\u00f5es e respostas provis\u00f3rias para nossa pol\u00edtica e nossa ecologia, ficamos, pelo menos, com uma<\/strong>: ao que nos sugere o que antecede, a melhor forma de inciarmos uma revolu\u00e7\u00e3o primitivista \u00e0 luz do projeto de Zerzan \u00e9 fazendo sil\u00eancio&#8230;\n\n<strong>Refer\u00eancias<\/strong>\n\n1. Cada uma das correntes do primitivismo distingue-se das demais por sua forma de conceb\u00ea-lo. Algumas enfatizam mais a necessidade de estabelecer rela\u00e7\u00f5es sociais de uma forma espont\u00e2nea, outras centram suas preocupa\u00e7\u00f5es no meio ambiente e na constru\u00e7\u00e3o de formas de desestrutura\u00e7\u00e3o do modo de vida industrial. Alguns coletivos, bem como iniciativas individuais, mant\u00eam revistas e zines que circulam pela Internet. Dentre as publica\u00e7\u00f5es de grande circula\u00e7\u00e3o est\u00e3o as americanas \u0093Anarchy\u0094 (http:\/\/greenanarchy.org), \u0093Fifth State\u0094 (http:\/\/www.anti-politics.net\/feral-faun\/) e a \u0093Killing King Abacus (http:\/\/www.geocities.com\/kk_abacus), as brit\u00e2nicas \u0093Green Anarchist\u0094 (www.greenanarchist.org\/) e a \u0093Do or Die\u0094 (http:\/\/www.eco-action.org\/dod\/). No Brasil, destacam-se as publica\u00e7\u00f5es e tradu\u00e7\u00f5es do Coletivo Erva Daninha (http:\/\/ervadaninha.sarava.org\/) e do fil\u00f3sofo goiano Janos Biro. Um artigo disponibilizado na Internet, de autoria desconhecida, denominado \u0093Anti-civiliza\u00e7\u00e3o: o ressurgir do primitivismo\u0094 faz um apanhado das correntes no interior do movimento primitivista.\n\n2. Um acr\u00f4nimo formado pelas palavras \u0093universidade\u0094, \u0093a\u00e9reo\u0094 e bombardeiro, que ap\u00f3s este caso tornou-se uma denomina\u00e7\u00e3o comum das ag\u00eancias de seguran\u00e7a para as formas de terrorismo que empregam cartas-bombas e pacotes-explosivos enviados por servi\u00e7os de entrega ou companhias de correio.\n\n3. um brilhante matem\u00e1tico vinculado \u00e0 Universidade de Berkley (Calif\u00f3rnia) que abandonou sua fam\u00edlia e sua carreira para viver em uma cabana de onde enviou por correio uma s\u00e9rie de cartas bombas para tecnocratas, pol\u00edticos e cientistas envolvidos com o desenvolvimento de certas tecnologias industriais.\n\n4. Seattle em 1999, Genova 2001, Washington 2003, Canad\u00e1 2004, etc.\n\n5. Dentre os livros de Zerzan que possuem grande circula\u00e7\u00e3o destacamos ainda Elementos da Rejei\u00e7\u00e3o (1988), Contra a Civiliza\u00e7\u00e3o: Uma Colet\u00e2nea (1998) e Correndo no Vazio (2002).\n\n6. \u00c9 interessante pensarmos no quanto este recorte \u00e9 fict\u00edcio se levado em conta os diversos fatores e vari\u00e1veis \u0096 como, por exemplo, varia\u00e7\u00f5es ambientais (invernos muito rigorosos ou ver\u00f5es muito secos), ou biol\u00f3gicas (uma epidemia que afete humanos ou animais) \u0096 vivenciados pelos grupos ca\u00e7adores-coletores durante seu per\u00edodo de exist\u00eancia, etc.\n\n7. Influenciado pelo trabalho de Goldschimidt (1990), Zerzan defende que o tempo seria uma das dimens\u00f5es escondidas do mundo simb\u00f3lico e funcionaria como uma forma de imposi\u00e7\u00e3o cultural; citando Norman Brown, o autor afirma que a \u0093vida n\u00e3o reprimida n\u00e3o est\u00e1 no tempo hist\u00f3rico\u0094.\n\n8. Tradu\u00e7\u00e3o poss\u00edvel do termo Enskillment.\n\n9. Aqui, a met\u00e1fora e o simbolismo n\u00e3o existem como &#8220;figuras de linguagem&#8221;, mas apenas no seu sentido mais forte quando tomados como modo de comunica\u00e7\u00e3o vital. Da mesma forma, pode-se contestar a associa\u00e7\u00e3o permanente do biol\u00f3gico ao universal e do cultural ao particular, pois \u00e0 medida que o biol\u00f3gico deixa de ser reduzido ao gen\u00e9tico (redu\u00e7\u00e3o que, para Ingold, representa a manifesta\u00e7\u00e3o no interior da biologia do logocentrismo, na forma da suposi\u00e7\u00e3o de que os fen\u00f4menos manifestos do mundo f\u00edsico est\u00e3o subscritos ao trabalho da raz\u00e3o), pode-se reconhecer que a cultura nele se imprime\u0094 (Velho, 200x).\n\n10. Tradu\u00e7\u00e3o para Sentient Ecology.\n\n11. Repensando e propondo uma alternativa \u00e0 hist\u00f3ria da rela\u00e7\u00e3o humano-animal, as reflex\u00f5es de Ingold se projetam para al\u00e9m das de Zerzan. Ao estudar a transforma\u00e7\u00e3o da rela\u00e7\u00e3o entre humanos e animais no regime de ca\u00e7a e coleta para o regime pastoral, Ingold fornece uma nova abordagem do que era antes concebido como a oposi\u00e7\u00e3o entre selvagem e dom\u00e9stico, ou, em outras palavras, entre o homem no estado de natureza e os prim\u00f3rdios da civiliza\u00e7\u00e3o e da cultura (interven\u00e7\u00e3o do homem na natureza como produ\u00e7\u00e3o). Ingold prefere voltar a sua aten\u00e7\u00e3o para a rela\u00e7\u00e3o entre grupos de ca\u00e7adores e coletores com seus ambientes de forma a avan\u00e7ar sobre um terreno de investiga\u00e7\u00e3o em que a separa\u00e7\u00e3o natureza-humanidade n\u00e3o permitia anteriormente.\n\n12. atureza &#8211; supostamente para al\u00e9m de qualquer concep\u00e7\u00e3o humana &#8211; n\u00e3o constru\u00edda.\n\n13. ? Ainda que Zerzan considere a exist\u00eancia diferentes formas de ca\u00e7adores se relacionarem com a ca\u00e7a ou de relacionamentos de grupos distintos de ca\u00e7a e coleta com entidades n\u00e3o-humanas, ele desconsidera por exemplo, muitas das formas de inter-relacionamento existente entre os povos n\u00f4mades agricultores e ca\u00e7adores da floresta como os Jivaro da Amaz\u00f4nia, com seres existentes em seu meio.\n\n14. Aparece em Ingold (2001) como a cr\u00edtica \u00e0 l\u00f3gica Both-And: \u0093Se as categorias opostas &#8220;natureza&#8221; e &#8220;cultura&#8221; s\u00e3o elas mesmas constru\u00e7\u00f5es culturais, ent\u00e3o tamb\u00e9m \u00e9 a &#8220;cultura&#8221; que as constr\u00f3i [&#8230;]. E uma vez que a cada est\u00e1gio dessa regress\u00e3o a natureza aparece como sua representa\u00e7\u00e3o, a realidade &#8220;real&#8221; se afasta a cada vez que nos aproximamos dela\u0094 (Ingold, 2001:42, tradu\u00e7\u00e3o nossa).\n\n15. Nosso ponto aqui \u00e9 o de sublinhar a import\u00e2ncia da no\u00e7\u00e3o de percep\u00e7\u00e3o que marca a grande dist\u00e2ncia entre a forma como o relacionamento do humano e n\u00e3o-humano \u00e9 trabalhando por Ingold. \u00c9 sob este empreendimento te\u00f3rico que fomos habilitados a repensar a rela\u00e7\u00e3o entre o humano e o animal, como no exemplo de Ingold sobre os Cree no nordeste do Canad\u00e1 \u0096 a ca\u00e7ada como um rito de regenera\u00e7\u00e3o; o animal se d\u00e1 ao ca\u00e7ador, ele consome a carne e a alma do animal \u00e9 revestida novamente de carne, completando um ciclo reprodutivo (ca\u00e7a-consumo-intercurso-reprodu\u00e7\u00e3o).\n\n16. Um meio na perspectiva da antropologia atual, que nada tem de passivo, e se mostra dotado de capacidades de indu\u00e7\u00e3o e ag\u00eancia.\n\n17. O problema (para Ingold) n\u00e3o \u00e9 o de que os ca\u00e7adores controlam a natureza, mas como procuram controlar a sua rela\u00e7\u00e3o com a natureza \u0096 buscando revela\u00e7\u00e3o e n\u00e3o controle sobre os animais. Suas ferramentas n\u00e3o s\u00e3o de manipula\u00e7\u00e3o ou controle mas servem para a aquisi\u00e7\u00e3o de conhecimento \u0096 o mundo se abre para o ca\u00e7ador (Ingold, 2001:71, \u00eanfase adicionada).\n\n<strong>Bibliografia<\/strong>\n\nCLASTRES, Pierre. Arqueologia da viol\u00eancia: pesquisas de antropologia pol\u00edtica. S\u00e3o Paulo: Cosac &amp; Naify, 2004 (1976, 1977).\nDESCOLA, Philippe. As Lan\u00e7as do crep\u00fasculo: Rela\u00e7\u00f5es Jivaro na Alta Amaz\u00f4nia. S\u00e3o Paulo: Cosac &amp; Naify, 2006.\n_________. M\u00e1s all\u00e1 de la Naturaleza y la Cultura. In: Etnograf\u00edas Contempor\u00e1neas. San Martin: UNSAN, A\u00f1o 1, n\u00famero 1, Abril 2005.\nINGOLD, Tim. 2000. The Perception of the Environment: Essays in Livelihood, Dwelling and Skill. London: Routledge.\nLATOUR, Bruno. Politicas da natureza. Como fazer ci\u00eancia na democracia.Bauru, SP: EDUSC, 2004.\nL\u00c9VI-STRAUSS, Claude. Natureza e cultura. In: As estruturas elementares do parentesco. Editora Petr\u00f3polis: Vozes, 1982.\nRIBEIRO, Gustavo Lins. Ser e n\u00e3o ser: explorando fragmentos e paradoxos das Fronteiras da Cultura. In. Fronteiras da cultura: horizontes e territ\u00f3rios da Antropologia na Am\u00e9rica Latina Porto Alegre: Editora da UFRGS. 1993. pp. 9-21.\nSAHLINS, Marshall. Cultura na pr\u00e1tica. RJ: Editora da UFRJ,. 2002.\nSTRIVAY, Lucienne. Enfants sauvages: Approches Anthropologiques. Paris. Editions Gallimard. 2006. (Trecho traduzido e adaptado por CAB\u00daS, Ligia \u0096 acessado em http:\/\/www.disccientia\/anthro\/24 em 15\/06\/2007).\nZERZAN, John. Future Primitive, New York: Autonomedia, 1994.\n<h4><strong>Primitivismo &#8211; O que \u00e9<\/strong><\/h4>\nO\u00a0<strong>Primitivismo<\/strong>\u00a0\u00e9 caracterizado pelas obras que misturavam sonho e realidade, procurando focar na simplicidade e na aus\u00eancia de influ\u00eancia da arte erudita.\n<p class=\"imagem\"><img decoding=\"async\" title=\"Primitivismo\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/primit12.jpg\" alt=\"Primitivismo\" \/><strong>\nPrimitivismo<\/strong><\/p>\nO\u00a0<strong>Primitivismo\u00a0<\/strong>foi um movimento art\u00edstico que procurou influenciar as obras de arte da \u00e9poca, procurando dar destaque a pinturas ing\u00eanuas e ex\u00f3ticas.\n\nSuas obras davam destaque ao estilo de vida simples das sociedades pr\u00e9-industriais e nas culturas pr\u00e9-colombianas, africana e da Oceania. O movimento tamb\u00e9m influenciou a arte das crian\u00e7as, que passou a ser chamada de arte na\u00eff.\n\nA Universia Brasil, com o intuito de facilitar o aprendizado e explicar de vez o que \u00e9 o Primitivismo, preparou um v\u00eddeo com um resumo do movimento.\n<h4><strong>Primitivismo &#8211; V\u00eddeo<\/strong><\/h4>\n<p align=\"center\"><iframe loading=\"lazy\" width=\"420\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/ceUeB7AWkaU\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\nFonte: www.ebay.com\/olharcurioso.com\/protopia.at\/www.universia.com.br\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Primitivismo, Arte, Cultura, Obras, Hist\u00f3ria, Pintura, Primitiva, Movimento, Caracter\u00edsticas, Origem, O que \u00e9, Primitivismo<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":4756,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[50],"tags":[],"class_list":["post-13913","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-arte-2"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v28.3 - 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