{"id":10249,"date":"2015-12-22T00:00:00","date_gmt":"2015-12-22T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/uncategorized\/tribos-indigenas-brasileiras\/"},"modified":"2026-08-31T19:09:37","modified_gmt":"2026-08-31T19:09:37","slug":"tribos-indigenas-brasileiras","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/historia-do-brasil\/tribos-indigenas-brasileiras\/","title":{"rendered":"Tribos Ind\u00edgenas Brasileiras"},"content":{"rendered":"\nOs\u00a0<strong>Povos Ind\u00edgenas no Brasil<\/strong>\u00a0compreendem um grande n\u00famero de diferentes grupos \u00e9tnicos que habitaram o pa\u00eds antes do Europeu de invas\u00e3o 1500.\n\nOs\u00a0<strong>Povos Ind\u00edgenas no Brasil<\/strong>\u00a0compreendem uma grande variedade de tribos e na\u00e7\u00f5es, muitos deles com la\u00e7os culturais e territ\u00f3rios hist\u00f3ricos que atravessam as fronteiras pol\u00edticas atuais e adentram os pa\u00edses vizinhos.\n\nEmbora sua organiza\u00e7\u00e3o social tenha sido geralmente igualit\u00e1ria e baseada em tribos pequenas, semi-n\u00f4mades e independentes, houve exemplos de na\u00e7\u00f5es super-tribais envolvendo milhares de indiv\u00edduos e ocupando extensos territ\u00f3rios.\n\nOs\u00a0<strong>ind\u00edgenas do Brasil<\/strong>\u00a0falavam e falam centenas de l\u00ednguas diferentes, cujas origens e conex\u00f5es ainda s\u00e3o pouco conhecidas. Sua cultura material e espiritual tamb\u00e9m \u00e9 bastante diversificada, apesar de um fundo comum devido ao estilo de vida.\n\nMuitas das tribos que existiam no pa\u00eds \u00e0 \u00e9poca de Cabral desapareceram, quer absorvidas na sociedade dos colonizadores, quer dizimadas pela viol\u00eancia a que os \u00edndios em geral foram submetidos durante os \u00faltimos cinco s\u00e9culos.\n\nNesse per\u00edodo, na\u00e7\u00f5es inteiras foram massacradas ou escravizadas, expl\u00edcita ou disfar\u00e7adamente, ou morreram de doen\u00e7as e fome depois que suas terras foram tomadas e seus meios de sobreviv\u00eancia foram destru\u00eddos.\n\nA catequiza\u00e7\u00e3o por mission\u00e1rios europeus levou ao desaparecimento de suas cren\u00e7as religiosas e outras tradi\u00e7\u00f5es culturais; e a reloca\u00e7\u00e3o for\u00e7ada provocou enorme mistura de povos.\n<p class=\"imagem\"><img decoding=\"async\" title=\"Tribos Ind\u00edgenas Brasileiras\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/ssegund110.jpg\" alt=\"Tribos Ind\u00edgenas Brasileiras\" \/><strong>\nTribos Ind\u00edgenas Brasileiras<\/strong><\/p>\n<strong>Tribos Ind\u00edgenas<\/strong>\n\n<strong>Aimor\u00e9<\/strong>\n\nGrupo n\u00e3o-tupi, tamb\u00e9m chamado de botocudo. Grandes corredores e guerreiros tem\u00edveis, foram os respons\u00e1veis pelo fracasso das capitanias de Ilh\u00e9us, Porto Seguro e Esp\u00edrito Santo.\n\nS\u00f3 foram vencidos no in\u00edcio do S\u00e9culo XX.\n\nO nome \u201cbotocudo\u201d, derrogat\u00f3rio e ofensivo, foi dado pelos portugueses a diversos povos hist\u00f3rica e geneticamente heterog\u00eaneos do grupo lingu\u00edstico macro-j\u00ea que habitavam o nordeste de Minas Gerais, o sul da Bahia e o norte do Esp\u00edrito Santo. Em comum, tinham o h\u00e1bito de usar discos de madeira no l\u00e1bio inferior e nos l\u00f3bulos das orelhas para expandi-los de forma peculiar.\n\n<strong>Anamb\u00e9<\/strong>\n\n<strong>Nome e l\u00edngua:\u00a0<\/strong>A l\u00edngua Anamb\u00e9 \u00e9 da fam\u00edlia Tupi-Guarani. Nos anos 80, todos os Anamb\u00e9 com mais de 40 anos eram falantes da l\u00edngua ind\u00edgena e quase todos os que estavam na faixa de 20 a 30 anos a entendiam, mas usavam correntemente o portugu\u00eas.\n\n<strong>Localiza\u00e7\u00e3o:\u00a0<\/strong>Vivem no alto curso do rio Cairari, um afluente do Moju, que corre paralelo ao baixo rio Tocantins, pela sua margem direita. Est\u00e3o na Terra Ind\u00edgena Anamb\u00e9, com 7.882 hectares, homologada e registrada, situada no munic\u00edpio de Moju, PA.\n\n<strong>Popula\u00e7\u00e3o:\u00a0<\/strong>Em 1940 eram 60 indiv\u00edduos. Mas a popula\u00e7\u00e3o decrescia, por motivo da sa\u00edda de mulheres que se casavam com regionais e sucessivas epidemias de sarampo. A partir de meados da d\u00e9cada de 60, a popula\u00e7\u00e3o Anamb\u00e9 come\u00e7ou a se recuperar; al\u00e9m disso, ao contr\u00e1rio do que acontecia anteriormente, os casamentos inter\u00e9tnicos passaram a atrair o c\u00f4njuge n\u00e3o-\u00edndio para dentro da Terra Ind\u00edgena.\n\n<strong>Hist\u00f3ria do contato<\/strong>\n\nOs \u00edndios Anamb\u00e9 viviam no passado a oeste do rio Tocantins, nas cabeceiras do rio Pacaj\u00e1, que desemboca no rio Par\u00e1 (bra\u00e7o do estu\u00e1rio do Amazonas que corre pelo sul de Maraj\u00f3), perto de Portel.\n\nSegundo relato tomado de um l\u00edder Anamb\u00e9 pelo pesquisador Fereira Pena, em 1884, viviam desde muito tempo nas cabeceiras do Pacaj\u00e1, obedecendo a um l\u00edder oriundo do ocidente, s\u00e1bio e guerreiro.\n\nOs brancos lhes vieram fazer guerra; depois, os jesu\u00edtas, que com eles mantinham a paz, come\u00e7aram a separar as mulheres dos maridos e a levar muitos para Portel, os homens para trabalhar nas ro\u00e7as e remar, as mulheres para lavar roupa e cozinhar. Isso os desgostou muito, levou-os a desobedecer ao chefe e a separarem-se.\n\n\u00cdndios antrop\u00f3fagos lhes vieram fazer a guerra e eles retiraram-se para as cabeceiras do rio Cururu\u00ed, um afluente do Pacaj\u00e1, formando a aldeia de Tau\u00e1, donde depois foram para o lugar onde o diretor de \u00edndios quis alde\u00e1-los.\n\nDe fato, em 1852, uma parte dos Anamb\u00e9 se aproximou da margem esquerda do Tocantins, pediu prote\u00e7\u00e3o e se aldeou junto ao distrito de Bai\u00e3o. Os outros continuaram no alto Pacaj\u00e1. Estes, em 1874, depois de uma guerra contra os ind\u00edgenas chamados \u201cCurumbu\u201d, ficaram reduzidos a 46 indiv\u00edduos; no ano seguinte morreram mais 37 de var\u00edola.\n\nOs restantes foram juntar-se aos Anamb\u00e9 que se haviam aldeado junto ao Tocantins. As Anamb\u00e9 passaram a viver ent\u00e3o nas proximidades da cidade de Bai\u00e3o, nas ilhas dos Santos e de Tau\u00e1.\n\nAt\u00e9 o final dos s\u00e9culo XIX os Anamb\u00e9 oscilaram entre o Tocantins e o Pacaj\u00e1 e em algum momento atravessaram para a margem oriental do Tocantins, indo para a bacia do rio Moju.\n\nAs primeiras informa\u00e7\u00f5es sobre os Anamb\u00e9 na bacia do Moju ora os confundem com os Turiwara, ora com os Amanay\u00e9. Conforme narraram ao antrop\u00f3logo Napole\u00e3o Figueiredo, nas cabeceiras do Moju entraram com os Gavi\u00f5es do Oeste, que dali os expulsaram, obrigando-os a se deslocando na dire\u00e7\u00e3o do Cairari.\n\nA princ\u00edpio foram os \u00fanicos habitantes do alto Cairari, mas a partir dos meados do s\u00e9culo XX come\u00e7aram a entrar nessa \u00e1rea madeireiros e extratores de balata.\n\nA princ\u00edpio os Anamb\u00e9 n\u00e3o foram engajados no trabalho da madeira, atuando mais como fornecedores de peles, carne de ca\u00e7a e farinha.\n\nNos anos 70, alguns Anamb\u00e9 participavam nas turmas de madeireiros como trabalhadores diaristas, enquanto outros negociavam a madeira com um regat\u00e3o, que era relacionado \u00e0 mesma serraria.\n\nMas a sua participa\u00e7\u00e3o nos trabalhos da madeira era intermitente, e se tornou apenas ocasional na d\u00e9cada seguinte.\n\n<strong>Apiak\u00e1<\/strong>\n\n<strong>Nome e l\u00edngua<\/strong>\n\nA denomina\u00e7\u00e3o pela qual os atuais habitantes da Terra Ind\u00edgena Apiak\u00e1 s\u00e3o conhecidos e se reconhecem vem-lhes sendo aplicada desde o in\u00edcio do s\u00e9culo XIX. \u00c9 uma variante da palavra tupi apiaba, que quer dizer \u201cpessoa\u201d, \u201cgente\u201d, \u201chomem\u201d, n\u00e3o sendo, pois, originalmente um etn\u00f4nimo. Seus vizinhos Kayab\u00ed os denominam Tapy\u2019iting ou Tapii\u2019sin, isto \u00e9, \u201cgente de cor clara\u201d.\n\nA l\u00edngua Apiak\u00e1 pertence \u00e0 fam\u00edlia Tupi-Guarani, tal como a de seus vizinhos Kayab\u00ed. Entretanto os Apiak\u00e1 n\u00e3o a falam mais; usam o portugu\u00eas.\n\nOs Munduruk\u00fa e Kayab\u00ed que moram junto com eles falam suas respectivas l\u00ednguas.\n\n<strong>Localiza\u00e7\u00e3o<\/strong>\n\nOs Apiak\u00e1 vivem no norte do Estado de Mato Grosso. Encontram-se dispersos ao longo dos grandes cursos fluviais Arinos, Juruena e Teles Pires. Parte deles reside em cidades como Juara, Porto dos Ga\u00fachos, Bel\u00e9m e Cuiab\u00e1.\n\nTem-se not\u00edcia tamb\u00e9m da exist\u00eancia de um grupo arredio. A maior parte de sua popula\u00e7\u00e3o encontra-se aldeada na Terra Ind\u00edgena Apiak\u00e1-Kayab\u00ed, cortada pelo rio dos Peixes.\n\nOs Apiak\u00e1 vivem na margem direita do rio e os Kayab\u00ed, na margem esquerda.\n\n<strong>Hist\u00f3ria do contato<\/strong>\n\nOs Apiak\u00e1 constitu\u00edam um povo guerreiro e muito temido na bacia do Tapaj\u00f3s. Quando habitavam o m\u00e9dio e baixo curso do rio Arinos e m\u00e9dio e alto curso do rio Juruena, no in\u00edcio do s\u00e9culo XIX, tiveram como vizinhos os Bakair\u00ed e Tapay\u00fana, no Arinos, e os Bororo, Oropia, Cauairas e Sitikawa (os \u00faltimos tr\u00eas hoje extintos) no alto Juruena.\n\nDurante o s\u00e9culo XIX diversos viajantes utilizaram a rota Arinos\u2013Juruena\u2013Tapaj\u00f3s, que ligava os centros de Cuiab\u00e1 e Bel\u00e9m. Esses viajantes desenvolveram rela\u00e7\u00f5es pac\u00edficas com os Apiak\u00e1, trocando produtos e empregando-os como guias e remadores em algumas de suas viagens.\n\nEsse uso da m\u00e3o-de-obra apiak\u00e1 prosseguiu de tal modo que, na passagem do s\u00e9culo XIX para XX, encontravam-se integrados nas frentes extrativistas desempenhando fun\u00e7\u00f5es de tripulantes, carregadores, pescadores, ca\u00e7adores ou caucheiros, combinando o modo de vida tradicional com o dos brancos regionais.\n\nNo in\u00edcio do s\u00e9culo XX foram cruelmente massacrados por seringalistas, o que os impossibilitou de sustentar seu tradicional modo de vida.\n\n<strong>A partir de ent\u00e3o miscigenaram-se com integrantes de diversas etnias, al\u00e9m dos brancos:\u00a0<\/strong>Kokama, Kayab\u00ed, Munduruku, Mau\u00e9, Pareci. Apesar de os Kokama viverem no alto Solim\u00f5es, ocorreram casamentos entre indiv\u00edduos dessa etnia que desciam o Amazonas e alguns Apiak\u00e1 que desceram o Tapaj\u00f3s at\u00e9 Santar\u00e9m.\n\n<strong>No decorrer do s\u00e9culo XIX, mudaram-se da conflu\u00eancia dos rios Arinos e Juruena e imedia\u00e7\u00f5es:<\/strong>\u00a0uma parte foi para o norte, ainda no Juruena; outra foi para leste, at\u00e9 o rio S\u00e3o Manoel (ou Teles Pires), onde passou a ser conhecida, no final do s\u00e9culo XIX, como Pari-bi-tet\u00e9, um termo da l\u00edngua Munduruk\u00fa que alude a sua tatuagem em torno dos l\u00e1bios (Nimuendaj\u00fa, 1948, p. 312).\n\nNo in\u00edcio do terceiro quartel do s\u00e9culo XX, um grupo de fam\u00edlias fez viagem de retorno rumo ao sul, em busca de um \u201cpatr\u00e3o bom\u201d.\n\nO mission\u00e1rio jesu\u00edta Jo\u00e3o Dornstauder os encontra e os convida a se fixarem nas proximidades dos Kayab\u00ed, no rio dos Peixes.\n\nA partir de ent\u00e3o, em diversas viagens, mais fam\u00edlias mudaram-se do norte para o sul, erigindo as aldeias de Nova Esperan\u00e7a (1968), Mayrob (1982) e Tatu\u00ed (1986), todas na na \u00e1rea que veio a se constituir na TI Apiak\u00e1.\n\n<strong>Arara<\/strong>\n\nConsiderados extintos por volta da d\u00e9cada de 1940, quando escasseiam not\u00edcias sobre sua movimenta\u00e7\u00e3o pela regi\u00e3o, os \u00edndios conhecidos por \u201cArara\u201d no vale do m\u00e9dio Xingu voltaram \u00e0 cena com a constru\u00e7\u00e3o da rodovia Transamaz\u00f4nica, no in\u00edcio dos anos de 1970.\n\nO trecho que hoje liga as cidades de Altamira a Itaituba, no Estado do Par\u00e1, passou a poucos quil\u00f4metros de uma das grandes aldeias onde v\u00e1rios subgrupos Arara se reuniam no per\u00edodo de estiagem.\n\nA estrada cortou planta\u00e7\u00f5es, trilhas e acampamentos de ca\u00e7a tradicionalmente utilizados pelos \u00edndios.\n\n<strong>O que antes j\u00e1 era um povo pequeno foi apartado pela \u201cestrada da integra\u00e7\u00e3o nacional\u201d:<\/strong>\u00a0seu leito principal, suas vicinais, seus travess\u00f5es, suas picadas e clareiras acess\u00f3rias formaram barreiras, impedindo o tr\u00e2nsito dos \u00edndios pelas matas e impondo limites \u00e0 tradicional intera\u00e7\u00e3o entre os subgrupos que, vivendo dispersos pelo territ\u00f3rio, articulavam-se numa rede intercomunit\u00e1ria coesa.\n\nA consolida\u00e7\u00e3o do longo processo de atra\u00e7\u00e3o, a partir de fevereiro de 1981, depois de mais de uma d\u00e9cada de frustradas tentativas de contato, encontra alguns dos subgrupos Arara j\u00e1 desunidos e afastados.\n\nPelo menos quatro deles ao sul do leito da nova rodovia, na altura do km 120, aglutinaram-se para enfrentar a penetra\u00e7\u00e3o n\u00e3o ind\u00edgena no territ\u00f3rio. Um outro ao norte, isolado e em fuga constante, \u00e9 contatado em 1983, j\u00e1 com a ajuda daqueles contatados dois anos antes. Ainda mais um \u00e9 contatado em 1987, j\u00e1 muito longe dos demais, apartado dos outros por raz\u00f5es internas ao povo Arara, mas cada vez mais isolado e restrito aos cantos mais ermos do territ\u00f3rio devido \u00e0 ocupa\u00e7\u00e3o e \u00e0 explora\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica avivadas na \u00e1rea ind\u00edgena.\n\nEste \u00faltimo subgrupo talvez seja aquele submetido \u00e0 situa\u00e7\u00e3o p\u00f3s-contato mais dram\u00e1tica, que ainda perdura pela indefini\u00e7\u00e3o oficial sobre as \u00e1reas destinadas aos Arara.\n\n<strong>Hist\u00f3rias e origens<\/strong>\n\nUm mito de origem do mundo terreno explica o padr\u00e3o de dispers\u00e3o territorial que historicamente os Arara mantinham no interfl\u00favio Tapaj\u00f3s-Tocantins.\n\nOriginado num cataclismo celeste causado por uma enorme briga entre parentes, o mundo terreno foi o palco de um acordo pol\u00edtico entre aqueles que, por serem causadores da trag\u00e9dia inaugural, foram condenados a viver no ch\u00e3o.\n\nA divis\u00e3o em pequenos subgrupos, independentes e aut\u00f4nomos, mas integrados numa rede de presta\u00e7\u00e3o intercomunit\u00e1ria, sobretudo para as temporadas de ca\u00e7a e festas, teria sido estabelecida como uma esp\u00e9cie de pacto a garantir a n\u00e3o repeti\u00e7\u00e3o dos conflitos que deram origem \u00e0 vida terrena.\n\n<strong>Tamb\u00e9m o etn\u00f4nimo de que se servem tem rela\u00e7\u00e3o com o mito de origem:<\/strong>\u00a0Ukar\u00e3ngm\u00e3 \u2013 quase que literalmente \u201cpovo das araras vermelhas\u201d- \u00e9 como se denominam, numa refer\u00eancia \u00e0 participa\u00e7\u00e3o que aqueles p\u00e1ssaros teriam tido logo ap\u00f3s a trag\u00e9dia que deu origem ao mundo terreno. No mito, foram as araras vermelhas que tentaram levar de volta aos c\u00e9us muitos dos que de l\u00e1 ca\u00edram.\n\nFalantes de uma l\u00edngua da fam\u00edlia Karib, os Arara pertencem \u00e0 mesma sub-fam\u00edlia dialetal \u2013 tamb\u00e9m chamada de Arara \u2013 que inclu\u00eda os Apiac\u00e1 do Tocantins (extintos), os Yaruma (extintos) e os Ikpeng, hoje no Parque Ind\u00edgena do Xingu, povos que viviam dispersos por um amplo territ\u00f3rio que abarcava todo o vale do alto e m\u00e9dio Xingu e o rio Iriri.\n\n<strong>Em termos geogr\u00e1ficos, os povos ind\u00edgenas desta sub-fam\u00edlia Arara ocupam uma posi\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica intermedi\u00e1ria em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s maiores concentra\u00e7\u00f5es demogr\u00e1ficas de falantes de l\u00ednguas da fam\u00edlia Karib:<\/strong>\u00a0o maci\u00e7o das G\u00fcianas e os formadores do alto rio Xingu.\n\nEntretanto, a regi\u00e3o dos rios Ronuro, Batovi, Culiseu, Culuene (justamente os formadores do rio Xingu, hoje \u00e1rea do Parque Ind\u00edgena hom\u00f4nimo) \u00e9 o lugar mais prov\u00e1vel da dispers\u00e3o original dos povos desta sub-fam\u00edlia dialetal. Seu deslocamento pela bacia do Xingu parece ter coincidido com um movimento migrat\u00f3rio Kayap\u00f3, que partiu dos campos do rio Araguaia em meados do s\u00e9culo passado e atingiu a regi\u00e3o do m\u00e9dio Xingu j\u00e1 no in\u00edcio deste s\u00e9culo.\n\nToda a regi\u00e3o entre o Tapaj\u00f3s e o Tocantins (e particularmente o vale do Xingu) parece ter sido um lugar de movimenta\u00e7\u00e3o constante de grupos ind\u00edgenas, at\u00e9 o in\u00edcio do segundo quartel deste s\u00e9culo, quando levas migrat\u00f3rias oriundas do nordeste brasileiro come\u00e7am a alterar a din\u00e2mica demogr\u00e1fica da regi\u00e3o afetando as popula\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas j\u00e1 ali instaladas.\n\n<strong>Narrativas m\u00edticas Arara apontam a margem direita do Xingu como o lugar onde tudo teria come\u00e7ado:<\/strong>\u00a0a forma\u00e7\u00e3o do mundo atual, a gera\u00e7\u00e3o do povo Arara, a dispers\u00e3o dos subgrupos e o in\u00edcio dos conflitos com os inimigos \u201ctradicionais\u201d. Dados hist\u00f3ricos confirmam o tr\u00e2nsito dos Arara por entre as duas margens do m\u00e9dio rio Xingu at\u00e9 a fixa\u00e7\u00e3o na sua margem esquerda, junto ao rio Iriri, depois de cruzarem o Xingu j\u00e1 abaixo da \u201cVolta Grande\u201d, por volta de meados do s\u00e9culo XIX.\n\nTanto informa\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas \u2013 como as refer\u00eancias a conflitos com ca\u00e7adores e trabalhadores em obras p\u00fablicas \u2013 quanto a mem\u00f3ria dos velhos Arara apontam para a regi\u00e3o pr\u00f3xima a Altamira, j\u00e1 abaixo da foz do rio Iriri, como o lugar da maior concentra\u00e7\u00e3o de assentamentos de subgrupos Arara no passado.\n\nOcupando a regi\u00e3o do divisor de \u00e1guas, entre o oeste Xingu, o leste do Tapaj\u00f3s e o sul do baixo Amazonas desde meados do s\u00e9culo XIX, os Arara tinham \u00e0 sua disposi\u00e7\u00e3o recursos naturais oriundos da bacia do Xingu e tamb\u00e9m das \u00e1guas que correm para o Amazonas.\n\nJ\u00e1 na sua expedi\u00e7\u00e3o ao Xingu, em 1896, o viajante Henri Coudreau mencionava a exist\u00eancia dos \u201cAraras bravos\u201d -subgrupos ent\u00e3o sem qualquer contato com o branco \u2013 \u00e0 esquerda do Xingu, na regi\u00e3o entre o rio Curu\u00e1 (\u00e0 esquerda do alto rio Iriri) \u201cat\u00e9 n\u00e3o longe do Amazonas\u201d.\n\nLugar estrat\u00e9gico de multiplica\u00e7\u00e3o das possibilidades de adapta\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica e da otimiza\u00e7\u00e3o da utilidade dos recursos diversos que caracterizam as bacias do Xingu e do Amazonas, o divisor de \u00e1guas permitia a cada grupo local, dependendo de sua localiza\u00e7\u00e3o particular, diferen\u00e7as sutis quanto ao padr\u00e3o de utiliza\u00e7\u00e3o de mat\u00e9rias-primas desigualmente distribu\u00eddas no territ\u00f3rio (as tabocas para flechas, as palhas para tran\u00e7ados e cestarias, e a maior ou menor ocorr\u00eancia das palmeiras de inaj\u00e1 para a extra\u00e7\u00e3o de uma bebida t\u00edpica, etc). Ao mesmo tempo, o divisor de \u00e1guas dava aos Arara o acesso a territ\u00f3rios de ca\u00e7a diferenciados e, por isso, mais produtivos em fun\u00e7\u00e3o das diferen\u00e7as entre as esta\u00e7\u00f5es de seca e chuva durante o ano.\n\n<strong>Ashaninka<\/strong>\n\n<strong>Os Ashaninka:\u00a0<\/strong>amea\u00e7ada a maneira de vida.\n\nOs\u00a0<strong>Ashaninka<\/strong>\u00a0s\u00e3o um dos maiores grupos ind\u00edgenas na Am\u00e9rica do Sul, suas terras ancestrais que v\u00e3o do Brasil para o Peru.\n\nDesde os tempos coloniais, a sua exist\u00eancia tem sido dif\u00edcil \u2013 eles foram escravizados, tiveram suas terras tirada ou destru\u00eddas, e foram apanhados no conflito interno sangrento no Peru durante o final do s\u00e9culo 20.\n\nHoje, uma grande reserva comum reservados para os Ashaninka est\u00e1 amea\u00e7ada pela barragem Pakitzapango proposta, que deslocaria cerca de 10.000 Ashaninka.\n\nA barragem \u00e9 parte de um grande conjunto de projetos hidrel\u00e9tricos planejados entre os governos brasileiro e peruano \u2013 sem qualquer consulta original com os Ashaninka.\n<p class=\"imagem\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Tribos Ind\u00edgenas Brasileiras\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/aashani22.jpg\" alt=\"Tribos Ind\u00edgenas Brasileiras\" width=\"409\" height=\"382\" \/><strong>\nProv\u00edncia Acre, na Floresta Amaz\u00f4nica, Brasil. \u00cdndios Ashaninka aplicam pintura na face a cada dia, em um projeto que reflete seu estado de esp\u00edrito. Feita a partir das sementes da planta Urucum, a pintura tem uma cor rica, vermelho.\nOs homens tomam tanto cuidado de sua apar\u00eancia quanto as mulheres.<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Os\u00a0<strong>Ashaninka<\/strong>\u00a0s\u00e3o uma das maiores tribos da Am\u00e9rica do Sul. Sua p\u00e1tria abrange uma vasta regi\u00e3o, desde o rio Alto Juru\u00e1 no Brasil para as bacias hidrogr\u00e1ficas dos Andes peruanos. Por mais de um s\u00e9culo, no entanto, os colonos, seringueiros, madeireiros, empresas de petr\u00f3leo, e os guerrilheiros mao\u00edstas invadiram suas terras.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">\u201cSua hist\u00f3ria de roubo de opress\u00e3o e terra ecoa na vida dos povos ind\u00edgenas em todo o mundo\u201d, diz Stephen Corry, diretor da Survival International.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Pensa-se que os Ashaninka tradicionalmente \u00e9 um povo semi-n\u00f4made vivendo h\u00e1 milhares de anos no Peru Selva Central, onde os contrafortes andinos achatam dentro da floresta amaz\u00f4nica.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Durante o final do s\u00e9culo XIX, alguns fugiram pela fronteira para o estado do Acre no Brasil quando o Peru concedeu vastas extens\u00f5es de floresta tropical para as empresas estrangeiras para extra\u00e7\u00e3o da borracha e planta\u00e7\u00f5es de caf\u00e9.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Isto resultou no deslocamento de milhares de Ashaninka de suas casas. \u201cA vulcaniza\u00e7\u00e3o do l\u00e1tex e do\u201d ciclo da borracha \u201cque varreu esta parte da Amaz\u00f4nia eliminou 90 por cento da popula\u00e7\u00e3o ind\u00edgena em uma onda terr\u00edvel de escravid\u00e3o, doen\u00e7as e brutalidade chocante\u201d, diz Stephen Corry, diretor da Survival International.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Hoje, o n\u00famero Ashaninka do Brasil por volta de 1000, vivendo principalmente ao longo do rio Am\u00f4nia, Breu, Envira e Rivers. A maioria ainda vive no Peru. A popula\u00e7\u00e3o total Ashaninka \u00e9 estimado em cerca de 70.000.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">As comunidades Ashaninka geograficamente distintos est\u00e3o unidos por formas comuns de vida, linguagem e cren\u00e7as. Como muitas tribos amaz\u00f4nicas, suas vidas est\u00e3o profundamente ligadas \u00e0s suas p\u00e1trias da floresta.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Homens Ashaninka gastam muito do seu tempo \u00e0 ca\u00e7a na floresta de anta, porco e macaco. As culturas de suplementos de jogos como inhame, batata doce, pimentas, ab\u00f3boras, bananas, abacaxis e que s\u00e3o cultivadas por mulheres nos ro\u00e7ados.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Os Ashaninka migrar periodicamente para diferentes \u00e1reas, permitindo assim que a floresta se regenere. \u201cEsta forma de agricultura \u00e9 bom para a floresta, porque essa \u00e9 a maneira como a floresta \u00e9\u201d, diz um homem Ashaninka. \u201cN\u00f3s vivemos na floresta e n\u00f3s respeitamos isso.\u201d<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Crian\u00e7as Ashaninka aprender habilidades para a auto-sufici\u00eancia \u2013 tais como a ca\u00e7a ea pesca \u2013 em uma idade precoce. No estado do Acre, no entanto, a extra\u00e7\u00e3o ilegal de madeira de mogno e cedro em 1980 dizimou casa florestal do Ashaninka brasileira. Lembram-se este per\u00edodo como o \u201ctempo de registo,\u201d quando eles experimentaram dificuldades e pobreza n\u00e3o \u00e9 conhecido antes do contato com os madeireiros (brancos).<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Muitos Ashaninka morreu de exposi\u00e7\u00e3o a doen\u00e7as para as quais n\u00e3o tinham imunidade \u2013 uma experi\u00eancia compartilhada por outras tribos isoladas. Ap\u00f3s o primeiro contato, \u00e9 comum que mais de 50 por cento de uma tribo para morrer.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Quanto mais terras Ashaninka s\u00e3o invadidas por madeireiros, mais cresce o perigo de que seus filhos n\u00e3o vai mais aprender habilidades que foram passadas de gera\u00e7\u00e3o em gera\u00e7\u00e3o, e seu conhecimento ancestral acabar\u00e1 por desaparecer.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Os \u00edndios<strong>\u00a0Ashaninka<\/strong>, tamb\u00e9m conhecidos como kampa, constituem um povo ind\u00edgena com popula\u00e7\u00e3o bastante numerosa, habitando o Brasil e o Peru na regi\u00e3o da floresta amaz\u00f4nica. \u00a0Procuram preservar \u00a0sua rica cultura ancestral e o meio ambiente, ensinando suas crian\u00e7as a import\u00e2ncia da preserva\u00e7\u00e3o da floresta para sua sobreviv\u00eancia e conex\u00e3o com o sagrado.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Os\u00a0<strong>Ashaninka<\/strong>\u00a0contam que sempre tiveram canoas (pitotsi), casas (p\u00e3kotsi) e ro\u00e7ados (kaniri). Antigamente, as casas eram diferentes, tinham paredes e ficavam diretamente assentadas no ch\u00e3o. Hoje, s\u00e3o constru\u00eddas sobre pilotis. Diferentemente da maioria dos outros grupos ind\u00edgenas das terras baixas sul-americanas, os Ashaninka sempre usaram roupas.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Veste tradicional ashaninka, a kushma constitui um elemento importante na diferencia\u00e7\u00e3o \u00e9tnica. Cabe notar que a palavra &#8220;kushma&#8221; \u00e9 de origem qu\u00e9chua e, embora ela seja tamb\u00e9m usada pelos \u00edndios, os Ashaninka t\u00eam o termo &#8220;kitharentsi&#8221;, que \u00e9 utilizado para se referir tanto \u00e0 vestimenta como ao tear e ao tecido.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">A \u00e1rea de ocupa\u00e7\u00e3o dos Ashaninka estende-se por um vasto territ\u00f3rio, desde a regi\u00e3o do Alto Juru\u00e1 e da margem direita do rio Envira, em terras brasileiras, at\u00e9 as vertentes da cordilheira andina no Peru.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Pertencem \u00e0 fam\u00edlia ling\u00fc\u00edstica Aruak, sendo o principal componente do conjunto dos Aruak sub-andinos.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Ashenika \u00e9 a autodenomina\u00e7\u00e3o do povo e pode ser traduzida como &#8220;meus parentes&#8221;, &#8220;minha gente&#8221;, &#8220;meu povo&#8221;. O termo tamb\u00e9m designa a categoria de esp\u00edritos bons que habitam &#8220;no alto&#8221; (henoki).<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Contrariamente a outras sociedades ind\u00edgenas da Amaz\u00f4nia, o povo ashaninka tem uma longa hist\u00f3ria de contato com o mundo dos brancos, iniciada desde o final do s\u00e9culo XVI.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Depois da ocupa\u00e7\u00e3o da costa e da serra peruana, os espanh\u00f3is conquistam o Imp\u00e9rio Inca e iniciam sua penetra\u00e7\u00e3o em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 Amaz\u00f4nia.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Os jesu\u00edtas foram os primeiros a estabelecer um contato com os Ashaninka, em 1595. Explorando a selva central a partir da cidade serrana de Andamarca, as cartas enviadas por jesu\u00edtas a seus superiores constituem a primeira fonte documentada sobre um grupo de \u00edndios Pilcozone, hoje identificado como Ashaninka.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Depois da demarca\u00e7\u00e3o de seu territ\u00f3rio ind\u00edgena, em 1992, os Ashaninka do rio Am\u00f4nia, no Acre, passaram tamb\u00e9m a executar uma s\u00e9rie de projetos de desenvolvimento sustent\u00e1vel com diferentes parceiros do indigenismo, em busca de alternativas para a explora\u00e7\u00e3o madeireira.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Iniciaram uma pol\u00edtica ambiciosa de prote\u00e7\u00e3o e recupera\u00e7\u00e3o ambiental de seu territ\u00f3rio e procuraram comercializar alguns de seus recursos naturais, produzidos de maneira sustent\u00e1vel.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">No novo contexto do indigenismo, marcado pelo crescimento das preocupa\u00e7\u00f5es ambientais, os Ashaninka do rio Am\u00f4nia encontraram novos caminhos para proteger seu meio ambiente e, ao mesmo tempo, tirar benef\u00edcios de seus recursos naturais.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Para oferecer um dispositivo legal capaz de negociar e executar projetos, bem como defender os interesses dos Ashaninka do rio Am\u00f4nia, em 1991 foi criada a associa\u00e7\u00e3o Apiwtxa, oficialmente registrada em 1993.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Assim, ao longo dos \u00faltimos quinze anos, a Apiwtxa obteve financiamentos de diversas fontes e iniciou parcerias que possibilitaram a implementa\u00e7\u00e3o de alternativas econ\u00f4micas respeitosas ao meio ambiente.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Os Ashaninka do rio Am\u00f4nia n\u00e3o s\u00f3 adotaram o &#8220;rumo da sustentabilidade&#8221;, como s\u00e3o considerados hoje um exemplo muito bem sucedido da nova orienta\u00e7\u00e3o pol\u00edtica do desenvolvimento amaz\u00f4nico, buscando conciliar a preserva\u00e7\u00e3o da natureza com alternativas econ\u00f4micas vi\u00e1veis para a comunidade.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Os Ashaninka possuem uma tradi\u00e7\u00e3o de trabalhos espirituais com a Ayahuasca bem antiga. Nos rituais entre os Ashaninka, tanto o ch\u00e1 quanto o ritual \u00e9 chamado kamar\u00e3pi.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">A cerim\u00f4nia \u00e9 sempre realizada \u00e0 noite e pode se prolongar at\u00e9 de madrugada. Geralmente, as reuni\u00f5es s\u00e3o constitu\u00eddas de grupos pequenos (cinco ou seis pessoas).<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">O kamar\u00e3pi se caracteriza pelo respeito e apenas os cantos, inspirados pelo ch\u00e1, v\u00eam romper o sil\u00eancio da noite. Esses cantos sagrados do kamar\u00e3pi n\u00e3o s\u00e3o acompanhados por nenhum instrumento musical.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Eles permitem aos Ashaninka comunicar-se com os esp\u00edritos.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">O kamar\u00e3pi existe para que os Ashaninka adquiram conhecimento e aprendam como se deve viver na Terra. Segundo este povo ind\u00edgena, as respostas a todas as perguntas dos homens est\u00e3o acess\u00edveis com o aprendizado xam\u00e2nico.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><strong>Asurin\u00ed<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">O termo<strong>\u00a0Asurin\u00ed<\/strong>\u00a0tem sua origem na l\u00edngua Juruna e, desde o s\u00e9culo passado, vem sendo utilizado para designar diferentes grupos Tupi da regi\u00e3o entre os rios Xingu e Tocantins.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Este termo come\u00e7ou a ser empregado para denominar este povo em particular na d\u00e9cada de 50, pelos funcion\u00e1rios do SPI durante os trabalhos de pacifica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Os Asurin\u00ed do Tocantins s\u00e3o conhecidos tamb\u00e9m por Asurin\u00ed do Trocar\u00e1 (nome da \u00e1rea ind\u00edgena), e por Aku\u00e1wa-Asurin\u00ed. Esta \u00faltima denomina\u00e7\u00e3o foi empregada pelo etn\u00f3logo Roque Laraia na d\u00e9cada de 60 em raz\u00e3o deste pesquisador considerar o termo Aku\u00e1wa como a autodenomina\u00e7\u00e3o do grupo. J\u00e1 h\u00e1 v\u00e1rios anos, por\u00e9m, este povo assumiu o termo Asurin\u00ed como sua autodenomina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Por outro lado, como verificou a antrop\u00f3loga L\u00facia Andrade, na d\u00e9cada de 80, Aku\u00e1wa passou a ter uma conota\u00e7\u00e3o pejorativa, sendo utilizado para designar \u201c\u00edndios do mato\u201d, \u201c\u00edndios bravos\u201d, isto \u00e9, sem muito tempo de contato.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><strong>Os Asurin\u00ed do Xingu<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Os\u00a0<strong>Asurini\u00a0<\/strong>do Xingu s\u00e3o falantes de uma l\u00edngua pertencente \u00e0 fam\u00edlia ling\u00fc\u00edstica Tupi-Guarani do tronco ling\u00fc\u00edstico Tupi. Atualmente, eles ocupam uma aldeia localizada na margem direita do Rio Xingu, junto da qual est\u00e1 o P.I. Kuatinemu, administrado pela Funda\u00e7\u00e3o Nacional do \u00cdndio &#8211; Funai (Funai) por meio de sua unidade administrativa localizada no Munic\u00edpio de Altamira, no Estado do Par\u00e1.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">As primeiras informa\u00e7\u00f5es sobre essa popula\u00e7\u00e3o remontam ao s\u00e9culo passado; no entanto, ela s\u00f3 veio a ser contatada oficialmente em 1971, primeiramente pelos padres Anton e Karl Lukesch e, posteriormente, pela Funai, a partir da frente de atra\u00e7\u00e3o liderada por Ant\u00f4nio Cotrim Soares.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Conforme a bibliografia, ela teria ocupado historicamente um territ\u00f3rio que ficava entre a margem esquerda do Rio Bacaj\u00e1, a margem direita do Rio Xingu, a conflu\u00eancia destes dois rios e as margens do Igarap\u00e9 Bom Jardim. Na \u00e9poca do contato, a popula\u00e7\u00e3o Asurini estava distribu\u00edda em duas aldeias localizadas \u00e0s margens do Igarap\u00e9 Ipia\u00e7ava.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">A partir de 1972, no entanto, ela passou a ocupar uma \u00fanica aldeia que foi instalada ao sul da localiza\u00e7\u00e3o anterior, na margem direita do mesmo igarap\u00e9, onde permaneceu at\u00e9 1985, quando se transferiu para o local em que se encontra hoje (Coudreau, [1897]1977:33-34; M\u00fcller, 1984\/85:91-92, 1987:37-42, 1990:35-40; Nimuendaj\u00fa, 1948:225).<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Seu local de ocupa\u00e7\u00e3o mais antigo teria sido a regi\u00e3o \u00e0s margens do Bacaj\u00e1, de onde se deslocou devido \u00e0s press\u00f5es dos extrativistas regionais e aos ataques das popula\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas Kayap\u00f3. Teria, ent\u00e3o, ocupado a regi\u00e3o dos Igarap\u00e9s Piranhaquara e Ipia\u00e7ava onde estabeleceu, desde a d\u00e9cada de quarenta, v\u00e1rias aldeias. Sendo novamente alvo de persegui\u00e7\u00e3o, deslocou-se, desta vez, para a regi\u00e3o do Igarap\u00e9 Ipixuna.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">L\u00e1 permaneceu at\u00e9 ser expulsa pelos Arawet\u00e9 que se estabeleceram naquela regi\u00e3o, por volta da d\u00e9cada de sessenta, empurrados pelos grupos ind\u00edgenas Kayap\u00f3 e Parakan\u00e3.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Deslocando-se novamente em dire\u00e7\u00e3o ao Igarap\u00e9 Ipia\u00e7ava, a popula\u00e7\u00e3o Asurini procurou, finalmente, estabelecer o contato com os brancos a fim de escapar \u00e0s investidas dos grupos inimigos (M\u00fcller, 1984\/85:92, 95; 1990:36-40; Ribeiro, 1982:27; Viveiros de Castro, 1986:166-167).<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><strong>Nos primeiros anos do contato, no entanto, ela, que j\u00e1 vinha sofrendo perdas no seu contingente populacional devido aos confrontos com as popula\u00e7\u00f5es inimigas, v\u00ea-se diante de um inimigo ainda mais devastador:<\/strong>\u00a0as doen\u00e7as transmitidas pelos brancos. Estima-se que, nos anos 1930,\u00a0 a popula\u00e7\u00e3o Asurini totalizava aproximadamente 150 indiv\u00edduos, por\u00e9m, na d\u00e9cada de setenta, quando ela foi oficialmente contatada, esse n\u00famero estava reduzido em aproximadamente 40%; devido \u00e0s epidemias de gripe e mal\u00e1ria, \u00e0 tuberculose e \u00e0s prec\u00e1rias condi\u00e7\u00f5es de assist\u00eancia m\u00e9dica (Arnaud, 1989:353-354; M\u00fcller, 1990:45-48; Ribeiro, 1982:23-30). No in\u00edcio da d\u00e9cada de 1980, a situa\u00e7\u00e3o era ainda mais alarmante, pois foi constatada a exist\u00eancia de apenas 52 indiv\u00edduos em 1982 (M\u00fcller, 1987).<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Al\u00e9m da incid\u00eancia das doen\u00e7as infecto-contagiosas transmitidas pelos brancos, a baixa taxa de natalidade entre a popula\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m contribuiu para aquela situa\u00e7\u00e3o demogr\u00e1fica.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Esta pode ser explicada em fun\u00e7\u00e3o dos mecanismos de controle de natalidade exercidos pelos Asurini desde antes do contato. Tais mecanismos est\u00e3o relacionados a fatores hist\u00f3ricos (ataques de grupos inimigos) e culturais (regras de casamento, filia\u00e7\u00e3o e xamanismo) (M\u00fcller, 1984\/85:97-100).<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">A partir do final dos anos 1980, com o crescente n\u00famero de nascimentos na aldeia e uma melhor expectativa de vida por parte dessa popula\u00e7\u00e3o, a sua situa\u00e7\u00e3o demogr\u00e1fica come\u00e7ou a se reverter. Em mar\u00e7o de 2005, quando estive pela \u00faltima vez na aldeia, ela apresentava um n\u00famero de 115 indiv\u00edduos, incluindo crian\u00e7as e adultos.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Assim, apesar das dificuldades enfrentadas com rela\u00e7\u00e3o \u00e0s popula\u00e7\u00f5es inimigas e uma crescente depopula\u00e7\u00e3o provocada pelas doen\u00e7as do mundo civilizado, os Asurini conseguiram sobreviver e v\u00eam afirmando o seu modo de vida e vis\u00e3o de mundo.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><strong>As atividades econ\u00f4micas dos Asurini do Xingu<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Os Asurini do Xingu s\u00e3o agricultores que se caracterizam pela produ\u00e7\u00e3o de uma variedade de cultivos dentre os quais se destacam diferentes esp\u00e9cies de milho e mandioca.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">O primeiro \u00e9 consumido mais abundantemente entre os meses da colheita (fevereiro-abril), na forma de mingau ou assado e, quando\u00a0 seca, \u00e9 armazenado para ser transformado na farinha\u00a0 que ser\u00e1 consumida nos demais meses do ano exclusivamente na forma de mingau.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">A mandioca, por sua vez, \u00e9 consumida, regularmente, durante todo o ano na forma de diferentes mingaus e farinhas, conforme a variedade. Eles tamb\u00e9m plantam variegadas esp\u00e9cies de algod\u00e3o, urucum, batata, car\u00e1, feij\u00e3o e banana. Cabe ressaltar que os dados sobre a subsist\u00eancia Asurini est\u00e3o bastante esparsos, encontrando-se as principais refer\u00eancias sobre o assunto nos trabalhos de Bal\u00e9e (1988; 1989 a,b; 1994 a,b).<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Conforme M\u00fcller (1990:83-85) salientou, do plantio \u00e0 colheita, a agricultura \u00e9, basicamente, uma tarefa feminina; etapas em que as mulheres s\u00f3 eventualmente recebem o aux\u00edlio dos homens. Cabendo a estes, como atividade prec\u00edpua, a implanta\u00e7\u00e3o e prepara\u00e7\u00e3o da ro\u00e7a, por meio da derrubada e queima da vegeta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">A escolha, implanta\u00e7\u00e3o e o preparo dos locais de ro\u00e7a ocorrem nos primeiros meses da esta\u00e7\u00e3o seca (maio a julho) e da esta\u00e7\u00e3o chuvosa (outubro a novembro); ocasi\u00f5es em que ser\u00e3o plantadas diferentes cultivares.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Durante esses per\u00edodos, os Asurini, normalmente, passam a residir temporariamente nas \u00e1reas de implanta\u00e7\u00e3o das ro\u00e7as, construindo pequenos acampamentos que possam abrigar o grupo dom\u00e9stico.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Em julho de 2002, visitando alguns desses acampamentos, pude constatar que apresentavam v\u00e1rias estruturas (descanso, cozinha e pequenos viveiros de animais), ou seja, eles reproduziam em menor escala o espa\u00e7o dom\u00e9stico da aldeia. Na maioria das vezes, os grupos dom\u00e9sticos aparentados mant\u00eam acampamentos pr\u00f3ximos uns dos outros, assim como as pr\u00f3prias ro\u00e7as que podem ser cultivadas e exploradas conjuntamente.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Esses acampamentos s\u00e3o mantidos durante todo o per\u00edodo de implanta\u00e7\u00e3o, preparo e plantio das ro\u00e7as, bem como na \u00e9poca da colheita quando alguns produtos como o milho podem ser assados e consumidos neles.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Segundo os informantes, o crit\u00e9rio de escolha do local de implanta\u00e7\u00e3o da ro\u00e7a leva em considera\u00e7\u00e3o, em primeiro lugar, a configura\u00e7\u00e3o do solo.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Os Asurini preferem os locais que eles definem como sendo de terra fofa e escura.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Em julho de 2002, acompanhei algumas incurs\u00f5es aos locais que estavam sendo preparados para o plantio, ocasi\u00e3o em que pude observar a colora\u00e7\u00e3o escura do solo, inclusive, a presen\u00e7a de pequenas quantidades de material cer\u00e2mico arqueol\u00f3gico.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Al\u00e9m da configura\u00e7\u00e3o do solo, os Asurini consideram fundamental que o local de implanta\u00e7\u00e3o da ro\u00e7a esteja localizado longe da margem de alaga\u00e7\u00e3o do rio, que ocorre na esta\u00e7\u00e3o chuvosa, \u00e9poca em que se d\u00e1 a colheita do milho. Algumas vezes, as ro\u00e7as acabam sendo implantadas em locais de antigas ro\u00e7as abandonadas.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Segundo os Asurini, estas s\u00e3o abandonadas quando se tornam improdutivas em torno de tr\u00eas anos e somente ser\u00e3o reutilizadas para o plantio depois que a vegeta\u00e7\u00e3o de pequeno e m\u00e9dio porte estiver\u00a0 recomposta.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Depois de escolhido o local, eles iniciam a derrubada da vegeta\u00e7\u00e3o de grande e m\u00e9dio porte e come\u00e7am a capina da vegeta\u00e7\u00e3o de pequeno porte; tarefas que demandam um tempo aproximado de trinta dias, e\u00a0 s\u00e3o executadas, coletivamente, mediante a coopera\u00e7\u00e3o m\u00fatua entre os diferentes grupos dom\u00e9sticos. Al\u00e9m disso, a aquisi\u00e7\u00e3o de equipamentos industrializados, como a serra el\u00e9trica, tem facilitado o trabalho de derrubada da vegeta\u00e7\u00e3o de grande e m\u00e9dio porte.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Cabe ressaltar que a prepara\u00e7\u00e3o dos locais de ro\u00e7a tem uma conota\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica para os Asurini. Segundo M\u00fcller (1990:73), durante a derrubada da vegeta\u00e7\u00e3o de grande porte \u00e9 realizado o ritual K\u00e1\u00b4i e oferecido mingau aos convidados que ajudaram na realiza\u00e7\u00e3o da tarefa.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Depois de derrubada a vegeta\u00e7\u00e3o, eles esperam at\u00e9 tr\u00eas semanas, antes de efetuar a sua queima, pois \u00e9 necess\u00e1rio que ela esteja bem seca.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Esta \u00e9 feita de fora para dentro e a favor do vento para evitar que a mata em volta seja atingida pelo fogo.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Essa atividade tamb\u00e9m possui uma conota\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica, pois, segundo os informantes, durante esse processo eles devem gritar o nome do sobrenatural<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Ai que \u00e9 o esp\u00edrito respons\u00e1vel pelo bom desempenho no manejo do fogo. Al\u00e9m dessa entidade, os Asurini tamb\u00e9m fazem refer\u00eancia ao sobrenatural Auar\u00e1 que \u00e9 o esp\u00edrito que cuida da ro\u00e7a e que vem \u00e0 noite para conferir se a queima realizada durante o dia foi bem sucedida.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Ap\u00f3s o uso do fogo e com o solo ainda coberto de cinzas \u00e9 iniciado o plantio. Entretanto, em certas ocasi\u00f5es, a queima pode n\u00e3o ser satisfat\u00f3ria, o que os leva a colocar\u00a0 amontoados de palha de baba\u00e7u no per\u00edmetro e no interior da ro\u00e7a, e o trabalho \u00e9 refeito.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Contudo, mesmo com uma queima bem sucedida \u00e9 poss\u00edvel verificar a presen\u00e7a de troncos de \u00e1rvores parcialmente queimados em meio aos quais ser\u00e3o plantadas as diferentes cultivares.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Essa madeira remanescente ser\u00e1 empregada como lenha no processamento dos alimentos na aldeia e acampamentos de ro\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">O processamento dos recursos e preparo dos alimentos s\u00e3o de responsabilidade das mulheres. Os homens, eventualmente, podem auxiliar em tarefas como a fabrica\u00e7\u00e3o de farinha, o descarne de um grande animal ca\u00e7ado (veado, anta) ou a obten\u00e7\u00e3o de lenha para cozinhar.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Os Asurini apreciam os alimentos cozidos seja sob a forma de mingaus como j\u00e1 foi salientado acima com rela\u00e7\u00e3o ao milho e \u00e0 mandioca ou de caldos feitos com diferentes carnes de animais ca\u00e7ados (p.ex. anta, veado, porco do mato, paca e mutum) e peixes, que s\u00e3o sempre comidos com farinha. Eles tamb\u00e9m gostam das carnes assadas diretamente sobre um moqu\u00e9m ou enroladas &#8211; no caso dos peixes &#8211; em folhas de bananeira.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">As frutas s\u00e3o comidas em sua forma natural, \u00e0s vezes com farinha (p.ex. banana) e, no caso da castanha e do coco, tamb\u00e9m podem ser misturadas a mingaus e cozidos.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Eles tamb\u00e9m consomem alguns produtos industrializados, tais\u00a0 como a\u00e7\u00facar,\u00a0 farinha de trigo, macarr\u00e3o, arroz, caf\u00e9, azeite de soja, sal e leite em p\u00f3.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Todos os produtos obtidos nas atividades de subsist\u00eancia, bem como os industrializados, s\u00e3o compartilhados, regularmente, entre os membros de um mesmo grupo dom\u00e9stico nas refei\u00e7\u00f5es coletivas, que ocorrem diariamente. Integrantes de outros grupos tamb\u00e9m podem ser convidados a usufruir dessas refei\u00e7\u00f5es quando h\u00e1 o interesse em manter algum tipo de reciprocidade devido a um objetivo comum.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Conforme M\u00fcller (1990:64) salientou, entre os Asurini, o grupo dom\u00e9stico \u00e9 a unidade b\u00e1sica da estrutura social, tanto por ser uma unidade social e pol\u00edtica (tradicionalmente identificada com o grupo local), quanto por suas atividades de subsist\u00eancia. E, neste sentido, constitui-se, tamb\u00e9m, numa unidade econ\u00f4mica de produ\u00e7\u00e3o e consumo, cujos membros mant\u00eam rela\u00e7\u00f5es de coopera\u00e7\u00e3o di\u00e1ria para a execu\u00e7\u00e3o das diferentes tarefas de obten\u00e7\u00e3o e processamento dos recursos.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">As mulheres seriam as organizadoras dessa unidade econ\u00f4mica e social, sendo elas a unidade b\u00e1sica de produ\u00e7\u00e3o na sociedade Asurini M\u00fcller, 1990:84), cabendo aos homens a circula\u00e7\u00e3o dos bens produzidos (M\u00fcller, 1990:84). Em outras palavras, cabe aos homens a obten\u00e7\u00e3o e distribui\u00e7\u00e3o dos alimentos e \u00e0s mulheres o processamento destes.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Na aldeia, o espa\u00e7o para o processamento dos alimentos \u00e9 o dom\u00e9stico, mais precisamente as \u00e1reas de cozinha. Nelas s\u00e3o mantidas pequenas fogueiras permanentemente em brasa, e as refei\u00e7\u00f5es podem ocorrer em qualquer hora do dia.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Ac\u00famulos de cinza s\u00e3o freq\u00fcentes nessas estruturas de cozimento que, muitas vezes, podem ser deslocadas de um lugar para outro espalhando os seus vest\u00edgios por todo o espa\u00e7o da cozinha.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">As refei\u00e7\u00f5es normalmente s\u00e3o coletivas e ocorrem em volta das fogueiras de cozimento e no espa\u00e7o da cozinha. Ao t\u00e9rmino do repasto, \u00e9 muito comum observarmos restos de alimento (p.ex. ossos de animais ca\u00e7ados e peixes) espalhados por toda a superf\u00edcie do solo. Os animais dom\u00e9sticos aproveitam essas ocasi\u00f5es para se alimentar, espalhando ainda mais esses vest\u00edgios pelo espa\u00e7o dom\u00e9stico.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><strong>Carij\u00f3<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Seu territ\u00f3rio estendia-se de Canan\u00e9ia (SP) at\u00e9 a Lagoa dos Patos (RS). Vistos como \u201co melhor gentio da costa\u201d, foram receptivos \u00e0 catequese.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Isso n\u00e3o impediu sua escraviza\u00e7\u00e3o em massa por parte dos colonos de S\u00e3o Vicente.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><strong>Gavi\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Esse nome foi atribu\u00eddo a diferentes grupos Timbira da regi\u00e3o do m\u00e9dio Tocantins por viajantes do s\u00e9culo XIX, que sempre falavam do car\u00e1ter guerreiro desses \u00edndios.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">A denomina\u00e7\u00e3o vem das penas de gavi\u00e3o usadas em suas flechas. Esses \u00edndios foram muito reduzidos pelo cont\u00e1gio de doen\u00e7as em seus primeiros contatos com os brancos.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><strong>Uma das maiores tradi\u00e7\u00f5es \u00e9 a corrida de toras:<\/strong>\u00a0as equipes de revezamento (formada somente por homens), carregam troncos de buriti nos ombros. O mais importante n\u00e3o \u00e9 quem chega primeiro, o que vale mais \u00e9 o divertimento. A comemora\u00e7\u00e3o \u00e9 maior quando as equipes chegam juntas ou quase juntas. Cada indiv\u00edduo recebe dois nomes e um deles n\u00e3o pode ser divulgado.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Mostrar ao outro este segredo, significa transferir poder.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Quando algu\u00e9m recebe o nome de um parente que j\u00e1 morreu carrega a responsabilidade de manter as caracter\u00edsticas do antepassado e quem o escolhe assume o papel de padrinho com a fun\u00e7\u00e3o de transmitir a cultura.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Depois do casamento, por um per\u00edodo determinado, entre genro e sogra, nora e sogro, ficam proibidos de chamar o outro pelo nome.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><strong>Goitac\u00e1<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Ocupavam a foz do Rio Para\u00edba. Tidos como os \u00edndios mais selvagens e cru\u00e9is do Brasil, encheram os portugueses de terror. Grandes canibais e intr\u00e9pidos pescadores de tubar\u00e3o. Eram cerca de 12 mil.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><strong>Guaj\u00e1<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><strong>Nome e l\u00edngua<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Os<strong>\u00a0Guaj\u00e1\u00a0<\/strong>se autodenominam Aw\u00e1, termo que significa \u201chomem\u201d, \u201cpessoa\u201d, ou \u201cgente\u201d. As origens deste povo s\u00e3o obscuras, por\u00e9m acredita-se que seja origin\u00e1rio do baixo rio Tocantins no estado do Par\u00e1. Formava, provavelmente junto aos Ka\u2019apor, Temb\u00e9 e Guajajara (Tenetehara), um conjunto maior, da fam\u00edlia ling\u00fc\u00edstica Tupi-Guarani naquela regi\u00e3o (Gomes 1988, 1989 &amp; 1991; Bal\u00e9e 1994).<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Na medida que a expans\u00e3o colonial foi exercendo uma press\u00e3o sobre estes grupos ind\u00edgenas, houve uma dispers\u00e3o dos mesmos. Acredita-se que a partir do conflito da Cabanagem, em torno de 1835-1840, este conjunto iniciou uma migra\u00e7\u00e3o no sentido leste, rumo ao Maranh\u00e3o. \u00c9 prov\u00e1vel que por volta de 1950 todos os Guaj\u00e1 j\u00e1 estivessem vivendo neste estado, no lado leste do rio Gurupi (Gomes 1989 &amp; 1991).<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><strong>Guarani<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><strong>Onde habitam:<\/strong>\u00a0Reserva Ind\u00edgena do Rio Silveira, localizada em Borac\u00e9ia, divisa entre Bertioga e S\u00e3o Sebasti\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><strong>Mas, existem aldeias Guarani em diversos estados como:\u00a0<\/strong>Mato Grosso, S\u00e3o Paulo, Esp\u00edrito Santos, Paran\u00e1, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro e Par\u00e1.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><strong>Popula\u00e7\u00e3o:<\/strong>\u00a0\u00c9 considerado um dos povos mais populosos no Brasil, com cerca de 27 mil \u00edndios<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><strong>L\u00edngua:\u00a0<\/strong>da fam\u00edlia Tupi-Guarani<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><strong>Atividade predominante:<\/strong>\u00a0praticam a agricultura de subsist\u00eancia plantando arroz, mandioca entre outros itens.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><strong>Curiosidade<\/strong>: as dan\u00e7as, cantos e rituais s\u00e3o direcionados ao Deus Tup\u00e3, pedindo prote\u00e7\u00e3o \u00e0s pessoas e \u00e0 natureza. Valorizam a preserva\u00e7\u00e3o do meio ambiente.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Considerado um dos mais populosos povos ind\u00edgenas no Brasil, foi um dos primeiros a manterem contato com os portugueses resistindo a qualquer imposi\u00e7\u00e3o em sua cultura.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Os Guarani foram os que mais resistiram e ainda resistem muito para manter seus costumes tradicionais como a l\u00edngua, as dan\u00e7as e, principalmente as manifesta\u00e7\u00f5es religiosas.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Apesar do constante contato com os n\u00e3o-\u00edndios, eles mant\u00eam suas caracter\u00edsticas f\u00edsicas pois muitas aldeias n\u00e3o admitem a miscigena\u00e7\u00e3o. S\u00e3o agricultores de subsist\u00eancia plantando arroz, mandioca outros.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Em muitas aldeias existem escolas onde o ensino \u00e9 bil\u00edng\u00fce.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><strong>Juruna<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Povo ind\u00edgena cuja l\u00edngua \u00e9 a \u00fanica representante viva da fam\u00edlia Juruna, do tronco Tupi. Autodenominam-se Yudj\u00e1; o nome Juruna significa, em Tupi-Guarani, \u201cbocas pretas\u201d, porque a tatuagem caracter\u00edsticas desses \u00edndios era uma linha que descia da raiz dos cabelos e circundava a boca. Na metade do s\u00e9culo XIX tinham uma popula\u00e7\u00e3o estimada em 2.000 \u00edndios, que viviam no baixo rio Xingu. Um grupo migrou mais para o alto do rio, hoje em territ\u00f3rio compreendido pelo Parque do Xingu (MT).<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Segundo levantamento de m\u00e9dicos da Escola Paulista de Medicina, que prestam servi\u00e7os de sa\u00fade aos \u00edndios do parque, em 1990 eram 132 pessoas.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Alguns Juruna vivem dispersos na margem direita do m\u00e9dio e baixo rio Xingu, e h\u00e1 um grupo de 22 \u00edndios, segundo dados da Funai de 1990, que vive na Volta Grande do rio Xingu, numa pequena \u00e1rea ind\u00edgena chamada Paqui\u00e7aba, no munic\u00edpio de Senador Jos\u00e9 Porf\u00edrio, no sudeste do Par\u00e1.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Suas terras ser\u00e3o atingidas pela constru\u00e7\u00e3o da Usina Hidrel\u00e9trica de Belo Monte.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><strong>Kayap\u00f3<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Explorando a riqueza existente nos 3,3 milh\u00f5es de hectares de sua reserva no sul do Par\u00e1 (especialmente o mogno e o ouro), os Kayap\u00f3s viraram os \u00edndios mais ricos do Brasil. Movimentaram cerca de US$15 milh\u00f5es por ano, derrubando, em m\u00e9dia, 20 \u00e1rvores de mogno por dia e extraindo 6 mil litros anuais de \u00f3leo de castanha. Quem iniciou a expans\u00e3o capitalista dos Kayap\u00f3s foi o controvertido cacique Tutu Pompo (morto em 1994). Para isso destituiu o lend\u00e1rio Raoni e enfrentou a oposi\u00e7\u00e3o de outro Kayap\u00f3, Paulinho Paiakan.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><strong>Karaj\u00e1<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">O nome deste povo na pr\u00f3pria l\u00edngua \u00e9 Iny, ou seja, \u201cn\u00f3s\u201d. O nome Karaj\u00e1 n\u00e3o \u00e9 a auto-denomina\u00e7\u00e3o original. \u00c9 um nome tupi que se aproxima do significado de \u201cmacaco grande\u201d.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">As primeiras fontes do s\u00e9culo XVI e XVII, embora incertas, j\u00e1 apresentavam as grafias \u201cCaraia\u00fanas\u201d ou \u201d Caraja\u00fana\u201d. Ehrenreich, em 1888, prop\u00f4s a grafia Carajah\u00ed, mas Krause, em 1908, desfaz as confus\u00f5es de nomes e consagra a grafia Karaj\u00e1.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><strong>Katukina<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Definir quem s\u00e3o os Katukina, orientando-se exclusivamente pela denomina\u00e7\u00e3o do grupo, n\u00e3o \u00e9 uma tarefa f\u00e1cil. Desde a primeira metade do s\u00e9culo passado, os registros hist\u00f3ricos produzidos por mission\u00e1rios, viajantes e agentes governamentais sobre as popula\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas do rio Juru\u00e1 fazem refer\u00eancia a grupos ind\u00edgenas conhecidos pelo nome de Katukina.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Entretanto, \u201cKatukina\u201d (ou Catuquina, Katokina, Katukena e Katukino) \u00e9 um termo gen\u00e9rico que chegou a ser atribu\u00eddo a cinco grupos ling\u00fcisticamente distintos e geograficamente pr\u00f3ximos, conforme o antrop\u00f3logo Paul Rivet (1920).<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><strong>Atualmente esse n\u00famero se reduz a tr\u00eas:<\/strong>\u00a0um da fam\u00edlia ling\u00fc\u00edstica Katukina, na regi\u00e3o do rio Juta\u00ed, no estado do Amazonas, e dois da fam\u00edlia ling\u00fc\u00edstica Pano, no estado do Acre.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Nenhum dos dois grupos pano conhecidos pelo nome de \u201cKatukina\u201d o reconhece como auto-denomina\u00e7\u00e3o. Os membros de um deles, localizado \u00e0s margens do rio Envira, pr\u00f3ximo \u00e0 cidade de Feij\u00f3, preferem ser reconhecidos como Shanenawa, sua auto-denomina\u00e7\u00e3o. Os do outro n\u00e3o reconhecem no nome \u201cKatukina\u201d qualquer significado na sua l\u00edngua, mas o adotam, dizendo que a denomina\u00e7\u00e3o, na verdade, foi \u201cdada pelo governo\u201d.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Este verbete trata apenas do \u00faltimo dos referidos grupos. O nome \u201cKatukina\u201d tornou-se aceito pelos membros de suas duas aldeias, do rio Campinas e do rio Greg\u00f3rio, que n\u00e3o possuem uma denomina\u00e7\u00e3o \u00e9tnica comum.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><strong>As \u00fanicas auto-denomina\u00e7\u00f5es existentes e amplamente aceitas referem-se aos seis cl\u00e3s nos quais se dividem:<\/strong>\u00a0Varinawa (povo do Sol), Kamanawa (povo da On\u00e7a), Satanawa (povo da Lontra), Waninawa (povo da Pupunha), Nainawa (povo do C\u00e9u) e Numanawa (povo da Juriti). \u00c9 digno de nota que, com exce\u00e7\u00e3o de Nainawa, tais denomina\u00e7\u00f5es s\u00e3o id\u00eanticas aos nomes de algumas das se\u00e7\u00f5es do povo Mar\u00fabo.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><strong>Kulina<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">S\u00e3o tamb\u00e9m chamados de Kur\u00edna, Kol\u00edna, Curina ou Colina, e vivem em pequenos grupos. Quando se casa, o homem vive na casa da fam\u00edlia da esposa e tem que trabalhar para retribuir a mulher.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Cada casal tem a obriga\u00e7\u00e3o de gerar pelo menos tr\u00eas filhos, ganhando o direito de construir uma casa separada e continuando juntos se desejar.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Eles acreditam que a concep\u00e7\u00e3o acontece sem qualquer contribui\u00e7\u00e3o feminina, e para engravidar, a mulher tanto pode relacionar-se apenas com o marido ou ter v\u00e1rios parceiros. Em qualquer dos casos, ela \u00e9 a \u00fanica respons\u00e1vel pelos cuidados com a crian\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><strong>Kuikuro<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><strong>Onde habitam:<\/strong>\u00a0Terra Ind\u00edgena do Xingu no Mato Grosso\n<strong>Outras denomina\u00e7\u00f5es:<\/strong>\u00a0Cuicuro\n<strong>Popula\u00e7\u00e3o:<\/strong>\u00a0Cerca de 450 \u00edndios, em 2002\n<strong>L\u00edngua:<\/strong>\u00a0da Fam\u00edlia Karib (Carib)<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><strong>Atividade predominante:<\/strong>\u00a0a agricultura da mandioca e a pesca, s\u00e3o a base da alimenta\u00e7\u00e3o. Tamb\u00e9m cultivam bata doce, milho, algod\u00e3o, pimenta, tabaco, urucum e frutas como banana, melancia, mam\u00e3o e lim\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Considerado o povo com a maior popula\u00e7\u00e3o no Alto Xingu, os Kuikuro habitam o sul da Terra Ind\u00edgena do Xingu, pr\u00f3ximo ao Posto Leonardo, perto do munic\u00edpio de Quer\u00eancia, no Mato Grosso. S\u00e3o cerca de 450 \u00edndios que falam a l\u00edngua Kuikuro, pertencente ao tronco ling\u00fc\u00edstico Karib (Carib).<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Hoje, habitam tr\u00eas aldeias, sendo que a principal \u00e9 a Ipatse, onde vivem mais de 300 pessoas. Os povos do Alto Xingu n\u00e3o comem nenhum \u201cbicho de terra ou de pelo\u201d, exceto o macaco, uma esp\u00e9cie de Cebus.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">S\u00e3o excelentes nadadores e produzem artefatos como canoas, bancos, esteiras, cestos e adornos plum\u00e1rios usados no dia-a-dia e em cerimoniais para pagamento de servi\u00e7os como a pajelan\u00e7a ou para selar uma alian\u00e7a de casamento.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">A fabrica\u00e7\u00e3o de um variado e rico artesanato \u00e9 hoje fonte de recursos para compra de bens como material de pesca, muni\u00e7\u00f5es, mi\u00e7angas, combust\u00edvel e g\u00eaneros aliment\u00edcios (arroz, sal, a\u00e7\u00facar, \u00f3leo, etc\u2026)<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><strong>Rituais:<\/strong>\u00a0Como os demais povos do Alto Xingu, os Kuikuro realizam e participam do \u201cKuarup\u201d, um ritual em homenagem aos mortos. Entre os mitos, destaca-se a \u201cIamaricum\u00e3\u201d, celebrada pelas mulheres que se vestem com os adere\u00e7os dos homens.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><strong>Mar\u00fabo<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Conhecidos por este nome, os Mar\u00fabo o aceitam, embora n\u00e3o constitua uma auto-denomina\u00e7\u00e3o, a qual n\u00e3o parece existir.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Sua l\u00edngua se inclui na fam\u00edlia P\u00e2no. O etn\u00f3logo Philippe Erikson, apoiado nas semelhan\u00e7as ling\u00fc\u00edsticas e culturais dos Mar\u00fabo com os Katuk\u00edna-P\u00e2no, Nukin\u00ed (R\u00eamo) e Poyan\u00e1wa, do Brasil, e ainda com os Kapan\u00e1wa, do Peru, classifica o conjunto de suas l\u00ednguas como o ramo central da fam\u00edlia P\u00e2no.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Dizem os Mar\u00fabo que sua l\u00edngua \u00e9 a dos Chain\u00e1wavo. Essa afirma\u00e7\u00e3o coloca algumas quest\u00f5es relativas a seu passado, pois Chain\u00e1wavo \u00e9 o nome de uma das suas se\u00e7\u00f5es, hoje extinta.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><strong>Como se\u00e7\u00e3o, os Chain\u00e1wavo n\u00e3o podiam viver isolados, pois tinham de se casar com membros de outra se\u00e7\u00e3o; e ainda haveria pelo menos mais duas se\u00e7\u00f5es junto das quais deveriam estar:\u00a0<\/strong>a de seus pais e a de suas m\u00e3es.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Falaria cada uma dessas se\u00e7\u00f5es uma l\u00edngua Falariam essas quatro se\u00e7\u00f5es uma mesma l\u00edngua, diferente das de outros agregados de se\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><strong>Seriam os Mar\u00fabo atuais resultado de uma fus\u00e3o de v\u00e1rios agregados de quatro se\u00e7\u00f5es, cada qual falante de uma l\u00edngua e que acabaram por adotar uma delas? Ou ainda, haveria uma situa\u00e7\u00e3o semelhante \u00e0 do noroeste da Amaz\u00f4nia, em que cada grupo exog\u00e2mico teria uma l\u00edngua diferente?<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">A atual l\u00edngua dos Mar\u00fabo tamb\u00e9m disp\u00f5e de uma contrapartida ritual. Nos mitos e nos c\u00e2nticos de cura h\u00e1 um vocabul\u00e1rio paralelo, que substitui muitas das palavras de uso cotidiano. Nos discursos formais, trocados entre o dono da casa e o visitante em momentos especiais, as frases s\u00e3o entoadas com uma musicalidade diferente daquela das situa\u00e7\u00f5es profanas.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Atualmente os jovens do sexo masculino podem se comunicar tamb\u00e9m em portugu\u00eas. Os mais velhos, uma vez que a regi\u00e3o foi explorada no passado por caucheiros peruanos, conhecem algumas palavras de qu\u00eachua e de espanhol.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><strong>Munduruku<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><strong>Nomes alternativos:<\/strong>\u00a0Mundurucu, Weidyenye, Paiquize, Pari, Caras-Pretas\n<strong>Classifica\u00e7\u00e3o ling\u00fc\u00edstica:<\/strong>\u00a0Tupi\n<strong>Popula\u00e7\u00e3o:<\/strong>\u00a07.000 ou mais\n<strong>Local:<\/strong>\u00a0Par\u00e1, Amazonas. 22 aldeias<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Os Munduruku vivem em 32 aldeias, em tr\u00eas \u00e1reas no Par\u00e1 e Amazonas. Eles vivem da ca\u00e7a, pesca, coleta e agricultura. O grau de biling\u00fcismo dos Munduruku n\u00e3o \u00e9 muito alto, sendo o dos homens maior do que o das mulheres e crian\u00e7as.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><strong>Nambikwara<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><strong>Onde habitam:<\/strong>\u00a0vivem nas Terras Ind\u00edgenas Pirineus de Souza, Nambikwara e Vale do Guapor\u00e9, no munic\u00edpio de Comodoro, em Mato Grosso\n<strong>Outras denomina\u00e7\u00f5es:<\/strong>\u00a0Anunsu, Nhambiquara\n<strong>Popula\u00e7\u00e3o:<\/strong>\u00a01.145 (em 1999)\n<strong>L\u00edngua:<\/strong>\u00a0Nambikwara<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><strong>Curiosidade:<\/strong>\u00a0esta etnia pratica o \u201cXikunahity\u201d, conhecido como futebol com a cabe\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Os Nambikwara tamb\u00e9m j\u00e1 foram chamados de \u201cPovos das Cinzas\u201d por dormirem no ch\u00e3o \u00e0 beira do fogo e amanhecerem cobertos por uma mistura de cinzas e areia.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">S\u00e3o v\u00e1rios grupos da mesma fam\u00edlia ling\u00fc\u00edstica que receberam, genericamente, o nome de Nambikwara. Eles se diferenciam de outros grupos \u00e9ticos pela l\u00edngua, pois falam v\u00e1rios dialetos e contam com tra\u00e7os culturais marcantes e pr\u00f3prios.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><strong>Rituais:<\/strong>\u00a0Sua origem \u00e9 explicada pelo mito da pedra preta. Praticam o ritual da flauta sagrada que narra a hist\u00f3ria do menino que se transformou em alimento para seu povo. Nesse ritual, tocam uma flauta nasal.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><strong>Paresi<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><strong>Onde habitam:<\/strong>\u00a0Munic\u00edpio de Tangar\u00e1 da Serra, Chapada dos Parecis, Mato Grosso\n<strong>Outras denomina\u00e7\u00f5es:<\/strong>\u00a0Pareci, Haliti\n<strong>Popula\u00e7\u00e3o:<\/strong>\u00a0Cerca de 1.300 \u00edndios\n<strong>L\u00edngua:<\/strong>\u00a0Aru\u00e1k\n<strong>Atividade predominante:<\/strong>\u00a0ca\u00e7a, pesca e coleta de frutos silvestres<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><strong>Curiosidade:<\/strong>\u00a0Para os Paresi, a bola tem suas peculiaridades, feita por eles, com seiva de mangabeira, um tipo de l\u00e1tex, e mede cerca de 30 cent\u00edmetros de di\u00e2metro. Eles tamb\u00e9m praticam o Xikunahity, futebol de cabe\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Vivem na Terra Ind\u00edgena Paresi, um territ\u00f3rio de matas, campos e cerrados no munic\u00edpio de Tangar\u00e1 da Serra, regi\u00e3o do M\u00e9dio \u2013 Norte do Mato Grosso, e Chapada dos Paresis, regi\u00e3o de matas, campos, cerrados, montanhas e planaltos, assentada nos divisores das bacias dos rios do Prata e Amazonas.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Esses \u00edndios sofreram com a abertura da BR-364, ligando o pa\u00eds de norte a sul atravessando seu territ\u00f3rio. O contato trouxe doen\u00e7as e grandes perdas de terras, cultura e valores \u00e9tnicos que eles lutam para preservar at\u00e9 hoje.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><strong>Segundo o mito da cria\u00e7\u00e3o, os Paresi sa\u00edram de dentro de uma pedra no Campo Novo dos Paresis liderados pela entidade m\u00edtica Wazare e se espalharam pela chapada dividindo-se em tr\u00eas grupos:<\/strong>\u00a0os Kaxiniti (parte oriental), os Waimar\u00e9 (central) e os Kozarini, (ocidental).<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><strong>Patax\u00f3<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><strong>Onde habitam:<\/strong>\u00a0Minas Gerais, Bahia e Esp\u00edrito Santo\n<strong>Popula\u00e7\u00e3o:<\/strong>\u00a0Cerca de 6 mil pessoas\n<strong>L\u00edngua:<\/strong>\u00a0Portugu\u00eas e Tronco Ling\u00fc\u00edstico Macro-J\u00ea.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Povo de l\u00edngua da fam\u00edlia Maxacali, do tronco Macro-J\u00ea. Abandonou sua l\u00edngua original e expressa-se apenas em portugu\u00eas.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Vive no sul da Bahia, em Barra Velha, Coroa Vermelha e Monte Pascoal, em zona economicamente valorizada (cacau e turismo), nos munic\u00edpios de Porto Seguro e Santa Cruz Cabr\u00e1lia e nas \u00e1reas ind\u00edgenas Mata Medonha e Imbiriba. Em 1990, eram aproximadamente 1.600 \u00edndios.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><strong>Curiosidade:<\/strong>\u00a0Esse povo sofreu muito devido ao contato com os portugueses, que chegaram at\u00e9 a proibi-los de falar sua pr\u00f3pria l\u00edngua e de praticar seus rituais religiosos e culturais. Com pouco mais de 6 mil pessoas, o povo Patax\u00f3 luta para recuperar suas terras e pelo resgate de sua identidade e reconhecimento como um povo ind\u00edgena, apesar das perdas ocasionadas pelo contato com a sociedade n\u00e3o-ind\u00edgena.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Os patax\u00f3 vivem na regi\u00e3o interna \u00e0 faixa litor\u00e2nea dos estados de Minas Gerais e Esp\u00edrito Santo e na Bahia. Alguns deles ainda falam a l\u00edngua do tronco Macro-J\u00ea, mas o portugu\u00eas predomina nas aldeias.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Entre seus rituais, ainda praticam a tradicional dan\u00e7a chamada \u201cTor\u00e9\u201d. Tem um artesanato rico e variado.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><strong>Potiguar<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Senhoreavam a costa desde S\u00e3o Lu\u00eds at\u00e9 as margens do Parna\u00edba, e das margens do Rio Acara\u00fa, no Cear\u00e1, at\u00e9 a cidade de Jo\u00e3o Pessoa, na Para\u00edba. Ex\u00edmios canoeiros, inimigos dos portugueses, seriam uns 90 mil<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><strong>Rikbaktsa<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><strong>Nomes alternativos:<\/strong>\u00a0Aripaktsa, Erikbatsa, Erikpatsa, Canoeiro<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><strong>Classifica\u00e7\u00e3o ling\u00fc\u00edstica:<\/strong>\u00a0Macro-G\u00ea<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><strong>Popula\u00e7\u00e3o:<\/strong>\u00a0970<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><strong>Local:<\/strong>\u00a0Mato Grosso, conflu\u00eancia dos rios Sangue e Juruena, Japuira na beira do leste do Juruena entre os rios Arinos e Sangue, e Posto Escondido na beira do oeste do Juruena 700 kil\u00f3metros ao norte. 9 aldeias e 14 col\u00f4nias.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><strong>Tabajara:\u00a0<\/strong>Viviam entre a foz do Rio Para\u00edba e a ilha de Itamarac\u00e1. Aliaram-se aos portugueses. Deviam ser uns 40 mil.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><strong>Tamoio:\u00a0<\/strong>Os verdadeiros senhores da ba\u00eda de Guanabara, aliados dos franceses e liderados pelos caciques Cunhambebe e Aimber\u00ea, lutaram at\u00e9 o \u00faltimo homem. Eram 70 mil.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><strong>Temimin\u00f3<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Ocupavam a ilha do Governador, na ba\u00eda de Guanabara, e o sul do Esp\u00edrito Santo. Inimigos dos tamoios, aliaram-se aos portugueses. Sob lideran\u00e7a de Ararib\u00f3ia, foram decisivos na conquista do Rio. Eram 8 mil na ilha e 10 mil no Esp\u00edrito Santo.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><strong>Terena<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><strong>Nomes alternativos:<\/strong>\u00a0Ter\u00eana, Tereno, Etelena\n<strong>Classifica\u00e7\u00e3o ling\u00fc\u00edstica:<\/strong>\u00a0Arawak\n<strong>Popula\u00e7\u00e3o:<\/strong>\u00a020.000\n<strong>Local:<\/strong>\u00a0Mato Grosso do Sul, em 20 aldeias e 2 cidades<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">O povo Terena mora principalmente no estado de Mato Grosso do Sul, ocupando \u00e1reas entre Campo Grande, ao leste, e o Rio Miranda, ao oeste.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><strong>Residem em mais ou menos vinte aldeias, havendo as maiores concentra\u00e7\u00f5es nas seguintes \u00e1reas:<\/strong><\/p>\n\n<ol>\n \t<li>Cachoeirinha\/Moreira, na vizinhan\u00e7a de Miranda\n<strong>2.<\/strong>Taunay-Bananal, entre Miranda e Aquidauana que fica uma hora de \u00f4nibus das duas cidades\n<strong>3<\/strong>. Lim\u00e3o Verde, na \u00e1rea de Aquidauana\n<strong>4.<\/strong>\u00a0Buriti e outras aldeias perto, na vizinhan\u00e7a de Campo Grande<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><strong>Popula\u00e7\u00e3o:<\/strong>\u00a0aproximadamente 20,000.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">A SIL come\u00e7ou a trabalhar entre os Terena em 1957. Naquela \u00e9poca, pensava-se que este grupo j\u00e1 tivesse sido bastante assimilado na sociedade brasileira. A sua antiga estrutura pol\u00edtica tribal j\u00e1 n\u00e3o funcionava mais, e a maioria dos seus costumes e cren\u00e7as tradicionais n\u00e3o estavam sendo praticados mais.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Em ocasi\u00f5es especiais como no Dia do \u00cdndio, 19 de abril, ainda fazem a Dan\u00e7a da Ema com as suas sete pe\u00e7as. Na regi\u00e3o \u00e9 conhecida como a dan\u00e7a do Bate-Pau.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Embora os Terenas sejam um povo basicamente agricultor, mudan\u00e7as significantes t\u00eam ocorrido durante os \u00faltimos cinq\u00fcenta anos. Com maior \u00eanfase agora em adquirir uma boa educa\u00e7\u00e3o escolar, h\u00e1 maior diversidade hoje em dia na maneira que ganham a vida.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><strong>Tikuna<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Maior etnia da Amaz\u00f4nia brasileira, conta com uma popula\u00e7\u00e3o de 20.135 indiv\u00edduos, que ocupam cerca de 70 aldeias \u00e0s margens do rio Solim\u00f5es, no Estado do Amazonas. Outra parte do grupo vive no Peru.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">As meninas, quando ficam menstruadas, s\u00e3o submetidas a um ritual de inicia\u00e7\u00e3o, que sempre acontece na lua cheia, representando a bondade, a beleza e a sabedoria. Nesta festa, os \u00edndios fabricam m\u00e1scaras de macacos e monstros e enfeites para as virgens.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Um dos \u00edndios usa uma m\u00e1scara com cara de serpente e incorpora o esp\u00edrito do principal personagem do ritual, um monstro que vivia na \u00e1gua. Durante os festejos, o monstro faz gestos obscenos que divertem a tribo.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Ele tamb\u00e9m ronda o cub\u00edculo onde fica a menina, batendo com um bast\u00e3o no ch\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><strong>Durante tr\u00eas dias e tr\u00eas noites, essa garota \u00e9 protegida por duas tias que aproveitam o tempo dando conselhos de como ser uma boa mulher Tikuna:\u00a0<\/strong>respeitar o marido, ser ativa e trabalhadeira.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><strong>Trememb\u00e9<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Maior etnia da Amaz\u00f4nia brasileira, conta com uma popula\u00e7\u00e3o de 20.135 indiv\u00edduos, que ocupam cerca de 70 aldeias \u00e0s margens do rio Solim\u00f5es, no Estado do Amazonas. Outra parte do grupo vive no Peru.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">As meninas, quando ficam menstruadas, s\u00e3o submetidas a um ritual de inicia\u00e7\u00e3o, que sempre acontece na lua cheia, representando a bondade, a beleza e a sabedoria. Nesta festa, os \u00edndios fabricam m\u00e1scaras de macacos e monstros e enfeites para as virgens.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Um dos \u00edndios usa uma m\u00e1scara com cara de serpente e incorpora o esp\u00edrito do principal personagem do ritual, um monstro que vivia na \u00e1gua. Durante os festejos, o monstro faz gestos obscenos que divertem a tribo.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Ele tamb\u00e9m ronda o cub\u00edculo onde fica a menina, batendo com um bast\u00e3o no ch\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><strong>Durante tr\u00eas dias e tr\u00eas noites, essa garota \u00e9 protegida por duas tias que aproveitam o tempo dando conselhos de como ser uma boa mulher TREMEMB\u00c9:<\/strong>\u00a0respeitar o marido, ser ativa e trabalhadeira.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><strong>Tukano<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">S\u00e3o tamb\u00e9m chamados de Tucano, e a fam\u00edlia ling\u00fc\u00edstica Tuk\u00e2no \u00e9 dividida nos ramos ocidental, que compreende l\u00ednguas faladas no Peru, Equador e Bol\u00edvia; e oriental, com as l\u00ednguas Baras\u00e2na, Des\u00e2na, Karapan\u00e3, Kub\u00e9wa, Pir\u00e1-Tup\u00faya, Suri\u00e2na, Tuk\u00e2no e Wan\u00e2no, faladas desde a Col\u00f4mbia at\u00e9 o Brasil, no Noroeste da bacia Amaz\u00f4nica. S\u00e3o extremamente vaidosos, gastam dias e esfor\u00e7os para capturar aves de plumagens belas, coloridas e variadas para fazer adornos.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Eles tamb\u00e9m gostam de modificar as cores originais dando comidas especiais para as aves ou aquecendo as penas, processo conhecido como tapiragem. Usam at\u00e9 duas dezenas de aves para um \u00fanico adorno.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Estes enfeites s\u00e3o usados em rituais e aqueles que usam as pe\u00e7as mais bonitas s\u00e3o muito prestigiados pela tribo.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><strong>Tupinamb\u00e1<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Consitu\u00edam o povo tupi por excel\u00eancia. As demais tribos tupis eram, de certa forma, suas descendentes, embora o que de fato as unisse fosse a teia de uma inimizade cr\u00f4nica.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Os\u00a0<strong>tupinamb\u00e1s<\/strong>\u00a0propriamente ditos ocupavam da margem direita do rio S\u00e3o Francisco at\u00e9 o Rec\u00f4ncavo Baiano. Seriam mais de 100 mil.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Conhecidos tamb\u00e9m como Tamoio ou Tamuya, viviam numa faixa de litoral que ia da atual cidade de Ubatuba, no litoral norte de S\u00e3o Paulo, a Cabo Frio, no estado do Rio de Janeiro. \u201cTamoio\u201d significa av\u00f4, o mais velho, e \u201cTupinamb\u00e1\u201d talvez signifique o primeiro, o mais antigo. Os Tupinamb\u00e1 viviam sobretudo no estado do Rio de Janeiro, onde se calcula um total de 6 mil pessoas.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">O conjunto da na\u00e7\u00e3o Tupinamb\u00e1 nessa regi\u00e3o n\u00e3o deveria ultrapassar 10 mil pessoas.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><strong>Tr\u00eas tra\u00e7os principais marcavam este povo:<\/strong>\u00a0a intelig\u00eancia, a guerra e a abertura para o novo.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Eram pessoas muito curiosas e observadoras.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><strong>Um frade franc\u00eas, Claude d\u2019Abbeville, que teve contato com um grupo Tupinamb\u00e1, no Maranh\u00e3o, escreveu:<\/strong>\u00a0\u201cImaginava que iria encontrar verdadeiros animais ferozes, homens selvagens e rudes. Enganei-me totalmente. S\u00e3o grandes discursadores, possuem muito bom senso e s\u00f3 se deixam levar pela raz\u00e3o, jamais sem conhecimento de causa\u201d.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><strong>Tupiniquim:\u00a0<\/strong>Foram os \u00edndios vistos por Cabral. Viviam no sul da Bahia e em S\u00e3o Paulo, entre Santos e Bertioga. Eram 85 mil.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><strong>Xavante<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Os Xavante somam hoje cerca de 9.602 pessoas, habitando mais de 70 aldeias nas oito \u00e1reas que constituem seu territ\u00f3rio atual, na regi\u00e3o compreendida pela Serra do Roncador e pelos vales dos rios das Mortes, Culuene, Couto de Magalh\u00e3es, Botovi e Gar\u00e7as, no leste matogrossense. A TI Mar\u00e3iwatsede, embora homologada recentemente, n\u00e3o abrigava, at\u00e9 dezembro de 2000, nenhum Xavante.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">A experi\u00eancia xavante de conv\u00edvio com outros povos ind\u00edgenas e, principalmente, com n\u00e3o-\u00edndios, vem sendo documentada desde o final do s\u00e9culo XVIII.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><strong>O que mais chama a aten\u00e7\u00e3o nesta sua hist\u00f3ria \u2013 e que d\u00e1 a ela sua singularidade \u2013 s\u00e3o tr\u00eas pontos essenciais:<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Em primeiro lugar, trata-se de um povo for\u00e7ado a migra\u00e7\u00f5es constantes, sempre em busca de novos territ\u00f3rios onde pudessem refugiar-se e, neste percurso, em choque ou alian\u00e7as circunstanciais com outros povos com quem se encontraram no trajeto que os trouxe at\u00e9 sua localiza\u00e7\u00e3o atual.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Em segundo lugar, trata-se de um povo que, tendo aceito e experimentado o conv\u00edvio cotidiano com os n\u00e3o-\u00edndios no s\u00e9culo XIX (quando viveram, ao lado de outros povos da regi\u00e3o, em aldeiamentos oficiais mantidos pelo governo da prov\u00edncia de Goi\u00e1s e controlados pelo Ex\u00e9rcito e pela Igreja), rejeitou o contato e optou por distanciar-se dos regionais migrando em algum momento entre 1830 e 1860, em dire\u00e7\u00e3o ao atual estado de Mato Grosso, onde viveram sem serem intensivamente assediados at\u00e9 a d\u00e9cada de 30 deste s\u00e9culo.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">A partir desta \u00e9poca, fecha-se o cerco e aumenta o interesse de particulares e do governo federal sobre suas terras. Expressando a idelogia getulista do Programa de Integra\u00e7\u00e3o Nacional em 1946, um primeiro grupo local Xavante \u00e9 alcan\u00e7ado pelo SPI que os rende, \u00e0s margens do rio das Mortes; at\u00e9 1957 os demais tamb\u00e9m foram for\u00e7ados a aceitar o contato, exauridos por epidemias, persegui\u00e7\u00f5es e massacres.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Em terceiro lugar, os Xavante ocuparam, ao longo de sua hist\u00f3ria recente, um lugar de destaque junto \u00e0 opini\u00e3o p\u00fablica na d\u00e9cada de 50 como ferozes e belicosos, ao resistirem ao contato que lhes era imposto; na passagem da d\u00e9cada de 70 para a de 80, representados por l\u00edderes como Celestino e Mario Juruna (o ex-deputado federal), cristalizaram a imagem de \u00edndios conhecedores de seus direitos e dispostos a reivindic\u00e1-los \u00e0s autoridades respons\u00e1veis pela garantia da sobreviv\u00eancia dos povos ind\u00edgenas no pa\u00eds.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Na literatura antropol\u00f3gica, os Xavante s\u00e3o conhecidos principalmente por sua organiza\u00e7\u00e3o social de tipo dualista, ou seja, trata-se de uma sociedade em que a vida e o pensamento de seus membros est\u00e3o constantemente permeados por um princ\u00edpio di\u00e1dico, que organiza sua percep\u00e7\u00e3o do mundo, da natureza, da sociedade e do pr\u00f3prio cosmos como estando permanentemente divididos em metades opostas e complementares.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Trata-se, na verdade, da chave da elabora\u00e7\u00e3o cultural dos Xavante, constru\u00edda e reconstru\u00edda atrav\u00e9s dos tempos e das variadas experi\u00eancias hist\u00f3ricas, mas sempre mantida como fundamento de sua maneira original de ser, pensar e viver.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><strong>Yanomami<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Os Yanomami formam uma sociedade de ca\u00e7adores-agricultores da floresta tropical do Norte da Amaz\u00f4nia cujo contato com a sociedade nacional \u00e9, na maior parte do seu territ\u00f3rio, relativamente recente. Seu territ\u00f3rio cobre, aproximadamente, 192.000 km\u00b2, situados em ambos os lados da fronteira Brasil-Venezuela na regi\u00e3o do interfl\u00favio Orinoco \u2013 Amazonas (afluentes da margem direita do rio Branco e esquerda do rio Negro).<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Constituem um conjunto cultural e ling\u00fc\u00edstico composto de, pelo menos, quatro subgrupos adjacentes que falam l\u00ednguas da mesma fam\u00edlia (Yanomae, Yan\u00f5mami, Sanima e Ninam). A popula\u00e7\u00e3o total dos Yanomami, no Brasil e na Venezuela, \u00e9 hoje estimada em cerca de 26.000 pessoas.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">No Brasil, a popula\u00e7\u00e3o yanomami \u00e9 de 12.795 pessoas, repartidas em 228 comunidades (censo da Funda\u00e7\u00e3o Nacional de Sa\u00fade de 1999). A Terra Ind\u00edgena Yanomami, que cobre 9.664.975 ha (96.650 km\u00b2) de floresta tropical \u00e9 reconhecida por sua alta relev\u00e2ncia em termo de prote\u00e7\u00e3o da biodiversidade amaz\u00f4nica e foi homologada por um decreto presidencial em 25 de maio de 1992.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><strong>Yawalapity<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><strong>Onde habitam:<\/strong>\u00a0Terra Ind\u00edgena do Parque Xingu, em Posto Leonardo, em Mato Grosso\n<strong>Outras denomina\u00e7\u00f5es:<\/strong>\u00a0Iaualapiti\n<strong>Popula\u00e7\u00e3o:<\/strong>\u00a0196 pessoas\n<strong>L\u00edngua:<\/strong>\u00a0da Fam\u00edlia Aru\u00e1k<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><strong>Atividade predominante:<\/strong>\u00a0vivem da pesca, ca\u00e7a, ro\u00e7as de milho, batata doce, car\u00e1 e mandioca. A ca\u00e7a \u00e9 reduzida a algumas aves comest\u00edveis como jacu, mutum, macuco, e pomba.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><strong>Curiosidade:<\/strong>\u00a0Eles t\u00eam o costume de trocar utens\u00edlios com os Aweti, com os quais tamb\u00e9m trocam mulheres.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Pequenos e robustos, os Yawalapiti vivem \u00e0s margens de uma grande lagoa na Terra Ind\u00edgena do Parque Xingu, a cerca de cinco quil\u00f4metros do Posto Leonardo. Eles t\u00eam o costume de trocar utens\u00edlios com os Aweti, com os quais tamb\u00e9m trocam mulheres. Os Yawalapiti aproveitam todos os recursos da regi\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Usam fibras de buriti para confeccionar redes e cestos, sap\u00e9 para cobertura das casas, taquara para flechas, ra\u00edzes e folhas como rem\u00e9dios. As mulheres cuidam do fornecimento da \u00e1gua para a aldeia, fiam o algod\u00e3o, tecem as redes e esteiras de espremer mandioca, preparam a pasta do urucum, o \u00f3leo de pequi e a tinta de jenipapo usados na ornamenta\u00e7\u00e3o corporal.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Entre as caracter\u00edsticas comuns aos povos do Xingu est\u00e3o o rico artesanato com bel\u00edssimos colares, cer\u00e2micas e cestarias, a \u00edndole pac\u00edfica e os tra\u00e7os semelhantes na cultura como pinturas artesanais, corporais e produ\u00e7\u00e3o alimentar, al\u00e9m de serem excelentes m\u00fasicos e dan\u00e7arinos.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><strong>Rituais:<\/strong>\u00a0Como outros povos do Alto Xingu, eles se destacam na demonstra\u00e7\u00e3o do Huka Hulka, luta corporal masculina praticada desde crian\u00e7a, al\u00e9m da Yamarikum\u00e3 (lutas femininas).<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><strong>Fonte:<\/strong>\u00a0www.arara.fr\/www.geocities.com\/www.revistadehistoria.com.br<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tribos Ind\u00edgenas Brasileiras, Povos, Cultura, Grupos, Popula\u00e7\u00e3o, L\u00edngua, Vida, Localiza\u00e7\u00e3o, Brasil, Povos, Tribos Ind\u00edgenas Brasileiras<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":10250,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[54],"tags":[],"class_list":["post-10249","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-historia-do-brasil"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v28.3 - 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