{"id":12875,"date":"2016-01-05T00:00:00","date_gmt":"2016-01-05T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/uncategorized\/narciso\/"},"modified":"2026-08-31T21:52:48","modified_gmt":"2026-08-31T21:52:48","slug":"narciso","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/historia-geral\/narciso\/","title":{"rendered":"Narciso"},"content":{"rendered":"\n<p>O mito de <strong>Narciso<\/strong> \u00e9 um dos mitos gregos mais conhecidos,      devido \u00e0 sua singularidade e moral.<\/p>\n   \n<p><strong>Narciso<\/strong>, na mitologia grega, filho do deus do rio Cephissus      e da ninfa Liriope. <\/p>\n   \n<p>Ele foi distinguido pela sua beleza.<\/p>\n   \n<h4>Lenda de <strong>Narciso<\/strong><\/h4>\n   \n<p>Lenda de <strong>Narciso<\/strong>, surgida provavelmente da supersti\u00e7\u00e3o grega      segundo a qual contemplar a pr\u00f3pria imagem prenunciava m\u00e1 sorte, possui um      simbolismo que fez dela uma das mais duradouras da mitologia grega.<\/p>\n   \n<p class=\"imagem\"><strong><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/narcis22.jpg\" alt=\"Narciso\" title=\"Narciso\" \/><br \/>\n     Narciso<\/strong><\/p>\n   \n<p><strong>Narciso<\/strong> era um jovem de singular beleza, filho do deus-rio      Cefiso e da ninfa Lir\u00edope. <\/p>\n   \n<p>No dia de seu nascimento, o adivinho Tir\u00e9sias vaticinou que <strong>Narciso<\/strong>      teria vida longa desde que jamais contemplasse a pr\u00f3pria figura.<\/p>\n   \n<p>Indiferente aos sentimentos alheios, <strong>Narciso<\/strong> desprezou o      amor da ninfa Eco &#8211; segundo outras fontes, do jovem Amantis &#8211; e seu ego\u00edsmo      provocou o castigo dos deuses. <\/p>\n   \n<p>Ao observar o reflexo de seu rosto nas \u00e1guas de uma fonte, apaixonou-se pela      pr\u00f3pria imagem e ficou a contempl\u00e1-la at\u00e9 consumir-se. A flor conhecida pelo      nome de <strong>Narciso<\/strong> nasceu, ent\u00e3o, no lugar onde morrera. <\/p>\n   \n<p>Em outra vers\u00e3o da lenda, <strong>Narciso<\/strong> contemplava a pr\u00f3pria      imagem para recordar os tra\u00e7os da irm\u00e3 g\u00eamea, morta tragicamente.<\/p>\n   \n<p>Foi, no entanto, a vers\u00e3o tradicional, reproduzida no essencial por Ov\u00eddio      em Metamorfoses, que se transmitiu \u00e0 cultura ocidental por interm\u00e9dio dos      autores renascentistas. <\/p>\n   \n<p>Na psiquiatria e particularmente na psican\u00e1lise, o termo <strong>narcisismo<\/strong>      designa a condi\u00e7\u00e3o m\u00f3rbida do indiv\u00edduo que tem interesse exagerado pelo pr\u00f3prio      corpo.<\/p>\n   \n<h4>Hist\u00f3ria<\/h4>\n   \n<p><strong>Narciso<\/strong>, antes de ser uma personagem da mitologia grega,      era simplesmente um rapaz escorreito, n\u00e3o se pode negar; tinha uma cara de      pr\u00edncipe de conto de fadas, usava o cabelo comprido ou curto conforme a ocasi\u00e3o,      vestia com gosto e maquilhava-se s\u00f3 com produtos naturais, absolutamente naturais.<\/p>\n   \n<p>Numa ter\u00e7a-feira (ou quinta. tanto d\u00e1) acabava de dispor-se para sair, talvez      para ir ao teatro (porque ainda n\u00e3o se tinha inventado o cinema) ou talvez      a uma festa. Tinha revitalizado os seus l\u00e1bios com cereja vermelha, branqueado      o seu rosto e penteado o seu cabelo.<\/p>\n   \n<p><strong>Viu-se ao espelho (o reflexo da \u00e1gua num lago, pois tudo era natural)      e contemplou-se com satisfa\u00e7\u00e3o e disse para si mesmo: <\/strong>&#8220;sou mesmo      perfeito&#8221;.<\/p>\n   \n<p>Ent\u00e3o Zeus, o deus grego, reparando com quanto deleite <strong>Narciso<\/strong>      contemplava a sua pr\u00f3pria figura, infundiu-lhe um amor desmedido pelo seu      pr\u00f3prio eu. <\/p>\n   \n<p><strong>Narciso<\/strong> enamorou-se perdidamente por si mesmo. E quis alcan\u00e7ar      a sua imagem atirando-se ao tanque, onde morreu infeliz por n\u00e3o se poder possuir.<\/p>\n   \n<p>Esta hist\u00f3ria da mitologia grega, parece-se com a hist\u00f3ria dos rapazes que      gastam tardes inteiras no gin\u00e1sio a contemplar os seus b\u00edceps ou das raparigas      que n\u00e3o se poupam jornadas esgotantes de gin\u00e1stica r\u00edtmica. &#8220;Sou mesmo      perfeito&#8221; ouvimo-los pensar quando nos sal\u00f5es se p\u00f5em diante dos espelhos      depois de &#8220;treinarem&#8221;, olhando, por diante ou atr\u00e1s o abd\u00f3men dividido      em quatro ou seis ret\u00e2ngulos, os m\u00fasculos dorsais, fazem for\u00e7a para perfilar      melhor os b\u00edceps, os peitorais, etc.<\/p>\n   \n<p>Se fores a um gin\u00e1sio podes ver que sempre h\u00e1 um sal\u00e3o com espelhos onde      certamente haver\u00e1 &#8220;teens&#8221; e n\u00e3o t\u00e3o &#8220;teens&#8221; a avaliar      a musculatura dos seus corpos. <\/p>\n   \n<p>&#8220;Com o suor cut\u00e2neo a silhueta dos m\u00fasculos fica mais definida \u0085&#8221;,      \u00e9 o que dir\u00e3o.<\/p>\n   \n<p><strong>Mas narciso n\u00e3o s\u00f3 \u00e9 o rapaz ou a rapariga que vivem para a figura      do seu corpo:<\/strong> h\u00e1 alguns mais refinados, desde os que transmutam o      rosto com cosm\u00e9ticos, at\u00e9 aos que al\u00e9m de dietas, roupas e modas, se penteiam      com m\u00e9todos sofisticad\u00edssimos.<\/p>\n   \n<p>A <strong>Narciso<\/strong> a morte apanhou-o num tanque. E eu pergunto-me,      onde \u00e9 que a morte apanha os narcisos de hoje, que consomem a sua vida no      culto id\u00f3latra da sua figura; a sobredosse, excesso de hormonas, e eis os      que ficam &#8220;tesos&#8221; com a cirurgia pl\u00e1stica , etc. &#8220;N\u00e3o, eu s\u00f3      fa\u00e7o exerc\u00edcio&#8221; diz algum rapaz frequentador do gin\u00e1sio \u0085<\/p>\n   \n<p>Viver para o corpo \u00e9 como morte em vida, pois n\u00e3o vives para ti mesmo nem      para os outros, mas para a figura do teu corpo. Sem necessidade de falar da      doutrina cat\u00f3lica e de que o culto do corpo constitui uma forma de idolatria,      um elementar sentido humano adverte-nos contra essas formas de pervers\u00e3o.<\/p>\n   \n<p>O meu corpo n\u00e3o me pertence porque n\u00e3o \u00e9 uma coisa que se possua, tamb\u00e9m      o meu corpo \u00e9 a minha casa, como dizia a propaganda sem bases filos\u00f3ficas.    <\/p>\n   \n<p><strong>O meu corpo \u00e9 parte da minha humanidade:<\/strong> sou eu mesmo com      a minha alma numa uni\u00e3o indivis\u00edvel.<\/p>\n   \n<p>Ao dar aten\u00e7\u00e3o desmedida ao meu corpo, em certo sentido estou a trat\u00e1-lo      como um objeto que possuo. E n\u00e3o \u00e9 que n\u00e3o deva atender o meu corpo, dizendo      melhor, cuidar e atender-me a mim mesmo e por isso mesmo, como parte insepar\u00e1vel      do meu ser, aplicar-me ao cuidado do meu corpo. <\/p>\n   \n<p><strong>O gin\u00e1sio e os aerobics s\u00e3o bons:<\/strong> s\u00e3o sa\u00fade. Mas n\u00e3o s\u00e3o      um fim em si mesmo.<\/p>\n   \n<p>Da pr\u00f3xima vez que fores ao gin\u00e1sio, procura n\u00e3o olhar-te ao espelho. Faz      exerc\u00edcio f\u00edsico que te ajude a manter a mente desempoeirada e o esp\u00edrito      aberto. <\/p>\n   \n<p><strong>Como dizia o s\u00e1bio pensamento latino:<\/strong> Orandum ut sit, mens      sana in corpore sano; quer dizer, &#8220;h\u00e1 que fazer ora\u00e7\u00e3o para ter uma mente      s\u00e3 num corpo s\u00e3o&#8221;.<\/p>\n   \n<p>N\u00e3o esque\u00e7as a senten\u00e7a completa porque o homem \u00e9 uma unidade de esp\u00edrito      e corpo. <\/p>\n   \n<p><strong>E o homem n\u00e3o ter\u00e1 s\u00e3o o quinto andar, se o seu esp\u00edrito e o seu      corpo carecem de harmonia; quer dizer, se n\u00e3o est\u00e1 em paz com Deus, com os      outros e consigo mesmo: <\/strong>Orandum ut sit, mens sana in corpore sano.<\/p>\n   \n<p>Fonte:  www.nomismatike.hpg.ig.com.br\/paginaseducacao.no.sapo.pt<\/p>\n   \n<h6>Narciso<\/h6>\n    \n<p class=\"google\">  <\/p>\n     \n<h4>Quem foi<\/h4>\n   \n<p><strong>Narciso<\/strong> nasceu possuidor de uma beleza excepcional.      Na cultura grega, assim como em tantas outras, tudo o que excede, isto \u00e9,      que ultrapassa os limites da m\u00e9dia, acaba se tornando assustador, porque pode      arrastar o indiv\u00edduo para a &#8220;h\u00fdbris&#8221;, que para os gregos \u00e9 o descomedimento,      muito distante do &#8220;m\u00e9tron&#8221;, o equil\u00edbrio.<\/p>\n   \n<p>A m\u00e3e de <strong>Narciso<\/strong>, chamada Lir\u00edope, era uma      n\u00e1iade ou ninfa que habita rios e riachos. Foi ela \u00e0 procura de Tir\u00e9sias,      um cego adivinho que possu\u00eda a arte da &#8220;mant\u00e9ia&#8221;, ou seja, a capacidade      de ver o futuro. <\/p>\n   \n<p><strong>Ela perguntou se Narciso viveria at\u00e9 ficar velho, ao      que o s\u00e1bio respondeu: <\/strong>&#8220;Se ele n\u00e3o se vir\u0085&#8221;. O pai      de Narciso era o rio Cefiso (K\u00e9phisos, o que banha, inunda). Assim, embora      mortal, Narciso era um ser proveniente das \u00e1guas por parte de pai e de m\u00e3e.<\/p>\n   \n<p>Conforme sua m\u00e3e temera, <strong>Narciso<\/strong> foi assediado      por todas as ninfas e mortais que o viram. Mal ele crescera e havia uma profus\u00e3o      de mulheres apaixonadas por ele, deslumbradas com a sua beleza extasiante.      Por\u00e9m, n\u00e3o se sabia exatatamente o porqu\u00ea, ele nada queria saber delas. Talvez      n\u00e3o se sentisse ainda pronto para um relacionamento, ou, talvez, de tanto      ouvir louvarem sua beleza, ficou orgulhoso e passou a desprezar as mulheres      que o procuravam.<\/p>\n   \n<p>Havia uma ninfa que tinha uma hist\u00f3ria muito infeliz. <\/p>\n   \n<p>Seu nome era Eco, e muito antes de ver <strong>Narciso<\/strong>      e se apaixonar por ele, era uma mo\u00e7a falante \u0097 ela simplesmente falava      sem parar. <\/p>\n   \n<p>Zeus, o pai dos deuses gregoschamasse a aten\u00e7\u00e3o, mandou , sempre      buscando um modo de enganar a sua esposa Hera, para que pudesse se deitar      com qualquer ninfa ou mortal que lhe que Eco fizesse companhia a Hera ecostume,      vingou-se na pobre ninfa, , assim, a distra\u00edsse. <\/p>\n   \n<p>Passado algum tempo Hera percebeu a artimanha, e, como era seu      em vez de amaldi\u00e7oar seu maridoarticular uma s\u00f3 frase; ela s\u00f3 podia , que      afinal era o autor da malandragem. Hera fez com que Eco nunca mais conseguisse      repetir as \u00faltimas palavras de qualquer frase que ouvisse.<\/p>\n   \n<p><strong>Aconteceu que, quando Eco j\u00e1 estava apaixonada por Narciso,      ela o seguiu a uma ca\u00e7ada onde, por infelicidade, ele se perdeu dos amigos      e come\u00e7ou a gritar \u00e0 procura:<\/strong> &#8220;Ningu\u00e9m me escuta?&#8221; \u0093Escuta\u0094,      repetiu Eco. Ele por\u00e9m n\u00e3o a via, pois ela se escondera com vergonha de t\u00ea-lo      seguido. <\/p>\n   \n<p><strong>Ent\u00e3o ele gritou aos amigos, pensando terem sido eles      que responderam:<\/strong> &#8220;Vamos nos juntar aqui\u0085&#8221;. <\/p>\n   \n<p><strong>E Eco respondeu:<\/strong> \u0093Vamos nos juntar aqui\u0085\u0094.      E perdendo a timidez, apareceu de bra\u00e7os abertos para ele. Ele, contudo, a      repeliu, dizendo que preferiria a morte a ficar com ela. Eco ficou t\u00e3o triste      e deprimida com a recusa que deixou de se alimentar e foi definhando at\u00e9 se      transformar em um rochedo.<\/p>\n   \n<p><strong>Apenas sua voz permaneceu, e da mesma maneira que estava      ap\u00f3s a maldi\u00e7\u00e3o de Hera: <\/strong>s\u00f3 repetia as \u00faltimas palavras do que era      dito perto dela.<\/p>\n   \n<p>Ent\u00e3o, houve uma revolta das ninfas, que foram procurar N\u00eamesis,      a deusa da Justi\u00e7a. Esta, depois de ouvir suas queixas, julgou que <strong>Narciso<\/strong>      merecia o castigo de ter um amor imposs\u00edvel. <\/p>\n   \n<p>Ignorando o castigo a que estava submetido, e com sede depois      de outra ca\u00e7ada, <strong>Narciso<\/strong> se aproximou de um lago t\u00e3o calmo      e t\u00e3o l\u00edmpido que, ao curvar-se sobre as \u00e1guas para beber, se deparou com      sua imagem refletida e ficou pasmo diante de tanta beleza. O<\/p>\n   \n<p>rosto que via parecia talhado em m\u00e1rmore e assemelhava-se \u00e0      escultura de um deus. <\/p>\n   \n<p>O pesco\u00e7o esguio parecia trabalhado em marfim.<\/p>\n   \n<p>A princ\u00edpio n\u00e3o teria se dado conta de que aquela era a sua      pr\u00f3pria imagem. <\/p>\n   \n<p><strong>Nunca tinha se visto, como poderia se &#8220;re-conhecer&#8221;      de imediato? <\/strong><\/p>\n   \n<p>Mas t\u00e3o apaixonado ficou que tentou tocar aquele rosto, fosse      de quem fosse e, qual n\u00e3o foi sua surpresa quando percebeu que seus movimentos      se repetiam tamb\u00e9m nas \u00e1guas! S\u00f3 ent\u00e3o concluiu que aquele era o seu rosto,      t\u00e3o maravilhoso que n\u00e3o conseguiu mais tirar os olhos de seu reflexo. <\/p>\n   \n<p><strong>Narciso<\/strong> morreu ali mesmo, de inani\u00e7\u00e3o, sem      conseguir afastar os olhos da pr\u00f3pria imagem. <\/p>\n   \n<p>Quando, depois de sua morte, amigos foram procur\u00e1-lo, s\u00f3 encontraram      \u00e0 beira do lago uma flor de p\u00e9talas brancas e miolo amarelo, muito delicada,      de rara beleza e de um perfume inebriante, a qual deram o nome de <strong>narciso<\/strong>.<\/p>\n   \n<p>Depois, ficou-se sabendo que, at\u00e9 no Hades (mundo subterr\u00e2neo      para onde v\u00e3o as almas dos mortos), ainda hoje ele procura ver seu reflexo      nas escuras \u00e1guas do rio Estige.<\/p>\n   \n<h4>Eco e Narciso<\/h4>\n   \n<p>Certa vez havia um jovem chamado <strong>Narciso<\/strong>, t\u00e3o belo que muitas      virgens donzelas e jovens homens apaixonaram-se por ele. <\/p>\n   \n<p>Mas <strong>Narciso<\/strong> em nada se envolveria com os comuns. Ele acreditava      estar acima de todos os outros e os rejeitava cruelmente.<\/p>\n   \n<p>Um jovem, tendo sido t\u00e3o maltratado, pediu \u00e0 Deusa da Vingan\u00e7a, Nemesis,      que <strong>Narciso<\/strong> conhecesse a dor do amor n\u00e3o correspondido. <\/p>\n   \n<p>Nemesis acolheu o pedido e aprovou, e ent\u00e3o ficou decidido que <strong>Narciso<\/strong>      conheceria a dor que causava aos outros.<\/p>\n   \n<p>Enquanto isso, o Deus J\u00fapiter passava o dia a deleitar-se com as Ninfas.      Certa vez, quando julgou estar sua esposa, Juno, aproximando-se, enviou uma      das Ninfas, Eco, para cruzar o caminho de sua esposa a falar-lhe at\u00e9 que J\u00fapiter      tivesse tempo de escapar, de forma que ele n\u00e3o foi pego. Mas Juno percebeu      o que havia acontecido e ficou furiosa. Ela jurou que Eco n\u00e3o mais falaria      distraindo-a novamente, e tirou a fala da Ninfa, de maneira que ela apenas      repetiria as \u00faltimas palavras ditas por algu\u00e9m.<\/p>\n   \n<p>Um dia, <strong>Narciso<\/strong> estava ca\u00e7ando com seus amigos e acabou      por separar-se deles. Ele desviou-se para uma clareira onde havia um cintilante      lago. Eco encontrava-se sentada pr\u00f3xima ao lago e o avistou, apaixonou-se      imediatamente. <\/p>\n   \n<p><strong>Narciso<\/strong> ent\u00e3o gritou para a clareira, &#8220;H\u00e1 mais algu\u00e9m      aqui?&#8221; e Eco respondeu, &#8220;Aqui!&#8221;. &#8220;Vamos nos conhecer!&#8221;,      replicou Narciso. Eco alegremente respondeu, &#8220;Vamos nos conhecer!&#8221;,      e em seguida correu em dire\u00e7\u00e3o a Narciso. Mas quando ela tentou abra\u00e7\u00e1-lo,      ele recuou com repugn\u00e2ncia e disse-lhe numa linguagem \u00e1spera que nada queria      com ela. Entristecida, Eco fugiu para uma caverna onde desejou Narciso at\u00e9      a exaust\u00e3o, quando, j\u00e1 exaurida, apenas sua voz remanesceu.<\/p>\n   \n<p>Afrodite, j\u00e1 alertada por Nemesis, indignou-se com o desd\u00e9m de <strong>Narciso<\/strong>      para com o amor da Ninfa e decidiu puni-lo. <\/p>\n   \n<p>Assim, quando <strong>Narciso<\/strong> foi novamente ao lago para refrescar-se,      debru\u00e7ou-se sobre as \u00e1guas resplandecentes e viu um belo jovem sob ele. Ele      nunca houvera visto seu pr\u00f3prio reflexo, e n\u00e3o fazia id\u00e9ia que aquele jovem      era ele mesmo. Apaixonou-se imediatamente pelo rapaz do lago e pensou ser      rec\u00edproco o seu sentimento. Assim que ele sorriu, o rapaz tamb\u00e9m sorriu para      ele. Quando ele tentou alcan\u00e7ar o jovem, os bra\u00e7os refletidos estenderam-se      em sua dire\u00e7\u00e3o. Mas quando tentou toca-los, as \u00e1guas ondularam-se e a imagem      desapareceu. Ele chorou e lamentou at\u00e9 perceber que se apaixonara por seu      pr\u00f3prio reflexo. Mas j\u00e1 era tarde. Ele estava t\u00e3o profundamente apaixonado      que tudo o que podia fazer era ficar onde estava olhado para si mesmo at\u00e9      o esgotamento.<\/p>\n   \n<p>Exausto, <strong>Narciso<\/strong> caiu no lago. Quando ele morreu, muitos      ficaram de luto, ningu\u00e9m tanto quanto Eco, que, agora sendo apenas uma voz      na caverna, calorosamente repetia as lamenta\u00e7\u00f5es dos outros. Quando ele finalmente      sucumbiu, nada remaneceu, apenas uma linda flor branca e ouro. <\/p>\n   \n<h4>O mito grego de Eco e Narciso<\/h4>\n   \n<p>&#8220;Eco era uma bela ninfa, amante dos bosques e dos montes, onde se dedicava      a distra\u00e7\u00f5es campestres. Era favorita de Diana e acompanhava-a em suas ca\u00e7adas.<\/p>\n   \n<p><strong>Tinha um defeito, por\u00e9m:<\/strong> falava de mais e, em qualquer conversa      ou discuss\u00e3o, queria sempre dizer a \u00faltima palavra.<\/p>\n   \n<p>Certo dia, Juno saiu \u00e0 procura do marido, de quem desconfiava, com raz\u00e3o      que estivese se divertindo entre as ninfas. <\/p>\n   \n<p>Eco, com sua conversa, conseguiu entreter a deusa, at\u00e9 as ninfas fugirem.<\/p>\n   \n<p><strong>Percebendo isto, Juno a condenou com estas palavras:<\/strong><\/p>\n   \n<blockquote>      \n<p>&#8211; S\u00f3 conservar\u00e1s o uso dessa l\u00edngua com que me iludiste para uma coisa        de que gostas tanto: responder. Continuar\u00e1s a dizer a \u00faltima palavra, mas        n\u00e3o poder\u00e1s falar em primeiro lugar.<\/p>\n   <\/blockquote>\n   \n<p>A ninfa viu <strong>Narciso<\/strong>, um belo jovem, que perseguia a ca\u00e7a      na montanha. Apaixonou-se por ele e seguiu-lhe os passos. Quanto desejava      dirigir-lhe a palavra, dizer-lhe frases gentis e conquistar-lhe o afeto! Isso      estava fora de seu poder, contudo. Esperou, com impaci\u00eancia, que ele falasse      primeiro, a fim de que pudesse responder. <\/p>\n   \n<p><strong>Certo dia, o jovem, tendo se separado dos companheiros, gritou bem      alto:<\/strong><\/p>\n   \n<blockquote>      \n<p>&#8211; H\u00e1 algu\u00e9m aqui?<br \/>\n       &#8211; Aqui &#8211; respondeu Eco.<\/p>\n   <\/blockquote>\n   \n<p><strong>Narciso olhou em torno e, n\u00e3o vendo ningu\u00e9m, gritou:<\/strong><\/p>\n   \n<blockquote>      \n<p>&#8211; Vem!<br \/>\n       &#8211; Vem! &#8211; respondeu Eco.<br \/>\n       &#8211; Por que foges de mim? &#8211; perguntou Narciso<\/p>\n   <\/blockquote>\n   \n<p>Eco respondeu com a mesma pergunta.<\/p>\n   \n<blockquote>      \n<p>&#8211; Vamos nos juntar &#8211; disse o jovem.<\/p>\n   <\/blockquote>\n   \n<p>A donzela repetiu, com todo o ardor, as mesmas palavras e correu para junto      de <strong>Narciso<\/strong>, pronta a se lan\u00e7ar em seus bra\u00e7os.<\/p>\n   \n<blockquote>      \n<p>&#8211; Afasta-te! &#8211; exclamou o jovem, recuando. &#8211; Prefiro morrer a te deixar        possuir-me.<br \/>\n       &#8211; Possuir-me &#8211; disse Eco.<\/p>\n   <\/blockquote>\n   \n<p>Mas foi tudo em v\u00e3o. <strong>Narciso<\/strong> fugiu e ela foi esconder sua      vergonha no recesso dos bosques. Daquele dia em diante, passou a viver nas      cavernas e entre os rochedos das montanhas. De pesar, seu corpo definhou,      at\u00e9 que as carnes desapareceram inteiramente. Os ossos transformaram-se em      rochedos e nada mais dela restou al\u00e9m da voz. E, assim, ela ainda continua      disposta a responder a quem quer que a chame e conserva o velho h\u00e1bito de      dizer a \u00faltima palavra.<\/p>\n   \n<p>A crueldade de <strong>Narciso<\/strong> nesse caso n\u00e3o constituiu uma exce\u00e7\u00e3o.      Ele desprezou todas as ninfas, como havia desprezado a pobre Eco. Certo dia,      uma donzela que tentara em v\u00e3o atra\u00ed-lo implorou aos deuses que ele viesse      algum dia a saber o que \u00e9 o amor e n\u00e3o ser correspondido. A deusa da vingan\u00e7a      (N\u00eamesis) ouviu a prece e atendeu-a.<\/p>\n   \n<p>Havia uma fonte clara, cuja \u00e1gua parecia de prata, \u00e0 qual os pastores jamais      levavam os rebanhos, nem as cabras monteses freq\u00fcentavam, nem qualquer um      dos animais da floresta. Tmab\u00e9m n\u00e3o era a \u00e1gua enfeada por folhas ou galhos      ca\u00eddos das \u00e1rvores; a relva crescia vi\u00e7osa em torno dela, e os rochedos a      abrigavam do sol. <\/p>\n   \n<p>Ali chegou um dia <strong>Narciso<\/strong>, fatigado da ca\u00e7a, e sentindo      muito calor e muita sede. Debru\u00e7ou-se para desalterar-se, viu a pr\u00f3pria imagem      refletida e pensou que fosse algum belo esp\u00edrito das \u00e1guas que ali vivesse.      Ficou olhando com admira\u00e7\u00e3o para os olhos brilhantes, para os cabelos anelados      como os de Baco ou de Apolo, o rosto oval, o pesco\u00e7o de marfim, os l\u00e1bios      entreabertos e o aspecto saud\u00e1vel e animado do conjunto. Apaixonou-se por      si mesmo. Baixou os l\u00e1bios, para dar um beijo e mergulhou os bra\u00e7os na \u00e1gua      para abra\u00e7ar a bela imagem. <\/p>\n   \n<p>Esta fugiu com o contato, mas voltou um momento depois, renovando a fascina\u00e7\u00e3o.    <\/p>\n   \n<p><strong>Narciso<\/strong> n\u00e3o p\u00f4de mais conter-se. Esqueceu-se de todo da      id\u00e9ia de alimento ou repouso, enquanto se debru\u00e7ava sobre a fonte, para contemplar      a pr\u00f3pria imagem.<\/p>\n   \n<blockquote>      \n<p>&#8211; Por que me desprezas, belo ser? &#8211; perguntou ao suposto esp\u00edrito.<br \/>\n       &#8211; Meu rosto n\u00e3o pode causar-te repugn\u00e2ncia. As ninfas me amam e tu<br \/>\n       mesmo n\u00e3o parece olhar-me com indiferen\u00e7a. Quando estendo os bra\u00e7os, fazes        o mesmo, e sorris quando te sorrio, e respondes com acenos aos meus acenos.<\/p>\n   <\/blockquote>\n   \n<p>Suas l\u00e1grimas cairam na \u00e1gua, turbando a imagem. <\/p>\n   \n<p><strong>E, ao v\u00ea-la partir, Narciso exclamou:<\/strong><\/p>\n   \n<blockquote>      \n<p>&#8211; Fica, pe\u00e7o-te! Deixa-me, pelo menos, olhar-te, j\u00e1 que n\u00e3o posso tocar-te.<\/p>\n   <\/blockquote>\n   \n<p>Com estas palavras, e muitas outras semelhantes, ati\u00e7ava a chama que o consumia,      e, assim, pouco a pouco, foi perdendo as cores, o vigor e a beleza que tanto      encantara a ninfa Eco. <\/p>\n   \n<p><strong>Esta se mantinha perto dele, contudo, e, quando Narciso gritava:<\/strong>      &#8220;Ai, ai&#8221;, ela respondia com as mesmas palavras. O jovem, depauperado,      morreu. E, quando sua sombra atravessou o Estige, debru\u00e7ou-se sobre o barco,      para avistar-se na \u00e1gua.<\/p>\n   \n<p>As ninfas o choraram, especialmente as ninfas da \u00e1gua. E, quando esmurravam      o peito, Eco fazia o mesmo. Prepararam uma pira funer\u00e1ria, e teriam cremado      o coprpo, se o tivessem encontrado; em seu lugar, por\u00e9m, s\u00f3 foi achada uma      flor, roxa, rodeada de folhas brancas, que tem o nome e conserva a mem\u00f3ria      de <strong>Narciso<\/strong>.<\/p>\n   \n<p>Milton faz alus\u00e3o \u00e0 hist\u00f3ria de Eco e <strong>Narciso<\/strong>, na can\u00e7\u00e3o      da Dama, do poema &#8220;Comus&#8221;. <\/p>\n   \n<p><strong>A Dama, procurando os irm\u00e3os na floresta, canta, para atrair-lhes      a aten\u00e7\u00e3o:<\/strong><\/p>\n   \n<blockquote>      \n<p>\u00d3 Eco, doce ninfa que, invis\u00edvel,<br \/>\n       Vives nas verdes margens do Meandro<br \/>\n       E no vale coberto de violetas,<br \/>\n       Onde ao luar o rouxinol te embala,<br \/>\n       Com seu canto nost\u00e1lgico e suave,<br \/>\n       Dois jovens tu n\u00e3o viste, por acaso,<br \/>\n       Bem semelhantes, Eco, ao teu Narciso?<br \/>\n       Se, em alguma gruta os escondeste,<br \/>\n       Dize-me, \u00f3 ninfa, onde essa gruta est\u00e1<br \/>\n       E, em recompensa, subir\u00e1s ao c\u00e9u.<br \/>\n       E mais gra\u00e7a dar\u00e1s, \u00f3 bela ninfa,<br \/>\n       \u00c0 Celeste harmonia em seu conjunto!<\/p>\n   <\/blockquote>\n   \n<p><strong>Al\u00e9m disso, Milton imitou a hist\u00f3ria de Narciso na descri\u00e7\u00e3o, que      p\u00f5e na boca de Eva, acerca de sua impress\u00e3o, ao ver-se, pela primeira vez,      refletida na fonte:<\/strong><\/p>\n   \n<blockquote>      \n<p>Muitas vezes relembro aquele dia<br \/>\n       Em que fui despertada a vez primeira<br \/>\n       Do meu sono profundo. Sob as folhas<br \/>\n       E as flores, muitas vezes meditei:<br \/>\n       Quem era eu? Aonde ia? De onde vinha?<br \/>\n       N\u00e3o distante de mim, doce ru\u00eddo<br \/>\n       De \u00e1gua corrente vinha. De uma gruta<br \/>\n       Sa\u00eda a linfa e logo se espalhava<br \/>\n       Em l\u00edquida plan\u00edcie, t\u00e3o tranq\u00fcila<br \/>\n       Que outro c\u00e9u tranq\u00fcilo parecia.<br \/>\n       Com o esp\u00edrito incerto caminhei e fui<br \/>\n       Na verde margem repousar do lago<br \/>\n       E contemplar de perto as claras \u00e1guas<br \/>\n       Que eram, aos meus olhos, novo firmamento.<br \/>\n       Ao debru\u00e7ar-me sobre o lago, um vulto<br \/>\n       Bem em frente de mim apareceu<br \/>\n       Curvado para olhar-me. Recuei<br \/>\n       E a imagem recuou, por sua vez.<br \/>\n       Deleitada, por\u00e9m, como que avistava<br \/>\n       Novamente eu olhei. Tamb\u00e9m a imagem<br \/>\n       Dentro das \u00e1guas para mim olhou,<br \/>\n       T\u00e3o deleitada quanto eu, ao ver-me.<br \/>\n       Fascinada, prendi na imagem os olhos<br \/>\n       E, dominada por um v\u00e3o desejo,<br \/>\n       Mais tempo ficaria, se uma voz<br \/>\n       N\u00e3o se fizesse ouvir, advertindo-me:<br \/>\n       &#8220;\u00c9s tu mesma que v\u00eas, linda ciatura.&#8221;<\/p>\n   <\/blockquote>\n   \n<p>Fonte:  amadeudeprado.wordpress.com\/www.facom.ufba.br<\/p>\n   \n<h6>Narciso<\/h6>\n   \n<h4>Narciso, a paix\u00e3o por si mesmo<\/h4>\n   \n<p><strong>Narciso<\/strong>, um jovem de extrema beleza, era filho do deus-rio      Cephisus e da ninfa Liriope. <\/p>\n   \n<p>No entanto, apesar de atrair e despertar cobi\u00e7a nas ninfas e donzelas, <strong>Narciso<\/strong>      preferia viver s\u00f3, pois n\u00e3o havia encontrado ningu\u00e9m que julgasse merecer      seu amor. E foi o seu desprezo pelos outros que o derrotou.<\/p>\n   \n<p>Quando <strong>Narciso<\/strong> nasceu, sua m\u00e3e consultou o adivinho Tir\u00e9sias      que lhe predisse que <strong>Narciso<\/strong> viveria muitos anos desde que      nunca conhecesse a si mesmo. <\/p>\n   \n<p><strong>Narciso<\/strong> cresceu tornando-se cada vez mais belo e todas as      mo\u00e7as e ninfas queriam seu amor, mas ele desprezava a todas. <\/p>\n   \n<p>Certo dia, enquanto <strong>Narciso<\/strong> descansava sob as sombras do      bosque, a ninfa Eco se apaixonou por ele. <\/p>\n   \n<p><strong>Por\u00e9m tendo-a rejeitado, as ninfas jogaram-lhe uma maldi\u00e7\u00e3o: <\/strong><\/p>\n   \n<blockquote>      \n<p>&#8211; Que Narciso ame com a mesma intensidade, sem poder possuir a pessoa amada.        N\u00eamesis, a divindade punidora, escutou e atendeu ao pedido.<\/p>\n   <\/blockquote>\n   \n<p>Naquela regi\u00e3o havia uma fonte l\u00edmpida de \u00e1guas cristalinas da qual ningu\u00e9m      havia se aproximado. Ao se inclinar para beber \u00e1gua da fonte, <strong>Narciso<\/strong>      viu sua pr\u00f3pria imagem refletida e encantou-se com sua vis\u00e3o. <\/p>\n   \n<p>Fascinado, <strong>Narciso<\/strong> ficou a contemplar o lindo rosto, com      aqueles belos olhos e a beleza dos l\u00e1bios, apaixonou-se pela imagem sem saber      que era a sua pr\u00f3pria imagem refletida no espelho das \u00e1guas.<\/p>\n   \n<p>Por v\u00e1rias vezes <strong>Narciso<\/strong> tentou alcan\u00e7ar aquela imagem dentro      da \u00e1gua mas inutilmente; n\u00e3o conseguia reter com um abra\u00e7o aquele ser encantador.    <\/p>\n   \n<p>Esgotado, <strong>Narciso<\/strong> deitou na relva e aos poucos seu corpo      foi desaparecendo. No seu lugar, surgiu uma flor amarela com p\u00e9talas brancas      no centro que passou a se chamar, <strong>Narciso<\/strong>.<\/p>\n   \n<p>Na cultura grega e em muitas outras, tudo o que excedia e estivesse acima      dos limites e da medida (m\u00e9tron) acabava se transformando em algo assustador      porque poderia levar \u00e0 hybris, que \u00e9 descomendimento e desequilibrio. O excesso      de beleza n\u00e3o era bem aceito pois somente aos deuses era permitido o exagero,      e a excessiva beleza de <strong>Narciso<\/strong> desafiava a supremacia dos      deuses.<\/p>\n   \n<p>O mito de <strong>narciso<\/strong> parece uma triste hist\u00f3ria infantil para      ensinar \u00e0s crian\u00e7as a n\u00e3o serem egoistas, que pensem nos outros, que n\u00e3o sejam      presun\u00e7osas, por\u00e9m encerra uma verdade profunda e atual. <\/p>\n   \n<p>Os mitos n\u00e3o s\u00e3o tolos, e por mais que tent\u00e1ssemos dizer que sabemos a moral      da hist\u00f3ria, o mito de <strong>Narciso<\/strong> est\u00e1 presente em todos n\u00f3s.<\/p>\n   \n<p><strong>Narciso<\/strong> foi transformado numa flor e a ela s\u00e3o creditadas      propriedades entorpecentes devido a subst\u00e2ncias qu\u00edmicas que exalam. Os Narcisos      plantados nos tumulos simbolizavam a morte apenas como um sono, que floresceria      na primavera. <\/p>\n   \n<p>O narcisismo, que tem o seu nome derivado de <strong>Narciso<\/strong>, ambos      derivam da palavra grega narke, entorpecido, de onde tamb\u00e9m vem a palavra      narc\u00f3tico. <\/p>\n   \n<p>Assim, para os gregos, <strong>Narciso<\/strong> simbolizava a vaidade e a      insensibilidade, pois <strong>Narciso<\/strong> era emocionalmente entorpecido      \u00e0s solicita\u00e7\u00f5es daqueles que se apaixonaram pela sua beleza.<\/p>\n   \n<p>O mito de <strong>Narciso<\/strong> leva ao tema da transitoriedade da beleza      e dos la\u00e7os que unem o narcisismo \u00e0 inveja e \u00e0 morte. O dilema do narcisismo      \u00e9 resumido naquele que est\u00e1 condenado a permanecer prisioneiro do mundo das      sombras, do seu amor por si mesmo ou libertar-se atrav\u00e9s do autoconhecimento      e da capacidade de conhecer os outros, mas o pre\u00e7o \u00e9 a morte simb\u00f3lica do      ego, para que possa nascer novamente para um novo Eu superior, profundo e      sagrado, que em si oculta.<\/p>\n   \n<p><strong>Narciso<\/strong> morre porque olha s\u00f3 para si mesmo, esse \u00e9 o perigo      de quem dedica toda vida a satisfazer necessidades que n\u00e3o atendem ao verdadeiro      anseio humano de se realizar. <\/p>\n   \n<p>Eco morre porque s\u00f3 olha <strong>narciso<\/strong>, esse \u00e9 o perigo de projetar      no outro a nossa raz\u00e3o de viver.<\/p>\n   \n<p><strong>Narciso<\/strong> simboliza a capacidade de olharmos para n\u00f3s mesmos;      Eco simboliza a capacidade de olhar o outro. \u00c9 o olhar em si que encontra      o outro; \u00e9 o olhar no outro que encontra a si mesmo.<\/p>\n   \n<p>Embora o narcisista pense apenas em si, nunca poder\u00e1 conhecer a si mesmo      se n\u00e3o tiver uma posi\u00e7\u00e3o exterior para se ver como realmente \u00e9.<\/p>\n   \n<p><strong>Narciso<\/strong> \u00e9 incapaz de ver o efeito que provoca nos outros;      sabe que atrai aduladores e admiradores e Eco transforma-se no espelho do      negligente <strong>Narciso<\/strong>. Ele se julga intoc\u00e1vel; ela alimenta      o desejo de estar em seus bra\u00e7os.<\/p>\n   \n<p>Eco \u00e9 a repeti\u00e7\u00e3o das ideias conhecidas sempre hostil ao novo. <\/p>\n   \n<p>Ao se apaixonar por <strong>Narciso<\/strong>, Eco repetiu&#8230; repetiu&#8230; e      foi perdendo for\u00e7a, impedida de viver e amar. Eco se refugiou nas grutas,      assim como a mente que teima em repetir perdendo quotas do que \u00e9 novo em suas      vidas. O presente \u00e9 a \u00fanica inst\u00e2ncia onde a vida se processa; o futuro ainda      n\u00e3o existe e o passado \u00e9 repeti\u00e7\u00e3o, um eco. O presente \u00e9 a medida do novo      e trazer Eco para o presente \u00e9 faz\u00ea-lo mais velho, embora ainda pare\u00e7a novo.<\/p>\n   \n<p>Com seu egoismo implac\u00e1vel, <strong>Narciso<\/strong> pensa s\u00f3 em s\u00ed pr\u00f3prio      e Eco s\u00f3 pensa em <strong>Narciso<\/strong>, ent\u00e3o sua autoestima permanece      fr\u00e1gil at\u00e9 a morte. Ele n\u00e3o se identifica com os outros e assim transforma      as vozes na sua propria voz; ela n\u00e3o tem voz pr\u00f3pria, est\u00e1 condenada \u00e0 repeti\u00e7\u00e3o      da imita\u00e7\u00e3o. Enquanto ela agarra-se ao objeto amado, ele mantem-se \u00e0 distancia.      Tir\u00e9sias sabia que para sobrevivermos temos de superar o narcisismo, pois      temos de aceitar que somos transit\u00f3rios e mortais, e s\u00f3 assim seremos capazes      de nos transformar, nossa auto estima estar\u00e1 segura e teremos a beleza interior.<\/p>\n   \n<p>Quando <strong>Narciso<\/strong> v\u00ea o pr\u00f3prio reflexo, nos remete a &#8220;reflectere&#8221;,      de &#8220;re&#8221; novamente e &#8220;flectere&#8221; curvar-se, ou seja, um      retorno que se faz curvando para o passado. Reflex\u00e3o n\u00e3o \u00e9 apenas um ato de      pensar, mas \u00e9 uma atitude de deter-se para procurar lembrar-se de algo que      j\u00e1 foi visto antes e confrontar com o presente. Reflexos e sombras nos espelham      de alguma maneira. Alguns povos ainda hoje n\u00e3o admitem que sua imagem seja      refletida em \u00e1gua, espelho e fotografia; diz-se que a alma poderia ficar retida      no reflexo permanecendo dispon\u00edvel \u00e0s for\u00e7as do mal.<\/p>\n   \n<p>A sombra representa o que n\u00e3o conhecemos de n\u00f3s mesmos mas que podemos ainda      conhecer, tal como as nossas potencialidades que ainda n\u00e3o desenvolvemos.      Tamb\u00e9m faz parte da nossa sombra o que mais detestamos em n\u00f3s mesmos, e por      isso tentamos esquecer ou reprimir de alguma forma. Para negar o que n\u00e3o gostamos      em n\u00f3s mesmos, projetamos nos outros. <\/p>\n   \n<p>Quando refletimos no <strong>Narciso<\/strong> que vive em n\u00f3s, nos confrontamos      com algo sombrio, o medo da sombra, do diferente, do desconhecido, do que      nos incomoda e que n\u00e3o queremos ver no outro.<\/p>\n   \n<p>Nos sentimos mais confort\u00e1veis quando somos admirados e reconhecidos, e precisamos      disso para saber o nosso valor, de que somos importantes para algu\u00e9m. <\/p>\n   \n<p>Assim continuamos procurando e nos apaixonando por nossos reflexos, por nossos      semelhantes e iguais, enquanto tentamos afastar todos aqueles que que n\u00e3o      tem a nossa cor, os nossos costumes, nossa ra\u00e7a, nosso nivel cultural ou poder      economico, e convic\u00e7\u00f5es politicas e religiosas. E enquanto vamos em busca      dos nossos reflexos, ampliamos mais nossa sombra, entorpecemos nossos sentidos.<\/p>\n   \n<p>Para evoluir temos de refletir, aprendendo a lidar com as diferen\u00e7as e conflitos.      Como num espelho, ao interargimos com o outro nos colocamos no lugar dele,      sem perder nossa referencia. E o que mais nos fascina \u00e9 a nossa imagem irreal,      aquela que fazemos de n\u00f3s mesmos. A pessoa fascinada parece estar em transe;      o narcisista quer congelar a juventude e exorcizar a velhice. Idolatra o prazer      e vive no espirito do encanto e da sedu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n   \n<p><strong>O mito de Narciso pode servir de met\u00e1fora para muitos de n\u00f3s, quando      n\u00e3o conseguimos nos olhar com imparcialidade, e o nosso trabalho interior      se torna um meio de projetar a vaidade humana na cantiga do eu sozinho:<\/strong>      eu fa\u00e7o, eu sou, eu quero, eu posso. Narciso morreu embriagado pela propria      beleza e encantamento, e os deuses o transformaram numa flor. A li\u00e7\u00e3o do mito      \u00e9 que o conhecimento s\u00f3 vinga se houver autoconhecimento, de potencialidades      ou limita\u00e7\u00f5es, compartilhando o que sabe, eliminando vaidades que impede de      aproveitar talentos e som\u00e1-los ao conhecimento dos demais. E assim escrever      uma hist\u00f3ria de vida que reflita valores \u00e9ticos, morais espirituais.<\/p>\n   \n<p>O conhecimento mal direcionado s\u00f3 alimenta o individualismo e a necessidade      da ribalta. Quando nos deixamos levar pela excessiva vaidade e orgulho, tornamo-nos      refens de nossa auto imagem. Magnetizado por ela, passamos a usar nossa luz      de forma mesquinha e presos nessa miragem, perdemos a capacidade de irradiar      nossa luz, afastando-nos da essencia, entusiasmamos pelo palco, pelo aplauso      e pelo falso elogio. Somente a dura li\u00e7\u00e3o de cronos, o tempo, mostra-nos a      verdade, muitas vezes, tardiamente.<\/p>\n   \n<p>Se <strong>Narciso<\/strong> se encontra com outro <strong>Narciso<\/strong>      e um deles finge que ao outro admira, para sentir-se admirado, o outro pela      mesma raz\u00e3o finge tamb\u00e9m e ambos acreditam na mentira. <\/p>\n   \n<p>Para <strong>Narciso<\/strong> o olhar do outro, a voz do outro, o corpo \u00e9      sempre o espelho em que ele a pr\u00f3pria imagem mira. <\/p>\n   \n<p><strong>E se o outro \u00e9 como ele outro Narciso, \u00e9 espelho contra espelho:      <\/strong>o olhar que mira reflete o que o admira num jogo multiplicado em      que a mentira de Narciso a Narciso inventa o para\u00edso.<\/p>\n   \n<p>E se amam mentindo no fingimento que \u00e9 necessidade e assim mais verdadeiro      que a verdade. Mas exige o amor fingido, ser sincero o amor que como ele \u00e9      fingimento. E fingem mais os dois com o mesmo esmero com mais e mais cuidado      &#8211; e a mentira se torna desespero. Assim amam-se agora se odiando. <\/p>\n   \n<p><strong>O espelho emba\u00e7ado, j\u00e1 que Narciso em Narciso n\u00e3o se mira:<\/strong>      se torturam, se ferem, n\u00e3o se largam, que o inferno de Narciso, \u00e9 ver que      o admiravam de mentira&#8230;<\/p>\n   \n<p>Fonte:  eventosmitologiagrega.blogspot.com<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Narciso, Mito, Mitologia Grega, Hist\u00f3ria, Eco, Lenda, Jovem, Narcisismo, Beleza, Personagem, Quem foi, Narciso<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":12876,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[57],"tags":[],"class_list":["post-12875","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-historia-geral"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v28.3 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>Narciso - 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