{"id":12760,"date":"2016-01-04T00:00:00","date_gmt":"2016-01-04T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/uncategorized\/historia-da-moeda\/"},"modified":"2016-01-04T00:00:00","modified_gmt":"2016-01-04T00:00:00","slug":"historia-da-moeda","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/historia-geral\/historia-da-moeda\/","title":{"rendered":"Hist\u00f3ria da Moeda"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"ads-cima\"><\/p>\n&nbsp;\n\nMuito cedo, na hist\u00f3ria da humanidade, surgiu a necessidade de um instrumento monet\u00e1rio que servisse como intermedi\u00e1rio nas trocas, como medida e reserva de valor.\n\n<strong>Segundo diferentes \u00e9pocas e regi\u00f5es esse instrumetno teve diversos suportes materiais:<\/strong> plumas, conchas, gr\u00e3os de cacau, ouro ou prata.\n\n<strong>Suas fun\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m se diversificaram:<\/strong> a moeda permitiu contar, pagar e poupar, mas tamb\u00e9m expressar o pre\u00e7o dos bens e o valor dos servi\u00e7os, al\u00e9m de saldas d\u00edvidas.\n\nFinalmente, terminou por traduzir o grau de confian\u00e7a que se depositiva na organiza\u00e7\u00e3o social da comunidade.\n\nMas a moeda, se resolve alguns problemas, tamb\u00e9m cria outros.\n\nGera seus pr\u00f3prios paradoxos. Instaura um espa\u00e7o social homog\u00eaneo e coerente &#8211; o mercado &#8211; mas cria dentro desse espa\u00e7o desigualdades, ou seja, uma hierarquia econ\u00f4mica.\n\nDefinea riqueza e, de forma indissoci\u00e1vel, a pobreza.\n\nConverte-se em atributo do poder, mas tamb\u00e9m num meio para impugn\u00e1-lo. Estabelece as fronteiras de um territ\u00f3rio monet\u00e1rio, para abri-lo imediatamente aos mercados internacionais&#8230;\n\nVilipendiada pelos moralistas, rejeitada pelos utopistas, \u00e0s vezes ignorada at\u00e9 pelos economistas, a moeda est\u00e1, por\u00e9m, onipresente em nossa realidade cotidiana.\n\nAo facilitar o interc\u00e2mbio e liberar a economia, ela contribuiu para alguns decisivios avan\u00e7os da civiliza\u00e7\u00e3o.\n\nNosso prop\u00f3sito \u00e9 expor algumas das grandes etapas que demarcaram seu passado, a fim de que se compreenda com maior clareza sua fun\u00e7\u00e3o no presente.\n\nFonte: www.abic.com.br\n<h6>Hist\u00f3ria da Moeda<\/h6>\n<p class=\"google\"><\/p>\n\n<h4>Evolu\u00e7\u00e3o da Moeda<\/h4>\n<strong>ESCAMBO<\/strong>\n\n<strong>Escambo(troca de mercadorias)<\/strong>\n\nA necessidade das trocas, na economia \u00e9 decorr\u00eancia da evolu\u00e7\u00e3o dos costumes sociais, onde o individuo deixa de ser auto-suficiente na produ\u00e7\u00e3o dos bens de que necessita para sua sobreviv\u00eancia.\n\nO pecuarista, por exemplo, necessita trocar a carne que produz por alimentos, roupas, m\u00f3veis e outros bens e servi\u00e7os que atendam a suas necessidades ou a seus desejos de consumo.\n\nComo nos prim\u00f3rdios da civiliza\u00e7\u00e3o n\u00e3o existia o dinheiro como o conhecemos atualmente, a maneira de se obter um bem ou servi\u00e7o de que se necessitava era por meio de troca direta, tamb\u00e9m conhecida por Escambo.\n\n<strong>Acontecia mais ou menos assim:<\/strong> necessitando de um bem que n\u00e3o produzia, o indiv\u00edduo A procurava trocar seus excedentes com o indiv\u00edduo B, produtor do bem de que necessitava.\n\n<strong>Essas trocas diretas apresentavam inconvenientes:<\/strong> nem sempre a mercadoria dispon\u00edvel para troca pelo indiv\u00edduo A era necess\u00e1ria ao indiv\u00edduo B. Este necessitava da mercadoria produzida pelo individuo C, e assim por diante.\n\nAssim, as trocas esbarravam na dificuldade de se encontrar um contraparte que tivesse exatamente a necessidade oposta, ou seja, a troca s\u00f3 se efetivaria se houvesse Coincid\u00eancia de Desejos.\n\nEm um sistema como esse, o pecuarista levaria metade de seu tempo produzindo carne e a outra metade procurando algu\u00e9m com quem pudesse fazer uma troca apropriada. Al\u00e9m disso, como equacionar o volume de com\u00e9rcio? Como se percebe, trocas dessa natureza em economias complexas como as atuais jamais prosperariam.\n\nNestas, n\u00e3o s\u00f3 os bens de consumo, mas os recursos econ\u00f4micos tamb\u00e9m s\u00e3o vendidos e comprados com dinheiro, a exemplo do trabalhador que fornece seu trabalho em troca de dinheiro e, com esse, adquire os bens de que necessita.\n<p class=\"r\"><strong>Dada as dificuldades para realizar trocas diretas, a sociedade encontrou uma forma que contornasse o problema: <\/strong>a utiliza\u00e7\u00e3o de uma mercadoria como moeda.<\/p>\n<p class=\"r\">Surgiu, assim, a mercadoria com fun\u00e7\u00f5es de dinheiro, reconhecida como Moeda-Mercadoria. Em uma economia que comercializa bens num sistema de mercado, a defini\u00e7\u00e3o de uma mercadoria para servir de intermedi\u00e1ria nas trocas facilita, sobremaneira, o desenvolvimento das transa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p class=\"r\"><strong>Dependendo da regi\u00e3o e do momento hist\u00f3rico, v\u00e1rias mercadorias desempenharam o papel moeda: <\/strong>arroz, tecidos, trigo, peixe, gado, sal, etc&#8230; A prop\u00f3sito, a palavra pecuni\u00e1rio, em portugu\u00eas, deriva de pecus que, em latim, quer dizer gado. Outra palavra que teve origem em um moedamercadoria \u00e9 a palavra sal\u00e1rio, derivada de sal.<\/p>\n<p class=\"r\">A moeda-mercadoria resolveu o problema da dificuldade de se realizarem trocas diretas. Os bens passaram a ser referenciados nesse tipo de moeda e assim as trocas podiam ser efetuadas de forma mais f\u00e1cil.<\/p>\n<p class=\"r\"><strong>No entanto, tendo resolvido um problema, tr\u00eas outros estavam para ser resolvidos:<\/strong> as mercadorias que serviam de moeda eram em geral perec\u00edveis, apresentavam problemas de divisibilidade, como no escambo, e traziam, ainda problemas com a estocagem. A criatividade e a experimenta\u00e7\u00e3o humanas deveriam ser exercitadas como forma de superar esses problemas.<\/p>\n<p class=\"r\"><strong>MOEDA MET\u00c1LICA<\/strong><\/p>\nAs necessidades e a criatividade humanas fizeram com que surgisse uma solu\u00e7\u00e3o que resolvesse a quest\u00e3o da coincid\u00eancia de desejos, verificada nas trocas diretas, al\u00e9m do problema da perecibilidade e da divisibilidade. \u00c9 introduzida, ent\u00e3o, a moeda met\u00e1lica como intermedi\u00e1ria das trocas.\n\n<strong>MOEDA-PAPEL<\/strong>\n\n<strong>A moeda de ouro, utilizada em grande escala como intermedia\u00e7\u00e3o de trocas, trazia dois grandes problemas para os indiv\u00edduos:<\/strong> o custo do transporte, dado seu volume, e o risco de assaltos.\n\nO risco de assalto foi determinante na decis\u00e3o de se manterem as moedas em casas de cust\u00f3dia (os ouvires), em troca de certificados de dep\u00f3sito. Progressivamente, esses certificados passaram a ser usados como moeda.\n\nO endosso dava a seus titulares o direito de retirar o ouro junto \u00e0s casas de cust\u00f3dia. Dessa forma, surgia a Moeda-Papel, cuja caracter\u00edstica \u00e9 ser integralmente lastreada em metal precioso.\n\nEm outras palavras, o detentor do certificado podia, a qualquer momento, dirigir-se a casa de cust\u00f3dia e sacar o equivalente no metal que lhe servia de lastro. Essa a\u00e7\u00e3o de resgatar o papel em metal \u00e9 conhecida como conversibilidade.\n\n<strong>PAPEL-MOEDA OU MOEDA FIDUCI\u00c1RIA<\/strong>\n\nA experi\u00eancia de cust\u00f3dia e da conversibilidade levou a percep\u00e7\u00e3o de que a reconvers\u00e3o dos recibos de cust\u00f3dia (moeda-papel) em metais preciosos n\u00e3o era solicitada por todos os seus detentores ao mesmo tempo. Al\u00e9m disso, novos dep\u00f3sitos eram sempre realizados.\n\nAssim, os custodiantes come\u00e7aram, paulatinamente, a emitir certificados n\u00e3o lastreados. A confian\u00e7a dos comerciantes e da comunidade nos fi\u00e9is e honrados custodiantes dos metais preciosos ensejou a cria\u00e7\u00e3o do papel-moeda (ou moeda fiduci\u00e1ria). Junto com o papel-moeda nascia, tamb\u00e9m, a atividade banc\u00e1ria.\n\nA emiss\u00e3o de certificados em montantes superiores ao estoque de metal precioso permitia que seus emissores realizassem opera\u00e7\u00f5es lucrativas, como a aquisi\u00e7\u00e3o de t\u00edtulos e a\u00e7\u00f5es ou, ainda, a concess\u00e3o de empr\u00e9stimos que rendiam juros.\n\nQuando se adotou essa pr\u00e1tica, os recibos passaram a ser fracionariamente convers\u00edveis, situa\u00e7\u00e3o que evoluiu com o tempo, chegando aos dias atuais, em que a moeda \u00e9 de emiss\u00e3o privativa do Estado, onde n\u00e3o h\u00e1 conversibilidade.\n\n<strong>Moeda Escritural<\/strong>\n\nA medida que a sociedade evolui, a forma de conviv\u00eancia e os relacionamentos comerciais v\u00e3o-se modificando. Al\u00e9m do papel-moeda de emiss\u00e3o privativa do Estado, por meio de bancos centrais, h\u00e1 o que chamamos de moeda banc\u00e1ria ou moeda escritural.\n\nOs bancos comerciais podem criar moeda, assim como os ourives faziam quando emitiam mais certificados do que o ouro que mantinham em dep\u00f3sito. Nos bancos, somente uma parte do total de dep\u00f3sitos \u00e9 utilizada ao mesmo tempo.\n\nEm qualquer momento existem pessoas depositando e outras retirando, de tal forma que, balanceando essas opera\u00e7\u00f5es, somente uma parcela do todo \u00e9 movimentada.\n\nAo contr\u00e1rio do que muitas vezes se pensa, o dep\u00f3sito \u00e9 que \u00e9 moeda, pois \u00e9 uma promessas de pagar quando lhe for requerido. O cheque, por sua vez, \u00e9 apenas o mecanismo de convers\u00e3o do dep\u00f3sito em moeda manual, ou seja, nada mais \u00e9 do que uma ordem de transfer\u00eancia de fundos.\n\nComo s\u00f3 uma parcela de dep\u00f3sitos \u00e9 requerida em esp\u00e9cie, pois grande parte retorna aos bancos em forma de novos dep\u00f3sitos, o banco pode fazer promessas de pagar acima do que disp\u00f5e e, dessa forma, criar moeda em meio de pagamento, apesar de n\u00e3o poder emitir a moeda que esteja em curso no pa\u00eds (fun\u00e7\u00e3o privativa do Banco Central).\n\nEsta quest\u00e3o de moeda escritural, principalmente com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 capacidade que os bancos apresentam de multiplic\u00e1-la, ser\u00e1 retomada adiante no t\u00f3pico. \u0093Cria\u00e7\u00e3o \/ Destrui\u00e7\u00e3o de Moeda\u0094.\n\n<strong>Moeda virtual<\/strong>\n\nA evolu\u00e7\u00e3o das formas de moeda est\u00e1 vinculada ao aspecto intr\u00ednseco de que novas formas s\u00e3o adotadas por tornarem mais f\u00e1ceis, as transa\u00e7\u00f5es entre os agentes econ\u00f4micos. Desde seu surgimento at\u00e9 as modalidades hoje existentes, as transforma\u00e7\u00f5es da moeda estiveram vinculadas ao aspecto da redu\u00e7\u00e3o dos custos de transa\u00e7\u00e3o.\n\nA moeda na forma digital (mecanismos de pagamento por via eletr\u00f4nica) implica redu\u00e7\u00e3o significativa nos custos de transa\u00e7\u00e3o. Seu surgimento e desenvolvimento, no entanto, est\u00e1 mais ligado ao fato de que s\u00e3o vislumbradas as oportunidades de neg\u00f3cios com o oferecimento de servi\u00e7os financeiros por meio de cart\u00f5es, Internet, etc.\n\nEssas novas formas de dinheiro eletr\u00f4nico ganharam impulso com a cria\u00e7\u00e3o da Internet, que permite a realiza\u00e7\u00e3o de compras via computador, debitando-se os respectivos custos em cart\u00f5es de cr\u00e9dito ou diretamente na conta banc\u00e1ria do usu\u00e1rio.\n\nCom o desenvolvimento dos meios de comunica\u00e7\u00e3o e da transfer\u00eancia eletr\u00f4nica de dados, h\u00e1 ainda campo aberto para a criatividade humana encontrar novas formas de intermediar as trocas de aquisi\u00e7\u00e3o de bens e servi\u00e7os.\n\nO que podemos perceber tamb\u00e9m \u00e9 que a dificuldade de averiguar exatamente onde uma transa\u00e7\u00e3o ocorre dificultar\u00e1, ainda mais, a a\u00e7\u00e3o dos governos, tanto em definir pol\u00edticas e fiscalizar essa nova forma de moeda, como em tributar as transa\u00e7\u00f5es dessa forma originadas.\n\n<strong>Fun\u00e7\u00f5es da moeda<\/strong>\n\nA moeda surgiu da necessidade de os indiv\u00edduos trocarem seus excedentes por outros bens de que necessitavam, principalmente na medida em que as economias foram se especializando. Seu uso generalizado gerou consenso a respeito das fun\u00e7\u00f5es que deve exercer.\n\n<strong>S\u00e3o elas:<\/strong>\n\n<strong>Intermedi\u00e1ria de trocas<\/strong>\n\n\u00c9 a fun\u00e7\u00e3o por excel\u00eancia da moeda. Qualquer sociedade com grande n\u00edvel de especializa\u00e7\u00e3o do trabalho e volume significativo de trocas seria invi\u00e1vel sem a exist\u00eancia da moeda.\n\n<strong>Unidade de conta ou medida de valor<\/strong>\n\nA moeda serve para comparar o valor de mercadorias diversas (os diversos bens e servi\u00e7os s\u00e3o expressos em quantidade de moeda, por meio dos pre\u00e7os). Al\u00e9m disso a moeda resolve o problema de se somar coisas distintas.\n\n<strong>Reserva de valor<\/strong>\n\nUm indiv\u00edduo que recebe moeda por alguma transa\u00e7\u00e3o que tenha realizado, ou at\u00e9 mesmo, como pr\u00eamio, n\u00e3o precisa gast\u00e1-la imediatamente. Pode guard\u00e1-la para uso posterior. Isto significa que ela serve como reserva de valor. Para que em cumpra seu papel, \u00e9 necess\u00e1rio que tenha valor est\u00e1vel, de forma que quem a possua tenha id\u00e9ia precisa do quanto pode obter em troca.\n\nSe a economia estiver num processo inflacion\u00e1rio, o valor da moeda vai-se deteriorando, fazendo com que esta fun\u00e7\u00e3o n\u00e3o se cumpra.\n\n<strong>Padr\u00e3o de pagamentos diferidos<\/strong>\n\nEsta fun\u00e7\u00e3o resulta da capacidade da moeda em facilitar a distribui\u00e7\u00e3o de pagamentos ao longo do tempo. Os pagamentos feitos aos fatores de produ\u00e7\u00e3o por exemplo, fator trabalho, s\u00e3o exemplos de diferimento.\n\nAs opera\u00e7\u00f5es de cr\u00e9dito e financiamento, que d\u00e3o sustenta\u00e7\u00e3o a maior parte das grandes transa\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas, s\u00e3o tamb\u00e9m exemplos de compromissos diferidos, cuja liquida\u00e7\u00e3o \u00e9 contratada e se d\u00e1 sob a interveni\u00eancia da moeda.\n\n<strong>Moedas no mundo<\/strong>\n<blockquote>Afeganist\u00e3o = afegani\n\u00c1frica do Sul = rand\nAlemanha = marco\nAr\u00e1bia Saudita = riyal\nArgentina = peso\/\nAustr\u00e1lia = d\u00f3lar australiano\n\u00c1ustria = schilling\nB\u00e9lgica = franco belga\nBol\u00edvia = peso boliviano\nBrasil = real\nBulg\u00e1ria = lev\nCamar\u00f5es = franco CFA\nCanad\u00e1 = d\u00f3lar canadense\nChile = peso chileno\nChina = yuan\nCol\u00f4mbia = peso colombiano\nCongo = franco CFA\nCor\u00e9ia do Sul = won\nCuba = peso cubano\nDinamarca = coroa\nEgito = libra\nEquador = sucre\nEslov\u00e1quia = coroa eslovaca\nEspanha = peseta\nEstados Unidos = US d\u00f3lar\nFilipinas = peso filipino\nFinl\u00e2ndia = markka\nFran\u00e7a = franco franc\u00eas\nGuana = cedi\nGr\u00e3 Bretanha = libra esterlina\nGr\u00e9cia = drachma\nGuatemala = quetzal\nHolanda = guilder\nHong-Kong = d\u00f3lar Hong-Kong\nHungria = florim\n\u00cdndia = rupia indiana\nIndon\u00e9sia = rupia indon\u00e9sia\nIr\u00e3 = rial\nIraque = dinar iraquiano\nIt\u00e1lia = lira\nIugosl\u00e1via = dinar iugoslavo\nJap\u00e3o = yen\nJord\u00e2nia = dinar jordaniano\nK\u00eania = shilling keniano\nKuwait = dinar kuwaitiano\nL\u00edbano = libra libanesa\nLitu\u00e2nia = litas\nMal\u00e1sia = ringgit\nM\u00e9xico = peso mexicano\nNicar\u00e1gua = c\u00f3rdoba\nNoruega = coroa\nParaguai = guarani\nPeru = sol nuevo\nPol\u00f4nia = zloty\nPortugal = escudo\nRom\u00eania = leu\nR\u00fassia = rublo\nSu\u00e9cia = coroa sueca\nSui\u00e7a = franco sui\u00e7o\nTail\u00e2ndia = baht\nTurquia = lira turca\nUruguai = peso uruguaio\nVenezuela = bolivar\nZaire = zaire<\/blockquote>\nFonte: www.fisgall.com\n<h6>Hist\u00f3ria da Moeda<\/h6>\n<strong>1- ETIMOLOGIA<\/strong>\n\nEtimologicamente, o termo se atribui ao latim moneta, &#8221; moeda &#8220;, o lugar onde se cunhavam moedas em Roma, o templo Juno Moneta.\n\n<strong>2- CONCEITO<\/strong>\n\nUnidade representativa de valor aceita como instrumento de troca numa comunidade.\n\nA moeda corrente e a que circula legalmente num pa\u00eds. Moedas fortes s\u00e3o as que tem curso internacional, como instrumento de troca e reservas de valor.\n\n<strong>3- FUN\u00c7\u00d5ES DA MOEDA<\/strong>\n\nGra\u00e7as a moeda, pode o indiv\u00edduo generalizar seu poder de compra e obter da sociedade aquilo que sua moeda lhe da direito, sob a forma que melhor lhe conv\u00e9m.\n\nClassificando uma transa\u00e7\u00e3o comercial em duas fases, uma de venda e outra de compra, a moeda facilita ambas as partes.\n\nResumindo, e mais f\u00e1cil ao vendedor de uma colheita achar quem lhe queira comprar parte dela do quem queira troca-la por outros produtos.\n\n<strong>4- ORIGEM E HISTORIA ATE O S\u00c9CULO XV:<\/strong>\n\n<strong>AS TROCAS E AS MOEDAS ANTES DA INTRODU\u00c7\u00c3O DOS METAIS:<\/strong>\n\nHoje em dia, a moeda parece ser uma coisa banal. Mas sua descoberta representou um not\u00e1vel avan\u00e7o na historia da humanidade.\n\nAntes do surgimento da moeda, todos viviam a procura de novos instrumentos de troca capazes de medir o valor dos bens. Entre os in\u00fameros meios de troca j\u00e1 testados antes da cria\u00e7\u00e3o da moeda, os animais t\u00eam lugar de destaque.\n\n<strong>Na Gr\u00e9cia, no s\u00e9culo VIII a.C., faziam-se as contas tomando o boi como par\u00e2metro<\/strong>: uma mulher valia de vinte a quarenta cabe\u00e7as de gado; um homem, cem.\n\nServindo como meio de pagamento, o sal circulava em v\u00e1rios pa\u00edses (dai vem o termo sal\u00e1rio), como exemplo a Lib\u00e9ria, onde trezentos torr\u00f5es compravam um escravo. Entre as vers\u00f5es primitivas de moeda, as conchas foram , sem duvida, as mais difundidas. Especialmente os cauris (esp\u00e9cie de b\u00fazio), que nos s\u00e9culos XVII e XVIII virou a moeda internacional; metade do mundo entesourava e comprava cauris.\n\n<strong>A INTRODU\u00c7\u00c3O DE C\u00c1LCULOS CONSTANTES<\/strong>\n\nFixados na Babil\u00f4nia e na Ass\u00edria por volta do quinto mil\u00eanio a.C. , os Sum\u00e9rios tiveram um importante papel na historia da moeda, ao criarem um calculo baseado em valores de refer\u00eancia constantes.\n\nGra\u00e7as a esse povo, ainda, o ouro e a prata tornaram-se unidades de medida de pre\u00e7o.\n\nEsses metais, porem, n\u00e3o circulavam, permanecendo nos templos. Ou seja, os Sum\u00e9rios inventaram o dinheiro, mas n\u00e3o a moeda.\n\n<strong>DAS PRIMEIRAS MOEDAS DE METAL NA CHINA ATE AS MOEDAS MET\u00c1LICAS DA \u00c1FRICA<\/strong>\n\n<strong>CHINA<\/strong>\n\n<strong>Foi na China do per\u00edodo Chou (1122-256 a.C.) que nasceram as moedas de bronze com formas variadas:<\/strong> peixe, chave ou faca (Tao), machado (Pu), concha e a mais famosa o Bu, que tinha a forma de uma enxada. As formas das moedas vinham das mercadorias e objetos que possu\u00edam valor de troca. Nessas pe\u00e7as encontravam-se gravados o nome da autoridade emitente e o seu valor.\n\nNo final desta dinastia, surgiu o ouro monet\u00e1rio (Yuanjin). Este tinha a forma de um pequeno lingote com o sinete imperial. Tamb\u00e9m nessa \u00e9poca surgiram as moedas redondas de bronze, com um furo quadrado no centro.\n\n<strong>O PAPEL-MOEDA CHIN\u00caS<\/strong>\n\nOs primeiros registros da utiliza\u00e7\u00e3o do papel como moeda remontam do ano 89. As matrizes para a impress\u00e3o eram confeccionadas em tabuleiros de madeira ou de bambu, sobre as quais era aplicada uma pasta especial, feita de polpa vegetal amolecida e batida. A madeira recebia tinta e os desenhos e textos gravados eram passados para o papel. Essa inven\u00e7\u00e3o permaneceu escondida durante s\u00e9culos; sua import\u00e2ncia pode ser exemplificada pelo fato de os chineses terem erguido um templo em homenagem ao inventor dessa t\u00e9cnica.\n\nA partir do ano 610 mission\u00e1rios crist\u00e3os espalharam a novidade em outras terras. Mas foi o comerciante veneziano Marco Polo que mais se encantou com a t\u00e9cnica de fabrica\u00e7\u00e3o do papel-moeda chin\u00eas, que publicou no seu livro Le Livre de Marco Polo, entre suas experi\u00eancias na China, onde ficou dezessete anos.\n\n<strong>\u00c1FRICA<\/strong>\n\nAs manilhas ( ou moedas-argolas), feitas na sua maioria de cobre, eram empregadas como meio de troca na Africa-Ocidental, que hoje compreende a Nig\u00e9ria, Gana Benin e Togo. Seus valorem eram proporcionais a quantidade de metal que continham, podendo pesar entre 2700 e 200 g.\n\n<strong>Suas formas eram variadas tamb\u00e9m:<\/strong> ferradura, semicircular, anel, bracelete ou corda retorcida.\n\n<strong>Um manual portugu\u00eas do s\u00e9culo XV traz o valor comercial das manilhas:<\/strong> com oito delas comprava-se um escravo.\n\nAo lado do valor monet\u00e1rio essas pecas tinham tamb\u00e9m clara fun\u00e7\u00e3o de ornamenta\u00e7\u00e3o, alguns exemplares s\u00e3o totalmente decorados, o que elevava muito seu valor art\u00edstico.\n\n<strong>MOEDAS DA GR\u00c9CIA ANTIGA<\/strong>\n\nAs primeiras moedas gregas come\u00e7aram a serem cunhadas a partir do s\u00e9culo VII a.C.\n\nCom figuras de animais verdadeiros, plantas e objetos \u00fateis ao homem.\n\nAs moedas primitivas mais famosas eram a coruja, o pegasus e a tartaruga.\n\nAs tartarugas foram as primeiras moedas a serem cunhadas na Gr\u00e9cia, seus exemplares mais antigos s\u00e3o de 625 a.C. e durante um s\u00e9culo foram elas que ditavam as leis nas trocas comerciais.\n\n<strong>Essas moedas representavam Egina, florescente emp\u00f3rio comercial do Peloponeso e eram mais valiosas que as corujas, valiam o dobro:<\/strong> 2 dracmas (dracma &#8211; unidade da moeda de prata).\n\nOs potros vinham em segundo lugar na ordem de valor monet\u00e1rio, era cunhado em Corinto, importante centro comercial no istmo de mesmo nome, trazendo a impress\u00e3o de um Pegaso (m\u00edtico cavalo alado). Podiam ser dracmas ou estateres (o estater era a unidade da moeda de ouro).\n\nJ\u00e1 as corujas, que eram cunhadas em Atenas, sendo as menos valiosas entre as tr\u00eas moedas mais importantes, valiam uma dracma ou um estatere. Mas anos depois, foram descobertas v\u00e1rias jazidas de prata perto de Atenas, e come\u00e7ou a ascens\u00e3o desta cidade e conseq\u00fcentemente das corujas.\n\nPor volta do ano 525 a.C. , Atenas cunhou uma moeda espl\u00eandida no valor de 4 dracmas, a tetradracma. Estas moedas est\u00e3o entre as mais fascinantes da Antig\u00fcidade e por quase dois s\u00e9culos n\u00e3o sofreram modifica\u00e7\u00f5es. Ap\u00f3s a vit\u00f3ria da batalha de Salamina, contra os persas ( 480 a.C.), os atenienses cunharam uma moeda no valor de dez dracmas, o decadracma.\n\nAos poucos, todas as cidades gregas come\u00e7aram a cunhar moedas com ef\u00edgies divinas. De simples instrumentos de troca, as moedas transformaram-se em obras de arte. Pelo bom gosto, pelo requinte da cunhagem, pelo relevo acentuado por figuras em perfeita harmonia com a espessura do metal, as moedas gregas s\u00e3o \u00fanicas.\n\nAos poucos, todas as cidades gregas come\u00e7aram a cunhar moedas com ef\u00edgies divinas. De simples instrumentos de troca, as moedas transformaram-se em obras de arte. Pelo bom gosto, pelo requinte da cunhagem, pelo relevo acentuado por figuras em perfeita harmonia com a espessura do metal, as moedas gregas s\u00e3o \u00fanicas.\n\n<strong>MAGNA GR\u00c9CIA<\/strong>\n\nMagna Gr\u00e9cia e a regi\u00e3o do sul da Pen\u00ednsula It\u00e1lica e parte da Ilha de Sic\u00edlia, que ficou ocupada pelos gregos ate a sua tomada pelo Imp\u00e9rio Romano.\n\nAs moedas consideradas mais bonitas do mundo s\u00e3o as decadracmas e as tetradracmas de Siracusa ( na chamada Magna Gr\u00e9cia), com a cabe\u00e7a da ninfa Aretusa ( ou de Persefone) e a quadriga, no trote ou a galope. Ha 25 s\u00e9culos essas moedas em prata quase pura &#8211; 43g no caso das decadracmas &#8211; s\u00e3o objetos de admira\u00e7\u00e3o e imita\u00e7\u00e3o.\n\nNa Sic\u00edlia e na Magna Gr\u00e9cia nasce, no final do s\u00e9culo V a.C. , a primeira moeda, em que se podia confiar, do Ocidente, vinculada ao valor do metal.\n\n<strong>A variedade tamb\u00e9m era enorme:<\/strong> h\u00e1 pecas quadradas, pequenas, cuneiformes, recunhadas, fragmentadas ou cortadas ( no primeiro caso, para enfrentar a falta de moedas de menor valor; no segundo, para diminuir o valor).\n\n<strong>AS MOEDAS DE ALEXANDRIA<\/strong>\n\n<strong>Em Alexandria, Oriente e Ocidente se fundiam:<\/strong> povos de tr\u00eas continentes conviviam em paz, unidos pela mesma l\u00edngua, o grego. Naquela cidade, ci\u00eancia, literatura e arte falavam grego, influenciando a cultura dos demais pa\u00edses. Na Casa da Moeda de Alexandria, marcadas por um L, foram cunhadas algumas tetradracmas de prata, as mais belas do seu per\u00edodo. Tais moedas possu\u00edam um numero que correspondia ao ano de reinado do soberano, ao contrario das antigas moedas gregas, desprovidas de data.\n\n<strong>ANTES DO INICIO DA MOEDAGEM<\/strong>\n\nA moedagem romana come\u00e7ou dois s\u00e9culos mais tarde do que as das cidades da Magna Gr\u00e9cia que j\u00e1 cunhavam bel\u00edssimas moedas. No s\u00e9culo IV a.C. , enquanto as dracmas, no mundo grego e principalmente na Sic\u00edlia, alcan\u00e7avam o auge da perfei\u00e7\u00e3o estil\u00edstica, em Roma ( que na \u00e9poca era uma simples vila de pastores), os animais ainda eram o principal meio de troca. Mais tarde, desenvolveram uma moedagem excepcional quanto a continuidade ( cunharam-se moedas de 335 a.C. a 476 d.C.) e variedade ( usaram-se quase todos os metais).\n\n<strong>AS MOEDAS ROMANAS &#8220;ARCAICAS&#8221;<\/strong>\n\n<strong>A partir do s\u00e9culo VII a.C., Roma adotou um bem para intermediar as trocas:<\/strong> o bronze ( a prata precisava ser importada, e desconhecia-se a exist\u00eancia do ouro na \u00e9poca). Eram pe\u00e7as sem forma de metal bruto fundido (aes rude), avaliado com base no peso (de 2g a 4kg), sem sinais ou figuras. Mais praticas que os animais, elas ainda n\u00e3o ofereciam as vantagens da moeda.\n\n<strong>AS PRIMEIRAS MOEDAS ROMANAS<\/strong>\n\nPor volta de 335 a.C., com o aes grave (bronze pesado), Roma ganhou sua primeira moeda &#8211; o as ou asse -, fundida em forma redonda, com indica\u00e7\u00f5es de valor e impressos oficiais. No anverso dos ases aparece Jano bic\u00e9falo, a mais antiga divindade do rico Olimpo romano &#8211; deus da passagem de um lugar a outro e, portanto, de um tempo a outro &#8211; por isso, representado com dois rostos. No reverso, a imagem mais comum e a da proa de um navio. A s\u00e9rie do aes grave tamb\u00e9m e chamada libral (de libra, unidade de peso latina) pois, assimcomo a libra, o as dividia-se em doze uncias. Em 268 a.C. Roma ( j\u00e1 poderosa) passou a confeccionar tamb\u00e9m moedas de prata, iniciando a espl\u00eandida era do den\u00e1rio romano.\n\n<strong>IMP\u00c9RIO ROMANO: INICIO E FIM DA MOEDAGEM IMPERIAL<\/strong>\n\nA moedagem imperial romana iniciou-se com C\u00e9sar, &#8220;ditador perpetuo&#8221;, em 44a.C.\n\n<strong>Nesta \u00e9poca, as moedas republicanas transformaram-se em imperiais, acentuando seu car\u00e1ter propagand\u00edstico e celebrativo, n\u00e3o mais baseado na gens (&#8220;fam\u00edlia&#8221;) ou em um partido, mas em lideres, em personagens isolados, que dominavam a cena pol\u00edtica<\/strong>: Marco Ant\u00f4nio, Em\u00edlio L\u00e9pido, Brutus, Pompeu e outros. N\u00e3o e de se estranhar que C\u00e9sar, em 45 a.C., tenha sido o primeiro a colocar seu retrato em moedas, seguindo o exemplo do mundo grego, onde os reis cunhavam sua ef\u00edgie sobre as pecas havia dois s\u00e9culos e meio.\n\nPor fim, a moedagem terminou em 476, com a queda de R\u00f4mulo Augusto e do Imp\u00e9rio do Ocidente.\n\n<strong>A MOEDAGEM BIZANTINA<\/strong>\n\nBiz\u00e2ncio ( depois Constantinopla, atual Istambul), uma das mais poderosas cidades da Antig\u00fcidade, foi fundada em 675 a.C. (ou talvez 703, n\u00e3o se sabe a data exata) pelos habitantes da cidade grega de Megara. A cidade se tornou muito poderosa gra\u00e7as ao intenso comercio e a sua estrat\u00e9gica posi\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica, no estreito que une o mar Egeu ao mar Negro, a Europa a \u00c1sia. A denomina\u00e7\u00e3o de Constantinopla, s\u00e9culos mais tarde da sua funda\u00e7\u00e3o, foi dada pelo imperador Constantino, que em 326 fez de Biz\u00e2ncio a nova capital do Imp\u00e9rio Romano. Diferentemente da moedagem romana, da qual derivou, a moedagem bizantina apresenta uma iconografia ( descri\u00e7\u00e3o e\/ou representa\u00e7\u00e3o de imagens) toda particular, menos real\u00edstica e expressiva, mas ainda assim cheia de fasc\u00ednio e mist\u00e9rio.\n\n<strong>S\u00e3o muitas as moedas de ouro: <\/strong>o solido, o semisse ( 1\/2 de solido) e o tremisse ( 1\/3 de solido), todos originados diretamente de moedas romanas.\n\nMuitas vezes globulares (em forma de globo), elas tinham grandes dimens\u00f5es e uma forma de tigela. Essa caracter\u00edstica era peculiar a moedagem bizantina. Devido a presen\u00e7a de figuras hier\u00e1ticas de Cristo, da Virgem, de santos e do imperador e seus familiares, as moedas bizantinas tinham um car\u00e1ter sacro. Um dos mais freq\u00fcentes motivos ornamentais era a cruz, simples ou dupla. O imperador aparecia com vestes suntuosas, coroado por anjos, sentado no trono com um cetro ou um globo na m\u00e3o, sempre retratado como se fosse um Deus. Nas moedas bizantinas, nunca se representavam animais, cenas mitol\u00f3gicas ou festas leigas (que n\u00e3o s\u00e3o sacras) &#8211; a \u00fanica exce\u00e7\u00e3o a imagem de Biz\u00e2ncio e a Vit\u00f3ria alada. As legendas, gravadas em caracteres gregos, dispunham-se verticalmente, ao longo do bordo externo, ou as vezes ocupavam todo o reverso.\n\n<strong>AS MOEDAS IB\u00c9RICAS<\/strong>\n\nNo ano de 711 travou-se na Espanha a Batalha de Guadalete, na qual morreu o ultimo rei visigodo ( povo que habitava a pen\u00ednsula Ib\u00e9rica ate essa data).\n\nCome\u00e7ava a domina\u00e7\u00e3o \u00e1rabe na pen\u00ednsula Ib\u00e9rica. Depois de uma longa e conturbada etapa inicial, os mul\u00e7umanos, edificaram uma civiliza\u00e7\u00e3o espl\u00eandida que existiria ate o s\u00e9culo XV. Em seu apogeu, o dom\u00ednio \u00e1rabe, estendeu-se por dois ter\u00e7os da pen\u00ednsula Ib\u00e9rica. Mas, apartir da virada do mil\u00eanio, o poder dos califas na regi\u00e3o entrou num lento e prolongado declive. Estados crist\u00e3os surgiram em meio a esse processo, e os crist\u00e3os inevitavelmente reconquistariam a pen\u00ednsula, devido ao enfraquecimento dos \u00e1rabes. Isso aconteceu com a tomada de Granada ( ultima domina\u00e7\u00e3o \u00e1rabe na pen\u00ednsula) em 1492.\n\nAs moedas ib\u00e9ricas refletem o entre choque de duas culturas, povos e religi\u00f5es diferentes, que caracterizou a historia da regi\u00e3o. Antes da invas\u00e3o mu\u00e7ulmana, haviam circulado na regi\u00e3o moedas gregas, celtas, cartaginesas, romanas e grosseiras imita\u00e7\u00f5es destas ultimas, feitas pelos b\u00e1rbaros. A partir do s\u00e9culo VIII, juntaram-se ao grupo pecas \u00e1rabes ( no inicio de prata e depois de ouro).\n\nAs moedas ib\u00e9ricas mais importantes ( excluindo-se as \u00e1rabes) s\u00e3o as posteriores a uni\u00e3o do reino de Castela e Arag\u00e3o ( 1479) cuja abund\u00e2ncia de ouro e prata, vindos do Novo Mundo, deram lugar a novas emiss\u00f5es antigas e mais r\u00fasticas. Dentre elas, sobressai-se o ducado &#8211; ou excelente &#8211; de ouro, com sua metade e m\u00faltiplos, que surgiu ap\u00f3s a reconquista de Granada. A moeda traz os bustos de Isabel I e Fernando II o Cat\u00f3lico ( 1479 -1516). A denomina\u00e7\u00e3o &#8220;excelente&#8221; derivava do elevado t\u00edtulo da moeda. Tamb\u00e9m se tornaram famosos os &#8220;reales de ocho&#8221; de prata ( 8 reales), que passariam a Historia como o d\u00f3lar espanhol e sobreviveriam te meados do presente s\u00e9culo.\n\n<strong>AS MOEDAS DO RENASCIMENTO<\/strong>\n\nO Renascimento se caracterizou pela exalta\u00e7\u00e3o do homem e da cria\u00e7\u00e3o. A cultura cl\u00e1ssica foi redescoberta, e dela surgiu o Humanismo &#8211; o aspecto liter\u00e1rio e filos\u00f3fico do Renascimento. A moeda esta relacionada com essa &#8220;evolu\u00e7\u00e3o&#8221; de v\u00e1rias maneiras. Do ponto de vista econ\u00f4mico, a expans\u00e3o do comercio e do bem estar pede uma moedagem variada e de qualidade.\n\n<strong>Do ponto de vista art\u00edstico, as moedas dessa \u00e9poca s\u00e3o o fruto de uma produ\u00e7\u00e3o extremamente refinada:<\/strong> a cunhagem mais bem cuidada permite aos artistas obter mais precis\u00e3o nos detalhes e criar cenas arejadas, muitas vezes transportadas das pinturas, dando margens a admir\u00e1veis estudos de perspectiva e uma not\u00e1vel profundidade de relevo. Nunca nessa \u00e9poca a moeda foi a express\u00e3o fiel de seu tempo.\n\nNessa \u00e9poca, o volume de ouro em circula\u00e7\u00e3o na Europa aumentara aproximadamente doze vezes em apenas meio s\u00e9culo. Predominam, como moedas fortes, al\u00e9m do genovino de G\u00eanova de 1251, os florins de Floren\u00e7a de 1252 e os ducados de Veneza de 1284. Essas duas ultimas moedas eram cunhadas praticamente em ouro puro.\n\nFonte: eduquenet.net\n<h6>Hist\u00f3ria da Moeda<\/h6>\n<h4>O que \u00e9 a moeda?<\/h4>\nMoeda \u00e9 todo o meio que serve para facilitar as trocas. Funciona como um lubrificante do sistema de trocas.\n\nA forma mais simples de fazer troca \u00e9 a troca direta. Mas levanta problemas de redu\u00e7\u00e3o do bem-estar potencial.\n\n<strong>V\u00e1rios bens serviram como moeda ao longo dos tempos:<\/strong> vacas, trigo, cigarros, p\u00e3o, vinho, etc&#8230;\n\nMAS&#8230;..ESTES BENS T\u00caM UTILIDADE N\u00c3O MONET\u00c1RIA!!! Rapidamente desapareciam do circuito das trocas&#8230;\n\nGrande contradi\u00e7\u00e3o \u0096 para ser moeda, um bem tinha que ser \u00fatil, para que fosse aceite por todos. Mas, ao mesmo tempo, n\u00e3o podia ter procura n\u00e3o monet\u00e1ria, isto \u00e9, tinha que ser in\u00fatil..\n\nDurante s\u00e9culos, este problema foi defrontado pela teoria monet\u00e1ria.\n\nOs bens de luxo, como conchas, p\u00e9rolas, etc., vieram ajudar a resolver o problema. O seu valor n\u00e3o era alterado (degradado) pelo seu consumo n\u00e3o monet\u00e1rio.\n\nIsto significa que nem todos os bens podem preencher as condi\u00e7\u00f5es para serem moeda!\n\n<strong>Caracter\u00edsticas da moeda<\/strong>\n<blockquote>Divisibilidade\nDurabilidade\nAceitabilidade geral\nTer reduzida procura n\u00e3o monet\u00e1ria\nManter o valor\nSer pr\u00e1tica de movimentar\nDificilmente falsific\u00e1vel<\/blockquote>\n<h4><strong>A Hist\u00f3ria da moeda<\/strong><\/h4>\nDurante muito tempo, usou-se a moeda pesada para transa\u00e7\u00f5es \u0096 em cada loja havia uma balan\u00e7a para pesar o ouro e a prata que servia para as trocas.\n\nComo este m\u00e9todo era pouco pr\u00e1tico, devido aos erros que gerava, passou-se \u00e0 moeda contada \u0096 bolinhas de ouro, por exemplo, com peso pr\u00e9-determinado. Autoridade de fiscaliza\u00e7\u00e3o era necess\u00e1ria (Rei, imperador, etc&#8230;).\n\nAssim se passou \u00e0 fase da moeda cunhada, praticamente como a conhecemos hoje \u0096 discos met\u00e1licos, com o nome do peso correspondente (libra, peso), e com o nome do soberano que a mandava cunhar.\n\nMas as moedas tinham pouca validade geral, principalmente em grandes mercados distantes \u0096 CAMBISTA!\n\nOs cambistas tinham como fun\u00e7\u00e3o comparar e trocar as moedas de uma zona por outra. Faziam tamb\u00e9m outro neg\u00f3cio \u0096 alugavam cofres para guardar em dep\u00f3sito a moeda dos clientes. Cada cliente ficava com um recibo, como contrapartida, que podia ser endossado. O papel n\u00e3o era ouro, mas valia ouro&#8230;Porque tinha a assinatura do cambista a garantir!\n\nQuando estes recibos come\u00e7aram a circular, surgiu a moeda de papel. A partir do final do s\u00e9c. XVII, alguns cambistas come\u00e7aram a emitir recibos com um certo montante padr\u00e3o, sempre igual, e a ter a express\u00e3o \u0093ao portador\u0094. Apareceram assim as notas que hoje utilizamos \u0096 o papel circulava livremente como moeda.\n\nCada vez mais o papel circulava, e cada vez menos o ouro era levantado. Daqui surgiu a ideia de emprestar o ouro parado, cobrando um juro. Era o nascimento dos bancos! Este era o neg\u00f3cio do cr\u00e9dito. Emitiam-se mais recibos do que o ouro existente. Era uma forma milagrosa de fazer dinheiro. Mas&#8230;surgia tamb\u00e9m a possibilidade de bancarrota!\n\nAs autoridades tiveram que intervir, declarando a inconvertibilidade dos pap\u00e9is em ouro, para al\u00e9m de terem tomado o monop\u00f3lio de emiss\u00e3o de moeda. A moeda passou a ser fiduci\u00e1ria, e passou-se da moeda de papel para o papel-moeda.\n\nNo\u00e7\u00f5es adicionais de moeda envolvem a moeda escritural (cheques banc\u00e1rios), a moeda de pl\u00e1stico (cart\u00f5es) ou a moeda eletr\u00f4nica (e-commerce).\n\n<strong>Fun\u00e7\u00f5es da moeda<\/strong>\n<blockquote>Intermedi\u00e1rio geral das trocas\nUnidade de conta (numer\u00e1rio da economia)\nReserva de valor<\/blockquote>\nFonte: nunovenes.com.sapo.pt\n<h6>Hist\u00f3ria da Moeda<\/h6>\n<h4><strong>O PAPEL E A IMPORT\u00c2NCIA DA MOEDA<\/strong><\/h4>\n<strong>INTRODU\u00c7\u00c3O<\/strong>\n\nN\u00e3o existe nada mais dif\u00edcil do que tentar definir algo que todos n\u00f3s sabemos do que se trata, mas sobre cujo real significado nunca paramos para pensar. E \u00e9 nestes momentos que come\u00e7am a surgir perguntas da mais variadas, desde a sua origem at\u00e9 o complexo sistema que se criou a sua volta.\n\n<strong>Mas afinal, o que \u00e9 moeda?<\/strong>\n\nSegundo Wassily Leontieff (economista russo, Pr\u00eamio Nobel de Economia em 1973), a moeda \u00e9 a \u0093mercadoria que serve de equivalente geral para todas as mercadorias\u0094.\n\nAo longo deste ensaio procuraremos desvendar alguns mist\u00e9rios que cercam a moeda, e sua evolu\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica.\n<h4><strong>ORIGEM E EVOLU\u00c7\u00c3O DA MOEDA<\/strong><\/h4>\n<strong>A origem e a evolu\u00e7\u00e3o da moeda pode ser seccionada em seis fases distintas:<\/strong>\n<blockquote>Era da Troca De Mercadorias\nEra da Mercadoria Moeda\nEra da Moeda Met\u00e1lica\nEra da Moeda Papel\nMoeda Fiduci\u00e1ria ou Papel-Moeda\nMoeda Banc\u00e1ria ou Escritural<\/blockquote>\n<strong>ERA DA TROCA DE MERCADORIAS<\/strong>\n\nNos prim\u00f3rdios tempos, o homem vivia em pequenas comunidades de uma \u00fanica fam\u00edlia, e se utilizava de vegeta\u00e7\u00e3o e da ca\u00e7a dispon\u00edveis na regi\u00e3o onde habitava. Esses recursos eram os \u00fanicos com os quais contava para a sua subsist\u00eancia. Essas min\u00fasculas comunidades, entretanto, foram crescendo e come\u00e7aram a se desmembrar em outros n\u00facleos de fam\u00edlias, cada uma procurando formar a sua pr\u00f3pria fronteira, delimitando as suas \u00e1reas para o plantio de alimentos e a ca\u00e7a. Esses n\u00facleos, entretanto, n\u00e3o produziam todos os mesmo produtos.\n\nIniciava-se assim o processo primitivo de divis\u00e3o do trabalho e especializa\u00e7\u00e3o. Enquanto uns se dedicavam \u00e0 ca\u00e7a, outros se dedicavam \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de tub\u00e9rculos, outros ainda se especializavam no plantio de gr\u00e3os e assim por diante.\n\nEssa racionaliza\u00e7\u00e3o das atividades fez com que os n\u00facleos passassem a trocar o excedente resultante da especializa\u00e7\u00e3o. Assim, uma boa ca\u00e7a era trocada por uma quantidade razo\u00e1vel de gr\u00e3os; por outro lado, uma quantidade razo\u00e1vel de gr\u00e3os poderia ser trocada por um n\u00famero consider\u00e1vel de frutas, ou ent\u00e3o por uma produ\u00e7\u00e3o de tub\u00e9rculos.\n\nNas mais primitivas culturas, portanto, as economias funcionava \u00e0 base do escambo \u0096 a troca simples de mercadorias.\n\nEsse sistema, entretanto, apresentava algumas dificuldades.\n\nImaginem um indiv\u00edduo que tenha ma\u00e7\u00e3s e queria castanhas. Seria uma coincid\u00eancia fora do comum encontrar um outro indiv\u00edduo que tenha gostos exatamente oposto, ansioso por vender castanhas e comprar ma\u00e7\u00e3s. Ainda que aconte\u00e7a o fora do comum, n\u00e3o h\u00e1 garantia de que os desejos da duas partes, no que se refere a quantidades e aos termos de troca exatos coincidam. Da mesma forma, a menos que um alfaiate faminto encontre um fazendeiro nu que tenha alimentos e o desejo de ter um par de cal\u00e7as, nenhum dos dois pode realizar neg\u00f3cio.\n\nAssim, o crescente n\u00famero de produtos dispon\u00edveis nos mercados passou a dificultar a pr\u00e1tica rudimentar do escambo, n\u00e3o s\u00f3 pela dificuldade cada vez maior de se estabelecerem rela\u00e7\u00f5es justas e intercoerentes de troca, como tamb\u00e9m pela dificuldade de se encontrar parceiros cujos desejos e disponibilidades fossem duplamente coincidentes.\n\nPara se ter um id\u00e9ia, para que se possa atender os desejos de um indiv\u00edduo, nos dias de hoje, as opera\u00e7\u00f5es de trocas de mercadorias se tornariam por demais trabalhosas, pois seriam necess\u00e1rias in\u00fameras transa\u00e7\u00f5es para que o indiv\u00edduo pudesse ter todas as suas necessidades satisfeitas.\n\n<strong>ERA DA MERCADORIA-MOEDA<\/strong>\n\nCom o passar do tempo, a evolu\u00e7\u00e3o da sociedade imp\u00f5e a necessidade de se facilitar as trocas.\n\n<strong>Os indiv\u00edduos, ent\u00e3o, passaram a eleger um \u00fanico produto como referencial de trocas<\/strong>: uma mercadoria que tivesse algum valor e que fosse aceita por todos. Para que isso ocorresse a mercadoria eleita como moeda deveria atender a uma necessidade comum e ser rara o bastante para que tivesse valor.\n\nCom a passagem das trocas diretas, de um produto por outro, para as indiretas, intermediadas por algum outro bem aceito por todos, com um certo valor intr\u00ednseco, passou-se para a chamada era da MERCADORIA-MOEDA.\n\nNeste per\u00edodo, v\u00e1rios tipos de produtos forma utilizados como referencial das rela\u00e7\u00f5es de trocas de mercadorias, tais como o gado, fumo, azeite de oliva, escravos, sal, etc.\n\n<strong>O gado, ao longo do tempo, se mostrou como a MERCADORIA-MOEDA mais utilizada, tendo dado origens a termos atualmente utilizados, como:<\/strong>\n\nA grande vantagem que ele apresentava era que, enquanto os indiv\u00edduos o guardavam como uma poupan\u00e7a, essa \u0093moeda\u0094 aumentava por meio da reprodu\u00e7\u00e3o, ou seja, \u0093rendia juros\u0094.\n\n<strong>Mas, por outro lado, essa mesma \u0093moeda\u0094 apresentava uma grande desvantagem:<\/strong> como dividir um boi para comprar arroz, feij\u00e3o, cebola, sal, etc.? Em suma, o gado n\u00e3o podia ser dividido em trocados.\n\n<strong>De modo geral, para que uma mercadoria possa ser utilizada como moeda ela deve ter v\u00e1rias qualidades, dentre as quais destacam-se:<\/strong>\n<blockquote>Durabilidade\nNingu\u00e9m aceitaria como moeda algo que fosse perec\u00edvel\nDivisibilidade<\/blockquote>\nA mercadoria eleita como moeda deve poder subdividir-se em pequenas partes, de forma que tanto as transa\u00e7\u00f5es de grande porte quanto as de pequenos portes possam ser realizadas\n\n<strong>Homogeneidade<\/strong>\n\nQualquer unidade da mercadoria eleita como moeda deve ser rigorosamente igual \u00e0s outras unidades dessa mercadoria;\n\n<strong>Facilidade de manuseio e transporte<\/strong>\n\nA utiliza\u00e7\u00e3o do bem eleito como moeda n\u00e3o pode ser prejudicada em fun\u00e7\u00e3o de dificuldades de manuseio e transporte.\n\nAo longo da hist\u00f3ria da humanidade um grande n\u00famero de produtos t\u00eam sido utilizados como MERCADORIA-MOEDA, cada um deles apresentado vantagens e desvantagens. A cerveja, por exemplo, n\u00e3o melhora com o armazenamento, ao contr\u00e1rio do vinho que tende a melhorar; o azeite de oliva serve como uma bela moeda l\u00edquida que pode ser dividida em parte pequenas; o ferro enferruja; o valor de um diamante perde seu valor ser for dividido.\n\nApesar de as MERCADORIA-MOEDA terem facilitado um pouco o dia-a-dia dos indiv\u00edduos, muitas dificuldades ainda persistem, ressaltando a necessidade de se encontrar uma forma mais simples que facilitassem as transa\u00e7\u00f5es comerciais. \u00c9 quando ent\u00e3o passamos para a Era da Moeda Met\u00e1lica.\n\n<strong>ERA DA MOEDA MET\u00c1LICA<\/strong>\n\nDe maneira geral, pode-se dizer que os metais foram as mercadorias cujas caracter\u00edsticas essenciais mais se aproximavam das caracter\u00edsticas que se exigem dos instrumentos monet\u00e1rios.\n\nInicialmente, os metais empregados como instrumentos monet\u00e1rios foram o cobre, o bronze e, em especial, o ferro.\n\nCom o passar do tempo, entretanto, esses metais foram deixados de lado, pois n\u00e3o serviam como reserva de valor. Em outras palavras, a exist\u00eancia em abund\u00e2ncia desses metais, associada a descoberta de novas jazidas e ao aperfei\u00e7oamento do processo industrial de fundi\u00e7\u00e3o fez com que tais metais perdessem gradativamente seu valor.\n\nPor essas raz\u00f5es \u00e9 que os metais chamados n\u00e3o nobres forma pouco a pouco substitu\u00eddos pelos metais nobres, como ouro e prata. Estes dois metais s\u00e3o definidos como metais monet\u00e1rios por excel\u00eancia, uma vez que suas caracter\u00edsticas se ajustam adequadamente \u00e0s caracter\u00edsticas que a moeda deve ter.\n\nA utiliza\u00e7\u00e3o do ouro e da prata nas transa\u00e7\u00f5es comerciais acabou trazendo grandes vantagens. No tocante \u00e0s moedas cunhadas com esses metais, elas eram pequenas e f\u00e1ceis de carregas, al\u00e9m de serem padronizadas e terem um valor pr\u00f3prio, ou seja, seu poder de compra era equivalente ao valor do material utilizado na sua fabrica\u00e7\u00e3o.\n\nAs moedas met\u00e1licas permitiam ainda \u00e0s pessoas guard\u00e1-las esperando a melhor oportunidade para troc\u00e1-las por alguma mercadorias. Isto era poss\u00edvel pois, tanto o ouro como a prata eram metais suficientemente escassos, e a descoberta de novas jazidas n\u00e3o chegava a afetar o volume que se encontrava em circula\u00e7\u00e3o. Este aspecto fazia com que estas moedas mantivessem est\u00e1vel o seu valor ao longo do tempo.\n\n<strong>Apesar das grandes vantagens apresentadas pela moeda met\u00e1lica, existia, \u00e0 \u00e9poca, um inconveniente:<\/strong> o transporte a longas dist\u00e2ncias, em fun\u00e7\u00e3o do peso das moedas e dos riscos de assalto a que estavam sujeitos os comerciantes durante suas viagens.\n\n<strong>Para contornar este problema, especialmente ap\u00f3s o s\u00e9culo XIV, com o crescimento dos fluxos comerciais da Europa, iniciou-se a difus\u00e3o de um instrumento monet\u00e1rio mais flex\u00edvel<\/strong>: a moeda-papel.\n\n<strong>ERA DA MOEDA-PAPEL<\/strong>\n\nA moeda-papel veio eliminar, portanto, as dificuldades que os comerciantes enfrentavam em seus deslocamentos pelas regi\u00f5es europ\u00e9ias, facilitando a efetiva\u00e7\u00e3o de suas opera\u00e7\u00f5es comerciais e de cr\u00e9dito, especialmente entre as cidades italianas e a regi\u00e3o de Flandres. A sua origem est\u00e1 na solu\u00e7\u00e3o encontrada para que os comerciantes pudessem realizar os seus empreendimentos comerciais.\n\nAo inv\u00e9s de partirem carregando a moeda met\u00e1licas, levavam apenas um peda\u00e7o de papel denominado de Certificado de Dep\u00f3sito, que era emitido por institui\u00e7\u00f5es conhecidas como Casas de Cust\u00f3dia, e onde os comerciantes depositavam as suas moedas met\u00e1licas, ou qualquer outros valores, sob a garantia. No seu destino, os comerciantes recorriam \u00e0s casas de cust\u00f3dias locais, onde trocavam o certificado de dep\u00f3sitos por moedas met\u00e1licas. O seu uso acabou se generalizando de tal forma que os comerciantes passaram a transferir os direitos dos certificados de dep\u00f3sitos diretamente aos comerciantes locais, fazendo com que esses certificados tomassem o lugar das moedas met\u00e1licas.\n\nEstava assim criada a nova moeda, 100% lastreada e com a garantia de plena conversibilidade, a qualquer momento, pelo seu detentor, e que tornou-se, ao longo do tempo, no meio preferencial de troca e de reserva de valor.\n\n<strong>MOEDA FIDUCI\u00c1RIA OU PAPEL-MOEDA<\/strong>\n\nCom o passar do tempo, as casas de cust\u00f3dias, que recebiam o metal e forneciam certificados de dep\u00f3sitos (ou moeda-papel), totalmente lastreadas, come\u00e7aram a perceber que os detentores desses certificados n\u00e3o faziam a reconvers\u00e3o ao mesmo tempo. Al\u00e9m disso, enquanto alguns faziam a troca de moeda-papel pelo metal, outros faziam novos dep\u00f3sitos em ouro e prata, o que acabava por ensejar novas emiss\u00f5es.\n\nAssim \u00e9 que, gradativamente, as casas de cust\u00f3dias passaram a emitir certificados sem lastro em metal, dando origem \u00e0 moeda fiduci\u00e1ria ou papel-moeda. O papel-moeda, como sempre tinha sido, contava com a livre conversibilidade em ouro. A emiss\u00e3o de papel-moeda por particulares, entretanto, acabou por conduzir esse sistema a ru\u00edna. Devido a isso, o Estado foi levado a assumir o mecanismo de emiss\u00f5es, passando a control\u00e1-lo. Consequentemente, passou-se \u00e0 emiss\u00e3o de notas inconvers\u00edveis.\n\n<strong>Hoje, a maioria dos sistemas fiduci\u00e1rios, apresentando as seguintes caracter\u00edsticas:<\/strong>\n<blockquote>Inexist\u00eancia de lastro met\u00e1lico\nInconversabilidade absoluta\nMonop\u00f3lio estadal das emiss\u00f5es<\/blockquote>\n<strong>MOEDA BANC\u00c1RIA<\/strong>\n\n<strong>Com a evolu\u00e7\u00e3o do sistema banc\u00e1rio desenvolveu-se uma outra modalidade de moeda:<\/strong> a moeda banc\u00e1ria ou escritural.\n\nEla \u00e9 representada pelos dep\u00f3sitos a vista e a curto prazo nos bancos, que passam a movimentar esses recursos por cheques ou ordens de pagamento. Ela \u00e9 chamada de escritural uma vez que diz respeito aos lan\u00e7amentos (d\u00e9bitos e cr\u00e9ditos) realizados nas contas correntes dos bancos.\n<h4><strong>SISTEMA MONET\u00c1RIO E FINANCEIRO<\/strong><\/h4>\n<strong>FUN\u00c7\u00c3O DA MOEDA<\/strong>\n<blockquote>Meio ou instrumento de troca\nMedida de valor\nReserva de valor\nPadr\u00e3o de pagamento diferido<\/blockquote>\n<strong>CARACTER\u00cdSTICAS DA MOEDA<\/strong>\n<blockquote>Indestrut\u00edvel e inalter\u00e1vel\nHomog\u00eaneo\nDivis\u00edvel\nTransfer\u00edvel\nFacilidade de manuseio e transporte<\/blockquote>\n<strong>FORMAS DE MOEDAS<\/strong>\n<blockquote>Moeda met\u00e1lica\nPapel-moeda\nMoeda escritural<\/blockquote>\n<h4><strong>SISTEMA MONET\u00c1RIO<\/strong><\/h4>\nAbrange o numer\u00e1rio da na\u00e7\u00e3o, ou seja, todas as moedas (met\u00e1licas, papel-moeda e escritural).\n\n<strong>SISTEMA FINANCEIRO NACIONAL<\/strong>\n\n\u00c9 um conjunto de \u00f3rg\u00e3os, de que se instrumenta o poder p\u00fablico para executar sua pol\u00edtica financeira, \u00e9 formado pelo Conselho Monet\u00e1rio Nacional (CMN), o Banco Central do Brasil, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econ\u00f4mico e Social (BNDES), o Banco do Brasil e as institui\u00e7\u00f5es financeiras p\u00fablicas e privadas.\n\n<strong>CONSELHO MONET\u00c1RIO NACIONAL (CMN)<\/strong>\n\nFormula a pol\u00edtica da moeda e do cr\u00e9dito, objetivando o progresso econ\u00f4mico e social do Pa\u00eds.\n\n<strong>A pol\u00edtica do CMN busca dentre outros objetivos:<\/strong>\n<blockquote>Adaptar os meios de pagamento \u00e0s necessidades da economia nacional\nRegular o valor interno da moeda nacional, prevenindo e corrigindo de surtos inflacion\u00e1rios ou deflacion\u00e1rios de origem interna ou externa\nRegular o valor externo da moeda nacional e o equil\u00edbrio do balan\u00e7o de pagamentos\nCoordenar a pol\u00edtica monet\u00e1ria, de credito, or\u00e7ament\u00e1ria, fiscal e da d\u00edvida publica, visando garantir condi\u00e7\u00f5es favor\u00e1veis aos desenvolvimento equilibrado da economia nacional\nProporcionar o aperfei\u00e7oamento das institui\u00e7\u00f5es e dos instrumentos financeiros, de forma a tornar mais eficiente o sistema de pagamento e mobiliza\u00e7\u00e3o de recursos\nZelar pela liquidez e solv\u00eancia das institui\u00e7\u00f5es financeiras\nAutorizar a emiss\u00e3o de papel moeda\nFixar diretrizes e normas da pol\u00edtica cambial\nRegular a constitui\u00e7\u00e3o, funcionamento e fiscaliza\u00e7\u00e3o de todas as institui\u00e7\u00f5es financeiras que operam no pa\u00eds.<\/blockquote>\n<strong>BANCO CENTRAL DO BRASIL (BC)<\/strong>\n\nBACEN ou BC \u00e9 uma entidade aut\u00e1rquica, vinculada ao minist\u00e9rio da Fazenda, atuando como \u00f3rg\u00e3o executivo do sistema financeiro, cabendo-lhe fazer cumprir <strong>as disposi\u00e7\u00f5es que lhe s\u00e3o atribu\u00eddas pela legisla\u00e7\u00e3o em vigor e as normas emenadas do CMN<\/strong>\n\n<strong>Tem como atribui\u00e7\u00f5es:<\/strong>\n<blockquote>Emitir e distribuir as c\u00e9dulas e as moedas para os bancos e recolher e destruir as danificadas\nReceber os recolhimentos compuls\u00f3rios dos bancos comerciais e os dep\u00f3sitos volunt\u00e1rios das institui\u00e7\u00f5es financeiras e banc\u00e1rias que operam no pa\u00eds\nEmprestar \u00e0s institui\u00e7\u00f5es financeiras de acordo com a pol\u00edtica econ\u00f4mica do governo ou como socorro a problemas de liquidez\nRegular a execu\u00e7\u00e3o dos servi\u00e7os de compensa\u00e7\u00e3o de cheques e de outros pap\u00e9is\nEfetuar, como instrumento de pol\u00edtica monet\u00e1ria, opera\u00e7\u00f5es de compra e venda de t\u00edtulos p\u00fablicos federais\nExercer o controle do cr\u00e9dito sob todas as suas formas\nFiscalizar as institui\u00e7\u00f5es financeiras e os cons\u00f3rcios e aplicar as penalidades previstas\nAutorizar o funcionamento de todas as institui\u00e7\u00f5es financeiras e dos cons\u00f3rcios\nControlar o fluxo de capitais estrangeiros garantindo o correto funcionamento do mercado cambial\nRepresentar o governo brasileiro junto \u00e0s institui\u00e7\u00f5es financeiras estrangeiras e internacionais.<\/blockquote>\n<strong>COMISS\u00c3O DE VALORES MOBILI\u00c1RIOS (CVM)<\/strong>\n\n\u00c9 o \u00f3rg\u00e3o encarregado do desenvolvimento, da disciplina e da fiscaliza\u00e7\u00e3o do mercado de valores mobili\u00e1rios, atuando com observ\u00e2ncia da pol\u00edtica definida pelo CMN.\n\n<strong>Os valores mobili\u00e1rios sujeitos \u00e0 atua\u00e7\u00e3o da CVM s\u00e3o, por exemplo:<\/strong> a\u00e7\u00f5es, deb\u00eantures, certificados de dep\u00f3sitos de valores mobili\u00e1rios, direitos de subscri\u00e7\u00e3o etc.\n\n<strong>Objetivos da CVM<\/strong>\n\nEstimular a aplica\u00e7\u00e3o de poupan\u00e7a no mercado acion\u00e1rio\n\nAssegurar o funcionamento eficiente e regular das bolsas de valores e das institui\u00e7\u00f5es auxiliares que operem nesse mercado\n\nProteger os titulares de valores mobili\u00e1rios contra emiss\u00f5es irregulares e outros tipos de atos ilegais que manipulem pre\u00e7os de valores mobili\u00e1rios nos mercados prim\u00e1rios e secund\u00e1rios e de a\u00e7\u00f5es\n\nFiscalizar a emiss\u00e3o, o registro, a distribui\u00e7\u00e3o e a negocia\u00e7\u00e3o de t\u00edtulos emitidos pelas sociedades an\u00f4nimas de capital aberto.\n\n<strong>BANCOS COMERCIAIS<\/strong>\n\nSeu objetivo precipuo \u00e9 proporcionar o suprimentos oportuno e adequado os recursos necess\u00e1rios para financiar, a curto e m\u00e9dio prazo, o com\u00e9rcio, a industria, as empresas prestadoras de servi\u00e7os e as pessoas f\u00edsicas. A grande caracter\u00edstica dos bancos comerciais \u00e9 a sua capacidade de cria\u00e7\u00e3o de moeda, a qual \u00e9 estabelecida com base nos dep\u00f3sitos \u00e0 vista, captados no mercado.\n\n<strong>Para a tender a esses objetivos, os bancos comerciais podem:<\/strong>\n<blockquote>Descontar t\u00edtulos\nAberturas de cr\u00e9ditos simples ou em conta corrente\nCr\u00e9dito rural\nC\u00e2mbio\nCaptar dep\u00f3sitos \u00e0 vista e a prazo fixo\nAgente financeiro de organismos oficiais\nCapital de giro em moeda nacional ou em moeda estrangeira\nServi\u00e7os banc\u00e1rios &#8211; pagamentos de cheques, transferencia de fundos, cobran\u00e7as diversas, recebimento de impostos e tarifas p\u00fablicas.<\/blockquote>\n<strong>BANCOS M\u00daLTIPLOS<\/strong>\n\nOs bancos m\u00faltiplos surgiram atrav\u00e9s da Resolu\u00e7\u00e3o 1.524\/88, emitida pelo BC por decis\u00e3o do CMN, a fim de racionalizar a administra\u00e7\u00e3o das institui\u00e7\u00f5es financeiras.\n\n<strong>As caracter\u00edsticas de um banco m\u00faltiplo, envolvem as carteiras:<\/strong>\n<blockquote>Comercial\nInvestimento\nCr\u00e9dito imobili\u00e1rio\nDesenvolvimento\nLeasing<\/blockquote>\n<strong>BANCO NACIONAL DE DESENVOLVIMENTO ECON\u00d4MICO E SOCIAL &#8211; BNDES<\/strong>\n\n\u00c9 a institui\u00e7\u00e3o respons\u00e1vel pela pol\u00edtica de investimentos de longo prazo do governo federal, sendo a principal institui\u00e7\u00e3o financeira de est\u00edmulo ao desenvolvimento econ\u00f4mico e social do pa\u00eds.\n\n<strong>BANCO DO BRASIL<\/strong>\n\nBanco do Brasil \u00e9 um dos principais instrumentos de execu\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica credit\u00edcia e financeira do governo Federal. Dentre outras atividades, o Banco do Brasil executa o servi\u00e7o de compensa\u00e7\u00e3o de cheques e outros pap\u00e9is.\n\n<strong>Servi\u00e7os prestados pelo Banco do Brasil:<\/strong>\n\nC\u00e2mara de compensa\u00e7\u00e3o de cheques e outros pap\u00e9is\n\nPagamentos e suprimentos necess\u00e1rios \u00e0 execu\u00e7\u00e3o do Or\u00e7amente Geral da Uni\u00e3o\n\nAquisi\u00e7\u00e3o e o financiamento dos estoques de produ\u00e7\u00e3o export\u00e1vel\n\nAgenciamento dos pagamentos e recebimentos fora dos pa\u00eds\n\nOpera\u00e7\u00e3o dos fundos de investimento setorial como pesca e reflorescimento\n\nA capta\u00e7\u00e3o de dep\u00f3sitos de poupan\u00e7a direcionadas ao credito rural e a opera\u00e7\u00e3o do fundo constitucional do centro oeste &#8211; FCO\n\nReceber dep\u00f3sitos compuls\u00f3rios e volunt\u00e1rios das institui\u00e7\u00f5es financeiras\n\nEfetuar redesconto banc\u00e1rios e executar a pol\u00edtica de pre\u00e7os m\u00ednimos de produtos agropecu\u00e1rios\n\nExecutor da pol\u00edtica de com\u00e9rcio exterior do governo adquirindo ou financiando os bens de exporta\u00e7\u00e3o e ser pagador ou recebedor no exterior\n\n<strong>INSTITUI\u00c7\u00c3O FINANCEIRA<\/strong>\n\n\u00c9 qualquer entidade que tenha como atividade principal ou acess\u00f3ria a coleta, a intermedia\u00e7\u00e3o ou a aplica\u00e7\u00e3o de recursos financeiros pr\u00f3prios ou de terceiros, em moeda nacional ou estrangeira. O regular funcionamento de uma institui\u00e7\u00e3o financeira depende de pr\u00e9via autoriza\u00e7\u00e3o do Banco Central.\n\nFonte: augusto-economia.vilabol.uol.com.br\n<h6>Hist\u00f3ria da Moeda<\/h6>\n<h4>NASCIMENTO DA MOEDA<\/h4>\nDesde temos imemoriais, objetos inusitados circulam como moedas, delineando as atividades de com\u00e9rcio e estabelecendo as bases da vida pol\u00edtica e social.\n\nColares ou braceletes de conchas, p\u00e9rolas, dentes, ossos ou plumas, fragmentos de pedra ou metal, pe\u00e7as de cer\u00e2mica ou tecidos, objetos de formas e materiais surpreendentes &#8211; encontramos tudo isso sob a designa\u00e7\u00e3o de moedas antigas, nas cole\u00e7\u00f5es de in\u00fameros museus ou em livros e revistas de etnografia, pr\u00e9-hist\u00f3ria e arqueologia.\n\nOutros objetos, aparentemente an\u00e1logos, s\u00e3o considerados adornos ou j\u00f3ias, embora sem comprova\u00e7\u00e3o mais evidente de que tenham sido utilizados como ornamentos, e n\u00e3o como moeda. Seu bom estado de conserva\u00e7\u00e3o, indicando que tais objetos eram valiosos para seus donos, e suas caracter\u00edsticas f\u00edsicas, inadequadas para fins diretamente utilit\u00e1rios, sem d\u00favida estimularam arque\u00f3logos e os que se dedicam a estudar a pr\u00e9-hist\u00f3ria a atribuir uma fun\u00e7\u00e3o puramente decorativa a esses tesouros que, na realidade, tamb\u00e9m serviam como moedas.\n\n<strong>UM FATO UNIVERVAL<\/strong>\n\nH\u00e1 mais de dois mil anos, Arist\u00f3teles j\u00e1 afirmava que, antes da utiliza\u00e7\u00e3o de moedas, os homens trocavam bens que lhes sobravam por aqueles que lhes faltavam (metadosis, em grego). Os etn\u00f3logos descreveram complexas rela\u00e7\u00f5es de c\u00e2mbio &#8211; kula, no Pac\u00edfico ocidental, o bilaba e o malaki, na \u00c1frica Central, ou o potlatch, na costa noroeste da Am\u00e9rica do Norte &#8211; nas sociedades mais antigas, por\u00e9m j\u00e1 bastantes hierarquizadas.\n\n<strong>A moeda, como as rela\u00e7\u00f5es hier\u00e1rquicas e de domina\u00e7\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 portanto uma inven\u00e7\u00e3o moderna:<\/strong> ela j\u00e1 fazia parte de sociedades mais antigas &#8211; mais arcaicas, poder-se-ia dizer &#8211; do que as civiliza\u00e7\u00f5es da bacia do Mediterr\u00e2neo, do Oriente Pr\u00f3ximo, do Extremo Oriente ou da Am\u00e9rica Central. A circula\u00e7\u00e3o de bens valiosos no interior dessas comunidades, e tamb\u00e9m entre elas, parece ter sido um fato universal, que de certa forma prefigurou a moeda em sua dupla fun\u00e7\u00e3o de meio de pagamento e de conta.\n\nMoeda da Melan\u00e9sia constitu\u00edda por uma longa tira de fibra ornada de plumas vermelhas, acrescida de conchas inteiras ou talhadas.\n\n<strong>Mas essas fun\u00e7\u00f5es essenciais ainda n\u00e3o se haviam tornado puramente econ\u00f4micas naquelas sociedades antigas:<\/strong> permaneciam tribut\u00e1rias do sistema de rela\u00e7\u00f5es de parentesco, alian\u00e7as pol\u00edticas, cren\u00e7as e cultos que intervinha na renova\u00e7\u00e3o das for\u00e7as de trabalho, organizava a produ\u00e7\u00e3o e justificava a reparti\u00e7\u00e3o da riqueza.\n\nA moeda &#8211; ou, em tais circunst\u00e2ncias, a paleomoeda &#8211; era um instrumento ativo da vida social. Ela regulava os nascimentos, os casamentos e o luto, servia para declarar a guerra ou estabelecer a paz, compensar os danos f\u00edsicos ou morais, dialogar com as divindades tutelares da fecundidade ou da morte. Por outro lado, ainda n\u00e3o possibilitava a quita\u00e7\u00e3o de uma d\u00edvida, a compra de bens ou a aquisi\u00e7\u00e3o da for\u00e7a de trabalho.\n\n<strong>Mas a paleomoeda apresentava caracter\u00edsticas de escassez e inutilidade an\u00e1logas \u00e0s de certas formas contempor\u00e2neas de moedas, antecipando inclusive a natureza econ\u00f4mica e pol\u00edtica das moedas modernas:<\/strong> econ\u00f4mica, porque ela codificava atividades e riquezas como unidades cont\u00e1beis e prefigurava, com sua uniformiza\u00e7\u00e3o, os atuais meios de pagamento; pol\u00edtica, porque expressava, atualizava e reproduzia as rela\u00e7\u00f5es de poder e hierarquia entre os indiv\u00edduos e grupos.\n\n<strong>DISTANTE DO ESCAMBO<\/strong>\n\nAs trocas nas sociedades comunit\u00e1rias eram, portanto, bem mais complexas que as pr\u00e1ticas rudimentares representadas pelo escambo.\n\nPrimeiro, porque os produtos trocados percorriam grandes dist\u00e2ncias desde tempos muito remotos, conforme o demonstram as marcas concretas deixadas por mat\u00e9rias n\u00e3o-perec\u00edveis, como o \u00e2mbar e a obsidiana. Alguns desses produtos foram encontrados a centenas de quil\u00f4metros de seu lugar de origem &#8211; do sul da Austr\u00e1lia \u00e0s orlas setentrionais da Nova Guin\u00e9, do mar Negro \u00e0 Pol\u00f4nia e \u00e0 Ren\u00e2nia.\n\nJ\u00e1 no Paleol\u00edtico superior, o homem de Cro-Magnon conhecia em Eyzies, na Dordonha, sul da Fran\u00e7a, conchas provenientes do oceano Atl\u00e2ntico, \u00e0 dist\u00e2ncia de 200 km.\n\nEm est\u00e1gios posteriores, cada sociedade passou a produzir, com a finalidade de troca, uma mercadoria espec\u00edfica (machados de pedra, barras de sal, cer\u00e2mica, corti\u00e7a), que se convertia no meio de pagamento da produ\u00e7\u00e3o adquirida de outros grupos.\n\nFinalmente, surgiram no seio dessas sociedades grupos especializados na fun\u00e7\u00e3o de intermediar mercadorias, percorrendo, para tanto, dezenas ou at\u00e9 centenas de quil\u00f4metros.\n\nEstavam, portanto, muito distantes do escambo, no qual as mercadorias funcionavam como meios de pagamento rec\u00edprocos, sem intermedi\u00e1rios na troca.\n\n<strong>Entretanto, o desenvolvimento da fun\u00e7\u00e3o de conta era ainda limitado:<\/strong> n\u00e3o se concebia o pre\u00e7o relativo dos bens trocados como uma rela\u00e7\u00e3o objetiva, mas como a express\u00e3o de uma rela\u00e7\u00e3o social entre indiv\u00edduos e comunidades. O motor do desenvolvimento monet\u00e1rio ainda n\u00e3o era o mercado.\n\n<strong>AS PRIMEIRA MOEDAS<\/strong>\n\nO fen\u00f4meno monet\u00e1rio surgiu com o desenvolvimento dos Estados, encarregados de gerir os excedentes obtidos pela explora\u00e7\u00e3o dos escravos, servos e camponeses, pelo controle das trocas a grande dist\u00e2ncia ou pela pilhagem dos povos vizinhos. Tratava-se agora de avaliar os tributos, impostos e taxas, normalizar os modos e meios de pagamento nos mercados e portos comerciais.\n\nNa diversidade de suportes monet\u00e1rios das sociedades antigas &#8211; tecidos e gr\u00e3os de cacau dos imp\u00e9rios maia e asteca, cauri e ouro dos reinos da \u00c1frica ocidental, barras compridas das cidades gregas, lingotes de ferro dos hititas, cevada e trigo da Mesopot\u00e2mia, trigo e cobre do Egito, milho e tecidos da China &#8211; as moedas chamam particular aten\u00e7\u00e3o, em virtude da perenidade de sua utiliza\u00e7\u00e3o.\n\nNo in\u00edcio, as moedas eram apenas um tipo determinado de pe\u00e7a met\u00e1lica. Na China, por exemplo, antes da difus\u00e3o das moedas e mesmo ap\u00f3s seu surgimento no final do s\u00e9culo IV a.C., circularam objetos com formato de enxadas e facas. As primeiras moedas foram cunhadas a partir do s\u00e9culo VII a.C. na \u00c1sia Menor e na Gr\u00e9cia, onde algumas cidades continuaram a utilizar compridas barras. Mais ou menos na mesma \u00e9poca &#8211; e at\u00e9 o advento da moeda no s\u00e9culo IV a.C. &#8211; foram utilizados na \u00cdndia pequenos quadrados de prata, bastante finos e gravados com diversos motivos.\n\n<strong>A INFLU\u00caNCIA DA GR\u00c9CIA<\/strong>\n\nAs cidades gregas ocupam na hist\u00f3ria das moedas um lugar de grande destaque. Sua tradi\u00e7\u00e3o numism\u00e1tica propagou-se ao longo dos s\u00e9culos por todo o planeta, diretamente ou mediante uma complexa rede de influ\u00eancias. Na esteira de Alexandre Magno, cujas tropas se apoderaram da riqueza em metais acumulada pelos potentados do Oriente Pr\u00f3ximo e transformaram-na em moedas, essa tradi\u00e7\u00e3o expandiu-se consideravelmente em torno do Mediterr\u00e2neo.\n\nAp\u00f3s haver utilizado lingotes de bronze de inspira\u00e7\u00e3o etrusca, Roma cunhou suas primeiras moedas no s\u00e9culo III a.C., sob a influ\u00eancia das cidades gregas do sul da It\u00e1lia. A coloniza\u00e7\u00e3o romana deu em seguida \u00e0 numism\u00e1tica um impulso somente igualado pelo da expans\u00e3o colonial europ\u00e9ia do s\u00e9culo XIX e in\u00edcio do s\u00e9culo XX.\n\nAl\u00e9m das fronteiras do Imp\u00e9rio Romano, os sass\u00e2nidas perpetuaram, entre o Curas\u00e3o e a Mesopot\u00e2mia, uma pr\u00e1tica numism\u00e1tica que denotava forte influ\u00eancia helen\u00edstica &#8211; transmitida pelos partas, cujo imp\u00e9rio, fundado entre os s\u00e9culos III e II a.C., em seu apogeu estendeu-se do Eufrates ao Afeganist\u00e3o. Essa tradi\u00e7\u00e3o helen\u00edstica tamb\u00e9m influenciou as primeiras cunhagens isl\u00e2micas, enquanto a tradi\u00e7\u00e3o romana perpetuou-se na cristandade europ\u00e9ia.\n\nUm processo similar ocorreu na \u00cdndia, que em sucessivas etapas sofreu a influ\u00eancia direta e indireta da Gr\u00e9cia, com a chegada das tropas de Alexandre, seguindo-se os contatos com o imp\u00e9rio romano e finalmente a coloniza\u00e7\u00f5es mu\u00e7ulmana e europ\u00e9ia.\n\n<strong>UMA DIMENS\u00c3O POL\u00cdTICA E SOCIAL<\/strong>\n\nEm nenhuma dessas civiliza\u00e7\u00f5es as moedas foram de imediato consideradas um instrumento monet\u00e1rio superior aos outros meios de pagamento reconhecidos, com eles coexistindo durante muito tempo. Pe\u00e7as redondas de metal, com diferentes qualidades de impress\u00e3o, podiam ser utilizadas para diversos fins.\n\n<strong>Sua troca significava mais que uma simples transa\u00e7\u00e3o comercial:<\/strong> podia simbolizar tamb\u00e9m uma doa\u00e7\u00e3o rec\u00edproca, ou at\u00e9 um tributo.\n\n<strong>Assim, as primeiras moedas das cidades gregas n\u00e3o foram cunhadas para suprir as necessidades imediatas do com\u00e9rcio:<\/strong> seu valor no mercado era muito alto para a aquisi\u00e7\u00e3o dos bens de consumo. No com\u00e9rcio a longa dist\u00e2ncia, quase sempre efetuado por via mar\u00edtima, as pr\u00f3prias mercadorias funcionavam como meios de pagamento. Qual era, ent\u00e3o, nos primeiros tempos, a fun\u00e7\u00e3o dessas moedas? Elas surgiram como um instrumento necess\u00e1rio para regular as rela\u00e7\u00f5es internas e externas das cidades, tendo um car\u00e1ter principalmente pol\u00edtico e religioso.\n\n<strong>Entretanto, essa dupla fun\u00e7\u00e3o n\u00e3o constituiu obst\u00e1culo para sua destina\u00e7\u00e3o mercantil:<\/strong> o pr\u00f3prio metal de que eram feitas serviu como objeto de interc\u00e2mbio a grandes dist\u00e2ncias desde tempos muito remotos, em que o com\u00e9rcio se revestia de uma importante dimens\u00e3o pol\u00edtica e social. A flexibilidade das pesadas pe\u00e7as de metal, que podiam ser divididas em unidades menores, e sua difus\u00e3o por sociedades de costumes muito diferentes gradualmente transformaram a moeda no instrumento preferido para as transa\u00e7\u00f5es comerciais e o pagamento de impostos.\n\nCunhadas com a ef\u00edgie dos deuses e dos poderosos, as moedas conservaram esse car\u00e1ter pol\u00edtico essencial at\u00e9 a \u00e9poca romana, quando eram emitidas por ocasi\u00e3o de grandes eventos, como os jogos desportivos ou a movimenta\u00e7\u00e3o de ex\u00e9rcitos.\n\n<strong>Tamb\u00e9m n\u00e3o deixaram de desempenhar suas fun\u00e7\u00f5es em ritos e sacrif\u00edcios:<\/strong> ainda hoje, moedas s\u00e3o encerradas no cimento de pontes e edif\u00edcios, lan\u00e7adas em fontes, oferecidas como s\u00edmbolo de alian\u00e7as matrimoniais e colocadas na boca ou na m\u00e3o dos mortos, que transportam para o Al\u00e9m os rituais de pagamento do mundo dos vivos.\n\n<strong>QUANDO AS MOEDAS CRESCIAM EM \u00c1RVORES<\/strong>\n\nCobi\u00e7ado por ser escasso, mas suficientemente abundante para n\u00e3o faltar, o cacau, possuidor dos atributos do deus Quetzalc\u00f3atl, era a moeda prestigiosa da Am\u00e9rica pr\u00e9-colombiana.\n\nQuando os conquistadores espanh\u00f3is chegaram ao M\u00e9xico, no s\u00e9culo XVI, os gr\u00e3os de cacau faziam as vezes de moeda.\n\n<strong>Os cronistas notaram, com assombro: <\/strong>o dinheiro crescia nas \u00e1rvores.\n\n<strong>Naquela \u00e9poca existiam tr\u00eas grandes regi\u00f5es produtoras de cacau: <\/strong>a de Chontalpa e Soconusco (M\u00e9xico), e a regi\u00e3o do rio Ulua (Honduras). A produ\u00e7\u00e3o e a circula\u00e7\u00e3o de cacau, assim como seu consumo, eram fortemente controladas por nobres e mercadores do vale do M\u00e9xico e de Iucat\u00e3. Os baixos rendimentos do cultivo e as dificuldades do transporte aumentavam o custo social do cacau e, em conseq\u00fc\u00eancia, seu pre\u00e7o.\n\nComo outras moedas primitivas, o cacau n\u00e3o cumpria todas as fun\u00e7\u00f5es pr\u00f3prias a um instrumento monet\u00e1rio. Assim, apesar de ser o principal meio de interc\u00e2mbio, tanto os astecas como os maias utilizavam como medida de valor a manta (quachtli), pe\u00e7a de algod\u00e3o que representava uma quantidade determinada de for\u00e7a de trabalho, isto \u00e9, de valor. Em Iucat\u00e3 a manta equivalia a 450 horas de trabalho.\n\nApesar de n\u00e3o conhecermos o equivalente em horas de trabalho da manta do tributo asteca, sabemos, por outro lado, que seu valor em cacau era de 100 gr\u00e3os, aproximadamente, segundo as flutua\u00e7\u00f5es da produ\u00e7\u00e3o.\n\nPode-se afirmar, ent\u00e3o, que o valor (em for\u00e7a de trabalho) da maioria dos bens que circulava podia ser expresso em cacau, enquanto o pre\u00e7o deste s\u00f3 podia ser fixado em mantas, cujo valor era invari\u00e1vel. A impossibilidade de fragmentar a manta e a conseq\u00fcente necessidade de um meio circulante dariam origem ao uso &#8220;monet\u00e1rio&#8221; do cacau, determinando a convers\u00e3o rec\u00edproca entre o cacau e a manta.\n\n<strong>Com o cacau, os antigos mexicanos preparavam uma bebida cerimonial cujo consumo ficava restrito aos nobres e aos guerreiros: <\/strong>o chocolate. Uma forte restri\u00e7\u00e3o pesava sobre o consumo do cacau, e os plebeus s\u00f3 podiam beber pulque, bebida alco\u00f3lica obtida do agave.\n\n<strong>Este tabu refor\u00e7ava o poder da nobreza, pois eram atribu\u00eddas ao chocolate propriedades m\u00e1gicas:<\/strong> era o alimento dos deuses.\n\nTalvez fosse associado ao chocolate o sangue dos sacrif\u00edcios humanos oferecidos aos deuses, e especificamente do sacrif\u00edcio que consistia em arrancar o cora\u00e7\u00e3o das v\u00edtimas em honra ao deus Quetzalc\u00f3atl-Kukulc\u00e3 (a serpente emplumada).\n\n<strong>Segundo os mitos mexicanos, Quetzalc\u00f3atl, &#8220;jardineiro do para\u00edso&#8221;, introduziu o cultivo do cacau entre os homens quando vivia em Tula, e ao partir para o litoral enterrou o &#8220;dinheiro&#8221; que circulava ent\u00e3o:<\/strong> conchas, plumas e pedras preciosas. Ent\u00e3o a moeda-cacau se revestiu dos atributos m\u00e1gicos do deus do qual se originara.\n\nOs astecas foram os \u00faltimos senhores do vale do M\u00e9xico. Esse florescente imp\u00e9rio, baseado no dom\u00ednio sobre os povos que at\u00e9 ent\u00e3o haviam disputado a posse do vale, devia sua prosperidade ao tributo de 38 prov\u00edncias. Entre elas a de Soconusco, que, segundo o C\u00f3digo Mendoza, tributava 400 cargas de cacau das 980 que o Estado consumia.\n\n<strong>O VALOR DE TROCA DO CACAU NA SOCIEDADE MAIA<\/strong>\n\nO cacau circulava desde armaz\u00e9ns especiais, chamados &#8220;casas do cacau&#8221;, at\u00e9 os templos e quart\u00e9is militares, que representavam a grandeza imperial do M\u00e9xico-Tenochtitl\u00e3 e suas cidades aliadas e onde, segundo os cronistas, os soldados astecas consumiam grandes quantidades de chocolate.\n\nEntre os maias, \u00e0 diferen\u00e7a da sociedade asteca, a elite pol\u00edtica coincidia em geral com a elite comercial,, e o cacau entrava na vida social gra\u00e7as ao com\u00e9rcio, e n\u00e3o como tributo.\n\nEm Iucat\u00e3 o interc\u00e2mbio de cacau coexistia com uma produ\u00e7\u00e3o equivalente de mantas, o que punha em rela\u00e7\u00e3o de valor todas as mercadorias, inclusive certas terras, cuja produ\u00e7\u00e3o era enviada ao mercado.\n\n<strong>Da necessidade de utilizar a m\u00e3o-de-obra das comunidades camponesas nasceu a escravid\u00e3o produtiva:<\/strong> os homens eram comprados e vendidos por cacau. Segundo Diego de Landa, o cronista dos maias de Iucat\u00e3, &#8220;o of\u00edcio a que mais estavam inclinados (era) o de mercadores, levando sal, roupas e escravos para as terras de Ulua e Tabasco, trocando-os todos por cacau e contas de pedras mais finas e melhores&#8230;&#8221;\n\nO aumento da produ\u00e7\u00e3o de cacau, gra\u00e7as aos escravos maias de Iucat\u00e3 e tamb\u00e9m astecas, favoreceu provavelmente a circula\u00e7\u00e3o de cacau entre as classes baixas, sempre sob o controle da nobreza. Diversas cr\u00f4nicas coloniais e etnogr\u00e1ficas assinalam que o cacau era usado como oferenda e doa\u00e7\u00e3o nos ritos de passagem, como casamentos e funerais.\n\nQue papel cabia ao cacau na acumula\u00e7\u00e3o de riqueza? Os gr\u00e3os de cacau tinham que ser consumidos no prazo de um ano ou um pouco mais. Mas as diferentes estruturas sociais dos astecas e dos maias determinavam tamb\u00e9m comportamentos diferentes a esse respeito. Assim, no vale do M\u00e9xico, os comerciantes tinham que se mostrar muito discretos para n\u00e3o ofender o imperador com suas riquezas.\n\nPor isso, segundo Frei Bernardino de Sahag\u00fan, vestiam-se humildemente, inclusive com mantos rasgados. A cobi\u00e7a da nobreza obrigava os comerciantes pochtecas a consumir seu cacau em grandes quantidades, a ofert\u00e1-lo nos templos ou entreg\u00e1-la como donativo.\n\nNo M\u00e9xico, o cacau estava ligado ao prest\u00edgio e simbolizava uma posi\u00e7\u00e3o social. Em troca, entre os itzas de Iucat\u00e3 a riqueza do cacau, da qual faziam alarde os grandes senhores com seus numerosos escravos e seus pal\u00e1cios decorados com grande refinamento, servia tamb\u00e9m para estimular a produ\u00e7\u00e3o, j\u00e1 que ele podia ser aplicado em cultivos comerciais e na aquisi\u00e7\u00e3o de m\u00e3o-de-obra. Por essa raz\u00e3o, provavelmente os espanh\u00f3is conservaram o uso monet\u00e1rio do cacau em Iucat\u00e3 e substitu\u00edram a manta pelo real, a moeda espanhola, como medida de valor, sempre em rela\u00e7\u00e3o com as flutua\u00e7\u00f5es da produ\u00e7\u00e3o de cacau.\n\n<strong>No entanto, ainda em pleno s\u00e9culo XIX, o cacau seria utilizado para pagar sal\u00e1rios em Iucat\u00e3 e outras regi\u00f5es da Am\u00e9rica Central, como se l\u00ea no testemunho do viajante norte-americano J.L. Stephens, em 1842:<\/strong> &#8220;Notei (&#8230;) que os gr\u00e3os de cacau circulavam entre os \u00edndios como moeda. Em Iucat\u00e3 n\u00e3o h\u00e1 moeda de cobre nem moeda menor que a de meio real (&#8230;) Como os sal\u00e1rios dos \u00edndios s\u00e3o baixos e os artigos que compram s\u00e3o realmente necess\u00e1rios para a vida&#8230; esses gr\u00e3os de cacau ou partes de um meio real s\u00e3o a moeda mais comum entre eles.&#8221;\n\n<strong>VALIOSAS CONCHAS DA \u00c1FRICA<\/strong>\n\nValvas dorsais e ventrais de duas variedades de cauris. No alto, o Cypraea argus; abaixo, o Cyprae onyx.\n\n<strong>Desde tempos remotos at\u00e9 0 s\u00e9culo XX, in\u00fameros objetos foram utilizados como moeda na \u00c1frica subsaariana:<\/strong> varetas ou pulseiras de metal, alguns tecidos, sal, p\u00e9rolas, bot\u00f5es de camisa e conchas. Estas \u00faltimas, muito difundidas, foram os meios de troca que circularam em \u00e1reas de maior extens\u00e3o.\n\nMoluscos de origem marinha, as conchas de cauris, marginelas e olivas foram as que se destinaram com maior freq\u00fc\u00eancia a esse uso. Os cauris (Cypraea annulus ou Cypraea moneta) s\u00e3o conchas brancas ou amarelo-claras, do tamanho de uma am\u00eandoa. A valva dorsal \u00e9 convexa, enquanto a ventral apresenta uma fenda. S\u00e3o encontradas apenas em mares quentes, principalmente no Pac\u00edfico Sul e no oceano \u00cdndico. A maioria dos cauris que circularam na \u00c1frica durante mais de mil anos procedia dos arquip\u00e9lagos das Maldivas e das Laquedivas, no sudoeste da \u00cdndia, e das ilhas Zanzibar e Pemba, ao largo da costa oriental da \u00c1frica.\n\nDespachados como mercadoria em seu local de pesca ou de coleta, os cauris freq\u00fcentemente serviam de lastro para os navios \u00e1rabes, judeus ou europeus que os transportavam at\u00e9 os portos do continente africano, nos quais eram novamente vendidos como mercadorias.\n\nAs marginelas (Marginella ou Marginellidae) s\u00e3o moluscos marinhos de concha pequena e colorida, principalmente as procedentes das costas ocidentais da \u00c1frica. Tamb\u00e9m s\u00e3o encontradas nas regi\u00f5es marinhas intertropicais da Am\u00e9rica, particularmente do Brasil.\n\nBrilhantes como \u00e1gatas e mais compridas que os cauris, as olivas compreendem mais de 300 esp\u00e9cies. A mais utilizada como moeda na \u00c1frica subsaariana era a Olivancillaria nana. Recolhida nos arredores de Luanda, ela constitu\u00eda a &#8220;reserva monet\u00e1ria&#8221; exclusiva dos reis do Congo at\u00e9 a chegada dos portugueses \u00e0 regi\u00e3o,no final do s\u00e9culo XV.\n\n<strong>A \u00c1REA DE CIRCULA\u00c7\u00c3O DAS MOEDAS-CONCHA<\/strong>\n\nAt\u00e9 o s\u00e9culo XVI, o nzimbu, nome congol\u00eas da Olivancillaria nana, circulava no reino do Congo, enquanto a marginela se limitava \u00e0 bacia do N\u00edger e o cauri difundia-se na regi\u00e3o que constituiria posteriormente a \u00c1frica Ocidental e, em certa medida, na \u00c1frica Central.\n\nEntre o s\u00e9culo XVI e o final do s\u00e9culo XIX, do Senegal a Uganda, do Sahel \u00e0 Costa dos Escravos (Golfo da Guin\u00e9), o cauri foi mais difundido que qualquer outra moeda-concha. Mas foi pouqu\u00edssimo utilizado no Saara e jamais chegou a se implantar na \u00c1frica do Norte ou na \u00c1frica Austral.\n\nEsse per\u00edodo marca tamb\u00e9m o apogeu da circula\u00e7\u00e3o das marginelas nas \u00c1fricas Ocidental e Central, onde eram utilizadas pelas etnias da bacia do Congo em suas transa\u00e7\u00f5es comerciais.\n\nJ\u00e1 as olivas, sempre utilizadas exclusivamente pelos bantus, parecem jamais ter circulado fora das fronteiras congolesas. Para arruinar os reis do Congo, os portugueses trouxeram das costas brasileiras outras esp\u00e9cies de olivas, al\u00e9m de cauris do oceano \u00cdndico. Dessa forma, paulatinamente o nzimbu foi retirado da circula\u00e7\u00e3o monet\u00e1ria.\n\nOs portugueses exportaram ainda olivas de Luanda e introduziram-nas como moeda fracion\u00e1ria, juntamente com os cauris, no tr\u00e1fico de escravos negros do Brasil colonial.\n\nAs conchas n\u00e3o eram simples objetos de troca, pois possu\u00edam todos os atributos das verdadeiras moedas. Como padr\u00e3o e reserva de valor, constitu\u00edam \u00e0 sua maneira instrumentos de c\u00e2mbio e eram um s\u00edmbolo de riqueza.\n\n<strong>MOEDAS VERDADEIRAS, MOEDAS FICT\u00cdCIAS<\/strong>\n\nEnquanto moeda verdadeira, as conchas permitiam adquirir inhame, facas, bois ou escravos e remuneravam qualquer tipo de servi\u00e7o. Enquanto moeda fict\u00edcia, serviam igualmente como medida de valor para fixar o pre\u00e7o de algumas mercadorias, sem for\u00e7osamente intervir em seu pagamento.\n\n<strong>No s\u00e9culo XIX, o explorador franc\u00eas Lu\u00eds Gustave Binger transcreveu a conclus\u00e3o de um acordo entre dois comerciantes do norte de Gana:<\/strong> &#8220;A caba\u00e7a de sal vale 2.000 cauris; o cento de kolas, 1.000 cauris. Ofere\u00e7o-te ent\u00e3o 200 kolas por uma caba\u00e7a de sal.&#8221;\n\nPortanto, as conchas favoreciam as transa\u00e7\u00f5es e constitu\u00edam excelentes indicadores da varia\u00e7\u00e3o no tempo e no espa\u00e7o do valor das mercadorias.\n\n<strong>Para maior comodidade, eram agrupadas para formar m\u00faltiplos: <\/strong>depois de perfuradas, eram atadas em conjuntos de 12, 20, 40 ou 100 unidades, segundo o sistema de numera\u00e7\u00e3o utilizado no espa\u00e7o comercial em que circulavam.\n\nAssim como os cauris, os musangas, discos de concha de caracol que circulavam em algumas regi\u00f5es da \u00c1frica, eram atados atrav\u00e9s de um orif\u00edcio central para formarem colares. Dez colares, medidos da extremidade do dedo maior do p\u00e9 ao calcanhar, no in\u00edcio do s\u00e9culo XX, valiam um doti ou 3,60m de tecido azul; dez colares medidos do dedo menor ao calcanhar valiam um doti de qualquer pano de outra cor.\n\nEssas moedas-concha da \u00c1frica subsaariana deram origem, em algumas regi\u00f5es, a verdadeiras pol\u00edticas monet\u00e1rias. As autoridades tradicionais ou pol\u00edticas &#8211; onde existia um poder centralizado &#8211; asseguravam sua circula\u00e7\u00e3o e regulamentavam sua importa\u00e7\u00e3o. Ao tomarem medidas para evitar a superabund\u00e2ncia de conchas, geradora de infla\u00e7\u00e3o, ou sua escassez, que dificultaria as transa\u00e7\u00f5es comerciais, os soberanos exerciam um verdadeiro poder econ\u00f4mico. De Abom\u00e9 \u00e0 Costa dos Escravos, assim como no Congo, eles praticavam uma pol\u00edtica monet\u00e1ria rigorosa, de reconhecida efici\u00eancia.\n\nDesde o in\u00edcio da era colonial as conchas come\u00e7aram a perder paulatinamente seu valor monet\u00e1rio e deixaram de intermediar as transa\u00e7\u00f5es comerciais. Atualmente, apenas os cauris continuam a circular, ainda que muito timidamente, entre os povos do sudoeste de Burkina Faso e do norte de Gana. \u00c9 a \u00fanica regi\u00e3o do mundo onde conseguiram conservar em parte sua fun\u00e7\u00e3o de moeda. S\u00f3 n\u00e3o se sabe at\u00e9 quando.\n\n<strong>A CONTESTA\u00c7\u00c3O DO PODER DOS PR\u00cdNCIPES<\/strong>\n\nAs primeiras perturba\u00e7\u00f5es causadas nessa \u00e9poca pela moeda referiam-se \u00e0 sua emiss\u00e3o. Apenas a autoridade pol\u00edtica representativa, em determinado espa\u00e7o nacional, podia cunhar moeda e dar-lhe um curso legal, princ\u00edpio esse tomado, ap\u00f3s muitas vicissitudes, do direito romano. Apesar do rigor das san\u00e7\u00f5es aplicadas aos contraventores (por vezes cozidos vivos em um caldeir\u00e3o), as contesta\u00e7\u00f5es da cunhagem oficial eram muito freq\u00fcentes.\n\nA primeira categoria de fraudadores era a dos que se aproveitavam do fato de existirem moedas que, embora do mesmo.valor, n\u00e3o apresentavam o mesmo peso.\n\nTais moedas estavam em toda parte, pois as t\u00e9cnicas de cunhagem eram ent\u00e3o rudimentares para permitir uma exata reprodu\u00e7\u00e3o das pe\u00e7as. Qualquer comerciante atento, qualquer agente de c\u00e2mbio e at\u00e9 mesmo os cobradores de impostos examinavam minuciosamente as moedas, retirando de circula\u00e7\u00e3o as mais pesadas. Bastava ent\u00e3o vender a peso, por bom pre\u00e7o, o metal precioso nos ourives, para lucrar em cima do valor nominal das pe\u00e7as. Tamb\u00e9m se poderia diminuir o excedente de metal raspando a moeda, e s\u00f3 repor em circula\u00e7\u00e3o o estritamente necess\u00e1rio, contando com a pouca probabilidade de os usu\u00e1rios quererem verificar se as moedas seguiam os padr\u00f5es oficiais (se seguissem, caberia aos usu\u00e1rios arcar com as despesas da verifica\u00e7\u00e3o).\n\nSerrilhar a borda das moedas e fazer um c\u00edrculo em torno da ef\u00edgie eram os meios empregados, sem muito \u00eaxito, para limitar essa diminui\u00e7\u00e3o; j\u00e1 a nova t\u00e9cnica da lamina\u00e7\u00e3o, que impediria totalmente essa pr\u00e1tica, n\u00e3o p\u00f4de ser implantada no s\u00e9culo XVI em nenhum pa\u00eds, tanto em virtude do custo quanto da resist\u00eancia dos art\u00edfices especializados na antiga t\u00e9cnica de cunhagem de moedas com martelo. Pouco a pouco, os pr\u00edncipes tiveram que impor a pesagem das pe\u00e7as nas transa\u00e7\u00f5es, para garantir \u00e0 moeda uma autenticidade que s\u00f3 a sua ef\u00edgie j\u00e1 n\u00e3o assegurava. No que se refere \u00e0 luta dos soberanos para impedir que os ourives fixassem livremente o pre\u00e7o dos metais preciosos, bem pouco adiantaram os v\u00e1rios editos de proibi\u00e7\u00e3o.\n\nMais radicais ainda foram os antagonismos que apareceram entre os falsificadores de moedas e o que se poderia chamar de antimoedeiros. A contrafa\u00e7\u00e3o, isto \u00e9, a cunhagem de pe\u00e7as falsas (chamadas expressivamente de &#8220;adulterinas&#8221;) se concentrou, no s\u00e9culo XVI, nas moedas espanholas, e dizia respeito sobretudo \u00e0s pequenas pe\u00e7as, de fabrica\u00e7\u00e3o menos cara e controle mais dif\u00edcil. Entretanto, diversos soberanos n\u00e3o hesitavam em cunhar pe\u00e7as imitando as de Estados estrangeiros, a fim de elevar a taxa de cunhagem por sua conta (no caso de pequenos Estados que n\u00e3o tinham moeda pr\u00f3pria), ou reter uma parte do metal cunhando imita\u00e7\u00f5es de menor peso.\n\n<strong>N\u00e3o faltam exemplos c\u00e9lebres de contrafa\u00e7\u00f5es:<\/strong> na Fran\u00e7a, a cunhagem paralela de moedas foi organizada durante cerca de 10 anos pelos papistas, a fim de sabotar a produ\u00e7\u00e3o de dinheiro oficial do rei protestante. Em outro caso, a cunhagem se deu em detrimento da Espanha, cujos metais preciosos vindos da Am\u00e9rica eram pirateados a caminho da Europa.\n\nDesde que descobriu as Antilhas e depois a Am\u00e9rica, a Espanha explorou sistematicamente metais preciosos dessas regi\u00f5es, os quais eram enviados duas vezes por ano, sob escolta militar, a Sevilha, onde eram cunhadas as moedas espanholas.\n\n<strong>As entradas de metal registradas no s\u00e9culo XVI foram consider\u00e1veis:<\/strong> cerca de 250 toneladas de ouro e 200 mil toneladas de prata, ou seja, um ter\u00e7o de todas as reservas europ\u00e9ias. Al\u00e9m disso, certos historiadores estimam que a quantidade de metais que entrou clandestinamente e escapou aos registros espanh\u00f3is, sendo desviada para cunhagem de moedas em pa\u00edses concorrentes, pode muito bem ter sido equivalente aos n\u00fameros oficiais.\n\nMas o desvio de moedas podia tamb\u00e9m tomar formas menos complicadas, como a que consistia em um acordo entre particulares para fazer circular pe\u00e7as proibidas pela autoridade soberana. Periodicamente, os pr\u00edncipes decretavam que determinada moeda nacional ou estrangeira n\u00e3o poderia mais ser usada em transa\u00e7\u00f5es comerciais por ser de qualidade inferior. Ela deveria, ent\u00e3o, ser levada \u00e0 casa da moeda para ser destru\u00edda, ocasi\u00e3o em que o portador receberia o valor correspondente ao peso da moeda. Era comum os particulares n\u00e3o levarem em conta esses editas e colocarem em circula\u00e7\u00e3o privada as pe\u00e7as em quest\u00e3o &#8211; principalmente quando faltavam instrumentos monet\u00e1rios. Foi, por exemplo, o que aconteceu na Fran\u00e7a com as moedas espanholas de pequeno valor na segunda metade do s\u00e9culo XVI.\n\nMais freq\u00fcente ainda era a pr\u00e1tica de negociar com moedas oficialmente autorizadas, mas dando-lhes uma cota\u00e7\u00e3o (chamada &#8220;volunt\u00e1ria&#8221;) que ignorava o pre\u00e7o fixado pelo pr\u00edncipe. Nessa \u00e9poca, e por mais dois s\u00e9culos ainda, o valor das moedas era estabelecido por an\u00fancio p\u00fablico, e n\u00e3o pela inscri\u00e7\u00e3o na pr\u00f3pria moeda. Esse fato fez com que se desconfiasse da cunhagem oficial e, em certas regi\u00f5es e \u00e9pocas, aconteceu de a cota\u00e7\u00e3o privada de uma moeda alcan\u00e7ar o dobro do valor anunciado oficialmente. Essas circunst\u00e2ncias comprometiam seriamente a capacidade inerente \u00e0 moeda de homogeneizar as rela\u00e7\u00f5es sociais.\n\nNo grupo dos antimoedeiros, conv\u00e9m estabelecer duas categorias de agentes. Primeiro, havia os que se recusavam a abandonar a permuta; tal sistema se manteve em in\u00fameras comunidades rurais, apesar da extin\u00e7\u00e3o do com\u00e9rcio de mercadorias em todo o espa\u00e7o europeu da \u00e9poca. Eram tamb\u00e9m, de certa forma, antimoedeiros os que queriam ater-se somente ao peso do metal precioso (e, em certos casos, ao do sal) como medida de valor, excluindo das transa\u00e7\u00f5es qualquer moeda cunhada pela autoridade p\u00fablica.\n\nPara isso existiam diversos meios. Primeiro, podia-se incluir uma &#8220;cl\u00e1usula ouro &#8221; nos contratos a prazo, estipulando que o pagamento se efetuaria em determinado peso de metal ou determinado n\u00famero de moedas especificadas, qualquer que fosse seu valor do momento corno unidade de conta. Essa cl\u00e1usula, herdada do direito romano, se manteria por muito tempo. Nos contratos de compras diretas, a desconfian\u00e7a com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 cunhagem traduzia-se na obriga\u00e7\u00e3o de pagar em metal bruto, com base em uma tarifa contratual. No s\u00e9culo XVI, na Fran\u00e7a, entre um quarto e um ter\u00e7o das transa\u00e7\u00f5es ocorria mediante troca de objetos de ourivesaria (an\u00e9is, ta\u00e7as) ou de p\u00f3 de ouro retirado dos rios (a garimpagem ainda era uma atividade corrente), quando n\u00e3o raspado das moedas em circula\u00e7\u00e3o.\n\n<strong>O COM\u00c9RCIO INTERNACIONAL<\/strong>\n\nNo com\u00e9rcio da Europa com o resto do mundo, os pagamentos eram efetuados com metais preciosos. \u00c9 verdade que para comprar as sedas e as especiarias do Oriente podia-se utilizar certas moedas de curso oficial, em particular o &#8220;excelente&#8221; espanhol e o sequim veneziano, at\u00e9 meados do s\u00e9culo XVI, e depois o real de prata espanhol. Mas essas pe\u00e7as, pouco numerosas, tinham caracter\u00edsticas espec\u00edficas que impediam que fossem substitu\u00eddas por outras.\n\nCom um peso de metal puro praticamente constante (3 a 4 gramas), essas moedas eram dif\u00edceis de imitar, e a ef\u00edgie nelas gravada s\u00f3 garantia a sua conformidade, sem representar uma unidade de conta fora das fronteiras nacionais. Dessa forma, no com\u00e9rcio internacional da Europa essas moedas valiam de acordo com seu n\u00famero ou seu peso em metal puro, mas careciam de status monet\u00e1rio. Nesse aspecto, e mesmo sem considerar a guerra, a pirataria e a escravid\u00e3o, que o acompanhavam, o com\u00e9rcio desenvolvido no s\u00e9culo XVI pelos europeus n\u00e3o pretendia homogeneizar o espa\u00e7o mundial.\n\nO mesmo acontecia com os certificados de dep\u00f3sito que circulavam dentro de cada espa\u00e7o nacional europeu. Esses certificados, que s\u00f3 seriam substitu\u00eddos por c\u00e9dulas de banco um ou dois s\u00e9culos mais tarde, eram emitidos desde o s\u00e9culo XIV por certos banqueiros em troca de dep\u00f3sitos em esp\u00e9cie em seus cofres; tinham o valor de promessa de pagamento imediato pelo banqueiro, e circulavam como moeda.\n\n<strong>O fraco desenvolvimento da ind\u00fastria e do artesanato era ao mesmo tempo causa e conseq\u00fc\u00eancia dos costumes monet\u00e1rios da \u00e9poca:<\/strong> de um lado, essas atividades n\u00e3o produziam riquezas suficientes para que sua partilha fosse objeto de um consenso social; de outro, a orienta\u00e7\u00e3o priorit\u00e1ria das despesas &#8211; guerras, terras, prebendas, produtos de luxo importados &#8211; mantinha sobretudo categorias parasit\u00e1rias. A produ\u00e7\u00e3o permanecia principalmente agr\u00edcola, e seus excedentes eram trocados em mercados locais ou nas feiras distantes, e somente em certos per\u00edodos do ano. A figura do empres\u00e1rio ainda n\u00e3o surgira, e a atividade econ\u00f4mica era simbolizada pelos negociantes, por cujas m\u00e3os circulava o dinheiro.\n\n<strong>OS BANQUEIROS MERCADORES<\/strong>\n\nEntre esses negociantes, os banqueiros mercadores, em seu apogeu no s\u00e9culo XVI, ilustram perfeitamente a natureza da atividade monet\u00e1ria da \u00e9poca.\n\n<strong>Desde a Idade M\u00e9dia, havia nos pa\u00edses da Europa uma redistribui\u00e7\u00e3o de mercadorias:<\/strong> mat\u00e9rias-primas do continente e artigos de luxo do Oriente eram objeto de um intenso com\u00e9rcio de importa\u00e7\u00e3o e exporta\u00e7\u00e3o.\n\n<strong>Este se localizava nas cerca de seis grandes cidades onde se realizavam feiras peri\u00f3dicas e onde o pagamento das compras suscitava uma atividade espec\u00edfica:<\/strong> a convers\u00e3o a um certo pre\u00e7o das unidades cont\u00e1beis nacionais (o c\u00e2mbio).\n\nOs banqueiros mercadores, que perpetuavam uma tradi\u00e7\u00e3o iniciada no s\u00e9culo XIII, nas feiras de Champagne, eram ent\u00e3o agentes particulares que possu\u00edam o monop\u00f3lio da compra e da revenda da d\u00edvida internacional (letra de c\u00e2mbio) dos mercadores comuns. Seu monop\u00f3lio vinha de sua implanta\u00e7\u00e3o em todas as feiras da Europa, onde formavam uma rede que fazia deles os intermedi\u00e1rios obrigat\u00f3rios dos outros mercadores. Esse monop\u00f3lio levou a uma avalia\u00e7\u00e3o consensual do pre\u00e7o internacional de cada d\u00edvida originalmente expressa na moeda de um s\u00f3 pa\u00eds. Nesse sentido, os banqueiros mercadores, em Lyon, sua capital, criaram no s\u00e9culo XVI uma moeda de \u00e2mbito europeu.\n\nAo determinarem o valor internacional das moedas, os banqueiros mercadores entravam certamente em conflito com seus clientes comerciantes, de quem cobravam uma margem de lucro. Mas deviam enfrentar os pr\u00edncipes, que fixavam, por seu lado, uma cota\u00e7\u00e3o oficial para as moedas estrangeiras admitidas em seu pa\u00eds. Muitas modifica\u00e7\u00f5es e altas de pre\u00e7os nasceram desses antagonismos monet\u00e1rios, exacerbados, al\u00e9m disso, por outras dimens\u00f5es que confrontavam as atividades financeiras e banc\u00e1rias no pr\u00f3prio c\u00edrculo dos banqueiros e mercadores.\n\nGeradora do v\u00ednculo social em seu princ\u00edpio, em virtude da refer\u00eancia comum que institui, a moeda \u00e9 tamb\u00e9m perturbadora por seu uso. No que pese \u00e0 sua transforma\u00e7\u00e3o em uma nova divindade na Europa do s\u00e9culo XVI, a moeda, \u00e0 imagem e \u00e0 semelhan\u00e7a do homem que a criou, continua na busca de seus limites.\n\nA hist\u00f3ria do d\u00f3lar norte-americano resume-se a uma longa evolu\u00e7\u00e3o que livra a divisa norte-americana da desordem interna, transformando-a na primeira moeda internacional.\n\n<strong>Jan Kregel<\/strong>\n\nDurante a segunda metade do s\u00e9culo XIX, a libra esterlina gozava da primazia como moeda internacional. De todas as suas poss\u00edveis rivais, o d\u00f3lar norte-americano parecia ser a moeda que tinha menos possibilidades de substitui-la. Os EUA eram um devedor internacional n\u00e3o muito confi\u00e1vel, que necessitava de um banco central e, inclusive, de um sistema monet\u00e1rio unificado. A preponder\u00e2ncia do d\u00f3lar&#8217; s\u00f3 se imp\u00f4s no s\u00e9culo XX, depois de uma hist\u00f3ria longa e inveross\u00edmil que deu lugar, finalmente, \u00e0 cria\u00e7\u00e3o de um organismo banc\u00e1rio central, a Reserva Federal, e converteu o d\u00f3lar em uma moeda nacional garantida pelo governo federal.\n\nAo contr\u00e1rio dos sistemas monet\u00e1rios europeus, a Constitui\u00e7\u00e3o dos EUA, adotada em 1789, nunca outorgou a exclusividade de emiss\u00e3o de moedas e notas ao governo federal. A falta de uma legisla\u00e7\u00e3o monet\u00e1ria clara deu lugar a uma infinidade de meios de pagamento que circulavam praticamente sem nenhum controle ou respaldo de um organismo banc\u00e1rio central. Nessa situa\u00e7\u00e3o ca\u00f3tica, as moedas estrangeiras tiveram curso legal at\u00e9 1857, e ainda em 1901 uma mina de prata de Oregon continuava cunhando suas pr\u00f3prias moedas de prata para &#8220;uso comercial&#8221;.\n\nComo v\u00e1rios estados da Uni\u00e3o se encontravam na bancarrota por n\u00e3o poderem honrar suas emiss\u00f5es de papel-moeda, foram proibidos de emitir. Por\u00e9m, nada os impedia de criar bancos, e estes podiam colocar c\u00e9dulas em circula\u00e7\u00e3o livremente. Assim, o estado de Kentucky fundou um banco privado, do qual era o \u00fanico propriet\u00e1rio, e come\u00e7ou a efetuar pagamentos com suas c\u00e9dulas. Essa tradi\u00e7\u00e3o individualista em quest\u00f5es monet\u00e1rias deu lugar a uma atividade banc\u00e1ria &#8220;descontrolada&#8221;, que se desenvolveu amparada por leis estatais muitas vezes extremamente complacentes (free banking laws) e que autorizavam qualquer indiv\u00edduo ou associa\u00e7\u00e3o a abrir um banco e emitir c\u00e9dulas, sem autoriza\u00e7\u00e3o ou controle algum.\n\nA inexist\u00eancia de um banco nacional obrigava o governo federal a fazer todas as suas transa\u00e7\u00f5es atrav\u00e9s de estabelecimentos privados ou em esp\u00e9cie. Em 1840, o presidente Martin Van Buren criou o &#8220;sistema de Tesouro independente&#8221;, que se ocupou das opera\u00e7\u00f5es financeiras do governo atrav\u00e9s de suas ag\u00eancias abertas em todo o territ\u00f3rio nacional. Mas o Tesouro n\u00e3o era um banco e n\u00e3o podia, portanto, emitir c\u00e9dulas; todos os lucros e despesas governamentais tinham que ser efetuados em ouro ou prata. O Estado n\u00e3o podia custear desembolsos que ultrapassassem os impostos arrecadados, a n\u00e3o ser que recorresse \u00e0 emiss\u00e3o de obriga\u00e7\u00f5es subscritas em ouro.\n\n<strong>OS GREENBACKS<\/strong>\n\nAs necessidades de financiamento da Guerra de Secess\u00e3o (1861-65) deram origem a diversas disposi\u00e7\u00f5es monet\u00e1rias que permaneceram vigentes at\u00e9 o final do s\u00e9culo. O Tesouro come\u00e7ou por emitir &#8220;notas \u00e0 vista&#8221; (demand notes), que n\u00e3o tinham curso legal mas eram convers\u00edveis em ouro. N\u00e3o obstante, a escassez de reservas de ouro do Tesouro obrigou a suspender imediatamente a conversibilidade, e at\u00e9 o fim da guerra o financiamento p\u00f4de ser feito gra\u00e7as \u00e0 emiss\u00e3o de notas do Tesouro (US Notes), respaldadas apenas na boa-f\u00e9 e na reputa\u00e7\u00e3o do governo. Elas eram chamadas popular-mente de &#8220;notas verdes&#8221; (greenbacks), nome que ainda hoje o d\u00f3lar norte-americano tem em todo o mundo.\n\nA emiss\u00e3o das &#8220;notas verdes&#8221; estava limitada a 433 milh\u00f5es, mas devido \u00e0s crescentes dificuldades para obter empr\u00e9stimos e ao crescimento dos gastos o secret\u00e1rio do Tesouro, Salman P. Chase, decidiu-aplicar em todo o pa\u00eds o sistema de livre cria\u00e7\u00e3o de bancos, autorizado por uma lei de 1869, a National Bank Act.\n\nEssa lei autorizava qualquer grupo de cinco pessoas a constituir uma &#8220;associa\u00e7\u00e3o banc\u00e1ria nacional&#8221;e emitir notas correspondentes a suas obriga\u00e7\u00f5es do governo federal, depositadas junto ao Controlador da Moeda.\n\nPara impedir a concorr\u00eancia entre essas notas e as dos bancos estaduais, estes \u00faltimos tinham que pagar uma taxa de 10%, o que logo os levou a sair de circula\u00e7\u00e3o. Os bancos estaduais contra-atacaram, oferecendo servi\u00e7os de pagamento por cheque contra as contas em dep\u00f3sito, o que se mostrou um atraente substituto para as emiss\u00f5es dos bancos privados.\n\nAssim, no fim da Guerra de Secess\u00e3o a extraordin\u00e1ria diversidade de formas de pagamento, representando as obriga\u00e7\u00f5es de milhares de bancos, haviam-se reduzido \u00e0s &#8220;notas verdes&#8221; e \u00e0s notas dos bancos privados (chamados national banks), que n\u00e3o podiam ser convertidas em metal, mas cujo n\u00famero estava estritamente limitado. Nos EUA a oferta monet\u00e1ria ficava rigidamente fixada; n\u00e3o podia se ajustar \u00e0s flutua\u00e7\u00f5es dos c\u00e2mbios, nem \u00e0s freq\u00fcentes ondas de p\u00e2nico desencadeadas pela fal\u00eancia dos bancos carentes de regulamenta\u00e7\u00e3o (dois anos depois da aplica\u00e7\u00e3o do sistema de livre cria\u00e7\u00e3o de bancos, em Michigan, por exemplo, os 40 estabelecimentos banc\u00e1rios existentes haviam falido).\n\n<strong>CICLOS AGR\u00cdCOLAS E ESCASSEZ DE NUMER\u00c1RIO<\/strong>\n\nPor tratar-se de um pa\u00eds agr\u00e1rio, as necessidades de moeda dependiam do ciclo da colheita. Quando os agricultores vendiam seus produtos, os dep\u00f3sitos se acumulavam nos bancos das regi\u00f5es agr\u00edcolas e provocavam uma escassez de fundos nos bancos das regi\u00f5es industriais do Leste. Os national banks, n\u00e3o podendo ter sucursais, careciam de um mecanismo para canalizar os recursos excedentes. Como n\u00e3o havia um banco central para emprestar reservas, n\u00e3o havia nenhum meio de enfrentar essas flutua\u00e7\u00f5es, exceto mediante a modifica\u00e7\u00e3o brutal das taxas de juros e a declara\u00e7\u00e3o de fal\u00eancias dos bancos. Essa situa\u00e7\u00e3o, agravada pela grande absor\u00e7\u00e3o de numer\u00e1rio de um Tesouro independente e a falta de uma regulamenta\u00e7\u00e3o banc\u00e1ria estrita, provocava instabilidade extrema e freq\u00fcentes crises.\n\nPara muitos,essa instabilidade devia-se \u00e0 falta de numer\u00e1rio, que beneficiava os que estavam interessados em que a prata fosse a base do sistema monet\u00e1rio norte-americano Foi assim que William Jennings Bryan lan\u00e7ou um movimento em favor da &#8220;prata livre&#8221; (free silver movement), com o objetivo de poder cunhar livremente esse metal como dinheiro legal. Em 1878 a lei Bland-Allison autorizou os b\u00f4nus de prata do Tesouro, que se converteram em dinheiro legal em 1886.\n\nEm 1890 a Sherman Silver Act praticamente obrigava o Tesouro a adquirir a produ\u00e7\u00e3o total das minas de prata dos EUA. Em 1882 foram adotadas medidas similares para os b\u00f4nus de ouro, mas nenhuma delas deu \u00e0 circula\u00e7\u00e3o monet\u00e1ria a flexibilidade esperada.\n\nEsse sistema criou graves dificuldades n\u00e3o s\u00f3 internas, como tamb\u00e9m internacionais. Na verdade, a \u00fanica maneira de compensar os c\u00e2mbios da demanda interna de numer\u00e1rio eram as opera\u00e7\u00f5es no mercado mundial; estas, por sua vez, provocavam uma instabilidade no funcionamento do sistema monet\u00e1rio internacional.\n\nIsso foi o que aconteceu em 1893, quando se propagou bruscamente o medo de os EUA n\u00e3o respeitarem a convers\u00e3o da d\u00edvida p\u00fablica em ouro, saldando-a, ao inv\u00e9s disso, em prata, cujo pre\u00e7o nos mercados internacionais estava caindo, o que provocou uma fuga de ouro incontrol\u00e1vel e a fal\u00eancia de diversos bancos.\n\n<strong>NASCIMENTO DA RESERVA FEDERAL<\/strong>\n\nA fuga de ouro foi contida com a Gold Standard Act de 1900, que p\u00f4s fim ao bimetalismo, ajustou o d\u00f3lar com firmeza ao padr\u00e3o-ouro e obrigou os bancos privados a terem um respaldo nesse metal para a emiss\u00e3o de notas. A quantidade de ouro nas m\u00e3os do p\u00fablico triplicou entre 1899 e 1910, como ali\u00e1s a do Tesouro. O montante de ouro da reserva mundial correspondente aos EUA passou de 15 a 30%, ao mesmo tempo em que muitos outros pa\u00edses (\u00c1ustria-Hungria, R\u00fassia, Jap\u00e3o&#8230;) adoraram tamb\u00e9m o padr\u00e3o-ouro.\n\n\u00c0 medida que a oferta se desacelerou, a acumula\u00e7\u00e3o de ouro nos EUA causou mais dificuldades do que a fuga desse metal, em particular porque o ouro que entrava no Tesouro s\u00f3 podia ser utilizado para financiar o d\u00e9ficit do balan\u00e7o de pagamentos (que apresentava ent\u00e3o um super\u00e1vit). O Tesouro, por ser um sistema independente, n\u00e3o estava apto a utilizar seu ouro como respaldo para emitir dinheiro nem para servir como credor de \u00faltima inst\u00e2ncia.\n\nEm 1907, os legisladores come\u00e7aram a considerar a cria\u00e7\u00e3o de uma institui\u00e7\u00e3o nacional que pudesse enfrentar as flutua\u00e7\u00f5es da demanda monet\u00e1ria de outra maneira que n\u00e3o a absor\u00e7\u00e3o de ouro do exterior. Essa institui\u00e7\u00e3o foi finalmente criada pela Federal Reserve Act adotada em 1913.\n\nO territ\u00f3rio norte-americano, por aquela lei, foi dividido em 12 distritos, cada um com seu banco federal de reserva, cujo capital estava subscrito pelos privados que se viam, assim, for\u00e7ados a aderir ao sistema. Este entrou em funcionamento no dia 2 de novembro de 1914. Os bancos federais foram autorizados a emitir um novo tipo de moeda, as notas da Reserva Federal, que era dinheiro legal para todas as d\u00edvidas e obriga\u00e7\u00f5es, tanto dos bancos quanto do governo dos EUA.\n\nEssas novas notas deviam substituir as dos bancos privados, e a d\u00edvida que tinha servido de respaldo para estes deveria ser recolhida e paga com notas da Reserva Federal. A emiss\u00e3o estava lastreada em ouro em pelo menos 40 %, e o restante por valores comerciais e outros ativos id\u00f4neos adquiridos, mediante desconto, dos bancos privados. Desse modo, supria-se a necessidade de criar um meio flex\u00edvel de pagamento, que pudesse aumentar ou diminuir a oferta de moeda em fun\u00e7\u00e3o das exig\u00eancias dos interc\u00e2mbios e da situa\u00e7\u00e3o do sistema banc\u00e1rio. Um banco associado com escassez de divisas podia adquiri-ias descontando ativos em troca de c\u00e9dulas da Reserva Federal.\n\nMas o Conselho da Reserva Federal, com sede em Washington e nomeado pelo presidente da Rep\u00fablica, exercia uma tutela problem\u00e1tica sobre os bancos federais, cujos propriet\u00e1rios e diretores eram banqueiros privados. Como n\u00e3o estava claro de quem dependia a pol\u00edtica monet\u00e1ria, &#8216;cabia aos banqueiros sempre a \u00faltima palavra.\n\n<strong>No entanto, as duas condi\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias para a ulterior supremacia internacional do d\u00f3lar j\u00e1 existiam<\/strong>: a acumula\u00e7\u00e3o nos EUA de uma parte consider\u00e1vel da reserva mundial de ouro, o que obrigou o sistema monet\u00e1rio internacional a adotar um padr\u00e3o-ouro de c\u00e2mbio, e a unifica\u00e7\u00e3o da moeda nacional, emitida por uma s\u00f3 autoridade com poder para atuar como garantidor de \u00faltima inst\u00e2ncia.\n\nA I Guerra Mundial debilitou o poder do Reino Unido, e a moeda norte-americana entrou no per\u00edodo de p\u00f3s-guerra com uma paridade em rela\u00e7\u00e3o ao ouro superior \u00e0 da libra esterlina. Al\u00e9m disso, a economia dos EUA, ap\u00f3s uma breve recess\u00e3o, conheceria o per\u00edodo de prosperidade chamado de &#8220;os anos loucos da d\u00e9cada de 20&#8221;, \u00e9poca \u00e1urea do r\u00e1dio e do autom\u00f3vel.\n\n<strong>O CRAQUE DE 29<\/strong>\n\nA entrada maci\u00e7a de capitais de investimento nos EUA, provocada no in\u00edcio pelo crescimento r\u00e1pido da atividade econ\u00f4mica e pela prosperidade do mercado acion\u00e1rio e, depois; pelas elevadas taxas de juros aplicadas com a inten\u00e7\u00e3o de p\u00f4r fim \u00e0 especula\u00e7\u00e3o em Wall Street, acabou com a estabilidade das taxas de c\u00e2mbio. O craque da Bolsa em 1929 provocou in\u00fameras fal\u00eancias banc\u00e1rias, que a Reserva Federal n\u00e3o p\u00f4de compensar. A derrocada dos valores de investimento levou a uma depress\u00e3o mundial.\n\nAs provas ineg\u00e1veis da generaliza\u00e7\u00e3o da fraude banc\u00e1ria, vindas \u00e0 tona com esse desastre, evidenciaram as defici\u00eancias na fun\u00e7\u00e3o controladora exercida pela Reserva Federal e em sua capacidade de orientar a pol\u00edtica monet\u00e1ria, a fim de proteger da fal\u00eancia at\u00e9 os bancos mais bem administrados. Uma s\u00e9rie de medidas &#8211; nacionaliza\u00e7\u00e3o do ouro, desvaloriza\u00e7\u00e3o do d\u00f3lar a 35 d\u00f3lares a on\u00e7a de ouro etc. &#8211; assim como a Banking Act de 1935, que refor\u00e7ava as atribui\u00e7\u00f5es do Conselho da Reserva Federal, deu lugar finalmente \u00e0 cria\u00e7\u00e3o de um sistema com atribui\u00e7\u00f5es equivalentes \u00e0s de um banco central europeu.\n\nAssim, o per\u00edodo entreguerras serviu para consolidar o poder da reserva monet\u00e1ria dos EUA e a estrutura de seu sistema financeiro. A partir desse momento, os EUA estavam preparados para tomar a frente de Londres no sistema internacional. Com a II Guerra Mundial, o Reino Unido passou da posi\u00e7\u00e3o de credor a devedor internacional. Os EUA tornaram-se o maior credor do mundo do p\u00f3s-guerra. Todos os pa\u00edses que desejavam comprar mercadorias para a reconstru\u00e7\u00e3o tinham que adquirir d\u00f3lares, o que transformou a moeda norte-americana na primeira moeda internacional.\n\nFonte: www.cliohistoria.hpg.ig.com.br\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Hist\u00f3ria da Moeda, Origem, Fun\u00e7\u00e3o, Troca, Papel, Pagamento, Conceito, Tipo, Utiliza\u00e7\u00e3o, Import\u00e2ncia, Caracter\u00edsticas, Evolu\u00e7\u00e3o, Hist\u00f3ria da Moeda<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[57],"tags":[],"class_list":["post-12760","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-historia-geral"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v28.3 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>Hist\u00f3ria da Moeda - Portal S\u00e3o Francisco<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"noindex, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"en_US\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"Hist\u00f3ria da Moeda - 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