{"id":11353,"date":"2015-12-29T00:00:00","date_gmt":"2015-12-29T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/uncategorized\/china-antiga\/"},"modified":"2026-08-31T21:36:32","modified_gmt":"2026-08-31T21:36:32","slug":"china-antiga","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/historia-geral\/china-antiga\/","title":{"rendered":"China Antiga"},"content":{"rendered":"\n<strong>China Antiga &#8211; O que foi<\/strong>\n\nA\u00a0<strong>China Antiga<\/strong>\u00a0foi uma das civiliza\u00e7\u00f5es mais antigas e duradouras da hist\u00f3ria do mundo.\n\nA\u00a0<strong>hist\u00f3ria da China Antiga<\/strong>\u00a0remonta a mais de 4.000 anos. Localizada na parte oriental do continente asi\u00e1tico, hoje a China \u00e9 o pa\u00eds mais populoso do mundo.\n\nA\u00a0<strong>China antiga<\/strong>\u00a0produziu o que se tornou a cultura mais antiga existente no mundo.\n\nO nome &#8216;China&#8217; vem do s\u00e2nscrito Cina (derivado do nome da dinastia chinesa Qin, pronunciado &#8216;Chin&#8217;), que foi traduzido como &#8216;Cin&#8217; pelos persas e parece ter se popularizado atrav\u00e9s do com\u00e9rcio ao longo da Rota da Seda.\n\nOs romanos e os gregos conheciam o pa\u00eds como &#8216;Seres&#8217;, \u0093a terra de onde vem a seda\u0094. O nome &#8220;China&#8221; n\u00e3o apareceu impresso no oeste at\u00e9 1516 dC nos di\u00e1rios de Barbosa narrando suas viagens no leste (embora os europeus j\u00e1 conhecessem a China por meio do com\u00e9rcio pela Rota da Seda). Marco Polo, o famoso explorador que familiarizou a China com a Europa no s\u00e9culo 13 dC, referiu-se \u00e0 terra como &#8216;Catai.\n\nEm mandarim, o pa\u00eds \u00e9 conhecido como &#8216;Zhongguo&#8217;, que significa &#8220;estado central&#8221; ou &#8220;imp\u00e9rio m\u00e9dio&#8221;.\n\n<strong>China Antiga &#8211; Pr\u00e9-hist\u00f3ria<\/strong>\n\nMuito antes do advento de uma civiliza\u00e7\u00e3o reconhec\u00edvel na regi\u00e3o, a terra foi ocupada por homin\u00eddeos. O Homem de Pequim, um f\u00f3ssil de cr\u00e2nio descoberto em 1927 CE perto de Pequim, viveu na \u00e1rea entre 700.000 a 300.000 anos atr\u00e1s, e o Homem de Yuanmou, cujos restos mortais foram encontrados em Yuanmou em 1965 CE, habitou a terra h\u00e1 1,7 milh\u00e3o de anos.\n\nAs evid\u00eancias descobertas com essas descobertas mostram que esses primeiros habitantes sabiam como fabricar ferramentas de pedra e usar o fogo.\n\nEmbora seja comumente aceito que os seres humanos se originaram na \u00c1frica e depois migraram para outros pontos ao redor do globo, os paleoantrop\u00f3logos da China &#8220;ap\u00f3iam a teoria da &#8216;evolu\u00e7\u00e3o regional&#8217; da origem do homem&#8221;, que reivindica uma base independente para o nascimento de seres humanos. &#8220;O Shu Ape, um primata de apenas 100 a 150 gramas e de tamanho semelhante a um rato, viveu [na China] na \u00e9poca do Eoceno M\u00e9dio 4,5 a 4 milh\u00f5es de anos atr\u00e1s. Sua descoberta representou um grande desafio para a teoria africana origem da ra\u00e7a humana &#8220;.\n\nEsse desafio \u00e9 considerado plaus\u00edvel devido \u00e0s liga\u00e7\u00f5es gen\u00e9ticas entre o f\u00f3ssil do macaco Shu e os primatas avan\u00e7ados e inferiores, constituindo, ent\u00e3o, um &#8216;elo perdido&#8217; no processo evolutivo.\n\nQualquer que seja a interpreta\u00e7\u00e3o desses dados (as conclus\u00f5es chinesas foram contestadas pela comunidade internacional), as evid\u00eancias s\u00f3lidas fornecidas por outras descobertas confirmam uma linhagem muito antiga de homin\u00eddeos e homo sapiens na China e um alto n\u00edvel de sofistica\u00e7\u00e3o na cultura primitiva.\n\nUm exemplo disso \u00e9 a vila de Banpo, perto de Xi&#8217;an, descoberta em 1953 CE. Banpo \u00e9 uma aldeia neol\u00edtica habitada entre 4500 e 3750 AC e compreende 45 casas com pisos enterrados para maior estabilidade.\n\nUma trincheira ao redor da aldeia fornecia prote\u00e7\u00e3o contra ataques e drenagem (ao mesmo tempo que ajudava a cercar os animais dom\u00e9sticos), enquanto as cavernas feitas pelo homem cavadas no subsolo eram usadas para armazenar alimentos. O design da vila e os artefatos ali descobertos (como cer\u00e2mica e ferramentas) defendem uma cultura muito avan\u00e7ada na \u00e9poca em que foi constru\u00edda.\n\n\u00c9 geralmente aceito que o &#8216;Ber\u00e7o da Civiliza\u00e7\u00e3o&#8217; da China \u00e9 o Vale do Rio Amarelo, que deu origem a aldeias por volta de 5000 aC. Embora isso tenha sido contestado e tenham sido apresentados argumentos para o desenvolvimento mais amplo das comunidadesfoi o local de muitas das primeiras aldeias e comunidades agr\u00edcolas, n\u00e3o h\u00e1 d\u00favida de que a prov\u00edncia de Henan, no Vale do Rio Amarelo, 20 esqueletos, um altar, um quadrado, cer\u00e2mica e utens\u00edlios de pedra e jade &#8220;. Este local era apenas uma das muitas aldeias pr\u00e9-hist\u00f3ricas da \u00e1rea.\n\n<strong>China Antiga &#8211; As primeiras dinastias<\/strong>\n\nDestas pequenas aldeias e comunidades agr\u00edcolas cresceu o governo centralizado; a primeira delas foi a pr\u00e9-hist\u00f3rica Dinastia Xia (c. 2070-1600 aC). A Dinastia Xia foi considerada, por muitos anos, mais mito do que fato, at\u00e9 que escava\u00e7\u00f5es nas d\u00e9cadas de 1960 e 1970 dC descobriram locais que argumentavam fortemente por sua exist\u00eancia.\n\nObras de bronze e tumbas apontam claramente para um per\u00edodo evolutivo de desenvolvimento entre aldeias d\u00edspares da Idade da Pedra e uma civiliza\u00e7\u00e3o coesa reconhec\u00edvel.\n\nA dinastia foi fundada pelo lend\u00e1rio Yu, o Grande, que trabalhou incansavelmente por 13 anos para controlar as enchentes do Rio Amarelo, que rotineiramente destru\u00edam as planta\u00e7\u00f5es do fazendeiro.\n\nEle estava t\u00e3o concentrado em seu trabalho que foi dito que ele n\u00e3o voltou para casa uma vez em todos esses anos, embora pare\u00e7a ter passado por sua casa em pelo menos tr\u00eas ocasi\u00f5es, e essa dedica\u00e7\u00e3o inspirou outros a segui-lo.\n\nDepois de controlar a inunda\u00e7\u00e3o, Yu conquistou as tribos Sanmiao e foi nomeado sucessor (pelo ent\u00e3o governante, Shun), reinando at\u00e9 sua morte. Yu estabeleceu o sistema heredit\u00e1rio de sucess\u00e3o e, portanto, o conceito de dinastia que se tornou mais familiar. A classe dominante e a elite viviam em aglomerados urbanos, enquanto a popula\u00e7\u00e3o camponesa, que sustentava o estilo de vida da elite, permanecia em grande parte agr\u00e1ria, vivendo em \u00e1reas rurais. O filho de Yu, Qi, governou depois dele e o poder permaneceu nas m\u00e3os da fam\u00edlia at\u00e9 que o \u00faltimo governante Xia, Jie, foi deposto por Tang, que estabeleceu a Dinastia Shang (1600-1046 aC).\n\nTang era do reino de Shang. As datas popularmente atribu\u00eddas a ele (1675-1646 AEC) (&#8220;Antes de Cristo&#8221;) n\u00e3o correspondem de forma alguma aos eventos conhecidos dos quais ele participou e devem ser consideradas err\u00f4neas.\n\nO que se sabe \u00e9 que ele era o governante, ou pelo menos um personagem muito importante, no reino de Shang que, por volta de 1600 aC, liderou uma revolta contra Jie e derrotou suas for\u00e7as na Batalha de Mingtiao.\n\nAcredita-se que a extravag\u00e2ncia da corte Xia e o fardo resultante sobre a popula\u00e7\u00e3o tenham levado a esse levante. Tang ent\u00e3o assumiu a lideran\u00e7a da terra, reduziu os impostos, suspendeu os grandiosos projetos de constru\u00e7\u00e3o iniciados por Jie (que estavam drenando os recursos do reino) e governou com tanta sabedoria e efici\u00eancia que a arte e a cultura puderam florescer.\n\nA escrita se desenvolveu durante a Dinastia Shang, bem como a metalurgia do bronze, arquitetura e religi\u00e3o.\n\nAntes do Shang, o povo adorava muitos deuses com um deus supremo, Shangti, como chefe do pante\u00e3o (o mesmo padr\u00e3o encontrado em outras culturas). Shangti era considerado &#8216;o grande ancestral&#8217; que presidia a vit\u00f3ria na guerra, na agricultura, no clima e no bom governo. Por estar t\u00e3o distante e t\u00e3o ocupado, entretanto, as pessoas parecem ter exigido intercessores mais imediatos para suas necessidades e ent\u00e3o a pr\u00e1tica da adora\u00e7\u00e3o aos antepassados come\u00e7ou.\n\nQuando algu\u00e9m morria, pensava-se, eles alcan\u00e7avam poderes divinos e podiam ser chamados para assist\u00eancia em momentos de necessidade (semelhante \u00e0 cren\u00e7a romana nos pais).\n\nEssa pr\u00e1tica levou a rituais altamente sofisticados, dedicados a apaziguar os esp\u00edritos dos ancestrais, que eventualmente inclu\u00edam sepulturas ornamentadas em grandes tumbas cheias de tudo o que fosse necess\u00e1rio para desfrutar de uma vida ap\u00f3s a morte confort\u00e1vel.\n\nO rei, al\u00e9m de seus deveres seculares, servia como principal oficiante e mediador entre os vivos e os mortos e seu governo era considerado ordenado pela lei divina.\n\nEmbora o famoso Mandato do C\u00e9u tenha sido desenvolvido no final da Dinastia Zhou, a ideia de vincular um governante justo \u00e0 vontade divina tem suas ra\u00edzes nas cren\u00e7as promovidas pelos Shang.\n\n<strong>China Antiga &#8211; Dinastia Zhou<\/strong>\n\nPor volta do ano 1046 AEC (&#8220;Antes de Cristo&#8221;), o Rei Wu (r. 1046-1043 AEC), da prov\u00edncia de Zhou, rebelou-se contra o Rei Zhou de Shang e derrotou suas for\u00e7as na Batalha de Muye, estabelecendo a Dinastia Zhou (1046- 256 AEC). 1046-771 AC marca o Per\u00edodo Zhou Ocidental, enquanto 771-256 AC marca o Per\u00edodo Zhou Oriental.\n\nWu se rebelou contra o governante Shang depois que o rei de Shang matou seu irm\u00e3o mais velho injustamente. O Mandato do C\u00e9u foi invocado por Wu e sua fam\u00edlia para legitimar a revolta, pois ele sentiu que os Shang n\u00e3o estavam mais agindo no interesse do povo e, portanto, perderam o mandato entre a monarquia e o deus da lei, ordem e justi\u00e7a, Shangti.\n\nO Mandato do C\u00e9u foi assim definido como a b\u00ean\u00e7\u00e3o dos deuses sobre um governante justo e governar por mandato divino. Quando o governo n\u00e3o servisse mais \u00e0 vontade dos deuses, esse governo seria derrubado.\n\nAl\u00e9m disso, foi estipulado que s\u00f3 poderia haver um governante leg\u00edtimo da China e que seu governo deveria ser legitimado por sua conduta adequada como administrador das terras que o c\u00e9u lhe confiara.\n\nA regra poderia ser passada de pai para filho, mas apenas se a crian\u00e7a possu\u00edsse a virtude necess\u00e1ria para governar.\n\nEsse mandato mais tarde seria frequentemente manipulado por v\u00e1rios governantes que confiavam a sucess\u00e3o a descendentes indignos.\n\nSob o governo Zhou, a cultura floresceu e a civiliza\u00e7\u00e3o se espalhou. A escrita foi codificada e a metalurgia do ferro tornou-se cada vez mais sofisticada. Os maiores e mais conhecidos fil\u00f3sofos e poetas chineses, Conf\u00facio, M\u00eancio, Mo Ti (Mot Zu), Lao-Tzu, Tao Chien e o estrategista militar Sun-Tzu (se ele existiu como retratado), todos v\u00eam do per\u00edodo Zhou na China e na \u00e9poca das Cem Escolas de Pensamento.\n\nA carruagem, que foi introduzida na terra pelos Shang, tornou-se mais desenvolvida pelos Zhou. Deve-se notar que esses per\u00edodos e dinastias n\u00e3o come\u00e7aram nem terminaram t\u00e3o bem quanto parecem nos livros de hist\u00f3ria e a Dinastia Zhou compartilhou muitas qualidades com os Shang (incluindo idioma e religi\u00e3o).\n\nEmbora os historiadores achem necess\u00e1rio, para fins de clareza, dividir os eventos em per\u00edodos, a Dinastia Zhou permaneceu durante os seguintes per\u00edodos reconhecidos, conhecidos como Per\u00edodo da Primavera e Outono e Per\u00edodo dos Reinos Combatentes.\n\n<strong>China Antiga &#8211; Dinastia Qin<\/strong>\n\nShi Huangdi estabeleceu assim a Dinastia Qin (221-206 AC), iniciando o per\u00edodo conhecido como Era Imperial na China (221 AC-1912 DC) quando as dinastias governaram a terra.\n\nEle ordenou a destrui\u00e7\u00e3o das fortifica\u00e7\u00f5es muradas que separavam os diferentes estados e encomendou a constru\u00e7\u00e3o de uma grande muralha ao longo da fronteira norte de seu reino.\n\nEmbora pouco tenha restado hoje da parede original de Shi Huangdi, a Grande Muralha da China foi iniciada sob seu governo.\n<blockquote>Estendeu-se por mais de 5.000 quil\u00f4metros atrav\u00e9s de colinas e plan\u00edcies, desde os limites da Cor\u00e9ia, no leste, at\u00e9 o problem\u00e1tico Deserto de Ordos, no oeste. Foi um enorme empreendimento log\u00edstico, embora durante grande parte de seu curso tenha incorporado comprimentos de paredes anteriores constru\u00eddas pelos reinos chineses separados para defender suas fronteiras ao norte nos s\u00e9culos IV e III.<\/blockquote>\nShi Huangdi tamb\u00e9m fortaleceu a infraestrutura por meio da constru\u00e7\u00e3o de estradas, o que ajudou a aumentar o com\u00e9rcio por meio da facilidade de locomo\u00e7\u00e3o.\n<blockquote>Cinco estradas principais sa\u00edam da capital imperial em Xianyang, cada uma com for\u00e7as policiais e postos de correio. A maioria dessas estradas era de constru\u00e7\u00e3o em taipa e tinha 15 metros de largura. O mais longo correu para sudoeste por mais de 7.500 quil\u00f4metros at\u00e9 a regi\u00e3o da fronteira de Yunnan. O campo era t\u00e3o \u00edngreme que se\u00e7\u00f5es da estrada tiveram que ser constru\u00eddas a partir de penhascos verticais em galerias de madeira salientes.<\/blockquote>\nShi Huangdi tamb\u00e9m expandiu as fronteiras de seu imp\u00e9rio, construiu o Grande Canal no sul, redistribuiu terras e, inicialmente, foi um governante justo e justo.\n\nEmbora tenha feito grandes avan\u00e7os em projetos de constru\u00e7\u00e3o e campanhas militares, seu governo tornou-se cada vez mais caracterizado por uma m\u00e3o pesada na pol\u00edtica interna. Reivindicando o Mandato do C\u00e9u, ele suprimiu todas as filosofias, exceto o Legalismo que havia sido desenvolvido por Shang Yang e, atendendo ao conselho de seu conselheiro-chefe, Li Siu, ordenou a destrui\u00e7\u00e3o de quaisquer livros de hist\u00f3ria ou filosofia que n\u00e3o correspondessem ao Legalismo, sua linhagem familiar, o estado de Qin ou ele mesmo.\n\nComo os livros eram ent\u00e3o escritos em tiras de bambu presas com alfinetes girat\u00f3rios, e um volume podia ter algum peso, os estudiosos que procuravam fugir da ordem enfrentaram muitas dificuldades.\n\nV\u00e1rios deles foram detectados; a tradi\u00e7\u00e3o diz que muitos deles foram enviados para trabalhar na Grande Muralha e que quatrocentos e sessenta foram executados. No entanto, alguns dos literatos memorizaram as obras completas de Conf\u00facio e as transmitiram oralmente a mem\u00f3rias iguais.\n\nEsse ato, junto com a supress\u00e3o das liberdades gerais por Shi Huangdi, incluindo a liberdade de express\u00e3o, o tornou progressivamente mais impopular.\n\nO culto aos ancestrais do passado e \u00e0 terra dos mortos come\u00e7ou a interessar mais ao imperador do que seu reino dos vivos e Shi Huangdi tornou-se cada vez mais absorto no que esse outro mundo consistia e em como ele poderia evitar viajar para l\u00e1. Ele parece ter desenvolvido uma obsess\u00e3o pela morte, tornou-se cada vez mais paran\u00f3ico em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 sua seguran\u00e7a pessoal e buscava ardentemente a imortalidade.\n<p class=\"imagem\" style=\"text-align: center;\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-157297 aligncenter\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/China-1-300x194.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"194\" \/><\/strong><strong>Panorama do Ex\u00e9rcito de Terracota<\/strong><\/p>\nSeu desejo de proporcionar para si uma vida ap\u00f3s a morte compat\u00edvel com a atual o levou a encomendar um pal\u00e1cio constru\u00eddo para sua tumba e um ex\u00e9rcito de mais de 8.000 guerreiros de terracota criados para servi-lo na eternidade. Este ex\u00e9rcito de cer\u00e2mica, enterrado com ele, tamb\u00e9m inclu\u00eda carros de terracota, cavalaria, um comandante em chefe e diversos p\u00e1ssaros e animais.\n\nDiz-se que ele morreu em 210 aC enquanto buscava um elixir da imortalidade e Li Siu, na esperan\u00e7a de obter o controle do governo, manteve sua morte em segredo at\u00e9 que pudesse alterar seu testamento para nomear seu filho flex\u00edvel, Hu-Hai, como herdeiro.\n\nEste plano se mostrou insustent\u00e1vel, entretanto, como o jovem pr\u00edncipe mostrou-se bastante inst\u00e1vel, executando muitos e iniciando uma rebeli\u00e3o generalizada na terra. Pouco depois da morte de Shi Huangdi, a Dinastia Qin rapidamente entrou em colapso devido \u00e0 intriga e in\u00e9pcia de pessoas como Hu-Hai, Li Siu e outro conselheiro, Zhao Gao, e a Dinastia Han (202 aC-220 dC) come\u00e7ou com a ascens\u00e3o de Liu-Bang.\n\n<strong>AS CIDADES NA CHINA ANTIGA<\/strong>\n\nNo presente artigo estudaremos de forma introdut\u00f3ria o processo de forma\u00e7\u00e3o das cidades na\u00a0<strong>China antiga.<\/strong>\n\n<strong>Para tal, devemos apontar para dois fatores fundamentais na compreens\u00e3o da cultura chinesa:<\/strong>\u00a0a quest\u00e3o do ritual e da estrutura de longa dura\u00e7\u00e3o que envolve o desenvolvimento das formas de pensar nesta sociedade.\n\n<strong>Em primeiro lugar, devemos conceituar de forma razo\u00e1vel a no\u00e7\u00e3o de ritual aqui aplicada(1):<\/strong>\u00a0ela est\u00e1 ligada a constitui\u00e7\u00e3o de uma s\u00e9rie de modelos\u00a0<strong>(2)<\/strong>\u00a0sucessivos de adapta\u00e7\u00e3o ao ambiente, e a operacionaliza\u00e7\u00e3o e efic\u00e1cia do mesmo, se comprovada, era fixada sob forma ritual\u00edstica, absorvendo posteriormente os elementos m\u00edsticos que lhes eram atribu\u00eddos. Da\u00ed se incorre que a pr\u00e1tica de fixa\u00e7\u00e3o desses modelos constitu\u00eda uma necessidade de &#8220;sobreviv\u00eancia&#8221;, e sua reprodu\u00e7\u00e3o transformava-se quase em lei, dada sua significa\u00e7\u00e3o.\n\n<strong>Devido \u00e0 essa concep\u00e7\u00e3o do ritual, articulamos o segundo ponto de an\u00e1lise:<\/strong>\u00a0a estrutura de longa dura\u00e7\u00e3o do pensamento chin\u00eas\u00a0<strong>(3)<\/strong>. Em virtude da aprecia\u00e7\u00e3o do dom\u00ednio do territ\u00f3rio, os chineses criaram uma id\u00e9ia de passado m\u00edtico, onde os antigos l\u00edderes eram filhos de deuses que ensinaram aos homens como viver.\n\nNeste ponto, muitos dos rituais s\u00e3o sacralizados, deixando de possuir t\u00e3o somente suas caracter\u00edsticas pr\u00e1ticas para tamb\u00e9m ganharem um car\u00e1ter religioso (embora nem todos os rituais fossem igualmente absorvidos pelas diversas religi\u00f5es da China, e nem as mesmas os compreenderiam da mesma forma). O que importa, por\u00e9m, \u00e9 que se criou a\u00ed um ponto de atrito estrutural onde o modelo (ritual) constru\u00eddo para manter e expandir a vida come\u00e7ava a se chocar com as novas necessidades advindas da pr\u00f3pria expans\u00e3o possibilitada pelo modelo!\n\nEntenderemos isso observando melhor o desenvolvimento desses modelos\u00a0<strong>(4)<\/strong>\u00a0de complexo urbano criados na China antiga.\n\nInicialmente, tivemos a cria\u00e7\u00e3o de comunidades rurais, cujo territ\u00f3rio era coletivamente trabalhado por duas (no m\u00e1ximo tr\u00eas) fam\u00edlias de poder patriarcal (mas em menor n\u00famero tamb\u00e9m matriarcais), onde a lideran\u00e7a era exercida por conselhos de anci\u00e3os. Posteriormente, com a agrega\u00e7\u00e3o de novos trabalhadores vindos de outros territ\u00f3rios, essas fam\u00edlias iniciaram uma fase de lideran\u00e7a, exercendo poder servil atrav\u00e9s de obriga\u00e7\u00f5es de trabalho em troca de habita\u00e7\u00e3o, comida e defesa aos estrangeiros que vinham habitar suas terras.\n\nNa organiza\u00e7\u00e3o desta primeira comunidade, \u00e9 de fundamental import\u00e2ncia a an\u00e1lise do \u0093Lugar-santo\u0094 (que podia ser um campo-santo, um ponto de culto ou at\u00e9 mesmo um cemit\u00e9rio).\n\nEsse espa\u00e7o era um centro de import\u00e2ncia comunit\u00e1ria, pois se acreditava que nele estava depositado um grande poder, uma fabulosa energia acumulada pela terra e pela natureza resultante das orgias, da pr\u00e1tica dos ritos e que, por conseguinte, atra\u00eda a presen\u00e7a dos antepassados e dos esp\u00edritos.\n\nO fato de que as primeiras cidades eram constru\u00eddas em c\u00edrculos, tais como aldeias muradas, com uma fun\u00e7\u00e3o protetora que dispensava a privacidade entre seus habitantes. Assim, o lugar dos ritos, dos mortos\u00a0<strong>(5)<\/strong>\u00a0era o \u00fanico que ficava fora do restrit\u00edssimo per\u00edmetro urbano, al\u00e9m dos campos, claro.\n\n\u00c9 no \u0093Lugar-santo\u0094 que os chineses jovens fogem com suas amadas e deixam cair no ch\u00e3o seu esperma fecundo; l\u00e1, encontram-se os antepassados quando as \u00e1rvores florescem; \u00e9 onde se realiza a orgia, onde se bebe, onde se deixa parte da vida pelo vinho, pois o esquecimento da bebedeira \u00e9 um momento roubado da mesma.\n\n<strong>Quem det\u00e9m o poder sobre o \u0093lugar-santo\u0094 \u00e9 o l\u00edder da aldeia, pois seu poder \u00e9 igual ao do campo santo para os membros de sua comunidade:<\/strong>\u00a0\u00e9 ele quem observa os ritos, quem controla as leis, que lida com as \u00e1reas consagradas aos esp\u00edritos. De l\u00e1, ele retira parte do fundamento de seu poder Esse simples, por\u00e9m complexo modelo, surge como o embri\u00e3o das vilas chinesas, que depois seriam como &#8220;ilhas produtivas&#8221;.\n\nNessas vilas, o trabalho \u00e9 dividido, mas todos alternam-se nos servi\u00e7os existentes Com a unifica\u00e7\u00e3o de territ\u00f3rios no per\u00edodo de feudaliza\u00e7\u00e3o\u00a0<strong>(6)<\/strong>\u00a0(aproximadamente s\u00e9culo XII A.C.) temos o desenvolvimento de atividades mercantis, que aperfei\u00e7oam o com\u00e9rcio de trocas e o especializam. Por\u00e9m, como conciliar essa pequena comunidade agr\u00e1ria cujo modelo ritual \u00e9 \u0093aben\u00e7oado\u0094 por um novo tipo de comunidade mais din\u00e2mica e integrada?\n\n<strong>Temos a\u00ed duas respostas:\u00a0<\/strong>gradativamente, essa evolu\u00e7\u00e3o veio pelo pr\u00f3prio poder do \u0093campo-santo\u0094, que gerava um pequeno mercado a sua volta, e pela conquista de novas terras advindas do crescimento das comunidades em virtude do sucesso de seu modelo produtivo e da ritualiza\u00e7\u00e3o dos relacionamentos matrimoniais, atrav\u00e9s da sacraliza\u00e7\u00e3o das orgias.\n\nEsse crescimento for\u00e7a a expans\u00e3o da comunidade, e de suas atividades produtivas. Por outro lado, temos tamb\u00e9m o aperfei\u00e7oamento do dom\u00ednio das t\u00e9cnicas de habita\u00e7\u00e3o e do controle das for\u00e7as naturais, que dariam origem ao \u0093feng shui\u0092 (arte da \u00e1gua e do vento)\u00a0<strong>(7)<\/strong>, cujo dom\u00ednio possibilitava a escolha dos melhores locais para moradia, produ\u00e7\u00e3o, etc. Essa t\u00e9cnica possu\u00eda, originalmente, um sentido pr\u00e1tico, e n\u00e3o apenas os caracteres est\u00e9ticos que hoje lhe s\u00e3o atribu\u00eddos.\n\n<strong>Por conseguinte, temos o surgimento de um novo modelo de cidade:<\/strong>\u00a0um lugar escolhido, que possui um campo santo, um mercado e uma guarda. O per\u00edmetro aumenta, surgindo ent\u00e3o as grandes cidadelas ou muralhas.\n\n<strong>Neste per\u00edodo feudalizado, a delimita\u00e7\u00e3o das cidades pelas muralhas tamb\u00e9m muda, ganhando novas caracter\u00edsticas:\u00a0<\/strong>sua forma de ser constru\u00edda e o per\u00edmetro que as mesmas v\u00e3o cobrir passam a ser definidos pelos senhores locais.\n\n<strong>Este processo ocorre, obviamente, em decorr\u00eancia do pragmatismo desses l\u00edderes:<\/strong>\u00a0afinal, s\u00f3 se investiria tempo em muralhas mais fortes para cidades mais importantes.\n\n<strong>Existiam tr\u00eas tipos de amuradas:\u00a0<\/strong>para as cidades sem templo, ou com templo n\u00e3o consagrado, havia uma muralha de barro; para as cidades com templo consagrado, uma de tijolos; e por fim, para as cidades sagradas, dos l\u00edderes ou com mais de um templo, muralhas de pedra.\n\n<strong>A consagra\u00e7\u00e3o de um templo est\u00e1 ligada a import\u00e2ncia da cidade na regi\u00e3o:<\/strong>\u00a0\u00e9 preciso um alto funcion\u00e1rio para faz\u00ea-la, Ela s\u00f3 existe com um grande campo santo e um grande mercado.\n\n<strong>A muralha \u00e9 feita pelos s\u00faditos em regime de convoca\u00e7\u00e3o:<\/strong>\u00a0eles tiram alguns dias de seu trabalho para constru\u00ed-la. S\u00e3o estimulados por guardas de bast\u00f5es, recebendo comida e tendo direito de amaldi\u00e7oar a muralha e cantar.\n\n<strong>Neste contexto, a sacraliza\u00e7\u00e3o de alguns rituais, principalmente no tocante ao da constru\u00e7\u00e3o das cidades, leva \u00e0 algumas diferencia\u00e7\u00f5es antes n\u00e3o existentes ou identific\u00e1veis:<\/strong>\u00a0os nobres come\u00e7am a morar no lado esquerdo, virados para o sul, a dire\u00e7\u00e3o sagrada; os camponeses e mercadores do lado direito, virados para o norte. Estes detalhes apontam para o in\u00edcio do conv\u00edvio entre eles, mas ao mesmo tempo da separa\u00e7\u00e3o mais distinta de grupos dentro da sociedade chinesa.\n\nO que se concebe, dessa forma, \u00e9 o surgimento de um novo modelo de cidade adequado ao novo contexto, cujo processo de funda\u00e7\u00e3o deve ser identificado por suas inovadoras singularidades.\n\n<strong>Foram identificadas tr\u00eas formas de surgimento de uma cidade na China antiga:<\/strong>\u00a0o espont\u00e2neo, baseado na antiga comunidade rural, e de certa forma quase inexistente no s\u00e9culo X AC; a escolhida, onde uma nova cidade era formada, segundo o interesse de algum senhor de terras em aglutinar trabalhadores, arrotear terras novas, conquistar territ\u00f3rio, etc, forma essa que se aperfei\u00e7oou com a evolu\u00e7\u00e3o do \u0093feng shui\u0094, utilizado tamb\u00e9m para remodelar as cidades existentes. E uma terceira forma, \u0093meng\u0094, surgida principalmente durante o per\u00edodo imperial, em torno do s\u00e9culo IV AC. Esta era uma cidade para fins comerciais, surgida do interesse de mercadores em estabelecerem-se em uma regi\u00e3o. Estes procuravam o senhor das terras, ou o governo local, e acordavam a constru\u00e7\u00e3o de uma cidade fundamentada no mercado, e n\u00e3o no campo ou no \u0093campo-santo\u0094. Possivelmente fruto do modo de pensar mascate, esse novo modelo de cidade estava de acordo com os padr\u00f5es e modelos de constru\u00e7\u00e3o, sendo a diferen\u00e7a sua fun\u00e7\u00e3o e origem.\n\nEsse tipo de cidade recebeu grande impulso imperial porque favorecia o dom\u00ednio de rotas comercias e de novos territ\u00f3rios.\n\n<strong>A cidade \u0093meng\u0094 era singular: seus mercadores pagavam a prote\u00e7\u00e3o do senhor local (ou de uma guarda) e uma taxa pela entrada e sa\u00edda de produtos estrangeiros de seus per\u00edmetros:<\/strong>\u00a0podiam vender o que quisessem (concess\u00e3o especial da cidade &#8220;meng&#8221;, j\u00e1 que outros tipos de per\u00edmetros urbanos sofriam restri\u00e7\u00f5es nesse sentido, n\u00e3o podendo negociar mercadorias sem autoriza\u00e7\u00e3o dos protetores locais), constru\u00edam a cidade segundo seus interesses, mas n\u00e3o podiam obrigar o senhor das terras ou o governo local a comprar seus produtos. Da mesma forma, esses l\u00edderes locais n\u00e3o podiam exigir, sob forma alguma, qualquer esp\u00e9cie de tributa\u00e7\u00e3o em mercadorias dos comerciantes instalados em suas &#8220;meng&#8221;, al\u00e9m das taxas anteriormente citadas.\n\n<strong>Este novo modelo de cidade aparece em um momento de transforma\u00e7\u00e3o da China:<\/strong>\u00a0antes, um pa\u00eds que vivia da pobreza do campo, \u0093salvo\u0094 por seus rituais antigos, e depois, uma civliza\u00e7\u00e3o em expans\u00e3o que lutava para se expandir e, ao mesmo tempo, manter uma estrutura que respondeu a todos os seus questionamentos anteriores\u0085mas como dar o pr\u00f3ximo passo? Como ir contra a raz\u00e3o de sua pr\u00f3pria grandeza?\n\nNestas condi\u00e7\u00f5es, a id\u00e9ia de recorrer \u00e0 tradi\u00e7\u00e3o terminou por permear o pensamento chin\u00eas em todos os sentidos. Nenhuma resposta era encontrada fora do ritual, e se este mudava, era por que assim os deuses queriam. Logo, sacralizar este tipo de cidade tamb\u00e9m era importante, j\u00e1 que no momento em que se domina o seu modo de constru\u00e7\u00e3o, e que este se encontra aben\u00e7oado pelo c\u00e9u, os homens passam a operacionalizar sua exist\u00eancia, controlando-o e o expandindo segundo sua vontade.\n\nDesta forma, podemos concluir que a ritualiza\u00e7\u00e3o da pratica de constru\u00e7\u00e3o das cidades na China Antiga manifesta-se como parte integrante do desenvolvimento das ci\u00eancias chinesas, onde o conhecimento, quando funcional, e demonstrando respostas satisfat\u00f3rias as quest\u00f5es materiais, \u00e9 logo associado ( ou ainda, interpretado) \u00e1 luz da ascend\u00eancia m\u00edtica que a vontade celeste e o culto as tradi\u00e7\u00f5es antigas impunham ao sistema representativo e simb\u00f3lico do pensamento chin\u00eas.\n\nApesar do aparente imobilismo que se insere na cultura chinesa justamente pela forma\u00e7\u00e3o dessa estrutura de pensamento, completamente voltada para um passado m\u00edtico glorioso, devemos notar que a materializa\u00e7\u00e3o de algumas respostas no campo material, mesmo que pautadas nesse pensamento, representam avan\u00e7os respeit\u00e1veis; afinal, em Chang An, capital da dinastia Han ( s\u00e9culo III AC a III DC) o n\u00edvel de dom\u00ednio da natureza permitiu as t\u00e9cnicos de \u0093feng shui\u0094 constru\u00edrem um por\u00e3o de pedra onde era guardado gelo para servir uma esp\u00e9cie de \u0093sorvete\u0094 ao imperador no ver\u00e3o\u0085. Esse \u00e9 apenas um detalhe no complexo sistema de pensamento chin\u00eas onde a constru\u00e7\u00e3o das cidades nada mais \u00e9 do que uma manifesta\u00e7\u00e3o em grande escala de uma estrutura cultural onde a quest\u00e3o ritual domina todos os sentidos e \u00e1reas produtivas da civiliza\u00e7\u00e3o\u0085\n\n<strong>NOTAS<\/strong>\n\n<strong>(1)<\/strong>\u00a0Entendemos aqui o conceito de ritual dentro da perspectiva Funcionalista de Robertson Smith (1889), que afirmava que os rituais n\u00e3o surgiam para satisfazer uma necessidade te\u00f3rica ou t\u00e9cnica, mas por uma necessidade &#8220;pr\u00e1tica&#8221; (V.V. Rito Enciclop\u00e9dia Einaudi. Lisboa, Imprensa Nacional, 1994 v.30 p.328.) A partir de uma determinada problem\u00e1tica material, a civiliza\u00e7\u00e3o chinesa desenvolvia uma s\u00e9rie de respostas que, se comprovadas em efic\u00e1cia, eram fixadas sob forma mecanizada e posteriormente ritual\u00edstica, quando sua fun\u00e7\u00e3o original se perdia e a atribui\u00e7\u00e3o de elementos m\u00edsticos a integrava no contexto geral dos conhecimentos culturais.\n\n<strong>(2)\u00a0<\/strong>A No\u00e7\u00e3o de modelo aqui apresentada refere-se a conceitua\u00e7\u00e3o de FREITAS, G. Vocabul\u00e1rio da Hist\u00f3ria, Lisboa, Pl\u00e1tano, 1996. P.184. ao definir Modelo, ele emprega tr\u00eas interpreta\u00e7\u00f5es dos quais duas nos s\u00e3o pertinentes; 1. Instrumento de trabalho mental que consiste em reproduzir qualquer realidade complexa duma maneira simb\u00f3lica e simplificada, em ordem a permitir verificar seu comportamentono caso de uma modifica\u00e7\u00e3o de qualquer uma de suas vari\u00e1veis e 2. padr\u00e3o que se destina \u00e0 ser copiado ou reproduzido. Embora seja necess\u00e1rio avaliar, ao longo do texto, as modifica\u00e7\u00f5es que surgem do desenvolvimento dos modelos de cidades chinesas, empregamos o termo aqui em sua segunda significa\u00e7\u00e3o.\n\n<strong>(3)\u00a0<\/strong>No livro O Pensamento Chin\u00eas, GRANET nos d\u00e1 uma elucida\u00e7\u00e3o abrangente sobre o desenvolvimento da maneira de pensar da civiliza\u00e7\u00e3o chinesa. Em linhas gerais, ela se caracteriza pelo &#8220;quase imobilismo&#8221; causado pela fixa\u00e7\u00e3o das pr\u00e1ticas operacionais sob forma ritual, o que dificultava o desenvolvimento de novas respostas t\u00e9cnicas \u00e0s crescentes demandas materiais em virtudes das mesma &#8220;confrontarem&#8221; o sagrado. O modo de pensar chin\u00eas chin\u00eas tendia a n\u00e3o diferenciar sob qualquer forma ao avan\u00e7os t\u00e9cnicos do estudo da natureza, da religiosidade e do misticismo. Assim, o desenvolvimento t\u00e9cnico, muito vezes embasados no pr\u00f3prio arcabou\u00e7o cultural chin\u00eas, era visto sob a \u00f3tica de uma &#8220;ci\u00eancia-ritual&#8221;, ao qual as respostas obtidas eram tidas como &#8220;aben\u00e7oadas&#8221; ou derivadas do divino. Um exemplo bem claro est\u00e1 na produ\u00e7\u00e3o dos cereais, citado na p.245 (v.1) do livro Civiliza\u00e7\u00e3o Chinesa, do mesmo autor, onde a descoberta do cultivo do pain\u00e7o \u00e9 conscientemente entendido com pr\u00e1tica humana, mas atribu\u00edda, por sua efic\u00e1cia, ao Deus Heou Tsi, ou &#8220;pr\u00edncipe pain\u00e7o&#8221;. Para compreender mais sobre os avan\u00e7os t\u00e9cnicos, recomendamos tamb\u00e9m a consulta do grande trabalho de NEEDHAM, Joseph; Science and civilization in China, Cambridge, Cambridge Univer. Press, 1976.\n\n<strong>(4)\u00a0<\/strong>Nos remetemos novamente a id\u00e9ia de modelo aqui apresentada, como um padr\u00e3o \u00e0 ser copiado. Ela resulta do conjunto de pr\u00e1ticas pelo qual o esquema de constru\u00e7\u00e3o de uma cidade, em todas as suas caracter\u00edsticas, atinge potencialidade, reconhecimento, sendo por fim sacralizado.\n\n<strong>(5)\u00a0<\/strong>GRANET (1979) conceitua de forma singular a quest\u00e3o do &#8220;lugar-santo&#8221;.<strong>\u00a0Anteriormente, acredit\u00e1vamos que a forma\u00e7\u00e3o dos campos sagrados estava ligada diretamente aos cemit\u00e9rios, quando na verdade, sua origem \u00e9 mais antiga<\/strong>: nas p\u00e1ginas 293-294 (vol.1)do seu livro Civiliza\u00e7\u00e3o Chinesa, ele concebe uma nova significa\u00e7\u00e3o do termo: os &#8220;lugares santos&#8221; seriam inicialmente lugares de orgias sagradas ou cultos an\u00edmicos que conquistaram gradativamente dentro das comunidades sua import\u00e2ncia ritual, atraindo ent\u00e3o a pr\u00e1tica das cren\u00e7as religiosas. Assim, a constru\u00e7\u00e3o de cemit\u00e9rios pr\u00f3ximos \u00e0 esse locais foi uma deriva\u00e7\u00e3o do culto aos antepassados ( advindo do culto as eras passadas, ou da tradi\u00e7\u00e3o de uma &#8220;antig\u00fcidade&#8221; mais pr\u00f3xima dos deuses), objetivando a aproxima\u00e7\u00e3o dos mortos com um centro de energia ou &#8220;poder&#8221;. No entanto, segundo afirma\u00e7\u00e3o do autor, n\u00e3o devemos restringir o &#8220;lugar santo&#8221; \u00e0 um local pr\u00e9-determinado: ele pode ser um lugar na natureza, ou mesmo um rio. Mas em todos os casos, sem exce\u00e7\u00e3o, a presen\u00e7a desse espa\u00e7os fora dos per\u00edmetros urbanos est\u00e1 fundamentada justamente em seu processo de forma\u00e7\u00e3o espont\u00e2nea al\u00e9m do per\u00edmetro urbano, onde seus aspectos pr\u00e1ticos ( fosse a pr\u00e1tica do sexo longe dos olhares da comunidade, fosse a execu\u00e7\u00e3o de um ato religioso em particular de contato com a natureza, etc.) exigiam certa dist\u00e2ncia da cidade.\n\n<strong>(6)<\/strong>\u00a0O termo feudaliza\u00e7\u00e3o, aqui, \u00e9 empregado em sentido bem pr\u00f3ximo ao ocidental, embora temporalmente distante. O processo ao qual aludimos se refere, na China, a concentra\u00e7\u00e3o das terras por senhores e bar\u00f5es locais, em troca de prote\u00e7\u00e3o contra estrangeiros e invasores, economicamente vinculados em contratos de arrendamento e politicamente organizados segundo pr\u00e1ticas de servid\u00e3o e vassalidade, estabelecidas poe meio de juramentos de fidelidade ao senhor maior. No livro Civiliza\u00e7\u00e3o Chinesa vol. 1, p.121, GRANET utiliza o termo por compreend\u00ea-lo como conveniente.\n\n<strong>(7)<\/strong>\u00a0Feng Shui, (pronuncia-se Fon shue) \u00e9 a arte ou t\u00e9cnica de dom\u00ednio do espa\u00e7o, empregada na est\u00e9tica e na arquitetura chinesa. Sua descoberta foi atribu\u00edda ao m\u00edstico Duque Chou, ou por vezes ao lend\u00e1rio primeiro imperador, Shi Huang Ti. Controv\u00e9rsias \u00e0 parte, sua efetividade foi provada diversas vezes ao longo do desenvolvimento da arquitetura chinesa e sua inser\u00e7\u00e3o nas pr\u00e1ticas culturais chinesas foi plena. Para saber um pouco mais sobre o assunto, dois bons manuais s\u00e3o o Livro do Feng Shui, do mestre Lam Kan Chuen, S\u00e3o Paulo, Manole, 1998 e Feng Shui- arte milenar chinesa da organiza\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o, de Richard Craze, S\u00e3o paulo, Campus, 1998.\n\n<strong>China Antiga &#8211; Localiza\u00e7\u00e3o<\/strong>\n\nPen\u00ednsula situada no leste da \u00c1sia, banhada pelo oceano Pac\u00edfico.\n\n<strong>Atravessado por dois importantes rios:\u00a0<\/strong>O Hoang- ho (rio amarelo) e o Iang-ts\u00e9 (rio Azul).\n\nOs chineses chamava sua terra de Reino do Meio, por acreditarem estar no centro do mundo.\n\nEsse pensamento fazia com que acreditassem ser o \u00fanico reino verdadeiramente civilizado.\n\n<strong>China Antiga &#8211; Economia<\/strong>\n\nAssim com o Egito a china era um imp\u00e9rio de regadio.\n\nCultivavam trigo, cevada, pain\u00e7o, sorgo e arroz.\n\nCriaram diques, represas e canais de irriga\u00e7\u00e3o para melhorar sua agricultura.\n\nOs chineses dedicavam-se \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de cer\u00e2mica e sofisticada porcelana.\n\nCultivavam tamb\u00e9m amoreiras para a cria\u00e7\u00e3o de bicho da seda. A fabrica\u00e7\u00e3o de seda era uma arte milenar e bastante apreciada pelos Chineses. Seu com\u00e9rcio era feito com indianos e \u00e1rabes.\n\nRota da seda, foi como ficou conhecido os caminhos pelos quais as caravanas chinesas passavam vendendo e comprando mercadorias.\n<p align=\"left\"><strong>China Antiga &#8211; Pol\u00edtica<\/strong><\/p>\nNo sec. IV os chineses tinham unidade cultural, mas n\u00e3o unidades pol\u00edtica nem governo centralizado.\n\nEstavam divididos em diversos reinos que viviam em guerra.\n\nEsse per\u00edodo da hist\u00f3ria da china ficou conhecido como per\u00edodo dos &#8220;reinos guerreiros&#8221;\n\n<strong>Os principais eram:\u00a0<\/strong>Chin, Chao, Chu, Chi, Han, Wei e Yen.\n<p align=\"left\"><strong>A China imperial:\u00a0<\/strong>A dinastia Chin (ou Quin)<\/p>\nNo ano 221 a.C., Qin Shi Huang (ou Hoang-Ti) p\u00f4s fim \u00e0s lutas dos Reinos Combatentes e fundou a dinastia Qin (Chin).\n\nHoang- Ti unificou a regi\u00e3o e criou o reino da China, tornand0-se o 1\u00b0 imperador.\n\nQin Shi Huang unificou as letras, a unidade de medida a moeda, estabeleceu o sistema de prefeituras e distritos, construiu a famosa Grande Muralha o pal\u00e1cio imperial a tumba e a resid\u00eancia tempor\u00e1ria para si pr\u00f3prio, em Xianyang e Lishan.\n\nPara proteger sua tumba foram criados Os &#8220;guerreiros e cavalos de terracota&#8221; o t\u00famulo do imperador Qin Shi Huang e os soldados de terracota s\u00e3o conhecidos como a &#8220;oitava maravilha do mundo&#8221; e uma importante descoberta arqueol\u00f3gica.\n\nA Grande muralha da China, constru\u00edda em seu governo contava com 2500 quil\u00f4metros de extens\u00e3o e 2500 torres de vigia, tinha 10 metros de altura e 6 de largura, contou com mais de 400 mil trabalhadores.\n<p align=\"left\"><strong>A dinastia Han<\/strong><\/p>\nNo final da dinastia Qin, Liu Bang, de origem humilde e Xiang Yu, general aristocr\u00e1tico, acabaram lutando pelo dom\u00ednio de Qin.\n\nDepois de alguns anos Liu Bang venceu a Xiang e criou a forte dinastia Han, no ano 206 a.C.\n\n<strong>China oficialmente transformou-se em um estado confucionista e progrediu em quest\u00f5es internas:<\/strong>\u00a0a agricultura, artesanato e o com\u00e9rcio floresceram, e a popula\u00e7\u00e3o chegou \u00e0 55 milh\u00e3o.\n<p align=\"left\"><strong>Sociedade<\/strong><\/p>\n\n<blockquote>\n<p align=\"left\">Fam\u00edlia imperial\nGrandes propriet\u00e1rios de terras\nMandarins (funcion\u00e1rios p\u00fablicos letrados)\nGrandes comerciantes e empres\u00e1rios manufatureiros\nFuncion\u00e1rios do governo\nPequenos comerciantes\nPequenos propriet\u00e1rios\nArtes\u00e3os\nCamponeses\nTrabalhadores contratados\nPequeno n\u00famero de escravos<\/p>\n<\/blockquote>\n<p align=\"left\"><strong>Religi\u00e3o<\/strong><\/p>\n<strong>Os chineses adoravam as for\u00e7as da natureza e os deuses celestiais, contudo algumas importantes doutrinas influenciaram demais esse povo:<\/strong>\n<p align=\"left\"><strong>Tao\u00edsmo<\/strong><\/p>\n\n<blockquote>Atribu\u00eddo ao filosofo Lao- Ts\u00e9, que viveu durante o per\u00edodo dos reinos guerreiros.\nTao, significa caminho e a principal id\u00e9ia desta doutrina era que o homem deveria levar uma vida em perfeita harmonia coma a natureza.\nEnfatizava a simplicidade, a naturalidade e a espontaneidade.<\/blockquote>\n<p align=\"left\"><strong>Confucionismo<\/strong><\/p>\n<strong>Conf\u00facio foi um importante filosofo chin\u00eas, pregava r\u00edgidos valores morais baseados:<\/strong>\n<blockquote>No culto aos ancestrais\nObedi\u00eancia aos pais\nRespeito as antigas tradi\u00e7\u00f5es\nLealdade e submiss\u00e3o a lei e \u00e0 autoridade\nResponsabilidade social das classes privilegiadas.<\/blockquote>\n<p align=\"left\"><strong>O Budismo<\/strong><\/p>\nA tradi\u00e7\u00e3o atribui a introdu\u00e7\u00e3o do budismo na China ao imperador han Ming-Ti.\n\nO budismo s\u00f3 se espalhou na China nos s\u00e9culos V e VI com o apoio da dinastia Wei e Tang.\n\nDurante este per\u00edodo estabelecem-se na China escolas budistas de origem indiana ao mesmo tempo que se desenvolvem escolas pr\u00f3prias chinesas.\n<p align=\"left\"><strong>Cultura<\/strong><\/p>\n<p align=\"left\">A medicina Chinesa era preventiva, os m\u00e9dicos cuidavam para que os pacientes n\u00e3o ficassem doente para isso desenvolveram t\u00e9cnicas como a acupuntura e utiliza\u00e7\u00e3o de ervas e ra\u00edzes medicinais como Ginseng.<\/p>\n<p align=\"left\">Eram h\u00e1beis inventores, desenvolveram a bussola, o sism\u00f3grafo, o papel, o papel moeda, a p\u00f3lvora etc<\/p>\n<p align=\"left\">O papel das mulheres era inferior, deviam obedi\u00eancia ao homens (pai, irm\u00e3o, marido), submetiam-se aos &#8220;p\u00e9s de L\u00f3tus&#8221; na qual enfaixavam os p\u00e9s para que ficassem bem pequenos.<\/p>\nA administra\u00e7\u00e3o governamental estava a cargo dos mandarins, altos funcion\u00e1rios que conheciam os segredos da escrita chinesa, composta por mais de 40 mil ideograma.\n\nOs mais letrados mandarins conheciam cerca de 5 mil.\n\nO imperado era conhecido como filho do c\u00e9u, era o grande sacerdote e mediador das rela\u00e7\u00f5es entre homens e os deuses.\n\nConta a lenda que o 1\u00b0 imperador Huang-ti recebeu um pergaminho sagrado da boca do Deus Drag\u00e3o e por isso adotou como simbolo de seu imp\u00e9rio um drag\u00e3o.\n\n<strong>Fonte:<\/strong>\u00a0www.worldhistory.org\/www.<wbr \/>gaialhia.kit.net\/4shared.com\/<wbr \/>www.slideshare.net\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>China Antiga, Culturas, Pol\u00edtica, Hist\u00f3ria, Civiliza\u00e7\u00e3o, Chinesa, Economia, Religi\u00e3o, Dinastia, Culturas, Sociedade, Cidades, China Antiga<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":11356,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[57],"tags":[],"class_list":["post-11353","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-historia-geral"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v28.3 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>China Antiga - Portal S\u00e3o Francisco<\/title>\n<meta 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