{"id":12755,"date":"2016-01-04T00:00:00","date_gmt":"2016-01-04T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/uncategorized\/historia-da-medicina\/"},"modified":"2026-08-31T21:51:33","modified_gmt":"2026-08-31T21:51:33","slug":"historia-da-medicina","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/historia-geral\/historia-da-medicina\/","title":{"rendered":"Hist\u00f3ria da Medicina"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"ads-cima\"><\/p>\n&nbsp;\n<h4>O que \u00e9 a medicina?<\/h4>\n<strong>A Medicina tem dois significados b\u00e1sicos, refere-se a:<\/strong>\n<blockquote><strong>1.<\/strong> A Ci\u00eancia do Bom Viver; a pr\u00e1tica do diagn\u00f3stico, tratamento e preven\u00e7\u00e3o da doen\u00e7a e promo\u00e7\u00e3o da sa\u00fade.\n<strong>2.<\/strong> Os medicamentos, drogas, subst\u00e2ncias utilizadas para tratar e curar doen\u00e7as e promover sa\u00fade.<\/blockquote>\nOs seres humanos t\u00eam vindo a praticar a medicina, de uma forma ou de outra por mais de um milh\u00e3o de anos.\n<p class=\"imagem\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Hist\u00f3ria da Medicina\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/hhistor112-1.jpg\" alt=\"Hist\u00f3ria da Medicina\" width=\"263\" height=\"393\" \/><strong>\nH\u00edgia, a deusa da Sa\u00fade<\/strong><\/p>\nA <strong>Medicina<\/strong> \u00e9 a ci\u00eancia e arte de curar. Ela engloba uma variedade de pr\u00e1ticas de sa\u00fade evolu\u00edram para manter e restaurar a sa\u00fade atrav\u00e9s da preven\u00e7\u00e3o e tratamento da doen\u00e7a. Todas as sociedades humanas t\u00eam cren\u00e7as m\u00e9dicas que fornecem explica\u00e7\u00f5es para o nascimento, morte e doen\u00e7a. Ao longo da hist\u00f3ria, a doen\u00e7a tem sido atribu\u00edda a feiti\u00e7aria, dem\u00f4nios, a influ\u00eancia astral adverso, ou a vontade dos deuses.\n\nOs primeiros registros sobre medicina foram descobertos a partir de <strong>medicina <\/strong>antiga eg\u00edpcio, babil\u00f4nico medicina, medicina ayurv\u00e9dica (no subcontinente indiano), a medicina chinesa cl\u00e1ssica (predecessor da tradicional medicina chinesa moderna), e antiga medicina grega e romana medicina .\n<h4>Pr\u00e9-Hist\u00f3ria da Medicina<\/h4>\nMedicina pr\u00e9-hist\u00f3rica plantas incorporados (itoterapia), partes de animais e minerais. Em muitos casos, esses materiais foram utilizados subst\u00e2ncias ritualmente como m\u00e1gicos por sacerdotes, xam\u00e3s ou curandeiros. \u00c9 claro que as sociedades pr\u00e9-hist\u00f3ricas acreditavam em ambos os meios naturais e sobrenaturais de variavelmente causando e tratamento da doen\u00e7a. Materiais vegetais (ervas e subst\u00e2ncias derivadas de fontes naturais), estavam entre os tratamentos para as doen\u00e7as em culturas pr\u00e9-hist\u00f3ricas.\n<h4>Medicina eg\u00edpcia<\/h4>\nO eg\u00edpcio Imhotep (2667 &#8211; 2648 aC) \u00e9 o primeiro <strong>m\u00e9dico <\/strong>na hist\u00f3ria conhecida pelo nome. A primeira cirurgia conhecida no Egito foi realizada no Egito em torno de 2750 aC. O Kahun Gynaecological Papyrus trata queixas das mulheres, incluindo problemas com a concep\u00e7\u00e3o. Trinta e quatro casos detalhando diagn\u00f3stico e tratamento sobrevivem, alguns deles fragmentariamente. Datado de 1800 aC, \u00e9 o mais velho sobrevivente texto m\u00e9dico de qualquer tipo.\n\nInstitui\u00e7\u00f5es m\u00e9dicas, conhecido como Casas da Vida s\u00e3o conhecidos por terem sido estabelecida no antigo Egito, logo no primeiro Dynasty.\n\nHer\u00f3doto descreveu os eg\u00edpcios como &#8220;o mais saud\u00e1vel de todos os homens, ao lado dos l\u00edbios&#8221;, devido ao clima seco e o sistema de sa\u00fade p\u00fablica not\u00e1vel que eles possu\u00edam. Segundo ele, &#8220;[a] pr\u00e1tica da medicina \u00e9 t\u00e3o especializada entre eles que cada m\u00e9dico \u00e9 um curandeiro de uma doen\u00e7a e n\u00e3o mais.&#8221; Embora a medicina eg\u00edpcia, em boa medida, de que trata o sobrenatural, ele acabou desenvolvendo um uso pr\u00e1tico nas \u00e1reas de anatomia, sa\u00fade p\u00fablica, e diagn\u00f3sticos cl\u00ednicos.\n<h4>Medicina mesopot\u00e2mica<\/h4>\nOs mais antigos textos babil\u00f4nicos na data da medicina remonta ao per\u00edodo babil\u00f4nico antigo na primeira metade do segundo mil\u00eanio aC. O mais extenso texto m\u00e9dico da Babil\u00f4nia, no entanto, \u00e9 o Manual de Diagn\u00f3stico por escrito pelo m\u00e9dico-Esagil-kin apli de Borsippa, durante o reinado do rei babil\u00f4nico Adad-apla-iddina (1069- 1046 aC). Junto com a medicina eg\u00edpcia contempor\u00e2nea, os babil\u00f4nios introduziu os conceitos de diagn\u00f3stico, progn\u00f3stico, exame f\u00edsico, e prescri\u00e7\u00f5es m\u00e9dicas.\n\nAl\u00e9m disso, o Manual de Diagn\u00f3stico introduzidos os m\u00e9todos de terapia e etiologia e a utiliza\u00e7\u00e3o de empirismo, l\u00f3gica e racionalidade no diagn\u00f3stico, progn\u00f3stico e tratamento. O texto cont\u00e9m uma lista de sintomas m\u00e9dicos e observa\u00e7\u00f5es emp\u00edricas frequentemente detalhados, juntamente com regras l\u00f3gicas usadas em combina\u00e7\u00e3o de sintomas observados no corpo de um paciente com o diagn\u00f3stico e progn\u00f3stico.\n<h4>Medicina Indiana<\/h4>\nO Atharvaveda, um texto sagrado do hindu\u00edsmo que datam do in\u00edcio da Idade do Ferro , \u00e9 o primeiro texto indiano lidar com a medicina, como a medicina do Antigo Oriente Pr\u00f3ximo com base em conceitos do exorcismo de dem\u00f4nios e magia. O Atharvaveda tamb\u00e9m cont\u00eam prescri\u00e7\u00f5es de ervas para v\u00e1rias doen\u00e7as.\n\nO uso de ervas para tratar doen\u00e7as mais tarde iria formar uma grande parte da Ayurveda.\n\nNo primeiro mil\u00eanio aC, surge no p\u00f3s-v\u00e9dica \u00cdndia o sistema de medicina tradicional conhecida como Ayurveda, que significa &#8220;conhecimento completo para uma vida longa&#8221;. Seus dois textos mais famosos pertencem \u00e0s escolas de Charaka, nascido c. 600 aC, e Sushruta, nascido 600 BCE. Os primeiros fundamentos da Ayurveda foram constru\u00eddas sobre uma s\u00edntese das pr\u00e1ticas tradicionais de ervas, juntamente com um acr\u00e9scimo enorme de conceitua\u00e7\u00f5es te\u00f3ricas, novas nosologias e novas terapias que datam de cerca de 400 aC em diante, e saindo das comunidades de pensadores que inclu\u00edram a Buda e outros.\n\n<strong>Os cl\u00e1ssicos ayurv\u00e9dicos mencionar oito ramos da medicina:<\/strong> kayacikitsa (medicina interna), salyacikitsa (cirurgia incluindo anatomia), salakyacikitsa (olhos, ouvidos, nariz e garganta) doen\u00e7as, kaumarabhtya (pediatria), bhutavidya (medicina esp\u00edrito), e Agada tantra ( Toxicologia), RASAYANA (ci\u00eancia do rejuvenescimento) e Vajikarana (afrodis\u00edacos, principalmente para os homens).\n\n<strong>Al\u00e9m de aprender estes, era esperado que o aluno de Ayurveda saber dez artes que eram indispens\u00e1veis na elabora\u00e7\u00e3o e aplica\u00e7\u00e3o de seus medicamentos: <\/strong>destila\u00e7\u00e3o, habilidades operat\u00f3rias, cozinha, horticultura, metalurgia, fabrica\u00e7\u00e3o de a\u00e7\u00facar, de farm\u00e1cia, de an\u00e1lise e de separa\u00e7\u00e3o de minerais, compondo de metais, e prepara\u00e7\u00e3o de \u00e1lcalis.\n<p class=\"imagem\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Hist\u00f3ria da Medicina\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/hhistor212.jpg\" alt=\"Hist\u00f3ria da Medicina\" width=\"274\" height=\"260\" \/><strong>\nCr\u00e2nio com trefina\u00e7\u00e3o &#8211; Neol\u00edtico (3500 aC), mostrando evid\u00eancia de uma trefinando funcionamento &#8211; a remo\u00e7\u00e3o de uma parte do cr\u00e2nio para aliviar a press\u00e3o, utilizado como um tratamento m\u00e9dico para uma variedade de doen\u00e7as de enxaquecas \u00e0 doen\u00e7a mental. O tratamento foi utilizada em muitas culturas antigas<\/strong><\/p>\n\n<h4>Grega e romana Medicina<\/h4>\nA escola m\u00e9dica Grego primeiro conhecido inaugurado em Cnidus em 700 aC. Alcmaeon, autor do primeiro trabalho anat\u00f4mico, trabalhou nesta escola, e foi aqui que a pr\u00e1tica de pacientes de observa\u00e7\u00e3o foi estabelecido. Como foi o caso em outros lugares, os gregos antigos desenvolveram um sistema de medicina humoral onde o tratamento procurou restaurar o equil\u00edbrio dos humores dentro do corpo.\n\nTemplos dedicados ao deus healer- Asclepius, conhecido como Asclepieia, funcionavam como centros de aconselhamento m\u00e9dico, progn\u00f3stico e de cura. Nesses santu\u00e1rios, os pacientes entraria numa on\u00edrica como o estado de sono induzido conhecido como enkoimesis e n\u00e3o ao contr\u00e1rio da anestesia, em que tanto recebeu orienta\u00e7\u00e3o da divindade em um sonho ou foram curados por cirurgia.\n\nO m\u00e9dico grego Hip\u00f3crates de C\u00f3s (c 460 -.. C 370 aC), o &#8220;pai da medicina&#8221;, lan\u00e7ou as bases para uma abordagem racional para a medicina. Hip\u00f3crates foi talvez o primeiro a classificar as doen\u00e7as como aguda, cr\u00f4nica, end\u00eamica e epid\u00eamica, e usar termos como &#8220;exacerba\u00e7\u00e3o, a reca\u00edda, a resolu\u00e7\u00e3o de crises, paroxismo, pico, e convalescen\u00e7a&#8221;.\n\nO Hip\u00f3crates Corpus \u00e9 uma cole\u00e7\u00e3o de cerca de sixtty trabalhos m\u00e9dicos iniciais da antiga Gr\u00e9cia fortemente associados com Hip\u00f3crates e seus alunos. As obras mais famosas do Corpus \u00e9 o Juramento de Hip\u00f3crates, que ainda \u00e9 relevante e em uso hoje pelos m\u00e9dicos. Hip\u00f3crates n\u00e3o \u00e9 considerado como sendo o autor exclusivo do Juramento, mas sim o documento pertence a uma cole\u00e7\u00e3o maior de tratados sobre medicina grega compilados em um Hippocatium Corpus que leva seu nome.\n\nHer\u00f3filo de Calced\u00f4nia (325-280 aC), que trabalha na escola de medicina de Alexandria colocado intelig\u00eancia no c\u00e9rebro, e ligado o sistema nervoso ao movimento e sensa\u00e7\u00e3o. Herophilus tamb\u00e9m distinguiu entre veias e art\u00e9rias, lembrando que o \u00faltimo pulso enquanto o primeiro n\u00e3o. Ele e seu contempor\u00e2neo, Erasistratus de Chios, pesquisou o papel das veias e nervos, mapeando seus cursos em todo o corpo. Eras\u00edstrato ligado a complexidade aumentada da superf\u00edcie do c\u00e9rebro humano em rela\u00e7\u00e3o a outros animais para sua intelig\u00eancia superior.\n\nO m\u00e9dico grego Galeno (129-217 dC), tamb\u00e9m foi um dos maiores cirurgi\u00f5es do mundo antigo e realizou muitas opera\u00e7\u00f5es audaciosas, incluindo cerebrais e oculares cirurgias.\n\nOs romanos inventaram v\u00e1rios instrumentos cir\u00fargicos, incluindo os primeiros instrumentos exclusivos para as mulheres, bem como os usos cir\u00fargicos de pin\u00e7as, bisturis, caut\u00e9rio, tesouras cross-lamelar, a agulha cir\u00fargica, o som, e speculas. Romanos tamb\u00e9m realizou a cirurgia de catarata.\n<h4>O Legado da Medicina Antiga<\/h4>\nAp\u00f3s a queda do Imp\u00e9rio Romano do Ocidente e o in\u00edcio da Alta Idade M\u00e9dia, a tradi\u00e7\u00e3o grega de medicina entrou em decl\u00ednio no oeste da Europa , embora tenha continuado ininterrupto no Imp\u00e9rio Romano do Oriente.\n\nDepois de 750 EC, o mundo \u00e1rabe mu\u00e7ulmano tinha os antigos trabalhos sobre traduzido para o \u00e1rabe medicina e m\u00e9dicos isl\u00e2micos envolvidos em alguma pesquisa m\u00e9dica significativa. Pioneiros m\u00e9dicos isl\u00e2micos not\u00e1veis incluem o pol\u00edmata, Avicena, que, junto com Imhotep e Hip\u00f3crates, tamb\u00e9m tem sido chamado de &#8220;pai da medicina&#8221;. Ele escreveu o Canon de Medicina, considerado um dos livros mais famosos da hist\u00f3ria da medicina.\n\n<strong>Os Prim\u00f3rdios da Medicina Moderna:<\/strong> O Califado\n\nAp\u00f3s a queda do Imp\u00e9rio Romano, as id\u00e9ias gregas sobre a medicina passaram a ser preservadas e transmitidas com mais precis\u00e3o no imp\u00e9rio Isl\u00e2mico. Sob o califado de Abbasid, um centro foi criado em Bagd\u00e1 especificamente para a tradu\u00e7\u00e3o de uma ampla gama de textos n\u00e3o isl\u00e2micos para o \u00e1rabe. S\u00e1bios de todo o imp\u00e9rio Isl\u00e2mico (incluindo \u00e1rabes, persas e judeus) n\u00e3o apenas codificaram a medicina grega, incluindo as id\u00e9ias de Galen, mas tamb\u00e9m incorporaram escritos m\u00e9dicos do Talmud, ensinamentos ocultos do Egito, e id\u00e9ias ayurv\u00e9dicas da \u00cdndia. Tanto o Carakasamhita quanto o Susrutasamhiat, por exemplo, foram traduzidos para o \u00e1rabe. Esses s\u00e1bios tamb\u00e9m fizeram avan\u00e7os significativos de conhecimento.\n\nUma das luzes-guia da por\u00e7\u00e3o oriental do califado foi Al-Razi (conhecido no Ocidente como Rhazes; c. 860\u0096930), persa que escreveu um Guia Abrangente de Medicina no s\u00e9culo IX. Ele distinguiu a var\u00edola do sarampo, reconheceu rea\u00e7\u00f5es al\u00e9rgicas, percebeu que a febre era uma das formas do corpo de combater doen\u00e7as, e introduziu o uso de entranhas de animais para suturar feridas, e do gesso de Paris para ataduras. Ibn Sina (Avicenna; 980\u00961037), persa do s\u00e9culo XI, codificou o conhecimento m\u00e9dico da \u00e9poca. Seu trabalho foi usado em universidades europ\u00e9ias por s\u00e9culos. Entre suas maiores contribui\u00e7\u00f5es est\u00e1 a descoberta da natureza contagiosa de doen\u00e7as infecciosas e a introdu\u00e7\u00e3o de quarentenas para limitar sua dissemina\u00e7\u00e3o. Ele tamb\u00e9m introduziu a experimenta\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica.\n\nNo s\u00e9culo XIII um \u00e1rabe chamado Ibn Al Nafis (1213-88) foi o primeiro a descrever a circula\u00e7\u00e3o de sangue pelos pulm\u00f5es. Isso desafiou a no\u00e7\u00e3o de Galen sobre a passagem de sangue diretamente entre os ventr\u00edculos do cora\u00e7\u00e3o.\n<p class=\"imagem\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Hist\u00f3ria da Medicina\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/hhistor32-1.jpg\" alt=\"Hist\u00f3ria da Medicina\" width=\"192\" height=\"318\" \/>\nO grande m\u00e9dico judaico medieval Maim\u00f4nides\nenfatizou a import\u00e2ncia da higiene em seus escritos<\/strong><\/p>\nNo califado ocidental, ou espanhol, Al-Zahrawi (Albucasis; 936-1013) produziu o primeiro tratado sistem\u00e1tico e ilustrado sobre a cirurgia, publicado mais ou menos no ano 1000. Ibn Zohr (Avenzoar; c. 1091-1161) tamb\u00e9m desafiou muitas das no\u00e7\u00f5es de Galen. Ele enfatizou a import\u00e2ncia da experi\u00eancia sobre a doutrina e foi o primeiro a descrever com precis\u00e3o as doen\u00e7as escabiose e pericardite. Um contempor\u00e2neo de Ibn Zohr foi Maim\u00f4nides (1135-1204), o grande m\u00e9dico judeu medieval. Seus escritos incluem um influente trabalho sobre higiene. Maim\u00f4nides acabou indo para o oriente para se tornar o m\u00e9dico do famoso sult\u00e3o Saladin.\n\nS\u00e1bios do mundo isl\u00e2mico tamb\u00e9m fizeram contribui\u00e7\u00f5es importantes para a farmacologia, criando v\u00e1rios formul\u00e1rios de drogas. A palavra droga \u00e9 de origem \u00e1rabe, e os \u00e1rabes introduziram v\u00e1rios novos termos. Estes incluem \u00e1lcool; benzo\u00edna, resina bals\u00e2mica usada como expectorante e protetor da pele; c\u00e2nfora, subst\u00e2ncia semelhante a cera obtida das canfoneiras e usada como um anest\u00e9sico t\u00f3pico leve; l\u00e1udano, uma esp\u00e9cie de \u00f3pio; mirra, uma resina de goma com m\u00faltiplos usos m\u00e9dicos (e um dos presentes dos Tr\u00eas reis Magos na hist\u00f3ria do nascimento de Jesus Cristo); e sene, uma leguminosa usada como purgativo.\n\nO atendimento m\u00e9dico era fornecido por v\u00e1rios cl\u00ednicos, a maioria usando m\u00e9todos tradicionais. Nas grandes cidades, contudo, hospitais foram criados. Estes parecem ter sido inspirados no atendimento aos doentes oferecido nos monast\u00e9rios crist\u00e3os, mas logo ficaram mais elaborados. Havia grandes institui\u00e7\u00f5es em cidades como Bagd\u00e1, Cairo e Damasco, e muitas outras estavam espalhadas pelo mundo mu\u00e7ulmano. O hospital do Cairo tinha alas separadas para diferentes doen\u00e7as, para mulheres e para convalescentes. Ainda estava em opera\u00e7\u00e3o quando Napole\u00e3o invadiu o Egito no final do s\u00e9culo XVIII. As primeiras institui\u00e7\u00f5es para tratamento de pessoas com doen\u00e7as mentais tamb\u00e9m foram criadas no mundo mu\u00e7ulmano.\n\nOs progressos dos m\u00e9dicos isl\u00e2micos levaram muito tempo para chegar \u00e0 Europa medieval, onde os doentes visitavam templos devotados a santos crist\u00e3os.\n\n<strong>Os Prim\u00f3rdios da Medicina Moderna:<\/strong> Europa Medieval\n\nNa Europa crist\u00e3, houve pouco progresso cient\u00edfico durante a Idade M\u00e9dia. As doen\u00e7as passaram a ser novamente atribu\u00eddas a causas divinas, e buscavam-se curas milagrosas em templos de cura dedicados a v\u00e1rios santos. Alguns grupos de monges crist\u00e3os, contudo, ofereciam cuidados pr\u00e1ticos aos doentes. Isso acabou levando \u00e0 funda\u00e7\u00e3o de hospitais. O hospital mais antigo que ainda existe na Inglaterra \u00e9 o St. Bartholomew\u0092s, em Londres, que foi fundado em 1123 por um cortes\u00e3o que se tornou monge ap\u00f3s se recuperar \u0093milagrosamente\u0094 da mal\u00e1ria. O hospital destinava-se \u00e0 \u0093recria\u00e7\u00e3o de homens puros.\u0094 O St. Thomas\u0092s Hospital foi fundado pouco tempo depois, de forma semelhante. Quando os monast\u00e9rios ingleses foram dissolvidos pelo Rei Henrique VIII no s\u00e9culo XVI, os dois hospitais se transformaram em institui\u00e7\u00f5es seculares e, por fim, na sede de importantes col\u00e9gios m\u00e9dicos.\n\nA primeira faculdade de medicina da Europa foi fundada em Salerno, no sul da It\u00e1lia. Diz a lenda que a faculdade foi fundada por um italiano, um \u00e1rabe, um judeu e um grego, que trouxe consigo os escritos de Hip\u00f3crates. A hist\u00f3ria reflete a natureza cosmopolita da regi\u00e3o, onde as influ\u00eancias gregas e do Oriente M\u00e9dio eram fortes. A faculdade na verdade come\u00e7ou no s\u00e9culo IX como um local para os monges aviarem medicamentos. No s\u00e9culo XI, contudo, os estudiosos da faculdade come\u00e7aram a traduzir textos m\u00e9dicos gregos e, mais tarde, \u00e1rabes para o latim. Assim, eles reintroduziram os ensinamentos de Hip\u00f3crates, j\u00e1 afunilado pela sabedoria de Galen e isl\u00e2mica.\n\nFaculdades m\u00e9dicas tamb\u00e9m foram fundadas em Montpellier, no sul da Fran\u00e7a, e em Bologna e P\u00e1dua, na It\u00e1lia. Em Bologna o m\u00e9dico Taddeo Alderotti (1223-95), no s\u00e9culo XIII, reintroduziu as pr\u00e1ticas de Hip\u00f3crates de ensinar medicina ao lado do leito do paciente. Ele tamb\u00e9m mantinha estudos de casos cl\u00ednicos. Tamb\u00e9m em Bologna, em 1315, a primeira disseca\u00e7\u00e3o humana registrada na Europa foi conduzida por Mondino de\u0092 Luzzi (1275-1326).\n\nAparentemente, ele n\u00e3o aprendeu muito com ela. Em vez disso, ele demonstrou a comum propens\u00e3o dos humanos a ver aquilo que esperam ver. Ele publicou um texto de anatomia que perpetuou erros como o cora\u00e7\u00e3o de tr\u00eas c\u00e2maras e o f\u00edgado com cinco lobos.\n\nO cirurgi\u00e3o mais eminente da Idade M\u00e9dia europ\u00e9ia foi Guy de Chauliac (1298-1368), que se associou a Montpellier no s\u00e9culo XIV. Ele escreveu um texto m\u00e9dico e cir\u00fargico, Chirurgia magna (Grande Cirurgia), que serviu como refer\u00eancia padr\u00e3o por v\u00e1rios s\u00e9culos. Ele desafiou a no\u00e7\u00e3o grega de que a supura\u00e7\u00e3o (pus) era um sinal de cura.\n\nDe Chauliac sobreviveu \u00e0 Peste Negra (aproximadamente 1347-51), a qual descreveu em seu trabalho. A Peste Negra, que matou v\u00e1rios milh\u00f5es de pessoas na \u00e9poca, foi quase certamente uma praga bub\u00f4nica. Contudo, ningu\u00e9m sabia o que era nem o que a causava. A maioria das pessoas achava que tratava-se de puni\u00e7\u00e3o divina. Alguns crist\u00e3os disseram que os judeus haviam envenenado os po\u00e7os, e isso levou a massacres de judeus. Alguns atribu\u00edam a praga a diferentes causas naturais, incluindo miasmas\u0097venenos que acreditava-se existirem no ar, provenientes de animais e vegetais em estado de podrid\u00e3o. Algumas pessoas acreditavam que a praga era causada por cont\u00e1gio\u0097isto \u00e9, que era transmitida de pessoa para pessoa mediante contato pr\u00f3ximo\u0097mas elas tinham pouca id\u00e9ia do que poderia de fato transmitir a doen\u00e7a.\n\nA Peste Negra levou a medidas importantes de sa\u00fade p\u00fablica. A cidade de Veneza nomeou uma esp\u00e9cie de comit\u00ea de sa\u00fade p\u00fablica, que publicou regulamenta\u00e7\u00f5es para enterro e proibiu que os doentes entrassem na cidade. Prociss\u00f5es p\u00fablicas tamb\u00e9m foram proibidas. Na cidade de Floren\u00e7a, um comit\u00ea semelhante determinou que se matassem c\u00e3es e gatos. Os motivos para isso nunca foram esclarecidos. As pessoas dessa \u00e9poca certamente n\u00e3o sabiam que a praga bub\u00f4nica \u00e9 na verdade disseminada por pulgas de ratos para humanos; isso s\u00f3 foi descoberto s\u00e9culos mais tarde. Contudo, c\u00e3es e gatos carregam pulgas.\n\nSe a extermina\u00e7\u00e3o dos animais foi \u00fatil \u00e9 uma boa pergunta. Por um lado, isso provavelmente eliminou muitas pulgas que habitavam nos animais. Por outro, os gatos s\u00e3o bons ca\u00e7adores de ratos.\n\nA \u00e1rea da medicina estava claramente se organizando ao redor da id\u00e9ia de uma abordagem cient\u00edfica no final da Idade M\u00e9dia.\n\n<strong>A Ascens\u00e3o da Medicina Cient\u00edfica:<\/strong> O Renascimento\n\nO Renascimento foi um grande per\u00edodo de crescimento intelectual e desenvolvimento art\u00edstico na Europa. Como parte dele, os cientistas e pensadores come\u00e7aram a se descolar das vis\u00f5es tradicionais que regiam a medicina, tanto no oriente quanto no ocidente. O foco dos tratamentos deixou de ser um equil\u00edbrio natural de ordem divina. O conhecimento avan\u00e7ou atrav\u00e9s do m\u00e9todo cient\u00edfico \u0097 pela condu\u00e7\u00e3o de experimentos, coleta de observa\u00e7\u00f5es, conclus\u00f5es. As informa\u00e7\u00f5es eram disseminadas por meio de uma importante nova tecnologia \u0097 a impress\u00e3o. As ra\u00edzes da medicina cient\u00edfica estavam estabelecidas.\n\n<strong>O m\u00e9todo cient\u00edfico \u00e9 aplicado \u00e0 medicina<\/strong>\n\nEm 1543 Andreas Vesalius (1514-64), professor da Universidade de P\u00e1dua, publicou um texto ricamente ilustrado sobre anatomia. Com conhecimentos baseados na extensiva disseca\u00e7\u00e3o de cad\u00e1veres humanos, ele apresentou a primeira descri\u00e7\u00e3o amplamente precisa do corpo humano. Anatomistas posteriores em P\u00e1dua inclu\u00edram Gabriele Falloppio (1523-62), que descreveu os \u00f3rg\u00e3os reprodutores femininos, dando seu nome \u00e0s tubas de Fal\u00f3pio, e Girolamo Fabrizio (1537-1619), que identificou as v\u00e1lvulas do cora\u00e7\u00e3o.\n\nA cirurgia era praticada principalmente por barbeiros, que usavam as mesmas ferramentas para as duas profiss\u00f5es. A cirurgia ainda era um neg\u00f3cio bastante primitivo e extremamente doloroso essa \u00e9poca. A controv\u00e9rsia continuava em rela\u00e7\u00e3o ao tratamento de ferimentos \u0097 o pus era bom ou ruim? A cauteriza\u00e7\u00e3o, ou queima de um ferimento para fech\u00e1-lo, continuou sendo a principal forma de deter hemorragias. A maioria dos cirurgi\u00f5es adquiriu suas habilidades no campo de batalha, e a introdu\u00e7\u00e3o de p\u00f3lvora, armas e canh\u00f5es tornou o local muito mais desorganizado.\n\nUm cirurgi\u00e3o franc\u00eas do s\u00e9culo XVI, Ambroise Par\u00e9 (c. 1510-90), come\u00e7ou a colocar um pouco de ordem. Ele traduziu parte do trabalho de Vesalius para o franc\u00eas a fim de disponibilizar os novos conhecimentos anat\u00f4micos para cirurgi\u00f5es de campos de batalha. Com sua pr\u00f3pria e extensa experi\u00eancia em campos de batalha, ele suturava ferimentos para fech\u00e1-los em vez de usar a cauteriza\u00e7\u00e3o para deter o sangramento durante amputa\u00e7\u00f5es. Ele substituiu o \u00f3leo fervente usado para cauterizar ferimentos de armas de fogo por um unguento feito de gema de ovo, \u00f3leo de rosas e terebintina. Seus tratamentos n\u00e3o s\u00f3 eram mais eficazes como tamb\u00e9m muito mais humanos que os utilizados anteriormente.\n\nOutro importante nome dessa \u00e9poca foi Paracelso (1493-1541), alquimista e m\u00e9dico su\u00ed\u00e7o. Ele acreditava que doen\u00e7as espec\u00edficas eram causadas por agentes externos espec\u00edficos e, portanto, exigiam rem\u00e9dios espec\u00edficos. Ele foi o pioneiro no uso de rem\u00e9dios qu\u00edmicos e minerais, incluindo merc\u00fario para o tratamento da s\u00edfilis. Ele tamb\u00e9m escreveu aquele que provavelmente \u00e9 o trabalho mais antigo sobre medicina ocupacional, Sobre os Enjoos dos Mineradores e Outras Doen\u00e7as de Mineradores(1567), publicado alguns anos depois de sua morte.\n\nA s\u00edfilis foi registrada pela primeira vez na Europa em 1494, quando uma epidemia irrompeu entre as tropas francesas que estavam sitiando N\u00e1poles. O fato de o ex\u00e9rcito franc\u00eas incluir mercen\u00e1rios espanh\u00f3is que haviam participado das expedi\u00e7\u00f5es de Crist\u00f3v\u00e3o Colombo ao Novo Mundo deu origem \u00e0 teoria de que a doen\u00e7a era proveniente do continente americano. Se isso for verdade \u0097 e o tema continua sendo o centro de calorosas controv\u00e9rsias \u0097 ent\u00e3o foi parte de um interc\u00e2mbio em que os nativos americanos se deram muito pior. As doen\u00e7as que os europeus introduziram no hemisf\u00e9rio ocidental inclu\u00edram var\u00edola, gripe, sarampo e tifo, que levaram as popula\u00e7\u00f5es nativas \u00e0 quase extin\u00e7\u00e3o.\n\nUm m\u00e9dico italiano chamado Girolamo Fracastoro (c. 1478-1553) cunhou o nome s\u00edfilis, que tamb\u00e9m era chamada de doen\u00e7a francesa. Ele tamb\u00e9m prop\u00f4s uma teoria, adaptada das ideias cl\u00e1ssicas, de que doen\u00e7as contagiosas podem ser espalhadas por min\u00fasculas \u0093sementes ou esporos de doen\u00e7a\u0094 capazes de percorrer grandes dist\u00e2ncias (no entanto, ele sabia que a s\u00edfilis era transmitida por contato pessoal). Essa teoria foi influente por v\u00e1rios s\u00e9culos.\n\nDurante o Renascimento, as sementes da mudan\u00e7a foram semeadas na ci\u00eancia. O conhecimento m\u00e9dico deu grandes saltos durante os dois s\u00e9culos seguintes.\n\n<strong>A Ascens\u00e3o da Medicina Cient\u00edfica: <\/strong>A Revolu\u00e7\u00e3o Cient\u00edfica\n\nDurante os s\u00e9culos XVII e XVIII, o conhecimento m\u00e9dico e cient\u00edfico avan\u00e7ou a passos extraordin\u00e1rios. Muitas das concep\u00e7\u00f5es equivocadas de Galen foram finalmente derrubadas. O ingl\u00eas William Harvey (1578-1657) descreveu com precis\u00e3o a circula\u00e7\u00e3o do sangue no corpo, confirmando os achados de estudiosos anteriores (como Ibn Nafis e europeus mais recentes). Ele acrescentou o achado experimental cr\u00edtico de que o sangue \u00e9 \u0093bombeado\u0094 para todo o corpo pelo cora\u00e7\u00e3o.\n\nO trabalho de Harvey foi continuado por outros, incluindo o m\u00e9dico ingl\u00eas Richard Lower (1631-91). Ele e o fil\u00f3sofo brit\u00e2nico Robert Hooke (1635-1703) conduziram experimentos que mostravam que o sangue pega alguma coisa durante sua passagem pelos pulm\u00f5es, mudando sua cor para vermelho vivo. [No s\u00e9culo XVIII o qu\u00edmico franc\u00eas Antoine Lavoisier (1743-1794) descobriu o oxig\u00eanio. S\u00f3 ent\u00e3o a fisiologia da respira\u00e7\u00e3o foi totalmente compreendida.] Lower tamb\u00e9m realizou as primeiras transfus\u00f5es de sangue, de animal para animal e de humano a humano.\n\n<strong>Hooke e, sobretudo, o bi\u00f3logo holand\u00eas Anton van Leeuwenhoek (1632-1723) usaram um novo aparelho chamado microsc\u00f3pio para descobrir toda a mat\u00e9ria de coisas min\u00fasculas (\u0093microsc\u00f3picas\u0094):<\/strong> gl\u00f3bulos vermelhos, bact\u00e9rias e protozo\u00e1rios. Na It\u00e1lia, o fisiologista Marcello Malpighi (1628-1694) usou o microsc\u00f3pio para estudar a estrutura do f\u00edgado, da pele, dos pulm\u00f5es, do ba\u00e7o, das gl\u00e2ndulas e do c\u00e9rebro. V\u00e1rias partes microsc\u00f3picas do corpo, incluindo uma camada de pele e partes do ba\u00e7o e do rim, receberam nomes em sua homenagem. Malpighi tamb\u00e9m incentivou a ci\u00eancia da embriologia com seus estudos em ovos de galinha. Como sempre, houve erros e concep\u00e7\u00f5es err\u00f4neas. Outro holand\u00eas, o m\u00e9dico Nicolaas Hartsoeker (1656-1725), pensou que o microsc\u00f3pio revelava pequenos homens (\u0093hom\u00fanculos\u0094) dentro dos espermatoz\u00f3ides no s\u00eamen; assim ele explicou a concep\u00e7\u00e3o.\n\nO s\u00e9culo XVIII, conhecido como Iluminismo, foi uma era de progresso em v\u00e1rios aspectos. Contudo, o mais interessante \u00e9 que o desejo de encontrar uma \u00fanica e abrangente explica\u00e7\u00e3o para \u0093a vida, o universo e todas as coisas\u0094 n\u00e3o havia desaparecido. Agora, alguns pensadores atribu\u00edam o funcionamento do corpo \u00e0s leis rec\u00e9m-descobertas da f\u00edsica, ao passo que outros olhavam para as leis da qu\u00edmica. Uma abordagem chamada vitalismo prop\u00f4s a exist\u00eancia de uma anima, ou alma sens\u00edvel, que regulava o corpo. Outra abordagem encarava as doen\u00e7as como uma ruptura no t\u00f4nus do corpo, que, por sua vez, era controlado pelo \u0093\u00e9ter nervoso\u0094 do c\u00e9rebro.\n\nExplica\u00e7\u00f5es simples algumas vezes levaram a tratamentos perigosamente simples. Um m\u00e9dico escoc\u00eas do s\u00e9culo XVIII chamado John Brown (1735\u009688) decidiu que todas as doen\u00e7as eram causadas por estimula\u00e7\u00e3o excessiva ou deficiente. Portanto, ele prescrevia doses alt\u00edssimas de sedativos e estimulantes, causando grandes danos e muita pol\u00eamica. A homeopatia, outra filosofia m\u00e9dica abrangente, surgiu mais ou menos na mesma \u00e9poca. Ela afirma que os sintomas de um paciente devem ser tratados com drogas que produzem os mesmos sintomas. As drogas s\u00e3o administradas em quantidades min\u00fasculas, e, portanto, s\u00e3o inofensivas. Embora a abordagem de Brown tenha desaparecido, a homeopatia ainda tem seguidores fervorosos.\n\nContudo, a ci\u00eancia m\u00e9dica estava se desenvolvendo rapidamente. Ao anatomista italiano Giovanni Morgagni (1682-1771) foi atribu\u00edda a funda\u00e7\u00e3o da disciplina de anatomia patol\u00f3gica. Ele demonstrou que doen\u00e7as espec\u00edficas estavam localizadas em \u00f3rg\u00e3os espec\u00edficos. Marie-Fran\u00e7ois Bichat (1771-1802), fisiologista franc\u00eas, percebeu que as doen\u00e7as atacavam tecidos, e n\u00e3o \u00f3rg\u00e3os inteiros.\n\nAlguns dos avan\u00e7os foram no diagn\u00f3stico. O ingl\u00eas Thomas Willis (1621-75) analisou a urina e notou a presen\u00e7a de a\u00e7\u00facar na urina de diab\u00e9ticos. O professor holand\u00eas Hermann Boerhaave (1668-1738) come\u00e7ou a usar o term\u00f4metro para observar mudan\u00e7as na temperatura do corpo na pr\u00e1tica cl\u00ednica (a ele tamb\u00e9m \u00e9 atribu\u00eddo o estabelecimento do estilo moderno de ensino cl\u00ednico na Universidade de Leiden.) O m\u00e9dico austr\u00edaco Leopold Auenbrugger (1722-1809) observou a import\u00e2ncia de dar tapinhas no peito para detectar fluidos nos pulm\u00f5es. O franc\u00eas Ren\u00e9-Th\u00e9ophile-Marie-Hyacinthe La\u00ebnnec (1781-1826) tornou o processo mais f\u00e1cil, inventando o estetosc\u00f3pio. O instrumento, que possibilitou ouvir os \u00f3rg\u00e3os internos, foi a inven\u00e7\u00e3o diagn\u00f3stica mais importante at\u00e9 que Wilhelm Roentgen descobriu os raios X em 1895. O estetosc\u00f3pio de La\u00ebnnec era um tubo de madeira, semelhante a um dos primeiros modelos de aparelho auditivo. O familiar instrumento moderno com corpo de borracha e dois auriculares foi inventando mais tarde, pelo americano George Camman, em 1852.\n\nOs avan\u00e7os na terap\u00eautica foram importantes. Thomas Sydenham (1624-89), m\u00e9dico ingl\u00eas, defendia o uso de casca de cinchona, que continha quinina, para o tratamento da mal\u00e1ria. Ele tamb\u00e9m enfatizou a observa\u00e7\u00e3o sobre a teoria, refor\u00e7ando tamb\u00e9m a import\u00e2ncia dos fatores ambientais para a sa\u00fade. Um cirurgi\u00e3o naval ingl\u00eas chamado James Lind (1716-94) provou que as frutas c\u00edtricas curam o escorbuto, uma desagrad\u00e1vel doen\u00e7a causada pela car\u00eancia de vitamina C que afetava as tripula\u00e7\u00f5es de navios em viagens longas. William Withering (1741-99), bot\u00e2nico e m\u00e9dico da Inglaterra, observou a efic\u00e1cia de digitalis (da planta dedaleira) no tratamento de dist\u00farbios card\u00edacos. E um m\u00e9dico brit\u00e2nico, Edward Jenner (1749-1823), desenvolveu a vacina contra a var\u00edola. A vacina\u00e7\u00e3o foi t\u00e3o eficaz que essa doen\u00e7a epid\u00eamica encontra-se atualmente erradicada no mundo todo.\n\nAinda assim, poucos destes e outros avan\u00e7os no conhecimento cient\u00edfico e na tecnologia afetaram a pr\u00e1tica cl\u00ednica cotidiana na \u00e9poca. Os principais tratamentos continuaram a ser o &#8220;cupping&#8221;, a sangria e a purga\u00e7\u00e3o. Como recomendado por Paracelso e outros, a s\u00edfilis e outras doen\u00e7as ven\u00e9reas foram tratadas com doses altas, normalmente fatais, de merc\u00fario. A teriaga, a famosa receita multi-prop\u00f3sito de Galen, continuou popular. Ainda havia uma lacuna imensa entre a medicina acad\u00eamica e a pr\u00e1tica cl\u00ednica cotidiana. Muitos dos cl\u00ednicos e seus pacientes simplesmente relutavam em adotar as novas id\u00e9ias. William Harvey fez uma famosa queixa de que perdeu pacientes ap\u00f3s publicar seus achados sobre a circula\u00e7\u00e3o do sangue.\n\n<strong>A Ascens\u00e3o da Medicina Cient\u00edfica:<\/strong> O S\u00e9culo XIX\n\nNo s\u00e9culo XIX a pr\u00e1tica m\u00e9dica finalmente come\u00e7ou a mudar. Nessa mesma \u00e9poca, cientistas e m\u00e9dicos fizeram as descobertas que verdadeiramente revolucionaram a medicina. Os aprimoramentos no microsc\u00f3pio possibilitaram estudos mais detalhados dos tecidos, uma \u00e1rea denominada histologia. Isso levou \u00e0 nova ci\u00eancia das c\u00e9lulas, a citologia. Esses estudos abriram caminho para os importantes avan\u00e7os te\u00f3ricos e pr\u00e1ticos que formaram a base da medicina como a conhecemos atualmente.\n<h4><strong>Teoria Celular<\/strong><\/h4>\nRobert Hooke observou e nomeou c\u00e9lulas no in\u00edcio do s\u00e9culo XVII, quando viu c\u00e9lulas vegetais mortas. Van Leeuwenhoek foi o primeiro a observar c\u00e9lulas vivas em microsc\u00f3pio. No s\u00e9culo XIX o trabalho de tr\u00eas cientistas alem\u00e3es, Theodore Schwann (1810-82), Matthias Jakob Schleiden (1804-81) e, sobretudo, Rudolf Virchow (1821-1902) [links em ingl\u00eas], levou ao desenvolvimento da teoria celular. Resumidamente, ela afirma que todas as coisas vivas s\u00e3o compostas de c\u00e9lulas, que as c\u00e9lulas s\u00e3o a unidade b\u00e1sica de estrutura e fun\u00e7\u00e3o de todas as coisas vivas, e que todas as c\u00e9lulas s\u00e3o geradas a partir de outras c\u00e9lulas.\n\nUsando a teoria celular, Virchow foi capaz de explicar processos biol\u00f3gicos como fertiliza\u00e7\u00e3o e crescimento. Ele tamb\u00e9m demonstrou que altera\u00e7\u00f5es nas c\u00e9lulas causam doen\u00e7as como c\u00e2ncer. A teoria celular \u00e9 um dos marcos da medicina moderna.\n<h4><strong>Teoria Germinal<\/strong><\/h4>\nO outro marco foi o desenvolvimento da teoria germinal. Mesmo no \u00e1pice da medicina humoral, havia curandeiros que reconheciam que algumas doen\u00e7as eram disseminadas por cont\u00e1gio. A men\u00e7\u00e3o mais antiga a \u0093criaturas min\u00fasculas\u0094 que causam doen\u00e7as est\u00e1 no Vedas, os textos sagrados do Hindu\u00edsmo, que foram escritos entre 1500 e 500 a.C. Avicenna compreendeu que a tuberculose e outras doen\u00e7as eram contagiosas. Posteriormente, estudiosos mu\u00e7ulmanos atribu\u00edram a praga bub\u00f4nica a microorganismos. Fracastoro, conforme observado acima, prop\u00f4s que as doen\u00e7as eram espalhadas por \u0093sementes.\u0094 No entanto, a maioria dos cientistas, em geral, acreditava que os germes que causavam doen\u00e7as surgiam por meio de gera\u00e7\u00e3o espont\u00e2nea, assim como criaturas como moscas, minhocas e outros pequenos animais pareciam surgir espontaneamente de mat\u00e9rias em decomposi\u00e7\u00e3o. Arist\u00f3teles acreditava nisso, e a id\u00e9ia persistiu no s\u00e9culo XIX.\n\nOutra teoria dos gregos continuou com for\u00e7a no s\u00e9culo XIX. Essa teoria baseava-se na id\u00e9ia de que doen\u00e7as como praga e c\u00f3lera eram causadas por miasmas de cheiro desagrad\u00e1vel, part\u00edculas de ar da mat\u00e9ria em decomposi\u00e7\u00e3o. A teoria de que esse ar era nocivo parecia digna de credibilidade, pois associava doen\u00e7as a problemas de saneamento, e a import\u00e2ncia da higiene foi logo reconhecida. A enfermeira brit\u00e2nica pioneira, Florence Nightingale (1820-1910), que cuidou dos soldados brit\u00e2nicos durante a Guerra da Crim\u00e9ia (1853-1856), acreditava firmemente que os miasmas causavam doen\u00e7as.\n\nNaquela \u00e9poca, contudo, v\u00e1rios estudos j\u00e1 estavam sendo conduzidos sobre o assunto, e finalmente eles puseram um fim a essas concep\u00e7\u00f5es equivocadas. Em 1854 o m\u00e9dico ingl\u00eas John Snow (1813-58) relacionou a fonte de um surto de c\u00f3lera em Londres \u00e0 \u00e1gua contaminada por esgoto. Seu estudo detalhado foi um evento-chave na hist\u00f3ria tanto da sa\u00fade p\u00fablica quanto da epidemiologia.\n\nPouco tempo depois, o grande qu\u00edmico franc\u00eas Louis Pasteur (1822-95) conduziu os experimentos que acabaram por destuir a no\u00e7\u00e3o de que a vida poderia ser gerada espontaneamente. Ele demonstrou que existem microorganismos em todo lugar, incluindo no ar. Ele demonstrou ainda que eles eram a fonte do processo qu\u00edmico pelo qual o leite azedava.\n\n<strong>O processo desenvolvido por ele para aquecer o leite (e outros l\u00edquidos) para matar os micr\u00f3bios leva seu nome:<\/strong> pasteuriza\u00e7\u00e3o. Quando passou a ser amplamente adotada, a pasteuriza\u00e7\u00e3o fez com que o leite deixasse de ser uma fonte de tuberculose e outras doen\u00e7as.\n\nPasteur acreditava firmemente que os microorganismos eram respons\u00e1veis por doen\u00e7as infecciosas em seres humanos e animais e por sua transmiss\u00e3o entre eles. E desenvolveu vacinas eficazes contra o antraz e a raiva coletando tecidos de animais que haviam morrido dessas doen\u00e7as. Mas foi o trabalho de um m\u00e9dico alem\u00e3o, Robert Koch (1843-1910), que finalmente validou a teoria germinal da doen\u00e7a. Ele identificou as bact\u00e9rias espec\u00edficas que causavam o antraz, a tuberculose e a c\u00f3lera. Ele desenvolveu um conjunto de regras (postulados de Koch) para determinar conclusivamente se um microorganismo \u00e9 a fonte de doen\u00e7as em uma pessoa, ou se est\u00e1 simplesmente presente nela. Assim nasceu a ci\u00eancia da bacteriologia.\n\nLogo surgiram outros ramos da microbiologia. Descobriu-se que v\u00e1rias doen\u00e7as tropicais eram causadas por micr\u00f3bios parasitas, muitos deles espalhados por mosquitos. Entre eles, dois grandes causadores de morte\u0097a mal\u00e1ria e a febre amarela. Contudo, a febre amarela, assim como a var\u00edola e a raiva, n\u00e3o p\u00f4de ser associada a nenhuma bact\u00e9ria. Valendo-se dos estudos de um patologista russo, Dmitry Ivanovsky (1864-1920), o cirurgi\u00e3o americano Walter Reed (1851-1902) descobriu em 1901 que a febre amarela era causada por um v\u00edrus, algo ainda menor que uma bact\u00e9ria.\n\nAcreditava-se que os v\u00edrus eram invis\u00edveis at\u00e9 a inven\u00e7\u00e3o do microsc\u00f3pio eletr\u00f4nico na d\u00e9cada de 40, mas eles acabaram sendo identificados como a causa de in\u00fameras doen\u00e7as. Estas incluem n\u00e3o apenas a var\u00edola, mas tamb\u00e9m a gripe, o resfriado comum, a catapora, a poliomielite e, mais recentemente, a AIDS.\n\nTamb\u00e9m acreditava-se que os v\u00edrus desepenhavam um papel importante no c\u00e2ncer.\n\nAnestesia e Anti-s\u00e9pticos. Em meados do s\u00e9culo XIX outras descobertas finalmente tornaram as grandes cirurgias pr\u00e1ticas. At\u00e9 ent\u00e3o as op\u00e7\u00f5es cir\u00fargicas limitavam-se a operar um paciente acordado, com o risco de infec\u00e7\u00e3o ap\u00f3s a opera\u00e7\u00e3o. Na d\u00e9cada de 1840 v\u00e1rios dentistas americanos foram pioneiros no uso primeiro de \u00f3xido nitroso e depois de \u00e9ter como anest\u00e9sicos. Este \u00faltimo foi logo adotado na Europa para fins cir\u00fargicos, finalmente oferecendo aos cirurgi\u00f5es tempo para realizar cirurgias delicadas e longas.\n\nFoi mais ou menos nessa mesma \u00e9poca que o m\u00e9dico h\u00fangaro Ignaz Semmelweiss estabeleceu que as infec\u00e7\u00f5es ap\u00f3s o parto provavelmente eram causadas pelas m\u00e3os sujas dos m\u00e9dicos nos hospitais. No fim da d\u00e9cada de 1860 o cirurgi\u00e3o brit\u00e2nico Joseph Lister (1827-1912), que tinha conhecimento da pesquisa de Pasteur, come\u00e7ou a embeber bandagens e ataduras em \u00e1cido carb\u00f3lico e despejar o \u00e1cido sobre as feridas para esteriliz\u00e1-las. Dessa forma, reduziu enormemente a taxa de mortalidade por gangrena e estabeleceu a cirurgia anti-s\u00e9ptica. Na virada do s\u00e9culo XX esperava-se que a sala de cirurgia fosse um ambiente est\u00e9ril.\n\nO s\u00e9culo XX trouxe a dissemina\u00e7\u00e3o mundial da medicina cient\u00edfica.\n\n<strong>Do S\u00e9culo XX em Diante: <\/strong>Drogas para Tratar Doen\u00e7as\n\nO ritmo dos avan\u00e7os m\u00e9dicos se acelerou em todas as frentes a partir do s\u00e9culo XX. Descobertas revolucion\u00e1rias ocorreram nas \u00e1reas de biologia, qu\u00edmica, psicologia, farmacologia e tecnologia, muitas vezes de formas convergentes ou sobrepostas. Um novo entendimento das doen\u00e7as trouxe novos tratamentos e curas para muitas dessas condi\u00e7\u00f5es. Contudo, ainda que as epidemias mais mortais tenham sido dominadas\u0097e, no caso da var\u00edola, erradicadas\u0097novas doen\u00e7as surgiram, como a AIDS.\n\nDurante o s\u00e9culo XX, a expectativa de vida aumentou em muitas partes do mundo. O outro lado da moeda foi o aumento da incid\u00eancia de doen\u00e7as relacionadas ao envelhecimento, sobretudo doen\u00e7as card\u00edacas e c\u00e2ncer, e do foco no tratamento e preven\u00e7\u00e3o dessas doen\u00e7as. Em uma evolu\u00e7\u00e3o preocupante, algumas doen\u00e7as que pareciam ter sido dominadas por tratamentos medicamentosos, como a tuberculose, desenvolveram resist\u00eancia aos medicamentos mais para o fim do s\u00e9culo XX.\n<h4><strong>Drogas para tratar doen\u00e7as<\/strong><\/h4>\nNo fim do s\u00e9culo XX, o estudo de rem\u00e9dios herb\u00e1ceos, qu\u00edmicos e minerais (o que era chamado de materia medica), transformou-se na ci\u00eancia laboratorial da farmacologia. Drogas fitoter\u00e1picas, como o \u00f3pio, foram submetidas a an\u00e1lises qu\u00edmicas sistem\u00e1ticas. Os pesquisadores ent\u00e3o aprenderam a sintetizar essas drogas. Na virada do s\u00e9culo XX, a ind\u00fastria farmac\u00eautica estava comercializando produtos de laborat\u00f3rio. Uma empresa chamada Bayer, na Alemanha, registrou a marca de uma vers\u00e3o sint\u00e9tica do \u00e1cido acetilsalic\u00edlico, \u00e0 qual deu o nome de aspirina.\n\nUm pioneiro no ramo da farmacologia foi o cientista alem\u00e3o Paul Ehrlich (1854-1915), que\u0097ap\u00f3s muito esfor\u00e7o e tentativas\u0097sintetizou o composto \u00e0 base de ars\u00eanico Salvarsan, o primeiro tratamento eficaz para a s\u00edfilis, em 1909. Assim, Ehrlich, que cunhou o termo \u0093quimioterapia\u0094, criou a primeira droga antibi\u00f3tica.\n\nUma gera\u00e7\u00e3o mais tarde outro alem\u00e3o, Gerhard Domagk (1895-1964), que trabalhava na Bayer, produziu a primeira sulfa (outro tipo de antibi\u00f3tico) utiliz\u00e1vel. A droga era usada para tratar doen\u00e7as estreptoc\u00f3cicas, incluindo a meningite.\n\nCientistas tamb\u00e9m pesquisaram agentes antibi\u00f3ticos biol\u00f3gicos. Os antigos chineses, eg\u00edpcios e gregos descobriram que subst\u00e2ncias mofadas eram eficazes para manter cortes limpos. Pasteur observou uma a\u00e7\u00e3o bactericida ao notar que a adi\u00e7\u00e3o de bact\u00e9rias comuns interrompia o crescimento de bacilos antrazes na urina est\u00e9ril.\n\nNa d\u00e9cada de 20, o escoc\u00eas Alexander Fleming (1881-1955) encontrou mofo proliferando em algumas amostras bacterianas em seu laborat\u00f3rio. Na verdade, o mofo matava as amostras. Ele identificou o mofo como penicillina. Durante a Segunda Guerra Mundial, uma equipe de cientistas liderada pelo australiano Howard Florey (1898-1968) aprofundou a pesquisa e testou a nova droga em soldados feridos. Ela demonstrou ser eficaz contra antraz, t\u00e9tano e s\u00edfilis, e foi a primeira droga que funcionou contra a pneumonia. Mais ou menos na mesma \u00e9poca, Selman Waksman (1888-1973), bioqu\u00edmico americano, isolou outro fung\u00f3ide, a estreptomicina, que demonstrou ser eficaz contra a tuberculose. Waksman cunhou o termo \u0093antibi\u00f3tico\u0094 para descrever espeficiamente as drogas biol\u00f3gicas.\n\nV\u00e1rias novas drogas surgiram na d\u00e9cada de 50, incluindo a cortisona, um horm\u00f4nio ester\u00f3ide que reduzia a inflama\u00e7\u00e3o e suprimia a resposta do sistema imune.\n\nAs primeiras drogas eficazes para o tratamento de doen\u00e7as mentais tamb\u00e9m apareceram nesta \u00e9poca.\n\nEmbora os antibi\u00f3ticos n\u00e3o funcionassem contra doen\u00e7as virais, as vacinas antivirais funcionavam. Duas das mais importantes foram as vacinas contra a var\u00edola e a poliomielite. A poliomielite, doen\u00e7a que atinge principalmente as crian\u00e7as, causa paralisia. Dois cientistas americanos, Jonas Salk (1914-95) e Albert Sabin (1906-93), desenvolveram diferentes vers\u00f5es de uma vacina p\u00f3lio, que foram apresentadas em meados da d\u00e9cada de 50. A vacina de Salk era feita \u00e0 base do v\u00edrus morto, enquanto a de Sabin era preparada com o v\u00edrus vivo. Ambas foram usadas, com grande sucesso. A p\u00f3lio foi basicamente erradicada no final do s\u00e9culo XX.\n\nOutras vacinas antivirais incluem aquelas contra sarampo, catapora e gripe. As vacinas contra o papilomav\u00edrus humano (que causa c\u00e2ncer de colo de \u00fatero) e herpes-z\u00f3ster (doen\u00e7a da fam\u00edlia da catapora causada pelo v\u00edrus herpes) surgiu em 2006. As tentativas de se produzir uma vacina contra a mal\u00e1ria e a AIDS at\u00e9 o momento n\u00e3o tiveram sucesso.\n\nA primeira droga antiviral, o aciclovir, surgiu na d\u00e9cada de 70 para ser usada contra algumas formas de herpes. Drogas antiretrovirais foram desenvolvidas na d\u00e9cada de 80 para combater a AIDS (os retrov\u00edrus s\u00e3o uma classe de v\u00edrus.) Contudo, os v\u00edrus se modificam t\u00e3o rapidamente que o desenvolvimento de agentes antivirais (e antiretrovirais) se mostra bastante dif\u00edcil.\n\nOs pesquisadores j\u00e1 usaram v\u00e1rias abordagens diferentes para o desenvolvimento de drogas para pacientes. Uma grande revolu\u00e7\u00e3o para o tratamento de doen\u00e7as foi um novo entendimento do sistema imune.\n\n<strong>Do S\u00e9culo XX em Diante: <\/strong>Entendendo o Sistema Imune\n\nAs vacinas baseiam-se no princ\u00edpio de que, uma vez exposto a certas infec\u00e7\u00f5es, o corpo humano desenvolve uma imunidade que permite a ele resistir a infec\u00e7\u00f5es quando exposto novamente. A imuniza\u00e7\u00e3o, ou vacina\u00e7\u00e3o, cria a mesma resposta sem expor a pessoa \u00e0 doen\u00e7a de fato. Como vimos, a pr\u00e1tica era comum na China antiga, e foi introduzida no Ocidente por Edward Jenner. A ci\u00eancia b\u00e1sica por tr\u00e1s dela, contudo, s\u00f3 foi compreendida no s\u00e9culo XX.\n\nNa d\u00e9cada de 1880, o bi\u00f3logo russo Elie Metchnikoff (1845-1916) desenvolveu a teoria celular da imunidade. De acordo com ela, os gl\u00f3bulos brancos atuam como o que ele chamou de \u0093fag\u00f3citos\u0094 (literalmente, comedores de c\u00e9lulas), detectando e consumindo organismos estranhos e res\u00edduos dentro do corpo. Menos de duas d\u00e9cadas mais tarde, Paul Ehrlich argumentou que os principais agentes da imunidade eram os anticorpos, prote\u00ednas produzidas por c\u00e9lulas e liberadas na corrente sangu\u00ednea. No fim, as duas teorias estavam corretas, mas as enormes complexidades do sistema imune ainda n\u00e3o foram totalmente elucidadas.\n\nO progresso na imunologia levou \u00e0 identifica\u00e7\u00e3o de toda uma classe de dist\u00farbios chamados de doen\u00e7as autoimunes. Esse tipo de doen\u00e7a ocorre quando o corpo humano n\u00e3o consegue reconhecer seus pr\u00f3prios componentes e cria uma resposta imunol\u00f3gica contra suas pr\u00f3prias c\u00e9lulas. As doen\u00e7as autoimunes mais conhecidas incluem diabetes tipo 1, l\u00fapus, distrofia muscular e artrite reumatoide.\n\nAs pesquisas imunol\u00f3gicas tamb\u00e9m levaram ao desenvolvimento da imunoterapia, o uso de drogas para alterar o sistema imune. Como se poderia esperar, drogas imunossupressoras s\u00e3o usadas para tratar as doen\u00e7as autoimunes. Contudo, elas tamb\u00e9m s\u00e3o fundamentais para o sucesso do transplante de \u00f3rg\u00e3os. Os primeiros transplantes renais bem-sucedidos ocorreram na d\u00e9cada de 50, e o primeiro transplante card\u00edaco, em 1967. Contudo, nenhum dos pacientes sobreviveu por muito tempo, pois seus sistemas imunes rejeitaram os novos \u00f3rg\u00e3os. A ciclosporina, primeira droga imunossupressora eficaz para essa finalidade, foi lan\u00e7ada na d\u00e9cada de 1980. As drogas imunossupressoras gradualmente transformaram o transplante de \u00f3rg\u00e3os em um procedimento praticamente rotineiro.\n\nHoje em dia \u0097 em um dos milagres da cirurgia moderna &#8211; praticamente qualquer \u00f3rg\u00e3o do corpo humano pode ser transplantado de uma pessoa para outra. As limita\u00e7\u00f5es ficam basicamente por conta da disponibilidade de \u00f3rg\u00e3os.\n\nA imunoterapia tamb\u00e9m \u00e9 uma arma promissora na luta contra alguns tipos de c\u00e2ncer.\n\nA AIDS, identificada pela primeira vez na d\u00e9cada de 80, trouxe a ci\u00eancia da imunologia a um novo plano. Causada pelo v\u00edrus da imunodefici\u00eancia humana (HIV), a AIDS destr\u00f3i o sistema imune e, consequentemente, a capacidade do corpo de resistir a infec\u00e7\u00f5es. A princ\u00edpio a doen\u00e7a foi considerada uma senten\u00e7a de morte, mas os tratamentos \u00e0 base de antirretrovirais podem atualmente prolongar a vida de pessoas infectadas por muitos anos. No entanto, a AIDS ainda n\u00e3o tem cura.\n\nO sistema imune \u00e9 um mist\u00e9rio que est\u00e1 sendo lentamente desvendado por cientistas e m\u00e9dicos. A gen\u00e9tica\u00a0\u00e9 outro. No s\u00e9culo XX, o entendimento dessa \u00e1rea altamente complexa se tornou a pe\u00e7a central de um grande n\u00famero de pesquisas.\n\n<strong>Do S\u00e9culo XX em Diante:<\/strong> A Ascens\u00e3o da Gen\u00e9tica\n\nMuito do progresso nos estudos imunol\u00f3gicos e virais\u0097na verdade, na pesquisa m\u00e9dica como um todo\u0097deveu-se \u00e0 gen\u00e9tica. Os cientistas agora estudam as c\u00e9lulas do corpo e os organismos que podem infect\u00e1-lo no n\u00edvel molecular. Perto do fim do s\u00e9culo XIX e in\u00edcio do s\u00e9culo XX, estudos bioqu\u00edmicos e gen\u00e9ticos revelaram muitos dos princ\u00edpios b\u00e1sicos do metabolismo das c\u00e9lulas e o papel dos genes. Em meados do s\u00e9culo os pesquisadores entenderam a estrutura dos genes e como eles est\u00e3o dispostos dentro dos cromossomos que os abrigam. No n\u00facleo do cromossomo existe uma longa mol\u00e9cula, chamada de \u00e1cido desoxirribonucl\u00e9ico, mais conhecida como DNA.\n\nEnt\u00e3o, em 1953, o bioqu\u00edmico brit\u00e2nico Francis Crick (1916\u00962004) e o bi\u00f3logo americano James Watson (1928\u0096) decodificaram a estrutura do DNA. Essa foi uma das maiores revolu\u00e7\u00f5es da ci\u00eancia. O conhecimento da estrutura permitiu determinar a localiza\u00e7\u00e3o de cada gene e gradualmente identificar sua finalidade espec\u00edfica. No in\u00edcio do s\u00e9culo XXI, cientistas mapearam a estrutura gen\u00e9tica dos seres humanos, conhecida como genoma humano.\n\nAl\u00e9m de sua import\u00e2ncia para os estudos celulares, o desmembramento do c\u00f3digo gen\u00e9tico revolucionou a medicina de v\u00e1rias formas. As causas de muitas doen\u00e7as podem ser ligadas a cromossomos defeituosos ou a genes espec\u00edficos dos cromossomas. Isso, por sua vez, possibilitou a investiga\u00e7\u00e3o de suscetibilidade a essas doen\u00e7as, incluindo fibrose c\u00edstica, cor\u00e9ia de Huntington e algumas formas de c\u00e2ncer de mama.\n\nA engenharia gen\u00e9tica tamb\u00e9m possibilitou a cria\u00e7\u00e3o de novas drogas derivadas de subst\u00e2ncias qu\u00edmicas naturalmente presentes no corpo. Isso inclui insulina, interferon, horm\u00f4nio do crescimento humano e outros horm\u00f4nios usados para estimular a produ\u00e7\u00e3o de c\u00e9lulas sangu\u00edneas. O maior objetivo da engenharia gen\u00e9tica \u00e9 a terapia gen\u00e9tica direta. Isso envolve a inser\u00e7\u00e3o de c\u00f3pias normais de genes anormais nas c\u00e9lulas, normalmente por meio de um v\u00edrus. A esperan\u00e7a \u00e9 de que a terapia gen\u00e9tica ofere\u00e7a a cura para v\u00e1rias doen\u00e7as. At\u00e9 o momento, no entanto, o progresso tem sido bastante limitado.\n\nAssim como a gen\u00e9tica come\u00e7ou a permitir que os m\u00e9dicos vejam o funcionamento do corpo com o m\u00e1ximo de detalhes, novas tecnologias permitiram que eles vejam os processos corporais em a\u00e7\u00e3o.\n\n<strong>Do S\u00e9culo XX em Diante:<\/strong> O Papel da Tecnologia\n\nA medicina moderna e a tecnologia parecem insepar\u00e1veis. A descoberta dos raios X pelo f\u00edsico alem\u00e3o Wilhelm Conrad Roentgen (1845-1923) em 1895 possibilitou a observa\u00e7\u00e3o dos \u00f3rg\u00e3os internos do corpo. Isso facilitou o diagn\u00f3stico de fraturas \u00f3sseas, c\u00e2ncer, e outras doen\u00e7as. Pouco tempo depois, Willem Einthoven (1860-1927), fisiologista holand\u00eas, inventou o primeiro eletrocardi\u00f3grafo. O aparelho registra a atividade el\u00e9trica dos m\u00fasculos do cora\u00e7\u00e3o, possibilitando o monitoramento de problemas card\u00edacos. Em meados do s\u00e9culo, cateteres\u0097tubos ocos e finos que podem ser usados para drenar fluidos ou administrar medicamentos\u0097foram inseridos no cora\u00e7\u00e3o e no f\u00edgado. Muitos dos avan\u00e7os ocorreram na \u00e1rea de investiga\u00e7\u00e3o por imagem, permitindo aos m\u00e9dicos ver os \u00f3rg\u00e3os sem abrir o corpo. As tecnologias incluem imagens por ultra-som, tomografia computadorizada, tomografia por emiss\u00e3o de p\u00f3sitrons (PET) e resson\u00e2ncia magn\u00e9tica. O diagn\u00f3stico, embora ainda seja uma arte, tornou-se tamb\u00e9m uma ci\u00eancia.\n\nOs raios X, evidentemente, s\u00e3o uma forma de radia\u00e7\u00e3o, que \u00e9 nociva ao organismo. Os radiologistas aprenderam a usar as doses mais baixas poss\u00edveis na investiga\u00e7\u00e3o por imagens. Eles tamb\u00e9m aprenderam a usar raios X direcionados e outras formas de radia\u00e7\u00e3o para destruir c\u00e9lulas indesejadas. Conseq\u00fcentemente, a radia\u00e7\u00e3o se tornou um tratamento padr\u00e3o para o c\u00e2ncer.\n\nTalvez nenhuma outra \u00e1rea tenha sido t\u00e3o afetada pela tecnologia como a cirurgia. As v\u00e1rias tecnologias de varredura levaram os cirurgi\u00f5es \u00e0s partes mais profundas do corpo, permitindo cirurgias invasivas radicais. Por outro lado, endosc\u00f3pios flex\u00edveis, baseados em tecnologia de fibra \u00f3ptica, surgiram na d\u00e9cada de 70. Eles permitiram aquilo que chamamos de cirurgia laparosc\u00f3pica, na qual o endosc\u00f3pio, equipado com um laser que corta como um bisturi, \u00e9 inserido atrav\u00e9s de uma min\u00fascula incis\u00e3o. Esse tipo de cirurgia tornou-se comum para h\u00e9rnias, ves\u00edculas biliares e rins, e joelhos.\n\nEm meados do s\u00e9culo XX foi desenvolvida a m\u00e1quina cora\u00e7\u00e3o-pulm\u00e3o. Ela fornece um meio artificial de se manter a circula\u00e7\u00e3o sangu\u00ednea, mantendo o paciente vivo enquanto o cirurgi\u00e3o opera o cora\u00e7\u00e3o parado. Essa t\u00e9cnica, chamada de circula\u00e7\u00e3o extracorp\u00f3rea, tornou as cirurgias card\u00edacas praticamente rotineiras, incluindo a substitui\u00e7\u00e3o de v\u00e1lvulas card\u00edacas e a revasculariza\u00e7\u00e3o do mioc\u00e1rdio.\n\n\u00d3rg\u00e3os artificiais s\u00e3o outra grande inven\u00e7\u00e3o do s\u00e9culo XX. Embora o transplante seja o ideal, n\u00e3o h\u00e1 \u00f3rg\u00e3os suficientes para as pessoas que precisam deles. Os \u00f3rg\u00e3os artificiais podem manter os pacientes vivos enquanto eles aguardam a cirurgia. O aparelho de di\u00e1lise renal \u00e9 um dos exemplos mais antigos disso. O primeiro rim artificial foi inventado em 1913. A hemodi\u00e1lise, feita pela primeira vez pelo cientista holando-americano Willem Kolff\u00a0 (1911-, atualmente prolonga a vida de v\u00e1rios pacientes com insufici\u00eancia renal. Cora\u00e7\u00f5es artificiais tamb\u00e9m foram desenvolvidos. Diferentemente das m\u00e1quinas de di\u00e1lise inc\u00f4modas, estas s\u00e3o na verdade implantadas no corpo. Durante um tempo houve a esperan\u00e7a de que elas pudessem ser implantes permanentes, resolvendo assim o problema da falta de cora\u00e7\u00f5es verdadeiros para transplante. Contudo, poucos receptores viveram mais de meio ano. Outros cora\u00e7\u00f5es artificiais foram desenvolvidos para atuar como pontes, a fim de manter os pacientes vivos at\u00e9 que um cora\u00e7\u00e3o de verdade estivesse dispon\u00edvel.\n\nGrandes esfor\u00e7os foram feitos para o desenvolvimento de pr\u00f3teses que pudessem substituir membros perdidos. N\u00e3o muito tempo atr\u00e1s, os membros artificiais eram feitos de metal e madeira; o exemplo mais antigo de que se tem relato \u00e9 de cerca de 300 a.C. O pl\u00e1stico passou a ser usado em meados do s\u00e9culo XX.\n\nAtualmente, materiais avan\u00e7ados, como fibra de carbono, pl\u00e1sticos e metais de alta tecnologia, permitem que os pesquisadores criem dispositivos operados por eletrodos conectados aos m\u00fasculos. Os membros artificiais mais avan\u00e7ados s\u00e3o controlados por microchips.\n\nAssim como em v\u00e1rias outras \u00e1reas, os computadores t\u00eam desempenhado um papel fundamental nos avan\u00e7os da medicina moderna. Os computadores s\u00e3o um componente importante da tecnologia de varredura. Eles operam os aparelhos em salas de cirurgia e unidades de terapia intensiva. Registros m\u00e9dicos e prescri\u00e7\u00f5es de medicamentos podem agora ser transmitidos em formato eletr\u00f4nico. E a ci\u00eancia por tr\u00e1s das modernas pr\u00e1ticas m\u00e9dicas baseia-se em pesquisas que se valem de computador. O mapeamento do genoma humano teria sido imposs\u00edvel sem os computadores para montar e analisar a vasta e complexa gama de dados.\n\nApesar de todos esses avan\u00e7os, muitas doen\u00e7as ainda n\u00e3o t\u00eam um tratamento adequado. Embora muitas doen\u00e7as possam ser prevenidas, h\u00e1 outras que ainda devastam fam\u00edlias e comunidades. E muitas pessoas n\u00e3o t\u00eam acesso a atendimento m\u00e9dico adequado para doen\u00e7as que podem ser curadas ou prevenidas.\n\n<strong>Jan van der Crabben <\/strong>\n\nFonte: www.ancient.eu\/www.planetseed.com\n<h6>Hist\u00f3ria da Medicina<\/h6>\n<p class=\"google\"><\/p>\nOs fen\u00f4menos sentimentais que diferenciam o homem dos demais animais nasceram quando, ainda na era biol\u00f3gica das origens do ser humano, na luta renhida pela subsist\u00eancia, um primata agredia o outro com unhas e dentes, e a m\u00e3e procurava lamber-lhe as feridas, protegendo-o de novas agress\u00f5es dos mais fortes.\n\nA esse sentimento protetor, amparador e mitigante, base \u00fanica da raz\u00e3o de ser da medicina que se denomina de humanidade ou de amor, e que hoje em dia se transformou em milhares de variantes, constitui o fen\u00f4meno mais nobre e digno do ser humano. Sentimento esse que nasce, ou melhor, \u00e9 renovado diariamente, quando o m\u00e9dico entra em contato com o doente. Esse sentimento de humanidade deu origem \u00e0 medicina na \u00e9poca pr\u00e9-hist\u00f3rica, isto \u00e9, no passado milenar do ser humano, do qual a paleontopatologia procura no estudo dos f\u00f3sseis as provas ainda persistentes da origem das doen\u00e7as. Foi no estudo os f\u00f3sseis que a paleontopatologia conseguiu encontrar os resqu\u00edcios e as origens da medicina.\n\n\u00c7hegou-se j\u00e1 at\u00e9 aos australopitecos na frica do Sul, que viveram h\u00e1 15 ou 10 milh\u00f5es de anos. Neles se encontram sinais evidentes de doen\u00e7as, agress\u00f5es,que s\u00f3 poderiam ter sido suportadas mediante o amparo de outr\u00e9m, que nos primatas era dado pela m\u00e3e, depois que os pr\u00f3prios companheiros que foram, pouco a pouco, imitando a prote\u00e7\u00e3o materna, depois pelos feiticeiros, curandeiros e finalmente pelo m\u00e9dico.\n\nEsta fase pr\u00e9-hist\u00f3rica da medicina, dos povos primitivos (oriental, antigo Egito, Am\u00e9rica antes de Colombo, Grecia de Homero) a ajuda ao enfermo era regida por uma combina\u00e7\u00e3o de empirismo e magia, com predom\u00ednio maior ou menor de um destes dois elementos que j\u00e1 constitui uma doutrina seguida elos ovos primitivos dessa antiguidade oriental (Mesopot\u00e2mia, China, India, etc) antigo Egito e a Gr\u00e9cia Hom\u00e9rica. Esta era se estende desde come\u00e7o da humanidade, at\u00e9 a Gr\u00e9cia dos s\u00e9culos Vl e V antes de J.C.\n\nDepois vem a Hist\u00f3ria da medicina t\u00e9cnica que come\u00e7ou a vislumbrar-se na Magna Gr\u00e9cia, na Sic\u00edlia e em J\u00f4nia, quando se inventou o conceito da medicina t\u00e9cnica, no momento de transi\u00e7\u00e3o do empirismo para a t\u00e9cnica &#8220;isto h\u00e1 2 mil e quinhentos anos!\n\nO m\u00e9dico se prop\u00f5e a curar o enfermo sabendo o que faz e porque o faz. O remedio n\u00e3o atua, portanto, pela virtude de quem o aplica (feiticeiro, sacerdote, curandeiro, etc) e nem pelo modo como \u00e9 aplicado (rito religioso ou m\u00e1gico) mas sim pelo que \u00e9\u0094.\n\nEm consequ\u00eancia disso, o m\u00e9dico inicia uma nova \u00e9poca de sua hist\u00f3ria, pois descobre a necessidade de indagar o que finalmente ele \u00e9, o que constitui uma boa sa\u00fade e o que \u00e9 uma doen\u00e7a e o que \u00e9 um rem\u00e9dio. chegando posteriormente \u00e0 conclus\u00e3o inevit\u00e1vel de que ele \u00e9 um indiv\u00edduo diferenciado entre os demais, pelo h\u00e1bito que adquiriu desde a inf\u00e2ncia, em amparar os outros procurando mitigar-lhe os sofrimentos, evitando o medo e orientando o individuo de modo que possa fugir da doen\u00e7a e, portanto, do sofrimento.\n\nA segunda pergunta que o m\u00e9dico se imp\u00f4s, foi saber o que \u00e9 sa\u00fade e o que se entende por doen\u00e7a.\n\n<strong>Dessa indaga\u00e7\u00e3o nasceram as diferentes ci\u00eancias que s\u00e3o: <\/strong>morfologia, fisiologia, anatomia patal\u00f3gica, fisiopatologia, proped\u00eautica, psiquiatria, pediatria, psicologia, neurologia, terap\u00eautica, etc, que, em s\u00edntese, se chamou medicina.\n\n<strong>Essa \u00e9, em resumo, a hist\u00f3ria da medicina, da antiguidade cl\u00e1ssica:<\/strong> Gr\u00e9cia e Roma, a partir do s\u00e9culo V a.C. Foi, como j\u00e1 falamos, a \u00e9poca de transi\u00e7\u00e3o do empirismo para a t\u00e9cnica, ficando a medicina emp\u00edrica conservada em f\u00f3sseis, dos quais ainda se retiram os preciosos ensinamentos dessa \u00e9poca.\n\nPosteriormente, a medicina entrou numa fase de grandes e valiosos progressos, come\u00e7ando a \u00e9poca da Idade M\u00e9dia, em Biz\u00e2ncio, no Islam e no Ocidente com a chegada do cristianismo. Anos 1 \u00e0 1450 mais ou menos.\n\n<strong>Com o advento do cristianismo, passou-se para a medicina moderna que os historiadores dividem em per\u00edodos que s\u00e3o:<\/strong>\n<blockquote><strong>a) <\/strong>Renascimento e Barroco de I453 \u00e0 1740<strong>\nb)<\/strong> <strong>Ilustra\u00e7\u00e3o e Romanticismo de E7405:<\/strong> 1848<strong>\nc) <\/strong>Positivismo Naturalista de 1848 \u00e0 l9l4<strong>\nd)<\/strong> Medicina atual desde 1914 at\u00e9 nossos dias.<\/blockquote>\n<strong>MEDICINA E PR\u00c9-HIST\u00d3RIA<\/strong>\n\nProcuraremos relatar, em resumo, os achados da PaleopatoIogia mais interessantes.\n\n<strong>Anomalias cong\u00eanitas &#8211;<\/strong> Entre as malforma\u00e7\u00f5es cong\u00eanitas que se podem observar nos achados f\u00f3sseis, s\u00e3o poucas as verdadeiramente encontrados nos ossos.\n\nSendo o mais comum, os achados representativos dessas anomalias, s\u00e3o por exemplo, a acondroplasia (se encontraram casos magnificamente representados em estatuetas e figuras como as da Nig\u00e9ria e de v\u00e1rias dinastias egipcias, isto \u00e9, h\u00e1 cerca de 6 mil anos). Assim tamb\u00e9m, se encontrou um cr\u00e2nio com microcefalia, um com mongolismo num f\u00f3ssil peruano do final da \u00e9poca precolombiana. Cr\u00e2nios com turricefalia ou escafocefalia, isto \u00e9, cr\u00e2nio pontiagudo na sua parte superior ou ent\u00e3o alargado no sentido anteroposterior e achatado transversalmente. As assimetrias dent\u00e1rias e anomalias na oclus\u00e3o dent\u00e1ria s\u00e3o comuns, acompanhadas de graves doen\u00e7as da boca, com artrite da mand\u00edbula e graves calcifica\u00e7\u00f5es.\n\nDeforma\u00e7\u00f5es da pelvis com assimetrias graves nos f\u00f3sseis da Gr\u00e9cia e da Fran\u00e7a no periodo neol\u00edtico.\n\n<strong>Escolioses,<\/strong> p\u00e9s varus, deforma\u00e7\u00f5es sacras nas m\u00famias de uma necr\u00f3pole de Argin, etc. Polidactilia, oligodactilia e sindactilia, falta de um bra\u00e7o que foi notado num esqueleto de Shanidar; hidrocefalia, raquitismo, foram encontrados nos esqueletos da necr\u00f3pole de Argin (cidade de N\u00fabia, norte do Sud\u00e3o, \u00c1frica Oriental).\n\nO <strong>gigantismo<\/strong>, o <strong>nanismo<\/strong>, a <strong>acromegalia<\/strong>, foram registrados num esqueleto neol\u00edtico na Sui\u00e7a, etc.\n\nAs <strong>neoplasias e os tumores benignos<\/strong> deixaram suas marcas nos diferentes ossos do corpo humano que s\u00e3o facilmente identificados na \u00e9poca atual.\n\nAs <strong>enfermidades infecciosas<\/strong> n\u00e3o deixam marcas nos ossos, por\u00e9m foram pesquisadas nas figuras, relevos e outras obras de arte, mobili\u00e1rio, etc, para avaliar seus sinais externos.\n\nAssim, a origem da s\u00edfilis tem sido rebuscada insistentemente pelos paleopat\u00f3logos, n\u00e3o s\u00f3 na pr\u00e9-hist\u00f3ria da Europa, \u00c1sia, lndia, etc, como tamb\u00e9m nas Am\u00e9ricas, onde sempre se negou a presen\u00e7a dela na era pr\u00e9colombiana. Entretanto, foram encontrados nos ossos do cr\u00e2nio de esqueletos do Peru, M\u00e9xico e Argentina \u00falceras caracteristicas destes ossos, com grande perda de mat\u00e9ria \u00f3ssea em forma de eros\u00f5es lineares e serpentiformes. Esses ossos s\u00e3o do neol\u00edtico desses paises e, tamb\u00e9m, do neol\u00edtico da Fran\u00e7a, parecendo ser suficiente prova da presen\u00e7a de s\u00edfilis nesses cr\u00e2nios. A lepra tamb\u00e9m deixou seu rastro nos cr\u00e2nios e demais ossos do neol\u00edtico. A tuberculose tamb\u00e9m deixou suas marcas nos f\u00f3sseis encontrados por todoo mundo,sem a menor sombra de d\u00favidas, bem como o mal de Poti, que deixou figuras e estatuetas caracter\u00edsticas.\n\nOs virus deixaram tamb\u00e9m suas pegadas caracter\u00edsticas nos esqueletos dos f\u00f3sseis pr\u00e9-humanos e nas figuras e estatuetas.\n\nAssim, a poliomielite deixou, sem sombras de d\u00favida, sua marca na perna direita de um sacerdote da XVIII dinastia, chamado Ruma, e representado num alto relevo de um barranco de pedra porosa.\n\nFoi, tamb\u00e9m , representada a poliomielite num bronze do neolitico ingl\u00eas e nos agricultores do s\u00e9culo I e VIII da Am\u00e9rica do Norte.\n\nA periostite e a osteomielite lesaram v\u00e1rias partes dos esqueletos f\u00f3sseis e das m\u00famias, deixando sua marca tipica de que por ali passaram, acompanhando as gera\u00e7\u00f5es do s\u00e9culo III ao I aC.\n\nOs n\u00f4mades, quando atacados por uma epidemia, deixaram nos seus esconderijos montes de esqueletos, animais dom\u00e9sticos mortos. objetos de uso pessoal, utens\u00edlios, etc, e fugiam para outros lugares, pretendendo evitar a epidemia que, contudo, continuava a dizim\u00e1-los nos novos esconderijos. onde j\u00e1 se nota menor n\u00famero de f\u00f3sseis e de animais dom\u00e9sticos, at\u00e9 que nos supostos novos esconderijos j\u00e1 se encontram 2 ou 3 remanescentes, estes sempre com esqueletos de constitui\u00e7\u00e3o muito mais desenvolvida do que os do primeiro grupo encontrado.\n\nAs patologias bucais s\u00e3o tipicas e inconfundiveis, pois deixam elas suas marcas caracteristicas. S\u00e3o algumas cong\u00eanitas, outras deficit\u00e1rias. iiecrosantes, neopl\u00e1s\u00edcas, nfecciosas, traum\u00e1ticas, etc, que deixaram les\u00f5es \u00f3sseas ou dent\u00e1rias que falam exuberantemente por sua etiologia. Assim, apenas para citar um s\u00f3 exemplo, temos o pitecantropo de Lantican, da China, e o caso mais serio de infec\u00e7\u00e3o bucal da pre-hist\u00f3ria, que se irradiou para o cr\u00e2nio, representado pelo homem da Rod\u00e9sia (f\u00f3ssil encontrado em escava\u00e7\u00f5es da Rod\u00e9sia).\n\nAs c\u00e1ries dent\u00e1rias e as anomalias do esmalte dent\u00e1rio s\u00e3o outras tantas janelas abertas para a pr\u00e9-hist\u00f3ria da medicina, como se conclue do achado de um caso que data de 1.600.000 anos (o Australopitliecus) que viveu em Olduvai (Africa Oriental) cujos achados paleopatol\u00f3gicos se ligam possivelmente ao mal de Pott, encontrado em uma de suas v\u00e9rtebras tor\u00e1cicas, cuja etiologia atual tamb\u00e9m admite perturba\u00e7\u00f5es dent\u00e1rias neste mal.\n\nOs traumatismos, seguramente, constituem patologias das mais encontradi\u00e7as nos f\u00f3sseis, como as fraturas causadas por golpe ou queda, as eros\u00f5es e as inc\u00eds\u00f5es por armas. O cranio de Neanderthll apresenta uma incis\u00e3o sem complica\u00e7\u00f5es sobre o bordo orbitar\u00edo direito, alem de uma grave les\u00e3o no \u00famero esquerdo.\n\nFeridas cranianas \u00edndubitavelmente produzidas por mordeduras de crocodilos foram encontradas em v\u00e1rios cr\u00e2nios humanos que datam de 1.600.000 anos.\n\nConsegue-se nitidamente verificar que as arranhaduras guardam dist\u00e2ncias mais ou menos iguais de 2 a 3,5 cm uma da outra e todas profundas, com perda e subst\u00e2ncia \u00f3ssea e, \u00e0s vezes, perfura\u00e7\u00f5es at\u00e9 da t\u00e1bua interna, que s\u00f3 poderiam ser produzidas por objeto pontiagudo penetrante, com bases alargladas como cunha. Os dentes dos crocodilos s\u00e3o em forma de cunha\n\nN\u00e3o h\u00e1, at\u00e9 agora, provas suficientes de que havia guerra entre os indiv\u00edduos da pr\u00e9-hist\u00f3ria. Parece que as guerras s\u00f3 apareceram bem mais tarde. Havia luta entre pequenos grupos e, foram encontrados sinais disso em Olduvai.\n\nQuanto ao canibalismo ou antropofagia parece, fora de d\u00favidas, que realmente existia comumente entre os ind\u00edviduos da pr\u00e9-h\u00edst\u00f3ria, pois achados indicam uma tradi\u00e7\u00e3o cultural ou um rito religoso. O que refor\u00e7a esta suposi\u00e7\u00e3o \u00e9 o achado evidente de queimaduras em alguns f\u00f3sseis, atribu\u00eddas, certamente. depois da morte por pancada no cr\u00e2nio. Eles costumavam assar a v\u00edtima para depois devora-la.\n\nQuanto a arte de curar, muito pouco poderemos dizer dos achados pr\u00e9-hist\u00f3ricos nos per\u00edodos Pleistoceno e das culturas p\u00f3spaleoliticas. Entretanto, s\u00e3o evidentes as fraturas curadas, que demonstram que houve tratamentos especiais e especializados na disposi\u00e7\u00e3o dos fragmentos. Cita-se o caso especial o Pitec\u00e1ntropo de &#8220;Trinil\u0094, esp\u00e9cie de Homo Erectus, que apresentava osteomielite de uma fratura curada n\u00e3o se sabe como. H\u00e1 restaura\u00e7\u00f5es de fraturas complicadas de ossos acavalgados com provas de cura defeituosas, demonstrando a boa inten\u00e7\u00e3o de um segundo indiv\u00edduo que pretendia endireit\u00e1-la e n\u00e3o o conseguiu; pelo contr\u00e1rio, colocou os fragmentos em posi\u00e7\u00f5es que eles nunca poderiam assumir espontaneamente.\n\n<strong>H\u00e1 casos evidentes de amputa\u00e7\u00f5es:<\/strong> no per\u00edodo mesol\u00edtico, na Crim\u00e9ia encontrou-se uma amputa\u00e7\u00e3o do dedo minimo do esqueleto de uma mulher, em que n\u00e3o se encontrou sinais de contamina\u00e7ao da ferida posteriores \u00e0 amputa\u00e7\u00e3o. Em numerosas outras feridas tipicas de amputa\u00e7\u00f5es n\u00e3o se encontraram sinais de infec\u00e7\u00f5es pepticas. Isso faz admitir o uso de subst\u00e2ncias desinfectantes vegetais.\n\nAlem disso, est\u00e1 provado o uso por eles de talas para manter a fratura em boa posi\u00e7\u00e3o, resultando uma perfeita sutura dos bordos da ferida sem haver a forma\u00e7\u00e3o de exostoses e mantendo uma perfeita coapta\u00e7\u00e3o das fibras \u00f3sseas.\n\nO que \u00e9 de certo modo desconcertante para n\u00f3s m\u00e9dicos da atualidade, \u00e9 a prova insofism\u00e1vel da trepana\u00e7\u00e3o encontrada nos cranios da pr\u00e9-hist\u00f3ria. S\u00e3o encontrados esses achados constantemente nos cr\u00e2nios de v\u00e1rias civiliza\u00e7\u00f5es pr\u00e9-hist\u00f3ricas, como na \u00e9poca mesol\u00edtica em Vasievska na Ucrania, na Hungria, na Alemanha, na Checoslov\u00e2quia. etc e tamb\u00e9m em bronzes antigos da Crim\u00e9ia. Tudo parece provar a exist\u00eancia da trepana\u00e7\u00e3o desde a era pr\u00e9-neol\u00edtica.\n\n<strong>Qual seria a finalidade de tal opera\u00e7\u00e3o para curar certas doen\u00e7as do enc\u00e9falo? Rito religioso, pelo n\u00famero exagerado dessa pr\u00e1tica em certas gera\u00e7\u00f5es? Parece que a inten\u00e7\u00e3o era de aliviar as tens\u00f5es endocranianas. Apresentar um car\u00e1ter m\u00e1gico? <\/strong>\n\nUma quest\u00e3o ainda em aberto.\n\nSeus sinais cir\u00fargicos s\u00e3o ineg\u00e1veis. Parece relacionar-se com os ferimentos do cr\u00e2nio por uma arma daquele tempo, constru\u00edda com pedra polida.\n\n<strong>O interessante e que essa arma come\u00e7ou a ser encontrada nos f\u00f3sseis pr\u00e9-hist\u00f3ricos, coincidindo com as feridas traum\u00e1ticas do cr\u00e2nio e os achados das trepana\u00e7\u00f5es, parecendo indicar uma n\u00edtida correla\u00e7\u00e3o entre os dois atos:<\/strong> fratura, forma\u00e7\u00e3o de hematoma interno do cr\u00e2nio e posterior trepana\u00e7\u00e3o para aliviar a tensao endocraniana ou para remo\u00e7\u00e3o do hematoma.\n\n<strong>Outro fato interessante constatado com o aparecimento da trepanac\u00e3o \u00e9:<\/strong> o de que ela quase desaparece juntamente com o aparecimento da espada e desaparecimento do tacape feito com pedra polida.\n\nNos f\u00f3sseis pr\u00e9-hist\u00f3ricos do Peru, \u00e9 dominante a presen\u00e7a da trepana\u00e7\u00e3o, bem como na Bolivia, parecendo ultrapassar as fronteiras terap\u00eauticas e indicar um desenvolvimento muito avan\u00e7ado na interven\u00e7\u00e3o cir\u00fargica da personalidade. S\u00e3o patentes as provas de numerosas t\u00e9cnicas cir\u00fargicas empregadas. S\u00e3o constantes nos f\u00f3sseis peru-boliviano da pr\u00e9-hist\u00f3ria as deforma\u00e7\u00f5es cranianas propositadas com finalidade de intervir na personalidade, por meio da trcpa\u00e7\u00e2o e enfaixainento compressor do cr\u00e2nio.\n\n\u00c9 peculiar da medicina atual continuar se inspirando, na medicina da antiguidade, tanto em sua teoria como em suas aplica\u00e7\u00f5ees eivada, ainda, de certo grau de empirismo.\n\nSalvo alguns motivos, a medicina de todas as idades e de todos os pa\u00edses, se edificou sobre os mesmos alicerces e obedeceu aos mesmos princ\u00edpios gerais. N\u00e3o se deve confundir a medicina cient\u00edfica com medicina popular. Esta tem apoio na crendice popular e num fundo de superti\u00e7\u00f5es, que se desenvolvem mesmo a na \u00e9poca atual e nas civiliza\u00e7\u00f5es que can\u00e7aram um nivel t\u00e9cnico muito avan\u00e7ado.\n\nPoder\u00edamos citar como exemplo dessa crendice a supersti\u00e7\u00f5es populares a exist\u00eancia at\u00e9 hoje de indiv\u00edduos que se dedicam aos benzimentos, \u00e0s defuma\u00e7\u00f5es, \u00e0 homeopatia, que nada mais s\u00e3o do que explora\u00e7\u00e3o da ignor\u00e2ncia humana.\n\nQuando um indiv\u00edduo procura o m\u00e9dico, ele ainda leve no seu subconsciente resqu\u00edcios de um assado long\u00ednquo que faz do m\u00e9dico um ser superior, um ente dotado de atributos divinos, capaz de protege-lo e livra-lo de qualquer doen\u00e7a.\n\nAssim, vem a medicina crescendo, passo a passo, com a hist\u00f3ria da humanidade, acompanhando o progresso das ci\u00eancias gerais se aprofundandi mais e mais na procura da verdade.\n\n<strong>Fortunato Gabriel Ciannoni<\/strong>\n\nFonte: site.fmabc.br\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Hist\u00f3ria da Medicina, Origem, Mundo, Sa\u00fade, Doutrina, Oriental, \u00cdndia, Gr\u00e9cia, M\u00e9dico, Moderna, Ci\u00eancia, Teoria, Hist\u00f3ria da Medicina<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":12756,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[57],"tags":[],"class_list":["post-12755","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-historia-geral"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v28.3 - 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