
Elenco e Comissão Técnica da Seleção Brasileira tricampeã Mundial de Futebol. Em pé: Rogério (Olheiro), Cláudio Coutinho (Prep. Físico), Parreira (Prep. Físico), Félix, Joel, Leão, Fontana, Brito, Clodoaldo, Zagallo (Técnico) e Admildo Chirol (Prep. Físico); Agachados: Mário Américo (Massagista), Rivellino, Carlos Alberto Torres, Baldocchi, Piazza, Everaldo, Paulo César Caju, Tostão, Marco Antônio e Ado; Sentados: Edu, Zé Maria, Dadá Maravilha, Gérson, Roberto Miranda, Jairzinho, Pelé e Nocaute Jack (Massagista). Técnico: Zagallo.
Mas nem tudo eram flores. Enquanto do Brasil acumulava riquezas, as mesmas não saiam das mãos dos ricos e poderosos do país, fruto do próprio projeto de desenvolvimento dos militares que ficou muito sintetizado pela frase do economista Antônio Delfim Netto um dos principais articulistas das estratégias econômicas do período militar que afirmava que era preciso primeiro “fazer o bolo crescer, para depois dividi-lo”, o que obviamente não se concretizou. A inflação passou a ameaçar o poder de compra dos brasileiros, em especial daqueles menos favorecidos num processo que acabaria agravando ainda mais o quadro de desigualdade social brasileiro, que já era problemático. Poucos anos após a conquista da Copa do Mundo, o cenário político já começava a se tornar mais hostil à ditadura. A fim de fingir uma aparência de normalidade institucional, a ditadura militar permitia a existência de dois partidos, uma exceção em momentos de golpe institucional: O ARENA (Aliança Nacional Renovadora) ligado aos militares e o MDB (Movimento Democrático Brasileiro) uma oposição moderada ao regime. Em 1974, o MDB venceu as eleições para o congresso no momento em que a campanha eleitoral passou a vincular gratuitamente na TV aberta, em um claro sinal de descontentamento popular quanto aos rumos que o país tomava. Enquanto na política o ARENA, apesar de controlar as eleições do Congresso de perto, se enfraquecia perante o MDB, a economia dava claros sinais de fracasso: a inflação em descontrole passava a afetar o dia a dia da população, e a sociedade civil começava a ter um olhar mais crítico para com o governo militar. Apesar da censura, tornavam-se evidentes os casos de corrupção e movimentos sociais como o dos estudantes, representado em especial pela UNE, e dos trabalhadores sindicalizados, tendo a sua frente a CUT, passaram a desempenhar um importante papel no qual realizavam manifestações contra o governo, que passavam cada vez mais a contar com apoio da população. Desta maneira, a sociedade brasileira se engajava na luta pela volta da democracia, solapada pelos militares, com o intuito de devolver à população o direito de se escolher seus representantes legítimos. Durante a década de 1980 surgiu um movimento social que abrangia a sociedade brasileira como um todo, no qual agentes que outrora eram inimigos políticos se uniram em torno do ideal de redemocratização, em um movimento que se espalhou por várias cidades do Brasil e ficou conhecido como Diretas Já! (1983-1984).
Imagem mostrando a união de grupos políticos diferentes em prol
da redemocratização no Brasil
No dia 25 de abril de 1984 o Congresso Nacional começou a discutir a instauração de uma emenda proposta pelo deputado Dante de Oliveira para que ocorressem eleições diretas para presidente. Para ser aprovada, a proposta de Dante necessitava de dois terços dos votos dos deputados, ou seja, 320.
Em uma nítida manobra política, os congressistas, com medo de ficarem reféns da população, sabotaram em massa da eleição uma vez que a mesma possuiu quórum (número mínimo de membros para que a votação seja considerada válida) e, no entanto, 113 deputados não compareceram à sessão.
Matéria de capa do Jornal do Brasil de 26 de abril de 1983 noticiando a rejeição da eleição direta para presidente em 1984.
Com a abertura política surgiram várias críticas a políticos brasileiros, como do grupo de comediantes Casseta & Planeta (1978-2010). Um dos grandes momentos de ácida crítica política do grupo, foi quando eles lançaram uma campanha de protesto a eleição para prefeito do Rio de Janeiro em 1988, lançando o Macaco Tião, animal celebridade do Zoológico municipal do Rio de Janeiro que era conhecido por atirar fezes nos visitantes, inclusive em algumas personalidades políticas que chegaram a visitar o local.
No âmbito cultural, os anos 1980 foi um período de uma interessante movimentação artística.
Na música surgiram nomes como Cazuza, bandas como Legião Urbana, Engenheiros do Havaí, Titãs, que adentraram ao mainstream e fizeram muito sucesso comercial sendo críticos aos políticos e aos casos de corrupção que ocorriam no período e agora, devido a abertura política, estavam as claras.
Capa do disco da banda Ultraje a rigor lançado em 1987. Dois anos antes, o mesmo grupo lançou o álbum “Nós vamos invadir sua praia” que possuía a música “Inútil”, uma clara referência ao momento político de seu lançamento que em determinado momento afirmava, em um português propositalmente em discordância com a concordância verbal “A gente não sabemos, Escolher presidente, A gente não sabemos, Tomar conta da gente, A gente não sabemos, Nem escovar os dentes”