{"id":10213,"date":"2015-12-22T00:00:00","date_gmt":"2015-12-22T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/uncategorized\/segundo-imperio\/"},"modified":"2026-08-31T19:09:20","modified_gmt":"2026-08-31T19:09:20","slug":"segundo-imperio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/historia-do-brasil\/segundo-imperio\/","title":{"rendered":"Segundo Imp\u00e9rio"},"content":{"rendered":"\n&nbsp;\n\n<strong>Segundo Imp\u00e9rio &#8211; Hist\u00f3ria do Brasil<\/strong>\n\nO reinado de fato de D. Pedro II come\u00e7ou com o chamado Golpe da Maioridade.\n\nO primeiro minist\u00e9rio do monarca foi nomeado em 24 de julho de 1940 e era Liberal, em 1841, Pedro II o substituiu por um Conservador.\n\nElei\u00e7\u00f5es do Cacete\u00a0<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-159911\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Segund7.jpg\" alt=\"\" width=\"25\" height=\"11\" \/>\u00a0vit\u00f3ria liberal em 1840\u00a0\u00a0revoltas em Minas e S\u00e3o Paulo em 1842.\n\nN\u00e3o h\u00e1 nada mais conservador do que um liberal no poder\u00a0<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-159911\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Segund7.jpg\" alt=\"\" width=\"25\" height=\"11\" \/>\u00a0mas eles n\u00e3o eram t\u00e3o iguais assim, os liberais sempre tenderam ao federalismo e das suas fileiras formou-se em 1870 o partido republicano.\n\nParlamentarismo \u00e0s Avessas\u00a0\u00a0D. Pedro II abriu m\u00e3o do poder Executivo, ficando somente com o Moderador\u00a0<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-159911\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Segund7.jpg\" alt=\"\" width=\"25\" height=\"11\" \/>\u00a0Conselho de Ministros foi criado em 1847\u00a0<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-159911\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Segund7.jpg\" alt=\"\" width=\"25\" height=\"11\" \/>\u00a0o Presidente do Conselho de Ministros era escolhido pelo Monarca segundo o resultado das elei\u00e7\u00f5es\u00a0<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-159911\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Segund7.jpg\" alt=\"\" width=\"25\" height=\"11\" \/>\u00a0s\u00f3 que o Imperador poderia demitir o gabinete e dissolver o Parlamento.\n\nNo Parlamentarismo Ingl\u00eas\u00a0<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-159911\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Segund7.jpg\" alt=\"\" width=\"25\" height=\"11\" \/>\u00a0o Monarca n\u00e3o pode dissolver o Parlamento, s\u00f3 o pr\u00f3prio \u00f3rg\u00e3o D. Pedro aos 24 pode faz\u00ea-lo. anos.\n\nA Revolu\u00e7\u00e3o Praieira (1848-50) foi o \u00faltimo movimento federalista de grande porte do per\u00edodo mon\u00e1rquico\u00a0<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-159911\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Segund7.jpg\" alt=\"\" width=\"25\" height=\"11\" \/>\u00a0outra vez Pernambuco.\n\nOs liberais radicais (Partido da Praia) se recusaram a aceitar o novo governo conservador de 1848 e pegaram em armas.\n\nNa base da revolta estava o controle do com\u00e9rcio pelos portugueses e as altas taxas de desemprego.\n\nN\u00e3o falaram em rep\u00fablica, como em 1817\/1824, nem em aboli\u00e7\u00e3o.\n\nD. Pedro II criou laborat\u00f3rios de fotografia, qu\u00edmica e f\u00edsica, participou de academias de ci\u00eancia da Europa, manteve correspond\u00eancia com cientistas como Pasteur e Graham Bell, patrocinou estudantes (inclusive mulheres), criou em 1854 uma escola para cegos, que usaria o revolucion\u00e1rio m\u00e9todo Braille, a partir de 1890 chamada de Instituto Benjamin Constant.\n\nLei de Terras (1850)\u00a0<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-159911\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Segund7.jpg\" alt=\"\" width=\"25\" height=\"11\" \/>\u00a0as terras devolutas s\u00f3 poderiam ser adquiridas por compra, n\u00e3o por posse\u00a0<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-159911\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Segund7.jpg\" alt=\"\" width=\"25\" height=\"11\" \/>\u00a0favoreceu o latif\u00fandio.\n\n<strong>Leis abolicionistas:<\/strong>\u00a0Lei Feij\u00f3 (1831)\u00a0\u00a0proibi\u00e7\u00e3o do tr\u00e1fico.\n\nLei Eus\u00e9bio de Queir\u00f3s (1850)\u00a0<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Segundo Imp\u00e9rio\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/ssegund14.jpg\" alt=\"Segundo Imp\u00e9rio\" width=\"21\" height=\"8\" \/>fim do tr\u00e1fico para cumprir a Bill Aberdeen (1845).\n\nLei do Ventre Livre (1871).\n\nLei dos Sexagen\u00e1rios ou Saraiva-Cotegipe (1885).\n\nLei \u00c1urea (1888)\u00a0<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Segundo Imp\u00e9rio\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/ssegund14.jpg\" alt=\"Segundo Imp\u00e9rio\" width=\"21\" height=\"8\" \/>\u00a0aboli\u00e7\u00e3o da escravatura no Brasil.\n\nA aboli\u00e7\u00e3o dependeu tamb\u00e9m da a\u00e7\u00e3o de negros e negras que ajudavam nas fugas, faziam cadernetas de poupan\u00e7a, usavam as irmandades, a ma\u00e7onaria, os jornais, etc.\n\nLu\u00eds Gama (1830-82), filho de m\u00e3e negra livre ativa na Revolta dos Mal\u00eas e na Sabinada, vendido pelo pai Lu\u00eds Gama, advogado, branco, advogou em favor escritor e jornalista, gravura de 1878. dos escravos.\n\nNo s\u00e9culo XIX o caf\u00e9 se tornou o principal produto de exporta\u00e7\u00e3o brasileiro. Junto com a interioriza\u00e7\u00e3o do caf\u00e9, as ferrovias come\u00e7aram a 8 rasgar o pa\u00eds.\n\nOs imigrantes come\u00e7aram a chegar no Brasil no in\u00edcio do s\u00e9culo XIX para formar col\u00f4nias ou trabalhar em regime de parceria. Com o fim do tr\u00e1fico, a entrada de imigrantes se intensificou. Teses racistas, no entanto, favoreciam os europeus.\n\n<strong>Arte de Rugendas<\/strong>\n\nChineses foram trazidos para o Brasil na d\u00e9cada de1810 para um projeto de plantio de ch\u00e1. Foi um fracasso. Nas d\u00e9cadas de 1850-60, foram trazidos para trabalhar na lavoura (coolies).\n\nTratados como escravos, 10o Governo Chin\u00eas proibiu a imigra\u00e7\u00e3o em 1881.\n\nAs tarifas Alves Branco favoreceram a ind\u00fastria no Brasil.\n\nOs impostos sobre importados que poderiam competir com o produto local foram estabelecidas entre 40-60%.\n\nProdutos necess\u00e1rios \u00e0 ind\u00fastria, como o ferro, tinham tarifas de 20%.\n\nEm 1860, as tarifas foram alteradas para satisfazer os O Bar\u00e3o agricultores. de Mau\u00e1.\n\nA Quest\u00e3o Christie (1862) exp\u00f4s a arbitrariedade da Inglaterra e foi arbitrada pelo rei da B\u00e9lgica\u00a0<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Segundo Imp\u00e9rio\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/ssegund14.jpg\" alt=\"Segundo Imp\u00e9rio\" width=\"21\" height=\"8\" \/>\u00a0o governo brit\u00e2nico rompeu rela\u00e7\u00f5es com o Brasil (1963) e s\u00f3 restabeleceu com a Guerra do Paraguai (1865).\n\n<strong>Quest\u00f5es Platinas:<\/strong>\u00a0Guerra da Cisplatina \u2013 1825-1828\n\n<strong>Guerra contra Oribe e Rosas:<\/strong>\u00a01851-1852\n\nOp\u00f4s os interesses do Brasil, Uruguai e Argentina \u00e0s pretens\u00f5es expansionistas paraguaias.\n\nA Inglaterra vendeu armas e deu apoio \u00e0 Tr\u00edplice Alian\u00e7a.\n\nA Guerra possibilitou o amadurecimento do ex\u00e9rcito brasileiro.\n\nO final do Imp\u00e9rio foi impulsionado por v\u00e1rios fatores.\n\nFunda\u00e7\u00e3o do Partido Republicano em 1870.\n\nOposi\u00e7\u00e3o entre Ex\u00e9rcito X Guarda Nacional.\n\nQuest\u00e3o Religiosa (1872-1875).\n\nQuest\u00e3o Militar (1884-1887).\n\nDifus\u00e3o do Positivismo (evolucionistas e revolucionistas)\n\nCrescimento da causa abolicionista.\n\nA estranheza do regime mon\u00e1rquico no continente americano.\n\nA quest\u00e3o da sucess\u00e3o ao trono.\n\nD. Pedro II teve somente duas filhas que chegaram \u00e0 idade adulta, Isabel e Leopoldina. A mais velha, Isabel, herdaria o trono, mas seu marido, o Conde DEu, era muito impopular e ela era ultramontana, isto \u00e9, submissa \u00e0 vontade do papa.\n\nEm 15 de novembro de 1889 foi proclamada a Rep\u00fablica, na verdade, um golpe militar. Segundo fonte da \u00e9poca (Aristides Lobo), o povo assistiu, bestializado, \u00e0 Proclama\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica.\n\n<strong>Segundo Imp\u00e9rio &#8211; Fran\u00e7a<\/strong>\n\nO\u00a0<strong>Segundo Imp\u00e9rio\u00a0<\/strong>descreve estilos caracter\u00edsticos da Fran\u00e7a bonapartista em 1852-1870 durante o reinado do imperador Napole\u00e3o III, ou estilos influenciados por eles.\n\nEssencialmente ecl\u00e9tico, o\u00a0<strong>Segundo Imp\u00e9rio<\/strong>\u00a0foi um per\u00edodo de renascimentos, especialmente os estilos Barroco, Imp\u00e9rio, Fran\u00e7ois Ier, Louis Seize, Neo-Grec e renascentista. A \u00c9cole des Beaux-Arts (Escola de Belas Artes) incentivou o historicismo, como pode ser visto na Paris criada por Haussmann para Napole\u00e3o III, e especialmente nas extens\u00f5es do Louvre, a partir de 1853. Telhados altos, lucarnes e ornamentos exuberantes deram \u00e0 arquitetura francesa do per\u00edodo um sabor opulento que foi amplamente apreciado e copiado nos EUA.\n\n<strong>O SEGUNDO IMP\u00c9RIO D. PEDRO II \u2013 1840 a 1889<\/strong>\n\n<strong>Caracter\u00edsticas do Governo de D. Pedro II<\/strong>\n\nEm 23 de julho de 1840, perante as C\u00e2maras reunidas, D. Pedro de Alc\u00e2ntara foi declarado maior, prestou juramento e foi investido do poder, come\u00e7ando a exercer suas fun\u00e7\u00f5es constitucionais.\n\nEstava terminado o Per\u00edodo Regencial e tinha in\u00edcio o Segundo Reinado.\n\n<strong>Com a maioridade de D. Pedro, os liberais que tinham sido os articuladores do projeto assumiram o Primeiro Minist\u00e9rio de D. Pedro II. Liberais e Conservadores, ou como eram mais conhecidos:<\/strong>\u00a0\u201cluzias\u201d e \u201csaquaremas\u201d, tinham uma origem comum, ambos eram origin\u00e1rios da fac\u00e7\u00e3o Liberal Moderada da \u00e9poca da Reg\u00eancia que se dividiu em progressistas e regressistas.\n\nNenhum dos dois aceitava a vontade popular para obter um governo representativo, predominando sempre uma pol\u00edtica clientelista de refor\u00e7o \u00e0s estruturas do poder.\n\n<strong>O esp\u00edrito camale\u00f4nico dos membros dos dois partidos deu origem \u00e0 express\u00e3o de Holanda Cavalcanti, pol\u00edtico pernambucano:<\/strong>\u00a0\u201cNada mais parecido com um saquarema do que um luzia no poder\u201d.\n\n\u201cSaquarema\u201d era a denomina\u00e7\u00e3o dos conservadores porque era o nome de um Munic\u00edpio fluminense onde um dos seus l\u00edderes, o Visconde de Itabora\u00ed, tinha uma fazenda onde o grupo se reunia.\n\nEste grupo era favor\u00e1vel \u00e0 centraliza\u00e7\u00e3o do poder. \u201cLuzia\u201d era a denomina\u00e7\u00e3o dos liberais, em alus\u00e3o a uma vila de Minas, Santa Luzia, onde ocorreu a sua maior derrota nas revoltas de 1842.\n\nEste grupo defendia a Monarquia Federativa, opondo-se ao Poder Moderador e ao Senado vital\u00edcio, que era dominado pelos conservadores.\n\nO Primeiro Minist\u00e9rio era fr\u00e1gil politicamente e apoiou-se no Monarca para fortalecer seus partid\u00e1rios, distribuindo t\u00edtulos e nomea\u00e7\u00f5es e ainda encontrou dificuldades para acabar com a Revolta Farroupilha, no Rio Grande do Sul, que j\u00e1 era remanescente do Per\u00edodo Regencial, por isto teve pouca dura\u00e7\u00e3o. Foi substitu\u00eddo por um Gabinete Conservador em 1841, que aproveitou a maioria que ainda tinha nas C\u00e2maras e conseguiu aprovar a volta do Conselho de Estado e a reforma do C\u00f3digo de Processo Criminal que ainda era de 1832, para dar ao Ministro da Justi\u00e7a a centraliza\u00e7\u00e3o dos poderes policiais das Prov\u00edncias.\n\nO Conselho de Estado era composto de representantes das principais tend\u00eancias pol\u00edticas e se constitu\u00eda num grupo que refletia o pensamento da elite pol\u00edtica imperial, de certa forma tutelando o jovem Imperador e tamb\u00e9m preservando sua imagem, deixando que se apresentasse como um moderador e fator de equil\u00edbrio do Imp\u00e9rio.\n\nEm maio de 1842, antes que tomasse posse a nova legislatura, rec\u00e9m eleita e de maioria progressista, D. Pedro II dissolveu-a seguindo instru\u00e7\u00f5es do Minist\u00e9rio e do Conselho de Estado e para atingir os farroupilhas proibiu o com\u00e9rcio de mulas e cavalos do Rio Grande prejudicando o interesse dos paulistas que comercializavam os animais.\n\nEsta dissolu\u00e7\u00e3o provocou as Revoltas Liberais de 1842.\n\nApesar de derrotados, os liberais vieram a formar um novo Minist\u00e9rio em 1844 e governaram at\u00e9 1848 adotando medidas defendidas pelos conservadores. Mas foram os conservadores que mais governaram o Imp\u00e9rio, embora em 1853 tenha sido formado um Gabinete de Concilia\u00e7\u00e3o que inclu\u00eda liberais e conservadores sob a lideran\u00e7a do Marqu\u00eas do Paran\u00e1 \u2013 Hon\u00f3rio Hermeto Carneiro Le\u00e3o.\n\nCome\u00e7aria ent\u00e3o um per\u00edodo de paz interna e prosperidade econ\u00f4mica e cultural que Capistrano de Abreu denominou de \u201co apogeu do fulgor imperial\u201d.\n\nO per\u00edodo de radicalismo teve seu fim com a derrota dos Farroupilhas, depois que Lu\u00eds Alves de Lima e Silva, o futuro Duque de Caxias foi nomeado, em 1842, para Comandante das Armas do Rio Grande do Sul. Em 1845 foi concedida anistia ampla aos combatentes e os militares sulinos foram incorporados ao Ex\u00e9rcito do Imp\u00e9rio. Teve tamb\u00e9m fim a Revolta Praieira, de Pernambuco, em 1848, nome derivado do fato de um jornal liberal ter sua sede na Rua da Praia, no Recife.\n\nAp\u00f3s a anistia aos farrapos, o Imperador foi recebido com entusiasmo pelos ga\u00fachos. As a\u00e7\u00f5es de Caxias, assimilavam a presen\u00e7a de um instrumento de for\u00e7a capaz de permitir o exerc\u00edcio da autoridade central, simbolizando a unidade como era entendida pela classe dominante.\n\n<strong>Representava altera\u00e7\u00f5es que estavam sendo processadas como:<\/strong>\u00a0a cria\u00e7\u00e3o de um poder militar central; redu\u00e7\u00e3o dos poderes regionais; elimina\u00e7\u00e3o dos mercen\u00e1rios e transfer\u00eancia para as for\u00e7as terrestres de fun\u00e7\u00f5es antes exercidas por for\u00e7as navais.\n\nA Revolta Praieira foi a \u00faltima das rebeli\u00f5es provinciais e marcou o fim do ciclo revolucion\u00e1rio em Pernambuco, com a integra\u00e7\u00e3o da Prov\u00edncia \u00e0 ordem imperial.\n\nA partir da\u00ed, com o poder centralizado no Rio de Janeiro, o jogo pol\u00edtico passaria a ser disputado entre os dois partidos no Parlamento, como canais para os interesses das elites, tendo como \u00e1rbitro o Imperador, atrav\u00e9s do Poder Moderador. Nas Prov\u00edncias, as fac\u00e7\u00f5es locais n\u00e3o desapareceram mas agruparam-se de acordo com as diretrizes da Corte, para que pudessem ser alvo dos favores clientel\u00edsticos do Minist\u00e9rio que ocupava o poder.\n\nO Regime Parlamentarista implantado com o Segundo Reinado teve desta forma um papel fundamental na estabilidade pol\u00edtica. Mas este Parlamentarismo era diferente de sua forma cl\u00e1ssica, em que o Rei exerce um papel decorativo e quem governa \u00e9 o Primeiro Ministro eleito pelo Parlamento, porque no Brasil, o Imperador podia nomear e demitir o Minist\u00e9rio e a m\u00e1quina do governo era utilizada para garantir a elei\u00e7\u00e3o dos governistas favor\u00e1veis ao Gabinete no poder.\n\nComo nas elei\u00e7\u00f5es o peso do Governo era muito grande, o Imperador conseguia eleger a C\u00e2mara que se harmonizava com o Gabinete por ele preferido.\n\nA partir de 1847, o Parlamentarismo, com o Presidente do Conselho de Ministros sendo nomeado pelo Imperador se imp\u00f4s. Durante o Segundo Reinado houve trinta e seis Gabinetes, permanecendo em m\u00e9dia um ano e tr\u00eas meses para cada um governar. Isto poderia sugerir uma instabilidade pol\u00edtica, mas isto n\u00e3o ocorria devido a um sistema flex\u00edvel de rod\u00edzio que permitia que o partido de oposi\u00e7\u00e3o assumisse o Governo sem traumas e rupturas, dando continuidade ao Governo anterior. No Brasil, o Rei reinava, governava e administrava, controlando o Estado em ordem de acordo com os interesses das elites.\n\n<strong>Mantendo esta forma de governo, o Imp\u00e9rio teve sua melhor \u00e9poca entre 1850 e 1870, fase que teve como caracter\u00edsticas:\u00a0<\/strong>os debates serem circunscritos ao Parlamento; a lavoura cafeeira em expans\u00e3o permitir o crescimento da economia e o trabalho escravo sustentar a estabilidade desejada pelas elites.\n\nA partir de 1870, com as dificuldades financeiras provenientes da Guerra do Paraguai, travada entre 1864 e 1870 e com o problema da escravid\u00e3o, que se tornou insustent\u00e1vel, os conservadores quiseram aumentar seu espa\u00e7o e com isto dificultaram a Pol\u00edtica de Concilia\u00e7\u00e3o, fazendo surgir o Partido Liberal Radical que depois deu origem ao Partido Republicano, que p\u00f4s fim \u00e0s concilia\u00e7\u00f5es das elites imperiais e deu in\u00edcio \u00e0 crise da Monarquia.\n\n<strong>O Desenvolvimento Cultural do Segundo Imp\u00e9rio<\/strong>\n\n<strong>O Desenvolvimento Liter\u00e1rio<\/strong>\n\nA explos\u00e3o cultural do Segundo Reinado foi feita \u00e0 imagem e semelhan\u00e7a do seu mecenas. Tranquilizado pela bonan\u00e7a pol\u00edtica resultante da concilia\u00e7\u00e3o e entusiasmo com a boa situa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica trazida pelo caf\u00e9, D. Pedro II decidiu investir na cultura. Por ser um processo incentivado pelo pr\u00f3prio Imperador, o movimento cultural se engajou numa \u201credescoberta\u201d da Na\u00e7\u00e3o Brasileira idealizado pelo Monarca. Os historiadores, pintores e literatos cultuaram o monumentalismo do Brasil, seguindo o enfoque do Romantismo.\n\nO Instituto Hist\u00f3rico e Geogr\u00e1fico Brasileiro, fundado pelo Regente Ara\u00fajo Lima, contou com o total apoio do Imperador, que chegou a presidir mais de 500 de suas sess\u00f5es.\n\nO Instituto se manifestava de acordo com o nacionalismo conservador que marcou o apogeu do Imp\u00e9rio escravagista.\n\n<strong>Dois fatos foram marcantes para a hist\u00f3ria do IHGB:<\/strong>\u00a0sua Revista, onde eram publicados importantes artigos sobre a Hist\u00f3ria do pa\u00eds, contando com a participa\u00e7\u00e3o dos mais importantes historiadores e diplomatas da \u00e9poca e que deixou um acervo important\u00edssimo de fontes para os futuros historiadores e a monumental obra de Francisco Adolfo de Varnhagen, que foi publicada em 1854, que foi a primeira obra da historiografia brasileira: Hist\u00f3ria Geral do Brasil, que apesar dos preconceitos e de refletir a constru\u00e7\u00e3o de um Brasil de civiliza\u00e7\u00e3o branca, ainda hoje \u00e9 a mais completa cr\u00f4nica documental da col\u00f4nia.\n\nD. Pedro mandou para Portugal bolsistas para que estudassem e copiassem documentos da Torre do Tombo, em Lisboa, entre eles Varnhagen.\n\nA produ\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria brasileira, inspirada no Romantismo, em voga na Europa e que repudiava os modelos est\u00e9ticos cl\u00e1ssicos, teve no per\u00edodo entre 1837 e 1869 a sua fase \u00e1urea com a literatura rom\u00e2ntica indianista.\n\nO Romantismo surgiu no Brasil, em 1836, com o lan\u00e7amento da Revista Niter\u00f3i, fundada em Paris por Gon\u00e7alves de Magalh\u00e3es e seus colegas.\n\n<strong>O movimento ficou conhecido no Brasil como Indianismo e teve entre seus maiores expoentes:<\/strong>\u00a0o poeta Gon\u00e7alves Dias, autor de I Juca Pirama, que via no massacre dos \u00edndios a met\u00e1fora de uma sociedade ainda sufocada pelos tent\u00e1culos da Metr\u00f3pole e o romancista Jos\u00e9 de Alencar, com O Guarani e Iracema, que mitificava a nova sociedade brasileira, apresentava o \u00edndio como o bom selvagem, belo, forte, livre e plenamente subserviente ao branco.\n\n<strong>Fagundes Varela foi o primeiro a tratar do tema do negro em Mauro, o Negro, em seguida Castro Alves ficou famoso com suas poesias a favor de causas sociais e pol\u00edticas, destacando-se:<\/strong>\u00a0o Navio Negreiro e ozes d\u2019\u00c1frica.\n\nA novidade da fic\u00e7\u00e3o foi o romance folhetinesco, que misturava digress\u00f5es ao relato de acontecimentos, com humor e cr\u00edtica social.\n\n<strong>Nele tiveram destaque:\u00a0<\/strong>Joaquim Manuel de Macedo com A Moreninha e Manuel Antonio de Almeida, em Mem\u00f3rias de um Sargento de Mil\u00edcias, que deu ao romance um cunho social.\n\nAo final do s\u00e9culo XIX o Realismo suplantou o Romantismo na Europa, com a ascens\u00e3o da burguesia ao topo econ\u00f4mico e a den\u00fancia das mazelas cotidianas substituindo o sentimentalismo.\n\n<strong>No Brasil teve destaque o Naturalismo, uma manifesta\u00e7\u00e3o mais radical do Realismo, com destaque para Alu\u00edsio Azevedo em suas obras:\u00a0<\/strong>O Mulato e O Corti\u00e7o.\n\n<strong>Na poesia, a oposi\u00e7\u00e3o ao Romantismo se deu com o Parnasianismo, que p\u00f4s fim \u00e0 espontaneidade da cria\u00e7\u00e3o, com a utiliza\u00e7\u00e3o das \u201crimas ricas\u201d e \u201cfechos de ouro\u201d, provocando o afastamento dos temas sociais. Suas figuras mais expressivas foram:<\/strong>\u00a0Olavo Bilac e Alberto de Oliveira.\n\nO maior escritor brasileiro, no entanto foi sem d\u00favida Machado de Assis, mulato, funcion\u00e1rio p\u00fablico, retratou com ironia e mordacidade a situa\u00e7\u00e3o da \u00e9poca, o decl\u00ednio dos valores, sem nunca deixar de usar a eleg\u00e2ncia.\n\n<strong>Deixou uma imensa cole\u00e7\u00e3o de obras entre as quais podemos destacar:\u00a0<\/strong>Dom Casmurro; Quincas Borba e Mem\u00f3rias P\u00f3stumas de Br\u00e1s Cubas.\n\n<strong>O Desenvolvimento Pict\u00f3rico e Musical<\/strong>\n\nA Academia Imperial de Belas Artes desempenhou o papel pict\u00f3rico no projeto de monumentalizar\u00e3o dos fatos hist\u00f3ricos do Brasil. Criada em 1816, pela Miss\u00e3o Francesa, a academia sempre foi caracterizada por seguir o neoclassicismo, tendo se fechado \u00e0s mudan\u00e7as art\u00edsticas provenientes da Europa.\n\nD. Pedro II adorava a pintura neocl\u00e1ssica, entre 1850 e 1880, muitos dos principais pintores ganharam bolsas para estudar em Paris e na It\u00e1lia.\n\nA condi\u00e7\u00e3o para isto no entanto parecia ser ficar hostil \u00e0s novas diretrizes da arte, afastando-se do realismo de Coubert, do romantismo de Dalacroix e do paisagismo de Corot.\n\nO resultado foi que pintores como Pedro Am\u00e9rico e V\u00edtor Meireles, especialistas em pinturas hist\u00f3ricas e sacras, e outros expoentes de sua \u00e9poca produziram obras cl\u00e1ssicas e laboriosas, mas de um alheamento g\u00e9lido.\n\nPedro Am\u00e9rico e Vitor Meireles fizeram escola e definiram as novas fei\u00e7\u00f5es da na\u00e7\u00e3o.\n\n<strong>Pedro Am\u00e9rico de Figueiredo e Melo (1843-1905) come\u00e7ou a pintar desde pequeno, em 1859 j\u00e1 estava em Paris, estudou filosofia e literatura e doutorou-se em f\u00edsica, mas foi em Floren\u00e7a que fez fama, apresentando as telas:<\/strong>\u00a0A Batalha do Ava\u00ed, em 1877 e O Grito do Ipiranga, em 1888, ambas feitas sob encomenda do Governo brasileiro.\n\n<strong>Quando estava em Paris conheceu V\u00edtor Meireles de Lima (1832-1903), que tamb\u00e9m era bolsista na Fran\u00e7a. Meireles pintou:<\/strong>\u00a0A Primeira Missa no Brasil, em 1861, e depois: A Batalha Naval do Riachuelo e Passagem de Humait\u00e1. Em 1875 foi acusado de pl\u00e1gio ao apresentar A Batalha dos Guararapes, considerada c\u00f3pia de A Batalha do Ava\u00ed, que Pedro Am\u00e9rico pintara em 1872.\n\nDuramente criticado deixou a pintura e dedicou-se \u00e0 c\u00e1tedra.\n\n<strong>Lecionando, V\u00edtor Meireles foi o mestre da gera\u00e7\u00e3o que deu continuidade \u00e0 representa\u00e7\u00e3o visual da Hist\u00f3ria do Brasil:<\/strong>\u00a0Henrique Bernadelli autor de Proclama\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica; Ant\u00f4nio Parreiras autor de A Pris\u00e3o de Tiradentes; Jos\u00e9 Maria de Medeiros autor de Iracema e Rodolfo de Amoedo autor de O \u00daltimo Tamoio.\n\n<strong>Os \u00edndios eram representados pelos pintores com a vis\u00e3o euroc\u00eantrica do homem natural e \u00edndio bom era o \u00edndio morto, quanto aos negros permaneceram banidos das artes brasileiras at\u00e9 1892, quando o pintor espanhol Modesto Brocos y G\u00f3mez pintou um negro no quadro:<\/strong>\u00a0O Engenho.\n\n<strong>Entre os disc\u00edpulos de Meireles surgiram dois grandes inovadores da arte no Brasil:<\/strong>\u00a0Elyseo Visconti (1866-1944), fundador do paisagismo autenticamente brasileiro, que pintou a c\u00fapula do Teatro Municipal do Rio de Janeiro e Almeida J\u00fanior (1850-1899) que fez eclodir o homem do campo com: O Caipira Picando Fumo, que apresentava um lirismo original.\n\nEstes foram os homens que atrav\u00e9s da pintura fizeram a mem\u00f3ria visual da Hist\u00f3ria do Brasil.\n\nA m\u00fasica teve sua maior express\u00e3o em Antonio Carlos Gomes, que tamb\u00e9m foi bolsista do Imperador e estudou m\u00fasica na Europa.\n\n<strong>Em 19 de mar\u00e7o de 1870, no Teatro Scala de Mil\u00e3o, com um cen\u00e1rio monumental, estreava sua vers\u00e3o musical do romantismo indianista:<\/strong>\u00a0a \u00d3pera O Guarani, que embora sendo a mais famosa n\u00e3o \u00e9 a sua melhor obra, que \u00e9 A Fosca, escrita em 1873. Escreveu tamb\u00e9m O Escravo, \u00f3pera que \u00e9 ambientalizada na cidade do Rio de Janeiro.\n\nEm 1889, Carlos Gomes recusou-se a atender ao pedido do Marechal Deodoro da Fonseca para compor o Hino da Rep\u00fablica e por esta ousadia pagou caro, morreu no esquecimento, em 1896.\n\n<strong>Cultura Popular no Rio de Janeiro<\/strong>\n\nA popula\u00e7\u00e3o urbana que n\u00e3o pertencia \u00e0 elite imperial tamb\u00e9m tinha prazer em escutar m\u00fasica e dan\u00e7ar. A diferen\u00e7a era que eles ouviam os \u201cchor\u00f5es\u201d, conjuntos de cordas formados por funcion\u00e1rios p\u00fablicos.\n\nA dan\u00e7a predileta do povo era o maxixe, uma adapta\u00e7\u00e3o da polca e da mazurca, incorporando requebros mais ousados.\n\nO Carnaval promovia, nas ruas, o encontro da elite e do povo. As fam\u00edlias abastadas desfilavam em carros abertos e iam aos bailes de m\u00e1scara, as camadas mais pobres realizavam o \u201centrudo\u201d, que tinha origem portuguesa. A intelectualidade, como forma aleg\u00f3rica de propaganda pol\u00edtica, fundou as grandes sociedades carnavalescas, que em corso transmitiam sua mensagem aos espectadores. Em 1850, foi formada a Sumidades Carnavalescas; em 1858 os Tenentes do Diabo e em 1867, os Fenianos e os Democr\u00e1ticos. D. Pedro II apreciava assistir ao desfile das grandes sociedades.\n\nOutra forma de divers\u00e3o popular ficava a cargo das festas religiosas como a da Igreja da Penha no Bairro da Penha e a de Nossa Senhora do Ros\u00e1rio e S\u00e3o Benedito, localizada na Rua Uruguaiana.\n<h4><strong>Sociedade do Rio de Janeiro no Segundo Imp\u00e9rio<\/strong><\/h4>\nNo Rio de Janeiro da segunda metade do s\u00e9culo XIX, houve um processo e dissolu\u00e7\u00e3o do escravagismo que antecedeu \u00e0 Aboli\u00e7\u00e3o, porque ao mesmo tempo em que o crescimento da cidade gerou uma escala de abastecimento interna criou tamb\u00e9m o espa\u00e7o para o trabalho livre.\n\n<strong>Nas ruas da cidade do Rio de Janeiro, nesta \u00e9poca, os escravos desempenhavam diversas fun\u00e7\u00f5es, como:<\/strong>\u00a0art\u00edfices de qualquer produto que n\u00e3o fosse importado; eram carregadores, transportadores de carga e vendedores e as escravas muitas vezes vendiam seus quitutes ou eram prostitutas. Na estiva e nos armaz\u00e9ns portu\u00e1rios trabalhavam libertos e imigrantes. Os escravos viviam como dom\u00e9sticos, alugados por seus senhores ou como escravos de ganho e concentravam-se nos chafarizes, nos \u201cCantos de Na\u00e7\u00f5es\u201d e nos corti\u00e7os, que come\u00e7aram a ser proibidos em 1876.\n\nMuitos eram empregados nas manufaturas pioneiras. O trabalho manual era identificado com a escravid\u00e3o e rejeitado pelos homens livres.\n\nCom o crescimento urbano, era comum ver os cativos oferecendo seus servi\u00e7os. Parte da renda obtida destinava-se ao seu sustento e o restante era entregue aos seus senhores no final do dia ou semanalmente.\n\nOs propriet\u00e1rios n\u00e3o se preocupavam com a forma pela qual eles obtinham o dinheiro, por isto era comum ocorrerem roubos cometidos por escravos de ganho para poderem completar a quantia estipulada pelo seu senhor.\n\nDiferente das \u00e1reas rurais, o escravo na cidade tinha uma certa autonomia, porque estava distante do controle do senhor. Nas cidades os escravos se confundiam com os libertos, devido a isto as atividades urbanas tinham papel significativo para eles. As cidades funcionavam como verdadeiro esconderijo, principalmente o Rio de Janeiro, porque a quantidade de escravos era muito grande.\n\nApesar de suas caracter\u00edsticas, a escravid\u00e3o urbana n\u00e3o deixava de conviver com a viol\u00eancia do senhor e com a resist\u00eancia do escravo.\n\nNa arqueologia da favela est\u00e1 o quilombo, que se articulava de alguma forma com o espa\u00e7o urbano. Existiam quilombos nas fronteiras da cidade, como por exemplo o da Serrinha, que permitiam aos quilombados ganharem a vida, indistintamente dos libertos e dos escravos de ganho urbano.\n\nO Rio de Janeiro n\u00e3o industrializado foi o espa\u00e7o dos empalhadores, dos lustradores, dos reparadores de eletrodom\u00e9sticos, dos tropeiros e de tudo aquilo que Jo\u00e3o do Rio denominou de \u201cprofiss\u00f5es ignoradas\u201d da mis\u00e9ria, que tinham como oficinas as ruas.\n\nA dissolu\u00e7\u00e3o do escravagismo, no entanto, n\u00e3o constituiu um mercado de trabalho capitalista. Os prestadores de servi\u00e7o ganhavam pouco e eram pressionados pela massa de homens livres e pobres da cidade.\n\nO Rio de Janeiro foi o laborat\u00f3rio urbano do Brasil no s\u00e9culo XIX, com sua elite incorporando, devido \u00e0 sua superestrutura, padr\u00f5es modernos de consumo. Em 1872, com a implanta\u00e7\u00e3o do sistema m\u00e9trico houve uma revolta que foi denominada de \u201cQuebra quilos\u201d, porque o povo suspeitava que se tratava apenas de mais uma forma de ast\u00facia dos comerciantes para ampliar seus lucros.\n\nUma das divers\u00f5es da cidade foi o teatro j\u00e1 existente desde 1813, com a cria\u00e7\u00e3o do Real Teatro S\u00e3o Jo\u00e3o, rebatizado de S\u00e3o Pedro de Alc\u00e2ntara, em 1826, e arrendado, em 1838, por Jo\u00e3o Caetano. Em 1871, foi inaugurado o Teatro Imperial D. Pedro II, que teve em sua abertura um baile de m\u00e1scaras, ele ficava na Rua da Guarda Velha, na regi\u00e3o onde hoje fica a Rua 13 de Maio e nele eram apresentadas as \u00f3peras, muito ao gosto da Corte, por isto ficou conhecido como Teatro L\u00edrico. Com a inaugura\u00e7\u00e3o do Teatro Municipal, em 1909, ele ficou relegado ao segundo plano e acabou por ser demolido em 1934.\n\nO gosto pelas variedades circenses foi paralelo ao teatro. Desde os meados do s\u00e9culo a cidade j\u00e1 possu\u00eda o Caf\u00e9-concerto Alcazar que inspirou a abertura de outros semelhantes e tamb\u00e9m de casas de jogo, que deixavam a pol\u00edcia preocupada pela multiplica\u00e7\u00e3o de casas clandestinas e pelas fraudes que nelas ocorriam habitualmente. Em meados do s\u00e9culo existiam na cidade seis famosos sal\u00f5es de bailes.\n\nNo Teatro S\u00e3o Pedro, em 1854, podiam dan\u00e7ar 5.000 pessoas. Em 1868 existiam no Rio de Janeiro mais de quatorze sociedades recreativas.\n\nNo Hotel Pharoux funcionou o primeiro restaurante sofisticado do Rio de Janeiro que ganhou fama pela excel\u00eancia de sua cozinha francesa, incluindo os bons vinhos franceses.\n\nO costume de comer fora de casa evoluiu lentamente na cidade. As confeitarias prosperavam, sendo a Pascoal a refer\u00eancia no final do s\u00e9culo.\n\n<b>A Casa Jac\u00f3, a partir de 1887, passou a produzir na Rua da Assembleia, o que viria a ser uma grande paix\u00e3o do Rio:<\/b>\u00a0o primeiro Chope do Brasil.\n\nDesde 1868 foi organizado o Jockey Club do Hip\u00f3dromo Fluminense, pelo Major Suckow, onde hoje fica o Est\u00e1dio do Maracan\u00e3. Antes j\u00e1 eram promovidas corridas na Praia de Botafogo.\n\n<strong>O remo j\u00e1 era praticado no Rio de Janeiro desde o in\u00edcio do s\u00e9culo, mas a paix\u00e3o pelo esporte fez surgir, ao final do s\u00e9culo diversos clubes como<\/strong>: Fluminense; S\u00e3o Crist\u00f3v\u00e3o; Flamengo e Vasco da Gama, que eram agremia\u00e7\u00f5es de amadores mobilizados para as regatas. A partir de 1852 come\u00e7aram a ser praticadas competi\u00e7\u00f5es na Praia de Botafogo.\n\nPr\u00f3ximo \u00e0 Pra\u00e7a XV, em 1880, existiu um pal\u00e1cio flutuante, com tanques para banhos de mar como prescri\u00e7\u00e3o m\u00e9dica, com o objetivo de se ficar ao sol.\n\nA aproxima\u00e7\u00e3o das elites com as praias foi feita de forma lenta e t\u00edmida, mas ao final do s\u00e9culo j\u00e1 existiam casas organizadas para banho de mar. Em 1892 com a abertura do T\u00fanel Velho, ligando Botafogo a Copacabana, foi desenvolvido o h\u00e1bito de se fazer piquenique em Copacabana, nascia modestamente a maior cidade balne\u00e1ria do mundo.\n\n<strong>O SEGUNDO IMP\u00c9RIO D. PEDRO II \u2013 1840 a 1889<\/strong>\n\n<strong>Pol\u00edtica no Segundo Imp\u00e9rio (1840-1889):\u00a0<\/strong>a calma dos cemit\u00e9rios\n\nO per\u00edodo do segundo reinado foi um dos mais calmos do Brasil do s\u00e9c. XIX. Por\u00e9m, nem tudo era t\u00e3o harmonioso, e, para alcan\u00e7ar uma estabilidade relativa, o imperador teve de fazer malabarismos pol\u00edticos.\n\nA habilidade pol\u00edtica de D. Pedro II era filha da necessidade. Ao assumir o governo, em 1840, D. Pedro II era muito jovem, um adolescente de quinze anos incompletos.\n\nN\u00e3o possu\u00eda dados ou experi\u00eancia para definir se era melhor se rodear de liberais ou de conservadores para realizar as atividades de administra\u00e7\u00e3o.\n\nDecidiu-se pelos liberais porque este partido havia liderado a campanha pela antecipa\u00e7\u00e3o de sua maioridade.\n\nO minist\u00e9rio liberal, assim que tomou posse, decretou anistia a todos os que haviam feito revoltas no per\u00edodo regencial. O objetivo, parcialmente atingido, era o de evitar conflitos que pudessem colocar em risco nossa unidade territorial.\n\nAs preocupa\u00e7\u00f5es do Partido Liberal com o bem estar nacional duraram, infelizmente, muito pouco. Logo a seguir, os liberais pediram que D. Pedro II convocasse elei\u00e7\u00f5es para renovar a c\u00e2mara de deputados.\n\nArgumentavam que um novo governante deveria ser assessorado por um legislativo igualmente renovado.\n\n<strong>Mentira:\u00a0<\/strong>os liberais aproveitaram-se do fato de estarem dirigindo o aparelho burocr\u00e1tico do governo para utiliz\u00e1-lo numa forte manobra de intimida\u00e7\u00e3o e viol\u00eancia contra os eleitores.\n\nEstas elei\u00e7\u00f5es passaram para a hist\u00f3ria com o sugestivo t\u00edtulo de Elei\u00e7\u00f5es do Cacete, tal a viol\u00eancia utilizada durante sua realiza\u00e7\u00e3o.\n\n<b>As lideran\u00e7as pol\u00edticas liberais despreocuparam-se\u00a0com as grandes quest\u00f5es nacionais para defender seus interesses particulares:<\/b>\u00a0acabaram brigando entre si.\n\nE estas lutas foram t\u00e3o mesquinhas que enojaram o jovem imperador. D. Pedro II decidiu dissolver o minist\u00e9rio liberal, em mar\u00e7o de 1841, substituindo-o por um gabinete conservador.\n<p class=\"imagem\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Segundo Imp\u00e9rio\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/ssegund17.jpg\" alt=\"Segundo Imp\u00e9rio\" width=\"184\" height=\"302\" \/>\n<b>Dom Pedro II a proferir discurso de abertura em assembleia\u00a0geral. <\/b>\n<b>Ao fundo, a bandeira do Segundo Imp\u00e9rio, com 20 estrelas representando as prov\u00edncias brasileiras \u00e0 \u00e9poca<\/b><\/p>\n<strong>CONSERVADORES DA VIOL\u00caNCIA<\/strong>\n\nOs conservadores, da mesma forma que os liberais, privilegiaram seus apetites pol\u00edticos locais. Deixaram de lado as quest\u00f5es de unidade nacional, gerenciamento do Estado ou crescimento econ\u00f4mico, para gastar quase todo o tempo dedicado \u00e0 pol\u00edtica para escorra\u00e7ar as lideran\u00e7as regionais rivais. Assim que assumiu o poder, o Partido Conservador pediu que D. Pedro II anulasse as elei\u00e7\u00f5es do cacete, convocando nova vota\u00e7\u00e3o. Desnecess\u00e1rio dizer que os conservadores utilizaram- se dos mesmos procedimentos violentos para obter a maioria da c\u00e2mara de deputados.\n\nOs liberais revoltaram-se por sofrer as mesmas coa\u00e7\u00f5es que, um ano antes, haviam utilizado alegremente contra seus rivais. Assim ocorrem os levantes liberais de 1842, em S\u00e3o Paulo e Minas Gerais, prontamente reprimidos pelas tropas do futuro Duque de Caxias.\n\n<strong>Estas disputas regionais ensinam ao jovem e inteligente imperador que os partidos pol\u00edticos brasileiros, naquele momento, n\u00e3o brigavam porque tinham concep\u00e7\u00f5es diferentes:<\/strong>\u00a0brigavam pelas benesses do poder. Por isso, se D. Pedro II promovesse um revezamento peri\u00f3dico entre os partidos, as revoltas da elite cessariam. Foi o que ele fez. Bastava, para ao setor da elite que estivesse na oposi\u00e7\u00e3o um pouco de paci\u00eancia para esperar um retorno ao poder.\n\n\u00c9 necess\u00e1rio observar que D. Pedro II n\u00e3o tinha o mesmo poder absolutista que seu pai.\n\n<strong>Mas, ainda assim, sua for\u00e7a pol\u00edtica era gigantesca:<\/strong>\u00a0o Ato de Interpreta\u00e7\u00e3o do Ato Adicional, assinado em maio de 1840, pouco antes do golpe da maioridade, reduzia as altera\u00e7\u00f5es liberais do Ato Adicional a quase nada; a reforma do c\u00f3digo de processo criminal, aprovada junto com o Ato de Interpreta\u00e7\u00e3o, tornou muito duras as penalidades contra a subvers\u00e3o pol\u00edtica; restabeleceu-se a exist\u00eancia do Conselho de Estado; o imperador ganhou o direito de nomear os chefes de pol\u00edcia, nas prov\u00edncias.\n<p class=\"imagem\"><b><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Segundo Imp\u00e9rio\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/ssegund18.jpg\" alt=\"Segundo Imp\u00e9rio\" width=\"191\" height=\"286\" \/><\/b>\n<b>F\u00e9lix \u00c9mile Taunay retratou Dom Pedro II ao assumir o governo, quando este era ainda um adolescente de 15 anos incompletos, <\/b>\n<b>sem experi\u00eancia para definir se deveria cercar-se\u00a0de liberais ou de conservadores. O quadro reproduzido se encontra hoje no Museu Imperial, em Petr\u00f3polis (RJ)<\/b><\/p>\n<strong>TRANQ\u00dcILIDADE POL\u00cdTICA E O CAF\u00c9<\/strong>\n\n<strong>A partir de 1850, o Brasil ganha a fisionomia que seria a marca registrada do governo de D. Pedro II: <\/strong>paz, tranquilidade p\u00fablica, progresso, economia em expans\u00e3o, elei\u00e7\u00f5es peri\u00f3dicas, partidos pol\u00edticos revezando- se ordeira e democraticamente no poder e \u0096 pairando acima de tudo e de todos \u0096 a figura serena de um senhor com jeit\u00e3o de vov\u00f4 bondoso e longas barbas brancas: o imperador.\n<h4>Qual teria sido a receita utilizada, com tanto sucesso, por D. Pedro II? Como ele conseguiu esta tranquilidade toda?<\/h4>\n<strong>Os ingredientes eram quatro:<\/strong>\n<blockquote><strong>1.<\/strong> Estabilidade econ\u00f4mica promovida pela cafeicultura nacional;\n<strong>2.<\/strong> Revezamento dos partidos de elite no poder;\n<strong>3. <\/strong>Parlamentarismo e concilia\u00e7\u00e3o;\n<strong>4. <\/strong>Repress\u00e3o violenta \u00e0s manifesta\u00e7\u00f5es de descontentamento popular.<\/blockquote>\nO Brasil chegou ao s\u00e9culo XIX dentro de uma enorme crise econ\u00f4mica. O ouro escasseava, o a\u00e7\u00facar enfrentava concorrentes que conseguiam produzir mais barato. Al\u00e9m disso, as guerras napole\u00f4nicas reduziam o espa\u00e7o comercial europeu para os aliados da Inglaterra, como era o nosso caso. As duas primeiras d\u00e9cadas de nossa vida independente foram igualmente dif\u00edceis porque, habituados \u00e0 exporta\u00e7\u00e3o, n\u00e3o t\u00ednhamos algum produto que pudesse atender aos interesses do mercado internacional.\n\nTudo isto mudou, com o desenvolvimento da cafeicultura. O caf\u00e9 tornou-se a base da economia brasileira.\n\n<strong>Isto nos leva a uma pergunta: <\/strong>como um pa\u00eds em crise, como o Brasil, conseguiu implantar um sistema produtivo que nos deu estabilidade econ\u00f4mica?\n<p class=\"imagem\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Segundo Imp\u00e9rio\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/ssegund19.jpg\" alt=\"Segundo Imp\u00e9rio\" width=\"369\" height=\"301\" \/>\nDom Pedro II com a esposa, Imperatriz Teresa Cristina<\/strong><\/p>\nO maior exportador mundial de caf\u00e9 era o Haiti. Mas no final do s\u00e9culo XVIII, esta ilha inicia um prolongado conflito com a Fran\u00e7a, lutando pela independ\u00eancia. Como consequ\u00eancia, a produ\u00e7\u00e3o haitiana desorganiza-se e o Brasil come\u00e7a a surgir como alternativa para o mercado internacional.\n\n<strong>N\u00e3o seria necess\u00e1rio um grande volume de capital para ampliar a cafeicultura:<\/strong> bastava utilizar os recursos produtivos que estavam ficando ociosos por causa da decad\u00eancia da minera\u00e7\u00e3o. O caf\u00e9 expandia-se na regi\u00e3o da Serra do Mar, nas fronteiras das prov\u00edncias de S\u00e3o Paulo e Rio de Janeiro. Esta regi\u00e3o podia beneficiar-se das estradas e caminhos, constru\u00eddos para escoar a produ\u00e7\u00e3o aur\u00edfera, do s\u00e9culo anterior. O caf\u00e9 seria transportado pelas mesmas tropas de mulas que antes faziam a movimenta\u00e7\u00e3o de ouro, rumo aos portos do litoral. Os trabalhadores da lavoura ser\u00e3o os escravos que anteriormente escavavam as minas de ouro. As terras custavam pouco e n\u00e3o necessitavam de aduba\u00e7\u00e3o, pois estavam sendo tomadas \u00e0 floresta e possu\u00edam, ainda, todo vigor natural. Gra\u00e7as a estas facilidades, a cafeicultura expandiu-se rapidamente. \u00c9 o dinheiro do caf\u00e9 que permitir\u00e1 a D. Pedro II realizar uma razo\u00e1vel atividade administrativa.\n\n<strong>O REVEZAMENTO NO PODER LEGISLATIVO<\/strong>\n\n<strong>Os partidos pol\u00edticos, no Segundo Imp\u00e9rio, n\u00e3o s\u00e3o ideologicamente diferenciados:<\/strong> s\u00e3o grupos de elite que disputam o poder pol\u00edtico em busca da defesa de interesses localizados e, quase sempre, pessoais. Estas disputas levavam a conflitos regionais bastante violentos.\n\n<strong>O imperador D. Pedro II decidiu esfriar o \u00e2nimo guerreiro dos grupos rivais com uma atitude \u0093salom\u00f4nica\u0094: <\/strong>criando uma estrutura parlamentarista peculiar, revezava os partidos no comando ministerial.\n\nOs conflitos militares desapareceram, dando lugar a um (algumas vezes muito bem-humorado) confronto verbal nas tribunas da C\u00e2mara de Deputados.\n\n<strong>PARLAMENTARISMO IMPERIALISTA<\/strong>\n\n<strong>O parlamentarismo foi adotado, no Brasil, com uma caracter\u00edstica importante:<\/strong> existia, em nossa constitui\u00e7\u00e3o, o Poder Moderador, de uso exclusivo do imperador, permitindo que nosso monarca interferisse no funcionamento dos demais poderes pol\u00edticos. Isto significa que, na Inglaterra, o Primeiro Ministro precisava da confian\u00e7a da C\u00e2mara; no Brasil era necess\u00e1rio obter, ao mesmo tempo, a confian\u00e7a da C\u00e2mara e do imperador.\n\nCaso o Primeiro-Ministro entrasse em conflito com a C\u00e2mara, era o imperador quem decidiria qual dos dois continuaria a exercer suas fun\u00e7\u00f5es. Se o Imperador considerasse que a C\u00e2mara estava certa, demitia o Primeiro- Ministro, substituindo-o por outro; se achasse que o Primeiro-Ministro estava correto, dissolvia a C\u00e2mara, convocando novas elei\u00e7\u00f5es para escolher os deputados.\n\nAssim, as principais decis\u00f5es pol\u00edticas do Pa\u00eds estavam nas m\u00e3os de D. Pedro II, que possu\u00eda muito mais poder do que os Chefes de Estado parlamentaristas, em outros pa\u00edses. As mudan\u00e7as do gabinete vinham \u0093de cima\u0094, do imperador; e n\u00e3o \u0093de baixo\u0094, da C\u00e2mara de Deputados. Por isso, o sistema brasileiro ficou conhecido como \u0093parlamentarismo \u00e0s avessas\u0094.\n\nRetirando-se do imperador as atribui\u00e7\u00f5es de Poder Executivo, evita-se o desgaste pol\u00edtico do soberano, que passou a ser apresentado \u00e0 opini\u00e3o p\u00fablica como uma esp\u00e9cie de pai de todos os brasileiros, um homem acima das lutas pol\u00edticas e das pequenas brigas partid\u00e1rias, preocupado apenas com o bem estar da p\u00e1tria. A valoriza\u00e7\u00e3o da figura do imperador ajudava a fortalecer a monarquia, permitindo a consolida\u00e7\u00e3o do poderio pol\u00edtico da aristocracia rural. Desse modo, o parlamentarismo contribui para a estabilidade pol\u00edtica do Segundo Imp\u00e9rio.\n\n<strong>DE RECIFE PARA O MUNDO<\/strong>\n\nA <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-159911\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Segund7.jpg\" alt=\"\" width=\"25\" height=\"11\" \/>Revolu\u00e7\u00e3o Praieira produziu um \u0093Manifesto ao Mundo\u0094, redigido e publicado por Borges da Fonseca em 1\u00ba de janeiro de 1849.\n\n<strong>Apresenta os \u009310 mandamentos\u0094 da revolta: <\/strong>\n<blockquote><strong>1\u00ba &#8211;<\/strong> Voto livre e universal\n<strong>2\u00ba-<\/strong> Liberdade de imprensa\n<strong>3\u00ba-<\/strong> Garantia de trabalho para todos os cidad\u00e3os\n<strong>4\u00ba-<\/strong> S\u00f3 brasileiros poderiam fazer com\u00e9rcio de varejo\n<strong>5\u00ba-<\/strong> Harmonia e independ\u00eancia entre os poderes pol\u00edticos\n<strong>6\u00ba-<\/strong> Extin\u00e7\u00e3o do Poder Moderador\n<strong>7\u00ba-<\/strong> Federalismo\n<strong>8\u00ba-<\/strong> Garantia para os direitos individuais\n<strong>9\u00ba-<\/strong> Extin\u00e7\u00e3o da cobran\u00e7a de juros\n<strong>10\u00ba-<\/strong> Extin\u00e7\u00e3o do recrutamento militar.<\/blockquote>\n<h4><strong>H\u00e1 caracter\u00edsticas socialistas? <\/strong><\/h4>\n<strong>Talvez. Mas h\u00e1 tamb\u00e9m uma incr\u00edvel omiss\u00e3o:<\/strong> n\u00e3o se fala, em momento algum, da quest\u00e3o escravista. O \u0093Manifesto ao Mundo\u0094 parece espelhar os interesses da pequena burguesia pernambucana.\n\n<strong>DA CONCILIA\u00c7\u00c3O \u00c0 REVOLTA<\/strong>\n\nAp\u00f3s a implanta\u00e7\u00e3o do sistema parlamentarista, alguns pol\u00edticos sentiram a necessidade de realizar altera\u00e7\u00f5es constitucionais.\n\n<strong>O problema \u00e9 que, nos dois partidos, existiam radicais: <\/strong>entre os liberais, existiam republicanos; entre os conservadores, pol\u00edticos extremamente reacion\u00e1rios.\n\nA solu\u00e7\u00e3o encontrada foi a cria\u00e7\u00e3o de um \u0093gabinete da concilia\u00e7\u00e3o\u0094, onde os cargos ministeriais foram divididos entre os pol\u00edticos n\u00e3o-radicais, de ambos os partidos. Os gabinetes de concilia\u00e7\u00e3o, entre os anos de 1853 e 1858, promoveram as reformas constitucionais estabilizadoras do processo pol\u00edtico e econ\u00f4mico, no Brasil.\n\nNo final do ano de 1848, D. Pedro II derrubou um gabinete liberal, substituindo-o por outro, conservador.\n\n<strong>Este foi o pretexto para uma das mais importantes revoltas brasileiras: <\/strong>a Praieira, em Pernambuco.\n\nLogo ap\u00f3s os conservadores organizarem seu gabinete, ocorreu uma elei\u00e7\u00e3o para o senado, em Pernambuco (naquela \u00e9poca, o cargo de senador era vital\u00edcio; quando um senador morria, ocorriam elei\u00e7\u00f5es, para a substitui\u00e7\u00e3o; o imperador recebia uma lista com os tr\u00eas mais votados para o cargo, tendo o direito de escolher qualquer um desses tr\u00eas, para preench\u00ea-lo). Nas elei\u00e7\u00f5es, venceu um liberal, que atendia pelo nome de Chichorro da Gama. Acontece que D. Pedro II escolheu, para o cargo, um candidato muito menos votado que o senhor Chichorro&#8230;\n\n<strong>PERNAMBUCO LIBERAL<\/strong>\n\nOs revolucion\u00e1rios queriam muito mais do que empossar Chichorro da Gama. Dirigidos por Nunes Machado e Borges da Fonseca (conhecido como \u0093o rep\u00fablico\u0094), propunham aboli\u00e7\u00e3o da escravid\u00e3o, nacionaliza\u00e7\u00e3o do com\u00e9rcio, rep\u00fablica, liberdade de imprensa e v\u00e1rias transforma\u00e7\u00f5es s\u00f3cio-econ\u00f4micas. Os rebeldes tomaram a capital da prov\u00edncia. Tropas do governo central reconquistaram Recife ap\u00f3s violentos combates travados nas ruas da cidade.\n\nAs lutas, por todo o ano de 1849, continuam a ocorrer no interior da prov\u00edncia, com o apoio decidido de sertanejos pobres. A repress\u00e3o governamental tornou-se ainda mais violenta e os \u0093praieiros\u0094 ficaram isolados politicamente, uma vez que os liberais do resto do Brasil recusavam-se a apoiar os seus correligion\u00e1rios \u0093excessivamente\u0094 liberais, de Pernambuco. Os chefes revoltosos (os que n\u00e3o foram mortos!) acabaram presos e condenados \u00e0 pris\u00e3o perp\u00e9tua.\n\nAinda assim, no sert\u00e3o pernambucano persiste a luta, sob a lideran\u00e7a do capit\u00e3o Pedro Ivo Veloso da Silveira, at\u00e9 o ano de 1850. Os combates cessam quando Pedro Ivo, tra\u00eddo pelo pr\u00f3prio pai, tem seu esconderijo descoberto, sendo preso por tropas legalistas.\n\n<strong>APARATO REPRESSIVO<\/strong>\n\nSe a repress\u00e3o contra uma revolta patrocinada por dissidentes da elite fundi\u00e1ria era t\u00e3o violenta, imagine-se o que acontecia com as revoltas produzidas entre os setores mais humildes da popula\u00e7\u00e3o. Colonos alem\u00e3es que se radicaram em S\u00e3o Leopoldo, no Rio Grande do Sul, por exemplo, ao tentar manter um padr\u00e3o de vida comunit\u00e1rio, ap\u00f3s a chegada da ferrovia \u00e0 regi\u00e3o, acabaram por ter suas casas incendiadas. Al\u00e9m disso, acusados de serem \u0093fan\u00e1ticos\u0094 (<em>muckers<\/em>) muitos colonos foram mutilados ou degolados, em meados do ano de 1874.\n\nComo o governo imperial encontrou os meios para exercer repress\u00e3o t\u00e3o eficiente e brutal? A viol\u00eancia pol\u00edtica tornou-se t\u00e3o intensa que a popula\u00e7\u00e3o n\u00e3o tinha mais como protestar. O Brasil estava pacificado, tranquilo e silencioso. Como um cemit\u00e9rio.\n\n<strong>ROMPE-SE O PACTO DE ELITES E O IMP\u00c9RIO FRAQUEJA<\/strong>\n\nO Brasil passou por transforma\u00e7\u00f5es vigorosas, na segunda metade do s\u00e9culo XIX. Gra\u00e7as \u00e0 cafeicultura, voltamos a fazer parte das rotas internacionais de com\u00e9rcio. Multiplicou-se o trabalho assalariado, provocando o crescimento de nosso mercado interno. Cresceram as atividades comerciais, dinamizou-se a atividade industrial, ampliou-se a classe m\u00e9dia.\n\nNa agricultura, ocorreu a cis\u00e3o entre alguns grandes fazendeiros que se desligaram do mercado externo (por produzirem artigos de comercializa\u00e7\u00e3o decadente, como o a\u00e7\u00facar e o algod\u00e3o) e os cafeicultores, que s\u00e3o partid\u00e1rios da moderniza\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica.\n\nOs donos de engenho e os fazendeiros de algod\u00e3o possu\u00edam, ainda, enorme for\u00e7a pol\u00edtica. Dominavam eleitoralmente as prov\u00edncias nordestinas gra\u00e7as ao senado vital\u00edcio e ao voto mandioca, o que dava sustenta\u00e7\u00e3o pol\u00edtica ao imperador. A postura desses fazendeiros era extremamente conservadora, n\u00e3o admitindo a aboli\u00e7\u00e3o da escravatura, nem altera\u00e7\u00f5es pol\u00edticas relevantes.\n\nOs cafeicultores n\u00e3o utilizam escravos, apoiavam o desenvolvimento das atividades comerciais e industriais e consideravam inadequadamente excessiva a participa\u00e7\u00e3o dos fazendeiros nordestinos nas grandes decis\u00f5es pol\u00edticas do pa\u00eds.\n\n<strong>O PARTIDO REPUBLICANO<\/strong>\n\nComo o sistema pol\u00edtico do Imp\u00e9rio Brasileiro mostrava-se incapaz de adapta\u00e7\u00e3o aos novos tempos, esvaiu-se a legitimidade entre os cafeicultores. A impossibilidade em participar do jogo pol\u00edtico fez com que tamb\u00e9m a classe m\u00e9dia virasse as costas ao Imp\u00e9rio e abra\u00e7asse a causa republicana.\n\nUm trecho do manifesto de funda\u00e7\u00e3o do partido republicano, assinado em 1870, mostra a dimens\u00e3o do abismo que se construiu entre o Imp\u00e9rio e os grupos economicamente mais din\u00e2micos da sociedade brasileira.\n\n<strong>A proposta de autonomia para as prov\u00edncias na verdade mostra a ansiedade em se destruir o sistema pol\u00edtico que se tornou obsoleto:<\/strong>\n<blockquote>\u0093A centraliza\u00e7\u00e3o, tal qual existe, representa o despotismo, d\u00e1 for\u00e7a ao poder pessoal que avassala, estraga e corrompe os caracteres, perverte e anarquiza os esp\u00edritos, comprime a liberdade, constrange o cidad\u00e3o, subordina o direito de todos ao arb\u00edtrio de um s\u00f3 poder, nulifica de fato a soberania nacional, mata o est\u00edmulo do progresso local, suga a riqueza peculiar das prov\u00edncias, constituindo-as sat\u00e9lites obrigados da Corte &#8211; centro absorvente que tudo corrompe e tudo concentra em si&#8230;\u0094<\/blockquote>\nO Partido Republicano n\u00e3o conseguiu tornar-se popular (talvez boa parte da popula\u00e7\u00e3o n\u00e3o tenha, sequer, ouvido falar dos republicanos), mas obteve o apoio da quase totalidade das camadas urbanas, 10% da popula\u00e7\u00e3o brasileira. Apesar de suas divis\u00f5es internas, apresentava-se coeso nas suas lutas pela autonomia provincial, pelo fim do voto mandioca e do senado vital\u00edcio, contra o uso do Poder Moderador, pela aboli\u00e7\u00e3o da escravid\u00e3o.\n\nNo final das contas, o Partido Republicano n\u00e3o conseguiu romper a tranquilidade pol\u00edtica do imp\u00e9rio. Mesmo fazendo manifesta\u00e7\u00f5es e com\u00edcios, al\u00e9m de ocupar espa\u00e7o na imprensa, as ideias republicanas n\u00e3o conseguiram romper o espiral de sil\u00eancio imposto pelas institui\u00e7\u00f5es mon\u00e1rquicas. Uma evid\u00eancia desse fato \u00e9 que, no momento da proclama\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica, o partido n\u00e3o teve qualquer import\u00e2ncia, sendo completamente eclipsado pelo Ex\u00e9rcito Brasileiro na condu\u00e7\u00e3o dos acontecimentos.\n\n<strong>A VIOL\u00caNCIA NO COTIDIANO<\/strong>\n\nA sociedade escravocrata brasileira era muito violenta. O homic\u00eddio era considerado trivial.\n\n<strong>O c\u00f4nsul brit\u00e2nico em Santos (SP), Richard Burton (que se notabilizou descobrindo a nascente do Rio Nilo), observou:<\/strong> \u0093Via de regra, todos os homens andam armados: com rev\u00f3lveres e punhais, que s\u00e3o usados ocultamente nas cidades; no interior, ningu\u00e9m anda a p\u00e9 ou a cavalo sem uma garrucha, e todos trazem uma faca na cintura. O derramamento de sangue \u00e9 encarado sem muito horror; praticamente n\u00e3o h\u00e1 aquela preocupa\u00e7\u00e3o e aquele respeito pela vida humana que caracterizam os pa\u00edses europeus. O afetuoso diminutivo \u0093facadinha\u0094 significa esfaqueamento; \u0093mortezinha\u0094 \u00e9 um assassinato trai\u00e7oeiro. A impossibilidade moral de se aplicar a pena de morte, a facilidade de fugir da cadeia e o pouco receio em rela\u00e7\u00e3o aos trabalhos for\u00e7ados \u0096 entre os escravos \u0096 s\u00e3o fatores que estimulam a vingan\u00e7a\u0094.\n\n<strong>PADRES E MILITARES ENTRAM EM CENA<\/strong>\n\nA Igreja Cat\u00f3lica sempre deu legitimidade aos governos monarquistas. Nos s\u00e9culos XVI e XVII, per\u00edodo \u00e1ureo do absolutismo, os te\u00f3ricos diziam que o poder do monarca emanava do poder divino. Por isso n\u00e3o era dif\u00edcil de compreender a sobreviv\u00eancia de v\u00ednculos entre a Igreja e o Estado, no per\u00edodo imperial brasileiro.\n\nO imperador escolhia, de comum acordo com o papa, os bispos que exerceriam fun\u00e7\u00f5es sacerdotais no Brasil (a este direito, davase o nome de benepl\u00e1cito); em troca, os padres recebiam sal\u00e1rios do governo imperial, como se fossem funcion\u00e1rios p\u00fablicos (este aux\u00edlio era chamado de padroado).\n\nEvidentemente um bispo n\u00e3o deveria enfrentar o imperador nas quest\u00f5es pol\u00edticas. Mas uma dessas quest\u00f5es pol\u00edticas misturou-se a um tema religioso, provocando o conflito entre o Trono e a Cruz. Um padre pernambucano decidiu homenagear o cinquenten\u00e1rio de funda\u00e7\u00e3o de uma loja da ma\u00e7onaria. O bispo D. Vital de Oliveira resolveu punir o padre, recebendo o apoio de outro bispo (D. Macedo Costa). D. Pedro II, que era ma\u00e7om, permitiu que o Supremo Tribunal de Justi\u00e7a os retaliasse, condenando os bispos sob a acusa\u00e7\u00e3o de criar obst\u00e1culos \u00e0 administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica, com quatro anos de trabalhos for\u00e7ados. A crise com a Igreja reduziu muito a base de sustenta\u00e7\u00e3o pol\u00edtica do Imp\u00e9rio.\n\n<strong>A VEZ DO EX\u00c9RCITO<\/strong>\n\n<strong>O rompimento com a Igreja produziu um colapso na sustenta\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica do Imp\u00e9rio, mas n\u00e3o significava um golpe mortal na institui\u00e7\u00e3o:<\/strong> afinal, os padres n\u00e3o possuem outra arma al\u00e9m de seus crucifixos&#8230; Mas um rompimento com os militares traria consequ\u00eancias muito mais s\u00e9rias. At\u00e9 porque os militares possuem ferramentas de trabalho altamente convincentes em quaisquer tipos de discuss\u00e3o.\n\n<strong>O rompimento entre o Imp\u00e9rio e o Ex\u00e9rcito come\u00e7ou por uma quest\u00e3o econ\u00f4mica:<\/strong> o governo havia prometido um montepio (pens\u00e3o militar) \u00e0s fam\u00edlias dos militares mutilados ou mortos durante a Guerra do Paraguai. Treze anos depois, como nada havia sido pago, os militares encarregaram o tenente-coronel Sena Madureira de defender os interesses do Ex\u00e9rcito.\n\n\u00c9 evidente que o imperador n\u00e3o podia maltratar Sena Madureira. Primeiro, porque ele estava defendendo um interesse justo; segundo, porque o tenente-coronel tinha o apoio decidido de todo o Ex\u00e9rcito. Para evitar maiores danos pol\u00edticos, D. Pedro II assinou um decreto, proibindo que os militares se manifestassem pela imprensa. Para azar do imperador, logo depois que o decreto entrou em vigor, um militar \u00edntegro, de nome Cunha Matos, manifestou-se pela imprensa na tentativa de evitar que ladr\u00f5es de fardamento pudessem ficar impunes.\n\n<strong>N\u00e3o havia alternativa: <\/strong>Cunha Matos deveria ser punido, pois manifestara-se pela imprensa, o que era proibido. Desnecess\u00e1rio dizer que o Ex\u00e9rcito levantou-se em defesa de Cunha Matos, o que tornou mais f\u00e1cil ainda a difus\u00e3o das id\u00e9ias republicanas entre os militares.\n\n<strong>Silva Jardim, republicano radical, afirmou na \u00e9poca:<\/strong> \u0093Estou convicto de que a monarquia n\u00e3o tem defensores, a n\u00e3o ser os membros da fam\u00edlia real\u0094.\n\n<strong>SEM BASE DE SUSTENTA\u00c7\u00c3O SOCIAL, O IMP\u00c9RIO CAI<\/strong>\n\nO golpe de 15 de novembro de 1889 n\u00e3o foi mais do que o ep\u00edlogo de um processo natural de desgaste econ\u00f4mico, pol\u00edtico e social. Embora a tranquilidade pol\u00edtica persista (o que significa dizer que os setores populares permanecem fora do cen\u00e1rio), os atores da nova cena econ\u00f4mica e social est\u00e3o cada vez mais convencidos da necessidade de se substituir as institui\u00e7\u00f5es imperiais.\n\nOnde est\u00e3o os que apoiavam o Imp\u00e9rio? Qual \u00e9 o \u00e2nimo dos senhores de terras nordestinos, empedernidos escravocratas? Esta parcela da aristocracia rural, apesar de ser beneficiada com a manuten\u00e7\u00e3o do \u0093voto mandioca\u0094 e da vitaliciedade no Senado, sentiu-se tra\u00edda pela aboli\u00e7\u00e3o da escravatura.\n\n<strong>Um de seus mais importantes representantes, Jo\u00e3o Maur\u00edcio Wanderley (Bar\u00e3o de Cotegipe), ao cumprimentar protocolarmente a Princesa Isabel, quando esta acabou de assinar a Lei \u00c1urea, foi provocado por ela:<\/strong>\n<blockquote>-\u0093 Ent\u00e3o, meu caro Bar\u00e3o, ganhei ou n\u00e3o a parada? Consegui, como desejava, redimir uma ra\u00e7a\u0094.\nO Bar\u00e3o de Cotegipe limitou-se a dizer:\n&#8211; \u0093A senhora acabou de redimir uma ra\u00e7a e perder o trono\u0094.<\/blockquote>\nD. Pedro II perdera o apoio dos grandes fazendeiros conservadores, quando permitiu a aboli\u00e7\u00e3o da escravid\u00e3o; tornou-se inimigo das classes urbanas por ter sido extremamente lento em promover mudan\u00e7as pol\u00edticas que acomodassem os novos grupos econ\u00f4micos emergentes, que viviam nas cidades; n\u00e3o deu aos cafeicultores uma maior autonomia provincial, o que os fez desacreditar na monarquia. O imp\u00e9rio n\u00e3o foi derrubado, caiu.\n\nOs grupos de elite n\u00e3o precisaram romper a tranquilidade pol\u00edtica, n\u00e3o sentiram a necessidade de trazer segmentos populares para as ruas, n\u00e3o precisaram do apoio dos humildes para proclamar a Rep\u00fablica. Ap\u00f3s um baile t\u00e3o luxuoso quanto melanc\u00f3lico, na Ilha Fiscal, uma quartelada que mais parecia um desfile militar encerrou o per\u00edodo imperial.\n\n<strong>Um viajante franc\u00eas, Max Leclerc, sintetizou os acontecimentos de maneira precisa: <\/strong>\n<blockquote>\u0093A revolu\u00e7\u00e3o est\u00e1 terminada e ningu\u00e9m parece discuti- la: mas acontece que os que fizeram a revolu\u00e7\u00e3o n\u00e3o tinham de modo algum a inten\u00e7\u00e3o de faz\u00ea-la e h\u00e1 atualmente na Am\u00e9rica um presidente da rep\u00fablica \u00e0 for\u00e7a. Deodoro desejava apenas derrubar um minist\u00e9rio hostil. Era contra Ouro Preto e n\u00e3o contra a Monarquia. A Monarquia ca\u00edra. Colheram- na sem esfor\u00e7o, como um fruto maduro. O edif\u00edcio imperial, mal constru\u00eddo, edificado para outros tempos e outros destinos, j\u00e1 n\u00e3o bastava \u00e0s necessidades dos novos tempos.\u0094<\/blockquote>\n<strong>Parece exagero do franc\u00eas, mas n\u00e3o era: <\/strong>o Imp\u00e9rio, que imp\u00f4s o sil\u00eancio de cemit\u00e9rio ao pa\u00eds, morreu sem emitir qualquer gemido ou protesto. E praticamente ningu\u00e9m lamentou o seu passamento.\n\n<strong>Fonte:<\/strong>\u00a0www.slideshare.net\/www.marcillio.com\/www.encyclopedia.com\/psiquecienciaevida.uol.com.br(Ney vilela)\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Segundo Imp\u00e9rio, Reinado, Brasil, Hist\u00f3ria, D. 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