Pré-sal
Pré-sal
Para otimizar a exploração do petróleo na chamada camada do “Pré Sal“, situada na costa litorânea do Brasil, a Petrobras (Petróleo Brasileiro S/A) planeja construir uma ilha artificial para servir de ponto de apoio durante as atividades de exploração no referido nível do campo submerso de petróleo.
Na indústria do petróleo não há nada parecido. O projeto da ilha artificial é inédito e deve estar totalmente pronto e implantado até o ano de 2015.
O projeto prevê a cosntrução de um heliporto, armazéns e alojamentos afim de atender os trabalhadores, no que tange – principalmente – aos problemas advindos com o transporte dos mesmos, assim como do armazenamento de cargas leves necessárias no local.
Com sede no Rio de Janeiro, a Petrobras é uma empresa estatal brasileira, ocupando a quarta posição no ranking das maiores petrolíferas de capital aberto do mundo.
Em termos de valor de mercado, ela ocupa o sexto lugar entre as maiores empresas do mundo e o terceiro lugar no continente americano (calculado em US$ 96 bilhões em dezembro de 2008).
A Petrobras opera em 27 países, nas diferentes fases da cadeia produtiva do petróleo, desde a sua exploração, produção, refino, comercialização e transporte do mesmo.
O mesmo ocorrendo em termos de seus derivados e de gás natural.
Quando a ilha já estiver totalmente implantada, em 2015, o campo do pré-sal terá 11 plataformas de produção.
Pré-sal – História
Há aproximadamente 122 milhões de anos, os continentes americano e africano formavam um super continente: o Gondwana.
Intensas movimentações no interior da crosta terrestre causaram a divisão do Gondwana. Ao longo da fratura que se estabeleceu entre os novos continentes, desenvolveu-se uma estreita e longa bacia sedimentar, que evoluiu de um lago, onde se depositaram sedimentos ricos em matéria orgânica no seu fundo, para um golfo alongado com a entrada do mar (predecessor do Atlântico Sul).
Neste golfo circulavam águas saturadas de cloreto de sódio e outros sais solúveis. Sucessivas épocas de evaporação intensa propiciaram a deposição de evaporitos. Assim, a hoje espessa camada de sal encontrada na margem continental brasileira recobre sedimentos lacustres e transicionais que geraram o petróleo e o gás natural presentes nas bacias sedimentares do Sudeste brasileiro.
Formação dos continentes há 122 Milhões de Anos a.C. Reconstrução Paleogeográfica – Aptiano
Aos sedimentos lacustres e transicionais que permanecem sob as espessas camadas de sal (+ de 2000 m) e nos quais foram encontradas gigantescas jazidas de petróleo e gás natural na Bacia de Santos convencionou-se denominar “camadas do pré-sal” ou simplesmente “pré-sal”.
O que é Subsal
Na situação descrita acima, as jazidas de petróleo encontram-se em rochas reservatórios imediatamente abaixo das espessas camadas de sal em sua posição original (autóctone), isto é, in situ, numa determinada idade geológica.
Devido às características de mobilidade do sal e sob intensa pressão de uma coluna de sedimentos sobreposta (pós-sal) e ainda, em consequência de movimentos no interior da crosta terrestre (tremores, manifestações de vulcanismo, etc.) camadas de sal tendem a se movimentar ascendentemente e lateralmente (alóctones) buscando alívio de pressão, intrudindo camadas de rochas sedimentares mais novas e tomando as mais diversas formas.
Nestas situações podem ocorrer jazidas de petróleo em rochas reservatório abaixo das camadas alóctones de sal, o que se convencionou denominar “reservatórios subsal”. Grandes volumes de petróleo e gás natural neste tipo de reservatório são encontrados no Golfo do México.
No Brasil, ocorrem possibilidades de acumulações em reservatórios do subsal, mas ainda não explorados sistematicamente.
O Pré-Sal no Brasil
Historicamente, geólogos e geofísicos sempre acreditaram que poderia ser encontrado petróleo nas camadas do pré-sal, embora existissem dúvidas sobre os volumes existentes.
As reservas descobertas na Bacia de Sergipe-Alagoas propiciaram produção no Campo de Carmópolis, que completou 45 anos de atividade ininterrupta e ainda paga participação especial.
Em áreas exploratórias offshore, a Petrobras perfurou poços em águas rasas que alcançaram o pré-sal nas bacias de Sergipe-Alagoas (Campo de Camorim) e de Campos. Entretanto, as descobertas confirmadas ao longo dos primeiros anos da década de 80 se revelaram viáveis comercialmente, porém pouco significativas, principalmente por conta das limitações tecnológicas da época.
Com o avanço tecnológico, os esforços de exploração se intensificaram, fazendo com que a Petrobras buscasse águas cada vez mais profundas, tendo perfurado, desde 2005, 15 poços exploratórios que tinham como objetivo atingir o pré-sal nas bacias de Campos e de Santos. Desse total, nove poços já foram testados em Santos, com indicações de presença de petróleo leve de alto valor comercial (28o API) e grande quantidade de gás natural associado. Os investimentos destinados a esses esforços superaram a marca de US$ 1,5 bilhão.
Essas descobertas encontram-se ainda em fase de avaliação para comprovar seu caráter comercial. Entretanto, os resultados obtidos até o momento apontam para uma nova província exploratória de dimensões gigantescas. Somente no caso do Campo de Tupi, na Bacia de Santos, por exemplo, os volumes divulgados pelo consórcio formado por Petrobras, BG Group e Galp indicam a presença de 5 a 8 bilhões de barris de petróleo recuperáveis – que correspondem a uma faixa entre 30% e mais de 50% das reservas totais da Petrobras. Estes recursos elevarão as reservas – de 14 bilhões de barris de petróleo equivalente (ou BBOE, da sigla em inglês) – para mais de 25 bilhões de barris de petróleo equivalente.
Um poço do Campo de Tupi foi colocado em teste de longa duração para que seja observado o comportamento da produção e outras características do reservatório ao longo do tempo. Após três meses de teste (iniciado em 1º de maio) o poço vem correspondendo às expectativas.
Recentemente a Petrobras descobriu significativas reservas no pré-sal, na Bacia do Espírito Santo, tendo sido colocado um poço no Campo de Jubarte em teste de longa duração para verificar o comportamento da produção e outras características do reservatório.
A Bacia de Campos
A Bacia de Campos é a bacia petrolífera que mais produz na margem continental brasileira, respondendo atualmente por mais de 80% da produção nacional de petróleo.
A exploração da Bacia de Campos ganhou impulso em 1974, com a descoberta do Campo de Garoupa. Entretanto, a sua produção comercial predominantemente de petróleo pesado teve início somente em 1977, no Campo de Enchova.
Essa bacia estende-se por 100 mil quilômetros quadrados do Estado do Espírito Santo, nas imediações da cidade de Vitória, até Arraial do Cabo, no litoral norte do Estado do Rio de Janeiro onde a Petrobras montou um dos maiores complexos petrolíferos do mundo.
No entanto, quando se tratam de jazidas em reservatórios do Pré-Sal, a Bacia de Campos perde em importância para a Bacia de Santos, onde tem ocorrido descobertas com volumes gigantescos de óleo leve e gás natural.
As antigas descobertas no Pré-Sal na Bacia de Campos em águas rasas, campos de Badejo, Pampo, Trilha, Linguado, produzem há mais de 20 anos e estão em acelerado processo de exaustão da produção.
Recentemente no Campo de Jubarte, situado em frente ao litoral do Espírito Santo, teve início, em setembro de 2008, a produção do primeiro poço do Pré-Sal em águas profundas.
O poço está interligado à plataforma P-34, que entrou em operação no final de 2006, no Espírito Santo recebendo e processando petróleo produzido de reservatórios pós-salíferos.
A produção de Jubarte no pré-sal deverá ficar um pouco acima dos 10 mil barris diários de petróleo, com o seu sistema funcionando como um teste de longa duração.
Petrobras
A empresa foi criada em 1953, com o objetivo de monopolizar a exploração do petróleo no Brasil. A partir daí, muitos poços foram perfurados. No final da década de 90, no governo Fernando Henrique Cardoso, a empresa perdeu o monopólio da atividade. Atualmente ela está entre as maiores empresas petrolíferas do mundo. O petróleo é uma das principais commodities minerais (que são, resumidamente, mercadorias produzidas em grande quantidade e comercializadas em escala mundial) produzidas pelo Brasil.
A verdadeira história do pré-sal
A história do setor de petróleo no Brasil apresenta duas grandes fases. A primeira foi iniciada quando o monopólio foi concedido à Petrobrás, no início dos anos 1950, após o sucesso da campanha “O Petróleo é Nosso”, uma rara situação em que as Forças Armadas brasileiras e os partidos de esquerda ficaram de um mesmo lado. Essa campanha culminou na aprovação da Lei nº 2.004, em 1952, que concedeu à Petrobrás o exercício do monopólio, exceto na distribuição de derivados. Mais tarde, o monopólio da Petrobrás foi incorporado à Constituição.
Durante essa fase a Petrobrás não cumpriu a missão, para a qual foi criada, de tornar o País autossuficiente, ou até exportador de petróleo.
Esse fato colocou o Brasil no Guinness Book como o único país no mundo a possuir uma empresa monopolista estatal de um produto importado. Não conseguindo ser um produtor relevante de petróleo, a estratégia foi a de transformar a empresa numa monopolista na produção de derivados de petróleo para o mercado interno. Durante essa primeira fase, foi construído praticamente todo o parque de refino da Petrobrás. Ainda nessa fase, em razão do primeiro choque do petróleo, em 1973, o governo tornou mais flexível a legislação do setor e criou os contratos de risco, que não obtiveram resultados positivos no tocante ao aumento da produção de petróleo. Somente com o segundo choque do petróleo, em 1979, foi possível viabilizar a exploração offshore na Bacia de Campos.
Entretanto, a missão principal da empresa de transformar o Brasil num país autossuficiente em petróleo não foi alcançada nessa primeira fase.
A segunda fase foi iniciada com a sanção do presidente da República Fernando Henrique Cardoso da Lei nº 9.478. Para quem não se lembra, sua aprovação resultou de uma batalha ferrenha, e até emocional, entre a base de apoio ao governo Fernando Henrique e a oposição, liderada pelo PT. Essa lei deu fim ao então intocável e sagrado monopólio da Petrobrás.
Durante todo o debate que precedeu a mudança da Constituição e a posterior aprovação da Lei nº 9.478, a oposição afirmava que por trás da proposta do governo estava um plano maquiavélico de enfraquecimento da Petrobrás. Diziam os críticos da lei que, com o fim do exercício do monopólio, as grandes multinacionais do petróleo tomariam conta do setor e a Petrobrás seria sucateada e privatizada.
Nada disso aconteceu. Ao contrário do que afirmavam as pitonisas pseudonacionalistas, a Lei do Petróleo inaugurou uma fase gloriosa da Petrobrás e do setor de petróleo brasileiro. Na realidade, foi o fim da “Petrossauro”, termo cunhado pelo saudoso Roberto Campos para descrever a Petrobrás daquela época. Nessa fase foi criada a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), pela mesma Lei nº 9.478, que de forma independente regulamentou a legislação e promoveu leilões de áreas que permitiram a entrada no setor de empresas privadas, no segmento de exploração e produção.
Com a nova legislação, a Petrobrás ficou mais blindada contra intervenções políticas, fez parcerias com empresas que entraram no mercado brasileiro e finalmente cumpriu a sua missão de tornar o Brasil autossuficiente em petróleo.
É sempre bom lembrar que foi graças à independência dada pelo governo federal que a ANP pôde realizar os leilões, a partir de 1998, e uma das consequências foi a descoberta do pré-sal.
As áreas do pré-sal pertenciam aos chamados blocos azuis que foram devolvidos pela Petrobrás antes de se iniciarem os leilões e o regime de concessões previsto na Lei nº 9.478. No leilão de 2000, a Petrobrás, em parceria com a BG e a Petrogal, adquiriu o que é conhecido hoje como Campo de Tupi.
É interessante observar que todos os campos já descobertos no pré-sal integraram os leilões da ANP e em todos a Petrobrás tem parceiros e é a operadora. À exceção do Campo de Azulão, que é operado por uma empresa privada, no caso, a Exxon-Mobil. Portanto, sem os leilões promovidos pela ANP, a descoberta da camada pré-sal, com certeza, levaria mais tempo para ser anunciada ao mundo.
Portanto, não foram o governo do PT nem a atual direção da Petrobrás que descobriram o pré-sal. A história dessa descoberta, bem como da autossuficiência, começou a se concretizar a partir do momento em que o governo brasileiro entendeu que não fazia nenhum sentido econômico deixar que uma empresa estatal assumisse o monopólio do risco de explorar petróleo.
Para dar fim a essa anomalia o governo da época abriu o mercado de petróleo no Brasil, permitindo a entrada de novos investimentos beneficiando a Petrobrás, que passou a ter maior liberdade de atuação e, com o seu quadro de funcionários altamente competentes, levou a empresa a bater todos os recordes de lucro e produção de petróleo.
É uma pena que o governo insista em nos colocar no túnel do tempo e nos levar de volta aos anos 50. Vamos resistir.
Fonte: www.ibp.org.br/www.isarj.org.br/www.senado.gov.br/Adriano Pires