Contrarreforma
Morte na fogueira de Savonarola, 1498
A Igreja perdia adeptos e assistia à contestação
e rejeição de seus dogmas, mas demostrou no Concílio
de Trento que ainda era muito poderosa e tinha capacidade de reação
“Já na segunda metade do século XV, tudo o que havia de mais representativo entre os católicos, todos os que tinham verdadeiramente consciência da situação, reclamavam a reforma, por vezes num tom de violência feroz, e mais freqüentemente como um ato de fé nos destinos eternos da ‘Ecclesia Mater’.” (Rops). A Espanha sobressaiu-se como vanguarda da Reforma Católica. “Na Espanha durante os últimos anos do século XV, uma revivescência religiosa iniciada pelo Cardeal Cisneros agitou profundamente o país. (…) Também na Itália, desde o início do século XVI, um grupo de clérigos fervorosos vinha trabalhando para tornar os sacerdotes da sua igreja mais dignos da missão.”Os reis católicos consideraram a reforma eclesiástica como uma parte essencial da restauração do estado, que norteou a sua política. o cardeal Cisneros reformou os franciscanos com São Pedro de Alcântara e a vida monástica, notadamente a dos beneditinos, a Universidade de Alcalá, por ele fundada, foi um grande centro de estudos teológicos e humanísticos e fez publicar a célebre Bíblia Poliglota Complutense. A obra de renovação espiritual do clero e do povo levada a efeito por São João de Ávila constitui um capítulo à parte na história religiosa do século XVI. Santa Teresa de Ávila reformou a Ordem do Carmelo e São João da Cruz estendeu a reforma aos frades carmelitas. A mais importante fundação religiosa, no entanto, neste século foi a da Companhia de Jesus por Santo Inácio de Loyola; quando o seu fundador morreu esta ordem contava com mais de mil membros e meio século depois com 13.000. Os jesuítas prestaram o mais relevante serviço ao Pontificado no trabalho da Reforma Católica com as suas missões, a formação do clero e a educação da juventude, na propagação da fé católica e no ensino da sua doutrina. Segundo Burns, deveu-se em grande parte ao trabalho da Companhia de Jesus “o fato de a Igreja Católica ter recuperado muito de sua força a despeito da secessão protestante.” Também na Itália davam-se inquietações por uma renovação cristã. Surgiu a Ordem dos Teatinos (1524), a Ordem dos Barnabitas (1534), os somascos o Oratório do Amor Divino e o trabalho de Caetano de Thiene e de João Caraffa. Na Itália surgiram também os Capuchinhos como um novo tronco dos Franciscanos, alcançando grande popularidade pela austeridade de vida e dedicação ao ensino. Apogeu da Reforma Católica O auge da reforma católica se deu com os papas reformistas. O primeiro deles foi Adriano VI, sucedeu-lhe Clemente VII com um governo de nove anos. Os papas Paulo III, Paulo IV, Pio V e Sixto V cobriram um período que vai de 1534 a 1590, foram os mais zelosos reformistas que presidiram a Santa Sé desde Gregório VII As finanças da Igreja foram reorganizadas e os cargos foram ocupados por padres e religiosos de reconhecida fama de disciplina e austeridade e foram rigorosos com os clérigos que persistiam no vício e no ócio. A ação dos papas reformistas foi completada com a convocação do Concílio que se reuniu na cidade de Trento. O Concílio de Trento O acontecimento central da Reforma Católica foi a convocação do Concílio. O Papa Paulo III reuniu os representantes máximos da Igreja no Concílio de Trento (entre 1545 e 1563), onde foram reafirmados os princípios da Igreja Católica. No campo doutrinal o Concílio reafirmou, sem exceção, os dogmas atacados pela Reforma Protestante, declarou-se antes de tudo que:
1) a Revelação divina se transmite pela Sagrada Escritura, mas esta Sagrada Escritura abaixo da Tradição da Igreja, e a palavra do Papa é tida como infalivel acima das Escrituras Sagradas e que estas devem ser interpretadas pelo Magistério da Igreja e pela Tradição. 2) O Concílio, ainda, enfrentou o tema chave da questão da “justificação” e, contra as teologias luterana e calvinista, ensinou e declarou que a Salvação vem pelas Obras e o perdão pelas penitências 3) Definiu-se ser verdade também a doutrina dos sete Sacramentos e as notas próprias de cada um deles.O Concílio confirmou, como elementos essenciais da religião católica,como verdades absolutas (dogmas) a transubstanciação, a sucessão apostólica, a crença no purgatório, a comunhão dos santos e reafirmou-se o primado e autoridade do Papa como sucessor de São Pedro contudo não reconheceu o erro de vender indulgências e o considerou como certo. No campo disciplinar procurou-se com empenho a por fim nos abusos existentes no clero, confirmou o celibato clerical e religioso, melhorou-se substancialmente a sua formação intelectual e cultural e mas não exigiu-se uma elevada moralidade e espiritualidade dos seus integrantes pois não existe relatos de punições para os seus subordinados os mesmo poderiam ser punidos se aceitasse a fé protestante. Obrigou-se aos párocos a ensinar a catequese às crianças e a dar doutrina e instrução religiosa aos fiéis. Os habitantes de terras descobertas, foram catequizados através da ação dos jesuítas. Retomou-se o Tribunal do Santo Ofício e Inquisição: para punir e condenar os acusados de heresias e todos os outros que não aceitassem a autoridade da igreja romana. O pós-Concílio O período que se seguiu ao Concílio de Trento foi marcado por uma grande renovação da vida católica. A reforma fundada nos decretos e nas constituições tridentinas foi levada a efeito pelos papas que se sucederam. Foi criado o “Index Librorium Proibitorium” ( Índice de Livros Proibidos ) para evitar a propagação de idéias contrárias à fé da Igreja Católica. Todos estes livros proibidos eram queimados, a Igreja Católica proibiu-os de ser lidos, porque os livros que continham principalmente feitiçaria davam medo. Publicou-se uma Catecismo Romano, um Missal e um Breviário por ordem de São Pio V. O espírito tridentino deu oportunidade ao surgimento de bispos exemplares como São Carlos Borromeu, zeloso arcebispo de Milão. São Filipe de Néri contribuiu para a renovação do espírito cristão da Cúria Romana, São José de Calassanz fundou as Escolas Pias e desenvolveu abnegada atividade de formação da juventude entre as classes populares e São Francisco de Sales difundiu a piedade pessoal – a vida devota – entre os leigos que viviam no meio do mundo. Também são fruto e conseqëncia da Reforma Católica levada a efeito pelo Concílio a renovação da arte sacra cristã, com o surgimento do Barroco que é o estilo artístico da Reforma Católica. Portugal e Espanha levaram a fé católica para além-mar. Hoje os católicos da América Latina e das Filipinas constituem a grande reserva demográfica da Igreja e do Cristianismo. Em 1622 foi criada a Congregação de Propaganda Fide. Na esteira da dinâmica tridentina, por iniciativa de São Pio V, organizou-se a “Santa Liga” que levou a cabo uma autêntica Cruzada contra os turcos otomanos que os derrotou na famosa batalha de Lepanto sob o comando de João de Áustria. Pela ação de missionários como São Francisco de Sales obteve-se a reconquista religiosa de uma porção importante dos povos do centro europeu, e ainda na Áustria, na Baviera, na Polônia, na Boécia e na Ucrânia. A cisão cristã definitiva, entretanto, se deu com o final da Guerra dos Trinta Anos e com a paz de Vestfália, com ela o avanço da reconquista católica na Alemanha ficou bloqueado, ali estabeleceu-se o princípio cuius regio eius religio, cada um siga a religião de seu Príncipe, o que consagrou a fragmentação religiosa germânica num povo dividido em mais de trezentos principados e cidades. A Reforma católica ou Contrarreforma Os avanços do protestantismo ameaçavam seriamente a supremacia da Igreja Católica. Com exceção de Portugal e Espanha, todo o resto da Europa ocidental conhecia movimentos reformistas, o que forçou a Reforma Católica, também conhecida como Contrarreforma. A Igreja não só se armou contra o protestantismo, como também reformou-se internamente. O Concílio de Trento iniciou a Reforma Católica. De 1544 a 1563, com intervalos, os conciliares discutiram as medidas a serem adotadas. Decidiram manter o monopólio do clero na interpretação dos dogmas, reforçar a autoridade papal e a disciplina eclesiástica. Outras medidas foram:
a) Formação obrigatória e ordenação dos padres em seminários. b) Confirmação do celibato clerical. c) Proibição da venda de indulgências e relíquias. d) Manutenção do direito canônico. e) Edição oficial da Bíblia e do catecismo.O espanhol Inácio de Loiola fundou a Companhia de Jesus, em 1534, ordem religiosa com características militares, exigindo dos seus membros completa obediência. Dirigida contra o espírito de independência do humanismo, combateu a razão com suas próprias armas e organizou sua ação a partir do ensino. Os jesuítas foram bem-sucedidos em regiões da Alemanha, Polônia e Suíça. Colaboraram na restauração da disciplina clerical, devolvendo-lhe a pureza. Lutaram pela supremacia da autoridade papal. Participaram ativamente das colonizações portuguesa e espanhola. Desembarcaram na Ásia e na África para difundir o catolicismo. No Brasil, os jesuítas destacaram-se por sua ação catequética. O Concílio de Trento decidiu pelo fortalecimento dos tribunais de inquisição para combater o protestantismo. Os dogmas católicos foram defendidos pela política do terror e da delação dos suspeitos de heresia. Em 1564, o papa Paulo IV, antigo grande inquisidor, investiu até contra as obras científicas que contrariassem os princípios e dogmas católicos. Foi criada a Congregação do índex, um órgão com a função de elaborar a relação dos livros proibidos, ou seja os livros que os católicos não poderiam ler. A Contrarreforma tomava, assim, aspectos de uma verdadeira contra-renascença. Muitos livros e suspeitos de heresia foram condenados à fogueira. A Reforma Religiosa As transformações ocorridas na Europa, na passagem da Idade Média para a Moderna, atingiram os princípios e os valores religiosos tradicionais. Os grandes males do século XIV revelavam que a vida valia muito pouco, que era preciso pensar mais na alma, na vida após a morte, preparar-se para o dia do Juízo Final. Porém, os princípios da Igreja, como a proibição da usura, que limitava os lucros, não se encaixavam nos ideais e objetivos da burguesia. Além disso, os reis e a nobreza cobiçavam os bens da Igreja, especialmente suas terras. Agravava a crise o fato de que leitura da Bíblia e dos textos básicos do Cristianismo contradiziam muitas atitudes e condições da Igreja. Observa-se que havia um descompasso entre a doutrina e a realidade. As riquezas oriundas das rendas das terras eclesiásticas, da venda de indulgências, da cobrança do dízimo embelezavam os palácios episcopais e corrompiam o alto clero. Era uma Igreja que pregava a simplicidade, para os outros. E politicamente havia, dentro dela, uma disputa pela ampliação de poder entre o papado e a Cúria Romana, seu mais alto órgão colegiado. Como a possibilidade da Igreja se reformar de dentro para fora não se concretizou, ela aconteceu de fora para dentro. Características da Reforma:
Movimento religioso que foi provocado pela nova mentalidade humanista aplicada às Sagradas Escrituras, gerando a rejeição da autoridade papal por uma parte da Europa cristã e a fundação do Protestantismo.Surgem, durante o século XVI, as Igrejas Reformadas:
Igreja Luterana Alemanha e países nórdicos, como a Noruega, Suécia, etc. Igreja Reformada (Calvino) ? Genebra, Suíça, França, Escócia, etc. Igreja Anglicana Inglaterra.Causas da Reforma: Intelectuais criticam a Igreja Católica, desencadeando movimentos conhecidos como heresias, dentre eles destacam-se:
Heresia de John Wyclif ? Inglaterra Século XIV (finais) Pregava que: A Bíblia era a única regra de fé e cada crente deveria interpretá-la livremente teve poucos seguidores; Heresia de John Huss – Bohêmia Alemanha século XV (início) – Pregava as idéias de Wiclif Foi condenado pelo Concílio de Constança morreu como herege.Críticas à estrutura disciplinar do Clero Católico e a algumas práticas religiosas católicas:
Abusos e relaxamento dos costumes do Clero; A taxação Papal sobre terras da Europa: dízimos, dispensas, indulgências, emolumentos, etc.; Crítica às dispensas e indulgências; Proibição da usura e do enriquecimento; A difusão da Bíblia, através da imprensa; A análise dos Dogmas da Igreja Católica, provocada pelo desenvolvimento do espírito crítico, fruto da difusão do humanismo; O desejo de certos Príncipes ou Reis de confiscar terras ou riquezas da Igreja Católica (na Alemanha, 1/3 das melhores terras eram da Igreja); O desenvolvimento do Nacionalismo, na Europa; Conflitos entre Reis e Papas; O fortalecimento do Poder Monárquico.Principais reformadores e suas igrejas reformadas Martinho Lutero (Alemanha)
Excelente formação universitária e teológica; Frei da ordem dos Agostinianos, revoltou-se contra o Papado e suas práticas comerciais da época Papa Leão X autorizou venda de indulgências; Foi excomungado pelo Papa por suas idéias;Algumas de suas idéias:
Justificação pela fé, isto é, que jejuns, penitências e os sacramentos não bastavam para redimir o homem pecador?; Atacou, violentamente, a venda de indulgências na Alemanha; Na época de sua morte estava fundada a Igreja Protestante Luterana.A Igreja Luterana É uma Igreja católica medieval com algumas modificações: Principais Dogmas e Práticas Religiosas:
Substituiu o latim pelo alemão nos serviços religiosos; Rejeitou a hierarquia eclesiástica; Aboliu o celibato clerical; Eliminou os sacramentos; Proibiu certas práticas do culto católico, como os jejuns, as peregrinações, as promessas, etc.Surgiram na Alemanha, em conseqüência da reforma luterana, os ANABATISTAS, que levaram a extremos essa doutrina, provocando:
A formação de numerosas Igrejas na Suíça, Suécia, Inglaterra, etc. As guerras de religião na Alemanha.Ulrico Zuínglio e João Calvino:
A Reforma na Suíça começou com as pregações de Zuinglio, nos cantões florescentes, como Berna, Genebra, Basiléia e Zurich, que eram dominados por uma burguesia rica que detestava o ideal católico da pobreza glorificada; Zuinglio era seguidor de Lutero e aceitava a maioria de seus ensinamentos; João Calvino, substituiu Zuinglio, após sua morte e estendeu a Reforma na Suíça, consolidando-a após a conquista e domínio da cidade de Genebra, onde exerceu Ditadura religiosa, apoiado no Consistório, principal órgão de governo. A doutrina calvinista está contida na obra Instituições da Religião Cristã.A Igreja Calvinista: É uma Igreja cristã moderna, adaptada à burguesia rica e concebida para substituir a Igreja Católica na Europa. Principais Dogmas e práticas religiosas:
Adotou a predestinação crença que a pessoa nasce predestinada e os sinais de riqueza indicam-lhe o caminho da salvação; Combateu o papismo eliminando vitrais, quadros, imagens, festas de Natal e de Páscoa e outros rituais, etc. Acompanha mais de perto o texto da Escritura e sua livre interpretação; O Calvinismo espalhou-se pela Europa Ocidental e pelo Novo Mundo;Os Calvinistas passaram a ser conhecidos por diferentes denominações:
Na França eram os Huguenotes; Na Escócia eram os Presbiterianos; Na Holanda eram os Reformistas; Na América eram os Puritanos.Henrique VIII e Elizabeth I na Inglaterra:
O Protestantismo na Inglaterra foi adotado por uma questão política; Henrique VIII desejando um filho varão pediu ao Papa anulação de seu casamento com Catarina de Aragão (após 18 anos de casados, filha de Carlos V, Imperador da Alemanha). O Papa Leão X recusou a anulação. Henrique VIII pede ao Parlamento inglês a aprovação do Act of Supremacy, que o transformou no Chefe da Igreja na Inglaterra. Inicia-se a Reforma na Inglaterra. Os sucessores de Henrique VIII prosseguiram na Reforma Religiosa e Elisabeth I criou o ANGLICANISMO.A Igreja Anglicana:
Religião oficial da Inglaterra, que mantém a forma episcopal e os rituais católicos, combinando-os com a teologia calvinista e presbiteriana; O chefe da Igreja Anglicana é o Rei da Inglaterra.Consequências da Reforma
Rompeu a unidade religiosa da Igreja Católica na Europa; Forçou os ideais de tolerância religiosa; Precipitou as Guerras de Religião na França, Holanda, Alemanha e Inglaterra; Gerou as perseguições religiosas na Inglaterra, França e Holanda, provocando a emigração de milhares de famílias para a América do Norte; Provocou uma tomada de posição da Igreja Católica, gerando a Contra – Reforma ou Reforma Católica.Caracterização: Foi um movimento espontâneo da Igreja Católica Romana de reação contra o protestantismo e de sua expansão pela Europa, visando ainda a reorganização de sua estrutura, atacada pelos reformadores. A Ação da Contrarreforma Pode ser resumida por três fatos de grande importância: A atuação dos Papas Reformistas, Paulo III, Paulo IV e Pio V, que:
Expulsaram da Igreja os Padres relapsos, imorais e perseverantes no erro; Aprovaram os Estatutos da Companhia de Jesus; Convenceram o Concílio de Trento para rever toda a estrutura da Igreja Católica; Reorganizaram o Tribunal da Inquisição.Fonte: Frederico Czar (Professor de História)/www.geocities.yahoo.com.br/www.saberhistoria.hpg.ig.com.br/www.saberhistoria.hpg.ig.com.br