{"id":10549,"date":"2015-12-24T00:00:00","date_gmt":"2015-12-24T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/uncategorized\/civilizacao-assiria\/"},"modified":"2026-08-31T19:12:26","modified_gmt":"2026-08-31T19:12:26","slug":"civilizacao-assiria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/historia-geral\/civilizacao-assiria\/","title":{"rendered":"Civiliza\u00e7\u00e3o Ass\u00edria"},"content":{"rendered":"\nOs\u00a0<strong>ass\u00edrios<\/strong>\u00a0resultam da mesti\u00e7agem entre as tribos de semitas da Samaria (regi\u00e3o da Palestina) e os povos do norte do rio Tigre.\n\nO\u00a0<strong>Imp\u00e9rio Ass\u00edrio<\/strong>\u00a0novo (883 a.C.-612 a.C.), que se estende da P\u00e9rsia (atual Ir\u00e3) \u00e0 cidade eg\u00edpcia de Tebas, atinge o apogeu sob o reinado de Sarg\u00e3o II.\n\nAs principais cidades-estados s\u00e3o Assur e N\u00ednive.\n\nFormam o primeiro Ex\u00e9rcito organizado e o mais poderoso at\u00e9 ent\u00e3o.\n\nDesenvolvem armas de ferro e carros de combate puxados a cavalo. Imp\u00f5em pr\u00e1ticas cru\u00e9is aos vencidos, como a mutila\u00e7\u00e3o.\n\n<strong>Os guerreiros e sacerdotes desfrutam muitos privil\u00e9gios<\/strong>: n\u00e3o pagam tributos e s\u00e3o grandes propriet\u00e1rios de terra.\n\nA popula\u00e7\u00e3o, formada por camponeses e artes\u00e3os, \u00e9 sujeita ao servi\u00e7o for\u00e7ado na constru\u00e7\u00e3o de imensos pal\u00e1cios e estradas e ainda paga altos tributos.\n\nOs ass\u00edrios implantam a horticultura e aperfei\u00e7oam o arado. S\u00e3o polite\u00edstas e possuem um deus supremo, Assur.\n\n<strong>G\u00caNESE DO IMP\u00c9RIO ASS\u00cdRIO<\/strong>\n<p class=\"imagem\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Civiliza\u00e7\u00e3o Ass\u00edria\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/ccivili141.jpg\" alt=\"Civiliza\u00e7\u00e3o Ass\u00edria\" width=\"433\" height=\"287\" \/><strong>\nAss\u00edrio<\/strong><\/p>\n<strong>Civiliza\u00e7\u00e3o Ass\u00edria &#8211; Situa\u00e7\u00e3o Geogr\u00e1fica e Origem<\/strong>\n\nA\u00a0<strong>Ass\u00edria<\/strong>\u00a0(tamb\u00e9m designada por Ashur, Ashshur ou Assur), antigo pa\u00eds da \u00c1sia, estendia-se para Sul, a partir da fronteira do atual Iraque, abarcando o vale do Tigre e do seu afluente, o Grande Zab, constituindo uma \u00e1rea semelhante a um tri\u00e2ngulo invertido. As suas mais importantes cidades, situadas no Iraque dos nossos dias, eram Ashur (hoje Sharqat), Ninive (hoje Kuyunjik), Calah (hoje Nimrud) e Dur Sharrukin (hoje Khorsabad).\n\nDesde o Paleol\u00edtico que a regi\u00e3o que mais tarde viria a constituir a Ass\u00edria foi habitada. A sedentariza\u00e7\u00e3o das popula\u00e7\u00f5es ter-se-\u00e1 iniciado cerca de 6500 a. C. e a composi\u00e7\u00e3o \u00e9tnica das primeiras comunidades de agricultores \u00e9 desconhecida- talvez um povo (posteriormente conhecido como Subariano) que falava uma l\u00edngua aglutinativa (n\u00e3o flexion\u00e1vel). Provavelmente no 3\u00ba mil\u00eanio a.C., n\u00f4madas sem\u00edticos conquistaram a regi\u00e3o e deram origem a uma l\u00edngua flexion\u00e1vel, parecida com a da Babil\u00f4nia, que era a dominante na regi\u00e3o.\n\nA escrita ass\u00edria era uma vers\u00e3o ligeiramente modificada da cuneiforme babil\u00f4nica.\n\nNo 7\u00ba mil\u00eanio a.C., os agricultores ass\u00edrios cultivavam trigo e cevada, possu\u00edam gado, constru\u00edam casas (algumas com quatro divis\u00f5es), usavam fornos e guardavam os cereais em vasilhas de barro.\n\nEstes povos agr\u00edcolas produziam t\u00eaxteis com rocas de fiar, faziam facas de obsidiana e s\u00edlex c\u00f3rneo; usavam machados de pedra, enx\u00f3s e sacholas. A sua cer\u00e2mica era not\u00e1vel, a maioria constitu\u00edda por barro cozido e pintado. A obsidiana e outras pedras duras eram trabalhadas de modo a originar jarras, contas, amuletos e selos. Modelavam figuras femininas em barro, com fins religiosos e rituais. Os mortos eram frequentemente enterrados em posi\u00e7\u00e3o fletida, com os joelhos junto ao queixo e enterrados entre as casas.\n\n<strong>Civiliza\u00e7\u00e3o Ass\u00edria &#8211; Cultura e Costumes<\/strong>\n\nA cultura ass\u00edria assemelhava-se \u00e0 babil\u00f4nica. \u00c0 excep\u00e7\u00e3o dos anais reais, por exemplo, a literatura ass\u00edria era id\u00eantica \u00e0 da Babil\u00f4nia e os reis ass\u00edrios mais cultos, sobretudo Assurbanipal, encheram as suas bibliotecas com c\u00f3pias de documentos liter\u00e1rios babil\u00f4nicos. A vida social, familiar, o casamentos, os costumes e as leis relativas \u00e0 propriedade eram igualmente semelhantes \u00e0s da Babil\u00f4nia.\n\nOs documentos da Corte e registos legais at\u00e9 agora encontrados partilham muito da lei babil\u00f4nia e Sum\u00e9ria, embora as penalidades criminais ass\u00edrias fossem mais brutais e b\u00e1rbaras.\n\nA n\u00edvel de pr\u00e1ticas e cren\u00e7as religiosas, verifica-se que o deus Marduk babil\u00f4nico foi substitu\u00eddo pelo deus ass\u00edrio nacional, Ashur. Os maiores legados ass\u00edrios situam-se no campo da arte e da arquitetura.\n\nNo 3\u00ba mil\u00e9nio a.C. a Ass\u00edria, tal como a maior parte do M\u00e9dio Oriente, ficou sob a influ\u00eancia da civiliza\u00e7\u00e3o Sum\u00e9ria, do Sul- por volta de 2300 a.C., fazia parte do imp\u00e9rio da Sum\u00e9ria e da Ac\u00e1dia.\n\nNa sequ\u00eancia do colapso deste imp\u00e9rio, c. de 2000 a.C., os Amoritas (um povo n\u00f4mada sem\u00edtico, do deserto ar\u00e1bico) infiltraram-se e conquistaram grande parte da Mesopot\u00e2mia, incluindo a Ass\u00edria. Cerca de 1850 a.C., os mercadores ass\u00edrios tinham colonizado partes da Anat\u00f3lia Central (\u00c1sia Menor), onde comerciavam cobre, prata, ouro, lat\u00e3o e t\u00eaxteis.\n\n<strong>Civiliza\u00e7\u00e3o Ass\u00edria &#8211; Expans\u00e3o e Depend\u00eancia<\/strong>\n\nCerca de 1810 a.C. um rei ass\u00edrio, Shamshi-Adad (reinou de 1813 a 1780) conseguiu alargar o territ\u00f3rio ass\u00edrio, desde as montanhas Zagros at\u00e9 ao mar Mediterr\u00e2neo.\n\nFoi provavelmente o primeiro governante a estabelecer a centraliza\u00e7\u00e3o imperial no antigo M\u00e9dio Oriente. Dividiu o reino em distritos, governados por administradores e concelhos especialmente designados para esse fim, instituiu um sistema de correios e procedeu a censos regulares da popula\u00e7\u00e3o.\n\nEste primeiro\u00a0<strong>Imp\u00e9rio Ass\u00edrio<\/strong>, no entanto, pouco durou. O filho de Shamshi-Adad, Ishme-Dagan I (reinou de 1780 a 1760) foi derrotado, cerca de 1760, pelo rei babil\u00f4nico Hammurabi e a Ass\u00edria passou a integrar o Imp\u00e9rio Babil\u00f4nico.\n\nEste, por sua vez, tamb\u00e9m teve uma vida curta. Os Kassitas (um povo de origem n\u00e3o-sem\u00edtica) invadiram a Babil\u00f4nia no s\u00e9culo XVI a.C. e apoderaram-se do poder pol\u00edtico. Outro povo da montanha, igualmente n\u00e3o-sem\u00edtico, os Hurrianos, infiltraram-se sobretudo no norte da Mesopot\u00e2mia e chegaram at\u00e9 \u00e1 Palestina. Juntamente com os hurrianos e de alguma forma misturados com eles, veio um povo indo-europeu, cujo nome se desconhece. Como resultado destas migra\u00e7\u00f5es e reviravoltas pol\u00edticas, o s\u00e9culo XVI a.C. foi um dos mais agitados da hist\u00f3ria da Mesopot\u00e2mia.\n\nCerca de 1500 a.C. a Ass\u00edria ficou dependente de Mitanni- um reinado de propor\u00e7\u00f5es imperiais que se estendera at\u00e9 o norte da Mesopot\u00e2mia- at\u00e9 in\u00edcios do s\u00e9culo XIV, quando este reinado sofreu uma s\u00e9ria derrota \u00e0s m\u00e3os do imp\u00e9rio ascendente dos Hititas do norte. Aproveitando-se da confus\u00e3o que se seguiu, o rei ass\u00edrio Ashur-Uballit (reinou de 1364 a 1328) libertou a Ass\u00edria do jugo de Mitanni e anexou, inclusive, parte do seu territ\u00f3rio.\n\nA este rei seguiram-se v\u00e1rios governantes vigorosos, especialmente Adad-Nirari (reinou de 1306 a 1274), Salmanasar (de 1274 a 1244) e Tukulti-Ninurta (de 1244 a 1207).\n\n<strong>Foram bem sucedidos na expans\u00e3o das fronteiras ass\u00edrias e em repelir os seus poderosos vizinhos:<\/strong>\u00a0os Urartianos, os Hititas, os Babil\u00f4nios e os Lullubi.\n\n<strong>Civiliza\u00e7\u00e3o Ass\u00edria &#8211; Prel\u00fadio ao Imp\u00e9rio<\/strong>\n\nA partir de 1200 a.C., uma nova onda de migra\u00e7\u00f5es modificou profundamente a composi\u00e7\u00e3o da \u00c1sia Ocidental. Da Pen\u00ednsula dos Balc\u00e3s, com toda a probabilidade, veio um conglomerado de povos, conhecido por \u201cpovos do mar\u201d, que p\u00f4s fim ao Imp\u00e9rio Hitita na Anat\u00f3lia e se infiltrou na S\u00edria e na Palestina.\n\nUm povo indo-europeu chamado Mushki, que se instalou a Este da Anat\u00f3lia, tornou-se uma amea\u00e7a constante para a Ass\u00edria, situada Noroeste. A Oeste, um grupo de n\u00f4madas sem\u00edticos, os Arameus, tamb\u00e9m era uma amea\u00e7a. A Ass\u00edria resistiu, a maior parte das vezes com sucesso, \u00e0s press\u00f5es e ataques dos novos vizinhos.\n\nAo longo desta dura luta pela sobreviv\u00eancia, desenvolveu uma m\u00e1quina militar que foi proverbial pela sua crueldade e se tornou o terror de todo o M\u00e9dio Oriente.\n\nPelo quadro tra\u00e7ado at\u00e9 o momento \u00e9 poss\u00edvel concluir que, por um lado, no contexto do M\u00e9dio Oriente da Antiguidade, a Ass\u00edria enfrentou sucessivos dom\u00ednios pol\u00edticos, que levaram o pa\u00eds a especializar-se na guerra e, por outro, que a expans\u00e3o para Ocidente sempre foi uma constante na sua pol\u00edtica imperialista. \u00c9 sobretudo este \u00faltimo aspecto que interessa salientar, por ter de alguma forma acarretado importantes consequ\u00eancias civilizacionais para o Mediterr\u00e2neo e inclusive, indiretamente, para a zona atualmente designada por Pen\u00ednsula Ib\u00e9rica.\n\nFoi referida anteriormente uma primeira tentativa bem sucedida de expans\u00e3o para Ocidente, levada a cabo no reinado de Shamshi-Adad, ainda nos s\u00e9culos XIX-XVIII a.C., que estendeu as fronteiras da Ass\u00edria at\u00e9 ao Mediterr\u00e2neo.\n\nInicialmente, as campanhas militares ass\u00edrias assemelharam-se a raides, que visavam o saque e o tributo. Tiglat-Pileser I (reinou de 1115 a 1077), por exemplo, defendeu as fronteiras ass\u00edrias dos Arameus e dos Mushki, atrav\u00e9s de incurs\u00f5es militares que o levaram, a norte, at\u00e9 ao lago Van, em Urartu (atual nordeste da Turquia) e a Oeste, at\u00e9 Palmyra (Turquia), Biblos e S\u00eddon. Na maioria dos casos, os povos fugiam \u00e0 aproxima\u00e7\u00e3o dos seus ex\u00e9rcitos. Os que ficavam, ou eram massacrados, ou levados para a Ass\u00edria. As suas vilas e cidades eram saqueadas e destru\u00eddas, mas n\u00e3o era feita qualquer tentativa de anexar os seus territ\u00f3rios.\n\nEste padr\u00e3o de conquista mudou gradualmente e os governantes ass\u00edrios come\u00e7aram a fazer do pa\u00eds o centro de um novo imp\u00e9rio, incorporando as terras conquistas sob o seu dom\u00ednio. Cerca do s\u00e9culo X a.C., por exemplo, Adad-Nirari II anexou o estado Arameu centrado em Nisibis, a este do rio Habur. O seu filho, Tukulti-Ninurta II, anexou v\u00e1rios estados arameus perto da cidade de Harran e do vale do Eufrates, assim como a regi\u00e3o entre os rios Grande e Pequeno Zab.\n\n<strong>Extens\u00e3o do Dom\u00ednio Ass\u00edrio<\/strong>\n\nAssurbanipal II (filho de Tukulti-Ninurta II), governou de 884 a 859 e estendeu o dom\u00ednio ass\u00edrio a Norte e a Este. As suas campanhas brutais devastaram as terras que faziam fronteira com o seu imp\u00e9rio, mas n\u00e3o atacou os vizinhos mais poderosos, como Urartu a Norte, a Babil\u00f4nia ao Sul e Aram a Oeste. Tamb\u00e9m ele, numa das suas campanhas, chegou at\u00e9 ao mar Mediterr\u00e2neo. No regresso, fez de Calah a capital, em vez de Assur.\n\nSalamanasar III (reinou de 859 a 824 a.C.), seu filho, comandou 32 campanhas militares nos 35 anos do seu reinado. Muitas delas foram dirigidas contra as terras a Oeste do Eufrates, especialmente contra o poderoso reino de Aram. Embora tivesse sido em parte bem sucedido e tivesse recebido tributos consider\u00e1veis por parte dos aliados de Aram, incluindo Israel, n\u00e3o conseguiu conquistar Aram propriamente dito\n\n<strong>O Fim dos Reinos de Israel e Jud\u00e1<\/strong>\n\nNo final do reinado de Salmanasar III eclodiu uma revolta na corte ass\u00edria, seguida de v\u00e1rios anos de guerra civil. A Ass\u00edria caiu na obscuridade e o seu poder declinou. Mas em meados do s\u00e9culo VIII a.C. reviveu, com a ascens\u00e3o de Tiglat-Pileser III, que reinou entre 746 a 727. Este rei fez reviver o imp\u00e9rio ass\u00edrio; primeiro, refor\u00e7ou a autoridade real e retirou poder \u00e0 nobreza.\n\nCriou um ex\u00e9rcito permanente e planeou as suas campanhas com o objetivo de anexar territ\u00f3rio inimigo. Os povos que conquistava eram deportados em massa e reinstalados algures dentro dos dom\u00ednios ass\u00edrios, de modo a esmagar a sua consci\u00eancia e coes\u00e3o nacionais. Mais tarde, libertou a Ass\u00edria da press\u00e3o das tribos aramaicas que amea\u00e7avam o vale do Tigre, expulsou os Urartianos da S\u00edria (734), anexou os estados arameus de Arpad e Damasco (732), subjugou as cidades da Palestina e proclamou-se imperador da Babil\u00f4nia (729).\n\nForam precisamente estas campanhas militares da Ass\u00edria, em fase de expans\u00e3o imperialista, que levaram ao desaparecimento de Israel (ou Reino do Norte). Os reinados de Tiglat-Pileser III, Salmanasar V e Sarg\u00e3o II constituem um important\u00edssimo per\u00edodo da hist\u00f3ria pol\u00edtica e cultural da Antiguidade, com grandes consequ\u00eancias no processo civilizat\u00f3rio e na hist\u00f3ria do povo hebreu. Simultaneamente, existe vasta documenta\u00e7\u00e3o relativa ao mesmo, que permite estabelecer com relativa precis\u00e3o o curso dos acontecimentos.\n\nNo s\u00e9culo VIII a.C., Israel e Jud\u00e1 eram duas das maiores pot\u00eancias do M\u00e9dio Oriente. Por seu turno, a Ass\u00edria cobi\u00e7ava as terras a sul do Eufrates, por motivos de ordem econ\u00f4mica- a sua situa\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica e o fato de serem ricas em madeira, pedra e min\u00e9rios. Como foi referido, Tiglat-Pileser III teve uma pol\u00edtica muito agressiva, com a anexa\u00e7\u00e3o do territ\u00f3rios ocupados, a sua reparti\u00e7\u00e3o em prov\u00edncias, dirigidas pelos bel pihati (que dispunham de guarni\u00e7\u00f5es para abafar rebeli\u00f5es) e a sua pol\u00edtica de deporta\u00e7\u00f5es. Nem o Egito, agora em decl\u00ednio, podia opor-se-lhe, acabando mesmo por ser ocupado no s\u00e9culo VII. Portanto, tanto Jud\u00e1 como Israel estavam amea\u00e7ados, o que era agravado pelo fato de ambos os reinos viverem crises internas.\n\n<strong>Israel, Jud\u00e1 e a Ass\u00edria no s\u00e9c. VIII<\/strong>\n\nDe 783 a 746, sob o reinado de Jerobo\u00e3o II, Israel desenvolveu-se como pot\u00eancia econ\u00f4mica, restabeleceu fronteiras (de Hamat ao mar de Arab\u00e1) e atingiu um n\u00edvel de vida elevado (o que \u00e9 corroborado pelas escava\u00e7\u00f5es, onde se encontraram objetos de luxo, marfins etc. ou pelas refer\u00eancias dos Livros dos Reis e de Am\u00f3s).\n\n<strong>No entanto, entre 746 e 736 d\u00e1-se uma grave crise social, pol\u00edtica e religiosa- houve cinco reis neste per\u00edodo<\/strong>: Zacarias, filho de Jerobo\u00e3o, que \u00e9 morto por Shalum que, por sua vez, \u00e9 assassinado por Menah\u00e9m de Gadi. A pol\u00edtica em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 Ass\u00edria \u00e9 de submiss\u00e3o e, em 738, este rei paga um tributo a Tiglat-Pileser III. Quando Menah\u00e9m morre, sucede-lhe o filho, Faceias, que pouco tempo depois \u00e9 assassinado por Faceia- o homic\u00eddio surge como resultante de uma conjura, que envolve o rei de Damasco, alguns filisteus e talvez o Egito. Faceia muda de pol\u00edtica externa, tornando-se chefe da liga anti-ass\u00edria e provocando a guerra contra Jud\u00e1, pelo fato de o seu rei n\u00e3o o apoiar na guerra contra a Ass\u00edria.\n\nJoat\u00e3o (reina em Jud\u00e1 entre 742 e 735) ao contr\u00e1rio do seu pai Uzias (ou Azarias), quando Faceia se torna chefe da liga ass\u00edria segue, como j\u00e1 foi referido, uma pol\u00edtica neutra.\n\nFaceia e o rei de Damasco n\u00e3o quiseram na retaguarda uma pot\u00eancia neutral ou hostil e resolvem atac\u00e1-lo. Entretanto Joat\u00e3o morre, sucedendo-lhe o filho, Acaz e \u00e9 sobre este que recai o ataque.\n\nOs reis de Jud\u00e1 e da S\u00edria, coligados, tentam dep\u00f4-lo; ele, por seu turno, vendo-se atacado por Israel, pela S\u00edria, pelos edomeus (que readquirem a sua independ\u00eancia, ap\u00f3s terem estado sujeitos a Jud\u00e1; recuperam de Ezion-Gaber, talvez com ajuda aramaica) e filisteus, resolve pedir ajuda a Tiglat-Pileser III. \u00c9 este o fator decisivo que leva ao desaparecimento do reino do Norte.\n\nNa sequ\u00eancia destes acontecimentos, o ex\u00e9rcito ass\u00edrio dirige-se primeiro a Gaza, para evitar o aux\u00edlio eg\u00edpcio; ocupa posteriormente Israel, em 733.\n\nA esta ocupa\u00e7\u00e3o seguem-se as habituais deporta\u00e7\u00f5es e destrui\u00e7\u00e3o de cidades. Entretanto, Faceia \u00e9 assassinado por Oseias, que paga tributo a Tiglat-Pileser III e \u00e9 posto no trono por este \u00faltimo que, no ano seguinte, ataca Damasco.\n\nOseias fica \u00e0 frente de um territ\u00f3rio muito pequeno mas, quando Tiglat-Pileser III morre, revolta-se contra a Ass\u00edria e pede aux\u00edlio ao Egipto; mas da\u00ed nenhum aux\u00edlio lhe pode chegar. \u00c9 o sucessor de Tiglat, Slamanasar V, que ir\u00e1 atacar o territ\u00f3rio, prender Oseias (que \u00e9, assim, o \u00faltimo rei de Israel) poupando, no entanto, a cidade da Samaria. \u00c9 s\u00f3 em 722 que esta cidade \u00e9 ocupada por Sarg\u00e3o II (um dos mais famosos reis da Antiguidade), que faz 27 mil prisioneiros e reinstala no local outros povos conquistados. \u00c9 o fim da hist\u00f3ria pol\u00edtica de Israel, que passa a ser uma prov\u00edncia ass\u00edria, com capital em Meguido.\n\nOs eg\u00edpcios parecem ter-se revoltado ainda, mas foram derrotados. Em 720, h\u00e1 uma tentativa de rebeli\u00e3o, gorada, juntamente com Gaza e Damasco, que origina mais deporta\u00e7\u00f5es.\n\nQuanto a Jud\u00e1, continua a existir como reino subjugado \u00e0 Ass\u00edria; \u00e9-lhe imposta a adora\u00e7\u00e3o dos seus deuses e o culto de Assur, pois os Ass\u00edrios procuravam a hegemonia pol\u00edtica impondo a sua religi\u00e3o.\n\n\u00c9 um estado enfraquecido pol\u00edtica, religiosa e economicamente- perde territ\u00f3rios e o important\u00edssimo porto de Ezion-Geber, ou seja, os lucros da terra e do com\u00e9rcio.\n\nFica t\u00e3o pobre que Acaz teve de desfazer-se do ouro e da prata do pal\u00e1cio real e do templo.\n\nEm 715, Ezequias ainda tenta implementar reformas nacionalistas, que n\u00e3o s\u00e3o bem sucedidas. Segue uma pol\u00edtica d\u00fabia, voltando-se para o Egito e depois, para a Ass\u00edria. \u00c9 isto que leva o reino \u00e0 ru\u00edna definitiva, acabando por cair sob Nabucodonosor II, no imp\u00e9rio neo-babil\u00f4nico.\n\n<strong>Consequ\u00eancias<\/strong>\n\nComo se verificou, a pol\u00edtica dos reis ass\u00edrios, sobretudo a partir de Tiglat-Pileser III, foi a de anexa\u00e7\u00e3o de territ\u00f3rios e transfer\u00eancia de grandes massas humanas de um ponto para o outro do imp\u00e9rio (verificou-se sobretudo com os hebreus e os arameus). Apesar da tradicional mobilidade das popula\u00e7\u00f5es do M\u00e9dio Oriente, estas deporta\u00e7\u00f5es eram em n\u00fameros nunca antes verificados.\n\n<strong>Estas reinstala\u00e7\u00f5es for\u00e7adas tinham o objetivo de operar mudan\u00e7as sociais nos lugares conquistados e normalmente obedeciam ao seguinte padr\u00e3o<\/strong>: levavam-se as pessoas mais v\u00e1lidas e os dirigentes locais para terras distantes e, no seu lugar, colocavam-se outros, vindos igualmente de territ\u00f3rios ocupados.\n\nOs habitantes da Samaria, por exemplo, foram para o norte da Mesopot\u00e2mia e da M\u00e9dia, onde se disseminaram e desapareceram. Para esta cidade vieram colonos da Babil\u00f4nia, de Kutha, Hamat e Sefarvaim e assim se cria um novo mapa \u00e9tnico-social. Os habitantes da Samaria eram agora estrangeiros, misturados com aut\u00f3ctones, subjugados pelos chefes pol\u00edticos designados pela Ass\u00edria; misturam-se ra\u00e7as, costumes e religi\u00f5es (neste caso particular, predominou a ra\u00e7a israelita) e \u00e9 assim que surgem os samaritanos, mal vistos pelos vizinhos e dos quais existem atualmente cerca de 200 pessoas, na cidade de Nablus.\n\nEste processo, claro, \u00e9 comum a todo o imp\u00e9rio ass\u00edrio. Todos os deportados estavam sujeitos aos governadores (representantes do poder central), que tinham ex\u00e9rcitos e esmagavam toda e qualquer tentativa de rebeli\u00e3o. Ora, inicialmente, este processo gera um grande nivelamento social e simultaneamente, um desenraizamento, que impediam a rebeli\u00e3o.\n\nNo entanto, mais tarde, os povos come\u00e7am a recordar as suas origens (como aconteceu com os hebreus) e idealizam voltar \u00e0s suas terras de origem.\n\n\u00c9 ent\u00e3o que se d\u00e3o as rebeli\u00f5es que levam \u00e0 queda do imp\u00e9rio ass\u00edrio, substitu\u00eddo pelo neo-babil\u00f4nico, que ter\u00e1 uma pol\u00edtica mais compreensiva para com as minorias \u00e9tnicas.\n\nMas s\u00e3o as consequ\u00eancias culturais e civilizacionais deste processo de expans\u00e3o militar da Ass\u00edria para Ocidente que ter\u00e3o verdadeiramente import\u00e2ncia, no quadro dos objetivos deste trabalho.\n\nPara al\u00e9m das consequ\u00eancias imediatas j\u00e1 referidas, a m\u00e9dio e longo prazo verificar-se-\u00e1 que os vencidos a Ocidente- hebreus e arameus- acabam por vencer os Ass\u00edrios, pela irradia\u00e7\u00e3o da sua cultura.\n\nPorque os arameus guerreiros passaram a integrar o ex\u00e9rcito ass\u00edrio, os oper\u00e1rios as constru\u00e7\u00f5es reais e outros, diferentes regi\u00f5es agr\u00edcolas, tanto as principais cidades como aldeias foram marcadas pela presen\u00e7a de estrangeiros, vindos das costas ocidentais e portadores da mesma l\u00edngua. Assim se forma uma \u201ckoin\u00e9\u201d lingu\u00edstica, com base no aramaico, que suplantou a antiga l\u00edngua oficial, o ac\u00e1dico. Lentamente, vai ser esta a l\u00edngua oficial e diplom\u00e1tica, da P\u00e9rsia ao Egipto, n\u00f3s s\u00e9culos VII e VI.\n\nA par da l\u00edngua, s\u00e3o transmitidos costumes e tradi\u00e7\u00f5es; por exemplo, dado que os reinos arameus tinham grande superioridade comercial, Sarg\u00e3o II acaba por adotar a unidade de pesos usada por estes. Al\u00e9m disso, os arameus mantinham contatos com os fen\u00edcios, voltados para o ocidente mediterr\u00e2nico e atrav\u00e9s deles, os produtos s\u00e3o difundidos por todo o imp\u00e9rio ass\u00edrio (tecidos, objetos de marfim e de cobre).\n\nJuntamente com os produtos, s\u00e3o difundidas as t\u00e9cnicas de fabrico. Portanto e em suma, poder\u00e1 afirmar-se que das conquistas ass\u00edrias surgem popula\u00e7\u00f5es heterog\u00eaneas e culturas diferentes, uma fus\u00e3o entre Ocidente e Oriente, que iria marcar o futuro das civiliza\u00e7\u00f5es.\n\n<strong>Presen\u00e7as Fen\u00edcias no Ocidente<\/strong>\n\n<strong>Localiza\u00e7\u00e3o e Origem<\/strong>\n\nAs viagens e a coloniza\u00e7\u00e3o efetuada pelos comerciantes fen\u00edcios no primeiro mil\u00eanio a.C. constituem o primeiro grande empreendimento explorat\u00f3rio documentado da hist\u00f3ria. A Fen\u00edcia (que atualmente corresponde, quase na totalidade, ao L\u00edbano) tinha a localiza\u00e7\u00e3o ideal para comerciar, quer por terra, quer por mar, situada entre o Egito e os Hititas.\n\nEmbora os seus habitantes possu\u00edssem uma civiliza\u00e7\u00e3o homog\u00eanea e se considerassem uma na\u00e7\u00e3o, n\u00e3o era um estado unificado e sim de um grupo de cidades-estado, sendo que normalmente um deles dominava os outros. Tiro e S\u00eddon alternavam como local de governa\u00e7\u00e3o.\n\nEram um povo de l\u00edngua sem\u00edtica e a investiga\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica aponta que teriam fundado os primeiros estabelecimentos comerciais na costa mediterr\u00e2nica cerca de 2500 a. C.\n\nAs frotas das cidades costeiras viajavam pelo Mediterr\u00e2neo e iam at\u00e9 ao oceano Atl\u00e2ntico. As cidades-estado fundaram muitas col\u00f4nias comerciais, sendo de destacar Utica e Cartago, no norte de \u00c1frica, nas ilhas de Rodes e Chipre, no Mediterr\u00e2neo e Tarsis e Gades, no sul da Pen\u00ednsula Ib\u00e9rica. No s\u00e9culo VIII a.C., as cidades fen\u00edcias foram conquistadas pela Ass\u00edria.\n\nEsse dom\u00ednio da costa do Mediterr\u00e2neo oriental e das cidades fen\u00edcias pelos Ass\u00edrios acarretou importantes consequ\u00eancias para o M\u00e9dio Oriente e para os povos mediterr\u00e2neos, nos quais se incluem os do sudoeste da Pen\u00ednsula Ib\u00e9rica e mesmo de Portugal.\n\n<strong>Os Fen\u00edcios, os Ass\u00edrios e o Mediterr\u00e2neo<\/strong>\n\nAs interpreta\u00e7\u00f5es quanto ao papel dos fen\u00edcios na hist\u00f3ria do Pr\u00f3ximo Oriente sublinham as suas fun\u00e7\u00f5es especializadas no com\u00e9rcio e na navega\u00e7\u00e3o, no quadro de uma economia mercantil.\n\n\u00c9 geralmente aceite que a for\u00e7a motivadora da expans\u00e3o fen\u00edcia residia na necessidade de pagar tributo aos grandes imp\u00e9rios e que, portanto, o seu papel econ\u00f4mico era o de manter o imp\u00e9rio dominante, de forma passiva.\n\nSusan Frankenstein argumenta que h\u00e1 que reconhecer aos fen\u00edcios um papel mais decisivo no fornecimento de bens e servi\u00e7os aos imp\u00e9rios vizinhos, sugerindo que as cidades fen\u00edcias tiveram um papel essencial na manuten\u00e7\u00e3o e desenvolvimento dos imp\u00e9rios do M\u00e9dio Oriente.\n\nEsse grau de import\u00e2ncia pode ser avaliado pelo tratamento diferencial dado a determinadas cidades fen\u00edcias pelos seus chefes pol\u00edticos; por exemplo, em contraste com o que aconteceu com Israel e Jud\u00e1 (incorporados no imp\u00e9rio neo-ass\u00edrio como vassalos) os Ass\u00edrios deixaram as cidades fen\u00edcias virtualmente aut\u00f4nomas, numa tentativa de controlar e redirecionar o seu com\u00e9rcio.\n\nDesde o fim do segundo mil\u00eanio a.C. que os fen\u00edcios efetuaram transa\u00e7\u00f5es comerciais entre o Mediterr\u00e2neo oriental e ocidental. No s\u00e9culo X, por exemplo, h\u00e1 refer\u00eancias no Antigo Testamento a uma alian\u00e7a entre os primeiros reis de Israel e Hir\u00e3o I, de Tiro; essa alian\u00e7a assegurava o acesso das cidades fen\u00edcias \u00e0s rotas comerciais terrestres e \u00e0s rotas mar\u00edtimas para Este.\n\nTanto antes, como depois da divis\u00e3o do reino hebraico, os fen\u00edcios estiveram ligados \u00e0 distribui\u00e7\u00e3o dos produtos de luxo eg\u00edpcios; por outro lado, eles pr\u00f3prios manufaturavam outros.\n\nEstes produtos eram maioritariamente tecidos, roupas tingidas e bordadas, tape\u00e7arias, ta\u00e7as de vidro e cer\u00e2mica, recipientes de bronze, prata e outros trabalhos em metal, vinhos, instrumentos musicais, incenso, especiarias, comida e sementes.\n\nAs cidades fen\u00edcias integradas no imp\u00e9rio neo-ass\u00edrio, nos s\u00e9culos VIII e VII a.C. (per\u00edodo da expans\u00e3o ass\u00edria no Mediterr\u00e2neo Central) desenvolveram as suas rotas pelo M\u00e9dio Oriente, comerciando os produtos que compravam no Egipto (bens de luxo), na costa mediterr\u00e2nica e na Pen\u00ednsula Ib\u00e9rica. As rela\u00e7\u00f5es de tributo entre uma e outra permitiam e encorajavam as rela\u00e7\u00f5es comerciais, sendo as cidades fen\u00edcias consideradas \u00e1reas de especializa\u00e7\u00e3o, \u00e0s quais eram dadas vantagens e prote\u00e7\u00e3o, devido \u00e0 sua import\u00e2ncia para a Ass\u00edria.\n\nA pol\u00edtica externa desta era controlar os parceiros comerciais externos, for\u00e7ando-os a reorientar as suas atividades econ\u00f4micas e a comerciar com a Ass\u00edria, em vez de com outros centros competitivos.\n\nDesde o primeiro mil\u00eanio a.C. que a Fen\u00edcia, juntamente com os reinos s\u00edrios, esteve envolvida no fornecimento de grandes quantidades de ferro exigidas pela m\u00e1quina militar ass\u00edria.\n\nNos textos ass\u00edrios diz-se que vinha de \u201cOeste\u201d, mas n\u00e3o especificavam a \u00e1rea de origem. Com o esmagamento dos estado s\u00edrios nos finais do s\u00e9culo VIII a.C., os fen\u00edcios tornaram-se os principais fornecedores de mat\u00e9rias primas aos Ass\u00edrios, abandonando o seu antigo papel de fornecedores de bens manufaturados para consumo das elites. Para isso, tiveram de alargar a esfera das suas rela\u00e7\u00f5es comerciais. A tend\u00eancia expansionista das estrat\u00e9gias comerciais fen\u00edcias foi, ent\u00e3o, determinada pelas necessidades materiais dos Ass\u00edrios e pela necessidade de lhes fornecerem recursos essenciais, nomeadamente prata.\n\n<strong>Os Fen\u00edcios na Pen\u00ednsula Ib\u00e9rica<\/strong>\n\nO interesse dos fen\u00edcios pelo Mediterr\u00e2neo ocidental e pelo sul da Pen\u00ednsula Ib\u00e9rica insere-se numa l\u00f3gica de extens\u00e3o das suas atividades comerciais no Mediterr\u00e2neo central e na necessidade de explorar os recursos a\u00ed existentes. Geograficamente, a esfera ocidental de atua\u00e7\u00e3o dos fen\u00edcios foi o canal mediterr\u00e2nico, caracterizado por intenso tr\u00e1fego mar\u00edtimo. Arqueologicamente, inclui estabelecimentos fen\u00edcios no norte de \u00c1frica e na Pen\u00ednsula Ib\u00e9rica, a Este e Oeste do estreito de Gibraltar. Estas duas zonas est\u00e3o fortemente correlacionadas e encontram-se nelas vest\u00edgios fen\u00edcios id\u00eanticos.\n\nNo s\u00e9culo VIII a.C. havia um importante centro de trabalho do bronze, no Noroeste da Pen\u00ednsula, que desempenhou um importante papel na \u00e9poca, com liga\u00e7\u00f5es ao Sudeste da Europa e \u00e0 Irlanda.\n\nHavia uma rede atl\u00e2ntica que transportava mat\u00e9rias primas e produtos finais do Norte da Europa para a Ib\u00e9ria e vice-versa. Os mercadores fen\u00edcios apoderaram-se deste circuito (o \u00e2mbar e o ouro seriam igualmente produtos comerciados por eles). Certos objetos de bronze mediterr\u00e2nico chegaram ao Norte da Europa no s\u00e9culo VIII e um navio de carga que naufragou em Huelva indicia que, provavelmente, havia uma rota para o seu transporte em redor da Pen\u00ednsula.\n\nA estrat\u00e9gia dos fen\u00edcios era aceder aos produtos finais ind\u00edgenas e depois us\u00e1-los para aceder a novos mercados ou iniciar a explora\u00e7\u00e3o de novo recursos noutras \u00e1reas. Assim, ligavam regi\u00f5es economicamente independentes e lucravam ao trocar produtos manufaturados por mat\u00e9rias primas, muito solicitadas nos seus mercados de origem.\n\nNuma segunda fase, por volta do s\u00e9culo VII, esta liga\u00e7\u00e3o ao Oeste e, em especial ao sul da Ib\u00e9ria \u00e9 marcada pela interven\u00e7\u00e3o fen\u00edcia na produ\u00e7\u00e3o dos recursos; isto \u00e9 detect\u00e1vel pelo n\u00famero de estabelecimentos fen\u00edcios na regi\u00e3o e o seu interesse nesta \u00e1rea est\u00e1 relacionado com a exist\u00eancia de prata na zona de Huelva.\n\nEste redirecionamento est\u00e1 tamb\u00e9m ligado ao aumento da depend\u00eancia ass\u00edria em rela\u00e7\u00e3o ao com\u00e9rcio das cidades fen\u00edcias de Este, que necessitavam, por seu turno, de maior abastecimento. Neste per\u00edodo, as cidades fen\u00edcias independentes foram sujeitas ao pagamento de um tributo cada vez mais elevado e a imposi\u00e7\u00f5es comerciais por parte dos reis ass\u00edrios.\n\nUm tra\u00e7o caracter\u00edstico deste per\u00edodo \u00e9 a produ\u00e7\u00e3o de cer\u00e2micas pintadas, vermelhas e cinzentas. Foram encontrados vest\u00edgios deste tipo de cer\u00e2mica no vale do Guadalquivir, entre Sevilha e C\u00f3rdoba e nas zonas do Jerez e Huelva, assim como na zona costeira central portuguesa, na Andaluzia oriental e na costa Levantina. Indicam o interesse continuado dos fen\u00edcios num com\u00e9rcio atl\u00e2ntico agora mais restrito e na rota mar\u00edtima do Mediterr\u00e2neo central.\n\n<strong>Consequ\u00eancias<\/strong>\n\n\u00c9 ainda de salientar que, dado que n\u00e3o existia uma identidade \u00e9tnica definida para os habitantes da costa Levantina, estes tanto eram designados por \u201ccananitas\u201d ou por \u201cfen\u00edcios\u201d.\n\nVerifica-se que se tratavam de termos aplicados a popula\u00e7\u00f5es heterog\u00eaneas- que inclu\u00edam residentes de v\u00e1rias cidades siro-palestinas, assim como elementos de outras zonas da \u00c1sia ocidental ou do Mediterr\u00e2neo Este.\n\nO termo \u201cfen\u00edcio\u201d refere, no fundo, uma categoria de pessoas envolvidas em determinadas atividades e n\u00e3o um grupo \u00e9tnico determinado. A assimila\u00e7\u00e3o dos arameus e dos israelitas, a partir das deporta\u00e7\u00f5es ass\u00edrias, deve ter ocorrido desta forma- passando a falar a l\u00edngua fen\u00edcia e aceitando a sua ideologia, povos de diferentes origens podiam participar das atividades fen\u00edcias e serem identificados como tal.\n\n<strong>Do mesmo modo, os estabelecimentos fen\u00edcios a Oeste tinham dois elementos distintos:<\/strong>\u00a0os comerciantes e colonos da zona Este da Fen\u00edcia e elementos das popula\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas, que assumiram a identidade fen\u00edcia, ao partilharam das suas atividades.\n\nComo foi anteriormente exposto, as campanhas militares ass\u00edrias em dire\u00e7\u00e3o ao Mediterr\u00e2neo e a pol\u00edtica econ\u00f4mica deste povo refor\u00e7aram o com\u00e9rcio dos fen\u00edcios com o Ocidente.\n\n<strong>Na \u00e9poca do imp\u00e9rio neo-ass\u00edrio e em consequ\u00eancia da sua expans\u00e3o, os fen\u00edcios foram mais um elemento a estabelecer contato entre o Oriente e o Ocidente:\u00a0<\/strong>com a explora\u00e7\u00e3o dos recursos e das rotas comerciais j\u00e1 referidas, introduziram modifica\u00e7\u00f5es nas sociedades ind\u00edgenas, em termos pol\u00edticos e econ\u00f4micos. A sua contribui\u00e7\u00e3o foi positiva, mesmo que sejam vistos apenas como intermedi\u00e1rios. Por exemplo, a d\u00edvida grega para com a Fen\u00edcia pode compreender-se, se tivermos em conta que adotaram o alfabeto fen\u00edcio (provavelmente no s\u00e9culo VIII a.C.), com poucas varia\u00e7\u00f5es (juntamente com as palavras sem\u00edticas, de empr\u00e9stimo, que este continha), assim como pela \u201corientaliza\u00e7\u00e3o\u201d dos motivos na poesia e nos paradigmas arquitet\u00f4nicos e pelo uso dos modelos fen\u00edcios de pesos e medidas.\n\nUm dos grandes contributos dos fen\u00edcios em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 civiliza\u00e7\u00e3o ib\u00e9rica foi integr\u00e1-la na rede comercial do Mediterr\u00e2neo, como periferia dum sistema regional da \u00c1sia Meridional, iniciando um processo de orientaliza\u00e7\u00e3o e civiliza\u00e7\u00e3o na zona.\n\nSegundo A. Tavares \u00e9 neste contexto, por exemplo, que se pode afirmar que Portugal \u00e9 um pa\u00eds atl\u00e2ntico em termos geogr\u00e1ficos, mas mediterr\u00e2nico devido \u00e0s suas antigas ra\u00edzes culturais.\n\nEste autor refere diversos exemplos documentados de presen\u00e7as fen\u00edcias na Pen\u00ednsula Ib\u00e9rica e mesmo no territ\u00f3rio portugu\u00eas, a n\u00edvel da metalurgia do ouro, do vidro e das contas pol\u00edcromas, da cer\u00e2mica, dos carros votivos, dos marfins e da pr\u00f3pria escrita.\n\n<strong>Civiliza\u00e7\u00e3o Ass\u00edria &#8211; Imp\u00e9rio<\/strong>\n\nFamosos desde os tempos antigos pela crueldade e pelo talento guerreiro, os ass\u00edrios tamb\u00e9m se destacaram pela habilidade na constru\u00e7\u00e3o de grandes cidades e edif\u00edcios monumentais, como atestam as ru\u00ednas encontradas em N\u00ednive, Assur e Nimrud. Estabelecido no norte da Mesopot\u00e2mia, o\u00a0<strong>imp\u00e9rio ass\u00edrio<\/strong>\u00a0foi uma das civiliza\u00e7\u00f5es mais importantes do Oriente M\u00e9dio.\n<p class=\"imagem\"><img decoding=\"async\" title=\"Civiliza\u00e7\u00e3o Ass\u00edria\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/ccivili151.jpg\" alt=\"Civiliza\u00e7\u00e3o Ass\u00edria\" \/>\n<strong>Civiliza\u00e7\u00e3o Ass\u00edria<\/strong><\/p>\nOs primeiros povoadores conhecidos da regi\u00e3o eram n\u00f4mades semitas que come\u00e7aram a levar vida sedent\u00e1ria ao longo do IV mil\u00eanio a.C. Alguns dados atestam a forma\u00e7\u00e3o, a partir do s\u00e9culo XIX a.C., de um pequeno estado ass\u00edrio, que mantinha rela\u00e7\u00f5es comerciais com o imp\u00e9rio Hitita. No s\u00e9culo XV a.C., depois de longo per\u00edodo de submiss\u00e3o ao imp\u00e9rio da Sum\u00e9ria, o estado ass\u00edrio, com capital em Assur, come\u00e7ou a tornar-se independente e a se estender. Puzur-Assur III foi o primeiro monarca que, livre da opress\u00e3o sum\u00e9ria, empreendeu a expans\u00e3o do reino. Gra\u00e7as ao apogeu comercial, os ass\u00edrios puderam lan\u00e7ar-se, sob o reinado de Shamshi-Adad I (1813-1781 a.C., aproximadamente), \u00e0s conquistas que tanta gl\u00f3ria lhes trouxeram.\n\nO soberano concentrou esfor\u00e7os na constru\u00e7\u00e3o de um estado centralizado, segundo o modelo da poderosa Babil\u00f4nia.\n\nSuas conquistas se estenderam aos vales m\u00e9dios do Tigre e do Eufrates e ao norte da Mesopot\u00e2mia, mas foram barradas em Alepo, na S\u00edria. Morto o rei, seus filhos n\u00e3o puderam manter o imp\u00e9rio em virtude dos constantes ataques de outros povos e dos desejos de independ\u00eancia dos s\u00faditos.\n\nA\u00a0<strong>Ass\u00edria<\/strong>\u00a0caiu sob o dom\u00ednio do reino de Mitani, do qual se libertou em meados do s\u00e9culo XIV a.C. O rei Assur-Ubalit I (1365-1330) foi considerado pelos sucessores o fundador do imp\u00e9rio ass\u00edrio, tamb\u00e9m conhecido como imp\u00e9rio m\u00e9dio. Para consolidar seu poder, estabeleceu rela\u00e7\u00f5es com o Egito e interveio nos assuntos internos da Babil\u00f4nia, casando sua filha com o rei desse estado. Depois de seu reinado, a Ass\u00edria atravessou uma fase de conflitos b\u00e9licos com hititas e babil\u00f4nios, que se prolongou at\u00e9 o fim do s\u00e9culo XIII a.C.\n\nQuem afinal conseguiu impor-se foi Salmanasar I (1274-1245), que devolveu ao estado ass\u00edrio o poder perdido. Esse monarca estendeu sua influ\u00eancia at\u00e9 Urartu (Arm\u00eania), apoiado num ex\u00e9rcito eficaz que conseguiu arrebatar da Babil\u00f4nia suas rotas e pontos comerciais. Sob o reinado de Tukulti-Ninurta I (1245-1208), o imp\u00e9rio m\u00e9dio alcan\u00e7ou seu m\u00e1ximo poderio.\n\nA mais importante fa\u00e7anha do per\u00edodo foi a incorpora\u00e7\u00e3o da Babil\u00f4nia, que ficou sob a administra\u00e7\u00e3o de governadores dependentes do rei ass\u00edrio. Com as conquistas, o imp\u00e9rio se estendeu da S\u00edria ao golfo P\u00e9rsico.\n\nDepois da morte desse rei, o poder ass\u00edrio decaiu em benef\u00edcio da Babil\u00f4nia. Passado um per\u00edodo de lutas contra os invasores hurritas e mit\u00e2nios, a Ass\u00edria ressurgiu, no fim do s\u00e9culo XII a.C., com Tiglate-Pileser I (1115-1077), que venceu a Babil\u00f4nia numa campanha terrivelmente dura. Ap\u00f3s sua morte, a Ass\u00edria sofreu o dom\u00ednio dos arameus, do qual n\u00e3o conseguiu libertar-se at\u00e9 que Adad-Ninari II (911-891) subiu ao trono.\n\nTukulti-Ninurta II (890-884) devolveu \u00e0 Ass\u00edria a antiga grandeza e submeteu a zona de influ\u00eancia dos arameus, no Eufrates m\u00e9dio. Sucedeu-lhe Assur-Nasirpal II (883-859), o mais desumano dos reis ass\u00edrios, que pretendeu reconstruir o imp\u00e9rio de Tiglate-Pileser I e imp\u00f4s sua autoridade com inusitada viol\u00eancia. Foi o primeiro rei ass\u00edrio a utilizar carros de guerra e unidades de cavalaria combinadas com a infantaria.\n\nSeu filho Salmanasar III (858-824), conquistador da S\u00edria e do Urartu, foi igualmente cruel.\n\nO \u00faltimo grande imp\u00e9rio ass\u00edrio iniciou-se com Tiglate-Pileser III (746-727), que dominou definitivamente a Mesopot\u00e2mia. Sua ambi\u00e7\u00e3o sem limites o levou a estender o imp\u00e9rio at\u00e9 o reino da Jud\u00e9ia, a S\u00edria e o Urartu.\n\nSalmanasar IV e Salmanasar V mantiveram o poderio da Ass\u00edria, que anexou a regi\u00e3o da Palestina durante o reinado de Sarg\u00e3o II (721-705). O filho deste, Senaqueribe (704-681), teve que enfrentar revoltas internas, principalmente na Babil\u00f4nia, centro religioso do imp\u00e9rio que foi arrasado por suas tropas. Asarad\u00e3o (680-669) reconstruiu a Babil\u00f4nia e atacou o Egito, afinal conquistado por seu filho Assurbanipal (668-627). No ano 656, por\u00e9m, o fara\u00f3 Psam\u00e9tico I expulsou os ass\u00edrios do Egito e Assurbanipal n\u00e3o quis reconquistar o pa\u00eds.\n\nCom esse soberano, a Ass\u00edria tornou-se o centro militar e cultural do mundo. Depois de sua morte, o imp\u00e9rio decaiu e nunca mais recuperou o esplendor. Fruto das m\u00faltiplas rela\u00e7\u00f5es com outros povos, a civiliza\u00e7\u00e3o ass\u00edria alcan\u00e7ou elevado grau de desenvolvimento.\n\n<strong>Entre as preocupa\u00e7\u00f5es cient\u00edficas dos ass\u00edrios destacou-se a astronomia:<\/strong>\u00a0estabeleceram a posi\u00e7\u00e3o dos planetas e das estrelas e estudaram a Lua e seus movimentos.\n\nNa matem\u00e1tica alcan\u00e7aram alto n\u00edvel de conhecimentos, compar\u00e1vel ao que posteriormente se verificaria na Gr\u00e9cia cl\u00e1ssica.\n\nO esp\u00edrito militar e guerreiro dos ass\u00edrios se reflete em suas manifesta\u00e7\u00f5es art\u00edsticas, principalmente nos relevos que decoram as monumentais constru\u00e7\u00f5es arquitet\u00f4nicas. Representam, sobretudo cenas b\u00e9licas e de ca\u00e7a, em que as figuras de animais ocupam lugar de destaque, como no relevo \u201cA leoa ferida\u201d.\n\nTamb\u00e9m cultivaram a escultura em marfim, na qual foram grandes mestres, como se constata nos pain\u00e9is de Nimrud, que sobreviveram \u00e0 madeira dos m\u00f3veis em que eram originariamente incrustados.\n\nA religi\u00e3o ass\u00edria manteve as ancestrais tradi\u00e7\u00f5es mesopot\u00e2micas, embora tenha sofrido a introdu\u00e7\u00e3o de novos deuses e mitos.\n\nA eterna rivalidade entre ass\u00edrios e babil\u00f4nios chegou \u00e0 religi\u00e3o com a disputa pela preponder\u00e2ncia de seus grandes deuses, o ass\u00edrio Assur e o babil\u00f4nio Marduk.\n\nO imp\u00e9rio ass\u00edrio sucumbiu ao ataque combinado de medas e babil\u00f4nio. Sob as ru\u00ednas de uma espl\u00eandida civiliza\u00e7\u00e3o, ficou a tr\u00e1gica lembran\u00e7a de suas impiedosas conquistas e da ilimitada ambi\u00e7\u00e3o de seus reis.\n\n<strong>Civiliza\u00e7\u00e3o Ass\u00edria &#8211; Terras ass\u00edria<\/strong>\n\nTerras ass\u00edrias referente \u00e0 regi\u00e3o do Alto rio Tigre, no norte da Mesopot\u00e2mia. O nome derivado de seu capital original; antiga cidade de Ashur.\n\nOs ass\u00edrios subiu ao poder e prosperidade em torno do s\u00e9culo 12 aC, na Mesopot\u00e2mia, que hoje consiste principalmente do Iraque moderno.\n\nSeu imp\u00e9rio estendido para alguns regi\u00f5es da moderna Turquia e se estabeleceram em diferentes cidades da Anat\u00f3lia.\n\nAss\u00edrios desempenhou um papel importante na funda\u00e7\u00e3o da civiliza\u00e7\u00e3o da humanidade. Ap\u00f3s a queda dos imp\u00e9rios da Ass\u00edria e Babil\u00f4nia, respectivamente, no s\u00e9timo e sexto s\u00e9culos aC, os ass\u00edrios foram reduzidos a uma pequena na\u00e7\u00e3o vivendo \u00e0 merc\u00ea de seus senhores nas terras muito espalhadas na regi\u00e3o do Oriente M\u00e9dio e, finalmente invadida pelos Hurrians.\n\nAss\u00edrios eram um povo semita. Eles estavam principalmente envolvidos na agricultura, minera\u00e7\u00e3o e florestal, com o maior ex\u00e9rcito permanente no Oriente M\u00e9dio.\n\n<strong>Eles tiveram duas l\u00ednguas durante seus tempos:<\/strong>\u00a0ass\u00edrio antigo (conhecido como ac\u00e1dio), e ass\u00edrio moderno (ou neo-sir\u00edaco). Eles eram avan\u00e7ados em ci\u00eancias e matem\u00e1tica e da ci\u00eancia m\u00e9dica desenvolvida.\n\n<strong>Civiliza\u00e7\u00e3o Ass\u00edria &#8211; Geografia<\/strong>\n\n<strong>Ass\u00edria est\u00e1 localizado no norte da Mesopot\u00e2mia e se estende por quatro pa\u00edses<\/strong>: Na S\u00edria que se estende a oeste do rio Eufrates; na Turquia se estende para o norte para Harran, Edessa, Diyarbakir, e do Lago Van; no Ir\u00e3 se estende a leste do Lago Urmi, e no Iraque se estende a cerca de 100 km ao sul de Kirkuk. Este \u00e9 o cora\u00e7\u00e3o da Ass\u00edria, a partir do qual tanto do antigo Oriente M\u00e9dio passou a ser controlada.\n\nDois grandes rios atravessam a Ass\u00edria, o Tigre eo Euhprates, e muitos outros de menor import\u00e2ncia, a mais importante das quais \u00e9 o Zab Alto e Baixo Zab, ambos afluentes do rio Tigre.\n\nEstrategicamente torno do Tigre e os dois Zabs s\u00e3o as cidades ass\u00edrias de N\u00ednive, Assur, Arbel, Nimrod e Arrapkha.\n\nAo norte e ao leste da Ass\u00edria se encontram os montes Taurus e Zagros. Para o oeste e sul encontra-se uma grande, baixo planalto de calc\u00e1rio.\n\nNo extremo sul da Ass\u00edria as plan\u00edcies de cascalho dar lugar a aluvi\u00f5es depositados pelo rio Tigre, e mais ao sul h\u00e1 chuvas insuficientes para a agricultura sem irriga\u00e7\u00e3o.\n\nEstas duas caracter\u00edsticas criam uma fronteira geogrpahical entre Ass\u00edria e os terrenos vizinhos ao sul.\n\n<strong>Civiliza\u00e7\u00e3o Ass\u00edria &#8211; Tipo Racial<\/strong>\n\n<strong>Ass\u00edrios<\/strong>\u00a0est\u00e3o povos semitas ind\u00edgenas para a Mesopot\u00e2mia. Eles s\u00e3o caucas\u00f3ides do Mediterr\u00e2neo, e s\u00e3o etnicamente distintos dos \u00e1rabes e judeus.\n\n<strong>Civiliza\u00e7\u00e3o Ass\u00edria &#8211; Idioma<\/strong>\n\n<strong>Ass\u00edrios usaram duas l\u00ednguas ao longo da sua hist\u00f3ria<\/strong>: ass\u00edrio antigo (acadiano), e ass\u00edrio moderno (neo-sir\u00edaco). Acadiano foi escrito com o sistema de escrita cuneiforme, em t\u00e1buas de argila, e estava em uso desde o in\u00edcio at\u00e9 cerca de 750 aC. Por 750 aC, uma nova maneira de escrever, em pergaminho, couro ou papiro, foi desenvolvido, e as pessoas que trouxeram este m\u00e9todo de escrever com eles, os s\u00edrios, acabaria por ver a sua l\u00edngua, o aramaico, suplantar ass\u00edrio antigo por causa do avan\u00e7o tecnol\u00f3gico por escrito. Aramaico se tornou a segunda l\u00edngua oficial do imp\u00e9rio ass\u00edrio em 752 aC Embora ass\u00edrios mudou para o aramaico, n\u00e3o foi o transplante de atacado. A marca do aramaico que ass\u00edrios falava era, e \u00e9, muito infundido com palavras acadiano, tanto assim que os estudiosos se referem a ele como ass\u00edrio aramaico.\n\n<strong>O expansionismo Ass\u00edrio<\/strong>\n\nDepois de um longo per\u00edodo de obscurantismo, o rei Tiglath-pileser I deu in\u00edcio as expansionismo ass\u00edrio. No reinado de Tiglath-pileser III( 745-728 a.C.), o Imp\u00e9rio Ass\u00edrio se estendeu do Golfo P\u00e9rsico \u00e0s fronteiras do Egito. O apogeu, por\u00e9m, ocorreu no reinado de Assurbanipal, cujo imp\u00e9rio se estendia do Nilo ao C\u00e1usaco.\n\nFizeram da guerra sua atividade principal e submetiam os vencidos a horr\u00edveis tormentos. Fundaram a cidade de N\u00ednive, que se tornou a sede de seu poderoso imp\u00e9rio.\n\nMinado pela crise interna e pelos levantes dos povos conquistados, o Imp\u00e9rio Ass\u00edrio desmoronou. O rei da m\u00e9dia, Ciaxares, e o pr\u00edncipe Caldeu Nabopolassar uniram-se contra os Ass\u00edrios.\n\nA orgulhosa cidade de N\u00ednive caiu no ano de 612 a.C.\n\n<strong>Civiliza\u00e7\u00e3o Ass\u00edria &#8211; Hist\u00f3ria<\/strong>\n\nA\u00a0<strong>Ass\u00edria<\/strong>\u00a0foi um reino situado na Mesopot\u00e2mia, entre os s\u00e9culos XIII e VII a.C..\n\nFoi fundado por um povo de origem sem\u00edtica nativo do noroeste da Mesopot\u00e2mia.\n\nO v\u00e1cuo de poder na regi\u00e3o criado ap\u00f3s o decl\u00ednio sum\u00e9rio permitiu aos ass\u00edrios a cria\u00e7\u00e3o de um estado independente, mas este foi logo suprimido pelo rei Hamurabi da Babil\u00f4nia.\n\nOs ass\u00edrios assim permaneceram sob poder babil\u00f4nico at\u00e9 o decl\u00ednio deste, em meados do s\u00e9culo XIII a.C., quando seu rei, Tukulti-Ninurta, conquistou territ\u00f3rios ao sul, abra\u00e7ando a pr\u00f3pria cidade da Babil\u00f4nia.\n\nEm sua extens\u00e3o m\u00e1xima, a Ass\u00edria estendia-se a leste at\u00e9 as fronteiras do El\u00e3o, a oeste at\u00e9 o Egito, ao norte at\u00e9 a Arm\u00eania e ao sul at\u00e9 os desertos da Pen\u00ednsula Ar\u00e1bica.\n\nA religi\u00e3o seguia as bases dos cultos realizados pelos sum\u00e9rios. Cada cidade era devota de um deus espec\u00edfico (ao qual se associava a sua cria\u00e7\u00e3o e prote\u00e7\u00e3o), e os deuses mais importante do pante\u00e3o ass\u00edrio dependia do grau de influ\u00eancia de suas cidades na pol\u00edtica interna. Os zigurates permaneceram como o centro cultural, religioso e pol\u00edtico das cidades ass\u00edrias.\n\nA pol\u00edtica externa ass\u00edria era conhecida por sua brutalidade para com os inimigos. Em muitos casos, atos de selvageria por parte do imp\u00e9rio ass\u00edrio foram empregados com o fim de persuadir seus inimigos a entregarem-se sem luta. Registros escritos da \u00e9poca demonstram o temor dos povos adjacentes ao terror ass\u00edrio.\n\nOs governantes ass\u00edrios caracterizaram-se tamb\u00e9m pelo tratamento dispendido aos povos conquistados. Para evitar movimentos rebeldes nas regi\u00f5es conquistadas, os povos vencidos eram capturados, removidos de suas terras, e distribu\u00eddos entre as cidades do imp\u00e9rio, diluindo seu poder. Nativos ass\u00edrios e inimigos capturados de outras regi\u00f5es eram encorajados a ocupar as \u00e1reas conquistadas.\n\nEsta pr\u00e1tica mostrou-se particularmente eficiente, e foi mantida pelos babil\u00f4nicos, no per\u00edodo subseq\u00fcente.\n\nA Ass\u00edria \u00e9 mencionada no B\u00edblia atrav\u00e9s do livro de Jonas, quando este profeta recebe de Deus a incumb\u00eancia de pregar Sua palavra aos habitantes de N\u00ednive, a capital do Imp\u00e9rio.\n\nPosteriormente o relato b\u00edblico cita a Ass\u00edria como respons\u00e1vel pela queda do reino de Israel, e pela tomada do baluarte judeu de Laquis, pelas m\u00e3os do rei Tiglate-Pileser.\n\nNo entanto estas conquistas ocorreram j\u00e1 no final do per\u00edodo ass\u00edrio, desgastado pelas guerras contra o Egito e pela ascens\u00e3o recente dos medos a leste e dos reformistas babil\u00f4nicos, ao sul. Em poucos anos, o outrora poderoso imp\u00e9rio dissolveu-se, sendo rapidamente absorvido por eg\u00edpcios, babil\u00f4nicos e medos.\n\n<strong>Fonte:<\/strong>\u00a0EncBrasi\/web.ipn.pt\/gpua.v10.com.br\/www.allaboutturkey.com\/www.aina.org\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Civiliza\u00e7\u00e3o Ass\u00edria, Ass\u00edrios, Imp\u00e9rio, Hist\u00f3ria, Cultura, Costumes, Geografia, Povo, Religi\u00e3o, Reino, Idioma, Dom\u00ednio, Civiliza\u00e7\u00e3o Ass\u00edria<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":10550,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[57],"tags":[],"class_list":["post-10549","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-historia-geral"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v28.3 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>Civiliza\u00e7\u00e3o Ass\u00edria - 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