{"id":10146,"date":"2015-12-22T00:00:00","date_gmt":"2015-12-22T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/uncategorized\/revolta-tenentista\/"},"modified":"2026-08-31T19:08:41","modified_gmt":"2026-08-31T19:08:41","slug":"revolta-tenentista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/historia-do-brasil\/revolta-tenentista\/","title":{"rendered":"Revolta Tenentista"},"content":{"rendered":"\n<strong>Revolta Tenentista &#8211; Movimento<\/strong>\n\nO\u00a0<strong>Movimento Tenentista (1922)\u00a0<\/strong>como o pr\u00f3prio nome diz, ocorreu entre o baixo e m\u00e9dio oficialato militar.\n\nRepresentou o descontentamento destes grupos com a postura do governo federal. Este deve ser entendido tamb\u00e9m como um movimento circunscrito a setores de classe m\u00e9dia das cidades. N\u00e3o devemos, portanto, exigir dele uma ideologia popular.\n\nOs\u00a0<strong>Tenentistas<\/strong>\u00a0busca vam alterar a estrutura pol\u00edtica da rep\u00fablica olig\u00e1rquica atrav\u00e9s da for\u00e7a militar e n\u00e3o da participa\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica da sociedade. Criticavam duramente a corrup\u00e7\u00e3o, as fraudes eleitorais, a subservi\u00eancia ao capital internacional e os baixos soldos a que estavam submetidos. Propunham o fim da rep\u00fablica olig\u00e1rquica, a valoriza\u00e7\u00e3o das For\u00e7as Armadas e uma a\u00e7\u00e3o nacionalista de recupera\u00e7\u00e3o da economia e da sociedade brasileira.\n\nComo voc\u00ea deve ter percebido, parte bastante significativa do pr\u00f3prio poder do Estado, os militares, deixavam de falar a l\u00edngua do presidente da rep\u00fablica.\n\nO\u00a0<strong>Movimento<\/strong>\u00a0entre os militares contudo, n\u00e3o se inciou de maneira violenta. No per\u00edodo inicial (at\u00e9 1922), ele nem sequer chegou a romper a hierarquia militar.A relut\u00e2ncia da presid\u00eancia da rep\u00fablica em discutir o problema e muito menos tentar resolv\u00ea-lo, acabou acirrando as tens\u00f5es.\n\nEm 1922 no per\u00edodo pr\u00e9-eleitoral, as tens\u00f5es pol\u00edticas se avolumaram.\n\n<strong>A \u201ctroca de gentilezas\u201d entre os dois candidatos provocou a primeira revolta:\u00a0<\/strong>A Revolta do Forte de Copacabana.\n\nEssas elei\u00e7\u00f5es se sucederam num clima bastante ruim politicamente. Um bloco olig\u00e1rquico formado pelas elites dos estados do Rio Grande do Sul, Bahia, Pernambuco, Rio de Janeiro e apoiado pelos militares, tentou romper a pol\u00edtica do caf\u00e9-com-leite lan\u00e7ando a candidatura do ex-presidente Nilo Pe\u00e7anha.\n\nCom a publica\u00e7\u00e3o de uma carta falsamente atribu\u00edda ao candidato governista Artur Bernardes no jornal \u201cO Correio da Manh\u00e3\u201d agredindo violentamente os militares, e a posterior vit\u00f3ria do caf\u00e9-com-leite nas urnas(com vis\u00edveis fraudes eleitorais), precipitaram a revolta.\n\nApesar de rapidamente sufocada, a viol\u00eancia utilizada que culminou na morte de dezoito oficiais do ex\u00e9rcito \u201cos dezoito do Forte de Copacabana\u201d foram suficientes para produzir m\u00e1rtires, her\u00f3is e principalmente difundir os ideais tenentistas por muitos quart\u00e9is brasileiros.\n\nEm 1924 as contradi\u00e7\u00f5es pol\u00edticas entre tenentistas e governo chegaram no seu limite. A revolta paulista e a revolta rio-grandense s\u00e3o os maiores exemplos. Delas surgiu a Coluna Prestes (1925-1927) que por dois anos manteve pelo interior de nosso pa\u00eds uma guerrilha armada comandada pelo capit\u00e3o do ex\u00e9rcito Lu\u00eds Carlos Prestes que exigia, entre outras coisas, o fim da rep\u00fablica olig\u00e1rquica.\n\nApesar do movimento tenentista ter envolvido apenas uma fra\u00e7\u00e3o dos militares nas revoltas, suas reivindica\u00e7\u00f5es eram bem vistas pelo conjunto das For\u00e7as Armadas.Com o passar do tempo os ideais tenentistas se tornaram hegem\u00f4nicos.\n\n<strong>Os governantes olig\u00e1rquicos cada vez menos tinham controle sobre as For\u00e7as Armadas, culminando posteriormente, em 1930, no apoio quase un\u00e2nime dos militares ao golpe que derrubou definitivamente o caf\u00e9-com-leite do poder:<\/strong>\u00a0A Revolu\u00e7\u00e3o de 1930.\n\n<strong>Revolta Tenentista &#8211; Os Tenentes<\/strong>\n\nEpit\u00e1cio Pessoa assumindo a presid\u00eancia em 1919, o pa\u00eds passa por um moment\u00e2neo alivio, pois al\u00e9m de seu prestigio de chefe da Miss\u00e3o a Conferencia da Paz, estava fora do esquema caf\u00e9 com leite (S\u00e3o Paulo e Minas Gerais), trazendo esperan\u00e7a de uma pol\u00edtica pac\u00edfica e independente. Devido \u00e0 decis\u00e3o de empossar civis nas pastas militares, cresceu a confian\u00e7a de todos.\n\nOs militares ficam descontentes com rela\u00e7\u00e3o a civis nas suas pastas, acreditando que neste governo existia um antimilitarismo. A c\u00e2mara e a imprensa se unem e numa critica as a\u00e7\u00f5es do presidente.\n\nEstes fatos ser\u00e3o acrescidos de outros, aumentando cada vez mais a oposi\u00e7\u00e3o ao governo.\n\nFoi neste contesto de turbul\u00eancia na administra\u00e7\u00e3o do pa\u00eds que surgiu um movimento de contesta\u00e7\u00e3o ao governo e as oligarquias que comandavam o pa\u00eds denominado Tenentismo.\n\nO movimento ficou conhecido assim porque teve como suas principais figuras oficiais de n\u00edvel intermedi\u00e1rio do Ex\u00e9rcito tenentes em primeiro lugar e capit\u00e3es. O levante se deu de 1922 a 1927 e n\u00e3o arrastou a c\u00fapula das For\u00e7as Armadas o alto comando militar manteve-se alheio a uma ruptura pelas armas.\n\nH\u00e1 uma hist\u00f3ria do Tenentismo antes e depois de 1930. Os dois per\u00edodos dividem-se por uma diferen\u00e7a essencial, antes de 1930, o tenentismo foi um movimento de rebeldia contra o governo da Republica, depois de 1930, os \u201ctenentes\u201d entram no governo e procuraram lhe dar um rumo que promovesse seus objetivos.\n\nO primeiro ato de rebeldia foi \u00e0 revolta do Forte de Copacabana ocorrida a 5 de julho de 1922.\n\nO clima de ofensas ao Exercito e a repress\u00e3o contra o Clube Militar levou os jovens Tenentes a se rebelar com um protesto destinado a \u201csalvar a honra do Exercito\u201d, Esta revolta ficou conhecida como os 18 do forte de Copacabana.\n\nDois anos depois, explodiu o chamado Segundo 5 de julho, em S\u00e3o Paulo. A data foi escolhida para homenagear o primeiro movimento, e o local pela import\u00e2ncia do estado. A revolu\u00e7\u00e3o de 1924 foi bem mais preparada, tendo como objetivo expresso derrubar o governo de Artur Bernardes.\n\nNos anos 20, Bernardes personificou o \u00f3dio que os \u201ctenentes\u201d tinham da oligarquia dominante.\n\nDurante o ano de 1923, houve uma articula\u00e7\u00e3o de militares em torno de Nilo Pe\u00e7anha, visto-como poss\u00edvel l\u00edder de um novo movimento rebelde. Por\u00e9m Nilo morreu no come\u00e7o de 1924 e os conspiradores voltaram-se para o nome do general reformado Isidoro Dias Lopes, um oficial ga\u00facho que se colocara ao lado dos tenentes.\n\nEntre os oficiais mais atuantes encontram-se os irm\u00e3os T\u00e1vora (Juarez e Joaquim), Eduardo Gomes, Estilac Leal, Jo\u00e3o Cabanas, Miguel Costa.\n\nA presen\u00e7a de Miguel Costa oficial de prest\u00edgio da For\u00e7a Publica Paulista trazia para os rebeldes o apoio de uma parte da mil\u00edcia estadual.\n\nIniciado o movimento com a tomada de alguns quart\u00e9is, desenvolveu-se uma batalha pelo controle de S\u00e3o Paulo. Os choques foram marcados por uma grande desinforma\u00e7\u00e3o de ambos os lados. A 9 de julho, quando os revolucion\u00e1rios se preparavam para abandonar a cidade, chegou a eles a not\u00edcia de que a sede do governo os Campos El\u00edseos estava vazia. De fato, o governador Carlos Campos, a conselho militar, sa\u00edra da cidade, instalando-se em seus arredores.\n\nA presen\u00e7a dos Tenentes na capital paulista durou at\u00e9 o dia 27. No come\u00e7o, a falta de g\u00eaneros aliment\u00edcios provocou v\u00e1rios saques de armaz\u00e9ns e do mercado municipal. Os \u201ctenentes\u201d entenderam-se com o prefeito e o presidente da Associa\u00e7\u00e3o comercial, tentando assegurar o abastecimento e a normalidade da vida na cidade. Era dif\u00edcil, entretanto alcan\u00e7ar este \u00faltimo objetivo, pois o governo empregou artilharia contra os rebeldes sem maior discrimina\u00e7\u00e3o. Militares e civis foram atingidos e ocorreram s\u00e9rios estragos materiais.\n\nAfinal os revoltosos abandonaram a cidade a 27 de julho, deslocando-se pelo interior de S\u00e3o Paulo, em dire\u00e7\u00e3o a Bauru. A manobra foi facilitada pela eclos\u00e3o de revoltas tenentistas em cidades do interior.\n\nEssa foi \u00e0 chamada \u201ccoluna paulista\u201d, que se fixou no oeste do Paran\u00e1, em um lugarejo pr\u00f3ximo \u00e0 Foz do Igua\u00e7u. A\u00ed as tropas vindas de S\u00e3o Paulo enfrentaram os legalistas, \u00e0 espera de uma outra coluna proveniente do Rio Grande do Sul. Neste estado, estourara uma revolta tenentista em outubro de 1924~ na qual se destacaram os Tenentes Jo\u00e3o Alberto e o Capit\u00e3o Luis Carlos Prestes.\n\nEla contava com o apoio da oposi\u00e7\u00e3o ga\u00facha ao PRR, mesclando assim o tenentismo com as diverg\u00eancias da pol\u00edtica estadual Depois de v\u00e1rios combates, os ga\u00fachos se deslocaram em dire\u00e7\u00e3o ao Paran\u00e1, indo ao encontro das for\u00e7as paulistas. Eles se juntaram em abril de 1925, decidindo percorrer o Brasil para propagar a id\u00e9ias de revolu\u00e7\u00e3o e levantar a popula\u00e7\u00e3o contra as oligarquias.\n\nAssim nasceu a Coluna Miguel Costa-Lu\u00eds Carlos Prestes, que acabou ficando conhecida como Coluna Prestes. A coluna realizou uma incr\u00edvel marcha pelo interior do pa\u00eds, percorrendo cerca de 20 mil quil\u00f4metros at\u00e9 fevereiro\/mar\u00e7o de 1927, quando seus remanescentes deram o movimento por terminado e se internaram na Bol\u00edvia e no Paraguai. Seus componentes nunca passaram de 1500 pessoas, oscilando muito com a entrada e sa\u00edda de participantes transit\u00f3rios.\n\nA Coluna evitou entrar em choque com for\u00e7as militares poderosas deslocando-se rapidamente de um ponto para outro. O apoio da popula\u00e7\u00e3o rural n\u00e3o passou de uma ilus\u00e3o, e as possibilidades de \u00eaxito militar eram praticamente nulas. Entretanto, ela teve um efeito simb\u00f3lico entre os setores da popula\u00e7\u00e3o urbana de insatisfeitos com a elite dirigente. Para esses setores, havia esperan\u00e7as de mudar os destinos da Rep\u00fablica, como mostravam aqueles \u201cher\u00f3is que corriam os riscos para salvar a na\u00e7\u00e3o\u201d.\n\n<strong>QUAIS ERAM OS OBJETIVOS DO TENENTISMO?<\/strong>\n\nPara responder a essas quest\u00f5es devemos examinar o que passava no interior do Ex\u00e9rcito e da sociedade. Nesse sentido, a primeira constata\u00e7\u00e3o importante \u00e9 o fato de que a forma\u00e7\u00e3o dos oficiais mudou muito desde os primeiros tempos da Rep\u00fablica A Escola Militar da Praia Vermelha foi fechada definitivamente em 1904 quando ocorreu sua \u00faltima revolta e at\u00e9 1911 o governo manteve apenas a Escola de Guerra de Porto Alegre. Nessa data criou-se no Rio de Janeiro a Escola Militar do Realengo.\n\nO prop\u00f3sito da escola n\u00e3o era o de formarem soldados-cidad\u00e3os, com o p\u00e9 no Ex\u00e9rcito e o outro na sociedade civil e na pol\u00edtica. Agora, tratava-se de formar soldados profissionais.\n\nO treinamento dos oficiais melhorou com a ida de tr\u00eas turmas \u00e0 Alemanha, entre 1906 e 1910. Hermes da Fonseca era um entusiasta da organiza\u00e7\u00e3o militar alem\u00e3, tendo assistido \u00e0s grandes manobras militares sob o comando do Chefe de Estado daquele pa\u00eds, em 1910. Anos depois em 1920, a renova\u00e7\u00e3o do Ex\u00e9rcito se ampliou com a vinda da miss\u00e3o francesa.\n\nA Alemanha perdera a guerra e era inevit\u00e1vel a procura de outro modelo. Viviam a contradi\u00e7\u00e3o entre a forma\u00e7\u00e3o militar moderna e a rotina e o atraso do Ex\u00e9rcito de ent\u00e3o.\n\nO pretendido pelo governo com esta fachada de moderniza\u00e7\u00e3o e melhoramento profissional distanci\u00e1-los da pol\u00edtica.\n\nUma das principais raz\u00f5es de queixa dos quadros intermedi\u00e1rios do ex\u00e9rcito residia na estrutura da carreira, que dificultava a ascens\u00e3o aos postos mais elevados.\n\nAl\u00e9m disso, os \u201ctenentes\u201d tinham desprezo por personagens da c\u00fapula militar que haviam se associado aos figur\u00f5es da Rep\u00fablica. Por exemplo, em seu livro \u00c0 Guisa do Depoimento, escrito provavelmente em 1927, o tenente Juarez T\u00e1vora atacava o ministro da Guerra Setembrino de carvalho, acusando-o de exercer uma esp\u00e9cie de militarismo de encomenda \u201ctacanho e porco\u201d, explorando caprichos e fraquezas de Artur Bernardes. Desse modo os \u201ctenentes\u201d n\u00e3o queriam apenas purificar a sociedade, mas tamb\u00e9m a institui\u00e7\u00e3o de onde provinha.\n\nOs tenentes agiram muito e falaram pouco. Os tenentes tinham a concep\u00e7\u00e3o de si mesmos como \u201csalvadores da p\u00e1tria\u201d. De qualquer forma, a restri\u00e7\u00e3o de falar \u00e9 um ind\u00edcio de que, nos anos 20, eles n\u00e3o tinham uma proposta clara de reformula\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. No fundo, pretendiam dotar o pa\u00eds de um poder centralizado, com o objetivo de educar o povo e seguir uma pol\u00edtica vagamente nacionalista.\n\nTratava-se de reconstruir o Estado para construir a na\u00e7\u00e3o. O grande mal das oligarquias pensavam eles consistia na fragmenta\u00e7\u00e3o do Brasil, na sua transforma\u00e7\u00e3o \u201cem vinte feudos\u201d cujos senhores escolhidos pela pol\u00edtica dominante faziam restri\u00e7\u00f5es \u00e0s elei\u00e7\u00f5es diretas, ao sufr\u00e1gio universal, insinuando a cren\u00e7a em urna via autorit\u00e1ria para a reforma do Estado e da sociedade.\n\nDesejavam uma reforma pol\u00edtica e eleitoral, mas n\u00e3o estavam dispostos a representar e organizar. Preferiam a viol\u00eancia armada dos quart\u00e9is para tomada do poder e realiza\u00e7\u00e3o de mudan\u00e7as.\n\n<strong>Os Tenentes tinham uma vis\u00e3o elitista com rela\u00e7\u00e3o \u00e0s massas:<\/strong>\u00a0se preocupavam com sua situa\u00e7\u00e3o, mas n\u00e3o acreditavam em sua for\u00e7a para mud\u00e1-Ia.\n\n<strong>Inclu\u00edram no programa outros pontos:<\/strong>\u00a0a centraliza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica (n\u00e3o dizendo respeito \u00e0 classe m\u00e9dia): a defesa da na\u00e7\u00e3o levou-os a proposta do tipo nacionalista, contra o capital estrangeiro, propondo a nacionaliza\u00e7\u00e3o de minas, ferrovias e at\u00e9 mesmo bancos.\n\nUm grave problema estrutural era o fato das diferen\u00e7as ideol\u00f3gicas entre os tenentes, nem mesmo o nacionalismo era consenso, n\u00e3o escapando de uma forte ambig\u00fcidade, muitas vezes confundida com um rom\u00e2ntico patriotismo.\n\n\u00c9 muito comum ouvir-se falar de que os tenentes foram os representantes da classe m\u00e9dia urbana. Ela \u00e9 explic\u00e1vel pela aparente analogia entre setores intermedi\u00e1rios da sociedade e do Ex\u00e9rcito e pelo ineg\u00e1vel prestigio do \u201ctenentismo\u201d na popula\u00e7\u00e3o urbana at\u00e9 o fim da d\u00e9cada de 20. Entretanto, considerar o \u201ctenentismo um movimento de classe seria uma simplifica\u00e7\u00e3o.\n\nTamb\u00e9m \u00e9 verdade que muitos dos tenentes eram filhos de trabalhadores da classe media e de elites empobrecidas, motivo pelo qual aparece em sua pauta de quest\u00f5es como liberdade de imprensa e partid\u00e1ria.\n\nDo ponto de vista da origem social, os \u201ctenentes\u201d provinham em sua maioria de fam\u00edlias de militares e da ou de ramos empobrecidos de fam\u00edlias de elite do nordeste.\n\nMuito poucos eram os recrutados entre a popula\u00e7\u00e3o urbana do Rio ou de S\u00e3o Paulo. Acima de tudo, devemos lembrar que os \u201ctenentes\u201d eram tenentes, ou seja, integrante do ex\u00e9rcito. Sua vis\u00e3o de mundo formou-se, sobretudo por sua socializa\u00e7\u00e3o no interior das For\u00e7as Armadas. Essa vis\u00e3o era espec\u00edfica deles, assim como as queixas contra a institui\u00e7\u00e3o de que faziam parte.\n\nO seu universo ideol\u00f3gico \u00e9 mais importante que sua origem de classe. As classes m\u00e9dias brasileiras nunca se organizaram em um poderoso movimento civil.\n\nOs setores altos dessa classe estavam ligados \u00e0 burocracia e ao Estado, atrav\u00e9s do emprego.\n\nAs camadas baixas dessa classe se confundiam com a plebe urbana participando de movimentos de oposi\u00e7\u00e3o com o operariado que n\u00e3o tinha interesse em uma a\u00e7\u00e3o conjunta.\n\nDescontados alguns apoios, os \u201ctenentes\u201d acabaram enfrentando o governo praticamente sozinho. N\u00e3o conseguiram arrastar o Ex\u00e9rcito atr\u00e1s de si nenhum setor ponder\u00e1vel da elite civil at\u00e9 1930 mostrou-se disposto a jogar uma cartada t\u00e3o radical.\n\n<strong>Radical n\u00e3o por seu conte\u00fado, mas por seu m\u00e9todo:<\/strong>\u00a0a confronta\u00e7\u00e3o armada.\n\nA Alian\u00e7a Libera\u2019 foi \u00e0 \u00fanica alian\u00e7a s\u00f3lida entre Tenentes e civis. Entraram como caudat\u00e1rios de uma oligarquia dissidente (os mesmos que combatiam). Seu principal l\u00edder, Lu\u00eds Carlos Prestes n\u00e3o participou por ter se convertido ao marxismo. Ironicamente quando os tenentes chegaram ao poder, 1930 \u2013 1933, o Tenentismo n\u00e3o existia mais enquanto movimento.\n\n<strong>Revolta Tenentista &#8211; Forte de Copacabana<\/strong>\n\nRio de Janeiro, 1922. Soldados do Forte de Copacabana iniciam uma rebeli\u00e3o.\n\nDepois de bombardeado por mar e por terra, um pequeno grupo de homens sai do forte e enfrenta as tropas do governo.\n\n<strong>Sobrevivem dois:<\/strong>\u00a0Eduardo Gomes e Siqueira Campos.\n\nEste levante \u00e9 o primeiro do movimento que fica conhecido como\u00a0<b>Tenentismo.<\/b>\n<p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-159880 aligncenter\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Revolt7-3-300x226.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"226\" \/><b>Forte Copacabana\nAcervo Biblioteca M\u00e1rio de Andrade \u2013 SP<\/b><\/p>\nNas primeiras d\u00e9cadas do s\u00e9culo XX, o Brasil vive um regime pol\u00edtico dominado pelos grandes propriet\u00e1rios de terra de S\u00e3o Paulo e Minas Gerais. Com a industrializa\u00e7\u00e3o e o crescimento das cidades, novos grupos sociais emergem.\n\nSetores do operariado, da classe m\u00e9dia, da burguesia industrial e de oligarquias n\u00e3o representados no governo, disputam um espa\u00e7o no poder pol\u00edtico.\n\nNo come\u00e7o dos anos 20, cai o pre\u00e7o internacional do caf\u00e9. O governo arca com os preju\u00edzos e compra os estoques dos cafeicultores.\n\nA elei\u00e7\u00e3o de Artur Bernardes para a Presid\u00eancia da Rep\u00fablica, em 1922, gera protestos entre os jovens oficiais das For\u00e7as Armadas, especialmente os tenentes. Bernardes \u00e9 o candidato do governo.\n\nSua elei\u00e7\u00e3o significa a continuidade dos mesmos grupos no poder.\n\nA oposi\u00e7\u00e3o dos tenentes leva o governo a fechar o Clube Militar do Rio de Janeiro. Esta a\u00e7\u00e3o \u00e9 o estopim que provoca o levante do Forte de Copacabana.\n\n<strong>1924 \u2013<\/strong>\u00a0\u00c9 em S\u00e3o Paulo que ocorre a mais violenta revolta tenentista dos anos 20. Os rebeldes ocupam a cidade durante quase um m\u00eas. Querem o fim do poder das oligarquias.\n\nReivindicam a moraliza\u00e7\u00e3o do governo, voto secreto e independ\u00eancia do poder legislativo, al\u00e9m da obrigatoriedade da educa\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria e profissional. Parte da popula\u00e7\u00e3o adere \u00e0 revolu\u00e7\u00e3o.\n\nLojas s\u00e3o saqueadas e depredadas.\n\nAs for\u00e7as federais atacam os revoltosos e bombardeiam S\u00e3o Paulo. Morrem mais de 500 pessoas e quase 5 mil ficam feridas. Os rebeldes batem em retirada e se refugiam no interior do Paran\u00e1.\n\nNeste tempo, pipocam levantes tenentistas pelo Brasil. Amazonas, Par\u00e1, Sergipe, Mato Grosso e Rio Grande do Sul. Todos acabam vencidos pelas for\u00e7as governistas.\n\nNo Rio Grande do Sul, tr\u00eas destacamentos comandados pelo tenente Luis Carlos Prestes rompem o cerco das tropas oficiais e avan\u00e7am at\u00e9 o Paran\u00e1. Ali encontram os revoltosos de S\u00e3o Paulo e iniciam uma longa marcha pelo interior do Brasil.\n\nA\u00a0<strong>Coluna Prestes<\/strong>, como fica conhecida, tem cerca de 1500 homens e vai percorrer mais de 25 mil quil\u00f4metros de sert\u00f5es e florestas.\n\nO seu objetivo \u00e9 conseguir a ades\u00e3o dos militares \u00e0 sua a\u00e7\u00e3o contra o Governo Federal. Depois de dois anos de batalhas, a Coluna Prestes fica enfraquecida e reduzida a 650 soldados.\n\nSeus l\u00edderes se refugiam na Bol\u00edvia.\n\nEm 1927, as rebeli\u00f5es foram controladas. Mas o movimento tenentista continua ativo e ter\u00e1 papel decisivo, tr\u00eas anos depois, na Revolu\u00e7\u00e3o de 1930.\n\n<strong>Os anos rebeldes do tenentismo<\/strong>\n\n<strong>O movimento que agitou a cena pol\u00edtica brasileira na d\u00e9cada de 1920, defendendo transforma\u00e7\u00f5es profundas no pa\u00eds, desembocou num programa pol\u00edtico autorit\u00e1rio e elitista<\/strong>\n\nD\u00e9cada de 1920. Novos ventos sopravam no Brasil. O ano de 1922, em especial, foi cen\u00e1rio de uma sucess\u00e3o de acontecimentos que mudaram de forma significativa o panorama pol\u00edtico e cultural do pa\u00eds.\n\nA crise do pacto olig\u00e1rquico era evidente diante da demanda por maior participa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica dos setores urbanos, da insatisfa\u00e7\u00e3o dos militares e do descontentamento crescente de diversos grupos dominantes.\n\nFoi o ano de uma disputada sucess\u00e3o presidencial, que explicitou diverg\u00eancias s\u00e9rias entre as oligarquias. Foi tamb\u00e9m o ano da cria\u00e7\u00e3o do Partido Comunista do Brasil, e do in\u00edcio do movimento tenentista, al\u00e9m da Semana de Arte Moderna e das comemora\u00e7\u00f5es do centen\u00e1rio da Independ\u00eancia.\n\nAt\u00e9 ent\u00e3o, a pol\u00edtica dos governadores, ou pol\u00edtica do caf\u00e9-com-leite acordo entre o presidente da Rep\u00fablica e governadores estaduais que assegurava\u00a0o dom\u00ednio pol\u00edtico das oligarquias de Minas e S\u00e3o Paulo havia neutralizado as oposi\u00e7\u00f5es, garantindo que as for\u00e7as da situa\u00e7\u00e3o fossem sempre vitoriosas. As elei\u00e7\u00f5es presidenciais n\u00e3o eram muito disputadas, com exce\u00e7\u00e3o das sucess\u00f5es de 1910 e de 1919, quando Rui Barbosa, candidato de oposi\u00e7\u00e3o, foi derrotado, respectivamente, pelo marechal Hermes da Fonseca e por Epit\u00e1cio Pessoa. Em 1922 foi diferente. Pela primeira vez, o confronto entre os estados de primeira e segunda grandeza se apresentou claramente numa disputa pela presid\u00eancia da Rep\u00fablica, revelando o acirramento dos problemas do federalismo desigual brasileiro.\n\nO confronto assumiu sua forma plena com o movimento da Rea\u00e7\u00e3o Republicana, que lan\u00e7ou a candidatura do fluminense Nilo Pe\u00e7anha em oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 candidatura oficial do mineiro Artur Bernardes.\n\nEnquanto Bernardes contava com o apoio de Minas Gerais, S\u00e3o Paulo e de v\u00e1rios pequenos estados, em torno da Rea\u00e7\u00e3o Republicana uniram-se Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Bahia,\n\nPernambuco e Distrito Federal, que tentavam estabelecer um eixo alternativo de poder.\n\nA plataforma da Rea\u00e7\u00e3o Republicana defendia a regenera\u00e7\u00e3o dos princ\u00edpios republicanos e a forma\u00e7\u00e3o de partidos pol\u00edticos nacionais. Ela criticava a forma como se desenvolvia o federalismo no Brasil, acusando-o de beneficiar apenas os grandes estados. Para enfrentar a amea\u00e7a permanente de derrota que rondava toda candidatura de oposi\u00e7\u00e3o, a Rea\u00e7\u00e3o Republicana desencadeou uma propaganda eleitoral, coisa pouco comum nas elei\u00e7\u00f5es da Primeira Rep\u00fablica. E, o que \u00e9 importante, buscou apoio militar.\n\n<strong>Apesar do clima de intensa agita\u00e7\u00e3o que marcou os primeiros meses de campanha pol\u00edtica, as elei\u00e7\u00f5es se realizaram na data prevista:<\/strong>\u00a0no dia 1\u00ba de mar\u00e7o de 1922. Os resultados eleitorais, controlados pela m\u00e1quina oficial, deram a vit\u00f3ria a Artur Bernardes, com 466 mil votos, contra 317 mil de Nilo Pe\u00e7anha. Mais uma vez, o esquema eleitoral vigente na Rep\u00fablica funcionou para garantir a vit\u00f3ria do candidato da situa\u00e7\u00e3o, embora o n\u00famero de votos conseguido pela oposi\u00e7\u00e3o materializasse a gravidade da disputa em curso.\n\nDiferentemente das elei\u00e7\u00f5es anteriores, a oposi\u00e7\u00e3o n\u00e3o aceitou a derrota. A Rea\u00e7\u00e3o Republicana desencadeou uma campanha para manter a mobiliza\u00e7\u00e3o de seus aliados e alimentar a insatisfa\u00e7\u00e3o militar.\n\nA falta de prest\u00edgio e poder que os militares enfrentavam\u00a0 praticamente desde a montagem do pacto olig\u00e1rquico era respons\u00e1vel por essa insatisfa\u00e7\u00e3o. A for\u00e7a que tiveram na primeira d\u00e9cada republicana, de 1889 a 1899, havia decrescido consideravelmente. O fechamento da Escola Militar da Praia Vermelha, em 1904, e a posterior cria\u00e7\u00e3o da Escola Militar do Realengo alteraram profundamente a forma\u00e7\u00e3o da oficialidade do Ex\u00e9rcito.\n\nO prop\u00f3sito da nova escola era formar soldados profissionais, afastados das quest\u00f5es pol\u00edticas e dedicados ao fortalecimento da institui\u00e7\u00e3o militar.\n\nUma s\u00e9rie de incidentes ocorridos no in\u00edcio dos anos 20 iria recolocar na ordem do dia a participa\u00e7\u00e3o dos militares na pol\u00edtica. O epis\u00f3dio das chamadas cartas falsas foi um deles. Em outubro de 1921, o jornal carioca Correio da Manh\u00e3 publicou duas cartas que atribu\u00edam a Bernardes cr\u00edticas ao Ex\u00e9rcito e ao presidente do Clube Militar, o ex-presidente da Rep\u00fablica Hermes da Fonseca, criando uma indisposi\u00e7\u00e3o completa entre o candidato da situa\u00e7\u00e3o e segmentos militares.\n\nAinda que Bernardes tenha vencido a elei\u00e7\u00e3o, estava preparado o caminho para a eclos\u00e3o da primeira revolta de tenentes, em julho de 1922. O incidente permitiu que dois movimentos de origens distintas a rebeldia militar e a Rea\u00e7\u00e3o Republicana se articulassem para contestar as estruturas pol\u00edticas da Primeira Rep\u00fablica.\n\nO tenentismo foi um conjunto de movimentos militares que se desenvolveu ao longo da d\u00e9cada de 1920, prosseguindo at\u00e9 meados dos anos 30. Liderados pela jovem oficialidade das for\u00e7as armadas, os chamados tenentes tinham como principais bandeiras o fortalecimento da institui\u00e7\u00e3o militar, a moraliza\u00e7\u00e3o dos costumes pol\u00edticos e a constru\u00e7\u00e3o de um Estado centralizado que pudesse modernizar o pa\u00eds.\n\nA primeira revolta tenentista, conhecida como o levante do Forte de Copacabana, foi derrotada, bem como as iniciativas de contesta\u00e7\u00e3o eleitoral da Rea\u00e7\u00e3o Republicana.\n\nO movimento n\u00e3o obteve a ades\u00e3o de segmentos militares expressivos, e as oligarquias dissidentes, que tanto haviam contribu\u00eddo para acirrar os \u00e2nimos militares, n\u00e3o se dispuseram a um engajamento mais efetivo.\n\nEpit\u00e1cio pediu imediatamente a decreta\u00e7\u00e3o do estado de s\u00edtio no Rio e no Distrito Federal, e grande n\u00famero de deputados dissidentes votaram a favor da medida, demonstrando um recuo das oligarquias e a desarticula\u00e7\u00e3o completa da Rea\u00e7\u00e3o Republicana. Em novembro de 1922, Bernardes tomou posse como presidente da Rep\u00fablica sob estado de s\u00edtio, desencadeando forte repress\u00e3o contra todos aqueles que se haviam oposto \u00e0 sua candidatura.\n\nOs levantes tenentistas continuaram por algum tempo. Em julho de 1924, eclodiu uma segunda revolta em S\u00e3o Paulo. Os rebeldes ocuparam a capital por tr\u00eas semanas, e s\u00f3 depois de muita resist\u00eancia a abandonaram, deslocando-se para o interior. Em abril de 1925, esse mesmo grupo uniu-se a outro contingente revolucion\u00e1rio, que havia sublevado unidades no Rio Grande do Sul.\n\nEssa uni\u00e3o foi a origem da Coluna Miguel Costa-Prestes, que percorreu a p\u00e9 13 estados e cerca de 30 mil quil\u00f4metros, com o objetivo de levar uma mensagem revolucion\u00e1ria a todo o pa\u00eds.\n\nExpress\u00e3o mais radical dos movimentos militares da d\u00e9cada de 1920, a chamada Coluna Prestes foi combatida por diferentes advers\u00e1rios arregimentados pelo governo federal, conseguindo vencer grande parte dos combates.\n\nFinalmente, em 1927, contando com poucos remanescentes, refugiou-se na Bol\u00edvia e dep\u00f4s as armas.\n\nA cr\u00edtica ao governo e a divulga\u00e7\u00e3o de propostas pol\u00edticas integravam o rol de objetivos da Coluna.\n\n<strong>A peregrina\u00e7\u00e3o dos tenentes pelo territ\u00f3rio brasileiro tinha o prop\u00f3sito de divulgar o ide\u00e1rio que pregava<\/strong>: voto secreto; liberdade de imprensa; equil\u00edbrio na divis\u00e3o real de poder entre executivo, legislativo e judici\u00e1rio; combate \u00e0 fraude eleitoral e \u00e0 corrup\u00e7\u00e3o. Este programa, embora n\u00e3o tenha provocado uma mobiliza\u00e7\u00e3o social relevante, conquistou a simpatia de parte da popula\u00e7\u00e3o urbana.\n\nTr\u00eas diferentes correntes tentam explicar o movimento tenentista. A primeira, mais tradicional e amplamente difundida, explica o tenentismo como um movimento que,\u00a0 a partir de suas origens sociais nas camadas m\u00e9dias urbanas, representaria os anseios destes setores por uma maior participa\u00e7\u00e3o na vida nacional e nas institui\u00e7\u00f5es pol\u00edticas. A segunda corrente, formulada a partir de trabalhos produzidos nos anos 60 e 70, tenta contestar a absolutiza\u00e7\u00e3o da origem social na defini\u00e7\u00e3o do conte\u00fado do tenentismo, privilegiando aspectos organizacionais do movimento, ou seja, entende este movimento como produto da institui\u00e7\u00e3o militar.\n\nA terceira corrente defende uma an\u00e1lise mais global, levando em conta tanto a situa\u00e7\u00e3o institucional dos tenentes como membros do aparelho militar, quanto a sua composi\u00e7\u00e3o social como membros das camadas m\u00e9dias.\n\nEm 1929, iniciou-se novo processo de sucess\u00e3o presidencial.\n\n<strong>Tudo indicava que as regras que norteavam o funcionamento da pol\u00edtica at\u00e9 ent\u00e3o seriam mais uma vez cumpridas:<\/strong>\u00a0as for\u00e7as da situa\u00e7\u00e3o, por meio do presidente da Rep\u00fablica, indicariam um candidato oficial, que deveria ser apoiado por todos os grupos dominantes nos estados. Dessa vez, contudo, houve uma cis\u00e3o no cerne do pr\u00f3prio grupo dominante. Washington Lu\u00eds, resolvido a fazer seu sucessor, indicou como candidato oficial J\u00falio Prestes, paulista como ele e ent\u00e3o presidente do estado. Com isso, rompia-se o acordo t\u00e1cito com Minas, que esperava ocupar a presid\u00eancia da Rep\u00fablica.\n\nEssa diverg\u00eancia entre Minas e S\u00e3o Paulo abriu espa\u00e7o para que outras disputas e pretens\u00f5es, sufocadas no passado, pudessem ressurgir. Nesse contexto, em julho de 1929, com o apoio mineiro, foi lan\u00e7ada a candidatura de Get\u00falio Vargas, o presidente do estado do Rio Grande do Sul, tendo como vice o presidente da Para\u00edba, Jo\u00e3o Pessoa. Estava formada a Alian\u00e7a Liberal, uma coliga\u00e7\u00e3o de for\u00e7as pol\u00edticas e partid\u00e1rias pr\u00f3-Vargas. Sua plataforma estava voltada para conquistar a simpatia das classes m\u00e9dias e de setores oper\u00e1rios, e seu programa propunha reformas pol\u00edticas (voto secreto, justi\u00e7a eleitoral e anistia aos presos pol\u00edticos) e medidas de prote\u00e7\u00e3o ao trabalho (aplica\u00e7\u00e3o de lei de f\u00e9rias, regulamenta\u00e7\u00e3o do trabalho do menor e da mulher).\n\nA acirrada disputa eleitoral foi agravada pela profunda crise econ\u00f4mica mundial provocada pela quebra, em outubro de 1929, da bolsa de Nova York.\n\nNo final desse ano j\u00e1 havia centenas de f\u00e1bricas falidas no Rio e em S\u00e3o Paulo, e mais de um milh\u00e3o de desempregados em todo o pa\u00eds. A crise atingiu tamb\u00e9m as atividades agr\u00edcolas, especialmente a cafeicultura paulista, produzindo uma violenta queda dos pre\u00e7os do caf\u00e9 e liq\u00fcidando o programa de estabiliza\u00e7\u00e3o do governo que vinha sendo implementado. As elei\u00e7\u00f5es se realizaram em mar\u00e7o de 1930, e a vit\u00f3ria coube a J\u00falio Prestes, que recebeu cerca de um milh\u00e3o de votos, contra 737 mil dados a Get\u00falio Vargas. Mas j\u00e1 estava em marcha um movimento conspirat\u00f3rio para depor Washington Lu\u00eds, pela for\u00e7a das armas, e liq\u00fcidar o pacto olig\u00e1rquico ent\u00e3o vigente.\n\nUm acontecimento inesperado deu for\u00e7a \u00e0 conspira\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria. Em 26 de julho de 1930, o candidato a vice da Alian\u00e7a Liberal, Jo\u00e3o Pessoa, foi assassinado em Recife.\n\nEmbora as raz\u00f5es do crime tenham sido passionais e n\u00e3o pol\u00edticas, ele foi transformado em m\u00e1rtir do movimento que se articulava. Nos meses seguintes, esse movimento cresceu, com a ades\u00e3o de importantes quadros do Ex\u00e9rcito. A articula\u00e7\u00e3o entre os setores olig\u00e1rquicos dissidentes e os tenentes avan\u00e7ou lentamente, principalmente porque a mais importante lideran\u00e7a tenentista Lu\u00eds Carlos Prestes lan\u00e7ara no ex\u00edlio, em maio de 1930, um manifesto no qual condenava o apoio \u00e0s oligarquias.\n\nA posi\u00e7\u00e3o de Prestes encontrou fortes resist\u00eancias junto a outras lideran\u00e7as tenentistas, como Juarez T\u00e1vora, que acreditava que a articula\u00e7\u00e3o com Alian\u00e7a Liberal era uma possibilidade que devia ser considerada pelos tenentes o que de fato acabou se concretizando com o prosseguimento das atividades conspirat\u00f3rias.\n\nUm grupo advindo do movimento tenentista liderado por T\u00e1vora participou ativamente do movimento revolucion\u00e1rio. A conspira\u00e7\u00e3o estourou em Minas Gerais e no Rio Grande do Sul, no dia 3 de outubro de 1930.\n\nEm seguida, ela se alastrou para v\u00e1rios estados do Nordeste. Em todos esses locais, ap\u00f3s algumas resist\u00eancias, a situa\u00e7\u00e3o pendeu para os revolucion\u00e1rios. Em 24 de outubro, o presidente Washington Lu\u00eds foi deposto e os militares constituiram uma Junta Provis\u00f3ria de governo. Essa Junta tentou permanecer no poder, mas a press\u00e3o das for\u00e7as revolucion\u00e1rias vindas do Sul e das manifesta\u00e7\u00f5es populares obrigaram-na a entregar o governo do pa\u00eds a Get\u00falio Vargas, empossado na presid\u00eancia da Rep\u00fablica em 3 de novembro de 1930.\n\nA chegada de Vargas ao poder deu in\u00edcio a uma nova fase da hist\u00f3ria pol\u00edtica brasileira. O significado da Revolu\u00e7\u00e3o de 1930 tem sido objeto de interesse de in\u00fameros estudiosos, que t\u00eam produzido diferentes interpreta\u00e7\u00f5es. Para uns, em 1930 teria ocorrido uma revolu\u00e7\u00e3o liderada por setores urbano-industriais. Para outros, o movimento foi conduzido pelos interesses da classe m\u00e9dia, atrav\u00e9s da a\u00e7\u00e3o dos tenentes. H\u00e1 os que afirmam que o que ocorreu foi apenas um golpe militar para deter o avan\u00e7o das camadas populares. E h\u00e1 os que enfatizam a a\u00e7\u00e3o dos grupos olig\u00e1rquicos dissidentes.\n\nMais recentemente, considera-se que o movimento n\u00e3o foi resultado da a\u00e7\u00e3o de nenhuma classe ou grupo social em particular, mas que combinou diferentes interesses de atores pol\u00edticos insatisfeitos com a situa\u00e7\u00e3o vigente.\n\nEssa \u00faltima interpreta\u00e7\u00e3o, que v\u00ea os vitoriosos de 1930 como um grupo heterog\u00eaneo tanto do ponto de vista socioecon\u00f4mico, quanto do ponto de vista pol\u00edtico, vem se consolidando.\n\nMesmo entendendo que o movimento militar de 1930 n\u00e3o pode ser definido como uma revolu\u00e7\u00e3o, no sentido de alterar profundamente as rela\u00e7\u00f5es sociais existentes, admite-se que ele inaugurou uma nova fase na Hist\u00f3ria do pa\u00eds, abrindo espa\u00e7o para profundas transforma\u00e7\u00f5es.\n\nO tempo transformou o ide\u00e1rio inicial do tenentismo, e\u00a0 o\u00a0 programa pol\u00edtico do grupo que aderiu \u00e0 Revolu\u00e7\u00e3o de 1930\u00a0 passou a se caracterizar principalmente pelo estatismo, autoritarismo e elitismo.\n\nA presen\u00e7a dos tenentes como interventores (substituindo os governadores) foi marcante\u00a0 no cen\u00e1rio imediatamente posterior \u00e0 Revolu\u00e7\u00e3o. No entanto, as antigas oligarquias estaduais ofereceram resist\u00eancias aos tenentes; e as v\u00e1rias tentativas de concilia\u00e7\u00e3o acabaram falhando.\n\nAssim, nas elei\u00e7\u00f5es de 1933 os tenentes perderam espa\u00e7os na pol\u00edtica nacional, mas \u00e9 certo que n\u00e3o se pode falar sobre mudan\u00e7as pol\u00edticas ocorridas a partir da d\u00e9cada de 1920 sem\u00a0 se propor a entender este movimento e\u00a0 o seu significado para a\u00a0 hist\u00f3ria pol\u00edtica brasileira.\n\n<strong>Revolta Tenentista &#8211; Resumo<\/strong>\n\n<strong>Tenentismo<\/strong>, movimento pol\u00edtico-militar e ideol\u00f3gico brasileiro ocorrido na d\u00e9cada de 1920 e in\u00edcio da seguinte, sob a forma de in\u00fameros levantes militares, pode ser caracterizado pelas cr\u00edticas de jovens militares \u00e0s institui\u00e7\u00f5es republicanas e \u00e0s condi\u00e7\u00f5es da sociedade brasileira da \u00e9poca.\n\nDefendia a moderniza\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica do pa\u00eds e combatia a corrup\u00e7\u00e3o pol\u00edtica.\n\nO movimento foi apontado como uma das causas da Revolu\u00e7\u00e3o de 1930, na qual teve uma atua\u00e7\u00e3o intensa, organizando o Clube Tr\u00eas de Outubro, que procurou dar maior consist\u00eancia pol\u00edtica \u00e0s suas id\u00e9ias.\n\n<strong>Fonte:<\/strong>\u00a0www.libertaria.pro.br\/professorisaac.page.tl\/www2.tvcultura.com.br\/www.revistadehistoria.com.br\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Revolta Tenentista, Movimento, Brasil, Hist\u00f3ria, Militar, Tenentismo, Tenentes, 1922, Propostas, Coluna Prestes, Objetivos, Revolta Tenentista<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":10149,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[54],"tags":[],"class_list":["post-10146","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-historia-do-brasil"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v28.3 - 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